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ECONOMIA E SOCIEDADE Professora Dra Andréia Moreira da Fonseca Boechat GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ Núcleo de Educação a Distância BOECHAT Andréia Moreira da Fonseca Economia e Sociedade Andréia Moreira da Fonseca Boechat MaringáPr Unicesumar 2017 Reimpresso em 2022 216 p Graduação EaD 1 Economia 2 Sociedade 3 Marketing 4 EaD I Título ISBN 9788545909620 CDD 22 ed 330 CIP NBR 12899 AACR2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza CRB8 6828 Impresso por Reitor Wilson de Matos Silva ViceReitor Wilson de Matos Silva Filho PróReitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva PróReitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Mincof James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pósgraduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo Coordenador de Conteúdo Silvio Cesar de Castro Designer Educacional Aguinaldo José Lorca Ventura Junior Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Fernando Henrique Mendes Qualidade Textual Helen Braga do Prado Cintia Prezoto Ferreira Ilustração Bruno Cesar Pardinho Em um mundo global e dinâmico nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo não somen te para oferecer uma educação de qualidade mas acima de tudo para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento Baseamonos em 4 pi lares intelectual profissional emocional e espiritual Iniciamos a Unicesumar em 1990 com dois cursos de graduação e 180 alunos Hoje temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil nos quatro campi presenciais Maringá Curitiba Ponta Grossa e Londrina e em mais de 300 polos EAD no país com dezenas de cursos de graduação e pósgraduação Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência com IGC 4 em 7 anos consecutivos Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil A rapidez do mundo moderno exige dos educa dores soluções inteligentes para as necessidades de todos Para continuar relevante a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes inovação coragem e compromisso com a quali dade Por isso desenvolvemos para os cursos de Engenharia metodologias ativas as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária Vamos juntos Seja bemvindoa caroa acadêmicoa Você está iniciando um processo de transformação pois quando investimos em nossa formação seja ela pessoal ou profissional nos transformamos e consequentemente transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos De que forma o fazemos Criando oportu nidades eou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância oa acompanhará durante todo este processo pois conforme Freire 1996 Os homens se educam juntos na transformação do mundo Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontramse integrados à proposta pedagógica con tribuindo no processo educacional complementando sua formação profissional desenvolvendo competên cias e habilidades e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade de maneira a inserilo no mercado de trabalho Ou seja estes materiais têm como principal objetivo provocar uma aproximação entre você e o conteúdo desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá rios para a sua formação pessoal e profissional Portanto nossa distância nesse processo de cresci mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita Ou seja acesse regularmente o Studeo que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem interaja nos fóruns e enquetes assista às aulas ao vivo e participe das dis cussões Além disso lembrese que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliáloa em seu processo de aprendizagem possibilitandolhe trilhar com tranqui lidade e segurança sua trajetória acadêmica AUTORA Professora Dra Andréia Moreira da Fonseca Boechat Possui Doutorado 2016 e mestrado 2011 em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Maringá graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro 2007 Professora do Centro Universitário Cesumar UniCesumar atuando no ensino presencial e à distância Tem experiência na área de Economia com ênfase em economia industrial agronegócio economia do setor público e políticas públicas atuando principalmente nos seguintes temas defesa da concorrência organização industrial setores agroindustriais e políticas sociais Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional pesquisas e publicações acesse seu currículo disponível no endereço a seguir httplattescnpqbr2752270036354082 SEJA BEMVINDOA Olá caroa acadêmicoa seja muito bemvindoa à disciplina Economia e Sociedade Eu sou a professora Andréia Moreira da Fonseca Boechat bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro mestre e doutora em Economia pela Uni versidade Estadual de Maringá e irei discutir com você um pouco sobre essa área tão fasci nante que é a economia A economia é uma ciência social que estuda as necessidades da população que está pre sente na vida de todas as pessoas sejam físicas ou jurídicas Mesmo que não tenhamos afi nidade com a economia muitas das nossas decisões são tomadas com base em algumas variávelis econômicas assim como todas as decisões do governo por exemplo afetam as nossas vidas Dessa forma um aluno de graduação que irá tomar decisões precisa conhecer os funda mentos da economia já que as empresas seja ela pequena média ou grande estão inseri das no ambiente econômico Então meu objetivo na disciplina é apresentar os fundamen tos da ciência econômica de modo a levar você à compreensão do ambiente econômico e assim poder tomar as melhores decisões Para atingir o objetivo nosso livro didático está dividido em cinco unidades Na primeira iremos discutir os conceitos fundamentais de economia tais como o descrever o significado da economia e explicar os conceitos econômicos fundamentais O conteúdo desta primeira Unidade é fundamental para a compreensão da disciplina como um todo pois são termos e conceitos que dão suporte para a análise econômica A economia é dividida em duas grandes áreas de estudo a microeconomia e a macroeco nômica A microeconomia estuda os agentes econômicos individuais ou seja as empresas e os consumidores que chamamos de famílias e também a formação de preço será objeto de estudo da Unidade dois Por outro lado a macroeconomia estuda as variáveis agregadas ou seja a economia como um todo Assim praticamente todas as notícias que lemos e ouvimos são relacionadas à macroeconomia por exemplo as políticas monetárias fiscais e cambiais que o governo ela bora Estes serão alguns dos temas que iremos discutir na Unidade III Na Unidade IV trabalharemos com a economia internacional ou seja vivemos em um mundo globalizado o Brasil se relaciona com os demais países por meio por exemplo das exportações e importações de bens e serviços por esse motivo precisamos compreender alguns fundamentos dessa relação Finalizaremos a disciplina discutindo um tema muito atual que é a Economia Sustentável e do Meio ambiente pois o modelo econômico de produção e consumo atual não é mais viável pois os recursos produtivos são limitados Assim não podemos continuar produzin do e consumindo tudo que desejamos e a natureza não consegue mais dar vazão a tanta demanda Então a compressão da relação economia e meio ambiente se faz necessário Preparadoa para entrar nesse mundo tão fantástico que é a economia Lembrese qualquer dúvida entre em contato com seu tutor Bons estudos e um forte abraço APRESENTAÇÃO ECONOMIA E SOCIEDADE SUMÁRIO 09 UNIDADE I CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA 15 Introdução 16 Significado de Economia 25 Conceitos Econômicos Fundamentais 40 Considerações Finais 46 Referências 47 Gabarito UNIDADE II INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA 51 Introdução 52 Fundamentos da Teoria do Consumidor 58 Teoria da Demanda 68 Teoria da Oferta 75 Equilíbrio de Mercado 77 Teoria da Produção 79 Estruturas de Mercado 91 Considerações Finais 97 Referências 98 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA 101 Introdução 102 Fundamentos da Teoria Macroeconômica 107 Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico 113 O Mercado de Trabalho 120 Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial 135 Considerações Finais 141 Referências 142 Gabarito UNIDADE IV INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL 145 Introdução 146 Fundamentos do Comércio Internacional 149 Regimes Cambiais e o Comércio Internacional 154 Estrutura do Balanço de Pagamento 164 O Processo de Globalização 174 Considerações Finais 180 Referências 181 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE V ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE 185 Introdução 186 Economia e Meio Ambiente 196 Teoria do Desenvolvimento Sustentável 202 Contribuição dos Recursos Naturais Para o Crescimento Econômico 205 Eficiência Econômica e Mercados 208 Considerações Finais 214 Referências 215 Gabarito 216 CONCLUSÃO UNIDADE I Professora Dra Andréia Moreira da Fonseca Boechat CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Objetivos de Aprendizagem Descrever o significado de economia Explicar os conceitos econômicos fundamentais Compreender os fundamentos econômicos Plano de Estudo A seguir apresentamse os tópicos que você estudará nesta unidade Significado de Economia Conceitos Econômicos Fundamentais INTRODUÇÃO Caroa acadêmicoa seja bemvindoa a primeira Unidade do livro Economia e Sociedade Esta é uma unidade muito importante para o entendimento da dis ciplina pois nela você conhecerá os fundamentos econômicos que darão suporte às tomadas de decisão que fazem parte do dia a dia de todos os profissionais Para isso a unidade está dividida em três tópicos no primeiro iremos estu dar o significado de economia em outras palavras o que de fato as ciências econômicas estudam Você poderá ser surpreendido pois muitas pessoas acredi tam que economia ensina a economizar ou mesmo a investir na bolsa de valores o que não é real A economia envolve muito mais do que simples variáveis ela é a grande res ponsável por alocar ou seja distribuir os recursos que são limitados entre as pessoas Ainda no primeiro Tópico veremos os princípios básicos que a regem Você verá que são dez princípios que unificam as ideias centrais da economia e dão uma noção sobre o que de fato ela trata Não se preocupe em decorar todos eles procure entendêlos e com o andamento da nossa disciplina essas ideias serão aprofundadas e ficarão mais claras No segundo Tópico desta primeira Unidade estudaremos alguns conceitos econômicos básicos conceitos estes que darão suporte para o entendimento da disciplina como um todo Então fique atentoa e caso não tenha ficado muito claro algum conceito volte e releia com muita atenção Uma dica ao estudar procure relacionar cada um desses conceitos com a vida prática No terceiro e último Tópico desta unidade faremos uma discussão inicial e básica sobre a economia política Esta seção é importante para a compreensão dos fundamentos teóricos e ideológicos das ciências econômicas Ao final desta unidade você será capaz de compreender conceitos econô micos fundamentais que influenciam a sociedade como um todo seja governo empresas consumidores e os outros países Bons estudos Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 15 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 16 SIGNIFICADO DE ECONOMIA Começaremos nossa disciplina entendendo o significado de economia Você certamente já se deparou com algumas situações econômicas em seu dia a dia e ficou curiosoa para entender um pouco mais sobre os motivos pelos quais determinados fenômenos ocorrem e as possíveis soluções para cada um dos pro blemas tais como Variações na demanda Redução na oferta Desemprego Inflação Alterações na taxa de câmbio Carga tributária Aumento da taxa de juros Estes são alguns problemas que a economia estuda Agora que você já relem brou de algumas questões econômicas deve estar se perguntando mas o que de fato é economia Em termos etimológicos a palavra economia vem do grego Oikós casa Nomos norma lei administração da casa É isso mesmo a economia funciona da mesma maneira que a nossa casa tra balhamos para receber um salário dividimos nossa renda para pagar as contas procuramos viver na maior harmonia possível caso não tenhamos dinheiro para todas as contas pegamos empréstimos se sobrar dinheiro fazemos investimen tos etc Da mesma forma que ocorre em uma empresa e em um país O que difere é que na economia estudamos os diferentes tipos de sistemas econômicos que administram seus recursos com a finalidade de produzir bens e serviços com o objetivo de satisfazer as necessidades da população PASSOS NOGAMI 2012 Então podemos definir economia como sendo uma ciência Significado de Economia Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 17 social que trata do estudo da alocação dos recursos escassos na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ilimitadas ou desejos huma nos MENDES 2009 A partir da definição de economia não podemos deixar de fazer duas observa ções você percebeu que as palavras recursos escassos e necessidades ilimitadas estão em negrito Isso porque são dois conceitos que precisam ficar muito claros para o entendimento da economia Recursos escassos está em negrito pois a escassez que pode ser definida como a situação em que os recursos são limita dos é a escassez variável culpada por todos os problemas econômicos Então podemos afirmar que a economia tem como objeto de estudo a escas sez Se os recursos fossem ilimitados não haveria economia ou se as necessidades da população fossem limitadas também não haveria economia já que todas as necessidades seriam satisfeitas Assim só existe a economia porque precisamos distribuir os recursos produtivos escassos ou limitados de forma que satisfaça todas ou a maior parte possível das necessidades humanas É importante observar que a escassez está relacionada a diversas variáveis como tempo dinheiro espaço físico matériaprima mão de obra seja especiali zada ou não entre outras por esse motivo está presente em todas as economias seja em países ricos como os Estados Unidos que é a maior economia do mundo seja em países em desenvolvimento como os países do continente africano Por exemplo talvez no Brasil não tenhamos escassez de espaço para produção de bens agrícolas mas no Japão tem por outro lado falta tecnologia e no Japão não Compreendeu o funcionamento da escassez Espero que sim pois esta é a base de todo o estudo da economia O termo necessidades ilimitadas está destacado pois diferentemente da escassez os desejos humanos são ilimitados ou seja nunca terminam Por exemplo temos R 5000 para ir ao shopping comprar uma blusa Chegando lá compramos uma blusa mas logo desejamos uma calça ou uma bolsa e assim sucessivamente Sem falar nas necessidades básicas como alimenta ção e moradia Lembrese que a economia estuda o todoagregada assim mesmo que uma pessoa não tenha individualmente desejos ilimitados ou que todas suas necessidades sejam satisfeitas na economia como um todo não é assim que funciona CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 18 Resumindo temos um sério problema quando Recursos escassos X Necessidades humanas ilimitadas Escassez de bens Problema Mais uma vez caso os recursos fossem escassos mas as necessidades humanas fossem limitadas não teríamos problema e se os recursos fossem ilimitados e as necessidades humanas também não haveria problema O grande problema é recursos escassos e necessidades ilimitadas Com base no que discutimos até agora é possível perceber que a Ciência Econômica procura responder mesmo que de forma parcial questões como Como os preços são determinados Como reduzir a inflação A economia é a ciência da escassez ou das escolhas Judas Tadeu Grassi Mendes Significado de Economia Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 19 Como melhorar a distribuição de renda de um país Como fazer com que aumente o número de empregos Quais são as funções do governo Por que uma crise internacional afeta a economia nacional PRINCÍPIOS DE ECONOMIA Você já conhece o significado de economia e seu objeto de estudo que é a escas sez Agora discutiremos as dez ideias centrais que regem a economia Mankiw 2012 dividiu os dez princípios da economia em três grupos como as pessoas tomam decisões como as pessoas interagem e como a economia funciona Grupo 1 como as pessoas tomam decisões O comportamento da economia reflete o comportamento das pessoas que dela fazem parte Por essa razão temos quatro princípios de tomada de decisão individual Princípio 1 as pessoas enfrentam tradeoffs Para começarmos a discutir o primeiro princípio é importante que você saiba o que a expressão tradeoff significa para a economia Esta expressão é uma situa ção de escolha conflitante ou seja quando uma ação tem como objetivo resolver um determinado problema e acaba acarretando outros por exemplo uma forma de fazer com que um país cresça é aquecendo a demanda porém ao aumentar a demanda os preços sobem e geram inflação Então o objetivo inicial que era fazer com que o Produto Interno Bruto PIB aumentasse acabou por fazer com que a taxa de inflação também aumen tasse Nesse caso existe um tradeoff entre crescimento e inflação A situação apresentada anteriormente reflete a tomada de decisão ou seja nada é de graça como diz o provérbio Na economia nada é de graça também pois sempre que queremos alguma coisa precisamos abrir mão de outra que gos tamos Assim precisamos tomar decisões fazer escolhas e renunciar a algo em decorrência de outro objetivo CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 20 Neste momento por exemplo você dedi cou digamos duas horas do seu dia para estudar a disciplina Economia e Sociedade para isso você teve que abrir mão de outra atividade como ver televi são Porém você tem outra escolha você pode dividir as duas horas entre estudar e ver televisão neste caso você estará abrindo mão de uma hora de estudo para assistir uma hora do seu programa favorito Essa foi sua escolha Diariamente ou melhor a toda hora temos tradeoffs e precisamos fazer escolhas O governo e as empresas também precisam tomar decisões a toda hora Princípio 2 o custo de alguma coisa é aquilo de que você desiste para obtêla Como enfrentamos diversos tradeoffs ao tomar decisão é necessário comparar os custos com os benefícios gerados para cada alternativa possível Porém nem sempre o custo de uma ação é muito claro mas mesmo assim precisa ser ava liado Por exemplo você resolveu se matricular no curso da Unicesumar como benefício você tem o enriquecimento do conhecimento novas oportunidades de emprego aumento salarial entre outros Por outro lado você tem custo como a mensalidade e a dedicação terá de abrir mão de outras atividades por algumas horas em função de estudar entre outros A situação apresentada é chamada de custo de oportunidade que é defi nido por Mankiw 2012 como aquilo de que você abre mão para obter outro item Nesse exemplo você abriu mão de parte do seu salário para pagar a men salidade e de parte do seu dia para estudar em função de cursar uma graduação para ter futuramente aumento salarial novas oportunidades de emprego e aumento de seu conhecimento Então como você percebeu o custo de oportunidade está presente em todas as situações de escolha Nós sempre precisamos levar em consideração ao tomar Significado de Economia Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 21 uma decisão do que estamos abrindo mão ou seja custos e benefícios daquela ação bem como a empresa e o governo que também precisam analisar o custo de oportunidade sempre Princípio 3 as pessoas racionais pensam na margem Para a economia as pessoas são racionais ou seja são capazes de fazer o máximo para alcançar seus objetivos sempre de forma direta e sistemática a partir das oportunidades que surgem Porém uma pessoa racional sabe que imprevistos sur gem e como são racionais são capazes de fazer pequenos ajustes em seu plano de ação o que é chamado de mudança marginal Então uma pessoa racional com para ao tomar decisão o custo marginal com o benefício marginal daquela ação Nesse momento você deve estar achando que não compreendeu muito bem os princípios até aqui explicados mas com um exemplo ficará mais fácil Imagine uma empresa aérea que tem um avião de 200 lugares e o voo custa à empresa 100 mil reais O custo médio de cada poltrona é de 100 mil divididos por 200 lugares o que dá 500 reais ou seja o valor mínimo da passagem deve ser de R 50000 Porém a poucas horas de decolar esse avião está com 10 lugares vagos e os passageiros potenciais estão dispostos a pagar R 30000 pela passagem A empresa venderá a este valor pois o custo marginal desses 10 passageiros é muito pequeno quase insig nificante e estes irão consumir alimentos a bordo o que mostra o custo marginal Princípio 4 as pessoas reagem a incentivos Dado que pessoas racionais tomam decisões comparando o custo com o benefício daquela ação o incentivo exerce papel fundamental para essa escolha pois o é algo que faz com que uma pessoa racional aja Por exemplo quando o preço da alface aumentar as pessoas irão reduzir o consumo dessa verdura e substituíla por outra como chicória A mesma situação acontece quando o governo implementa uma política pública A nova política pública por exemplo o aumento da taxa de juros irá alterar o comportamento das pessoas e isso deve ser levado em consideração Terminamos aqui nossa discussão sobre o primeiro grupo de princípios básicos da economia e você agora já sabe como as pessoas tomam suas deci sões Esses princípios são importantes em nossa disciplina já que estamos falando em tomada de decisão CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 22 Grupo 2 como as pessoas interagem Vimos de que forma as pessoas tomam decisões Porém sabemos que muitas vezes uma decisão nossa afeta a vida de outras pessoas ou seja nós interagi mos com os demais Neste grupo discutiremos três princípios que dão suporte a como as pessoas interagem Princípio 5 o comércio pode ser bom para todos A visão de que dois países que produzem o mesmo tipo de bem são concorrentes é equivocada pois apesar de as empresas concorrerem por clientes o comércio entre os países é bom para todos Isso acontece em razão de o país A se especia lizar em um determinado bem exportarlo e importar outro do qual necessite mas que não é especialista Então os países dependem uns dos outros Princípio 6 os mercados são geralmente uma boa maneira de organizar a atividade econômica Hoje sabemos que a forma mais eficiente de organizar a atividade econômica é por meio do próprio mercado ou seja da chamada economia de mercado Esta é definida por Mankiw 2012 como uma economia que aloca recursos por meio das decisões descentralizadas das empresas e famílias quando estas interagem nos mercados de bens e serviços Nesse caso a economia é controlada via preços O comprador verifica o preço ao determinar a demanda por bens e serviços e os vendedores analisam o preço ao decidir a oferta O preço formado pela relação entre demanda e oferta reflete o preço de mercado por bens serviços e o custo da manufatura No entanto é importante observar que o governo pode e deve em muitos casos tomar medi das tais como impostos subsídios entre outras de forma a impedir que o mercado se ajuste sozinho Qual foi um tradeoff importante que você enfrentou recentemente na sua vida profissional Sua escolha foi racional Você levou em consideração os custos e benefícios da sua ação Significado de Economia Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 23 Princípio 7 às vezes os governos podem melhorar os resultados dos mercados Como discutido no princípio 6 os mercados procuram se estabilizar por meio dos preços Porém o governo tem papel importante mesmo em economias de mercado O papel do governo é fazer com que as regras sejam cumpridas garan tindo o chamado direito de propriedade que se dá mediante as instituições Direito de propriedade é definido por Mankiw 2012 como a habilidade de um indivíduo de possuir e exercer controle sobre recursos escassos O direito de propriedade é um incentivo para empresas e famílias produ zirem Além de garantir o direito de propriedade o governo deve intervir na economia de mercado para assegurar a eficiência e promover a igualdade já que o mercado sozinho nem sempre consegue fazerlos Em relação à eficiência os mercados nem sempre conseguem alocar os recur sos de forma eficiente gerando as chamadas falhas de mercado que acontecem em razão das externalidades e do poder de mercado Externalidade é quando a ação de um indivíduo afeta o bemestar de outros Já poder de mercado é a capacidade de um ou um grupo de agentes eco nômicos influenciar os preços de mercado de forma significativa Em relação à igualdade é dever do governo promover políticas públicas que procuram dar as mesmas condições a todos os agentes econômicos Grupo 3 como a economia funciona Os dois grupos de princípios da economia que discutimos juntos formam o ter ceiro grupo como a economia funciona pois o modo como os agentes tomam decisão e interagem formam a economia Princípio 8 o padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços Por que os mercados existem CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 24 Sabemos que existem grandes diferença no padrão de vida dos países e estas ao longo do tempo também variam Esse fato é explicado pela produtividade ou melhor pela diferença entre a produtividade dos países Por produtividade entendese a quantidade de bens e serviços produzidos por unidade de insumo de mão de obra MANKIW 2012 Então em países em que a produtividade é maior o padrão de vida também é maior Países com produtividade baixa ten dem a ter o padrão de vida menor Nesse caso cabe ao governo implementar políticas públicas que procuram aumentar a produtividade do país Princípio 9 os preços sobem quando o governo emite moeda demais Inflação é definida como o aumento contínuo e generalizado de preços Dessa forma quando o governo emite moeda teremos mais moeda em circulação dando a impressão para a população de aumento do poder aquisitivo Com isso as pessoas demandarão mais bens e serviços fazendo com que os preços subam Além disso quando o governo emite moeda o valor dela diminui gerando aumento de preços Lembrese que a moeda é um bem como outro qualquer mas aprofundaremos nossas discussões sobre esse tema na Unidade III Princípio 10 a sociedade enfrenta um tradeoff de curto prazo entre infla ção e desemprego O aumento da quantidade de moeda em circulação estimula o nível geral de consumo e assim há aumento na demanda por bens e serviços O aumento da demanda pode fazer com que as empresas aumentem os preços dos seus bens e serviços gerando inflação Por outro lado quando temos muita demanda as empresas precisam contratar mais trabalhadores gerando aumento no nível de empregos Resumindo em curto prazo o aumento da demanda gera infla ção e reduz o desemprego Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 25 CONCEITOS ECONÔMICOS FUNDAMENTAIS Neste item iremos discutir alguns conceitos econômicos básicos e fundamentais para o entender da disciplina e da economia como um todo Você irá perceber que são conceitos fáceis de compreensão e que fazem parte do nosso dia a dia Porém não esqueça que todos os conceitos que iremos discutir são relaciona dos com os princípios básicos da economia Vamos lá AS QUESTÕES ECONÔMICAS FUNDAMENTAIS Após entender o conceito e o objeto de estudo da economia podemos afirmar que qualquer economia independentemente de ser rica ou pobre capitalista ou socialista industrializada ou em processo de industrialização procura respon der às seguintes perguntas O que produzir Quanto produzir Para quem produzir Como produzir Vamos entender cada uma dessas perguntas O que produzir significa definir quais bens e serviços a economia irá fabricar Esta não é uma decisão fácil pois como você já sabe os recursos são escassos Então não podemos produzir tudo que desejamos ou que precisamos em outras palavras aumentar a produção de um determinado bem significa redu zir a quantidade produzida de outros bens CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 26 Após decidir o que será feito dados os recursos limitados tem de ser defi nida a quantidade do bem ou serviços escolhidos que será produzida além do públicoalvo do produto Um dos fatores de escolha do Para quem produzir é a renda desse consumidor Quanto maior for a renda maior a quantidade de mercadorias que ele poderá adquirir Essas três primeiras perguntas mostram que quem irá influenciar a decisão da empresapaís são os consumidores Já na última Como produzir a empresapaís define o melhor processo produtivo ou seja como fabricar o bem na quantidade escolhida da forma mais eficiente possível Dado que os recursos produtivos são escassos a empresa deverá escolher a combinação desses recursos com o menor custo possível para fabricar bens e serviços Podemos resumir as perguntas básicas da economia no Quadro 1 Quadro 1 Problemas básicos de um sistema capitalista O QUE PRODUZIR Sabese que diante do contexto de escassez dos recursos produti vos uma maior produção de um determinado bemserviço impli cará em uma menor produção de outros bensserviços Diante dis so cada sociedade deverá escolher o que produzir Indiretamente tal escolha é feita pelos consumidores quando gastam suas rendas adquirindo produtos cujos preços estão dispostos a pagar COMO PRODUZIR Como produzir referese à combinaçãoajuste dos recursos produ tivos e à empregabilidade de técnicas que possibilitem um deter minado nível de produção ao menor custo possível Os preços dos recursos produtivos nesse processo são fundamentais ao passo que apontam os fatores de produção mais escassos e que portan to devem ser poupados PARA QUEM PRODUZIR Dependente do nível da renda pessoal e de sua distribuição para quem produzir diz respeito à distribuição dos bensserviços Em outras palavras quanto maior a renda de um indivíduo maior será seu consumo Fonte Mendes 2004 p 19 e 20 Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 27 CURVA DE POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO E CUSTO DE OPORTUNIDADE Como discutimos a economia está ligada ao problema da escolha já que os recursos produtivos são limitados e as necessidades humanas são ilimitadas Em outras palavras é imposta aos agentes econômicos uma escolha para a produ çãoconsumo de diversos tipos de bens e serviços Para entender melhor como a escolha é feita vamos supor a seguinte situação para uma determinada economia a Uma economia só produz dois bens X e Y que você pode por exemplo chamar de roupas e alimentos b A quantidade e a qualidade dos recursos produtivos são fixas ou seja independentemente de produzir o bem X ou o bem Y a quantidade e a qualidade dos recursos produtivos serão as mesmas c Existe pleno emprego ou seja essa economia produz o máximo que ela pode dada a quantidade de recursos produtivos que ela tem disponível d A tecnologia é constante já que o seu uso é uma forma de aumentar a pro dução utilizando a mesma quantidade de fatores de produção disponíveis Após apresentar os pressupostos da economia hipotética podemos verificar a quantidade de cada bem que poderá ser produzido dado os recursos produti vos que temos disponíveis Isso pode ser visto no Quadro 2 Quadro 2 Quantidade de cada bem que pode ser produzido dada a quantidade de fatores de produção disponível BEM QUANTIDADE X roupas 180 160 150 130 100 60 Y alimentos 10 20 30 40 50 60 Ponto 1 2 3 4 5 6 Fonte a autora Caso a economia queira produzir tanto o bem X quanto o bem Y ela deverá abrir mão de determinada quantidade de um bem para produzir o outro Por exemplo para produzir 20 unidades de Y a empresa deverá deixar de produzir 20 unidades de X ou para 30 unidades de Y deverá deixar de produzir 20 unidades de X Para ficar mais fácil vamos visualizar essa situação por meio do Figura 1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 28 60 50 40 30 20 10 0 60 100 130 150 160 180 6 5 4 3 2 1 Alimentos toneladas Roupas milhares Figura 1 Curva das possibilidades de produção ou curva de transformação da situação hipotética apresentada Fonte a autora A Figura 1 mostra as quantidades dos bens X e Y que a economia hipotética poderá produzir dados os fatores de produção limitados Isto é conhecido como curva das possibilidades de produção ou curva de transformação Então qual quer ponto sobre a curva mostra que a quantidade de bens X e Y que a economia poderá produzir nessa situação está em pleno emprego Agora qualquer ponto baixo da curva como o ponto 7 que pode ser visto na Figura 2 a economia poderá produzir porém caso produza no ponto 7 a economia é ineficiente e não está em pleno emprego pois haverá recursos produtivos para produzir mais em outras palavras haverá capacidade ociosa 60 50 40 30 20 10 0 60 100 130 150 160 180 6 5 4 3 2 1 Alimentos toneladas Roupas milhares 8 7 Figura 2 Pontos de produção que estão fora da curva das possibilidades de produção Fonte a autora Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 29 Ainda analisando a Figura 2 podemos verificar que há o ponto 8 Dada a tec nologia constante produzir no ponto 8 é impossível pois não temos recursos produtivos suficientes Contudo existe uma forma de a economia chegar ao ponto 8 que é por meio da tecnologia Esta é um fator que desloca a curva das possibilidades de produção pois como já discutimos podemos produzir mais dados os mesmos fatores de produção disponíveis ou seja aumenta a capaci dade produtiva da empresa Essa situação pode ser vista na Figura 3 60 50 40 30 20 10 0 60 100 130 150 160 180 6 5 4 3 2 1 Alimentos toneladas Roupas milhares 8 7 Figura 3 Deslocamento da curva das possibilidades de produção dada uma mudança tecnológica Fonte a autora No mundo real pode acontecer de a curva das possibilidades de produção se deslocar mais em direção a um bem do que a outro isso acontece em razão de os bens não possuírem exatamente o mesmo processo produtivo ou as mesmas quantidades de todos os fatores de produção Então o recurso produtivo que seja mais afetado pela tecnologia tende a deslocar mais a curva de transformação Tudo que discutimos sobre curva das possibilidades de produção também nos mostra outro conceito muito importante para a ciência econômica que é o custo de oportunidade no qual a empresa teve de abrir mão de certa quanti dade produzida do bem Y em função da produção do bem X Portanto custo de oportunidade pode ser definido como o sacrifício de se transferir os recursos de uma atividade para outra ou seja é a quantidade de um bem ou serviço que se deve renunciar para obter outro CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 30 É importante observar que só existe custo de oportunidade se a economia estiver funcionando em pleno emprego ou seja se os recursos forem plenamente utilizados como os pontos 1 a 6 da Figura 1 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS E SERVIÇOS Bens e serviços podem ser definidos como tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana Lembrando que as necessidades humanas são ilimitadas e cada pessoa tem a sua Os bens podem ser classificados de duas formas princi pais em relação a sua raridade e em relação a quem os oferta No que diz respeito à raridade os bens e serviços podem ser Livres são aqueles bens nos quais a quantidade é ilimitada e podem ser obti dos sem nenhum esforço humano por esse motivo não têm preço e a economia não se preocupa com eles por exemplo mar rio lagoa oxigênio entre outros Econômicos são bens e serviços limitados escassos têm valor de mer cado e precisam de esforço humano para produzilos por exemplo carro computador caneta entre outros Os bens e serviços econômicos são os bens estudados pela economia Os bens econômicos podem ser classificados quanto a sua natureza em a Materiais são bens tangíveis e que podem ser estocados Por exemplo computador sapato roupa etc Podem ser i Consumo bens duráveis e de consumo imediato Exemplo roupa O termo custo de oportunidade é muito utilizado na economia mas por não ser facilmente quantificável é muitas vezes difícil para profissionais de ou tras áreas compreender Por este motivo sugiro o texto Custo de oportuni dade oculto na contabilidade nebuloso na mente dos contadores O artigo está disponível em httpwwwscielobrscielophpscriptsciarttextpi dS151970772002000300002langpt Fonte a autora Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 31 ii Intermediário necessários para fabricação de bens de consumo Exemplo matériaprima iii Capital permitem produzir bens Exemplo máquinas b Imateriais ou serviços são intangíveis não podem ser estocados e assim que são consumidos acabam como uma consulta médica uma aula ou uma consultoria A partir do que foi discutido sobre bens econômicos materiais e imateriais farei uma pergunta para você uma passagem de metrô é um bem material ou um ser viço O ticket do metrô é um bem material pois conseguimos estocar porém a viagem feita é um serviço pois assim que descemos do metrô o bem acaba Os bens e serviços também podem ser classificados em relação a quem os oferta Neste caso podem ser Públicos são bens ou serviços ofertados pelo governo e têm como carac terísticas serem não exclusivos e não disputáveis ou seja independentemente de quem paga por eles no caso por meio de impostos todos poderão consu mir e o consumo de uma pessoa não exclui o consumo de outra Por exemplo a segurança pública e o corpo de bombeiros Privados são bens ou serviços ofertados pelas empresas e têm como carac terísticas serem disputáveis e exclusivos ou seja só quem pagar pelo bem poderá leválo para casa e o consumo de uma pessoa exclui o consumo da outra como uma roupa ou um alimento Para melhor visualizar a classificação dos bens quanto a quem os oferta veja o Quadro 3 Quadro 3 Comparação entre bem público e bem privado CARACTERÍSTICA BEM PÚBLICO BEM PRIVADO É rival Não Sim É excludente Não Sim Fonte a autora Conforme podemos ver no Quadro 3 se um determinado bem é não rival e não excludente ele é um bem público caso contrário é um bem privado Para ilustrar essa situação vamos pensar em dois bens iluminação pública e carro Primeiro sabemos que o mesmo carro não pode ser consumido no caso comprado CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 32 por duas pessoas diferentes sendo assim o seu consumo é rival Em segundo lugar o consumo do carro é excludente pois se a pessoa não pagar pelo carro a empresa não venderá Já no caso da iluminação pública não é possível uma pessoa ter e a outra na mesma rua não ter e nem o consumo por parte de um indivíduo excluir o consumo do outro AGENTES ECONÔMICOS NO SISTEMA CAPITALISTA Para fabricar bens e serviços comprar produtos pagar tributos regular a econo mia entre outros ou seja para fazer com que a economia gire são necessários os agentes econômicos que podem ser definidos como sendo pessoa de natureza física ou jurídica que por meio de suas ações contribui para o funcionamento do sistema econômico Esses agentes podem ser classificados em a Empresas também são conhecidas como unidades produtivas são responsáveis pela produção e comercialização dos bens e serviços As empresas combinam os fatores de produção da forma mais eficiente pos sível para fabricar bens e serviços de modo a obter o máximo de lucro b Família conhecida como consumidores incluem segundo Passos e Nogami 2012 todos os indivíduos e unidades familiares da economia têm como função adquirir bens e serviços e além disso são proprietá rios do fator de produção trabalho Em outras palavras trabalhamos para receber salários para poder comprar bens e serviços c Governo são as organizações que estão direta ou indiretamente sob o domínio do Estado e que atuam no sistema econômico Temos o governo Federal Estadual e Municipal além das leis e regulações O governo pode intervir na economia de duas formas segundo Passos e Nogami 2012 atuando como empresários e produzindo bens e serviços por meio das empresas estatais ou contratando serviços comprando materiais equi pamentos etc O governo pode intervir também por meio de regulações tendo como objetivo controlar o mercado para tornarlo eficiente Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 33 d Setor externo são os demais países que ao fazer comércio com o Brasil acabam influenciando a economia sendo também influenciados Assim o setor externo é composto por todas as instituições que mantêm relações econômicas com o paíseconomia que se está analisando e que tenham sua estrutura física fora das fronteiras geográficas deste Assim sendo visando desenvolver eou fazer crescer as atividades econômicas cabe a toda economia o estabelecimento de suas normas as quais devem ser res peitadascumpridas por todos os agentes Por exemplo as unidades produtivas devem ter autorizações específicas entre elas o alvará de funcionamento para atuar ou seja para produzir e comercializar seus produtos Essa é apenas uma das normas que compõem as inúmeras existentes nas econo mias Tais normas e suas relações com as unidades produtivas e familiares bem como com os setores públicos e externos formam o que chamamos de sistema econômico Os mais relevantes tipos de sistema econômico são o capitalismo e o socialismo Aqui trataremos apenas do capitalismo visto que o sistema econômico em questão é o sistema no qual a maioria das economias estão inseridas O refe rido sistema econômico depende das forças de demanda consumidores e de oferta produtores para determinar preços alocar recursos e distribuir a renda e a produção ao passo que o governo pouco se envolve na tomada de decisões MENDES 2004 Determinados a obter lucros cada vez maiores os proprietá rios dos fatores de produção ou recursos produtivos os fatores de produção ou recursos produtivos são de propriedade privada tomam as decisões de produção Destacase que os lucros e prejuízos que porventura ocorram são resultados das referidas decisões Tais decisões tendem a afetar diretamente consumidores e produtores ao passo que os consumidores dado seu nível de renda buscam maximizar suas satisfações e os produtores dados os seus fatores de produção ou recursos produtivos buscam maximizar seus lucros Nesse ínterim os preços de mercado são os responsáveis por nortear as deci sões das firmas e dos indivíduos no quesito produção distribuição e consumo Contudo vale ressaltar que neste tipo de sistema econômico em todos os tipos de atividades e segmentos a concorrência é extremamente acirrada Em síntese conforme nos mostra o Quadro 4 as principais características do sistema eco nômico capitalista são CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 34 Quadro 4 Principais características do sistema capitalista PROPRIEDADE PRIVADA Dos fatores de produção dos bens de consumo duráveis e não duráveis e do dinheiro SISTEMA DE PREÇOS Responsável pelo controle do funcionamento da economia seleção de bens e quantidades a serem produzidos combinação e distribuição dos fatores de produção seleção de técnicas e métodos de produçãoorganização e distribuição dos bens entre membros da sociedade LUCRO Incentivo à produção Diferença entre Receita Total e Custo Total de produção COMPETIÇÃO De grande importância Entre as empresas e entre os proprie tários dos recursos apesar da constantecrescente presença de oligopólios e monopólios nos mercados GOVERNO Papel limitado apesar da elevada participação do governo nas atividades econômicas nos dias atuais Fonte Mendes 2004 p 1718 Ainda que sejam inúmeras as críticas apontadas ao modo de produção em ques tão esse tipo de sistema econômico até então temse revelado a opção mais eficaz a título de organização da atividade econômica Segundo Mendes 2004 p 1819 estudiosos do assunto apontam o a antagonismo entre o capital e o trabalho b a presença de elementos monopolísticos e c a não solução da jus tiça social como as mais relevantes falhas do sistema Em contrapartida apontam a alocação dos fatores de produção de modo eficiente como a mais relevante qualidade do sistema em questão ao passo que promove ganhos de produção e bemestar social A eficiência na alocação dos recursos produtivos é consequência da constante busca pelo aperfeiçoamento em função da acirrada competição existente e da incitação ao lucro FATORES DE PRODUÇÃO OU RECURSOS PRODUTIVOS Podemos definir fatores de produção ou recursos produtivos como elemen tos limitados que são utilizados no processo de fabricação de bens e serviços que irão satisfazer as necessidades humanas Os fatores de produção têm como Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 35 características serem escassos como você já deve ter percebido versáteis ou seja podem ser utilizados para diferentes fins Dito de outro modo os fatores de produção fabricam diversos bens e podem ser combinados em proporções para produzir bens e serviços Após definir fatores de produção é importante classi ficálos Os recursos produtivos são a Recursos naturais ou terra é a origem de todo processo produtivo como terra água minerais matériasprimas etc b Recursos humanos é a contribuição do ser humano na produção podem ser físico ou intelectual Como trabalho físico temos o trabalho de um agricultor no campo Uma consulta médica é considerada um tra balho intelectual c Capital são bens utilizados no processo produtivo como máquinas construções infraestrutura entre outros Atualmente além dos três fatores de produção clássicos que citamos anterior mente ainda temos a capacidade empresarial e o empreendedorismo como fatores de produção pois é fundamental a tomada de decisão dos empresários quanto à utilização dos recursos produtivos A tecnologia também pode ser considerada um fator de produção Para melhor compreensão dos fatores de produção tradicionais vamos analisar o Quadro 5 Quadro 5 Fatores de produção TERRA OU RECURSOS NATURAIS Consistem em todos os bens econômicos utilizados na produ ção e que são obtidos direamente da natureza como os solos urbanos e agrícolas os minerais as águas dos rios dos lagos dos mares dos oceanos e do subsolo a fauna a flora o sol e o vento como fontes de energia entre outros Esses recursos são um presente da natureza Para se referir a todos os tipos de recursos naturais alguns economistas utilizam o termo terra MÃO DE OBRA OU TRABALHO Incluem toda a atividade humana esforço físico eou mental utilizada na produção de bens e serviços como os serviços técnicos do advogado do médico do economista do enge nheiro ou da mão de obra do eletricista do encanador Há economistas que consideram o capital humano um quarto tipo de fator de produção Por capital humano considerase o conhecimento e as habilidades que as pessoas obtêm por meio da educação e da experiência em atividades produtivas CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 36 CAPITAL O fator de produção capital corresponde aos conjuntos dos edi fícios máquinas equipamentos e instalações que a sociedade dispõe para efetuar a produção Este conjunto é denominado de estoque de capital da economia Quanto mais bens de capital dispuser a economia mais produtiva ela será ou seja mais bens e serviços poderá produzir Observe que o conceito de capital como fator de produção é um pouco diferente da palavra capital usada na linguagem comum quando é utilizada para designar uma quantia em dinheiro ou outro ativo financeiro que deter minada pessoa possui para iniciar um determinado negócio Fonte Mendes 2004 p 5 Em suma os fatores de produção ou recursos produtivos inputs isto é os solos os minerais as águas a fauna a flora o sol o vento os serviços técnicos espe cializados a mão de obra do operário os conjuntos dos edifícios as máquinas os equipamentos as instalações entre outros dadas suas principais caracterís ticas escassez versatilidade e combinações em proporções variáveis quando alocados promovem ao longo do processo produtivo uma expressiva produção outputs ou seja promovem uma ampla gama de bens e serviços SETORES ECONÔMICOS Em todas as atividades de produção ou setores da economia estão inseridos os fatores de produção ou recursos produtivos terra ou recursos naturais mão de obra ou trabalho e capital e as técnicas de produção MENDES 2004 Destacase que com base em Mendes 2004 dependendo da atividade de produção tais recursos e técnicas variam em intensidade ou seja em cada um dos setores da economia são empregados recursos e técnicas em proporções diferentes Em outras palavras temos atividades de produção ou setores da eco nomia que são intensivos em terra ou recursos naturais outros em mão de obra ou tra balho e ainda outros que são intensivos em capital O autor nos explica ainda que a intensidadeproporção de usoemprego dos fatores de produção ou recursos produtivos classifica as atividades de pro dução ou setores da economia em atividades primárias secundárias e terciárias de produção Vamos entender cada uma delas Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 37 a Atividades primárias de produção ou setor primário Agricultura lavouras permanentes temporárias horticultura floricultura pecuária criação e abate de gado de suínos e aves pesca e caça extração vegetal produção florestal silvicultura e reflorestamento b Atividades secundárias de produção ou setor secundário Indústria extrativa mineral minerais metálicos e não metálicos indústria de trans formação produtos alimentícios minerais não metálicos metalurgia mobiliário química fiação e tecelagem vestuário calçados material elétrico de telecomunicações e de transporte produtos de matérias plásticas bebidas fumos indústria da construção obras públicas e construções privadas c Atividades terciárias de produção ou setor terciário Comércio ata cadista e varejista transportes rodoviários ferroviários hidroviários e aeroviários comunicações telecomunicações correios e telégrafos radiodifusão e TV intermediação financeira bancos seguradoras distri buidoras e corretoras de valores e bolsas de valores imobiliárias comércio imobiliário administração e locação hospedagem e alimentação hotéis restaurantes bares e lanchonetes reparação e manutenção máquinas veículos e equipamentos serviços pessoais cabeleireiros barbeiros outros serviços assistência à saúde educação cultura lazer culto reli gioso e governo federal estaduais e municipais Funcionamento do sistema capitalista As bases de um sistema econômico capitalista podem ser melhor discutidas por meio de um modelo de economia de mercado que não considere interações com o setor público ou governo e com o setor externo ou resto do mundo Observe que as instituições familiares e produtivas nesse modelo interagem em apenas dois mercados sendo eles o mercado de bens e serviços e o mercado de fato res de produção MENDES 2004 Nessa direção as unidades familiares oferecem no mercado de fatores de produção recursos produtivos As unidades produtivas por sua vez oferecem no mercado de bens e serviços sua produção Por outro lado as unidades fami liares demandam no mercado de bens e serviços a produção das empresas ao passo que as unidades produtivas demandam no mercado de fatores de produ ção CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 38 os recursos produtivos Essa interação entre agentes econômicos e mercados é chamada de fluxo real da economia VASCONCELLOS GARCIA 2008 Entretanto tal interação só é possível com a presença da moeda que é empregada para remunerar as famílias pelo uso dos recursos produtivos bem como para o pagamento dos bens e serviços adquiridos Diante disso temse um fluxo monetário A união dos fluxos real e monetário da economia origina o que chamamos de Fluxo Circular de renda O Quadro 6 descreve sucintamente as interações que compõem esse fluxo VASCONCELLOS GARCIA 2008 Quadro 6 Interações entre famílias e empresas nos mercados de bens e serviços e de fatores de produção ATIVIDADE MERCADO DE BENS E SERVIÇOS MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO Fluxo Real Produtos das empresas para satisfazer as necessidades dos consumidores Os principais fatores de produção são Terra ou Recurso Natural Mão de obra ou Trabalho e Capital Fluxo Mo netário As famílias tranferem parte de suas rendas às empresas ao adquirirem seus produtos As empresas remuneram as famílias pelo uso dos fatores por meio de Salários trabalho Dividendos capital Juros capital Lucros capital Alugel T ou RN ATIVIDADE MERCADO MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO Oferta Exercida pelas instituições produtivas Exercida pelas instituições familia res Demanda Exercida pelas instituições familiares Exercida pelas instituições produ tivas Interação Por meio dos preços dos produtos Por meio dos preços dos fatores Fonte Mendes 2004 p 22 Destacase que tanto no mercado de bens e serviços quanto no mercado dos fato res de produção visando determinar os preços as forças da oferta e da demanda atuam em conjunto Assim sendo no mercado de bens e serviços essa interação forma os preços dos produtos ao revés do mercado de fatores de produção que forma os preços dos recursos produtivos VASCONCELLOS GARCIA 2008 Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 39 Por fim vale ressaltar que as interações entre famílias e empresas nesses mer cados são limitadas pela escassez em outras palavras as famílias embora tenham desejos ilimitados possuem rendas limitadas ao passo que empre sas devido a recursos produtivos finitos incorrem em restrições de produção MENDES 2004 DIVISÃO DA CIÊNCIA ECONÔMICA Devido a fins metodológicos para estudos econômicos dividese a ciência eco nômica em duas grandes áreas sendo elas a microeconomia e a macroeconomia A microeconomia segundo Viceconti e Neves 2010 p 9 é o ramo da teoria eco nômica que estuda o funcionamento do mercado de um determinado produto ou grupo de produtos Em outras palavras estuda a interação entre compradores e ven dedores em determinados mercados como no mercado de produtos alimentícios Assim sendo o estudo da microeconomia está voltado entre outros para a insti tuições individualizáveis isoladamente ou em grupos homogêneos b com portamento dos consumidores c comportamento das empresas d estruturas e mecanismos de funcionamento dos mercados e funções e imperfeições dos mercados f remune ração paga aos agentes e à repartição funcional da renda nacional e g preços que as empresas recebem por suas produções ROSSETTI 2008 Nas Unidades II e III serão abordadas as noções básicas que envolvem essa área da Teoria Econômica A macroeconomia por sua vez é o ramo da teoria econômica que estuda o funcionamento da economia como um todo procurando identificar e medir inúmeras variáveis tais como nível de produção total investimento agregado poupança agregada nível de emprego nível geral de preços etc VICECONTI NEVES 2010 p 9 Dessa forma o estudo da macroeconomia está voltado entre outros para a a economia em seu conjunto b o desempenho total da econo mia dado as causas e os mecanismos de correção das flutuações c os agregados macroeco nômicos tais como PIB e RN d as relações entre macrovariáveis tais como investimento e nível de emprego e as medidas de tendência central tais como taxas de juros e de câmbio f as trocas internacionais e g o crescimento e desen volvimento das economias ROSSETTI 2008 As noções básicas que envol vem essa área da teoria econômica serão tratadas nas Unidades de número IV e V CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final da primeira Unidade da disciplina Economia e Sociedade Agora você já sabe exatamente o que é economia e o que essa ciência tão fabulosa estuda Vimos que a economia vai muito além da ciência que estuda o dinheiro ou como as pessoas fazem investimento As ciências econômicas têm como foco as escolhas dos agentes econômicos sempre com o objetivo de gerar bemestar social essa escolha é feita porque os recursos produtivos são escassos e as neces sidades humanas são ilimitadas Por este motivo a economia é uma ciência social e não uma ciência exata já que apesar de utilizar alguns instrumentos matemáticos e estatísticos ela estuda a melhor forma de satisfazer as necessidades da sociedade Discutimos também alguns conceitos econômicos fundamentais que te ajudarão a compreender o funcionamento da economia no mundo real além disso falamos sobre os dez princípios econômicos e um pouco sobre os teóricos e seus modelos Acredito que você deve ter se surpreendido com a complexidade da econo mia e tenho certeza que com o passar das unidades você ficará cada vez mais surpresoa e encantadoa com o estudo das ciências econômicas uma vez que a economia está no nosso dia a dia já que vivemos economia desde o nosso nas cimento até a nossa morte Qualquer decisão do governo afeta nossas vidas qualquer decisão de um membro da nossa família afeta a família como um todo principalmente se essas decisões forem econômicas Assim termino a primeira Unidade espero que eu tenha conseguido despertar em você a curiosidade pela ciência econômica Na próxima unidade discutiremos uma das grandes áreas de estudo da economia que é a microeconomia e você poderá compreender melhor a famosa lei oferta e demanda Qualquer dúvida que tiver não exite em nos procurar Um forte abraço 41 1 Economia é uma palavra originária da língua grega sendo a junção de duas ou tras palavras que são oikós que significa casa e nomos que pode ser traduzida como normalei Então literalmente economia é a administração da casa Em relação ao conceito de economia assinale a alternativa correta a É uma ciência social que trata do estudo da alocação dos recursos escassos na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ou dese jos humanos b É uma ciência exata que trata do estudo da alocação dos recursos escassos na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ou desejos humanos c É uma ciência social que trata do estudo da alocação dos recursos ilimitados na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ou dese jos humanos d É uma ciência exata que trata do estudo da alocação dos recursos ilimitados na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ou dese jos humanos e É uma ciência social que trata do estudo da matemática para alocar os recur sos ilimitados na produção de bens e serviços para a geração máxima de lucro 2 Estudamos alguns conceitos básicos de economia incluindo seu significado Em relação ao que foi discutido podemos afirmar que todos os problemas estudados em economia são originários de uma variável ou situação que é Assinale a alternativa correta a Desigualdade da distribuição de renda b Pouca produção nacional c Da escassez de recursos produtivos d Da corrupção dos agentes econômicos e Da abundância dos recursos produtivos 42 3 Dado que os recursos são escassos ou seja limitados e as necessidades huma nas são ilimitadas todas as economias independente do seu grau de desenvol vimento econômico procuram responder a quatro perguntas básicas Em rela ção a essas perguntas relacione a primeira coluna com a segunda coluna I O que produzir II Quanto produzir III Como produzir IV Para quem produzir a Público alvo b Variedade de bens e serviços c Quantidade d Processo produtivo Marque a alternativa que relaciona corretamente as colunas a Ia IIb IIIc IVd b Ib IIa IIId IVc c Ic IId IIIb IVa d Ib IIc IIId IVa e Id IIc IIIa IVb 4 Bens e serviços são tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana e podem ser classificados em econômicos materiais ou serviços Em relação aos bens econômicos materiais marque a alternativa correta I São bens tangíveis e estocáveis II Podem ser de consumo final consumo intermediário e de capital III O lançamento de uma campanha política é um exemplo de bem de consumo IV Os insumos de uma forma geral são exemplos de bens intermediários a Somente as afirmativas I e II estão corretas b Somente as afirmativas III e IV estão corretas c Somente as afirmativas I II e III estão corretas d Somente as afirmativas I II e IV estão corretas e Todas as afirmativas estão corretas 43 5 A economia é dividida em duas grandes áreas microeconomia e macroeconomia e cada um desses ramos é responsável pelo estudo de determinadas variáveis Em relação à divisão da ciência econômica marque a alternativa correta a Tanto a microeconomia quanto a macroeconomia estudam o país como um todo b A microeconomia é responsável por questões como a alta do dólar e a macro economia pela relação entre oferta e demanda c A microeconomia estuda os grupos isoladamente e a macroeconomia estuda a economia como um todo d Tanto a microeconomia quanto a macroeconomia estudam os grupos isola dos e A microeconomia estuda questões que não trazem grandes problemas para o país e a macroeconomia estuda os grandes problemas econômicos 44 POR QUE ESTUDAR ECONOMIA Imagine a seguinte situação uma moça escreve um email ao namorado e lê um livro de 150 páginas enquanto espera numa fila que durou mais de três horas O motivo disso é que um determinado posto de gasolina está fazendo uma super promoção e vendendo o litro do combustível a R299 para inaugurar novos postos da mesma rede A promoção durou das dez horas ao meio dia de um sábado e os consumidores só pode riam adquirir 69 litros Estou na fila desde que ela se formou Nunca vi o preço da gaso lina tão baixo e acho que isso não vai acontecer de novo contou Vera que dirigiu cerca de 14 quilômetros e chegou ao posto às oito horas mas já encontrou sete carros a sua frente Como meu carro já estava na reserva coloquei R 2 e continuei esclareceu Vera Acho que já gastei mais do que vou colocar no tanque agora contou João ao chegar à bomba depois de uma hora e meia de espera Uma mulher tentou furar a fila o que deu início a uma discussão João desistiu de esperar e ao ir embora bateu em um car ro Eu queria sair daquela confusão Essa gente é louca Tudo isso pra economizar uns trocados disse João ao registrar o boletim de ocorrência As pessoas desse relato se sacrificaram para comprar 15 galões de gasolina por um preço promocional de R299 Na época o litro de gasolina custava R370 Para alguns a decisão de aproveitar a promoção de gasolina pode parecer sem sentido mas para outros tratase de uma medida bastante razoável O que acontece é que para todos nós a decisão de comprar ou não a gasolina é basicamente a mesma compara mos os custos com os benefícios Precisamos fazer escolhas o tempo todo porque não temos tudo que queremos Após estudar a primeira Unidade no nosso livro você sabe que não é possível conseguir estudar ou trabalhar 40 horas por semana jogar futebol andar de bicicleta praticar sur fe ir ao cinema ler um romance e ainda sair pra se divertir com os amigos Simplesmen te não há tempo para fazer tudo isso é preciso escolher algumas atividades e deixar de lado as demais É disso que trata a economia a compreensão dos motivos que levam as pessoas a fazerem o que fazem A economia é um campo fascinante A economia analisa as decisões tomadas pelas pessoas e pelas empresas no que se re fere ao trabalho consumo investimento contratação de funcionários e precificação de serviços Estudam o funcionamento de economias inteiras e a interação entre elas o motivo para haver recessão em alguns momentos e crescimento em outros a diferença dos padrões de vida de um país para outro e a disparidade de riqueza entre as pessoas Fonte a autora Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR O livro da Economia Vários autores Editora Globo livros Sinopse escrito por um grupo de economistas professores jornalistas e analistas financeiros O Livro da Economia apresenta as bases do pensamento que pautou a evolução e as diversas teorias da economia em todo o mundo Numa escrita ágil o livro aborda a história de como a humanidade criou e entendeu o dinheiro o comércio a especulação as crises econômicas a partir dos principais nomes desta ciência Fartamente ilustrado esse livro é dividido em seis partes Iniciem o comércio 400 aC1770 A Era da Razão 17701820 Revoluções industrial e econômica 18201929 Guerra e depressões 19291945 Economia no pósguerra 19451970 e Economia contemporânea 1970presente Cada uma delas destaca teorias econômicas dos mais renomados pensadores de Aristóteles a John Maynard Keynes passando por Max Weber John Stuart Mill Vilfredo Pareto Joseph Schumpeter e Paul Krugman É possível entender assim a mão invisível do mercado de Adam Smith ou o valortrabalho de Karl Marx por exemplo e também saber do surgimento do primeiro banco Florença 1397 das primeiras cédulas impressas Banco da Escócia 1696 da criação do FMI 1944 e do nascimento dos Tigres Asiáticos acordo JapãoCoreia do Sul 1965 além do impacto do vapor e dos computadores em importantes revoluções na história econômica humana Comentário escrito por professores e estudiosos de maneira simples e acessível esse é um livro completo e atualizado sobre economia Nele há breves biografias de economistas citações dos grandes pensadores linha do tempo com os principais acontecimentos entre outros REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS MANKIW N G Introdução à Economia Princípios de Micro e Macroeconomia Rio de Janeiro Elsevier 2012 MENDES J T G Economia Fundamentos e Aplicações São Paulo Pearson Hall 2004 PASSOS C R M NOGAMI O Princípios de Economia São Paulo Cengage Lear ning 2012 ROSSETTI J P Introdução à Economia 20 ed São Paulo Atlas 2008 VASCONCELOS A S GARCIA M Fundamentos de Economia São Paulo Saraiva 2008 VICECONTI P E V NEVES S Introdução à Economia 10 ed São Paulo Frase Edi tora 2010 46 REFERÊNCIAS 47 GABARITO 1 A 2 C 3 D 4 D 5 C UNIDADE II Professora Drª Andréia Moreira da Fonseca Boechat INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Objetivos de Aprendizagem Apresentar os fundamentos da teoria do consumidor Entender a teoria da demanda Compreender a teoria da oferta Explicar a teoria da produção Descrever as estruturas de mercado Plano de Estudo A seguir apresentamse os tópicos que você estudará nesta unidade Fundamentos da teoria do consumidor Teoria da demanda Teoria da oferta Equilíbrio de mercado Teoria da produção Estruturas de mercado INTRODUÇÃO Olá caroa acadêmicoa Seja bemvindoa à segunda Unidade do nosso livro Economia e Sociedade Agora que você já conhece alguns conceitos básicos e fundamentais para o entendimento da economia e já sabe que esta ciência tão fantástica é dividida em duas grandes áreas microeconomia e macroeconomia podemos iniciar nossas discussões sobre a primeira grande área na qual fare mos uma introdução à microeconomia Então na Unidade II irei apresentar como os agentes econômicos família e empresa tomam suas decisões de compra e venda de bens e serviços e como o preço e quantidade são formados Para atingir o objetivo principal a unidade está dividida em cinco seções Na primeira seção discutiremos os fundamentos da teoria do consumi dor que mostram como os consumidores escolhem quais são os bens e serviços que irão demandar e em qual quantidade Na segunda seção apresentarei a tão famosa teoria da demanda em que definiremos demanda e veremos quais são os fatores que a afetam que tanto podem aumentar quanto reduzila Na terceira seção estudaremos o outro lado da relação ou seja a lei da oferta Aqui será apresentado o lado da empresa e o que faz com que a firma aumente ou reduza a quantidade que ela deseja produzir e vender Para finalizar a seção veremos as curvas de demanda e de oferta atuando conjuntamente É nesta rela ção que o preço e quantidade que conhecemos são formados Na quarta seção falaremos sucintamente sobre os principais custos econô micos alguns certamente você já ouviu falar eou estudou em outras disciplinas Para finalizar a unidade e o estudo da microeconomia descreveremos na quinta seção as quatro estruturas de mercados monopólio concorrência perfeita con corrência monopolística e oligopólio e como o preço se comporta em cada uma delas Preparadoa Bons estudos Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 51 INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 52 FUNDAMENTOS DA TEORIA DO CONSUMIDOR Na Unidade I foi apresentado que família e a empresa são agentes econômicos e fazem parte do sistema econômico capitalista Nesta seção estudaremos ape nas as família que são os consumidores e o seu comportamento em relação às decisões de consumo Você saberia me dizer quais são os fatores que os consumidores levam em con sideração ao escolher um determinado conjunto de bens e serviços No geral os consumidores possuem algumas características na relação entre a renda disponível e a escolha por bens e serviços Você saberia me dizer quais são estas caracte rísticas Você por exemplo como escolhe um determinado bem ou serviço As características que a maioria dos consumidores têm são segundo Mendes 2009 Excluindo a poupança os consumidores gastam toda sua renda em bens e serviços Os consumidores gastam sua renda em mais de um bem ou serviço ou seja possuem cestas de bens que veremos mais para frente Como vimos as necessidades humanas são ilimitadas por este motivo os consumidores raramente estão satisfeitos com a quantidade de pro dutos comprados Os consumidores procuram maximizar a satisfação total dado sua renda e os preços dos bens A partir dessas características sabemos que as pessoas têm preferência por alguns bens e serviços em relação a outros ou seja os consumidores também conheci dos como famílias são capazes de colocar as cestas de bens e serviços em ordem de acordo com suas preferências Quando menciono uma cesta de bens e servi ços quero dizer um conjunto de quantidades de determinados bens e serviços Para ficar mais didático essas cestas serão compostas por quantidades somente de dois bens eou serviços Esta situação pode ser representada a seguir Fundamentos da Teoria do Consumidor Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 53 C Q1 Q2 Onde C cesta de bens e serviços Q1 quantidade do bem ou serviço 1 Q2 quantidade do bem ou serviço 2 Como essa escolha por determinada cesta de bens e serviços é feita A esco lha que o consumidor faz por determinadas cestas de bens e serviços em relação a outras é feita a partir de três pressupostos Mais é melhor do que menos os consumidores preferem maiores quan tidades do que menores A preferência é completa os consumidores são capazes de comparar duas ou mais cestas de bens e serviços e escolher a que mais o agrada A preferência é transitiva dados três cestas A B e C e comparando duas cestas por vez entre A e B o consumidor prefere a cesta A entre B e C o consumidor prefere a cesta B então entre A e C o consumidor irá pre ferir a cesta A Esta situação por ser vista no esquema a seguir A B B C Então A C Para melhor entender o terceiro pressuposto vamos pensar no seguinte exem plo José nosso consumidor tem três cestas de bens e serviços disponíveis A B e C dado a sua renda e o preço dos bens conforme situação que segue Cesta A 2 canetas 3 borrachas Cesta B 1 caneta 2 lápis Cesta C 1 lápis e 2 borrachas Entre a cesta A e a cesta B José prefere a cesta A entre a cesta B e a cesta C ele escolherá a cesta B então como a A ganhou da B e a B ganhou da C se compa rarmos as cestas A e C José preferirá a A INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 54 UTILIDADE Os pressupostos da teoria do consumidor mostram as preferências de um deter minado consumidor por meio de uma função a chamada função utilidade que é definida por Mendes 2009 como o benefício ou satisfação que o consumo de um bem ou serviço pode gerar a uma pessoa A função utilidade pode ser representada como sendo U f Q1 Q2 Onde U utilidade f uma representação matemática que significa em função de que Q 1 quantidade do bem 1 Q 2 quantidade do bem 2 Existem dois tipos de utilidade a total e a marginal A utilidade total é a satisfa ção completa total pelo consumo de todas as quantidades consumidas de um determinado bem ou serviço Ela é crescente até certo ponto o chamado ponto de saturação após esse ponto ela vai decrescendo Diferentemente da utilidade total a utilidade marginal é a satisfação gerada pelo consumo de uma unidade a mais de um determinado bem ou serviço A utilidade marginal explica que o consumidor não gasta toda a sua renda em um único bem ou serviço pois se formos explicar de forma bem radical ele enjoa Diferente da utilidade total a utilidade marginal é decrescente ou seja reduz à medida que a pessoa vai consumindo quantidades adicionais de um bem ou serviço mantendo os demais constantes Para melhor entendimento da diferença entre utilidade total e marginal Mendes 2009 apresenta um exemplo que será utilizado porém fazendo algumas alterações Imagina José nosso consumidor no deserto do Saara morrendo de sede Ele encontra um vendedor de água e como está com sede e tem dinheiro comprará copos de água Para o primeiro copo José está disposto a pagar um valor muito alto pela água por exemplo 70 reais pois o grau de satisfação de consumo desse copo é muito alto Já no segundo copo José está disposto a pagar um valor ainda alto mas não tão alto quanto pagou pelo primeiro copo por exemplo 50 reais e assim sucessi vamente até chegar ao décimo copo no qual José não está mais disposto a pagar Fundamentos da Teoria do Consumidor Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 55 nada pela água pois o décimo copo não trará mais benefícios ao nosso consumi dor Se continuarmos analisando cada possível copo consumido chegaremos a um valor negativo ou seja o consumo por exemplo do décimo primeiro copo gera uma repulsa Observe essa situação na Tabela 1 Tabela 1 Utilidades Total e Marginal do consumo de copos de água por José QUANTIDADE DE COPOS DE ÁGUA UTILIDADE TOTAL UTILIDADE MARGINAL 0 0 1 70 70 2 120 50 3 165 45 4 190 25 5 210 20 6 225 15 7 235 10 8 240 5 9 242 2 10 243 1 Fonte Mendes 2009 A Tabela 1 representa as utilidades total e marginal de José ao consumir os copos de água Como você vê o valor que José está disposto a pagar por cada copo reduz à medida que o consumo aumenta sendo o primeiro copo 70 reais e o décimo copo apenas um real Então você percebeu que a utilidade marginal foi caindo ou seja o grau de satisfação de José por cada copo de água reduz ao longo do consumo Já a utilidade total que é a soma de todas as utilidades aumentou Para melhor entendimento desta situação vamos visualizar a Figura 1 INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 56 Utilidade Total Utilidade Marginal Q U Figura 1 Representação das curvas de utilidades total e marginal Fonte a autora A Figura 1 confirmou o que eu vinha afirmando até agora sobre a função utili dade a utilidade total aumenta conforme aumenta a quantidade