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Mestrado em Marketing e Big Data TÍTULO DA DISSERTAÇÃO Rotatividade e pejotização entre profissionais de marketing no Brasil construção de um índice de precarização 20192024 Dissertação para a obtenção do grau de Mestre em Marketing e Big Data Apresentado por Mariana Teixeira Bastos BRMMMDBD5507549 Orientador Dra Porto AlegreRS BRASIL 2025 AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar COMPROMISSO DO AUTOR Eu Mariana Teixeira Bastos portadora do documento de identidade 1076807419SSPRS e aluno do programa acadêmico Mestrado em Marketing e Big Data declaro que O conteúdo do presente documento é um reflexo do meu trabalho pessoal e manifesto que diante de qualquer notificação de plágio cópia ou prejuízo à fonte original sou responsável direto legal financeira e administrativamente sem afetar o Orientador do trabalho a Universidade e as demais instituições que colaboraram neste trabalho assumo total responsabilidade pelas consequências decorrentes de tais práticas Porto Alegre junho de 2025 Att Direção Acadêmica Venho por meio desta autorizar a publicação eletrônica da versão aprovada de minha dissertação com título Rotatividade e pejotização entre profissionais de marketing no Brasil construção de um índice de precarização 20192024 no Campus Virtual e em outras mídias de divulgação eletrônica desta Instituição Informo abaixo os dados para descrição do trabalho Título Rotatividade e pejotização entre profissionais de marketing no Brasil construção de um índice de precarização 20192024 Autor Mariana Teixeira Bastos Resumo Nos últimos anos o mercado de marketing brasileiro tem sido profundamente transformado pela digitalização e pela adoção de novos formatos de vínculo empregatício A crescente rotatividade de profissionais e a pejotização de contratos revelam um cenário de instabilidade e precarização especialmente em startups e agências digitais Embora o tema apareça com frequência em reportagens e fóruns especializados carece de dados empíricos sistematizados que mensurem sua extensão e determinantes Este estudo propõe a construção de um Índice de Precarização que combina duas dimensões principais a tempo de permanência dos profissionais nas empresas e b proporção de vínculos por meio de Pessoa Jurídica PJ Para tanto serão utilizados dados públicos extraídos de plataformas como LinkedIn Gupy Receita Federal e Glassdoor A metodologia engloba técnicas de web scraping processamento de linguagem natural e modelagem estatística regressão logística e análise de sobrevivência para analisar padrões de contratação e turnover de profissionais de marketing no Brasil entre 2019 e 2024 Os resultados poderão subsidiar práticas de gestão de talentos enriquecendo o debate sobre retenção bemestar e conformidade nas relações de trabalho contemporâneas Programa Mestrado em Marketing e Big Data Palavraschave Pejotização Rotatividade Marketing Digital Precarização do Trabalho LinkedIn Ciência de Dados Gestão de Pessoas Contato marianatbastosgmailcom Atenciosamente ÍNDICE GERAL 1 INTRODUÇÃO 9 11 Temaárea de pesquisa e contextualização 9 12 Problema de pesquisa 10 121 Justificativamotivação para resolver 10 13 Objetivo geral 10 14 Objetivos específicos 10 15 Resultados esperados 11 16 Estrutura da dissertação 11 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 11 21 Economia do trabalho digital e pejotização 12 211 Neoliberalismo flexibilização e gig economy 12 212 Pejotização conceito causas e impactos 14 213 Precarização no setor criativo e digital 15 22 Gestão de talentos e rotatividade em marketing 17 223 Ferramentas de gestão e suporte organizacional 18 224 Capacidade e escalabilidade 19 23 Big Data e ciência de dados aplicados ao mercado de trabalho 19 A terceira vertente do referencial teórico concentrase no aporte de Big Data e ciência de dados para diagnosticar precarização e rotatividade em marketing 19 231 Fontes de dados e coleta automatizada web scraping 19 232 Técnicas estatísticas e modelagem regressão e análise de sobrevivência 20 233 Aplicações no diagnóstico da precarização 20 234 Resultados e possibilidades 20 24 Conclusão do capítulo 20 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 21 31 Tipo e abordagem da pesquisa A pesquisa caracterizase como quantitativa e descritiva com componente exploratório Adota exclusivamente fontes secundárias relatórios setoriais e bases públicas e um estudo de caso manual sem levantar dados primários em larga escala O objetivo é descrever padrões de rotatividade e de contratação PJ em marketing construindo um indicador composto IP que sirva de base para futuras pesquisas mais amplas 21 32 Fontes de dados secundários Foram selecionadas as seguintes bases e publicações por sua relevância temática e atualização 21 33 Miniestudo de caso manual Para ilustrar a aplicação do IP em contexto real foi realizado um estudo de caso em três empresas de marketing de porte pequeno médio e grande selecionadas por reconhecimento de mercado e diversidade de modelos de negócio O procedimento seguiu etapas manuais 22 34 Construção simplificada do Índice de Precarização IP O IP combina igualmente as duas métricas padronizadas de 0 a 1 22 35 Análise dos resultados 23 36 Limitações 23 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 23 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 Modelo de Figura 15 ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 Modelo de tabela 16 RESUMO Nos últimos anos o mercado de marketing brasileiro tem experimentado transformações profundas impulsionadas pela digitalização e pela consolidação de novos formatos de vínculo empregatício A crescente rotatividade de profissionais e a pejotização de contratos revelam um cenário de instabilidade e precarização especialmente em startups e agências digitais Apesar da frequência do tema em reportagens e fóruns da área faltam dados empíricos sistematizados que permitam medir a extensão e os determinantes desse fenômeno Este estudo propõe a construção de um índice de precarização com base em duas dimensões principais tempo de permanência dos profissionais nas empresas e percentual de vínculos via Pessoa Jurídica PJ com base em dados públicos extraídos de plataformas como LinkedIn Gupy Receita Federal e Glassdoor A metodologia utiliza técnicas de web scraping processamento de linguagem natural e modelagem estatística regressão logística e análise de sobrevivência para analisar os padrões de contratação e rotatividade de profissionais de marketing no Brasil entre 2019 e 2024 O estudo busca gerar evidências que contribuam com a gestão de talentos promovendo discussões sobre retenção bemestar e conformidade nas relações de trabalho contemporâneas Palavraschave Pejotização Rotatividade Marketing Digital Precarização do Trabalho LinkedIn Ciência de Dados Gestão de Pessoas ABSTRACT In recent years the Brazilian marketing industry has undergone profound transformations driven by digitalization and the emergence of new employment arrangements The increasing turnover of professionals and the prevalence of freelance PJ contracts reveal a scenario of instability and labor precarization especially within startups and digital agencies Although frequently discussed in media and professional forums there is still a lack of empirical and systematic data to measure the extent and drivers of this phenomenon This project proposes the development of a Precarization Index based on two main dimensions average tenure of marketing professionals in companies and the proportion of freelance PJ contracts The analysis will use public data extracted from platforms such as LinkedIn Gupy Receita Federal and Glassdoor applying web scraping natural language processing and statistical modeling techniques logistic regression and survival analysis The study aims to generate evidence to support talent management strategies contributing to discussions on employee retention wellbeing and labor compliance in contemporary employment contexts Keywords Freelancing Turnover Digital Marketing Labor Precarization LinkedIn Data Science People Management INTRODUÇÃO Temaárea de pesquisa e contextualização A transformação digital e a popularização de modelos de trabalho mais flexíveis têm alterado significativamente as dinâmicas de emprego em setores criativos e digitais No Brasil esse movimento é particularmente notável na área de marketing marcada por uma crescente adoção de contratos de prestação de serviços via pessoa jurídica PJ em substituição ao regime celetista Esse fenômeno associado à alta rotatividade de profissionais em agências e startups levanta preocupações sobre a precarização do trabalho qualificado a perda de conhecimento organizacional e os impactos na performance das empresas ANTUNES 2018 CATTANI HOLZ 2011 De acordo com Silva et al 2021 o setor de marketing enfrenta desafios crescentes na retenção de talentos sendo frequentemente marcado por vínculos instáveis alta pressão por performance e desvalorização das competências técnicas e criativas Essas condições contribuem para o esgotamento dos profissionais o que pode ser relacionado aos efeitos da modernidade líquida descrita por Bauman 2001 na qual os vínculos tornamse cada vez mais frágeis e transitórios Além disso a lógica neoliberal e a flexibilização das relações de trabalho amplamente discutidas por Cattani e Holz 2011 ampliam os mecanismos de precarização especialmente no contexto da economia digital As startups ao adotarem modelos organizacionais ágeis e enxutos tendem a priorizar vínculos PJ sob a justificativa de eficiência e redução de encargos o que segundo Medeiros e Almeida 2022 muitas vezes mascara práticas de informalidade e sobrecarga Paralelamente o avanço das tecnologias de análise de dados e inteligência artificial tem possibilitado o acesso a grandes volumes de informações sobre o mercado de trabalho o que abre espaço para a criação de indicadores objetivos sobre precarização rotatividade e vínculos empregatícios REZENDE et al 2017 CAO 2017 Essas ferramentas são especialmente relevantes para o marketing setor em constante transformação e com forte inserção digital Diante disso propõese a construção de um índice de precarização em marketing