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Maio 2022 No 131 O tamanho do aperto monetário lá fora e aqui A inflação segue alta surpreendendo para cima e batendo recordes em vários países Na Área do Euro gira no maior patamar da série histórica Nos EUA e no Reino Unido as taxas são as mais altas em quatro décadas Agora a revista de economia mais tradicional do país também é blog Conheça este novo canal da Conjuntura Econômica e acompanhe a cada semana matérias e entrevistas que complementam e atualizam as análises que chegam mensalmente aos leitores Blog da CONJUNTURA ECONÔMICA Disponível em versão mobile e desktop fgvbribreblogdaconjunturaeconomica Maio 2022 Boletim Macro 3 O tamanho do aperto monetário lá fora e aqui Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos A inflação segue alta surpreendendo para cima e batendo recordes em vários países Na Área do Euro gira no maior patamar da série histórica Nos EUA e no Reino Unido as taxas são as mais altas em quatro décadas A novidade porém não é tanto a inflação alta mas a mudança de postura dos principais banqueiros centrais que abandonaram o discurso de que a alta dos preços era transitória e se resolveria sozinha e passaram a aceitar que já passou da hora de abandonarem o expansionismo que caracterizou a política monetária desses países nos últimos anos Os juros começaram a subir e vão subir mais já avisaram A questão que se coloca agora é quanto e por quanto tempo No Brasil também ainda que em grau bem menor essa mesma questão está na pauta do dia com uma inflação em vias de fechar o ano outra vez muito acima do teto da banda até onde o BC subirá a Selic As informações divulgadas nas últimas semanas corroboraram a necessidade de maior aperto monetário nos EUA A contração do PIB no primeiro trimestre de 14 na comparação trimestral anualizada com ajuste sazonal poderia até sugerir o contrário mas não quando se olha o detalhe dos números Em especial essa queda foi explicada em grande medida pela contribuição negativa das exportações líquidas tendo a demanda doméstica privada crescido 37 no período Olhando à frente há vários motivos para achar que a inflação seguirá pressionada Em especial os dados mostram que o mercado de trabalho continua muito apertado para padrões históricos com a taxa de desempre go atingindo 36 em março entre outros indicadores que apontam na mesma direção Em particular o índice de custo do trabalho1 ECI que inclui salários e benefícios pagos pelas empresas subiu 14 no primeiro tri mestre em relação ao quarto trimestre após avanço de 10 no último trimestre de 2021 Os dados disponíveis para abril também foram positivos mas perdendo força Há ainda os gargalos nas cadeias de suprimentos que continuam expressivos e foram intensificados pelo surto de Ômicron na China tornando o processo infla cionário ainda mais desafiador Na Europa os sinais também são de alta nos juros mas com certa defasagem em relação aos EUA pois a atividade na região está sentindo diretamente o impacto contracionista vindo da guerra na Ucrânia A China também está passando por um processo de desaceleração com desafios de curto prazo causados pela Covid Com a perspectiva de os juros subirem mais e mais cedo nos EUA além da maior aversão ao risco com a pers pectiva de desaceleração global o dólar ganha força o que por sua vez coloca pressão sobre a atividade nas economias emergentes 1Employment Cost Index divulgado pelo Bureau of Labor Statistics 4 Boletim Macro Maio 2022 O cenário é portanto de desaceleração global É o que mostram os Barometros Economicos Globais Coinci dente e Antecedente do FGV IBRE2 que registram queda pelo segundo mês consecutivo O Barometro Coinciden te de maio mantémse abaixo do nível médio histórico de 100 pontos enquanto o indicador Antecedente se afasta da média refletindo o aumento do risco de desaceleração mais acentuada em diversos países Todos os indicadores setoriais coincidentes também recuaram fortemente no mês As maiores quedas vêm da Construção e Economia Geral avaliações dos consumidores e agregadas empresariais seguidas de In dústria Serviços Comércio Com o resultado todos os cinco indicadores setoriais estão agora abaixo do nível médio histórico de 100 pontos E no Brasil após o aumento esperado da taxa de juros para 1275 o comunicado e a ata do Copom destacaram como provável a extensão do ciclo de aperto monetário mas com uma alta de menor magnitude na reunião de junho Haverá novos aumentos depois disso Se sim até onde A inflação como dito segue muito alta e as expectativas para 2023 aumentando A ata da última reunião do Copom deixou essas questões em aberto De um lado mencionou preocupação com os efeitos defasados da política monetária e os efeitos negativos sobre a atividade economica De outro revelou preocupação sobre a velocidade de desinflação de bens industriais que pode se mostrar bem mais lenta do que o previsto anteriormente Inflação mais pressionada e surpreendendo para cima política monetária mais apertada aqui e lá fora o resultado não poderia ser outro senão a deterioração das condições financeiras domésticas tornando o cenário prospectivo para a atividade economica no Brasil ainda mais desafiador Assim entendemos que os resultados positivos para a atividade no primeiro trimestre que vieram acima do esperado não representam a tendência para os próximos meses O processo de reabertura da economia com o controle parcial da pandemia contribuiu para os resultados positivos para serviços e comércio Para o primeiro trimestre revisamos a previsão de crescimento de 04 TsT para 09 Os dados de início do segundo trimestre também apontam um trimestre moderadamente mais positivo que o anteriormente previsto Porém avaliamos que o segundo semestre pode ter desaceleração mais intensa Consequentemente revisamos apenas ligeiramente a nossa previsão de crescimento para o ano de 06 para 07 Já para 2023 reduzimos a previsão de crescimento de 07 para 04 Conforme destacado nas edições anteriores do Boletim Macro o cenário atual de manutenção do aperto monetário por um período mais prolongado pesa negativamente sobre as atividades mais relacionadas ao ciclo economico3 Além disso as incertezas eleitorais e a indefinição do arcabouço fiscal que deverá vigorar nos próximos anos dificultam o retorno a uma trajetória fiscal sustentável e consequentemente a redução do juro real de equilíbrio da economia O aumento da taxa Selic e as perspectivas de baixo crescimento economico levarão a uma deterioração do resultado nominal e da dívida do setor público mais à frente Isso tornará ainda mais desafiadora a agenda fiscal para o próximo governo a redução dos gastos obrigatórios precisa ser enfrentada através de reformas que são muito difíceis de serem conduzidas politicamente Ao mesmo tempo não há muito espaço para a elevação da carga tributária que já atingiu 339 do PIB em 2021 muito acima de média da América Latina excluindo Brasil e próxima da média dos países da OCDE Não há motivos para comemorar 2Os Barometros Economicos Globais são um sistema de indicadores que permite uma análise tempestiva do desenvolvimento economico global Eles representam uma colaboração entre o Instituto Economico Suíço KOF da ETH Zurique na Suíça e a Fundação Getulio Vargas FGV Ver httpsportalibrefgvbrsitesdefaultfiles202205barometrosglobaiskoffgvpressrelease052022pdf 3O PIB cíclico considera apenas os setores mais diretamente relacionados ao ciclo economico ou seja exclui as atividades como agrope cuária indústria extrativa atividades imobiliárias e serviços públicos Com essas questões em mente podemos assim resumir os destaques desta edição do Boletim Macro FGV IBRE Atividade econômica página 7 Em março os indicadores de alta frequência mostraram normalização mais rápida da economia Os serviços apresentaram forte crescimento o varejo teve surpresa positiva e a indústria continua a sofrer com gargalos de logística Com isso nosso cenário de crescimento do PIB para 2022 teve revisão marginal de 06 para 07 mas com crescimento mais forte na margem no primeiro trimestre de 09 em relação ao quarto trimestre de 2021 Avaliamos que ainda há espaço para recuperação de algumas atividades dos serviços Porém pelo lado da demanda o consumo das famílias deve ser fraco este ano que terá ainda contração dos investimentos Expectativas de empresários e consumidores página 9 A confiança empresarial parece seguir tendência de alta pelo terceiro mês consecutivo enquanto a confiança do consumidor pode recuar caso se confirme a tendência da prévia de maio Ambos os resultados são influenciados pelas expectativas para os próximos meses O controle da pandemia e os resultados mais positivos do que o esperado para a atividade econômica no primeiro trimestre parecem melhorar o humor dos empresários em maio mas a inflação segue sendo o fator mais importante para os consumidores que têm direcionado seus gastos de forma mais cautelosa como para o pagamento de contas e a aquisição de bens de consumo essenciais É notório que a inflação voltou a ser um dos temas sinalizadores de incerteza econômica e a sensação de perda de poder aquisitivo também é sentida pelos consumidores por meio do indicador de expectativa de inflação que seguiu em alta em abril Mercado de trabalho página 12 A PNAD Contínua divulgou sua edição de março com uma taxa de desemprego em 111 04 ponto percentual abaixo do projetado pelo FGV IBRE Com ajuste sazonal ainda se tem forte queda do desemprego de 113 para 109 No entanto o movimento recente é majoritariamente explicado pela queda da taxa de participação O Caged por sua vez teve saldo positivo em linha com o projetado pelo FGV IBRE de 136 mil frente à projeção de 118 mil Para abril projetase saldo de 148 mil o que com ajuste sazonal significa criação de cerca de 163 mil vagas Inflação página 15 A desaceleração apresentada pelo IPCA de abril não coloca um ponto final nas pressões inflacionárias A taxa em 12 meses hoje em 1216 deve se manter acima de 10 pelo menos até agosto antecipando que a trajetória de desaceleração da inflação será lenta e menor que a prevista no início do ano O cenário de incerteza com a guerra entre Rússia e Ucrânia os casos de Covid19 na China e o risco de nova desmobilização das cadeias produtivas acirra as tensões sobre o futuro dos preços o que impõe maior vigilância quanto à tendência da inflação Política monetária página 16 Na seção sobre política monetária o autor examina os dois episódios recentes em que a inflação brasileira chegou a mais de 100 ao ano ou seja os episódios de 2015 e de 2021 Na primeira ocasião foi possível ter sucesso em trazer a inflação para cerca de 30 aa em dois anos No presente episódio o BC tem por objetivo reduzir a inflação em escala semelhante à verificada anteriormente ou seja de mais de 100 para cerca de 30 a meta oficial é 325 em 2023 mas os obstáculos para conseguir o intento não são poucos O texto compara as circunstâncias prevalecentes durante o episódio anterior com as atualmente vigentes ressaltando o fato de as atuais serem bem mais adversas Política fiscal página 18 O investimento público apresentou mais uma queda em 2021 A soma dos investimentos dos três níveis de governo e das empresas estatais federais atingiu 205 do PIB o segundo menor nível de investimento público desde 1947 quando se inicia a série histórica do Observatório de Política Fiscal A agenda de abrir espaço fiscal para promover investimentos público continua atual No entanto o desafio está em obter esses recursos financeiros promovendo melhorias na governança do investimento para que tais projetos tenham elevado retorno social e possam promover desenvolvimento econômico em parceria com o setor privado Setor externo página 19 O lockdown na China intensifica as pressões inflacionárias e os preços das importações continuam sua trajetória ascendente acima dos preços das exportações Os preços de importações aumentam tanto nas commodities como nas não commodities O efeito do aumento nos preços de exportações sobre os termos de troca é menor do que no início da década de 2010 O mês de abril acendeu um alerta para o resultado da balança comercial com retração no volume exportado Mesmo com menores volumes importados a trajetória dos preços sugere queda no superávit comercial de 2022 em relação a 2021 Internacional página 22 Já sob o efeito da política de Covid zero na China a bateria de dados de abril sugere que o segundo trimestre de 2022 será perdido em termos de crescimento Já há analistas projetando contração interanual do PIB o que consideramos no atual momento excessivo Revisamos o crescimento interanual do PIB chinês do trimestre para somente 02 reduzindo a projeção de crescimento de 2022 para 43 Hoje atingir a meta de crescimento do PIB ao redor de 55 em 2022 é praticamente impossível Em foco IBRE página 25 E por fim na Seção Em Foco de autoria dos pesquisadores Janaina Feijó Filho e Paulo Peruchetti o tema é Recuperação do mercado de trabalho nas regiões brasileiras ainda desperta preocupação Maio 2022 Boletim Macro 7 Atividade econômica Apesar da surpresa positiva em março as perspectivas para o ano foram mantidas Silvia Matos Marina Garrido e Mayara Santiago Os indicadores de alta frequência referentes a março surpreenderam positivamente especialmente a Pes quisa Mensal de Serviços Esse resultado indica uma normalização mais rápida do setor e dificilmente irá se sustentar ao longo do ano Dessa forma dada a relevância do setor na economia não devemos observar cres cimento do PIB muito acima do 07 ante 06 já previsto para o ano Apesar do impulso positivo nesse início de ano os efeitos defasados da política monetária como também as incertezas com relação à sustentabilidade das contas públicas e ao cenário eleitoral devem comprometer o desempenho da economia nos demais trimes tres de 2022 E por fim o cenário externo também deve ser bem mais desfavorável para os emergentes Em particular em março a indústria de transformação registrou queda de 06 MsM 25 AsA O setor teve em dez meses apenas dois de alta considerando a última divulgação dos dados com ajuste sa zonal Gargalos associados à falta de insumos para a indústria causados pela desorganização das cadeias globais de produção devem permanecer até meados de 2023 somandose a isso a guerra na Ucrânia que aumenta ainda mais os desafios enfrentados E nesse contexto há desaceleração da demanda devido à inflação e ao aperto monetário Dessa forma indústria de transformação deve manter tendência de queda até o final do ano O varejo ampliado por sua vez superou as expectativas e apresentou crescimento de 45 MsM 07 AsA em março O cenário para o resto do ano é de que o setor varejista ande de lado terminando 2022 com cres cimento negativo graças à inflação elevada e ao aperto monetário em contexto de elevado endividamento das famílias fazendo com que a demanda por bens que dependem mais de crédito tenda a arrefecer E por fim o setor de serviços surpreendeu todos os analistas de mercado em março expectativa de cres cimento em torno de 85 AsA e o resultado foi 114 AsA 17 MsM É importante destacar que quando avaliamos esses setores com os pesos das Contas Nacionais estimamos um crescimento de mais de 17 AsA Essa surpresa positiva em março indica uma recuperação mais acelerada no setor mas com alto nível de incerteza na economia ainda não parece indicar crescimento mais forte para o ano O destaque positivo foi de serviços prestados às famílias que ainda se encontram 12 abaixo do patamar prépandemia fevereiro de 2020 em março a categoria teve crescimento de 24 MsM 622 AsA Para exemplificar a tendência de re cuperação que o segmento vem apresentado nos últimos tempos podemos comparar os resultados de março dos serviços prestados às famílias ao pior momento observado na segunda onda março de 2021 Em março de 2022 essa atividade se encontrava 625 acima do nível de março de 2021 E por fim o IBCBr referente a março não foi divulgado pelo Banco Central devido à greve dos funcionários No entanto o IAEFGV mostrou crescimento de 29 em relação ao mês anterior Com isso a projeção do FGV IBRE para o IBCBr de março é de 25 AsA Portanto assim como nos meses anteriores vemos o IAE indican do crescimento mais forte Em termos trimestrais o indicador do FGV IBRE cresceu 14 AsA em relação ao primeiro trimestre de 2021 e estimamos que o IBCBr teve alta de 12 AsA no mesmo período Adicionalmente o resultado do Monitor do PIB do FGV IBRE para o primeiro trimestre deste ano mostrou crescimento na comparação interanual bem acima do esperado de 24 AsA e na margem de 15 MsM O 8 Boletim Macro Maio 2022 resultado está em linha com o cenário de retomada da economia já antecipado pelo Boletim Macro IBRE mas mostra uma recuperação bem mais forte no início do ano Os dados de março foram animadores porém nosso cenário é que isso indica uma normalização mais rápida e não um crescimento mais forte ao longo dos próximos trimestres isso porque temos muitas incertezas na economia sejam elas internas ou externas Assim revisamos a nossa projeção de crescimento no primeiro trimestre de 04 08 AsA para 09 16 AsA e mantemos a perspectiva de retomada do setor de serviços para 2022 com recuo da indústria de transformação e do comércio Consequentemente para o ano fechado nossa projeção de crescimento do PIB foi levemente revi sada de 06 para 07 ver Tabela 1 Em grande medida a revisão se deu pela normalização mais rápida do setor de serviços e uma revisão na previsão da agropecuária para o primeiro trimestre de acordo com os números do monitor do PIB do FGV IBRE Pelo lado da ofer ta a indústria deve se contrair no primeiro trimestre 02 TsT e 15 AsA por causa da indústria de transformação cuja participação chega a mais de 50 do total do setor Ainda pelo lado da oferta o setor de serviços teve algu mas revisões de 01 TsT 22 AsA para 06 TsT 29 AsA tendo como destaques positivos as atividades de outros serviços e transportes Essas atividades estão em processo de normalização após grande queda no período de crise Além disso os serviços devem crescer 13 em 2022 acima do carrego estatístico de 11 Pelo lado da demanda o consumo das famílias assim como outros serviços teve revisão para cima de 02 TsT 18 AsA no primeiro trimestre para 08 TsT 24 AsA No ano o consumo deve crescer apenas 10 isto é igual ao carrego para 2022 O investimento deve se contrair em 02 TsT 28 AsA no primeiro trimestre após registrar ligeiro crescimento no último trimestre de 2021 Apesar de a deman da interna estar similar ao crescimento do PIB da oferta o setor externo deve contribuir para uma expansão mais forte do PIB pela ótica de demanda 27 AsA As exportações devem crescer 69 TsT 105 AsA e com isso superar em muito as importações cujo resultado esperado é de crescimento de 07 TsT 22 AsA no primeiro trimestre Diante das incertezas presentes este ano tais como eleições guerra e possíveis novas variantes do coro navírus revisamos marginalmente a projeção de crescimento de 06 para 07 levemente acima do carrego estimado de 03 A indústria deve continuar tendo dificuldades e a alta esperada na taxa de juros até meados do ano terá impactos adicionais sobre a demanda por bens O cenário para 2022 é de fraco crescimento devido aos diversos fatores mencionados anteriormente De vemos ter continuação das tendências do final de 2021 com a indústria ainda sofrendo com o atraso na norma lização das cadeias de suprimentos Já pelo lado da demanda com a alta dos juros e as incertezas eleitorais o investimento deve se contrair no ano e o consumo das famílias tende a desacelerar após a normalização da cesta de consumo com forte retomada de serviços em detrimento a bens Com a demanda doméstica estagna da a demanda externa ganha protagonismo e deve contribuir positivamente para o PIB este ano Tabela 1 PIB projeções Atividades 2022I TsT 2022I AsA 2022 Consumo das Famílias 08 24 10 Consumo do Governo 20 07 06 Investimento 02 28 33 Exportação 69 105 35 Importação 07 22 09 PIB 09 16 07 Agropecuária 09 50 10 Indústria 02 15 02 Extrativa 03 25 32 Transformação 13 49 28 Eletricidade e Outros 20 07 08 Construção Civil 01 80 26 Serviços 06 29 13 Fonte IBGE Elaboração FGV IBRE Maio 2022 Boletim Macro 9 Expectativas de empresários e consumidores Confiança Empresarial e dos consumidores novamente em direções opostas Aloisio Campelo Anna Carolina Gouveia e Viviane Seda Bittencourt Os indicadores de confiança empresarial e dos consumidores seguiram em alta em abril sob influência da sensação de normalização de atividades presenciais passado o surto da Ômicron e da entrada de dinheiro na economia com medidas de alívio financeiro às famílias como a liberação de recursos do FGTS e o adiantamen to do 13 de aposentados e pensionistas Os destaques setoriais de abril foram a primeira alta da confiança da Indústria após oito meses de quedas consecutivas e o avanço da confiança do setor de Serviços que manteve tendência de alta pelo segundo mês consecutivo influenciada principalmente por segmentos que demandam consumo presencial como os de Ser viços Prestados às Famílias e de Outros Serviços Uma prévia feita em maio com resultados até o dia 12 deste mês sinaliza continuidade da tendência de recuperação da confiança empresarial influenciada pela melhora das expectativas empresariais em relação aos meses seguintes Já a confiança do consumidor que havia esboçado recuperação em abril volta a cair com os resultados preliminares de maio e pode seguir oscilando em patamar extremamente baixo A perda de folego em maio e a flutuação dos últimos meses refletem o balanceamento entre fatores positivos e negativos no cenário eco nomico e sanitário para o consumidor Em alguns casos como o deste mês parecem pesar mais os fatores negativos como o contínuo aumento dos preços que agora está mais disseminado o elevado endividamento das famílias a alta taxa de juros e as dificuldades remanescentes encontradas no mercado de trabalho Gráfico 1 Confiança de consumidores e empresários Com ajuste sazonal em pontos 957 756 50 60 70 80 90 100 110 120 mai07 nov07 mai08 nov08 mai09 nov09 mai10 nov10 mai11 nov11 mai12 nov12 mai13 nov13 mai14 nov14 mai15 nov15 mai16 nov16 mai17 nov17 mai18 nov18 mai19 nov19 mai20 nov20 mai21 nov21 mai22 ICE ICC Fonte FGV IBRE Uma pergunta extraordinária realizada em fevereiro deste ano mostrou que entre dezembro e fevereiro 325 dos gastos realizados pelos consumidores foram para pagamentos de contas e compras de bens e serviços essenciais percentual que sobe a quase 45 na faixa de renda familiar mais baixa Outros 10 dos consumidores aproximadamente despenderam seus recursos no pagamento de dívidas 14 nas famílias de baixa renda Maio 2022 Boletim Macro 11 Gráfico 3 Nuvens de termos com base nas notícias classificadas como sinalizadoras de incerteza econômica Março de 2022 Abril de 2022 Fonte FGV IBRE Em síntese apesar da resposta da atividade economica ter vindo melhor do que o esperado e isso ter influenciado positivamente as expectativas empresariais para os próximos meses a inflação segue sendo o vilão dos consumidores Com menos poder aquisitivo a maior parte dos consumidores de todas as faixas de renda preferiu gastar com compras essenciais e o pagamento de contas desenhando um cenário de gastos cautelosos nos últimos meses É possível que esse cenário evolua de forma positiva ao contabilizar os estímulos monetários dados recentemente à economia Mas a inflação a alta dos juros e a recuperação lenta do mercado de trabalho podem contrabalançar os avanços alcançados com essas medidas Mercado de trabalho Desemprego surpreende com nova e forte queda mas puxado por menos participação da população em idade para trabalhar Caged segue em linha com o projetado abrindo quase 150 mil vagas Daniel Duque O IBGE divulgou a edição de março da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua PNADC na qual o trimestre móvel da taxa de desemprego fechou em 111 significativamente abaixo do projetado pelo FGV IBRE de 115 Em termos dessazonalizados o percentual caiu de 113 para 109 entre a edição divulgada e a anterior uma forte redução neste último mês Para abril projetase que o nível irá cair para 109 o que com ajuste sazonal significa taxa de 106 12 Boletim Macro Maio 2022 Gráfico 4 Taxa de Desemprego 202022 em 10 11 12 13 14 15 16 dez19 fev20 abr20 jun20 ago20 out20 dez20 fev21 abr21 jun21 ago21 out21 dez21 fev22 abr22 TD TDSA Fonte PNADC IBGE Elaboração FGV IBRE Apesar da surpresa em março é preciso considerar que parte relevante do movimento de melhora da taxa de desemprego se deve à desaceleração da taxa de participação O gráfico abaixo mostra que devido à forte queda em janeiro associada ao surto da variante Ômicron sucedida por recuperação apenas parcial nos meses subsequentes o percentual de adultos ocupados ou procurando ocupação se reduziu no primeiro de trimestre de 2022 em relação ao anterior Gráfico 5 Taxa de Participação mensalizada e trimestral 52 54 56 58 60 62 64 66 mar12 set12 mar13 set13 mar14 set14 mar15 set15 mar16 set16 mar17 set17 mar18 set18 mar19 set19 mar20 set20 mar21 set21 mar22 Fonte PNADC Trimestral Elaboração FGV IBRE Maio 2022 Boletim Macro 13 Variações de taxa de desemprego seguem aproximadamente a fórmula abaixo Em termos simplificados depende do quanto o número de ocupados cresce ou cai mais ou menos em relação à força de trabalho O Gráfico 6 mostra o comportamento das três variáveis acima Como se vê o forte recuo da taxa de desem prego é explicado majoritariamente pela queda da variação da força de trabalho que se manteve praticamente constante entre um trimestre ou outro a força de trabalho pode crescer com a taxa de participação em queda caso o aumento da população em idade de trabalhar compense a segunda Gráfico 6 Queda da Taxa de Desocupacão decomposta entre aumento da População Ocupada e Força de Trabalho 00 05 10 15 20 25 30 35 mar21 jun21 set21 dez21 mar22 Aumento da FT Aumento da PO Queda da TD Fonte PNADC IBGE Elaboração FGV IBRE A taxa de participação naturalmente não caiu homogeneamente entre os grupos demográficos e de qualifica ção como expõe o gráfico abaixo De fato a queda foi puxada por trabalhadores de nível de ensino médio EFII Com pleto e EM Completo enquanto demograficamente somente homens brancos se mostraram menos afetados Gráfico 7 Diferença Trimestral da Taxa de Participação 20 10 00 10 20 30 20212 20213 20214 20221 Dif Tri da TP por escolaridade Fund I Inc Fund I Comp Fund II Comp EM Comp ES Comp 10 05 00 05 10 15 20 20212 20213 20214 20221 Dif Tri da TP por sexo e corraça Homem branco Mulher branca Homem não branco Mulher não branca Fonte PNADC Trimestral Elaboração FGV IBRE 14 Boletim Macro Maio 2022 O Caged finalmente mostrou em fevereiro a geração de 136 mil vagas em linha com o projetado pelo FGV IBRE de 118 mil Com ajuste sazonal o saldo foi de cerca de 200 mil Para abril projetase criação de 148 mil postos de trabalho o que corresponde ao 1637 mil quando aplicado ajuste sazonal Gráfico 8 Saldo de Vagas do Caged em 202022 1000000 800000 600000 400000 200000 0 200000 400000 jan20 mar20 mai20 jul20 set20 nov20 jan21 mar21 mai21 jul21 set21 nov21 jan22 mar22 Caged Caged SA Fonte CAGED MTE Elaboração FGV IBRE Inflação A inflação segue persistente e disseminada André Braz A desaceleração apresentada pelo IPCA de abril não coloca um ponto final nas pressões inflacionárias A taxa em 12 meses hoje em 1213 deve manterse acima de 10 pelo menos até agosto antecipando que a trajetória de desaceleração da inflação será lenta e menor que a prevista no início do ano A prática da bandeira verde e a ausência de novos reajustes para a gasolina favorecerão o recuo da infla ção no segundo trimestre mas pelo que tudo indica a trégua será temporária Os preços dos combustíveis ainda registram defasagem em comparação aos níveis internacionais o que inclusive motivou o reajuste de 88 no preço do diesel no início de maio Com esse novo reajuste o diesel passa a acumular alta de quase 53 nos últimos 12 meses Diretamente o diesel terá impacto modesto no IPCA mas indiretamente sua contribuição para a inflação pode ser maior que a da gasolina Fretes e tarifas de ônibus terão repasse para seus preços de forma integral ou parcial dos aumentos acu mulados pelo diesel nos últimos meses encarecendo inúmeros produtos e serviços com peso destacado no IPCA Já na área energética ainda que a prática da bandeira verde abra espaço para queda de 12 nas contas entre abril e maio os reajustes autorizados pela Aneel para 2022 estão em torno de 20 o que mantém a ener gia como um importante vetor de espalhamento das pressões inflacionárias este ano como foi em 2021 Maio 2022 Boletim Macro 15 Diesel e energia são recursos fundamentais para a atividade industrial e de prestação de serviços O au mento dos preços desses insumos intensifica repasses que estão se fortalecendo desde de 2021 quando esses itens começaram a subir de preço respondendo por parte expressiva da inflação dos últimos meses Afora os energéticos alimentos bens duráveis e serviços engrossam a lista dos itens cujos preços não pa ram de subir O grupo alimentação que já acumula alta de 161 em 12 meses vem apresentando aceleração surpreendente Tubérculos raízes e legumes alimentos in natura que têm influência transitória em períodos de baixa oferta vêm registrando avanço em sua taxa em 12 meses hoje em 699 mostrando que os aumentos vão além de mera influência de efeitos climáticos passageiros Entre os alimentos industrializados os itens de rivados do trigo commodity cujo preço foi afetado pela guerra entre Rússia e Ucrânia e do leite afetado pela sazonalidade começam a registrar forte aceleração Isso por sua vez vem mantendo a inflação dos últimos 12 meses do grupo alimentação e bebidas 135 como a segunda maior entre as demais classes de despesa do IPCA perdendo apenas para o grupo transportes 197 Já para os serviços livres 69 e bens duráveis 149 a inflação acumulada em 12 meses mantémse persistente sustentada por custos de produção ainda elevados O cenário de incerteza com a guerra entre Rússia e Ucrânia os casos de Covid19 na China e o risco de nova desmobilização das cadeias produtivas acirra as tensões sobre o futuro dos preços o que impõe maior vigilância quanto à tendência da inflação No Brasil a aproximação das eleições e o receio de como será a condução da política fiscal em 2023 am pliam os temores em torno da inflação o que resulta no aumento da inércia inflacionária Isso se torna mais evidente pelo aumento das previsões para inflação para os próximos dois anos com projeções de que o IPCA permanecerá acima da meta de inflação até 2024 Para 2022 levandose em conta os reajustes previstos para combustíveis e energia a inflação poderá en cerrar o ano em torno de 80 Já para 2023 a previsão é que os preços avancem em média 42 O que coloca a inflação acima da meta nesses dois anos Diante de tais previsões a autoridade monetária deverá como ante cipado em seu último comunicado subir mais uma vez a taxa básica de juros levandoa já na próxima reunião a 1325 aa Além disso deve manter juros mais altos por prazo mais longo reforçando o seu compromisso em levar a inflação para a meta no menor horizonte de tempo possível Política monetária Dois episódios recentes de inflação acima de 100 José Júlio Senna Como se sabe no ano passado avaliada pelo IPCA a taxa de crescimento dos preços no Brasil atingiu 1006 Alguns anos antes em 2015 a inflação chegara a 1067 Duas marcas bem semelhantes Na ocasião anterior no ano seguinte a inflação já cedera para 62 Em dois anos estava em 295 Pare ce indiscutível o sucesso da estratégia antiinflacionária daquele período Tal episódio sugere ser viável reduzir significativamente uma inflação elevada num período de dois anos 16 Boletim Macro Maio 2022 Sendo assim pelo menos em tese não seria de todo impossível trazer a inflação brasileira de mais de 100 ao ano em 2021 para algo próximo de 325 meta oficialmente estipulada para 2023 O andar da carru agem porém tem deixado claras as enormes dificuldades para conseguir algo desse tipo Nesta seção sobre política monetária nosso objetivo é destacar as características substancialmente dis tintas dos dois ciclos aqui examinados Ressaltese de saída que o Banco Central atuou com firmeza sobre a taxa real de juros swap prefixado menos expectativa de inflação 12 meses adiante em ambos os episódios No primeiro o BC partiu de um patamar já elevado e acabou levando os juros reais a mais de 90 ao ano No se gundo o BC partiu de taxas reais negativas com as quais convivemos durante a maior parte do primeiro ano da pandemia 2020 levandoas a território contracionista juros reais acima de 35 novo padrão de juro neutro com o qual trabalha o BC a partir de agosto de 2021 chegando em seguida a mais de 70 ao ano Sem dúvida as circunstâncias prevalecentes no episódio atual sob as quais operam nossas autoridades mo netárias são bem mais adversas do que as enfrentadas por ocasião do primeiro episódio de inflação a 100 No gráfico 9 destacamos o comportamento de duas variáveis para as quais queremos chamar a atenção a saber a inflação observada 12 meses e a inflação esperada 12 meses adiante Focus Para simplificar desig namos por t os anos em que a inflação atingiu mais de 100 A primeira dessas variáveis aparece em linhas cheias enquanto a segunda em linhas tracejadas A cor azul escuro diz respeito ao episódio centrado em 2015 e a cor azul claro ao episódio atual centrado em 2021 Gráfico 9 Os Ciclos da Inflação em 20142017 e em 20202022 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 T1 T T1 T2 IPCA AsA 201417 Inflação Esperada 12 meses adiante 201417 IPCA AsA 202022 Inflação Esperada 12 meses adiante 202022 Fontes Banco Central do Brasil Pesquisa Focus IBGE Como é possível notar no episódio de 2015 as expectativas de inflação 12 meses adiante começaram a ceder ainda no final daquele mesmo ano enquanto no caso de 2021 a inflação esperada segue em trajetória de alta desde meados do ano anterior Em poucas palavras no caso atual ainda não houve efetiva reversão das expectativas Em larga medida por esse motivo a inflação observada permanece em constante trajetória de alta desde meados de 2020 ano t 1 Maio 2022 Boletim Macro 17 Sem a pretensão de exaurir o assunto é possível listar alguns fatores adicionais que têm contribuído para dificul tar o combate à inflação no presente ciclo comparandoos com o que se observava à época do episódio anterior Primeiro o fenomeno inflacionário atual tem natureza global No caso de 2015 era de origem local Segun do o de hoje nasceu com a pandemia algo inteiramente novo que nos deixa sem parâmetros para prever os desdobramentos de todo o processo agravado agora pelo advento da guerra O de 2015 teve muito a ver com a política de descompressão de alguns preços sobre os quais era exercido rigoroso controle Tabelar preços resulta sempre em grande encrenca Terceiro parte do problema da inflação de hoje relacionase com a perda de credibilidade da única ânco ra fiscal que nos restara ou seja o teto de gastos No caso anterior os sinais no terreno fiscal pareciam mais promissores devido ao fato de que de algum modo fora possível incutir no público a expectativa de que de uma forma ou de outra haveria reversão da estratégia economica que resultara em forte alta da inflação Mais adiante em 2016 tivemos mudança de governo e troca no comando do Banco Central Quarto atualmente presentes gastos de natureza eleitoreira prejudicam seriamente o comportamento das expectativas inflacionárias No episódio anterior reformas e a introdução do teto dos gastos concorreram para consolidar o processo de reversão das expectativas que já se encontrava em curso Por último os preços de commodities em reais e do petróleo em dólar têm revelado comportamentos dis tintos durante os dois ciclos de inflação aqui examinados No episódio atual tanto petróleo quanto commodities em geral experimentam altas muito significativas ao longo de todo o ciclo No episódio centrado em 2015 as cotações do petróleo estavam em queda forte nos mercados internacionais desde o ano anterior ao do pico da inflação enquanto os preços das commodities em geral avaliadas pelo índice ICBr calculado pelo Banco Central em reais mostravam alguma elevação seguida de certa estabilidade O gráfico 10 ilustra as trajetórias das mencionadas variáveis em 20142017 e em 20202022 A tabela 2 resume os principais fatores presentes nos dois ciclos de inflação Gráfico 10 Os Ciclos das Commodities em 20142017 e em 20202022 100 150 200 250 300 350 400 450 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 T1 T T1 T2 Petróleo Brent 201417 Petróleo Brent 202022 ICBr 201417 eixo da direita ICBr 202022 eixo da direita Fontes Banco Central do Brasil Bloomberg 18 Boletim Macro Maio 2022 Tabela 2 As Distintas Características dos Dois Ciclos de Inflação 20142019 20202022 Inflação como Fenômeno Local Inflação como Fenômeno Global Retirada de Controles Pandemia e Guerra Mudança de Governo e no BC Perda de Credibilidade do Teto Reformas e Teto de Gastos Gastos Eleitoreiros Expectativas de Inflação em Queda Expectativas de Inflação em Alta Petróleo em Queda Petróleo em Alta Commodities em Ligeira Alta Commodities em Alta Fonte elaboração própria Diante de todas essas dificuldades fica difícil ser otimista a respeito de eventual repetição do sucesso con seguido em 201517 quando a inflação foi reduzida de mais de 100 ao ano para cerca de 30 Dada a firme determinação do Banco Central de persistir na luta contra a inflação e a perceptível demora para a inflação ceder podese imaginar que ao contrário da continuada queda dos juros reais de política mo netária registrada naquela ocasião no final de 2019 os juros reais chegaram a menos de 10 aa é bem provável que desta vez teremos de conviver com juros reais elevados por um longo período Política fiscal Investimento público Manoel Pires O investimento público apresentou mais uma queda durante 2021 A soma dos investimentos dos três ní veis de governo e das empresas estatais federais atingiu 205 do PIB o segundo menor nível de investimento público desde 1947 quando se inicia a série histórica do Observatório de Política Fiscal A série pode ser consultada no site do Observatório httpsbitly39Ahdxi O investimento público atingiu o menor desembolso em 2017 quando chegou a 194 do PIB O patamar atual equivale ao nível de investimento de 2019 Em outras palavras existe forte concentração de baixos níveis de investimento público nos anos recentes Nunca o investimento público ficou tão baixo por tanto tempo Existem duas razões para explicar esse comportamento Em primeiro lugar os governos têm sofrido muitas dificuldades financeiras Em períodos de ajuste fiscal os gastos com investimento sempre são contraídos No entanto esse processo sempre ocorreu em curto espaço de tempo Depois de um período de ajuste o investi mento público se recuperava No ciclo atual como o ajuste se tornou mais complexo e ainda não foi resolvido não houve espaço fiscal para retomar um novo ciclo de investimento Em segundo lugar temos a questão ideológica A saída da crise 201516 abriu espaço para rediscutir o papel do Estado e uma das saídas para fomentar novos investimentos em um contexto de fragilidade fiscal foi repassar ativos Maio 2022 Boletim Macro 19 públicos para a iniciativa privada Nessa área houve avanços como as privatizações no setor de saneamento e as concessões de portos aeroportos e rodovias em um processo de aprendizado que atravessou vários governos Mas também houve ilusão Primeiro porque o setor público não conseguirá repassar todos os seus ativos para a iniciativa privada Muitos desses ativos não se justificam pelo valor economico mas pelo seu valor social ou cultural e pelas externalidades que oferecem ao país Segundo o papel do Estado se transforma com o tempo Da mesma forma que é possível justificar privati zações na medida em que a intervenção estatal em determinado setor não mais se justifica pelos fundamentos da teoria economica é possível justificar novos investimentos públicos em setores que serão motores do desen volvimento do século XXI O segmento mais óbvio é o tema das mudanças climáticas Terceiro porque se imaginou que o investimento privado iria compensar a queda do público e sustentar o crescimento economico o que não ocorreu Esse processo é muito mais complexo do que se imagina porque também está sujeito a desgastes políticos e erros de avaliações que resultam em ajustes técnicos que se arras tam no tempo Em comparação com dados da OCDE a participação do investimento público em infraestrutura está bem próxima da média desse grupo de países de modo que a ideia de um big push de privatizações também en contra seus limites na própria realidade Em suma a agenda de abrir espaço fiscal para promover investimentos público continua atual O desafio está em obter esses recursos financeiros promovendo melhorias na governança do investimento para que tais projetos tenham elevado retorno social e possam promover desenvolvimento economico em parceria com o setor privado Gráfico 11 Participação pública em infraestrutura nos países da Europa e Brasil 165 180 200 200 278 299 300 330 330 335 336 337 338 338 368 382 425 434 466 489 535 545 546 680 00 100 200 300 400 500 600 700 800 Irlanda Bélgica Espanha Alemanha Itália Portugal Estônia Dinamarca Luxemburgo Áustria Suíça Reino Unido Letônia Eslováquia Média Europa Brasil República Tcheca Holanda Bulgária Finlândia Eslovênia Malta Hungria Grécia Fonte Rocha 2022 a partir de dados do Eurostat e ABDIB Cálculos para o período 201115 Referências Rocha I 2021 Infraestrutura diagnóstico e propostas Em Salto F Villaverde J e Karpurska L Reconstru ção o Brasil nos anos 20 Editora Saraiva 20 Boletim Macro Maio 2022 Setor externo O resultado favorável da balança comercial está associado ao comportamento dos preços dos fluxos comerciais Lia Valls Pereira Resumo O lockdown na China intensifica as pressões inflacionárias e os preços das importações continu am sua trajetória ascendente acima dos preços das exportações Os preços de importações aumentam tanto nas exportações de commodities como de não commodities O efeito do aumento nos preços de exportações sobre os termos de troca é menor do que no início da década de 2010 O mês de abril acendeu um alerta para o resultado da balança comercial com retração no volume exportado Mesmo com menores volumes importados a trajetória dos preços sugere queda no superávit comercial de 2022 em relação a 2021 O novo lockdown na China como medida para conter a propagação da COVID19 veio a intensificar os gar galos que ainda não tinham sido superados nas cadeias de suprimento globais desde 2021 levando a novas pressões inflacionárias Juntase a esse cenário os efeitos sobre os preços de commodities agrícolas fertilizan tes e petróleo e derivados associados a guerra na Ucrânia Observase que após a queda dos preços no comércio exterior com a recessão causada pela pandemia foi iniciada uma trajetória de aumentos de preços no início de 2021 impulsionada pela recuperação da demanda mundial Para o Brasil o aumento do Pib da China em 81 puxando a demanda por commodities levou a uma trajetória de variações positivas crescentes na comparação interanual mensal com os preços de exportações crescendo acima dos preços de importação Gráfico 12 Esse comportamento mudou a partir do final de 2021 e as variações nos preços importados passaram a superar o das exportações Gráfico 12 Variação mês contra mês do ano anterior