consumida de um determinado bem ou serviço e a utilidade marginal decresce à medida que aumenta o consumo de um determinado bem ou serviço Na prática essa situação acontece em um rodízio de pizzas ou carnes por exemplo Quando chegamos ao restaurante estamos com tanta fome que o primeiro pedaço de pizza gera um grau de satisfação enorme Porém con forme vamos comendo nossa fome vai acabando e a satisfação gerada vai reduzindo até chegar ao ponto que não querermos mais pizza e pedir ao garçom para não oferecer mais uti lidade marginal negativa É importante observar que repre sentei a utilidade tanto total como marginal por meio de dinheiro mas apenas para facilitar o entendimento Como a utilidade é a satisfação gerada pelo consumo de bem ou serviço não é fácil quantificar pois o grau de Fundamentos da Teoria do Consumidor Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 57 satisfação é diferente para cada pessoa Então utilidade não é medida por meio de números mas sim de grau de satisfação CURVA DE INDIFERENÇA Outra curva importante que deve ser analisada antes de estudarmos a teoria da demanda de fato é a curva de indiferença que mostra as cestas que o con sumidor considera indiferente ou seja as possíveis cestas que o consumidor desejaria adquirir de acordo os pressupostos que estudamos no início da uni dade Claro que irei apresentar a curva de indiferença de forma simplificada pois este é um livro de introdução à economia Vamos supor que José consome refrigerantes e pipoca e que dado sua renda e o preço destes bens existam qua tro cestas disponíveis Tabela 2 Cestas de José compostas por refrigerantes e pipocas CESTA QUANTIDADE DE PIPOCAS QUANTIDADE DE REFRIGERANTES C1 14 1 4 C2 23 2 3 C3 32 3 2 C4 41 4 1 Fonte a autora A Tabela 2 mostra quatro cestas compostas por refrigerantes e pipocas que José pode adquirir dado a sua renda e o preço dos bens Observe a representação da Tabela 2 em gráfico na Figura 2 para melhor visualização INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 58 Curva de indiferença Pipocas Refrigerantes 4 3 2 1 0 4 3 C1 C4 C3 C2 2 1 Figura 2 Curva de indiferença de José para refrigerantes e pipocas Fonte a autora Conforme pode ser visto na Figura 2 qualquer cesta sobre a curva de indiferença é como o nome já diz indiferente para José adquirir Podemos ver também que assim como na curva de utilidade marginal a curva de indiferença é negativa mente inclinada O motivo é que de acordo com os pressupostos da teoria do consumidor mais é melhor do que menos TEORIA DA DEMANDA Agora vamos começar o estudo da teoria de demanda pois até este momento vimos os fundamentos da teoria do consumidor A teoria da demanda tem como objetivo tratar das necessidades dos consumidores ou seja procura explicar o comportamento do consumidor ao escolher bens e serviços Na Unidade I você viu que qualquer economia procura responder a quatro perguntas básicas O que produzir Quanto produzir Para quem produzir Como produzir Destas as três primeiras são respondidas pela teoria do consumidor Porém o que é demanda Passos e Nogami 2012 definem demanda como a quantidade de um deter minado bem ou serviço que um consumidor deseja e está capacitado a comprar Teoria da Demanda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 59 por unidade de tempo A palavra deseja está em destaque porque a demanda é uma intenção de compra e não a compra efetiva Outros três elementos devem ser discutidos sobre a definição de demanda a Só existe demanda se a pessoa puder pagar pelo bem ou serviço Se não puder pagar não há demanda Então o sonho de consumo que muitas vezes temos não é considerado demanda pois não podemos pagar por ele b O conceito de demanda está relacionado à ideia de utilidade Isto mesmo aquela utilidade que vimos no Tópico 1 desta unidade Só existirá demanda se aquele bem ou serviço gerar algum tipo de satisfação para o consumidor Se não gerar satisfação não há demanda pois quem irá desejar um bem ou ser viço sem utilidade c A demanda vem sempre acompanhada da unidade tempo pois ela altera com o tempo Se a demanda é uma intenção de compra dado a renda e o preço do bem com o tempo o preço altera e a renda também então a demanda é alte rada Podemos concluir que a demanda é dinâmica Agora que você já sabe o conceito de demanda vamos representála grafi camente A curva de demanda é representada conforme Figura 3 D Q P Figura 3 Representação da curva de demanda Fonte a autora Conforme visto na Figura 3 a curva de demanda D é a relação entre preço P e quantidade Q e é negativamente inclinada Você sabe me responder por que a curva de demanda é negativamente inclinada INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 60 A curva de demanda é negativamente inclinada porque conforme o preço aumenta a quantidade que os consumidores estão dispostos a adquirir reduz pois se o preço aumentar os consumidores irão substituir o consumo do bem pelo seu subs tituto Este efeito é chamado de efeito substituição Outro motivo que faz com que a curva de demanda seja negativamente inclinada é o chamado efeito renda que nos diz que ao aumentar a renda o consumidor irá demandar quantidades maiores de um determinado bem Então a utilidade marginal que estudamos no Tópico 1 explica que a curva de demanda é negativamente inclinada pois conforme o preço altera a quantidade demandada também altera efeito substituição e alterações na renda alteram a quantidade de demanda efeito renda Para facilitar a explicação anterior vou mostrar um exemplo José nosso con sumidor deseja ir ao cinema ver os filmes que acabaram de ser lançados Neste exemplo cinema é nosso bem Dependendo do preço do ingresso José está dis posto a ir mais de uma vez ao mês Conforme Tabela 3 Tabela 3 Demanda por ingressos para cinema de José PREÇO DO INGRESSO QUANTIDADES DE IDA AO CINEMA 15 1 12 2 10 3 7 4 5 5 Fonte a autora Analisando a Tabela 3 e a representando graficamente podemos ver que con forme o preço do ingresso para o cinema reduz a quantidade demandada ou seja a quantidade de vezes que José está disposto a ir ao cinema aumenta o que faz com que a curva de demanda seja negativamente inclinada Teoria da Demanda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 61 5 4 3 2 1 0 15 12 10 7 5 D Q P Figura 4 Representação da curva de demanda de José para ingressos de cinema Fonte a autora Claro que representamos a curva de demanda de apenas um consumidor mas tam bém temos a curva de demanda de mercado que é a soma das curvas de demanda individuais de um determinado bem que está sendo vendido a um determinado preço Independentemente de ser curva de demanda individual ou de mercado ela será sempre negativamente inclinada pelos motivos que já explicamos FATORES QUE AFETAM A CURVA DE DEMANDA Após entender o conceito de demanda e o que de fato significa para a ciência econômica vou apresentar alguns fatores que afetam a curva de demanda tanto positiva quanto negativamente ou seja fatores que fazem a demanda aumentar ou diminuir e um fator que determina a demanda O fator que determina a demanda é o preço do bem ou serviços em questão Neste caso como discutimos até agora um aumento do preço faz com que a quan tidade que os consumidores estão dispostos a consumir reduz e viceversa Assim não há um deslocamento da curva de demanda apenas os pontos sobre a curva que deslocam isto é chamado de alteração na quantidade demandada e não alte ração na demanda Já os fatores que afetam e portanto deslocam a curva de demanda para a direita ou para a esquerda são diversos irei apresentar a você alguns deles INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 62 a Renda A renda é um dos principais fatores que afetam a curva de demanda Então de acordo com ela os consumidores irão escolher qual das cestas de produtos disponíveis irá demandar A partir da variação da renda e do impacto que esta variação causa na quantidade demandada os bens podem ser classificados em Normal quando há um aumento de renda a quantidade demandada do bem ou serviço aumenta A maioria dos bens são normais pois quando a pes soa tem um aumento de renda ela passa a demandar mais daquele bem Neste caso a curva de demanda se desloca para a direita ou seja para cima Inferior quando há aumento da renda a pessoa passa a consumir menos daquele bem Por exemplo se José nosso consumidor tiver um aumento de salário ele passará a consumir mais carne de primeira Neste caso a curva de demanda para carne de segunda se desloca para a esquerda ou seja para baixo Consumo saciado independentemente da renda a quantidade deman dada será a mesma ou seja mesmo que José passe a receber um salário maior ou o preço do bem reduzir não irá demandar mais ou menos quantidades por exemplo de sal Neste caso a curva de demanda não se desloca pois não há aumento ou redução da demanda b Preço dos bens complementares Bens complementares são os bens que são consumidos juntos por exemplo café e açúcar arroz e feijão pão e manteiga etc Então se o preço de um bem aumentar café a quantidade demandada de café e do seu complementar que é o açúcar reduzirá deslocando a curva de demanda para a esquerda c Preço dos bens substitutos Bens substitutos são aqueles bens que têm praticamente as mesmas caracte rísticas e por este motivo pode ser substituído um pelo outro Por exemplo bolo de chocolate e bolo de coco manteiga e margarina pão francês e pão de forma entre outros Como são bens que podem ser substituídos quando o preço de um aumen tar por exemplo da manteiga a quantidade demandada dela cairá e a quantidade demandada do seu substituto no caso da margarina aumentará Neste caso a curva de demanda de manteiga se desloca da para a esquerda ou seja para baixo e a curva de demanda de margarina se desloca para a direita Teoria da Demanda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 63 d PropagandaMarketing A propagandamarketing cria uma necessidade de consumo Então é um instru mento muito utilizado para aumentar a quantidade demandada de determinados bens e serviços deslocando a curva de demanda para a direita e Expectativa sobre o futuro Outro fator que afeta a curva de demanda é a expectativa que o consumidor tem em relação ao futuro Se José acredita que receberá um aumento daqui a noventa dias a demanda dele hoje aumentará caso contrário se ele está em aviso prévio a demanda dele hoje reduzirá f Fatores Climáticos O clima é outro fator que afeta a curva de demanda No inverno a demanda por biquínis reduz enquanto a demanda por calças aumenta Outro exemplo a demanda de aquecedor na região Norte do Brasil é quase nula pois não tem clima para utilizar este tipo de aparelho enquanto a demanda por ar condicionado na Noruega é baixa g Hábitoscostumes A demanda de alguns bens variam conforme o hábito e costume da região Por exemplo na Índia a vaca é sagrada então a demanda por carne bovina é quase nula enquanto no Brasil é alta h Entre outros Citei alguns fatores que afetam a curva de demanda mas temos diversos outros É importante lembrar que qualquer fator que aumente a demanda deslocará a curva de demanda para a direita conforme a Figura 5 Em compensação qual quer fator que reduz a demanda desloca a curva de demanda para a esquerda de acordo com a Figura 6 A propaganda e o marketing criam necessidade de consumo mas o que acontece nos dias atuais com uma propaganda negativa Qual é o papel das redes sociais nesse sentido INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 64 D D Q P Figura 5 Deslocamento da curva de demanda para a direita Fonte a autora A Figura 5 mostra o deslocamento da curva de demanda para direita ou seja quando algum dos fatores que estudados anteriormente aumenta a demanda por exemplo aumento da renda aumento do preço do bem substituto etc D D Q P Figura 6 Deslocamento da curva de demanda para a esquerda Fonte a autora A Figura 6 mostra o deslocamento da curva de demanda para esquerda ou seja quando algum dos fatores que estudados anteriormente reduz a demanda por exemplo redução da renda aumento do preço do bem complementar etc Teoria da Demanda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 65 Não podemos deixar de observar que quando falamos em uma alteração na quantidade demandada em função de uma variação no preço do próprio bem a curva de demanda não se desloca alterando apenas os pontos sobre a curva ELASTICIDADES Outro conceito muito importante para estudar na teoria do consumidor é a elas ticidade que pode ser definida segundo Mendes 2009 como uma medida de resposta que compara a mudança percentual de uma variável devido a uma mudança percentual em outra variável Por exemplo sabemos que a redução do preço de um bem aumenta sua demanda mas não sabemos em exatamente quanto é este impacto que a elasti cidade mostra Existem três tipos de elasticidades a Elasticidade preço A elasticidade preço mostra o impacto da variação do preço na quantidade da demanda de um determinado bem ou serviço Neste caso os bens ou serviços podem ser classificados em Elásticos quando a elasticidade preço for maior do que 1 Isso significa que conforme o preço aumenta a quantidade demandada reduz Por exemplo se o preço aumentou em 1 a quantidade demandada redu zirá em mais do que 1 Em geral bens não muito essenciais são elásticos como lazer e vestuário Inelásticos quando a elasticidade preço for menor do que 1 Isto significa que conforme o preço aumenta a quantidade demandada não reduz de forma significativa permanecendo mais ou menos constante Por exemplo se o preço aumentar em 1 a quantidade demandada reduz em menos do que 1 Em geral os bens mais essenciais são inelásticos como combustível e alimentos INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 66 Elasticidade unitária quando a elasticidade preço for igual a 1 Isto significa que um aumento no preço reduz a quantidade demandada na mesma proporção ou seja um aumento de 1 no preço acarreta uma redução de 1 na quantidade demandada Um exemplo é o sal Alguns fatores fazem com que o bem ou serviços sejam mais elásticos do que outros Podemos citar de acordo com Mendes 2009 Grau de essencialidade do produto quanto mais essencial ou necessário for o bem mais inelástico ele vai ser como é o caso da água Mesmo que o preço aumente não tem como substituir a água tão facilmente então a quantidade demandada não alterará Disponibilidade de produtos substitutos para o bem considerado quanto maior for o número de bens substitutos para o produto em ques tão mais elástico ele será Por exemplo refrigerantes Caso o preço do refrigerante aumente podemos substituílo por suco água ou outra marca de refrigerante Número de utilizações que se pode dar ao produto quanto maior for o uso do produto maior será a elasticidade Por exemplo a soja se o preço do óleo de soja varia a soja poderá ser utilizada para outros fins como farelo Teoria da Demanda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 67 Proporção da renda gasta com produtos quanto maior for a renda pro porcional gasta com um produto mais elástico ele será Por exemplo se o preço de uma televisão aumenta a demanda reduzirá mais do que se o preço do açúcar aumentar mantendo a renda constante b Elasticidade preço cruzada A elasticidade preço cruzada mede o impacto da variação do preço de um bem na quantidade demanda do outro bem Neste caso os bens podem ser substitu tos ou complementares Se após o cálculo da elasticidade preço cruzada o valor for positivo os bens ou serviços alisados são substitutos Se for negativo os bens ou serviços são complementares c Elasticidade renda A elasticidade renda mede o impacto da variação da renda na quantidade demandada de um determinado bem Como já estudados se a renda aumenta e a quantidade demandada também aumenta o bem é normal e neste caso o coeficiente será posi tivo caso contrário o bem é inferior e o resultado da elasticidade renda é negativo INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 68 TEORIA DA OFERTA Estudamos o lado do consumidor na teoria da demanda Agora iremos analisar o outro lado o do produtor em outras palavras a oferta Então a teoria da oferta analisa os principais aspectos relacionados à oferta de mercado ou melhor estuda o comportamento das empresas Sintetizando a teoria da oferta estuda a resposta do produtor aos incentivos de mercado relacionados à quantidade demandada custos incentivos governamentais disponibilidade de fatores de produção etc Então o que é oferta A oferta pode ser definida segundo Passos e Nogami 2012 como a quantidade de um bem ou serviço que uma determinada empresa deseja vender por unidade de tempo Mais uma vez a palavra deseja está negri tada isto porque dependendo do preço do bem as empresas têm um incentivo à aumentar a produção mas não significa que de fato aumentem pois aumen tar a produção depende de outros fatores e não somente o preço que a empresa deseja vender seu produto Outra observação é em relação a unidade de tempo Vimos na teoria da demanda que a demanda altera com o tempo A oferta tem o mesmo funciona mento com o tempo poderá ser alterada Teoria da Oferta Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 69 A curva de oferta é representada conforme Figura 7 O Q P Figura 7 Representação da curva de oferta Fonte a autora Você percebeu que o formato da curva de oferta é oposto da curva de demanda já que a curva de oferta é positivamente inclinada Vamos ver o motivo Imagina uma empresa que venda sanduíches congelados e que tem a seguinte oferta Tabela 4 Oferta de uma empresa hipotética PREÇO POR SANDUÍCHE QUANTIDADE OFERTADA MILHÕES DE SANDUÍCHES 5 18 4 16 3 12 2 7 1 0 Fonte a autora Pela Tabela 4 você percebeu que conforme o preço do sanduíche congelado reduz a quantidade que a empresa deseja vender também diminuiu fazendo com que a curva seja positivamente inclinada Transformando a Tabela 4 em um gráfico INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 70 18 16 12 7 0 5 4 3 2 1 O Q P Figura 8 Gráfico representativo da curva de oferta para empresa hipotética de sanduíches congelados Fonte a autora A Figura 8 confirma o que a Tabela 4 mostrou conforme o preço do sandu íche congelado reduziu a quantidade que a empresa deseja vender também diminuiu chegando ao ponto que a R 100 a empresa não está disposta a vender nenhum sanduíche Qual a explicação que ao preço de R 100 a empresa não está disposta a vender o produto A preços muito baixos as empresas não têm incentivo de aumentar sua produção e poderão ofertar outro tipo de produto no caso outro tipo de lanche congelado como cachorroquente que tenha um preço de mercado mais alto FATORES QUE AFETAM A CURVA DE OFERTA Agora que você conhece o conceito de oferta vou apresentar alguns fatores que afetam positiva e negativamente a curva de oferta Assim como na demanda o preço do bem ou do serviço afeta a curva Teoria da Oferta Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 71 de oferta mas não a desloca Quanto maior for o preço maior será a quan tidade ofertada Caso contrário se o preço diminuiu a quantidade ofertada também diminuiu Já os fatores que afetam e deslocam a curva de oferta segundo Mendes 2009 são a Preço dos insumos Um aumento no preço dos insumos aumenta os custos da empresa e podem reduzir a produção pois caso não seja repassado ao preço final a empresa terá menos lucro deslocando a curva de oferta para a esquerda b Tecnologia A tecnologia é uma ótima forma de aumentar a produção utilizando a mesma quantidade de fatores de produção assim reduzindo os custos e aumentando a oferta deslocando a curva de oferta para a direita c Preço dos produtos competitivos Quando se fala em produtos competitivos referese a produtos alternativos do processo de produção ou seja são produtos que utilizam mais ou menos o mesmo processo produtivo Neste caso a empresa escolherá produzir e vender aquele produto que tem um preço de mercado mais alto Esta foi a situação no nosso exemplo da empresa hipotética de sanduíches congelados no qual ao preço de R100 a empresa optaria em ofertar outro tipo de sanduíche INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 72 d Políticas do governo Dependendo da política pública do governo a empresa tem incentivo para aumen tar ou reduzir a produção Por exemplo subsídio é um incentivo para as empresas aumentarem a produção Eles acontecem principalmente no setor agropecuário e Influências especiais As influências especiais como uma condição meteorológica afeta alguns seto res e fazem as empresas aumentarem ou reduzirem a produção Por exemplo uma chuva causa redução na produção dos agricultores diminuindo a oferta Teoria da Oferta Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 73 Como vimos alguns fatores afetam e deslocam a curva de oferta para a direita ou para a esquerda Qualquer fator que reduza custos é um incentivo para a empresa aumentar a produção deslocando a curva de oferta para a direita essa situação pode ser vista na Figura 9 O O Q P Figura 9 Deslocamento da curva de oferta para a direita Fonte a autora Agora qualquer fator que aumente o custo ou que reduza o lucro é um incen tivo para a empresa reduzir a produção deslocando a curva de oferta para a esquerda conforme Figura 10 O O Q P Figura 10 Deslocamento da curva de oferta para a esquerda Fonte a autora INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 74 Não posso deixar de observar que quando falamos em uma alteração na quan tidade ofertada em função de uma variação no preço do próprio bem a curva de oferta assim como a curva de demanda não se desloca ELASTICIDADE PREÇO DA OFERTA Como vimos no subtópico anterior o produto responderá a alterações no preço e esta resposta pode ser medida pela elasticidade preço da oferta Então Mendes 2009 define elasticidadepreço da oferta como mudança percentual na quan tidade ofertada de um bem ou serviço em resposta a uma variação no preço mantendo os demais fatores constantes Assim como na demanda a elasticidade preço da oferta pode ser de três tipos Elástica Uma oferta é elástica quando o coeficiente é maior do que 1 Então um aumento nos preços em 1 faz com que a quantidade ofertada aumente mais do que 1 Inelástica Uma oferta é inelástica quando o coeficiente é menor do que 1 Então um aumento nos preços em 1 faz com que a quantidade ofertada aumente menos do que 1 Elasticidade Unitária Uma oferta tem elasticidade unitária quando o coeficiente é igual a 1 Então um aumento nos preços em 1 faz com que a quantidade ofertada aumente exatamente 1 Equilíbrio de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 75 EQUILÍBRIO DE MERCADO Nos Tópicos 1 2 e 3 desta segunda unidade estudamos separadamente o com portamento dos consumidores e das empresas mas sabemos que no mundo real a oferta e a demanda atuam conjuntamente e o preço e a quantidade que são ven didas no mercado se dá quando as duas curvas oferta e demanda se interceptam Agora irei apresentar o equilíbrio em mercados competitivos ou seja mer cados que são formados por um grande número de compradores e vendedores Fiz a observação que o equilíbrio discutido é em mercados competitivos pois temos outros mercados como os poucos competitivos e os sem competição no qual o equilíbrio se dá em outro ponto ou seja a relação entre demanda e oferta funciona de outra forma sendo o preço formado em um ponto mais alto mas isso discutiremos na próxima seção desta unidade O equilíbrio em mercados competitivos pode ser visto na figura a seguir E D O Q Q P P Figura 11 Equilíbrio em um mercado competitivo Fonte a autora Analisando a Figura 11 podemos perceber que o ponto onde as curvas de oferta O e demanda D se encontram é o ponto de equilíbrio E e este mostra o preço e quantidade negociadas no mercado P e Q respectivamente Qualquer preço acima de P significa que haverá mais oferta do que demanda ou seja INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 76 teremos um excesso de oferta e pela lei da oferta e da demanda oferta maior que demanda o preço tende a baixar Então pontos acima de P fazem com que sobrem produtos no mercado e o preço automaticamente reduzirá De outra forma qualquer ponto abaixo de P significa que teremos um excesso de demanda ou seja mais pessoas desejando adquirir o bem ou serviço do que empresas dispostas de vender Nesse caso o preço aumentará de modo a che gar o ponto E que é o ponto de equilíbrio Todos os fatores estudados nos tópicos anteriores que afetam as curvas de demanda como renda preço dos produtos complementares e substitutos expec tativa sobre o futuro entre outros e todos os fatores que vimos que afetam a curva de oferta como tecnologia preço dos produtos relacionados interferên cia governamental etc afetam o ponto de equilíbrio O governo também pode afetar o ponto de equilíbrio por meio de a Fixação de preços mínimos Acontece quando o governo fixa o preço mínimo que seria vendido no mercado Este instrumento tem como objetivo beneficiar o produtor de forma a garantir um nível de preço superior ao preço de equilíbrio Um exemplo seria o mer cado de trabalho por meio de fixação do salário mínimo Outro mercado que participa desta política é o mercado agrícola no qual o governo se compromete a adquirir a produção caso o preço de mercado esteja abaixo do preço fixado b Fixação de preços máximos Acontece quando o preço vendido no mercado está muito alto e o governo com o objetivo de defender o consumidor estabelece um preço máximo que as empre sas podem vender seus produtos O preço máximo será sempre menor do que o preço de equilíbrio ou seja abaixo de P c Subsídios Neste caso o governo com o objetivo de desenvolver determinados setores paga uma parte dos custos produtivos da empresa assim a empresa terá incen tivo para aumentar a quantidade ofertada eou reduzir preço Com subsídio o preço fica abaixo de P d Congelamento e tabelamento de preços Utilizado na década de 80 e no início da década de 90 para combater a inflação O governo congela preços eou salários de forma a definir o P Teoria da Produção Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 77 TEORIA DA PRODUÇÃO Após compreendermos a teoria da demanda e a teoria da oferta conheceremos os conceitos que fazem parte da chamada Teoria da Produção OS CUSTOS DE PRODUÇÃO Sabemos que o principal objetivo das empresas é o lucro O lucro é a diferença entre receita total e custo total Então para uma empresa ter lucro é importante gerenciar os custos de produção de forma a tentar reduzilos o máximo possível A partir do exposto é importante que você futuroa tomadora de decisões entenda os custos básicos da produção Temos os custos explícitos que são os gastos monetários como despesa com salário aluguel compra de matériaprima etc e os custos implícitos que são os custos de oportunidade que discutimos na Unidade I do nosso livro Os custos são 1 Custos fixos CF São as despesas que a empresa terá que pagar independentemente da produção Exemplos certos impostos aluguel seguro salários etc 2 Custos variáveis CV São as despesas que a empresa tem ao produzir Quanto mais ela produzir maio res serão os custos variáveis Exemplo matériaprima energia elétrica etc 3 Custo total CT É a soma dos custos fixos com os custos variáveis INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 78 4 Custo fixo médio CFme É o custo fixo dividido pela quantidade produzida Q CFme CFQ É importante observar que o custo fixo médio reduz quando a produção aumenta 5 Custo variável médio CVme É o custo variável dividido pela quantidade produzida CVme CVQ Diferentemente do custo fixo médio o custo variável médio aumenta con forme a quantidade produzida aumenta 6 Custo médio Cme É o custo total dividido pela quantidade produzida Cme CTQ Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 79 ESTRUTURAS DE MERCADO A interação entre oferta e demanda acontece no mercado e forma o preço Esta interação muda para cada estrutura do mercado Então Mendes 2009 define estrutura de mercado como sendo Estrutura de mercado se refere às características organizacionais de um mercado ou seja grau de concentração grau de diferenciação do produto grau de dificuldade ou barreira à entrada MENDES 2009 p 103 Como você viu na definição de Mendes a estrutura de mercado engloba três características Vamos entender cada uma delas a Grau de concentração É o tamanho do mercado em outras palavras número de vendedores e compradores que fazem parte daquele mercado Dependendo da quantidade de empresas e consumidores dizemos que o mercado é concentração ou com petitivo Uma forma de medir é pelos índices de mercado Quando as quatro maiores empresas que fazem parte deste mercado detêm pelo menos 75 da quantidade comercializada dizemos que é um mercado altamente concentrado Um dos maiores problemas de mercado muito concentrado é que as empre sas conseguem definir o preço que será vendido seu produto e esse preço em geral é mais alto do que em mercados competitivos Outros problemas podem ser em relação à quantidade e à qualidade do produto b Grau de diferenciação do produto O grau de diferenciação do produto referese a quanto um bem ou serviço que está sendo negociados no mercado é diferente Pela visão da economia quanto mais heterogêneo for um bem ou seja quanto mais diferente o bem for menos produtos substitutos teremos para este produto e portanto mais inelástico ele será em outras palavras mesmo que o preço de um bem ou serviço heterogêneo aumentar a quantidade demandada não muda pois não há substitutos próximos A diferenciação pode ser obtida de diferentes formas Mendes 2009 cita ingredientes de qualidade superior prêmios oferecidos serviços especiais como entrega delivery e embalagens especiais como formas da empresa diferenciar seu produto e portanto aumentar seu preço INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 80 Você saberia me dar um exemplo de um produto homogêneo e um dife renciado Em geral produtos agropecuários como soja e milho in natura são produtos homogêneos pois a soja do produtor A é igual a soja do produtor B Como produtos diferenciados podemos citar os produtos semiindustrializados e os industrializados como comida congelada roupas sapatos etc c Barreiras à entrada Barreiras à entrada pode ser definida como o grau de dificuldade que uma nova empresa tem em fazer parte do mercado E podem ser Economia de escala acontecem quando a empresa aumenta a quan tidade produzida e consegue reduzir seu custo médio no longo prazo Existem diversas formas de conseguir gerar economia de escala como especialização da mão de obra utilização de tecnologia compra de fato res de produção em grandes quantidades entre outros Desvantagens de custo quando a empresa que deseja fazer parte do mer cado tem alguma desvantagem em custo como pouca experiência no setor pouco domínio tecnológico ou ainda grande necessidade de propaganda Com base no que foi discutido os mercados podem ser classificados quanto à competitividade em Competitivos concorrência perfeita e concorrência monopolística Pouco competitivos oligopólio Sem competição monopólio O Quadro 1 mostra de forma simplificada como os mercados podem ser clas sificados quanto ao número de empresas e ao tipo de produto ou seja nas características que discutimos anteriormente Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 81 Quadro 1 Classificação dos mercados NÚMERO DE EMPRESAS TIPO DE PRODUTO ESTRUTURA DE MERCADO Muitas homogêneo Concorrência perfeita Muitas diferenciados Concorrência monopolística Poucas Homogêneo ou diferenciado Oligopólio Uma diferenciado Monopólio Fonte adaptado de Mendes 2009 Conforme podemos visualizar no Quadro 1 quando existe um grande número de empresas e o produto comercializado é homogêneo ou seja idêntico esse mercado é de concorrência perfeita Agora se forem muitas empresas que ven dem produtos diferenciados o mercado é concorrência monopolística Por outro lado se tivermos poucas empresas mesmo que vendam produ tos idênticos ou não estamos nos referindo a um oligopólio e se for uma única empresa que comercializa um produto altamente diferenciado é um monopó lio Veremos agora cada uma dessas estruturas CONCORRÊNCIA PERFEITA OU PURA Para iniciar nossos estudos sobre as estruturas de mercado discutiremos inicial mente a concorrência perfeita ou também como é conhecida a concorrência pura Está é com absoluta certeza a estrutura de mercado menos real pois como você verá pelas características é muito difícil achar um setor ou uma empresa que apre sente todas as características para que possa ser incluída na concorrência perfeita Depois desta declaração você deve estar se perguntando então qual o motivo de apresentar a você a concorrência perfeita É importante estudarmos esta estrutura de mercado pois é considerada apesar de não muito real a estrutura ideal em termos de concorrência INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 82 Um mercado em concorrência perfeita ou pura tem como características Grande número de compradores e vendedores O número de vendedores e compradores nesse mercado é tão grande que as decisões individuais não influenciam o preço Então dizemos que na concor rência perfeita o preço é determinado no mercado pela oferta e demanda que é praticamente o mesmo para todos os vendedores Produtos homogêneos Os produtos são homogêneos ou idênticos de forma que o bem do vendedor A é substituto perfeito do bem do vendedor B Por esta razão que o preço é pra ticamente constante já que como os produtos são idênticos se um vendedor aumentar seu preço os consumidores irão comprar no outro produtor Ausência de restrições artificiais livre mercado Dizemos que na concorrência perfeita ou pura o governo não deve intervir no mercado por exemplo por congelamentos e tabelamentos de preços em outras palavras o mercado deve funcionar livremente Ausência de barreiras à entrada Como já discutimos barreiras à entrada é o grau de dificuldade que uma nova empresa tem em entrar no mercado Na concorrência perfeita ou pura não há barreiras à entrada ou seja qualquer empresa pode fazer parte do mercado sem maiores custos ou dificuldades Perfeito conhecimento Como os produtos são homogêneos uma empresa conhece todas as informa ções dos seus concorrentes como preços processos produtivos etc As quatro primeiras características caracterizam a concorrência pura e ao incluir a quinta característica falamos em concorrência perfeita Como estamos em um curso de graduação trabalharemos com a concorrência perfeita Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 83 Como já dito na realidade a situação concorrência perfeita ou pura seria uma situação ideal mas que de fato não acontece O mercado que mais se apro xima desse tipo de estrutura de mercado é o agropecuário MONOPÓLIO O monopólio é assim como a concorrência perfeita uma situação extrema mas real Situação esta indesejável pois pode prejudicar o consumidor já que não temos concorrência As características do monopólio são Uma única empresa Como o próprio nome já diz no monopólio só temos uma única empresa Produtos altamente diferenciados Os produtos são altamente diferenciados ou seja são únicos Neste caso o consumidor não consegue substituílo por outro Não há concorrência Se só temos uma única empresa não existe concorrência no mercado monopolista Considerável controle de preço por parte da empresa A empresa monopolista é formadora de preços ou seja como ela é única conse gue controlar e definir qual será o preço praticado no mercado Por essa razão o governo se preocupa com as práticas dos monopolistas De acordo com Mendes 2009 o governo pode controlar o monopólio de duas formas a Controle de preço o governo pode exigir que o monopolista produza até que custo marginal seja igual preço Esta é uma prática difícil pois o governo precisaria conhecer toda a estrutura de custo da empresa b Política de taxação o governo pode taxar o monopolista de forma a redu zir seu lucro A taxação pode ser de três formas INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 84 Pagamento de uma licença anual Tributação sobre lucro Imposto sobre vendas As duas primeiras afetam o custo fixo reduzem ou até mesmo eliminam o lucro da empresa e mantêm o preço para o consumidor Já o imposto sobre vendas afeta os custos variáveis e reduz a quantidade produzida É importante observar que mesmo sendo uma única empresa se o mono polista quiser aumentar sua venda ele deverá reduzir o preço do seu produto Uma estratégia utilizada pelo monopolista para vender mais é pela política de discriminação de preços Está é uma prática que ocorre quando um monopo lista vende o mesmo produto para consumidores diferentes e a preços diferentes Para isso é necessário 1 Separar os mercados fisicamente de modo que um consumidor não con siga comprar no outro mercado 2 Verificar a elasticidadepreço da demanda de cada mercado O mercado consumidor mais elástico o monopolista coloca um preço mais baixo e para o mercado mais inelástico o preço é mais alto Deste modo a empresa monopolística consegue aumentar sua receita Podemos citar como exemplo de prática de discriminação de preços Tarifa de energia elétrica residencial comercial industrial e rural Ligação telefônica de dia e a noite Passagens aéreas em baixa e alta temporada Meia entrada em cinemas teatros shows para estudantes e idosos Entre outros Então você percebeu pelos exemplos que não é somente uma empresa monopo lística que pratica a discriminação de preços esta também é uma prática comum em outras estruturas de mercado Altas barreiras à entrada Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 85 A última característica do monopólio são as altas barreiras à entrada O grau de difi culdade que uma nova empresa tem em fazer parte do mercado é muito grande e muitas vezes não é economicamente viável termos uma concorrente como é o caso que acontece nos monopólios naturais Então os monopólios surgem por diver sas razões entre elas regulamentações do governo e pelos processo de produção Para finalizar existem alguns exemplos de setores que são monopólio como setores de rodovias pedagiadas setor elétrico saneamento básico extração de petróleo em algumas cidades transporte coletivo ônibus entre outros O maior problema do monopólio é que como não há concorrentes a empresa pode cobrar um preço muito alto ou ofertar uma quantidade baixa além de não se preocupar com a qualidade Por esses motivos o governo sempre acompanha e regula as empresas pertencentes ao monopólio Claro que o monopólio é essencial em alguns setores pois não é econo micamente viável ter uma concorrente como nos setores de energia elétrica e saneamento básico Neste caso chamamos o monopólio de monopólio natural já que é mais viável ter apenas uma empresa ofertando aquele produto INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 86 CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA Entre a concorrência perfeita e o monopólio temos uma estrutura de mercado conhecida como concorrência monopolística que é uma mistura das duas estru turas estudadas anteriormente tendo como características Grande número de empresas Temos no mercado um grande número pequenas empresas pequenas se com pararmos com o tamanho do mercado Produtos diferenciados Os produtos são sempre diferenciados A diferenciação pode vir por um ingre diente de qualidade superior serviços embalagens especiais etc Porém um produto será diferente mesmo pouca coisa do seu concorrente Pequeno controle de preço por parte da empresa Como são muitas empresas que fazem parte do mercado a concorrência é enorme então a empresa consegue controlar definir um pouco seu preço em razão dos produtos serem diferenciados mas este controle é pequeno Concorrência acontece via marcas serviços especiais e propaganda A concorrência é principalmente extra preços ou seja via diferenciação do pro duto Quanto maior for a diferença do bem maior será o preço É importante observar a importância da propagandamarketing na concorrência monopolís tica pois como os produtos são diferenciados e temos um grande números de empresas é necessário mostrar ao consumidor que o bem ou serviço é melhor do que da concorrente Baixas barreiras à entrada O grau de dificuldade que uma nova empresa tem em fazer parte deste mer cado é baixo ou seja existe uma barreira para entrada mas ela é bem baixa A maioria das empresas no mundo real pertencem a essa estrutura de mercado Podemos citar restaurantes padarias lojas de roupas lanchonetes entre outros Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 87 OLIGOPÓLIO Outra estrutura de mercado intermediária ou seja que é um mercado pouco competitivo é o oligopólio que tem como características Pequeno número de empresas São poucas empresas que fazem parte do mercado podemos contálas Não existe um número exato que define se um setor faz parte do oligopólio ou não ape nas sabemos que são poucas empresas que ofertam produto naquele mercado As empresas são interdependentes Como são poucas empresas elas são interdependentes ou seja a decisão de uma afeta diretamente a decisão da concorrente incluindo a decisão de preços Então se uma empresa variar seu preço as demais vão reagir de duas formas 1 Aumento de preço faz com que as firmas concorrentes não aumentem o preço e a empresa perderá mercado 2 Redução de preços faz com que as formas concorrentes também reduzam os preços e a parcela de mercado de todas as empresas ficam praticamente constantes Neste caso somente o consumidor é beneficiado Pelas possíveis reações citadas que os preços de todas as empresas oligopolis tas são praticamente os mesmo e não são alterados de forma significativa ao longo do tempo Podemos citar um exemplo bem real desta situação que são as empresas aéreas Todas as vezes que uma empresa aérea faz uma promoção as suas concorrentes também fazem INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 88 Em outras palavras como são poucas empresas neste mercado quando o preço de uma delas variar as demais irão reagir rapidamente Por exemplo vamos supor um mercado composto por três empresas A B e C e que a empresa A resolveu como estratégia abaixar seu preço em 10 Como são poucas empresas no mercado imediatamente as empresas B e C irão abaixar também seu preço e a parcela de mercado continuará a mesma para todas três Agora se a empresa A resolver aumentar seu preço em 10 as empresas B e C não aumentarão e a empresa A perderá mercado Por estes motivos que o preço no oligopólio é constante e parecido para todas as empresas Médias barreiras à entrada O grau de dificuldade que uma nova empresa tem em fazer parte do mercado é médio em outras palavras existe um certo grau de dificuldade mas não chega a ser tão alto como no caso do monopólio Os produtos podem ou não ser diferenciados No oligopólio os produtos podem ser homogêneos como no caso o combustí vel ou diferenciados por exemplo os automóveis A concorrência é via diferenciação do produto Como temos poucas empresas e elas são interdependentes a con corrência não será via preços pois como discutimos se uma empresa alterar seus preços as demais vão reagir Então a concorrência é extrapreços ou seja via dife renciação do produto Podemos citar como exemplos de empresas oligopolistas os setores de teleco municações planos de saúde aéreo e distribuição de combustível Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 89 O quadro a seguir mostra de forma resumida as características de cada estrutura de mercado Quadro 2 Características das quatro estruturas de mercado CARACTERÍSTICAS CONCORRÊNCIA PERFEITA CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA OLIGOPÓLIO MONOPÓLIO Nº de empresas Muitas Muitas Pouca Uma Tipo de produto Homogêneo Diferenciado Homogêneo ou diferen ciado Altamente diferenciado Controle de preços Nenhum Pequeno Considerável Muito Condição de entrada Sem barreiras Baixa barreiras Médias bar reiras Altas barreiras Exemplos Produtos agrí colas Restaurantes lojas de varejo Automóveis aviação Água energia elétrica Fonte adaptado de Mendes 2009 Como você pode visualizar no Quadro 2 temos quatro estruturas de mercado concorrência perfeita concorrência monopolística oligopólio e monopólio e cada estrutura possui características que as diferenciam POLÍTICAS PÚBLICAS QUANTO AOS OLIGOPÓLIOS Como são poucas as empresas no oligopólio não é difícil ter acordos de preços e quantidades acordos que são indesejáveis aos consumidores e devem ser evi tados São indesejáveis pois levam a uma produção baixa e a preços altos ou seja nesta situação as empresas se comportam como no monopólio Por isso o governo deve coibir acordos entre empresas no Brasil temos uma lei específica para isto que é a lei antitruste Algumas práticas empresariais que são proibidas pelo governo brasileiro a Cartel empresas fazem acordos de preços e quantidades aumentando o preço eou reduzindo a quantidade ofertada De qualquer forma pre judica o consumidor final INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 90 b Fixação de preço de revenda acontece quando uma empresa produ toradistribuidora exige que um estabelecimento venda um produto a um preço fixado por ela Vale lembrar que preço sugerido não é proibido pois a empresa só está sugerindo um preço e não obrigando aos estabele cimento vender o bem como aquele preço prédefinido c Preços predatórios é uma situação que uma grande empresa define seus preços abaixo do custo de produção para eliminar a concorrente que em geral é uma empresa menor do mercado e depois aumentar seus preços d Vendas casadas situação no qual dois produtos só são vendidos jun tos ou seja o consumidor não consegue comprar os bens separadamente Lembrando que promoções e produtos tipo combo TV por assinatura internet banda larga não são considerados venda casada pois o consu midor pode adquirir os produtosserviços separadamente mesmo que a um preço maior Cartel é um tema bem atual e polêmico na literatura econômica e legislativa Para aprofundar seus conhecimentos sobre esta prática e como as autorida des antitruste se comportam frente a uma formação de cartel leia o artigo Prática de cartel no Brasil um estudo sobre as decisões do CADE e o perfil das condenações por cartel O artigo esta disponível em httpportaltu torcomindexphpconpedireviewarticleview145138 Fonte a autora Considerações Finais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 91 CONSIDERAÇÕES FINAIS Estamos terminando a nossa segunda unidade do livro Economia e Sociedade Nesta unidade você aprendeu um pouco sobre os fundamentos da teoria do con sumidor e a teoria da demanda que procuram explicar os motivos que fazem com que os consumidores ou melhor as famílias demandemprocurem por determinados bens e serviços ao invés de outros Na sequência estudamos o outro lado da relação que é a teoria da oferta ou seja o lado da empresa Vimos os motivos que incentivam as empresas a aumen tarem sua produção e portanto a oferta Após entender demanda e oferta você viu que o objetivo do produtor e do consumidor são totalmente diferentes diria opostos Enquanto o consumidor deseja adquirir bens e serviços em grande quantidade a preços baixos e porque não dizer com excelente qualidade as empresas desejam maximizar seu lucro e por isso desejam vender seus produtos a um preço mais alto possível com custo bem baixo Contudo sabemos que na vida real a vontade do consumidor bem como a da empresa não é satisfeita mas existe um acordo não formal entre consu midores e empresas para formar o preço e a quantidade os bens e serviços que serão de fato negociadas Esta situação chamase equilíbrio de mercado que é alterado a toda hora por diversos fatores que foram abordados nesta unidade Além da famosa lei oferta e demanda discutimos alguns custos de produ ção e finalizamos a unidade compreendendo as quatro estruturas de mercado Assim você entende melhor porque o preço da alface é bem inferior ao preço de uma blusa e da gasolina por exemplo Então a partir de agora de fato você é capaz de explicar a tão famosa lei da economia que é a lei da oferta e da demanda e como esta lei nos afeta desde quando nascemos até o final de nossas vidas Um forte abraço 92 1 As pessoas possuem preferências por alguns bens em relação a outro sendo ca pazes de ordenar quais bens ou serviços geram mais satisfação pessoal Para isto os consumidores possuem algumas características Leia as assertivas a seguir e marque a alternativa correta quanto às características dos consumidores I Gastam toda sua renda em bens e serviços II Adquirem diversos bens ou serviços III Raramente adquirem tudo que desejam IV Procuram maximizar a satisfação total a Somente as afirmativas I e II estão corretas b Somente as afirmativas III e IV estão corretas c Somente as afirmativas I II e III estão corretas d Somente as afirmativas I II e IV estão corretas e Todas as afirmativas estão corretas 2 Demanda pode ser definida como a quantidade de um bem ou serviço que um consumidor deseja adquirir Em relação à demanda marque a alternativa correta I Está relacionada à utilidade total II Não é uma compra efetiva III Depende da renda IV Varia com o tempo a Somente as afirmativas I e II estão corretas b Somente as afirmativas III e IV estão corretas c Somente as afirmativas I II e III estão corretas d Somente as afirmativas I II e IV estão corretas e Todas as afirmativas estão corretas 3 Durante nossa segunda Unidade vimos que alguns fatores como renda preço dos bens substitutos e complementares marketing entre outros afetam a curva de demanda Leia as assertivas que seguem e marque a alternativa correta quanto ao impacto que o aumento de renda causa da curva de demanda a O aumento de renda desloca a curva de demanda para a direita b O aumento de renda desloca a curva de demanda para a esquerda c O aumento da renda não afeta a demanda 93 d O aumento da renda reduz a demanda e O aumento da renda afeta a curva de demanda mas não de forma significa tiva 4 Oferta é definida por Passos e Nogami 2012 como a quantidade de um bem ou serviço que uma determinada empresa deseja vender por unidade de tem po E sabemos que alguns fatores afetam a curva de oferta deslocandoa para a direita ou para a esquerda e um destes fatores é a tecnologia Em relação à tec nologia leia as assertivas que seguem e marque a alternativa que mostra o impacto da tecnologia na curva de oferta a A tecnologia é uma ótima forma de aumentar a produção utilizando a mes ma quantidade de fatores de produção reduzindo os custos e aumentando a oferta b A tecnologia é uma ótima forma de reduzir a produção utilizando a mesma quantidade de fatores de produção aumentando os custos e reduzindo a oferta c A tecnologia só irá afetar a curva de oferta se o governo elaborar política cam bial de redução da taxa de câmbio d A tecnologia desloca a curva de oferta para a esquerda aumentando a pro dução e os custos e A tecnologia não afeta a curva de oferta 5 O governo por meio da lei antitruste tenta coibir algumas práticas que pos sam prejudicar a concorrência como cartel vendas casadas fixação de preço de revenda e preços predatórios Em relação a estas práticas proibidas por lei marque a alternativa correta I Cartel é prejudicial ao consumidor pois as empresas agirão como em um mo nopólio II Combos de internet TV por assinatura e telefone são exemplos de venda casada III Um exemplo de preços predatórios são as promoções de final de estoque IV Preços sugeridos é uma prática de fixação de preços de revenda a Somente a afirmativa I está correta b Somente as afirmativas III e IV estão corretas c Somente as afirmativas I II e III estão corretas d Somente as afirmativas I III e IV estão corretas e Todas as afirmativas estão corretas 94 STANDARDS COMO EVENTUAL LIMITE À CONCORRÊNCIA BREVE CONSIDERAÇÃO ACERCA DO CARTEL DO CIMENTO NO BRASIL Utilizase como referência o caso conhecido como o cartel do cimento ou das cimentei ras Processo Administrativo nº 08012011142200679 julgado pelo Conselho Adminis trativo de Defesa Econômica CADE em 2014 Conforme explicado pelo CADE à época do julgamento o cimento é um produto essencial usado para a indústria de construção civil e infraestrutura de maneira geral É um produto com uma natureza homogênea e que geralmente apresenta uma demanda inelástica o produtor pode aumentar o preço que ainda haverá consumo dado a essencialidade do produto em questão o que significa que é um mercado em que os riscos de aumento de preços advindos de uma coordenação entre os concorrentes é alto Historicamente o mercado de cimento é caracterizado por significativas barreiras à entrada e inúmeros standards instaurados por diferentes órgãos governamentais e não governamentais No Brasil o cartel entre as empresas de cimento perdurou a princípio de 2002 a 2006 Entre estas empresas encontravamse Holcim Ltda Cimpor Cimentos de Portugal Vo torantim Cimentos SA Camargo Correa SA Itabira Agro Industrial SA e Cia de Ci mentos Itambé SA Em 2014 oito anos após o início da investigação o CADE condenou por unanimidade estas seis empresas além de indivíduos e associações tais como a Associação Brasileira de Cimento Portland ABCP o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento SNIC e a Associação Brasileira de Serviços de Concretagem ABESC e im pôs uma das maiores penalidades já aplicada pela autoridade em um caso de cartel Para além da multa pecuniária que somou mais de três bilhões de Reais o Conselho determinou ainda a venda de fábricas e impedimentos de realizar operações no ramo de cimento e de concreto até 2019 Em análise detalhada dos fatos a investigação co meçou quando um exfuncionário de uma destas empresas de cimento fez um acordo de leniência com a autoridade descrevendo toda a dinâmica do cartel Os documentos sugeriram que as empresas em conjunto com as associações acordavam em fixação de preços e quantidade de cimento e concreto no mercado brasileiro divisão de mercado especificamente de clientes entre as regiões do Brasil e celebração de acordos de não concorrência aumento de barreiras à entrada de novos concorrentes nos mercados de cimento e concreto entre outros Especificamente o CADE condenou as empresas por infração à ordem econômica com fulcro no art 20 incisos I II III e IV cc art 21 incisos I II III e IV ambos da antiga Lei de Concorrência Lei nº 88841994 atualmente art 36 in cisos I II III e IV e 3º incisos I II e III sob o fundamento de que atuaram conscientes da ilicitude da prática e de forma concertada para iFixar preços e quantidades e dividir regionalmente os mercados de cimento e de concreto no Brasil iiAlocar clientes de for ma concertada e consequentemente respeitar a carteira de clientes de cada empresa iiiImpedir a entrada de novos concorrentes nos mercados de cimento e de concreto iv Dividir o mercado de concreto por meio de participações equivalentes às participações de mercado no cimento Estabelecer trocas swap de ativos de empresas concreteiras de maneira a otimizar o cartel vCoordenar o controle das fontes de insumos do cimen 95 to principalmente o insumo escória de altoforno viUtilizar associações como fórum de troca de informações concorrencialmente sensíveis possibilitando a formação e o monitoramento de acordos inclusive por meio da elaboração de tabelas de preços vii Promover ações com o objetivo de combater concorrentes que não participavam do cartel prejudicando suas imagens e viiiAlterar normas técnicas sobre cimento e con creto a fim de elevar artificialmente as barreiras à entrada nesses mercados Como efeito de um mercado cartelizado nos últimos 20 anos o número de produto res de cimento diminuiu drasticamente em mais da metade E um fator que não pode ser menosprezado é que o excesso de normas técnicas impostas pelas associações de cimento e concreto criaram um cenário de grandes barreiras à entrada regulação pri vada e prejudicaram diretamente a concorrência no mercado de cimento brasileiro Uma das estratégias do cartel que ganha importância no presente artigo é a atuação das empresas junto a Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT a fim de criar novas normas que de fato caracterizavamse por ser significativas barreiras à entrada de novos concorrentes ou ainda acabavam por excluir do mercado as empresas que não faziam parte do esquema imposto sendo estas em geral empresas de pequeno e médio porte Além das empresas envolvidas no cartel a Associação Brasileira de Ci mento Portland ABCP também agiu para pressionar e convencer ABNT para criação destas novas normas que na verdade conforme relatado pelo CADE possuíam em sua essência características claramente anticompetitivas Ainda como parte da prática a ABCP preparou uma declaração pública de alerta aos consumidores de cimento a fim de alertálos sobre os riscos associados ao uso de cimento fora dos padrões indicando inclusive as empresas que não estariam em conformidade com as suas normas Apesar da ABNT não ser oficialmente uma agência reguladora do governo brasileiro os servi ços e os produtos disponíveis devem respeitar as normas técnicas standards definidos no mercado Especificamente normas técnicas para mercado de produção de cimento são reguladas pela ABNT no entanto qualquer outra entidade uma vez certificada pelo Conselho Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial CONMETRO pode vir a criar uma norma técnica Documentos apreendidos em buscas e apreensões conduzidas pelo CADE neste Proces so Administrativo mostraram que sob a justificativa aparente que as normas técnicas seriam necessárias para melhorar a qualidade do cimento vendido no mercado brasilei ro standards foram criados para alterar as condições de entrada e para excluir delibera damente concorrentes do mercado Fonte Madi e Bagnoli 2016 online1 MATERIAL COMPLEMENTAR Microeconomia princípios básicos Hall R Varian Editora Elsevier Sinopse Microeconomia de Hal Varian apresenta aos estudantes e pesquisadores o mais atual e abrangente estudo sobre a microeconomia de forma didática possibilitando um aprendizado analítico e ao mesmo tempo profundo e com ampla variedade de tópicos Segundo o autor seu principal objetivo é apresentar um tratamento diferenciado do estudo da Microeconomia de forma a permitir que seu leitor possa aplicar as ferramentas teóricas em suas atividades profissionais Para isso disponibiliza diversos cases capítulos curtos e precisos e explicações de como transformar em prática o que foi visto na teoria Nessa nova edição temse um novo capítulo sobre os problemas envolvidos na estimativa de relações econômicas novos exemplos extraídos das firmas do Silicon Valley como Apple eBay Google Yahoo e outras São discutidos tópicos como a complementaridade entre iPod and iTunes o feedback positivo da associação de companhias como Facebook e modelos de anúncio usados pelo Google Microsoft e Yahoo Comentário este livro discute de forma quantitativa os fundamentos microeconômicos É uma excelente maneira de aprofundar os conhecimentos sobre o assunto Roger Eu Um documentário muito interessante que mostra o impacto do desemprego na relação entre oferta e demanda de toda uma comunidade Este é um documentário sobre o fechamento de 11 fábricas da GM em Flit no estado do Michigan nos EUA da década de 80 o que gerou 30 mil desempregos e afetou a vida econômica da cidade REFERÊNCIAS MENDES J T G Economia Fundamentos e Aplicações São Paulo Pearson Hall 2009 PASSOS C R M NOGAMI O Princípios de Economia São Paulo Cengage Lear ning 2012 REFERÊNCIA ONLINE 1Em httprevistacadegovbrindexphprevistadedefesadaconcorrenciaarticle view283 Acesso em 14 jun 2017 97 GABARITO 1 E 2 E 3 A 4 A 5 A UNIDADE III Professora Drª Andréia Moreira da Fonseca Boechat INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Objetivos de Aprendizagem Apresentar os fundamentos da teoria macroeconômica Diferenciar crescimento econômico de desenvolvimento econômico e suas respectivas fontes Estudar o mercado de trabalho e as variáveis pertencentes a ele Entender as principais políticas macroeconômicas monetária fiscal e cambial Plano de Estudo A seguir apresentamse os tópicos que você estudará nesta unidade Fundamentos da Teoria Macroeconômica Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico O Mercado de Trabalho Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial INTRODUÇÃO Olá caroa acadêmicoa seja muito bemvindoa à Unidade III do livro Economia e Sociedade Agora iremos discutir a outra área de estudo da economia que é a macroeco nomia Antes de iniciarmos você precisa saber que os conceitos microeconômicos são fundamentais para a compreensão da macroeconomia pois a moeda por exem plo funciona com a mesma ideia de outro bem qualquer Então se algum conceito que discutimos anteriormente não tenha ficado claro retorne às unidades anterio res e tire dúvida com seu tutor A macroeconomia portanto é um ramo das ciências econômicas que estuda a evolução da economia como um todo analisando a determinação e o compor tamento dos agregados tais como renda e produto nacional Isto é diferente da microeconomia a macroeconomia não analisa o comportamento individual das famílias e empresas mas sim dos mercados de forma global Por exemplo no mer cado de bens e serviços a preocupação é com o produto nacional gerado e não separadamente com os mercados agrícola e industrial Para atingir o nosso objetivo que é a compreensão da macroeconomia básica a Unidade III está dividida em quatro seções Na primeira apresentarei os fundamen tos da teoria macroeconômica que são aqueles conceitos básicos e fundamentais e que irão nortear todo o entendimento dos próximos temas Na segunda seção diferenciaremos os conceitos de crescimento econômico e desenvolvimento econômico ou seja você sabe que no mundo real um país pode crescer economicamente e mesmo assim a população não tem suprida a maior parte das necessidades básicas como é o caso do Brasil Essa situação ocorre porque cres cimento e desenvolvimento econômico são conceitos relacionados mas diferentes Na seção três falaremos de um mercado macroeconômico bem específico e que você e eu fazemos parte que é o mercado de trabalho A esse respeito discutiremos algumas variáveis pertencentes a ele e também como o nosso salário é formado Para finalizar a unidade entenderemos as três principais políticas macroeconô micas que são a monetária que está relacionada com a taxa de juros e moeda a fiscal que são os gastos e arrecadação do governo e a cambial que está diretamente ligada ao mercado internacional Preparadoa Bons estudos e um forte abraço Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 101 INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 102 FUNDAMENTOS DA TEORIA MACROECONÔMICA Nesta seção iniciaremos o estudo da segunda grande área de estudo da eco nomia a macroeconomia Você certamente já ouviuleu em jornais revistas telejornais internet entre outros as seguintes manchetes A taxa de inflação ultrapassou a meta e governo aumenta a taxa SELIC Trabalhamos 150 dias para pagar impostos O dólar fechou em alta Balança comercial brasileira foi superavitária no mês de outubro Ao final desta unidade você compreenderá cada uma das manchetes citadas entre outros temas relacionados e os motivos pelos quais o governo aumenta por exemplo a taxa de juros ou injeta dólar no mercado ou corta gastos Só pelas manchetes apresentadas e pelos seus conhecimentos referentes à uni dade anterior você conseguiu perceber que diferentemente da microeconomia quando tratamos da macroeconomia estamos falando da economia como um todo por exemplo quando discutimos se o Brasil está crescendo e quanto está crescendo se está havendo inflação se os juros estão muito elevados ou muito baixos enfim na macroeconomia tratamos da economia de uma maneira mais ampla e é importante termos ciência de que a macroeconomia influencia nos sas vidas tanto de pessoas físicas quanto jurídicas Porém o estudo da macroeconomia é algo relativamente novo se pensarmos em economistas clássicos como Adam Smith e David Ricardo que fizeram seus estudos mais ou menos entre os anos 1700 e 1800 a macroeconomia é muito jovem A macroeconomia tem como seu principal expoente o economista Jhon Maynard Keynes que por muitos é chamado de pai da macroeconomia moderna Keynes escreveu sua principal obra em 1936 num contexto em que a econo mia norte americana estava devastada após a Grande Depressão ou a chamada crise de 1929 Nesse período a economia dos Estados Unidos estava sofrendo pas sando por uma grande crise na qual o nível de desemprego era muito alto Na visão de Keynes se o governo participasse mais dessa economia a crise não teria sido tão profunda Entretanto o que significa o governo participar mais da economia Fundamentos da Teoria Macroeconômica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 103 Muito bem o governo participar mais da economia significa que ele não cuida somente de suas funções básicas mas também deve atuar como um agente eco nômico Para entendermos essa questão precisamos verificar quais são as funções básicas do governo De acordo com Giambiagi e Além 2011 o governo tem as fun ções Estabilizadora Distributiva e Alocativa Vamos compreender cada uma delas Função Estabilizadora o governo ter a função estabilizadora significa que ele precisa manter a economia estabilizada Você pode verificar por exemplo que o governo tem estado bastante preocupado com os níveis de preços na eco nomia ou seja o governo tem se preocupado com o nível da inflação Função Distributiva essa função do Estado é exatamente o que o nome dela diz ou seja distribuir melhor os recursos tentar retirar de quem tem muito para oferecer a quem não tem nada ou pouco tem Função Alocativa significa que o Estado deve atuar em áreas da economia na qual o setor privado não tem muito interesse em atuar ou seja o governo irá alocar recursos em áreas que se ele não atuar não ofertarão os serviços necessá rios já que o setor privado não fará essa oferta de serviços Como o saneamento básico que exige um investimento muito elevado e nem sempre haverá empresa privada disposta a fazêlo Então diante das funções do governo é importante definirmos os bens públicos que são bens de uso coletivo cuja principal característica é a impossibi lidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo uma vez delimitado o volume à disposição do público Exemplo disto é meteorologia defesa nacio nal e serviços de despoluição De acordo com Vasconcellos e Garcia 2008 o governo ao utilizar a polí tica macroeconômica deve ter como objetivos Alto nível de emprego Estabilidade de preços Distribuição de renda socialmente justa Crescimento econômico INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 104 Isto é o governo deve buscar esses quatro objetivos listados é importante ressal tarmos que conforme Vasconcellos e Garcia 2008 os objetivos de alto nível de emprego e de estabilidade de preços são de curto prazo ou conjunturais são obje tivos que o governo tenta atingir mais rapidamente pensando na conjuntura atual Já os objetivos de distribuir renda e de crescimento econômico são objetivos de longo prazo os chamados objetivos estruturais Eles fazem parte da estru tura econômica e para serem alcançados é necessário um tempo maior Vamos discutir um pouquinho cada um desses objetivos da política macroeconômica Alto nível de emprego de acordo com Vasconcellos e Garcia 2008 e conforme já discutido inicialmente foi a partir da década de 30 que o governo passou a pensar mais profundamente na macroeconomia até esse período a questão do emprego não gerava preocupação por parte dos governos mais especificamente foi somente a partir da crise de 1929 que essa questão passou a ser pensada eou discutida Estabilidade de preços a estabilidade de preços em outras palavras é a inflação Essa questão já foi bem mais problemática para o Brasil do que é atu almente Embora haja uma grande preocupação com a estabilidade de preços hoje em dia se conversarmos com alguém que viveu na década de 80 e início da década de 90 até 1994 com certeza essa pessoa nos dirá que hoje a infla ção não chega a ser um problema se comparada com o período citado quando os preços eram remarcados diariamente e às vezes mais que uma vez no dia Distribuição de renda socialmente justa a literatura traz argumentos de que a distribuição de renda no Brasil piorou muito quando o governo adotou como regra a chamada teoria do bolo conforme essa regra primeiro deveríamos esperar aumentar a riqueza no país e depois redistribuíla Como argumentam Vasconcellos e Garcia 2008 isso aconteceu na época do chamado milagre eco nômico entre 1967 e 1973 porém os mesmos autores argumentam que todos tiveram sua renda elevada no entanto a classe mais abastada teve sua renda melhorada numa proporção superior à da classe menos rica Fundamentos da Teoria Macroeconômica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 105 Crescimento econômico crescimento econômico conforme Vasconcellos e Garcia 2008 é o mesmo que aumento da renda nacional per capita Para que isso ocorra o aumento da produção de bens e serviços deve necessariamente ser superior ao crescimento populacional pois somente assim haverá aumento da renda per capita É importante ressaltarmos que o crescimento econômico não é o mesmo que desenvolvimento econômico mas deste último trataremos em outra unidade deste material Voltaremos a esse conceito na próxima seção Os objetivos da macroeconomia não são independentes uns dos outros podendo inclusive acontecer ao mesmo tempo ou seja uma meta pode ajudar a alcançar outras Para você compreender melhor o crescimento pode facilitar a solução dos problemas de pobreza já que é possível amenizar os conflitos sociais quando a renda cresce e é repartida entre as classes Porém é possível também que os objetivos da macroeconomia sejam confli tantes por exemplo a meta pode ser fazer com que o país cresça mas ao crescer a demanda é aquecida e de acordo com a lei de oferta e demanda quando a procura é maior do que a oferta os preços sobem Se o aumento de preços for generalizado a inflação surge Com isso a estabilidade da economia fica de lado Outro exemplo é apresentado por Vasconcellos 2011 uma política de esta bilização da inflação pode levar ao aumento de desemprego pois tais políticas retraem a demanda de bens e serviços fazendo com que tenha queda da atividade econômica e portanto do emprego Essa relação inversa entre duas variáveis como emprego e crescimento econômico apresentados no exemplo se chama tradeoff e é um conceito muito presente da economia Agora como a macroeconomia está estruturada Vamos analisar a figura a seguir INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 106 MERCADOS VARIÁVEIS DETERMINADAS Parte Real da Economia Mercado de Bens e Serviços Produto Nacional Nível Geral de Preços Mercado de Trabalho Nível de Emprego Salários Nominais Parte Monetária da Economia Mercado financeiro monetário e títulos Taxa de Juros Estoque de Moeda Mercado de Divisas Taxa de Câmbio Estoque de Reservas Cambiais Figura 1 Estrutura da análise macroeconômica Fonte Vasconcellos 2011 p 198 A macroeconomia analisa a economia como se ela fosse constituída por duas partes uma real e outra monetária e quatro mercados de bens e serviços de trabalho financeiro e cambial Então ao analisar o comportamento do mercado de bens e serviços somase todos os bens e serviços produzidos pela economia em um determinado perí odo de tempo o resultado será o produto nacional e o preço praticado nesse mercado é o nível geral de preços Da mesma forma é o mercado de trabalho só que ele é composto por traba lho e é determinado o nível de emprego e taxa salarial Já no mercado monetário a análise será verificada pela troca por moeda e serão determinadas as taxas de juros e a quantidade de moeda necessária Também temos o mercado de títulos que são negociados os títulos da economia Esses dois últimos mercados monetário e de títulos fazem parte de um mercado mais amplo o chamado mercado financeiro E por último temos o mercado cambial já que um país como o Brasil realiza transações comerciais e financeiras com outros países Porém para que essas tran sações sejam possíveis é preciso transformar ou melhor converter o preço dos bens negociados em relação ao preço do outro país para isso é utilizada a taxa de câmbio Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 107 CRESCIMENTO ECONÔMICO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO Conforme vimos na seção anterior crescimento econômico é um dos objeti vos do governo e de estudo da macroeconomia podendo ser definido como o aumento da capacidade produtiva da economia durante um determinado perí odo de tempo O conceito de desenvolvimento econômico é mais amplo e está relacionado ao aumento da capacidade produtiva do país mas com melhorias no padrão de vida da população e com alterações fundamentais na sua estrutura Porém definir esses dois conceitos não é algo tão simples Já existem duas linhas teóricas que relacionam crescimento com desenvolvimento econômico Uma das linhas considera crescimento como sinônimo de desenvolvimento por tanto um país ao crescer está automaticamente se desenvolvendo Por outro lado a outra vertente considera que crescimento econômico é condição indis pensável para o desenvolvimento mas não é condição suficiente Sendo assim para os teóricos que associam crescimento com desenvolvi mento um país é considerado como subdesenvolvido quando o PIB cresce menos do que o dos desenvolvidos mesmo com disponibilidade de capital terra e mão de obra Nessa linha o crescimento econômico distribui diretamente a renda entre os proprietários dos fatores de produção levando automaticamente a melho rias dos padrões de vida e por consequência ao desenvolvimento econômico Contudo a prática não tem apontado que isso sempre ocorre e mostra que o crescimento e o desenvolvimento econômico não podem ser considerados como sendo o mesmo termo Assim o crescimento econômico não necessariamente vai beneficiar todo o conjunto da população por exemplo mesmo que um país cresça o desemprego pode não estar diminuindo em um ritmo necessário em razão por exemplo do processo de robotização e informatização da cadeia de produção Além disso podemos citar outros fatores que explicam que um país pode crescer sem se desenvolver INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 108 A saída de capitais internos para outros países que reduz a capacidade de importar e realizar investimentos A apropriação desigual da renda levando à concentração de renda e da riqueza Baixos salários que limitam o crescimento de diversos setores princi palmente no mercado doméstico A segunda corrente entende o