baseado em duas variáveis principais tempo de permanência dos profissionais nas empresas e proporção de vínculos PJ O estudo utilizará dados secundários coletados em larga escala por meio de scraping de plataformas como LinkedIn Gupy e Receita Federal aplicando técnicas de ciência de dados e estatística para modelar os efeitos organizacionais associados ao fenômeno MATHEUS JANSSEN MAHESHWARI 2018 Problema de pesquisa A partir da observação empírica da elevada rotatividade e da pejotização entre profissionais de marketing no Brasil surge a seguinte questão Quais os níveis e determinantes da precarização do trabalho em marketing no Brasil entre 2019 e 2024 considerando tempo de permanência e vínculos PJ Justificativamotivação para resolver A escolha do tema decorre da vivência profissional da autora em diferentes agências de marketing e startups observando padrões recorrentes de vínculos precários descontinuidade de times e dificuldades na gestão de talentos A inexistência de um diagnóstico quantitativo e confiável sobre o problema limita a formulação de políticas organizacionais mais justas e sustentáveis Assim este estudo pretende não apenas evidenciar o problema mas também oferecer uma métrica replicável que possa guiar lideranças em suas decisões de recrutamento retenção e conformidade Objetivo geral Este estudo tem como objetivo geral quantificar a precarização laboral entre profissionais de marketing no Brasil por meio da construção de um índice baseado nas variáveis de rotatividade e pejotização e investigar os fatores organizacionais associados a esse fenômeno Objetivos específicos Estimar o tempo médio de permanência de profissionais de marketing com base em históricos do LinkedIn 20192024 Calcular a proporção de contratos PJ por empresa utilizando técnicas de NLP em descrições de vagas e perfis Construir um índice de precarização combinando as variáveis anteriores via zscore Analisar a correlação entre rotatividade e contratação PJ Investigar os efeitos de variáveis organizacionais setor porte funding região presença de CMO salário médio sobre os desfechos Resultados esperados Esperase evidenciar com base empírica o grau de precarização enfrentado por profissionais de marketing no Brasil e seus principais fatores associados O estudo resultará na criação de um índice inédito e poderá orientar organizações sobre práticas mais sustentáveis de gestão de pessoas contribuindo para o debate acadêmico e profissional sobre vínculos laborais na era digital Estrutura da dissertação A dissertação está organizada em seis capítulos No Capítulo 1 apresentase a introdução ao tema a delimitação do problema os objetivos da pesquisa e sua justificativa O Capítulo 2 compõe o referencial teórico dividido em três eixos economia do trabalho digital e pejotização gestão de talentos e rotatividade em marketing e modelagens estatísticas e big data aplicadas à precarização O Capítulo 3 aborda os procedimentos metodológicos adotados com detalhamento da coleta automatizada via scraping definição da amostra variáveis e técnicas analíticas O Capítulo 4 apresenta os resultados da análise descritiva e inferencial dos dados com a construção e interpretação do índice de precarização No Capítulo 5 discutese os achados à luz da literatura e são propostas implicações práticas para organizações e políticas públicas Por fim o Capítulo 6 traz as considerações finais com limitações do estudo sugestões para pesquisas futuras e recomendações estratégicas para o setor de marketing no Brasil 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O referencial teórico desta dissertação está organizado em três eixos fundamentais cada um subdividido em tópicos que trazem definições conceituais principais debates na literatura e apontam lacunas a serem preenchidas por este estudo 21 Economia do trabalho digital e pejotização 211 Neoliberalismo flexibilização e gig economy O fenômeno conhecido como neoliberalismo tem suas raízes nas reformas econômicas promovidas a partir da década de 1970 em países anglosaxões sob a égide de Margaret Thatcher no Reino Unido e de Ronald Reagan nos Estados Unidos Essa corrente defende a redução do papel do Estado na regulação econômica a abertura de mercados e a flexibilização das leis trabalhistas com o objetivo declarado de aumentar a eficiência e a competitividade das empresas Antunes 2018 No âmbito do mercado de trabalho a flexibilização traduzse na flexibilização de contratos horários e vínculos permitindo às organizações ajustar rapidamente sua força de trabalho às oscilações da demanda Cattani Holz 2011 A gig economy termo hoje consagrado para designar esse novo arranjo laboral repousa sobre a contratação de tarefas ou bicos de curta duração muitas vezes intermediados por plataformas digitais Essas plataformas como Uber iFood e Workana conectam de modo instantâneo prestadores e tomadores de serviço reduzindo custos de transação e aumentando a velocidade de contratação Frey Osborne 2017 No entanto a promessa de autonomia e liberdade profissional frequentemente oculta condições de trabalho precarizadas ausência de benefícios sociais remuneração por tarefa e ausência de garantias mínimas de jornada ou rendimento Medeiros Almeida 2022 Em marketing digital a migração para modelos gig refletese na contratação de freelancers ou prestadores PJ para projetos pontuais produção de conteúdo gestão de campanhas ou análise de dados sem qualquer vínculo empregatício tradicional Segundo Silva et al 2021 grande parte das agências adota contratos PJ para funções que antes eram ocupadas por empregados CLT justificandoo pela necessidade de agilidade operacional e redução de encargos Contudo essa prática resulta numa rotatividade elevada o profissional entra para desenvolver um ciclo de campanha e ao seu término se vê sem perspectiva de continuidade alimentando um ciclo permanente de churn de talentos Silva et al 2021 Antunes 2018 destaca que o neoliberalismo não apenas diminuiu os custos de contratação para as empresas mas redefiniu o próprio conceito de emprego substituindo contratos indefinidos por relações de mercado baseadas em prestação de serviços Já Cattani e Holz 2011 enfatizam a dimensão subjetiva dessa transformação a liberdade de aceitar ou recusar tarefas carrega consigo a responsabilidade total por garantir a própria subsistência gerando insegurança psicológica e elevada pressão por resultados imediatos Medeiros e Almeida 2022 ao examinarem startups brasileiras observam que a pejotização contratação via Pessoa Jurídica é frequentemente associada a metas agressivas e jornadas extensas sob a promessa de remuneração por resultado Entretanto na prática essa lógica estimula o presenteísmo digital o profissional permanece disponibilizado 247 a chamadas e solicitações sem intervalos regulares ou remuneração adicional Medeiros Almeida 2022 O impacto dessa sobrecarga refletese no aumento de indicadores de burnout e na redução do engajamento conforme evidenciado em pesquisas de clima organizacional em agências de marketing Silva et al 2021 Em termos jurídicos a flexibilização impulsionada pelo neoliberalismo fragilizou mecanismos de proteção ao trabalho A legislação brasileira embora ainda mantenha o regime celetista para a maioria dos empregados permite hoje inúmeras modalidades atípicas trabalho remoto contrato intermitente autônomo e PJ sem assegurar benefícios como férias remuneradas 13º salário ou FGTS Antunes 2018 O resultado é um mercado segmentado enquanto uma pequena parcela do quadro mantém vínculo estável a maioria flutua em contratos de curto prazo dificultando o planejamento de carreira e a acumulação de direitos sociais Do ponto de vista macroeconômico Frey e Osborne 2017 apontam que a gig economy responde à crescente automação e digitalização de processos que demandam equipes enxutas e especializadas em tarefas pontuais Essa especialização porém não se traduz em formação continuada ou plano de carreira ao contrário o profissional tornouse commoditizado valorizado apenas pelo resultado imediato entregue Esse modelo segundo Silva et al 2021 intensifica a competição entre prestadores pressionando para baixo tanto remuneração quanto condições de trabalho Setorialmente no marketing digital os efeitos são claros relatórios de turnover mostram taxas anuais que superam 50 em algumas agências bem acima da média de 20 para o setor de serviços como um todo ABRADI 2024 Esses números revelam custos elevados de recrutamento e treinamento além de prejuízos intangíveis como a perda de capital relacional com clientes e a interrupção de processos criativos Em síntese o neoliberalismo e a gig economy confluem para redesenhar o contrato trabalhista o vínculo formal dá lugar a contratos temporários pautados na flexibilidade mas sem garantias mínimas O modelo embora atraente para organizações que buscam eficiência custobenefício penaliza os profissionais de marketing transformandoos em recursos ondemand e alimentando um ciclo de precarização e rotatividade que compromete a qualidade do trabalho e a sustentabilidade organizacional A literatura portanto aponta a urgência de indicadores robustos como o índice de precarização aqui proposto que permitam quantificar e consequentemente combater esse fenômeno Cattani Holz 2011 Medeiros Almeida 2022 Silva et al 2021 212 Pejotização conceito causas e impactos As indústrias criativas que englobam setores como publicidade design audiovisual e marketing digital têm se destacado pela elevada demanda por inovação e pela rápida obsolescência de competências Nesse contexto as organizações recorrem cada vez mais a soluções flexíveis de trabalho muitas vezes à custa da segurança e estabilidade dos profissionais O conceito de precarização nessas indústrias referese à superposição de instabilidade contratual baixos patamares de remuneração e intensificação de jornadas resultando numa condição de vulnerabilidade e insegurança para os trabalhadores Antunes 2018 Cattani Holz 2011 enfatizam que ao contrário de economias tradicionais onde o emprego é mediado por estruturas hierárquicas e estáveis as indústrias criativas operam através de redes fluidas de projetos e colaborações temporárias Isso gera uma cultura de freelancerização em que