dos índices de preços das exportações e importações 200 100 00 100 200 300 400 500 600 jan20 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 mai21 jun21 jul21 ago21 set21 out21 nov21 dez21 jan22 fev22 mar22 abr22 Exportações Importações Elaboração FGV IBRE Base Icomex Fonte Secretaria do Comércio Exterior Maio 2022 Boletim Macro 21 As commodities explicam mais de 60 das exportações brasileiras e as importações de não commodities um percentual ao redor de 90 No acumulado do ano até abril o percentual das commodities nas exportações foi de 68 e das não comodities nas importações de 90 Observase que desde o final de 2021 os preços de importa ções superam o das exportações tanto na série das commodities como o das não commodities Gráfico 13 e 14 Ressaltase porém que o preço das exportações das não commodities não mostra uma tendência de desace leração como o das commodities Para um exportador de commodities como o Brasil não é uma boa notícia Gráfico 13 Variação mês contra mês do ano anterior dos índices de preços das exportações e importações das commodities 600 400 200 00 200 400 600 800 1000 jan20 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 mai21 jun21 jul21 ago21 set21 out21 nov21 dez21 jan22 fev22 mar22 abr22 Exportações Importações Elaboração FGV IBRE Base Icomex Fonte Secretaria do Comércio Exterior Gráfico 14 Variação mês contra mês do ano anterior dos índices de preços das exportações e importações das não commodities 150 100 50 00 50 100 150 200 250 300 350 jan20 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 mai21 jun21 jul21 ago21 set21 out21 nov21 dez21 jan22 fev22 mar22 abr22 Exportações Importações Elaboração FGV IBRE Base Icomex Fonte Secretaria do Comércio Exterior As fontes de aumento do aumento dos preços de importação por setores de atividade mostram que a indústria extrativa lidera o aumento no preço das importações Gráfico 15 A variação entre o primeiro quadrimestre de 2021 e o de 2022 foi de 1182 o que está associado ao aumento nos preços de petróleo e derivados Segundo o Boletim ICOMEX FGV IBRE de maio a variação do preço de exportação desse grupo foi de 55 e o da importação de 73 Maio 2022 Boletim Macro 23 O comportamento dos índices de preços difere dos anos de 20102011 onde não se observou a escalada de preços das importações de não commodities No momento atual o aumento nos preços das exportações de commodities com a aceleração generalizada nos preços de importações não permitiu a melhora nos termos de troca nos mesmos patamares do início da década de 2010 como mostra o Gráfico 17 Gráfico 17 Índice dos termos de troca média móvel trimestral 90 95 100 105 110 115 120 125 130 135 jun10 ago10 out10 dez10 fev11 abr11 jun11 ago11 out11 dez11 fev12 abr12 jun12 ago12 out12 dez12 fev13 abr13 jun13 ago13 out13 dez13 fev14 abr14 jun14 ago14 out14 dez14 fev15 abr15 jun15 ago15 out15 dez15 fev16 abr16 jun16 ago16 out16 dez16 fev17 abr17 jun17 ago17 out17 dez17 fev18 abr18 jun18 ago18 out18 dez18 fev19 abr19 jun19 ago19 out19 dez19 fev20 abr20 jun20 ago20 out20 dez20 fev21 abr21 jun21 ago21 out21 dez21 fev22 abr22 Elaboração FGV IBRE Base Icomex Fonte Secretaria do Comércio Exterior Uma consideração final Entre os meses de abril de 2021 e 2022 as exportações cresceram em valor 107 e as importações 29 A maior variação no valor importado é explicada pelo aumento dos preços 354 pois o volume caiu 5 Nas expor tações os preços aumentaram 211 e o volume recuou 9 Logo tanto nas exportações como nas importações houve redução do comércio em volume e aumento de preços Na comparação do acumulado do ano até abril Gráfico 18 repetese o mesmo comportamento exceto para o volume exportado que aumentou em 35 Gráfico 18 Variação nos índices dos fluxos comerciais janabr 20212022 241 35 196 276 35 322 Valor Volume Preços Exportações Importações Elaboração FGV IBRE Base Icomex Fonte Secretaria do Comércio Exterior A desaceleração do crescimento da China tem levado a temores quanto aos efeitos na balança comercial do Brasil A questão não se resume ao efeito inflacionário da China mas de uma redução no volume exportado junto com uma possível queda de preços com a retração da demanda chinesa O Gráfico 19 mostra o recuo em volume das exportações brasileiras na comparação do acumulado do ano até abril de 2021 e 2022 Maio 2022 Boletim Macro 25 positivos deixando claro tanto no setor secundário especialmente na construção civil como no setor terciário especialmente nos serviços ligados ao lazer à tecnologia da informação e à intermediação financeira A surpresa positiva do 1º trimestre de 2022 foi particularmente importante segundo nossos modelos so mente o efeito sobre o carregamento estatístico do ano levaria o crescimento de 2022 a 53 próximo da meta de expansão ao redor de 55 estabelecida pelo governo ao final de 2021 As implicações sobre policy seriam relevantes tudo mais constante a quantidade de estímulos em curso na economia já seria suficiente para que o governo atingisse os seus objetivos indicando que uma atuação ainda mais intensa das autorida des não seria tão necessária Para além da letra fria dos números é importante lembrar que os ventos começaram a mudar já em março de 2022 A despeito de impactos pequenos sobre o PIB do 1º trimestre voltávamos a um cenário de risco sanitário com a multiplicação de casos da variante Ômicron na China Continental começando a afetar grandes centros como Hong Kong Shenzhen e Shanghai Em paralelo a invasão da Ucrânia pela Rússia desorganizava ainda mais as cadeias de produção e o cenário economico global aumentando o custo de insumos básicos e reintroduzindo riscos geopolíticos fato não observado nesta intensidade pelo menos desde os atentados de 2001 nos Estados Unidos Nuvens negras cresciam no horizonte com uma estrutura de riscos que se intensificava e que sugeria um cenário mais complicado para o 2º trimestre não só na China como também em todo o mundo Nesse sentido a projeção de crescimento do PIB no entorno da meta oficial tinha clara assimetria negativa ainda que ao final do trimestre passado fosse muito difícil avaliar o tamanho do viés de baixa a ser incorporado A imposição de lockdowns em Shanghai começando na última semana de março era um prenúncio de dias mais complicados adiante De fato a questão sanitária tornouse muito mais restritiva durante abril e a 1ª quinzena de maio com sinais tentativos de flexibilização a partir do início de junho Ao final de abril praticamente todas as 100 principais cida des chinesas passavam por algum tipo de restrição de mobilidade com destaque absoluto para os lockdowns impostos no delta do Rio Pérola GuangdongHong KongMacau e em Shanghai A primeira quinzena de maio viu o início de restrições mais intensas em Beijing teoricamente sendo im plementadas com aprendizado sobre a experiência um tanto caótica de Shanghai que se tudo der certo terá confinado os seus moradores por praticamente nove semanas Não se sabe ao certo quando a política de lockdowns dentro da estratégia de Covidzero acabará mas resulta claro que o governo tem convicção de que este é o melhor caminho Nas palavras de Xi Jinping é necessário aderir inabalavelmente à política de Covidzero dinâmica e atacar de forma resoluta quaisquer palavras ou atos que coloquem em dúvida nossas políticas de prevenção da pandemia4 É difícil ser mais claro do que isso Sob este pano de fundo nada animador não é nenhuma surpresa que os indicadores economicos de abril tenham sido desastrosos quase sempre frustrando as expectativas crescentemente negativas dos agentes economicos A sequência de divulgações foi oferecendo peças de um quebracabeças tenebroso com quatro atos que se completaram em meados de maio Como primeiro ato os indicadores qualitativos dos PMIs mos traram desaceleração relevante em abril tanto em manufaturas como em serviços e seja na leitura oficial NBS ou na leitura privada MarkitCaixin O choque qualitativo foi o mais intenso desde a eclosão da Covid em 2020 sugerindo efeitos relevantes sobre os dados reais do início do 2º trimestre Como segundo ato o desempenho dos indicadores de crédito foi catastrófico em abril sob clara influência dos lockdowns que provocaram grande gargalo na produção na logística e no consumo chineses A conces são de crédito amplo foi de somente RMB 910bi no mês levando a uma queda interanual de 510 o pior 4Reunião do Comitê Permanente do Partido Comunista Chinês 05 de maio de 2022 26 Boletim Macro Maio 2022 resultado desde julho de 2014 Resultado ainda pior ocorreu no crédito bancário com concessões de RMB 650bi que implicaram contração interanual de 772 o pior resultado desde 2007 Quedas históricas e em termos interanuais ainda mais intensas do que as observadas quando da eclosão da Covid em 2020 aumen tando os temores de uma desaceleração desorganizada da economia no trimestre corrente Como terceiro ato tivemos um fraquíssimo desempenho dos principais indicadores quantitativos de ativida de A produção industrial apresentou recuo interanual de 29 em abril com concentração da desaceleração na indústria de transformação e desempenho particularmente negativo em segmentos importantes como a pro dução de cimento queda interanual de 186 e automóveis partes e peças queda interanual de 320 Já as vendas no varejo real deflacionado pelo IPC chinês se contraíram em 129 em termos interanuais com colapso dos indicadores ligados à alimentação fora do domicílio queda interanual de 241 algo perfeita mente razoável dada a natureza do choque em curso Como quarto e último ato os indicadores de investimentos vendas e construção também sofreram os efeitos das amplas restrições sanitárias neste início de trimestre no caso específico dos indicadores imobiliários tornando um cenário já negativo ainda muito pior Os investimentos em ativos fixos uma proxy imperfeita para os investimentos da economia registraram expansão interanual de 24 em abril sendo basicamente o único indicador da bateria de dados que não frustrou as expectativas de mercado Mais re levante ampliouse a dicotomia entre o desempenho dos investimentos agregados e daqueles estritamente associados ao mercado imobiliário os investimentos em real estate contraíramse em 101 na mesma métrica sugerindo que a atuação anticíclica do governo através dos gastos de infraestrutura já opera a pleno vapor A diferença de desempenho é ainda mais relevante se olhamos para os indicadores de vendas e construções imobiliárias ambos em colapso interanual comparável ao observado quando da eclosão da Covid em 2020 Uma visão geral do desempenho dos indicadores pode ser observada na tabela a seguir comparando o ocorrido em 2020 com o que está em curso neste momento Que fique claro há enormes efeitos negativos da cruzada sanitária a política de Covidzero que se somam aos efeitos de outros choques no setor imobiliário nos mercados financeiros no setor de saúde na educação no cenário internacional no custo de insumos pro dutivos nas cadeias logísticas etc e que sugerem uma importante desaceleração do crescimento durante o trimestre corrente Mas ao contrário de 2020 o impulso através da infraestrutura das obras públicas e da irriga ção financeira dos governos subnacionais o que chamamos de Velha China já ocorre tendendo a minimizar a derrocada da atividade em comparação ao observado há dois anos Tabela 3 Uma visão geral dos principais indicadores de atividade 2020 vs 2022 fev20 mar20 fev22 mar22 abr22 Qualitativos PMI Manufaturas NBS 357 52 504 495 474 PMI Manufaturas MarkitCaixin 403 501 504 481 460 PMI Serviços NBS 296 523 516 484 419 PMI Serviços MarkitCaixin 265 430 502 420 362 Crédito Concessão de crédito amplo interanual 96 751 287 378 510 Concessão de crédito bancário interanual 11 610 311 170 773 Maio 2022 Boletim Macro 27 fev20 mar20 fev22 mar22 abr22 Atividade Produção industrial interanual 135 11 75 50 29 Vendas no varejo real interanual 237 193 57 49 129 Vendas no varejo alimentação real interanual 533 551 133 151 241 Vendas no varejo bens real interanual 236 171 58 38 123 Investimentos e imobiliário Investimentos em ativos fixos interanual 245 95 122 71 24 Investimentos em ativos imobiliários interanual 163 11 37 24 101 Novas construções imobiliárias interanual 449 105 122 222 442 Vendas imobiliárias interanual 399 141 95 177 390 Fonte NBS MarkitCaixin e Bloomberg Em conclusão a bateria de dados de abril sugere que o 2022T2 será um trimestre perdido em termos de crescimento Já há analistas projetando contração interanual do PIB o que consideramos ser no atual mo mento excessivo Revisamos o crescimento interanual do PIB do 2022T2 para somente 02 reduzindo a projeção de crescimento de 2022 para 43 O cenário é fluido e depende principalmente da extensão e severidade das restrições associadas à política de Covidzero De uma forma ou de outra atingir a meta de crescimento do PIB ao redor de 55 em 2022 é hoje praticamente impossível Em foco IBRE Recuperação do mercado de trabalho nas regiões brasileiras ainda desperta preocupação Janaína Feijó e Paulo Peruchetti A crise sanitária de 2020 atingiu fortemente a economia brasileira com seu pico ocorrendo principalmente no segundo trimestre daquele ano Até a metade de 2021 a recuperação economica vinha acontecendo de forma lenta gradual e heterogênea entre as regiões Mas no 1º trimestre de 2022 quase dois anos após o início da pandemia da Covid19 o mercado de trabalho brasileiro conseguiu retornar aos níveis observados antes da pandemia Isso é o que sinalizam os indicadores de mercado de trabalho com exceção da taxa de participação obtidos a partir dos microdados da PNAD Contínua recentemente divulgados pelo IBGE A seguir analisamos o comportamento dos principais indicadores de mercado de trabalho para o Brasil e para as cinco regiões taxa de participação população ocupada taxa de desemprego desemprego de longa duração e informalidade A taxa de participação medida pela razão entre a força de trabalho e a população em idade para trabalhar atingiu no 2º trimestre de 2020 o menor nível da série 573 Nos trimestres seguintes começou a mostrar si 28 Boletim Macro Maio 2022 nais de lenta recuperação e no 1º trimestre de 2022 fechou em 621 Essa taxa ainda permanece abaixo dos valores do 1º trimestre de 2019 634 e do 1º trimestre de 2020 627 como pode ser visto no Gráfico 20 Essa recuperação da taxa de participação foi influenciada pela volta dos trabalhadores para a força de trabalho principalmente daqueles que estavam nas regiões Sudeste e Nordeste Essas duas regiões foram as mais impactadas pela pandemia Vale lembrar que no 2º trimestre de 2020 as taxas de participação de todas as regiões apresentaram fortes recuos com o Nordeste e Sudeste registrando variações de 78 e 70 pontos percentuais pp respectivamente em relação ao mesmo trimestre do ano anterior Por outro lado as regiões Sul Norte e CentroOeste foram menos impactadas com variações de 35 pp 57 pp e 57 pp Gráfico 20 Evolução da taxa de participação do Brasil e das regiões período 2012q1 a 2022q1 608 545 650 657 663 621 450 500 550 600 650 700 2012q1 2012q2 2012q3 2012q4 2013q1 2013q2 2013q3 2013q4 2014q1 2014q2 2014q3 2014q4 2015q1 2015q2 2015q3 2015q4 2016q1 2016q2 2016q3 2016q4 2017q1 2017q2 2017q3 2017q4 2018q1 2018q2 2018q3 2018q4 2019q1 2019q2 2019q3 2019q4 2020q1 2020q2 2020q3 2020q4 2021q1 2021q2 2021q3 2021q4 2022q1 Norte Nordeste Sudeste Sul Centro Oeste Brasil Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Todas as cinco regiões começaram a apresentar sinais de recuperação das suas taxas de participação no final de 2020 mas foi nos últimos dois trimestres de 2021 que essa retomada se deu de forma mais acentuada Mesmo assim as informações do 1º trimestre de 2022 mostram que os níveis ainda permanecem um pouco abaixo dos veri ficados no mesmo trimestre dos anos de 2019 e 2020 como pode ser observado no Gráfico 20 Por exemplo no 1º trimestre de 2022 as taxas de participação do Sudeste 65 Nordeste 545 e CentroOeste 663 ficaram um pouco abaixo do reportado no mesmo trimestre de 2020 que foi de 659 553 e 671 respectivamente Em relação ao nível de emprego no 1º trimestre de 2021 a quantidade de pessoas ocupadas estava 65 abaixo do valor do mesmo trimestre do ano anterior Contudo no 1º trimestre de 2022 o emprego apresentou crescimento de 23 em relação ao 1º trimestre de 2020 O controle da pandemia por meio da vacinação am pla e a normalização das atividades ao longo do ano de 2021 propiciaram que a atividade economica princi palmente do setor de serviços e o emprego registrassem recuperação mais forte Maio 2022 Boletim Macro 29 Na Tabela 4 é possível observar que a redução do emprego entre o 1º trimestre de 2020 e de 2021 ocorreu de forma mais intensa nas regiões Nordeste 76 Sudeste 75 e Norte 51 do que no CentroOeste 45 e Sul 36 Contudo no 1º trimestre de 2022 o emprego ultrapassou os níveis prépandemia em todas as regiões Em particular o Norte e o CentroOeste apresentaram os maiores incrementos na população ocupada com taxas de crescimento de 48 e 39 nesse período No Sudeste e Sul o aumento variou entre 21 e 25 A região que registrou o menor incremento foi o Nordeste com 11 Tabela 4 População Ocupada Brasil e regiões período 2012q1 a 2022q1 Período Norte Nordeste Sudeste Sul CentroOeste Brasil 2012q1 6522403 21535674 39107227 13946283 6899594 88011181 2013q1 6887703 21213993 40061391 14397199 7127828 89688114 2014q1 6986602 22206194 40429541 14543150 7290298 91455785 2015q1 7046735 22433535 40565797 14589517 7326302 91961887 2016q1 7080658 21618720 40158504 14610288 7240102 90708271 2017q1 6772439 20514034 39892661 14447134 7219681 88845949 2018q1 7067384 20787627 40903034 14586274 7534477 90878796 2019q1 7177646 21119939 41740059 14850647 7732917 92621208 2020q1 7372808 21032724 42010403 14939800 7758848 93114584 2021q1 6994541 19430143 38851252 14397944 7408140 87082019 2022q1 7723706 21271616 42906979 15313148 8059808 95275256 2020q12019q1 27 04 06 06 03 05 2021q12020q1 51 76 75 36 45 65 2022q12020q1 48 11 21 25 39 23 Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Entre o 1º trimestre de 2021 e de 2022 a população ocupada passou de 871 milhões para 953 milhões Obser vase que o crescimento da PO no último ano ocorreu principalmente pelo melhor desempenho das Regiões Sudes te e Nordeste pois do incremento de 82 milhões de trabalhadores 495 foi no Sudeste e 225 no Nordeste Vale salientar que embora algumas regiões tenham sido mais atingidas do que outras as participações no emprego total não se alteraram No 1º trimestre de 2022 o Sudeste e o Nordeste permaneceram com as maio res parcelas de trabalhadores do Brasil com 450 e 223 respectivamente Já o Norte 81 CentroOeste 85 e Sul 161 detinham as menores participações A Tabela 5 complementa a Tabela 4 ao desagregar as informações de emprego por nível educacional A par tir dessas informações é possível averiguar qual o perfil educacional dos trabalhadores que deixaram de estar ocupados nos últimos anos e quais estão conseguindo se recolocar no cenário póspandemia A quantidade de trabalhadores com baixa escolaridade caiu entre os anos de 2020 e 2021 e mesmo apresen tando aumento em 2022 ainda não retornou ao nível reportado em 2020 Também se observa padrão semelhante nas regiões pois todas permanecem com uma quantidade de trabalhadores sem instrução ou com fundamental 30 Boletim Macro Maio 2022 incompleto no 1º trimestre de 2022 inferior ao observado antes da pandemia Por outro lado o número de traba lhadores ocupados com ensino superior passou de 199 milhões no 1º trimestre de 2020 para 213 milhões no 1º trimestre 2022 Nesse período as regiões que tiveram os maiores incrementos de trabalhadores com ensino superior completo foram o Norte 124 e o CentroOeste 112 Por outro lado vale ressaltar que o Sudeste continuou sendo a região com a maior quantidade de trabalhadores com esse nível educacional Tabela 5 População Ocupada em mil pessoas por nível educacional e variação Brasil e regiões Região Sem instrução e fundamental incompleto Fundamental completo e médio incompleto Médio completo e superior incompleto Superior completo Total 1º Trimestre de 2020 Norte 2183 1108 2895 1187 7373 Nordeste 6359 2859 8304 3511 21033 Sudeste 7787 5691 18323 10209 42010 Sul 3163 2510 5965 3302 14940 CentroOeste 1763 1165 3084 1747 7759 Brasil 21254 13333 38571 19957 93115 1º Trimestre de 2021 Norte 1821 1081 2847 1245 6995 Nordeste 5444 2765 7988 3233 19430 Sudeste 6262 5179 16589 10821 38851 Sul 2580 2196 5855 3767 14398 CentroOeste 1523 1129 2840 1916 7408 Brasil 17630 12351 36120 20982 87082 1º Trimestre de 2022 Norte 2119 1177 3093 1335 7724 Nordeste 6079 3009 8639 3545 21272 Sudeste 7230 5753 18930 10994 42907 Sul 3054 2670 6125 3464 15313 CentroOeste 1662 1282 3174 1942 8060 Brasil 20144 13891 39961 21279 95275 1º trimestre de 2022 em relação ao 1º trimestre de 2020 Norte 29 62 68 124 48 Nordeste 44 52 40 10 11 Sudeste 71 11 33 77 21 Sul 34 64 27 49 25 CentroOeste 57 101 29 112 39 Brasil 52 42 36 66 23 Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Maio 2022 Boletim Macro 31 Em virtude da recuperação do emprego a taxa de desemprego no Brasil passou de 149 no 1º trimestre de 2021 para 111 no 1º trimestre de 2022 representando uma queda de 38 pp como pode ser visualizado no Gráfico 21 Apesar dessa redução os dados sugerem um cenário ainda preocupante tendo em vista que estamos voltando aos patamares anteriores à pandemia que já eram bastante elevados e giravam na casa dos dois dígitos A queda desse indicador foi reflexo da redução próxima de 4 pp da taxa de desemprego das regiões Nordeste Sudeste e CentroOeste No 1º trimestre de 2022 a taxa de desemprego de todas as regiões ficou abaixo inclusive dos seus próprios patamares observados no 1º trimestre de 2019 e de 2020 Ainda assim o Nordeste 149 Sudeste 111 e Norte 117 continuam com taxas acima de dois dígitos Atualmente há 119 milhões de desempregados no país com a maior parte deles localizados no Sudeste 54 milhões e no Nordeste 37 milhões Gráfico 21 Evolução da taxa de desemprego das regiões brasileiras no período 2012q1 a 2022q1 117 149 65 85 111 00 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 2012q1 2012q2 2012q3 2012q4 2013q1 2013q2 2013q3 2013q4 2014q1 2014q2 2014q3 2014q4 2015q1 2015q2 2015q3 2015q4 2016q1 2016q2 2016q3 2016q4 2017q1 2017q2 2017q3 2017q4 2018q1 2018q2 2018q3 2018q4 2019q1 2019q2 2019q3 2019q4 2020q1 2020q2 2020q3 2020q4 2021q1 2021q2 2021q3 2021q4 2022q1 Norte Nordeste Sudeste Sul Centro Oeste Brasil Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Uma preocupação adicional relacionada a esse indicador diz respeito ao aumento desde 2021 dos desem pregados que estão procurando emprego por dois anos ou mais também denominados desempregados de longo prazo Tabela 6 Em 2020 como podemos notar houve redução generalizada do número de desempregados de longa duração motivada em parte pela grande saída de pessoas da força de trabalho No entanto em 2021 esse in dicador começou a aumentar consideravelmente Em particular no 1º trimestre de 2021 com exceção da região Sul comparado com o mesmo trimestre do ano anterior a quantidade de pessoas nessa situação tinha subido expressi vamente com expansões de 223 no Nordeste e 153 no Sudeste 156 no CentroOeste e 51 no Norte Atualmente considerando o 1º trimestre de 2022 o cenário ainda é preocupante para a maioria das regiões Como podemos observar na comparação com o mesmo período de 2020 o número de desempregados de longa duração está 128 acima na região Norte 231 no Nordeste 68 acima no Sudeste e 37 no Sul Apenas na região CentroOeste o indicador começou a ceder 32 Boletim Macro Maio 2022 A preocupação quanto ao aumento do número de desempregados de longo prazo devese ao fato de que quanto mais tempo essas pessoas estiverem afastadas do mercado de trabalho maior será a depreciação de seu capital humano Isso dificulta ainda mais uma eventual reinserção desse contingente no mercado Tabela 6 Desemprego de longa duração e variação em Brasil e regiões 2012q1 a 2022q1 Período Norte Nordeste Sudeste Sul CentroOeste Brasil 2012q1 164321 666043 698642 119515 110601 1759122 2013q1 125714 615319 495771 84944 82888 1404635 2014q1 118917 508922 522283 86854 81269 1318245 2015q1 136423 485135 566919 101564 89546 1379586 2016q1 188128 699080 858120 161890 131849 2039068 2017q1 275035 1006253 1226071 216946 162429 2886732 2018q1 254309 1010254 1397327 225880 163071 3050842 2019q1 298529 1100965 1500651 268877 192298 3361319 2020q1 268185 1032278 1400329 240389 170425 3111607 2021q1 281830 1262206 1614770 229125 197082 3585012 2022q1 302587 1271103 1495209 249299 145159 3463357 2020q12019q1 102 62 67 106 114 74 2021q12020q1 51 223 153 47 156 152 2022q12020q1 128 231 68 37 148 113 Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Apesar de os indicadores mostrarem que o mercado de trabalhado já conseguiu atingir os patamares pré pandemia de população ocupada e de taxa de desemprego muitos ainda se questionam sobre a qualidade dessa recuperação Essa preocupação tem ressurgido por conta da expansão de trabalhadores atuando no setor informal caracterizado por ser desprovido de proteção social e que por estarem em ocupações que demandam menos escolaridade recebem menores rendimentos A Tabela 7 mostra a quantidade de informais e a taxa de informalidade no Brasil e nas regiões A definição de in formalidade utilizada é a do IBGE em que se denominam informais os trabalhadores sem carteira assinada domés ticos e no setor privado trabalhadores auxiliares familiares e empregadores e contaprópria sem CNPJ Atualmente a quantidade de informais no Brasil já ultrapassa os patamares observados no 1º trimestre de 2019 e de 2020 Entre os primeiros trimestres de 2021 e 2022 período de recuperação mais expressiva o crescimento dos informais correspondeu a mais de 50 do incremento de 82 milhões de trabalhadores na população ocupada As regiões cuja contribuição do emprego informal para o aumento do emprego foi mais elevada foram o Norte e Sul com 69 e 625 do emprego gerado nesse período sendo informal Nordeste 577 e Sudeste 444 também apresentaram altas proporções Vale salientar que apesar de o Norte e o Sul terem registrado esses incrementos o Norte e o Nordeste con tinuam sendo as regiões com as maiores taxas de informalidade 5661 e 5362 respectivamente Ou seja mais da metade da população ocupada nessas duas regiões está atuando na informalidade Maio 2022 Boletim Macro 33 Embora o Sudeste possua um elevado número de informais 146 milhões em 2022q1 mais do que o triplo do contingente do Sul 48 milhões em 2022q1 em termos relativos detém uma taxa de informalidade equipa rada às Regiões Sul 313 e CentroOeste 369 Tabela 7 Quantidade de trabalhadores informais e taxa de informalidade Brasil e regiões Período Norte Nordeste Sudeste Sul Centro Oeste Total Quantidade de Informais 2019q1 4057935 11276926 14377957 4775982 2905478 37394278 2020q1 4164015 11034815 14138315 4537193 2908885 36783223 2021q1 3869086 10343668 12863100 4216367 2761445 34053665 2022q1 4372187 11405494 14665434 4788372 2971153 38202640 Incremento 2021q1 2022q1 503102 1061826 1802334 572005 209708 4148975 Incremento 2020q1 2022q1 208172 370679 527119 251179 62269 1419417 População Ocupada 2019q1 7177646 21119939 41740059 14850647 7732917 92621208 2020q1 7372808 21032724 42010403 14939800 7758848 93114585 2021q1 6994541 19430142 38851251 14397944 7408140 87082019 2022q1 7723706 21271615 42906979 15313148 8059808 95275256 Incremento 2021q1 2022q1 729165 1841473 4055728 915204 651668 8193237 Incremento 2020q1 2022q1 350897 238891 896576 373348 300960 2160671 Taxa de Informalidade 2019q1 5654 5339 3445 3216 3757 4037 2020q1 5648 5246 3365 3037 3749 3950 2021q1 5532 5324 3311 2928 3728 3911 2022q1 5661 5362 3418 3127 3686 4010 Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Em resumo os dados apresentados neste artigo evidenciam que no 1º trimestre de 2022 as regiões brasi leiras finalmente conseguiram atingir os níveis de emprego já observados no 1º trimestre de 2019 e de 2020 A retomada do emprego aconteceu com grande contingente de trabalhos informais principalmente no Nordeste e Sudeste Além disso a taxa de participação ainda não se recuperou totalmente e há um contingente alto de pessoas desocupadas há dois anos ou mais Vale salientar que desde 2016 o nível de incerteza tem estado elevado no Brasil e sob um ambiente com essa característica os empresários tendem a postergar investimentos e contratações formais Mesmo com o arrefecimento da pandemia o nível de incerteza permanece elevado contribuindo para que a recuperação do emprego continue ocorrendo por meio do aumento da participação das atividades informais Por fim a caracterização do mercado de trabalho nas regiões por meio da análise de indicadores pode contribuir para traçar diagnósticos mais acurados da situação atual do mercado de trabalho no Brasil Instituto Brasileiro de Economia Diretor Luiz Guilherme Schymura de Oliveira Vicediretor Vagner Ardeo Boletim Macro IBRE Coordenação geral e técnica Silvia Matos Revisão editorial Fernando Dantas Editoria de arte Marcelo Nascimento Utrine Equipe Permanente Aloisio Campelo Jr André Braz Armando Castelar Pinheiro Daniel Duque José Júlio Senna Lia Valls Pereira Livio Ribeiro Manoel Pires Marina Garrido Mayara Santiago Rodolpho Tobler Samuel Pessôa Viviane Seda Advertência As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas nas quais constem a sua identificação como tais em artigos e entrevistas publicados nos meios de co municação em geral representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não necessariamente a posição institucional da FGV Este Boletim foi elaborado com base em estudos internos e utilizando dados e análises produzidos pelo IBRE e outros de conhecimento público com informações atualizadas até 19 de maio de 2022 O Boletim é direcionado para clientes e investido res profissionais não podendo o IBRE ser responsabilizado por qualquer perda direta ou indiretamente derivada do seu uso ou do seu conteúdo Não pode ser reproduzido distribuído ou pu blicado por qualquer pessoa para quaisquer fins Instituição de caráter técnicocientífico educativo e filantrópico criada em 20 de dezembro de 1944 como pessoa jurídica de direito privado tem por finalidade atuar no âmbito das Ciências Sociais particularmente Economia e Administração bem como contribuir para a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável Praia de Botafogo 190 CEP 22250900 Rio de Janeiro RJ Caixa Postal 62591 CEP 22257970 Tel 21 37994747 Primeiro Presidente e Fundador Luiz Simões Lopes Presidente Carlos Ivan Simonsen Leal Vicepresidentes Clovis José Daudt Darrigue de Faro Francisco Oswaldo Neves Dornelles Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque Conselho Diretor Presidente Carlos Ivan Simonsen Leal Vicepresidentes Clovis José Daudt Darrigue de Faro Francisco Oswaldo Neves Dornelles Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque Vogais Carlos Alberto Pires de Carvalho e Albuquerque Cristiano Buarque Franco Neto Ernane Galvêas José Ermírio de Moraes Neto José Luiz Miranda Lindolpho de Carvalho Dias Marcílio Marques Moreira Roberto Paulo Cezar de Andrade Suplentes Aldo Floris Alexandre Koch Torres de Assis Antonio Monteiro de Castro Filho Ary Oswaldo Mattos Filho Carlos Eduardo de Freitas Gilberto Duarte Prado José Carlos Schmidt Murta Ribeiro Marcelo José Basílio de Souza Marinho Willy Otto Jordan Neto Conselho Curador Presidente João Alfredo Dias Lins Presidente em exercício Vicepresidente João Alfredo Dias Lins Klabin Irmãos Cia Vogais Antonio Alberto Gouvea Vieira Cid Heraclito de Queiroz Eduardo M Krieger Estado da Bahia Estado do Rio Grande do Sul Federação Brasileira de Bancos Isaac Sidney Menezes Ferreira IRB Brasil Resseguros SA Antônio Cássio dos Santos Luiz Carlos Piva Luiz Ildefonso Simões Lopes Marcelo Serfaty Marcio João de Andrade Fortes Maria Tereza Leme Fleury Miguel Pachá Pedro Henrique Mariani Bittencourt Sindicato das Empresas de Seguros Privados de Resseguros e de Capitalização nos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo Ronaldo Mendonça Vilela Souza Cruz SA Jorge Irribarra Suplentes Almirante Luiz Guilherme Sá de Gusmão Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo General Joaquim Maia Brandão Júnior Leila Maria Carrilo Cavalcante Ribeiro Mariano Luiz Roberto Nascimento Silva Manoel Fernando Thompson Motta Filho Monteiro Aranha Participações SA Nilson Teixeira Rafael Barreto Ricardo Gattass Sul América Companhia Nacional de Seguros Patrick de Larragoiti Lucas Instituto Brasileiro de Economia Diretor Luiz Guilherme Schymura de Oliveira Vicediretor Vagner Laerte Ardeo Superintendência de Estatísticas Públicas Aloisio Campelo Junior Superintendência de Infraestrutura e Mercados Globais Túlio Barbosa Superintendência de Inovação Vagner Laerte Ardeo Superintendência de Pesquisa Dados e Operação André Lavinas Superintendência de Publicações Claudio Roberto Gomes Conceição Superintendência de Gestão Estratégica e Organizacional Joana Braconi OBSERVATÓRIO DA PRODUTIVIDADE REGIS BONELLI Uma medida de força para a economia O FGV IBRE elegeu a produtividade como uma das preocupações centrais para o debate sobre o desenvolvimento do país O site Observatório da Produtividade Regis Bonelli reúne uma ampla base de dados sobre a produtividade fornecendo informações para uma maior compreensão do tema e contribuindo para a formulação de políticas públicas que possam impulsionar o crescimento Acesse o site Observatório da Produtividade Regis Bonelli Disponível em versão mobile e desktop httpsfgvbribreobservatorioprodutividade Para edições anteriores acesse httpsportalibrefgvbrboletimmacro Julho 2021 No 121 Pandemia cede mas recuperação mais expressiva da atividade segue desafiante Há algum tempo enfatizamos a importância de se controlar a pandemia para que a economia possa se recuperar do enorme choque trazido pela COVID19 A segunda onda da pandemia foi nesse sentido uma ducha de água fria no relativo otimismo que chegou a emergir na virada do ano FGV IBRE Agora a revista de economia mais tradicional do país também é blog Conheça este novo canal da Conjuntura Econômica e acompanhe a cada semana matérias e entrevistas que complementam e atualizam as análises que chegam mensalmente aos leitores Blog da CONJUNTURA ECONÔMICA Disponível em versão mobile e desktop fgvbribreblogdaconjunturaeconomica Julho 2021 Boletim Macro 3 Pandemia cede mas recuperação mais expressiva da atividade segue desafiante Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos Há algum tempo enfatizamos a importância de se controlar a pandemia para que a economia possa se recuperar do enorme choque trazido pela COVID19 A segunda onda da pandemia foi nesse sentido uma ducha de água fria no relativo otimismo que chegou a emergir na virada do ano em algum grau refletido no bom resultado do PIB no primeiro trimestre de 2021 Retornamos neste início de segundo semestre a um novo ciclo de moderado otimismo temperado por dúvidas sobre a extensão da recuperação em curso da atividade e a ve locidade com que os gargalos prépandemia voltarão a se apresentar E claro preocupados com novos riscos que se apresentam de um recrudescimento da pandemia aos impactos da normalização da política monetária nos países ricos em especial nos EUA As últimas semanas confirmaram um quadro mais benigno da pandemia do coronavírus no Brasil O nú mero de novos casos e de mortes diárias segue em queda com as médias móveis de sete dias desses dois indicadores recuando para 41 mil e 12 mil por dia respectivamente de acordo com os dados do Worldometer Há um mês essas cifras estavam em 72 mil e 2 mil respectivamente Ao mesmo tempo o ritmo de vacinação se intensificou para uma média superior a 1 milhão de doses por dia Os estoques de vacinas disponíveis continuam em patamares elevados e se prevê aumento nas entregas de vacinas neste terceiro trimestre Recen temente Butantan e Fiocruz receberam IFA Ingrediente Farmacêutico Ativo suficiente para a produção de 20 milhoes e 10 milhoes de doses respectivamente No entanto é importante mencionar que a pandemia no Brasil tem sido um destaque negativo na compa ração internacional O elevado número de casos no mundo é explicado principalmente por Indonésia Brasil e Reino Unido Além disso desde junho o Brasil assumiu a décima posição em termos de número de mortes per capita no mundo e recentemente superou a marca de 2500 óbitos por milhão de habitantes Com relação à pandemia no mundo apesar de um cenário mais favorável há preocupaçoes no horizonte Em primeiro lugar a variante Delta têm se espalhado pelo planeta elevando o número de infecçoes Na Europa Reino Unido e Espanha são os países mais atingidos até momento A boa notícia é que o aumento no número de casos não tem elevado a taxa de internação e o número de mortes ou seja os impactos sobre a atividade econômica devem ser limitados A elevada taxa de imunização nesses países é o fator determinante para um cenário de baixa letalidade da variante Delta Um segundo alerta é que a grande maioria dos países mais pobres está muito vulnerável a essa nova variante devido à baixa taxa de vacinação O risco de aumento expressivo na mortalidade nesses países é elevado No Brasil à medida que a pandemia seja controlada é esperada uma abertura mais ampla da economia com as medidas de restriçoes de algumas atividades sendo gradualmente retiradas De fato recentemente o indicador de mobilidade do Google Mobility Report atingiu o maior valor no póspandemia com aumento em todas as categorias divulgadas com destaque para o componente relacionado a Mercados e Varejo Segun do esses dados já estamos muito próximos de voltar aos níveis prépandemia FGV IBRE Em relação aos indicadores de atividade o IBCBr de maio veio em linha com as previsões do FGV IBRE mas frustrou as expectativas de mercado Parte da surpresa é explicada por revisões das séries algo já antecipado pelo Indicador da Atividade Econômica do FGV IBRE De fato as revisões das séries têm ocorrido com muita frequência pois o impacto da pandemia na economia foi tão expressivo que também tem afetado os modelos de ajuste sazonal aumentando a volatilidade dos dados mensais e dificultando a análise do dado na ponta Além disso o processo de recuperação não está ocorrendo de forma homogênea entre os setores um problema especialmente grave pelo fato de as pesquisas mensais do IBGE contemplarem apenas o setor formal da economia e não cobrirem atividades como saúde e educação que não são pesquisadas mensalmente Entretanto essas atividades são relevantes para o cálculo do PIB e foram muito afetadas pela pandemia Dado esse quadro mantemos para o segundo trimestre nossa previsão de crescimento de 01 em relação ao primeiro trimestre Apesar disso revisamos nossa previsão de crescimento para o ano de 48 para 52 O melhor desempenho de algumas atividades do setor de serviços como transporte comércio e serviços de informação elevou o crescimento projetado para esses grupos no ano Porém o pior desempenho dos serviços públicos nos fez manter as previsões para o segundo trimestre Em linha com as previsões do Boletim Macro o setor industrial e a agropecuária devem contribuir negativamente para o PIB no trimestre De fato a indústria de transformação tem sido impactada pela falta de insumos e pelo aumento nos custos de produção Consequentemente apesar do cenário mais benigno da economia como um todo esperamos piora no desempenho de alguns setores Outros fatores que merecem atenção são a crise hídrica e a aceleração inflacionária Com relação à primeira a forte queda do nível dos reservatórios tem gerado aumento expressivo nos preços das tarifas prejudicando os setores intensivos em energia além de reduzir o poder de compra das famílias O aumento dos preços de energia em um contexto de pressão inflacionária em outros grupos de bens e serviços torna o cenário ainda mais desafiador Com a abertura gradual da economia é esperado um aumento da inflação de serviços que segue ainda em patamares muito baixos A medida de núcleo de inflação deve permanecer em nível mais elevado também sinalizando que os choques inflacionários podem estar se espalhando para outros preços da economia De acordo com a última ata do Copom o Banco Central está analisando atentamente o comportamento dos preços de serviços Tudo indica que a normalização dos juros continue possivelmente para além do nível neutro piorando as condições de crédito para famílias e empresas Algum alento virá por outro lado da recuperação do mercado de trabalho que foi muito afetado pela pandemia A retomada do emprego e da renda se intensificará com a abertura mais ampla da economia Entretanto os efeitos devastadores da crise inclusive o aumento do endividamento devem estar ainda presentes limitando a aceleração do consumo das famílias Com essas preocupações em mente podemos assim resumir os destaques desta edição do Boletim Macro IBRE Atividade econômica página 7 Em maio os indicadores de alta frequência apontaram recuperação da economia fazendo com que elevássemos nossa previsão de alta do PIB em 2021 para 52 No entanto o crescimento tem sido bastante heterogêneo principalmente no setor de serviços como visto no resultado do primeiro trimestre e essa tendência deve se manter no segundo semestre Por outro lado os serviços prestados às famílias já estão se recuperando aproximandose do patamar prépandemia embora em maio ainda estivessem 29 abaixo desse nível Portanto no segundo trimestre devemos ter o setor de serviços mais positivo e a produção industrial mais negativa em contraste com o trimestre anterior Expectativas de empresários e consumidores página 9 A confiança encerrou a primeira metade do ano com sinais positivos tanto para empresas quanto para consumidores Dados preliminares de julho sugerem que a recuperação volta ao padrão que vínhamos observando em meses anteriores sendo mais expressiva em relação à confiança empresarial que a do consumidor O cenário para os próximos meses é de continuidade dessa recuperação mas ainda existem obstáculos Pelo lado empresarial os maiores problemas são o risco de racionamento energético a piora do quadro da pandemia devido a novas variantes e a continuidade de dificuldades na obtenção de insumos pela indústria Já pelo lado dos consumidores ainda pesam na confiança a elevada taxa de desemprego e a alta inflação Mercado de trabalho página 11 Pela PNAD Contínua a taxa de desocupação mantevese em abril em 145 o que com ajuste sazonal significou alta mensal de 02 ponto percentual pp para 147 01pp acima do projetado pelo FGVIbre Esse resultado foi pressionado por pequena alta da taxa de participação a primeira desde novembro de 2020 Nos próximos meses devese ver uma recuperação dessa taxa conforme aumente a população vacinada o que por sua vez deve continuar a pressionar para cima a taxa de desocupação Já o Caged mostrou alta de cerca de 280 mil vagas em maio de 2021 surpreendendo positivamente em relação às expectativas do mercado ainda que o FGVIBRE tenha previsto resultado superior ao divulgado Inflação página 14 Os preços monitorados respondem por cerca de 30 do IPCA Reajustes acumulados de combustíveis e energia estão contribuindo para a aceleração e para o espalhamento das pressões inflacionárias A estrutura produtiva de vários segmentos segue pressionada pelo comportamento das matériasprimas cujos preços já subiram quase 70 segundo o IPAFGV situação que piora com os