crescimento econômico como uma simples varia ção quantitativa do produto PIB ou seja ao aumento da capacidade produtiva da economia e portanto da produção de bens e serviços Já para essa corrente o desenvolvimento econômico envolve mudanças qualitativas no modo de vida das pessoas das instituições das estruturas produtivas e do meio ambiente Nesse sentido Souza 2011 define desenvolvimento econômico como a exis tência de crescimento econômico contínuo em ritmo superior ao crescimento demográfico envolvendo mudanças de estruturas e melhoria de indicadores econômicos sociais e ambientais Tratase de um fenômeno de longo prazo pro vocando o fortalecimento da economia nacional a ampliação da economia de mercado e a elevação geral da produtividade e do nível do bemestar da popu lação com a preservação do meio ambiente Souza 2011 afirma ainda que o crescimento econômico precisa ser supe rior ao crescimento demográfico o que leva à expansão do nível de emprego e também da arrecadação pública de modo que permite ao governo realizar gas tos sociais e atender às pessoas mais carentes O desenvolvimento econômico constitui um dos objetivos do governo que é a contínua melhoria de sua qualidade de vida Porém isso só é possível no momento em que as necessidades e os desejos passam a ser atendidos adequadamente Com base no exposto podemos resumir que um país pode ser rico como os produtores de petróleo que ganham muito dinheiro exportando o produto mas pode não conseguir por diversas razões distribuir essa riqueza entre seus habitantes que seguem em sua maioria vivendo em condições precárias Isto é qualitativamente é pobre ou não desenvolvido Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 109 Como o desenvolvimento econômico engloba melhorias na qualidade de vida da população uma das variáveis que melhoram a vida das pessoas é a preserva ção ambiental E você saberia me dizer o motivo Com o tempo o crescimento da economia tende a esgotar os recursos produtivos que como você sabe são escassos ou seja limitados A situação irá ocorrer se o uso dos recursos for indis criminado e não pelo país crescer Nesse sentido Souza 2011 afirma que o crescimento acelerado pode provo car o desmantelamento de florestas a exaustão de reservas minerais e a extinção de certas espécies de peixes Por exemplo a atividade agrícola tende a ocupar vastas áreas de terras onde se encontravam florestas Pode também poluir os mananciais de água infestar o ar atmosférico interferindo no próprio clima e no regime de chuvas o que afeta a saúde da população Dito de outra forma o desenvolvimento sustentável é o que preserva o meio ambiente sobretudo os recursos naturais não renováveis Vivemos falando em desenvolvimento econômico mas como definir que uma economia é subdesenvolvida Quais fatores nós levamos em consideração Alguns autores como Celso Furtado afirmam que o subdesenvolvimento é um desequilíbrio na absorção dos avanços tecnológicos produzidos pelo capitalismo industrial a favor das inovações que incidem diretamente sobre o estilo de vida Esse atraso na absorção de inovações nos padrões de consumo tem como contrapartida decadência na adoção de métodos produtivos mais eficazes É que os dois processos de penetração de novas técnicas se apoiam no mesmo vetor que é a acumulação Assim o crescimento de uma requer o avanço da outra A raiz do subdesenvolvimento reside na desarticulação causado pela moderniza ção entre esses dois processos O desenvolvimento econômico de uma nação ocorre em processo evolu tivo em cinco etapas que são Sociedade tradicional Prérequisito para o arranco Arranco ou decolagem Crescimento autossustentável Idade do consumo de massa INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 110 Por outro lado existem inúmeros fatores que são apontados como responsáveis pelo subdesenvolvimento dos países Os fatores de maior relevância são Falta de política de redistribuição do excedente econômico Falta de especialização em setores e produtos que gerem diferenciais competitivos Falta de diversificação da base produtiva Escassez de recursos naturais Falta de capital humano qualificado Ausência de progresso tecnológico Falta de instituições Países dominados por elites sem interesse pelos mais pobres Ausência de ações de transformações das estruturas pelas massas com base numa ideologia desenvolvimentista Para finalizarmos o tema desenvolvimento econômico faremos uma compara ção das características de países desenvolvidos e subdesenvolvidos vamos lá Características dos Países Desenvolvidos Domínio econômico Estrutura industrial e agropecuária moderna Elevado desenvolvimento científico e tecnológico Eficiência nos meios de comunicação e transporte Baixo percentual de analfabetos Alta qualidade em alimentação habitação e saneamento básico Baixa taxa de natalidade e mortalidade infantil Maiores indicadores de expectativa de vida Baixos índices de pobreza Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 111 Características dos Países Subdesenvolvidos Heranças do colonialismo exploração dos recursos Dependência econômica em relação aos países desenvolvidos Defasagem científica e tecnológica Deficiência nos meios de comunicação e transporte Baixa industrialização e agricultura Elevado percentual de analfabetos Baixa qualidade em alimentação habitação e saneamento básico Alta taxa de natalidade e mortalidade infantil Menores indicadores de expectativa de vida INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO E DE CRESCIMENTO ECONÔMICO Para medir o crescimento econômico utilizamos os indicadores PIB e PIB per capita Por exemplo se um país estiver aumentando sua renda per capita pode mos dizer que está ocorrendo crescimento desde que esse aumento seja menor do que o crescimento populacional Para que ocorra o desenvolvimento preci samos que outras questões sejam atendidas Nesse sentido há na teoria econômica diversos modelos que estudam e medem o tamanho do desenvolvimento econômico de determinado país dentre esses modelos Souza 2011 cita os neoclássicos de Meade de Solow e a teoria do crescimento endógeno Todos eles são teóricos que se baseiam em dados de população progresso técnico capital humano entre outras variáveis mas para o nosso propósito neste livro não iremos abordar esses modelos em detalhes trataremos apenas de alguns indicadores de crescimento econômico sem entrar mos nas discussões teóricas da formação desses modelos INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 112 Resumindo falar em desenvolvimento econômico é falar em melhora na qualidade de vida em aumento do bemestar em acesso à cultura lazer entre outros Temos algumas variáveis que tratam a esse respeito e vamos estudar um pouco cada uma delas PIB per Capita esse é um indicador bastante utilizado que busca mostrar medir o crescimento de um país No seu cálculo dividese o PIB pela popula ção Assim podemos facilmente perceber que ele é um dado numérico e que não nos dá uma dimensão de qualidade de vida de como a renda está distribu ída enfim ele mostra apenas uma média Podemos dizer que esse indicador é bastante popular e é relativamente fácil calculálo mas que é um indicador ini cial quando vamos discutir o desenvolvimento ele ajuda a medir o crescimento mas para falarmos de desenvolvimento precisamos de outras variáveis IDH Índice de Desenvolvimento Humano uma variável utilizada para se tentar captar o desenvolvimento econômico é o IDH Índice de Desenvolvimento Humano Esse índice é relativamente novo e tenta captar quão desenvolvida é uma nação um povo O IDH é composto por três sub índices a Um índice que mede a renda Aqui se utiliza o PIB per capita b Um índice que mede a saúde das pessoas Utilizase a expectativa de vida ao nascer c Um índice que mostre a educação Nesse caso se utiliza a taxa de alfabe tização de adultos e a taxa de matrícula nos ensinos fundamental médio e superior O IDH varia entre 0 e 1 sendo que quanto mais próximo de 1 melhor ou seja quanto mais próximo de 1 mais desenvolvido é o país Esse índice vem sendo divulgado a partir da década de 1990 a ONU o divulga para cerca de 170 países que são ranqueados a partir desse índice conforme critérios a seguir O Mercado de Trabalho Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 113 Quadro 1 Grau de desenvolvimento conforme critério do IDH IDH GRAU DE DESENVOLVIMENTO Acima de 08 Alto Entre 05 e 08 Médio Abaixo de 05 Baixo Fonte adaptado de Gremaud et al 2008 De acordo com dados da PNUD para o ano de 2012 o Brasil ficou na 85ª colo cação no ranking do IDH nesse ranking consta 186 países O Valor do IDH brasileiro é 0730 ou seja nosso IDH é considerado médio O país melhor colo cado é a Noruega com um IDH de 0955 acompanhada pela Austrália com 0938 O último colocado é Níger com um índice de 0304 Índice de GINI O índice de Gini é um índice que mede a desigualdade ou concentração da renda ele varia entre 0 e 1 sendo que 0 representa a completa igualdade todos teriam a mesma renda e 1 a completa desigualdade assim ao pensarmos no índice de Gini desejamos que ele seja o menor possível O MERCADO DE TRABALHO O mercado de trabalho é um dos cinco mercados em que a macroeconomia normalmente divide o estudo da economia Nesse mercado é determinada a quantidade utilizada de trabalho que representamos com a letra N e o salário nominal do trabalhador representado por W Dentro do mercado de trabalho temos o tão temido desemprego que referese à ociosidade do fator de produção trabalho Porém essa é uma definição sim plista não apresentando os aspectos envolvidos na questão do desemprego E sabe por quê Porque uma pessoa que está em idade de trabalhar pode não estar traba lhando por diversas razões e são estes motivos que a economia procura estudar INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 114 Então como afirma Souza 2011 uma definição mais completa do desem prego exige o conhecimento sobre os critérios pelos quais uma pessoa que é considerada economicamente ativa não está trabalhando Assim inicialmente vamos discutir algumas características nas quais as pessoas podem se enquadrar e que são levadas em consideração pelas pesquisas que procuraram examinar o mercado de trabalho Nesse sentido Bacha e Lima 2006 definem alguns conceitos fundamentais para entender o funcionamento do mercado de trabalho que são População residente é o total de pessoas vivendo em certo país em deter minado momento do tempo independentemente de sua idade e se está ou não trabalhando procurando trabalho ou apenas é ocioso A popu lação residente se divide em População Economicamente Ativa PEA População Não Economicamente Ativa e Pessoas Incapacitadas ao trabalho População Economicamente Ativa PEA são as pessoas acima de certa idade por exemplo com 10 ou mais anos de idade que são aptas e desejam trabalhar independentemente de estarem ou não trabalhando Segundo Souza 2011 esta categoria se divide em a População ocupada são aquelas pessoas que trabalham para um empre gador normalmente são obrigados a cumprirem a jornada de trabalho e recebem em troca uma remuneração Nesse caso as pessoas com ou sem carteira de trabalho assinada estão inclusas Exemplo militares funcio nários públicos estagiários empregados domésticos jovens aprendizes vendedores professores entre outros b Trabalhadores por conta própria são as pessoas que exploram seu pró prio empreendimento sozinhos ou com sócios mas não têm empregados Exemplo um pintor que trabalha por conta própria c Empregadores são as pessoas que exploram seu próprio empreen dimento sozinhos ou com sócios mas que possuem pelo menos um empregado Exemplo empresários d Trabalhadores não remunerados são as pessoas que trabalham sem remuneração no empreendimento da família Exemplo um menino que ajuda seus pais na padaria mas não recebe por isso O Mercado de Trabalho Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 115 População Não Economicamente Ativa são as pessoas aptas a traba lhar mas que não estão trabalhando e nem procurando emprego Nessa categoria se incluem os trabalhadores desalentados dispostos a traba lhar mas desestimulados a procurar trabalho as pessoas dedicadas às atividades do lar os estudantes os aposentados os pensionistas os ren tistas por exemplo Pessoas Incapacitadas ao Trabalho são aquelas abaixo de certa idade por exemplo 10 anos as inválidas física eou mentalmente para traba lhar idosos réus e outros não classificados na PEA ou na População Não Economicamente Ativa Pessoas desempregadas ou população desocupada são as pessoas procurando emprego há 30 dias e que não estão trabalhando na semana Nesse sentido temos a chamada taxa de desemprego que é definida como a percentagem da força de trabalho que está desocupada e procu rando emprego Afinal o que é esse desemprego Como é medido Muitas pessoas vão responder que o desemprego é a falta de emprego Está correto mas temos outras definições mais completas Como já vimos Souza 2011 nos diz que para definir desem prego é necessário conhecer os critérios pelos quais uma pessoa é considerada economicamente ativa e os motivos que a tornaram ocupada empregada e desocupada desempregada Nesse sentido Sandroni 2003 acrescenta que desemprego é uma situação de ociosidade involuntária em que uma pessoa se encontra Passos e Nogami 2012 observam que desempregada é aquela pessoa que está procurando emprego Para conhecer um pouco mais sobre a evolução do mercado de trabalho e o impacto do aumento do desemprego no desenvolvimento econômico leia o artigo Estagnação da economia abertura e crise do emprego urbano disponível no link httpsperiodicossbuunicampbrojsindexphpecos articleview864318810732 Fonte a autora INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 116 CAUSAS DO DESEMPREGO Apesar de parecer lógico que em crises econômicas o desemprego aumenta já que as empresas irão vender menos e por esse motivo irão cortar custos uma das for mas é demitindo funcionários a crise não é o único motivo para o desemprego Dessa forma Souza 2011 afirma que os economistas basicamente separam o desemprego em três tipos de acordo com as causas que são friccional estru tural e conjuntural que também é chamado de cíclico Os dois primeiros estão relacionados à chamada taxa natural de desemprego Os economistas da corrente clássica afirmam que a lei natural da oferta e demanda equilibram o mercado ou seja a oferta cria sua própria demanda em outras palavras tudo que é produzido será consumido ao preço do mercado Assim existe uma mão invisível que corrige todas as distorções que podem ser geradas sem que o Estado intervenha Logo para os economistas clássicos o pleno emprego sempre ocorre inclusive no mercado de trabalho Por esse motivo não existe desemprego involuntário apenas o voluntário que é aquele que a pes soa por algum motivo não deseja trabalhar Apesar disso o desemprego existirá mesmo que pouco o que se chamou de taxa natural de desemprego Atualmente segundo Souza 2011 entende se que essa taxa natural de desemprego é formada por três componentes que são o desemprego voluntário o estrutural e o friccional conforme podemos ver na Figura 2 O Mercado de Trabalho Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 117 Desemprego voluntário Desemprego estrutural Desemprego friccional Taxa natural de desemprego Figura 2 Os componentes da taxa natural de desemprego Fonte Souza 2011 p 75 Vamos conhecer as causas do desemprego Desemprego estrutural o desemprego estrutural pode ser decorrente de mudanças estruturais na economia como mudança tecnológica padrão de demanda dos consumidores que no longo prazo alteram o mercado de traba lho eliminando alguns postos de trabalho e criando outros Desemprego Friccional é caracterizado por pessoas que estão desempre gadas momentaneamente decorrentes por exemplo de mudança voluntária de emprego demissão primeiro emprego ou ainda como afirma Souza 2011 algumas pessoas não aceitam a primeira oportunidade de trabalho que surge procurando algo que consideram melhor assim o período que elas estão exa minando outras ofertas de trabalho ocorre o desemprego friccional O mesmo autor afirma que esse tipo de desemprego é causado por certos des compassos que podem ocorrer entre os trabalhadores e as vagas ofertadas por exemplo problemas de informação sobre a vaga disponível divergências de qua lificações entre o que o empregador deseja o que e trabalhador oferece distância geográfica entre aquela vaga oferecida e o trabalhador apto e desequilíbrio entre os setores que precisam de mão de obra e os que tem oferta maior de trabalhadores Resumindo o desemprego friccional é um desemprego de adaptação típico de economia em transformação SOUZA 2011 p 77 mas esse tipo de desem prego pode se tornar em desemprego estrutural no médio prazo INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 118 Desemprego conjuntural ou cíclico também chamado de desemprego involuntário acontece em fases de recessão da economia Nestas fases o governo reduz o gasto o que afeta diretamente a demanda diminuindo a produção e gerando desemprego Estrutural rigidez salarial Conjuntural economia contraída Friccional mobilidade do mercado de trabalho Tipos de desemprego segundo suas causas Figura 3 Tipos de desemprego Fonte Souza 2011 p 78 Além desses tipos alguns autores ainda incluem mais uma categoria do desem prego que é o desemprego sazonal que acontece em determinadas épocas por exemplo baixa temporada ou entre safras Este tipo é muito comum na agricul tura e no turismo Certamente você ficou confuso com tantos tipos de desemprego e as causas são bem parecidas correto Para tentar solucionar essa dúvida vamos pen sar no tempo que a pessoa procura por um novo emprego Quanto maior for o tempo de procura maior a probabilidade da pessoa estar passando pelo cha mado desemprego estrutural TAXA DE DESEMPREGO Como é calculada a taxa de desemprego A taxa de desemprego é segundo Passos e Nogami 2012 o percentual de pessoas desocupadasdesempregadas na semana de referência da pesquisa com procura no período de referência de O Mercado de Trabalho Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 119 30 dias em relação à população economicamente ativa PEA na semana de refe rência Ficou complicado certo Vamos visualizar pela fórmula Taxa de desemprego população desocupadaPopulação economica mente ativa x 100 O valor encontrado mostra a relação percentual de pessoas que estão pro curando trabalho nos últimos 30 dias e que não exerceram atividade remunerada nos últimos 7 dias Por exemplo se a taxa de desemprego for de 7 isso signi fica que 7 da população economicamente ativa não está trabalhando mas está procurando emprego Como sabemos esse percentual No Brasil temos três principais pesqui sas que verificam o mercado de trabalho como a Pesquisa Mensal de Empregos PME Pesquisa de Emprego e Desemprego PED e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PNAD sendo a última mais utilizada no meio aca dêmico dos pesquisadores sobre mercado de trabalho Cada pesquisa tem uma metodologia própria MOVIMENTOS NO MERCADO DE TRABALHO Os movimentos do mercado de trabalho relacionados à oferta e demanda por trabalhadores depende de três fatores que são Salário mínimo na maioria dos países incluindo o Brasil existe legislações que proíbem que os empregadores paguem menos do que um salário mínimo a qualquer categoria profissional ou gênero ou ainda a idades diferentes O salá rio mínimo é definido pelo governo de tempo em tempo Sindicatos segundo Souza 2011 os sindicatos são entidades que defendem os direitos dos trabalhadores entre esses direitos estão a irredu tibilidade dos salários e a manutenção dos salários reais ou seja do poder aquisitivo da população Salárioeficiência um empresário pode estar certo que existe mais oferta do que demanda por trabalhadores em um determinado setor mas ele pode não desejar por questão estratégica por exemplo reduzir o salário Nesse caso o empresário estaria evitando rotatividade e assegurando a qualidade do trabalho INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 120 Blanchard 2011 afirma que a fixação de salários é feita de várias formas tais como determinados pelos empregadores ou por acordos bilaterais entre o empregador e o empregado as chamadas negociações Assim muitos trabalha dores empregados têm algum poder de barganha e esse nível do poder depende claramente da natureza do seu trabalho além disso as condições de trabalho também afetam o poder de bar ganha dos trabalhadores CONSEQUÊNCIAS DA GLOBALIZAÇÃO SOBRE O MERCADO DE TRABALHO Com a abertura da economia brasileira iniciada no Governo Fernando Collor de Mello houve um aumento da competitividade no setor industrial brasileiro e as empresas precisaram criar estratégias para continuar no mercado Dentre essas estratégias podemos destacar a diversificação de produtos a terceiriza ção da produção e a criação de programas de qualidade Especificamente sobre o mercado de trabalho o aumento do desemprego estrutural pode ser apontado como um dos aspectos perversos da globalização Ademais implantado pela globalização o novo paradigma tecnológico requer mão de obra qualificada marginalizando assim parcela significativa de trabalhadores POLÍTICAS ECONÔMICAS MONETÁRIA FISCAL E CAMBIAL Podemos definir de forma bem genérica que uma política econômica é a atuação do governo para atingir um determinado objetivo Temos três prin cipais políticas econômicas que são a monetária fiscal e cambial Vamos entender cada uma delas Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 121 POLÍTICA MONETÁRIA A política monetária se refere à quantidade de moeda disponível na economia ao crédito disponível na economia e às taxas de juros Conforme Gremaud et al 2008 p 201 por política monetária entendese a atuação do Banco Central para definir as condições de liquidez da economia quantidade ofertada de moeda nível de taxa de juros entre outros Por meio da definição apresentada perce bemos que essa política influencia nossa vida diariamente e muitas vezes não damos conta disto Você já havia pensado nisto Vamos verificar agora quais são as funções da moeda De acordo com Souza 2011 as funções da moeda podem ser divididas em meio de troca reserva de valor medida de valor e padrão para pagamento diferido no tempo Vejamos cada uma dessas funções A função chamada meio de troca está relacionada à possibilidade que temos de trocar moeda por produtos e serviços que deman damos ou seja a moeda nos ajuda muito por nos facilitar as trocas e embora não pensemos muito nisso nem sempre foi assim já tivemos muitas mercado rias que foram utilizadas como moeda A moeda serve como reserva de valor por ter a máxima liquidez e por ter um poder de compra assim essa função está intimamente relacionada à função de meio de troca A medida de valor é porque por meio da moeda classificamos quanto vale determinada mercadoria e a função de padrão para pagamento dife rido no tempo nos permite negociar algo produto serviço em uma data e que o seu pagamento seja feito no futuro ou seja por conta da existência da moeda é que podemos combinar um preço hoje para alguma negociação e esse paga mento ser feito daqui há 30 ou 60 dias e assim por diante E porque nós demandamos moeda Sei que você de estar assustadoa com essa pergunta e deve ter respondido é óbvio que sabemos Porém sabemos na prática vejamos na teoria quais são os motivos que nos levam a demandar moeda Motivo especulação você quer manter seus recursos em moeda para poder utilizálo em algo que seja vantajoso para você mas aqui estamos falando de aplicações financeiras rápidas INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 122 Motivo transação o motivo transação é que mantemos moeda para as tran sações necessárias em determinado período Por exemplo ao receber o salário você guarda certa quantia em dinheiro para poder pagar suas contas mensais como água telefone etc Motivo precaução nesse caso as pessoas nós guardam dinheiro para um imprevisto Quem aí não tem um avô ou uma avó que diz nunca se sabe o que vai ser amanhã é melhor prevenir e por esse motivo essas pessoas acabam guardando dinheiro em espécie Aqui após verificarmos quais são as funções da moeda já podemos fazer uma importante reflexão conforme Souza 2011 a demanda por moeda vai depender diretamente de qual é a renda do agente econômico e inversamente da taxa de juros Explico quanto maior a renda maior a demanda por moeda e quanto maior a taxa de juros menor a demanda pois se a taxa de juros estiver muito alta será mais interessante deixar o dinheiro aplicado Sabendo quais são as funções da moeda e porque os agentes econômicos a demandam vamos ver quais são os instrumentos que o governo tem e utiliza para provocar o aumento ou redução de demanda por moeda Instrumentos da política monetária Open market as operações de open market ou mercado aberto são aque las em que o governo compra ou vende títulos públicos ou seja digamos que o governo pretende irrigar a economia com mais dinheiro utilizando essa ferra menta de mercado aberto ele vai entrar no mercado comprando títulos públicos e o contrário é verdadeiro Depósitos Compulsórios os depósitos compulsórios representam parte dos recursos que os bancos arrecadam no mercado sob a forma de depósi tos Essa parte é a que fica retida junto ao Banco Central Na prática os bancos ficam impedidos de usarem esses recursos para novos empréstimos Então por que os depósitos compulsórios são um dos instrumentos da política monetária Respondo porque se a intenção do governo é fazer uma política restritiva ele irá elevar o depósito compulsório dessa forma sobrará menos recursos para os bancos emprestarem ou reemprestarem Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 123 Taxa de Redesconto também chamado de empréstimos de liquidez por alguns autores a Taxa de Redesconto é a taxa que os bancos comerciais pagam ao Banco Central quando precisam de dinheiro emprestado Por exemplo digamos que um banco comercial precisa de recursos ele pode conseguir esses recursos em outros bancos mas em última instância se ele não conseguir empréstimos com seus pares ele recorrerá ao Banco Central A taxa de juros cobrada pelo Banco Central dos bancos comerciais é a chamada taxa de redesconto Se o governo deseja que haja uma elevação da quantidade de dinheiro em circulação ele irá diminuir o valor dessa taxa em contrapartida se quiser que tenha uma redução na quantidade de dinheiro na economia ele eleva essa taxa Até aqui falamos da política monetária focando na moeda suas funções e os instrumentos da política monetária Porém há outra variável que está inti mamente ligada à política monetária e essa está sempre presente nos noticiários como evidenciado na introdução desta unidade a famosa taxa de juros Podemos entender por juros o preço do uso do dinheiro Porque pagamos juros de um empréstimo Porque não temos os recursos no momento e mesmo assim o utilizamos Então a taxa de juros é o pagamento por essa utilização do dinheiro A definição da taxa de juros está atrelada à política monetária De acordo com Gremaud et al 2008 p 285 taxa de juros é o que se ganha pela aplicação de recursos durante determinado período de tempo ou alternativa mente aquilo que se pega pela obtenção de recursos de terceiros tomada de empréstimo durante determinado período de tempo Verificando a definição de taxa de juros já é possível inferir que esta é uma variável das mais importantes em qualquer economia visto que a partir dela muitas decisões são tomadas Por exemplo se um empresário deseja fazer um investimento uma das variáveis que ele levará em consideração é a taxa de juros Se uma pessoa física pretende comprar um produto e vai pagálo à prestação quanto ele pagará de juros vai afetar diretamente sua decisão de compra Então sabendo o que é e como é importante a taxa de juros verifiquemos como ela é formada No Brasil a chamada taxa básica de juros é a SELIC Serviço Especial de Liquidação e Custódia ela é básica porque a partir dela é que as demais taxas são estabelecidas muitas vezes você vê o valor da SELIC e diz mas no che que especial estou pagando muito mais do que isso Ou no cartão de crédito ou INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 124 no financiamento entre outros Volto a dizer a SELIC serve de base para as demais taxas de juros é como se fosse um indicador de tendência ou um sinalizador que o governo usa para mostrar aos demais agentes econômicos o que ele quer no futuro próximo ou no curto prazo A definição da SELIC é feita pelo COPOM Comitê de Política Monetária do BACEN Banco Central por meio de suas reuniões mensais que provavel mente você já deve ter ouvido ou lido alguma notícia a respeito Sempre que a definição da SELIC acontece uma vez por mês em uma quartafeira essa infor mação é bastante divulgada justamente como vimos anteriormente a intenção do governo é informar o que ele deseja dos agentes econômicos pela sua deci são de elevar manter ou reduzir a SELIC Como a política monetária afeta a economia Agora que já estudamos um pouco sobre moeda e as variáveis que envolvem a política monetária vamos discutir como o governo faz política monetária e quais os resultados que pretende com ela Em geral dizemos tecnicamente que a política monetária pode ser con tracionista ou expansionista e o que isto quer dizer Uma política monetária contracionista é feita se o governo deseja frear a economia melhor dizendo se na visão do governo a economia está muito aquecida as pessoasempresas estão utilizando muito a moeda para as mais diversas funções e ele deseja que isso seja reduzido ele praticará política monetária contracionista Aí você pode me dizer mas quando o governo vai querer desaquecer a economia Quando por exemplo a inflação estiver muito elevada E como se faz essa política A fer ramenta mais utilizada no Brasil é a taxa de juros mas todos os instrumentos de política monetária citados anteriormente são e podem ser utilizados Já política monetária expansionista funciona no sentido inverso se o governo acha que a economia está desaquecida e ele pretende estimular essa economia ele poderá reduzir a taxa de juros o que levará os agentes econômicos a reaque cerem a economia Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 125 Taxa de juros Infação Taxas de mercado Preço dos ativos Expectativas Taxa de câmbio Demanda Preço das importações Figura 4 O Mecanismo de Transmissão da Política Monetária Fonte Harrison et al 2005 apud PIRES 2008 Veja com base na Figura 4 o que se espera a partir de uma mudança na taxa de juros é que ela afete as taxas de mercado que estão ligadas às expectativas dos agentes e que juntamente com os preços dos ativos irão influenciar a demanda que é o que determinará a inflação Por outro lado a taxa de juros também está ligada à taxa de câmbio que determina o preço das importações que influencia a inflação este é o modelo utilizado pela Inglaterra Na Figura 5 podemos verificar um esquema parecido com o da Figura 1 mas este foi construído para ilustrar o que ocorre no Brasil INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 126 Decisões de Política Monetária Requerimentos Compulsórios Taxa de juros Taxa de Câmbio Crédito Taxa de Redesconto Moeda Produto Real Nível de Preços Figura 5 O Mecanismo de Transmissão da Política Monetária Brasil Fonte Gontijo 2007 A Figura 5 ilustra o desencadear da política monetária partindo de um dos mecanismos tradicionais que já estudamos nesse caso é especificamente para o Brasil Podemos verificar que todos eles não só afetam em última instância o nível geral de preços mas também influenciam o produto da economia o PIB e em especial a taxa de juros influencia a taxa de câmbio POLÍTICA FISCAL A política fiscal trata basicamente do orçamento gastos e arrecadação do governo Então quando o governo gasta ou investe algum recurso ele está fazendo polí tica fiscal Quando o governo eleva ou reduz algum imposto ele também está fazendo política fiscal Normalmente ouvimos ou lemos a manchete Brasil fecha período com superávit primário ou Brasil fecha período com déficit primá rio e o que isso quer dizer Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 127 Déficit ou Superávit primário de acordo com Gremaud et al 2008 p 194 é a diferença entre as receitas não financeiras e os gastos não financeiros Se o governo gastou mais do que arrecadou ele tem déficit e se ele gastou menos do que arrecadou ele tem superávit Esse conceito segundo os mesmos autores mostra exatamente como o governo está conduzindo sua política fiscal já que não se inclui dívida e nem os juros da dívida Quando o governo tem superávit em suas contas significa que ele arrecadou mais do que gastou e isso pode ser traduzido como uma política contracionista ou seja ele está recebendo mais impostos e taxas da população então por que se chama política contracionista Porque com essa atitude o governo está arreca dando mais dinheiro do que gastando e com isso o dinheiro tem girado menos na economia e por consequência gerado menos empregos e crescimento Já quando o governo tem déficit em suas contas ele gastou mais do que arre cadou podemos dizer que ele está fazendo uma política fiscal expansionista isso porque se o governo gasta mais do que arrecada ele está estimulando a econo mia pela injeção de recursos Aqui cabe uma observação bastante importante e a qualidade desses gastos Muitas vezes apenas gastar para injetar dinheiro na economia não é uma boa estratégia é preciso saber em que se está gastando A função da política fiscal é a de ajudar o governo a atingir seus objetivos para uma nação e para isto o governo utiliza as variáveis gastos e arrecadação A maior parte das arrecadações do governo brasileiro se dá pelos impostos De acordo com Gremaud et al 2008 o Brasil sempre utilizou a estrutura tributá ria para estimular setores da economia Como a política é bastante utilizada pelo governo brasileiro e sua arre cadação vem principalmente dos impostos vamos discutir um pouco sobre esses impostos De acordo com Gremaud et al 2008 a forma como são estruturados os sistemas tributários determina o impacto dos impostos tanto sobre o nível de renda como sobre a organização econômica a distribuição de renda a competitividade da economia entre outros fatores Nesse sen tido podemos analisar vários aspectos Primeiro podemos distinguir os impostos em diretos e indiretos Os impos tos diretos são aqueles que incidem sobre a renda e o patrimônio enquanto que os impostos indiretos incidem sobre o consumo INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 128 Impostos diretos os principais impostos diretos no Brasil são o Imposto de renda IR pessoa física e jurídica o IPVA Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores o IPTU Imposto Predial e Territorial Urbano o ITR Imposto Territorial Rural entre outros Esses impostos são todos diretos o que significa dizer que eles incidem sobre a renda do cidadão ou da empresa ou sobre a propriedade de algo Impostos Indiretos os principais impostos indiretos no Brasil são o ICMS Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços o IPI Imposto sobre Produtos Industrializados ISS Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza o II Imposto de Importação entre outros A característica que esses impostos têm em comum é que todos incidem sobre o consumo e por isso são classifi cados como indiretos Depois ainda é possível classificarmos os impostos de modo geral quanto a sua base de incidência quer dizer quem deve pagar impostos Alguns devem pagar mais que outros vejamos Impostos Neutros dizemos que o sistema de cobranças de impostos é neutro quando a sua participação na renda das pessoas é a mesma independentemente do nível de renda Impostos Regressivos chamamos de sistema regressivo quando a participa ção dos impostos na renda das pessoas diminui conforme a renda aumenta ou seja quem ganha menos paga mais Impostos Progressivos damos o nome de sistema progressivo quando a par ticipação dos impostos na renda das pessoas aumenta conforme a renda aumenta ou seja quem ganha mais paga mais E por último podemos analisar os impostos em relação à eficiência econô mica e ao fomento da economia Nesse sentido devemos analisar se o governo está interferindo no mercado no sentido de sobretaxar determinados bens e serviços desincentivando sua produção ou o contrário Em suma os impostos fazem com que um produto ou serviço se torne mais caro ou mais barato inde pendentemente da eficiência de quem o oferta e o governo deve estar atento a esse efeito dos impostos Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 129 Instrumentos da política fiscal Conforme vimos na definição do que é política fiscal ela trata dos gastos e arrecadação do governo Assim para fazer política fiscal o governo utiliza seus gastos eou sua arrecadação objetivando sempre alcançar algo com sua ação Vimos lá no início deste capítulo que as políticas macroeconômicas têm quatro objetivos e estes podem ser buscados utilizando a política fiscal E como executar essa política O governo pode decidir e decide como quando e para que utilizará seus recursos essa é uma maneira de fazer política fiscal O governo decide tam bém sobre as alíquotas de impostos e isto é política fiscal Vamos ver um exemplo prático No ano de 2008 houve uma crise internacional mais localizada a princípio nos Estados Unidos batizada de crise das hipotecas com ela houve de modo geral uma redução no consumo mundial e o Brasil acabou passando a vender menos para o resto do mundo já que este estava em crise Um dos mecanismos utilizados pelo então Presidente Lula foi o de reduzir o IPI dos automóveis obje tivando reduzir seu preço e elevar sua demanda Consequência com a redução no preço dos carros ocorreu uma elevação da demanda e um aquecimento da economia brasileira mais especificamente do setor automobilístico A indús tria automobilística não reduziu sua produção e nem precisou demitir pessoal Esse mesmo mecanismo foi utilizado com os produtos de linha branca como por exemplo geladeiras e fogões A esse tipo de política fiscal damos o nome de expansionista na qual o objetivo do governo é expandir fazer crescer a econo mia Se o objetivo fosse contrair a economia o governo poderia por exemplo ter elevado o IPI desses produtos assim as pessoas demandariam menos e a economia se retrairia INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 130 Como a política fiscal afeta a economia É dentro da política fiscal que o governo decide onde fará seus investimentos dessa forma ela influencia diretamente os cidadãos Além disso é por meio dessa política que verificamos se o governo está endividado ou não de onde têm vindo e pra onde estão indo seus recursos Como já falamos anteriormente a política fiscal pode ser utilizada para incentivar ou desincentivar a indústria produção de algum produto Vejamos a respeito de quanto de impostos está embutido em determinados produtos Tabela 1 Percentual de tributos embutidos no preço final de produtos PRODUTO Batatinha in natura 1122 Frango congelado 1680 Ovos de galinha 2059 Fubá 2528 Água Mineral 4455 Cerveja garrafa ou lata 5560 Sapato 3617 Gasolina 5303 Fralda descartável 3421 Livros 1552 Fonte adaptado de Impostômetro 2017 online1 Qual é o maior problema do Brasil o número de tributos que pagamos ou a forma como o governo gasta o que arrecada Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 131 POLÍTICA CAMBIAL A política cambial é aquela que busca manter atingir uma taxa de câmbio que seja considerada boa para a economia Junto à política cambial alguns autores trabalham a chamada política comercial que se refere a mecanismos de incen tivo ou desincentivo às exportações e às importações Ao estudarmos teoria econômica devemos ter em mente que esta tem uma gama imensa de variáveis mas quando falamos em economia é muito difícil que ninguém se manifeste e comente sobre o DÓLAR Acredito que para falarmos de política cambial instigar você alunoa na questão da moeda Norte Americana seja uma boa estratégia afinal de contas quem nunca sonhou com uma viagem internacional com um produto importado e de repente se lembrou mas tenho que pagar em dólares Este simplificada mente é o mundo da política cambial Como vimos anteriormente o governo tem alguns objetivos nas suas políti cas macroeconômicas e dentro da política cambial o que é que o governo pode ou poderia fazer Vamos começar por entender um pouquinho sobre o câmbio Câmbio é uma palavra de origem espanhola que significa troca então quando pensamos no dólar na verdade estamos pensando quanto vai custar esse dólar ou seja de quantos Reais eu preciso para comprar ou trocar por um dólar Nas palavras de Gremaud et al 2008 p 369 a taxa de câmbio é o valor que uma moeda nacional possui em termos de outra moeda nacional Desta forma podemos comparar o Real ao Dólar ao Euro e assim por diante bem como pode mos comparar Euro ao Dólar Euro ao Franco Um país pode adotar regimes cambiais diferentes no caso do Brasil você sabe qual é o regime cambial adotado atualmente Vejamos quais são os regimes que a literatura traz e depois você responde em qual destes o Brasil se encaixa Regime de câmbio fixo nesse regime cambial mantémse a taxa de câmbio em um mesmo valor ou seja não há oscilação no preço da moeda em relação a outras moedas Como vimos na Unidade II as leis da oferta de demanda irão determinar preços mas no caso do câmbio fixo isso não ocorrerá quer dizer não será o mercado que determinará o preço da moeda e sim o Governo INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 132 Para manter o câmbio fixo é preciso que o país tenha uma boa quantidade de Reservas Internacionais ou seja moeda internacional pois o Banco Central do país é quem administrará o câmbio e para isso precisará trabalhar com essas Reservas Você deve estar se perguntando como Entenda o esquema montado na Figura 6 Preço do dólar 1 real O Dólar está muito barato e as pessoas demandam mais Dólar Se o regime é Câmbio fxo Se o regime é Câmbio futuante Apesar de haver pressão do mercado o preço do Dólar não muda O Banco Central passa a ofertar Dólar para atender esse aumento na demanda e manter o seu preço O preço do Dólar aumenta A causa é a mesma que você aprendeu na Unidade II A demanda aumentou e a oferta foi mantida então houve um aumento no preço Figura 6 Modificação do preço da moeda nos regimes de câmbio fixo e flutuante Fonte a autora Quando temos taxa de câmbio fixo e o mercado demanda muita moeda estran geira o Banco Central entra no mercado cambial ofertando moeda internacional para que o preço dela não suba não haja alteração na taxa cambial Se o mercado está demandando pouca moeda internacional a ponto de haver uma queda no seu preço o Banco Central entra nesse mercado comprando a moeda para evi tar que o preço dela caia Com esses mecanismos por parte do Banco Central é que se mantém uma taxa de câmbio fixa Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 133 Regime de câmbio flutuante nesse regime cambial é permitido que o preço da moeda oscilasse de acordo com as condições de oferta e demanda do mer cado Nesse caso o Banco Central também compra e vende moeda estrangeira no entanto faz isso apenas pela necessidade que tem de utilizar essa moeda ele não entra no mercado para influenciar ou determinar o seu preço No caso de câmbio flutuante o preço da moeda será determinado pelas leis da oferta e demanda Se houver maior demanda pela moeda seu preço se ele vará e se a demanda cair seu preço também cairá E porque o câmbio é uma variável importante Qualquer transação que seja realizada com o exterior é influenciada pela taxa de câmbio Pensando dessa maneira podemos entender que governos possam se utilizar desse artifício ou dessa política buscando atingir algum objetivo para sua economia Vamos tratar do nosso caso específico do mercado brasileiro Quem demanda dólar Quem oferta dólar Em outras palavras quem compra e quem vende dólares Os demandantes de dólares Turistas que viajam para o exterior Pessoas ou empresas que importam produtos compram produtos do exterior Pessoas ou empresas que contraíram dívidas no exterior e precisam saldálas Filiais de empresas cujas sedes são no exterior ao remeterem lucros e dividendos Os ofertantes de dólares Pessoas ou empresas que exportam seus produtos Turistas estrangeiros que vêm ao Brasil Investidores estrangeiros que investem no Brasil Quem faz empréstimos no exterior INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 134 Levando em conta quem são os ofertantes e demandantes de dólares podemos afirmar que o preço dessa mercadoria ou seja a taxa de câmbio é uma variável muito importante para a economia Com certeza a taxa de câmbio influenciará as relações comerciais de residentes com os não residentes Quadro 2 Vantagens e desvantagens dos regimes cambiais CÂMBIO FIXO CÂMBIO FLUTUANTE Características Banco Central fixa a taxa de câmbio O Banco Central é obri gado a disponibilizar as reservas cambiais O mercado oferta e de manda de divisas deter mina a taxa de câmbio O Banco Central não é obrigado a disponibilizar as reservas cambiais Vantagens Maior controle da inflação custos das importações estáveis Política monetária mais independente do câmbio Reservas cambiais mais protegidas de ataques especulativos Desvantagens Reservas cambiais vulne ráveis à ataques especu lativos A política monetária taxa de juros fica dependente do volume de reservas cambiais A taxa de câmbio fica muito dependente da volatilidade do mercado financeiro nacional e internacional Maior dificuldade de controle das pressões inflacionárias devido às desvalorizações cambiais Fonte adaptado de Vasconcellos e Garcia 2008 No quadro Vasconcellos e Garcia 2008 resumam bem as vantagens e desvanta gens de cada regime cambial cabe a autoridade econômica e política escolher o que melhor se adequa à realidade do seu país No caso do Brasil você já con segue responder a pergunta que fizemos no início deste tópico ou seja qual é o regime cambial adotado aqui Adotamos o regime de câmbio flutuante Considerações Finais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 135 CONSIDERAÇÕES FINAIS Olá estamos finalizando a Unidade III do livro Economia e sociedade Nesta unidade discutimos uma das grandes áreas de estudo que é a macroeconomia Vimos que ela analisa os agregados macroeconômicos ou seja a economia como um todo e não unidades produtoras individuais Para conhecer um pouco sobre a teoria da macroeconomia esta unidade foi dividida em quatro seções Na primeira falamos sobre os fundamentos da macro economia Iniciamos nossas discussões apresentando alguns conceitos essenciais e básicos para entendermos a macroeconomia Na seção dois diferenciei os con ceitos de crescimento e desenvolvimento econômico que apesar de existir uma linha de pensamento que afirma que um país quando cresce está se desenvol vendo a prática mostra que não as nações podem aumentar sua riqueza sem melhorar a vida da população Na seção três entendemos um dos quatro mercados da macroeconomia que é o mercado de trabalho Esse mercado é o local em que a quantidade de emprego e o salário que é o preço do fator de produção trabalho são determina dos Vimos também que os salários são determinados de três formas negociação salário de eficiência e taxa natural de desemprego Para finalizar a unidade discutimos as três principais políticas macroeconô micas que são a monetária que está relacionada à taxa de juros e a quantidade de moeda em circulação e consequentemente o crédito a política fiscal que são os gastos e arrecadação do governo e por fim a cambial que trabalha com a variável taxa de câmbio e a forma de impacto dessa variável da economia Agora você conseguirá compreender um pouco melhor as manchetes eco nômicas e as ações do governo em termos econômicos Espero que eu tenha conseguido despertar em você a paixão pela macroeconomia e pela economia como um todo Um forte abraço e até a próxima unidade 136 1 Diante do exposto e conforme colocado por Vasconcellos e Garcia 2008 o go verno deve ter alguns objetivos ao adotar políticas macroeconômicas A respei to desses objetivos é correto afirmar que I Todos os objetivos a serem alcançados são de longo prazo II Alto nível de emprego historicamente é um objetivo dos governos III Todos os objetivos a serem alcançados são de curto prazo a Somente as afirmativas I e II estão corretas b Somente as afirmativas II e III estão corretas c Somente a afirmativa I está correta d Todas as afirmativas estão corretas e Nenhuma afirmativa está correta 2 O governo tem algumas funções chamadas por alguns autores de funções bá sicas a saber estabilizadora distributiva e alocativa Sobre a função estabiliza dora é correto afirmar que a Preocupase com a melhor distribuição dos recursos b Está focada em áreas que não são atraentes ao capital privado c Preocupase com os preços da economia d Podemos adotar como exemplo dessa função o investimento em saneamen to básico e Preocupase com a distribuição de renda justa 3 Os conceitos de desenvolvimento e crescimento econômicos são próximos Po rém é importante conhecermos bem suas diferenças A respeito dessas dife renças é correto afirmarmos que a No crescimento devemos prestar mais atenção ao nível de escolaridade b A distribuição de rendas é mais considerada quando discutimos crescimento do que quando discutimos desenvolvimento c Estudar desenvolvimento econômico implica pensar em qualidade de vida d O PIB Produto interno bruto per capita é uma excelente medida para o de senvolvimento econômico e Nenhuma das alternativas anteriores 137 4 Crescimento econômico é um dos objetivos que o governo procura alcançar sen do portanto tema de estudo da macroeconomia Assim crescimento econômico pode ser definido como o aumento da capacidade produtiva da economia ou seja é a riqueza de um país Para que uma nação gere riqueza são utilizados re cursos disponíveis que são limitados Com base no exposto assinale V para verda deiro e F para falso quanto às fontesaos instrumentos de crescimento econômico Aumento da capacidade produtiva Mão de obra qualificada Geração de emprego Melhorias na qualidade de vida da população Assinale a alternativa correta a V V V F b F F V V c F V V F d F V F V e V F F V 5 Uma desvalorização cambial significa dizer que são necessárias mais moedas na cional no caso Real para comprar moeda estrangeira Vamos supor que inicial mente a taxa de câmbio era de R 300 comparando esta taxa com os valores a seguir marque a alternativa que significa que houve uma desvalorização cambial I R 301 II R 300 III R 299 IV R 302 a I II e III estão corretas b II e III estão corretas c I II e IV estão corretas d I e IV estão corretas e Todas estão corretas 138 6 Podemos dizer que tudo que o governo gasta e arrecada pode ser utilizado como política fiscal Assim quando o governo reduz algum imposto é cor reto dizermos que a Está fazendo política fiscal contracionista b Está desincentivando a produção do bem no qual aquele imposto incide c Está incentivando a produção do bem no qual aquele imposto incide d Está aumentando diretamente sua arrecadação e Está reduzindo a taxa de juros no longo prazo 139 A POLÍTICA MONETÁRIA BRASILEIRA E SEU IMPACTO NA ECONOMIA COMO UM TODO A política monetária assim como a política fiscal que são tão discutidas são âncoras para a estabilidade macroeconômica e consequentemente impactam positiva e negativa mente em diversas variáveis da economia incluindo no dia a dia da população Por meio destas políticas o governo consegue estimular quando opta por política macroeconômi ca expansionista ou desestimular quando o foco são as políticas contracionistas a econo mia afetando o nível de preços taxa de desemprego renda nacional oferta e demanda setorial o crescimento econômico desenvolvimento econômico entre outras variáveis A política monetária é um instrumento de atuação do governo no que diz respeito à quantidade de moeda em circulação e a taxa de juros que afeta a liquidez da economia e assim o crédito No Brasil o Banco Central BACEN é a autoridade monetária ou seja é a entidade responsável pela elaboração e execução da política monetária brasileira controlando a oferta de moeda em circulação e a taxa de juros de forma direta ou in direta Este controle feito pelo Banco Central tem como função estabilizar os preços e intervir no nível de atividade econômica Porém uma função não exclui a outra e ao intervir na atividade econômica os preços acabam sendo afetados Os preços podem ser afetados via emissão de moeda que implica em maior disponi bilidade de dinheiro em circulação assim os agentes terão uma quantidade maior de moeda nas mãos para comprar mais bens e serviços Com demanda maior as empre sas procuram responder a nova solicitação e ofertam mais Para produzir mais as em presas utilizarão a capacidade ociosa se houver e farão novos investimentos como a compra de novas máquinas e equipamentos aumento da planta industrial e gerarão novos postos de trabalho Por outro lado com quantidade maior de moeda em circulação a taxa de juros reduz já que esta é o preço do dinheiro Taxa de juros mais baixa acarreta redução nos investi mentos no mercado financeiro já que o investimento especulativo depende da taxa de juros quanto maior maior a rentabilidade Porém taxa de juros mais baixa incentiva ao investimento já que o custo por empréstimos se torna mais baixo A política monetária atual no Brasil tem como objetivo principal talvez único controlar a inflação ou seja estabilizar a economia e o instrumento mais utilizado para atingir o objetivo é a taxa básica de juros SELIC O funcionamento da política monetária brasilei ra é basicamente da seguinte forma é definido qual será a meta da inflação que nos úl timos anos foi de 45 ao ano com dois pontos percentuais para mais ou para menos e ao longo do ano para atingir a meta o governo aumenta ou reduz a taxa de juros básica Fonte a autora MATERIAL COMPLEMENTAR Princípios de Macroeconomia N Gregory Mankiw Editora Cegange Sinopse o estudo de economia é um dos mais fascinantes e complexos de todas as ciências Constituise portanto em estimulante desafio o domínio dos seus princípios fundamentais conjugados com a necessidade do entendimento saiba mais das inúmeras dificuldades com que a economia global vem se defrontando Para melhor compreender o mundo e poder participar ativamente dele é preciso ter à mão um manual completo e atualizado Esta obra além dos ferramentais consagrados dispõe também das mais recentes descobertas da economia e dos instrumentos de política econômica para utilizála Pensando nisso N G Mankiw escreveu em linguagem clara e amigável Introdução à economia levando em conta três razões principais que segundo ele o estudante tem para aprender economia entender o mundo em que vive ser um participante mais perspicaz da economia e compreender melhor os potenciais e os limites da política econômica Para atingir esses objetivos o autor além de uma metodologia eficaz de ensino empregou diversas ferramentas de aprendizagem efetiva que se repetem ao longo do livro como Saiba mais sobre Estudos de caso Notícias Conceitoschave Testes rápidos Resumos Questões para revisão Problemas e aplicações e Glossário Para tanto na 6ª edição do livro muitos conceitos novos foram introduzidos e outros tantos revistos e atualizados proporcionando assim uma forma eficiente e integrada para a autoavaliação do domínio da matéria além de tornar a aprendizagem mais atraente rápida e eficaz Além disso o autor que é professor de economia da Harvard University procedeu na obra a ampla exposição das causas e consequências da recessão de 20082009 e da crise financeira que a antecedeu Descreve também nesse contexto os novos instrumentos que vêm sendo utilizados para a eliminação do desemprego e a retomada do crescimento econômico sustentável instrumentos cuja utilização perdura até hoje Por tudo isso a obra consagrada em todo o mundo como o mais completo e efetivo manual de introdução à economia deve continuar sendo o livro mais procurado e adquirido por estudantes professores e outros interessados em economia REFERÊNCIAS BACHA C J C LIMA R A S Macroeconomia teorias e aplicações à economia bra sileira Campinas Editora Átomo 2006 BLANCHARD O Macroeconomia São Paulo Pearson Addison Wesley 2011 GIAMBIAGI F ALÉM A C Finanças Públicas Teoria e Prática no Brasil Rio de Janei ro Campus 2011 GONTIJO C Os mecanismos de transmissão da política monetária uma abordagem teórica Texto para Discussão nº321 Belo Horizonte UFMGCedeplar 2007 GREMAUD A P et al Economia brasileira contemporânea São Paulo Atlas 2008 PASSOS C R M NOGAMI O Princípios de Economia 4 ed São Paulo Cengage Learning 2012 PIRES M C C A Dívida Pública e a Eficácia da Política Monetária no Brasil 2008 Monografia agraciada com menção honrosa no XIII Prêmio Tesouro Nacional 2008 Política Fiscal e Dívida Pública Brasília ESAF 2008 SANDRONI P Novíssimo Dicionário de Economia São Paulo Editora Best Seller 2003 SOUZA J M Economia brasileira São Paulo Pearson 2011 VASCONCELLOS M A S GARCIA M E Fundamentos de Economia São Paulo Sa raiva 2008 VASCONCELLOS M A S Economia Micro e Macro São Paulo Atlas 2011 REFERÊNCIA ONLINE 1 Em httpsimpostometrocombr Acesso em 16 jun 2017 141 GABARITO 1 E 2 C 3 C 4 A 5 D 6 C UNIDADE IV Professora Drª Andréia Moreira da Fonseca Boechat INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Objetivos de Aprendizagem Apresentar a teoria das vantagens comparativas Entender a relação entre regimes cambiais e comércio internacional Descrever a estrutura do balanço de pagamentos Compreender o processo de globalização Plano de Estudo A seguir apresentamse os tópicos que você estudará nesta unidade Fundamentos do comércio internacional Regimes cambiais e o comércio internacional Estrutura do balanço de pagamento O processo de globalização INTRODUÇÃO Olá caroa acadêmicoa tudo bem com você Seja muito bemvindoa à Unidade IV do livro Economia e Sociedade Nesta unidade iremos discutir o setor externo que é tão importante para a economia brasileira já que do ponto de vista econômico vivemos em um mundo que está cada dia mais interligado seja por meio de fluxos comerciais ou fluxos financeiros Por esse motivo a chamada economia internacional que é um ramo de estudo dentro da teoria econômica se destacou Certamente você está pensando mas afinal economia internacional faz parte da microeconomia ou da macroeconomia Na realidade a economia interna cional é dividida em dois blocos um que estuda os aspectos microeconômicos como a teoria do comércio internacional que procura analisar e justificar os benefícios que o comércio internacional gera para os países e o outro grupo dos aspectos macroeconômicos que são relativos à taxa de câmbio que fala mos um pouco na unidade anterior e ao Balanço de Pagamento Assim a Unidade IV está dividida em quatro tópicos iniciaremos nossas discussões falando da teoria das vantagens comparativas de David Ricardo no qual procura explicar os benefícios do comércio internacional para os países e portanto quais produtos as nações devem se especializar e exportar No Tópico dois retornaremos aos regimes cambiais que discutimos na Unidade III mas com foco ao comércio internacional ou seja como a taxa de câmbio influencia as exportações e importações No próximo tópico o tema será Balanço de Pagamentos no qual todas as transações entre países são registra das Para finalizar o quarto Tópico discutirá um tema de suma importância para todos os agentes econômicos que é a globalização Antes de iniciar nossas discussões lembrese procure seu tutor para qual quer dúvida que tenha pois ele está apto a responder qualquer questão Vamos lá Bons estudos e um forte abraço Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 145 INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 146 FUNDAMENTOS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL Vamos iniciar nossas discussões com uma pergunta o que leva um país a comer cializar com outras nações Para responder a esse questionamento diversas explicações podem ser levantadas como a disparidade nas condições de produção ou ainda na obtenção que certos países têm em obter as chamadas economias de escala ao produzir e vender ao mercado internacional Vocabulário Economia de escala acontece quando é possível aumentar a quantidade pro duzida sem aumentar na mesma proporção o custo Os economistas da escola clássica explicam os motivos pelos quais os países comercializam entre si por meio da teoria básica do comércio internacional o chamado Princípio ou teoria das Vantagens Comparativas que foi formulada por David Ricardo em 1817 Para a teoria das vantagens comparativas como afirma Vasconcellos 2011 cada país deve se especializar na produção do bem em que é relativamente mais eficiente ou que o custo seja menor e exportarlo Por outro lado esse mesmo país deve importar as mercadorias cuja produção implica um custo maior ou que seja menos eficiente Assim a especialização dos países na produção de bens distintos é a base do processo de troca entre as nações Para ficar mais fácil a compreensão vamos imaginar que existam somente dois países a Inglaterra e Portugal dois produtos vinho e tecido e um fator de produção que é a mão de obra Com base no trabalho a produção de cada país pode ser vista na Tabela 1 Tabela 1 Teoria das Vantagens Comparativas PaísProduto Tecido Vinho Inglaterra 100 120 Portugal 90 80 Fonte Vasconcellos 2011 p 367 Fundamentos do Comércio Internacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 147 Analisando a Tabela 1 podemos ver que Portugal é mais eficiente na produção tanto de tecido quanto de vinho comparando com a Inglaterra Isso acontece pois o custo que os portugueses têm em produzir os bens é mais baixo do que os ingleses Porém em termos relativos o custo de produção de vinhos em Portugal é 80 enquanto que na Inglaterra é 120 Já o tecido o custo é de 90 em Portugal e 100 na Inglaterra Com base na teoria Portugal tem vantagem relativa na produ ção de vinho e a Inglaterra na produção de tecidos Assim os dois países irão se beneficiar ao se especializarem na produção do bem que tenha vantagem com parativa exportando esse bem e importando o outro bem Agora vamos entender os benefícios da especialização e do comércio compa rando duas situações distintas uma sem o comércio internacional e outra com o comércio internacional Vamos lá Voltando à situação apresentada anteriormente na Inglaterra são necessá rias 100 horas de trabalho para a produção de uma unidade de tecido e 120 horas para a produção de vinho Assim uma unidade de vinho custa 12 unidades de tecido pois 120100 é igual a 12 E em Portugal A unidade de vinho custará 089 8090 Com o comércio internacional a Inglaterra importa uma unidade de vinho a um preço inferior a 12 unidade de tecido e Portugal importa mais do que 089 de tecido vendendo uma unidade de vinho Assim se a relação de troca entre vinho e tecido for de um para um ambos os países se beneficiarão Por exemplo a Inglaterra gastará 120 horas de trabalho para obter uma unidade de vinho negociando com Portugal poderá impor tar o vinho com apenas 100 horas de trabalho Em outras palavras a Inglaterra produzirá uma unidade de tecido com 100 horas de trabalho e trocará por uma unidade de vinho que caso ela produzisse seriam gastos 120 horas Com base na teoria das vantagens comparativas quais bens o Brasil deverá se especializar e exportar INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 148 E a mesma situação é com Portugal que irá trocar uma unidade de vinho que gasta 80 horas para produzir por uma unidade de tecido inglês que caso Portugal fosse produzir seriam gastos 90 horas Com base no exposto podemos concluir que a Inglaterra deve se especializar na produção de tecidos e exportar o produto e importar vinho Já para Portugal o benefício será exportando vinho e importando tecido assim todos os dois paí ses obterão ganhos via comércio internacional ao se especializarem na produção dos bens que tiverem mais vantagens relativas De acordo com Vasconcellos 2011 a teoria das vantagens comparativas expli cam os movimentos de mercadorias no comércio internacional baseada no lado da oferta ou dos custos de produção existentes nos países Assim os países expor tarão e se especializarão na produção dos bens que os custos forem menores em relação a aqueles existentes nos países exportadores Porém de acordo com o mesmo autor a Teoria das Vantagens Comparativas tem algumas limitações principalmente que ela é estática ou seja não leva em consideração a evolução da oferta e da demanda e nem as relações de preços entre os produtos negociados Por exemplo se a renda crescer a demanda por tecidos aumentará mais do que proporcionalmente a demanda de vinhos já que tecido é um bem mais elás tico e com isso existirá uma deterioração da relação de trocas entre Portugal e Inglaterra e os ingleses terão mais benefícios Para conhecer a aplicabilidade da teoria das vantagens comparativas leia o artigo Evolução das vantagens comparativas do Brasil no comércio mundial de soja que tem como objetivo analisar a evolução das vantagens compa rativas do Brasil nos segmentos de soja em grão farelo e óleo no período de 1990 a 2002 o artigo está disponível em httpsseersedeembrapabrindexphpRPAarticleview526pdf Fonte a autora Regimes Cambiais e o Comércio Internacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 149 Certamente você deve estar se perguntando sobre a elasticidade correto Geralmente os bens manufaturados apresentam elasticidade renda da demanda maior do que um e como vimos na Unidade II isso significa que o aumento da renda mundial aumenta a demanda por esse tipo de produto Diferentemente do que ocorre com produtos primários no qual possui a elasticidade renda da demanda menor do que um Então mesmo com o aumento da renda mun dial a demanda não aumentará proporcionalmente Caso tenha ficado com alguma dúvida quanto ao conceito de elasticidade por favor releia a Unidade II do nosso livro didático Falamos sobre a teoria clássica do comércio internacional mas temos uma teoria mais moderna que tem como base o modelo de HeckscherOhlin o qual como afirma Vasconcellos 2011 postula que as vantagens comparati vas e a direção do comércio estarão dadas pela escassez ou abundância relativa de fatores de produção Por exemplo um país como o nosso pode ter mão de obra abundante o que faz com que o preço do trabalho no caso o salário seja menor assegurando que o Brasil tenha vantagens comparativas e por isso deve se especializar na produção de bens que necessitam muito de trabalho Por outro lado os bens que precisam muito de capital o país deverá importar pois terá um custo relativamente menor REGIMES CAMBIAIS E O COMÉRCIO INTERNACIONAL Ao falarmos sobre a política cambial na Unidade III trabalhamos com o con ceito de taxa de câmbio e dos regimes cambial Porém nessa seção retornaremos as nossas discussões sobre esses conceitos mas agora pensando no impacto no comércio internacional Para isso vamos lembrar o que é taxa de câmbio que pode ser definida como o preço da moeda estrangeira que também podemos chamar de divisas INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 150 em relação à moeda nacional Por exemplo se a taxa de câmbio dólarreal for de R300 significa que precisamos de três reais para comprar um dólar A taxa de câmbio é um preço como de outro bem qualquer assim o que determina seu valor caso o regime cambial seja flutuante é a oferta e demanda de divisas A oferta de divisas depende por exemplo do volume de exportações da entrada de turistas que querem trocar dólar por Real e de capitais externos Já a demanda de divisas depende do volume de importações da saída de turis tas e de capital externo Com base no que já foi exposto podemos concluir que quanto maior for a oferta de divisas em relação à demanda menor é a taxa de câmbio já que tere mos mais dólar no mercado interno o que faz com que o preço do dólar reduza Com isso o Real sofre uma valorização cambial Por outro lado se aumentar a demanda por dólares dada a oferta a taxa de câmbio será maior já que o dólar estará mais caro assim o Real sofre uma desvalorização cambial Você percebeu como a lei oferta e demanda na qual nós estudamos na Unidade II explica muitas das situações econômicas A moeda é como qualquer outro bem se a oferta for maior do que a demanda o preço cai e se a demanda for maior do que a oferta o preço sobe No entanto voltemos aos conceitos Uma valorização cambial também chamada de apreciação cambial pode ser definida como o aumento do poder de compra da moeda nacional frente a uma moeda estrangeira Como o preço é definido com base na moeda estrangeira uma valorização cambial significa queda na taxa de câmbio Por exemplo se em 0204 o dólar valia três reais e no dia 0304 passou a valer dois reais e noventa centavos podemos afirmar que houve uma valorização cambial já que precisaremos de dez centavos a menos para comprar um dólar Por outro lado quando temos uma depreciação cambial teremos uma redu ção do poder de compra da moeda nacional isso aumentará a taxa de câmbio Por exemplo se no dia 0204 o dólar varia dois reais e noventa centavos e no dia 0304 passou para três reais afirmamos que houve uma desvalorização cambial As situações apresentadas anteriormente acontecem quando o país adota o regime de câmbio flexível que como vimos na Unidade III a taxa de câm bio varia conforme a oferta e demanda de divisas sendo diferente do regime de Regimes Cambiais e o Comércio Internacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 151 câmbio fixo no qual o Banco Central definirá a taxa de câmbio que será prati cada e comprará ou venderá divisas até que o valor chegue ao estipulado Além desses dois regimes cambiais que são os mais utilizados ainda temos os casos intermediários entre o flexível e o fixo Dentre esses regimes interme diários podemos citar a flutuação suja na qual o país adota o regime flutuante mas com o Banco Central intervindo o todo inteiro para manter a taxa de câm bio em níveis adequados sem muitas oscilações Agora que ficou bem claro taxa de câmbio vamos compreender o efeito das variações na taxa de câmbio sobre algumas situações Taxa de câmbio sobre exportações e importações Com a desvalorização cambial os compradores estrangeiros conseguem comprar mais produtos importados do Brasil e com isso há um aumento na exportação do nosso país Por outro lado fica mais caro para os brasileiros importarem pois o dólar estará mais caro e portanto os produtos importados também Assim a desvalorização cambial estimula as exportações e desesti mula as importações Situação oposta ocorre quando temos uma valorização cambial os nossos produtos ficarão muito caros no mercado internacional e os produtos estran geiros baratos Assim uma valorização cambial estimulará as importações e desestimulará as exportações Taxa de câmbio sobre a taxa de inflação Um dos instrumentos de controle da inflação é a taxa de câmbio o que pode ser feito por meio da valorização cambial que nesse caso é chamada de âncora cambial Ocorre a seguinte situação a taxa de câmbio é valorizada o que torna a moeda nacional mais forte isso irá estimular a importação fazendo com que a concorrência aumente no mercado nacional e como você sabe concorrência maior preços menores e portanto a inflação reduz Certamente você deve estar pensando que achamos a solução para os aumen tos de preços mas não pois com a moeda valorizada teremos outros problemas como a redução das exportações aumento na dependência externa e tantos outros problemas INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 152 Então o nível da taxa de câmbio deve ser relativamente alto para estimular as exportações e relativamente baixo para não encarecer demasiadas as impor tações e pressionar a inflação como afirma Vasconcellos 2011 Variação nominal e variação real do câmbio Existe uma grande diferença entre variáveis nominais e reais por exemplo o salário que vem no seu holerite ou contracheque é o salário nominal o poder de compra é o salário real Agora que você já compreendeu a diferença vamos analisar a taxa de câmbio nominal e real Para isso vamos a um exemplo uma desvalorização cambial de 10 é nominal se a inflação for 10 não houve des valorização nominal Então por que essa diferença é tão importante Porque o conceito de desvalo rização ou valorização cambial real é utilizado para averiguar a competitividade dos produtos nacionais frente aos importados Por exemplo se a desvalorização nominal for maior do que a inflação a competitividade dos produtos nacionais aumentou Pode acontecer uma situação que a variação cambial e a variação dos preços sejam nulas mas a inflação dos outros países foi positiva Essa situação acarreta uma desvalorização real da moeda nacional aumentando a competitividade dos nossos produtos Segundo Vasconcellos 2011 existem duas formas de definir a taxa de câmbio real a Abordagem de demanda a taxa de câmbio real é a razão entre o nível geral de preços externos e o nível geral de preços internos R ePP No qual R taxa de câmbio real e taxa de câmbio nominal P preço externo P preço interno b Abordagem de oferta a taxa de câmbio real é a razão entre o preço dos bens comercializáveis e o preço dos bens não comercializáveis R PTPNT No qual R taxa de câmbio real PT preço dos bens comercializáveis PNT preço dos bens não comercializáveis Regimes Cambiais e o Comércio Internacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 153 Taxa de câmbio sobre a dívida externo do país Ao desvalorizar a moeda o estoque da dívida externa em reais aumenta mas não afeta o saldo em dólares No médio prazo ao estimular as exportações e desestimular as importações pode aumentar a oferta de dólares o que faz com que a moeda nacional valorize e a dívida externa em dólares reduza Por outro lado uma valorização cambial reduz o valor da dívida externa em reais no curto prazo mas aumenta futuramente já que temos uma esti mulação das importações o que levará a desvalorização cambial e ao aumento da dívida em reais INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 154 ESTRUTURA DO BALANÇO DE PAGAMENTO Balanço de pagamento é definido por Vasconcellos 2011 como o registro con tábil de todas as transações de um país com o resto do mundo essas transações são de bens e serviços de capitais e financeiras Então podemos afirmar que o balanço de pagamento registra o comércio internacional que são as exportações e importações