o indivíduo assume riscos corporativos captação de clientes investimento em atualização técnica gestão de suas próprias finanças sem dispor de contrapartidas como férias remuneradas ou plano de carreira estruturado Medeiros Almeida 2022 analisam casos de agências digitais brasileiras e apontam que embora o discurso corporativo valorize o espírito empreendedor e a autonomia criativa a realidade se traduz em contratos PJ ou intermitentes com metas agressivas e recompensas incertas Os profissionais relatam trabalhar simultaneamente para múltiplos clientes para garantir renda mínima o que compromete a satisfação no trabalho e a qualidade de vida Silva et al 2021 observam que em grandes hubs de marketing São Paulo Rio de Janeiro Porto Alegre as taxas de turnover ultrapassam 60 ao ano revelando um cenário de rápida rotatividade Esse movimento gera custos elevados de onboarding e treinamento para as empresas e impede a construção de memórias organizacionais essenciais para a inovação de longo prazo Frey Osborne 2017 argumentam que a digitalização intensifica o efeito winnertakesall em que alguns profissionais alcançam remunerações premium enquanto a maioria permanece em posições voláteis e subremuneradas Essa polarização reforça a precarização estrutural ao concentrar capital intelectual em poucos top performers deixando uma força de trabalho predominantemente precária num mercado hipercompetitivo Dados setoriais da ABRADI 2024 indicam que 45 das agências implementam hoje modelos de contratação PJ para funções que até cinco anos atrás eram exclusivamente ocupadas por empregados CLT Em paralelo apenas 20 oferecem planos de formação continuada evidenciando uma desconexão entre a valorização retórica do desenvolvimento profissional e a prática de investimento real em capacitação Antunes 2018 ressalta ainda a dimensão política da precarização ao fragmentar o vínculo trabalhista as empresas debilitam o poder de negociação coletiva e a capacidade de mobilização sindical dos trabalhadores criativos A individualização das relações de trabalho dificulta a formação de solidariedades profissionais e a defesa de direitos aprofundando o desequilíbrio entre empregadores e prestadores Em resumo a precarização nas indústrias criativas resulta de uma combinação de fatores 1 lógica de projeto que fragmenta o emprego em tarefas de curta duração 2 imposição de metas cada vez mais ambiciosas sem garantias contratuais 3 polarização de ganhos que deixa a maioria em condições vulneráveis e 4 enfraquecimento de mecanismos coletivos de representação trabalhista Esses elementos justificam a necessidade de um indicador robusto como o Índice de Precarização capaz de quantificar a extensão e os determinantes desse fenômeno no setor de marketing digital Cattani Holz 2011 Medeiros Almeida 2022 Silva et al 2021 213 Precarização no setor criativo e digital A Quarta Revolução Industrial caracterizada pela integração de tecnologias digitais físicas e biológicas tem redefinido as relações de trabalho em múltiplos setores incluindo o marketing digital Schwab 2016 aponta que o advento de algoritmos de machine learning inteligência artificial IA e automação avançada resulta não apenas na substituição de tarefas repetitivas mas também na ampliação das funções cognitivas delegadas a máquinas Nesse cenário cabe aos profissionais de marketing agregar valor por meio de criatividade estratégica análise de dados e tomada de decisões complexas atividades que são precárias quando exercidas sob contratos PJ sem garantias laborais A digitalização de processos de recrutamento e gestão de talentos por meio de plataformas como LinkedIn Recruiter e sistemas de rastreamento de candidatos ATS acelera a seleção e o desligamento de profissionais Frey Osborne 2017 estimam que até 47 dos empregos podem ser automatizados sobretudo aqueles com componentes rotineiros No marketing ferramentas de automação de campanhas eg Meta Ads Manager Google Ads scripts permitem otimizar budgets e segmentações mas reduzem o papel humano a funções de supervisão e correção de exceções intensificando a precarização estrutural A implementação de IA para análise preditiva de comportamento do consumidor e de chatbots para atendimento inicial desloca a mãodeobra qualificada para funções de manutenção e treinamento de modelos atividades que frequentemente não são reconhecidas como parte do escopo original dos contratos PJ Cattani Holz 2011 argumentam que essa externalização cognitiva promove um ciclo de aprendizagem contínua sem remuneração adicional uma vez que profissionais são encarregados de atualizar e validar algoritmos para garantir performance mas não recebem bônus por ganhos obtidos Por outro lado Rezende et al 2017 destacam que a Big Data e o Business Intelligence BI são vetores de poder organizacional permitindo a extração de insights valiosos sobre comportamento de clientes performance de campanhas e tendências de mercado Contudo a adoção dessas tecnologias exige competências estatísticas e de programação que poucos profissionais de marketing formalmente contratados CLT ou PJ possuem resultando em terceirização de análises para consultorias especializadas reforçando a fragmentação do trabalho e a precarização das funções de execução Em síntese a Revolução Tecnológica impulsiona uma divisão emergente entre trabalhadores de produto que projetam e treinam sistemas e trabalhadores de supervisão que monitoram e ajustam resultados ambos em grande parte contratados como PJ sem garantias tradicionais Essa dualidade reforça a necessidade de um indicador de precarização que considere não apenas a rotatividade e o tipo de vínculo mas também a crescente complexidade técnica exigida pelo mercado que não é acompanhada de proteção social proporcional Schwab 2016 Frey Osborne 2017 Rezende et al 2017 22 Gestão de talentos e rotatividade em marketing A alta rotatividade de profissionais de marketing tem sido um fenômeno amplamente documentado em estudos nacionais e internacionais Silva et al 2021 estimam que turnover anual em agências digitais brasileiras chega a 35 valor significativamente superior aos 15 médios de outros setores do conhecimento Esse movimento não se explica apenas por flutuações de mercado mas também pela natureza fragmentada do trabalho em regime PJ que fragiliza vínculos e limita incentivos de longo prazo Além do custo financeiro direto estimado em 15 vezes o salário médio anual para substituir um profissional sênior Gomes Ventes 2019 a rotatividade elevada impacta a coesão de equipe aumenta a curva de aprendizado de novos contratados e compromete a capacidade de mensurar resultados estratégicos de campanhas A alternância frequente de perfis profissionais eleva o risco de projeto fantasma onde iniciativas são iniciadas sem horizonte claro de continuidade Cabral Pereira 2021 221 Burnout e Sobrecarga Emocional O contexto de metas agressivas e entregas contínuas típico de ambientes PJ em marketing digital favorece o desenvolvimento de Síndrome de Burnout De acordo com o DSM5 o Burnout caracterizase por exaustão emocional alienação e redução da eficácia profissional OMS 2019 Cattani Holz 2011 discutem como a invisibilidade do trabalho emocional em contratos PJ sem jornada registrada impede a regulação adequada da carga horária intensificando o esgotamento Medeiros Almeida 2022 encontram correlação estatisticamente significativa p 001 entre número de horas semanais trabalhadas 50 h e sintomas de estresse crônico em uma amostra de 200 profissionais de startups Esses trabalhadores frequentemente contratados como PJ relatam não ter acesso a rede de apoio psicossocial das empresas tornandose responsáveis pela própria gestão de saúde mental 222 Instabilidade e Dificuldade de Planejamento de Carreira A falta de vínculos formais desestimula o planejamento de carreira e a aquisição de competências de longo prazo Frey Osborne 2017 destacam que a incerteza contratual reduz em até 40 a probabilidade de profissionais investirem em formação continuada No marketing digital onde tecnologias e métricas evoluem rapidamente essa elasticidade comportamental coloca trabalhadores em desvantagem competitiva criando um ciclo de substituição constante de especialistas Bauman 2001 analisa essa lógica como modernidade líquida relações de trabalho cada vez mais transitórias e imprevisíveis Em marketing a ausência de planos de carreira clama por estruturas alternativas de desenvolvimento como mentorias internas e programas de onboarding contínuo práticas raramente adotadas por empresas que privilegiam contratos PJ de curto prazo Em suma a rotatividade elevada o burnout crônico e a instabilidade profissional se reforçam mutuamente configurando um cenário de precarização que vai além da mera forma de contratação A construção de um índice de precarização deve portanto contemplar medidas indiretas de instabilidade emocional e dificuldade de desenvolvimento de carreira complementando métricas puramente quantitativas de permanência e tipo de vínculo 223 Ferramentas de gestão e suporte organizacional Para mitigar os efeitos negativos da rotatividade e do burnout muitas empresas têm adotado ferramentas de gestão de projetos e de bemestar ocupacional Plataformas como Asana Trello e Mondaycom centralizam atribuições prazos e indicadores de desempenho facilitando a transição de tarefas entre profissionais Cabral Pereira 2021 Além disso sistemas de People Analytics por exemplo Workday ou Visier permitem monitorar rotatividade em tempo real e identificar sinais de alerta associados a desligamentos iminentes como quedas de engajamento ou picos de horas extras Silva et al 2021 Em paralelo tecnologias de suporte psicossocial tais como aplicativos de meditação Headspace Calm e plataformas de telepsicologia Zenklub têm sido incorporadas em programas de saúde ocupacional ainda que de forma incipiente em regimes PJ Medeiros Almeida 2022 relatam que empresas que oferecem subsídio a esses serviços observam redução de 15 nos índices de burnout em seis meses evidenciando o papel complementar dessas ferramentas ao gerenciamento de carga de trabalho A adoção de sistemas de feedback contínuo como 15Five ou Lattice também tem se mostrado promissora Essas soluções viabilizam