aumentos da energia Ainda que os reajustes na energia elétrica trazidos pelas bandeiras tarifárias sejam temporários sua vigência que tende a ser mais duradoura durante a crise hídrica pode distanciar ainda mais a inflação do teto estabelecido para 2021 da banda de tolerância do sistema de metas Política monetária página 15 Na seção de política monetária nosso analista ilustra algo que há muito já se sabe política monetária nada tem de trivial A ilustração se refere à decisão sobre a taxa Selic a ser tomada pelo Copom em sua reunião de agosto Dada a opção recente feita pelo BC no sentido de fornecer duas sinalizações distintas uma de caráter mais geral outra mais específica referentes ao movimento de juros a ser promovido no próximo mês é possível que o BC enfrente um importante dilema dificultando a escolha entre 75 e 100 pontos Política fiscal página 18 Na seção fiscal o tema é a reforma tributária e a polêmica sempre presente no seu processo de tramitação Quase um ano depois de enviar a primeira etapa ao Congresso o governo apresentou a segunda fatia de sua proposta com alterações voltadas desta vez à tributação da renda e dos lucros de pessoas físicas e jurídicas Alvo de inúmeras contestações a clássica resistência à reforma continua atrasando mudanças necessárias principalmente depois da pandemia para um sistema mais justo e eficiente A nova carga tributária segue como uma incógnita enquanto não é conhecido com clareza o real impacto das renúncias alíquotas e compensações em conjunto além da incerteza que marca os cenários político e econômico próximos Se reduzir a arrecadação representa um horizonte com superávits primários mais distantes por outro lado aumentar a carga estabelece o fardo de uma política contracionista em meio ao esforço de recuperação Calibrar tal impacto e alcançar uma boa reforma depende de uma discussão mais realista e pública com verdadeira disposição à mudança Setor externo página 19 O desempenho das exportações em junho seguiu a tendência observada em maio aumento das exportações para a China puxado pela alta dos preços das commodities e para a América do Sul pelo aumento do volume exportado de bens de consumo duráveis Destacase também o comportamento do volume importado caracterizado por variações de dois dígitos nas compras de bens de capital sem plataformas e bens intermediários para a agropecuária e a indústria de transformação na comparação interanual de junho e do primeiro semestre entre 2020 e 2021 A alta dos preços de exportações deve compensar o aumento no volume importado e esperamos um superávit ente US 65 bilhões e US 70 bilhões para 2021 Internacional página 24 O tema da seção sobre economia internacional é a política monetária nos EUA A forte recuperação da economia o PIB deve crescer 657 este ano impulsionado pelo maior pacote fiscal desde a 2ª Grande Guerra conjuntamente com os choques inflacionários produzidos pela epidemia tem colocado a inflação bem acima da meta de 2 A grande dúvida é se quando os choques passarem a inflação americana irá recuar ou se estará rodando a partir de um nível mais alto Se não houver devolução e o fato de os núcleos estarem respondendo ao choque pode ser um sinal de que não haverá esse recuo é possível que o processo de subida da taxa de juros se dê bem antes do segundo semestre de 2023 como previsto atualmente pelo Fomc Em foco IBRE página 25 E por fim na Seção Em Foco de autoria do pesquisador Paulo Peruchetti o tema é Mercado de trabalho continua fragilizado e a lenta recuperação do emprego ainda é uma grande preocupação Julho 2021 Boletim Macro 7 Atividade econômica No segundo trimestre o PIB deve ser positivo mas ainda fraco na margem Silvia Matos Marina Garrido e Mayara Santiago Os indicadores de alta frequência divulgados pelo IBGE em maio mostram uma melhora na margem nos setores de varejo indústria e serviços A indústria de transformação teve alta de 12 MsM 174 AsA depois de quatro quedas consecutivas na margem Porém com a falta de alguns insumos como semicon dutores e a alta nos custos de produção esperamos que a indústria de transformação volte a cair em junho em relação a maio Com isso o desempenho esperado para o setor no segundo trimestre deve ser pior que o observado no primeiro trimestre No varejo ampliado os indicadores antecedentes tiveram forte expansão no bimestre findo em maio ao passo que em junho apesar de o crescimento interanual ainda ser forte eles são menos expressivos Isso pode ser visto nos indicadores antecedentes com destaque para a FENABRAVE que em abril e maio teve variaçoes interanuais acima de 200 e em junho com exceção de motocicletas item que teve crescimento de 1326 AsA cresceram na casa de dois dígitos Em maio o varejo restrito cresceu 159 AsA 14 MsM e o amplia do 261 AsA 38 MsM chegando a 39 e 16 acima do patamar anterior à pandemia respectivamente Nossa expectativa é de que o setor continue crescendo nos próximos meses por conta da flexibilização das medidas de distanciamento social Já o setor de serviços teve sua segunda alta consecutiva na margem alcançando o mesmo patamar de fevereiro do ano passado Em maio o setor cresceu 12 MsM 231 AsA e os serviços prestados às famílias um dos segmentos mais afetados pela crise cresceu 179 MsM 765 AsA Apesar de recentemente o segmento ter apresentado crescimento forte os serviços prestados às famílias ainda se encontram 291 abaixo do nível précrise mas esse hiato tende a fechar com o aumento da mobilidade neste segundo semestre Após as divulgaçoes de maio as estimativas de mercado para o desempenho da atividade econômica fo ram revistas para cima Em particular a mediana das expectativas para o IBCBr concentravase em 11 MsM 157 AsA enquanto o dado oficialmente divulgado pelo Banco Central foi de queda de 04 MsM 142 AsA em linha com as expectativas do FGV IBRE Nossos modelos de projeção para o IBCBr também incluem o Indicador de Atividade Econômica IAEFGV permitindo melhores previsoes para o primeiro indicador1 Adi cionalmente o Monitor do PIB do FGV IBRE cresceu 134 em relação ao mesmo mês do ano anterior Em termos trimestrais considerando dados até maio o resultado do IBCBr é positivo em 117 na comparação com o mesmo período do ano passado No entanto o Monitor do PIB cresceu abaixo deste valor apenas 97 no mesmo período É importante ressaltar que o Monitor do PIB tem como objetivo antecipar o PIB em todas as suas aberturas o que pode gerar resultados distintos dos indicadores de atividade econômica Nesse contexto como há algumas diferenças no ritmo de crescimento dos dados interanuais as taxas mensais de crescimento 1O IAE FGV cresceu 137 asa e 06 msm Para maiores informaçoes sobre o Indicador de Atividade Econômica do IBRE acessar httpsportalibrefgvbrmonitordaatividadeeconomica 8 Boletim Macro Julho 2021 com ajuste sazonal podem ser bem diferentes entre os dois indicadores Em particular em maio o Monitor do PIB cresceu 18 em relação ao mês anterior No entanto apesar das diferenças todos os dados apontam um resultado positivo para o segundo trimestre Esses resultados até maio em conjunto com as expectativas para junho corroboram um cenário de cres cimento do PIB para o segundo trimestre de 127 na comparação com o segundo trimestre de 2020 e de 01 na margem a mesma projeção do Boletim de junho Porém em termos setoriais as previsoes foram ligeiramente alteradas Com relação ao resultado anual o crescimento foi revisto para 52 ante projeção anterior de 48 ver Tabela 1 Os dados divulgados recentemente em conjunto com a redução no número de infecçoes e de mortes pela COVID19 contribuíram para projeçoes melhores no se tor de comércio e transportes no segundo semestre No último boletim nossa projeção era de queda de 03 TsT 198 AsA e 19 TsT 22 AsA para esses setores no segundo trimestre respectivamente Tais números foram revistos para crescimento de 04 TsT 207 AsA e 46 TsT 350 AsA respectivamente Porém as ex pectativas para os serviços públicos foram revistas para baixo em linha com o Monitor do PIB Com essa mudan ça na composição não houve alteração para o segundo trimestre do PIB apesar de a expectativa para o ano ter sido revista para cima Ainda pelo lado da oferta a indústria deve se contrair no segundo trimestre em relação ao primeiro 18 TsT 168 AsA mesmo com estoques insuficientes acima da média histórica prépandemia por conta dos desafios mencionados anteriormente altos custos e falta de insumos Pelo lado da demanda o consumo das famílias deve crescer 05 TsT 121 AsA no segundo trimestre e 52 no ano Ou seja à medida que a mobilidade se normalize o consumo deve seguir crescendo até o final do ano Já o investimento deve se contrair em 43 TsT 289 AsA dado que considerando a base de com paração desfavorável o desempenho no primeiro trimestre foi forte Sobre a balança comercial o crescimento das importaçoes deve superar o das exportaçoes esperamos crescimento de 208 AsA 02 TsT vis à vis 111 AsA 63 TsT respectivamente No ano esperamos crescimento de 48 na indústria influenciada principalmente pelo crescimento da indústria de transformação e da construção civil e de expansão de 50 nos serviços Tudo indica uma recu peração mais forte no segundo semestre Evidentemente essa expectativa leva em consideração uma redução no número de infecçoes e de mortes pela COVID19 bem como aumento da mobilidade e normalização das atividades principalmente do setor de serviços Tabela 1 PIB projeções Atividades 2021II TsT 2021II AsA 2021 Consumo das Famílias 05 121 52 Consumo do Governo 11 46 22 Investimento 43 289 123 Exportação 63 111 65 Importação 02 208 111 PIB 01 127 52 Agropecuária 33 06 29 Indústria 18 168 48 Extrativa 25 30 24 Transformação 21 260 61 Eletricidade e Outros 04 75 29 Construção Civil 07 100 42 Serviços 09 111 50 Fonte IBGE Elaboração FGV IBRE Julho 2021 Boletim Macro 9 Expectativas de empresários e consumidores Confiança encerra primeiro semestre em alta Aloisio Campelo Rodolpho Tobler e Viviane Seda Os índices de confiança encerraram o primeiro semestre em alta motivada pelo desempenho econômico acima do esperado durante e após a saída do auge da segunda onda de Covid19 e pelas melhores perspec tivas de avanço da campanha de vacinação ao longo do segundo semestre Em junho o Índice de Confiança Empresarial ICE subiu 43 pontos atingindo o maior nível desde outubro de 2013 e o Índice de Confiança do Consumidor ICC subiu 47 pontos Uma prévia de julho com dados até o dia 13 indica que a recuperação segue ocorrendo pelo lado empre sarial mas em ritmo menos intenso alta de 19 ponto e mais concentrada no comércio e em serviços Já o ICC recua 07 ponto no mês e se encontra ainda 32 pontos abaixo de setembro de 2020 maior nível alcançado após a pandemia Caso sejam confirmados os números da prévia haveria portanto um retorno ao padrão mais típico dos últimos meses de recuperação mais expressiva da confiança empresarial que a do consumidor Gráfico 1 Confiança de consumidores e empresários Com ajuste sazonal em pontos 1007 802 50 60 70 80 90 100 110 120 jul08 jul09 jul10 jul11 jul12 jul13 jul14 jul15 jul16 jul17 jul18 jul19 jul20 jul21 ICE ICC Prévia Fonte FGV IBRE No âmbito empresarial a alta recente da confiança tem sido influenciada pela melhora gradual do ambiente no setor de Serviços Segmentos que dependem de algum tipo de interação social e relacionados com ativida des turísticas como os serviços prestados às famílias estiveram entre os que mais sofreram com medidas res tritivas nos piores momentos da pandemia A perspectiva de flexibilização de medidas restritivas e de aumento da circulação de pessoas nas cidades explica a melhora que ainda é bem mais forte pelo lado das expectativas que da percepção em relação à situação atual dos negócios Com a alta da confiança do setor de serviços observase uma redução da elevada heterogeneidade de resulta dos entre os segmentos produtivos que vinha ocorrendo desde o início da pandemia Em outro aspecto relacionado à heterogeneidade as micro e pequenas empresas continuam apresentando um resultado aquém das demais 10 Boletim Macro Julho 2021 A confiança das micro e pequenas empresas ICEMPE tem rodado abaixo da confiança agregada desde o início da crise econômica deflagrada pela pandemia ainda que os movimentos e pontos de inflexão se asseme lhem aos das demais empresas O gráfico abaixo compara a confiança empresarial das MPEs com a total Gráfico 2 Índice de Confiança Empresarial Total e de Micro e Pequenas Empresas Com ajuste sazonal em pontos 959 1007 50 60 70 80 90 100 110 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 mai21 jun21 ICE Pequenas Empresas ICE Total Fonte FGV IBRE Outro desequilíbrio surgido após a pandemia é a dificuldade de obtenção de insumos ou matériasprimas pela indústria Quesitos extraordinários adicionados à Sondagem de junho mostram que o problema persistirá por mais tempo 433 das empresas da indústria de transformação acham que a situação se normalizará so mente em 2022 ou não conseguem prever a normalização As empresas que continuam com problemas de escassez de insumos 524 do total apontam como prin cipais motivos a falta do produto no mercado tanto interno quanto externo ou o aumento do preço no mercado externo As expectativas mais negativas são as do segmento de bens duráveis de consumo Tabela 2 Período em que a empresa acredita que irá normalizar a entrega de insumos Em percentual Até o final do 2 trimestre de 2021 Até o final do 3 trimestre de 2021 Até o final do ano de 2021 Apenas em 2022 Não consegue prever a normalização Indústria de Transformação 60 247 260 255 178 Bens duráveis 27 47 190 658 78 Bens intermediários 55 122 270 303 250 Bens de Capital 92 180 185 327 216 Bens não duráveis 74 185 332 233 176 Fonte FGV IBRE Julho 2021 Boletim Macro 11 A recuperação mais lenta da confiança dos consumidores parece estar relacionada à alta da inflação nos últimos meses e ao cenário ainda muito negativo do mercado de trabalho duas variáveis que afetam princi palmente a confiança de famílias de menor poder aquisitivo como tem sido observado em ediçoes anteriores dessa seção do Boletim Macro IBRE A melhora do quadro da pandemia nos dois últimos meses tem possibilitado a flexibilização das medidas res tritivas colaborando para a recuperação da confiança econômica Mas o cenário para os próximos meses ainda apresenta riscos para as empresas talvez os maiores sejam o risco de racionamento energético e de piora do quadro da pandemia sob influência de novas cepas como a da variante delta Para o consumidor além desses há que se considerar que o desemprego continuará elevado por algum tempo e que o cenário anteriormente previsto de desaceleração da inflação para o segundo semestre tem no momento velocidade e magnitude incertos Mercado de trabalho Taxa de desemprego registra alta mais uma vez na série dessazonalizada com elevação inédita da taxa de participação em cinco meses Recuperação econômica impulsionada por vacinação levará a aumentos da população ocupada e da força de trabalho Caged por sua vez mostra nova aceleração da abertura de vagas Daniel Duque A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua PNADC divulgou sua edição de abril de 2021 com estabilidade da taxa de desocupação em 147 01 ponto percentual pp acima do projetado pelo FGV Ibre Essa estabilidade representou no entanto alta na série dessazonalizada tendo em vista que a desocupação tende a cair após o fim do primeiro trimestre com ajuste sazonal o desemprego se elevou de 142 para 144 Para maio projetase queda de 02 pp para 145 o que com ajuste significa redução menor de 01 pp Gráfico 3 Taxa de Desemprego 201921 100 105 110 115 120 125 130 135 140 145 150 mai19 jul19 set19 nov19 jan20 mar20 mai20 jul20 set20 nov20 jan21 mar21 mai21 TD TDSA Fonte PNADC IBGE Elaboração FGV IBRE 12 Boletim Macro Julho 2021 O resultado de abril da desocupação foi influenciado negativamente por um leve aumento da taxa de par ticipação Os gráficos abaixo mostram crescimento mensal do percentual de trabalhadores no último mês Anualmente a alta de abril de 2021 da força de trabalho foi de cerca de 4 mas sobre uma base fortemente deprimida do início da pandemia no ano anterior Gráfico 4 Evolução da Taxa de Participação e Força de Trabalho 53 55 57 59 61 63 abr13 ago13 dez13 abr14 ago14 dez14 abr15 ago15 dez15 abr16 ago16 dez16 abr17 ago17 dez17 abr18 ago18 dez18 abr19 ago19 dez19 abr20 ago20 dez20 abr21 Evolução da Taxa de Participação Mensalizado Trimestre Móvel 12 10 8 6 4 2 0 2 4 abr14 ago14 dez14 abr15 ago15 dez15 abr16 ago16 dez16 abr17 ago17 dez17 abr18 ago18 dez18 abr19 ago19 dez19 abr20 ago20 dez20 abr21 Taxa de crescimento da Força de Trabalho em relação ao mesmo período do ano anterior Mensalizado Trimestre Móvel Fonte PNADC IBGE Elaboração FGV IBRE com base na metodologia de mensalização do Banco Central Nos próximos meses tanto a população ocupada quanto a força de trabalho devem acelerar suas altas devido a uma progressiva e rápida vacinação dos adultos contra a Covid19 Em abril houve alta relevante dos informais como mostra o gráfico a seguir apesar de naquele mês ter sido reintroduzido o auxílio emergencial que beneficia desproporcionalmente esses trabalhadores de modo que seria esperado queda da participação destes na força de trabalho Julho 2021 Boletim Macro 13 Gráfico 5 Crescimento Mensal da População Ocupada com ajuste sazonal 7 6 5 4 3 2 1 0 1 2 3 jan19 mar19 mai19 jul19 set19 nov19 jan20 mar20 mai20 jul20 set20 nov20 jan21 mar21 Milhões Formal Informal Fonte PNADC IBGE Elaboração FGV IBRE com base na metodologia de mensalização do Banco Central Apesar de ainda haver possibilidade de a taxa de participação não se recuperar totalmente por um longo período as altas esperadas devem pressionar a taxa de desocupação nos próximos meses ainda que os ocu pados tendam a crescer O Caged por sua vez em maio de 2021 registrou abertura de cerca de 260 mil vagas o que representa saldo positivo de 280 mil vagas quando dessazonalizado O resultado surpreendeu positivamente o mercado cuja mediana estava em 150 mil mas não a FGVIbre que esperava criação de 360 mil vagas Como mostra o gráfico abaixo há tendência de aceleração das altas das ocupaçoes com carteira assinada Para junho de 2021 projetase uma alta de 340 mil vagas nível semelhante quando a série é dessazonalizada Gráfico 6 Saldo de Vagas do Caged 201921 1100 900 700 500 300 100 100 300 500 jan19 mar19 mai19 jul19 set19 nov19 jan20 mar20 mai20 jul20 set20 nov20 jan21 mar21 mai21 Milhares Saldo de emprego s ajuste sazonal Saldo de empregos c ajuste sazonal Fonte CAGED MTE Elaboração FGV IBRE 14 Boletim Macro Julho 2021 Apesar da grande divergência ainda fortemente aparente entre Caged e PNADC vale notar que as séries começam a se aproximar nos últimos meses como mostra o gráfico abaixo Desse modo é esperada maior con vergência nos próximos trimestres ainda de que as elevadas altas do Caged sejam sem registro na PNADC Gráfico 7 Saldo Acumulado em 12 meses de Empregos com Carteira Assinada por pesquisa 6 5 4 3 2 1 0 1 2 3 mar13 ago13 jan14 jun14 nov14 abr15 set15 fev16 jul16 dez16 mai17 out17 mar18 ago18 jan19 jun19 nov19 abr20 set20 fev21 PNADC Caged Fonte PNADC IBGE e CAGED MTE Elaboração FGV IBRE Inflação Preços administrados não oferecem trégua para a inflação André Braz A participação de preços administrados na inflação segue em sentido ascendente e será destacada em 2021 No segundo trimestre as apuraçoes do IPCA foram influenciadas por aumentos de medicamentos com bustíveis e energia elétrica cuja influência seguirá em alta no terceiro trimestre Ainda em março a gasolina com alta de 1126 teve ampla participação no resultado do IPCA que registrou alta de 093 a maior taxa de variação apurada no primeiro semestre Já em abril apesar da desaceleração registra da pelo IPCA cuja taxa recuou para 031 os medicamentos cujo aumento médio foi de 269 responderam por quase 30 da inflação no mês Entre maio e junho o resultado do IPCA foi especialmente influenciado pela tarifa de energia elétrica e pelos combustíveis cujos preços acumularam altas de 74 e 51 nesses dois últimos meses Sobre os reajustes da energia podese alertar que os desafios não partem somente das bandeiras tarifárias mas também dos repasses que poderão ocorrer a partir dessa nova pressão sobre os custos de produção contribuindo para que ocorram aumentos nos preços de vários produtos destinados à indústria ou ao consumo familiar O reajuste das bandeiras funcionará como um efeito multiplicador das tensoes inflacionárias especial mente nos setores que são intensivos no uso de energia Julho 2021 Boletim Macro 15 A crise hídrica manterá os holofotes na tarifa elétrica Em julho além da prática da bandeira vermelha patamar 2 o valor da bandeira sofreu reajuste de 52 passando de R 624 para R 949 a cada 100 Kwh consumidos O impacto médio nas contas dos consumidores pode chegar a 8 o que influenciará em 04 ponto percentual a inflação de julho Além disso a redução do volume de chuvas normal para o inverno tende a comprometer as condiçoes de lavouras e pastagens aumentando o risco de complicaçoes em safras e na pecuária O aumento da participação de preços administrados nos resultados do IPCA tende a ser prolongado dado o efeito que essas altas podem trazer para a atividade econômica Sabese que parte dessa pressão inflacioná ria é transitória já que as bandeiras tarifárias não têm efeitos permanentes na conta de energia Porém a própria incerteza em função dos efeitos da seca pode favorecer reajustes que não serão transitórios mas sim perma nentes Sobretudo numa estrutura produtiva com margens que já foram muito comprometidas por aumentos nas matériasprimas para as quais o IPAFGV mostra alta acumulada de 6775 até junho Afora esse movimento algumas cidades do país sofrerão reajuste no valor do KWh o que poderá aumentar ainda mais o impacto da tarifa de energia na inflação deste mês Os combustíveis também não oferecerão trégua Foram anunciados reajustes na refinaria para gasolina 63 e diesel 37 a partir da segunda semana de julho Esses aumentos ainda que cheguem mais fracos às bombas também provocarão impulso não desprezível na inflação deste mês Em contrapartida os planos de saúde sofreram redução A ANS divulgou queda de 819 nos preços a par tir de maio de 2021 Essa queda amenizará a destacada contribuição dos preços monitorados para o aumento da inflação em julho De qualquer forma com tantos reajustes autorizados o IPCA de julho poderá fechar em torno de 1 núme ro que levará a taxa em 12 meses para 9 este mês Para o final do ano a expectativa é de que a inflação feche em 72 mas considerando que alguns reajustes podem ser transitórios como a prática da bandeira tarifária em seu patamar máximo o índice oficial ainda tem chances de fechar o ano abaixo de 7 Com tantos aumentos entre os preços monitorados essa classe de produtos e serviços poderá fechar o ano com alta em torno de 10 Se tal previsão se confirmar os preços monitorados responderão por aproxima damente 40 da inflação de 2021 Política monetária Política monetária nada tem de trivial o dilema do Copom de agosto José Júlio Senna De modo geral decisoes de política monetária nada têm de triviais Na calibragem da taxa básica de juros seu principal instrumento de política os banqueiros centrais atuam em ambiente de considerável incerteza O fato de a política monetária operar sempre com defasagem ou seja o fato de os efeitos de ajustes de taxa de juros apare cerem integralmente somente após significativo espaço de tempo dificulta muito as açoes das autoridades Num regime de metas a tarefa prioritária é promover a convergência da inflação para o objetivo numérico oficialmente estabelecido no horizonte de tempo relevante Como banco central algum consegue controlar di 16 Boletim Macro Julho 2021 retamente o ritmo de crescimento dos preços a ser observado 18 ou 24 meses adiante fazse necessário lançar mão de uma variável intermediária de um target intermediário que responda bem aos movimentos de juros e mostre boa correlação com a própria inflação A projeção oficial de inflação desempenha esse papel Para facilitar o entendimento do público sobre a chamada função de reação do banco central as au toridades procuram ser transparentes revelando como pretendem reagir à evolução das projeçoes oficiais de inflação e a outras variáveis relevantes A política monetária funciona melhor quando esse entendimento é bom De modo geral a comunicação oficial costuma envolver sinais pouco específicos mas importantes de qualquer modo Às vezes porém faz sentido que as informaçoes oficiais sejam mais específicas como acontece por exemplo quando as autoridades desejam dar alguma sinalização sobre os próximos passos da política monetária A situação atual do Brasil está longe de confortável Os choques inflacionários têm sido expressivos Difícil prever até onde irá a escalada de preços A despeito desse ambiente desfavorável as últimas informaçoes disponíveis indicam projeção de inflação oscilando em torno da meta para 2022 no horizonte relevante no mo mento Por ocasião do Copom de março a projeção era de 36 No Copom seguinte cedera ligeiramente para 34 No encontro mais recente estava em 35 ou seja na meta Costumeiramente repetida pelo BC a informação de caráter mais geral é no sentido de que os movimen tos de política monetária dependem da atividade econômica das expectativas e das projeçoes de inflação e do balanço de riscos em torno do cenário básico Atividade e expectativas são variáveis levadas em conta na medida em que influenciam as projeçoes de inflação Na ata do último Copom tal mensagem não deixou de ser transmitida A complexidade do quadro atual porém tem levado o BC a fazer algo mais isto é a sinalizar o próximo passo E nisso precisa ser mais específico Tem sido assim desde o início da normalização em março Agora em junho o passo seguinte foi sinalizado desta maneira Para a próxima reunião o Comitê antevê a continua ção do processo de normalização monetária com outro ajuste da taxa Selic da mesma magnitude Contudo uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tem pestiva dos estímulos monetários Referência explícita ao comportamento das expectativas de inflação parece plenamente justificável na medida em que isto revela a fundamental preocupação das autoridades com a an coragem das expectativas No tocante ao encontro de agosto realisticamente há duas possibilidades repetese o ajuste anterior de 75 pontos ou acelerase o passo para 100 pontos Por certo não há nada de errado em sinalizar o movimento seguinte O problema a nosso ver é a possibilidade de a sinalização de caráter mais geral eventualmente con flitar com a mensagem mais específica Com relação às informaçoes que estarão disponíveis para o BC no momento da decisão do próximo mês podemos imaginar cinco possibilidades Primeiro suponhamos que a projeção básica de inflação para 2022 permaneça na meta algo bem possível pois o impacto de fatores altistas poderá ser compensado pelos efei tos de uma trajetória Focus de taxa Selic mais agressiva trajetória essa que alimenta o modelo do BC como ilustra a tabela a seguir Admitamos também que as expectativas de inflação da pesquisa Focus para 2022 não se elevem comparativamente ao observado por ocasião do Copom de junho Neste caso não haverá dúvida o ajuste da Selic será de 75 pontos Julho 2021 Boletim Macro 17 Selic Focus Mediana Mensal 15032021 03052021 11062021 09072021 ago21 400 463 500 500 set21 450 500 550 575 out21 450 525 600 650 dez21 450 550 625 663 jan22 500 550 625 675 fev22 500 550 650 675 mar22 500 575 650 700 abr22 500 575 650 700 mai22 500 600 650 700 jun22 525 600 650 700 jul22 525 600 650 700 ago22 550 600 650 700 set22 550 600 650 700 out22 550 600 650 700 nov22 550 625 650 700 dez22 575 625 650 700 Segundo imaginemos agora alta significativa da projeção básica de inflação para 2022 e ao mesmo tem po elevação das expectativas Focus para o mesmo horizonte Também aqui não haveria dúvida a Selic seria ajustada para cima em 100 pontos Terceiro caso a projeção oficial de inflação continue na meta mas as expectativas Focus de inflação se elevem significativamente podemos esperar alta de 100 pontos Quarto qual seria a decisão na hipótese de a projeção oficial de inflação e as expectativas Focus não se alterarem mas a percepção do BC acerca do balanço de riscos ficar pior em razão por exemplo dos eventos mais recentes no campo fiscal Nesse caso o BC estaria propenso a fazer um ajuste de 100 pontos mas a sinalização específica para o mês de agosto dificultaria decisão nesse sentido Em poucas palavras uma de cisão possivelmente acertada sob a ótica do longo prazo poderia deixar de ser tomada em razão da referida sinalização de curto prazo Quinto que dizer da possibilidade de a projeção oficial de inflação passar a superar a meta mas as expecta tivas Focus para 2022 não se mexerem Esse conflito de informaçoes também dificultaria a tomada de decisão especialmente na hipótese de os preços de mercado embutirem majoritariamente um movimento de 100 pon tos Nesse caso o BC talvez optasse pelos 100 pontos mas à custa de algum arranhão em sua credibilidade Em síntese a análise acima parece justificar plenamente nosso comentário inicial política monetária nada tem de trivial 18 Boletim Macro Julho 2021 Política fiscal A sempre polêmica reforma tributária Juliana Damasceno e Matheus Rosa Ribeiro Praticamente um ano após enviar ao Congresso a primeira etapa da reforma tributária tratando da tributa ção do consumo o governo enfim apresentou a segunda fatia de sua proposta com alteraçoes voltadas desta vez à tributação da renda e de lucros para pessoas física e jurídica Por um lado a proposta conta com uma atualização da tabela do IR Pessoa Física elevando a faixa de isenção e escalonando outras faixas de tributa ção embora ainda abaixo da inflação Por outro a proposta prevê redução da alíquota geral para o IR Pessoa Jurídica enquanto passa a tributar lucros e dividendos A cartilha clássica de repercussão de propostas de re forma tributária baseada em longo histórico de tentativas e quasereformas já prometia uma dose de polêmica Sem fugir à regra a proposta apresentada pelo governo no fim de junho logo ganhou um texto substitutivo em meio a inúmeras contestaçoes tanto técnicas quanto de setores afetados em defesa de seus interesses Fato é que a sempre presente resistência à reforma seja ela do governo com receio de perder receita seja de grupos mais organizados com a possibilidade de maior carga continua a adiar mudanças em prol da igualdade e da eficiência Duas questoes que a atual pandemia agravou e que ainda que de forma limitada poderiam se não deveriam ser aliviadas por um novo sistema tributário Assim como as críticas são esperadas diante de novas propostas também é previsível o surgimento de desafios que se colocam à frente de sua tramitação alguns dos quais já começam a se concretizar Dentre tais desafios o penoso processo de aprovação do texto carrega consigo os conhecidos riscos de desidrata ção em relação ao texto original e de negociaçoes que resultem em alteraçoes subótimas A fim de aumentar a probabilidade de aprovação é comum que pontos chave da proposta sejam vetados ou mesmo que o texto traga mudanças de última hora ambos os casos tendo grande efeito sobre a estimativa de impacto original embora não sejam geralmente acompanhados pelo mesmo nível de embasamento de dados Enquanto o imbróglio perdura são deixados de lado princípios essenciais para reestruturar qualquer sistema tributário e dos quais não tardaremos a notar a ausência simplicidade transparência eficiência e equidade Ainda mais grave esse impasse diante de reformas tributárias abre também espaço para saídas fáceis ainda que menos desejáveis Caso da CPMF um tributo extinto que embora tenha apresentado diversos problemas durante sua vigência é com frequência trazido de volta ao debate público dada sua capacidade de arrecadar de forma rápida e em grande escala A futura carga tributária total é por sinal sempre o grande ponto de atenção e imprecisão nesse debate A projeção da Receita Federal apontava que a proposta de reforma apresentada no fim do junho teria impacto neutro sobre carga tributária global atual 3164 do PIB em 2020 com acréscimo de apenas cerca de R 2 bi2 por ano na arrecadação No entanto os diferentes rumos que o debate da reforma tende a tomar e a incer teza que é natural a uma projeção de tamanha complexidade não permitem ainda tal garantia Isso sem contar com o risco de o cenário econômico projetado não se concretizar e o ambiente político próximo entregar sua prometida dose de turbulência 2Ver httpsbitly3xHyITE Julho 2021 Boletim Macro 19 Isso fica tipificado por um lado por haver quem aponte que o texto original do governo subestimaria ganhos de arrecadação com tributação de lucros e dividendos3 E por outro pelo relator da reforma ter apresentado parecer al terando o texto poucos dias após seu envio original Entre as principais mudanças destacase a proposta de ampliar de 5 para 125 pontos percentuais a redução da tributação do Imposto de Renda sobre as empresas Essa medida implicaria uma perda de até R 30 bilhoes segundo parecer do relator do projeto Dado que 46 das receitas do IR devem ser repassadas para os governos regionais de acordo com a Constituição Federal aquela perda afetaria majoritariamente os cofres de estados e municípios motivo pelo qual governadores e prefeitos já se articulam para mudar texto A aposta do governo envolve um cenário otimista capaz de mais do que compensar essa renúncia fiscal via um crescimento econômico mais robusto e forte recuperação das condiçoes financeiras das empresas Os principais impactos da crise sanitária sobre as contas públicas foram o aumento do estoque da dívida e um novo adiamento do retorno à obtenção de superávits primários Uma reforma tributária que acarrete drás tica redução na arrecadação não seria sustentável diante do já deteriorado cenário fiscal Por outro lado uma reforma que acarrete aumento de carga tributária funcionaria como política fiscal contracionista em meio à re cuperação econômica na saída da pandemia e com desemprego elevado Vale ainda lembrar que o IRPJ é um tributo direto implicando que uma grande redução em sua alíquota vai contra um dos princípios da reforma a progressividade Calibrar esse impacto depende de uma discussão mais realista e pública a ser facilitada pela transparência que apenas os dados abertos podem fornecer Embora seja amplo e antigo o consenso sobre a necessidade de aprovação de uma reforma tributária a dificuldade de se definir qual modelo de reforma aprovar junto com as esperadas resistências de grupos mais prejudicados sejam eles empresariais ou governamentais tem perdurado como um obstáculo à aprovação de alteraçoes na legislação tributária A velha máxima de que todos querem mudança mas ninguém quer mu dar nunca pareceu tão evidente e segue adiando a possibilidade de uma boa reforma na qual os iguais pas sariam a pagar a mesma carga de tributos e os incentivos tributários seriam justificados pelos seus resultados Para enfim superarmos esse sistema tributário criado há mais de meio século precisaremos abdicar da utopia de que há uma melhor reforma tributária para todos Setor externo O aumento no volume importado supera as previsões para esse ano Lia Baker Valls Pereira O volume do comércio mundial recuou 53 entre 2019 e 2020 e deve aumentar em 8 em 2021 em re lação ao ano anterior segundo a Organização Mundial de Comércio OMC Na América do Sul houve queda de 45 e de 93 nas exportaçoes e importaçoes respectivamente entre 20192020 e aumento de 32 nas exportaçoes e de 81 nas importaçoes entre 20202021 3Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário afirma haver subestimação da estimativa de ganhos de arrecadação com a reforma da forma como estava proposta Ver httpsbitly3hCncDn 20 Boletim Macro Julho 2021 No Brasil a queda no volume exportado em 88 entre 20192020 foi maior do que a registrada para a re gião sulamericana no mesmo período mas a retração no volume importado em 31 ficou abaixo do resultado regional O Boletim Macro IBRE na edição de junho de 2021 estimou um aumento de 51 nas exportaçoes e de 61 nas importaçoes este ano No caso das exportaçoes uma variação no volume acima do projetado pela OMC para a América do Sul e nas importaçoes um resultado inferior ao da região No acumulado do ano até junho como mostra o Gráfico 8 o volume exportado aumentou 66 em relação a igual período de 2020 Nas importaçoes a variação foi de 207 O resultado para o volume sem plataformas é relativamente próximo 234 Gráfico 8 Variação nos índices de volume e preço das exportações e importações 469 98 140 426 427 252 66 51 207 234 Preço Volume Preço Volume Volume sem plataformas Exportações Importações jun21jun20 janjun21janjun20 Fonte httpcomexstatmdicgovbr Elaboração FGV IBRE ICOMEX Ressaltase a diferença entre o aumento nos preços exportados 252 e o das importaçoes 51 na com paração entre os primeiros semestres de 2020 e 2021 Essa diferença compensa a maior variação do volume importado em relação ao exportado o que resultado num crescimento de 35 no valor exportado em relação ao importado 265 Com esses dados o superávit do primeiro semestre de 2021 de US 367 bilhoes foi superior ao do mesmo período de 2020 US 223 bilhoes O desempenho das exportaçoes seguiu a mesma tendência analisada na edição do Boletim de junho A China lidera a contribuição para o aumento do superávit comercial Gráfico 9 A análise dos índices de volume e do preço exportado mostram porém que a elevação nos preços das commodities é o principal motor de crescimento das exportaçoes para a China Gráfico 10 Em contraste destacase o aumento no volume expor tado para a Argentina e demais países da América do Sul puxado pela venda de bens duráveis de consumo automóveis e veículos de transporte Julho 2021 Boletim Macro 21 Gráfico 9 Saldos da Balança Comercial em US bilhões 1º semestre de 2021 223 169 51 002 080 43 17 367 252 31 040 045 54 241 Global China Estados Unidos Argentina União Europeia Ásia exclusive China América do Sul exclusive Argentina janjun20 janjun21 Fonte Balança ComercialMinistério da Economia Gráfico 10 Variação nos índices de preços e volume por mercados janjunho 2020janjunho2021 Estados Unidos União Europeia 388 141 197 71 21 310 26 154 49 424 360 143 China Argentina Demais América do Sul Ásia Exclusive China e Oriente Médio Preços Volume Fonte httpcomexstatmdicgovbr Elaboração FGV IBRE ICOMEX As diferenças no desempenho por mercados se refletem na variação dos agregados das exportaçoes Ilustramos com os grupos de commodities e não commodities Gráfico 11 O aumento de 176 das não commodities explica a variação de 104 em termos de volume da indústria de transformação entre os dois primeiros semestres de 2020 e 2021 Para esse mesmo período a agropecuária registrou uma variação de 1 e a extrativa 80 Em termos de valor a comparação interanual do primeiro semestre entre 2020 e 2021 foi de 241 para as exportaçoes de agropecuária 778 na extrativa e 229 na indústria de transformação Esse resultado eviden cia novamente a influência do aumento de preços das commodities nos resultados deste ano 22 Boletim Macro Julho 2021 Gráfico 11 Variação no volume e no preço das exportações de commodities e de não commodities janjunho 2020janjunho2021 336 28 69 176 Preço Volume Preço Volume Commodities Não commodities Fonte httpcomexstatmdicgovbr Elaboração FGV IBRE ICOMEX Como se compoe o aumento das importaçoes Por tipo de indústria a maior variação no volume importado foi da indústria de transformação 210 se guido da extrativa 179 A agropecuária aumentou 61 A maior variação de preços se refere à agropecuária 157 Destacamos as importaçoes da indústria de transformação por categoria de uso Gráfico 12 Variação nos volumes importados das categorias de uso da indústria de transformação 472 467 1915 464 53 503 13 120 495 252 63 269 Bens de capital Bens de capital sem plataforma Bens de consumo duráveis Bens de consumo não duráveis Bens de consumo semiduráveis Bens intermediários jun21jun20 janjun21janjun20 Fonte httpcomexstatmdicgovbr Elaboração FGV IBRE ICOMEX Observase a variação de 1915 nas importaçoes de bens duráveis de consumo na comparação mensal e de 495 no acumulado do ano até junho Ao mesmo tempo para essa categoria a variação no volume ex portado foi de 1914 mensal e 794 comparação semestral Esse resultado indica um intenso comércio intraindústria nessa categoria impulsionado pela indústria automotiva Outra categoria a ressaltar nas importaçoes são os bens de capital Na comparação mensal não há diferen ça entre a inclusão ou não das plataformas No entanto a variação entre os dois primeiros semestres de 2020 Julho 2021 Boletim Macro 23 e 2021 foi de 120 sem as plataformas e uma queda em 13 com a inclusão das plataformas Em ediçoes anteriores já explicamos a mudança do regime do REPETRO que levou à internalização das plataformas entre 2018 e 2020 Nesse caso a queda pode ser explicada pelas importaçoes de plataformas em 2020 e o recuo dessas importaçoes via REPETRO em 20214 A comparação do volume importado pela indústria e a agropecuária confirma a recuperação do nível de atividade em 2021 Chama atenção as variaçoes na comparação interanual de junho com crescimento ao redor de 47 e 614 de compras de bens de capital para a indústria e a agropecuária respectivamente e de 229 e de 469 de bens intermediários para os setores citados na mesma ordem Gráfico 13 Variação no volume importado das máquinasequipamentos e de bens intermediários utilizados na agropecuária e na indústria 472 467 614 229 469 13 120 115 128 271 MaqEquip Indústria MaqEquip Indústria sem plataforma MaqEquip agropecuária Bens Intermediários para a agropecuária Bens intermediários para indústria jun21jun20 janjun21janjun20 Fonte httpcomexstatmdicgovbr Elaboração FGV IBRE ICOMEX Observase que câmbio não explica o aumento das importaçoes em 2021 É certo que estamos comparan do com uma base deprimida como a de 2020 mas já ressaltamos que a queda das importaçoes no Brasil foi menor que a média da América do Sul em 2020 Além disso o câmbio real efetivo embora tenha se valorizado em 05 entre junho de 20202021 ainda está desvalorizado em relação à cesta de moedas dos parceiros bra sileiros Ademais não se pode atribuir à questão das plataformas o aumento das importaçoes esse ano Em suma em termos de volume os resultados das importaçoes estão surpreendendo esste ano No en tanto com o aumento nos preços das commodities das exportaçoes continuamos a apostar num superávit em 2021 superior ao de 2020 podendo chegar a valores entre US 65 e US 70 bilhoes 4Para uma leitura sobre as implicaçoes dessas mudanças para a análise da taxa de investimento no Brasil ver Blog do IBRE de 21062021 artigo de Roberto Olinto e outros 24 Boletim Macro Julho 2021 Internacional Dilemas do FED Samuel Pessôa Após muitos anos em que foi difícil para o banco central americano o Federal Reserve ou simplesmente Fed atingir a meta de inflação foram seguidos anos de inflação abaixo da meta de 2 ao ano parece que os tempos de pressão desinflacionária ficaram para traz A forte recuperação da economia deve crescer 657 este ano impulsionada pelo maior pacote fiscal desde a 2º guerra conjuntamente com os choques inflacionários produzido pela epidemia principalmente o de falta de matéria primas com destaque para a carência de chips e seus impactos sobre a indústria de bens duráveis