os serviços internacio nais como pagamento de juros royalties remessa de lucro turismo fretes etc o movimento de capitais internacionais como investimento direto estrangeiro empréstimos e financiamento entre outros Com a afirmação anterior você pode perceber que sempre que estamos nos referindo a balanço de pagamentos estamos falando em transações entre paí ses portanto as transações feitas no mercado interno não são contabilizadas no balanço de pagamento somente aquela do Brasil com qualquer outro país seja por pessoas físicas ou jurídicas E a ideia do balanço de pagamento é muito parecida com a do balanço patrimonial das empresas pois as normas gerais das transações no balanço de pagamentos são oriundas da contabilidade mais exatamente o método das par tidas dobradas Nesse sentido Vasconcellos 2011 observa que no caso das transações externas não existe uma conta caixa mas utilizase uma conta com pensatória chamada variação de reservas Em outras palavras quando há ingresso de dinheiro em uma empresa o registro é efetuado na conta caixa já quando entra capital no país essa entrada é registrada na conta variação de reservas Na mesma lógica é quando há saída de dinheiro do país que também será debitada na conta variação de reservas Se o sinal da conta variação de reservas for positivo significa que o saldo é credor o que acarreta em uma redução nos haveres monetários que são as reser vas internacionais ou ainda pode aumentar as obrigações do país com o resto do mundo Caso contrário se o sinal for negativo há um aumento das reser vas internacionais Agora que você conheceu o conceito de Balanço de Pagamento vamos com preender como ele é estruturado Para isso vamos analisar a Figura 1 Estrutura do Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 155 A BALANÇA COMERCIA Importações FOB free on board débito Exportações FOB crédito B SERVIÇO E RENDAS saldos de contas podem apresentar tanto débitos como crédito Viagens Internacionais turismo negócios Tranportes fretes Seguros Juros Lucros e Dividendos inclusive lucros reinvestido pelas multinacionais instaladas do país Royalties e licenças Serviços governamentais embaixadas consulados representações no exterior Outros serviços C TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS CORRENTES D TRANSAÇÕES CORRENTES ou SALDO EM CONTA CORRENTE DO BALANÇO DE PAGAMENTOS resultado líquido de A B C E CONTA CAPITAL E FINANCEIRA Investimento direto líquido intalações e participação no capital de frmas estrangeiras no país Reivestimentos reinvestimentos de uma frma estrangeira já instalada no país Financiamentos fnanciamentos de bancos ofciais como o Banco Mundial para promover o crescimento Empréstimos para promover o comércio exterior Amortizações de empréstimos e fnanciamentos Empréstimos de Regularização do FMI para resolver problemas de liquidez Capitais de curto prazo aplicações no mercado fnanceiro F ERROS E OMISSÕES G SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS resultado líquido de D E F H VARIAÇÃO DE RESERVAS G Figura 1 Estrutura do Balanço de Pagamentos Fonte adaptado de Vasconcellos 2011 p 382 Como podemos ver na Figura 1 o Balanço de Pagamentos é dividido em quatro grupos de contas cada grupo é composto por certas transações internacionais Vamos compreender cada um dos grupos Eu irei ao apresentar cada conta mostrar para você o valor e composição da referida conta na economia brasi leira para o ano 2000 e um gráfico que mostra a evolução da conta Vamos lá INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 156 a Balança comercial A conta balança comercial é composta pelo comércio internacional de bens tanto as exportações quanto as importações de produtos Por exemplo se o Brasil exporta grãos para a China o valor será contabilizado nessa conta em exporta ções Caso o Brasil importe tecnologia do Japão o valor também é contabilizado na balança comercial mas em importações É importante observar que as tran sações feitas são do tipo FOB que significa free on bord ou seja isentas de fretes e seguros tanto as importações quanto as exportações Vamos supor que em um ano as exportações de produtos tenham superado as importações dizemos que a balança comercial é superavitária Caso contrá rio se as importações forem maior do que as exportações em valor houve um déficit comercial Esses termos certamente você já ouviu na televisão e leu em jornais e revistas O ideal claro é que sempre tenha superávit comercial nin guém quer comprar mais do que vender certo Para melhor compreensão da evolução das contas no balanço de pagamentos brasileiros saiba que no ano de 2000 o saldo da balança comercial foi negativo portanto importamos mais do que exportamos E a evolução de 2006 a 2014 Vamos verificar na Figura 2 50000 40000 30000 20000 10000 0 10000 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 2 Gráfico referente à evolução do saldo comercial Fonte adaptado dos dados do MDIC 2017 online1 Estrutura do Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 157 b Serviços e Rendas A segunda conta do balanço de pagamento é a de serviços e renda assim nessa conta são registrados todos os serviços pagos e recebidos do país em rela ção a outros países Você percebeu que diferente da conta balança comercial aqui somente os serviços que são contabilizados E quais são esses serviços Fretes seguros lucros juros royalties assistência técnica viagens interna cionais entre outros Porém é importante observar que os serviços que representam remunera ção a fatores de produção como juros lucros royalties e assistência técnica são chamados de serviços ou renda de fatores e é a renda líquida de fatores exter nos diferença entre o Produto Interno Bruto e o Produto Nacional Bruto Já os serviços não fatores se referem a pagamentos às empresas estrangeiras pela prestação de serviços de fretes seguros transporte viagens entre outros Vamos verificar o balanço de serviços do Brasil em 2000 na Figura 3 Valor Balanço de serviços Transportes Viagens internacionais Seguros Serviços fnanceiros Computação e informação Royalties de equipamentos Aluguel de equipamentos Serviços governamentais Comunicações Construção Serviços relativos ao comércio Serviços empresariais profssionais e técnicos Serviços pessoais culturais e recreação Serviços diversos 7162 2896 2084 4 294 1111 1289 1311 549 4 227 194 2251 300 0 Figura 3 Balanço de serviços no Brasil em 2000 milhões de dólares Fonte Feijó et al 2013 p 170 Podemos ver que o saldo foi negativo E a evolução do balanço de serviços INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 158 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 70000 80000 90000 100000 Figura 4 Evolução do saldo do Balanço de Serviços e Rendas Fonte adaptado de Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 c Transferências Unilaterais Correntes A conta transferências unilaterais correntes também chamada de conta de dona tivos como o próprio nome já diz são registradas as doações que são feitas ou recebidas de outros países Essas doações podem ser feitas em dinheiro ou em mercadorias Valor Total Transferências recebidas Transferências enviadas 1521 1828 307 Figura 5 Conta transferências unilaterais líquidas de renda para o Brasil em 2000 por milhões de dólares Fonte Feijó et al 2013 p 172 Conforme podemos ver na Figura 6 o saldo em conta transferências unilate rais foi positivo ou seja recebemos mais doações do que enviamos em 2000 Estrutura do Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 159 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 5000 4500 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 Figura 6 Gráfico da evolução do saldo em conta transferências unilaterais Fonte adaptado do Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 d Transações correntes A soma das contas balança comercial balança de serviços e rendas e transferên cias unilaterais resultam o saldo em conta corrente também chamado de saldo em transações correntes Se o saldo for positivo significa que temos um superá vit em transações correntes o que mostra que o Brasil envia mais bens e serviços a outros países do que recebe Por outro lado se o saldo for negativo teremos um déficit em conta cor rente o que significa que o Brasil recebeu mais do que enviou bens e serviços e isso mostra que o país aumentou sua dívida externa em termos financeiros E como você já sabe o ideal é sempre que tenhamos um saldo positivo assim como é em nossa casa INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 160 2006 20000 0 20000 40000 60000 80000 100000 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 7 Gráfico da evolução do saldo em transações correntes Fonte adaptado dos dados do MDIC 2017 online1 e Conta Capital e Financeira A conta capital e financeira era chamada de conta movimento de capitais ou balanço de capitais mas mudou de nome recentemente Assim essa conta é com posta pelas transações que irão produzir variações no ativo e no passivo externo do país e que irão portanto alterar a posição do Brasil em termos de credor ou devedor frente aos demais países Dessa forma são registrados os investimentos diretos de empresas multina cionais de empréstimos e investimentos para projetos de desenvolvimento do país e de capitais financeiros de curto prazo aplicados no mercado financeiro nacional Por exemplo as transações financeiras puras como as ações emprés timos em moeda quota partes entre outras são contabilizados nessa conta Estrutura do Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 161 2006 120000 100000 80000 60000 40000 20000 0 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 8 Gráfico da evolução saldo em conta capital e financeira Fonte adaptado de Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 f Erros e Omissões Erros e omissões são utilizados para contabilizar a diferença entre o saldo do Balanço de Pagamentos e a Variação de Reservas ou seja pode ter acontecido durante o processo de contabilização em que alguma transação não tenha sido contabilizada e portanto haverá uma diferença entre o saldo do Balanço de Pagamentos e a quanto as reservas variaram Para solucionar essa diferença o valor é colocado na conta erros e omissões Essa não é uma prática errada ou corrupta tanto que é aceito no mer cado internacional um erro de até 5 da soma das exportações e importações VASCONCELLOS 2011 2006 5000 4000 3000 2000 1000 0 1000 2000 3000 4000 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 9 Gráfico da evolução da conta erros e omissões Fonte adaptado de Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 162 g Saldo do Balanço de Pagamentos A soma dos saldos das contas anteriores saldo em conta corrente saldo na conta capital e financeira e erros e omissões obtémse o saldo do Balanço de Pagamentos que pode ser superavitário quando o sinal é positivo ou deficitário quando o sinal é negativo 2006 100000 80000 60000 40000 20000 0 20000 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 10 Gráfico da evolução do saldo do balanço de pagamentos Fonte adaptado de Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 h Variação de Reservas O superávit ou déficit no balanço de Pagamentos corresponde a um valor igual mas com sinal contrário na conta variação de reservas já que estamos traba lhando com o método de partidas dobradas Por exemplo se o saldo do Balanço de Pagamentos for igual a US 1000 a conta variação de reservas será US 1000 Por outro lado se o saldo do Balanço de Pagamentos for de US 1500 a conta variação de reservas será US 1500 É importante observar que as reservas também podem ser chamadas de have res monetários que são definidos por Feijó et al 2013 como os ativos de reserva internacional que estão disponíveis diretamente sob o controle do governo para financiamento e regulação de desequilíbrios Os haveres monetários são compostos Ouro monetário Direitos especiais de saque Posições de reservas no FMI Reservas em moeda estrangeira Outros ativos Estrutura do Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 163 2006 20000 0 20000 40000 60000 80000 100000 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 11 Gráfico da evolução dos haveres monetários Fonte adaptado de Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 Agora que você compreendeu cada uma das contas que fazem parte do balanço de pagamentos vou citar alguns exemplos de transações internacionais e como elas são contabilizadas Vamos lá Exemplo 1 exportação de bens no valor de 100 com recebimento inte gral em moeda estrangeira crédito de 100 em exportações e débito de 100 em haveres monetários Exemplo 2 importação de 230 sendo 130 pagos em dinheiro e 100 financiados pelo produtor da mercadoria crédito de 130 em haveres monetá rios crédito de 100 em outros investimentos e débito de 230 em importação Exemplo 3 doação de medicamentos para o exterior no valor de 50 crédito de 50 em exportação e débito de 50 em transferências unilaterais correntes Exemplo 4 empréstimo de uma empresa brasileira para sua filial no exterior no valor de 110 crédito de 110 em haveres e débito de 110 em investimen tos diretos Exemplo 5 perda de 50 por parte de investidores brasileiros em opera ções de derivativos no exterior crédito de 50 em haveres e débito de 50 em conta de derivativos INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 164 O PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO Com o mundo globalizado o comércio internacional está ganhando cada vez mais importância pois é uma forma de transformar economias pequenas e desen volvimento em potências econômicas No caso do Brasil o comércio exterior contribui e muito para que nossa economia cresça por meio da maior compe titividade ou seja o comércio permitiu que as indústrias produzam mais do que a capacidade do mercado interno por exemplo o setor primário da economia brasileira como você sabe somos um dos maiores exportadores de produtos primários grãos Apesar de toda a importância as exportações brasileiras em termos de valo res monetários ainda são pequenas se compararmos a países do mesmo porte do nosso Esse fato demonstra a necessidade de estudarmos os problemas rela cionados com a economia internacional e com o comércio exterior ou seja é preciso compreender as relações entre os países Porém o que é globalização a globalização designa o fim das economias nacionais e a integração cada vez maior dos mercados dos meios de comuni cação e dos transportes Um dos exemplos mais interessantes do processo de globalização é o abastecimento de uma empresa por meio de fornecedores que se encontram em várias partes do mundo cada um produzindo e oferecendo as melhores condições de preço e qualidade naqueles produtos que têm maio res vantagens comparativas Vasconcellos 2011 entende por globalização produtiva a produção e dis tribuição de valores dentro de redes em escala mundial com o acirramento da concorrência entre grandes grupos de multinacionais Por seu turno enten dese por globalização financeira a negociação entre os diversos mercados de capitais do mundo A crescente integração financeira e o significativo aumento no número de crises cambiais levanta outra questão que é como a crise de um país afeta outros paí ses o chamado efeito contágio em que os efeitos das crises cambiais em um país se espalham para outros países Essa possibilidade decorre da chamada glo balização financeira O Processo de Globalização Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 165 Agora que você compreendeu o conceito de globalização e sabe o quanto o mundo hoje é um só precisamos conhecer alguns organismos internacio nais que regem as relações entre países essas organizações são conhecidas como organismos internacionais Assim para iniciarmos nossas discussões acerca dos organismos que regem a economia e o comércio internacional é fundamental compreender o papel de uma das principais instituições internacionais do mundo que é a Organização das Nações Unidas ONU que tem como objetivos principais assegurar a paz mundial e o desenvolvimento dos países membros Além da ONU outros organismos regem as relações internacionais e que estão diretamente ligadas à ONU tais como a Organização Internacional do Trabalho OIT que como o próprio nome diz é uma Instituição voltada para as leis mundiais do trabalho o famoso e polêmico Fundo Monetário Internacional FMI que exerce dentre outras funções estabelecer a cooperação econômica e seguindo a mesma linha do FMI temos o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento BIRD também chamado de Banco Mundial Iremos com preender a Organização Mundial do Comércio OMC que procura supervisionar e liberar o comércio internacional Vamos discutir cada um deles ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS ONU A Organização das Nações Unidas ONU é uma organização internacional formada por naçõespaíses voluntários que trabalham em prol da paz e do desenvolvimento mundial sendo criada na Conferência de San Francisco após o término da segunda guerra mundial mais exatamente em 24 de Outubro de 1945 para que a paz mundial fosse mantida Porém a ONU não surgiu de um dia para o outro foram anos de planejamento Para você ter uma ideia o nome Nações Unidas foi criado pelo presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt sendo utilizado pela primeira vez três anos antes da criação da ONU em 1942 durante a Declaração das Nações Unidas na qual foram reunidos 26 países que assumiram o compromisso que a luta contra os paí ses que formavam o Eixo Alemanha Itália e Japão na segunda guerra continuaria INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 166 Em junho de 1945 foi criada a chamada Carta das Nações Unidas que foi ela borada por 50 países durante a Conferência sobre Organização Internacional que ocorreu entre 25 de abril de 1945 a 26 de junho do mesmo ano apesar disso somente em outubro de 1945 que oficialmente a ONU após a ratificação da Carta pelos Estados Unidos China França Reino Unido e a antiga União Soviética foi criada Nesta época a ONU era composta inicialmente por 51 Estados membros países e tinha como objetivo principal garantir a paz mundial Atualmente são 193 nações que fazem parte da organização e os objetivos são diversos tais como criar e implementar mecanismos que possibilitem o desenvolvimento econômico a segurança nacional definição de leis internacionais assegurar os direitos humanos e o progresso social dos países Segundo o site da ONU 2017 online2 para atingir os objetivos as Nações Unidas são regidas por propósitos e princípios básicos aceitos por todos os Países Membros da Organização que são Manter a paz e a segurança internacionais Desenvolver relações amistosas entre as nações Realizar cooperação internacional para resolver os problemas mundiais Ser um centro destinado a harmonizar a ação dos povos para consecu ção dos objetivos comuns Em relação aos princípios que regem as Nações Unidas podemos citar a igualdade soberana Cumprimento dos compromissos Resolução pacífica das controvérsias internacionais Não pode recorrer à ameaça contra outros Estados Assistência a ONU entre outros É importante observar que para desempenhar os propósitos e princípios da forma mais imparcial possível todos os membros da ONU se reúnem em Assembleia Geral uma espécie de parlamentosenado mundial e cada país inde pendentemente do tamanho ou da riqueza que possui tem direito a um voto apenas As decisões tomadas em Assembleia apesar de não serem obrigatórias exercem pressão da comunidade internacional O Processo de Globalização Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 167 A sede atual da ONU fica na cidade de Nova Iorque nos Estados Unidos porém o terreno e prédio que está instalada não são considerados norteame ricanos mas sim um território internacional A sede da ONU na Europa fica na Suíça em Genebra além de existir escritório em Viena e Comissões Regionais no Líbano Tailândia Chile e Etiópia A independência da Organização é tanta que eles possuem uma própria ban deira correios e selos postais Além disto desde sua criação em 1945 são seis as línguas oficiais Árabe Chinês Espanhol Russo Francês e Inglês sendo que as mais utilizadas são o francês e o inglês ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO OIT A Organização Internacional do Trabalho OIT é uma agência especializada que está diretamente ligada ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas O principal objetivo da OIT é promover o acesso às pessoas tanto homens quanto mulheres ao trabalho produtivo e decente em condições de liber dade equidade segurança e dignidade independentemente da sua nacionalidade O que chama muito a atenção quando falamos na Organização Internacional do Trabalho é o conceito trabalho decente que merece ser discutido O con ceito foi formalizado em 1999 e resume a missão histórica da OIT em promover oportunidades para homens e mulheres em ter um trabalho de qualidade em condições dignas sendo este trabalho o decente uma condição essencial para superar a pobreza reduzir as desigualdades sociais garantir a governabilidade democrática e o desenvolvimento sustentável O Trabalho decente é interligado com os objetivos da OIT que são a 1 liberdade sindical e reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva 2 eliminação de todas as formas de trabalho forçado 3 abolição efetiva do traba lho infantil 4 eliminação de todas as formas de discriminação em matéria de emprego e ocupação a promoção do emprego produtivo e de qualidade a exten são da proteção social e o fortalecimento do diálogo social OIT 2017 online3 INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 168 FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL FMI O Fundo Monetário Internacional FMI é uma organização internacional criada em 1944 durante a Conferência de Bretton Woods nos Estados Unidos que tinha como objetivo controlar as finanças internacionais via cooperação para evitar problemas econômicos como a Grande Depressão de 1929 Atualmente o FMI possui 188 paísesmembro incluindo o Brasil que depo sitam parte das reservas internacionais criando um fundo Estes recursos são utilizados para empréstimos a países que estão com algum desequilíbrio no balanço de pagamentos O empréstimo pode ser feito mediante cumprimentos de alguns requisitosnormas que são estabelecidas durante a negociação que o país faz com o FMI O FMI além de emprestar dinheiro aos países que precisam acompanha a política econômica de todos os membros e faz algumas recomendações sem pre de acordo com as pesquisas levantamentos estatísticos e previsões mundiais regionais e nacionais que são elaboradas pelo secretário e sua equipe Assim os objetivos declarados do FMI podem ser resumidos da seguinte forma promover a cooperação econômica internacional o comércio internacio nal o emprego e a estabilidade cambial inclusive mediante a disponibilização de recursos financeiros para os países membros a fim de ajudar no equilíbrio de suas balanças de pagamentos ITAMARAY 2017 online4 É importante observar também que os países que mais contribuem financei ramente podem contrair maiores empréstimos e seus votos têm maior peso nas A existência e principalmente as ações do Fundo Monetário Internacional são polêmicas já que a instituição exige que os países que precisam de aju da financeira tomem medidas de cunho extremamente liberal Diante desse contexto para você qual é a importância ou não do FMI para os países prin cipalmente o Brasil O Processo de Globalização Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 169 decisões internas na instituição Esta é uma diferença do FMI com as demais instituições internacionais ou seja o FMI segue o chamado modelo corpora tivo de tomada de decisão no qual o voto de cada país é de acordo com a quota Para você ter uma ideia em 2017 os Estados Unidos possuía 25 dos votos já que tinha a maior cota A distribuição de quotas é feita de tempos em tempos o que constitui uma oportunidade para que cada país aumente sua participação nas decisões da organização Você certamente está pensando como é a estrutura organizacional do FMI correto O FMI é composto pela Assembleia de Governadores que é a responsá vel pela tomada de decisão e por eleger o Conselho de Diretores qual é composto por 24 diretores que representam um país ou um grupo de países neste último caso são os chamados constituency As políticas da instituição são definidas em reuniões do Conselho de Assuntos Financeiros e Monetários que acontecem duas vezes ao ano em geral nos meses de abril e outubro Banco Mundial O Banco Mundial surgiu em 1944 durante a Conferência de Bretton Woods com o nome Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento BIRD Na época da sua criação o objetivo era atender as necessidades de financiamento de reconstrução dos países que foram devastados durante a segunda guerra mun dial de forma a desenvolver tais países Em 1956 a estrutura organizacional se tornou complexa e outras instituições surgiram para suprir as demandas que não eram atendidas pelo BIRD formando o que chamamos atualmente de grupo Banco Mundial O grupo é formado dentre outras instituições pela Corporação Financeira Internacional CEI para expandir o investimento privado nos países em desenvolvimento a Associação Internacional de Desenvolvimento AID que concede empréstimos aos países menos desenvolvidos que não conseguem atender as condições do BIRD Para aumentar o investimento estrangeiros foram criados o Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos CIADI e a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos AMGI Assim o Banco INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 170 Mundial se tornou uma importante referência internacional para o processo de desenvolvimento e pode ser definido como uma agência especializada do sis tema das Nações Unidas sendo a maior fonte mundial de assistência voltada para o desenvolvimento é composto por 188 paísesmembros Em termos de estrutura organizacional o Banco Mundial é parecido com a do FMI no qual existe uma Assembleia de Governadores com poder de voto sendo este de acordo com o capital do Banco e um Conselho composto por 25 diretores eleitos pelos 188 países As reuniões acontecem duas vezes ao ano abril e outubro e fazem parte da reunião o Conselho de Diretores composto por 25 membros Organização Mundial do Comércio OMC Das organizações que discutimos nesta seção a Organização Mundial do Comércio OMC é a mais nova sendo criada em 1995 e desde seu surgimento atua como a principal instância do sistema de comércio internacional A OMC tem como objetivo estabelecer um marco institucional comum para regular as relações comerciais entre os diversos Membros que a compõem esta belecer um mecanismo de solução pacífica das controvérsias comerciais tendo como base os acordos comerciais atualmente em vigor e criar um ambiente que permita a negociação de novos acordos comerciais entre os Membros ITAMARATY 2017 online4 Em 2017 a OMC era composta por 160 membros e o nosso país é um dos fundadores A sede é em Genebra na Suíça e são três as línguas oficiais na orga nização que são o espanhol francês e o inglês Apesar de ser uma organização nova a origem da OMC é de 1947 com o Acordo Geral sobre as Tarifas e Comércio GATT no qual herdou o conjunto de princípios que são os fundamentos da regulação do comércio entre eles pode mos citar de acordo com o Itamaraty 2017 online4 O Processo de Globalização Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 171 Nação mais favorecida Os membros devem estender aos parceiros comer ciais todos os benefícios concedidos a outro membro Tratamento nacional Um produto importado deve receber o mesmo tratamento que o produto similar no território do membro importador Consolidação dos compromissos Um membro deve conferir aos demais o mesmo tratamento aos estabelecidos na lista de compromisso Transparência Os membros devem dar publicidade às leis regulamen tos e decisões de aplicação do comércio internacional Os órgãos que compõem a OMC são a Conferência Ministerial instância máxima da organização composta pelos Ministros das Relações Exteriores ou de Comércio Exterior dos Membros o Conselho Geral órgão composto pelos representantes permanentes dos Membros em Genebra que ora se reúne como Órgão de Solução de Controvérsias OSC ora como Órgão de Revisão de Política Comercial o Conselho para o Comércio de Bens o Conselho para o Comércio de Serviços o Conselho para os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacio nados ao Comércio os diversos Comitês e entre eles os Comitês de Acesso a Mercados Agrícola e de Subsídios entre outros e o Secretariado que tem por função apoiar as atividades da organização e é composto por cerca de 700 fun cionários dirigidos pelo DiretorGeral da OMC ITAMARATY 2017 online4 GRUPO DOS SETE G7 E GRUPO DOS VINTE G20 Existem dois grupos econômicos internacionais informais que englobam países com certas características em comum que são o grupo dos sete G7 e o grupo dos vinte G20 O primeiro reúne as sete nações mais industrializadas e desen volvidas do planeta que são os Estados Unidos Alemanha Canadá França Itália Japão e Reino Unido Já o Grupo dos Vinte G 20 é composto por países industrializados como os que fazem parte do G7 a União Europeia e os países emergentes como o Brasil Este grupo é informal mas juntos procuram discutir a estabilidade econômica glo bal as políticas nacionais e internacionais relacionadas às instituições econômicas INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 172 Certamente você deve estar se perguntando qual é a origem dos G7 e G20 correto Para compreendermos a origem precisamos nos reportar a França de 1975 quando as seis maiores economias da época se reuniram com o objetivo de estabelecer a cooperação entre eles este grupo ficou conhecido como G6 e em 1976 com a entrada do Canadá se tornou o chamado G7 ou Grupo dos Sete Diversas mudanças ocorreram no final do século XX tais como a unificação da Alemanha e o fim da União Soviética essas mudanças alteraram a realidade inter nacional com isto a Rússia se torna uma economia capitalista fazendo com que o país fosse reconhecido e no final da década de 90 o G7 se transforma em G8 Porém com a nova realidade e com o crescimento de termos econômicos e de importância das economias emergentes surgiu a necessidade de uma maior cooperação dos países industrializados com as economias emergentes a partir de década de 90 essa importância foi maior ainda durante a crise de 2008 Assim em novembro de 2008 George W Bush então presidente dos Estados Unidos convidou os líderes das vinte economias mais importantes em termos mundiais para uma reunião em Washington Essa reunião tinha como objetivo inicial dar uma resposta consistente para a crise financeira de 2008 que teve início nos Estados Unidos Neste contexto surge o chamado Grupo dos Vinte G20 e os países que nele se enquadram passaram a se reunir duas vezes ao ano sendo um encontro entre os Ministros da Fazenda e os presidentes do Banco Central de cada país e o outro entre os chefes de Estados Em 2017 o G20 conta com a participação de Chefes de Estado Ministros de Finanças e Presidentes de Bancos Centrais de 19 países África do Sul Alemanha Arábia Saudita Argentina Austrália Brasil Canadá China Coreia do Sul Estados Unidos França Índia Indonésia Itália Japão México Reino Unido Rússia e Turquia A União Europeia também faz parte do Grupo representada pela presidência rotativa do Conselho da União Europeia e pelo Banco Central Europeu BANCO CENTRAL 2015 online5 Diferente das organizações internacionais formais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial o G20 não tem capital humano permanente a presidência do grupo é alterada todos os anos assim como os secretários O Processo de Globalização Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 173 Durante o ano de exercício o país que está na presidência do grupo estabelece um cronograma de trabalho com os assuntos que já foram discutidos podendo adicionar novas pautas E você sabe qual ano o Brasil presidiu o G20 Em 2008 e desenvolveu os trabalhos voltados a temas como competição no setor finan ceiro biocombustíveis e espaço fiscal BRICS Você certamente já ouviu falar nos BRICS mas você sabe dizer o motivo deles serem tão importantes principalmente para nosso país BRICS é um termo criado em 2001 que se refere a quatro países emergentes que são o Brasil Rússia Índia e China e a partir de abril de 2011 África do Sul Assim você pode perceber que o termo BRICS é a junção da primeira letra do nome em inglês de cada um dos países que fazem parte Os países que fazem parte dos BRICS possuem características em comum entre elas podemos citar Estabilidade econômica recente Mão de obra abun dante e se qualificando Produção e exportação em crescimento Reservas de recursos minerais Investimento em infraestrutura Melhoria nos indicadores sociais Redução lenta das desigualdades sociais Investimento estrangeiros População com acesso ao sistema de comunicação Apesar das características os BRICS não formam um bloco econômico mas sim uma aliança que tem como objetivo geral ganhar força no cenário político e econômico mundial e assim defender os interesses em comum Dessa forma de acordo com o Itamaraty 2017 online6 os BRICS vêm expandindo as suas atividades em duas linhas principais que são 1 a coor denação em reuniões e organismos internacionais e 2 a construção de uma agenda de cooperação multissetorial entre seus membros INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 174 CONSIDERAÇÕES FINAIS Olá estamos finalizando a Unidade IV do livro Economia e Sociedade Nesta unidade fizemos uma introdução à economia internacional que é uma área de estudo da economia Nós discutimos nesta Unidade IV temas principais começamos a unidade compreendendo as teorias do comércio internacional com ênfase na Teoria das Vantagens Comparativas porém discutimos também uma teoria mais moderna que procura explicar os motivos que fazem o comércio internacional ser bené fico que é o modelo de HeckscherOhlin Na sequência nossa discussão girou em torno dos regimes cambiais no qual introduzimos o tema da Unidade III ao falarmos sobre a política cambial mas que nesta Unidade IV o foco foi o impacto da taxa de câmbio no comér cio internacional e tantas outras variáveis Você conseguiu perceber como o valor da moeda nacional frente a uma moeda estrangeira afeta diretamente a economia interna Como estamos discutindo a economia internacional não podíamos deixar de entender o famoso Balanço de Pagamento que segue uma lógica muito pró xima do balanço patrimonial das empresas mas nesse caso as transações que são contabilizadas são as do Brasil com os demais países Finalizamos a unidade com o tema globalização que é o processo mundial que interliga os países do mundo inteiro seja pelo comércio por meio de expor tação e importação de bens seja pelas transações de capitais ou financeiras Também entendemos alguns organismos internacionais que procuram esta belecer normas de conduta dos países que são por exemplo as Organizações das Nações Unidas Fundo Monetário Mundial Organização Internacional do Trabalho e o Banco Mundial E claro como o mundo está globalizado os países tendem a se juntar para poderem fazer frente a tantas mudanças daí que surgem os grupos e blocos eco nômicos Um forte abraço e até a próxima unidade 175 1 Vamos supor que o governo elabore uma política cambial de valorização da mo eda nacional em relação à moeda internacional Neste caso o que governo visa Marque a assertiva correta a Aumentar as exportações e reduzir as importações b Reduzir as exportações e aumentar as importações c Manter exportações e importações inalteradas d Facilitar a entrada de capitais oficiais compensatórios no país e Facilidade a entrada de capital estrangeiro de risco no país 2 Analise o quadro que mostra os saldos fictícios das contas que compõem o Ba lanço de Pagamentos de uma certa economia no ano de 2015 e responda Valor sinal Transferências unilaterais 3000 Exportação 73000 Importação 48000 Despesa com rendas 22000 Receitas com serviços 10500 Conta capital 500 Investimento direto 10000 Despesas com serviços 15000 Receita com rendas 3500 Derivativos 10000 Erros e omissões 1000 Investimento em carteira 5500 a Saldo da Balança Comercial b Saldo da Balança de Serviços e Rendas c Saldo em Transações Correntes d Saldo da Conta Capital e Financeira e Resultado do Balanço de Pagamentos OBS A coluna Sinal indica se houve entrada ou saída líquida de divisas 176 3 O Fundo Monetário Internacional FMI e o Banco Mundial o antigo Banco Inte ramericano de Desenvolvimento para a reconstrução e Desenvolvimento BIRD foram criados no mesmo ano e durante uma conferência Em relação a criação das duas instituições citadas marque a alternativa correta a Conferência de Yalta Crimeia em 1945 b Conferência de Nova Iorque EUA em 1944 c Conferência de Bretton Woods EUA em 1944 d Conferência de Potsdam Berlim em 1945 e Conferência de Estocolmo Suécia em 1972 4 Quando estudamos a Organização Internacional do Trabalho OIT um termo está muito presente que é o trabalho decente ou seja é este tipo de trabalho que a OIT procura promover Marque a alternativa que apresenta uma expli cação para o termo trabalho decente utilizado pela organização a É uma condição essencial para superar a pobreza b É uma condição básica para aumentar o comércio internacional c É uma condição para aumentar a produtividade do trabalho d É uma condição para gerar crescimento econômico e É uma condição fundamental para aumentar a competitividade 5 Os BRICS é um grupo internacional relativamente novo e são formados pelas cinco economias emergentes Em relação aos BRICS marque a alternativa correta a Formam o maior bloco econômico da atualidade b O BRICS é um acordo internacional dos países emergentes c O S os BRICS significa que são vários países d Os BRICS fazem parte da União Europeia e O Brasil foi o último a entrar para os BRICS 177 MERCOSUL CONTEXTUALIZAÇÃO E ATUAL FASE A trajetória do MERCOSUL remonta ainda à década de 1980 anos antes da assinatura do Tratado de Assunção que constitui a formação do grupo Mesmo com um quadro de insta bilidade das condições macroeconômicas sul americanas ao longo da década de 1980 Al meida 2011a relata quanto à necessidade e disposição em ser aprofundado o processo de integração econômica na América do Sul norteado principalmente por Brasil e Argentina Em 1985 os presidentes argentino Raúl Alfonsín e brasileiro José Sarney formalmen te iniciaram um novo processo de integração no continente através da Declaração de Iguaçu Segundo Barbosa 1993 essa declaração buscava ampliar as complementarida des econômicas entre os dois países que já tratavamse à época os principais centros produtivos da América do Sul Sucedendo a Declaração de Iguaçu mediante a aproximação comercial argentina e bra sileira e a criação de acordos complementares à integração regional em março de 1991 Argentina Brasil Paraguai e Uruguai firmaram o Tratado de Assunção O Tratado de As sunção que origina o MERCOSUL é claro ao indicar que o novo projeto busca ampliar as dimensões de seus mercados nacionais através da união entre seus membros a qual se materializa como peça fundamental para serem acelerados os processos de desenvolvi mento econômico regional MERCOSUL 1991 Quanto aos objetivos do grupo atualmente classificado como uma união aduaneira mesmo que imperfeita BAUMANN 2011 Barbosa 1995 e Niebuhr apud FRANCES CHINI BARRAL 2001 detalham o que é visado livre circulação de bens serviços e fa tores produtivos entre as economias agrupadas criação de uma tarifa externa comum TEC em relação a nações externas e harmonização das políticas setoriais e macroeco nômicas bem como legislações federais dos países membros Para o cumprimento das metas iniciais um prazo de quatro anos após a assinatura do Tratado de Assunção foi acordado entre seus signatários Entretanto como comentado por Barbosa 2008 esse limite se mostrou insensato e insuficiente perante a organiza ção interna do bloco visto que dos objetivos inicialmente pactuados em tal período somente foi alcançada a instituição da TEC ao comércio extragrupo apesar da cons tante adoção pelas partes de exceções à tarifa comum VAILLANT 2011 CAPARROZ 2012 Ainda que as negociações intrarregionais tenham apresentado desempenho sa tisfatório ao longo de sua existência principalmente quando do início da proposta o MERCOSUL deparase distante de lograr seus fundamentos iniciais Apesar de significativos os avanços comerciais sofrem com a falta de consenso sobre o projeto de desenvolvimento regional Neste sentido acrescenta Barbosa 2008 a falta de consenso no MERCOSUL e os resul tados comerciais insatisfatórios para Paraguai e Uruguai desencadearam uma crescente frustação deste países que já demonstram intenção de flexibilizar as normas para pode rem negociar acordos comerciais paralelamente ao bloco 178 Relativamente à sua estrutura como identificam Diz 2012 e Ruffinelli 2013 em 2012 a formação original do grupo foi desmantelada dada a admissão da Venezuela como integrante pleno da integração junto da suspensão temporária aplicada ao Paraguai observado o impeachment do presidente deste país Apesar do ingresso da Venezuela no MERCOSUL segundo Ruffinelli 2013 ter ocorrido em descumprimento às normas expressas do grupo Cano 2002 e Cervo 2008 avaliam como positiva a inclusão do país no bloco Segundo Cervo 2008 a entrada da Venezuela aprimora o bloco como força política na sua essência econômica e nas oportunidades comerciais gerando assim uma evolução na integração Cano 2002 por sua vez complementa afirmando que com a entrada da Venezuela no MERCOSUL a relação comercial BrasilVenezuela pode se expandir devido ao novo membro ser forte importador de manufaturados o que pode afetar de maneira favorável a indústria brasileira Com o ingresso de seu mais novo membro o MERCOSUL passa a representar em torno de 83 do PIB produto interno bruto da América do Sul compreendendo assim cerca de 70 da população da região BRASIL 2013 Além de possuir certos acordos que projetam a adesão de outras nações ao bloco como Bolívia Chile Colômbia Equador e Peru MENEZES PENNA FILHO 2006 o grupo conta ainda com propostas comerciais extraregionais Barral 2013 ao expor o tema relata a existência de tratados para livrecomércio com Israel válido desde 2010 Egito e Palestina ambos pendentes de ratificação além de acordos de preferências tarifárias com Índia em vigor desde 2009 e Sproposta também pendente de ratificação Além dos atuais es forços de integração o MERCOSUL busca consolidar uma parceria com a União Europeia UE mas que segundo Kegel e Amal 2013 encontrase em morosa negociação Quanto ao ingresso de membros do MERCOSUL em outras integrações econômicas como através da celebração de tratados bilaterais de livrecomércio ressaltase a exis tência de limitadores a tais fins para que um integrante do grupo possa concretizar uma aliança comercial com outra nação são necessárias a aceitação e a participação conjunta do bloco o que para Maldaner 2010 e Baumann 2011 configurase como uma restrição ao desenvolvimento econômico dos países pois condicionaos a decisões e vontades de terceiros Congregando em sua estrutura cinco diferentes países mesmo que limítrofes uns aos outros o MERCOSUL enfrenta certas assimetrias econômicas en tre seus afiliados Consoante Manzetti 19931994 e Maldaner 2010 são consideráveis as divergências entre os membros como os diferentes tamanhos de mercados consumidores e os ní veis de PIB de cada nação assim como os destoantes estágios de industrialização das nações Fonte Amann et al 2014 Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Economia Internacional e Comércio Exterior Jayme de Mariz Maia Editora Atlas Sinopse este livro constitui um manual de orientação e consulta para os que pretendem um envolvimento maior com o comércio exterior Mostra os alicerces básicos da economia internacional importação exportação receitas e despesas de serviços e operações financeiras e aborda diversos aspectos da Economia Nacional REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS AMANN J C et al Brasil e Mercosul aspectos econômicos e a relevância do bloco para o país Revista Estudos do CEPE Santa Cruz do Sul n 39 p107138 janjun 2014 FEIJÓ C A et al Contabilidade Social a nova referência das contas nacionas Rio de Janeiro Elsevir 2013 VASCONCELLOS M A S Economia micro e macro São Paulo Atlas 2011 REFERÊNCIAS ONLINE 1Em httpwwwmdicgovbrcomercioexteriorestatisticasdecomercioexte riorbalancacomercialbrasileirasemanal Acesso em 22 jun 2017 2Em httpsnacoesunidasorgconheca Acesso em 23 jun 2017 3Em httpwwwoitbrasilorgbrcontentapresentaC3A7C3A3o Acesso em 19 jun 2017 4Em httpwwwitamaratygovbrptBRpoliticaexternadiplomaciaeconomica comercialefinanceira119fundomonetariointernacional Acesso em 19 jun 2017 5Em httpwwwbcbgovbrg20 Acesso em 23 jun 2017 6Em httpwwwitamaratygovbr Acesso em 21 jun 2017 180 REFERÊNCIAS 181 GABARITO 1 B 2 a Saldo da Balança Comercial 73000 48000 25000 b Saldo da Balança de Serviços e Rendas 22000 10500 15000 3500 21000 c Saldo em Transações Correntes 25000 23000 3000 5000 d Saldo da Conta Capital e Financeira 10000 5500 10000 500 6000 e Resultado do Balanço de Pagamentos 5000 6000 1000 10000 OBS A coluna Sinal indica se houve entrada ou saída líquida de divisas 3 C 4 A 5 B UNIDADE V Professora Drª Andréia Moreira da Fonseca Boechat ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Objetivos de Aprendizagem Compreender a relação entre economia e o meio ambiente Discutir a teoria do desenvolvimento sustentável Entender a contribuição dos recursos naturais para o crescimento econômico Estudar a eficiência econômica e os mercados Plano de Estudo A seguir apresentamse os tópicos que você estudará nesta unidade Economia e meio ambiente Teoria do desenvolvimento sustentável Contribuição dos recursos naturais para o crescimento econômico Eficiência econômica e mercados INTRODUÇÃO Olá caroa acadêmicoa tudo bem com você Seja muito bemvindoa à quinta e última unidade do livro Economia e Sociedade Neste capítulo iremos discutir um tema bem atual que é meio ambiente mas claro iremos tratar da relação entre a economia e os recursos naturais Em outras palavras o enfoque nesta unidade será nas questões ambientais decorrentes do uso indiscriminado dos recursos pois conforme discutimos na Unidade I os recursos produtivos ou fatores de produção são escassos ou seja limitados só que as necessidades humanas não têm limites as pessoas desejam muitas coisas O problema é que se não cuidarmos do meio ambiente hoje no futuro não teremos mais como produzir os recursos que hoje são escassos vão acabar de vez Assim é fundamental pensarmos em desenvolvimento sustentável Para que nosso objetivo seja atingido de maneira eficiente utilizaremos os fundamentos da teoria microeconômica estudados na Unidade II portanto caso tenha alguma dúvida principalmente sobre o funcionamento da Lei Oferta e Demanda retome à Unidade II e tire dúvidas com seu tutor antes de iniciar o estudo deste quinto capítulo ok A Unidade V está dividida em quatro seções Na primeira iremos compreender a relação entre a economia e o meio ambiente e como as relações entre empresas e consumidores afetam a natureza Em outras palavras sabemos que para produzir são necessários recursos muitos desses recursos são oriundos do meio ambiente que após a produção e consumo retornam à natureza na forma de resíduos que podem poluir Na segunda seção discutiremos a teoria do desenvolvimento sustentável Você verá que é fundamental preservarmos a natureza e também que existem duas correntes principais que procuram explicar a relação da produção com os recursos naturais que são a economia ambiental e a economia ecológica Na seção três o foco será entender a contribuição dos recursos naturais para o crescimento econômico para isso definiremos e classificaremos os recursos naturais em renováveis e não renováveis Por último estudaremos a eficiência econômica e os mercados Porém verificar a eficiência na prática não é tarefa fácil pois é muito subjetivo mas procuraremos quantificála Veremos tam bém como as relações do mercado afetam a eficiência e claro o meio ambiente Preparadoa Bons estudos e um forte abraço Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 185 ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 186 ECONOMIA E MEIO AMBIENTE Estamos vivendo um momento no qual é preciso que a sociedade entenda e aceite que a natureza deve ser protegida e os recursos oriundos da terra preservados para assim poder continuar se desenvolvendo economicamente Porém a adequação das pessoas na nova forma de se relacionar com a natureza não é uma tarefa rápida e fácil Infelizmente ainda estamos aprendendo sobre o meio ambiente e o com portamento do mercado e principalmente na relação entre os dois elementos A contribuição das ciências econômicas para o processo aprendizagem é pro ver ferramentas analíticas que ajudam a explicar as interações entre economia mercado e meio ambiente Além disso cabe à economia explicar as implicações dessa relação e as oportunidades de soluções reais Um dos maiores encantamentos da teoria econômica é que ela consegue expli car de forma lógica o que vemos no mundo real Por exemplo a microeconomia explica o comportamento dos consumidores e empresas e as decisões que defi nem o mercado e essa mesma lógica de análise são utilizadas para compreender os problemas ambientais os motivos que tais problemas acontecem e o que pode ser feito para amenizar ou solucionar os impactos Um grande problema ambiental é a poluição que surge das decisões dos consumidores e das empresas sobre consumo e produção Em outras palavras ao produzir e ao consumir os agentes econômicos utilizam os recursos naturais oferecidos pelo planeta e essas atividades geram os chamados subprodutos que muitas vezes contaminam o meio ambiente A realidade suprema do nosso tempo é a vulnerabilidade do nosso planeta Scott J Callan Janet M Thomas Economia e Meio Ambiente Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 187 Com minha explicação você pode inferir que as decisões fundamentais que orientam a atividade econômica estão diretamente conectadas aos proble mas ambientais CALLAN THOMAS 2016 Para ilustrar melhor a relação os mesmos autores apresentam um modelo elementar de atividade econômica o modelo do fluxo circular que podemos visualizar na Figura 1 Mercado de produtos Mercado de fatores Famílias Empresas Ofe rta de be ns e s er vi ç o s D e m an da p or be ns e se rviç os Despesas Custos Receitas Receitas Figura 1 Modelo de fluxo circular Fonte Callan e Thomas 2016 p 5 Analisando a figura percebemos que é um fluxo circular simples composto por dois agentes econômicos que são as famílias e as empresas e dois mercados o mercado de produtos e o mercado de fatores As famílias ofertam recursos mão de obra no mercado de fatores e recebem receita que são os salários Com os salários compram bens e serviços no mercado de produtos e em troca rece bem as mercadorias compradas Do lado direito temos as empresas que demandam recursos que podemos falar que são mão de obra no mercado de fatores e em troca tem um custo que é o pagamento dos salários Além disso ofertam bens e serviços no mercado de produtos e recebem receitas pela venda destes fazendo girar a economia ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 188 Porém o modelo de fluxo circular tem um problema quando falamos do meio ambiente O modelo não mostra explicitamente a relação entre a ativi dade econômica que vimos e o meio ambiente Para compreender essa relação precisamos analisar o chamado fluxo do balanço de materiais na Figura 2 que insere o modelo do fluxo circular em um esquema amplo e interliga a tomada de decisão econômica com o meio ambiente Mercado de produtos Natureza Mercado de fatores de produção Famílias Empresas Figura 2 Modelo do Balanço de Materiais Fonte Callan e Thomas 2016 p 7 Analisando a Figura 2 podemos perceber que existe um único elemento a mais do que no fluxo circular que é a natureza na parte de cima da figura com esse elemento a mais novas conexões são feitas por meio do fluxo de mate riais ou de recursos naturais que irão se deslocar da natureza para a economia parte de baixo da figura Esse fluxo demonstra como a atividade econômica explora o estoque de recursos naturais tais como solo água minerais entre outros Essa é a ideia da chamada economia dos recursos naturais que dis cutiremos mais para frente Economia e Meio Ambiente Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 189 A segunda conexão é oposta a relação é da economia para o meio ambiente ou seja o que a natureza recebe da atividade produtiva Esse retorno é feito via subprodutos ou resíduos por exemplo gases liberados na atmosfera O que ini cialmente não há problema pois a natureza absorve esses gases pela capacidade de assimilação ambiental porém no longo prazo a natureza perde essa capaci dade Essa é uma preocupação da economia ambiental que discutiremos depois Agora é possível atrasar o lançamento dos resíduos ao meio ambiente Sim é possível por meio de três instrumentos recuperação reciclagem e reutiliza ção Certamente você já ouviu cada um deles mas vamos relembrálos A recuperação como o próprio nome diz é a ação de recuperar um pro duto para que possa ser novamente utilizado com a mesma função de antes Já a reciclagem está relacionada a transformar um resíduo em produto novo como exemplo papel vidros e plásticos que passam por novos processos e se transfor mam em outros produtos E por último a reutilização é quando o produto passa a ter outro uso mas sem se transformar em outro produto como papel usado para impressão pode se transformar em rascunho do lado que não foi utilizado Quando falamos no modelo do balanço de materiais não podemos deixar de discutir duas leis essenciais a Primeira Lei da Termodinâmica e a Segunda Lei da Termodinâmica A primeira lei afirma que matéria e energia não podem ser criadas e nem destruídas ou seja no longo prazo o fluxo de materiais e de ener gia extraído da natureza na forma de consumo e de produção deve ser igual ao fluxo de resíduos gerados que retornam ao ecossistema Em outras palavras uma matériaprima utilizada na atividade econômica será convertida em outro tipo de matéria e energia como emissão de monóxido de carbono e assim nada é perdido apenas transformado Você e sua família tem o hábito de separar o lixo Por quê ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 190 Já a segunda lei da termodinâmica define que a capacidade da natureza em converter matéria e energia não é ilimitada portanto chega a um ponto que o ecossistema não consegue mais transformar a matéria e a energia além disto parte da energia se torna inutilizável durante a conversão da matéria E qual é a prática dessas leis Segundo Callan e Thomas 2016 é preciso reconhecer que todo e qualquer recurso transformado pela atividade econô mica termina em resíduo e tem potencial para degradar o meio ambiente Esse processo pode até ser retardado via recuperação dos materiais mas não será interrompido Além disso a natureza nem sempre conseguirá converter recur sos em outras formas de matéria e energia Com essas conclusões chegamos as causas dos problemas ambientais OS DANOS AMBIENTAIS Quando discutimos a interrelação entre economia e o meio ambiente não pode mos deixar de falar nos danos causados por essa combinação que são danos ambientais Assim a economia ambiental procura identificar e resolver os pro blemas dos danos ambientais ou como podemos resumir da poluição que é o principal dano ambiental associado ao fluxo de resíduos O que é poluição Poluição pode ser definida de diversas formas mas Callan e Thomas 2016 afirmam que genericamente é a presença de matéria ou energia cujas natureza localização ou quantidade causam efeitos considera dos indesejados ao meio ambiente Assim os danos ambientais podem ser causados por poluentes naturais que são originários na própria natureza como é o caso de partículas de erupções vulcânicas névoa salina e pólen e por poluentes antropogênicos que são resul tantes da ação do homem além de todos os resíduos associados ao consumo e à produção resíduos químicos gerados a partir de certos processos industriais Economia e Meio Ambiente Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 191 Após a identificação do dano ambiental é preciso determinar as fontes respon sáveis pelo dano já que podem ser lançadas de diversas formas por exemplo dos automóveis aterros sanitários área agrícola entre outros Como as fontes são inúmeras precisamos classificálas por categorias amplas Essa classificação dependerá do ambiente ou seja água ar ou solo e assim podemos agrupar as fontes de poluição em dois tipos de acordo com sua mobilidade que é subdi vidida em estacionária e móvel ou pela sua identificabilidade que será pontual ou não pontual Vamos analisar o Quadro 1 para entender melhor as caracterís ticas de cada tipo de fonte de poluição Quadro 1 Fontes de poluição FONTES AGRUPADAS POR MOBILIDADE Tipo Descrição Exemplos Estacionária Uma fonte geradora de polui ção em um local fixo Usinas termelétricas que queimam carvão estações de tratamento de água e esgoto unidades de produção indus trial Móvel Qualquer fonte nãoestacioná ria de poluição Automóveis caminhões aeronaves FONTES AGRUPADAS CONFORME IDENTIFICABILIDADE Pontual Qualquer fonte individual de onde são liberados poluentes Chaminé de fábrica cano de esgoto um navio Nãopontual Uma fonte que não pode ser precisamente identificada e degrada o meio ambiente de forma difusa e indireta sobre extensa superfície Deflúvios superficiais agrícola e urbano Fonte Callan e Thomas 2016 p 10 Qual dos dois tipos de poluentes naturais ou antropogênicos são os mais preocupantes para a economia ambiental ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 192 Analisando o quadro verificamos que as fontes podem ser agrupadas por mobi lidade nesse caso serão fontes estacionárias como as usinas termelétricas que queimam carvão classificadas dessa forma por estarem localizadas em um local fixo Podem ser classificadas também como móveis que são as fontes que se locomovem como os automóveis Já as fontes agrupadas pela identificabilidade podem ser pontuais quando apenas uma única fonte libera os poluentes como o cano de esgoto ou não pontuais nesse caso são fontes que são difíceis de serem identificadas como os deflúvios agrícolas Agora que você conhece as fontes de poluição podemos discutir sobre a exten são dos danos ambientais pois apesar da degradação ambiental estar presente no mundo inteiro existem alguns tipos de poluição que têm efeitos limitados a um único local enquanto outros afetam uma área maior Assim Callan e Thomas 2016 classificam a extensão dos danos ambientais em Local referese à degradação ambiental que não se expande a grandes distâncias da fonte poluidora impactando apenas uma pequena área Porém apesar da extensão ser pequena o dano pode ser enorme por exemplo o chamado smog urbano que é a mistura da umidade do ar com poluição atmosférica que visivelmente é uma nuvem amarela espessa e está presente em cidades como Pequim Los Angeles Cidade do México e cidade de São Paulo Para você ter uma ideia do tamanho do problema vamos analisar a Figura 3 Economia e Meio Ambiente Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 193 0 20 40 60 80 100 120 140 Nova YorkNewark Los Angeles Londres Madri Cidade do México Tóquio Berlim Paris Pequim Toronto São Paulo Dióxido de nitrogênio Dióxido de enxofre Material perticulado Figuras 3 Poluentes que contribuem com a poluição urbana do ar nas grandes metrópoles Fonte Callan e Thomas 2016 p 11 Outro exemplo de poluição local é a poluição com resíduos sólidos que é a polui ção oriunda de práticas inadequadas de manejo dos resíduos como chumbo e mercúrio que podem poluir o solo e os mananciais de água Regional são as poluições que estão distantes da fonte geradora como a deposição ácida ou chuva ácida que surgem dos componentes ácidos que se misturam com outras partículas e caem no solo como neblinas neve ou chuva Global são as poluições que afetam uma enorme extensão e é bem difícil de controlar pois os riscos estão distribuídos e é necessária uma coope ração internacional que encontre soluções Dois exemplos desse tipo de dano ambiental são o aquecimento global ou efeito estufa e a redução da camada de ozônio O primeiro ocorre quando a irradiação solar ao retor nar de volta ao ar carrega os gases do efeito estufa como o dióxido de carbono Para melhor compreensão dessa afirmativa analise a Figura 4 ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 194 Terra Radiação IV Luz visível do Sol Moléculas de gás Estufa Redirecionamento do IV para a Terra Redirecionamento do IV para o espaço Figura 4 Esquema do funcionamento do efeito estufa Fonte Mozeto 2001 online1 Os principais impactos do efeito estufa são as mudanças climáticas drásticas no qual áreas frias se tornam quentes áreas úmidas se tornam secas etc aumento significativo na incidência de grandes tempestades furacões e tornados redu ção de espécies de fauna e flora elevação global de temperatura e do nível dos oceanos em decorrência do derretimento das calotas de gelo A camada de ozônio protege o planeta Terra dos raios ultravioletas quando ela é reduzida há enfraquecimento do sistema imunológico humano aumenta o risco de câncer de pele e atinge todo o ecossistema sendo causada pelos produtos químicos que contém clorofluorcarbonetos que são utilizados em ar condicio nados embalagens isolantes etc Economia e Meio Ambiente Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 195 Com base em todas as nossas discussões até agora podemos afirmar que esses problemas ambientais estão presentes em todos os países do mundo e por isso alguns objetivos ambientais precisam ser muito bem definidos e debatidos Assim segundo Callan e Thomas 2016 atualmente existem três objetivos ambientais globais qualidade ambiental que está relacionado à redução da contaminação antropogênica a um nível aceitável desenvolvimento sustentável que é a gestão dos recursos planetários de forma que qualidade e abundância sejam asseguradas para as futuras gerações e biodiversidade que referese à variedade de espécies distintas sua variabilidade genética e a diversidade dos ecossistemas que habitam O meio ambiente impacta em todos os mercados econômicos incluindo do mercado de trabalho Assim leia o artigo Desenvolvimento sustentá vel e meio ambiente análise dos impactos sobre o mercado de trabalho no Brasil 19952001 este tem dois objetivos O primeiro é apresentar os limites e impactos da promoção do desenvolvimento sustentável sobre o meio ambiente e o sobre o mercado de trabalho e o segundo será discutir a dinâmica do emprego vinculada às questões ambientais no Brasil O artigo está disponível no link httpwwwecoecoorgbrconteudopublicacoes encontrosvienartigosmesa5DesenvolvimentoSustentavelMeioAm bientepdf Fonte a autora ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 196 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Como discutimos na Unidade III do nosso livro didático existem duas linhas principais que procuram definir e estudar o desenvolvimento econômico A pri meira linha dos economistas clássicos afirma que crescimento e desenvolvimento econômico são conceitos similares e uma nação ao crescer economicamente irá automaticamente se desenvolver A segunda linha de pensamento não concorda e defende que um país pode crescer economicamente mas sem se desenvolver como o mundo real mostra Porém para esses pensadores crescimento é uma condição essencial mas não suficiente para haver desenvolvimento econômico Quando falamos em desenvolvimento sustentável estamos nos referindo mais à segunda linha já que conforme discutido a preservação ambiental é uma condição para o desenvolvimento econômico e para preservar a natureza nada melhor do que pensarmos no desenvolvimento sustentável Mas por que Como afirmam Callan e Thomas 2016 embora crescimento eco nômico seja um resultado favorável no longo prazo há implicações como sugere o modelo do balanço de materiais que discutimos no Tópico 1 desta unidade Assim encontrar o equilíbrio entre crescimento econômico e preservação dos recursos naturais não é uma tarefa fácil mas é o objetivo do desenvolvimento sustentável Segundo Romeiro 2010 desenvolvimento sustentável é um conceito relativamente novo que surgiu no início da década de 70 com o nome de ecode senvolvimento No tradeoff entre crescimento econômico e meio ambiente ele pode surgir de discussões sobre o reconhecimento do progresso técnico como uma condição para eliminar a pobreza e as diferenças sociais O que é desenvolvimento sustentável é aquele que atinge as necessidades atu ais sem comprometer as necessidades das futuras gerações Pela definição usual você conseguiu perceber que a ideia do desenvolvimento sustentável considera o dever com relação às gerações futuras sempre respeitando os limites da natureza Podemos definilo de outra maneira que é a satisfação das presentes necessidades e aspirações do homem sem que se reduza a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas necessidades Outra definição de desenvolvimento susten tável pode ser aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem suas necessidades Teoria do Desenvolvimento Sustentável Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 197 Como você viu as definições de desenvolvimento sustentável são muito parecidas sempre levam em consideração as necessidades das futuras gerações Porém surgem algumas dúvidas que não têm respostas corretas tais como quais seriam as carências da geração atual Com certeza diferenciase por nação reli giosidade classe social região de moradia etc E das futuras gerações elas ainda não existem são somente suposições do que poderiam ser feitas e quais seriam as suas eventuais necessidades Contudo o desenvolvimento sustentável aponta para duas situações tornase fundamental para a sua sustentabilidade atender às necessidades das pessoas ao mesmo tempo em que não se comprometa a qua lidade da geração vindoura Com base em nossas discussões até aqui podemos afirmar que existem dois eixos fundamentais para o Desenvolvimento Sustentável a conquista de um modelo de bemestar econômicosocial coerente e adequado equitativamente distribuído e Usufruir do capital natural de forma a garantir a integridade eco lógica o que constitui seu uso racional intertemporal A partir desses dois eixos surgem três objetivos do desenvolvimento sustentável Progresso da qualidade de vida garantir a satisfação de suas neces sidades essenciais como alimento energia água e saneamento básico Equidade social garantir iguais oportunidades aos sujeitos de uma socie dade a serviços como educação saúde justiça entre outros Harmonia na exploração do meio natural entre os povos presentes e futuros garantir a manutenção de padrão tecnológico que respeite os limites da sustentabilidade ecológica em relação ao uso racional do capi tal natural pelo processo produtivo e aos efeitos ambientais gerados por esse processo ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 198 Social Econômico Ambiental Desenvolvimento Sustentável Figura 5 Dimensões do desenvolvimento sustentável Fonte a autora Conforme podemos ver na Figura 5 o desenvolvimento sustentável engloba três dimensões a econômica a social e a ambiental a interrelação dessas dimensões é a condição para haver desenvolvimento sustentável No âmbito econômico os processos de produção e consumo envolvem a questão do desenvolvimento econômico Na questão social a preocupação é com o bemestar humano e a qualidade de vida por último temos a área ambiental em que a preocupação central é deteriorar o mínimo possível a natureza e seus recursos O debate econômico do meio ambiente surge em duas correntes que são a economia ambiental e a economia ecológica ou do meio ambiente A pri meira referese ao chamado mainstream neoclássico que acredita que os recursos naturais não representam a longo prazo um limite para a economia ou seja inicialmente os recursos naturais não são considerados nas represen tações analíticas da realidade econômica e a função de produção é composta apenas por capital e trabalho O foco da economia ambiental é a externalidade negativa da produção sobre o capital natural Para analisar a externalidade é preciso considerar o Valor mone tário da externalidade que está relacionado à produção sacrificada disposição a pagar e a Política macroeconômica para atingir o ótimo de poluição e social Teoria do Desenvolvimento Sustentável Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 199 Já a visão ecológica leva em consideração os recursos naturais e afirma que assim como o capital são elementos essenciais e complementares para a produ ção Além disso o progresso técnico é fundamental para melhorar a eficiência na utilização dos recursos naturais renováveis e não renováveis Em outras palavras a questão fundamental da corrente ecológica é analisar a economia considerando que existem limites para os recursos A economia ecológica procura analisar os fundamentos biofísicosecoló gicos que regulam o sistema natural sustentando o sistema econômico tendo como fundamento as leis de termodinâmica e seus implicações O que é termodinâmica A termodinâmica estuda as relações entre energia calor trabalho e segue duas leis a Lei da conservação da matéria que estabe lece que as quantidades de matéria e energia do universo são constantes não podendo ser criadas ou destruídas e a Lei da entropia que está relacionada à segunda lei da termodinâmica e afirma que nem toda energia pode ser transfor mada em trabalho pois uma fração sempre se dissipa em calor Assim a lei da conservação da matéria somada a Lei da entropia afirmam que a quantidade de matéria e de energia são constantes mas são passíveis de mudanças não criadas ou destruídas em função do grau de entropia presente dos possessos Com isso o sistema econômico vigente sofre um processo de aumento de entropia Porém a vida econômica se alimenta de energia e maté ria de baixas entropias gerando o sistema econômico é perpétuo subprodutos de resíduos de alta entropia Com base no exposto o objetivo da economia ecológica é compreender as questões detalhadas que envolvem os subsistemas econômicos e se preocupa com o ciclo produtivo na sua extensão já que a oferta de bens e serviços é finita e portanto existe uma limitação para o crescimento econômico Se a limitação da oferta de bens e serviços é uma limitação ao crescimento econômico qual é a solução de acordo com a economia ecológica A utilização dos recursos naturais renováveis não deve ser superior à taxa de reposição desses recursos no meio ambiente Assim os recursos não reno váveis deverão ser utilizados a uma taxa inferior à sua reposição por recursos renováveis no meio ambiente de forma que a geração e o despejo de resíduos não exceda capacidade de suporte do capital natural ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 200 Para melhor compreensão da relação das correntes ambientais e ecológicas com a economia e os recursos naturais vamos analisar a Figura 6 Economia Economia Economia RN RN Figura 6 Economia com e sem recursos naturais Fonte Romero 2010 p 8 Analisando a Figura 6 podemos visualizar três relações entre a economia e os recursos naturais RN No primeiro momento à esquerda existe apenas a econo mia que funciona sem os recursos naturais já que os bens são livres e poderiam ser interpretados como um presente da natureza No momento dois os recursos naturais começam a aparecer nas representações gráficas da função produção com preocupação com bens públicos e questões sociais Porém o sistema eco nômico é visto como algo grandioso e mesmo que faltem recursos naturais não haveria impacto no sistema já que ele é maior do que a natureza portanto é o que defende a economia ambiental No terceiro momento temos a visão ecológica no qual a economia depende dos recursos naturais tanto que as setas estão em direção dos recursos naturais para a economia e não ao contrário como no momento anterior Assim há limite para o crescimento econômico que são os recursos naturais e por esse motivo é preciso que a sociedade mude a postura frente aos recursos naturais de forma a evitar os impactos ambientais Teoria do Desenvolvimento Sustentável Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 201 SUSTENTABILIDADE Ao discutirmos desenvolvimento sustentável é fundamental discutir o tema sustentabilidade Nesse sentido Cavalcanti 2001 afirma que existem dois para digmas principais de sustentabilidade o desenvolvimento na visão econômica que classifica a natureza como um bem de capital e portanto a sustentabilidade é algo ambiental e o outro paradigma que procura romper com a dominação do discurso econômico e defende a sustentabilidade como algo ético Apesar das correntes econômicas auxiliarem os modelos matemáticos que gerem os recursos naturais a prática da sustentabilidade não é fácil e ainda é um grande desafio para a sociedade mundial mas o que é sustentabilidade Sustentável é algo que pode ser mantido ou seja é a capacidade que o ecossistema tem para enfrentar os desequilíbrios externos sem comprometer suas funções De outra forma sustentável é aquilo que tende a ser preservado No estudo da ecologia o ecossistema possui algum grau de sustentabilidade que é a disposição do ecossis tema de confrontar distúrbios externos sem danificar seu funcionamento Em termos econômicos a sustentabilidade surge do debate sobre susten tar o crescimento no longo prazo considerando a função de produção capital e recursos naturais Assim existem os chamados Princípios da Sustentabilidade tais com a energia solar a biodiversidade e a ciclagem química Interligados esses três princípios da sustentabilidade auxiliam no conhecimento da natureza e sustentam uma grande heterogeneidade de vida na terra por bilhões de anos E você se identifica com qual das duas correntes economia ambiental ou economia ecológica ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 202 Assim a questão da sustentabilidade aparece no debate econômico em como promover o crescimento econômico quando a produção depende do capital e o capi tal natural Nesse sentido os economistas neoclássicos defendem que para existir integridade e equidade entre