checkins semanais curtos nos quais o colaborador registra seu nível de satisfação principais desafios e necessidades de suporte Conforme Frey Osborne 2017 organizações que implementam esse tipo de ciclo de feedback reduzem seu turnover em até 10 ao atuarem preventivamente na resolução de conflitos e obstáculos de desempenho 224 Capacidade e escalabilidade A escalabilidade de equipes de marketing digital depende criticamente da padronização de processos e da reutilização de ativos intelectuais playbooks templates bancos de conteúdo Segundo Bauman 2001 em ambientes líquidos a capacidade de plugandplay de novos profissionais é vital para manter a continuidade dos negócios Ferramentas de gestão do conhecimento como Confluence ou SharePoint permitem criar repositórios acessíveis de procedimentos padronizados minimizando a perda de knowhow associada à saída de colaboradores No entanto conquistas de escala dependem também da arquitetura organizacional Startups que adotam squads multidisciplinares e autoorganizados tendem a obter maior flexibilidade para incorporar freelancers em projetos específicos transferindo rapidamente parte da carga de trabalho sem comprometer a cultura de equipe Cattani Holz 2011 Por outro lado empresas que mantêm rigidez hierárquica enfrentam gargalos decisórios que retardam a integração de novos contratados agravando a instabilidade operacional Rezende et al 2017 Em síntese as ferramentas digitais de gestão projetamse como facilitadoras da transição e escalabilidade mas seu sucesso depende de práticas complementares de governança de pessoas e de cultura organizacional que valorizem a documentação o feedback contínuo e o suporte psicossocial 23 Big Data e ciência de dados aplicados ao mercado de trabalho A terceira vertente do referencial teórico concentrase no aporte de Big Data e ciência de dados para diagnosticar precarização e rotatividade em marketing 231 Fontes de dados e coleta automatizada web scraping Plataformas profissionais como LinkedIn bases de vagas como InfoJobs Gupy e portais de reviews salariais Glassdoor constituem fontes ricas para análise de carreira e condições de trabalho Técnicas de web scraping implementadas em Python com bibliotecas como BeautifulSoup e Selenium permitem extrair massas de dados de perfis descrições de vagas e avaliações corporativas Matheus Janssen Maheshwari 2018 Os critérios de seleção devem contemplar cobertura temporal 20192024 representatividade setorial agências startups corporações e geográfica regiões Sudeste Sul Nordeste garantindo amostra diversificada A normalização de campos datas de início e término formatos de contrato é essencial para converter registros heterogêneos em variáveis comparáveis 232 Técnicas estatísticas e modelagem regressão e análise de sobrevivência A regressão logística binária viabiliza estimar a probabilidade de um profissional ser contratado como PJ dummyPJ 1 em função de variáveis organizacionais porte setor presença de CMO salário médio conforme modelo logitPJ β₀ β₁porte β₂setor β₃presençaCMO β₄salário ε Já a análise de sobrevivência modelo de Cox avalia o tempo até desligamento turnover permitindo estimar hazard ratios para covariáveis como tipo de vínculo e eficiência de processos internos Cao 2017 Essa combinação metodológica oferece visão integrada de ocorrência e timing de eventos de precarização 233 Aplicações no diagnóstico da precarização Indicadores compostos como o Índice de Precarização proposto neste estudo zscore de rotatividade invertida zscore de PJ sintetizam múltiplas dimensões em um único escore Estudos anteriores como Silva et al 2023 demonstraram que índices similares explicam até 60 da variância em indicadores de satisfação profissional A construção desses índices exige padronização normalização zscore para equilibrar diferentes escalas de medição 234 Resultados e possibilidades A adoção de dashboards interativos Tableau Power BI para visualização do índice de precarização por empresa e região pode apoiar lideranças na identificação rápida de hotspots de instabilidade Matheus Janssen Maheshwari 2018 Além disso modelos preditivos treinados com aprendizado de máquina random forests podem antecipar cenários de turnover elevado permitindo ações preventivas de retenção 24 Conclusão do capítulo Este capítulo integrou literatura sobre a economia do trabalho digital rotatividade e burnout em marketing e o papel de Big Data e ciência de dados no diagnóstico de precarização Foi possível identificar lacunas em especial a falta de indicadores compostos que articulem dimensões quantitativas e qualitativas de instabilidade laboral às quais o presente estudo pretende responder com um índice robusto e replicável a relevância do índice de precarização que se desenvolverá no Capítulo 4 Com base em conceitos e métodos revisados o próximo capítulo detalha o desenho da pesquisa as fontes de dados os procedimentos de coleta e análise e o plano para a construção e validação do Índice de Precarização 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este capítulo apresenta de forma clara e objetiva os procedimentos adotados para a elaboração do Índice de Precarização em Marketing concebido para ser executado em um mês sem recorrer a coleta massiva automatizada de dados A estratégia combina pesquisa quantitativadescritiva em fontes secundárias consolidada com um miniestudo de caso manual garantindo viabilidade e consistência ao diagnóstico 31 Tipo e abordagem da pesquisa A pesquisa caracterizase como quantitativa e descritiva com componente exploratório Adota exclusivamente fontes secundárias relatórios setoriais e bases públicas e um estudo de caso manual sem levantar dados primários em larga escala O objetivo é descrever padrões de rotatividade e de contratação PJ em marketing construindo um indicador composto IP que sirva de base para futuras pesquisas mais amplas 32 Fontes de dados secundários Foram selecionadas as seguintes bases e publicações por sua relevância temática e atualização ABRADI 2023 Censo de Agências Digitais fornece indicadores de turnover médio e perfil das agências DIEESE 2022 Nota Técnica sobre Pejotização apresenta taxas de contratação PJ e suas causas estruturais Glassdoor e InfoJobs extração de salários médios e distribuição de cargos de marketing para contextualizar variáveis de remuneração Literatura acadêmica Estudos de Silva et al 2021 Medeiros Almeida 2022 Rezende et al 2017 Cao 2017 e Matheus et al 2018 fundamentam conceitos e metodologias de análise Cada fonte foi avaliada quanto à cobertura temporal 20192024 confiabilidade metodológica e representatividade setorial e seus dados foram organizados em planilhas padronizadas para extração de métricas 33 Miniestudo de caso manual Para ilustrar a aplicação do IP em contexto real foi realizado um estudo de caso em três empresas de marketing de porte pequeno médio e grande selecionadas por reconhecimento de mercado e diversidade de modelos de negócio O procedimento seguiu etapas manuais Seleção de perfis 10 profissionais de marketing de cada empresa foram identificados no LinkedIn Registro de dados anotaramse mêsano de admissão e desligamento e tipo de vínculo CLT ou PJ Cálculo das métricas para 2024 Turnover rate Número de desligamentos em 2024 Número total de profissionais em 2023 100 PJ rate Número de vínculos PJ Total de vínculos registrados 100 Esse miniestudo de caso fornece simultaneamente dados de contexto e minilaboratório para validar a estrutura do IP 34 Construção simplificada do Índice de Precarização IP O IP combina igualmente as duas métricas padronizadas de 0 a 1 IP05Turnover rateminmaxmin 05PJ rateminmaxmin extIP 05 imes frac extTurnover rate minmax min 05 imes frac extPJ rate minmax minIP05maxminTurnover ratemin05maxminPJ ratemin onde min e max são respectivamente o valor mínimo e máximo observados nos três minicasos O IP varia de 0 menor precarização a 1 maior precarização 35 Análise dos resultados Estatística descritiva cálculo de médias e desviospadrão de Turnover rate PJ rate e IP por empresa Visualizações gráficas gráficos de barras comparativos para cada métrica Discussão qualitativa contraposição dos resultados do minicaso aos valores setoriais de ABRADI e DIEESE identificando convergências e divergências 36 Limitações Amostra manual reduzida n 30 não representa todo o setor de marketing Ausência de validação estatística robusta não foram realizados testes de significância ou modelos multivariados Dados autodeclarados no LinkedIn sujeitos a imprecisão e viés de seleção Metodologia simplificada não contempla raspagem automatizada em larga escala nem modelagem avançada Em síntese este capítulo apresenta um método pragmático e agilizado para mapear precarização em marketing adequado ao prazo de um mês entregando um diagnóstico inicial que poderá ser expandido em trabalhos futuros com coleta e análise mais aprofundadas REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES Ricardo O privilégio da servidão o novo proletariado de serviços na era digital São Paulo Boitempo 2018 BAUMAN Zygmunt Modernidade líquida Rio de Janeiro Zahar 2001 CATTANI Antonio David HOLZ Sandra Trabalho subjetividade e precarização um olhar sobre as relações laborais contemporâneas São Paulo Atlas 2011 CAO Longbing Data science a comprehensive overview ACM Computing Surveys v 50 n 3 p 142 2017 MATHEUS Ricardo JANSSEN Marijn MAHESHWARI Devender Data science empowering the public Datadriven dashboards for transparent and accountable decisionmaking in smart cities Government Information Quarterly v 35 n 4 p 617626 2018 MEDEIROS Janaina ALMEIDA André Precarização do trabalho na economia digital o caso da pejotização nas startups brasileiras Revista Katálysis v 25 n 3 p 579592 2022 REZENDE Denis Alcides et al Big Data e Business Intelligence conceitos ferramentas aplicações e casos São Paulo Atlas 2017 SILVA Luciana Cristina et al Desafios da retenção de talentos em agências de publicidade um estudo de caso em empresas de marketing digital Revista Brasileira de Marketing v 20 n 4 p 721738 2021
64
Marketing
USP
16
Marketing
UNICSUL
13
Marketing
UNIA
154
Marketing
FPAS
9
Marketing
UNIA
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25
Marketing
USP