tem colocado a inflação bem acima da meta de 2 Acmulado em 12 meses Média 6 meses anualizada jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 mai21 jun21 jun21 CPI 10 13 14 12 12 14 14 17 26 42 50 54 74 Alimentação 41 41 39 39 37 39 38 36 35 24 22 24 40 Energia 112 90 77 92 94 70 36 24 132 251 285 245 311 Commodities energéticas 202 167 155 181 193 152 87 15 220 479 545 442 581 Serviços de energia 00 00 15 13 21 25 21 32 40 54 62 64 73 CPI ex alimentação e energia 16 17 17 16 16 16 14 13 16 30 38 45 60 Commodities ex alimentação e energéticas 05 04 10 12 14 17 17 13 17 44 65 87 127 Serviços ex serviços de energia 23 22 19 17 17 16 13 13 16 25 29 31 41 CPI ex alimentação e energia MM3 18 08 29 46 44 25 17 12 10 07 19 56 Média Aparada 16 CPI 23 24 23 22 21 21 20 20 21 24 26 29 36 Média Aparada 16 CPI anualizada 42 29 16 19 14 16 07 29 29 45 48 57 Média Aparada 16 CPI MM3 30 31 29 21 16 16 12 17 22 34 41 50 Mediana CPI 26 25 24 24 22 22 21 21 20 21 21 22 24 Mediana CPI anualizada 28 24 12 28 10 17 10 28 18 29 32 29 Mediana CPI MM3 25 23 21 21 16 18 12 18 19 25 26 30 A tabela acima apresenta a evolução da inflação nos EUA o IPCA deles conhecido por consumer price index CPI acumulada em 12 meses para os últimos 12 meses Na última coluna da tabela há a média das inflaçoes mensais para os últimos seis meses anualizada Finalmente em cada linha da tabela temos uma abertura diferente Como se vê na primeira linha da penúltima coluna a inflação roda a 54 bem acima da meta de 2 O nú cleo por exclusão dos alimentos e energia do CPI roda a 45 O Fed para operacionalizar seu regime de metas Julho 2021 Boletim Macro 25 de inflação acompanha a inflação dada pelo núcleo por exclusão do deflator implícito do consumo conhecido por PCE Não temos o dado do PCE para junho Ele fechou maio a 39 e em 34 no núcleo por exclusão Todas as medidas de inflação do parágrafo anterior referemse à inflação em 12 meses Medidas de mais curto prazo indicam pressão inflacionária adicional o que sugere que a inflação em 12 meses ainda subirá Por exemplo a tabela mostra que a média móvel trimestral com ajuste sazonal do núcleo do CPI por exclusão rodou em junho a 56 A média móvel trimestral para o núcleo de médias aparadas e da mediana fecharam junho respectivamente a 5 e 3 Na última coluna da tabela apresentamos a média das inflaçoes mensais anualizadas para os últimos seis meses A inflação mensal na média rodou a 74 ao ano e o núcleo por exclusão a 6 Não muito diferente dessa mesma estatística para o Brasil o IPCA na média para os primeiros seis meses rodou a 76 anualizado e o núcleo por exclusão a 49 A elevada inflação americana é fruto de choques Os choques afetaram um pouco os núcleos principalmen te o núcleo por exclusão Como vimos o núcleo por médias aparadas subiu um pouco e o núcleo da mediana está mais baixo A grande dúvida é se quando os choques passarem a inflação americana irá recuar ou estará rodando a partir de um nível mais alto Se não houver devolução e o fato de os núcleos estarem respondendo ao choque pode ser um sinal de que não haverá esse recuo é possível que o processo de subida da taxa de juros fique para bem mais cedo do que o segundo semestre de 2023 previsto atualmente pelo Fomc Em foco IBRE Mercado de trabalho continua fragilizado e a lenta recuperação do emprego ainda é uma grande preocupação Paulo Peruchetti Os eventos associados à pandemia da Covid19 elevaram de forma extraordinária o nível de incerteza em relação ao desempenho da economia e tiveram impactos negativos sobre a atividade econômica e em espe cial sobre o mercado de trabalho brasileiro O objetivo deste texto é fazer uma atualização destes impactos tomando como referência a recente divulgação feita pelo IBGE dos dados da Pnad Contínua que agrega os principais indicadores de mercado de trabalho permitindo assim uma análise completa do atual momento do emprego no país5 5O Banco Central publicou recentemente uma análise no Box do Relatório de Inflação de junho de 2021 mostrando alguns desafios pelos quais tem passado a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua PNAD Contínua por conta da mudança na forma de coleta de informaçoes de presencial para telefone em decorrência da pandemia que pode estar gerando uma redução da taxa de respostas especialmente nos grupos com indivíduos nas primeiras entrevistas a partir do segundo trimestre de 2020 Na análise cujo objetivo era identificar os efeitos da redução da taxa de respostas da PNAD Contínua em importantes indicadores econômicos da pesquisa concluiuse que o possível viés de seleção em variáveis observáveis ligadas à demografia não parece ter implicado mudanças relevantes em estimativas agregadas de ocupação e participação no mercado de trabalho O estudo pode ser acessado através do link a seguir httpswwwbcbgov brcontentrirelatorioinflacao202106ri202106b4ppdf 26 Boletim Macro Julho 2021 Começo a análise mostrando a queda sem precedentes do emprego iniciada em março de 2020 O Gráfico 14 mostra a evolução da taxa de crescimento mensalizada em relação ao mesmo mês do ano anterior da po pulação ocupada no Brasil6 Gráfico 14 Taxa de crescimento da população ocupada em e em relação ao mesmo mês do ano anterior Brasil 23 16 14 12 10 8 6 4 2 0 2 4 abr13 ago13 dez13 abr14 ago14 dez14 abr15 ago15 dez15 abr16 ago16 dez16 abr17 ago17 dez17 abr18 ago18 dez18 abr19 ago19 dez19 abr20 ago20 dez20 abr21 Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE dados mensalizados Podemos notar pelo Gráfico 14 que ao longo da recessão iniciada no segundo trimestre de 2014 e que durou até o quarto trimestre de 2016 houve forte redução do emprego no Brasil principalmente no final de 2016 quando as quedas observadas na população ocupada foram de quase 3 em relação ao mesmo mês do ano anterior Desde então a população ocupada no Brasil estava crescendo a taxas robustas chegando a apresentar um crescimento de 29 em maio de 2019 Podemos notar no entanto que após esse longo período de expansão da população ocupada houve a partir de março forte retração do emprego no país Após crescer 18 em fevereiro de 2020 em relação ao mesmo mês do ano anterior a população ocupada no Brasil apresentou queda de 25 em março 92 em abril 107 em maio 121 em junho chegando ao patamar de queda de 142 em julho a maior já observada ao longo da série histórica mensalizada superando largamente as quedas observadas ao longo da recessão de 201420167 6Diante do atual cenário de elevadas distorçoes causadas pelo avanço da pandemia do coronavírus as informaçoes de alta frequência são cada vez mais relevantes para que possamos entender os seus desdobramentos na economia brasileira Em função disso diversos pesquisadores tem estudado formas de mensalizar os indicadores da Pnad Contínua de modo a terem informaçoes mais precisas do atual momento do mercado de trabalho brasileiro eliminando assim os efeitos da média móvel presentes nas divulgações oficiais do IBGE e obtendo fatos estilizados para cada um dos meses Dentre estses trabalhos podemos citar o artigo proposto por Hecksher 2020 pesqui sador do IPEA e o trabalho proposto no Box do Relatório de Inflação de junho de 2020 divulgado pelo Banco Central que embora usem métodos diferentes encontram resultados similares Dada a relevância do atual cenário de elevada incerteza fazse necessário o esforço de desenvolvimento de técnicas que possam capturar os impactos mensais da pandemia no mercado de trabalho brasileiro 7Vale ressaltar que os resultados observados entre março e julho na série de emprego que considera a média móvel trimestral foram ate nuados devido à inclusão de meses cujo crescimento da população ocupada havia crescido de forma mais robusta ou caído menos Nessa série original por exemplo houve baixo crescimento do emprego em março de 2020 algo próximo a 04 em relação ao mesmo trimestre móvel do ano anterior e quedas de 34 75 107 e 123 em abril maio junho e julho respectivamente Já no trimestre móvel termi nado em abril de 2021 a queda do emprego foi de 37 quando comparada com o trimestre móvel terminado em abril de 2020 No ano de 2020 o recuo do emprego no Brasil foi de 79 Julho 2021 Boletim Macro 27 Desde então temos observado uma recuperação ainda muito lenta do emprego Em março de 2021 por exemplo a queda do número de pessoas ocupadas foi de 49 em comparação com o observado em março de 2020 Já em abril como era de se esperar houve forte reversão na dinâmica interanual da taxa de crescimen to de modo que nesse mês o emprego cresceu 23 em comparação com abril de 2020 Esse resultado no entanto deve ser interpretado com cautela tendo em vista a base de comparação muito desfavorável Outra forma de analisar a dinâmica do emprego é a partir dos dados dessazonalizados cujo crescimento toma como base o mês imediatamente anterior O Gráfico 15 apresenta a taxa de crescimento mensal da popu lação ocupada a partir dessa métrica Gráfico 15 Taxa de crescimento da população ocupada em e em relação ao mês imediatamente anterior e evolução da série com ajuste sazonal Fev2020100 Brasil Taxa de Crescimento em relação ao mês imediamente anterior 00 01 35 70 09 13 25 30 14 13 03 02 07 01 02 03 8 6 4 2 0 2 4 jan20 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 Evolução do emprego série com ajuste sazonal fev2020100 75 80 85 90 95 100 105 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE dados mensalizados 28 Boletim Macro Julho 2021 Quando analisamos o crescimento do emprego na margem é possível notar que o mês cuja queda foi mais dramática foi abril de 2020 cujo recuo em relação a março havia sido de 7 Os três meses subsequentes também foram de queda embora em patamar bem menor Entre agosto do ano passado e fevereiro deste ano temos observado taxas positivas de crescimento da população ocupada porém cada vez menores indicando desaceleração da recuperação do emprego Em março o emprego apresentou recuo de recuou 02 seguido de ligeira elevação de 03 em abril Esses resultados apontam uma lenta recuperação que fica ainda mais visível quando analisamos o grá fico que compara o emprego com o observado no período prépandemia fev2020 Em particular os dados sugerem que em abril o emprego ainda se encontrava cerca de 81 abaixo do nível observado em feverei ro do ano passado Ou seja apesar do forte crescimento interanual o emprego ainda não se recuperou de forma robusta Diante dos fatos apresentados entender os fatores que explicam a forte queda do emprego e sua lenta recuperação ajuda a traçar os diagnósticos corretos da situação atual do mercado de trabalho no Brasil Em primeiro lugar vale destacar que a redução de emprego foi generalizada e atingiu praticamente todos os setores da economia A Tabela 3 a seguir apresenta a mudança no padrão de crescimento dos setores da economia observada em 2020 Tabela 3 Taxa de crescimento da população ocupada e alocação setorial do emprego Setor Variação do Emprego 20172019 aa Peso no total do emprego em 2019 Variação do Emprego em 2020 Peso no total do emprego em 2020 Agropecuária 03 91 25 96 Industria 04 200 96 196 Extrativa Mineral 24 05 07 05 Indústria de Transformação 11 114 77 114 Construção 09 72 125 68 SIUP 10 09 141 09 Serviços 23 709 80 707 Comércio 07 189 96 186 Transporte 33 53 95 52 Serviços de Informação 28 14 46 16 Intermediação Financeira 17 14 21 15 Outros Serviços 34 322 121 307 Serviços Imobiliários 14 06 25 07 APU 14 111 45 126 Total 17 1000 79 1000 Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE dados mensalizados Os dados mostram que entre 2017 e 2019 com exceção da agropecuária e da construção civil que recua ram 03 aa e 09 aa respectivamente todos os outros setores tiveram aumento de emprego com desta Julho 2021 Boletim Macro 29 que para transporte e outros serviços cujas altas foram de 33 aa e 34 aa respectivamente No entanto com o agravamento da pandemia em 2020 essa situação mudou drasticamente dado que com exceção da administração pública e dos serviços de informação que apresentaram alta no emprego de 45 e 46 respec tivamente todos os outros setores sofreram com quedas fortes no número de pessoas ocupadas Setores importantes como construção transporte e outros serviços que inclui serviços prestados às fa mílias e serviços domésticos dentre outras atividades foram particularmente afetados apresentando quedas no emprego de 125 95 e 121 respectivamente A queda de emprego nesses setores que foram os menos produtivos da economia em 2020 esteve alinhada com a queda no nível de atividade econômica nesses segmentos tendo em vista que em 2020 eles também apresentaram as maiores quedas de valor adicionado 7 no caso da construção 92 no caso do setor de transportes e 121 nos outros serviços quando com parados com setores de produtividade mais elevada como intermediação financeira serviços de informação e serviços imobiliários tal como exposto no Gráfico 168 Gráfico 16 Taxa de crescimento setorial da população ocupada e do valor adicionado em 2020 em relação ao ano anterior Brasil Agropecuária Ext Mineral Transformação Construção SIUP Comércio Transporte Serv Inform Intermed Financ Outros Serv Serv Imob APU 20 15 10 5 0 5 10 14 12 10 8 6 4 2 0 2 4 6 Variação do emprego Variação do Valor Adicionado Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE e das Contas Nacionais Trimestrais Além disso em 2020 enquanto no agregado da indústria a queda da população ocupada foi de 96 no agregado do setor de serviços em que a alocação de mão de obra gira em torno de 70 e o emprego vinha crescendo 23 entre 2017 e 2019 a queda da população ocupada foi de 8 Em particular a lenta recuperação do emprego ao longo de 2021 devese principalmente à recuperação anêmica que tem ocorrido no setor de serviços tal como apresentado no Gráfico 17 8Essas mudanças na composição do emprego e dos setores da economia tendem a elevar a produtividade média da economia Esse tema foi discutido em detalhes na nota de resultados dos indicadores de produtividade do trabalho para o ano de 2020 divulgado recentemente no Observatório da Produtividade Regis Bonelli e que pode ser acessado através do link httpsibrefgvbrsitesibrefgvbrfilesarquivos u65relatorioanualptfinalpdf 30 Boletim Macro Julho 2021 Gráfico 17 Taxa de crescimento da população ocupada na indústria e no setor de serviços em e em relação ao mesmo mês do ano anterior e evolução da série com ajuste sazonal Fev2020100 Brasil Taxa de Crescimento YoY 20 15 10 5 0 5 10 abr13 ago13 dez13 abr14 ago14 dez14 abr15 ago15 dez15 abr16 ago16 dez16 abr17 ago17 dez17 abr18 ago18 dez18 abr19 ago19 dez19 abr20 ago20 dez20 abr21 Indústria Serviços Série com ajuste sazonal Fev2020100 80 85 90 95 100 105 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 Indústria Serviços Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE dados mensalizados Podemos notar que ao longo da recessão iniciada no segundo trimestre de 2014 e que durou até o quarto trimestre de 2016 houve forte redução do emprego na indústria no Brasil principalmente no final de 2016 quan do as quedas observadas foram de quase 10 em relação ao mesmo mês do ano anterior Após esse período foi possível notar desaceleração nas quedas do emprego de modo que entre o final de 2016 e meados de 2019 elas foram ficando progressivamente menores tendo inclusive havido crescimento levemente positivo em alguns meses Entre junho de 2019 e fevereiro de 2020 o emprego na indústria estava crescendo de forma robusta chegando a alcançar o patamar de 39 em janeiro de 2020 Desde março do ano passado no entanto a população ocupada na indústria despencou e interrompeu o ciclo de crescimento que estávamos vendo desde meados de 2019 Em julho de 2020 por exemplo a queda do emprego em relação ao mesmo mês do ano anterior foi de 177 a maior já observada na série histórica Desde então temos visto desaceleração nas quedas do emprego alocado nesse setor chegando em março de 2021 a se registrar crescimento de 05 seguido de elevação de 49 em abril Essa melhora no crescimento interanual no entanto não foi suficiente para recompor a perda causada pela pandemia de modo que na in dústria o emprego ainda se encontra 103 abaixo do nível observado em fevereiro de 2020 Julho 2021 Boletim Macro 31 No setor de serviços o principal da economia que concentra cerca de 70 do emprego gerado no país as medidas de distanciamento social necessárias para a contenção do vírus levaram a população ocupada a apresentar forte redução iniciada em março de 2020 Nesse mês o emprego no setor de serviços havia recuado cerca de 1 Em abril maio junho e julho de 2020 as quedas ficaram bem mais intensas de modo que nesses meses o emprego recuou em relação ao mesmo mês do ano anterior 85 107 e 115 e 145 respectivamente Para se ter uma ideia do que isso significa ao longo da recessão observada entre 2014 e 2016 que havia sido o pior momento do setor até então em termos de emprego a população ocupada não chegou a apresentar quedas nesse patamar Entre julho de 2020 e março de 2021 foi possível notarmos desaceleração nas quedas do emprego alocado no setor de serviços indicando uma lenta recuperação da mão de obra Já em abril houve crescimento de 06 no emprego do setor de serviços quando comparado com abril do ano passado Esse resultado embora positivo precisar ser interpretado com cautela pois está sendo influen ciado pela péssima base de comparação abril de 2020 Em particular essa elevação interanual observada em abril de 2021 não foi capaz de recuperar toda a perda de emprego no setor de serviços causada pela pandemia Isso fica evidente quando analisamos o gráfico que mostra a série com ajuste sazonal tendo como referência fevereiro de 2020 Nesse gráfico é possível notar que o emprego no setor de serviços ainda se encontra em um patamar muito baixo 86 menor quando comparado com o período prépandemia dificultando ainda mais a recuperação do emprego total da economia que depende muito da recuperação desse setor A forte queda de emprego observada no setor de serviços e na indústria em particular na construção civil pode estar associada à elevada informalidade presente nestes setores9 A queda no emprego informal por exemplo foi determinante para queda do emprego observada desde março de 2020 como veremos no gráfico a seguir Gráfico 18 Taxa de crescimento da população ocupada alocada em ocupações formais e informais em e em relação ao mesmo mês do ano anterior e Série com ajuste sazonal Fev2020100 Brasil10 Taxa de Crescimento YoY 25 20 15 10 5 0 5 10 15 abr17 ago17 dez17 abr18 ago18 dez18 abr19 ago19 dez19 abr20 ago20 dez20 abr21 Formal Informal 9No setor de serviços e na construção civil a taxa de informalidade foi em 2020 próxima de 365 e 683 respectivamente 10Veloso Matos e Peruchetti 2020 detalharam o comportamento do emprego informal e formal bem como sua contribuição para o cres cimento do emprego ao longo das recessoes desde meados da década de 1990 Os autores concluíram que o padrão recente de recupe ração do mercado de trabalho caracterizado pelo aumento expressivo da informalidade é diferente do verificado em outros períodos de recuperação da economia Para maiores detalhes acesse o texto no link httpsibrefgvbrsitesibrefgvbrfilesarquivosu65padraodere cuperacaodoempregoaposaultimarecessaoesuarelacaocomaprodutividadedotrabalhofinal16032020pdf 32 Boletim Macro Julho 2021 Série com ajuste sazonal Fev 2020100 80 85 90 95 100 105 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 Formal Informal Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE dados mensalizados Desde o final da recessão de 20142016 a contribuição da informalidade para a recuperação do emprego foi muito elevada destoando inclusive do padrão observado em recessoes anteriores11 O avanço da pandemia do coronavírus no entanto levou à forte destruição do emprego informal ainda mais elevada do que a obser vada no emprego formal Este último por exemplo apresentou expressivo recuo de 95 em julho de 2020 quando comparado com o mesmo mês do ano anterior Após essa queda temos notado grande dificuldade de recuperação do emprego formal Em particular em abril de 2021 a queda do emprego formal foi de 31 em comparação com o mesmo mês do ano passado Já a população ocupada no setor informal que em fevereiro de 2020 havia crescido 22 apresentou em março queda de 67 em relação ao mesmo mês do ano anterior além de nova redução de 172 em abril e recuo de 182 em maio Desde meados do ano passado no entanto temos observado desaceleração nas quedas do emprego informal dada a maior flexibilidade que esses trabalhadores têm para voltar ao mercado de trabalho Em particular após atingir a maior queda em junho de 2020 208 os recuos observados no emprego informal foram ficando cada vez menores até atingir 49 em março de 2021 Em abril houve forte reversão na dinâmica do crescimento interanual do emprego informal de modo que nesse mês houve significa tiva elevação de 105 quando comparado com abril de 2020 A recuperação mais rápida do emprego informal fica ainda mais evidente quando analisamos a evolução da série com ajuste sazonal a partir do índice que toma como ponto de partida fevereiro de 2020 O gráfico mostra que após a forte queda ocorrida entre fevereiro e abril tem havido uma recuperação mais rápida do emprego in formal quando comparada com o emprego formal que tem apresentado mais resistência em recuperar as perdas dos meses anteriores embora ambos ainda estejam em patamares inferiores ao período prépandemia Mesmo com o forte crescimento interanual do emprego informal em abril de 2021 ainda não houve plena recuperação tendo em vista que se encontra 102 abaixo do nível observado no período prépandemia Além disso podemos notar também que o emprego formal se encontra 66 abaixo 11Veloso Matos e Peruchetti 2020 detalharam o comportamento do emprego informal e formal bem como sua contribuição para o cres cimento do emprego ao longo das recessoes desde meados da década de 1990 Os autores concluíram que o padrão recente de recupe ração do mercado de trabalho caracterizado pelo aumento expressivo da informalidade é diferente do verificado em outros períodos de recuperação da economia Para maiores detalhes acesse o texto no link httpsibrefgvbrsitesibrefgvbrfilesarquivosu65padraodere cuperacaodoempregoaposaultimarecessaoesuarelacaocomaprodutividadedotrabalhofinal16032020pdf Julho 2021 Boletim Macro 33 Por fim outra característica marcante desta pandemia foi o grande impacto negativo nas ocupaçoes de escolaridade mais baixa O Gráfico 19 mostra a taxa de crescimento em relação ao mesmo trimestre do ano anterior do emprego por nível educacional Gráfico 19 Taxa de crescimento da população ocupada alocada por nível educacional em e em relação ao mesmo trimestre do ano anterior Brasil 25 20 15 10 5 0 5 10 15 2013q1 2013q2 2013q3 2013q4 2014q1 2014q2 2014q3 2014q4 2015q1 2015q2 2015q3 2015q4 2016q1 2016q2 2016q3 2016q4 2017q1 2017q2 2017q3 2017q4 2018q1 2018q2 2018q3 2018q4 2019q1 2019q2 2019q3 2019q4 2020q1 2020q2 2020q3 2020q4 2021q1 Sem Instrução e Fundamental Incompleto Fundamental Completo e Médio Incompleto Médio Completo e Superior Incompleto Superior Completo Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE Os dados sugerem que as ocupaçoes de baixa escolaridade foram particularmente afetadas com redução de 171 e 148 no emprego de pessoas sem instrução e com ensino fundamental incompleto e pessoas com ensino fundamental completo e ensino médio incompleto respectivamente Por outro lado houve em 2020 um aumento de 55 no emprego de pessoas com ensino superior completo No primeiro trimestre de 2021 o padrão de redução no emprego se manteve o mesmo do observado no ano passado de modo que os trabalhadores com menor escolaridade continuaram a ser mais afetados redu ção de 152 e 81 no emprego de pessoas sem instrução e com ensino fundamental incompleto e pessoas com ensino fundamental completo e ensino médio incompleto respectivamente em comparação com aqueles que possuem ensino superior completo alta de 48 Essa mudança na composição da mão de obra conforme tem sido amplamente debatido no Observató rio da Produtividade Regis Bonelli pode inclusive ajudar a explicar a elevação atípica da produtividade do trabalho observada desde meados do ano passado que precisa ser interpretada com bastante cautela já que pode estar refletindo a profunda mudança no mercado de trabalho decorrente da pandemia que conforme já mencionado afetou principalmente trabalhadores de baixa produtividade especialmente os informais e de baixa escolaridade12 Em particular os trabalhadores de menor escolaridade provavelmente terão grande dificuldade de inser ção na força de trabalho devido ao avanço de tecnologias que favorecem os trabalhadores mais qualificados 12Este tema foi amplamente debatido na nota de resultados dos indicadores trimestrais de produtividade do primeiro trimestre de 2020 que pode ser acessada no Observatório da Produtividade Regis Bonelli através do link a seguir httpsibrefgvbrsitesibrefgvbrfilesarquivos u65indicadorestrimestraisdeprodutividadedotrabalho1t2021finalpdf 34 Boletim Macro Julho 2021 como o aumento do trabalho remoto reforçando ainda mais a necessidade de capacitação da mão de obra para o mercado de trabalho13 Além disso num ambiente de incerteza elevada como ocorreu após a recessão de 20142016 os empre sários postergam investimentos e contrataçoes formais Em função disso a recuperação do emprego desde o fim da recessão em 2016 ocorreu por meio do aumento na participação de atividades informais de baixa pro dutividade14 Este grau de incerteza provavelmente continuará alto devidos aos riscos fiscais e turbulências políticas que tendem a aumentar em 2022 com uma eleição presidencial fortemente polarizada Diante disso a recuperação do mercado de trabalho deverá ocorrer principalmente por meio de ocupaçoes informais que são em média menos produtivas reproduzindo o padrão observado no período anterior a pandemia Referência Hecksher Marcos Valor Impreciso por Mês Exato Microdados e Indicadores Mensais Baseados na PNAD Con tínua Nota Técnica 62 IPEA 2020 Relatório de Inflação Estimativa para dados mensalizados da PNAD Contínua Volume 22 nº 2 Banco Central do Brasil 2020 13Este tópico foi tema de discussão no FGV IBRE cujo material foi publicado pelo Jornal Valor Econômico e pode ser acessado pelo link httpsvalorglobocombrasilnoticia20210604nem20teminfraestruturaparahomeofficeghtml A reportagem mostra que entre os que terminaram o ensino superior o potencial de teletrabalho chega a 624 dos trabalhadores ou 529 quando ajustado pela existência de uma infraestrutura mínima de trabalho que inclui acesso à energia internet e computador Para quem terminou o ensino médio mas não concluiu um curso superior os percentuais são de 237 e 148 respectivamente Já os trabalhadores menos escolarizados são os mais desfavorecidos no quesito tendo em vista que somente 65 entre os que possuem fundamental incompleto podem realizar o trabalho à distância e só 15 possui a infraestrutura para tanto 14Este tema foi discutido em artigo de Veloso Matos e Peruchetti disponível no Observatório da Produtividade Regis Bonelli Acesse o texto completo através do link httpsibrefgvbrsitesibrefgvbrfilesarquivosu65padraoderecuperacaodoempregoaposaultima recessaoesuarelacaocomaprodutividadedotrabalhofinal16032020pdf OBSERVATÓRIO DA PRODUTIVIDADE REGIS BONELLI Uma medida de força para a economia O FGV IBRE elegeu a produtividade como uma das preocupações centrais para o debate sobre o desenvolvimento do país O site Observatório da Produtividade Regis Bonelli reúne uma ampla base de dados sobre a produtividade fornecendo informações para uma maior compreensão do tema e contribuindo para a formulação de políticas públicas que possam impulsionar o crescimento Acesse o site Observatório da Produtividade Regis Bonelli Disponível em versão mobile e desktop httpsfgvbribreobservatorioprodutividade Instituto Brasileiro de Economia Diretor Luiz Guilherme Schymura de Oliveira Vicediretor Vagner Ardeo Coordenador de Economia Aplicada Armando Castelar Pinheiro Boletim Macro IBRE Coordenação geral e técnica Silvia Matos Revisão editorial Fernando Dantas Editoria de arte Marcelo Nascimento Utrine Equipe Permanente Aloisio Campelo Jr André Braz Armando Castelar Pinheiro Daniel Duque José Júlio Senna Juliana Damasceno Lia Valls Pereira Livio Ribeiro Marina Garrido Matheus Rosa Ribeiro Mayara Santiago Samuel Pessôa Viviane Seda Advertência As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas nas quais constem a sua identificação como tais em artigos e entrevistas publicados nos meios de co municação em geral representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não necessariamente a posição institucional da FGV Este Boletim foi elaborado com base em estudos internos e utilizando dados e análises produzidos pelo IBRE e outros de conhecimento público com informações atualizadas até 20 de julho de 2021 O Boletim é direcionado para clientes e investido res profissionais não podendo o IBRE ser responsabilizado por qualquer perda direta ou indiretamente derivada do seu uso ou do seu conteúdo Não pode ser reproduzido distribuído ou pu blicado por qualquer pessoa para quaisquer fins Instituição de caráter técnicocientífico educativo e filantrópico criada em 20 de dezembro de 1944 como pessoa jurídica de direito privado tem por finalidade atuar no âmbito das Ciências Sociais particularmente Economia e Administração bem como contribuir para a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável Praia de Botafogo 190 CEP 22250900 Rio de Janeiro RJ Caixa Postal 62591 CEP 22257970 Tel 21 37994747 Primeiro Presidente e Fundador Luiz Simões Lopes Presidente Carlos Ivan Simonsen Leal Vicepresidentes Francisco Oswaldo Neves Dornelles licenciado Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque Conselho Diretor Presidente Carlos Ivan Simonsen Leal Vicepresidentes Francisco Oswaldo Neves Dornelles licenciado Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque Vogais Armando Klabin Carlos Alberto Pires de Carvalho e Albuquerque Cristiano Buarque Franco Neto Ernane Galvêas José Luiz Miranda Lindolpho de Carvalho Dias Marcílio Marques Moreira Roberto Paulo Cezar de Andrade Suplentes Aldo Floris Antonio Monteiro de Castro Filho Ary Oswaldo Mattos Filho Eduardo Baptista Vianna Gilberto Duarte Prado José Ermírio de Moraes Neto Marcelo José Basílio de Souza Marinho Conselho Curador Presidente Carlos Alberto Lenz César Protásio Vicepresidente João Alfredo Dias Lins Klabin Irmãos Cia Vogais Alexandre Koch Torres de Assis Jorge Irribarra Souza Cruz SA Antonio Alberto Gouvêa Vieira Carlos Eduardo de Freitas Cid Heraclito de Queiroz Eduardo M Krieger Estado da Bahia Estado do Rio de Janeiro Estado do Rio Grande do Sul José Carlos Cardoso IRBBrasil Resseguros SA Luiz Chor Luiz Ildefonso Simões Lopes Marcelo Serfaty Marcio João de Andrade Fortes Miguel Pachá Isaac Sidney Menezes Ferreira Federação Brasileira de Bancos Pedro Henrique Mariani Bittencourt Ronaldo Vilela Sindicato das Empresas de Seguros Privados de Previdência Complementar e de Capitalização nos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo Willy Otto Jordan Neto Suplentes Almirante Luiz Guilherme Sá de Gusmão Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo General Joaquim Maia Brandão Júnior José Carlos Schmidt Murta Ribeiro Leila Maria Carrilo Cavalcante Ribeiro Mariano Luiz Roberto Nascimento Silva Manoel Fernando Thompson Motta Filho Solange Srour Banco de Investimentos Crédit Suisse SA Olavo Monteiro de Carvalho Monteiro Aranha Participações SA Patrick de Larragoiti Lucas Sul América Companhia Nacional de Seguros Ricardo Gattass Rui Barreto Instituto Brasileiro de Economia Diretor Luiz Guilherme Schymura de Oliveira Vicediretor Vagner Laerte Ardeo Superintendência de Estatísticas Públicas Aloisio Campelo Junior Superintendência de Infraestrutura e Mercados Governamentais Túlio Barbosa Superintendência de Inovação e Mercados Pedro Guilherme Ferreira Superintendência de Pesquisa Dados e Operação André Lavinas Superintendência de Economia Aplicada Armando Castelar Superintendência de Publicações Claudio Roberto Gomes Conceição Superintendência de Gestão Estratégica e Organizacional Joana Braconi CONJUNTURA ECONÔMICA FGV IBRE BIBLIOTECA VIRTUAL São 130 mil páginas escritas pelos maiores especialistas de cada época com a visão técnica e analítica do momento Cada palavra foi indexada inclusive pelos mecanismos de busca para que você encontre em segundos o que pesquisa via desktop e mobile JUSCELINO KUBITSCHEK 50 anos em 5 O MILAGRE ECONÔMICO Conheça sua evolução HIPERINFLAÇÃO 100 ao mês Como sobrevivemos O que deu certo e o que deu errado Como chegamos a ela Como saímos dela PRIVATIZAÇÃO DA TELECOMUNICAÇÃO O que mudou LICITAÇÕES DO PETRÓLEO Como foram na época O que podemos inferir para as atuais BREXIT Impactos na estabilidade da União Européia ESTÁ TUDO AQUI SÃO MAIS DE 12 MIL ACESSOS POR MÊS VISITE PESQUISE E TENHA UMA NOVA VISÃO DO PASSADO ACESSE AGORA E PESQUISE EM TODO O CONTEÚDO DA REVISTA fgvbribrebibliotecavirtual Selecione pontualmente ou pesquise em todas as 7 décadas de uma só vez VOCÊ PODE TER ESTES RECURSOS EM SEUS DOCUMENTOS Acesse agora wwwdocprocombr e veja como é simples e rápido encontrar a informação que precisa dentro dos seus documentos A gestão do conhecimento Docpro é eficaz tanto para impressos atas relatórios contratos revistas etc bem como para materiais digitais doc pdf fotos WhatsApp planilhas etc Acessível para consulta no computador tablet ou smartphone Tecnologia docprocombr tecnologiadocpro Para edições anteriores acesse httpsportalibrefgvbrboletimmacro Caros alunos Em anexo vocês encontrarão dois os mais recentes Boletins Macroeconômicos do IBREFGV exibidos em aula O aluno deverá ler os sumários executivos seção de abertura de ambos os textos com atenção Em seguida deverá escolher um tópicoseção apenas um tal como inflação atividade econômica emprego contas públicas contas externas etc A partir dessa escolha sua tarefa será redigir uma reflexão crítica original comparando como a análise do tópico evoluiu entre os dois documentos destacando semelhanças contrastes eou aspectos aparentemente contraditórios Além disso você deverá pesquisar na mídia portais de notícias tv revistas relatórios econômicos podcast mais uma fonte que trate do mesmo tema O objetivo é enriquecer a análise confrontandoa com os Boletins do IBREFGV Destaque igualmente aspectos complementares coincidentes ou aparentemente contraditórios trazidos por essa terceira fonte fazendo um contraponto Atenção Não se limite a reproduzirresumir os textos e as fontes consultados em seu trabalho pois o próprio EClass faz o controle de originalidade dos conteúdos postados pelos alunos Também não apresente tãosomente uma sequência de bullets pois isso não é um texto e a atividade não está sendo proposta a entrega de uma apresentação em ppt Por fim escreva obrigatoriamente uma breve seção de conclusõesReflexão destacando seu entendimento pessoal do tópico analisado 2 paragrafos seria suficiente Bom trabalho Comparativos boletim macroeconômico FGV julho 2021 maio 2022 Os boletins macro da FGV são realizados mensalmente e neste trabalho comparamos o boletim 121 de julho de 2021 e 131 de maio de 2022 A FGV compara em seus boletins a evoluçãoinvolução aspectos macroeconômicos tais como Atividade econômica expectativas de empresários e consumidores mercado de trabalho inflação e política monetária Para este trabalho foi escolhido o tema inflação afinal a sua expressão medida em valores expressa o comportamento da economia na variação de preços ao longo de dois períodos Para fins de consulta externa apresentamos o site httpswwwpoder360combreconomiainflacaodobrasilea4amaior dog20textO20Brasil20tem20a204C2AAR C3BAssia20172C825 onde poderemos fazer uma comparação com os boletins macroeconômicos apresentados Certamente devemos levar em consideração a pandemia da Covid19 que assola o mundo desde o início de 2020 e que seguramente influencia os países de econômicas mais dependentes ou também países dos ditos emergentes Numa atividade econômica qualquer País sempre estará vulnerável a variáveis não controláveis e países como o Brasil dependentes de capital externo acabam tendo maiores dificuldades em retomar a sua atividade econômica Pois bem no comparativo temos que em julho de 2021a inflação foi impulsionada pela alta dos combustíveis e energia elétrica e o reflexo do aumento de preços na estrutura produtiva de cerca de 70 também pressionou o IPCA aliadas a crise global pandêmica a expectativa em maio de 2021 era de que a inflação superasse a meta do governo o que ocorreu pois o governo teve de ajustar seu índice meta Já o boletim de maio de 2022 aponta que apesar da desaceleração do IPCA em abril as pressões inflacionárias continuarão a castigar nosso País Mesmo que exista uma expectativa na desaceleração dos índices no IPCA esta ainda será muito lenta e agora temos a nova pressão causada pelo impacto da guerra RússiaUcrânia e a volta da Covid19 na China junto a novas desmobilizações da cadeia produtiva gerando possíveis impactos nesta desaceleração da inflação Os artigos sobre a inflação são assinados pelo economista André Braz e tivemos o comparativo entre os dois boletins apresentados Segundo o economista em 2021 os preços que fazem parte do cálculo da administração seguiriam em sentido ascendente dentre eles o aumento de medicamentos e combustíveis e energia elétrica Realmente o aumento dos medicamentos pressionou a alta inflacionária pois a pandemia aumentou a demanda que estava escassa pressionando os preços para cima os combustíveis dado o tipo de precificação que acompanha os preços inflacionários não resistiram a pressão de preços e a pequena oferta e mesmo com a demanda diminuída tiveram significativa alta além da energia que passou 2021 com a bandeira tarifária vermelha provocada pela crise energética Em 2022 segundo o boletim haveria ausência de novos reajustes na gasolina não ocorreu e a prática da bandeira verde na energia ajudariam a reduzir o ritmo de crescimento da inflação A energia apesar da previsão sobre os custos de produção teve estes alimentados em seu preço mas atenuados pela volta da bandeira verde reduzindo um pouco a pressão inflacionária Segundo o boletim de 2021 anda sobre os combustíveis acabaram por trazer contribuição na formação do índice inflacionário Quanto aos planos de saúde a queda nos preços amenizou o aumento da inflação para os meses seguintes mas mesmo assim havia em julho de 2021 a expectativa de fechamento da inflação para o final do ano em 72 mas acabou em 1006 fonte httpsagenciabrasilebccombreconomianoticia202201ibgeinflacao medidapeloipcafecha2021comaltade1006textPublicado 20em20112F012F2022102C062520em202021 O que o economista não previu foram as altas na habitação alimentação e bebidas Já para o boletim de maio o economista acrescenta a manutenção desta taxa em dois dígitos e informa que a desaceleração será muito lenta e abaixo da previsão feita para o início de 2022 Segundo o economista a bandeira verde na energia e ausência de reajustes favoreceriam o recuo da inflação e o diesel teria impacto modesto no IPCA mesmo assim encareceria os fretes e transportes pelo repasse aos custos e despesas encarecendo outros produtos e serviços que possuem peso no IPCA O autor sustenta sua tese de 2021 onde energia e combustíveis respondes pela inflação dos últimos meses Alimentos bens duráveis e serviços também tem alta contínua e generalizada sendo as commodities afetadas pela pressão da guerra UcrâniaRússia e sazonalidade do leite ajudando a manter a inflação nos dois dígitos Novamente o grupo transportes tem o destaque negativo e os custos de produção de serviços e bens duráveis mantém a inflação acumulada e persistente A tendência de inflação que me 2021 era pela incerteza da pandemia e baixa atividade produtiva foi apontada pelo autor em 2022 como prejudicial pela incerteza da guerra ucrâniaRússia a volta da Covid 19 na China e o risco de novas desmobilização da cadeia produtiva Aponta o autor que tensões políticas a serem causadas pelas eleições e a incerteza sobre a condução da política fiscal para 2023 também ampliam temores sobre inflação que poderão ficar acima da meta Tanto em 2021 como em 2022 o CUPOM aumentou a taxa SELIC para tentar conter o consumo e reduzir os preços Comparativo Segundo o site pesquisado dos países do G20 o Brasil possui a quarta maior inflação apurada e a alta acumulada dos últimos 12 meses até abril de 2022 chega a 121 Segundo o site mesmo que o País mantenha índices altos de inflação outros países têm elevado os seus índices e os economistas entrevistados traçam um cenário mais otimista de estagnação da inflação Eles citam como causadores da inflação o preço das commodities a crise na cadeia produtiva e a guerra RússiaUcrânia Segundo os economistas do sítio a demanda maior que a oferta pressiona os preços e este item não foi abordado pelo Dr André em seu boletim a pandemia fez com que houvesse uma forte expansão monetária e fiscal e os reflexos da crise energética ainda são responsáveis pela inflação Como consequência o Brasil aumenta a taxa de juros na expectativa de restringir crédito O site consultado também corrobora com a ideia de que a inflação se manterá na casa dos dois dígitos e feche o ano em alta mas com uma leve desaceleração Ainda assim a inflação de abril foi de 106 a maior para o período desde 1996 Os boletins e o site pesquisado convergem sobre o aumento de combustível commodities energia convergem sobre a alta inflacionária e no aumento da taxa de juros como tentativa de frear o consumo e reduzir a demanda convergem nas pressões externas causados pelo conflito bélico e pela crise na cadeia produtiva Ambos entendem que existira uma redução na inflação mas que ele fechará nos dois dígitos e acima da meta do governo ConclusãoReflexão Entendo que em momentos de crise mundial nosso País demonstra toda a sua fragilidade O Brasil é extremamente dependente de capital externo de importação e necessita muito que suas fronteiras estejam em uma situação de normalidade Somos exportadores primários grandes produtores porém sofremos muitas restrições por não estarmos sem poder de negociação O que oferecemos de reservas setor primário agro e pecuária são produtos que sofrem muita especulação e que nossa cadeia produtiva acaba se tornando refém da política de preços mundial Quando tensões acerca de crises sanitárias COVID e crises bélicas se avizinham acabamos de ter que suportar pressão inflacionária pois não temos muito o que oferecer em troca e nossa capacidade de importação acaba sendo influenciada pela pressão de preços Aliado a isto ainda tivemos a crise energética e a política de preços de combustíveis que entendo ser equivocada acaba nos deixando com alta nos preços e tendo d buscar no aumento da taxa SELIC uma expectativa de frear consumo e reduzir os preços então incorremos no desemprego e baixa atividade produtiva o que também pressiona preços afinal necessidades básicas precisam ser sanadas alimentação remédios vestuários e então estes itens pressionam novamente a inflação Acredito que fecharemos nos dois dígitos mas acima do que os economistas preveem e que talvez uma pacificação na guerra e o fim da pandemia possa nos dar um alento e a volta de nossa capacidade produtiva e poder de negociação