as futuras gerações o consumo por pessoa necessitaria ser constante ou crescente a longo prazo e o acúmulo de capital deveria ser cons tante diferentemente da corrente da economia ecológica que afirma que existe uma controvérsia do capital que são a sustentabilidade fraca e a sustentabilidade forte A primeira sustentabilidade fraca significa que o capital total deve ser constante não importando como é realizada a classificação entre capital natural exaurível e o reprodutível Por exemplo a troca de uma reserva florestal por um parque fabril não é um problema desde que ambos tenham a mesma valoração pois ocasionaria somente em uma troca de um capital por outro Já a sustentabilidade forte indica que o capital natural tem como característica a complementaridade e não a substituibilidade pelo capital produtível ou seja o capital natural para ser sustentável deverá ser constante ao menos em determinada fração Assim o capital possui três finalidades que é prover recursos ao sistema produtivo absorver os detritos causados pelo consumo e produção fornecer as condições necessárias que possibilitam a vida no planeta tais como o clima e o oxigênio Então conservar os recursos naturais é muito importante pois eles são fundamentais para a manutenção da vida CONTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS PARA O CRESCIMENTO ECONÔMICO Até agora nossas discussões giraram em torno da compreensão da relação entre a economia e o meio ambiente e também da teoria do desenvolvimento sus tentável ou seja falamos muito nos recursos naturais como entrave ou não dependendo da corrente de desenvolvimento sustentável a ser seguida para o crescimento econômico Contribuição dos Recursos Naturais Para o Crescimento Econômico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 203 Agora iremos entender a contribuição dos recursos naturais para esse cresci mento econômico que é um dos principais objetivos da economia de uma nação e também porque estudar a relação entre os recursos naturais e a economia é de suma importância pois estamos discutindo a sustentabilidade Para isso é pre ciso compreender os recursos naturais o que são e como podem ser classificados Em um passado bem distante a natureza exercia papel principal e essen cial para o homem pois era ela que fornecia os alimentos assim as pessoas somente extraiam os alimentos fornecidos não haviam modificação do ecossis tema Quando o fogo passou a ser controlado pelo homem o ecossistema passou a ser manejado mas não alterado Até que a agricultura foi inventada e o ecossistema original foi sendo modi ficado mas não ao ponto de prejudicar a natureza ou acabar com os recursos naturais Só que no século XVIII mais exatamente a partir de 1760 novos pro cessos de manufaturas surgiram dando início à chamada Revolução Industrial e o processo dos grandes danos ambientais Assim os recursos naturais que antes eram abundantes passaram a se tornar limitados a natureza começou a sofrer as consequências da produção e do consumo desenfreados e os recursos natu rais foram extraídos e exauridos RECURSOS NATURAIS Os recursos naturais são na maior parte bens livres e podem ser definidos como tudo aquilo que é necessário para as pessoas e estão disponíveis na natureza Os recursos naturais podem ser classificados em dois tipos segundo a capacidade de recomposição de um recurso ao longo do tempo a Recursos naturais renováveis são os recursos compatíveis com o hori zonte de vida do homem ou seja os recursos renováveis se atualizam com o tempo e teoricamente não acabam Teoricamente porque se forem utilizados de forma indiscriminada podem se tornar não renováveis e por isso precisam ser preservados e utilizados com muito cuidado Solo ar água fauna e flora são exemplos de recursos renováveis ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 204 Dentro dos recursos renováveis é possível subdividilo em grupos que são os renováveis de dispersos e de difícil captura como a energia solar os sujei tos a extinção como as plantas e animais e os sujeitos a degradação por manejo inadequado como o solo e a água A degradação ambiental dos recursos reno váveis pode ser vista na Figura 7 Degradação do capital natural Degradação de recursos naturais normalmente renováveis Mudanças climáticas Poluição do ar Erosão do solo Redução das forestas Diminuição dos hábitats silvestres Declínio dos pesqueiros oceânicos Poluição da água Extinção de espécies Esgotamento dos aquíferos Figura 7 Degradação do capital natural Fonte Miller e Spoolman 2012 p 13 A Figura 7 mostra alguns exemplos de degradação do capital natural como a poluição do ar e da água erosão do solo mudanças climáticas redução das flo restas e dos animais silvestres entre tantos outros exemplos b Recursos naturais não renováveis são os recursos que necessitam de muito tempo eras geológicas para se formarem ou seja somente nossos tata ranetos irão ter acesso novamente a esse tipo de recurso Em outras palavras os recursos não renováveis que também são chamados de exauríveis podem ser esgotados ou limitados muito facilmente pois o processo de renovação é muito lento Petróleo gás natural e carvão mineral são exemplos de recursos não renováveis Eficiência Econômica e Mercados Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 205 Além disso eles podem ser agrupados em dois grupos recursos exauríveis como os minerais e os recursos esgotáveis e não renováveis como o petróleo Nesse sentido é importante diferenciar os recursos economicamente apro veitáveis dos que estão dispersos para isso é preciso compreender os conceitos de reserva recursos e recursos hipotéticos A reserva mineral requer alguma medição física sobre a quantidade da concentração mineral e a verificação de viabilidade da extração do ponto de vista tecnológico Já o recurso não possui o mesmo grau de detalhamento apesar de que sua existência seja conhecida Em relação aos recursos hipotéticos eles são uma mistura de recursos conhe cidos e não conhecidos mas que são possíveis de encontrar na crosta terrestre EFICIÊNCIA ECONÔMICA E MERCADOS De acordo com o modelo do balanço de materiais os problemas ambientais estão ligados à forma como o mercado funciona ou seja as decisões dos consumido res e empresas afetam a quantidade e qualidade dos recursos naturais Assim é Para compreender na prática como os recursos naturais podem impulsionar o crescimento econômico de uma nação leia o artigo Crescimento econô mico impulsionado por recursos naturais uma nota sobre a experiência de Botsuana O artigo apresenta como Botsuana conseguiu disparar o cresci mento econômico graças aos recursos naturais disponíveis Para ler o arti go acesse ao link httpwwwscielobrscielophpscriptsciarttextpi dS010131572010000200009 Fonte a autora ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 206 preciso compreender como as atividades de mercado geram resíduos poluentes que afetam o mercado e como podemos solucionar tais problemas ambientais A poluição é considerada uma falha de mercado e por esse motivo é preciso buscar modelos de falha de mercado para analisar o problema e identificar pos síveis soluções Para isso utilizaremos os conceitos da teoria microeconômica estudados na Unidade II do nosso livro didático principalmente a famosa Lei Oferta e Demanda para compreender o funcionamento do mercado Lembrese mercado é o local em que há interação entre consumidores e produtores objeti vando a troca de um produto bem definido CALLAN THOMAS 2016 Caroa acadêmicoa caso tenha alguma dúvida sobre os conceitos microeconômicos retorne à Unidade II e tire dúvidas com seu tutor antes de continuar Como nosso foco nesta seção é a eficiência econômica precisamos compre ender eficiência Um dos critérios da análise econômica que trata da alocação apropriada de recursos entre usos alternativos chamase eficiência alocativa e outro critério que está preocupado com a economia dos recursos usados na pro dução chamase eficiência técnica Vamos conhecer cada um deles a Eficiência alocativa o modelo de balanço de materiais ilustra que a forma como o mercado utiliza os recursos é crítico tanto da produção e do consumo quanto para o meio ambiente Porém para avaliar a alocação de recursos é pre ciso utilizar segundo Callan e Thomas 2016 um procedimento que envolve dois elementos a avaliação de custos e benefícios e o uso de análise marginal Para compreender esses dois vamos analisálos juntos Vamos lá Mercados competitivos são considerados os ideais do ponto de vista econô mico e é a estrutura de mercado padrão ou seja todas as demais monopólio concorrência monopolística e oligopólio são analisadas a partir dos mercados concorrenciais Nesse tipo de mercado quando a demanda for igual a oferta há equilíbrio mas o que significa isso em termos de alocação de recursos Os preços ao longo da curva de demanda são medidas de benefício marginal ou seja cada preço de demanda mostra o valor que os consumidores dão a uma unidade a mais de um produto qualquer que é termo marginal isso mesmo é a mesma ideia da utilidade marginal que vimos na Unidade II E do lado da oferta Nesse caso os preços são medidas de custo econômico Segundo Callan e Thomas 2016 a razão da oferta de mercado em um mercado competitivo ser Eficiência Econômica e Mercados Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 207 a soma horizontal das curvas de custo marginal das empresas representa para cada preço de oferta um custo adicional dos recursos necessários à produção de outra unidade a mais daquele bem Segundo os mesmos autores no equilíbrio competitivo o valor que a socie dade atribui ao bem é igual ao valor dos recursos sacrificados na produção desse mesmo bem Isto é benefício marginal é igual ao custo marginal e essa igual dade assegura que a eficiência alocativa seja atingida Agora vamos compreender a alocação de cursos em nível das empresas Para isso vamos assumir que a tomada de decisão das empresas é movida pelo lucro e que a variável de escolha é o nível de produção quantidade Assim qualquer empresa independentemente das condições competitivas define o seu nível de produção que maximize o lucro Sabendo que lucro é a receita total menos custo total que a receita total é a multiplicação do preço com a quantidade e o custo total é todo o custo fixo e variável da produção as empresas procuram encontrar a quantidade que gere o maior lucro possível e para isso elas tomam suas decisões considerando os benefícios e os custos da produção de cada unidade a mais de produto Então se a empresa observar que se produzir uma unidade a receita total é maior do que o custo total ela irá produzir Por outro lado se o custo total for maior do que a receita total dessa unidade adicional a empresa não irá aumen tar sua produção Essa situação ocorre até o ponto que a variação da receita total seja igual a variação do custo total e o lucro dessa unidade é zero b Eficiência técnica referese às decisões de produção que geram a produção máxima mediante algum estoque de recursos ou decisões de produzir uma certa quantidade usando o mínimo de recursos CALLAN THOMAS 2016 Assim de acordo com o modelo de balanço de materiais os recursos naturais são preserva dos ao atingir a eficiência técnica e com isso a geração dos resíduos é minimizada Além disso os mesmos autores afirmam que dada a relação entre produção e custos a eficiência técnica sugere custos econômicos minimizados na produ ção de determinadas quantidades de produto Assim chegamos ao final da Unidade V e desse universo tão fascinante que é a economia do meio ambiente ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 208 CONSIDERAÇÕES FINAIS Olá caroa acadêmicoa chegamos ao final da quinta e última Unidade do livro Economia e Sociedade Nesta unidade discutimos um tema bem atual e de grande preocupação das sociedades e dos governos de todos ou pelo menos da maioria dos países que é a preservação do meio ambiente Dada essa importância nossa unidade foi dividida em quatro seções Na pri meira compreendemos a relação entre economia e o meio ambiente por meio do chamado Modelo de Balanço de Materiais que mostra a relação entre os consu midores consumo e as empresas produção com a natureza Na segunda seção discutimos a teoria do desenvolvimento sustentável no qual vimos a necessidade de se desenvolver hoje mas preservando a natureza para que as futuras gerações também consigam sobreviver Para que isso seja possível preci samos trabalhar com três dimensões a econômica social e ambiental Nessa seção vimos também que existem duas correntes econômicas que estudam o desenvol vimento sustentável que é a economia do meio ambiente e a economia ecológica No Tópico três entendemos como os recursos naturais contribuem para o crescimento econômico ou seja é impossível crescer economicamente se não preservarmos os recursos naturais Esses recursos podem ser classificados como recursos renováveis e recursos não renováveis Porém independentemente se os recursos são ou não renováveis é preciso preserválos E para finalizar a unidade estudamos a eficiência econômica e os mercados ou seja como os mercados competitivos podem ser eficientes de forma aloca tiva ou técnica Assim finalizamos nossa disciplina espero que eu tenha conseguido desper tar em você o interesse pelas ciências econômicas e como essa ciência faz parte de todas as decisões pessoais e profissionais das nossas vidas Lembrese qual quer dúvida procure seu tutor Um forte abraço 209 1 Vieira 1986 apud Bitar Fornasari Filho Vasconcelos 1990 afirma que o termo meio ambiente inclui dimensões econômicas culturais e de segurança além do ambiente físico e ecológico Porém a medida que a sociedade se transformou e novos padrões de consumo surgiram um novo desafio surgiu que foi Marque a alternativa correta a Como se desenvolver economicamente e preservar o meio ambiente b Como crescer e gerar renda sem prejudicar a geração atual c Como crescer e se desenvolver economicamente e ser competitivo d Como ser competitivo no mercado internacional dado os insumos nacionais e Como produzir menos utilizando a mesma tecnologia e aumentar a renda 2 Podemos definir meio ambiente como um conjunto de unidades ecológica que estão incluídos os animais vegetais microrganismos solo rocha ar entre outros que interagem no sistema natural Assim meio ambiente e sistema econômico principalmente o capitalista entram em constante conflito já que os recursos na turais são escassos e não se pode produzir tudo que a população deseja Com base no exposto podemos afirmar que duas variáveis são alteradas constantemente na economia e com isso influenciam a relação com o meio ambiente Quais são as variáveis nas quais o texto se refere Marque a alternativa correta a Produção e consumo b Oferta e demanda c Recursos produtivos e insumos d Trabalho e processo produtivo e Concorrência e direito de propriedade 3 De acordo com Romeiro 2010 o desenvolvimento sustentável é um conceito normativo que surgiu na década de 70 com o nome de ecossistema e pode ser definido como aquele que atinge as necessidades do presente não comprome tendo as necessidades das gerações futuras Para que se tenha desenvolvimento sustentável é preciso considerar três dimensões as quais são Marque a alternativa correta a Social cultural e ambiental b Econômico político e religioso c Nacional monetário e educacional d Educação saúde e segurança e Social ambiental e econômico 210 4 Quando estudamos a relação da economia com o meio ambiente um conceito inicial é a classificação dos recursos naturais pois se a origem de todos os pro blemas econômicos é a escassez precisamos compreender o que e quem são es tes recursos limitados Com base nessa classificação leia as afirmativas a seguir I Energia solar II Solo III Petróleo IV Minerais Das assertivas quais apresentam exemplos de recursos não renováveis Marque a alternativa correta a I e II estão corretas b III e IV estão corretas c II e III estão corretas d I e IV estão corretas e Todas estão corretas 5 A economia ecológica procura compreender as questões detalhadas que en volvam os subsistemas econômicos se preocupando com o ciclo produtivo em toda sua extensão e afirma que a oferta de bens e serviços é finita Com base no exposto marque a alternativa correta que mostra o impacto da limitação da oferta de bens e serviços a Limitação para o crescimento econômico b Fonte de desenvolvimento econômico c Uma forma de preservar o meio ambiente d Um entrave à aplicação de leis ambientais e Torna os produtos orgânicos mais caros 211 Contribuição para o desenvolvimento sustentável dos projetos de Mecanismo de De senvolvimento Limpo na América Latina O esforço para resolver a questão da mudança climática no âmbito das Nações Unidas começou com a Conferência sobre o Meio Ambiente Humano em 1972 Após 20 anos na Cúpula da Terra em 1992 realizada no Rio de Janeiro definiuse uma agenda política internacional para a mudança do clima e o desenvolvimento sustentável face às nego ciações entre outros da Agenda 21 e da ConvençãoQuadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima CQNUMC ou Convenção do Clima A CQNUMC é a base jurídica para a ação internacional em mudança climática Sua gran de importância reside no fato de ter fornecido um objetivo princípios básicos e com promissos Além disso estabeleceu procedimentos e instituições que proporcionam uma estrutura para as atividades políticas e diplomáticas OBERTHÜR HERMANN 1999 VOIGT 2009 Durante a Terceira Conferência das Partes COP 3 da Convenção do Clima surgiu o Pro tocolo de Kyoto PK em 1997 Sua entrada em vigor foi em fevereiro de 2005 e o perí odo de seu primeiro compromisso foi entre 20082012 O Protocolo sendo o primeiro e o mais ambicioso acordo é também um dos instrumentos jurídicos mais ambíguos Muito do seu conteúdo foi considerado como um negócio inacabado OBERTHÜR HERMANN 1999 tanto que se fez necessário fortalecer e ampliar as negociações no âmbito da Convenção do Clima para melhorar as perspectivas de sua implementação Um desses negócios inacabados foi em relação ao período de compromisso estabe lecido em um horizonte de curto prazo de apenas cinco anos 20082012 que deixou para futuras negociações a adoção de um novo período que inicialmente devia ser acor dado em 2009 durante a COP 15 realizada em Copenhague na Dinamarca No entanto essa conferência foi considerada um fracasso pois terminou com uma simples decla ração de intenções e um vazio político BODANSKY 2010 além de muita incerteza no mercado principalmente para os desenvolvedores de projetos de redução de Gases de Efeito Estufa GEE para empreender investimentos pós2012 BENITES 2015a No final de 2012 durante a Décima Oitava Conferência das Partes COP18 realizada em Doha Qatar os países adotaram a Emenda de Doha para o Protocolo de Kyoto concor dando em um segundo período de compromisso que compreende de janeiro de 2013 a dezembro de 2020 UNFCCC 2015a MICHAELOWA 2015 bem como se estabeleceu um plano para negociar um novo acordo pós2020 finalmente alcançado no último de zembro de 2015 durante a COP 21 em Paris França o chamado Acordo de Paris O Acordo de Paris inclui objetivos de longo prazo para limitar as emissões de GEE e é o primeiro aplicável a todos os países Partes da Convenção do Clima diferente do PK que apenas estabeleceu metas obrigatórias de redução para os países desenvolvidos Con tudo esse novo Acordo continua sendo um negócio inacabado por apenas oferecer aspirações para manter o aumento da temperatura média global em 152ºC graus o que ainda precisará ser fortalecido em negociações futuras para se ter metas claras e mecanismos para seu cumprimento 212 No entanto em relação ao mercado se reduzem as incertezas e surgem sinais pro missores ao estabelecer a importância dos mecanismos de mercado para as ações de mitigação tanto para o segundo período do PK até 2020 quanto depois dele no âmbito do Acordo de Paris Os mecanismos de mercado como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo MDL fo ram criados com o PK para ajudar os países a cumprirem com suas obrigações e incenti var o setor privado e para os países em desenvolvimento contribuírem com os esforços na redução de GEE Conforme o artigo 12 do PK o MDL é um instrumento de duas vias projetado para atingir reduções de emissões de GEE e promover o desenvolvimento sus tentável nos países em desenvolvimento TORVANGER et al 2013 ENIIBUKUN 2014 O artigo 12 coloca ênfase na igualdade entre os dois objetivos do MDL não apenas por que ambos se aplicam a países em desenvolvimento mas também porque poderiam ser perseguidos simultaneamente TORVANGER et al 2013 No entanto o MDL tem recebido diversas críticas uma delas referese à sua pouca contribuição para o desenvolvimento sustentável OLSEN 2007 RUTHNER et al 2011 SUBBARAO LLOYD 2011 BENITES 2013 KARAKOSTA et al 2013 FEARNSIDE 2015 En tre as razões apontadas pelos autores está principalmente a falta de incentivos finan ceiros isso porque o desenvolvimento sustentável não tem valor monetário no mercado de carbono e a tendência é priorizar as reduções certificadas de emissões Fonte Lazaro e Gremaud 2017 p 5372 Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Economia Ambiental aplicações política e teoria Scott J Callan e Janet M Thomas Editora Cengage Sinopse o livro Economia ambiental aplicações política e teoria possui grande enfoque em políticas e questões ambientais do mundo contemporâneo Com ele o leitor terá acesso às diversas teorias econômicoambientais em uma abordagem prática e estimulante O livro tem estrutura modular o que não somente torna sua apresentação mais organizada como também permite que professor e aluno tenham flexibilidade de estudo Usando modelagem econômica e ferramentas analíticas cada módulo além de apresentar conceitos e teorias avalia os riscos ambientais associados à resposta política e apresenta uma análise custobenefício das principais legislações e acordos internacionais O texto foi revisado de maneira substancial refletindo mudanças políticas nacionais e internacionais a evolução do ambientalismo empresarial e estudos empíricos recentes Além disso a obra integra a perspectiva de negócios e o desenvolvimento de tomadas de decisões ambientais uma vantagem que é negligenciada no tratamento convencional do assunto A última hora No Documentário online A Última Hora narrado e produzido por Leonardo DiCaprio aborda os desastres naturais causados pela própria humanidade Mostra como o ecossistema tem sido destruído e o que é possível fazer para reverter esse quadro Entrevistas com mais de 50 renomados cientistas e líderes como Stephen Hawking e o expresidente soviético Mikhail Gorbachev ajudam a esclarecer essas importantes questões assim como indicar alternativas possíveis à sustentabilidade Ver um Planeta Dominado por Números Para você ter uma noção da necessidade da sustentabilidade assista ao vídeo Ver um planeta dominado por números O vídeo apresenta por meio de números e estatísticas a situação ambiental mundial que vivemos Acesse ao link httpswwwyoutubecom watchvqkRemXhRsZY REFERÊNCIAS CALLAN S J THOMAS J M Economia ambiental aplicações políticas e teoria São Paulo Cengage Learning 2016 CAVALCANTI C Sustentabilidade da economia paradigmas alternativos de realiza ção econômica In Desenvolvimento e a natureza estudos para uma sociedade sustentável São Paulo Cortez 2001 LAZARO L L B GREMAUD A P Contribuição para o desenvolvimento sustentável dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo na América Latina OS Salvador v 24 n 80 p 5372 JanMar 2017 MILLER G T SPOOLMAN E S Ecologia e sustentabilidade 6 ed São Paulo Cen gage Learning 2012 ROMEIRO A R Economia ou economia política da sustentabilidade In MAY P Eco nomia do meio ambiente teoria e prática 2 ed Rio de Janeiro Elsevier 2010 REFERÊNCIAS ONLINE 1 Em httpqnescsbqorgbronlinecadernos01atmosferapdf Acesso em 22 jun 2017 REFERÊNCIAS GABARITO 215 215 GABARITO 1 A 2 A 3 E 4 B 5 A CONCLUSÃO Olá caroa acadêmicoa chegamos ao final do nosso livro didático da disciplina Economia e Sociedade Você teve a oportunidade de conhecer um pouco sobre esta ciência encantadora que faz parte do nosso dia a dia que é a economia estando apto agora a tomar as melhores decisões Vimos que a economia é dividida em duas grandes áreas de estudo a microecono mia que estuda os agentes econômicos individualmente ou seja famílias e empre sas e claro a relação entre eles é dessa relação que o preço que conhecemos dos bens e serviços é formado e a macroeconomia que estuda as variáveis econômicas no agregado ou seja não há uma preocupação com setores específicos mas sim como a economia como um todo Depois da compreensão das áreas de estudo discutimos dois outros temas que foram a economia internacional e a economia ambiental O primeiro se refere ao estudo da relação entre os países ou seja como você sabe com o mundo globa lizado os países não conseguem mais viver sozinhos então acabam se relacio nando por meio do comércio internacional ou pelas transações não comerciais como as demais nações O segundo tema economia ambiental referese ao estudo da relação entre a eco nomia e o meio ambiente já que o modelo econômico de produção e consumo em massa não é mais viável pois os recursos produtivos são escassos Assim é impor tante produzirmos hoje pensando na produção e consumo das futuras gerações Claro que nesta disciplina apresentei alguns fundamentos das ciências econômicas mas isto não significa que os temas econômicos se esgotam muito pelo contrário você poderá aprofundar seus conhecimentos econômicos sempre pois temos mui tas fontes de pesquisa e áreas de estudo da economia Assim espero que eu tenha conseguido atingir meu maior objetivo que é desper tar em você a curiosidade pela economia e principalmente pelo seu impacto na nossa vida E lembrese qualquer dúvida estamos sempre à disposição Um forte abraço e até a próxima CONCLUSÃO

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ECONOMIA E SOCIEDADE Professora Dra Andréia Moreira da Fonseca Boechat GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ Núcleo de Educação a Distância BOECHAT Andréia Moreira da Fonseca Economia e Sociedade Andréia Moreira da Fonseca Boechat MaringáPr Unicesumar 2017 Reimpresso em 2022 216 p Graduação EaD 1 Economia 2 Sociedade 3 Marketing 4 EaD I Título ISBN 9788545909620 CDD 22 ed 330 CIP NBR 12899 AACR2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza CRB8 6828 Impresso por Reitor Wilson de Matos Silva ViceReitor Wilson de Matos Silva Filho PróReitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva PróReitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Mincof James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pósgraduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo Coordenador de Conteúdo Silvio Cesar de Castro Designer Educacional Aguinaldo José Lorca Ventura Junior Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Editoração Fernando Henrique Mendes Qualidade Textual Helen Braga do Prado Cintia Prezoto Ferreira Ilustração Bruno Cesar Pardinho Em um mundo global e dinâmico nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo não somen te para oferecer uma educação de qualidade mas acima de tudo para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento Baseamonos em 4 pi lares intelectual profissional emocional e espiritual Iniciamos a Unicesumar em 1990 com dois cursos de graduação e 180 alunos Hoje temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil nos quatro campi presenciais Maringá Curitiba Ponta Grossa e Londrina e em mais de 300 polos EAD no país com dezenas de cursos de graduação e pósgraduação Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência com IGC 4 em 7 anos consecutivos Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil A rapidez do mundo moderno exige dos educa dores soluções inteligentes para as necessidades de todos Para continuar relevante a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes inovação coragem e compromisso com a quali dade Por isso desenvolvemos para os cursos de Engenharia metodologias ativas as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária Vamos juntos Seja bemvindoa caroa acadêmicoa Você está iniciando um processo de transformação pois quando investimos em nossa formação seja ela pessoal ou profissional nos transformamos e consequentemente transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos De que forma o fazemos Criando oportu nidades eou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância oa acompanhará durante todo este processo pois conforme Freire 1996 Os homens se educam juntos na transformação do mundo Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontramse integrados à proposta pedagógica con tribuindo no processo educacional complementando sua formação profissional desenvolvendo competên cias e habilidades e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade de maneira a inserilo no mercado de trabalho Ou seja estes materiais têm como principal objetivo provocar uma aproximação entre você e o conteúdo desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá rios para a sua formação pessoal e profissional Portanto nossa distância nesse processo de cresci mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita Ou seja acesse regularmente o Studeo que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem interaja nos fóruns e enquetes assista às aulas ao vivo e participe das dis cussões Além disso lembrese que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliáloa em seu processo de aprendizagem possibilitandolhe trilhar com tranqui lidade e segurança sua trajetória acadêmica AUTORA Professora Dra Andréia Moreira da Fonseca Boechat Possui Doutorado 2016 e mestrado 2011 em Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Maringá graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro 2007 Professora do Centro Universitário Cesumar UniCesumar atuando no ensino presencial e à distância Tem experiência na área de Economia com ênfase em economia industrial agronegócio economia do setor público e políticas públicas atuando principalmente nos seguintes temas defesa da concorrência organização industrial setores agroindustriais e políticas sociais Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional pesquisas e publicações acesse seu currículo disponível no endereço a seguir httplattescnpqbr2752270036354082 SEJA BEMVINDOA Olá caroa acadêmicoa seja muito bemvindoa à disciplina Economia e Sociedade Eu sou a professora Andréia Moreira da Fonseca Boechat bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro mestre e doutora em Economia pela Uni versidade Estadual de Maringá e irei discutir com você um pouco sobre essa área tão fasci nante que é a economia A economia é uma ciência social que estuda as necessidades da população que está pre sente na vida de todas as pessoas sejam físicas ou jurídicas Mesmo que não tenhamos afi nidade com a economia muitas das nossas decisões são tomadas com base em algumas variávelis econômicas assim como todas as decisões do governo por exemplo afetam as nossas vidas Dessa forma um aluno de graduação que irá tomar decisões precisa conhecer os funda mentos da economia já que as empresas seja ela pequena média ou grande estão inseri das no ambiente econômico Então meu objetivo na disciplina é apresentar os fundamen tos da ciência econômica de modo a levar você à compreensão do ambiente econômico e assim poder tomar as melhores decisões Para atingir o objetivo nosso livro didático está dividido em cinco unidades Na primeira iremos discutir os conceitos fundamentais de economia tais como o descrever o significado da economia e explicar os conceitos econômicos fundamentais O conteúdo desta primeira Unidade é fundamental para a compreensão da disciplina como um todo pois são termos e conceitos que dão suporte para a análise econômica A economia é dividida em duas grandes áreas de estudo a microeconomia e a macroeco nômica A microeconomia estuda os agentes econômicos individuais ou seja as empresas e os consumidores que chamamos de famílias e também a formação de preço será objeto de estudo da Unidade dois Por outro lado a macroeconomia estuda as variáveis agregadas ou seja a economia como um todo Assim praticamente todas as notícias que lemos e ouvimos são relacionadas à macroeconomia por exemplo as políticas monetárias fiscais e cambiais que o governo ela bora Estes serão alguns dos temas que iremos discutir na Unidade III Na Unidade IV trabalharemos com a economia internacional ou seja vivemos em um mundo globalizado o Brasil se relaciona com os demais países por meio por exemplo das exportações e importações de bens e serviços por esse motivo precisamos compreender alguns fundamentos dessa relação Finalizaremos a disciplina discutindo um tema muito atual que é a Economia Sustentável e do Meio ambiente pois o modelo econômico de produção e consumo atual não é mais viável pois os recursos produtivos são limitados Assim não podemos continuar produzin do e consumindo tudo que desejamos e a natureza não consegue mais dar vazão a tanta demanda Então a compressão da relação economia e meio ambiente se faz necessário Preparadoa para entrar nesse mundo tão fantástico que é a economia Lembrese qualquer dúvida entre em contato com seu tutor Bons estudos e um forte abraço APRESENTAÇÃO ECONOMIA E SOCIEDADE SUMÁRIO 09 UNIDADE I CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA 15 Introdução 16 Significado de Economia 25 Conceitos Econômicos Fundamentais 40 Considerações Finais 46 Referências 47 Gabarito UNIDADE II INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA 51 Introdução 52 Fundamentos da Teoria do Consumidor 58 Teoria da Demanda 68 Teoria da Oferta 75 Equilíbrio de Mercado 77 Teoria da Produção 79 Estruturas de Mercado 91 Considerações Finais 97 Referências 98 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA 101 Introdução 102 Fundamentos da Teoria Macroeconômica 107 Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico 113 O Mercado de Trabalho 120 Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial 135 Considerações Finais 141 Referências 142 Gabarito UNIDADE IV INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL 145 Introdução 146 Fundamentos do Comércio Internacional 149 Regimes Cambiais e o Comércio Internacional 154 Estrutura do Balanço de Pagamento 164 O Processo de Globalização 174 Considerações Finais 180 Referências 181 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE V ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE 185 Introdução 186 Economia e Meio Ambiente 196 Teoria do Desenvolvimento Sustentável 202 Contribuição dos Recursos Naturais Para o Crescimento Econômico 205 Eficiência Econômica e Mercados 208 Considerações Finais 214 Referências 215 Gabarito 216 CONCLUSÃO UNIDADE I Professora Dra Andréia Moreira da Fonseca Boechat CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Objetivos de Aprendizagem Descrever o significado de economia Explicar os conceitos econômicos fundamentais Compreender os fundamentos econômicos Plano de Estudo A seguir apresentamse os tópicos que você estudará nesta unidade Significado de Economia Conceitos Econômicos Fundamentais INTRODUÇÃO Caroa acadêmicoa seja bemvindoa a primeira Unidade do livro Economia e Sociedade Esta é uma unidade muito importante para o entendimento da dis ciplina pois nela você conhecerá os fundamentos econômicos que darão suporte às tomadas de decisão que fazem parte do dia a dia de todos os profissionais Para isso a unidade está dividida em três tópicos no primeiro iremos estu dar o significado de economia em outras palavras o que de fato as ciências econômicas estudam Você poderá ser surpreendido pois muitas pessoas acredi tam que economia ensina a economizar ou mesmo a investir na bolsa de valores o que não é real A economia envolve muito mais do que simples variáveis ela é a grande res ponsável por alocar ou seja distribuir os recursos que são limitados entre as pessoas Ainda no primeiro Tópico veremos os princípios básicos que a regem Você verá que são dez princípios que unificam as ideias centrais da economia e dão uma noção sobre o que de fato ela trata Não se preocupe em decorar todos eles procure entendêlos e com o andamento da nossa disciplina essas ideias serão aprofundadas e ficarão mais claras No segundo Tópico desta primeira Unidade estudaremos alguns conceitos econômicos básicos conceitos estes que darão suporte para o entendimento da disciplina como um todo Então fique atentoa e caso não tenha ficado muito claro algum conceito volte e releia com muita atenção Uma dica ao estudar procure relacionar cada um desses conceitos com a vida prática No terceiro e último Tópico desta unidade faremos uma discussão inicial e básica sobre a economia política Esta seção é importante para a compreensão dos fundamentos teóricos e ideológicos das ciências econômicas Ao final desta unidade você será capaz de compreender conceitos econô micos fundamentais que influenciam a sociedade como um todo seja governo empresas consumidores e os outros países Bons estudos Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 15 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 16 SIGNIFICADO DE ECONOMIA Começaremos nossa disciplina entendendo o significado de economia Você certamente já se deparou com algumas situações econômicas em seu dia a dia e ficou curiosoa para entender um pouco mais sobre os motivos pelos quais determinados fenômenos ocorrem e as possíveis soluções para cada um dos pro blemas tais como Variações na demanda Redução na oferta Desemprego Inflação Alterações na taxa de câmbio Carga tributária Aumento da taxa de juros Estes são alguns problemas que a economia estuda Agora que você já relem brou de algumas questões econômicas deve estar se perguntando mas o que de fato é economia Em termos etimológicos a palavra economia vem do grego Oikós casa Nomos norma lei administração da casa É isso mesmo a economia funciona da mesma maneira que a nossa casa tra balhamos para receber um salário dividimos nossa renda para pagar as contas procuramos viver na maior harmonia possível caso não tenhamos dinheiro para todas as contas pegamos empréstimos se sobrar dinheiro fazemos investimen tos etc Da mesma forma que ocorre em uma empresa e em um país O que difere é que na economia estudamos os diferentes tipos de sistemas econômicos que administram seus recursos com a finalidade de produzir bens e serviços com o objetivo de satisfazer as necessidades da população PASSOS NOGAMI 2012 Então podemos definir economia como sendo uma ciência Significado de Economia Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 17 social que trata do estudo da alocação dos recursos escassos na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ilimitadas ou desejos huma nos MENDES 2009 A partir da definição de economia não podemos deixar de fazer duas observa ções você percebeu que as palavras recursos escassos e necessidades ilimitadas estão em negrito Isso porque são dois conceitos que precisam ficar muito claros para o entendimento da economia Recursos escassos está em negrito pois a escassez que pode ser definida como a situação em que os recursos são limita dos é a escassez variável culpada por todos os problemas econômicos Então podemos afirmar que a economia tem como objeto de estudo a escas sez Se os recursos fossem ilimitados não haveria economia ou se as necessidades da população fossem limitadas também não haveria economia já que todas as necessidades seriam satisfeitas Assim só existe a economia porque precisamos distribuir os recursos produtivos escassos ou limitados de forma que satisfaça todas ou a maior parte possível das necessidades humanas É importante observar que a escassez está relacionada a diversas variáveis como tempo dinheiro espaço físico matériaprima mão de obra seja especiali zada ou não entre outras por esse motivo está presente em todas as economias seja em países ricos como os Estados Unidos que é a maior economia do mundo seja em países em desenvolvimento como os países do continente africano Por exemplo talvez no Brasil não tenhamos escassez de espaço para produção de bens agrícolas mas no Japão tem por outro lado falta tecnologia e no Japão não Compreendeu o funcionamento da escassez Espero que sim pois esta é a base de todo o estudo da economia O termo necessidades ilimitadas está destacado pois diferentemente da escassez os desejos humanos são ilimitados ou seja nunca terminam Por exemplo temos R 5000 para ir ao shopping comprar uma blusa Chegando lá compramos uma blusa mas logo desejamos uma calça ou uma bolsa e assim sucessivamente Sem falar nas necessidades básicas como alimenta ção e moradia Lembrese que a economia estuda o todoagregada assim mesmo que uma pessoa não tenha individualmente desejos ilimitados ou que todas suas necessidades sejam satisfeitas na economia como um todo não é assim que funciona CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 18 Resumindo temos um sério problema quando Recursos escassos X Necessidades humanas ilimitadas Escassez de bens Problema Mais uma vez caso os recursos fossem escassos mas as necessidades humanas fossem limitadas não teríamos problema e se os recursos fossem ilimitados e as necessidades humanas também não haveria problema O grande problema é recursos escassos e necessidades ilimitadas Com base no que discutimos até agora é possível perceber que a Ciência Econômica procura responder mesmo que de forma parcial questões como Como os preços são determinados Como reduzir a inflação A economia é a ciência da escassez ou das escolhas Judas Tadeu Grassi Mendes Significado de Economia Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 19 Como melhorar a distribuição de renda de um país Como fazer com que aumente o número de empregos Quais são as funções do governo Por que uma crise internacional afeta a economia nacional PRINCÍPIOS DE ECONOMIA Você já conhece o significado de economia e seu objeto de estudo que é a escas sez Agora discutiremos as dez ideias centrais que regem a economia Mankiw 2012 dividiu os dez princípios da economia em três grupos como as pessoas tomam decisões como as pessoas interagem e como a economia funciona Grupo 1 como as pessoas tomam decisões O comportamento da economia reflete o comportamento das pessoas que dela fazem parte Por essa razão temos quatro princípios de tomada de decisão individual Princípio 1 as pessoas enfrentam tradeoffs Para começarmos a discutir o primeiro princípio é importante que você saiba o que a expressão tradeoff significa para a economia Esta expressão é uma situa ção de escolha conflitante ou seja quando uma ação tem como objetivo resolver um determinado problema e acaba acarretando outros por exemplo uma forma de fazer com que um país cresça é aquecendo a demanda porém ao aumentar a demanda os preços sobem e geram inflação Então o objetivo inicial que era fazer com que o Produto Interno Bruto PIB aumentasse acabou por fazer com que a taxa de inflação também aumen tasse Nesse caso existe um tradeoff entre crescimento e inflação A situação apresentada anteriormente reflete a tomada de decisão ou seja nada é de graça como diz o provérbio Na economia nada é de graça também pois sempre que queremos alguma coisa precisamos abrir mão de outra que gos tamos Assim precisamos tomar decisões fazer escolhas e renunciar a algo em decorrência de outro objetivo CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 20 Neste momento por exemplo você dedi cou digamos duas horas do seu dia para estudar a disciplina Economia e Sociedade para isso você teve que abrir mão de outra atividade como ver televi são Porém você tem outra escolha você pode dividir as duas horas entre estudar e ver televisão neste caso você estará abrindo mão de uma hora de estudo para assistir uma hora do seu programa favorito Essa foi sua escolha Diariamente ou melhor a toda hora temos tradeoffs e precisamos fazer escolhas O governo e as empresas também precisam tomar decisões a toda hora Princípio 2 o custo de alguma coisa é aquilo de que você desiste para obtêla Como enfrentamos diversos tradeoffs ao tomar decisão é necessário comparar os custos com os benefícios gerados para cada alternativa possível Porém nem sempre o custo de uma ação é muito claro mas mesmo assim precisa ser ava liado Por exemplo você resolveu se matricular no curso da Unicesumar como benefício você tem o enriquecimento do conhecimento novas oportunidades de emprego aumento salarial entre outros Por outro lado você tem custo como a mensalidade e a dedicação terá de abrir mão de outras atividades por algumas horas em função de estudar entre outros A situação apresentada é chamada de custo de oportunidade que é defi nido por Mankiw 2012 como aquilo de que você abre mão para obter outro item Nesse exemplo você abriu mão de parte do seu salário para pagar a men salidade e de parte do seu dia para estudar em função de cursar uma graduação para ter futuramente aumento salarial novas oportunidades de emprego e aumento de seu conhecimento Então como você percebeu o custo de oportunidade está presente em todas as situações de escolha Nós sempre precisamos levar em consideração ao tomar Significado de Economia Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 21 uma decisão do que estamos abrindo mão ou seja custos e benefícios daquela ação bem como a empresa e o governo que também precisam analisar o custo de oportunidade sempre Princípio 3 as pessoas racionais pensam na margem Para a economia as pessoas são racionais ou seja são capazes de fazer o máximo para alcançar seus objetivos sempre de forma direta e sistemática a partir das oportunidades que surgem Porém uma pessoa racional sabe que imprevistos sur gem e como são racionais são capazes de fazer pequenos ajustes em seu plano de ação o que é chamado de mudança marginal Então uma pessoa racional com para ao tomar decisão o custo marginal com o benefício marginal daquela ação Nesse momento você deve estar achando que não compreendeu muito bem os princípios até aqui explicados mas com um exemplo ficará mais fácil Imagine uma empresa aérea que tem um avião de 200 lugares e o voo custa à empresa 100 mil reais O custo médio de cada poltrona é de 100 mil divididos por 200 lugares o que dá 500 reais ou seja o valor mínimo da passagem deve ser de R 50000 Porém a poucas horas de decolar esse avião está com 10 lugares vagos e os passageiros potenciais estão dispostos a pagar R 30000 pela passagem A empresa venderá a este valor pois o custo marginal desses 10 passageiros é muito pequeno quase insig nificante e estes irão consumir alimentos a bordo o que mostra o custo marginal Princípio 4 as pessoas reagem a incentivos Dado que pessoas racionais tomam decisões comparando o custo com o benefício daquela ação o incentivo exerce papel fundamental para essa escolha pois o é algo que faz com que uma pessoa racional aja Por exemplo quando o preço da alface aumentar as pessoas irão reduzir o consumo dessa verdura e substituíla por outra como chicória A mesma situação acontece quando o governo implementa uma política pública A nova política pública por exemplo o aumento da taxa de juros irá alterar o comportamento das pessoas e isso deve ser levado em consideração Terminamos aqui nossa discussão sobre o primeiro grupo de princípios básicos da economia e você agora já sabe como as pessoas tomam suas deci sões Esses princípios são importantes em nossa disciplina já que estamos falando em tomada de decisão CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 22 Grupo 2 como as pessoas interagem Vimos de que forma as pessoas tomam decisões Porém sabemos que muitas vezes uma decisão nossa afeta a vida de outras pessoas ou seja nós interagi mos com os demais Neste grupo discutiremos três princípios que dão suporte a como as pessoas interagem Princípio 5 o comércio pode ser bom para todos A visão de que dois países que produzem o mesmo tipo de bem são concorrentes é equivocada pois apesar de as empresas concorrerem por clientes o comércio entre os países é bom para todos Isso acontece em razão de o país A se especia lizar em um determinado bem exportarlo e importar outro do qual necessite mas que não é especialista Então os países dependem uns dos outros Princípio 6 os mercados são geralmente uma boa maneira de organizar a atividade econômica Hoje sabemos que a forma mais eficiente de organizar a atividade econômica é por meio do próprio mercado ou seja da chamada economia de mercado Esta é definida por Mankiw 2012 como uma economia que aloca recursos por meio das decisões descentralizadas das empresas e famílias quando estas interagem nos mercados de bens e serviços Nesse caso a economia é controlada via preços O comprador verifica o preço ao determinar a demanda por bens e serviços e os vendedores analisam o preço ao decidir a oferta O preço formado pela relação entre demanda e oferta reflete o preço de mercado por bens serviços e o custo da manufatura No entanto é importante observar que o governo pode e deve em muitos casos tomar medi das tais como impostos subsídios entre outras de forma a impedir que o mercado se ajuste sozinho Qual foi um tradeoff importante que você enfrentou recentemente na sua vida profissional Sua escolha foi racional Você levou em consideração os custos e benefícios da sua ação Significado de Economia Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 23 Princípio 7 às vezes os governos podem melhorar os resultados dos mercados Como discutido no princípio 6 os mercados procuram se estabilizar por meio dos preços Porém o governo tem papel importante mesmo em economias de mercado O papel do governo é fazer com que as regras sejam cumpridas garan tindo o chamado direito de propriedade que se dá mediante as instituições Direito de propriedade é definido por Mankiw 2012 como a habilidade de um indivíduo de possuir e exercer controle sobre recursos escassos O direito de propriedade é um incentivo para empresas e famílias produ zirem Além de garantir o direito de propriedade o governo deve intervir na economia de mercado para assegurar a eficiência e promover a igualdade já que o mercado sozinho nem sempre consegue fazerlos Em relação à eficiência os mercados nem sempre conseguem alocar os recur sos de forma eficiente gerando as chamadas falhas de mercado que acontecem em razão das externalidades e do poder de mercado Externalidade é quando a ação de um indivíduo afeta o bemestar de outros Já poder de mercado é a capacidade de um ou um grupo de agentes eco nômicos influenciar os preços de mercado de forma significativa Em relação à igualdade é dever do governo promover políticas públicas que procuram dar as mesmas condições a todos os agentes econômicos Grupo 3 como a economia funciona Os dois grupos de princípios da economia que discutimos juntos formam o ter ceiro grupo como a economia funciona pois o modo como os agentes tomam decisão e interagem formam a economia Princípio 8 o padrão de vida de um país depende de sua capacidade de produzir bens e serviços Por que os mercados existem CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 24 Sabemos que existem grandes diferença no padrão de vida dos países e estas ao longo do tempo também variam Esse fato é explicado pela produtividade ou melhor pela diferença entre a produtividade dos países Por produtividade entendese a quantidade de bens e serviços produzidos por unidade de insumo de mão de obra MANKIW 2012 Então em países em que a produtividade é maior o padrão de vida também é maior Países com produtividade baixa ten dem a ter o padrão de vida menor Nesse caso cabe ao governo implementar políticas públicas que procuram aumentar a produtividade do país Princípio 9 os preços sobem quando o governo emite moeda demais Inflação é definida como o aumento contínuo e generalizado de preços Dessa forma quando o governo emite moeda teremos mais moeda em circulação dando a impressão para a população de aumento do poder aquisitivo Com isso as pessoas demandarão mais bens e serviços fazendo com que os preços subam Além disso quando o governo emite moeda o valor dela diminui gerando aumento de preços Lembrese que a moeda é um bem como outro qualquer mas aprofundaremos nossas discussões sobre esse tema na Unidade III Princípio 10 a sociedade enfrenta um tradeoff de curto prazo entre infla ção e desemprego O aumento da quantidade de moeda em circulação estimula o nível geral de consumo e assim há aumento na demanda por bens e serviços O aumento da demanda pode fazer com que as empresas aumentem os preços dos seus bens e serviços gerando inflação Por outro lado quando temos muita demanda as empresas precisam contratar mais trabalhadores gerando aumento no nível de empregos Resumindo em curto prazo o aumento da demanda gera infla ção e reduz o desemprego Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 25 CONCEITOS ECONÔMICOS FUNDAMENTAIS Neste item iremos discutir alguns conceitos econômicos básicos e fundamentais para o entender da disciplina e da economia como um todo Você irá perceber que são conceitos fáceis de compreensão e que fazem parte do nosso dia a dia Porém não esqueça que todos os conceitos que iremos discutir são relaciona dos com os princípios básicos da economia Vamos lá AS QUESTÕES ECONÔMICAS FUNDAMENTAIS Após entender o conceito e o objeto de estudo da economia podemos afirmar que qualquer economia independentemente de ser rica ou pobre capitalista ou socialista industrializada ou em processo de industrialização procura respon der às seguintes perguntas O que produzir Quanto produzir Para quem produzir Como produzir Vamos entender cada uma dessas perguntas O que produzir significa definir quais bens e serviços a economia irá fabricar Esta não é uma decisão fácil pois como você já sabe os recursos são escassos Então não podemos produzir tudo que desejamos ou que precisamos em outras palavras aumentar a produção de um determinado bem significa redu zir a quantidade produzida de outros bens CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 26 Após decidir o que será feito dados os recursos limitados tem de ser defi nida a quantidade do bem ou serviços escolhidos que será produzida além do públicoalvo do produto Um dos fatores de escolha do Para quem produzir é a renda desse consumidor Quanto maior for a renda maior a quantidade de mercadorias que ele poderá adquirir Essas três primeiras perguntas mostram que quem irá influenciar a decisão da empresapaís são os consumidores Já na última Como produzir a empresapaís define o melhor processo produtivo ou seja como fabricar o bem na quantidade escolhida da forma mais eficiente possível Dado que os recursos produtivos são escassos a empresa deverá escolher a combinação desses recursos com o menor custo possível para fabricar bens e serviços Podemos resumir as perguntas básicas da economia no Quadro 1 Quadro 1 Problemas básicos de um sistema capitalista O QUE PRODUZIR Sabese que diante do contexto de escassez dos recursos produti vos uma maior produção de um determinado bemserviço impli cará em uma menor produção de outros bensserviços Diante dis so cada sociedade deverá escolher o que produzir Indiretamente tal escolha é feita pelos consumidores quando gastam suas rendas adquirindo produtos cujos preços estão dispostos a pagar COMO PRODUZIR Como produzir referese à combinaçãoajuste dos recursos produ tivos e à empregabilidade de técnicas que possibilitem um deter minado nível de produção ao menor custo possível Os preços dos recursos produtivos nesse processo são fundamentais ao passo que apontam os fatores de produção mais escassos e que portan to devem ser poupados PARA QUEM PRODUZIR Dependente do nível da renda pessoal e de sua distribuição para quem produzir diz respeito à distribuição dos bensserviços Em outras palavras quanto maior a renda de um indivíduo maior será seu consumo Fonte Mendes 2004 p 19 e 20 Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 27 CURVA DE POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO E CUSTO DE OPORTUNIDADE Como discutimos a economia está ligada ao problema da escolha já que os recursos produtivos são limitados e as necessidades humanas são ilimitadas Em outras palavras é imposta aos agentes econômicos uma escolha para a produ çãoconsumo de diversos tipos de bens e serviços Para entender melhor como a escolha é feita vamos supor a seguinte situação para uma determinada economia a Uma economia só produz dois bens X e Y que você pode por exemplo chamar de roupas e alimentos b A quantidade e a qualidade dos recursos produtivos são fixas ou seja independentemente de produzir o bem X ou o bem Y a quantidade e a qualidade dos recursos produtivos serão as mesmas c Existe pleno emprego ou seja essa economia produz o máximo que ela pode dada a quantidade de recursos produtivos que ela tem disponível d A tecnologia é constante já que o seu uso é uma forma de aumentar a pro dução utilizando a mesma quantidade de fatores de produção disponíveis Após apresentar os pressupostos da economia hipotética podemos verificar a quantidade de cada bem que poderá ser produzido dado os recursos produti vos que temos disponíveis Isso pode ser visto no Quadro 2 Quadro 2 Quantidade de cada bem que pode ser produzido dada a quantidade de fatores de produção disponível BEM QUANTIDADE X roupas 180 160 150 130 100 60 Y alimentos 10 20 30 40 50 60 Ponto 1 2 3 4 5 6 Fonte a autora Caso a economia queira produzir tanto o bem X quanto o bem Y ela deverá abrir mão de determinada quantidade de um bem para produzir o outro Por exemplo para produzir 20 unidades de Y a empresa deverá deixar de produzir 20 unidades de X ou para 30 unidades de Y deverá deixar de produzir 20 unidades de X Para ficar mais fácil vamos visualizar essa situação por meio do Figura 1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 28 60 50 40 30 20 10 0 60 100 130 150 160 180 6 5 4 3 2 1 Alimentos toneladas Roupas milhares Figura 1 Curva das possibilidades de produção ou curva de transformação da situação hipotética apresentada Fonte a autora A Figura 1 mostra as quantidades dos bens X e Y que a economia hipotética poderá produzir dados os fatores de produção limitados Isto é conhecido como curva das possibilidades de produção ou curva de transformação Então qual quer ponto sobre a curva mostra que a quantidade de bens X e Y que a economia poderá produzir nessa situação está em pleno emprego Agora qualquer ponto baixo da curva como o ponto 7 que pode ser visto na Figura 2 a economia poderá produzir porém caso produza no ponto 7 a economia é ineficiente e não está em pleno emprego pois haverá recursos produtivos para produzir mais em outras palavras haverá capacidade ociosa 60 50 40 30 20 10 0 60 100 130 150 160 180 6 5 4 3 2 1 Alimentos toneladas Roupas milhares 8 7 Figura 2 Pontos de produção que estão fora da curva das possibilidades de produção Fonte a autora Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 29 Ainda analisando a Figura 2 podemos verificar que há o ponto 8 Dada a tec nologia constante produzir no ponto 8 é impossível pois não temos recursos produtivos suficientes Contudo existe uma forma de a economia chegar ao ponto 8 que é por meio da tecnologia Esta é um fator que desloca a curva das possibilidades de produção pois como já discutimos podemos produzir mais dados os mesmos fatores de produção disponíveis ou seja aumenta a capaci dade produtiva da empresa Essa situação pode ser vista na Figura 3 60 50 40 30 20 10 0 60 100 130 150 160 180 6 5 4 3 2 1 Alimentos toneladas Roupas milhares 8 7 Figura 3 Deslocamento da curva das possibilidades de produção dada uma mudança tecnológica Fonte a autora No mundo real pode acontecer de a curva das possibilidades de produção se deslocar mais em direção a um bem do que a outro isso acontece em razão de os bens não possuírem exatamente o mesmo processo produtivo ou as mesmas quantidades de todos os fatores de produção Então o recurso produtivo que seja mais afetado pela tecnologia tende a deslocar mais a curva de transformação Tudo que discutimos sobre curva das possibilidades de produção também nos mostra outro conceito muito importante para a ciência econômica que é o custo de oportunidade no qual a empresa teve de abrir mão de certa quanti dade produzida do bem Y em função da produção do bem X Portanto custo de oportunidade pode ser definido como o sacrifício de se transferir os recursos de uma atividade para outra ou seja é a quantidade de um bem ou serviço que se deve renunciar para obter outro CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 30 É importante observar que só existe custo de oportunidade se a economia estiver funcionando em pleno emprego ou seja se os recursos forem plenamente utilizados como os pontos 1 a 6 da Figura 1 CLASSIFICAÇÃO DOS BENS E SERVIÇOS Bens e serviços podem ser definidos como tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana Lembrando que as necessidades humanas são ilimitadas e cada pessoa tem a sua Os bens podem ser classificados de duas formas princi pais em relação a sua raridade e em relação a quem os oferta No que diz respeito à raridade os bens e serviços podem ser Livres são aqueles bens nos quais a quantidade é ilimitada e podem ser obti dos sem nenhum esforço humano por esse motivo não têm preço e a economia não se preocupa com eles por exemplo mar rio lagoa oxigênio entre outros Econômicos são bens e serviços limitados escassos têm valor de mer cado e precisam de esforço humano para produzilos por exemplo carro computador caneta entre outros Os bens e serviços econômicos são os bens estudados pela economia Os bens econômicos podem ser classificados quanto a sua natureza em a Materiais são bens tangíveis e que podem ser estocados Por exemplo computador sapato roupa etc Podem ser i Consumo bens duráveis e de consumo imediato Exemplo roupa O termo custo de oportunidade é muito utilizado na economia mas por não ser facilmente quantificável é muitas vezes difícil para profissionais de ou tras áreas compreender Por este motivo sugiro o texto Custo de oportuni dade oculto na contabilidade nebuloso na mente dos contadores O artigo está disponível em httpwwwscielobrscielophpscriptsciarttextpi dS151970772002000300002langpt Fonte a autora Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 31 ii Intermediário necessários para fabricação de bens de consumo Exemplo matériaprima iii Capital permitem produzir bens Exemplo máquinas b Imateriais ou serviços são intangíveis não podem ser estocados e assim que são consumidos acabam como uma consulta médica uma aula ou uma consultoria A partir do que foi discutido sobre bens econômicos materiais e imateriais farei uma pergunta para você uma passagem de metrô é um bem material ou um ser viço O ticket do metrô é um bem material pois conseguimos estocar porém a viagem feita é um serviço pois assim que descemos do metrô o bem acaba Os bens e serviços também podem ser classificados em relação a quem os oferta Neste caso podem ser Públicos são bens ou serviços ofertados pelo governo e têm como carac terísticas serem não exclusivos e não disputáveis ou seja independentemente de quem paga por eles no caso por meio de impostos todos poderão consu mir e o consumo de uma pessoa não exclui o consumo de outra Por exemplo a segurança pública e o corpo de bombeiros Privados são bens ou serviços ofertados pelas empresas e têm como carac terísticas serem disputáveis e exclusivos ou seja só quem pagar pelo bem poderá leválo para casa e o consumo de uma pessoa exclui o consumo da outra como uma roupa ou um alimento Para melhor visualizar a classificação dos bens quanto a quem os oferta veja o Quadro 3 Quadro 3 Comparação entre bem público e bem privado CARACTERÍSTICA BEM PÚBLICO BEM PRIVADO É rival Não Sim É excludente Não Sim Fonte a autora Conforme podemos ver no Quadro 3 se um determinado bem é não rival e não excludente ele é um bem público caso contrário é um bem privado Para ilustrar essa situação vamos pensar em dois bens iluminação pública e carro Primeiro sabemos que o mesmo carro não pode ser consumido no caso comprado CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 32 por duas pessoas diferentes sendo assim o seu consumo é rival Em segundo lugar o consumo do carro é excludente pois se a pessoa não pagar pelo carro a empresa não venderá Já no caso da iluminação pública não é possível uma pessoa ter e a outra na mesma rua não ter e nem o consumo por parte de um indivíduo excluir o consumo do outro AGENTES ECONÔMICOS NO SISTEMA CAPITALISTA Para fabricar bens e serviços comprar produtos pagar tributos regular a econo mia entre outros ou seja para fazer com que a economia gire são necessários os agentes econômicos que podem ser definidos como sendo pessoa de natureza física ou jurídica que por meio de suas ações contribui para o funcionamento do sistema econômico Esses agentes podem ser classificados em a Empresas também são conhecidas como unidades produtivas são responsáveis pela produção e comercialização dos bens e serviços As empresas combinam os fatores de produção da forma mais eficiente pos sível para fabricar bens e serviços de modo a obter o máximo de lucro b Família conhecida como consumidores incluem segundo Passos e Nogami 2012 todos os indivíduos e unidades familiares da economia têm como função adquirir bens e serviços e além disso são proprietá rios do fator de produção trabalho Em outras palavras trabalhamos para receber salários para poder comprar bens e serviços c Governo são as organizações que estão direta ou indiretamente sob o domínio do Estado e que atuam no sistema econômico Temos o governo Federal Estadual e Municipal além das leis e regulações O governo pode intervir na economia de duas formas segundo Passos e Nogami 2012 atuando como empresários e produzindo bens e serviços por meio das empresas estatais ou contratando serviços comprando materiais equi pamentos etc O governo pode intervir também por meio de regulações tendo como objetivo controlar o mercado para tornarlo eficiente Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 33 d Setor externo são os demais países que ao fazer comércio com o Brasil acabam influenciando a economia sendo também influenciados Assim o setor externo é composto por todas as instituições que mantêm relações econômicas com o paíseconomia que se está analisando e que tenham sua estrutura física fora das fronteiras geográficas deste Assim sendo visando desenvolver eou fazer crescer as atividades econômicas cabe a toda economia o estabelecimento de suas normas as quais devem ser res peitadascumpridas por todos os agentes Por exemplo as unidades produtivas devem ter autorizações específicas entre elas o alvará de funcionamento para atuar ou seja para produzir e comercializar seus produtos Essa é apenas uma das normas que compõem as inúmeras existentes nas econo mias Tais normas e suas relações com as unidades produtivas e familiares bem como com os setores públicos e externos formam o que chamamos de sistema econômico Os mais relevantes tipos de sistema econômico são o capitalismo e o socialismo Aqui trataremos apenas do capitalismo visto que o sistema econômico em questão é o sistema no qual a maioria das economias estão inseridas O refe rido sistema econômico depende das forças de demanda consumidores e de oferta produtores para determinar preços alocar recursos e distribuir a renda e a produção ao passo que o governo pouco se envolve na tomada de decisões MENDES 2004 Determinados a obter lucros cada vez maiores os proprietá rios dos fatores de produção ou recursos produtivos os fatores de produção ou recursos produtivos são de propriedade privada tomam as decisões de produção Destacase que os lucros e prejuízos que porventura ocorram são resultados das referidas decisões Tais decisões tendem a afetar diretamente consumidores e produtores ao passo que os consumidores dado seu nível de renda buscam maximizar suas satisfações e os produtores dados os seus fatores de produção ou recursos produtivos buscam maximizar seus lucros Nesse ínterim os preços de mercado são os responsáveis por nortear as deci sões das firmas e dos indivíduos no quesito produção distribuição e consumo Contudo vale ressaltar que neste tipo de sistema econômico em todos os tipos de atividades e segmentos a concorrência é extremamente acirrada Em síntese conforme nos mostra o Quadro 4 as principais características do sistema eco nômico capitalista são CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 34 Quadro 4 Principais características do sistema capitalista PROPRIEDADE PRIVADA Dos fatores de produção dos bens de consumo duráveis e não duráveis e do dinheiro SISTEMA DE PREÇOS Responsável pelo controle do funcionamento da economia seleção de bens e quantidades a serem produzidos combinação e distribuição dos fatores de produção seleção de técnicas e métodos de produçãoorganização e distribuição dos bens entre membros da sociedade LUCRO Incentivo à produção Diferença entre Receita Total e Custo Total de produção COMPETIÇÃO De grande importância Entre as empresas e entre os proprie tários dos recursos apesar da constantecrescente presença de oligopólios e monopólios nos mercados GOVERNO Papel limitado apesar da elevada participação do governo nas atividades econômicas nos dias atuais Fonte Mendes 2004 p 1718 Ainda que sejam inúmeras as críticas apontadas ao modo de produção em ques tão esse tipo de sistema econômico até então temse revelado a opção mais eficaz a título de organização da atividade econômica Segundo Mendes 2004 p 1819 estudiosos do assunto apontam o a antagonismo entre o capital e o trabalho b a presença de elementos monopolísticos e c a não solução da jus tiça social como as mais relevantes falhas do sistema Em contrapartida apontam a alocação dos fatores de produção de modo eficiente como a mais relevante qualidade do sistema em questão ao passo que promove ganhos de produção e bemestar social A eficiência na alocação dos recursos produtivos é consequência da constante busca pelo aperfeiçoamento em função da acirrada competição existente e da incitação ao lucro FATORES DE PRODUÇÃO OU RECURSOS PRODUTIVOS Podemos definir fatores de produção ou recursos produtivos como elemen tos limitados que são utilizados no processo de fabricação de bens e serviços que irão satisfazer as necessidades humanas Os fatores de produção têm como Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 35 características serem escassos como você já deve ter percebido versáteis ou seja podem ser utilizados para diferentes fins Dito de outro modo os fatores de produção fabricam diversos bens e podem ser combinados em proporções para produzir bens e serviços Após definir fatores de produção é importante classi ficálos Os recursos produtivos são a Recursos naturais ou terra é a origem de todo processo produtivo como terra água minerais matériasprimas etc b Recursos humanos é a contribuição do ser humano na produção podem ser físico ou intelectual Como trabalho físico temos o trabalho de um agricultor no campo Uma consulta médica é considerada um tra balho intelectual c Capital são bens utilizados no processo produtivo como máquinas construções infraestrutura entre outros Atualmente além dos três fatores de produção clássicos que citamos anterior mente ainda temos a capacidade empresarial e o empreendedorismo como fatores de produção pois é fundamental a tomada de decisão dos empresários quanto à utilização dos recursos produtivos A tecnologia também pode ser considerada um fator de produção Para melhor compreensão dos fatores de produção tradicionais vamos analisar o Quadro 5 Quadro 5 Fatores de produção TERRA OU RECURSOS NATURAIS Consistem em todos os bens econômicos utilizados na produ ção e que são obtidos direamente da natureza como os solos urbanos e agrícolas os minerais as águas dos rios dos lagos dos mares dos oceanos e do subsolo a fauna a flora o sol e o vento como fontes de energia entre outros Esses recursos são um presente da natureza Para se referir a todos os tipos de recursos naturais alguns economistas utilizam o termo terra MÃO DE OBRA OU TRABALHO Incluem toda a atividade humana esforço físico eou mental utilizada na produção de bens e serviços como os serviços técnicos do advogado do médico do economista do enge nheiro ou da mão de obra do eletricista do encanador Há economistas que consideram o capital humano um quarto tipo de fator de produção Por capital humano considerase o conhecimento e as habilidades que as pessoas obtêm por meio da educação e da experiência em atividades produtivas CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 36 CAPITAL O fator de produção capital corresponde aos conjuntos dos edi fícios máquinas equipamentos e instalações que a sociedade dispõe para efetuar a produção Este conjunto é denominado de estoque de capital da economia Quanto mais bens de capital dispuser a economia mais produtiva ela será ou seja mais bens e serviços poderá produzir Observe que o conceito de capital como fator de produção é um pouco diferente da palavra capital usada na linguagem comum quando é utilizada para designar uma quantia em dinheiro ou outro ativo financeiro que deter minada pessoa possui para iniciar um determinado negócio Fonte Mendes 2004 p 5 Em suma os fatores de produção ou recursos produtivos inputs isto é os solos os minerais as águas a fauna a flora o sol o vento os serviços técnicos espe cializados a mão de obra do operário os conjuntos dos edifícios as máquinas os equipamentos as instalações entre outros dadas suas principais caracterís ticas escassez versatilidade e combinações em proporções variáveis quando alocados promovem ao longo do processo produtivo uma expressiva produção outputs ou seja promovem uma ampla gama de bens e serviços SETORES ECONÔMICOS Em todas as atividades de produção ou setores da economia estão inseridos os fatores de produção ou recursos produtivos terra ou recursos naturais mão de obra ou trabalho e capital e as técnicas de produção MENDES 2004 Destacase que com base em Mendes 2004 dependendo da atividade de produção tais recursos e técnicas variam em intensidade ou seja em cada um dos setores da economia são empregados recursos e técnicas em proporções diferentes Em outras palavras temos atividades de produção ou setores da eco nomia que são intensivos em terra ou recursos naturais outros em mão de obra ou tra balho e ainda outros que são intensivos em capital