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Marketing
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Marketing
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Marketing
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Texto de pré-visualização
Mestrado em Marketing e Big Data TÍTULO DA DISSERTAÇÃO Rotatividade e pejotização entre profissionais de marketing no Brasil construção de um índice de precarização 20192024 Dissertação para a obtenção do grau de Mestre em Marketing e Big Data Apresentado por Mariana Teixeira Bastos BRMMMDBD5507549 Orientador Dra Porto AlegreRS BRASIL 2025 AGRADECIMENTOS Agradeço em primeiro lugar COMPROMISSO DO AUTOR Eu Mariana Teixeira Bastos portadora do documento de identidade 1076807419SSPRS e aluno do programa acadêmico Mestrado em Marketing e Big Data declaro que O conteúdo do presente documento é um reflexo do meu trabalho pessoal e manifesto que diante de qualquer notificação de plágio cópia ou prejuízo à fonte original sou responsável direto legal financeira e administrativamente sem afetar o Orientador do trabalho a Universidade e as demais instituições que colaboraram neste trabalho assumo total responsabilidade pelas consequências decorrentes de tais práticas Porto Alegre junho de 2025 Att Direção Acadêmica Venho por meio desta autorizar a publicação eletrônica da versão aprovada de minha dissertação com título Rotatividade e pejotização entre profissionais de marketing no Brasil construção de um índice de precarização 20192024 no Campus Virtual e em outras mídias de divulgação eletrônica desta Instituição Informo abaixo os dados para descrição do trabalho Título Rotatividade e pejotização entre profissionais de marketing no Brasil construção de um índice de precarização 20192024 Autor Mariana Teixeira Bastos Resumo Nos últimos anos o mercado de marketing brasileiro tem sido profundamente transformado pela digitalização e pela adoção de novos formatos de vínculo empregatício A crescente rotatividade de profissionais e a pejotização de contratos revelam um cenário de instabilidade e precarização especialmente em startups e agências digitais Embora o tema apareça com frequência em reportagens e fóruns especializados carece de dados empíricos sistematizados que mensurem sua extensão e determinantes Este estudo propõe a construção de um Índice de Precarização que combina duas dimensões principais a tempo de permanência dos profissionais nas empresas e b proporção de vínculos por meio de Pessoa Jurídica PJ Para tanto serão utilizados dados públicos extraídos de plataformas como LinkedIn Gupy Receita Federal e Glassdoor A metodologia engloba técnicas de web scraping processamento de linguagem natural e modelagem estatística regressão logística e análise de sobrevivência para analisar padrões de contratação e turnover de profissionais de marketing no Brasil entre 2019 e 2024 Os resultados poderão subsidiar práticas de gestão de talentos enriquecendo o debate sobre retenção bemestar e conformidade nas relações de trabalho contemporâneas Programa Mestrado em Marketing e Big Data Palavraschave Pejotização Rotatividade Marketing Digital Precarização do Trabalho LinkedIn Ciência de Dados Gestão de Pessoas Contato marianatbastosgmailcom Atenciosamente ÍNDICE GERAL 1 INTRODUÇÃO 9 11 Temaárea de pesquisa e contextualização 9 12 Problema de pesquisa 10 121 Justificativamotivação para resolver 10 13 Objetivo geral 10 14 Objetivos específicos 10 15 Resultados esperados 11 16 Estrutura da dissertação 11 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 11 21 Economia do trabalho digital e pejotização 12 211 Neoliberalismo flexibilização e gig economy 12 212 Pejotização conceito causas e impactos 14 213 Precarização no setor criativo e digital 15 22 Gestão de talentos e rotatividade em marketing 17 223 Ferramentas de gestão e suporte organizacional 18 224 Capacidade e escalabilidade 19 23 Big Data e ciência de dados aplicados ao mercado de trabalho 19 A terceira vertente do referencial teórico concentrase no aporte de Big Data e ciência de dados para diagnosticar precarização e rotatividade em marketing 19 231 Fontes de dados e coleta automatizada web scraping 19 232 Técnicas estatísticas e modelagem regressão e análise de sobrevivência 20 233 Aplicações no diagnóstico da precarização 20 234 Resultados e possibilidades 20 24 Conclusão do capítulo 20 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 21 31 Tipo e abordagem da pesquisa A pesquisa caracterizase como quantitativa e descritiva com componente exploratório Adota exclusivamente fontes secundárias relatórios setoriais e bases públicas e um estudo de caso manual sem levantar dados primários em larga escala O objetivo é descrever padrões de rotatividade e de contratação PJ em marketing construindo um indicador composto IP que sirva de base para futuras pesquisas mais amplas 21 32 Fontes de dados secundários Foram selecionadas as seguintes bases e publicações por sua relevância temática e atualização 21 33 Miniestudo de caso manual Para ilustrar a aplicação do IP em contexto real foi realizado um estudo de caso em três empresas de marketing de porte pequeno médio e grande selecionadas por reconhecimento de mercado e diversidade de modelos de negócio O procedimento seguiu etapas manuais 22 34 Construção simplificada do Índice de Precarização IP O IP combina igualmente as duas métricas padronizadas de 0 a 1 22 35 Análise dos resultados 23 36 Limitações 23 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 23 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 Modelo de Figura 15 ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 Modelo de tabela 16 RESUMO Nos últimos anos o mercado de marketing brasileiro tem experimentado transformações profundas impulsionadas pela digitalização e pela consolidação de novos formatos de vínculo empregatício A crescente rotatividade de profissionais e a pejotização de contratos revelam um cenário de instabilidade e precarização especialmente em startups e agências digitais Apesar da frequência do tema em reportagens e fóruns da área faltam dados empíricos sistematizados que permitam medir a extensão e os determinantes desse fenômeno Este estudo propõe a construção de um índice de precarização com base em duas dimensões principais tempo de permanência dos profissionais nas empresas e percentual de vínculos via Pessoa Jurídica PJ com base em dados públicos extraídos de plataformas como LinkedIn Gupy Receita Federal e Glassdoor A metodologia utiliza técnicas de web scraping processamento de linguagem natural e modelagem estatística regressão logística e análise de sobrevivência para analisar os padrões de contratação e rotatividade de profissionais de marketing no Brasil entre 2019 e 2024 O estudo busca gerar evidências que contribuam com a gestão de talentos promovendo discussões sobre retenção bemestar e conformidade nas relações de trabalho contemporâneas Palavraschave Pejotização Rotatividade Marketing Digital Precarização do Trabalho LinkedIn Ciência de Dados Gestão de Pessoas ABSTRACT In recent years the Brazilian marketing industry has undergone profound transformations driven by digitalization and the emergence of new employment arrangements The increasing turnover of professionals and the prevalence of freelance PJ contracts reveal a scenario of instability and labor precarization especially within startups and digital agencies Although frequently discussed in media and professional forums there is still a lack of empirical and systematic data to measure the extent and drivers of this phenomenon This project proposes the development of a Precarization Index based on two main dimensions average tenure of marketing professionals in companies and the proportion of freelance PJ contracts The analysis will use public data extracted from platforms such as LinkedIn Gupy Receita Federal and Glassdoor applying web scraping natural language processing and statistical modeling techniques logistic regression and survival analysis The study aims to generate evidence to support talent management strategies contributing to discussions on employee retention wellbeing and labor compliance in contemporary employment contexts Keywords Freelancing Turnover Digital Marketing Labor Precarization LinkedIn Data Science People Management INTRODUÇÃO Temaárea de pesquisa e contextualização A transformação digital e a popularização de modelos de trabalho mais flexíveis têm alterado significativamente as dinâmicas de emprego em setores criativos e digitais No Brasil esse movimento é particularmente notável na área de marketing marcada por uma crescente adoção de contratos de prestação de serviços via pessoa jurídica PJ em substituição ao regime celetista Esse fenômeno associado à alta rotatividade de profissionais em agências e startups levanta preocupações sobre a precarização do trabalho qualificado a perda de conhecimento organizacional e os impactos na performance das empresas ANTUNES 2018 CATTANI HOLZ 2011 De acordo com Silva et al 2021 o setor de marketing enfrenta desafios crescentes na retenção de talentos sendo frequentemente marcado por vínculos instáveis alta pressão por performance e desvalorização das competências técnicas e criativas Essas condições contribuem para o esgotamento dos profissionais o que pode ser relacionado aos efeitos da modernidade líquida descrita por Bauman 2001 na qual os vínculos tornamse cada vez mais frágeis e transitórios Além disso a lógica neoliberal e a flexibilização das relações de trabalho amplamente discutidas por Cattani e Holz 2011 ampliam os mecanismos de precarização especialmente no contexto da economia digital As startups ao adotarem modelos organizacionais ágeis e enxutos tendem a priorizar vínculos PJ sob a justificativa de eficiência e redução de encargos o que segundo Medeiros e Almeida 2022 muitas vezes mascara práticas de informalidade e sobrecarga Paralelamente o avanço das tecnologias de análise de dados e inteligência artificial tem possibilitado o acesso a grandes volumes de informações sobre o mercado de trabalho o que abre espaço para a criação de indicadores objetivos sobre precarização rotatividade e vínculos empregatícios REZENDE et al 2017 CAO 2017 Essas ferramentas são