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Maio 2022 No 131 O tamanho do aperto monetário lá fora e aqui A inflação segue alta surpreendendo para cima e batendo recordes em vários países Na Área do Euro gira no maior patamar da série histórica Nos EUA e no Reino Unido as taxas são as mais altas em quatro décadas Agora a revista de economia mais tradicional do país também é blog Conheça este novo canal da Conjuntura Econômica e acompanhe a cada semana matérias e entrevistas que complementam e atualizam as análises que chegam mensalmente aos leitores Blog da CONJUNTURA ECONÔMICA Disponível em versão mobile e desktop fgvbribreblogdaconjunturaeconomica Maio 2022 Boletim Macro 3 O tamanho do aperto monetário lá fora e aqui Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos A inflação segue alta surpreendendo para cima e batendo recordes em vários países Na Área do Euro gira no maior patamar da série histórica Nos EUA e no Reino Unido as taxas são as mais altas em quatro décadas A novidade porém não é tanto a inflação alta mas a mudança de postura dos principais banqueiros centrais que abandonaram o discurso de que a alta dos preços era transitória e se resolveria sozinha e passaram a aceitar que já passou da hora de abandonarem o expansionismo que caracterizou a política monetária desses países nos últimos anos Os juros começaram a subir e vão subir mais já avisaram A questão que se coloca agora é quanto e por quanto tempo No Brasil também ainda que em grau bem menor essa mesma questão está na pauta do dia com uma inflação em vias de fechar o ano outra vez muito acima do teto da banda até onde o BC subirá a Selic As informações divulgadas nas últimas semanas corroboraram a necessidade de maior aperto monetário nos EUA A contração do PIB no primeiro trimestre de 14 na comparação trimestral anualizada com ajuste sazonal poderia até sugerir o contrário mas não quando se olha o detalhe dos números Em especial essa queda foi explicada em grande medida pela contribuição negativa das exportações líquidas tendo a demanda doméstica privada crescido 37 no período Olhando à frente há vários motivos para achar que a inflação seguirá pressionada Em especial os dados mostram que o mercado de trabalho continua muito apertado para padrões históricos com a taxa de desempre go atingindo 36 em março entre outros indicadores que apontam na mesma direção Em particular o índice de custo do trabalho1 ECI que inclui salários e benefícios pagos pelas empresas subiu 14 no primeiro tri mestre em relação ao quarto trimestre após avanço de 10 no último trimestre de 2021 Os dados disponíveis para abril também foram positivos mas perdendo força Há ainda os gargalos nas cadeias de suprimentos que continuam expressivos e foram intensificados pelo surto de Ômicron na China tornando o processo infla cionário ainda mais desafiador Na Europa os sinais também são de alta nos juros mas com certa defasagem em relação aos EUA pois a atividade na região está sentindo diretamente o impacto contracionista vindo da guerra na Ucrânia A China também está passando por um processo de desaceleração com desafios de curto prazo causados pela Covid Com a perspectiva de os juros subirem mais e mais cedo nos EUA além da maior aversão ao risco com a pers pectiva de desaceleração global o dólar ganha força o que por sua vez coloca pressão sobre a atividade nas economias emergentes 1Employment Cost Index divulgado pelo Bureau of Labor Statistics 4 Boletim Macro Maio 2022 O cenário é portanto de desaceleração global É o que mostram os Barometros Economicos Globais Coinci dente e Antecedente do FGV IBRE2 que registram queda pelo segundo mês consecutivo O Barometro Coinciden te de maio mantémse abaixo do nível médio histórico de 100 pontos enquanto o indicador Antecedente se afasta da média refletindo o aumento do risco de desaceleração mais acentuada em diversos países Todos os indicadores setoriais coincidentes também recuaram fortemente no mês As maiores quedas vêm da Construção e Economia Geral avaliações dos consumidores e agregadas empresariais seguidas de In dústria Serviços Comércio Com o resultado todos os cinco indicadores setoriais estão agora abaixo do nível médio histórico de 100 pontos E no Brasil após o aumento esperado da taxa de juros para 1275 o comunicado e a ata do Copom destacaram como provável a extensão do ciclo de aperto monetário mas com uma alta de menor magnitude na reunião de junho Haverá novos aumentos depois disso Se sim até onde A inflação como dito segue muito alta e as expectativas para 2023 aumentando A ata da última reunião do Copom deixou essas questões em aberto De um lado mencionou preocupação com os efeitos defasados da política monetária e os efeitos negativos sobre a atividade economica De outro revelou preocupação sobre a velocidade de desinflação de bens industriais que pode se mostrar bem mais lenta do que o previsto anteriormente Inflação mais pressionada e surpreendendo para cima política monetária mais apertada aqui e lá fora o resultado não poderia ser outro senão a deterioração das condições financeiras domésticas tornando o cenário prospectivo para a atividade economica no Brasil ainda mais desafiador Assim entendemos que os resultados positivos para a atividade no primeiro trimestre que vieram acima do esperado não representam a tendência para os próximos meses O processo de reabertura da economia com o controle parcial da pandemia contribuiu para os resultados positivos para serviços e comércio Para o primeiro trimestre revisamos a previsão de crescimento de 04 TsT para 09 Os dados de início do segundo trimestre também apontam um trimestre moderadamente mais positivo que o anteriormente previsto Porém avaliamos que o segundo semestre pode ter desaceleração mais intensa Consequentemente revisamos apenas ligeiramente a nossa previsão de crescimento para o ano de 06 para 07 Já para 2023 reduzimos a previsão de crescimento de 07 para 04 Conforme destacado nas edições anteriores do Boletim Macro o cenário atual de manutenção do aperto monetário por um período mais prolongado pesa negativamente sobre as atividades mais relacionadas ao ciclo economico3 Além disso as incertezas eleitorais e a indefinição do arcabouço fiscal que deverá vigorar nos próximos anos dificultam o retorno a uma trajetória fiscal sustentável e consequentemente a redução do juro real de equilíbrio da economia O aumento da taxa Selic e as perspectivas de baixo crescimento economico levarão a uma deterioração do resultado nominal e da dívida do setor público mais à frente Isso tornará ainda mais desafiadora a agenda fiscal para o próximo governo a redução dos gastos obrigatórios precisa ser enfrentada através de reformas que são muito difíceis de serem conduzidas politicamente Ao mesmo tempo não há muito espaço para a elevação da carga tributária que já atingiu 339 do PIB em 2021 muito acima de média da América Latina excluindo Brasil e próxima da média dos países da OCDE Não há motivos para comemorar 2Os Barometros Economicos Globais são um sistema de indicadores que permite uma análise tempestiva do desenvolvimento economico global Eles representam uma colaboração entre o Instituto Economico Suíço KOF da ETH Zurique na Suíça e a Fundação Getulio Vargas FGV Ver httpsportalibrefgvbrsitesdefaultfiles202205barometrosglobaiskoffgvpressrelease052022pdf 3O PIB cíclico considera apenas os setores mais diretamente relacionados ao ciclo economico ou seja exclui as atividades como agrope cuária indústria extrativa atividades imobiliárias e serviços públicos Com essas questões em mente podemos assim resumir os destaques desta edição do Boletim Macro FGV IBRE Atividade econômica página 7 Em março os indicadores de alta frequência mostraram normalização mais rápida da economia Os serviços apresentaram forte crescimento o varejo teve surpresa positiva e a indústria continua a sofrer com gargalos de logística Com isso nosso cenário de crescimento do PIB para 2022 teve revisão marginal de 06 para 07 mas com crescimento mais forte na margem no primeiro trimestre de 09 em relação ao quarto trimestre de 2021 Avaliamos que ainda há espaço para recuperação de algumas atividades dos serviços Porém pelo lado da demanda o consumo das famílias deve ser fraco este ano que terá ainda contração dos investimentos Expectativas de empresários e consumidores página 9 A confiança empresarial parece seguir tendência de alta pelo terceiro mês consecutivo enquanto a confiança do consumidor pode recuar caso se confirme a tendência da prévia de maio Ambos os resultados são influenciados pelas expectativas para os próximos meses O controle da pandemia e os resultados mais positivos do que o esperado para a atividade econômica no primeiro trimestre parecem melhorar o humor dos empresários em maio mas a inflação segue sendo o fator mais importante para os consumidores que têm direcionado seus gastos de forma mais cautelosa como para o pagamento de contas e a aquisição de bens de consumo essenciais É notório que a inflação voltou a ser um dos temas sinalizadores de incerteza econômica e a sensação de perda de poder aquisitivo também é sentida pelos consumidores por meio do indicador de expectativa de inflação que seguiu em alta em abril Mercado de trabalho página 12 A PNAD Contínua divulgou sua edição de março com uma taxa de desemprego em 111 04 ponto percentual abaixo do projetado pelo FGV IBRE Com ajuste sazonal ainda se tem forte queda do desemprego de 113 para 109 No entanto o movimento recente é majoritariamente explicado pela queda da taxa de participação O Caged por sua vez teve saldo positivo em linha com o projetado pelo FGV IBRE de 136 mil frente à projeção de 118 mil Para abril projetase saldo de 148 mil o que com ajuste sazonal significa criação de cerca de 163 mil vagas Inflação página 15 A desaceleração apresentada pelo IPCA de abril não coloca um ponto final nas pressões inflacionárias A taxa em 12 meses hoje em 1216 deve se manter acima de 10 pelo menos até agosto antecipando que a trajetória de desaceleração da inflação será lenta e menor que a prevista no início do ano O cenário de incerteza com a guerra entre Rússia e Ucrânia os casos de Covid19 na China e o risco de nova desmobilização das cadeias produtivas acirra as tensões sobre o futuro dos preços o que impõe maior vigilância quanto à tendência da inflação Política monetária página 16 Na seção sobre política monetária o autor examina os dois episódios recentes em que a inflação brasileira chegou a mais de 100 ao ano ou seja os episódios de 2015 e de 2021 Na primeira ocasião foi possível ter sucesso em trazer a inflação para cerca de 30 aa em dois anos No presente episódio o BC tem por objetivo reduzir a inflação em escala semelhante à verificada anteriormente ou seja de mais de 100 para cerca de 30 a meta oficial é 325 em 2023 mas os obstáculos para conseguir o intento não são poucos O texto compara as circunstâncias prevalecentes durante o episódio anterior com as atualmente vigentes ressaltando o fato de as atuais serem bem mais adversas Política fiscal página 18 O investimento público apresentou mais uma queda em 2021 A soma dos investimentos dos três níveis de governo e das empresas estatais federais atingiu 205 do PIB o segundo menor nível de investimento público desde 1947 quando se inicia a série histórica do Observatório de Política Fiscal A agenda de abrir espaço fiscal para promover investimentos público continua atual No entanto o desafio está em obter esses recursos financeiros promovendo melhorias na governança do investimento para que tais projetos tenham elevado retorno social e possam promover desenvolvimento econômico em parceria com o setor privado Setor externo página 19 O lockdown na China intensifica as pressões inflacionárias e os preços das importações continuam sua trajetória ascendente acima dos preços das exportações Os preços de importações aumentam tanto nas commodities como nas não commodities O efeito do aumento nos preços de exportações sobre os termos de troca é menor do que no início da década de 2010 O mês de abril acendeu um alerta para o resultado da balança comercial com retração no volume exportado Mesmo com menores volumes importados a trajetória dos preços sugere queda no superávit comercial de 2022 em relação a 2021 Internacional página 22 Já sob o efeito da política de Covid zero na China a bateria de dados de abril sugere que o segundo trimestre de 2022 será perdido em termos de crescimento Já há analistas projetando contração interanual do PIB o que consideramos no atual momento excessivo Revisamos o crescimento interanual do PIB chinês do trimestre para somente 02 reduzindo a projeção de crescimento de 2022 para 43 Hoje atingir a meta de crescimento do PIB ao redor de 55 em 2022 é praticamente impossível Em foco IBRE página 25 E por fim na Seção Em Foco de autoria dos pesquisadores Janaina Feijó Filho e Paulo Peruchetti o tema é Recuperação do mercado de trabalho nas regiões brasileiras ainda desperta preocupação Maio 2022 Boletim Macro 7 Atividade econômica Apesar da surpresa positiva em março as perspectivas para o ano foram mantidas Silvia Matos Marina Garrido e Mayara Santiago Os indicadores de alta frequência referentes a março surpreenderam positivamente especialmente a Pes quisa Mensal de Serviços Esse resultado indica uma normalização mais rápida do setor e dificilmente irá se sustentar ao longo do ano Dessa forma dada a relevância do setor na economia não devemos observar cres cimento do PIB muito acima do 07 ante 06 já previsto para o ano Apesar do impulso positivo nesse início de ano os efeitos defasados da política monetária como também as incertezas com relação à sustentabilidade das contas públicas e ao cenário eleitoral devem comprometer o desempenho da economia nos demais trimes tres de 2022 E por fim o cenário externo também deve ser bem mais desfavorável para os emergentes Em particular em março a indústria de transformação registrou queda de 06 MsM 25 AsA O setor teve em dez meses apenas dois de alta considerando a última divulgação dos dados com ajuste sa zonal Gargalos associados à falta de insumos para a indústria causados pela desorganização das cadeias globais de produção devem permanecer até meados de 2023 somandose a isso a guerra na Ucrânia que aumenta ainda mais os desafios enfrentados E nesse contexto há desaceleração da demanda devido à inflação e ao aperto monetário Dessa forma indústria de transformação deve manter tendência de queda até o final do ano O varejo ampliado por sua vez superou as expectativas e apresentou crescimento de 45 MsM 07 AsA em março O cenário para o resto do ano é de que o setor varejista ande de lado terminando 2022 com cres cimento negativo graças à inflação elevada e ao aperto monetário em contexto de elevado endividamento das famílias fazendo com que a demanda por bens que dependem mais de crédito tenda a arrefecer E por fim o setor de serviços surpreendeu todos os analistas de mercado em março expectativa de cres cimento em torno de 85 AsA e o resultado foi 114 AsA 17 MsM É importante destacar que quando avaliamos esses setores com os pesos das Contas Nacionais estimamos um crescimento de mais de 17 AsA Essa surpresa positiva em março indica uma recuperação mais acelerada no setor mas com alto nível de incerteza na economia ainda não parece indicar crescimento mais forte para o ano O destaque positivo foi de serviços prestados às famílias que ainda se encontram 12 abaixo do patamar prépandemia fevereiro de 2020 em março a categoria teve crescimento de 24 MsM 622 AsA Para exemplificar a tendência de re cuperação que o segmento vem apresentado nos últimos tempos podemos comparar os resultados de março dos serviços prestados às famílias ao pior momento observado na segunda onda março de 2021 Em março de 2022 essa atividade se encontrava 625 acima do nível de março de 2021 E por fim o IBCBr referente a março não foi divulgado pelo Banco Central devido à greve dos funcionários No entanto o IAEFGV mostrou crescimento de 29 em relação ao mês anterior Com isso a projeção do FGV IBRE para o IBCBr de março é de 25 AsA Portanto assim como nos meses anteriores vemos o IAE indican do crescimento mais forte Em termos trimestrais o indicador do FGV IBRE cresceu 14 AsA em relação ao primeiro trimestre de 2021 e estimamos que o IBCBr teve alta de 12 AsA no mesmo período Adicionalmente o resultado do Monitor do PIB do FGV IBRE para o primeiro trimestre deste ano mostrou crescimento na comparação interanual bem acima do esperado de 24 AsA e na margem de 15 MsM O 8 Boletim Macro Maio 2022 resultado está em linha com o cenário de retomada da economia já antecipado pelo Boletim Macro IBRE mas mostra uma recuperação bem mais forte no início do ano Os dados de março foram animadores porém nosso cenário é que isso indica uma normalização mais rápida e não um crescimento mais forte ao longo dos próximos trimestres isso porque temos muitas incertezas na economia sejam elas internas ou externas Assim revisamos a nossa projeção de crescimento no primeiro trimestre de 04 08 AsA para 09 16 AsA e mantemos a perspectiva de retomada do setor de serviços para 2022 com recuo da indústria de transformação e do comércio Consequentemente para o ano fechado nossa projeção de crescimento do PIB foi levemente revi sada de 06 para 07 ver Tabela 1 Em grande medida a revisão se deu pela normalização mais rápida do setor de serviços e uma revisão na previsão da agropecuária para o primeiro trimestre de acordo com os números do monitor do PIB do FGV IBRE Pelo lado da ofer ta a indústria deve se contrair no primeiro trimestre 02 TsT e 15 AsA por causa da indústria de transformação cuja participação chega a mais de 50 do total do setor Ainda pelo lado da oferta o setor de serviços teve algu mas revisões de 01 TsT 22 AsA para 06 TsT 29 AsA tendo como destaques positivos as atividades de outros serviços e transportes Essas atividades estão em processo de normalização após grande queda no período de crise Além disso os serviços devem crescer 13 em 2022 acima do carrego estatístico de 11 Pelo lado da demanda o consumo das famílias assim como outros serviços teve revisão para cima de 02 TsT 18 AsA no primeiro trimestre para 08 TsT 24 AsA No ano o consumo deve crescer apenas 10 isto é igual ao carrego para 2022 O investimento deve se contrair em 02 TsT 28 AsA no primeiro trimestre após registrar ligeiro crescimento no último trimestre de 2021 Apesar de a deman da interna estar similar ao crescimento do PIB da oferta o setor externo deve contribuir para uma expansão mais forte do PIB pela ótica de demanda 27 AsA As exportações devem crescer 69 TsT 105 AsA e com isso superar em muito as importações cujo resultado esperado é de crescimento de 07 TsT 22 AsA no primeiro trimestre Diante das incertezas presentes este ano tais como eleições guerra e possíveis novas variantes do coro navírus revisamos marginalmente a projeção de crescimento de 06 para 07 levemente acima do carrego estimado de 03 A indústria deve continuar tendo dificuldades e a alta esperada na taxa de juros até meados do ano terá impactos adicionais sobre a demanda por bens O cenário para 2022 é de fraco crescimento devido aos diversos fatores mencionados anteriormente De vemos ter continuação das tendências do final de 2021 com a indústria ainda sofrendo com o atraso na norma lização das cadeias de suprimentos Já pelo lado da demanda com a alta dos juros e as incertezas eleitorais o investimento deve se contrair no ano e o consumo das famílias tende a desacelerar após a normalização da cesta de consumo com forte retomada de serviços em detrimento a bens Com a demanda doméstica estagna da a demanda externa ganha protagonismo e deve contribuir positivamente para o PIB este ano Tabela 1 PIB projeções Atividades 2022I TsT 2022I AsA 2022 Consumo das Famílias 08 24 10 Consumo do Governo 20 07 06 Investimento 02 28 33 Exportação 69 105 35 Importação 07 22 09 PIB 09 16 07 Agropecuária 09 50 10 Indústria 02 15 02 Extrativa 03 25 32 Transformação 13 49 28 Eletricidade e Outros 20 07 08 Construção Civil 01 80 26 Serviços 06 29 13 Fonte IBGE Elaboração FGV IBRE Maio 2022 Boletim Macro 9 Expectativas de empresários e consumidores Confiança Empresarial e dos consumidores novamente em direções opostas Aloisio Campelo Anna Carolina Gouveia e Viviane Seda Bittencourt Os indicadores de confiança empresarial e dos consumidores seguiram em alta em abril sob influência da sensação de normalização de atividades presenciais passado o surto da Ômicron e da entrada de dinheiro na economia com medidas de alívio financeiro às famílias como a liberação de recursos do FGTS e o adiantamen to do 13 de aposentados e pensionistas Os destaques setoriais de abril foram a primeira alta da confiança da Indústria após oito meses de quedas consecutivas e o avanço da confiança do setor de Serviços que manteve tendência de alta pelo segundo mês consecutivo influenciada principalmente por segmentos que demandam consumo presencial como os de Ser viços Prestados às Famílias e de Outros Serviços Uma prévia feita em maio com resultados até o dia 12 deste mês sinaliza continuidade da tendência de recuperação da confiança empresarial influenciada pela melhora das expectativas empresariais em relação aos meses seguintes Já a confiança do consumidor que havia esboçado recuperação em abril volta a cair com os resultados preliminares de maio e pode seguir oscilando em patamar extremamente baixo A perda de folego em maio e a flutuação dos últimos meses refletem o balanceamento entre fatores positivos e negativos no cenário eco nomico e sanitário para o consumidor Em alguns casos como o deste mês parecem pesar mais os fatores negativos como o contínuo aumento dos preços que agora está mais disseminado o elevado endividamento das famílias a alta taxa de juros e as dificuldades remanescentes encontradas no mercado de trabalho Gráfico 1 Confiança de consumidores e empresários Com ajuste sazonal em pontos 957 756 50 60 70 80 90 100 110 120 mai07 nov07 mai08 nov08 mai09 nov09 mai10 nov10 mai11 nov11 mai12 nov12 mai13 nov13 mai14 nov14 mai15 nov15 mai16 nov16 mai17 nov17 mai18 nov18 mai19 nov19 mai20 nov20 mai21 nov21 mai22 ICE ICC Fonte FGV IBRE Uma pergunta extraordinária realizada em fevereiro deste ano mostrou que entre dezembro e fevereiro 325 dos gastos realizados pelos consumidores foram para pagamentos de contas e compras de bens e serviços essenciais percentual que sobe a quase 45 na faixa de renda familiar mais baixa Outros 10 dos consumidores aproximadamente despenderam seus recursos no pagamento de dívidas 14 nas famílias de baixa renda Maio 2022 Boletim Macro 11 Gráfico 3 Nuvens de termos com base nas notícias classificadas como sinalizadoras de incerteza econômica Março de 2022 Abril de 2022 Fonte FGV IBRE Em síntese apesar da resposta da atividade economica ter vindo melhor do que o esperado e isso ter influenciado positivamente as expectativas empresariais para os próximos meses a inflação segue sendo o vilão dos consumidores Com menos poder aquisitivo a maior parte dos consumidores de todas as faixas de renda preferiu gastar com compras essenciais e o pagamento de contas desenhando um cenário de gastos cautelosos nos últimos meses É possível que esse cenário evolua de forma positiva ao contabilizar os estímulos monetários dados recentemente à economia Mas a inflação a alta dos juros e a recuperação lenta do mercado de trabalho podem contrabalançar os avanços alcançados com essas medidas Mercado de trabalho Desemprego surpreende com nova e forte queda mas puxado por menos participação da população em idade para trabalhar Caged segue em linha com o projetado abrindo quase 150 mil vagas Daniel Duque O IBGE divulgou a edição de março da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua PNADC na qual o trimestre móvel da taxa de desemprego fechou em 111 significativamente abaixo do projetado pelo FGV IBRE de 115 Em termos dessazonalizados o percentual caiu de 113 para 109 entre a edição divulgada e a anterior uma forte redução neste último mês Para abril projetase que o nível irá cair para 109 o que com ajuste sazonal significa taxa de 106 12 Boletim Macro Maio 2022 Gráfico 4 Taxa de Desemprego 202022 em 10 11 12 13 14 15 16 dez19 fev20 abr20 jun20 ago20 out20 dez20 fev21 abr21 jun21 ago21 out21 dez21 fev22 abr22 TD TDSA Fonte PNADC IBGE Elaboração FGV IBRE Apesar da surpresa em março é preciso considerar que parte relevante do movimento de melhora da taxa de desemprego se deve à desaceleração da taxa de participação O gráfico abaixo mostra que devido à forte queda em janeiro associada ao surto da variante Ômicron sucedida por recuperação apenas parcial nos meses subsequentes o percentual de adultos ocupados ou procurando ocupação se reduziu no primeiro de trimestre de 2022 em relação ao anterior Gráfico 5 Taxa de Participação mensalizada e trimestral 52 54 56 58 60 62 64 66 mar12 set12 mar13 set13 mar14 set14 mar15 set15 mar16 set16 mar17 set17 mar18 set18 mar19 set19 mar20 set20 mar21 set21 mar22 Fonte PNADC Trimestral Elaboração FGV IBRE Maio 2022 Boletim Macro 13 Variações de taxa de desemprego seguem aproximadamente a fórmula abaixo Em termos simplificados depende do quanto o número de ocupados cresce ou cai mais ou menos em relação à força de trabalho O Gráfico 6 mostra o comportamento das três variáveis acima Como se vê o forte recuo da taxa de desem prego é explicado majoritariamente pela queda da variação da força de trabalho que se manteve praticamente constante entre um trimestre ou outro a força de trabalho pode crescer com a taxa de participação em queda caso o aumento da população em idade de trabalhar compense a segunda Gráfico 6 Queda da Taxa de Desocupacão decomposta entre aumento da População Ocupada e Força de Trabalho 00 05 10 15 20 25 30 35 mar21 jun21 set21 dez21 mar22 Aumento da FT Aumento da PO Queda da TD Fonte PNADC IBGE Elaboração FGV IBRE A taxa de participação naturalmente não caiu homogeneamente entre os grupos demográficos e de qualifica ção como expõe o gráfico abaixo De fato a queda foi puxada por trabalhadores de nível de ensino médio EFII Com pleto e EM Completo enquanto demograficamente somente homens brancos se mostraram menos afetados Gráfico 7 Diferença Trimestral da Taxa de Participação 20 10 00 10 20 30 20212 20213 20214 20221 Dif Tri da TP por escolaridade Fund I Inc Fund I Comp Fund II Comp EM Comp ES Comp 10 05 00 05 10 15 20 20212 20213 20214 20221 Dif Tri da TP por sexo e corraça Homem branco Mulher branca Homem não branco Mulher não branca Fonte PNADC Trimestral Elaboração FGV IBRE 14 Boletim Macro Maio 2022 O Caged finalmente mostrou em fevereiro a geração de 136 mil vagas em linha com o projetado pelo FGV IBRE de 118 mil Com ajuste sazonal o saldo foi de cerca de 200 mil Para abril projetase criação de 148 mil postos de trabalho o que corresponde ao 1637 mil quando aplicado ajuste sazonal Gráfico 8 Saldo de Vagas do Caged em 202022 1000000 800000 600000 400000 200000 0 200000 400000 jan20 mar20 mai20 jul20 set20 nov20 jan21 mar21 mai21 jul21 set21 nov21 jan22 mar22 Caged Caged SA Fonte CAGED MTE Elaboração FGV IBRE Inflação A inflação segue persistente e disseminada André Braz A desaceleração apresentada pelo IPCA de abril não coloca um ponto final nas pressões inflacionárias A taxa em 12 meses hoje em 1213 deve manterse acima de 10 pelo menos até agosto antecipando que a trajetória de desaceleração da inflação será lenta e menor que a prevista no início do ano A prática da bandeira verde e a ausência de novos reajustes para a gasolina favorecerão o recuo da infla ção no segundo trimestre mas pelo que tudo indica a trégua será temporária Os preços dos combustíveis ainda registram defasagem em comparação aos níveis internacionais o que inclusive motivou o reajuste de 88 no preço do diesel no início de maio Com esse novo reajuste o diesel passa a acumular alta de quase 53 nos últimos 12 meses Diretamente o diesel terá impacto modesto no IPCA mas indiretamente sua contribuição para a inflação pode ser maior que a da gasolina Fretes e tarifas de ônibus terão repasse para seus preços de forma integral ou parcial dos aumentos acu mulados pelo diesel nos últimos meses encarecendo inúmeros produtos e serviços com peso destacado no IPCA Já na área energética ainda que a prática da bandeira verde abra espaço para queda de 12 nas contas entre abril e maio os reajustes autorizados pela Aneel para 2022 estão em torno de 20 o que mantém a ener gia como um importante vetor de espalhamento das pressões inflacionárias este ano como foi em 2021 Maio 2022 Boletim Macro 15 Diesel e energia são recursos fundamentais para a atividade industrial e de prestação de serviços O au mento dos preços desses insumos intensifica repasses que estão se fortalecendo desde de 2021 quando esses itens começaram a subir de preço respondendo por parte expressiva da inflação dos últimos meses Afora os energéticos alimentos bens duráveis e serviços engrossam a lista dos itens cujos preços não pa ram de subir O grupo alimentação que já acumula alta de 161 em 12 meses vem apresentando aceleração surpreendente Tubérculos raízes e legumes alimentos in natura que têm influência transitória em períodos de baixa oferta vêm registrando avanço em sua taxa em 12 meses hoje em 699 mostrando que os aumentos vão além de mera influência de efeitos climáticos passageiros Entre os alimentos industrializados os itens de rivados do trigo commodity cujo preço foi afetado pela guerra entre Rússia e Ucrânia e do leite afetado pela sazonalidade começam a registrar forte aceleração Isso por sua vez vem mantendo a inflação dos últimos 12 meses do grupo alimentação e bebidas 135 como a segunda maior entre as demais classes de despesa do IPCA perdendo apenas para o grupo transportes 197 Já para os serviços livres 69 e bens duráveis 149 a inflação acumulada em 12 meses mantémse persistente sustentada por custos de produção ainda elevados O cenário de incerteza com a guerra entre Rússia e Ucrânia os casos de Covid19 na China e o risco de nova desmobilização das cadeias produtivas acirra as tensões sobre o futuro dos preços o que impõe maior vigilância quanto à tendência da inflação No Brasil a aproximação das eleições e o receio de como será a condução da política fiscal em 2023 am pliam os temores em torno da inflação o que resulta no aumento da inércia inflacionária Isso se torna mais evidente pelo aumento das previsões para inflação para os próximos dois anos com projeções de que o IPCA permanecerá acima da meta de inflação até 2024 Para 2022 levandose em conta os reajustes previstos para combustíveis e energia a inflação poderá en cerrar o ano em torno de 80 Já para 2023 a previsão é que os preços avancem em média 42 O que coloca a inflação acima da meta nesses dois anos Diante de tais previsões a autoridade monetária deverá como ante cipado em seu último comunicado subir mais uma vez a taxa básica de juros levandoa já na próxima reunião a 1325 aa Além disso deve manter juros mais altos por prazo mais longo reforçando o seu compromisso em levar a inflação para a meta no menor horizonte de tempo possível Política monetária Dois episódios recentes de inflação acima de 100 José Júlio Senna Como se sabe no ano passado avaliada pelo IPCA a taxa de crescimento dos preços no Brasil atingiu 1006 Alguns anos antes em 2015 a inflação chegara a 1067 Duas marcas bem semelhantes Na ocasião anterior no ano seguinte a inflação já cedera para 62 Em dois anos estava em 295 Pare ce indiscutível o sucesso da estratégia antiinflacionária daquele período Tal episódio sugere ser viável reduzir significativamente uma inflação elevada num período de dois anos 16 Boletim Macro Maio 2022 Sendo assim pelo menos em tese não seria de todo impossível trazer a inflação brasileira de mais de 100 ao ano em 2021 para algo próximo de 325 meta oficialmente estipulada para 2023 O andar da carru agem porém tem deixado claras as enormes dificuldades para conseguir algo desse tipo Nesta seção sobre política monetária nosso objetivo é destacar as características substancialmente dis tintas dos dois ciclos aqui examinados Ressaltese de saída que o Banco Central atuou com firmeza sobre a taxa real de juros swap prefixado menos expectativa de inflação 12 meses adiante em ambos os episódios No primeiro o BC partiu de um patamar já elevado e acabou levando os juros reais a mais de 90 ao ano No se gundo o BC partiu de taxas reais negativas com as quais convivemos durante a maior parte do primeiro ano da pandemia 2020 levandoas a território contracionista juros reais acima de 35 novo padrão de juro neutro com o qual trabalha o BC a partir de agosto de 2021 chegando em seguida a mais de 70 ao ano Sem dúvida as circunstâncias prevalecentes no episódio atual sob as quais operam nossas autoridades mo netárias são bem mais adversas do que as enfrentadas por ocasião do primeiro episódio de inflação a 100 No gráfico 9 destacamos o comportamento de duas variáveis para as quais queremos chamar a atenção a saber a inflação observada 12 meses e a inflação esperada 12 meses adiante Focus Para simplificar desig namos por t os anos em que a inflação atingiu mais de 100 A primeira dessas variáveis aparece em linhas cheias enquanto a segunda em linhas tracejadas A cor azul escuro diz respeito ao episódio centrado em 2015 e a cor azul claro ao episódio atual centrado em 2021 Gráfico 9 Os Ciclos da Inflação em 20142017 e em 20202022 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 T1 T T1 T2 IPCA AsA 201417 Inflação Esperada 12 meses adiante 201417 IPCA AsA 202022 Inflação Esperada 12 meses adiante 202022 Fontes Banco Central do Brasil Pesquisa Focus IBGE Como é possível notar no episódio de 2015 as expectativas de inflação 12 meses adiante começaram a ceder ainda no final daquele mesmo ano enquanto no caso de 2021 a inflação esperada segue em trajetória de alta desde meados do ano anterior Em poucas palavras no caso atual ainda não houve efetiva reversão das expectativas Em larga medida por esse motivo a inflação observada permanece em constante trajetória de alta desde meados de 2020 ano t 1 Maio 2022 Boletim Macro 17 Sem a pretensão de exaurir o assunto é possível listar alguns fatores adicionais que têm contribuído para dificul tar o combate à inflação no presente ciclo comparandoos com o que se observava à época do episódio anterior Primeiro o fenomeno inflacionário atual tem natureza global No caso de 2015 era de origem local Segun do o de hoje nasceu com a pandemia algo inteiramente novo que nos deixa sem parâmetros para prever os desdobramentos de todo o processo agravado agora pelo advento da guerra O de 2015 teve muito a ver com a política de descompressão de alguns preços sobre os quais era exercido rigoroso controle Tabelar preços resulta sempre em grande encrenca Terceiro parte do problema da inflação de hoje relacionase com a perda de credibilidade da única ânco ra fiscal que nos restara ou seja o teto de gastos No caso anterior os sinais no terreno fiscal pareciam mais promissores devido ao fato de que de algum modo fora possível incutir no público a expectativa de que de uma forma ou de outra haveria reversão da estratégia economica que resultara em forte alta da inflação Mais adiante em 2016 tivemos mudança de governo e troca no comando do Banco Central Quarto atualmente presentes gastos de natureza eleitoreira prejudicam seriamente o comportamento das expectativas inflacionárias No episódio anterior reformas e a introdução do teto dos gastos concorreram para consolidar o processo de reversão das expectativas que já se encontrava em curso Por último os preços de commodities em reais e do petróleo em dólar têm revelado comportamentos dis tintos durante os dois ciclos de inflação aqui examinados No episódio atual tanto petróleo quanto commodities em geral experimentam altas muito significativas ao longo de todo o ciclo No episódio centrado em 2015 as cotações do petróleo estavam em queda forte nos mercados internacionais desde o ano anterior ao do pico da inflação enquanto os preços das commodities em geral avaliadas pelo índice ICBr calculado pelo Banco Central em reais mostravam alguma elevação seguida de certa estabilidade O gráfico 10 ilustra as trajetórias das mencionadas variáveis em 20142017 e em 20202022 A tabela 2 resume os principais fatores presentes nos dois ciclos de inflação Gráfico 10 Os Ciclos das Commodities em 20142017 e em 20202022 100 150 200 250 300 350 400 450 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 T1 T T1 T2 Petróleo Brent 201417 Petróleo Brent 202022 ICBr 201417 eixo da direita ICBr 202022 eixo da direita Fontes Banco Central do Brasil Bloomberg 18 Boletim Macro Maio 2022 Tabela 2 As Distintas Características dos Dois Ciclos de Inflação 20142019 20202022 Inflação como Fenômeno Local Inflação como Fenômeno Global Retirada de Controles Pandemia e Guerra Mudança de Governo e no BC Perda de Credibilidade do Teto Reformas e Teto de Gastos Gastos Eleitoreiros Expectativas de Inflação em Queda Expectativas de Inflação em Alta Petróleo em Queda Petróleo em Alta Commodities em Ligeira Alta Commodities em Alta Fonte elaboração própria Diante de todas essas dificuldades fica difícil ser otimista a respeito de eventual repetição do sucesso con seguido em 201517 quando a inflação foi reduzida de mais de 100 ao ano para cerca de 30 Dada a firme determinação do Banco Central de persistir na luta contra a inflação e a perceptível demora para a inflação ceder podese imaginar que ao contrário da continuada queda dos juros reais de política mo netária registrada naquela ocasião no final de 2019 os juros reais chegaram a menos de 10 aa é bem provável que desta vez teremos de conviver com juros reais elevados por um longo período Política fiscal Investimento público Manoel Pires O investimento público apresentou mais uma queda durante 2021 A soma dos investimentos dos três ní veis de governo e das empresas estatais federais atingiu 205 do PIB o segundo menor nível de investimento público desde 1947 quando se inicia a série histórica do Observatório de Política Fiscal A série pode ser consultada no site do Observatório httpsbitly39Ahdxi O investimento público atingiu o menor desembolso em 2017 quando chegou a 194 do PIB O patamar atual equivale ao nível de investimento de 2019 Em outras palavras existe forte concentração de baixos níveis de investimento público nos anos recentes Nunca o investimento público ficou tão baixo por tanto tempo Existem duas razões para explicar esse comportamento Em primeiro lugar os governos têm sofrido muitas dificuldades financeiras Em períodos de ajuste fiscal os gastos com investimento sempre são contraídos No entanto esse processo sempre ocorreu em curto espaço de tempo Depois de um período de ajuste o investi mento público se recuperava No ciclo atual como o ajuste se tornou mais complexo e ainda não foi resolvido não houve espaço fiscal para retomar um novo ciclo de investimento Em segundo lugar temos a questão ideológica A saída da crise 201516 abriu espaço para rediscutir o papel do Estado e uma das saídas para fomentar novos investimentos em um contexto de fragilidade fiscal foi repassar ativos Maio 2022 Boletim Macro 19 públicos para a iniciativa privada Nessa área houve avanços como as privatizações no setor de saneamento e as concessões de portos aeroportos e rodovias em um processo de aprendizado que atravessou vários governos Mas também houve ilusão Primeiro porque o setor público não conseguirá repassar todos os seus ativos para a iniciativa privada Muitos desses ativos não se justificam pelo valor economico mas pelo seu valor social ou cultural e pelas externalidades que oferecem ao país Segundo o papel do Estado se transforma com o tempo Da mesma forma que é possível justificar privati zações na medida em que a intervenção estatal em determinado setor não mais se justifica pelos fundamentos da teoria economica é possível justificar novos investimentos públicos em setores que serão motores do desen volvimento do século XXI O segmento mais óbvio é o tema das mudanças climáticas Terceiro porque se imaginou que o investimento privado iria compensar a queda do público e sustentar o crescimento economico o que não ocorreu Esse processo é muito mais complexo do que se imagina porque também está sujeito a desgastes políticos e erros de avaliações que resultam em ajustes técnicos que se arras tam no tempo Em comparação com dados da OCDE a participação do investimento público em infraestrutura está bem próxima da média desse grupo de países de modo que a ideia de um big push de privatizações também en contra seus limites na própria realidade Em suma a agenda de abrir espaço fiscal para promover investimentos público continua atual O desafio está em obter esses recursos financeiros promovendo melhorias na governança do investimento para que tais projetos tenham elevado retorno social e possam promover desenvolvimento economico em parceria com o setor privado Gráfico 11 Participação pública em infraestrutura nos países da Europa e Brasil 165 180 200 200 278 299 300 330 330 335 336 337 338 338 368 382 425 434 466 489 535 545 546 680 00 100 200 300 400 500 600 700 800 Irlanda Bélgica Espanha Alemanha Itália Portugal Estônia Dinamarca Luxemburgo Áustria Suíça Reino Unido Letônia Eslováquia Média Europa Brasil República Tcheca Holanda Bulgária Finlândia Eslovênia Malta Hungria Grécia Fonte Rocha 2022 a partir de dados do Eurostat e ABDIB Cálculos para o período 201115 Referências Rocha I 2021 Infraestrutura diagnóstico e propostas Em Salto F Villaverde J e Karpurska L Reconstru ção o Brasil nos anos 20 Editora Saraiva 20 Boletim Macro Maio 2022 Setor externo O resultado favorável da balança comercial está associado ao comportamento dos preços dos fluxos comerciais Lia Valls Pereira Resumo O lockdown na China intensifica as pressões inflacionárias e os preços das importações continu am sua trajetória ascendente acima dos preços das exportações Os preços de importações aumentam tanto nas exportações de commodities como de não commodities O efeito do aumento nos preços de exportações sobre os termos de troca é menor do que no início da década de 2010 O mês de abril acendeu um alerta para o resultado da balança comercial com retração no volume exportado Mesmo com menores volumes importados a trajetória dos preços sugere queda no superávit comercial de 2022 em relação a 2021 O novo lockdown na China como medida para conter a propagação da COVID19 veio a intensificar os gar galos que ainda não tinham sido superados nas cadeias de suprimento globais desde 2021 levando a novas pressões inflacionárias Juntase a esse cenário os efeitos sobre os preços de commodities agrícolas fertilizan tes e petróleo e derivados associados a guerra na Ucrânia Observase que após a queda dos preços no comércio exterior com a recessão causada pela pandemia foi iniciada uma trajetória de aumentos de preços no início de 2021 impulsionada pela recuperação da demanda mundial Para o Brasil o aumento do Pib da China em 81 puxando a demanda por commodities levou a uma trajetória de variações positivas crescentes na comparação interanual mensal com os preços de exportações crescendo acima dos preços de importação Gráfico 12 Esse comportamento mudou a partir do final de 2021 e as variações nos preços importados passaram a superar o das exportações Gráfico 12 Variação mês contra mês do ano anterior dos índices de preços das exportações e importações 200 100 00 