O autor nos explica ainda que a intensidadeproporção de usoemprego dos fatores de produção ou recursos produtivos classifica as atividades de pro dução ou setores da economia em atividades primárias secundárias e terciárias de produção Vamos entender cada uma delas Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 37 a Atividades primárias de produção ou setor primário Agricultura lavouras permanentes temporárias horticultura floricultura pecuária criação e abate de gado de suínos e aves pesca e caça extração vegetal produção florestal silvicultura e reflorestamento b Atividades secundárias de produção ou setor secundário Indústria extrativa mineral minerais metálicos e não metálicos indústria de trans formação produtos alimentícios minerais não metálicos metalurgia mobiliário química fiação e tecelagem vestuário calçados material elétrico de telecomunicações e de transporte produtos de matérias plásticas bebidas fumos indústria da construção obras públicas e construções privadas c Atividades terciárias de produção ou setor terciário Comércio ata cadista e varejista transportes rodoviários ferroviários hidroviários e aeroviários comunicações telecomunicações correios e telégrafos radiodifusão e TV intermediação financeira bancos seguradoras distri buidoras e corretoras de valores e bolsas de valores imobiliárias comércio imobiliário administração e locação hospedagem e alimentação hotéis restaurantes bares e lanchonetes reparação e manutenção máquinas veículos e equipamentos serviços pessoais cabeleireiros barbeiros outros serviços assistência à saúde educação cultura lazer culto reli gioso e governo federal estaduais e municipais Funcionamento do sistema capitalista As bases de um sistema econômico capitalista podem ser melhor discutidas por meio de um modelo de economia de mercado que não considere interações com o setor público ou governo e com o setor externo ou resto do mundo Observe que as instituições familiares e produtivas nesse modelo interagem em apenas dois mercados sendo eles o mercado de bens e serviços e o mercado de fato res de produção MENDES 2004 Nessa direção as unidades familiares oferecem no mercado de fatores de produção recursos produtivos As unidades produtivas por sua vez oferecem no mercado de bens e serviços sua produção Por outro lado as unidades fami liares demandam no mercado de bens e serviços a produção das empresas ao passo que as unidades produtivas demandam no mercado de fatores de produ ção CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 38 os recursos produtivos Essa interação entre agentes econômicos e mercados é chamada de fluxo real da economia VASCONCELLOS GARCIA 2008 Entretanto tal interação só é possível com a presença da moeda que é empregada para remunerar as famílias pelo uso dos recursos produtivos bem como para o pagamento dos bens e serviços adquiridos Diante disso temse um fluxo monetário A união dos fluxos real e monetário da economia origina o que chamamos de Fluxo Circular de renda O Quadro 6 descreve sucintamente as interações que compõem esse fluxo VASCONCELLOS GARCIA 2008 Quadro 6 Interações entre famílias e empresas nos mercados de bens e serviços e de fatores de produção ATIVIDADE MERCADO DE BENS E SERVIÇOS MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO Fluxo Real Produtos das empresas para satisfazer as necessidades dos consumidores Os principais fatores de produção são Terra ou Recurso Natural Mão de obra ou Trabalho e Capital Fluxo Mo netário As famílias tranferem parte de suas rendas às empresas ao adquirirem seus produtos As empresas remuneram as famílias pelo uso dos fatores por meio de Salários trabalho Dividendos capital Juros capital Lucros capital Alugel T ou RN ATIVIDADE MERCADO MERCADO DE FATORES DE PRODUÇÃO Oferta Exercida pelas instituições produtivas Exercida pelas instituições familia res Demanda Exercida pelas instituições familiares Exercida pelas instituições produ tivas Interação Por meio dos preços dos produtos Por meio dos preços dos fatores Fonte Mendes 2004 p 22 Destacase que tanto no mercado de bens e serviços quanto no mercado dos fato res de produção visando determinar os preços as forças da oferta e da demanda atuam em conjunto Assim sendo no mercado de bens e serviços essa interação forma os preços dos produtos ao revés do mercado de fatores de produção que forma os preços dos recursos produtivos VASCONCELLOS GARCIA 2008 Conceitos Econômicos Fundamentais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 39 Por fim vale ressaltar que as interações entre famílias e empresas nesses mer cados são limitadas pela escassez em outras palavras as famílias embora tenham desejos ilimitados possuem rendas limitadas ao passo que empre sas devido a recursos produtivos finitos incorrem em restrições de produção MENDES 2004 DIVISÃO DA CIÊNCIA ECONÔMICA Devido a fins metodológicos para estudos econômicos dividese a ciência eco nômica em duas grandes áreas sendo elas a microeconomia e a macroeconomia A microeconomia segundo Viceconti e Neves 2010 p 9 é o ramo da teoria eco nômica que estuda o funcionamento do mercado de um determinado produto ou grupo de produtos Em outras palavras estuda a interação entre compradores e ven dedores em determinados mercados como no mercado de produtos alimentícios Assim sendo o estudo da microeconomia está voltado entre outros para a insti tuições individualizáveis isoladamente ou em grupos homogêneos b com portamento dos consumidores c comportamento das empresas d estruturas e mecanismos de funcionamento dos mercados e funções e imperfeições dos mercados f remune ração paga aos agentes e à repartição funcional da renda nacional e g preços que as empresas recebem por suas produções ROSSETTI 2008 Nas Unidades II e III serão abordadas as noções básicas que envolvem essa área da Teoria Econômica A macroeconomia por sua vez é o ramo da teoria econômica que estuda o funcionamento da economia como um todo procurando identificar e medir inúmeras variáveis tais como nível de produção total investimento agregado poupança agregada nível de emprego nível geral de preços etc VICECONTI NEVES 2010 p 9 Dessa forma o estudo da macroeconomia está voltado entre outros para a a economia em seu conjunto b o desempenho total da econo mia dado as causas e os mecanismos de correção das flutuações c os agregados macroeco nômicos tais como PIB e RN d as relações entre macrovariáveis tais como investimento e nível de emprego e as medidas de tendência central tais como taxas de juros e de câmbio f as trocas internacionais e g o crescimento e desen volvimento das economias ROSSETTI 2008 As noções básicas que envol vem essa área da teoria econômica serão tratadas nas Unidades de número IV e V CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE ECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 I U N I D A D E 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final da primeira Unidade da disciplina Economia e Sociedade Agora você já sabe exatamente o que é economia e o que essa ciência tão fabulosa estuda Vimos que a economia vai muito além da ciência que estuda o dinheiro ou como as pessoas fazem investimento As ciências econômicas têm como foco as escolhas dos agentes econômicos sempre com o objetivo de gerar bemestar social essa escolha é feita porque os recursos produtivos são escassos e as neces sidades humanas são ilimitadas Por este motivo a economia é uma ciência social e não uma ciência exata já que apesar de utilizar alguns instrumentos matemáticos e estatísticos ela estuda a melhor forma de satisfazer as necessidades da sociedade Discutimos também alguns conceitos econômicos fundamentais que te ajudarão a compreender o funcionamento da economia no mundo real além disso falamos sobre os dez princípios econômicos e um pouco sobre os teóricos e seus modelos Acredito que você deve ter se surpreendido com a complexidade da econo mia e tenho certeza que com o passar das unidades você ficará cada vez mais surpresoa e encantadoa com o estudo das ciências econômicas uma vez que a economia está no nosso dia a dia já que vivemos economia desde o nosso nas cimento até a nossa morte Qualquer decisão do governo afeta nossas vidas qualquer decisão de um membro da nossa família afeta a família como um todo principalmente se essas decisões forem econômicas Assim termino a primeira Unidade espero que eu tenha conseguido despertar em você a curiosidade pela ciência econômica Na próxima unidade discutiremos uma das grandes áreas de estudo da economia que é a microeconomia e você poderá compreender melhor a famosa lei oferta e demanda Qualquer dúvida que tiver não exite em nos procurar Um forte abraço 41 1 Economia é uma palavra originária da língua grega sendo a junção de duas ou tras palavras que são oikós que significa casa e nomos que pode ser traduzida como normalei Então literalmente economia é a administração da casa Em relação ao conceito de economia assinale a alternativa correta a É uma ciência social que trata do estudo da alocação dos recursos escassos na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ou dese jos humanos b É uma ciência exata que trata do estudo da alocação dos recursos escassos na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ou desejos humanos c É uma ciência social que trata do estudo da alocação dos recursos ilimitados na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ou dese jos humanos d É uma ciência exata que trata do estudo da alocação dos recursos ilimitados na produção de bens e serviços para a satisfação das necessidades ou dese jos humanos e É uma ciência social que trata do estudo da matemática para alocar os recur sos ilimitados na produção de bens e serviços para a geração máxima de lucro 2 Estudamos alguns conceitos básicos de economia incluindo seu significado Em relação ao que foi discutido podemos afirmar que todos os problemas estudados em economia são originários de uma variável ou situação que é Assinale a alternativa correta a Desigualdade da distribuição de renda b Pouca produção nacional c Da escassez de recursos produtivos d Da corrupção dos agentes econômicos e Da abundância dos recursos produtivos 42 3 Dado que os recursos são escassos ou seja limitados e as necessidades huma nas são ilimitadas todas as economias independente do seu grau de desenvol vimento econômico procuram responder a quatro perguntas básicas Em rela ção a essas perguntas relacione a primeira coluna com a segunda coluna I O que produzir II Quanto produzir III Como produzir IV Para quem produzir a Público alvo b Variedade de bens e serviços c Quantidade d Processo produtivo Marque a alternativa que relaciona corretamente as colunas a Ia IIb IIIc IVd b Ib IIa IIId IVc c Ic IId IIIb IVa d Ib IIc IIId IVa e Id IIc IIIa IVb 4 Bens e serviços são tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana e podem ser classificados em econômicos materiais ou serviços Em relação aos bens econômicos materiais marque a alternativa correta I São bens tangíveis e estocáveis II Podem ser de consumo final consumo intermediário e de capital III O lançamento de uma campanha política é um exemplo de bem de consumo IV Os insumos de uma forma geral são exemplos de bens intermediários a Somente as afirmativas I e II estão corretas b Somente as afirmativas III e IV estão corretas c Somente as afirmativas I II e III estão corretas d Somente as afirmativas I II e IV estão corretas e Todas as afirmativas estão corretas 43 5 A economia é dividida em duas grandes áreas microeconomia e macroeconomia e cada um desses ramos é responsável pelo estudo de determinadas variáveis Em relação à divisão da ciência econômica marque a alternativa correta a Tanto a microeconomia quanto a macroeconomia estudam o país como um todo b A microeconomia é responsável por questões como a alta do dólar e a macro economia pela relação entre oferta e demanda c A microeconomia estuda os grupos isoladamente e a macroeconomia estuda a economia como um todo d Tanto a microeconomia quanto a macroeconomia estudam os grupos isola dos e A microeconomia estuda questões que não trazem grandes problemas para o país e a macroeconomia estuda os grandes problemas econômicos 44 POR QUE ESTUDAR ECONOMIA Imagine a seguinte situação uma moça escreve um email ao namorado e lê um livro de 150 páginas enquanto espera numa fila que durou mais de três horas O motivo disso é que um determinado posto de gasolina está fazendo uma super promoção e vendendo o litro do combustível a R299 para inaugurar novos postos da mesma rede A promoção durou das dez horas ao meio dia de um sábado e os consumidores só pode riam adquirir 69 litros Estou na fila desde que ela se formou Nunca vi o preço da gaso lina tão baixo e acho que isso não vai acontecer de novo contou Vera que dirigiu cerca de 14 quilômetros e chegou ao posto às oito horas mas já encontrou sete carros a sua frente Como meu carro já estava na reserva coloquei R 2 e continuei esclareceu Vera Acho que já gastei mais do que vou colocar no tanque agora contou João ao chegar à bomba depois de uma hora e meia de espera Uma mulher tentou furar a fila o que deu início a uma discussão João desistiu de esperar e ao ir embora bateu em um car ro Eu queria sair daquela confusão Essa gente é louca Tudo isso pra economizar uns trocados disse João ao registrar o boletim de ocorrência As pessoas desse relato se sacrificaram para comprar 15 galões de gasolina por um preço promocional de R299 Na época o litro de gasolina custava R370 Para alguns a decisão de aproveitar a promoção de gasolina pode parecer sem sentido mas para outros tratase de uma medida bastante razoável O que acontece é que para todos nós a decisão de comprar ou não a gasolina é basicamente a mesma compara mos os custos com os benefícios Precisamos fazer escolhas o tempo todo porque não temos tudo que queremos Após estudar a primeira Unidade no nosso livro você sabe que não é possível conseguir estudar ou trabalhar 40 horas por semana jogar futebol andar de bicicleta praticar sur fe ir ao cinema ler um romance e ainda sair pra se divertir com os amigos Simplesmen te não há tempo para fazer tudo isso é preciso escolher algumas atividades e deixar de lado as demais É disso que trata a economia a compreensão dos motivos que levam as pessoas a fazerem o que fazem A economia é um campo fascinante A economia analisa as decisões tomadas pelas pessoas e pelas empresas no que se re fere ao trabalho consumo investimento contratação de funcionários e precificação de serviços Estudam o funcionamento de economias inteiras e a interação entre elas o motivo para haver recessão em alguns momentos e crescimento em outros a diferença dos padrões de vida de um país para outro e a disparidade de riqueza entre as pessoas Fonte a autora Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR O livro da Economia Vários autores Editora Globo livros Sinopse escrito por um grupo de economistas professores jornalistas e analistas financeiros O Livro da Economia apresenta as bases do pensamento que pautou a evolução e as diversas teorias da economia em todo o mundo Numa escrita ágil o livro aborda a história de como a humanidade criou e entendeu o dinheiro o comércio a especulação as crises econômicas a partir dos principais nomes desta ciência Fartamente ilustrado esse livro é dividido em seis partes Iniciem o comércio 400 aC1770 A Era da Razão 17701820 Revoluções industrial e econômica 18201929 Guerra e depressões 19291945 Economia no pósguerra 19451970 e Economia contemporânea 1970presente Cada uma delas destaca teorias econômicas dos mais renomados pensadores de Aristóteles a John Maynard Keynes passando por Max Weber John Stuart Mill Vilfredo Pareto Joseph Schumpeter e Paul Krugman É possível entender assim a mão invisível do mercado de Adam Smith ou o valortrabalho de Karl Marx por exemplo e também saber do surgimento do primeiro banco Florença 1397 das primeiras cédulas impressas Banco da Escócia 1696 da criação do FMI 1944 e do nascimento dos Tigres Asiáticos acordo JapãoCoreia do Sul 1965 além do impacto do vapor e dos computadores em importantes revoluções na história econômica humana Comentário escrito por professores e estudiosos de maneira simples e acessível esse é um livro completo e atualizado sobre economia Nele há breves biografias de economistas citações dos grandes pensadores linha do tempo com os principais acontecimentos entre outros REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS MANKIW N G Introdução à Economia Princípios de Micro e Macroeconomia Rio de Janeiro Elsevier 2012 MENDES J T G Economia Fundamentos e Aplicações São Paulo Pearson Hall 2004 PASSOS C R M NOGAMI O Princípios de Economia São Paulo Cengage Lear ning 2012 ROSSETTI J P Introdução à Economia 20 ed São Paulo Atlas 2008 VASCONCELOS A S GARCIA M Fundamentos de Economia São Paulo Saraiva 2008 VICECONTI P E V NEVES S Introdução à Economia 10 ed São Paulo Frase Edi tora 2010 46 REFERÊNCIAS 47 GABARITO 1 A 2 C 3 D 4 D 5 C UNIDADE II Professora Drª Andréia Moreira da Fonseca Boechat INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Objetivos de Aprendizagem Apresentar os fundamentos da teoria do consumidor Entender a teoria da demanda Compreender a teoria da oferta Explicar a teoria da produção Descrever as estruturas de mercado Plano de Estudo A seguir apresentamse os tópicos que você estudará nesta unidade Fundamentos da teoria do consumidor Teoria da demanda Teoria da oferta Equilíbrio de mercado Teoria da produção Estruturas de mercado INTRODUÇÃO Olá caroa acadêmicoa Seja bemvindoa à segunda Unidade do nosso livro Economia e Sociedade Agora que você já conhece alguns conceitos básicos e fundamentais para o entendimento da economia e já sabe que esta ciência tão fantástica é dividida em duas grandes áreas microeconomia e macroeconomia podemos iniciar nossas discussões sobre a primeira grande área na qual fare mos uma introdução à microeconomia Então na Unidade II irei apresentar como os agentes econômicos família e empresa tomam suas decisões de compra e venda de bens e serviços e como o preço e quantidade são formados Para atingir o objetivo principal a unidade está dividida em cinco seções Na primeira seção discutiremos os fundamentos da teoria do consumi dor que mostram como os consumidores escolhem quais são os bens e serviços que irão demandar e em qual quantidade Na segunda seção apresentarei a tão famosa teoria da demanda em que definiremos demanda e veremos quais são os fatores que a afetam que tanto podem aumentar quanto reduzila Na terceira seção estudaremos o outro lado da relação ou seja a lei da oferta Aqui será apresentado o lado da empresa e o que faz com que a firma aumente ou reduza a quantidade que ela deseja produzir e vender Para finalizar a seção veremos as curvas de demanda e de oferta atuando conjuntamente É nesta rela ção que o preço e quantidade que conhecemos são formados Na quarta seção falaremos sucintamente sobre os principais custos econô micos alguns certamente você já ouviu falar eou estudou em outras disciplinas Para finalizar a unidade e o estudo da microeconomia descreveremos na quinta seção as quatro estruturas de mercados monopólio concorrência perfeita con corrência monopolística e oligopólio e como o preço se comporta em cada uma delas Preparadoa Bons estudos Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 51 INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 52 FUNDAMENTOS DA TEORIA DO CONSUMIDOR Na Unidade I foi apresentado que família e a empresa são agentes econômicos e fazem parte do sistema econômico capitalista Nesta seção estudaremos ape nas as família que são os consumidores e o seu comportamento em relação às decisões de consumo Você saberia me dizer quais são os fatores que os consumidores levam em con sideração ao escolher um determinado conjunto de bens e serviços No geral os consumidores possuem algumas características na relação entre a renda disponível e a escolha por bens e serviços Você saberia me dizer quais são estas caracte rísticas Você por exemplo como escolhe um determinado bem ou serviço As características que a maioria dos consumidores têm são segundo Mendes 2009 Excluindo a poupança os consumidores gastam toda sua renda em bens e serviços Os consumidores gastam sua renda em mais de um bem ou serviço ou seja possuem cestas de bens que veremos mais para frente Como vimos as necessidades humanas são ilimitadas por este motivo os consumidores raramente estão satisfeitos com a quantidade de pro dutos comprados Os consumidores procuram maximizar a satisfação total dado sua renda e os preços dos bens A partir dessas características sabemos que as pessoas têm preferência por alguns bens e serviços em relação a outros ou seja os consumidores também conheci dos como famílias são capazes de colocar as cestas de bens e serviços em ordem de acordo com suas preferências Quando menciono uma cesta de bens e servi ços quero dizer um conjunto de quantidades de determinados bens e serviços Para ficar mais didático essas cestas serão compostas por quantidades somente de dois bens eou serviços Esta situação pode ser representada a seguir Fundamentos da Teoria do Consumidor Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 53 C Q1 Q2 Onde C cesta de bens e serviços Q1 quantidade do bem ou serviço 1 Q2 quantidade do bem ou serviço 2 Como essa escolha por determinada cesta de bens e serviços é feita A esco lha que o consumidor faz por determinadas cestas de bens e serviços em relação a outras é feita a partir de três pressupostos Mais é melhor do que menos os consumidores preferem maiores quan tidades do que menores A preferência é completa os consumidores são capazes de comparar duas ou mais cestas de bens e serviços e escolher a que mais o agrada A preferência é transitiva dados três cestas A B e C e comparando duas cestas por vez entre A e B o consumidor prefere a cesta A entre B e C o consumidor prefere a cesta B então entre A e C o consumidor irá pre ferir a cesta A Esta situação por ser vista no esquema a seguir A B B C Então A C Para melhor entender o terceiro pressuposto vamos pensar no seguinte exem plo José nosso consumidor tem três cestas de bens e serviços disponíveis A B e C dado a sua renda e o preço dos bens conforme situação que segue Cesta A 2 canetas 3 borrachas Cesta B 1 caneta 2 lápis Cesta C 1 lápis e 2 borrachas Entre a cesta A e a cesta B José prefere a cesta A entre a cesta B e a cesta C ele escolherá a cesta B então como a A ganhou da B e a B ganhou da C se compa rarmos as cestas A e C José preferirá a A INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 54 UTILIDADE Os pressupostos da teoria do consumidor mostram as preferências de um deter minado consumidor por meio de uma função a chamada função utilidade que é definida por Mendes 2009 como o benefício ou satisfação que o consumo de um bem ou serviço pode gerar a uma pessoa A função utilidade pode ser representada como sendo U f Q1 Q2 Onde U utilidade f uma representação matemática que significa em função de que Q 1 quantidade do bem 1 Q 2 quantidade do bem 2 Existem dois tipos de utilidade a total e a marginal A utilidade total é a satisfa ção completa total pelo consumo de todas as quantidades consumidas de um determinado bem ou serviço Ela é crescente até certo ponto o chamado ponto de saturação após esse ponto ela vai decrescendo Diferentemente da utilidade total a utilidade marginal é a satisfação gerada pelo consumo de uma unidade a mais de um determinado bem ou serviço A utilidade marginal explica que o consumidor não gasta toda a sua renda em um único bem ou serviço pois se formos explicar de forma bem radical ele enjoa Diferente da utilidade total a utilidade marginal é decrescente ou seja reduz à medida que a pessoa vai consumindo quantidades adicionais de um bem ou serviço mantendo os demais constantes Para melhor entendimento da diferença entre utilidade total e marginal Mendes 2009 apresenta um exemplo que será utilizado porém fazendo algumas alterações Imagina José nosso consumidor no deserto do Saara morrendo de sede Ele encontra um vendedor de água e como está com sede e tem dinheiro comprará copos de água Para o primeiro copo José está disposto a pagar um valor muito alto pela água por exemplo 70 reais pois o grau de satisfação de consumo desse copo é muito alto Já no segundo copo José está disposto a pagar um valor ainda alto mas não tão alto quanto pagou pelo primeiro copo por exemplo 50 reais e assim sucessi vamente até chegar ao décimo copo no qual José não está mais disposto a pagar Fundamentos da Teoria do Consumidor Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 55 nada pela água pois o décimo copo não trará mais benefícios ao nosso consumi dor Se continuarmos analisando cada possível copo consumido chegaremos a um valor negativo ou seja o consumo por exemplo do décimo primeiro copo gera uma repulsa Observe essa situação na Tabela 1 Tabela 1 Utilidades Total e Marginal do consumo de copos de água por José QUANTIDADE DE COPOS DE ÁGUA UTILIDADE TOTAL UTILIDADE MARGINAL 0 0 1 70 70 2 120 50 3 165 45 4 190 25 5 210 20 6 225 15 7 235 10 8 240 5 9 242 2 10 243 1 Fonte Mendes 2009 A Tabela 1 representa as utilidades total e marginal de José ao consumir os copos de água Como você vê o valor que José está disposto a pagar por cada copo reduz à medida que o consumo aumenta sendo o primeiro copo 70 reais e o décimo copo apenas um real Então você percebeu que a utilidade marginal foi caindo ou seja o grau de satisfação de José por cada copo de água reduz ao longo do consumo Já a utilidade total que é a soma de todas as utilidades aumentou Para melhor entendimento desta situação vamos visualizar a Figura 1 INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 56 Utilidade Total Utilidade Marginal Q U Figura 1 Representação das curvas de utilidades total e marginal Fonte a autora A Figura 1 confirmou o que eu vinha afirmando até agora sobre a função utili dade a utilidade total aumenta conforme aumenta a quantidade consumida de um determinado bem ou serviço e a utilidade marginal decresce à medida que aumenta o consumo de um determinado bem ou serviço Na prática essa situação acontece em um rodízio de pizzas ou carnes por exemplo Quando chegamos ao restaurante estamos com tanta fome que o primeiro pedaço de pizza gera um grau de satisfação enorme Porém con forme vamos comendo nossa fome vai acabando e a satisfação gerada vai reduzindo até chegar ao ponto que não querermos mais pizza e pedir ao garçom para não oferecer mais uti lidade marginal negativa É importante observar que repre sentei a utilidade tanto total como marginal por meio de dinheiro mas apenas para facilitar o entendimento Como a utilidade é a satisfação gerada pelo consumo de bem ou serviço não é fácil quantificar pois o grau de Fundamentos da Teoria do Consumidor Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 57 satisfação é diferente para cada pessoa Então utilidade não é medida por meio de números mas sim de grau de satisfação CURVA DE INDIFERENÇA Outra curva importante que deve ser analisada antes de estudarmos a teoria da demanda de fato é a curva de indiferença que mostra as cestas que o con sumidor considera indiferente ou seja as possíveis cestas que o consumidor desejaria adquirir de acordo os pressupostos que estudamos no início da uni dade Claro que irei apresentar a curva de indiferença de forma simplificada pois este é um livro de introdução à economia Vamos supor que José consome refrigerantes e pipoca e que dado sua renda e o preço destes bens existam qua tro cestas disponíveis Tabela 2 Cestas de José compostas por refrigerantes e pipocas CESTA QUANTIDADE DE PIPOCAS QUANTIDADE DE REFRIGERANTES C1 14 1 4 C2 23 2 3 C3 32 3 2 C4 41 4 1 Fonte a autora A Tabela 2 mostra quatro cestas compostas por refrigerantes e pipocas que José pode adquirir dado a sua renda e o preço dos bens Observe a representação da Tabela 2 em gráfico na Figura 2 para melhor visualização INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 58 Curva de indiferença Pipocas Refrigerantes 4 3 2 1 0 4 3 C1 C4 C3 C2 2 1 Figura 2 Curva de indiferença de José para refrigerantes e pipocas Fonte a autora Conforme pode ser visto na Figura 2 qualquer cesta sobre a curva de indiferença é como o nome já diz indiferente para José adquirir Podemos ver também que assim como na curva de utilidade marginal a curva de indiferença é negativa mente inclinada O motivo é que de acordo com os pressupostos da teoria do consumidor mais é melhor do que menos TEORIA DA DEMANDA Agora vamos começar o estudo da teoria de demanda pois até este momento vimos os fundamentos da teoria do consumidor A teoria da demanda tem como objetivo tratar das necessidades dos consumidores ou seja procura explicar o comportamento do consumidor ao escolher bens e serviços Na Unidade I você viu que qualquer economia procura responder a quatro perguntas básicas O que produzir Quanto produzir Para quem produzir Como produzir Destas as três primeiras são respondidas pela teoria do consumidor Porém o que é demanda Passos e Nogami 2012 definem demanda como a quantidade de um deter minado bem ou serviço que um consumidor deseja e está capacitado a comprar Teoria da Demanda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 59 por unidade de tempo A palavra deseja está em destaque porque a demanda é uma intenção de compra e não a compra efetiva Outros três elementos devem ser discutidos sobre a definição de demanda a Só existe demanda se a pessoa puder pagar pelo bem ou serviço Se não puder pagar não há demanda Então o sonho de consumo que muitas vezes temos não é considerado demanda pois não podemos pagar por ele b O conceito de demanda está relacionado à ideia de utilidade Isto mesmo aquela utilidade que vimos no Tópico 1 desta unidade Só existirá demanda se aquele bem ou serviço gerar algum tipo de satisfação para o consumidor Se não gerar satisfação não há demanda pois quem irá desejar um bem ou ser viço sem utilidade c A demanda vem sempre acompanhada da unidade tempo pois ela altera com o tempo Se a demanda é uma intenção de compra dado a renda e o preço do bem com o tempo o preço altera e a renda também então a demanda é alte rada Podemos concluir que a demanda é dinâmica Agora que você já sabe o conceito de demanda vamos representála grafi camente A curva de demanda é representada conforme Figura 3 D Q P Figura 3 Representação da curva de demanda Fonte a autora Conforme visto na Figura 3 a curva de demanda D é a relação entre preço P e quantidade Q e é negativamente inclinada Você sabe me responder por que a curva de demanda é negativamente inclinada INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 60 A curva de demanda é negativamente inclinada porque conforme o preço aumenta a quantidade que os consumidores estão dispostos a adquirir reduz pois se o preço aumentar os consumidores irão substituir o consumo do bem pelo seu subs tituto Este efeito é chamado de efeito substituição Outro motivo que faz com que a curva de demanda seja negativamente inclinada é o chamado efeito renda que nos diz que ao aumentar a renda o consumidor irá demandar quantidades maiores de um determinado bem Então a utilidade marginal que estudamos no Tópico 1 explica que a curva de demanda é negativamente inclinada pois conforme o preço altera a quantidade demandada também altera efeito substituição e alterações na renda alteram a quantidade de demanda efeito renda Para facilitar a explicação anterior vou mostrar um exemplo José nosso con sumidor deseja ir ao cinema ver os filmes que acabaram de ser lançados Neste exemplo cinema é nosso bem Dependendo do preço do ingresso José está dis posto a ir mais de uma vez ao mês Conforme Tabela 3 Tabela 3 Demanda por ingressos para cinema de José PREÇO DO INGRESSO QUANTIDADES DE IDA AO CINEMA 15 1 12 2 10 3 7 4 5 5 Fonte a autora Analisando a Tabela 3 e a representando graficamente podemos ver que con forme o preço do ingresso para o cinema reduz a quantidade demandada ou seja a quantidade de vezes que José está disposto a ir ao cinema aumenta o que faz com que a curva de demanda seja negativamente inclinada Teoria da Demanda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 61 5 4 3 2 1 0 15 12 10 7 5 D Q P Figura 4 Representação da curva de demanda de José para ingressos de cinema Fonte a autora Claro que representamos a curva de demanda de apenas um consumidor mas tam bém temos a curva de demanda de mercado que é a soma das curvas de demanda individuais de um determinado bem que está sendo vendido a um determinado preço Independentemente de ser curva de demanda individual ou de mercado ela será sempre negativamente inclinada pelos motivos que já explicamos FATORES QUE AFETAM A CURVA DE DEMANDA Após entender o conceito de demanda e o que de fato significa para a ciência econômica vou apresentar alguns fatores que afetam a curva de demanda tanto positiva quanto negativamente ou seja fatores que fazem a demanda aumentar ou diminuir e um fator que determina a demanda O fator que determina a demanda é o preço do bem ou serviços em questão Neste caso como discutimos até agora um aumento do preço faz com que a quan tidade que os consumidores estão dispostos a consumir reduz e viceversa Assim não há um deslocamento da curva de demanda apenas os pontos sobre a curva que deslocam isto é chamado de alteração na quantidade demandada e não alte ração na demanda Já os fatores que afetam e portanto deslocam a curva de demanda para a direita ou para a esquerda são diversos irei apresentar a você alguns deles INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 62 a Renda A renda é um dos principais fatores que afetam a curva de demanda Então de acordo com ela os consumidores irão escolher qual das cestas de produtos disponíveis irá demandar A partir da variação da renda e do impacto que esta variação causa na quantidade demandada os bens podem ser classificados em Normal quando há um aumento de renda a quantidade demandada do bem ou serviço aumenta A maioria dos bens são normais pois quando a pes soa tem um aumento de renda ela passa a demandar mais daquele bem Neste caso a curva de demanda se desloca para a direita ou seja para cima Inferior quando há aumento da renda a pessoa passa a consumir menos daquele bem Por exemplo se José nosso consumidor tiver um aumento de salário ele passará a consumir mais carne de primeira Neste caso a curva de demanda para carne de segunda se desloca para a esquerda ou seja para baixo Consumo saciado independentemente da renda a quantidade deman dada será a mesma ou seja mesmo que José passe a receber um salário maior ou o preço do bem reduzir não irá demandar mais ou menos quantidades por exemplo de sal Neste caso a curva de demanda não se desloca pois não há aumento ou redução da demanda b Preço dos bens complementares Bens complementares são os bens que são consumidos juntos por exemplo café e açúcar arroz e feijão pão e manteiga etc Então se o preço de um bem aumentar café a quantidade demandada de café e do seu complementar que é o açúcar reduzirá deslocando a curva de demanda para a esquerda c Preço dos bens substitutos Bens substitutos são aqueles bens que têm praticamente as mesmas caracte rísticas e por este motivo pode ser substituído um pelo outro Por exemplo bolo de chocolate e bolo de coco manteiga e margarina pão francês e pão de forma entre outros Como são bens que podem ser substituídos quando o preço de um aumen tar por exemplo da manteiga a quantidade demandada dela cairá e a quantidade demandada do seu substituto no caso da margarina aumentará Neste caso a curva de demanda de manteiga se desloca da para a esquerda ou seja para baixo e a curva de demanda de margarina se desloca para a direita Teoria da Demanda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 63 d PropagandaMarketing A propagandamarketing cria uma necessidade de consumo Então é um instru mento muito utilizado para aumentar a quantidade demandada de determinados bens e serviços deslocando a curva de demanda para a direita e Expectativa sobre o futuro Outro fator que afeta a curva de demanda é a expectativa que o consumidor tem em relação ao futuro Se José acredita que receberá um aumento daqui a noventa dias a demanda dele hoje aumentará caso contrário se ele está em aviso prévio a demanda dele hoje reduzirá f Fatores Climáticos O clima é outro fator que afeta a curva de demanda No inverno a demanda por biquínis reduz enquanto a demanda por calças aumenta Outro exemplo a demanda de aquecedor na região Norte do Brasil é quase nula pois não tem clima para utilizar este tipo de aparelho enquanto a demanda por ar condicionado na Noruega é baixa g Hábitoscostumes A demanda de alguns bens variam conforme o hábito e costume da região Por exemplo na Índia a vaca é sagrada então a demanda por carne bovina é quase nula enquanto no Brasil é alta h Entre outros Citei alguns fatores que afetam a curva de demanda mas temos diversos outros É importante lembrar que qualquer fator que aumente a demanda deslocará a curva de demanda para a direita conforme a Figura 5 Em compensação qual quer fator que reduz a demanda desloca a curva de demanda para a esquerda de acordo com a Figura 6 A propaganda e o marketing criam necessidade de consumo mas o que acontece nos dias atuais com uma propaganda negativa Qual é o papel das redes sociais nesse sentido INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 64 D D Q P Figura 5 Deslocamento da curva de demanda para a direita Fonte a autora A Figura 5 mostra o deslocamento da curva de demanda para direita ou seja quando algum dos fatores que estudados anteriormente aumenta a demanda por exemplo aumento da renda aumento do preço do bem substituto etc D D Q P Figura 6 Deslocamento da curva de demanda para a esquerda Fonte a autora A Figura 6 mostra o deslocamento da curva de demanda para esquerda ou seja quando algum dos fatores que estudados anteriormente reduz a demanda por exemplo redução da renda aumento do preço do bem complementar etc Teoria da Demanda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 65 Não podemos deixar de observar que quando falamos em uma alteração na quantidade demandada em função de uma variação no preço do próprio bem a curva de demanda não se desloca alterando apenas os pontos sobre a curva ELASTICIDADES Outro conceito muito importante para estudar na teoria do consumidor é a elas ticidade que pode ser definida segundo Mendes 2009 como uma medida de resposta que compara a mudança percentual de uma variável devido a uma mudança percentual em outra variável Por exemplo sabemos que a redução do preço de um bem aumenta sua demanda mas não sabemos em exatamente quanto é este impacto que a elasti cidade mostra Existem três tipos de elasticidades a Elasticidade preço A elasticidade preço mostra o impacto da variação do preço na quantidade da demanda de um determinado bem ou serviço Neste caso os bens ou serviços podem ser classificados em Elásticos quando a elasticidade preço for maior do que 1 Isso significa que conforme o preço aumenta a quantidade demandada reduz Por exemplo se o preço aumentou em 1 a quantidade demandada redu zirá em mais do que 1 Em geral bens não muito essenciais são elásticos como lazer e vestuário Inelásticos quando a elasticidade preço for menor do que 1 Isto significa que conforme o preço aumenta a quantidade demandada não reduz de forma significativa permanecendo mais ou menos constante Por exemplo se o preço aumentar em 1 a quantidade demandada reduz em menos do que 1 Em geral os bens mais essenciais são inelásticos como combustível e alimentos INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 66 Elasticidade unitária quando a elasticidade preço for igual a 1 Isto significa que um aumento no preço reduz a quantidade demandada na mesma proporção ou seja um aumento de 1 no preço acarreta uma redução de 1 na quantidade demandada Um exemplo é o sal Alguns fatores fazem com que o bem ou serviços sejam mais elásticos do que outros Podemos citar de acordo com Mendes 2009 Grau de essencialidade do produto quanto mais essencial ou necessário for o bem mais inelástico ele vai ser como é o caso da água Mesmo que o preço aumente não tem como substituir a água tão facilmente então a quantidade demandada não alterará Disponibilidade de produtos substitutos para o bem considerado quanto maior for o número de bens substitutos para o produto em ques tão mais elástico ele será Por exemplo refrigerantes Caso o preço do refrigerante aumente podemos substituílo por suco água ou outra marca de refrigerante Número de utilizações que se pode dar ao produto quanto maior for o uso do produto maior será a elasticidade Por exemplo a soja se o preço do óleo de soja varia a soja poderá ser utilizada para outros fins como farelo Teoria da Demanda Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 67 Proporção da renda gasta com produtos quanto maior for a renda pro porcional gasta com um produto mais elástico ele será Por exemplo se o preço de uma televisão aumenta a demanda reduzirá mais do que se o preço do açúcar aumentar mantendo a renda constante b Elasticidade preço cruzada A elasticidade preço cruzada mede o impacto da variação do preço de um bem na quantidade demanda do outro bem Neste caso os bens podem ser substitu tos ou complementares Se após o cálculo da elasticidade preço cruzada o valor for positivo os bens ou serviços alisados são substitutos Se for negativo os bens ou serviços são complementares c Elasticidade renda A elasticidade renda mede o impacto da variação da renda na quantidade demandada de um determinado bem Como já estudados se a renda aumenta e a quantidade demandada também aumenta o bem é normal e neste caso o coeficiente será posi tivo caso contrário o bem é inferior e o resultado da elasticidade renda é negativo INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 68 TEORIA DA OFERTA Estudamos o lado do consumidor na teoria da demanda Agora iremos analisar o outro lado o do produtor em outras palavras a oferta Então a teoria da oferta analisa os principais aspectos relacionados à oferta de mercado ou melhor estuda o comportamento das empresas Sintetizando a teoria da oferta estuda a resposta do produtor aos incentivos de mercado relacionados à quantidade demandada custos incentivos governamentais disponibilidade de fatores de produção etc Então o que é oferta A oferta pode ser definida segundo Passos e Nogami 2012 como a quantidade de um bem ou serviço que uma determinada empresa deseja vender por unidade de tempo Mais uma vez a palavra deseja está negri tada isto porque dependendo do preço do bem as empresas têm um incentivo à aumentar a produção mas não significa que de fato aumentem pois aumen tar a produção depende de outros fatores e não somente o preço que a empresa deseja vender seu produto Outra observação é em relação a unidade de tempo Vimos na teoria da demanda que a demanda altera com o tempo A oferta tem o mesmo funciona mento com o tempo poderá ser alterada Teoria da Oferta Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 69 A curva de oferta é representada conforme Figura 7 O Q P Figura 7 Representação da curva de oferta Fonte a autora Você percebeu que o formato da curva de oferta é oposto da curva de demanda já que a curva de oferta é positivamente inclinada Vamos ver o motivo Imagina uma empresa que venda sanduíches congelados e que tem a seguinte oferta Tabela 4 Oferta de uma empresa hipotética PREÇO POR SANDUÍCHE QUANTIDADE OFERTADA MILHÕES DE SANDUÍCHES 5 18 4 16 3 12 2 7 1 0 Fonte a autora Pela Tabela 4 você percebeu que conforme o preço do sanduíche congelado reduz a quantidade que a empresa deseja vender também diminuiu fazendo com que a curva seja positivamente inclinada Transformando a Tabela 4 em um gráfico INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 70 18 16 12 7 0 5 4 3 2 1 O Q P Figura 8 Gráfico representativo da curva de oferta para empresa hipotética de sanduíches congelados Fonte a autora A Figura 8 confirma o que a Tabela 4 mostrou conforme o preço do sandu íche congelado reduziu a quantidade que a empresa deseja vender também diminuiu chegando ao ponto que a R 100 a empresa não está disposta a vender nenhum sanduíche Qual a explicação que ao preço de R 100 a empresa não está disposta a vender o produto A preços muito baixos as empresas não têm incentivo de aumentar sua produção e poderão ofertar outro tipo de produto no caso outro tipo de lanche congelado como cachorroquente que tenha um preço de mercado mais alto FATORES QUE AFETAM A CURVA DE OFERTA Agora que você conhece o conceito de oferta vou apresentar alguns fatores que afetam positiva e negativamente a curva de oferta Assim como na demanda o preço do bem ou do serviço afeta a curva Teoria da Oferta Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 71 de oferta mas não a desloca Quanto maior for o preço maior será a quan tidade ofertada Caso contrário se o preço diminuiu a quantidade ofertada também diminuiu Já os fatores que afetam e deslocam a curva de oferta segundo Mendes 2009 são a Preço dos insumos Um aumento no preço dos insumos aumenta os custos da empresa e podem reduzir a produção pois caso não seja repassado ao preço final a empresa terá menos lucro deslocando a curva de oferta para a esquerda b Tecnologia A tecnologia é uma ótima forma de aumentar a produção utilizando a mesma quantidade de fatores de produção assim reduzindo os custos e aumentando a oferta deslocando a curva de oferta para a direita c Preço dos produtos competitivos Quando se fala em produtos competitivos referese a produtos alternativos do processo de produção ou seja são produtos que utilizam mais ou menos o mesmo processo produtivo Neste caso a empresa escolherá produzir e vender aquele produto que tem um preço de mercado mais alto Esta foi a situação no nosso exemplo da empresa hipotética de sanduíches congelados no qual ao preço de R100 a empresa optaria em ofertar outro tipo de sanduíche INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 72 d Políticas do governo Dependendo da política pública do governo a empresa tem incentivo para aumen tar ou reduzir a produção Por exemplo subsídio é um incentivo para as empresas aumentarem a produção Eles acontecem principalmente no setor agropecuário e Influências especiais As influências especiais como uma condição meteorológica afeta alguns seto res e fazem as empresas aumentarem ou reduzirem a produção Por exemplo uma chuva causa redução na produção dos agricultores diminuindo a oferta Teoria da Oferta Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 73 Como vimos alguns fatores afetam e deslocam a curva de oferta para a direita ou para a esquerda Qualquer fator que reduza custos é um incentivo para a empresa aumentar a produção deslocando a curva de oferta para a direita essa situação pode ser vista na Figura 9 O O Q P Figura 9 Deslocamento da curva de oferta para a direita Fonte a autora Agora qualquer fator que aumente o custo ou que reduza o lucro é um incen tivo para a empresa reduzir a produção deslocando a curva de oferta para a esquerda conforme Figura 10 O O Q P Figura 10 Deslocamento da curva de oferta para a esquerda Fonte a autora INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 74 Não posso deixar de observar que quando falamos em uma alteração na quan tidade ofertada em função de uma variação no preço do próprio bem a curva de oferta assim como a curva de demanda não se desloca ELASTICIDADE PREÇO DA OFERTA Como vimos no subtópico anterior o produto responderá a alterações no preço e esta resposta pode ser medida pela elasticidade preço da oferta Então Mendes 2009 define elasticidadepreço da oferta como mudança percentual na quan tidade ofertada de um bem ou serviço em resposta a uma variação no preço mantendo os demais fatores constantes Assim como na demanda a elasticidade preço da oferta pode ser de três tipos Elástica Uma oferta é elástica quando o coeficiente é maior do que 1 Então um aumento nos preços em 1 faz com que a quantidade ofertada aumente mais do que 1 Inelástica Uma oferta é inelástica quando o coeficiente é menor do que 1 Então um aumento nos preços em 1 faz com que a quantidade ofertada aumente menos do que 1 Elasticidade Unitária Uma oferta tem elasticidade unitária quando o coeficiente é igual a 1 Então um aumento nos preços em 1 faz com que a quantidade ofertada aumente exatamente 1 Equilíbrio de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 75 EQUILÍBRIO DE MERCADO Nos Tópicos 1 2 e 3 desta segunda unidade estudamos separadamente o com portamento dos consumidores e das empresas mas sabemos que no mundo real a oferta e a demanda atuam conjuntamente e o preço e a quantidade que são ven didas no mercado se dá quando as duas curvas oferta e demanda se interceptam Agora irei apresentar o equilíbrio em mercados competitivos ou seja mer cados que são formados por um grande número de compradores e vendedores Fiz a observação que o equilíbrio discutido é em mercados competitivos pois temos outros mercados como os poucos competitivos e os sem competição no qual o equilíbrio se dá em outro ponto ou seja a relação entre demanda e oferta funciona de outra forma sendo o preço formado em um ponto mais alto mas isso discutiremos na próxima seção desta unidade O equilíbrio em mercados competitivos pode ser visto na figura a seguir E D O Q Q P P Figura 11 Equilíbrio em um mercado competitivo Fonte a autora Analisando a Figura 11 podemos perceber que o ponto onde as curvas de oferta O e demanda D se encontram é o ponto de equilíbrio E e este mostra o preço e quantidade negociadas no mercado P e Q respectivamente Qualquer preço acima de P significa que haverá mais oferta do que demanda ou seja INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 76 teremos um excesso de oferta e pela lei da oferta e da demanda oferta maior que demanda o preço tende a baixar Então pontos acima de P fazem com que sobrem produtos no mercado e o preço automaticamente reduzirá De outra forma qualquer ponto abaixo de P significa que teremos um excesso de demanda ou seja mais pessoas desejando adquirir o bem ou serviço do que empresas dispostas de vender Nesse caso o preço aumentará de modo a che gar o ponto E que é o ponto de equilíbrio Todos os fatores estudados nos tópicos anteriores que afetam as curvas de demanda como renda preço dos produtos complementares e substitutos expec tativa sobre o futuro entre outros e todos os fatores que vimos que afetam a curva de oferta como tecnologia preço dos produtos relacionados interferên cia governamental etc afetam o ponto de equilíbrio O governo também pode afetar o ponto de equilíbrio por meio de a Fixação de preços mínimos Acontece quando o governo fixa o preço mínimo que seria vendido no mercado Este instrumento tem como objetivo beneficiar o produtor de forma a garantir um nível de preço superior ao preço de equilíbrio Um exemplo seria o mer cado de trabalho por meio de fixação do salário mínimo Outro mercado que participa desta política é o mercado agrícola no qual o governo se compromete a adquirir a produção caso o preço de mercado esteja abaixo do preço fixado b Fixação de preços máximos Acontece quando o preço vendido no mercado está muito alto e o governo com o objetivo de defender o consumidor estabelece um preço máximo que as empre sas podem vender seus produtos O preço máximo será sempre menor do que o preço de equilíbrio ou seja abaixo de P c Subsídios Neste caso o governo com o objetivo de desenvolver determinados setores paga uma parte dos custos produtivos da empresa assim a empresa terá incen tivo para aumentar a quantidade ofertada eou reduzir preço Com subsídio o preço fica abaixo de P d Congelamento e tabelamento de preços Utilizado na década de 80 e no início da década de 90 para combater a inflação O governo congela preços eou salários de forma a definir o P Teoria da Produção Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 77 TEORIA DA PRODUÇÃO Após compreendermos a teoria da demanda e a teoria da oferta conheceremos os conceitos que fazem parte da chamada Teoria da Produção OS CUSTOS DE PRODUÇÃO Sabemos que o principal objetivo das empresas é o lucro O lucro é a diferença entre receita total e custo total Então para uma empresa ter lucro é importante gerenciar os custos de produção de forma a tentar reduzilos o máximo possível A partir do exposto é importante que você futuroa tomadora de decisões entenda os custos básicos da produção Temos os custos explícitos que são os gastos monetários como despesa com salário aluguel compra de matériaprima etc e os custos implícitos que são os custos de oportunidade que discutimos na Unidade I do nosso livro Os custos são 1 Custos fixos CF São as despesas que a empresa terá que pagar independentemente da produção Exemplos certos impostos aluguel seguro salários etc 2 Custos variáveis CV São as despesas que a empresa tem ao produzir Quanto mais ela produzir maio res serão os custos variáveis Exemplo matériaprima energia elétrica etc 3 Custo total CT É a soma dos custos fixos com os custos variáveis INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 78 4 Custo fixo médio CFme É o custo fixo dividido pela quantidade produzida Q CFme CFQ É importante observar que o custo fixo médio reduz quando a produção aumenta 5 Custo variável médio CVme É o custo variável dividido pela quantidade produzida CVme CVQ Diferentemente do custo fixo médio o custo variável médio aumenta con forme a quantidade produzida aumenta 6 Custo médio Cme É o custo total dividido pela quantidade produzida Cme CTQ Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 79 ESTRUTURAS DE MERCADO A interação entre oferta e demanda acontece no mercado e forma o preço Esta interação muda para cada estrutura do mercado Então Mendes 2009 define estrutura de mercado como sendo Estrutura de mercado se refere às características organizacionais de um mercado ou seja grau de concentração grau de diferenciação do produto grau de dificuldade ou barreira à entrada MENDES 2009 p 103 Como você viu na definição de Mendes a estrutura de mercado engloba três características Vamos entender cada uma delas a Grau de concentração É o tamanho do mercado em outras palavras número de vendedores e compradores que fazem parte daquele mercado Dependendo da quantidade de empresas e consumidores dizemos que o mercado é concentração ou com petitivo Uma forma de medir é pelos índices de mercado Quando as quatro maiores empresas que fazem parte deste mercado detêm pelo menos 75 da quantidade comercializada dizemos que é um mercado altamente concentrado Um dos maiores problemas de mercado muito concentrado é que as empre sas conseguem definir o preço que será vendido seu produto e esse preço em geral é mais alto do que em mercados competitivos Outros problemas podem ser em relação à quantidade e à qualidade do produto b Grau de diferenciação do produto O grau de diferenciação do produto referese a quanto um bem ou serviço que está sendo negociados no mercado é diferente Pela visão da economia quanto mais heterogêneo for um bem ou seja quanto mais diferente o bem for menos produtos substitutos teremos para este produto e portanto mais inelástico ele será em outras palavras mesmo que o preço de um bem ou serviço heterogêneo aumentar a quantidade demandada não muda pois não há substitutos próximos A diferenciação pode ser obtida de diferentes formas Mendes 2009 cita ingredientes de qualidade superior prêmios oferecidos serviços especiais como entrega delivery e embalagens especiais como formas da empresa diferenciar seu produto e portanto aumentar seu preço INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 80 Você saberia me dar um exemplo de um produto homogêneo e um dife renciado Em geral produtos agropecuários como soja e milho in natura são produtos homogêneos pois a soja do produtor A é igual a soja do produtor B Como produtos diferenciados podemos citar os produtos semiindustrializados e os industrializados como comida congelada roupas sapatos etc c Barreiras à entrada Barreiras à entrada pode ser definida como o grau de dificuldade que uma nova empresa tem em fazer parte do mercado E podem ser Economia de escala acontecem quando a empresa aumenta a quan tidade produzida e consegue reduzir seu custo médio no longo prazo Existem diversas formas de conseguir gerar economia de escala como especialização da mão de obra utilização de tecnologia compra de fato res de produção em grandes quantidades entre outros Desvantagens de custo quando a empresa que deseja fazer parte do mer cado tem alguma desvantagem em custo como pouca experiência no setor pouco domínio tecnológico ou ainda grande necessidade de propaganda Com base no que foi discutido os mercados podem ser classificados quanto à competitividade em Competitivos concorrência perfeita e concorrência monopolística Pouco competitivos oligopólio Sem competição monopólio O Quadro 1 mostra de forma simplificada como os mercados podem ser clas sificados quanto ao número de empresas e ao tipo de produto ou seja nas características que discutimos anteriormente Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 81 Quadro 1 Classificação dos mercados NÚMERO DE EMPRESAS TIPO DE PRODUTO ESTRUTURA DE MERCADO Muitas homogêneo Concorrência perfeita Muitas diferenciados Concorrência monopolística Poucas Homogêneo ou diferenciado Oligopólio Uma diferenciado Monopólio Fonte adaptado de Mendes 2009 Conforme podemos visualizar no Quadro 1 quando existe um grande número de empresas e o produto comercializado é homogêneo ou seja idêntico esse mercado é de concorrência perfeita Agora se forem muitas empresas que ven dem produtos diferenciados o mercado é concorrência monopolística Por outro lado se tivermos poucas empresas mesmo que vendam produ tos idênticos ou não estamos nos referindo a um oligopólio e se for uma única empresa que comercializa um produto altamente diferenciado é um monopó lio Veremos agora cada uma dessas estruturas CONCORRÊNCIA PERFEITA OU PURA Para iniciar nossos estudos sobre as estruturas de mercado discutiremos inicial mente a concorrência perfeita ou também como é conhecida a concorrência pura Está é com absoluta certeza a estrutura de mercado menos real pois como você verá pelas características é muito difícil achar um setor ou uma empresa que apre sente todas as características para que possa ser incluída na concorrência perfeita Depois desta declaração você deve estar se perguntando então qual o motivo de apresentar a você a concorrência perfeita É importante estudarmos esta estrutura de mercado pois é considerada apesar de não muito real a estrutura ideal em termos de concorrência INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 82 Um mercado em concorrência perfeita ou pura tem como características Grande número de compradores e vendedores O número de vendedores e compradores nesse mercado é tão grande que as decisões individuais não influenciam o preço Então dizemos que na concor rência perfeita o preço é determinado no mercado pela oferta e demanda que é praticamente o mesmo para todos os vendedores Produtos homogêneos Os produtos são homogêneos ou idênticos de forma que o bem do vendedor A é substituto perfeito do bem do vendedor B Por esta razão que o preço é pra ticamente constante já que como os produtos são idênticos se um vendedor aumentar seu preço os consumidores irão comprar no outro produtor Ausência de restrições artificiais livre mercado Dizemos que na concorrência perfeita ou pura o governo não deve intervir no mercado por exemplo por congelamentos e tabelamentos de preços em outras palavras o mercado deve funcionar livremente Ausência de barreiras à entrada Como já discutimos barreiras à entrada é o grau de dificuldade que uma nova empresa tem em entrar no mercado Na concorrência perfeita ou pura não há barreiras à entrada ou seja qualquer empresa pode fazer parte do mercado sem maiores custos ou dificuldades Perfeito conhecimento Como os produtos são homogêneos uma empresa conhece todas as informa ções dos seus concorrentes como preços processos produtivos etc As quatro primeiras características caracterizam a concorrência pura e ao incluir a quinta característica falamos em concorrência perfeita Como estamos em um curso de graduação trabalharemos com a concorrência perfeita Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 83 Como já dito na realidade a situação concorrência perfeita ou pura seria uma situação ideal mas que de fato não acontece O mercado que mais se apro xima desse tipo de estrutura de mercado é o agropecuário MONOPÓLIO O monopólio é assim como a concorrência perfeita uma situação extrema mas real Situação esta indesejável pois pode prejudicar o consumidor já que não temos concorrência As características do monopólio são Uma única empresa Como o próprio nome já diz no monopólio só temos uma única empresa Produtos altamente diferenciados Os produtos são altamente diferenciados ou seja são únicos Neste caso o consumidor não consegue substituílo por outro Não há concorrência Se só temos uma única empresa não existe concorrência no mercado monopolista Considerável controle de preço por parte da empresa A empresa monopolista é formadora de preços ou seja como ela é única conse gue controlar e definir qual será o preço praticado no mercado Por essa razão o governo se preocupa com as práticas dos monopolistas De acordo com Mendes 2009 o governo pode controlar o monopólio de duas formas a Controle de preço o governo pode exigir que o monopolista produza até que custo marginal seja igual preço Esta é uma prática difícil pois o governo precisaria conhecer toda a estrutura de custo da empresa b Política de taxação o governo pode taxar o monopolista de forma a redu zir seu lucro A taxação pode ser de três formas INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 84 Pagamento de uma licença anual Tributação sobre lucro Imposto sobre vendas As duas primeiras afetam o custo fixo reduzem ou até mesmo eliminam o lucro da empresa e mantêm o preço para o consumidor Já o imposto sobre vendas afeta os custos variáveis e reduz a quantidade produzida É importante observar que mesmo sendo uma única empresa se o mono polista quiser aumentar sua venda ele deverá reduzir o preço do seu produto Uma estratégia utilizada pelo monopolista para vender mais é pela política de discriminação de preços Está é uma prática que ocorre quando um monopo lista vende o mesmo produto para consumidores diferentes e a preços diferentes Para isso é necessário 1 Separar os mercados fisicamente de modo que um consumidor não con siga comprar no outro mercado 2 Verificar a elasticidadepreço da demanda de cada mercado O mercado consumidor mais elástico o monopolista coloca um preço mais baixo e para o mercado mais inelástico o preço é mais alto Deste modo a empresa monopolística consegue aumentar sua receita Podemos citar como exemplo de prática de discriminação de preços Tarifa de energia elétrica residencial comercial industrial e rural Ligação telefônica de dia e a noite Passagens aéreas em baixa e alta temporada Meia entrada em cinemas teatros shows para estudantes e idosos Entre outros Então você percebeu pelos exemplos que não é somente uma empresa monopo lística que pratica a discriminação de preços esta também é uma prática comum em outras estruturas de mercado Altas barreiras à entrada Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 85 A última característica do monopólio são as altas barreiras à entrada O grau de difi culdade que uma nova empresa tem em fazer parte do mercado é muito grande e muitas vezes não é economicamente viável termos uma concorrente como é o caso que acontece nos monopólios naturais Então os monopólios surgem por diver sas razões entre elas regulamentações do governo e pelos processo de produção Para finalizar existem alguns exemplos de setores que são monopólio como setores de rodovias pedagiadas setor elétrico saneamento básico extração de petróleo em algumas cidades transporte coletivo ônibus entre outros O maior problema do monopólio é que como não há concorrentes a empresa pode cobrar um preço muito alto ou ofertar uma quantidade baixa além de não se preocupar com a qualidade Por esses motivos o governo sempre acompanha e regula as empresas pertencentes ao monopólio Claro que o monopólio é essencial em alguns setores pois não é econo micamente viável ter uma concorrente como nos setores de energia elétrica e saneamento básico Neste caso chamamos o monopólio de monopólio natural já que é mais viável ter apenas uma empresa ofertando aquele produto INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 86 CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA Entre a concorrência perfeita e o monopólio temos uma estrutura de mercado conhecida como concorrência monopolística que é uma mistura das duas estru turas estudadas anteriormente tendo como características Grande número de empresas Temos no mercado um grande número pequenas empresas pequenas se com pararmos com o tamanho do mercado Produtos diferenciados Os produtos são sempre diferenciados A diferenciação pode vir por um ingre diente de qualidade superior serviços embalagens especiais etc Porém um produto será diferente mesmo pouca coisa do seu concorrente Pequeno controle de preço por parte da empresa Como são muitas empresas que fazem parte do mercado a concorrência é enorme então a empresa consegue controlar definir um pouco seu preço em razão dos produtos serem diferenciados mas este controle é pequeno Concorrência acontece via marcas serviços especiais e propaganda A concorrência é principalmente extra preços ou seja via diferenciação do pro duto Quanto maior for a diferença do bem maior será o preço É importante observar a importância da propagandamarketing na concorrência monopolís tica pois como os produtos são diferenciados e temos um grande números de empresas é necessário mostrar ao consumidor que o bem ou serviço é melhor do que da concorrente Baixas barreiras à entrada O grau de dificuldade que uma nova empresa tem em fazer parte deste mer cado é baixo ou seja existe uma barreira para entrada mas ela é bem baixa A maioria das empresas no mundo real pertencem a essa estrutura de mercado Podemos citar restaurantes padarias lojas de roupas lanchonetes entre outros Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 87 OLIGOPÓLIO Outra estrutura de mercado intermediária ou seja que é um mercado pouco competitivo é o oligopólio que tem como características Pequeno número de empresas São poucas empresas que fazem parte do mercado podemos contálas Não existe um número exato que define se um setor faz parte do oligopólio ou não ape nas sabemos que são poucas empresas que ofertam produto naquele mercado As empresas são interdependentes Como são poucas empresas elas são interdependentes ou seja a decisão de uma afeta diretamente a decisão da concorrente incluindo a decisão de preços Então se uma empresa variar seu preço as demais vão reagir de duas formas 1 Aumento de preço faz com que as firmas concorrentes não aumentem o preço e a empresa perderá mercado 2 Redução de preços faz com que as formas concorrentes também reduzam os preços e a parcela de mercado de todas as empresas ficam praticamente constantes Neste caso somente o consumidor é beneficiado Pelas possíveis reações citadas que os preços de todas as empresas oligopolis tas são praticamente os mesmo e não são alterados de forma significativa ao longo do tempo Podemos citar um exemplo bem real desta situação que são as empresas aéreas Todas as vezes que uma empresa aérea faz uma promoção as suas concorrentes também fazem INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 88 Em outras palavras como são poucas empresas neste mercado quando o preço de uma delas variar as demais irão reagir rapidamente Por exemplo vamos supor um mercado composto por três empresas A B e C e que a empresa A resolveu como estratégia abaixar seu preço em 10 Como são poucas empresas no mercado imediatamente as empresas B e C irão abaixar também seu preço e a parcela de mercado continuará a mesma para todas três Agora se a empresa A resolver aumentar seu preço em 10 as empresas B e C não aumentarão e a empresa A perderá mercado Por estes motivos que o preço no oligopólio é constante e parecido para todas as empresas Médias barreiras à entrada O grau de dificuldade que uma nova empresa tem em fazer parte do mercado é médio em outras palavras existe um certo grau de dificuldade mas não chega a ser tão alto como no caso do monopólio Os produtos podem ou não ser diferenciados No oligopólio os produtos podem ser homogêneos como no caso o combustí vel ou diferenciados por exemplo os automóveis A concorrência é via diferenciação do produto Como temos poucas empresas e elas são interdependentes a con corrência não será via preços pois como discutimos se uma empresa alterar seus preços as demais vão reagir Então a concorrência é extrapreços ou seja via dife renciação do produto Podemos citar como exemplos de empresas oligopolistas os setores de teleco municações planos de saúde aéreo e distribuição de combustível Estruturas de Mercado Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 89 O quadro a seguir mostra de forma resumida as características de cada estrutura de mercado Quadro 2 Características das quatro estruturas de mercado CARACTERÍSTICAS CONCORRÊNCIA PERFEITA CONCORRÊNCIA MONOPOLÍSTICA OLIGOPÓLIO MONOPÓLIO Nº de empresas Muitas Muitas Pouca Uma Tipo de produto Homogêneo Diferenciado Homogêneo ou diferen ciado Altamente diferenciado Controle de preços Nenhum Pequeno Considerável Muito Condição de entrada Sem barreiras Baixa barreiras Médias bar reiras Altas barreiras Exemplos Produtos agrí colas Restaurantes lojas de varejo Automóveis aviação Água energia elétrica Fonte adaptado de Mendes 2009 Como você pode visualizar no Quadro 2 temos quatro estruturas de mercado concorrência perfeita concorrência monopolística oligopólio e monopólio e cada estrutura possui características que as diferenciam POLÍTICAS PÚBLICAS QUANTO AOS OLIGOPÓLIOS Como são poucas as empresas no oligopólio não é difícil ter acordos de preços e quantidades acordos que são indesejáveis aos consumidores e devem ser evi tados São indesejáveis pois levam a uma produção baixa e a preços altos ou seja nesta situação as empresas se comportam como no monopólio Por isso o governo deve coibir acordos entre empresas no Brasil temos uma lei específica para isto que é a lei antitruste Algumas práticas empresariais que são proibidas pelo governo brasileiro a Cartel empresas fazem acordos de preços e quantidades aumentando o preço eou reduzindo a quantidade ofertada De qualquer forma pre judica o consumidor final INTRODUÇÃO À MICROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 II U N I D A D E 90 b Fixação de preço de revenda acontece quando uma empresa produ toradistribuidora exige que um estabelecimento venda um produto a um preço fixado por ela Vale lembrar que preço sugerido não é proibido pois a empresa só está sugerindo um preço e não obrigando aos estabele cimento vender o bem como aquele preço prédefinido c Preços predatórios é uma situação que uma grande empresa define seus preços abaixo do custo de produção para eliminar a concorrente que em geral é uma empresa menor do mercado e depois aumentar seus preços d Vendas casadas situação no qual dois produtos só são vendidos jun tos ou seja o consumidor não consegue comprar os bens separadamente Lembrando que promoções e produtos tipo combo TV por assinatura internet banda larga não são considerados venda casada pois o consu midor pode adquirir os produtosserviços separadamente mesmo que a um preço maior Cartel é um tema bem atual e polêmico na literatura econômica e legislativa Para aprofundar seus conhecimentos sobre esta prática e como as autorida des antitruste se comportam frente a uma formação de cartel leia o artigo Prática de cartel no Brasil um estudo sobre as decisões do CADE e o perfil das condenações por cartel O artigo esta disponível em httpportaltu torcomindexphpconpedireviewarticleview145138 Fonte a autora Considerações Finais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 91 CONSIDERAÇÕES FINAIS Estamos terminando a nossa segunda unidade do livro Economia e Sociedade Nesta unidade você aprendeu um pouco sobre os fundamentos da teoria do con sumidor e a teoria da demanda que procuram explicar os motivos que fazem com que os consumidores ou melhor as famílias demandemprocurem por determinados bens e serviços ao invés de outros Na sequência estudamos o outro lado da relação que é a teoria da oferta ou seja o lado da empresa Vimos os motivos que incentivam as empresas a aumen tarem sua produção e portanto a oferta Após entender demanda e oferta você viu que o objetivo do produtor e do consumidor são totalmente diferentes diria opostos Enquanto o consumidor deseja adquirir bens e serviços em grande quantidade a preços baixos e porque não dizer com excelente qualidade as empresas desejam maximizar seu lucro e por isso desejam vender seus produtos a um preço mais alto possível com custo bem baixo Contudo sabemos que na vida real a vontade do consumidor bem como a da empresa não é satisfeita mas existe um acordo não formal entre consu midores e empresas para formar o preço e a quantidade os bens e serviços que serão de fato negociadas Esta situação chamase equilíbrio de mercado que é alterado a toda hora por diversos fatores que foram abordados nesta unidade Além da famosa lei oferta e demanda discutimos alguns custos de produ ção e finalizamos a unidade compreendendo as quatro estruturas de mercado Assim você entende melhor porque o preço da alface é bem inferior ao preço de uma blusa e da gasolina por exemplo Então a partir de agora de fato você é capaz de explicar a tão famosa lei da economia que é a lei da oferta e da demanda e como esta lei nos afeta desde quando nascemos até o final de nossas vidas Um forte abraço 92 1 As pessoas possuem preferências por alguns bens em relação a outro sendo ca pazes de ordenar quais bens ou serviços geram mais satisfação pessoal Para isto os consumidores possuem algumas características Leia as assertivas a seguir e marque a alternativa correta quanto às características dos consumidores I Gastam toda sua renda em bens e serviços II Adquirem diversos bens ou serviços III Raramente adquirem tudo que