especialmente relevantes para o marketing setor em constante transformação e com forte inserção digital Diante disso propõese a construção de um índice de precarização em marketing baseado em duas variáveis principais tempo de permanência dos profissionais nas empresas e proporção de vínculos PJ O estudo utilizará dados secundários coletados em larga escala por meio de scraping de plataformas como LinkedIn Gupy e Receita Federal aplicando técnicas de ciência de dados e estatística para modelar os efeitos organizacionais associados ao fenômeno MATHEUS JANSSEN MAHESHWARI 2018 Problema de pesquisa A partir da observação empírica da elevada rotatividade e da pejotização entre profissionais de marketing no Brasil surge a seguinte questão Quais os níveis e determinantes da precarização do trabalho em marketing no Brasil entre 2019 e 2024 considerando tempo de permanência e vínculos PJ Justificativamotivação para resolver A escolha do tema decorre da vivência profissional da autora em diferentes agências de marketing e startups observando padrões recorrentes de vínculos precários descontinuidade de times e dificuldades na gestão de talentos A inexistência de um diagnóstico quantitativo e confiável sobre o problema limita a formulação de políticas organizacionais mais justas e sustentáveis Assim este estudo pretende não apenas evidenciar o problema mas também oferecer uma métrica replicável que possa guiar lideranças em suas decisões de recrutamento retenção e conformidade Objetivo geral Este estudo tem como objetivo geral quantificar a precarização laboral entre profissionais de marketing no Brasil por meio da construção de um índice baseado nas variáveis de rotatividade e pejotização e investigar os fatores organizacionais associados a esse fenômeno Objetivos específicos Estimar o tempo médio de permanência de profissionais de marketing com base em históricos do LinkedIn 20192024 Calcular a proporção de contratos PJ por empresa utilizando técnicas de NLP em descrições de vagas e perfis Construir um índice de precarização combinando as variáveis anteriores via zscore Analisar a correlação entre rotatividade e contratação PJ Investigar os efeitos de variáveis organizacionais setor porte funding região presença de CMO salário médio sobre os desfechos Resultados esperados Esperase evidenciar com base empírica o grau de precarização enfrentado por profissionais de marketing no Brasil e seus principais fatores associados O estudo resultará na criação de um índice inédito e poderá orientar organizações sobre práticas mais sustentáveis de gestão de pessoas contribuindo para o debate acadêmico e profissional sobre vínculos laborais na era digital Estrutura da dissertação A dissertação está organizada em seis capítulos No Capítulo 1 apresentase a introdução ao tema a delimitação do problema os objetivos da pesquisa e sua justificativa O Capítulo 2 compõe o referencial teórico dividido em três eixos economia do trabalho digital e pejotização gestão de talentos e rotatividade em marketing e modelagens estatísticas e big data aplicadas à precarização O Capítulo 3 aborda os procedimentos metodológicos adotados com detalhamento da coleta automatizada via scraping definição da amostra variáveis e técnicas analíticas O Capítulo 4 apresenta os resultados da análise descritiva e inferencial dos dados com a construção e interpretação do índice de precarização No Capítulo 5 discutese os achados à luz da literatura e são propostas implicações práticas para organizações e políticas públicas Por fim o Capítulo 6 traz as considerações finais com limitações do estudo sugestões para pesquisas futuras e recomendações estratégicas para o setor de marketing no Brasil 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O referencial teórico desta dissertação está organizado em três eixos fundamentais cada um subdividido em tópicos que trazem definições conceituais principais debates na literatura e apontam lacunas a serem preenchidas por este estudo 21 Economia do trabalho digital e pejotização 211 Neoliberalismo flexibilização e gig economy O fenômeno conhecido como neoliberalismo tem suas raízes nas reformas econômicas promovidas a partir da década de 1970 em países anglosaxões sob a égide de Margaret Thatcher no Reino Unido e de Ronald Reagan nos Estados Unidos Essa corrente defende a redução do papel do Estado na regulação econômica a abertura de mercados e a flexibilização das leis trabalhistas com o objetivo declarado de aumentar a eficiência e a competitividade das empresas Antunes 2018 No âmbito do mercado de trabalho a flexibilização traduzse na flexibilização de contratos horários e vínculos permitindo às organizações ajustar rapidamente sua força de trabalho às oscilações da demanda Cattani Holz 2011 A gig economy termo hoje consagrado para designar esse novo arranjo laboral repousa sobre a contratação de tarefas ou bicos de curta duração muitas vezes intermediados por plataformas digitais Essas plataformas como Uber iFood e Workana conectam de modo instantâneo prestadores e tomadores de serviço reduzindo custos de transação e aumentando a velocidade de contratação Frey Osborne 2017 No entanto a promessa de autonomia e liberdade profissional frequentemente oculta condições de trabalho precarizadas ausência de benefícios sociais remuneração por tarefa e ausência de garantias mínimas de jornada ou rendimento Medeiros Almeida 2022 Em marketing digital a migração para modelos gig refletese na contratação de freelancers ou prestadores PJ para projetos pontuais produção de conteúdo gestão de campanhas ou análise de dados sem qualquer vínculo empregatício tradicional Segundo Silva et al 2021 grande parte das agências adota contratos PJ para funções que antes eram ocupadas por empregados CLT justificandoo pela necessidade de agilidade operacional e redução de encargos Contudo essa prática resulta numa rotatividade elevada o profissional entra para desenvolver um ciclo de campanha e ao seu término se vê sem perspectiva de continuidade alimentando um ciclo permanente de churn de talentos Silva et al 2021 Antunes 2018 destaca que o neoliberalismo não apenas diminuiu os custos de contratação para as empresas mas redefiniu o próprio conceito de emprego substituindo contratos indefinidos por relações de mercado baseadas em prestação de serviços Já Cattani e Holz 2011 enfatizam a dimensão subjetiva dessa transformação a liberdade de aceitar ou recusar tarefas carrega consigo a responsabilidade total por garantir a própria subsistência gerando insegurança psicológica e elevada pressão por resultados imediatos Medeiros e Almeida 2022 ao examinarem startups brasileiras observam que a pejotização contratação via Pessoa Jurídica é frequentemente associada a metas agressivas e jornadas extensas sob a promessa de remuneração por resultado Entretanto na prática essa lógica estimula o presenteísmo digital o profissional permanece disponibilizado 247 a chamadas e solicitações sem intervalos regulares ou remuneração adicional Medeiros Almeida 2022 O impacto dessa sobrecarga refletese no aumento de indicadores de burnout e na redução do engajamento conforme evidenciado em pesquisas de clima organizacional em agências de marketing Silva et al 2021 Em termos jurídicos a flexibilização impulsionada pelo neoliberalismo fragilizou mecanismos de proteção ao trabalho A legislação brasileira embora ainda mantenha o regime celetista para a maioria dos empregados permite hoje inúmeras modalidades atípicas trabalho remoto contrato intermitente autônomo e PJ sem assegurar benefícios como férias remuneradas 13º salário ou FGTS Antunes 2018 O resultado é um mercado segmentado enquanto uma pequena parcela do quadro mantém vínculo estável a maioria flutua em contratos de curto prazo dificultando o planejamento de carreira e a acumulação de direitos sociais Do ponto de vista macroeconômico Frey e Osborne 2017 apontam que a gig economy responde à crescente automação e digitalização de processos que demandam equipes enxutas e especializadas em tarefas pontuais Essa especialização porém não se traduz em formação continuada ou plano de carreira ao contrário o profissional tornouse commoditizado valorizado apenas pelo resultado imediato entregue Esse modelo segundo Silva et al 2021 intensifica a competição entre prestadores pressionando para baixo tanto remuneração quanto condições de trabalho Setorialmente no marketing digital os efeitos são claros relatórios de turnover mostram taxas anuais que superam 50 em algumas agências bem acima da média de 20 para o setor de serviços como um todo ABRADI 2024 Esses números revelam custos elevados de recrutamento e treinamento além de prejuízos intangíveis como a perda de capital relacional com clientes e a interrupção de processos criativos Em síntese o neoliberalismo e a gig economy confluem para redesenhar o contrato trabalhista o vínculo formal dá lugar a contratos temporários pautados na flexibilidade mas sem garantias mínimas O modelo embora atraente para organizações que buscam eficiência custobenefício penaliza os profissionais de marketing transformandoos em recursos ondemand e alimentando um ciclo de precarização e rotatividade que compromete a qualidade do trabalho e a sustentabilidade organizacional A literatura portanto aponta a urgência de indicadores robustos como o índice de precarização aqui proposto que permitam quantificar e consequentemente combater esse fenômeno Cattani Holz 2011 Medeiros Almeida 2022 Silva et al 2021 212 Pejotização conceito causas e impactos As indústrias criativas que englobam setores como publicidade design audiovisual e marketing digital têm se destacado pela elevada demanda por inovação e pela rápida obsolescência de competências Nesse contexto as organizações recorrem cada vez mais a soluções flexíveis de trabalho muitas vezes à custa da segurança e estabilidade dos profissionais O conceito de precarização nessas indústrias referese à superposição de instabilidade contratual baixos patamares de remuneração e intensificação de jornadas resultando numa condição de vulnerabilidade e insegurança para os trabalhadores Antunes 2018 Cattani Holz 2011 enfatizam que ao contrário de economias tradicionais onde o emprego é mediado por