100 200 300 400 500 600 jan20 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 mai21 jun21 jul21 ago21 set21 out21 nov21 dez21 jan22 fev22 mar22 abr22 Exportações Importações Elaboração FGV IBRE Base Icomex Fonte Secretaria do Comércio Exterior Maio 2022 Boletim Macro 21 As commodities explicam mais de 60 das exportações brasileiras e as importações de não commodities um percentual ao redor de 90 No acumulado do ano até abril o percentual das commodities nas exportações foi de 68 e das não comodities nas importações de 90 Observase que desde o final de 2021 os preços de importa ções superam o das exportações tanto na série das commodities como o das não commodities Gráfico 13 e 14 Ressaltase porém que o preço das exportações das não commodities não mostra uma tendência de desace leração como o das commodities Para um exportador de commodities como o Brasil não é uma boa notícia Gráfico 13 Variação mês contra mês do ano anterior dos índices de preços das exportações e importações das commodities 600 400 200 00 200 400 600 800 1000 jan20 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 mai21 jun21 jul21 ago21 set21 out21 nov21 dez21 jan22 fev22 mar22 abr22 Exportações Importações Elaboração FGV IBRE Base Icomex Fonte Secretaria do Comércio Exterior Gráfico 14 Variação mês contra mês do ano anterior dos índices de preços das exportações e importações das não commodities 150 100 50 00 50 100 150 200 250 300 350 jan20 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 mai21 jun21 jul21 ago21 set21 out21 nov21 dez21 jan22 fev22 mar22 abr22 Exportações Importações Elaboração FGV IBRE Base Icomex Fonte Secretaria do Comércio Exterior As fontes de aumento do aumento dos preços de importação por setores de atividade mostram que a indústria extrativa lidera o aumento no preço das importações Gráfico 15 A variação entre o primeiro quadrimestre de 2021 e o de 2022 foi de 1182 o que está associado ao aumento nos preços de petróleo e derivados Segundo o Boletim ICOMEX FGV IBRE de maio a variação do preço de exportação desse grupo foi de 55 e o da importação de 73 Maio 2022 Boletim Macro 23 O comportamento dos índices de preços difere dos anos de 20102011 onde não se observou a escalada de preços das importações de não commodities No momento atual o aumento nos preços das exportações de commodities com a aceleração generalizada nos preços de importações não permitiu a melhora nos termos de troca nos mesmos patamares do início da década de 2010 como mostra o Gráfico 17 Gráfico 17 Índice dos termos de troca média móvel trimestral 90 95 100 105 110 115 120 125 130 135 jun10 ago10 out10 dez10 fev11 abr11 jun11 ago11 out11 dez11 fev12 abr12 jun12 ago12 out12 dez12 fev13 abr13 jun13 ago13 out13 dez13 fev14 abr14 jun14 ago14 out14 dez14 fev15 abr15 jun15 ago15 out15 dez15 fev16 abr16 jun16 ago16 out16 dez16 fev17 abr17 jun17 ago17 out17 dez17 fev18 abr18 jun18 ago18 out18 dez18 fev19 abr19 jun19 ago19 out19 dez19 fev20 abr20 jun20 ago20 out20 dez20 fev21 abr21 jun21 ago21 out21 dez21 fev22 abr22 Elaboração FGV IBRE Base Icomex Fonte Secretaria do Comércio Exterior Uma consideração final Entre os meses de abril de 2021 e 2022 as exportações cresceram em valor 107 e as importações 29 A maior variação no valor importado é explicada pelo aumento dos preços 354 pois o volume caiu 5 Nas expor tações os preços aumentaram 211 e o volume recuou 9 Logo tanto nas exportações como nas importações houve redução do comércio em volume e aumento de preços Na comparação do acumulado do ano até abril Gráfico 18 repetese o mesmo comportamento exceto para o volume exportado que aumentou em 35 Gráfico 18 Variação nos índices dos fluxos comerciais janabr 20212022 241 35 196 276 35 322 Valor Volume Preços Exportações Importações Elaboração FGV IBRE Base Icomex Fonte Secretaria do Comércio Exterior A desaceleração do crescimento da China tem levado a temores quanto aos efeitos na balança comercial do Brasil A questão não se resume ao efeito inflacionário da China mas de uma redução no volume exportado junto com uma possível queda de preços com a retração da demanda chinesa O Gráfico 19 mostra o recuo em volume das exportações brasileiras na comparação do acumulado do ano até abril de 2021 e 2022 Maio 2022 Boletim Macro 25 positivos deixando claro tanto no setor secundário especialmente na construção civil como no setor terciário especialmente nos serviços ligados ao lazer à tecnologia da informação e à intermediação financeira A surpresa positiva do 1º trimestre de 2022 foi particularmente importante segundo nossos modelos so mente o efeito sobre o carregamento estatístico do ano levaria o crescimento de 2022 a 53 próximo da meta de expansão ao redor de 55 estabelecida pelo governo ao final de 2021 As implicações sobre policy seriam relevantes tudo mais constante a quantidade de estímulos em curso na economia já seria suficiente para que o governo atingisse os seus objetivos indicando que uma atuação ainda mais intensa das autorida des não seria tão necessária Para além da letra fria dos números é importante lembrar que os ventos começaram a mudar já em março de 2022 A despeito de impactos pequenos sobre o PIB do 1º trimestre voltávamos a um cenário de risco sanitário com a multiplicação de casos da variante Ômicron na China Continental começando a afetar grandes centros como Hong Kong Shenzhen e Shanghai Em paralelo a invasão da Ucrânia pela Rússia desorganizava ainda mais as cadeias de produção e o cenário economico global aumentando o custo de insumos básicos e reintroduzindo riscos geopolíticos fato não observado nesta intensidade pelo menos desde os atentados de 2001 nos Estados Unidos Nuvens negras cresciam no horizonte com uma estrutura de riscos que se intensificava e que sugeria um cenário mais complicado para o 2º trimestre não só na China como também em todo o mundo Nesse sentido a projeção de crescimento do PIB no entorno da meta oficial tinha clara assimetria negativa ainda que ao final do trimestre passado fosse muito difícil avaliar o tamanho do viés de baixa a ser incorporado A imposição de lockdowns em Shanghai começando na última semana de março era um prenúncio de dias mais complicados adiante De fato a questão sanitária tornouse muito mais restritiva durante abril e a 1ª quinzena de maio com sinais tentativos de flexibilização a partir do início de junho Ao final de abril praticamente todas as 100 principais cida des chinesas passavam por algum tipo de restrição de mobilidade com destaque absoluto para os lockdowns impostos no delta do Rio Pérola GuangdongHong KongMacau e em Shanghai A primeira quinzena de maio viu o início de restrições mais intensas em Beijing teoricamente sendo im plementadas com aprendizado sobre a experiência um tanto caótica de Shanghai que se tudo der certo terá confinado os seus moradores por praticamente nove semanas Não se sabe ao certo quando a política de lockdowns dentro da estratégia de Covidzero acabará mas resulta claro que o governo tem convicção de que este é o melhor caminho Nas palavras de Xi Jinping é necessário aderir inabalavelmente à política de Covidzero dinâmica e atacar de forma resoluta quaisquer palavras ou atos que coloquem em dúvida nossas políticas de prevenção da pandemia4 É difícil ser mais claro do que isso Sob este pano de fundo nada animador não é nenhuma surpresa que os indicadores economicos de abril tenham sido desastrosos quase sempre frustrando as expectativas crescentemente negativas dos agentes economicos A sequência de divulgações foi oferecendo peças de um quebracabeças tenebroso com quatro atos que se completaram em meados de maio Como primeiro ato os indicadores qualitativos dos PMIs mos traram desaceleração relevante em abril tanto em manufaturas como em serviços e seja na leitura oficial NBS ou na leitura privada MarkitCaixin O choque qualitativo foi o mais intenso desde a eclosão da Covid em 2020 sugerindo efeitos relevantes sobre os dados reais do início do 2º trimestre Como segundo ato o desempenho dos indicadores de crédito foi catastrófico em abril sob clara influência dos lockdowns que provocaram grande gargalo na produção na logística e no consumo chineses A conces são de crédito amplo foi de somente RMB 910bi no mês levando a uma queda interanual de 510 o pior 4Reunião do Comitê Permanente do Partido Comunista Chinês 05 de maio de 2022 26 Boletim Macro Maio 2022 resultado desde julho de 2014 Resultado ainda pior ocorreu no crédito bancário com concessões de RMB 650bi que implicaram contração interanual de 772 o pior resultado desde 2007 Quedas históricas e em termos interanuais ainda mais intensas do que as observadas quando da eclosão da Covid em 2020 aumen tando os temores de uma desaceleração desorganizada da economia no trimestre corrente Como terceiro ato tivemos um fraquíssimo desempenho dos principais indicadores quantitativos de ativida de A produção industrial apresentou recuo interanual de 29 em abril com concentração da desaceleração na indústria de transformação e desempenho particularmente negativo em segmentos importantes como a pro dução de cimento queda interanual de 186 e automóveis partes e peças queda interanual de 320 Já as vendas no varejo real deflacionado pelo IPC chinês se contraíram em 129 em termos interanuais com colapso dos indicadores ligados à alimentação fora do domicílio queda interanual de 241 algo perfeita mente razoável dada a natureza do choque em curso Como quarto e último ato os indicadores de investimentos vendas e construção também sofreram os efeitos das amplas restrições sanitárias neste início de trimestre no caso específico dos indicadores imobiliários tornando um cenário já negativo ainda muito pior Os investimentos em ativos fixos uma proxy imperfeita para os investimentos da economia registraram expansão interanual de 24 em abril sendo basicamente o único indicador da bateria de dados que não frustrou as expectativas de mercado Mais re levante ampliouse a dicotomia entre o desempenho dos investimentos agregados e daqueles estritamente associados ao mercado imobiliário os investimentos em real estate contraíramse em 101 na mesma métrica sugerindo que a atuação anticíclica do governo através dos gastos de infraestrutura já opera a pleno vapor A diferença de desempenho é ainda mais relevante se olhamos para os indicadores de vendas e construções imobiliárias ambos em colapso interanual comparável ao observado quando da eclosão da Covid em 2020 Uma visão geral do desempenho dos indicadores pode ser observada na tabela a seguir comparando o ocorrido em 2020 com o que está em curso neste momento Que fique claro há enormes efeitos negativos da cruzada sanitária a política de Covidzero que se somam aos efeitos de outros choques no setor imobiliário nos mercados financeiros no setor de saúde na educação no cenário internacional no custo de insumos pro dutivos nas cadeias logísticas etc e que sugerem uma importante desaceleração do crescimento durante o trimestre corrente Mas ao contrário de 2020 o impulso através da infraestrutura das obras públicas e da irriga ção financeira dos governos subnacionais o que chamamos de Velha China já ocorre tendendo a minimizar a derrocada da atividade em comparação ao observado há dois anos Tabela 3 Uma visão geral dos principais indicadores de atividade 2020 vs 2022 fev20 mar20 fev22 mar22 abr22 Qualitativos PMI Manufaturas NBS 357 52 504 495 474 PMI Manufaturas MarkitCaixin 403 501 504 481 460 PMI Serviços NBS 296 523 516 484 419 PMI Serviços MarkitCaixin 265 430 502 420 362 Crédito Concessão de crédito amplo interanual 96 751 287 378 510 Concessão de crédito bancário interanual 11 610 311 170 773 Maio 2022 Boletim Macro 27 fev20 mar20 fev22 mar22 abr22 Atividade Produção industrial interanual 135 11 75 50 29 Vendas no varejo real interanual 237 193 57 49 129 Vendas no varejo alimentação real interanual 533 551 133 151 241 Vendas no varejo bens real interanual 236 171 58 38 123 Investimentos e imobiliário Investimentos em ativos fixos interanual 245 95 122 71 24 Investimentos em ativos imobiliários interanual 163 11 37 24 101 Novas construções imobiliárias interanual 449 105 122 222 442 Vendas imobiliárias interanual 399 141 95 177 390 Fonte NBS MarkitCaixin e Bloomberg Em conclusão a bateria de dados de abril sugere que o 2022T2 será um trimestre perdido em termos de crescimento Já há analistas projetando contração interanual do PIB o que consideramos ser no atual mo mento excessivo Revisamos o crescimento interanual do PIB do 2022T2 para somente 02 reduzindo a projeção de crescimento de 2022 para 43 O cenário é fluido e depende principalmente da extensão e severidade das restrições associadas à política de Covidzero De uma forma ou de outra atingir a meta de crescimento do PIB ao redor de 55 em 2022 é hoje praticamente impossível Em foco IBRE Recuperação do mercado de trabalho nas regiões brasileiras ainda desperta preocupação Janaína Feijó e Paulo Peruchetti A crise sanitária de 2020 atingiu fortemente a economia brasileira com seu pico ocorrendo principalmente no segundo trimestre daquele ano Até a metade de 2021 a recuperação economica vinha acontecendo de forma lenta gradual e heterogênea entre as regiões Mas no 1º trimestre de 2022 quase dois anos após o início da pandemia da Covid19 o mercado de trabalho brasileiro conseguiu retornar aos níveis observados antes da pandemia Isso é o que sinalizam os indicadores de mercado de trabalho com exceção da taxa de participação obtidos a partir dos microdados da PNAD Contínua recentemente divulgados pelo IBGE A seguir analisamos o comportamento dos principais indicadores de mercado de trabalho para o Brasil e para as cinco regiões taxa de participação população ocupada taxa de desemprego desemprego de longa duração e informalidade A taxa de participação medida pela razão entre a força de trabalho e a população em idade para trabalhar atingiu no 2º trimestre de 2020 o menor nível da série 573 Nos trimestres seguintes começou a mostrar si 28 Boletim Macro Maio 2022 nais de lenta recuperação e no 1º trimestre de 2022 fechou em 621 Essa taxa ainda permanece abaixo dos valores do 1º trimestre de 2019 634 e do 1º trimestre de 2020 627 como pode ser visto no Gráfico 20 Essa recuperação da taxa de participação foi influenciada pela volta dos trabalhadores para a força de trabalho principalmente daqueles que estavam nas regiões Sudeste e Nordeste Essas duas regiões foram as mais impactadas pela pandemia Vale lembrar que no 2º trimestre de 2020 as taxas de participação de todas as regiões apresentaram fortes recuos com o Nordeste e Sudeste registrando variações de 78 e 70 pontos percentuais pp respectivamente em relação ao mesmo trimestre do ano anterior Por outro lado as regiões Sul Norte e CentroOeste foram menos impactadas com variações de 35 pp 57 pp e 57 pp Gráfico 20 Evolução da taxa de participação do Brasil e das regiões período 2012q1 a 2022q1 608 545 650 657 663 621 450 500 550 600 650 700 2012q1 2012q2 2012q3 2012q4 2013q1 2013q2 2013q3 2013q4 2014q1 2014q2 2014q3 2014q4 2015q1 2015q2 2015q3 2015q4 2016q1 2016q2 2016q3 2016q4 2017q1 2017q2 2017q3 2017q4 2018q1 2018q2 2018q3 2018q4 2019q1 2019q2 2019q3 2019q4 2020q1 2020q2 2020q3 2020q4 2021q1 2021q2 2021q3 2021q4 2022q1 Norte Nordeste Sudeste Sul Centro Oeste Brasil Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Todas as cinco regiões começaram a apresentar sinais de recuperação das suas taxas de participação no final de 2020 mas foi nos últimos dois trimestres de 2021 que essa retomada se deu de forma mais acentuada Mesmo assim as informações do 1º trimestre de 2022 mostram que os níveis ainda permanecem um pouco abaixo dos veri ficados no mesmo trimestre dos anos de 2019 e 2020 como pode ser observado no Gráfico 20 Por exemplo no 1º trimestre de 2022 as taxas de participação do Sudeste 65 Nordeste 545 e CentroOeste 663 ficaram um pouco abaixo do reportado no mesmo trimestre de 2020 que foi de 659 553 e 671 respectivamente Em relação ao nível de emprego no 1º trimestre de 2021 a quantidade de pessoas ocupadas estava 65 abaixo do valor do mesmo trimestre do ano anterior Contudo no 1º trimestre de 2022 o emprego apresentou crescimento de 23 em relação ao 1º trimestre de 2020 O controle da pandemia por meio da vacinação am pla e a normalização das atividades ao longo do ano de 2021 propiciaram que a atividade economica princi palmente do setor de serviços e o emprego registrassem recuperação mais forte Maio 2022 Boletim Macro 29 Na Tabela 4 é possível observar que a redução do emprego entre o 1º trimestre de 2020 e de 2021 ocorreu de forma mais intensa nas regiões Nordeste 76 Sudeste 75 e Norte 51 do que no CentroOeste 45 e Sul 36 Contudo no 1º trimestre de 2022 o emprego ultrapassou os níveis prépandemia em todas as regiões Em particular o Norte e o CentroOeste apresentaram os maiores incrementos na população ocupada com taxas de crescimento de 48 e 39 nesse período No Sudeste e Sul o aumento variou entre 21 e 25 A região que registrou o menor incremento foi o Nordeste com 11 Tabela 4 População Ocupada Brasil e regiões período 2012q1 a 2022q1 Período Norte Nordeste Sudeste Sul CentroOeste Brasil 2012q1 6522403 21535674 39107227 13946283 6899594 88011181 2013q1 6887703 21213993 40061391 14397199 7127828 89688114 2014q1 6986602 22206194 40429541 14543150 7290298 91455785 2015q1 7046735 22433535 40565797 14589517 7326302 91961887 2016q1 7080658 21618720 40158504 14610288 7240102 90708271 2017q1 6772439 20514034 39892661 14447134 7219681 88845949 2018q1 7067384 20787627 40903034 14586274 7534477 90878796 2019q1 7177646 21119939 41740059 14850647 7732917 92621208 2020q1 7372808 21032724 42010403 14939800 7758848 93114584 2021q1 6994541 19430143 38851252 14397944 7408140 87082019 2022q1 7723706 21271616 42906979 15313148 8059808 95275256 2020q12019q1 27 04 06 06 03 05 2021q12020q1 51 76 75 36 45 65 2022q12020q1 48 11 21 25 39 23 Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Entre o 1º trimestre de 2021 e de 2022 a população ocupada passou de 871 milhões para 953 milhões Obser vase que o crescimento da PO no último ano ocorreu principalmente pelo melhor desempenho das Regiões Sudes te e Nordeste pois do incremento de 82 milhões de trabalhadores 495 foi no Sudeste e 225 no Nordeste Vale salientar que embora algumas regiões tenham sido mais atingidas do que outras as participações no emprego total não se alteraram No 1º trimestre de 2022 o Sudeste e o Nordeste permaneceram com as maio res parcelas de trabalhadores do Brasil com 450 e 223 respectivamente Já o Norte 81 CentroOeste 85 e Sul 161 detinham as menores participações A Tabela 5 complementa a Tabela 4 ao desagregar as informações de emprego por nível educacional A par tir dessas informações é possível averiguar qual o perfil educacional dos trabalhadores que deixaram de estar ocupados nos últimos anos e quais estão conseguindo se recolocar no cenário póspandemia A quantidade de trabalhadores com baixa escolaridade caiu entre os anos de 2020 e 2021 e mesmo apresen tando aumento em 2022 ainda não retornou ao nível reportado em 2020 Também se observa padrão semelhante nas regiões pois todas permanecem com uma quantidade de trabalhadores sem instrução ou com fundamental 30 Boletim Macro Maio 2022 incompleto no 1º trimestre de 2022 inferior ao observado antes da pandemia Por outro lado o número de traba lhadores ocupados com ensino superior passou de 199 milhões no 1º trimestre de 2020 para 213 milhões no 1º trimestre 2022 Nesse período as regiões que tiveram os maiores incrementos de trabalhadores com ensino superior completo foram o Norte 124 e o CentroOeste 112 Por outro lado vale ressaltar que o Sudeste continuou sendo a região com a maior quantidade de trabalhadores com esse nível educacional Tabela 5 População Ocupada em mil pessoas por nível educacional e variação Brasil e regiões Região Sem instrução e fundamental incompleto Fundamental completo e médio incompleto Médio completo e superior incompleto Superior completo Total 1º Trimestre de 2020 Norte 2183 1108 2895 1187 7373 Nordeste 6359 2859 8304 3511 21033 Sudeste 7787 5691 18323 10209 42010 Sul 3163 2510 5965 3302 14940 CentroOeste 1763 1165 3084 1747 7759 Brasil 21254 13333 38571 19957 93115 1º Trimestre de 2021 Norte 1821 1081 2847 1245 6995 Nordeste 5444 2765 7988 3233 19430 Sudeste 6262 5179 16589 10821 38851 Sul 2580 2196 5855 3767 14398 CentroOeste 1523 1129 2840 1916 7408 Brasil 17630 12351 36120 20982 87082 1º Trimestre de 2022 Norte 2119 1177 3093 1335 7724 Nordeste 6079 3009 8639 3545 21272 Sudeste 7230 5753 18930 10994 42907 Sul 3054 2670 6125 3464 15313 CentroOeste 1662 1282 3174 1942 8060 Brasil 20144 13891 39961 21279 95275 1º trimestre de 2022 em relação ao 1º trimestre de 2020 Norte 29 62 68 124 48 Nordeste 44 52 40 10 11 Sudeste 71 11 33 77 21 Sul 34 64 27 49 25 CentroOeste 57 101 29 112 39 Brasil 52 42 36 66 23 Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Maio 2022 Boletim Macro 31 Em virtude da recuperação do emprego a taxa de desemprego no Brasil passou de 149 no 1º trimestre de 2021 para 111 no 1º trimestre de 2022 representando uma queda de 38 pp como pode ser visualizado no Gráfico 21 Apesar dessa redução os dados sugerem um cenário ainda preocupante tendo em vista que estamos voltando aos patamares anteriores à pandemia que já eram bastante elevados e giravam na casa dos dois dígitos A queda desse indicador foi reflexo da redução próxima de 4 pp da taxa de desemprego das regiões Nordeste Sudeste e CentroOeste No 1º trimestre de 2022 a taxa de desemprego de todas as regiões ficou abaixo inclusive dos seus próprios patamares observados no 1º trimestre de 2019 e de 2020 Ainda assim o Nordeste 149 Sudeste 111 e Norte 117 continuam com taxas acima de dois dígitos Atualmente há 119 milhões de desempregados no país com a maior parte deles localizados no Sudeste 54 milhões e no Nordeste 37 milhões Gráfico 21 Evolução da taxa de desemprego das regiões brasileiras no período 2012q1 a 2022q1 117 149 65 85 111 00 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 2012q1 2012q2 2012q3 2012q4 2013q1 2013q2 2013q3 2013q4 2014q1 2014q2 2014q3 2014q4 2015q1 2015q2 2015q3 2015q4 2016q1 2016q2 2016q3 2016q4 2017q1 2017q2 2017q3 2017q4 2018q1 2018q2 2018q3 2018q4 2019q1 2019q2 2019q3 2019q4 2020q1 2020q2 2020q3 2020q4 2021q1 2021q2 2021q3 2021q4 2022q1 Norte Nordeste Sudeste Sul Centro Oeste Brasil Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Uma preocupação adicional relacionada a esse indicador diz respeito ao aumento desde 2021 dos desem pregados que estão procurando emprego por dois anos ou mais também denominados desempregados de longo prazo Tabela 6 Em 2020 como podemos notar houve redução generalizada do número de desempregados de longa duração motivada em parte pela grande saída de pessoas da força de trabalho No entanto em 2021 esse in dicador começou a aumentar consideravelmente Em particular no 1º trimestre de 2021 com exceção da região Sul comparado com o mesmo trimestre do ano anterior a quantidade de pessoas nessa situação tinha subido expressi vamente com expansões de 223 no Nordeste e 153 no Sudeste 156 no CentroOeste e 51 no Norte Atualmente considerando o 1º trimestre de 2022 o cenário ainda é preocupante para a maioria das regiões Como podemos observar na comparação com o mesmo período de 2020 o número de desempregados de longa duração está 128 acima na região Norte 231 no Nordeste 68 acima no Sudeste e 37 no Sul Apenas na região CentroOeste o indicador começou a ceder 32 Boletim Macro Maio 2022 A preocupação quanto ao aumento do número de desempregados de longo prazo devese ao fato de que quanto mais tempo essas pessoas estiverem afastadas do mercado de trabalho maior será a depreciação de seu capital humano Isso dificulta ainda mais uma eventual reinserção desse contingente no mercado Tabela 6 Desemprego de longa duração e variação em Brasil e regiões 2012q1 a 2022q1 Período Norte Nordeste Sudeste Sul CentroOeste Brasil 2012q1 164321 666043 698642 119515 110601 1759122 2013q1 125714 615319 495771 84944 82888 1404635 2014q1 118917 508922 522283 86854 81269 1318245 2015q1 136423 485135 566919 101564 89546 1379586 2016q1 188128 699080 858120 161890 131849 2039068 2017q1 275035 1006253 1226071 216946 162429 2886732 2018q1 254309 1010254 1397327 225880 163071 3050842 2019q1 298529 1100965 1500651 268877 192298 3361319 2020q1 268185 1032278 1400329 240389 170425 3111607 2021q1 281830 1262206 1614770 229125 197082 3585012 2022q1 302587 1271103 1495209 249299 145159 3463357 2020q12019q1 102 62 67 106 114 74 2021q12020q1 51 223 153 47 156 152 2022q12020q1 128 231 68 37 148 113 Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Apesar de os indicadores mostrarem que o mercado de trabalhado já conseguiu atingir os patamares pré pandemia de população ocupada e de taxa de desemprego muitos ainda se questionam sobre a qualidade dessa recuperação Essa preocupação tem ressurgido por conta da expansão de trabalhadores atuando no setor informal caracterizado por ser desprovido de proteção social e que por estarem em ocupações que demandam menos escolaridade recebem menores rendimentos A Tabela 7 mostra a quantidade de informais e a taxa de informalidade no Brasil e nas regiões A definição de in formalidade utilizada é a do IBGE em que se denominam informais os trabalhadores sem carteira assinada domés ticos e no setor privado trabalhadores auxiliares familiares e empregadores e contaprópria sem CNPJ Atualmente a quantidade de informais no Brasil já ultrapassa os patamares observados no 1º trimestre de 2019 e de 2020 Entre os primeiros trimestres de 2021 e 2022 período de recuperação mais expressiva o crescimento dos informais correspondeu a mais de 50 do incremento de 82 milhões de trabalhadores na população ocupada As regiões cuja contribuição do emprego informal para o aumento do emprego foi mais elevada foram o Norte e Sul com 69 e 625 do emprego gerado nesse período sendo informal Nordeste 577 e Sudeste 444 também apresentaram altas proporções Vale salientar que apesar de o Norte e o Sul terem registrado esses incrementos o Norte e o Nordeste con tinuam sendo as regiões com as maiores taxas de informalidade 5661 e 5362 respectivamente Ou seja mais da metade da população ocupada nessas duas regiões está atuando na informalidade Maio 2022 Boletim Macro 33 Embora o Sudeste possua um elevado número de informais 146 milhões em 2022q1 mais do que o triplo do contingente do Sul 48 milhões em 2022q1 em termos relativos detém uma taxa de informalidade equipa rada às Regiões Sul 313 e CentroOeste 369 Tabela 7 Quantidade de trabalhadores informais e taxa de informalidade Brasil e regiões Período Norte Nordeste Sudeste Sul Centro Oeste Total Quantidade de Informais 2019q1 4057935 11276926 14377957 4775982 2905478 37394278 2020q1 4164015 11034815 14138315 4537193 2908885 36783223 2021q1 3869086 10343668 12863100 4216367 2761445 34053665 2022q1 4372187 11405494 14665434 4788372 2971153 38202640 Incremento 2021q1 2022q1 503102 1061826 1802334 572005 209708 4148975 Incremento 2020q1 2022q1 208172 370679 527119 251179 62269 1419417 População Ocupada 2019q1 7177646 21119939 41740059 14850647 7732917 92621208 2020q1 7372808 21032724 42010403 14939800 7758848 93114585 2021q1 6994541 19430142 38851251 14397944 7408140 87082019 2022q1 7723706 21271615 42906979 15313148 8059808 95275256 Incremento 2021q1 2022q1 729165 1841473 4055728 915204 651668 8193237 Incremento 2020q1 2022q1 350897 238891 896576 373348 300960 2160671 Taxa de Informalidade 2019q1 5654 5339 3445 3216 3757 4037 2020q1 5648 5246 3365 3037 3749 3950 2021q1 5532 5324 3311 2928 3728 3911 2022q1 5661 5362 3418 3127 3686 4010 Fonte elaboração FGV IBRE com base nos microdados da PNADCIBGE Em resumo os dados apresentados neste artigo evidenciam que no 1º trimestre de 2022 as regiões brasi leiras finalmente conseguiram atingir os níveis de emprego já observados no 1º trimestre de 2019 e de 2020 A retomada do emprego aconteceu com grande contingente de trabalhos informais principalmente no Nordeste e Sudeste Além disso a taxa de participação ainda não se recuperou totalmente e há um contingente alto de pessoas desocupadas há dois anos ou mais Vale salientar que desde 2016 o nível de incerteza tem estado elevado no Brasil e sob um ambiente com essa característica os empresários tendem a postergar investimentos e contratações formais Mesmo com o arrefecimento da pandemia o nível de incerteza permanece elevado contribuindo para que a recuperação do emprego continue ocorrendo por meio do aumento da participação das atividades informais Por fim a caracterização do mercado de trabalho nas regiões por meio da análise de indicadores pode contribuir para traçar diagnósticos mais acurados da situação atual do mercado de trabalho no Brasil Instituto Brasileiro de Economia Diretor Luiz Guilherme Schymura de Oliveira Vicediretor Vagner Ardeo Boletim Macro IBRE Coordenação geral e técnica Silvia Matos Revisão editorial Fernando Dantas Editoria de arte Marcelo Nascimento Utrine Equipe Permanente Aloisio Campelo Jr André Braz Armando Castelar Pinheiro Daniel Duque José Júlio Senna Lia Valls Pereira Livio Ribeiro Manoel Pires Marina Garrido Mayara Santiago Rodolpho Tobler Samuel Pessôa Viviane Seda Advertência As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas nas quais constem a sua identificação como tais em artigos e entrevistas publicados nos meios de co municação em geral representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não necessariamente a posição institucional da FGV Este Boletim foi elaborado com base em estudos internos e utilizando dados e análises produzidos pelo IBRE e outros de conhecimento público com informações atualizadas até 19 de maio de 2022 O Boletim é direcionado para clientes e investido res profissionais não podendo o IBRE ser responsabilizado por qualquer perda direta ou indiretamente derivada do seu uso ou do seu conteúdo Não pode ser reproduzido distribuído ou pu blicado por qualquer pessoa para quaisquer fins Instituição de caráter técnicocientífico educativo e filantrópico criada em 20 de dezembro de 1944 como pessoa jurídica de direito privado tem por finalidade atuar no âmbito das Ciências Sociais particularmente Economia e Administração bem como contribuir para a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável Praia de Botafogo 190 CEP 22250900 Rio de Janeiro RJ Caixa Postal 62591 CEP 22257970 Tel 21 37994747 Primeiro Presidente e Fundador Luiz Simões Lopes Presidente Carlos Ivan Simonsen Leal Vicepresidentes Clovis José Daudt Darrigue de Faro Francisco Oswaldo Neves Dornelles Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque Conselho Diretor Presidente Carlos Ivan Simonsen Leal Vicepresidentes Clovis José Daudt Darrigue de Faro Francisco Oswaldo Neves Dornelles Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque Vogais Carlos Alberto Pires de Carvalho e Albuquerque Cristiano Buarque Franco Neto Ernane Galvêas José Ermírio de Moraes Neto José Luiz Miranda Lindolpho de Carvalho Dias Marcílio Marques Moreira Roberto Paulo Cezar de Andrade Suplentes Aldo Floris Alexandre Koch Torres de Assis Antonio Monteiro de Castro Filho Ary Oswaldo Mattos Filho Carlos Eduardo de Freitas Gilberto Duarte Prado José Carlos Schmidt Murta Ribeiro Marcelo José Basílio de Souza Marinho Willy Otto Jordan Neto Conselho Curador Presidente João Alfredo Dias Lins Presidente em exercício Vicepresidente João Alfredo Dias Lins Klabin Irmãos Cia Vogais Antonio Alberto Gouvea Vieira Cid Heraclito de Queiroz Eduardo M Krieger Estado da Bahia Estado do Rio Grande do Sul Federação Brasileira de Bancos Isaac Sidney Menezes Ferreira IRB Brasil Resseguros SA Antônio Cássio dos Santos Luiz Carlos Piva Luiz Ildefonso Simões Lopes Marcelo Serfaty Marcio João de Andrade Fortes Maria Tereza Leme Fleury Miguel Pachá Pedro Henrique Mariani Bittencourt Sindicato das Empresas de Seguros Privados de Resseguros e de Capitalização nos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo Ronaldo Mendonça Vilela Souza Cruz SA Jorge Irribarra Suplentes Almirante Luiz Guilherme Sá de Gusmão Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo General Joaquim Maia Brandão Júnior Leila Maria Carrilo Cavalcante Ribeiro Mariano Luiz Roberto Nascimento Silva Manoel Fernando Thompson Motta Filho Monteiro Aranha Participações SA Nilson Teixeira Rafael Barreto Ricardo Gattass Sul América Companhia Nacional de Seguros Patrick de Larragoiti Lucas Instituto Brasileiro de Economia Diretor Luiz Guilherme Schymura de Oliveira Vicediretor Vagner Laerte Ardeo Superintendência de Estatísticas Públicas Aloisio Campelo Junior Superintendência de Infraestrutura e Mercados Globais Túlio Barbosa Superintendência de Inovação Vagner Laerte Ardeo Superintendência de Pesquisa Dados e Operação André Lavinas Superintendência de Publicações Claudio Roberto Gomes Conceição Superintendência de Gestão Estratégica e Organizacional Joana Braconi OBSERVATÓRIO DA PRODUTIVIDADE REGIS BONELLI Uma medida de força para a economia O FGV IBRE elegeu a produtividade como uma das preocupações centrais para o debate sobre o desenvolvimento do país O site Observatório da Produtividade Regis Bonelli reúne uma ampla base de dados sobre a produtividade fornecendo informações para uma maior compreensão do tema e contribuindo para a formulação de políticas públicas que possam impulsionar o crescimento Acesse o site Observatório da Produtividade Regis Bonelli Disponível em versão mobile e desktop httpsfgvbribreobservatorioprodutividade Para edições anteriores acesse httpsportalibrefgvbrboletimmacro Julho 2021 No 121 Pandemia cede mas recuperação mais expressiva da atividade segue desafiante Há algum tempo enfatizamos a importância de se controlar a pandemia para que a economia possa se recuperar do enorme choque trazido pela COVID19 A segunda onda da pandemia foi nesse sentido uma ducha de água fria no relativo otimismo que chegou a emergir na virada do ano FGV IBRE Agora a revista de economia mais tradicional do país também é blog Conheça este novo canal da Conjuntura Econômica e acompanhe a cada semana matérias e entrevistas que complementam e atualizam as análises que chegam mensalmente aos leitores Blog da CONJUNTURA ECONÔMICA Disponível em versão mobile e desktop fgvbribreblogdaconjunturaeconomica Julho 2021 Boletim Macro 3 Pandemia cede mas recuperação mais expressiva da atividade segue desafiante Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos Há algum tempo enfatizamos a importância de se controlar a pandemia para que a economia possa se recuperar do enorme choque trazido pela COVID19 A segunda onda da pandemia foi nesse sentido uma ducha de água fria no relativo otimismo que chegou a emergir na virada do ano em algum grau refletido no bom resultado do PIB no primeiro trimestre de 2021 Retornamos neste início de segundo semestre a um novo ciclo de moderado otimismo temperado por dúvidas sobre a extensão da recuperação em curso da atividade e a ve locidade com que os gargalos prépandemia voltarão a se apresentar E claro preocupados com novos riscos que se apresentam de um recrudescimento da pandemia aos impactos da normalização da política monetária nos países ricos em especial nos EUA As últimas semanas confirmaram um quadro mais benigno da pandemia do coronavírus no Brasil O nú mero de novos casos e de mortes diárias segue em queda com as médias móveis de sete dias desses dois indicadores recuando para 41 mil e 12 mil por dia respectivamente de acordo com os dados do Worldometer Há um mês essas cifras estavam em 72 mil e 2 mil respectivamente Ao mesmo tempo o ritmo de vacinação se intensificou para uma média superior a 1 milhão de doses por dia Os estoques de vacinas disponíveis continuam em patamares elevados e se prevê aumento nas entregas de vacinas neste terceiro trimestre Recen temente Butantan e Fiocruz receberam IFA Ingrediente Farmacêutico Ativo suficiente para a produção de 20 milhoes e 10 milhoes de doses respectivamente No entanto é importante mencionar que a pandemia no Brasil tem sido um destaque negativo na compa ração internacional O elevado número de casos no mundo é explicado principalmente por Indonésia Brasil e Reino Unido Além disso desde junho o Brasil assumiu a décima posição em termos de número de mortes per capita no mundo e recentemente superou a marca de 2500 óbitos por milhão de habitantes Com relação à pandemia no mundo apesar de um cenário mais favorável há preocupaçoes no horizonte Em primeiro lugar a variante Delta têm se espalhado pelo planeta elevando o número de infecçoes Na Europa Reino Unido e Espanha são os países mais atingidos até momento A boa notícia é que o aumento no número de casos não tem elevado a taxa de internação e o número de mortes ou seja os impactos sobre a atividade econômica devem ser limitados A elevada taxa de imunização nesses países é o fator determinante para um cenário de baixa letalidade da variante Delta Um segundo alerta é que a grande maioria dos países mais pobres está muito vulnerável a essa nova variante devido à baixa taxa de vacinação O risco de aumento expressivo na mortalidade nesses países é elevado No Brasil à medida que a pandemia seja controlada é esperada uma abertura mais ampla da economia com as medidas de restriçoes de algumas atividades sendo gradualmente retiradas De fato recentemente o indicador de mobilidade do Google Mobility Report atingiu o maior valor no póspandemia com aumento em todas as categorias divulgadas com destaque para o componente relacionado a Mercados e Varejo Segun do esses dados já estamos muito próximos de voltar aos níveis prépandemia FGV IBRE Em relação aos indicadores de atividade o IBCBr de maio veio em linha com as previsões do FGV IBRE mas frustrou as expectativas de mercado Parte da surpresa é explicada por revisões das séries algo já antecipado pelo Indicador da Atividade Econômica do FGV IBRE De fato as revisões das séries têm ocorrido com muita frequência pois o impacto da pandemia na economia foi tão expressivo que também tem afetado os modelos de ajuste sazonal aumentando a volatilidade dos dados mensais e dificultando a análise do dado na ponta Além disso o processo de recuperação não está ocorrendo de forma homogênea entre os setores um problema especialmente grave pelo fato de as pesquisas mensais do IBGE contemplarem apenas o setor formal da economia e não cobrirem atividades como saúde e educação que não são pesquisadas mensalmente Entretanto essas atividades são relevantes para o cálculo do PIB e foram muito afetadas pela pandemia Dado esse quadro mantemos para o segundo trimestre nossa previsão de crescimento de 01 em relação ao primeiro trimestre Apesar disso revisamos nossa previsão de crescimento para o ano de 48 para 52 O melhor desempenho de algumas atividades do setor de serviços como transporte comércio e serviços de informação elevou o crescimento projetado para esses grupos no ano Porém o pior desempenho dos serviços públicos nos fez manter as previsões para o segundo trimestre Em linha com as previsões do Boletim Macro o setor industrial e a agropecuária devem contribuir negativamente para o PIB no trimestre De fato a indústria de transformação tem sido impactada pela falta de insumos e pelo aumento nos custos de produção Consequentemente apesar do cenário mais benigno da economia como um todo esperamos piora no desempenho de alguns setores Outros fatores que merecem atenção são a crise hídrica e a aceleração inflacionária Com relação à primeira a forte queda do nível dos reservatórios tem gerado aumento expressivo nos preços das tarifas prejudicando os setores intensivos em energia além de reduzir o poder de compra das famílias O aumento dos preços de energia em um contexto de pressão inflacionária em outros grupos de bens e serviços torna o cenário ainda mais desafiador Com a abertura gradual da economia é esperado um aumento da inflação de serviços que segue ainda em patamares muito baixos A medida de núcleo de inflação deve permanecer em nível mais elevado também sinalizando que os choques inflacionários podem estar se espalhando para outros preços da economia De acordo com a última ata do Copom o Banco Central está analisando atentamente o comportamento dos preços de serviços Tudo indica que a normalização dos juros continue possivelmente para além do nível neutro piorando as condições de crédito para famílias e empresas Algum alento virá por outro lado da recuperação do mercado de trabalho que foi muito afetado pela pandemia A retomada do emprego e da renda se intensificará com a abertura mais ampla da economia Entretanto os efeitos devastadores da crise inclusive o aumento do endividamento devem estar ainda presentes limitando a aceleração do consumo das famílias Com essas preocupações em mente podemos assim resumir os destaques desta edição do Boletim Macro IBRE Atividade econômica página 7 Em maio os indicadores de alta frequência apontaram recuperação da economia fazendo com que elevássemos nossa previsão de alta do PIB em 2021 para 52 No entanto o crescimento tem sido bastante heterogêneo principalmente no setor de serviços como visto no resultado do primeiro trimestre e essa tendência deve se manter no segundo semestre Por outro lado os serviços prestados às famílias já estão se recuperando aproximandose do patamar prépandemia embora em maio ainda estivessem 29 abaixo desse nível Portanto no segundo trimestre devemos ter o setor de serviços mais positivo e a produção industrial mais negativa em contraste com o trimestre anterior Expectativas de empresários e consumidores página 9 A confiança encerrou a primeira metade do ano com sinais positivos tanto para empresas quanto para consumidores Dados preliminares de julho sugerem que a recuperação volta ao padrão que vínhamos observando em meses anteriores sendo mais expressiva em relação à confiança empresarial que a do consumidor O cenário para os próximos meses é de continuidade dessa recuperação mas ainda existem obstáculos Pelo lado empresarial os maiores problemas são o risco de racionamento energético a piora do quadro da pandemia devido a novas variantes e a continuidade de dificuldades na obtenção de insumos pela indústria Já pelo lado dos consumidores ainda pesam na confiança a elevada taxa de desemprego e a alta inflação Mercado de trabalho página 11 Pela PNAD Contínua a taxa de desocupação mantevese em abril em 145 o que com ajuste sazonal significou alta mensal de 02 ponto percentual pp para 147 01pp acima do projetado pelo FGVIbre Esse resultado foi pressionado por pequena alta da taxa de participação a primeira desde novembro de 2020 Nos próximos meses devese ver uma recuperação dessa taxa conforme aumente a população vacinada o que por sua vez deve continuar a pressionar para cima a taxa de desocupação Já o Caged mostrou alta de cerca de 280 mil vagas em maio de 2021 surpreendendo positivamente em relação às expectativas do mercado ainda que o FGVIBRE tenha previsto resultado superior ao divulgado Inflação página 14 Os preços monitorados respondem por cerca de 30 do IPCA Reajustes acumulados de combustíveis e energia estão contribuindo para a aceleração e para o espalhamento das pressões inflacionárias A estrutura produtiva de vários segmentos segue pressionada pelo comportamento das matériasprimas cujos preços já subiram quase 70 segundo o IPAFGV situação que piora com os aumentos da energia Ainda que os reajustes na energia