desejam IV Procuram maximizar a satisfação total a Somente as afirmativas I e II estão corretas b Somente as afirmativas III e IV estão corretas c Somente as afirmativas I II e III estão corretas d Somente as afirmativas I II e IV estão corretas e Todas as afirmativas estão corretas 2 Demanda pode ser definida como a quantidade de um bem ou serviço que um consumidor deseja adquirir Em relação à demanda marque a alternativa correta I Está relacionada à utilidade total II Não é uma compra efetiva III Depende da renda IV Varia com o tempo a Somente as afirmativas I e II estão corretas b Somente as afirmativas III e IV estão corretas c Somente as afirmativas I II e III estão corretas d Somente as afirmativas I II e IV estão corretas e Todas as afirmativas estão corretas 3 Durante nossa segunda Unidade vimos que alguns fatores como renda preço dos bens substitutos e complementares marketing entre outros afetam a curva de demanda Leia as assertivas que seguem e marque a alternativa correta quanto ao impacto que o aumento de renda causa da curva de demanda a O aumento de renda desloca a curva de demanda para a direita b O aumento de renda desloca a curva de demanda para a esquerda c O aumento da renda não afeta a demanda 93 d O aumento da renda reduz a demanda e O aumento da renda afeta a curva de demanda mas não de forma significa tiva 4 Oferta é definida por Passos e Nogami 2012 como a quantidade de um bem ou serviço que uma determinada empresa deseja vender por unidade de tem po E sabemos que alguns fatores afetam a curva de oferta deslocandoa para a direita ou para a esquerda e um destes fatores é a tecnologia Em relação à tec nologia leia as assertivas que seguem e marque a alternativa que mostra o impacto da tecnologia na curva de oferta a A tecnologia é uma ótima forma de aumentar a produção utilizando a mes ma quantidade de fatores de produção reduzindo os custos e aumentando a oferta b A tecnologia é uma ótima forma de reduzir a produção utilizando a mesma quantidade de fatores de produção aumentando os custos e reduzindo a oferta c A tecnologia só irá afetar a curva de oferta se o governo elaborar política cam bial de redução da taxa de câmbio d A tecnologia desloca a curva de oferta para a esquerda aumentando a pro dução e os custos e A tecnologia não afeta a curva de oferta 5 O governo por meio da lei antitruste tenta coibir algumas práticas que pos sam prejudicar a concorrência como cartel vendas casadas fixação de preço de revenda e preços predatórios Em relação a estas práticas proibidas por lei marque a alternativa correta I Cartel é prejudicial ao consumidor pois as empresas agirão como em um mo nopólio II Combos de internet TV por assinatura e telefone são exemplos de venda casada III Um exemplo de preços predatórios são as promoções de final de estoque IV Preços sugeridos é uma prática de fixação de preços de revenda a Somente a afirmativa I está correta b Somente as afirmativas III e IV estão corretas c Somente as afirmativas I II e III estão corretas d Somente as afirmativas I III e IV estão corretas e Todas as afirmativas estão corretas 94 STANDARDS COMO EVENTUAL LIMITE À CONCORRÊNCIA BREVE CONSIDERAÇÃO ACERCA DO CARTEL DO CIMENTO NO BRASIL Utilizase como referência o caso conhecido como o cartel do cimento ou das cimentei ras Processo Administrativo nº 08012011142200679 julgado pelo Conselho Adminis trativo de Defesa Econômica CADE em 2014 Conforme explicado pelo CADE à época do julgamento o cimento é um produto essencial usado para a indústria de construção civil e infraestrutura de maneira geral É um produto com uma natureza homogênea e que geralmente apresenta uma demanda inelástica o produtor pode aumentar o preço que ainda haverá consumo dado a essencialidade do produto em questão o que significa que é um mercado em que os riscos de aumento de preços advindos de uma coordenação entre os concorrentes é alto Historicamente o mercado de cimento é caracterizado por significativas barreiras à entrada e inúmeros standards instaurados por diferentes órgãos governamentais e não governamentais No Brasil o cartel entre as empresas de cimento perdurou a princípio de 2002 a 2006 Entre estas empresas encontravamse Holcim Ltda Cimpor Cimentos de Portugal Vo torantim Cimentos SA Camargo Correa SA Itabira Agro Industrial SA e Cia de Ci mentos Itambé SA Em 2014 oito anos após o início da investigação o CADE condenou por unanimidade estas seis empresas além de indivíduos e associações tais como a Associação Brasileira de Cimento Portland ABCP o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento SNIC e a Associação Brasileira de Serviços de Concretagem ABESC e im pôs uma das maiores penalidades já aplicada pela autoridade em um caso de cartel Para além da multa pecuniária que somou mais de três bilhões de Reais o Conselho determinou ainda a venda de fábricas e impedimentos de realizar operações no ramo de cimento e de concreto até 2019 Em análise detalhada dos fatos a investigação co meçou quando um exfuncionário de uma destas empresas de cimento fez um acordo de leniência com a autoridade descrevendo toda a dinâmica do cartel Os documentos sugeriram que as empresas em conjunto com as associações acordavam em fixação de preços e quantidade de cimento e concreto no mercado brasileiro divisão de mercado especificamente de clientes entre as regiões do Brasil e celebração de acordos de não concorrência aumento de barreiras à entrada de novos concorrentes nos mercados de cimento e concreto entre outros Especificamente o CADE condenou as empresas por infração à ordem econômica com fulcro no art 20 incisos I II III e IV cc art 21 incisos I II III e IV ambos da antiga Lei de Concorrência Lei nº 88841994 atualmente art 36 in cisos I II III e IV e 3º incisos I II e III sob o fundamento de que atuaram conscientes da ilicitude da prática e de forma concertada para iFixar preços e quantidades e dividir regionalmente os mercados de cimento e de concreto no Brasil iiAlocar clientes de for ma concertada e consequentemente respeitar a carteira de clientes de cada empresa iiiImpedir a entrada de novos concorrentes nos mercados de cimento e de concreto iv Dividir o mercado de concreto por meio de participações equivalentes às participações de mercado no cimento Estabelecer trocas swap de ativos de empresas concreteiras de maneira a otimizar o cartel vCoordenar o controle das fontes de insumos do cimen 95 to principalmente o insumo escória de altoforno viUtilizar associações como fórum de troca de informações concorrencialmente sensíveis possibilitando a formação e o monitoramento de acordos inclusive por meio da elaboração de tabelas de preços vii Promover ações com o objetivo de combater concorrentes que não participavam do cartel prejudicando suas imagens e viiiAlterar normas técnicas sobre cimento e con creto a fim de elevar artificialmente as barreiras à entrada nesses mercados Como efeito de um mercado cartelizado nos últimos 20 anos o número de produto res de cimento diminuiu drasticamente em mais da metade E um fator que não pode ser menosprezado é que o excesso de normas técnicas impostas pelas associações de cimento e concreto criaram um cenário de grandes barreiras à entrada regulação pri vada e prejudicaram diretamente a concorrência no mercado de cimento brasileiro Uma das estratégias do cartel que ganha importância no presente artigo é a atuação das empresas junto a Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT a fim de criar novas normas que de fato caracterizavamse por ser significativas barreiras à entrada de novos concorrentes ou ainda acabavam por excluir do mercado as empresas que não faziam parte do esquema imposto sendo estas em geral empresas de pequeno e médio porte Além das empresas envolvidas no cartel a Associação Brasileira de Ci mento Portland ABCP também agiu para pressionar e convencer ABNT para criação destas novas normas que na verdade conforme relatado pelo CADE possuíam em sua essência características claramente anticompetitivas Ainda como parte da prática a ABCP preparou uma declaração pública de alerta aos consumidores de cimento a fim de alertálos sobre os riscos associados ao uso de cimento fora dos padrões indicando inclusive as empresas que não estariam em conformidade com as suas normas Apesar da ABNT não ser oficialmente uma agência reguladora do governo brasileiro os servi ços e os produtos disponíveis devem respeitar as normas técnicas standards definidos no mercado Especificamente normas técnicas para mercado de produção de cimento são reguladas pela ABNT no entanto qualquer outra entidade uma vez certificada pelo Conselho Nacional de Metrologia Normalização e Qualidade Industrial CONMETRO pode vir a criar uma norma técnica Documentos apreendidos em buscas e apreensões conduzidas pelo CADE neste Proces so Administrativo mostraram que sob a justificativa aparente que as normas técnicas seriam necessárias para melhorar a qualidade do cimento vendido no mercado brasilei ro standards foram criados para alterar as condições de entrada e para excluir delibera damente concorrentes do mercado Fonte Madi e Bagnoli 2016 online1 MATERIAL COMPLEMENTAR Microeconomia princípios básicos Hall R Varian Editora Elsevier Sinopse Microeconomia de Hal Varian apresenta aos estudantes e pesquisadores o mais atual e abrangente estudo sobre a microeconomia de forma didática possibilitando um aprendizado analítico e ao mesmo tempo profundo e com ampla variedade de tópicos Segundo o autor seu principal objetivo é apresentar um tratamento diferenciado do estudo da Microeconomia de forma a permitir que seu leitor possa aplicar as ferramentas teóricas em suas atividades profissionais Para isso disponibiliza diversos cases capítulos curtos e precisos e explicações de como transformar em prática o que foi visto na teoria Nessa nova edição temse um novo capítulo sobre os problemas envolvidos na estimativa de relações econômicas novos exemplos extraídos das firmas do Silicon Valley como Apple eBay Google Yahoo e outras São discutidos tópicos como a complementaridade entre iPod and iTunes o feedback positivo da associação de companhias como Facebook e modelos de anúncio usados pelo Google Microsoft e Yahoo Comentário este livro discute de forma quantitativa os fundamentos microeconômicos É uma excelente maneira de aprofundar os conhecimentos sobre o assunto Roger Eu Um documentário muito interessante que mostra o impacto do desemprego na relação entre oferta e demanda de toda uma comunidade Este é um documentário sobre o fechamento de 11 fábricas da GM em Flit no estado do Michigan nos EUA da década de 80 o que gerou 30 mil desempregos e afetou a vida econômica da cidade REFERÊNCIAS MENDES J T G Economia Fundamentos e Aplicações São Paulo Pearson Hall 2009 PASSOS C R M NOGAMI O Princípios de Economia São Paulo Cengage Lear ning 2012 REFERÊNCIA ONLINE 1Em httprevistacadegovbrindexphprevistadedefesadaconcorrenciaarticle view283 Acesso em 14 jun 2017 97 GABARITO 1 E 2 E 3 A 4 A 5 A UNIDADE III Professora Drª Andréia Moreira da Fonseca Boechat INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Objetivos de Aprendizagem Apresentar os fundamentos da teoria macroeconômica Diferenciar crescimento econômico de desenvolvimento econômico e suas respectivas fontes Estudar o mercado de trabalho e as variáveis pertencentes a ele Entender as principais políticas macroeconômicas monetária fiscal e cambial Plano de Estudo A seguir apresentamse os tópicos que você estudará nesta unidade Fundamentos da Teoria Macroeconômica Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico O Mercado de Trabalho Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial INTRODUÇÃO Olá caroa acadêmicoa seja muito bemvindoa à Unidade III do livro Economia e Sociedade Agora iremos discutir a outra área de estudo da economia que é a macroeco nomia Antes de iniciarmos você precisa saber que os conceitos microeconômicos são fundamentais para a compreensão da macroeconomia pois a moeda por exem plo funciona com a mesma ideia de outro bem qualquer Então se algum conceito que discutimos anteriormente não tenha ficado claro retorne às unidades anterio res e tire dúvida com seu tutor A macroeconomia portanto é um ramo das ciências econômicas que estuda a evolução da economia como um todo analisando a determinação e o compor tamento dos agregados tais como renda e produto nacional Isto é diferente da microeconomia a macroeconomia não analisa o comportamento individual das famílias e empresas mas sim dos mercados de forma global Por exemplo no mer cado de bens e serviços a preocupação é com o produto nacional gerado e não separadamente com os mercados agrícola e industrial Para atingir o nosso objetivo que é a compreensão da macroeconomia básica a Unidade III está dividida em quatro seções Na primeira apresentarei os fundamen tos da teoria macroeconômica que são aqueles conceitos básicos e fundamentais e que irão nortear todo o entendimento dos próximos temas Na segunda seção diferenciaremos os conceitos de crescimento econômico e desenvolvimento econômico ou seja você sabe que no mundo real um país pode crescer economicamente e mesmo assim a população não tem suprida a maior parte das necessidades básicas como é o caso do Brasil Essa situação ocorre porque cres cimento e desenvolvimento econômico são conceitos relacionados mas diferentes Na seção três falaremos de um mercado macroeconômico bem específico e que você e eu fazemos parte que é o mercado de trabalho A esse respeito discutiremos algumas variáveis pertencentes a ele e também como o nosso salário é formado Para finalizar a unidade entenderemos as três principais políticas macroeconô micas que são a monetária que está relacionada com a taxa de juros e moeda a fiscal que são os gastos e arrecadação do governo e a cambial que está diretamente ligada ao mercado internacional Preparadoa Bons estudos e um forte abraço Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 101 INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 102 FUNDAMENTOS DA TEORIA MACROECONÔMICA Nesta seção iniciaremos o estudo da segunda grande área de estudo da eco nomia a macroeconomia Você certamente já ouviuleu em jornais revistas telejornais internet entre outros as seguintes manchetes A taxa de inflação ultrapassou a meta e governo aumenta a taxa SELIC Trabalhamos 150 dias para pagar impostos O dólar fechou em alta Balança comercial brasileira foi superavitária no mês de outubro Ao final desta unidade você compreenderá cada uma das manchetes citadas entre outros temas relacionados e os motivos pelos quais o governo aumenta por exemplo a taxa de juros ou injeta dólar no mercado ou corta gastos Só pelas manchetes apresentadas e pelos seus conhecimentos referentes à uni dade anterior você conseguiu perceber que diferentemente da microeconomia quando tratamos da macroeconomia estamos falando da economia como um todo por exemplo quando discutimos se o Brasil está crescendo e quanto está crescendo se está havendo inflação se os juros estão muito elevados ou muito baixos enfim na macroeconomia tratamos da economia de uma maneira mais ampla e é importante termos ciência de que a macroeconomia influencia nos sas vidas tanto de pessoas físicas quanto jurídicas Porém o estudo da macroeconomia é algo relativamente novo se pensarmos em economistas clássicos como Adam Smith e David Ricardo que fizeram seus estudos mais ou menos entre os anos 1700 e 1800 a macroeconomia é muito jovem A macroeconomia tem como seu principal expoente o economista Jhon Maynard Keynes que por muitos é chamado de pai da macroeconomia moderna Keynes escreveu sua principal obra em 1936 num contexto em que a econo mia norte americana estava devastada após a Grande Depressão ou a chamada crise de 1929 Nesse período a economia dos Estados Unidos estava sofrendo pas sando por uma grande crise na qual o nível de desemprego era muito alto Na visão de Keynes se o governo participasse mais dessa economia a crise não teria sido tão profunda Entretanto o que significa o governo participar mais da economia Fundamentos da Teoria Macroeconômica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 103 Muito bem o governo participar mais da economia significa que ele não cuida somente de suas funções básicas mas também deve atuar como um agente eco nômico Para entendermos essa questão precisamos verificar quais são as funções básicas do governo De acordo com Giambiagi e Além 2011 o governo tem as fun ções Estabilizadora Distributiva e Alocativa Vamos compreender cada uma delas Função Estabilizadora o governo ter a função estabilizadora significa que ele precisa manter a economia estabilizada Você pode verificar por exemplo que o governo tem estado bastante preocupado com os níveis de preços na eco nomia ou seja o governo tem se preocupado com o nível da inflação Função Distributiva essa função do Estado é exatamente o que o nome dela diz ou seja distribuir melhor os recursos tentar retirar de quem tem muito para oferecer a quem não tem nada ou pouco tem Função Alocativa significa que o Estado deve atuar em áreas da economia na qual o setor privado não tem muito interesse em atuar ou seja o governo irá alocar recursos em áreas que se ele não atuar não ofertarão os serviços necessá rios já que o setor privado não fará essa oferta de serviços Como o saneamento básico que exige um investimento muito elevado e nem sempre haverá empresa privada disposta a fazêlo Então diante das funções do governo é importante definirmos os bens públicos que são bens de uso coletivo cuja principal característica é a impossibi lidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo uma vez delimitado o volume à disposição do público Exemplo disto é meteorologia defesa nacio nal e serviços de despoluição De acordo com Vasconcellos e Garcia 2008 o governo ao utilizar a polí tica macroeconômica deve ter como objetivos Alto nível de emprego Estabilidade de preços Distribuição de renda socialmente justa Crescimento econômico INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 104 Isto é o governo deve buscar esses quatro objetivos listados é importante ressal tarmos que conforme Vasconcellos e Garcia 2008 os objetivos de alto nível de emprego e de estabilidade de preços são de curto prazo ou conjunturais são obje tivos que o governo tenta atingir mais rapidamente pensando na conjuntura atual Já os objetivos de distribuir renda e de crescimento econômico são objetivos de longo prazo os chamados objetivos estruturais Eles fazem parte da estru tura econômica e para serem alcançados é necessário um tempo maior Vamos discutir um pouquinho cada um desses objetivos da política macroeconômica Alto nível de emprego de acordo com Vasconcellos e Garcia 2008 e conforme já discutido inicialmente foi a partir da década de 30 que o governo passou a pensar mais profundamente na macroeconomia até esse período a questão do emprego não gerava preocupação por parte dos governos mais especificamente foi somente a partir da crise de 1929 que essa questão passou a ser pensada eou discutida Estabilidade de preços a estabilidade de preços em outras palavras é a inflação Essa questão já foi bem mais problemática para o Brasil do que é atu almente Embora haja uma grande preocupação com a estabilidade de preços hoje em dia se conversarmos com alguém que viveu na década de 80 e início da década de 90 até 1994 com certeza essa pessoa nos dirá que hoje a infla ção não chega a ser um problema se comparada com o período citado quando os preços eram remarcados diariamente e às vezes mais que uma vez no dia Distribuição de renda socialmente justa a literatura traz argumentos de que a distribuição de renda no Brasil piorou muito quando o governo adotou como regra a chamada teoria do bolo conforme essa regra primeiro deveríamos esperar aumentar a riqueza no país e depois redistribuíla Como argumentam Vasconcellos e Garcia 2008 isso aconteceu na época do chamado milagre eco nômico entre 1967 e 1973 porém os mesmos autores argumentam que todos tiveram sua renda elevada no entanto a classe mais abastada teve sua renda melhorada numa proporção superior à da classe menos rica Fundamentos da Teoria Macroeconômica Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 105 Crescimento econômico crescimento econômico conforme Vasconcellos e Garcia 2008 é o mesmo que aumento da renda nacional per capita Para que isso ocorra o aumento da produção de bens e serviços deve necessariamente ser superior ao crescimento populacional pois somente assim haverá aumento da renda per capita É importante ressaltarmos que o crescimento econômico não é o mesmo que desenvolvimento econômico mas deste último trataremos em outra unidade deste material Voltaremos a esse conceito na próxima seção Os objetivos da macroeconomia não são independentes uns dos outros podendo inclusive acontecer ao mesmo tempo ou seja uma meta pode ajudar a alcançar outras Para você compreender melhor o crescimento pode facilitar a solução dos problemas de pobreza já que é possível amenizar os conflitos sociais quando a renda cresce e é repartida entre as classes Porém é possível também que os objetivos da macroeconomia sejam confli tantes por exemplo a meta pode ser fazer com que o país cresça mas ao crescer a demanda é aquecida e de acordo com a lei de oferta e demanda quando a procura é maior do que a oferta os preços sobem Se o aumento de preços for generalizado a inflação surge Com isso a estabilidade da economia fica de lado Outro exemplo é apresentado por Vasconcellos 2011 uma política de esta bilização da inflação pode levar ao aumento de desemprego pois tais políticas retraem a demanda de bens e serviços fazendo com que tenha queda da atividade econômica e portanto do emprego Essa relação inversa entre duas variáveis como emprego e crescimento econômico apresentados no exemplo se chama tradeoff e é um conceito muito presente da economia Agora como a macroeconomia está estruturada Vamos analisar a figura a seguir INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 106 MERCADOS VARIÁVEIS DETERMINADAS Parte Real da Economia Mercado de Bens e Serviços Produto Nacional Nível Geral de Preços Mercado de Trabalho Nível de Emprego Salários Nominais Parte Monetária da Economia Mercado financeiro monetário e títulos Taxa de Juros Estoque de Moeda Mercado de Divisas Taxa de Câmbio Estoque de Reservas Cambiais Figura 1 Estrutura da análise macroeconômica Fonte Vasconcellos 2011 p 198 A macroeconomia analisa a economia como se ela fosse constituída por duas partes uma real e outra monetária e quatro mercados de bens e serviços de trabalho financeiro e cambial Então ao analisar o comportamento do mercado de bens e serviços somase todos os bens e serviços produzidos pela economia em um determinado perí odo de tempo o resultado será o produto nacional e o preço praticado nesse mercado é o nível geral de preços Da mesma forma é o mercado de trabalho só que ele é composto por traba lho e é determinado o nível de emprego e taxa salarial Já no mercado monetário a análise será verificada pela troca por moeda e serão determinadas as taxas de juros e a quantidade de moeda necessária Também temos o mercado de títulos que são negociados os títulos da economia Esses dois últimos mercados monetário e de títulos fazem parte de um mercado mais amplo o chamado mercado financeiro E por último temos o mercado cambial já que um país como o Brasil realiza transações comerciais e financeiras com outros países Porém para que essas tran sações sejam possíveis é preciso transformar ou melhor converter o preço dos bens negociados em relação ao preço do outro país para isso é utilizada a taxa de câmbio Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 107 CRESCIMENTO ECONÔMICO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO Conforme vimos na seção anterior crescimento econômico é um dos objeti vos do governo e de estudo da macroeconomia podendo ser definido como o aumento da capacidade produtiva da economia durante um determinado perí odo de tempo O conceito de desenvolvimento econômico é mais amplo e está relacionado ao aumento da capacidade produtiva do país mas com melhorias no padrão de vida da população e com alterações fundamentais na sua estrutura Porém definir esses dois conceitos não é algo tão simples Já existem duas linhas teóricas que relacionam crescimento com desenvolvimento econômico Uma das linhas considera crescimento como sinônimo de desenvolvimento por tanto um país ao crescer está automaticamente se desenvolvendo Por outro lado a outra vertente considera que crescimento econômico é condição indis pensável para o desenvolvimento mas não é condição suficiente Sendo assim para os teóricos que associam crescimento com desenvolvi mento um país é considerado como subdesenvolvido quando o PIB cresce menos do que o dos desenvolvidos mesmo com disponibilidade de capital terra e mão de obra Nessa linha o crescimento econômico distribui diretamente a renda entre os proprietários dos fatores de produção levando automaticamente a melho rias dos padrões de vida e por consequência ao desenvolvimento econômico Contudo a prática não tem apontado que isso sempre ocorre e mostra que o crescimento e o desenvolvimento econômico não podem ser considerados como sendo o mesmo termo Assim o crescimento econômico não necessariamente vai beneficiar todo o conjunto da população por exemplo mesmo que um país cresça o desemprego pode não estar diminuindo em um ritmo necessário em razão por exemplo do processo de robotização e informatização da cadeia de produção Além disso podemos citar outros fatores que explicam que um país pode crescer sem se desenvolver INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 108 A saída de capitais internos para outros países que reduz a capacidade de importar e realizar investimentos A apropriação desigual da renda levando à concentração de renda e da riqueza Baixos salários que limitam o crescimento de diversos setores princi palmente no mercado doméstico A segunda corrente entende o crescimento econômico como uma simples varia ção quantitativa do produto PIB ou seja ao aumento da capacidade produtiva da economia e portanto da produção de bens e serviços Já para essa corrente o desenvolvimento econômico envolve mudanças qualitativas no modo de vida das pessoas das instituições das estruturas produtivas e do meio ambiente Nesse sentido Souza 2011 define desenvolvimento econômico como a exis tência de crescimento econômico contínuo em ritmo superior ao crescimento demográfico envolvendo mudanças de estruturas e melhoria de indicadores econômicos sociais e ambientais Tratase de um fenômeno de longo prazo pro vocando o fortalecimento da economia nacional a ampliação da economia de mercado e a elevação geral da produtividade e do nível do bemestar da popu lação com a preservação do meio ambiente Souza 2011 afirma ainda que o crescimento econômico precisa ser supe rior ao crescimento demográfico o que leva à expansão do nível de emprego e também da arrecadação pública de modo que permite ao governo realizar gas tos sociais e atender às pessoas mais carentes O desenvolvimento econômico constitui um dos objetivos do governo que é a contínua melhoria de sua qualidade de vida Porém isso só é possível no momento em que as necessidades e os desejos passam a ser atendidos adequadamente Com base no exposto podemos resumir que um país pode ser rico como os produtores de petróleo que ganham muito dinheiro exportando o produto mas pode não conseguir por diversas razões distribuir essa riqueza entre seus habitantes que seguem em sua maioria vivendo em condições precárias Isto é qualitativamente é pobre ou não desenvolvido Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 109 Como o desenvolvimento econômico engloba melhorias na qualidade de vida da população uma das variáveis que melhoram a vida das pessoas é a preserva ção ambiental E você saberia me dizer o motivo Com o tempo o crescimento da economia tende a esgotar os recursos produtivos que como você sabe são escassos ou seja limitados A situação irá ocorrer se o uso dos recursos for indis criminado e não pelo país crescer Nesse sentido Souza 2011 afirma que o crescimento acelerado pode provo car o desmantelamento de florestas a exaustão de reservas minerais e a extinção de certas espécies de peixes Por exemplo a atividade agrícola tende a ocupar vastas áreas de terras onde se encontravam florestas Pode também poluir os mananciais de água infestar o ar atmosférico interferindo no próprio clima e no regime de chuvas o que afeta a saúde da população Dito de outra forma o desenvolvimento sustentável é o que preserva o meio ambiente sobretudo os recursos naturais não renováveis Vivemos falando em desenvolvimento econômico mas como definir que uma economia é subdesenvolvida Quais fatores nós levamos em consideração Alguns autores como Celso Furtado afirmam que o subdesenvolvimento é um desequilíbrio na absorção dos avanços tecnológicos produzidos pelo capitalismo industrial a favor das inovações que incidem diretamente sobre o estilo de vida Esse atraso na absorção de inovações nos padrões de consumo tem como contrapartida decadência na adoção de métodos produtivos mais eficazes É que os dois processos de penetração de novas técnicas se apoiam no mesmo vetor que é a acumulação Assim o crescimento de uma requer o avanço da outra A raiz do subdesenvolvimento reside na desarticulação causado pela moderniza ção entre esses dois processos O desenvolvimento econômico de uma nação ocorre em processo evolu tivo em cinco etapas que são Sociedade tradicional Prérequisito para o arranco Arranco ou decolagem Crescimento autossustentável Idade do consumo de massa INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 110 Por outro lado existem inúmeros fatores que são apontados como responsáveis pelo subdesenvolvimento dos países Os fatores de maior relevância são Falta de política de redistribuição do excedente econômico Falta de especialização em setores e produtos que gerem diferenciais competitivos Falta de diversificação da base produtiva Escassez de recursos naturais Falta de capital humano qualificado Ausência de progresso tecnológico Falta de instituições Países dominados por elites sem interesse pelos mais pobres Ausência de ações de transformações das estruturas pelas massas com base numa ideologia desenvolvimentista Para finalizarmos o tema desenvolvimento econômico faremos uma compara ção das características de países desenvolvidos e subdesenvolvidos vamos lá Características dos Países Desenvolvidos Domínio econômico Estrutura industrial e agropecuária moderna Elevado desenvolvimento científico e tecnológico Eficiência nos meios de comunicação e transporte Baixo percentual de analfabetos Alta qualidade em alimentação habitação e saneamento básico Baixa taxa de natalidade e mortalidade infantil Maiores indicadores de expectativa de vida Baixos índices de pobreza Crescimento Econômico e Desenvolvimento Econômico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 111 Características dos Países Subdesenvolvidos Heranças do colonialismo exploração dos recursos Dependência econômica em relação aos países desenvolvidos Defasagem científica e tecnológica Deficiência nos meios de comunicação e transporte Baixa industrialização e agricultura Elevado percentual de analfabetos Baixa qualidade em alimentação habitação e saneamento básico Alta taxa de natalidade e mortalidade infantil Menores indicadores de expectativa de vida INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO E DE CRESCIMENTO ECONÔMICO Para medir o crescimento econômico utilizamos os indicadores PIB e PIB per capita Por exemplo se um país estiver aumentando sua renda per capita pode mos dizer que está ocorrendo crescimento desde que esse aumento seja menor do que o crescimento populacional Para que ocorra o desenvolvimento preci samos que outras questões sejam atendidas Nesse sentido há na teoria econômica diversos modelos que estudam e medem o tamanho do desenvolvimento econômico de determinado país dentre esses modelos Souza 2011 cita os neoclássicos de Meade de Solow e a teoria do crescimento endógeno Todos eles são teóricos que se baseiam em dados de população progresso técnico capital humano entre outras variáveis mas para o nosso propósito neste livro não iremos abordar esses modelos em detalhes trataremos apenas de alguns indicadores de crescimento econômico sem entrar mos nas discussões teóricas da formação desses modelos INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 112 Resumindo falar em desenvolvimento econômico é falar em melhora na qualidade de vida em aumento do bemestar em acesso à cultura lazer entre outros Temos algumas variáveis que tratam a esse respeito e vamos estudar um pouco cada uma delas PIB per Capita esse é um indicador bastante utilizado que busca mostrar medir o crescimento de um país No seu cálculo dividese o PIB pela popula ção Assim podemos facilmente perceber que ele é um dado numérico e que não nos dá uma dimensão de qualidade de vida de como a renda está distribu ída enfim ele mostra apenas uma média Podemos dizer que esse indicador é bastante popular e é relativamente fácil calculálo mas que é um indicador ini cial quando vamos discutir o desenvolvimento ele ajuda a medir o crescimento mas para falarmos de desenvolvimento precisamos de outras variáveis IDH Índice de Desenvolvimento Humano uma variável utilizada para se tentar captar o desenvolvimento econômico é o IDH Índice de Desenvolvimento Humano Esse índice é relativamente novo e tenta captar quão desenvolvida é uma nação um povo O IDH é composto por três sub índices a Um índice que mede a renda Aqui se utiliza o PIB per capita b Um índice que mede a saúde das pessoas Utilizase a expectativa de vida ao nascer c Um índice que mostre a educação Nesse caso se utiliza a taxa de alfabe tização de adultos e a taxa de matrícula nos ensinos fundamental médio e superior O IDH varia entre 0 e 1 sendo que quanto mais próximo de 1 melhor ou seja quanto mais próximo de 1 mais desenvolvido é o país Esse índice vem sendo divulgado a partir da década de 1990 a ONU o divulga para cerca de 170 países que são ranqueados a partir desse índice conforme critérios a seguir O Mercado de Trabalho Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 113 Quadro 1 Grau de desenvolvimento conforme critério do IDH IDH GRAU DE DESENVOLVIMENTO Acima de 08 Alto Entre 05 e 08 Médio Abaixo de 05 Baixo Fonte adaptado de Gremaud et al 2008 De acordo com dados da PNUD para o ano de 2012 o Brasil ficou na 85ª colo cação no ranking do IDH nesse ranking consta 186 países O Valor do IDH brasileiro é 0730 ou seja nosso IDH é considerado médio O país melhor colo cado é a Noruega com um IDH de 0955 acompanhada pela Austrália com 0938 O último colocado é Níger com um índice de 0304 Índice de GINI O índice de Gini é um índice que mede a desigualdade ou concentração da renda ele varia entre 0 e 1 sendo que 0 representa a completa igualdade todos teriam a mesma renda e 1 a completa desigualdade assim ao pensarmos no índice de Gini desejamos que ele seja o menor possível O MERCADO DE TRABALHO O mercado de trabalho é um dos cinco mercados em que a macroeconomia normalmente divide o estudo da economia Nesse mercado é determinada a quantidade utilizada de trabalho que representamos com a letra N e o salário nominal do trabalhador representado por W Dentro do mercado de trabalho temos o tão temido desemprego que referese à ociosidade do fator de produção trabalho Porém essa é uma definição sim plista não apresentando os aspectos envolvidos na questão do desemprego E sabe por quê Porque uma pessoa que está em idade de trabalhar pode não estar traba lhando por diversas razões e são estes motivos que a economia procura estudar INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 114 Então como afirma Souza 2011 uma definição mais completa do desem prego exige o conhecimento sobre os critérios pelos quais uma pessoa que é considerada economicamente ativa não está trabalhando Assim inicialmente vamos discutir algumas características nas quais as pessoas podem se enquadrar e que são levadas em consideração pelas pesquisas que procuraram examinar o mercado de trabalho Nesse sentido Bacha e Lima 2006 definem alguns conceitos fundamentais para entender o funcionamento do mercado de trabalho que são População residente é o total de pessoas vivendo em certo país em deter minado momento do tempo independentemente de sua idade e se está ou não trabalhando procurando trabalho ou apenas é ocioso A popu lação residente se divide em População Economicamente Ativa PEA População Não Economicamente Ativa e Pessoas Incapacitadas ao trabalho População Economicamente Ativa PEA são as pessoas acima de certa idade por exemplo com 10 ou mais anos de idade que são aptas e desejam trabalhar independentemente de estarem ou não trabalhando Segundo Souza 2011 esta categoria se divide em a População ocupada são aquelas pessoas que trabalham para um empre gador normalmente são obrigados a cumprirem a jornada de trabalho e recebem em troca uma remuneração Nesse caso as pessoas com ou sem carteira de trabalho assinada estão inclusas Exemplo militares funcio nários públicos estagiários empregados domésticos jovens aprendizes vendedores professores entre outros b Trabalhadores por conta própria são as pessoas que exploram seu pró prio empreendimento sozinhos ou com sócios mas não têm empregados Exemplo um pintor que trabalha por conta própria c Empregadores são as pessoas que exploram seu próprio empreen dimento sozinhos ou com sócios mas que possuem pelo menos um empregado Exemplo empresários d Trabalhadores não remunerados são as pessoas que trabalham sem remuneração no empreendimento da família Exemplo um menino que ajuda seus pais na padaria mas não recebe por isso O Mercado de Trabalho Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 115 População Não Economicamente Ativa são as pessoas aptas a traba lhar mas que não estão trabalhando e nem procurando emprego Nessa categoria se incluem os trabalhadores desalentados dispostos a traba lhar mas desestimulados a procurar trabalho as pessoas dedicadas às atividades do lar os estudantes os aposentados os pensionistas os ren tistas por exemplo Pessoas Incapacitadas ao Trabalho são aquelas abaixo de certa idade por exemplo 10 anos as inválidas física eou mentalmente para traba lhar idosos réus e outros não classificados na PEA ou na População Não Economicamente Ativa Pessoas desempregadas ou população desocupada são as pessoas procurando emprego há 30 dias e que não estão trabalhando na semana Nesse sentido temos a chamada taxa de desemprego que é definida como a percentagem da força de trabalho que está desocupada e procu rando emprego Afinal o que é esse desemprego Como é medido Muitas pessoas vão responder que o desemprego é a falta de emprego Está correto mas temos outras definições mais completas Como já vimos Souza 2011 nos diz que para definir desem prego é necessário conhecer os critérios pelos quais uma pessoa é considerada economicamente ativa e os motivos que a tornaram ocupada empregada e desocupada desempregada Nesse sentido Sandroni 2003 acrescenta que desemprego é uma situação de ociosidade involuntária em que uma pessoa se encontra Passos e Nogami 2012 observam que desempregada é aquela pessoa que está procurando emprego Para conhecer um pouco mais sobre a evolução do mercado de trabalho e o impacto do aumento do desemprego no desenvolvimento econômico leia o artigo Estagnação da economia abertura e crise do emprego urbano disponível no link httpsperiodicossbuunicampbrojsindexphpecos articleview864318810732 Fonte a autora INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 116 CAUSAS DO DESEMPREGO Apesar de parecer lógico que em crises econômicas o desemprego aumenta já que as empresas irão vender menos e por esse motivo irão cortar custos uma das for mas é demitindo funcionários a crise não é o único motivo para o desemprego Dessa forma Souza 2011 afirma que os economistas basicamente separam o desemprego em três tipos de acordo com as causas que são friccional estru tural e conjuntural que também é chamado de cíclico Os dois primeiros estão relacionados à chamada taxa natural de desemprego Os economistas da corrente clássica afirmam que a lei natural da oferta e demanda equilibram o mercado ou seja a oferta cria sua própria demanda em outras palavras tudo que é produzido será consumido ao preço do mercado Assim existe uma mão invisível que corrige todas as distorções que podem ser geradas sem que o Estado intervenha Logo para os economistas clássicos o pleno emprego sempre ocorre inclusive no mercado de trabalho Por esse motivo não existe desemprego involuntário apenas o voluntário que é aquele que a pes soa por algum motivo não deseja trabalhar Apesar disso o desemprego existirá mesmo que pouco o que se chamou de taxa natural de desemprego Atualmente segundo Souza 2011 entende se que essa taxa natural de desemprego é formada por três componentes que são o desemprego voluntário o estrutural e o friccional conforme podemos ver na Figura 2 O Mercado de Trabalho Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 117 Desemprego voluntário Desemprego estrutural Desemprego friccional Taxa natural de desemprego Figura 2 Os componentes da taxa natural de desemprego Fonte Souza 2011 p 75 Vamos conhecer as causas do desemprego Desemprego estrutural o desemprego estrutural pode ser decorrente de mudanças estruturais na economia como mudança tecnológica padrão de demanda dos consumidores que no longo prazo alteram o mercado de traba lho eliminando alguns postos de trabalho e criando outros Desemprego Friccional é caracterizado por pessoas que estão desempre gadas momentaneamente decorrentes por exemplo de mudança voluntária de emprego demissão primeiro emprego ou ainda como afirma Souza 2011 algumas pessoas não aceitam a primeira oportunidade de trabalho que surge procurando algo que consideram melhor assim o período que elas estão exa minando outras ofertas de trabalho ocorre o desemprego friccional O mesmo autor afirma que esse tipo de desemprego é causado por certos des compassos que podem ocorrer entre os trabalhadores e as vagas ofertadas por exemplo problemas de informação sobre a vaga disponível divergências de qua lificações entre o que o empregador deseja o que e trabalhador oferece distância geográfica entre aquela vaga oferecida e o trabalhador apto e desequilíbrio entre os setores que precisam de mão de obra e os que tem oferta maior de trabalhadores Resumindo o desemprego friccional é um desemprego de adaptação típico de economia em transformação SOUZA 2011 p 77 mas esse tipo de desem prego pode se tornar em desemprego estrutural no médio prazo INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 118 Desemprego conjuntural ou cíclico também chamado de desemprego involuntário acontece em fases de recessão da economia Nestas fases o governo reduz o gasto o que afeta diretamente a demanda diminuindo a produção e gerando desemprego Estrutural rigidez salarial Conjuntural economia contraída Friccional mobilidade do mercado de trabalho Tipos de desemprego segundo suas causas Figura 3 Tipos de desemprego Fonte Souza 2011 p 78 Além desses tipos alguns autores ainda incluem mais uma categoria do desem prego que é o desemprego sazonal que acontece em determinadas épocas por exemplo baixa temporada ou entre safras Este tipo é muito comum na agricul tura e no turismo Certamente você ficou confuso com tantos tipos de desemprego e as causas são bem parecidas correto Para tentar solucionar essa dúvida vamos pen sar no tempo que a pessoa procura por um novo emprego Quanto maior for o tempo de procura maior a probabilidade da pessoa estar passando pelo cha mado desemprego estrutural TAXA DE DESEMPREGO Como é calculada a taxa de desemprego A taxa de desemprego é segundo Passos e Nogami 2012 o percentual de pessoas desocupadasdesempregadas na semana de referência da pesquisa com procura no período de referência de O Mercado de Trabalho Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 119 30 dias em relação à população economicamente ativa PEA na semana de refe rência Ficou complicado certo Vamos visualizar pela fórmula Taxa de desemprego população desocupadaPopulação economica mente ativa x 100 O valor encontrado mostra a relação percentual de pessoas que estão pro curando trabalho nos últimos 30 dias e que não exerceram atividade remunerada nos últimos 7 dias Por exemplo se a taxa de desemprego for de 7 isso signi fica que 7 da população economicamente ativa não está trabalhando mas está procurando emprego Como sabemos esse percentual No Brasil temos três principais pesqui sas que verificam o mercado de trabalho como a Pesquisa Mensal de Empregos PME Pesquisa de Emprego e Desemprego PED e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PNAD sendo a última mais utilizada no meio aca dêmico dos pesquisadores sobre mercado de trabalho Cada pesquisa tem uma metodologia própria MOVIMENTOS NO MERCADO DE TRABALHO Os movimentos do mercado de trabalho relacionados à oferta e demanda por trabalhadores depende de três fatores que são Salário mínimo na maioria dos países incluindo o Brasil existe legislações que proíbem que os empregadores paguem menos do que um salário mínimo a qualquer categoria profissional ou gênero ou ainda a idades diferentes O salá rio mínimo é definido pelo governo de tempo em tempo Sindicatos segundo Souza 2011 os sindicatos são entidades que defendem os direitos dos trabalhadores entre esses direitos estão a irredu tibilidade dos salários e a manutenção dos salários reais ou seja do poder aquisitivo da população Salárioeficiência um empresário pode estar certo que existe mais oferta do que demanda por trabalhadores em um determinado setor mas ele pode não desejar por questão estratégica por exemplo reduzir o salário Nesse caso o empresário estaria evitando rotatividade e assegurando a qualidade do trabalho INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 120 Blanchard 2011 afirma que a fixação de salários é feita de várias formas tais como determinados pelos empregadores ou por acordos bilaterais entre o empregador e o empregado as chamadas negociações Assim muitos trabalha dores empregados têm algum poder de barganha e esse nível do poder depende claramente da natureza do seu trabalho além disso as condições de trabalho também afetam o poder de bar ganha dos trabalhadores CONSEQUÊNCIAS DA GLOBALIZAÇÃO SOBRE O MERCADO DE TRABALHO Com a abertura da economia brasileira iniciada no Governo Fernando Collor de Mello houve um aumento da competitividade no setor industrial brasileiro e as empresas precisaram criar estratégias para continuar no mercado Dentre essas estratégias podemos destacar a diversificação de produtos a terceiriza ção da produção e a criação de programas de qualidade Especificamente sobre o mercado de trabalho o aumento do desemprego estrutural pode ser apontado como um dos aspectos perversos da globalização Ademais implantado pela globalização o novo paradigma tecnológico requer mão de obra qualificada marginalizando assim parcela significativa de trabalhadores POLÍTICAS ECONÔMICAS MONETÁRIA FISCAL E CAMBIAL Podemos definir de forma bem genérica que uma política econômica é a atuação do governo para atingir um determinado objetivo Temos três prin cipais políticas econômicas que são a monetária fiscal e cambial Vamos entender cada uma delas Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 121 POLÍTICA MONETÁRIA A política monetária se refere à quantidade de moeda disponível na economia ao crédito disponível na economia e às taxas de juros Conforme Gremaud et al 2008 p 201 por política monetária entendese a atuação do Banco Central para definir as condições de liquidez da economia quantidade ofertada de moeda nível de taxa de juros entre outros Por meio da definição apresentada perce bemos que essa política influencia nossa vida diariamente e muitas vezes não damos conta disto Você já havia pensado nisto Vamos verificar agora quais são as funções da moeda De acordo com Souza 2011 as funções da moeda podem ser divididas em meio de troca reserva de valor medida de valor e padrão para pagamento diferido no tempo Vejamos cada uma dessas funções A função chamada meio de troca está relacionada à possibilidade que temos de trocar moeda por produtos e serviços que deman damos ou seja a moeda nos ajuda muito por nos facilitar as trocas e embora não pensemos muito nisso nem sempre foi assim já tivemos muitas mercado rias que foram utilizadas como moeda A moeda serve como reserva de valor por ter a máxima liquidez e por ter um poder de compra assim essa função está intimamente relacionada à função de meio de troca A medida de valor é porque por meio da moeda classificamos quanto vale determinada mercadoria e a função de padrão para pagamento dife rido no tempo nos permite negociar algo produto serviço em uma data e que o seu pagamento seja feito no futuro ou seja por conta da existência da moeda é que podemos combinar um preço hoje para alguma negociação e esse paga mento ser feito daqui há 30 ou 60 dias e assim por diante E porque nós demandamos moeda Sei que você de estar assustadoa com essa pergunta e deve ter respondido é óbvio que sabemos Porém sabemos na prática vejamos na teoria quais são os motivos que nos levam a demandar moeda Motivo especulação você quer manter seus recursos em moeda para poder utilizálo em algo que seja vantajoso para você mas aqui estamos falando de aplicações financeiras rápidas INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 122 Motivo transação o motivo transação é que mantemos moeda para as tran sações necessárias em determinado período Por exemplo ao receber o salário você guarda certa quantia em dinheiro para poder pagar suas contas mensais como água telefone etc Motivo precaução nesse caso as pessoas nós guardam dinheiro para um imprevisto Quem aí não tem um avô ou uma avó que diz nunca se sabe o que vai ser amanhã é melhor prevenir e por esse motivo essas pessoas acabam guardando dinheiro em espécie Aqui após verificarmos quais são as funções da moeda já podemos fazer uma importante reflexão conforme Souza 2011 a demanda por moeda vai depender diretamente de qual é a renda do agente econômico e inversamente da taxa de juros Explico quanto maior a renda maior a demanda por moeda e quanto maior a taxa de juros menor a demanda pois se a taxa de juros estiver muito alta será mais interessante deixar o dinheiro aplicado Sabendo quais são as funções da moeda e porque os agentes econômicos a demandam vamos ver quais são os instrumentos que o governo tem e utiliza para provocar o aumento ou redução de demanda por moeda Instrumentos da política monetária Open market as operações de open market ou mercado aberto são aque las em que o governo compra ou vende títulos públicos ou seja digamos que o governo pretende irrigar a economia com mais dinheiro utilizando essa ferra menta de mercado aberto ele vai entrar no mercado comprando títulos públicos e o contrário é verdadeiro Depósitos Compulsórios os depósitos compulsórios representam parte dos recursos que os bancos arrecadam no mercado sob a forma de depósi tos Essa parte é a que fica retida junto ao Banco Central Na prática os bancos ficam impedidos de usarem esses recursos para novos empréstimos Então por que os depósitos compulsórios são um dos instrumentos da política monetária Respondo porque se a intenção do governo é fazer uma política restritiva ele irá elevar o depósito compulsório dessa forma sobrará menos recursos para os bancos emprestarem ou reemprestarem Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 123 Taxa de Redesconto também chamado de empréstimos de liquidez por alguns autores a Taxa de Redesconto é a taxa que os bancos comerciais pagam ao Banco Central quando precisam de dinheiro emprestado Por exemplo digamos que um banco comercial precisa de recursos ele pode conseguir esses recursos em outros bancos mas em última instância se ele não conseguir empréstimos com seus pares ele recorrerá ao Banco Central A taxa de juros cobrada pelo Banco Central dos bancos comerciais é a chamada taxa de redesconto Se o governo deseja que haja uma elevação da quantidade de dinheiro em circulação ele irá diminuir o valor dessa taxa em contrapartida se quiser que tenha uma redução na quantidade de dinheiro na economia ele eleva essa taxa Até aqui falamos da política monetária focando na moeda suas funções e os instrumentos da política monetária Porém há outra variável que está inti mamente ligada à política monetária e essa está sempre presente nos noticiários como evidenciado na introdução desta unidade a famosa taxa de juros Podemos entender por juros o preço do uso do dinheiro Porque pagamos juros de um empréstimo Porque não temos os recursos no momento e mesmo assim o utilizamos Então a taxa de juros é o pagamento por essa utilização do dinheiro A definição da taxa de juros está atrelada à política monetária De acordo com Gremaud et al 2008 p 285 taxa de juros é o que se ganha pela aplicação de recursos durante determinado período de tempo ou alternativa mente aquilo que se pega pela obtenção de recursos de terceiros tomada de empréstimo durante determinado período de tempo Verificando a definição de taxa de juros já é possível inferir que esta é uma variável das mais importantes em qualquer economia visto que a partir dela muitas decisões são tomadas Por exemplo se um empresário deseja fazer um investimento uma das variáveis que ele levará em consideração é a taxa de juros Se uma pessoa física pretende comprar um produto e vai pagálo à prestação quanto ele pagará de juros vai afetar diretamente sua decisão de compra Então sabendo o que é e como é importante a taxa de juros verifiquemos como ela é formada No Brasil a chamada taxa básica de juros é a SELIC Serviço Especial de Liquidação e Custódia ela é básica porque a partir dela é que as demais taxas são estabelecidas muitas vezes você vê o valor da SELIC e diz mas no che que especial estou pagando muito mais do que isso Ou no cartão de crédito ou INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 124 no financiamento entre outros Volto a dizer a SELIC serve de base para as demais taxas de juros é como se fosse um indicador de tendência ou um sinalizador que o governo usa para mostrar aos demais agentes econômicos o que ele quer no futuro próximo ou no curto prazo A definição da SELIC é feita pelo COPOM Comitê de Política Monetária do BACEN Banco Central por meio de suas reuniões mensais que provavel mente você já deve ter ouvido ou lido alguma notícia a respeito Sempre que a definição da SELIC acontece uma vez por mês em uma quartafeira essa infor mação é bastante divulgada justamente como vimos anteriormente a intenção do governo é informar o que ele deseja dos agentes econômicos pela sua deci são de elevar manter ou reduzir a SELIC Como a política monetária afeta a economia Agora que já estudamos um pouco sobre moeda e as variáveis que envolvem a política monetária vamos discutir como o governo faz política monetária e quais os resultados que pretende com ela Em geral dizemos tecnicamente que a política monetária pode ser con tracionista ou expansionista e o que isto quer dizer Uma política monetária contracionista é feita se o governo deseja frear a economia melhor dizendo se na visão do governo a economia está muito aquecida as pessoasempresas estão utilizando muito a moeda para as mais diversas funções e ele deseja que isso seja reduzido ele praticará política monetária contracionista Aí você pode me dizer mas quando o governo vai querer desaquecer a economia Quando por exemplo a inflação estiver muito elevada E como se faz essa política A fer ramenta mais utilizada no Brasil é a taxa de juros mas todos os instrumentos de política monetária citados anteriormente são e podem ser utilizados Já política monetária expansionista funciona no sentido inverso se o governo acha que a economia está desaquecida e ele pretende estimular essa economia ele poderá reduzir a taxa de juros o que levará os agentes econômicos a reaque cerem a economia Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 125 Taxa de juros Infação Taxas de mercado Preço dos ativos Expectativas Taxa de câmbio Demanda Preço das importações Figura 4 O Mecanismo de Transmissão da Política Monetária Fonte Harrison et al 2005 apud PIRES 2008 Veja com base na Figura 4 o que se espera a partir de uma mudança na taxa de juros é que ela afete as taxas de mercado que estão ligadas às expectativas dos agentes e que juntamente com os preços dos ativos irão influenciar a demanda que é o que determinará a inflação Por outro lado a taxa de juros também está ligada à taxa de câmbio que determina o preço das importações que influencia a inflação este é o modelo utilizado pela Inglaterra Na Figura 5 podemos verificar um esquema parecido com o da Figura 1 mas este foi construído para ilustrar o que ocorre no Brasil INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 126 Decisões de Política Monetária Requerimentos Compulsórios Taxa de juros Taxa de Câmbio Crédito Taxa de Redesconto Moeda Produto Real Nível de Preços Figura 5 O Mecanismo de Transmissão da Política Monetária Brasil Fonte Gontijo 2007 A Figura 5 ilustra o desencadear da política monetária partindo de um dos mecanismos tradicionais que já estudamos nesse caso é especificamente para o Brasil Podemos verificar que todos eles não só afetam em última instância o nível geral de preços mas também influenciam o produto da economia o PIB e em especial a taxa de juros influencia a taxa de câmbio POLÍTICA FISCAL A política fiscal trata basicamente do orçamento gastos e arrecadação do governo Então quando o governo gasta ou investe algum recurso ele está fazendo polí tica fiscal Quando o governo eleva ou reduz algum imposto ele também está fazendo política fiscal Normalmente ouvimos ou lemos a manchete Brasil fecha período com superávit primário ou Brasil fecha período com déficit primá rio e o que isso quer dizer Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 127 Déficit ou Superávit primário de acordo com Gremaud et al 2008 p 194 é a diferença entre as receitas não financeiras e os gastos não financeiros Se o governo gastou mais do que arrecadou ele tem déficit e se ele gastou menos do que arrecadou ele tem superávit Esse conceito segundo os mesmos autores mostra exatamente como o governo está conduzindo sua política fiscal já que não se inclui dívida e nem os juros da dívida Quando o governo tem superávit em suas contas significa que ele arrecadou mais do que gastou e isso pode ser traduzido como uma política contracionista ou seja ele está recebendo mais impostos e taxas da população então por que se chama política contracionista Porque com essa atitude o governo está arreca dando mais dinheiro do que gastando e com isso o dinheiro tem girado menos na economia e por consequência gerado menos empregos e crescimento Já quando o governo tem déficit em suas contas ele gastou mais do que arre cadou podemos dizer que ele está fazendo uma política fiscal expansionista isso porque se o governo gasta mais do que arrecada ele está estimulando a econo mia pela injeção de recursos Aqui cabe uma observação bastante importante e a qualidade desses gastos Muitas vezes apenas gastar para injetar dinheiro na economia não é uma boa estratégia é preciso saber em que se está gastando A função da política fiscal é a de ajudar o governo a atingir seus objetivos para uma nação e para isto o governo utiliza as variáveis gastos e arrecadação A maior parte das arrecadações do governo brasileiro se dá pelos impostos De acordo com Gremaud et al 2008 o Brasil sempre utilizou a estrutura tributá ria para estimular setores da economia Como a política é bastante utilizada pelo governo brasileiro e sua arre cadação vem principalmente dos impostos vamos discutir um pouco sobre esses impostos De acordo com Gremaud et al 2008 a forma como são estruturados os sistemas tributários determina o impacto dos impostos tanto sobre o nível de renda como sobre a organização econômica a distribuição de renda a competitividade da economia entre outros fatores Nesse sen tido podemos analisar vários aspectos Primeiro podemos distinguir os impostos em diretos e indiretos Os impos tos diretos são aqueles que incidem sobre a renda e o patrimônio enquanto que os impostos indiretos incidem sobre o consumo INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 128 Impostos diretos os principais impostos diretos no Brasil são o Imposto de renda IR pessoa física e jurídica o IPVA Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores o IPTU Imposto Predial e Territorial Urbano o ITR Imposto Territorial Rural entre outros Esses impostos são todos diretos o que significa dizer que eles incidem sobre a renda do cidadão ou da empresa ou sobre a propriedade de algo Impostos Indiretos os principais impostos indiretos no Brasil são o ICMS Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços o IPI Imposto sobre Produtos Industrializados ISS Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza o II Imposto de Importação entre outros A característica que esses impostos têm em comum é que todos incidem sobre o consumo e por isso são classifi cados como indiretos Depois ainda é possível classificarmos os impostos de modo geral quanto a sua base de incidência quer dizer quem deve pagar impostos Alguns devem pagar mais que outros vejamos Impostos Neutros dizemos que o sistema de cobranças de impostos é neutro quando a sua participação na renda das pessoas é a mesma independentemente do nível de renda Impostos Regressivos chamamos de sistema regressivo quando a participa ção dos impostos na renda das pessoas diminui conforme a renda aumenta ou seja quem ganha menos paga mais Impostos Progressivos damos o nome de sistema progressivo quando a par ticipação dos impostos na renda das pessoas aumenta conforme a renda aumenta ou seja quem ganha mais paga mais E por último podemos analisar os impostos em relação à eficiência econô mica e ao fomento da economia Nesse sentido devemos analisar se o governo está interferindo no mercado no sentido de sobretaxar determinados bens e serviços desincentivando sua produção ou o contrário Em suma os impostos fazem com que um produto ou serviço se torne mais caro ou mais barato inde pendentemente da eficiência de quem o oferta e o governo deve estar atento a esse efeito dos impostos Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 129 Instrumentos da política fiscal Conforme vimos na definição do que é política fiscal ela trata dos gastos e arrecadação do governo Assim para fazer política fiscal o governo utiliza seus gastos eou sua arrecadação objetivando sempre alcançar algo com sua ação Vimos lá no início deste capítulo que as políticas macroeconômicas têm quatro objetivos e estes podem ser buscados utilizando a política fiscal E como executar essa política O governo pode decidir e decide como quando e para que utilizará seus recursos essa é uma maneira de fazer política fiscal O governo decide tam bém sobre as alíquotas de impostos e isto é política fiscal Vamos ver um exemplo prático No ano de 2008 houve uma crise internacional mais localizada a princípio nos Estados Unidos batizada de crise das hipotecas com ela houve de modo geral uma redução no consumo mundial e o Brasil acabou passando a vender menos para o resto do mundo já que este estava em crise Um dos mecanismos utilizados pelo então Presidente Lula foi o de reduzir o IPI dos automóveis obje tivando reduzir seu preço e elevar sua demanda Consequência com a redução no preço dos carros ocorreu uma elevação da demanda e um aquecimento da economia brasileira mais especificamente do setor automobilístico A indús tria automobilística não reduziu sua produção e nem precisou demitir pessoal Esse mesmo mecanismo foi utilizado com os produtos de linha branca como por exemplo geladeiras e fogões A esse tipo de política fiscal damos o nome de expansionista na qual o objetivo do governo é expandir fazer crescer a econo mia Se o objetivo fosse contrair a economia o governo poderia por exemplo ter elevado o IPI desses produtos assim as pessoas demandariam menos e a economia se retrairia INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 130 Como a política fiscal afeta a economia É dentro da política fiscal que o governo decide onde fará seus investimentos dessa forma ela influencia diretamente os cidadãos Além disso é por meio dessa política que verificamos se o governo está endividado ou não de onde têm vindo e pra onde estão indo seus recursos Como já falamos anteriormente a política fiscal pode ser utilizada para incentivar ou desincentivar a indústria produção de algum produto Vejamos a respeito de quanto de impostos está embutido em determinados produtos Tabela 1 Percentual de tributos embutidos no preço final de produtos PRODUTO Batatinha in natura 1122 Frango congelado 1680 Ovos de galinha 2059 Fubá 2528 Água Mineral 4455 Cerveja garrafa ou lata 5560 Sapato 3617 Gasolina 5303 Fralda descartável 3421 Livros 1552 Fonte adaptado de Impostômetro 2017 online1 Qual é o maior problema do Brasil o número de tributos que pagamos ou a forma como o governo gasta o que arrecada Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 131 POLÍTICA CAMBIAL A política cambial é aquela que busca manter atingir uma taxa de câmbio que seja considerada boa para a economia Junto à política cambial alguns autores trabalham a chamada política comercial que se refere a mecanismos de incen tivo ou desincentivo às exportações e às importações Ao estudarmos teoria econômica devemos ter em mente que esta tem uma gama imensa de variáveis mas quando falamos em economia é muito difícil que ninguém se manifeste e comente sobre o DÓLAR Acredito que para falarmos de política cambial instigar você alunoa na questão da moeda Norte Americana seja uma boa estratégia afinal de contas quem nunca sonhou com uma viagem internacional com um produto importado e de repente se lembrou mas tenho que pagar em dólares Este simplificada mente é o mundo da política cambial Como vimos anteriormente o governo tem alguns objetivos nas suas políti cas macroeconômicas e dentro da política cambial o que é que o governo pode ou poderia fazer Vamos começar por entender um pouquinho sobre o câmbio Câmbio é uma palavra de origem espanhola que significa troca então quando pensamos no dólar na verdade estamos pensando quanto vai custar esse dólar ou seja de quantos Reais eu preciso para comprar ou trocar por um dólar Nas palavras de Gremaud et al 2008 p 369 a taxa de câmbio é o valor que uma moeda nacional possui em termos de outra moeda nacional Desta forma podemos comparar o Real ao Dólar ao Euro e assim por diante bem como pode mos comparar Euro ao Dólar Euro ao Franco Um país pode adotar regimes cambiais diferentes no caso do Brasil você sabe qual é o regime cambial adotado atualmente Vejamos quais são os regimes que a literatura traz e depois você responde em qual destes o Brasil se encaixa Regime de câmbio fixo nesse regime cambial mantémse a taxa de câmbio em um mesmo valor ou seja não há oscilação no preço da moeda em relação a outras moedas Como vimos na Unidade II as leis da oferta de demanda irão determinar preços mas no caso do câmbio fixo isso não ocorrerá quer dizer não será o mercado que determinará o preço da moeda e sim o Governo INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 132 Para manter o câmbio fixo é preciso que o país tenha uma boa quantidade de Reservas Internacionais ou seja moeda internacional pois o Banco Central do país é quem administrará o câmbio e para isso precisará trabalhar com essas Reservas Você deve estar se perguntando como Entenda o esquema montado na Figura 6 Preço do dólar 1 real O Dólar está muito barato e as pessoas demandam mais Dólar Se o regime é Câmbio fxo Se o regime é Câmbio futuante Apesar de haver pressão do mercado o preço do Dólar não muda O Banco Central passa a ofertar Dólar para atender esse aumento na demanda e manter o seu preço O preço do Dólar aumenta A causa é a mesma que você aprendeu na Unidade II A demanda aumentou e a oferta foi mantida então houve um aumento no preço Figura 6 Modificação do preço da moeda nos regimes de câmbio fixo e flutuante Fonte a autora Quando temos taxa de câmbio fixo e o mercado demanda muita moeda estran geira o Banco Central entra no mercado cambial ofertando moeda internacional para que o preço dela não suba não haja alteração na taxa cambial Se o mercado está demandando pouca moeda internacional a ponto de haver uma queda no seu preço o Banco Central entra nesse mercado comprando a moeda para evi tar que o preço dela caia Com esses mecanismos por parte do Banco Central é que se mantém uma taxa de câmbio fixa Políticas Econômicas Monetária Fiscal e Cambial Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 133 Regime de câmbio flutuante nesse regime cambial é permitido que o preço da moeda oscilasse de acordo com as condições de oferta e demanda do mer cado Nesse caso o Banco Central também compra e vende moeda estrangeira no entanto faz isso apenas pela necessidade que tem de utilizar essa moeda ele não entra no mercado para influenciar ou determinar o seu preço No caso de câmbio flutuante o preço da moeda será determinado pelas leis da oferta e demanda Se houver maior demanda pela moeda seu preço se ele vará e se a demanda cair seu preço também cairá E porque o câmbio é uma variável importante Qualquer transação que seja realizada com o exterior é influenciada pela taxa de câmbio Pensando dessa maneira podemos entender que governos possam se utilizar desse artifício ou dessa política buscando atingir algum objetivo para sua economia Vamos tratar do nosso caso específico do mercado brasileiro Quem demanda dólar Quem oferta dólar Em outras palavras quem compra e quem vende dólares Os demandantes de dólares Turistas que viajam para o exterior Pessoas ou empresas que importam produtos compram produtos do exterior Pessoas ou empresas que contraíram dívidas no exterior e precisam saldálas Filiais de empresas cujas sedes são no exterior ao remeterem lucros e dividendos Os ofertantes de dólares Pessoas ou empresas que exportam seus produtos Turistas estrangeiros que vêm ao Brasil Investidores estrangeiros que investem no Brasil Quem faz empréstimos no exterior INTRODUÇÃO À MACROECONOMIA Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 III U N I D A D E 134 Levando em conta quem são os ofertantes e demandantes de dólares podemos afirmar que o preço dessa mercadoria ou seja a taxa de câmbio é uma variável muito importante para a economia Com certeza a taxa de câmbio influenciará as relações comerciais de residentes com os não residentes Quadro 2 Vantagens e desvantagens dos regimes cambiais CÂMBIO FIXO CÂMBIO FLUTUANTE Características Banco Central fixa a taxa de câmbio O Banco Central é obri gado a disponibilizar as reservas cambiais O mercado oferta e de manda de divisas deter mina a taxa de câmbio O Banco Central não é obrigado a disponibilizar as reservas cambiais Vantagens Maior controle da inflação custos das importações estáveis Política monetária mais independente do câmbio Reservas cambiais mais protegidas de ataques especulativos Desvantagens Reservas cambiais vulne ráveis à ataques especu lativos A política monetária taxa de juros fica dependente do volume de reservas cambiais A taxa de câmbio fica muito dependente da volatilidade do mercado financeiro nacional e internacional Maior dificuldade de controle das pressões inflacionárias devido às desvalorizações cambiais Fonte adaptado de Vasconcellos e Garcia 2008 No quadro Vasconcellos e Garcia 2008 resumam bem as vantagens e desvanta gens de cada regime cambial cabe a autoridade econômica e política escolher o que melhor se adequa à realidade do seu país No caso do Brasil você já con segue responder a pergunta que fizemos no início deste tópico ou seja qual é o regime cambial adotado aqui Adotamos o regime de câmbio flutuante Considerações Finais Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 135 CONSIDERAÇÕES FINAIS Olá estamos finalizando a Unidade III do livro Economia e sociedade Nesta unidade discutimos uma das grandes áreas de estudo que é a macroeconomia Vimos que ela analisa os agregados macroeconômicos ou seja a economia como um todo e não unidades produtoras individuais Para conhecer um pouco sobre a teoria da macroeconomia esta unidade foi dividida em quatro seções Na primeira falamos sobre os fundamentos da macro economia Iniciamos nossas discussões apresentando alguns conceitos essenciais e básicos para entendermos a macroeconomia Na seção dois diferenciei os con ceitos de crescimento e desenvolvimento econômico que apesar de existir uma linha de pensamento que afirma que um país quando cresce está se desenvol vendo a prática mostra que não as nações podem aumentar sua riqueza sem melhorar a vida da população Na seção três entendemos um dos quatro mercados da macroeconomia que é o mercado de trabalho Esse mercado é o local em que a quantidade de emprego e o salário que é o preço do fator de produção trabalho são determina dos Vimos também que os salários são determinados de três formas negociação salário de eficiência e taxa natural de desemprego Para finalizar a unidade discutimos as três principais políticas macroeconô micas que são a monetária que está relacionada à taxa de juros e a quantidade de moeda em circulação e consequentemente o crédito a política fiscal que são os gastos e arrecadação do governo e por fim a cambial que trabalha com a variável taxa de câmbio e a forma de impacto dessa variável da economia Agora você conseguirá compreender um pouco melhor as manchetes eco nômicas e as ações do governo em termos econômicos Espero que eu tenha conseguido despertar em você a paixão pela macroeconomia e pela economia como um todo Um forte abraço e até a próxima unidade 136 1 Diante do exposto e conforme colocado por Vasconcellos e Garcia 2008 o go verno deve ter alguns objetivos ao adotar políticas macroeconômicas A respei to desses objetivos é correto afirmar que I Todos os objetivos a serem alcançados são de longo prazo II Alto nível de emprego historicamente é um objetivo dos governos III Todos os objetivos a serem