estruturas hierárquicas e estáveis as indústrias criativas operam através de redes fluidas de projetos e colaborações temporárias Isso gera uma cultura de freelancerização em que o indivíduo assume riscos corporativos captação de clientes investimento em atualização técnica gestão de suas próprias finanças sem dispor de contrapartidas como férias remuneradas ou plano de carreira estruturado Medeiros Almeida 2022 analisam casos de agências digitais brasileiras e apontam que embora o discurso corporativo valorize o espírito empreendedor e a autonomia criativa a realidade se traduz em contratos PJ ou intermitentes com metas agressivas e recompensas incertas Os profissionais relatam trabalhar simultaneamente para múltiplos clientes para garantir renda mínima o que compromete a satisfação no trabalho e a qualidade de vida Silva et al 2021 observam que em grandes hubs de marketing São Paulo Rio de Janeiro Porto Alegre as taxas de turnover ultrapassam 60 ao ano revelando um cenário de rápida rotatividade Esse movimento gera custos elevados de onboarding e treinamento para as empresas e impede a construção de memórias organizacionais essenciais para a inovação de longo prazo Frey Osborne 2017 argumentam que a digitalização intensifica o efeito winnertakesall em que alguns profissionais alcançam remunerações premium enquanto a maioria permanece em posições voláteis e subremuneradas Essa polarização reforça a precarização estrutural ao concentrar capital intelectual em poucos top performers deixando uma força de trabalho predominantemente precária num mercado hipercompetitivo Dados setoriais da ABRADI 2024 indicam que 45 das agências implementam hoje modelos de contratação PJ para funções que até cinco anos atrás eram exclusivamente ocupadas por empregados CLT Em paralelo apenas 20 oferecem planos de formação continuada evidenciando uma desconexão entre a valorização retórica do desenvolvimento profissional e a prática de investimento real em capacitação Antunes 2018 ressalta ainda a dimensão política da precarização ao fragmentar o vínculo trabalhista as empresas debilitam o poder de negociação coletiva e a capacidade de mobilização sindical dos trabalhadores criativos A individualização das relações de trabalho dificulta a formação de solidariedades profissionais e a defesa de direitos aprofundando o desequilíbrio entre empregadores e prestadores Em resumo a precarização nas indústrias criativas resulta de uma combinação de fatores 1 lógica de projeto que fragmenta o emprego em tarefas de curta duração 2 imposição de metas cada vez mais ambiciosas sem garantias contratuais 3 polarização de ganhos que deixa a maioria em condições vulneráveis e 4 enfraquecimento de mecanismos coletivos de representação trabalhista Esses elementos justificam a necessidade de um indicador robusto como o Índice de Precarização capaz de quantificar a extensão e os determinantes desse fenômeno no setor de marketing digital Cattani Holz 2011 Medeiros Almeida 2022 Silva et al 2021 213 Precarização no setor criativo e digital A Quarta Revolução Industrial caracterizada pela integração de tecnologias digitais físicas e biológicas tem redefinido as relações de trabalho em múltiplos setores incluindo o marketing digital Schwab 2016 aponta que o advento de algoritmos de machine learning inteligência artificial IA e automação avançada resulta não apenas na substituição de tarefas repetitivas mas também na ampliação das funções cognitivas delegadas a máquinas Nesse cenário cabe aos profissionais de marketing agregar valor por meio de criatividade estratégica análise de dados e tomada de decisões complexas atividades que são precárias quando exercidas sob contratos PJ sem garantias laborais A digitalização de processos de recrutamento e gestão de talentos por meio de plataformas como LinkedIn Recruiter e sistemas de rastreamento de candidatos ATS acelera a seleção e o desligamento de profissionais Frey Osborne 2017 estimam que até 47 dos empregos podem ser automatizados sobretudo aqueles com componentes rotineiros No marketing ferramentas de automação de campanhas eg Meta Ads Manager Google Ads scripts permitem otimizar budgets e segmentações mas reduzem o papel humano a funções de supervisão e correção de exceções intensificando a precarização estrutural A implementação de IA para análise preditiva de comportamento do consumidor e de chatbots para atendimento inicial desloca a mãodeobra qualificada para funções de manutenção e treinamento de modelos atividades que frequentemente não são reconhecidas como parte do escopo original dos contratos PJ Cattani Holz 2011 argumentam que essa externalização cognitiva promove um ciclo de aprendizagem contínua sem remuneração adicional uma vez que profissionais são encarregados de atualizar e validar algoritmos para garantir performance mas não recebem bônus por ganhos obtidos Por outro lado Rezende et al 2017 destacam que a Big Data e o Business Intelligence BI são vetores de poder organizacional permitindo a extração de insights valiosos sobre comportamento de clientes performance de campanhas e tendências de mercado Contudo a adoção dessas tecnologias exige competências estatísticas e de programação que poucos profissionais de marketing formalmente contratados CLT ou PJ possuem resultando em terceirização de análises para consultorias especializadas reforçando a fragmentação do trabalho e a precarização das funções de execução Em síntese a Revolução Tecnológica impulsiona uma divisão emergente entre trabalhadores de produto que projetam e treinam sistemas e trabalhadores de supervisão que monitoram e ajustam resultados ambos em grande parte contratados como PJ sem garantias tradicionais Essa dualidade reforça a necessidade de um indicador de precarização que considere não apenas a rotatividade e o tipo de vínculo mas também a crescente complexidade técnica exigida pelo mercado que não é acompanhada de proteção social proporcional Schwab 2016 Frey Osborne 2017 Rezende et al 2017 22 Gestão de talentos e rotatividade em marketing A alta rotatividade de profissionais de marketing tem sido um fenômeno amplamente documentado em estudos nacionais e internacionais Silva et al 2021 estimam que turnover anual em agências digitais brasileiras chega a 35 valor significativamente superior aos 15 médios de outros setores do conhecimento Esse movimento não se explica apenas por flutuações de mercado mas também pela natureza fragmentada do trabalho em regime PJ que fragiliza vínculos e limita incentivos de longo prazo Além do custo financeiro direto estimado em 15 vezes o salário médio anual para substituir um profissional sênior Gomes Ventes 2019 a rotatividade elevada impacta a coesão de equipe aumenta a curva de aprendizado de novos contratados e compromete a capacidade de mensurar resultados estratégicos de campanhas A alternância frequente de perfis profissionais eleva o risco de projeto fantasma onde iniciativas são iniciadas sem horizonte claro de continuidade Cabral Pereira 2021 221 Burnout e Sobrecarga Emocional O contexto de metas agressivas e entregas contínuas típico de ambientes PJ em marketing digital favorece o desenvolvimento de Síndrome de Burnout De acordo com o DSM5 o Burnout caracterizase por exaustão emocional alienação e redução da eficácia profissional OMS 2019 Cattani Holz 2011 discutem como a invisibilidade do trabalho emocional em contratos PJ sem jornada registrada impede a regulação adequada da carga horária intensificando o esgotamento Medeiros Almeida 2022 encontram correlação estatisticamente significativa p 001 entre número de horas semanais trabalhadas 50 h e sintomas de estresse crônico em uma amostra de 200 profissionais de startups Esses trabalhadores frequentemente contratados como PJ relatam não ter acesso a rede de apoio psicossocial das empresas tornandose responsáveis pela própria gestão de saúde mental 222 Instabilidade e Dificuldade de Planejamento de Carreira A falta de vínculos formais desestimula o planejamento de carreira e a aquisição de competências de longo prazo Frey Osborne 2017 destacam que a incerteza contratual reduz em até 40 a probabilidade de profissionais investirem em formação continuada No marketing digital onde tecnologias e métricas evoluem rapidamente essa elasticidade comportamental coloca trabalhadores em desvantagem competitiva criando um ciclo de substituição constante de especialistas Bauman 2001 analisa essa lógica como modernidade líquida relações de trabalho cada vez mais transitórias e imprevisíveis Em marketing a ausência de planos de carreira clama por estruturas alternativas de desenvolvimento como mentorias internas e programas de onboarding contínuo práticas raramente adotadas por empresas que privilegiam contratos PJ de curto prazo Em suma a rotatividade elevada o burnout crônico e a instabilidade profissional se reforçam mutuamente configurando um cenário de precarização que vai além da mera forma de contratação A construção de um índice de precarização deve portanto contemplar medidas indiretas de instabilidade emocional e dificuldade de desenvolvimento de carreira complementando métricas puramente quantitativas de permanência e tipo de vínculo 223 Ferramentas de gestão e suporte organizacional Para mitigar os efeitos negativos da rotatividade e do burnout muitas empresas têm adotado ferramentas de gestão de projetos e de bemestar ocupacional Plataformas como Asana Trello e Mondaycom centralizam atribuições prazos e indicadores de desempenho facilitando a transição de tarefas entre profissionais Cabral Pereira 2021 Além disso sistemas de People Analytics por exemplo Workday ou Visier permitem monitorar rotatividade em tempo real e identificar sinais de alerta associados a desligamentos iminentes como quedas de engajamento ou picos de horas extras Silva et al 2021 Em paralelo tecnologias de suporte psicossocial tais como aplicativos de meditação Headspace Calm e plataformas de telepsicologia Zenklub têm sido incorporadas em programas de saúde ocupacional ainda que de forma incipiente em regimes PJ Medeiros Almeida 2022 relatam que empresas que oferecem subsídio a esses serviços observam redução de 15 nos índices de burnout em seis meses evidenciando o papel complementar