elétrica trazidos pelas bandeiras tarifárias sejam temporários sua vigência que tende a ser mais duradoura durante a crise hídrica pode distanciar ainda mais a inflação do teto estabelecido para 2021 da banda de tolerância do sistema de metas Política monetária página 15 Na seção de política monetária nosso analista ilustra algo que há muito já se sabe política monetária nada tem de trivial A ilustração se refere à decisão sobre a taxa Selic a ser tomada pelo Copom em sua reunião de agosto Dada a opção recente feita pelo BC no sentido de fornecer duas sinalizações distintas uma de caráter mais geral outra mais específica referentes ao movimento de juros a ser promovido no próximo mês é possível que o BC enfrente um importante dilema dificultando a escolha entre 75 e 100 pontos Política fiscal página 18 Na seção fiscal o tema é a reforma tributária e a polêmica sempre presente no seu processo de tramitação Quase um ano depois de enviar a primeira etapa ao Congresso o governo apresentou a segunda fatia de sua proposta com alterações voltadas desta vez à tributação da renda e dos lucros de pessoas físicas e jurídicas Alvo de inúmeras contestações a clássica resistência à reforma continua atrasando mudanças necessárias principalmente depois da pandemia para um sistema mais justo e eficiente A nova carga tributária segue como uma incógnita enquanto não é conhecido com clareza o real impacto das renúncias alíquotas e compensações em conjunto além da incerteza que marca os cenários político e econômico próximos Se reduzir a arrecadação representa um horizonte com superávits primários mais distantes por outro lado aumentar a carga estabelece o fardo de uma política contracionista em meio ao esforço de recuperação Calibrar tal impacto e alcançar uma boa reforma depende de uma discussão mais realista e pública com verdadeira disposição à mudança Setor externo página 19 O desempenho das exportações em junho seguiu a tendência observada em maio aumento das exportações para a China puxado pela alta dos preços das commodities e para a América do Sul pelo aumento do volume exportado de bens de consumo duráveis Destacase também o comportamento do volume importado caracterizado por variações de dois dígitos nas compras de bens de capital sem plataformas e bens intermediários para a agropecuária e a indústria de transformação na comparação interanual de junho e do primeiro semestre entre 2020 e 2021 A alta dos preços de exportações deve compensar o aumento no volume importado e esperamos um superávit ente US 65 bilhões e US 70 bilhões para 2021 Internacional página 24 O tema da seção sobre economia internacional é a política monetária nos EUA A forte recuperação da economia o PIB deve crescer 657 este ano impulsionado pelo maior pacote fiscal desde a 2ª Grande Guerra conjuntamente com os choques inflacionários produzidos pela epidemia tem colocado a inflação bem acima da meta de 2 A grande dúvida é se quando os choques passarem a inflação americana irá recuar ou se estará rodando a partir de um nível mais alto Se não houver devolução e o fato de os núcleos estarem respondendo ao choque pode ser um sinal de que não haverá esse recuo é possível que o processo de subida da taxa de juros se dê bem antes do segundo semestre de 2023 como previsto atualmente pelo Fomc Em foco IBRE página 25 E por fim na Seção Em Foco de autoria do pesquisador Paulo Peruchetti o tema é Mercado de trabalho continua fragilizado e a lenta recuperação do emprego ainda é uma grande preocupação Julho 2021 Boletim Macro 7 Atividade econômica No segundo trimestre o PIB deve ser positivo mas ainda fraco na margem Silvia Matos Marina Garrido e Mayara Santiago Os indicadores de alta frequência divulgados pelo IBGE em maio mostram uma melhora na margem nos setores de varejo indústria e serviços A indústria de transformação teve alta de 12 MsM 174 AsA depois de quatro quedas consecutivas na margem Porém com a falta de alguns insumos como semicon dutores e a alta nos custos de produção esperamos que a indústria de transformação volte a cair em junho em relação a maio Com isso o desempenho esperado para o setor no segundo trimestre deve ser pior que o observado no primeiro trimestre No varejo ampliado os indicadores antecedentes tiveram forte expansão no bimestre findo em maio ao passo que em junho apesar de o crescimento interanual ainda ser forte eles são menos expressivos Isso pode ser visto nos indicadores antecedentes com destaque para a FENABRAVE que em abril e maio teve variaçoes interanuais acima de 200 e em junho com exceção de motocicletas item que teve crescimento de 1326 AsA cresceram na casa de dois dígitos Em maio o varejo restrito cresceu 159 AsA 14 MsM e o amplia do 261 AsA 38 MsM chegando a 39 e 16 acima do patamar anterior à pandemia respectivamente Nossa expectativa é de que o setor continue crescendo nos próximos meses por conta da flexibilização das medidas de distanciamento social Já o setor de serviços teve sua segunda alta consecutiva na margem alcançando o mesmo patamar de fevereiro do ano passado Em maio o setor cresceu 12 MsM 231 AsA e os serviços prestados às famílias um dos segmentos mais afetados pela crise cresceu 179 MsM 765 AsA Apesar de recentemente o segmento ter apresentado crescimento forte os serviços prestados às famílias ainda se encontram 291 abaixo do nível précrise mas esse hiato tende a fechar com o aumento da mobilidade neste segundo semestre Após as divulgaçoes de maio as estimativas de mercado para o desempenho da atividade econômica fo ram revistas para cima Em particular a mediana das expectativas para o IBCBr concentravase em 11 MsM 157 AsA enquanto o dado oficialmente divulgado pelo Banco Central foi de queda de 04 MsM 142 AsA em linha com as expectativas do FGV IBRE Nossos modelos de projeção para o IBCBr também incluem o Indicador de Atividade Econômica IAEFGV permitindo melhores previsoes para o primeiro indicador1 Adi cionalmente o Monitor do PIB do FGV IBRE cresceu 134 em relação ao mesmo mês do ano anterior Em termos trimestrais considerando dados até maio o resultado do IBCBr é positivo em 117 na comparação com o mesmo período do ano passado No entanto o Monitor do PIB cresceu abaixo deste valor apenas 97 no mesmo período É importante ressaltar que o Monitor do PIB tem como objetivo antecipar o PIB em todas as suas aberturas o que pode gerar resultados distintos dos indicadores de atividade econômica Nesse contexto como há algumas diferenças no ritmo de crescimento dos dados interanuais as taxas mensais de crescimento 1O IAE FGV cresceu 137 asa e 06 msm Para maiores informaçoes sobre o Indicador de Atividade Econômica do IBRE acessar httpsportalibrefgvbrmonitordaatividadeeconomica 8 Boletim Macro Julho 2021 com ajuste sazonal podem ser bem diferentes entre os dois indicadores Em particular em maio o Monitor do PIB cresceu 18 em relação ao mês anterior No entanto apesar das diferenças todos os dados apontam um resultado positivo para o segundo trimestre Esses resultados até maio em conjunto com as expectativas para junho corroboram um cenário de cres cimento do PIB para o segundo trimestre de 127 na comparação com o segundo trimestre de 2020 e de 01 na margem a mesma projeção do Boletim de junho Porém em termos setoriais as previsoes foram ligeiramente alteradas Com relação ao resultado anual o crescimento foi revisto para 52 ante projeção anterior de 48 ver Tabela 1 Os dados divulgados recentemente em conjunto com a redução no número de infecçoes e de mortes pela COVID19 contribuíram para projeçoes melhores no se tor de comércio e transportes no segundo semestre No último boletim nossa projeção era de queda de 03 TsT 198 AsA e 19 TsT 22 AsA para esses setores no segundo trimestre respectivamente Tais números foram revistos para crescimento de 04 TsT 207 AsA e 46 TsT 350 AsA respectivamente Porém as ex pectativas para os serviços públicos foram revistas para baixo em linha com o Monitor do PIB Com essa mudan ça na composição não houve alteração para o segundo trimestre do PIB apesar de a expectativa para o ano ter sido revista para cima Ainda pelo lado da oferta a indústria deve se contrair no segundo trimestre em relação ao primeiro 18 TsT 168 AsA mesmo com estoques insuficientes acima da média histórica prépandemia por conta dos desafios mencionados anteriormente altos custos e falta de insumos Pelo lado da demanda o consumo das famílias deve crescer 05 TsT 121 AsA no segundo trimestre e 52 no ano Ou seja à medida que a mobilidade se normalize o consumo deve seguir crescendo até o final do ano Já o investimento deve se contrair em 43 TsT 289 AsA dado que considerando a base de com paração desfavorável o desempenho no primeiro trimestre foi forte Sobre a balança comercial o crescimento das importaçoes deve superar o das exportaçoes esperamos crescimento de 208 AsA 02 TsT vis à vis 111 AsA 63 TsT respectivamente No ano esperamos crescimento de 48 na indústria influenciada principalmente pelo crescimento da indústria de transformação e da construção civil e de expansão de 50 nos serviços Tudo indica uma recu peração mais forte no segundo semestre Evidentemente essa expectativa leva em consideração uma redução no número de infecçoes e de mortes pela COVID19 bem como aumento da mobilidade e normalização das atividades principalmente do setor de serviços Tabela 1 PIB projeções Atividades 2021II TsT 2021II AsA 2021 Consumo das Famílias 05 121 52 Consumo do Governo 11 46 22 Investimento 43 289 123 Exportação 63 111 65 Importação 02 208 111 PIB 01 127 52 Agropecuária 33 06 29 Indústria 18 168 48 Extrativa 25 30 24 Transformação 21 260 61 Eletricidade e Outros 04 75 29 Construção Civil 07 100 42 Serviços 09 111 50 Fonte IBGE Elaboração FGV IBRE Julho 2021 Boletim Macro 9 Expectativas de empresários e consumidores Confiança encerra primeiro semestre em alta Aloisio Campelo Rodolpho Tobler e Viviane Seda Os índices de confiança encerraram o primeiro semestre em alta motivada pelo desempenho econômico acima do esperado durante e após a saída do auge da segunda onda de Covid19 e pelas melhores perspec tivas de avanço da campanha de vacinação ao longo do segundo semestre Em junho o Índice de Confiança Empresarial ICE subiu 43 pontos atingindo o maior nível desde outubro de 2013 e o Índice de Confiança do Consumidor ICC subiu 47 pontos Uma prévia de julho com dados até o dia 13 indica que a recuperação segue ocorrendo pelo lado empre sarial mas em ritmo menos intenso alta de 19 ponto e mais concentrada no comércio e em serviços Já o ICC recua 07 ponto no mês e se encontra ainda 32 pontos abaixo de setembro de 2020 maior nível alcançado após a pandemia Caso sejam confirmados os números da prévia haveria portanto um retorno ao padrão mais típico dos últimos meses de recuperação mais expressiva da confiança empresarial que a do consumidor Gráfico 1 Confiança de consumidores e empresários Com ajuste sazonal em pontos 1007 802 50 60 70 80 90 100 110 120 jul08 jul09 jul10 jul11 jul12 jul13 jul14 jul15 jul16 jul17 jul18 jul19 jul20 jul21 ICE ICC Prévia Fonte FGV IBRE No âmbito empresarial a alta recente da confiança tem sido influenciada pela melhora gradual do ambiente no setor de Serviços Segmentos que dependem de algum tipo de interação social e relacionados com ativida des turísticas como os serviços prestados às famílias estiveram entre os que mais sofreram com medidas res tritivas nos piores momentos da pandemia A perspectiva de flexibilização de medidas restritivas e de aumento da circulação de pessoas nas cidades explica a melhora que ainda é bem mais forte pelo lado das expectativas que da percepção em relação à situação atual dos negócios Com a alta da confiança do setor de serviços observase uma redução da elevada heterogeneidade de resulta dos entre os segmentos produtivos que vinha ocorrendo desde o início da pandemia Em outro aspecto relacionado à heterogeneidade as micro e pequenas empresas continuam apresentando um resultado aquém das demais 10 Boletim Macro Julho 2021 A confiança das micro e pequenas empresas ICEMPE tem rodado abaixo da confiança agregada desde o início da crise econômica deflagrada pela pandemia ainda que os movimentos e pontos de inflexão se asseme lhem aos das demais empresas O gráfico abaixo compara a confiança empresarial das MPEs com a total Gráfico 2 Índice de Confiança Empresarial Total e de Micro e Pequenas Empresas Com ajuste sazonal em pontos 959 1007 50 60 70 80 90 100 110 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 mai21 jun21 ICE Pequenas Empresas ICE Total Fonte FGV IBRE Outro desequilíbrio surgido após a pandemia é a dificuldade de obtenção de insumos ou matériasprimas pela indústria Quesitos extraordinários adicionados à Sondagem de junho mostram que o problema persistirá por mais tempo 433 das empresas da indústria de transformação acham que a situação se normalizará so mente em 2022 ou não conseguem prever a normalização As empresas que continuam com problemas de escassez de insumos 524 do total apontam como prin cipais motivos a falta do produto no mercado tanto interno quanto externo ou o aumento do preço no mercado externo As expectativas mais negativas são as do segmento de bens duráveis de consumo Tabela 2 Período em que a empresa acredita que irá normalizar a entrega de insumos Em percentual Até o final do 2 trimestre de 2021 Até o final do 3 trimestre de 2021 Até o final do ano de 2021 Apenas em 2022 Não consegue prever a normalização Indústria de Transformação 60 247 260 255 178 Bens duráveis 27 47 190 658 78 Bens intermediários 55 122 270 303 250 Bens de Capital 92 180 185 327 216 Bens não duráveis 74 185 332 233 176 Fonte FGV IBRE Julho 2021 Boletim Macro 11 A recuperação mais lenta da confiança dos consumidores parece estar relacionada à alta da inflação nos últimos meses e ao cenário ainda muito negativo do mercado de trabalho duas variáveis que afetam princi palmente a confiança de famílias de menor poder aquisitivo como tem sido observado em ediçoes anteriores dessa seção do Boletim Macro IBRE A melhora do quadro da pandemia nos dois últimos meses tem possibilitado a flexibilização das medidas res tritivas colaborando para a recuperação da confiança econômica Mas o cenário para os próximos meses ainda apresenta riscos para as empresas talvez os maiores sejam o risco de racionamento energético e de piora do quadro da pandemia sob influência de novas cepas como a da variante delta Para o consumidor além desses há que se considerar que o desemprego continuará elevado por algum tempo e que o cenário anteriormente previsto de desaceleração da inflação para o segundo semestre tem no momento velocidade e magnitude incertos Mercado de trabalho Taxa de desemprego registra alta mais uma vez na série dessazonalizada com elevação inédita da taxa de participação em cinco meses Recuperação econômica impulsionada por vacinação levará a aumentos da população ocupada e da força de trabalho Caged por sua vez mostra nova aceleração da abertura de vagas Daniel Duque A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua PNADC divulgou sua edição de abril de 2021 com estabilidade da taxa de desocupação em 147 01 ponto percentual pp acima do projetado pelo FGV Ibre Essa estabilidade representou no entanto alta na série dessazonalizada tendo em vista que a desocupação tende a cair após o fim do primeiro trimestre com ajuste sazonal o desemprego se elevou de 142 para 144 Para maio projetase queda de 02 pp para 145 o que com ajuste significa redução menor de 01 pp Gráfico 3 Taxa de Desemprego 201921 100 105 110 115 120 125 130 135 140 145 150 mai19 jul19 set19 nov19 jan20 mar20 mai20 jul20 set20 nov20 jan21 mar21 mai21 TD TDSA Fonte PNADC IBGE Elaboração FGV IBRE 12 Boletim Macro Julho 2021 O resultado de abril da desocupação foi influenciado negativamente por um leve aumento da taxa de par ticipação Os gráficos abaixo mostram crescimento mensal do percentual de trabalhadores no último mês Anualmente a alta de abril de 2021 da força de trabalho foi de cerca de 4 mas sobre uma base fortemente deprimida do início da pandemia no ano anterior Gráfico 4 Evolução da Taxa de Participação e Força de Trabalho 53 55 57 59 61 63 abr13 ago13 dez13 abr14 ago14 dez14 abr15 ago15 dez15 abr16 ago16 dez16 abr17 ago17 dez17 abr18 ago18 dez18 abr19 ago19 dez19 abr20 ago20 dez20 abr21 Evolução da Taxa de Participação Mensalizado Trimestre Móvel 12 10 8 6 4 2 0 2 4 abr14 ago14 dez14 abr15 ago15 dez15 abr16 ago16 dez16 abr17 ago17 dez17 abr18 ago18 dez18 abr19 ago19 dez19 abr20 ago20 dez20 abr21 Taxa de crescimento da Força de Trabalho em relação ao mesmo período do ano anterior Mensalizado Trimestre Móvel Fonte PNADC IBGE Elaboração FGV IBRE com base na metodologia de mensalização do Banco Central Nos próximos meses tanto a população ocupada quanto a força de trabalho devem acelerar suas altas devido a uma progressiva e rápida vacinação dos adultos contra a Covid19 Em abril houve alta relevante dos informais como mostra o gráfico a seguir apesar de naquele mês ter sido reintroduzido o auxílio emergencial que beneficia desproporcionalmente esses trabalhadores de modo que seria esperado queda da participação destes na força de trabalho Julho 2021 Boletim Macro 13 Gráfico 5 Crescimento Mensal da População Ocupada com ajuste sazonal 7 6 5 4 3 2 1 0 1 2 3 jan19 mar19 mai19 jul19 set19 nov19 jan20 mar20 mai20 jul20 set20 nov20 jan21 mar21 Milhões Formal Informal Fonte PNADC IBGE Elaboração FGV IBRE com base na metodologia de mensalização do Banco Central Apesar de ainda haver possibilidade de a taxa de participação não se recuperar totalmente por um longo período as altas esperadas devem pressionar a taxa de desocupação nos próximos meses ainda que os ocu pados tendam a crescer O Caged por sua vez em maio de 2021 registrou abertura de cerca de 260 mil vagas o que representa saldo positivo de 280 mil vagas quando dessazonalizado O resultado surpreendeu positivamente o mercado cuja mediana estava em 150 mil mas não a FGVIbre que esperava criação de 360 mil vagas Como mostra o gráfico abaixo há tendência de aceleração das altas das ocupaçoes com carteira assinada Para junho de 2021 projetase uma alta de 340 mil vagas nível semelhante quando a série é dessazonalizada Gráfico 6 Saldo de Vagas do Caged 201921 1100 900 700 500 300 100 100 300 500 jan19 mar19 mai19 jul19 set19 nov19 jan20 mar20 mai20 jul20 set20 nov20 jan21 mar21 mai21 Milhares Saldo de emprego s ajuste sazonal Saldo de empregos c ajuste sazonal Fonte CAGED MTE Elaboração FGV IBRE 14 Boletim Macro Julho 2021 Apesar da grande divergência ainda fortemente aparente entre Caged e PNADC vale notar que as séries começam a se aproximar nos últimos meses como mostra o gráfico abaixo Desse modo é esperada maior con vergência nos próximos trimestres ainda de que as elevadas altas do Caged sejam sem registro na PNADC Gráfico 7 Saldo Acumulado em 12 meses de Empregos com Carteira Assinada por pesquisa 6 5 4 3 2 1 0 1 2 3 mar13 ago13 jan14 jun14 nov14 abr15 set15 fev16 jul16 dez16 mai17 out17 mar18 ago18 jan19 jun19 nov19 abr20 set20 fev21 PNADC Caged Fonte PNADC IBGE e CAGED MTE Elaboração FGV IBRE Inflação Preços administrados não oferecem trégua para a inflação André Braz A participação de preços administrados na inflação segue em sentido ascendente e será destacada em 2021 No segundo trimestre as apuraçoes do IPCA foram influenciadas por aumentos de medicamentos com bustíveis e energia elétrica cuja influência seguirá em alta no terceiro trimestre Ainda em março a gasolina com alta de 1126 teve ampla participação no resultado do IPCA que registrou alta de 093 a maior taxa de variação apurada no primeiro semestre Já em abril apesar da desaceleração registra da pelo IPCA cuja taxa recuou para 031 os medicamentos cujo aumento médio foi de 269 responderam por quase 30 da inflação no mês Entre maio e junho o resultado do IPCA foi especialmente influenciado pela tarifa de energia elétrica e pelos combustíveis cujos preços acumularam altas de 74 e 51 nesses dois últimos meses Sobre os reajustes da energia podese alertar que os desafios não partem somente das bandeiras tarifárias mas também dos repasses que poderão ocorrer a partir dessa nova pressão sobre os custos de produção contribuindo para que ocorram aumentos nos preços de vários produtos destinados à indústria ou ao consumo familiar O reajuste das bandeiras funcionará como um efeito multiplicador das tensoes inflacionárias especial mente nos setores que são intensivos no uso de energia Julho 2021 Boletim Macro 15 A crise hídrica manterá os holofotes na tarifa elétrica Em julho além da prática da bandeira vermelha patamar 2 o valor da bandeira sofreu reajuste de 52 passando de R 624 para R 949 a cada 100 Kwh consumidos O impacto médio nas contas dos consumidores pode chegar a 8 o que influenciará em 04 ponto percentual a inflação de julho Além disso a redução do volume de chuvas normal para o inverno tende a comprometer as condiçoes de lavouras e pastagens aumentando o risco de complicaçoes em safras e na pecuária O aumento da participação de preços administrados nos resultados do IPCA tende a ser prolongado dado o efeito que essas altas podem trazer para a atividade econômica Sabese que parte dessa pressão inflacioná ria é transitória já que as bandeiras tarifárias não têm efeitos permanentes na conta de energia Porém a própria incerteza em função dos efeitos da seca pode favorecer reajustes que não serão transitórios mas sim perma nentes Sobretudo numa estrutura produtiva com margens que já foram muito comprometidas por aumentos nas matériasprimas para as quais o IPAFGV mostra alta acumulada de 6775 até junho Afora esse movimento algumas cidades do país sofrerão reajuste no valor do KWh o que poderá aumentar ainda mais o impacto da tarifa de energia na inflação deste mês Os combustíveis também não oferecerão trégua Foram anunciados reajustes na refinaria para gasolina 63 e diesel 37 a partir da segunda semana de julho Esses aumentos ainda que cheguem mais fracos às bombas também provocarão impulso não desprezível na inflação deste mês Em contrapartida os planos de saúde sofreram redução A ANS divulgou queda de 819 nos preços a par tir de maio de 2021 Essa queda amenizará a destacada contribuição dos preços monitorados para o aumento da inflação em julho De qualquer forma com tantos reajustes autorizados o IPCA de julho poderá fechar em torno de 1 núme ro que levará a taxa em 12 meses para 9 este mês Para o final do ano a expectativa é de que a inflação feche em 72 mas considerando que alguns reajustes podem ser transitórios como a prática da bandeira tarifária em seu patamar máximo o índice oficial ainda tem chances de fechar o ano abaixo de 7 Com tantos aumentos entre os preços monitorados essa classe de produtos e serviços poderá fechar o ano com alta em torno de 10 Se tal previsão se confirmar os preços monitorados responderão por aproxima damente 40 da inflação de 2021 Política monetária Política monetária nada tem de trivial o dilema do Copom de agosto José Júlio Senna De modo geral decisoes de política monetária nada têm de triviais Na calibragem da taxa básica de juros seu principal instrumento de política os banqueiros centrais atuam em ambiente de considerável incerteza O fato de a política monetária operar sempre com defasagem ou seja o fato de os efeitos de ajustes de taxa de juros apare cerem integralmente somente após significativo espaço de tempo dificulta muito as açoes das autoridades Num regime de metas a tarefa prioritária é promover a convergência da inflação para o objetivo numérico oficialmente estabelecido no horizonte de tempo relevante Como banco central algum consegue controlar di 16 Boletim Macro Julho 2021 retamente o ritmo de crescimento dos preços a ser observado 18 ou 24 meses adiante fazse necessário lançar mão de uma variável intermediária de um target intermediário que responda bem aos movimentos de juros e mostre boa correlação com a própria inflação A projeção oficial de inflação desempenha esse papel Para facilitar o entendimento do público sobre a chamada função de reação do banco central as au toridades procuram ser transparentes revelando como pretendem reagir à evolução das projeçoes oficiais de inflação e a outras variáveis relevantes A política monetária funciona melhor quando esse entendimento é bom De modo geral a comunicação oficial costuma envolver sinais pouco específicos mas importantes de qualquer modo Às vezes porém faz sentido que as informaçoes oficiais sejam mais específicas como acontece por exemplo quando as autoridades desejam dar alguma sinalização sobre os próximos passos da política monetária A situação atual do Brasil está longe de confortável Os choques inflacionários têm sido expressivos Difícil prever até onde irá a escalada de preços A despeito desse ambiente desfavorável as últimas informaçoes disponíveis indicam projeção de inflação oscilando em torno da meta para 2022 no horizonte relevante no mo mento Por ocasião do Copom de março a projeção era de 36 No Copom seguinte cedera ligeiramente para 34 No encontro mais recente estava em 35 ou seja na meta Costumeiramente repetida pelo BC a informação de caráter mais geral é no sentido de que os movimen tos de política monetária dependem da atividade econômica das expectativas e das projeçoes de inflação e do balanço de riscos em torno do cenário básico Atividade e expectativas são variáveis levadas em conta na medida em que influenciam as projeçoes de inflação Na ata do último Copom tal mensagem não deixou de ser transmitida A complexidade do quadro atual porém tem levado o BC a fazer algo mais isto é a sinalizar o próximo passo E nisso precisa ser mais específico Tem sido assim desde o início da normalização em março Agora em junho o passo seguinte foi sinalizado desta maneira Para a próxima reunião o Comitê antevê a continua ção do processo de normalização monetária com outro ajuste da taxa Selic da mesma magnitude Contudo uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tem pestiva dos estímulos monetários Referência explícita ao comportamento das expectativas de inflação parece plenamente justificável na medida em que isto revela a fundamental preocupação das autoridades com a an coragem das expectativas No tocante ao encontro de agosto realisticamente há duas possibilidades repetese o ajuste anterior de 75 pontos ou acelerase o passo para 100 pontos Por certo não há nada de errado em sinalizar o movimento seguinte O problema a nosso ver é a possibilidade de a sinalização de caráter mais geral eventualmente con flitar com a mensagem mais específica Com relação às informaçoes que estarão disponíveis para o BC no momento da decisão do próximo mês podemos imaginar cinco possibilidades Primeiro suponhamos que a projeção básica de inflação para 2022 permaneça na meta algo bem possível pois o impacto de fatores altistas poderá ser compensado pelos efei tos de uma trajetória Focus de taxa Selic mais agressiva trajetória essa que alimenta o modelo do BC como ilustra a tabela a seguir Admitamos também que as expectativas de inflação da pesquisa Focus para 2022 não se elevem comparativamente ao observado por ocasião do Copom de junho Neste caso não haverá dúvida o ajuste da Selic será de 75 pontos Julho 2021 Boletim Macro 17 Selic Focus Mediana Mensal 15032021 03052021 11062021 09072021 ago21 400 463 500 500 set21 450 500 550 575 out21 450 525 600 650 dez21 450 550 625 663 jan22 500 550 625 675 fev22 500 550 650 675 mar22 500 575 650 700 abr22 500 575 650 700 mai22 500 600 650 700 jun22 525 600 650 700 jul22 525 600 650 700 ago22 550 600 650 700 set22 550 600 650 700 out22 550 600 650 700 nov22 550 625 650 700 dez22 575 625 650 700 Segundo imaginemos agora alta significativa da projeção básica de inflação para 2022 e ao mesmo tem po elevação das expectativas Focus para o mesmo horizonte Também aqui não haveria dúvida a Selic seria ajustada para cima em 100 pontos Terceiro caso a projeção oficial de inflação continue na meta mas as expectativas Focus de inflação se elevem significativamente podemos esperar alta de 100 pontos Quarto qual seria a decisão na hipótese de a projeção oficial de inflação e as expectativas Focus não se alterarem mas a percepção do BC acerca do balanço de riscos ficar pior em razão por exemplo dos eventos mais recentes no campo fiscal Nesse caso o BC estaria propenso a fazer um ajuste de 100 pontos mas a sinalização específica para o mês de agosto dificultaria decisão nesse sentido Em poucas palavras uma de cisão possivelmente acertada sob a ótica do longo prazo poderia deixar de ser tomada em razão da referida sinalização de curto prazo Quinto que dizer da possibilidade de a projeção oficial de inflação passar a superar a meta mas as expecta tivas Focus para 2022 não se mexerem Esse conflito de informaçoes também dificultaria a tomada de decisão especialmente na hipótese de os preços de mercado embutirem majoritariamente um movimento de 100 pon tos Nesse caso o BC talvez optasse pelos 100 pontos mas à custa de algum arranhão em sua credibilidade Em síntese a análise acima parece justificar plenamente nosso comentário inicial política monetária nada tem de trivial 18 Boletim Macro Julho 2021 Política fiscal A sempre polêmica reforma tributária Juliana Damasceno e Matheus Rosa Ribeiro Praticamente um ano após enviar ao Congresso a primeira etapa da reforma tributária tratando da tributa ção do consumo o governo enfim apresentou a segunda fatia de sua proposta com alteraçoes voltadas desta vez à tributação da renda e de lucros para pessoas física e jurídica Por um lado a proposta conta com uma atualização da tabela do IR Pessoa Física elevando a faixa de isenção e escalonando outras faixas de tributa ção embora ainda abaixo da inflação Por outro a proposta prevê redução da alíquota geral para o IR Pessoa Jurídica enquanto passa a tributar lucros e dividendos A cartilha clássica de repercussão de propostas de re forma tributária baseada em longo histórico de tentativas e quasereformas já prometia uma dose de polêmica Sem fugir à regra a proposta apresentada pelo governo no fim de junho logo ganhou um texto substitutivo em meio a inúmeras contestaçoes tanto técnicas quanto de setores afetados em defesa de seus interesses Fato é que a sempre presente resistência à reforma seja ela do governo com receio de perder receita seja de grupos mais organizados com a possibilidade de maior carga continua a adiar mudanças em prol da igualdade e da eficiência Duas questoes que a atual pandemia agravou e que ainda que de forma limitada poderiam se não deveriam ser aliviadas por um novo sistema tributário Assim como as críticas são esperadas diante de novas propostas também é previsível o surgimento de desafios que se colocam à frente de sua tramitação alguns dos quais já começam a se concretizar Dentre tais desafios o penoso processo de aprovação do texto carrega consigo os conhecidos riscos de desidrata ção em relação ao texto original e de negociaçoes que resultem em alteraçoes subótimas A fim de aumentar a probabilidade de aprovação é comum que pontos chave da proposta sejam vetados ou mesmo que o texto traga mudanças de última hora ambos os casos tendo grande efeito sobre a estimativa de impacto original embora não sejam geralmente acompanhados pelo mesmo nível de embasamento de dados Enquanto o imbróglio perdura são deixados de lado princípios essenciais para reestruturar qualquer sistema tributário e dos quais não tardaremos a notar a ausência simplicidade transparência eficiência e equidade Ainda mais grave esse impasse diante de reformas tributárias abre também espaço para saídas fáceis ainda que menos desejáveis Caso da CPMF um tributo extinto que embora tenha apresentado diversos problemas durante sua vigência é com frequência trazido de volta ao debate público dada sua capacidade de arrecadar de forma rápida e em grande escala A futura carga tributária total é por sinal sempre o grande ponto de atenção e imprecisão nesse debate A projeção da Receita Federal apontava que a proposta de reforma apresentada no fim do junho teria impacto neutro sobre carga tributária global atual 3164 do PIB em 2020 com acréscimo de apenas cerca de R 2 bi2 por ano na arrecadação No entanto os diferentes rumos que o debate da reforma tende a tomar e a incer teza que é natural a uma projeção de tamanha complexidade não permitem ainda tal garantia Isso sem contar com o risco de o cenário econômico projetado não se concretizar e o ambiente político próximo entregar sua prometida dose de turbulência 2Ver httpsbitly3xHyITE Julho 2021 Boletim Macro 19 Isso fica tipificado por um lado por haver quem aponte que o texto original do governo subestimaria ganhos de arrecadação com tributação de lucros e dividendos3 E por outro pelo relator da reforma ter apresentado parecer al terando o texto poucos dias após seu envio original Entre as principais mudanças destacase a proposta de ampliar de 5 para 125 pontos percentuais a redução da tributação do Imposto de Renda sobre as empresas Essa medida implicaria uma perda de até R 30 bilhoes segundo parecer do relator do projeto Dado que 46 das receitas do IR devem ser repassadas para os governos regionais de acordo com a Constituição Federal aquela perda afetaria majoritariamente os cofres de estados e municípios motivo pelo qual governadores e prefeitos já se articulam para mudar texto A aposta do governo envolve um cenário otimista capaz de mais do que compensar essa renúncia fiscal via um crescimento econômico mais robusto e forte recuperação das condiçoes financeiras das empresas Os principais impactos da crise sanitária sobre as contas públicas foram o aumento do estoque da dívida e um novo adiamento do retorno à obtenção de superávits primários Uma reforma tributária que acarrete drás tica redução na arrecadação não seria sustentável diante do já deteriorado cenário fiscal Por outro lado uma reforma que acarrete aumento de carga tributária funcionaria como política fiscal contracionista em meio à re cuperação econômica na saída da pandemia e com desemprego elevado Vale ainda lembrar que o IRPJ é um tributo direto implicando que uma grande redução em sua alíquota vai contra um dos princípios da reforma a progressividade Calibrar esse impacto depende de uma discussão mais realista e pública a ser facilitada pela transparência que apenas os dados abertos podem fornecer Embora seja amplo e antigo o consenso sobre a necessidade de aprovação de uma reforma tributária a dificuldade de se definir qual modelo de reforma aprovar junto com as esperadas resistências de grupos mais prejudicados sejam eles empresariais ou governamentais tem perdurado como um obstáculo à aprovação de alteraçoes na legislação tributária A velha máxima de que todos querem mudança mas ninguém quer mu dar nunca pareceu tão evidente e segue adiando a possibilidade de uma boa reforma na qual os iguais pas sariam a pagar a mesma carga de tributos e os incentivos tributários seriam justificados pelos seus resultados Para enfim superarmos esse sistema tributário criado há mais de meio século precisaremos abdicar da utopia de que há uma melhor reforma tributária para todos Setor externo O aumento no volume importado supera as previsões para esse ano Lia Baker Valls Pereira O volume do comércio mundial recuou 53 entre 2019 e 2020 e deve aumentar em 8 em 2021 em re lação ao ano anterior segundo a Organização Mundial de Comércio OMC Na América do Sul houve queda de 45 e de 93 nas exportaçoes e importaçoes respectivamente entre 20192020 e aumento de 32 nas exportaçoes e de 81 nas importaçoes entre 20202021 3Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário afirma haver subestimação da estimativa de ganhos de arrecadação com a reforma da forma como estava proposta Ver httpsbitly3hCncDn 20 Boletim Macro Julho 2021 No Brasil a queda no volume exportado em 88 entre 20192020 foi maior do que a registrada para a re gião sulamericana no mesmo período mas a retração no volume importado em 31 ficou abaixo do resultado regional O Boletim Macro IBRE na edição de junho de 2021 estimou um aumento de 51 nas exportaçoes e de 61 nas importaçoes este ano No caso das exportaçoes uma variação no volume acima do projetado pela OMC para a América do Sul e nas importaçoes um resultado inferior ao da região No acumulado do ano até junho como mostra o Gráfico 8 o volume exportado aumentou 66 em relação a igual período de 2020 Nas importaçoes a variação foi de 207 O resultado para o volume sem plataformas é relativamente próximo 234 Gráfico 8 Variação nos índices de volume e preço das exportações e importações 469 98 140 426 427 252 66 51 207 234 Preço Volume Preço Volume Volume sem plataformas Exportações Importações jun21jun20 janjun21janjun20 Fonte httpcomexstatmdicgovbr Elaboração FGV IBRE ICOMEX Ressaltase a diferença entre o aumento nos preços exportados 252 e o das importaçoes 51 na com paração entre os primeiros semestres de 2020 e 2021 Essa diferença compensa a maior variação do volume importado em relação ao exportado o que resultado num crescimento de 35 no valor exportado em relação ao importado 265 Com esses dados o superávit do primeiro semestre de 2021 de US 367 bilhoes foi superior ao do mesmo período de 2020 US 223 bilhoes O desempenho das exportaçoes seguiu a mesma tendência analisada na edição do Boletim de junho A China lidera a contribuição para o aumento do superávit comercial Gráfico 9 A análise dos índices de volume e do preço exportado mostram porém que a elevação nos preços das commodities é o principal motor de crescimento das exportaçoes para a China Gráfico 10 Em contraste destacase o aumento no volume expor tado para a Argentina e demais países da América do Sul puxado pela venda de bens duráveis de consumo automóveis e veículos de transporte Julho 2021 Boletim Macro 21 Gráfico 9 Saldos da Balança Comercial em US bilhões 1º semestre de 2021 223 169 51 002 080 43 17 367 252 31 040 045 54 241 Global China Estados Unidos Argentina União Europeia Ásia exclusive China América do Sul exclusive Argentina janjun20 janjun21 Fonte Balança ComercialMinistério da Economia Gráfico 10 Variação nos índices de preços e volume por mercados janjunho 2020janjunho2021 Estados Unidos União Europeia 388 141 197 71 21 310 26 154 49 424 360 143 China Argentina Demais América do Sul Ásia Exclusive China e Oriente Médio Preços Volume Fonte httpcomexstatmdicgovbr Elaboração FGV IBRE ICOMEX As diferenças no desempenho por mercados se refletem na variação dos agregados das exportaçoes Ilustramos com os grupos de commodities e não commodities Gráfico 11 O aumento de 176 das não commodities explica a variação de 104 em termos de volume da indústria de transformação entre os dois primeiros semestres de 2020 e 2021 Para esse mesmo período a agropecuária registrou uma variação de 1 e a extrativa 80 Em termos de valor a comparação interanual do primeiro semestre entre 2020 e 2021 foi de 241 para as exportaçoes de agropecuária 778 na extrativa e 229 na indústria de transformação Esse resultado eviden cia novamente a influência do aumento de preços das commodities nos resultados deste ano 22 Boletim Macro Julho 2021 Gráfico 11 Variação no volume e no preço das exportações de commodities e de não commodities janjunho 2020janjunho2021 336 28 69 176 Preço Volume Preço Volume Commodities Não commodities Fonte httpcomexstatmdicgovbr Elaboração FGV IBRE ICOMEX Como se compoe o aumento das importaçoes Por tipo de indústria a maior variação no volume importado foi da indústria de transformação 210 se guido da extrativa 179 A agropecuária aumentou 61 A maior variação de preços se refere à agropecuária 157 Destacamos as importaçoes da indústria de transformação por categoria de uso Gráfico 12 Variação nos volumes importados das categorias de uso da indústria de transformação 472 467 1915 464 53 503 13 120 495 252 63 269 Bens de capital Bens de capital sem plataforma Bens de consumo duráveis Bens de consumo não duráveis Bens de consumo semiduráveis Bens intermediários jun21jun20 janjun21janjun20 Fonte httpcomexstatmdicgovbr Elaboração FGV IBRE ICOMEX Observase a variação de 1915 nas importaçoes de bens duráveis de consumo na comparação mensal e de 495 no acumulado do ano até junho Ao mesmo tempo para essa categoria a variação no volume ex portado foi de 1914 mensal e 794 comparação semestral Esse resultado indica um intenso comércio intraindústria nessa categoria impulsionado pela indústria automotiva Outra categoria a ressaltar nas importaçoes são os bens de capital Na comparação mensal não há diferen ça entre a inclusão ou não das plataformas No entanto a variação entre os dois primeiros semestres de 2020 Julho 2021 Boletim Macro 23 e 2021 foi de 120 sem as plataformas e uma queda em 13 com a inclusão das plataformas Em ediçoes anteriores já explicamos a mudança do regime do REPETRO que levou à internalização das plataformas entre 2018 e 2020 Nesse caso a queda pode ser explicada pelas importaçoes de plataformas em 2020 e o recuo dessas importaçoes via REPETRO em 20214 A comparação do volume importado pela indústria e a agropecuária confirma a recuperação do nível de atividade em 2021 Chama atenção as variaçoes na comparação interanual de junho com crescimento ao redor de 47 e 614 de compras de bens de capital para a indústria e a agropecuária respectivamente e de 229 e de 469 de bens intermediários para os setores citados na mesma ordem Gráfico 13 Variação no volume importado das máquinasequipamentos e de bens intermediários utilizados na agropecuária e na indústria 472 467 614 229 469 13 120 115 128 271 MaqEquip Indústria MaqEquip Indústria sem plataforma MaqEquip agropecuária Bens Intermediários para a agropecuária Bens intermediários para indústria jun21jun20 janjun21janjun20 Fonte httpcomexstatmdicgovbr Elaboração FGV IBRE ICOMEX Observase que câmbio não explica o aumento das importaçoes em 2021 É certo que estamos comparan do com uma base deprimida como a de 2020 mas já ressaltamos que a queda das importaçoes no Brasil foi menor que a média da América do Sul em 2020 Além disso o câmbio real efetivo embora tenha se valorizado em 05 entre junho de 20202021 ainda está desvalorizado em relação à cesta de moedas dos parceiros bra sileiros Ademais não se pode atribuir à questão das plataformas o aumento das importaçoes esse ano Em suma em termos de volume os resultados das importaçoes estão surpreendendo esste ano No en tanto com o aumento nos preços das commodities das exportaçoes continuamos a apostar num superávit em 2021 superior ao de 2020 podendo chegar a valores entre US 65 e US 70 bilhoes 4Para uma leitura sobre as implicaçoes dessas mudanças para a análise da taxa de investimento no Brasil ver Blog do IBRE de 21062021 artigo de Roberto Olinto e outros 24 Boletim Macro Julho 2021 Internacional Dilemas do FED Samuel Pessôa Após muitos anos em que foi difícil para o banco central americano o Federal Reserve ou simplesmente Fed atingir a meta de inflação foram seguidos anos de inflação abaixo da meta de 2 ao ano parece que os tempos de pressão desinflacionária ficaram para traz A forte recuperação da economia deve crescer 657 este ano impulsionada pelo maior pacote fiscal desde a 2º guerra conjuntamente com os choques inflacionários produzido pela epidemia principalmente o de falta de matéria primas com destaque para a carência de chips e seus impactos sobre a indústria de bens duráveis tem colocado a inflação bem acima da meta de 2 