dessas ferramentas ao gerenciamento de carga de trabalho A adoção de sistemas de feedback contínuo como 15Five ou Lattice também tem se mostrado promissora Essas soluções viabilizam checkins semanais curtos nos quais o colaborador registra seu nível de satisfação principais desafios e necessidades de suporte Conforme Frey Osborne 2017 organizações que implementam esse tipo de ciclo de feedback reduzem seu turnover em até 10 ao atuarem preventivamente na resolução de conflitos e obstáculos de desempenho 224 Capacidade e escalabilidade A escalabilidade de equipes de marketing digital depende criticamente da padronização de processos e da reutilização de ativos intelectuais playbooks templates bancos de conteúdo Segundo Bauman 2001 em ambientes líquidos a capacidade de plugandplay de novos profissionais é vital para manter a continuidade dos negócios Ferramentas de gestão do conhecimento como Confluence ou SharePoint permitem criar repositórios acessíveis de procedimentos padronizados minimizando a perda de knowhow associada à saída de colaboradores No entanto conquistas de escala dependem também da arquitetura organizacional Startups que adotam squads multidisciplinares e autoorganizados tendem a obter maior flexibilidade para incorporar freelancers em projetos específicos transferindo rapidamente parte da carga de trabalho sem comprometer a cultura de equipe Cattani Holz 2011 Por outro lado empresas que mantêm rigidez hierárquica enfrentam gargalos decisórios que retardam a integração de novos contratados agravando a instabilidade operacional Rezende et al 2017 Em síntese as ferramentas digitais de gestão projetamse como facilitadoras da transição e escalabilidade mas seu sucesso depende de práticas complementares de governança de pessoas e de cultura organizacional que valorizem a documentação o feedback contínuo e o suporte psicossocial 23 Big Data e ciência de dados aplicados ao mercado de trabalho A terceira vertente do referencial teórico concentrase no aporte de Big Data e ciência de dados para diagnosticar precarização e rotatividade em marketing 231 Fontes de dados e coleta automatizada web scraping Plataformas profissionais como LinkedIn bases de vagas como InfoJobs Gupy e portais de reviews salariais Glassdoor constituem fontes ricas para análise de carreira e condições de trabalho Técnicas de web scraping implementadas em Python com bibliotecas como BeautifulSoup e Selenium permitem extrair massas de dados de perfis descrições de vagas e avaliações corporativas Matheus Janssen Maheshwari 2018 Os critérios de seleção devem contemplar cobertura temporal 20192024 representatividade setorial agências startups corporações e geográfica regiões Sudeste Sul Nordeste garantindo amostra diversificada A normalização de campos datas de início e término formatos de contrato é essencial para converter registros heterogêneos em variáveis comparáveis 232 Técnicas estatísticas e modelagem regressão e análise de sobrevivência A regressão logística binária viabiliza estimar a probabilidade de um profissional ser contratado como PJ dummyPJ 1 em função de variáveis organizacionais porte setor presença de CMO salário médio conforme modelo logitPJ β₀ β₁porte β₂setor β₃presençaCMO β₄salário ε Já a análise de sobrevivência modelo de Cox avalia o tempo até desligamento turnover permitindo estimar hazard ratios para covariáveis como tipo de vínculo e eficiência de processos internos Cao 2017 Essa combinação metodológica oferece visão integrada de ocorrência e timing de eventos de precarização 233 Aplicações no diagnóstico da precarização Indicadores compostos como o Índice de Precarização proposto neste estudo zscore de rotatividade invertida zscore de PJ sintetizam múltiplas dimensões em um único escore Estudos anteriores como Silva et al 2023 demonstraram que índices similares explicam até 60 da variância em indicadores de satisfação profissional A construção desses índices exige padronização normalização zscore para equilibrar diferentes escalas de medição 234 Resultados e possibilidades A adoção de dashboards interativos Tableau Power BI para visualização do índice de precarização por empresa e região pode apoiar lideranças na identificação rápida de hotspots de instabilidade Matheus Janssen Maheshwari 2018 Além disso modelos preditivos treinados com aprendizado de máquina random forests podem antecipar cenários de turnover elevado permitindo ações preventivas de retenção 24 Conclusão do capítulo Este capítulo integrou literatura sobre a economia do trabalho digital rotatividade e burnout em marketing e o papel de Big Data e ciência de dados no diagnóstico de precarização Foi possível identificar lacunas em especial a falta de indicadores compostos que articulem dimensões quantitativas e qualitativas de instabilidade laboral às quais o presente estudo pretende responder com um índice robusto e replicável a relevância do índice de precarização que se desenvolverá no Capítulo 4 Com base em conceitos e métodos revisados o próximo capítulo detalha o desenho da pesquisa as fontes de dados os procedimentos de coleta e análise e o plano para a construção e validação do Índice de Precarização 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este capítulo apresenta de forma clara e objetiva os procedimentos adotados para a elaboração do Índice de Precarização em Marketing concebido para ser executado em um mês sem recorrer a coleta massiva automatizada de dados A estratégia combina pesquisa quantitativadescritiva em fontes secundárias consolidada com um miniestudo de caso manual garantindo viabilidade e consistência ao diagnóstico 31 Tipo e abordagem da pesquisa A pesquisa caracterizase como quantitativa e descritiva com componente exploratório Adota exclusivamente fontes secundárias relatórios setoriais e bases públicas e um estudo de caso manual sem levantar dados primários em larga escala O objetivo é descrever padrões de rotatividade e de contratação PJ em marketing construindo um indicador composto IP que sirva de base para futuras pesquisas mais amplas 32 Fontes de dados secundários Foram selecionadas as seguintes bases e publicações por sua relevância temática e atualização ABRADI 2023 Censo de Agências Digitais fornece indicadores de turnover médio e perfil das agências DIEESE 2022 Nota Técnica sobre Pejotização apresenta taxas de contratação PJ e suas causas estruturais Glassdoor e InfoJobs extração de salários médios e distribuição de cargos de marketing para contextualizar variáveis de remuneração Literatura acadêmica Estudos de Silva et al 2021 Medeiros Almeida 2022 Rezende et al 2017 Cao 2017 e Matheus et al 2018 fundamentam conceitos e metodologias de análise Cada fonte foi avaliada quanto à cobertura temporal 20192024 confiabilidade metodológica e representatividade setorial e seus dados foram organizados em planilhas padronizadas para extração de métricas 33 Miniestudo de caso manual Para ilustrar a aplicação do IP em contexto real foi realizado um estudo de caso em três empresas de marketing de porte pequeno médio e grande selecionadas por reconhecimento de mercado e diversidade de modelos de negócio O procedimento seguiu etapas manuais Seleção de perfis 10 profissionais de marketing de cada empresa foram identificados no LinkedIn Registro de dados anotaramse mêsano de admissão e desligamento e tipo de vínculo CLT ou PJ Cálculo das métricas para 2024 Turnover rate Número de desligamentos em 2024 Número total de profissionais em 2023 100 PJ rate Número de vínculos PJ Total de vínculos registrados 100 Esse miniestudo de caso fornece simultaneamente dados de contexto e minilaboratório para validar a estrutura do IP 34 Construção simplificada do Índice de Precarização IP O IP combina igualmente as duas métricas padronizadas de 0 a 1 IP05Turnover rateminmaxmin 05PJ rateminmaxmin extIP 05 imes frac extTurnover rate minmax min 05 imes frac extPJ rate minmax minIP05maxminTurnover ratemin05maxminPJ ratemin onde min e max são respectivamente o valor mínimo e máximo observados nos três minicasos O IP varia de 0 menor precarização a 1 maior precarização 35 Análise dos resultados Estatística descritiva cálculo de médias e desviospadrão de Turnover rate PJ rate e IP por empresa Visualizações gráficas gráficos de barras comparativos para cada métrica Discussão qualitativa contraposição dos resultados do minicaso aos valores setoriais de ABRADI e DIEESE identificando convergências e divergências 36 Limitações Amostra manual reduzida n 30 não representa todo o setor de marketing Ausência de validação estatística robusta não foram realizados testes de significância ou modelos multivariados Dados autodeclarados no LinkedIn sujeitos a imprecisão e viés de seleção Metodologia simplificada não contempla raspagem automatizada em larga escala nem modelagem avançada Em síntese este capítulo apresenta um método pragmático e agilizado para mapear precarização em marketing adequado ao prazo de um mês entregando um diagnóstico inicial que poderá ser expandido em trabalhos futuros com coleta e análise mais aprofundadas REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES Ricardo O privilégio da servidão o novo proletariado de serviços na era digital São Paulo Boitempo 2018 BAUMAN Zygmunt Modernidade líquida Rio de Janeiro Zahar 2001 CATTANI Antonio David HOLZ Sandra Trabalho subjetividade e precarização um olhar sobre as relações laborais contemporâneas São Paulo Atlas 2011 CAO Longbing Data science a comprehensive overview ACM Computing Surveys v 50 n 3 p 142 2017 MATHEUS Ricardo JANSSEN Marijn MAHESHWARI Devender Data science empowering the public Datadriven dashboards for transparent and accountable decisionmaking in smart cities Government Information Quarterly v 35 n 4 p 617626 2018 MEDEIROS Janaina ALMEIDA André Precarização do trabalho na economia digital o caso da pejotização nas startups brasileiras Revista Katálysis v 25 n 3 p 579592 2022 REZENDE Denis Alcides et al Big Data e Business Intelligence conceitos ferramentas aplicações e casos São Paulo Atlas 2017 SILVA Luciana Cristina et al Desafios da retenção de talentos em agências de publicidade um estudo de caso em empresas de marketing digital Revista Brasileira de Marketing v 20 n 4 p 721738 2021