Acmulado em 12 meses Média 6 meses anualizada jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 mai21 jun21 jun21 CPI 10 13 14 12 12 14 14 17 26 42 50 54 74 Alimentação 41 41 39 39 37 39 38 36 35 24 22 24 40 Energia 112 90 77 92 94 70 36 24 132 251 285 245 311 Commodities energéticas 202 167 155 181 193 152 87 15 220 479 545 442 581 Serviços de energia 00 00 15 13 21 25 21 32 40 54 62 64 73 CPI ex alimentação e energia 16 17 17 16 16 16 14 13 16 30 38 45 60 Commodities ex alimentação e energéticas 05 04 10 12 14 17 17 13 17 44 65 87 127 Serviços ex serviços de energia 23 22 19 17 17 16 13 13 16 25 29 31 41 CPI ex alimentação e energia MM3 18 08 29 46 44 25 17 12 10 07 19 56 Média Aparada 16 CPI 23 24 23 22 21 21 20 20 21 24 26 29 36 Média Aparada 16 CPI anualizada 42 29 16 19 14 16 07 29 29 45 48 57 Média Aparada 16 CPI MM3 30 31 29 21 16 16 12 17 22 34 41 50 Mediana CPI 26 25 24 24 22 22 21 21 20 21 21 22 24 Mediana CPI anualizada 28 24 12 28 10 17 10 28 18 29 32 29 Mediana CPI MM3 25 23 21 21 16 18 12 18 19 25 26 30 A tabela acima apresenta a evolução da inflação nos EUA o IPCA deles conhecido por consumer price index CPI acumulada em 12 meses para os últimos 12 meses Na última coluna da tabela há a média das inflaçoes mensais para os últimos seis meses anualizada Finalmente em cada linha da tabela temos uma abertura diferente Como se vê na primeira linha da penúltima coluna a inflação roda a 54 bem acima da meta de 2 O nú cleo por exclusão dos alimentos e energia do CPI roda a 45 O Fed para operacionalizar seu regime de metas Julho 2021 Boletim Macro 25 de inflação acompanha a inflação dada pelo núcleo por exclusão do deflator implícito do consumo conhecido por PCE Não temos o dado do PCE para junho Ele fechou maio a 39 e em 34 no núcleo por exclusão Todas as medidas de inflação do parágrafo anterior referemse à inflação em 12 meses Medidas de mais curto prazo indicam pressão inflacionária adicional o que sugere que a inflação em 12 meses ainda subirá Por exemplo a tabela mostra que a média móvel trimestral com ajuste sazonal do núcleo do CPI por exclusão rodou em junho a 56 A média móvel trimestral para o núcleo de médias aparadas e da mediana fecharam junho respectivamente a 5 e 3 Na última coluna da tabela apresentamos a média das inflaçoes mensais anualizadas para os últimos seis meses A inflação mensal na média rodou a 74 ao ano e o núcleo por exclusão a 6 Não muito diferente dessa mesma estatística para o Brasil o IPCA na média para os primeiros seis meses rodou a 76 anualizado e o núcleo por exclusão a 49 A elevada inflação americana é fruto de choques Os choques afetaram um pouco os núcleos principalmen te o núcleo por exclusão Como vimos o núcleo por médias aparadas subiu um pouco e o núcleo da mediana está mais baixo A grande dúvida é se quando os choques passarem a inflação americana irá recuar ou estará rodando a partir de um nível mais alto Se não houver devolução e o fato de os núcleos estarem respondendo ao choque pode ser um sinal de que não haverá esse recuo é possível que o processo de subida da taxa de juros fique para bem mais cedo do que o segundo semestre de 2023 previsto atualmente pelo Fomc Em foco IBRE Mercado de trabalho continua fragilizado e a lenta recuperação do emprego ainda é uma grande preocupação Paulo Peruchetti Os eventos associados à pandemia da Covid19 elevaram de forma extraordinária o nível de incerteza em relação ao desempenho da economia e tiveram impactos negativos sobre a atividade econômica e em espe cial sobre o mercado de trabalho brasileiro O objetivo deste texto é fazer uma atualização destes impactos tomando como referência a recente divulgação feita pelo IBGE dos dados da Pnad Contínua que agrega os principais indicadores de mercado de trabalho permitindo assim uma análise completa do atual momento do emprego no país5 5O Banco Central publicou recentemente uma análise no Box do Relatório de Inflação de junho de 2021 mostrando alguns desafios pelos quais tem passado a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua PNAD Contínua por conta da mudança na forma de coleta de informaçoes de presencial para telefone em decorrência da pandemia que pode estar gerando uma redução da taxa de respostas especialmente nos grupos com indivíduos nas primeiras entrevistas a partir do segundo trimestre de 2020 Na análise cujo objetivo era identificar os efeitos da redução da taxa de respostas da PNAD Contínua em importantes indicadores econômicos da pesquisa concluiuse que o possível viés de seleção em variáveis observáveis ligadas à demografia não parece ter implicado mudanças relevantes em estimativas agregadas de ocupação e participação no mercado de trabalho O estudo pode ser acessado através do link a seguir httpswwwbcbgov brcontentrirelatorioinflacao202106ri202106b4ppdf 26 Boletim Macro Julho 2021 Começo a análise mostrando a queda sem precedentes do emprego iniciada em março de 2020 O Gráfico 14 mostra a evolução da taxa de crescimento mensalizada em relação ao mesmo mês do ano anterior da po pulação ocupada no Brasil6 Gráfico 14 Taxa de crescimento da população ocupada em e em relação ao mesmo mês do ano anterior Brasil 23 16 14 12 10 8 6 4 2 0 2 4 abr13 ago13 dez13 abr14 ago14 dez14 abr15 ago15 dez15 abr16 ago16 dez16 abr17 ago17 dez17 abr18 ago18 dez18 abr19 ago19 dez19 abr20 ago20 dez20 abr21 Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE dados mensalizados Podemos notar pelo Gráfico 14 que ao longo da recessão iniciada no segundo trimestre de 2014 e que durou até o quarto trimestre de 2016 houve forte redução do emprego no Brasil principalmente no final de 2016 quando as quedas observadas na população ocupada foram de quase 3 em relação ao mesmo mês do ano anterior Desde então a população ocupada no Brasil estava crescendo a taxas robustas chegando a apresentar um crescimento de 29 em maio de 2019 Podemos notar no entanto que após esse longo período de expansão da população ocupada houve a partir de março forte retração do emprego no país Após crescer 18 em fevereiro de 2020 em relação ao mesmo mês do ano anterior a população ocupada no Brasil apresentou queda de 25 em março 92 em abril 107 em maio 121 em junho chegando ao patamar de queda de 142 em julho a maior já observada ao longo da série histórica mensalizada superando largamente as quedas observadas ao longo da recessão de 201420167 6Diante do atual cenário de elevadas distorçoes causadas pelo avanço da pandemia do coronavírus as informaçoes de alta frequência são cada vez mais relevantes para que possamos entender os seus desdobramentos na economia brasileira Em função disso diversos pesquisadores tem estudado formas de mensalizar os indicadores da Pnad Contínua de modo a terem informaçoes mais precisas do atual momento do mercado de trabalho brasileiro eliminando assim os efeitos da média móvel presentes nas divulgações oficiais do IBGE e obtendo fatos estilizados para cada um dos meses Dentre estses trabalhos podemos citar o artigo proposto por Hecksher 2020 pesqui sador do IPEA e o trabalho proposto no Box do Relatório de Inflação de junho de 2020 divulgado pelo Banco Central que embora usem métodos diferentes encontram resultados similares Dada a relevância do atual cenário de elevada incerteza fazse necessário o esforço de desenvolvimento de técnicas que possam capturar os impactos mensais da pandemia no mercado de trabalho brasileiro 7Vale ressaltar que os resultados observados entre março e julho na série de emprego que considera a média móvel trimestral foram ate nuados devido à inclusão de meses cujo crescimento da população ocupada havia crescido de forma mais robusta ou caído menos Nessa série original por exemplo houve baixo crescimento do emprego em março de 2020 algo próximo a 04 em relação ao mesmo trimestre móvel do ano anterior e quedas de 34 75 107 e 123 em abril maio junho e julho respectivamente Já no trimestre móvel termi nado em abril de 2021 a queda do emprego foi de 37 quando comparada com o trimestre móvel terminado em abril de 2020 No ano de 2020 o recuo do emprego no Brasil foi de 79 Julho 2021 Boletim Macro 27 Desde então temos observado uma recuperação ainda muito lenta do emprego Em março de 2021 por exemplo a queda do número de pessoas ocupadas foi de 49 em comparação com o observado em março de 2020 Já em abril como era de se esperar houve forte reversão na dinâmica interanual da taxa de crescimen to de modo que nesse mês o emprego cresceu 23 em comparação com abril de 2020 Esse resultado no entanto deve ser interpretado com cautela tendo em vista a base de comparação muito desfavorável Outra forma de analisar a dinâmica do emprego é a partir dos dados dessazonalizados cujo crescimento toma como base o mês imediatamente anterior O Gráfico 15 apresenta a taxa de crescimento mensal da popu lação ocupada a partir dessa métrica Gráfico 15 Taxa de crescimento da população ocupada em e em relação ao mês imediatamente anterior e evolução da série com ajuste sazonal Fev2020100 Brasil Taxa de Crescimento em relação ao mês imediamente anterior 00 01 35 70 09 13 25 30 14 13 03 02 07 01 02 03 8 6 4 2 0 2 4 jan20 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 Evolução do emprego série com ajuste sazonal fev2020100 75 80 85 90 95 100 105 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE dados mensalizados 28 Boletim Macro Julho 2021 Quando analisamos o crescimento do emprego na margem é possível notar que o mês cuja queda foi mais dramática foi abril de 2020 cujo recuo em relação a março havia sido de 7 Os três meses subsequentes também foram de queda embora em patamar bem menor Entre agosto do ano passado e fevereiro deste ano temos observado taxas positivas de crescimento da população ocupada porém cada vez menores indicando desaceleração da recuperação do emprego Em março o emprego apresentou recuo de recuou 02 seguido de ligeira elevação de 03 em abril Esses resultados apontam uma lenta recuperação que fica ainda mais visível quando analisamos o grá fico que compara o emprego com o observado no período prépandemia fev2020 Em particular os dados sugerem que em abril o emprego ainda se encontrava cerca de 81 abaixo do nível observado em feverei ro do ano passado Ou seja apesar do forte crescimento interanual o emprego ainda não se recuperou de forma robusta Diante dos fatos apresentados entender os fatores que explicam a forte queda do emprego e sua lenta recuperação ajuda a traçar os diagnósticos corretos da situação atual do mercado de trabalho no Brasil Em primeiro lugar vale destacar que a redução de emprego foi generalizada e atingiu praticamente todos os setores da economia A Tabela 3 a seguir apresenta a mudança no padrão de crescimento dos setores da economia observada em 2020 Tabela 3 Taxa de crescimento da população ocupada e alocação setorial do emprego Setor Variação do Emprego 20172019 aa Peso no total do emprego em 2019 Variação do Emprego em 2020 Peso no total do emprego em 2020 Agropecuária 03 91 25 96 Industria 04 200 96 196 Extrativa Mineral 24 05 07 05 Indústria de Transformação 11 114 77 114 Construção 09 72 125 68 SIUP 10 09 141 09 Serviços 23 709 80 707 Comércio 07 189 96 186 Transporte 33 53 95 52 Serviços de Informação 28 14 46 16 Intermediação Financeira 17 14 21 15 Outros Serviços 34 322 121 307 Serviços Imobiliários 14 06 25 07 APU 14 111 45 126 Total 17 1000 79 1000 Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE dados mensalizados Os dados mostram que entre 2017 e 2019 com exceção da agropecuária e da construção civil que recua ram 03 aa e 09 aa respectivamente todos os outros setores tiveram aumento de emprego com desta Julho 2021 Boletim Macro 29 que para transporte e outros serviços cujas altas foram de 33 aa e 34 aa respectivamente No entanto com o agravamento da pandemia em 2020 essa situação mudou drasticamente dado que com exceção da administração pública e dos serviços de informação que apresentaram alta no emprego de 45 e 46 respec tivamente todos os outros setores sofreram com quedas fortes no número de pessoas ocupadas Setores importantes como construção transporte e outros serviços que inclui serviços prestados às fa mílias e serviços domésticos dentre outras atividades foram particularmente afetados apresentando quedas no emprego de 125 95 e 121 respectivamente A queda de emprego nesses setores que foram os menos produtivos da economia em 2020 esteve alinhada com a queda no nível de atividade econômica nesses segmentos tendo em vista que em 2020 eles também apresentaram as maiores quedas de valor adicionado 7 no caso da construção 92 no caso do setor de transportes e 121 nos outros serviços quando com parados com setores de produtividade mais elevada como intermediação financeira serviços de informação e serviços imobiliários tal como exposto no Gráfico 168 Gráfico 16 Taxa de crescimento setorial da população ocupada e do valor adicionado em 2020 em relação ao ano anterior Brasil Agropecuária Ext Mineral Transformação Construção SIUP Comércio Transporte Serv Inform Intermed Financ Outros Serv Serv Imob APU 20 15 10 5 0 5 10 14 12 10 8 6 4 2 0 2 4 6 Variação do emprego Variação do Valor Adicionado Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE e das Contas Nacionais Trimestrais Além disso em 2020 enquanto no agregado da indústria a queda da população ocupada foi de 96 no agregado do setor de serviços em que a alocação de mão de obra gira em torno de 70 e o emprego vinha crescendo 23 entre 2017 e 2019 a queda da população ocupada foi de 8 Em particular a lenta recuperação do emprego ao longo de 2021 devese principalmente à recuperação anêmica que tem ocorrido no setor de serviços tal como apresentado no Gráfico 17 8Essas mudanças na composição do emprego e dos setores da economia tendem a elevar a produtividade média da economia Esse tema foi discutido em detalhes na nota de resultados dos indicadores de produtividade do trabalho para o ano de 2020 divulgado recentemente no Observatório da Produtividade Regis Bonelli e que pode ser acessado através do link httpsibrefgvbrsitesibrefgvbrfilesarquivos u65relatorioanualptfinalpdf 30 Boletim Macro Julho 2021 Gráfico 17 Taxa de crescimento da população ocupada na indústria e no setor de serviços em e em relação ao mesmo mês do ano anterior e evolução da série com ajuste sazonal Fev2020100 Brasil Taxa de Crescimento YoY 20 15 10 5 0 5 10 abr13 ago13 dez13 abr14 ago14 dez14 abr15 ago15 dez15 abr16 ago16 dez16 abr17 ago17 dez17 abr18 ago18 dez18 abr19 ago19 dez19 abr20 ago20 dez20 abr21 Indústria Serviços Série com ajuste sazonal Fev2020100 80 85 90 95 100 105 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 Indústria Serviços Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE dados mensalizados Podemos notar que ao longo da recessão iniciada no segundo trimestre de 2014 e que durou até o quarto trimestre de 2016 houve forte redução do emprego na indústria no Brasil principalmente no final de 2016 quan do as quedas observadas foram de quase 10 em relação ao mesmo mês do ano anterior Após esse período foi possível notar desaceleração nas quedas do emprego de modo que entre o final de 2016 e meados de 2019 elas foram ficando progressivamente menores tendo inclusive havido crescimento levemente positivo em alguns meses Entre junho de 2019 e fevereiro de 2020 o emprego na indústria estava crescendo de forma robusta chegando a alcançar o patamar de 39 em janeiro de 2020 Desde março do ano passado no entanto a população ocupada na indústria despencou e interrompeu o ciclo de crescimento que estávamos vendo desde meados de 2019 Em julho de 2020 por exemplo a queda do emprego em relação ao mesmo mês do ano anterior foi de 177 a maior já observada na série histórica Desde então temos visto desaceleração nas quedas do emprego alocado nesse setor chegando em março de 2021 a se registrar crescimento de 05 seguido de elevação de 49 em abril Essa melhora no crescimento interanual no entanto não foi suficiente para recompor a perda causada pela pandemia de modo que na in dústria o emprego ainda se encontra 103 abaixo do nível observado em fevereiro de 2020 Julho 2021 Boletim Macro 31 No setor de serviços o principal da economia que concentra cerca de 70 do emprego gerado no país as medidas de distanciamento social necessárias para a contenção do vírus levaram a população ocupada a apresentar forte redução iniciada em março de 2020 Nesse mês o emprego no setor de serviços havia recuado cerca de 1 Em abril maio junho e julho de 2020 as quedas ficaram bem mais intensas de modo que nesses meses o emprego recuou em relação ao mesmo mês do ano anterior 85 107 e 115 e 145 respectivamente Para se ter uma ideia do que isso significa ao longo da recessão observada entre 2014 e 2016 que havia sido o pior momento do setor até então em termos de emprego a população ocupada não chegou a apresentar quedas nesse patamar Entre julho de 2020 e março de 2021 foi possível notarmos desaceleração nas quedas do emprego alocado no setor de serviços indicando uma lenta recuperação da mão de obra Já em abril houve crescimento de 06 no emprego do setor de serviços quando comparado com abril do ano passado Esse resultado embora positivo precisar ser interpretado com cautela pois está sendo influen ciado pela péssima base de comparação abril de 2020 Em particular essa elevação interanual observada em abril de 2021 não foi capaz de recuperar toda a perda de emprego no setor de serviços causada pela pandemia Isso fica evidente quando analisamos o gráfico que mostra a série com ajuste sazonal tendo como referência fevereiro de 2020 Nesse gráfico é possível notar que o emprego no setor de serviços ainda se encontra em um patamar muito baixo 86 menor quando comparado com o período prépandemia dificultando ainda mais a recuperação do emprego total da economia que depende muito da recuperação desse setor A forte queda de emprego observada no setor de serviços e na indústria em particular na construção civil pode estar associada à elevada informalidade presente nestes setores9 A queda no emprego informal por exemplo foi determinante para queda do emprego observada desde março de 2020 como veremos no gráfico a seguir Gráfico 18 Taxa de crescimento da população ocupada alocada em ocupações formais e informais em e em relação ao mesmo mês do ano anterior e Série com ajuste sazonal Fev2020100 Brasil10 Taxa de Crescimento YoY 25 20 15 10 5 0 5 10 15 abr17 ago17 dez17 abr18 ago18 dez18 abr19 ago19 dez19 abr20 ago20 dez20 abr21 Formal Informal 9No setor de serviços e na construção civil a taxa de informalidade foi em 2020 próxima de 365 e 683 respectivamente 10Veloso Matos e Peruchetti 2020 detalharam o comportamento do emprego informal e formal bem como sua contribuição para o cres cimento do emprego ao longo das recessoes desde meados da década de 1990 Os autores concluíram que o padrão recente de recupe ração do mercado de trabalho caracterizado pelo aumento expressivo da informalidade é diferente do verificado em outros períodos de recuperação da economia Para maiores detalhes acesse o texto no link httpsibrefgvbrsitesibrefgvbrfilesarquivosu65padraodere cuperacaodoempregoaposaultimarecessaoesuarelacaocomaprodutividadedotrabalhofinal16032020pdf 32 Boletim Macro Julho 2021 Série com ajuste sazonal Fev 2020100 80 85 90 95 100 105 fev20 mar20 abr20 mai20 jun20 jul20 ago20 set20 out20 nov20 dez20 jan21 fev21 mar21 abr21 Formal Informal Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE dados mensalizados Desde o final da recessão de 20142016 a contribuição da informalidade para a recuperação do emprego foi muito elevada destoando inclusive do padrão observado em recessoes anteriores11 O avanço da pandemia do coronavírus no entanto levou à forte destruição do emprego informal ainda mais elevada do que a obser vada no emprego formal Este último por exemplo apresentou expressivo recuo de 95 em julho de 2020 quando comparado com o mesmo mês do ano anterior Após essa queda temos notado grande dificuldade de recuperação do emprego formal Em particular em abril de 2021 a queda do emprego formal foi de 31 em comparação com o mesmo mês do ano passado Já a população ocupada no setor informal que em fevereiro de 2020 havia crescido 22 apresentou em março queda de 67 em relação ao mesmo mês do ano anterior além de nova redução de 172 em abril e recuo de 182 em maio Desde meados do ano passado no entanto temos observado desaceleração nas quedas do emprego informal dada a maior flexibilidade que esses trabalhadores têm para voltar ao mercado de trabalho Em particular após atingir a maior queda em junho de 2020 208 os recuos observados no emprego informal foram ficando cada vez menores até atingir 49 em março de 2021 Em abril houve forte reversão na dinâmica do crescimento interanual do emprego informal de modo que nesse mês houve significa tiva elevação de 105 quando comparado com abril de 2020 A recuperação mais rápida do emprego informal fica ainda mais evidente quando analisamos a evolução da série com ajuste sazonal a partir do índice que toma como ponto de partida fevereiro de 2020 O gráfico mostra que após a forte queda ocorrida entre fevereiro e abril tem havido uma recuperação mais rápida do emprego in formal quando comparada com o emprego formal que tem apresentado mais resistência em recuperar as perdas dos meses anteriores embora ambos ainda estejam em patamares inferiores ao período prépandemia Mesmo com o forte crescimento interanual do emprego informal em abril de 2021 ainda não houve plena recuperação tendo em vista que se encontra 102 abaixo do nível observado no período prépandemia Além disso podemos notar também que o emprego formal se encontra 66 abaixo 11Veloso Matos e Peruchetti 2020 detalharam o comportamento do emprego informal e formal bem como sua contribuição para o cres cimento do emprego ao longo das recessoes desde meados da década de 1990 Os autores concluíram que o padrão recente de recupe ração do mercado de trabalho caracterizado pelo aumento expressivo da informalidade é diferente do verificado em outros períodos de recuperação da economia Para maiores detalhes acesse o texto no link httpsibrefgvbrsitesibrefgvbrfilesarquivosu65padraodere cuperacaodoempregoaposaultimarecessaoesuarelacaocomaprodutividadedotrabalhofinal16032020pdf Julho 2021 Boletim Macro 33 Por fim outra característica marcante desta pandemia foi o grande impacto negativo nas ocupaçoes de escolaridade mais baixa O Gráfico 19 mostra a taxa de crescimento em relação ao mesmo trimestre do ano anterior do emprego por nível educacional Gráfico 19 Taxa de crescimento da população ocupada alocada por nível educacional em e em relação ao mesmo trimestre do ano anterior Brasil 25 20 15 10 5 0 5 10 15 2013q1 2013q2 2013q3 2013q4 2014q1 2014q2 2014q3 2014q4 2015q1 2015q2 2015q3 2015q4 2016q1 2016q2 2016q3 2016q4 2017q1 2017q2 2017q3 2017q4 2018q1 2018q2 2018q3 2018q4 2019q1 2019q2 2019q3 2019q4 2020q1 2020q2 2020q3 2020q4 2021q1 Sem Instrução e Fundamental Incompleto Fundamental Completo e Médio Incompleto Médio Completo e Superior Incompleto Superior Completo Elaboração do FGV IBRE com base nos dados da Pnad ContínuaIBGE Os dados sugerem que as ocupaçoes de baixa escolaridade foram particularmente afetadas com redução de 171 e 148 no emprego de pessoas sem instrução e com ensino fundamental incompleto e pessoas com ensino fundamental completo e ensino médio incompleto respectivamente Por outro lado houve em 2020 um aumento de 55 no emprego de pessoas com ensino superior completo No primeiro trimestre de 2021 o padrão de redução no emprego se manteve o mesmo do observado no ano passado de modo que os trabalhadores com menor escolaridade continuaram a ser mais afetados redu ção de 152 e 81 no emprego de pessoas sem instrução e com ensino fundamental incompleto e pessoas com ensino fundamental completo e ensino médio incompleto respectivamente em comparação com aqueles que possuem ensino superior completo alta de 48 Essa mudança na composição da mão de obra conforme tem sido amplamente debatido no Observató rio da Produtividade Regis Bonelli pode inclusive ajudar a explicar a elevação atípica da produtividade do trabalho observada desde meados do ano passado que precisa ser interpretada com bastante cautela já que pode estar refletindo a profunda mudança no mercado de trabalho decorrente da pandemia que conforme já mencionado afetou principalmente trabalhadores de baixa produtividade especialmente os informais e de baixa escolaridade12 Em particular os trabalhadores de menor escolaridade provavelmente terão grande dificuldade de inser ção na força de trabalho devido ao avanço de tecnologias que favorecem os trabalhadores mais qualificados 12Este tema foi amplamente debatido na nota de resultados dos indicadores trimestrais de produtividade do primeiro trimestre de 2020 que pode ser acessada no Observatório da Produtividade Regis Bonelli através do link a seguir httpsibrefgvbrsitesibrefgvbrfilesarquivos u65indicadorestrimestraisdeprodutividadedotrabalho1t2021finalpdf 34 Boletim Macro Julho 2021 como o aumento do trabalho remoto reforçando ainda mais a necessidade de capacitação da mão de obra para o mercado de trabalho13 Além disso num ambiente de incerteza elevada como ocorreu após a recessão de 20142016 os empre sários postergam investimentos e contrataçoes formais Em função disso a recuperação do emprego desde o fim da recessão em 2016 ocorreu por meio do aumento na participação de atividades informais de baixa pro dutividade14 Este grau de incerteza provavelmente continuará alto devidos aos riscos fiscais e turbulências políticas que tendem a aumentar em 2022 com uma eleição presidencial fortemente polarizada Diante disso a recuperação do mercado de trabalho deverá ocorrer principalmente por meio de ocupaçoes informais que são em média menos produtivas reproduzindo o padrão observado no período anterior a pandemia Referência Hecksher Marcos Valor Impreciso por Mês Exato Microdados e Indicadores Mensais Baseados na PNAD Con tínua Nota Técnica 62 IPEA 2020 Relatório de Inflação Estimativa para dados mensalizados da PNAD Contínua Volume 22 nº 2 Banco Central do Brasil 2020 13Este tópico foi tema de discussão no FGV IBRE cujo material foi publicado pelo Jornal Valor Econômico e pode ser acessado pelo link httpsvalorglobocombrasilnoticia20210604nem20teminfraestruturaparahomeofficeghtml A reportagem mostra que entre os que terminaram o ensino superior o potencial de teletrabalho chega a 624 dos trabalhadores ou 529 quando ajustado pela existência de uma infraestrutura mínima de trabalho que inclui acesso à energia internet e computador Para quem terminou o ensino médio mas não concluiu um curso superior os percentuais são de 237 e 148 respectivamente Já os trabalhadores menos escolarizados são os mais desfavorecidos no quesito tendo em vista que somente 65 entre os que possuem fundamental incompleto podem realizar o trabalho à distância e só 15 possui a infraestrutura para tanto 14Este tema foi discutido em artigo de Veloso Matos e Peruchetti disponível no Observatório da Produtividade Regis Bonelli Acesse o texto completo através do link httpsibrefgvbrsitesibrefgvbrfilesarquivosu65padraoderecuperacaodoempregoaposaultima recessaoesuarelacaocomaprodutividadedotrabalhofinal16032020pdf OBSERVATÓRIO DA PRODUTIVIDADE REGIS BONELLI Uma medida de força para a economia O FGV IBRE elegeu a produtividade como uma das preocupações centrais para o debate sobre o desenvolvimento do país O site Observatório da Produtividade Regis Bonelli reúne uma ampla base de dados sobre a produtividade fornecendo informações para uma maior compreensão do tema e contribuindo para a formulação de políticas públicas que possam impulsionar o crescimento Acesse o site Observatório da Produtividade Regis Bonelli Disponível em versão mobile e desktop httpsfgvbribreobservatorioprodutividade Instituto Brasileiro de Economia Diretor Luiz Guilherme Schymura de Oliveira Vicediretor Vagner Ardeo Coordenador de Economia Aplicada Armando Castelar Pinheiro Boletim Macro IBRE Coordenação geral e técnica Silvia Matos Revisão editorial Fernando Dantas Editoria de arte Marcelo Nascimento Utrine Equipe Permanente Aloisio Campelo Jr André Braz Armando Castelar Pinheiro Daniel Duque José Júlio Senna Juliana Damasceno Lia Valls Pereira Livio Ribeiro Marina Garrido Matheus Rosa Ribeiro Mayara Santiago Samuel Pessôa Viviane Seda Advertência As manifestações expressas por integrantes dos quadros da Fundação Getulio Vargas nas quais constem a sua identificação como tais em artigos e entrevistas publicados nos meios de co municação em geral representam exclusivamente as opiniões dos seus autores e não necessariamente a posição institucional da FGV Este Boletim foi elaborado com base em estudos internos e utilizando dados e análises produzidos pelo IBRE e outros de conhecimento público com informações atualizadas até 20 de julho de 2021 O Boletim é direcionado para clientes e investido res profissionais não podendo o IBRE ser responsabilizado por qualquer perda direta ou indiretamente derivada do seu uso ou do seu conteúdo Não pode ser reproduzido distribuído ou pu blicado por qualquer pessoa para quaisquer fins Instituição de caráter técnicocientífico educativo e filantrópico criada em 20 de dezembro de 1944 como pessoa jurídica de direito privado tem por finalidade atuar no âmbito das Ciências Sociais particularmente Economia e Administração bem como contribuir para a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável Praia de Botafogo 190 CEP 22250900 Rio de Janeiro RJ Caixa Postal 62591 CEP 22257970 Tel 21 37994747 Primeiro Presidente e Fundador Luiz Simões Lopes Presidente Carlos Ivan Simonsen Leal Vicepresidentes Francisco Oswaldo Neves Dornelles licenciado Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque Conselho Diretor Presidente Carlos Ivan Simonsen Leal Vicepresidentes Francisco Oswaldo Neves Dornelles licenciado Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque Vogais Armando Klabin Carlos Alberto Pires de Carvalho e Albuquerque Cristiano Buarque Franco Neto Ernane Galvêas José Luiz Miranda Lindolpho de Carvalho Dias Marcílio Marques Moreira Roberto Paulo Cezar de Andrade Suplentes Aldo Floris Antonio Monteiro de Castro Filho Ary Oswaldo Mattos Filho Eduardo Baptista Vianna Gilberto Duarte Prado José Ermírio de Moraes Neto Marcelo José Basílio de Souza Marinho Conselho Curador Presidente Carlos Alberto Lenz César Protásio Vicepresidente João Alfredo Dias Lins Klabin Irmãos Cia Vogais Alexandre Koch Torres de Assis Jorge Irribarra Souza Cruz SA Antonio Alberto Gouvêa Vieira Carlos Eduardo de Freitas Cid Heraclito de Queiroz Eduardo M Krieger Estado da Bahia Estado do Rio de Janeiro Estado do Rio Grande do Sul José Carlos Cardoso IRBBrasil Resseguros SA Luiz Chor Luiz Ildefonso Simões Lopes Marcelo Serfaty Marcio João de Andrade Fortes Miguel Pachá Isaac Sidney Menezes Ferreira Federação Brasileira de Bancos Pedro Henrique Mariani Bittencourt Ronaldo Vilela Sindicato das Empresas de Seguros Privados de Previdência Complementar e de Capitalização nos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo Willy Otto Jordan Neto Suplentes Almirante Luiz Guilherme Sá de Gusmão Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo General Joaquim Maia Brandão Júnior José Carlos Schmidt Murta Ribeiro Leila Maria Carrilo Cavalcante Ribeiro Mariano Luiz Roberto Nascimento Silva Manoel Fernando Thompson Motta Filho Solange Srour Banco de Investimentos Crédit Suisse SA Olavo Monteiro de Carvalho Monteiro Aranha Participações SA Patrick de Larragoiti Lucas Sul América Companhia Nacional de Seguros Ricardo Gattass Rui Barreto Instituto Brasileiro de Economia Diretor Luiz Guilherme Schymura de Oliveira Vicediretor Vagner Laerte Ardeo Superintendência de Estatísticas Públicas Aloisio Campelo Junior Superintendência de Infraestrutura e Mercados Governamentais Túlio Barbosa Superintendência de Inovação e Mercados Pedro Guilherme Ferreira Superintendência de Pesquisa Dados e Operação André Lavinas Superintendência de Economia Aplicada Armando Castelar Superintendência de Publicações Claudio Roberto Gomes Conceição Superintendência de Gestão Estratégica e Organizacional Joana Braconi CONJUNTURA ECONÔMICA FGV IBRE BIBLIOTECA VIRTUAL São 130 mil páginas escritas pelos maiores especialistas de cada época com a visão técnica e analítica do momento Cada palavra foi indexada inclusive pelos mecanismos de busca para que você encontre em segundos o que pesquisa via desktop e mobile JUSCELINO KUBITSCHEK 50 anos em 5 O MILAGRE ECONÔMICO Conheça sua evolução HIPERINFLAÇÃO 100 ao mês Como sobrevivemos O que deu certo e o que deu errado Como chegamos a ela Como saímos dela PRIVATIZAÇÃO DA TELECOMUNICAÇÃO O que mudou LICITAÇÕES DO PETRÓLEO Como foram na época O que podemos inferir para as atuais BREXIT Impactos na estabilidade da União Européia ESTÁ TUDO AQUI SÃO MAIS DE 12 MIL ACESSOS POR MÊS VISITE PESQUISE E TENHA UMA NOVA VISÃO DO PASSADO ACESSE AGORA E PESQUISE EM TODO O CONTEÚDO DA REVISTA fgvbribrebibliotecavirtual Selecione pontualmente ou pesquise em todas as 7 décadas de uma só vez VOCÊ PODE TER ESTES RECURSOS EM SEUS DOCUMENTOS Acesse agora wwwdocprocombr e veja como é simples e rápido encontrar a informação que precisa dentro dos seus documentos A gestão do conhecimento Docpro é eficaz tanto para impressos atas relatórios contratos revistas etc bem como para materiais digitais doc pdf fotos WhatsApp planilhas etc Acessível para consulta no computador tablet ou smartphone Tecnologia docprocombr tecnologiadocpro Para edições anteriores acesse httpsportalibrefgvbrboletimmacro Caros alunos Em anexo vocês encontrarão dois os mais recentes Boletins Macroeconômicos do IBREFGV exibidos em aula O aluno deverá ler os sumários executivos seção de abertura de ambos os textos com atenção Em seguida deverá escolher um tópicoseção apenas um tal como inflação atividade econômica emprego contas públicas contas externas etc A partir dessa escolha sua tarefa será redigir uma reflexão crítica original comparando como a análise do tópico evoluiu entre os dois documentos destacando semelhanças contrastes eou aspectos aparentemente contraditórios Além disso você deverá pesquisar na mídia portais de notícias tv revistas relatórios econômicos podcast mais uma fonte que trate do mesmo tema O objetivo é enriquecer a análise confrontandoa com os Boletins do IBREFGV Destaque igualmente aspectos complementares coincidentes ou aparentemente contraditórios trazidos por essa terceira fonte fazendo um contraponto Atenção Não se limite a reproduzirresumir os textos e as fontes consultados em seu trabalho pois o próprio EClass faz o controle de originalidade dos conteúdos postados pelos alunos Também não apresente tãosomente uma sequência de bullets pois isso não é um texto e a atividade não está sendo proposta a entrega de uma apresentação em ppt Por fim escreva obrigatoriamente uma breve seção de conclusõesReflexão destacando seu entendimento pessoal do tópico analisado 2 paragrafos seria suficiente Bom trabalho Comparativos boletim macroeconômico FGV julho 2021 maio 2022 Os boletins macro da FGV são realizados mensalmente e neste trabalho comparamos o boletim 121 de julho de 2021 e 131 de maio de 2022 A FGV compara em seus boletins a evoluçãoinvolução aspectos macroeconômicos tais como Atividade econômica expectativas de empresários e consumidores mercado de trabalho inflação e política monetária Para este trabalho foi escolhido o tema inflação afinal a sua expressão medida em valores expressa o comportamento da economia na variação de preços ao longo de dois períodos Para fins de consulta externa apresentamos o site httpswwwpoder360combreconomiainflacaodobrasilea4amaior dog20textO20Brasil20tem20a204C2AAR C3BAssia20172C825 onde poderemos fazer uma comparação com os boletins macroeconômicos apresentados Certamente devemos levar em consideração a pandemia da Covid19 que assola o mundo desde o início de 2020 e que seguramente influencia os países de econômicas mais dependentes ou também países dos ditos emergentes Numa atividade econômica qualquer País sempre estará vulnerável a variáveis não controláveis e países como o Brasil dependentes de capital externo acabam tendo maiores dificuldades em retomar a sua atividade econômica Pois bem no comparativo temos que em julho de 2021a inflação foi impulsionada pela alta dos combustíveis e energia elétrica e o reflexo do aumento de preços na estrutura produtiva de cerca de 70 também pressionou o IPCA aliadas a crise global pandêmica a expectativa em maio de 2021 era de que a inflação superasse a meta do governo o que ocorreu pois o governo teve de ajustar seu índice meta Já o boletim de maio de 2022 aponta que apesar da desaceleração do IPCA em abril as pressões inflacionárias continuarão a castigar nosso País Mesmo que exista uma expectativa na desaceleração dos índices no IPCA esta ainda será muito lenta e agora temos a nova pressão causada pelo impacto da guerra RússiaUcrânia e a volta da Covid19 na China junto a novas desmobilizações da cadeia produtiva gerando possíveis impactos nesta desaceleração da inflação Os artigos sobre a inflação são assinados pelo economista André Braz e tivemos o comparativo entre os dois boletins apresentados Segundo o economista em 2021 os preços que fazem parte do cálculo da administração seguiriam em sentido ascendente dentre eles o aumento de medicamentos e combustíveis e energia elétrica Realmente o aumento dos medicamentos pressionou a alta inflacionária pois a pandemia aumentou a demanda que estava escassa pressionando os preços para cima os combustíveis dado o tipo de precificação que acompanha os preços inflacionários não resistiram a pressão de preços e a pequena oferta e mesmo com a demanda diminuída tiveram significativa alta além da energia que passou 2021 com a bandeira tarifária vermelha provocada pela crise energética Em 2022 segundo o boletim haveria ausência de novos reajustes na gasolina não ocorreu e a prática da bandeira verde na energia ajudariam a reduzir o ritmo de crescimento da inflação A energia apesar da previsão sobre os custos de produção teve estes alimentados em seu preço mas atenuados pela volta da bandeira verde reduzindo um pouco a pressão inflacionária Segundo o boletim de 2021 anda sobre os combustíveis acabaram por trazer contribuição na formação do índice inflacionário Quanto aos planos de saúde a queda nos preços amenizou o aumento da inflação para os meses seguintes mas mesmo assim havia em julho de 2021 a expectativa de fechamento da inflação para o final do ano em 72 mas acabou em 1006 fonte httpsagenciabrasilebccombreconomianoticia202201ibgeinflacao medidapeloipcafecha2021comaltade1006textPublicado 20em20112F012F2022102C062520em202021 O que o economista não previu foram as altas na habitação alimentação e bebidas Já para o boletim de maio o economista acrescenta a manutenção desta taxa em dois dígitos e informa que a desaceleração será muito lenta e abaixo da previsão feita para o início de 2022 Segundo o economista a bandeira verde na energia e ausência de reajustes favoreceriam o recuo da inflação e o diesel teria impacto modesto no IPCA mesmo assim encareceria os fretes e transportes pelo repasse aos custos e despesas encarecendo outros produtos e serviços que possuem peso no IPCA O autor sustenta sua tese de 2021 onde energia e combustíveis respondes pela inflação dos últimos meses Alimentos bens duráveis e serviços também tem alta contínua e generalizada sendo as commodities afetadas pela pressão da guerra UcrâniaRússia e sazonalidade do leite ajudando a manter a inflação nos dois dígitos Novamente o grupo transportes tem o destaque negativo e os custos de produção de serviços e bens duráveis mantém a inflação acumulada e persistente A tendência de inflação que me 2021 era pela incerteza da pandemia e baixa atividade produtiva foi apontada pelo autor em 2022 como prejudicial pela incerteza da guerra ucrâniaRússia a volta da Covid 19 na China e o risco de novas desmobilização da cadeia produtiva Aponta o autor que tensões políticas a serem causadas pelas eleições e a incerteza sobre a condução da política fiscal para 2023 também ampliam temores sobre inflação que poderão ficar acima da meta Tanto em 2021 como em 2022 o CUPOM aumentou a taxa SELIC para tentar conter o consumo e reduzir os preços Comparativo Segundo o site pesquisado dos países do G20 o Brasil possui a quarta maior inflação apurada e a alta acumulada dos últimos 12 meses até abril de 2022 chega a 121 Segundo o site mesmo que o País mantenha índices altos de inflação outros países têm elevado os seus índices e os economistas entrevistados traçam um cenário mais otimista de estagnação da inflação Eles citam como causadores da inflação o preço das commodities a crise na cadeia produtiva e a guerra RússiaUcrânia Segundo os economistas do sítio a demanda maior que a oferta pressiona os preços e este item não foi abordado pelo Dr André em seu boletim a pandemia fez com que houvesse uma forte expansão monetária e fiscal e os reflexos da crise energética ainda são responsáveis pela inflação Como consequência o Brasil aumenta a taxa de juros na expectativa de restringir crédito O site consultado também corrobora com a ideia de que a inflação se manterá na casa dos dois dígitos e feche o ano em alta mas com uma leve desaceleração Ainda assim a inflação de abril foi de 106 a maior para o período desde 1996 Os boletins e o site pesquisado convergem sobre o aumento de combustível commodities energia convergem sobre a alta inflacionária e no aumento da taxa de juros como tentativa de frear o consumo e reduzir a demanda convergem nas pressões externas causados pelo conflito bélico e pela crise na cadeia produtiva Ambos entendem que existira uma redução na inflação mas que ele fechará nos dois dígitos e acima da meta do governo ConclusãoReflexão Entendo que em momentos de crise mundial nosso País demonstra toda a sua fragilidade O Brasil é extremamente dependente de capital externo de importação e necessita muito que suas fronteiras estejam em uma situação de normalidade Somos exportadores primários grandes produtores porém sofremos muitas restrições por não estarmos sem poder de negociação O que oferecemos de reservas setor primário agro e pecuária são produtos que sofrem muita especulação e que nossa cadeia produtiva acaba se tornando refém da política de preços mundial Quando tensões acerca de crises sanitárias COVID e crises bélicas se avizinham acabamos de ter que suportar pressão inflacionária pois não temos muito o que oferecer em troca e nossa capacidade de importação acaba sendo influenciada pela pressão de preços Aliado a isto ainda tivemos a crise energética e a política de preços de combustíveis que entendo ser equivocada acaba nos deixando com alta nos preços e tendo d buscar no aumento da taxa SELIC uma expectativa de frear consumo e reduzir os preços então incorremos no desemprego e baixa atividade produtiva o que também pressiona preços afinal necessidades básicas precisam ser sanadas alimentação remédios vestuários e então estes itens pressionam novamente a inflação Acredito que fecharemos nos dois dígitos mas acima do que os economistas preveem e que talvez uma pacificação na guerra e o fim da pandemia possa nos dar um alento e a volta de nossa capacidade produtiva e poder de negociação

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