alcançados são de curto prazo a Somente as afirmativas I e II estão corretas b Somente as afirmativas II e III estão corretas c Somente a afirmativa I está correta d Todas as afirmativas estão corretas e Nenhuma afirmativa está correta 2 O governo tem algumas funções chamadas por alguns autores de funções bá sicas a saber estabilizadora distributiva e alocativa Sobre a função estabiliza dora é correto afirmar que a Preocupase com a melhor distribuição dos recursos b Está focada em áreas que não são atraentes ao capital privado c Preocupase com os preços da economia d Podemos adotar como exemplo dessa função o investimento em saneamen to básico e Preocupase com a distribuição de renda justa 3 Os conceitos de desenvolvimento e crescimento econômicos são próximos Po rém é importante conhecermos bem suas diferenças A respeito dessas dife renças é correto afirmarmos que a No crescimento devemos prestar mais atenção ao nível de escolaridade b A distribuição de rendas é mais considerada quando discutimos crescimento do que quando discutimos desenvolvimento c Estudar desenvolvimento econômico implica pensar em qualidade de vida d O PIB Produto interno bruto per capita é uma excelente medida para o de senvolvimento econômico e Nenhuma das alternativas anteriores 137 4 Crescimento econômico é um dos objetivos que o governo procura alcançar sen do portanto tema de estudo da macroeconomia Assim crescimento econômico pode ser definido como o aumento da capacidade produtiva da economia ou seja é a riqueza de um país Para que uma nação gere riqueza são utilizados re cursos disponíveis que são limitados Com base no exposto assinale V para verda deiro e F para falso quanto às fontesaos instrumentos de crescimento econômico Aumento da capacidade produtiva Mão de obra qualificada Geração de emprego Melhorias na qualidade de vida da população Assinale a alternativa correta a V V V F b F F V V c F V V F d F V F V e V F F V 5 Uma desvalorização cambial significa dizer que são necessárias mais moedas na cional no caso Real para comprar moeda estrangeira Vamos supor que inicial mente a taxa de câmbio era de R 300 comparando esta taxa com os valores a seguir marque a alternativa que significa que houve uma desvalorização cambial I R 301 II R 300 III R 299 IV R 302 a I II e III estão corretas b II e III estão corretas c I II e IV estão corretas d I e IV estão corretas e Todas estão corretas 138 6 Podemos dizer que tudo que o governo gasta e arrecada pode ser utilizado como política fiscal Assim quando o governo reduz algum imposto é cor reto dizermos que a Está fazendo política fiscal contracionista b Está desincentivando a produção do bem no qual aquele imposto incide c Está incentivando a produção do bem no qual aquele imposto incide d Está aumentando diretamente sua arrecadação e Está reduzindo a taxa de juros no longo prazo 139 A POLÍTICA MONETÁRIA BRASILEIRA E SEU IMPACTO NA ECONOMIA COMO UM TODO A política monetária assim como a política fiscal que são tão discutidas são âncoras para a estabilidade macroeconômica e consequentemente impactam positiva e negativa mente em diversas variáveis da economia incluindo no dia a dia da população Por meio destas políticas o governo consegue estimular quando opta por política macroeconômi ca expansionista ou desestimular quando o foco são as políticas contracionistas a econo mia afetando o nível de preços taxa de desemprego renda nacional oferta e demanda setorial o crescimento econômico desenvolvimento econômico entre outras variáveis A política monetária é um instrumento de atuação do governo no que diz respeito à quantidade de moeda em circulação e a taxa de juros que afeta a liquidez da economia e assim o crédito No Brasil o Banco Central BACEN é a autoridade monetária ou seja é a entidade responsável pela elaboração e execução da política monetária brasileira controlando a oferta de moeda em circulação e a taxa de juros de forma direta ou in direta Este controle feito pelo Banco Central tem como função estabilizar os preços e intervir no nível de atividade econômica Porém uma função não exclui a outra e ao intervir na atividade econômica os preços acabam sendo afetados Os preços podem ser afetados via emissão de moeda que implica em maior disponi bilidade de dinheiro em circulação assim os agentes terão uma quantidade maior de moeda nas mãos para comprar mais bens e serviços Com demanda maior as empre sas procuram responder a nova solicitação e ofertam mais Para produzir mais as em presas utilizarão a capacidade ociosa se houver e farão novos investimentos como a compra de novas máquinas e equipamentos aumento da planta industrial e gerarão novos postos de trabalho Por outro lado com quantidade maior de moeda em circulação a taxa de juros reduz já que esta é o preço do dinheiro Taxa de juros mais baixa acarreta redução nos investi mentos no mercado financeiro já que o investimento especulativo depende da taxa de juros quanto maior maior a rentabilidade Porém taxa de juros mais baixa incentiva ao investimento já que o custo por empréstimos se torna mais baixo A política monetária atual no Brasil tem como objetivo principal talvez único controlar a inflação ou seja estabilizar a economia e o instrumento mais utilizado para atingir o objetivo é a taxa básica de juros SELIC O funcionamento da política monetária brasilei ra é basicamente da seguinte forma é definido qual será a meta da inflação que nos úl timos anos foi de 45 ao ano com dois pontos percentuais para mais ou para menos e ao longo do ano para atingir a meta o governo aumenta ou reduz a taxa de juros básica Fonte a autora MATERIAL COMPLEMENTAR Princípios de Macroeconomia N Gregory Mankiw Editora Cegange Sinopse o estudo de economia é um dos mais fascinantes e complexos de todas as ciências Constituise portanto em estimulante desafio o domínio dos seus princípios fundamentais conjugados com a necessidade do entendimento saiba mais das inúmeras dificuldades com que a economia global vem se defrontando Para melhor compreender o mundo e poder participar ativamente dele é preciso ter à mão um manual completo e atualizado Esta obra além dos ferramentais consagrados dispõe também das mais recentes descobertas da economia e dos instrumentos de política econômica para utilizála Pensando nisso N G Mankiw escreveu em linguagem clara e amigável Introdução à economia levando em conta três razões principais que segundo ele o estudante tem para aprender economia entender o mundo em que vive ser um participante mais perspicaz da economia e compreender melhor os potenciais e os limites da política econômica Para atingir esses objetivos o autor além de uma metodologia eficaz de ensino empregou diversas ferramentas de aprendizagem efetiva que se repetem ao longo do livro como Saiba mais sobre Estudos de caso Notícias Conceitoschave Testes rápidos Resumos Questões para revisão Problemas e aplicações e Glossário Para tanto na 6ª edição do livro muitos conceitos novos foram introduzidos e outros tantos revistos e atualizados proporcionando assim uma forma eficiente e integrada para a autoavaliação do domínio da matéria além de tornar a aprendizagem mais atraente rápida e eficaz Além disso o autor que é professor de economia da Harvard University procedeu na obra a ampla exposição das causas e consequências da recessão de 20082009 e da crise financeira que a antecedeu Descreve também nesse contexto os novos instrumentos que vêm sendo utilizados para a eliminação do desemprego e a retomada do crescimento econômico sustentável instrumentos cuja utilização perdura até hoje Por tudo isso a obra consagrada em todo o mundo como o mais completo e efetivo manual de introdução à economia deve continuar sendo o livro mais procurado e adquirido por estudantes professores e outros interessados em economia REFERÊNCIAS BACHA C J C LIMA R A S Macroeconomia teorias e aplicações à economia bra sileira Campinas Editora Átomo 2006 BLANCHARD O Macroeconomia São Paulo Pearson Addison Wesley 2011 GIAMBIAGI F ALÉM A C Finanças Públicas Teoria e Prática no Brasil Rio de Janei ro Campus 2011 GONTIJO C Os mecanismos de transmissão da política monetária uma abordagem teórica Texto para Discussão nº321 Belo Horizonte UFMGCedeplar 2007 GREMAUD A P et al Economia brasileira contemporânea São Paulo Atlas 2008 PASSOS C R M NOGAMI O Princípios de Economia 4 ed São Paulo Cengage Learning 2012 PIRES M C C A Dívida Pública e a Eficácia da Política Monetária no Brasil 2008 Monografia agraciada com menção honrosa no XIII Prêmio Tesouro Nacional 2008 Política Fiscal e Dívida Pública Brasília ESAF 2008 SANDRONI P Novíssimo Dicionário de Economia São Paulo Editora Best Seller 2003 SOUZA J M Economia brasileira São Paulo Pearson 2011 VASCONCELLOS M A S GARCIA M E Fundamentos de Economia São Paulo Sa raiva 2008 VASCONCELLOS M A S Economia Micro e Macro São Paulo Atlas 2011 REFERÊNCIA ONLINE 1 Em httpsimpostometrocombr Acesso em 16 jun 2017 141 GABARITO 1 E 2 C 3 C 4 A 5 D 6 C UNIDADE IV Professora Drª Andréia Moreira da Fonseca Boechat INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Objetivos de Aprendizagem Apresentar a teoria das vantagens comparativas Entender a relação entre regimes cambiais e comércio internacional Descrever a estrutura do balanço de pagamentos Compreender o processo de globalização Plano de Estudo A seguir apresentamse os tópicos que você estudará nesta unidade Fundamentos do comércio internacional Regimes cambiais e o comércio internacional Estrutura do balanço de pagamento O processo de globalização INTRODUÇÃO Olá caroa acadêmicoa tudo bem com você Seja muito bemvindoa à Unidade IV do livro Economia e Sociedade Nesta unidade iremos discutir o setor externo que é tão importante para a economia brasileira já que do ponto de vista econômico vivemos em um mundo que está cada dia mais interligado seja por meio de fluxos comerciais ou fluxos financeiros Por esse motivo a chamada economia internacional que é um ramo de estudo dentro da teoria econômica se destacou Certamente você está pensando mas afinal economia internacional faz parte da microeconomia ou da macroeconomia Na realidade a economia interna cional é dividida em dois blocos um que estuda os aspectos microeconômicos como a teoria do comércio internacional que procura analisar e justificar os benefícios que o comércio internacional gera para os países e o outro grupo dos aspectos macroeconômicos que são relativos à taxa de câmbio que fala mos um pouco na unidade anterior e ao Balanço de Pagamento Assim a Unidade IV está dividida em quatro tópicos iniciaremos nossas discussões falando da teoria das vantagens comparativas de David Ricardo no qual procura explicar os benefícios do comércio internacional para os países e portanto quais produtos as nações devem se especializar e exportar No Tópico dois retornaremos aos regimes cambiais que discutimos na Unidade III mas com foco ao comércio internacional ou seja como a taxa de câmbio influencia as exportações e importações No próximo tópico o tema será Balanço de Pagamentos no qual todas as transações entre países são registra das Para finalizar o quarto Tópico discutirá um tema de suma importância para todos os agentes econômicos que é a globalização Antes de iniciar nossas discussões lembrese procure seu tutor para qual quer dúvida que tenha pois ele está apto a responder qualquer questão Vamos lá Bons estudos e um forte abraço Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 145 INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 146 FUNDAMENTOS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL Vamos iniciar nossas discussões com uma pergunta o que leva um país a comer cializar com outras nações Para responder a esse questionamento diversas explicações podem ser levantadas como a disparidade nas condições de produção ou ainda na obtenção que certos países têm em obter as chamadas economias de escala ao produzir e vender ao mercado internacional Vocabulário Economia de escala acontece quando é possível aumentar a quantidade pro duzida sem aumentar na mesma proporção o custo Os economistas da escola clássica explicam os motivos pelos quais os países comercializam entre si por meio da teoria básica do comércio internacional o chamado Princípio ou teoria das Vantagens Comparativas que foi formulada por David Ricardo em 1817 Para a teoria das vantagens comparativas como afirma Vasconcellos 2011 cada país deve se especializar na produção do bem em que é relativamente mais eficiente ou que o custo seja menor e exportarlo Por outro lado esse mesmo país deve importar as mercadorias cuja produção implica um custo maior ou que seja menos eficiente Assim a especialização dos países na produção de bens distintos é a base do processo de troca entre as nações Para ficar mais fácil a compreensão vamos imaginar que existam somente dois países a Inglaterra e Portugal dois produtos vinho e tecido e um fator de produção que é a mão de obra Com base no trabalho a produção de cada país pode ser vista na Tabela 1 Tabela 1 Teoria das Vantagens Comparativas PaísProduto Tecido Vinho Inglaterra 100 120 Portugal 90 80 Fonte Vasconcellos 2011 p 367 Fundamentos do Comércio Internacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 147 Analisando a Tabela 1 podemos ver que Portugal é mais eficiente na produção tanto de tecido quanto de vinho comparando com a Inglaterra Isso acontece pois o custo que os portugueses têm em produzir os bens é mais baixo do que os ingleses Porém em termos relativos o custo de produção de vinhos em Portugal é 80 enquanto que na Inglaterra é 120 Já o tecido o custo é de 90 em Portugal e 100 na Inglaterra Com base na teoria Portugal tem vantagem relativa na produ ção de vinho e a Inglaterra na produção de tecidos Assim os dois países irão se beneficiar ao se especializarem na produção do bem que tenha vantagem com parativa exportando esse bem e importando o outro bem Agora vamos entender os benefícios da especialização e do comércio compa rando duas situações distintas uma sem o comércio internacional e outra com o comércio internacional Vamos lá Voltando à situação apresentada anteriormente na Inglaterra são necessá rias 100 horas de trabalho para a produção de uma unidade de tecido e 120 horas para a produção de vinho Assim uma unidade de vinho custa 12 unidades de tecido pois 120100 é igual a 12 E em Portugal A unidade de vinho custará 089 8090 Com o comércio internacional a Inglaterra importa uma unidade de vinho a um preço inferior a 12 unidade de tecido e Portugal importa mais do que 089 de tecido vendendo uma unidade de vinho Assim se a relação de troca entre vinho e tecido for de um para um ambos os países se beneficiarão Por exemplo a Inglaterra gastará 120 horas de trabalho para obter uma unidade de vinho negociando com Portugal poderá impor tar o vinho com apenas 100 horas de trabalho Em outras palavras a Inglaterra produzirá uma unidade de tecido com 100 horas de trabalho e trocará por uma unidade de vinho que caso ela produzisse seriam gastos 120 horas Com base na teoria das vantagens comparativas quais bens o Brasil deverá se especializar e exportar INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 148 E a mesma situação é com Portugal que irá trocar uma unidade de vinho que gasta 80 horas para produzir por uma unidade de tecido inglês que caso Portugal fosse produzir seriam gastos 90 horas Com base no exposto podemos concluir que a Inglaterra deve se especializar na produção de tecidos e exportar o produto e importar vinho Já para Portugal o benefício será exportando vinho e importando tecido assim todos os dois paí ses obterão ganhos via comércio internacional ao se especializarem na produção dos bens que tiverem mais vantagens relativas De acordo com Vasconcellos 2011 a teoria das vantagens comparativas expli cam os movimentos de mercadorias no comércio internacional baseada no lado da oferta ou dos custos de produção existentes nos países Assim os países expor tarão e se especializarão na produção dos bens que os custos forem menores em relação a aqueles existentes nos países exportadores Porém de acordo com o mesmo autor a Teoria das Vantagens Comparativas tem algumas limitações principalmente que ela é estática ou seja não leva em consideração a evolução da oferta e da demanda e nem as relações de preços entre os produtos negociados Por exemplo se a renda crescer a demanda por tecidos aumentará mais do que proporcionalmente a demanda de vinhos já que tecido é um bem mais elás tico e com isso existirá uma deterioração da relação de trocas entre Portugal e Inglaterra e os ingleses terão mais benefícios Para conhecer a aplicabilidade da teoria das vantagens comparativas leia o artigo Evolução das vantagens comparativas do Brasil no comércio mundial de soja que tem como objetivo analisar a evolução das vantagens compa rativas do Brasil nos segmentos de soja em grão farelo e óleo no período de 1990 a 2002 o artigo está disponível em httpsseersedeembrapabrindexphpRPAarticleview526pdf Fonte a autora Regimes Cambiais e o Comércio Internacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 149 Certamente você deve estar se perguntando sobre a elasticidade correto Geralmente os bens manufaturados apresentam elasticidade renda da demanda maior do que um e como vimos na Unidade II isso significa que o aumento da renda mundial aumenta a demanda por esse tipo de produto Diferentemente do que ocorre com produtos primários no qual possui a elasticidade renda da demanda menor do que um Então mesmo com o aumento da renda mun dial a demanda não aumentará proporcionalmente Caso tenha ficado com alguma dúvida quanto ao conceito de elasticidade por favor releia a Unidade II do nosso livro didático Falamos sobre a teoria clássica do comércio internacional mas temos uma teoria mais moderna que tem como base o modelo de HeckscherOhlin o qual como afirma Vasconcellos 2011 postula que as vantagens comparati vas e a direção do comércio estarão dadas pela escassez ou abundância relativa de fatores de produção Por exemplo um país como o nosso pode ter mão de obra abundante o que faz com que o preço do trabalho no caso o salário seja menor assegurando que o Brasil tenha vantagens comparativas e por isso deve se especializar na produção de bens que necessitam muito de trabalho Por outro lado os bens que precisam muito de capital o país deverá importar pois terá um custo relativamente menor REGIMES CAMBIAIS E O COMÉRCIO INTERNACIONAL Ao falarmos sobre a política cambial na Unidade III trabalhamos com o con ceito de taxa de câmbio e dos regimes cambial Porém nessa seção retornaremos as nossas discussões sobre esses conceitos mas agora pensando no impacto no comércio internacional Para isso vamos lembrar o que é taxa de câmbio que pode ser definida como o preço da moeda estrangeira que também podemos chamar de divisas INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 150 em relação à moeda nacional Por exemplo se a taxa de câmbio dólarreal for de R300 significa que precisamos de três reais para comprar um dólar A taxa de câmbio é um preço como de outro bem qualquer assim o que determina seu valor caso o regime cambial seja flutuante é a oferta e demanda de divisas A oferta de divisas depende por exemplo do volume de exportações da entrada de turistas que querem trocar dólar por Real e de capitais externos Já a demanda de divisas depende do volume de importações da saída de turis tas e de capital externo Com base no que já foi exposto podemos concluir que quanto maior for a oferta de divisas em relação à demanda menor é a taxa de câmbio já que tere mos mais dólar no mercado interno o que faz com que o preço do dólar reduza Com isso o Real sofre uma valorização cambial Por outro lado se aumentar a demanda por dólares dada a oferta a taxa de câmbio será maior já que o dólar estará mais caro assim o Real sofre uma desvalorização cambial Você percebeu como a lei oferta e demanda na qual nós estudamos na Unidade II explica muitas das situações econômicas A moeda é como qualquer outro bem se a oferta for maior do que a demanda o preço cai e se a demanda for maior do que a oferta o preço sobe No entanto voltemos aos conceitos Uma valorização cambial também chamada de apreciação cambial pode ser definida como o aumento do poder de compra da moeda nacional frente a uma moeda estrangeira Como o preço é definido com base na moeda estrangeira uma valorização cambial significa queda na taxa de câmbio Por exemplo se em 0204 o dólar valia três reais e no dia 0304 passou a valer dois reais e noventa centavos podemos afirmar que houve uma valorização cambial já que precisaremos de dez centavos a menos para comprar um dólar Por outro lado quando temos uma depreciação cambial teremos uma redu ção do poder de compra da moeda nacional isso aumentará a taxa de câmbio Por exemplo se no dia 0204 o dólar varia dois reais e noventa centavos e no dia 0304 passou para três reais afirmamos que houve uma desvalorização cambial As situações apresentadas anteriormente acontecem quando o país adota o regime de câmbio flexível que como vimos na Unidade III a taxa de câm bio varia conforme a oferta e demanda de divisas sendo diferente do regime de Regimes Cambiais e o Comércio Internacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 151 câmbio fixo no qual o Banco Central definirá a taxa de câmbio que será prati cada e comprará ou venderá divisas até que o valor chegue ao estipulado Além desses dois regimes cambiais que são os mais utilizados ainda temos os casos intermediários entre o flexível e o fixo Dentre esses regimes interme diários podemos citar a flutuação suja na qual o país adota o regime flutuante mas com o Banco Central intervindo o todo inteiro para manter a taxa de câm bio em níveis adequados sem muitas oscilações Agora que ficou bem claro taxa de câmbio vamos compreender o efeito das variações na taxa de câmbio sobre algumas situações Taxa de câmbio sobre exportações e importações Com a desvalorização cambial os compradores estrangeiros conseguem comprar mais produtos importados do Brasil e com isso há um aumento na exportação do nosso país Por outro lado fica mais caro para os brasileiros importarem pois o dólar estará mais caro e portanto os produtos importados também Assim a desvalorização cambial estimula as exportações e desesti mula as importações Situação oposta ocorre quando temos uma valorização cambial os nossos produtos ficarão muito caros no mercado internacional e os produtos estran geiros baratos Assim uma valorização cambial estimulará as importações e desestimulará as exportações Taxa de câmbio sobre a taxa de inflação Um dos instrumentos de controle da inflação é a taxa de câmbio o que pode ser feito por meio da valorização cambial que nesse caso é chamada de âncora cambial Ocorre a seguinte situação a taxa de câmbio é valorizada o que torna a moeda nacional mais forte isso irá estimular a importação fazendo com que a concorrência aumente no mercado nacional e como você sabe concorrência maior preços menores e portanto a inflação reduz Certamente você deve estar pensando que achamos a solução para os aumen tos de preços mas não pois com a moeda valorizada teremos outros problemas como a redução das exportações aumento na dependência externa e tantos outros problemas INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 152 Então o nível da taxa de câmbio deve ser relativamente alto para estimular as exportações e relativamente baixo para não encarecer demasiadas as impor tações e pressionar a inflação como afirma Vasconcellos 2011 Variação nominal e variação real do câmbio Existe uma grande diferença entre variáveis nominais e reais por exemplo o salário que vem no seu holerite ou contracheque é o salário nominal o poder de compra é o salário real Agora que você já compreendeu a diferença vamos analisar a taxa de câmbio nominal e real Para isso vamos a um exemplo uma desvalorização cambial de 10 é nominal se a inflação for 10 não houve des valorização nominal Então por que essa diferença é tão importante Porque o conceito de desvalo rização ou valorização cambial real é utilizado para averiguar a competitividade dos produtos nacionais frente aos importados Por exemplo se a desvalorização nominal for maior do que a inflação a competitividade dos produtos nacionais aumentou Pode acontecer uma situação que a variação cambial e a variação dos preços sejam nulas mas a inflação dos outros países foi positiva Essa situação acarreta uma desvalorização real da moeda nacional aumentando a competitividade dos nossos produtos Segundo Vasconcellos 2011 existem duas formas de definir a taxa de câmbio real a Abordagem de demanda a taxa de câmbio real é a razão entre o nível geral de preços externos e o nível geral de preços internos R ePP No qual R taxa de câmbio real e taxa de câmbio nominal P preço externo P preço interno b Abordagem de oferta a taxa de câmbio real é a razão entre o preço dos bens comercializáveis e o preço dos bens não comercializáveis R PTPNT No qual R taxa de câmbio real PT preço dos bens comercializáveis PNT preço dos bens não comercializáveis Regimes Cambiais e o Comércio Internacional Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 153 Taxa de câmbio sobre a dívida externo do país Ao desvalorizar a moeda o estoque da dívida externa em reais aumenta mas não afeta o saldo em dólares No médio prazo ao estimular as exportações e desestimular as importações pode aumentar a oferta de dólares o que faz com que a moeda nacional valorize e a dívida externa em dólares reduza Por outro lado uma valorização cambial reduz o valor da dívida externa em reais no curto prazo mas aumenta futuramente já que temos uma esti mulação das importações o que levará a desvalorização cambial e ao aumento da dívida em reais INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 154 ESTRUTURA DO BALANÇO DE PAGAMENTO Balanço de pagamento é definido por Vasconcellos 2011 como o registro con tábil de todas as transações de um país com o resto do mundo essas transações são de bens e serviços de capitais e financeiras Então podemos afirmar que o balanço de pagamento registra o comércio internacional que são as exportações e importações os serviços internacio nais como pagamento de juros royalties remessa de lucro turismo fretes etc o movimento de capitais internacionais como investimento direto estrangeiro empréstimos e financiamento entre outros Com a afirmação anterior você pode perceber que sempre que estamos nos referindo a balanço de pagamentos estamos falando em transações entre paí ses portanto as transações feitas no mercado interno não são contabilizadas no balanço de pagamento somente aquela do Brasil com qualquer outro país seja por pessoas físicas ou jurídicas E a ideia do balanço de pagamento é muito parecida com a do balanço patrimonial das empresas pois as normas gerais das transações no balanço de pagamentos são oriundas da contabilidade mais exatamente o método das par tidas dobradas Nesse sentido Vasconcellos 2011 observa que no caso das transações externas não existe uma conta caixa mas utilizase uma conta com pensatória chamada variação de reservas Em outras palavras quando há ingresso de dinheiro em uma empresa o registro é efetuado na conta caixa já quando entra capital no país essa entrada é registrada na conta variação de reservas Na mesma lógica é quando há saída de dinheiro do país que também será debitada na conta variação de reservas Se o sinal da conta variação de reservas for positivo significa que o saldo é credor o que acarreta em uma redução nos haveres monetários que são as reser vas internacionais ou ainda pode aumentar as obrigações do país com o resto do mundo Caso contrário se o sinal for negativo há um aumento das reser vas internacionais Agora que você conheceu o conceito de Balanço de Pagamento vamos com preender como ele é estruturado Para isso vamos analisar a Figura 1 Estrutura do Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 155 A BALANÇA COMERCIA Importações FOB free on board débito Exportações FOB crédito B SERVIÇO E RENDAS saldos de contas podem apresentar tanto débitos como crédito Viagens Internacionais turismo negócios Tranportes fretes Seguros Juros Lucros e Dividendos inclusive lucros reinvestido pelas multinacionais instaladas do país Royalties e licenças Serviços governamentais embaixadas consulados representações no exterior Outros serviços C TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS CORRENTES D TRANSAÇÕES CORRENTES ou SALDO EM CONTA CORRENTE DO BALANÇO DE PAGAMENTOS resultado líquido de A B C E CONTA CAPITAL E FINANCEIRA Investimento direto líquido intalações e participação no capital de frmas estrangeiras no país Reivestimentos reinvestimentos de uma frma estrangeira já instalada no país Financiamentos fnanciamentos de bancos ofciais como o Banco Mundial para promover o crescimento Empréstimos para promover o comércio exterior Amortizações de empréstimos e fnanciamentos Empréstimos de Regularização do FMI para resolver problemas de liquidez Capitais de curto prazo aplicações no mercado fnanceiro F ERROS E OMISSÕES G SALDO DO BALANÇO DE PAGAMENTOS resultado líquido de D E F H VARIAÇÃO DE RESERVAS G Figura 1 Estrutura do Balanço de Pagamentos Fonte adaptado de Vasconcellos 2011 p 382 Como podemos ver na Figura 1 o Balanço de Pagamentos é dividido em quatro grupos de contas cada grupo é composto por certas transações internacionais Vamos compreender cada um dos grupos Eu irei ao apresentar cada conta mostrar para você o valor e composição da referida conta na economia brasi leira para o ano 2000 e um gráfico que mostra a evolução da conta Vamos lá INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 156 a Balança comercial A conta balança comercial é composta pelo comércio internacional de bens tanto as exportações quanto as importações de produtos Por exemplo se o Brasil exporta grãos para a China o valor será contabilizado nessa conta em exporta ções Caso o Brasil importe tecnologia do Japão o valor também é contabilizado na balança comercial mas em importações É importante observar que as tran sações feitas são do tipo FOB que significa free on bord ou seja isentas de fretes e seguros tanto as importações quanto as exportações Vamos supor que em um ano as exportações de produtos tenham superado as importações dizemos que a balança comercial é superavitária Caso contrá rio se as importações forem maior do que as exportações em valor houve um déficit comercial Esses termos certamente você já ouviu na televisão e leu em jornais e revistas O ideal claro é que sempre tenha superávit comercial nin guém quer comprar mais do que vender certo Para melhor compreensão da evolução das contas no balanço de pagamentos brasileiros saiba que no ano de 2000 o saldo da balança comercial foi negativo portanto importamos mais do que exportamos E a evolução de 2006 a 2014 Vamos verificar na Figura 2 50000 40000 30000 20000 10000 0 10000 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 2 Gráfico referente à evolução do saldo comercial Fonte adaptado dos dados do MDIC 2017 online1 Estrutura do Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 157 b Serviços e Rendas A segunda conta do balanço de pagamento é a de serviços e renda assim nessa conta são registrados todos os serviços pagos e recebidos do país em rela ção a outros países Você percebeu que diferente da conta balança comercial aqui somente os serviços que são contabilizados E quais são esses serviços Fretes seguros lucros juros royalties assistência técnica viagens interna cionais entre outros Porém é importante observar que os serviços que representam remunera ção a fatores de produção como juros lucros royalties e assistência técnica são chamados de serviços ou renda de fatores e é a renda líquida de fatores exter nos diferença entre o Produto Interno Bruto e o Produto Nacional Bruto Já os serviços não fatores se referem a pagamentos às empresas estrangeiras pela prestação de serviços de fretes seguros transporte viagens entre outros Vamos verificar o balanço de serviços do Brasil em 2000 na Figura 3 Valor Balanço de serviços Transportes Viagens internacionais Seguros Serviços fnanceiros Computação e informação Royalties de equipamentos Aluguel de equipamentos Serviços governamentais Comunicações Construção Serviços relativos ao comércio Serviços empresariais profssionais e técnicos Serviços pessoais culturais e recreação Serviços diversos 7162 2896 2084 4 294 1111 1289 1311 549 4 227 194 2251 300 0 Figura 3 Balanço de serviços no Brasil em 2000 milhões de dólares Fonte Feijó et al 2013 p 170 Podemos ver que o saldo foi negativo E a evolução do balanço de serviços INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 158 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 70000 80000 90000 100000 Figura 4 Evolução do saldo do Balanço de Serviços e Rendas Fonte adaptado de Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 c Transferências Unilaterais Correntes A conta transferências unilaterais correntes também chamada de conta de dona tivos como o próprio nome já diz são registradas as doações que são feitas ou recebidas de outros países Essas doações podem ser feitas em dinheiro ou em mercadorias Valor Total Transferências recebidas Transferências enviadas 1521 1828 307 Figura 5 Conta transferências unilaterais líquidas de renda para o Brasil em 2000 por milhões de dólares Fonte Feijó et al 2013 p 172 Conforme podemos ver na Figura 6 o saldo em conta transferências unilate rais foi positivo ou seja recebemos mais doações do que enviamos em 2000 Estrutura do Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 159 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 5000 4500 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 Figura 6 Gráfico da evolução do saldo em conta transferências unilaterais Fonte adaptado do Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 d Transações correntes A soma das contas balança comercial balança de serviços e rendas e transferên cias unilaterais resultam o saldo em conta corrente também chamado de saldo em transações correntes Se o saldo for positivo significa que temos um superá vit em transações correntes o que mostra que o Brasil envia mais bens e serviços a outros países do que recebe Por outro lado se o saldo for negativo teremos um déficit em conta cor rente o que significa que o Brasil recebeu mais do que enviou bens e serviços e isso mostra que o país aumentou sua dívida externa em termos financeiros E como você já sabe o ideal é sempre que tenhamos um saldo positivo assim como é em nossa casa INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 160 2006 20000 0 20000 40000 60000 80000 100000 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 7 Gráfico da evolução do saldo em transações correntes Fonte adaptado dos dados do MDIC 2017 online1 e Conta Capital e Financeira A conta capital e financeira era chamada de conta movimento de capitais ou balanço de capitais mas mudou de nome recentemente Assim essa conta é com posta pelas transações que irão produzir variações no ativo e no passivo externo do país e que irão portanto alterar a posição do Brasil em termos de credor ou devedor frente aos demais países Dessa forma são registrados os investimentos diretos de empresas multina cionais de empréstimos e investimentos para projetos de desenvolvimento do país e de capitais financeiros de curto prazo aplicados no mercado financeiro nacional Por exemplo as transações financeiras puras como as ações emprés timos em moeda quota partes entre outras são contabilizados nessa conta Estrutura do Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 161 2006 120000 100000 80000 60000 40000 20000 0 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 8 Gráfico da evolução saldo em conta capital e financeira Fonte adaptado de Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 f Erros e Omissões Erros e omissões são utilizados para contabilizar a diferença entre o saldo do Balanço de Pagamentos e a Variação de Reservas ou seja pode ter acontecido durante o processo de contabilização em que alguma transação não tenha sido contabilizada e portanto haverá uma diferença entre o saldo do Balanço de Pagamentos e a quanto as reservas variaram Para solucionar essa diferença o valor é colocado na conta erros e omissões Essa não é uma prática errada ou corrupta tanto que é aceito no mer cado internacional um erro de até 5 da soma das exportações e importações VASCONCELLOS 2011 2006 5000 4000 3000 2000 1000 0 1000 2000 3000 4000 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 9 Gráfico da evolução da conta erros e omissões Fonte adaptado de Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 162 g Saldo do Balanço de Pagamentos A soma dos saldos das contas anteriores saldo em conta corrente saldo na conta capital e financeira e erros e omissões obtémse o saldo do Balanço de Pagamentos que pode ser superavitário quando o sinal é positivo ou deficitário quando o sinal é negativo 2006 100000 80000 60000 40000 20000 0 20000 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 10 Gráfico da evolução do saldo do balanço de pagamentos Fonte adaptado de Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 h Variação de Reservas O superávit ou déficit no balanço de Pagamentos corresponde a um valor igual mas com sinal contrário na conta variação de reservas já que estamos traba lhando com o método de partidas dobradas Por exemplo se o saldo do Balanço de Pagamentos for igual a US 1000 a conta variação de reservas será US 1000 Por outro lado se o saldo do Balanço de Pagamentos for de US 1500 a conta variação de reservas será US 1500 É importante observar que as reservas também podem ser chamadas de have res monetários que são definidos por Feijó et al 2013 como os ativos de reserva internacional que estão disponíveis diretamente sob o controle do governo para financiamento e regulação de desequilíbrios Os haveres monetários são compostos Ouro monetário Direitos especiais de saque Posições de reservas no FMI Reservas em moeda estrangeira Outros ativos Estrutura do Balanço de Pagamento Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 163 2006 20000 0 20000 40000 60000 80000 100000 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Figura 11 Gráfico da evolução dos haveres monetários Fonte adaptado de Ministério da Indústria Comércio Exterior e Serviços MDIC 2017 online1 Agora que você compreendeu cada uma das contas que fazem parte do balanço de pagamentos vou citar alguns exemplos de transações internacionais e como elas são contabilizadas Vamos lá Exemplo 1 exportação de bens no valor de 100 com recebimento inte gral em moeda estrangeira crédito de 100 em exportações e débito de 100 em haveres monetários Exemplo 2 importação de 230 sendo 130 pagos em dinheiro e 100 financiados pelo produtor da mercadoria crédito de 130 em haveres monetá rios crédito de 100 em outros investimentos e débito de 230 em importação Exemplo 3 doação de medicamentos para o exterior no valor de 50 crédito de 50 em exportação e débito de 50 em transferências unilaterais correntes Exemplo 4 empréstimo de uma empresa brasileira para sua filial no exterior no valor de 110 crédito de 110 em haveres e débito de 110 em investimen tos diretos Exemplo 5 perda de 50 por parte de investidores brasileiros em opera ções de derivativos no exterior crédito de 50 em haveres e débito de 50 em conta de derivativos INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 164 O PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO Com o mundo globalizado o comércio internacional está ganhando cada vez mais importância pois é uma forma de transformar economias pequenas e desen volvimento em potências econômicas No caso do Brasil o comércio exterior contribui e muito para que nossa economia cresça por meio da maior compe titividade ou seja o comércio permitiu que as indústrias produzam mais do que a capacidade do mercado interno por exemplo o setor primário da economia brasileira como você sabe somos um dos maiores exportadores de produtos primários grãos Apesar de toda a importância as exportações brasileiras em termos de valo res monetários ainda são pequenas se compararmos a países do mesmo porte do nosso Esse fato demonstra a necessidade de estudarmos os problemas rela cionados com a economia internacional e com o comércio exterior ou seja é preciso compreender as relações entre os países Porém o que é globalização a globalização designa o fim das economias nacionais e a integração cada vez maior dos mercados dos meios de comuni cação e dos transportes Um dos exemplos mais interessantes do processo de globalização é o abastecimento de uma empresa por meio de fornecedores que se encontram em várias partes do mundo cada um produzindo e oferecendo as melhores condições de preço e qualidade naqueles produtos que têm maio res vantagens comparativas Vasconcellos 2011 entende por globalização produtiva a produção e dis tribuição de valores dentro de redes em escala mundial com o acirramento da concorrência entre grandes grupos de multinacionais Por seu turno enten dese por globalização financeira a negociação entre os diversos mercados de capitais do mundo A crescente integração financeira e o significativo aumento no número de crises cambiais levanta outra questão que é como a crise de um país afeta outros paí ses o chamado efeito contágio em que os efeitos das crises cambiais em um país se espalham para outros países Essa possibilidade decorre da chamada glo balização financeira O Processo de Globalização Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 165 Agora que você compreendeu o conceito de globalização e sabe o quanto o mundo hoje é um só precisamos conhecer alguns organismos internacio nais que regem as relações entre países essas organizações são conhecidas como organismos internacionais Assim para iniciarmos nossas discussões acerca dos organismos que regem a economia e o comércio internacional é fundamental compreender o papel de uma das principais instituições internacionais do mundo que é a Organização das Nações Unidas ONU que tem como objetivos principais assegurar a paz mundial e o desenvolvimento dos países membros Além da ONU outros organismos regem as relações internacionais e que estão diretamente ligadas à ONU tais como a Organização Internacional do Trabalho OIT que como o próprio nome diz é uma Instituição voltada para as leis mundiais do trabalho o famoso e polêmico Fundo Monetário Internacional FMI que exerce dentre outras funções estabelecer a cooperação econômica e seguindo a mesma linha do FMI temos o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento BIRD também chamado de Banco Mundial Iremos com preender a Organização Mundial do Comércio OMC que procura supervisionar e liberar o comércio internacional Vamos discutir cada um deles ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS ONU A Organização das Nações Unidas ONU é uma organização internacional formada por naçõespaíses voluntários que trabalham em prol da paz e do desenvolvimento mundial sendo criada na Conferência de San Francisco após o término da segunda guerra mundial mais exatamente em 24 de Outubro de 1945 para que a paz mundial fosse mantida Porém a ONU não surgiu de um dia para o outro foram anos de planejamento Para você ter uma ideia o nome Nações Unidas foi criado pelo presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt sendo utilizado pela primeira vez três anos antes da criação da ONU em 1942 durante a Declaração das Nações Unidas na qual foram reunidos 26 países que assumiram o compromisso que a luta contra os paí ses que formavam o Eixo Alemanha Itália e Japão na segunda guerra continuaria INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 166 Em junho de 1945 foi criada a chamada Carta das Nações Unidas que foi ela borada por 50 países durante a Conferência sobre Organização Internacional que ocorreu entre 25 de abril de 1945 a 26 de junho do mesmo ano apesar disso somente em outubro de 1945 que oficialmente a ONU após a ratificação da Carta pelos Estados Unidos China França Reino Unido e a antiga União Soviética foi criada Nesta época a ONU era composta inicialmente por 51 Estados membros países e tinha como objetivo principal garantir a paz mundial Atualmente são 193 nações que fazem parte da organização e os objetivos são diversos tais como criar e implementar mecanismos que possibilitem o desenvolvimento econômico a segurança nacional definição de leis internacionais assegurar os direitos humanos e o progresso social dos países Segundo o site da ONU 2017 online2 para atingir os objetivos as Nações Unidas são regidas por propósitos e princípios básicos aceitos por todos os Países Membros da Organização que são Manter a paz e a segurança internacionais Desenvolver relações amistosas entre as nações Realizar cooperação internacional para resolver os problemas mundiais Ser um centro destinado a harmonizar a ação dos povos para consecu ção dos objetivos comuns Em relação aos princípios que regem as Nações Unidas podemos citar a igualdade soberana Cumprimento dos compromissos Resolução pacífica das controvérsias internacionais Não pode recorrer à ameaça contra outros Estados Assistência a ONU entre outros É importante observar que para desempenhar os propósitos e princípios da forma mais imparcial possível todos os membros da ONU se reúnem em Assembleia Geral uma espécie de parlamentosenado mundial e cada país inde pendentemente do tamanho ou da riqueza que possui tem direito a um voto apenas As decisões tomadas em Assembleia apesar de não serem obrigatórias exercem pressão da comunidade internacional O Processo de Globalização Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 167 A sede atual da ONU fica na cidade de Nova Iorque nos Estados Unidos porém o terreno e prédio que está instalada não são considerados norteame ricanos mas sim um território internacional A sede da ONU na Europa fica na Suíça em Genebra além de existir escritório em Viena e Comissões Regionais no Líbano Tailândia Chile e Etiópia A independência da Organização é tanta que eles possuem uma própria ban deira correios e selos postais Além disto desde sua criação em 1945 são seis as línguas oficiais Árabe Chinês Espanhol Russo Francês e Inglês sendo que as mais utilizadas são o francês e o inglês ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO OIT A Organização Internacional do Trabalho OIT é uma agência especializada que está diretamente ligada ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas O principal objetivo da OIT é promover o acesso às pessoas tanto homens quanto mulheres ao trabalho produtivo e decente em condições de liber dade equidade segurança e dignidade independentemente da sua nacionalidade O que chama muito a atenção quando falamos na Organização Internacional do Trabalho é o conceito trabalho decente que merece ser discutido O con ceito foi formalizado em 1999 e resume a missão histórica da OIT em promover oportunidades para homens e mulheres em ter um trabalho de qualidade em condições dignas sendo este trabalho o decente uma condição essencial para superar a pobreza reduzir as desigualdades sociais garantir a governabilidade democrática e o desenvolvimento sustentável O Trabalho decente é interligado com os objetivos da OIT que são a 1 liberdade sindical e reconhecimento efetivo do direito de negociação coletiva 2 eliminação de todas as formas de trabalho forçado 3 abolição efetiva do traba lho infantil 4 eliminação de todas as formas de discriminação em matéria de emprego e ocupação a promoção do emprego produtivo e de qualidade a exten são da proteção social e o fortalecimento do diálogo social OIT 2017 online3 INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 168 FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL FMI O Fundo Monetário Internacional FMI é uma organização internacional criada em 1944 durante a Conferência de Bretton Woods nos Estados Unidos que tinha como objetivo controlar as finanças internacionais via cooperação para evitar problemas econômicos como a Grande Depressão de 1929 Atualmente o FMI possui 188 paísesmembro incluindo o Brasil que depo sitam parte das reservas internacionais criando um fundo Estes recursos são utilizados para empréstimos a países que estão com algum desequilíbrio no balanço de pagamentos O empréstimo pode ser feito mediante cumprimentos de alguns requisitosnormas que são estabelecidas durante a negociação que o país faz com o FMI O FMI além de emprestar dinheiro aos países que precisam acompanha a política econômica de todos os membros e faz algumas recomendações sem pre de acordo com as pesquisas levantamentos estatísticos e previsões mundiais regionais e nacionais que são elaboradas pelo secretário e sua equipe Assim os objetivos declarados do FMI podem ser resumidos da seguinte forma promover a cooperação econômica internacional o comércio internacio nal o emprego e a estabilidade cambial inclusive mediante a disponibilização de recursos financeiros para os países membros a fim de ajudar no equilíbrio de suas balanças de pagamentos ITAMARAY 2017 online4 É importante observar também que os países que mais contribuem financei ramente podem contrair maiores empréstimos e seus votos têm maior peso nas A existência e principalmente as ações do Fundo Monetário Internacional são polêmicas já que a instituição exige que os países que precisam de aju da financeira tomem medidas de cunho extremamente liberal Diante desse contexto para você qual é a importância ou não do FMI para os países prin cipalmente o Brasil O Processo de Globalização Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 169 decisões internas na instituição Esta é uma diferença do FMI com as demais instituições internacionais ou seja o FMI segue o chamado modelo corpora tivo de tomada de decisão no qual o voto de cada país é de acordo com a quota Para você ter uma ideia em 2017 os Estados Unidos possuía 25 dos votos já que tinha a maior cota A distribuição de quotas é feita de tempos em tempos o que constitui uma oportunidade para que cada país aumente sua participação nas decisões da organização Você certamente está pensando como é a estrutura organizacional do FMI correto O FMI é composto pela Assembleia de Governadores que é a responsá vel pela tomada de decisão e por eleger o Conselho de Diretores qual é composto por 24 diretores que representam um país ou um grupo de países neste último caso são os chamados constituency As políticas da instituição são definidas em reuniões do Conselho de Assuntos Financeiros e Monetários que acontecem duas vezes ao ano em geral nos meses de abril e outubro Banco Mundial O Banco Mundial surgiu em 1944 durante a Conferência de Bretton Woods com o nome Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento BIRD Na época da sua criação o objetivo era atender as necessidades de financiamento de reconstrução dos países que foram devastados durante a segunda guerra mun dial de forma a desenvolver tais países Em 1956 a estrutura organizacional se tornou complexa e outras instituições surgiram para suprir as demandas que não eram atendidas pelo BIRD formando o que chamamos atualmente de grupo Banco Mundial O grupo é formado dentre outras instituições pela Corporação Financeira Internacional CEI para expandir o investimento privado nos países em desenvolvimento a Associação Internacional de Desenvolvimento AID que concede empréstimos aos países menos desenvolvidos que não conseguem atender as condições do BIRD Para aumentar o investimento estrangeiros foram criados o Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos CIADI e a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos AMGI Assim o Banco INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 170 Mundial se tornou uma importante referência internacional para o processo de desenvolvimento e pode ser definido como uma agência especializada do sis tema das Nações Unidas sendo a maior fonte mundial de assistência voltada para o desenvolvimento é composto por 188 paísesmembros Em termos de estrutura organizacional o Banco Mundial é parecido com a do FMI no qual existe uma Assembleia de Governadores com poder de voto sendo este de acordo com o capital do Banco e um Conselho composto por 25 diretores eleitos pelos 188 países As reuniões acontecem duas vezes ao ano abril e outubro e fazem parte da reunião o Conselho de Diretores composto por 25 membros Organização Mundial do Comércio OMC Das organizações que discutimos nesta seção a Organização Mundial do Comércio OMC é a mais nova sendo criada em 1995 e desde seu surgimento atua como a principal instância do sistema de comércio internacional A OMC tem como objetivo estabelecer um marco institucional comum para regular as relações comerciais entre os diversos Membros que a compõem esta belecer um mecanismo de solução pacífica das controvérsias comerciais tendo como base os acordos comerciais atualmente em vigor e criar um ambiente que permita a negociação de novos acordos comerciais entre os Membros ITAMARATY 2017 online4 Em 2017 a OMC era composta por 160 membros e o nosso país é um dos fundadores A sede é em Genebra na Suíça e são três as línguas oficiais na orga nização que são o espanhol francês e o inglês Apesar de ser uma organização nova a origem da OMC é de 1947 com o Acordo Geral sobre as Tarifas e Comércio GATT no qual herdou o conjunto de princípios que são os fundamentos da regulação do comércio entre eles pode mos citar de acordo com o Itamaraty 2017 online4 O Processo de Globalização Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 171 Nação mais favorecida Os membros devem estender aos parceiros comer ciais todos os benefícios concedidos a outro membro Tratamento nacional Um produto importado deve receber o mesmo tratamento que o produto similar no território do membro importador Consolidação dos compromissos Um membro deve conferir aos demais o mesmo tratamento aos estabelecidos na lista de compromisso Transparência Os membros devem dar publicidade às leis regulamen tos e decisões de aplicação do comércio internacional Os órgãos que compõem a OMC são a Conferência Ministerial instância máxima da organização composta pelos Ministros das Relações Exteriores ou de Comércio Exterior dos Membros o Conselho Geral órgão composto pelos representantes permanentes dos Membros em Genebra que ora se reúne como Órgão de Solução de Controvérsias OSC ora como Órgão de Revisão de Política Comercial o Conselho para o Comércio de Bens o Conselho para o Comércio de Serviços o Conselho para os Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacio nados ao Comércio os diversos Comitês e entre eles os Comitês de Acesso a Mercados Agrícola e de Subsídios entre outros e o Secretariado que tem por função apoiar as atividades da organização e é composto por cerca de 700 fun cionários dirigidos pelo DiretorGeral da OMC ITAMARATY 2017 online4 GRUPO DOS SETE G7 E GRUPO DOS VINTE G20 Existem dois grupos econômicos internacionais informais que englobam países com certas características em comum que são o grupo dos sete G7 e o grupo dos vinte G20 O primeiro reúne as sete nações mais industrializadas e desen volvidas do planeta que são os Estados Unidos Alemanha Canadá França Itália Japão e Reino Unido Já o Grupo dos Vinte G 20 é composto por países industrializados como os que fazem parte do G7 a União Europeia e os países emergentes como o Brasil Este grupo é informal mas juntos procuram discutir a estabilidade econômica glo bal as políticas nacionais e internacionais relacionadas às instituições econômicas INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 172 Certamente você deve estar se perguntando qual é a origem dos G7 e G20 correto Para compreendermos a origem precisamos nos reportar a França de 1975 quando as seis maiores economias da época se reuniram com o objetivo de estabelecer a cooperação entre eles este grupo ficou conhecido como G6 e em 1976 com a entrada do Canadá se tornou o chamado G7 ou Grupo dos Sete Diversas mudanças ocorreram no final do século XX tais como a unificação da Alemanha e o fim da União Soviética essas mudanças alteraram a realidade inter nacional com isto a Rússia se torna uma economia capitalista fazendo com que o país fosse reconhecido e no final da década de 90 o G7 se transforma em G8 Porém com a nova realidade e com o crescimento de termos econômicos e de importância das economias emergentes surgiu a necessidade de uma maior cooperação dos países industrializados com as economias emergentes a partir de década de 90 essa importância foi maior ainda durante a crise de 2008 Assim em novembro de 2008 George W Bush então presidente dos Estados Unidos convidou os líderes das vinte economias mais importantes em termos mundiais para uma reunião em Washington Essa reunião tinha como objetivo inicial dar uma resposta consistente para a crise financeira de 2008 que teve início nos Estados Unidos Neste contexto surge o chamado Grupo dos Vinte G20 e os países que nele se enquadram passaram a se reunir duas vezes ao ano sendo um encontro entre os Ministros da Fazenda e os presidentes do Banco Central de cada país e o outro entre os chefes de Estados Em 2017 o G20 conta com a participação de Chefes de Estado Ministros de Finanças e Presidentes de Bancos Centrais de 19 países África do Sul Alemanha Arábia Saudita Argentina Austrália Brasil Canadá China Coreia do Sul Estados Unidos França Índia Indonésia Itália Japão México Reino Unido Rússia e Turquia A União Europeia também faz parte do Grupo representada pela presidência rotativa do Conselho da União Europeia e pelo Banco Central Europeu BANCO CENTRAL 2015 online5 Diferente das organizações internacionais formais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial o G20 não tem capital humano permanente a presidência do grupo é alterada todos os anos assim como os secretários O Processo de Globalização Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 173 Durante o ano de exercício o país que está na presidência do grupo estabelece um cronograma de trabalho com os assuntos que já foram discutidos podendo adicionar novas pautas E você sabe qual ano o Brasil presidiu o G20 Em 2008 e desenvolveu os trabalhos voltados a temas como competição no setor finan ceiro biocombustíveis e espaço fiscal BRICS Você certamente já ouviu falar nos BRICS mas você sabe dizer o motivo deles serem tão importantes principalmente para nosso país BRICS é um termo criado em 2001 que se refere a quatro países emergentes que são o Brasil Rússia Índia e China e a partir de abril de 2011 África do Sul Assim você pode perceber que o termo BRICS é a junção da primeira letra do nome em inglês de cada um dos países que fazem parte Os países que fazem parte dos BRICS possuem características em comum entre elas podemos citar Estabilidade econômica recente Mão de obra abun dante e se qualificando Produção e exportação em crescimento Reservas de recursos minerais Investimento em infraestrutura Melhoria nos indicadores sociais Redução lenta das desigualdades sociais Investimento estrangeiros População com acesso ao sistema de comunicação Apesar das características os BRICS não formam um bloco econômico mas sim uma aliança que tem como objetivo geral ganhar força no cenário político e econômico mundial e assim defender os interesses em comum Dessa forma de acordo com o Itamaraty 2017 online6 os BRICS vêm expandindo as suas atividades em duas linhas principais que são 1 a coor denação em reuniões e organismos internacionais e 2 a construção de uma agenda de cooperação multissetorial entre seus membros INTRODUÇÃO À ECONOMIA INTERNACIONAL Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 IV U N I D A D E 174 CONSIDERAÇÕES FINAIS Olá estamos finalizando a Unidade IV do livro Economia e Sociedade Nesta unidade fizemos uma introdução à economia internacional que é uma área de estudo da economia Nós discutimos nesta Unidade IV temas principais começamos a unidade compreendendo as teorias do comércio internacional com ênfase na Teoria das Vantagens Comparativas porém discutimos também uma teoria mais moderna que procura explicar os motivos que fazem o comércio internacional ser bené fico que é o modelo de HeckscherOhlin Na sequência nossa discussão girou em torno dos regimes cambiais no qual introduzimos o tema da Unidade III ao falarmos sobre a política cambial mas que nesta Unidade IV o foco foi o impacto da taxa de câmbio no comér cio internacional e tantas outras variáveis Você conseguiu perceber como o valor da moeda nacional frente a uma moeda estrangeira afeta diretamente a economia interna Como estamos discutindo a economia internacional não podíamos deixar de entender o famoso Balanço de Pagamento que segue uma lógica muito pró xima do balanço patrimonial das empresas mas nesse caso as transações que são contabilizadas são as do Brasil com os demais países Finalizamos a unidade com o tema globalização que é o processo mundial que interliga os países do mundo inteiro seja pelo comércio por meio de expor tação e importação de bens seja pelas transações de capitais ou financeiras Também entendemos alguns organismos internacionais que procuram esta belecer normas de conduta dos países que são por exemplo as Organizações das Nações Unidas Fundo Monetário Mundial Organização Internacional do Trabalho e o Banco Mundial E claro como o mundo está globalizado os países tendem a se juntar para poderem fazer frente a tantas mudanças daí que surgem os grupos e blocos eco nômicos Um forte abraço e até a próxima unidade 175 1 Vamos supor que o governo elabore uma política cambial de valorização da mo eda nacional em relação à moeda internacional Neste caso o que governo visa Marque a assertiva correta a Aumentar as exportações e reduzir as importações b Reduzir as exportações e aumentar as importações c Manter exportações e importações inalteradas d Facilitar a entrada de capitais oficiais compensatórios no país e Facilidade a entrada de capital estrangeiro de risco no país 2 Analise o quadro que mostra os saldos fictícios das contas que compõem o Ba lanço de Pagamentos de uma certa economia no ano de 2015 e responda Valor sinal Transferências unilaterais 3000 Exportação 73000 Importação 48000 Despesa com rendas 22000 Receitas com serviços 10500 Conta capital 500 Investimento direto 10000 Despesas com serviços 15000 Receita com rendas 3500 Derivativos 10000 Erros e omissões 1000 Investimento em carteira 5500 a Saldo da Balança Comercial b Saldo da Balança de Serviços e Rendas c Saldo em Transações Correntes d Saldo da Conta Capital e Financeira e Resultado do Balanço de Pagamentos OBS A coluna Sinal indica se houve entrada ou saída líquida de divisas 176 3 O Fundo Monetário Internacional FMI e o Banco Mundial o antigo Banco Inte ramericano de Desenvolvimento para a reconstrução e Desenvolvimento BIRD foram criados no mesmo ano e durante uma conferência Em relação a criação das duas instituições citadas marque a alternativa correta a Conferência de Yalta Crimeia em 1945 b Conferência de Nova Iorque EUA em 1944 c Conferência de Bretton Woods EUA em 1944 d Conferência de Potsdam Berlim em 1945 e Conferência de Estocolmo Suécia em 1972 4 Quando estudamos a Organização Internacional do Trabalho OIT um termo está muito presente que é o trabalho decente ou seja é este tipo de trabalho que a OIT procura promover Marque a alternativa que apresenta uma expli cação para o termo trabalho decente utilizado pela organização a É uma condição essencial para superar a pobreza b É uma condição básica para aumentar o comércio internacional c É uma condição para aumentar a produtividade do trabalho d É uma condição para gerar crescimento econômico e É uma condição fundamental para aumentar a competitividade 5 Os BRICS é um grupo internacional relativamente novo e são formados pelas cinco economias emergentes Em relação aos BRICS marque a alternativa correta a Formam o maior bloco econômico da atualidade b O BRICS é um acordo internacional dos países emergentes c O S os BRICS significa que são vários países d Os BRICS fazem parte da União Europeia e O Brasil foi o último a entrar para os BRICS 177 MERCOSUL CONTEXTUALIZAÇÃO E ATUAL FASE A trajetória do MERCOSUL remonta ainda à década de 1980 anos antes da assinatura do Tratado de Assunção que constitui a formação do grupo Mesmo com um quadro de insta bilidade das condições macroeconômicas sul americanas ao longo da década de 1980 Al meida 2011a relata quanto à necessidade e disposição em ser aprofundado o processo de integração econômica na América do Sul norteado principalmente por Brasil e Argentina Em 1985 os presidentes argentino Raúl Alfonsín e brasileiro José Sarney formalmen te iniciaram um novo processo de integração no continente através da Declaração de Iguaçu Segundo Barbosa 1993 essa declaração buscava ampliar as complementarida des econômicas entre os dois países que já tratavamse à época os principais centros produtivos da América do Sul Sucedendo a Declaração de Iguaçu mediante a aproximação comercial argentina e bra sileira e a criação de acordos complementares à integração regional em março de 1991 Argentina Brasil Paraguai e Uruguai firmaram o Tratado de Assunção O Tratado de As sunção que origina o MERCOSUL é claro ao indicar que o novo projeto busca ampliar as dimensões de seus mercados nacionais através da união entre seus membros a qual se materializa como peça fundamental para serem acelerados os processos de desenvolvi mento econômico regional MERCOSUL 1991 Quanto aos objetivos do grupo atualmente classificado como uma união aduaneira mesmo que imperfeita BAUMANN 2011 Barbosa 1995 e Niebuhr apud FRANCES CHINI BARRAL 2001 detalham o que é visado livre circulação de bens serviços e fa tores produtivos entre as economias agrupadas criação de uma tarifa externa comum TEC em relação a nações externas e harmonização das políticas setoriais e macroeco nômicas bem como legislações federais dos países membros Para o cumprimento das metas iniciais um prazo de quatro anos após a assinatura do Tratado de Assunção foi acordado entre seus signatários Entretanto como comentado por Barbosa 2008 esse limite se mostrou insensato e insuficiente perante a organiza ção interna do bloco visto que dos objetivos inicialmente pactuados em tal período somente foi alcançada a instituição da TEC ao comércio extragrupo apesar da cons tante adoção pelas partes de exceções à tarifa comum VAILLANT 2011 CAPARROZ 2012 Ainda que as negociações intrarregionais tenham apresentado desempenho sa tisfatório ao longo de sua existência principalmente quando do início da proposta o MERCOSUL deparase distante de lograr seus fundamentos iniciais Apesar de significativos os avanços comerciais sofrem com a falta de consenso sobre o projeto de desenvolvimento regional Neste sentido acrescenta Barbosa 2008 a falta de consenso no MERCOSUL e os resul tados comerciais insatisfatórios para Paraguai e Uruguai desencadearam uma crescente frustação deste países que já demonstram intenção de flexibilizar as normas para pode rem negociar acordos comerciais paralelamente ao bloco 178 Relativamente à sua estrutura como identificam Diz 2012 e Ruffinelli 2013 em 2012 a formação original do grupo foi desmantelada dada a admissão da Venezuela como integrante pleno da integração junto da suspensão temporária aplicada ao Paraguai observado o impeachment do presidente deste país Apesar do ingresso da Venezuela no MERCOSUL segundo Ruffinelli 2013 ter ocorrido em descumprimento às normas expressas do grupo Cano 2002 e Cervo 2008 avaliam como positiva a inclusão do país no bloco Segundo Cervo 2008 a entrada da Venezuela aprimora o bloco como força política na sua essência econômica e nas oportunidades comerciais gerando assim uma evolução na integração Cano 2002 por sua vez complementa afirmando que com a entrada da Venezuela no MERCOSUL a relação comercial BrasilVenezuela pode se expandir devido ao novo membro ser forte importador de manufaturados o que pode afetar de maneira favorável a indústria brasileira Com o ingresso de seu mais novo membro o MERCOSUL passa a representar em torno de 83 do PIB produto interno bruto da América do Sul compreendendo assim cerca de 70 da população da região BRASIL 2013 Além de possuir certos acordos que projetam a adesão de outras nações ao bloco como Bolívia Chile Colômbia Equador e Peru MENEZES PENNA FILHO 2006 o grupo conta ainda com propostas comerciais extraregionais Barral 2013 ao expor o tema relata a existência de tratados para livrecomércio com Israel válido desde 2010 Egito e Palestina ambos pendentes de ratificação além de acordos de preferências tarifárias com Índia em vigor desde 2009 e Sproposta também pendente de ratificação Além dos atuais es forços de integração o MERCOSUL busca consolidar uma parceria com a União Europeia UE mas que segundo Kegel e Amal 2013 encontrase em morosa negociação Quanto ao ingresso de membros do MERCOSUL em outras integrações econômicas como através da celebração de tratados bilaterais de livrecomércio ressaltase a exis tência de limitadores a tais fins para que um integrante do grupo possa concretizar uma aliança comercial com outra nação são necessárias a aceitação e a participação conjunta do bloco o que para Maldaner 2010 e Baumann 2011 configurase como uma restrição ao desenvolvimento econômico dos países pois condicionaos a decisões e vontades de terceiros Congregando em sua estrutura cinco diferentes países mesmo que limítrofes uns aos outros o MERCOSUL enfrenta certas assimetrias econômicas en tre seus afiliados Consoante Manzetti 19931994 e Maldaner 2010 são consideráveis as divergências entre os membros como os diferentes tamanhos de mercados consumidores e os ní veis de PIB de cada nação assim como os destoantes estágios de industrialização das nações Fonte Amann et al 2014 Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Economia Internacional e Comércio Exterior Jayme de Mariz Maia Editora Atlas Sinopse este livro constitui um manual de orientação e consulta para os que pretendem um envolvimento maior com o comércio exterior Mostra os alicerces básicos da economia internacional importação exportação receitas e despesas de serviços e operações financeiras e aborda diversos aspectos da Economia Nacional REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS AMANN J C et al Brasil e Mercosul aspectos econômicos e a relevância do bloco para o país Revista Estudos do CEPE Santa Cruz do Sul n 39 p107138 janjun 2014 FEIJÓ C A et al Contabilidade Social a nova referência das contas nacionas Rio de Janeiro Elsevir 2013 VASCONCELLOS M A S Economia micro e macro São Paulo Atlas 2011 REFERÊNCIAS ONLINE 1Em httpwwwmdicgovbrcomercioexteriorestatisticasdecomercioexte riorbalancacomercialbrasileirasemanal Acesso em 22 jun 2017 2Em httpsnacoesunidasorgconheca Acesso em 23 jun 2017 3Em httpwwwoitbrasilorgbrcontentapresentaC3A7C3A3o Acesso em 19 jun 2017 4Em httpwwwitamaratygovbrptBRpoliticaexternadiplomaciaeconomica comercialefinanceira119fundomonetariointernacional Acesso em 19 jun 2017 5Em httpwwwbcbgovbrg20 Acesso em 23 jun 2017 6Em httpwwwitamaratygovbr Acesso em 21 jun 2017 180 REFERÊNCIAS 181 GABARITO 1 B 2 a Saldo da Balança Comercial 73000 48000 25000 b Saldo da Balança de Serviços e Rendas 22000 10500 15000 3500 21000 c Saldo em Transações Correntes 25000 23000 3000 5000 d Saldo da Conta Capital e Financeira 10000 5500 10000 500 6000 e Resultado do Balanço de Pagamentos 5000 6000 1000 10000 OBS A coluna Sinal indica se houve entrada ou saída líquida de divisas 3 C 4 A 5 B UNIDADE V Professora Drª Andréia Moreira da Fonseca Boechat ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Objetivos de Aprendizagem Compreender a relação entre economia e o meio ambiente Discutir a teoria do desenvolvimento sustentável Entender a contribuição dos recursos naturais para o crescimento econômico Estudar a eficiência econômica e os mercados Plano de Estudo A seguir apresentamse os tópicos que você estudará nesta unidade Economia e meio ambiente Teoria do desenvolvimento sustentável Contribuição dos recursos naturais para o crescimento econômico Eficiência econômica e mercados INTRODUÇÃO Olá caroa acadêmicoa tudo bem com você Seja muito bemvindoa à quinta e última unidade do livro Economia e Sociedade Neste capítulo iremos discutir um tema bem atual que é meio ambiente mas claro iremos tratar da relação entre a economia e os recursos naturais Em outras palavras o enfoque nesta unidade será nas questões ambientais decorrentes do uso indiscriminado dos recursos pois conforme discutimos na Unidade I os recursos produtivos ou fatores de produção são escassos ou seja limitados só que as necessidades humanas não têm limites as pessoas desejam muitas coisas O problema é que se não cuidarmos do meio ambiente hoje no futuro não teremos mais como produzir os recursos que hoje são escassos vão acabar de vez Assim é fundamental pensarmos em desenvolvimento sustentável Para que nosso objetivo seja atingido de maneira eficiente utilizaremos os fundamentos da teoria microeconômica estudados na Unidade II portanto caso tenha alguma dúvida principalmente sobre o funcionamento da Lei Oferta e Demanda retome à Unidade II e tire dúvidas com seu tutor antes de iniciar o estudo deste quinto capítulo ok A Unidade V está dividida em quatro seções Na primeira iremos compreender a relação entre a economia e o meio ambiente e como as relações entre empresas e consumidores afetam a natureza Em outras palavras sabemos que para produzir são necessários recursos muitos desses recursos são oriundos do meio ambiente que após a produção e consumo retornam à natureza na forma de resíduos que podem poluir Na segunda seção discutiremos a teoria do desenvolvimento sustentável Você verá que é fundamental preservarmos a natureza e também que existem duas correntes principais que procuram explicar a relação da produção com os recursos naturais que são a economia ambiental e a economia ecológica Na seção três o foco será entender a contribuição dos recursos naturais para o crescimento econômico para isso definiremos e classificaremos os recursos naturais em renováveis e não renováveis Por último estudaremos a eficiência econômica e os mercados Porém verificar a eficiência na prática não é tarefa fácil pois é muito subjetivo mas procuraremos quantificála Veremos tam bém como as relações do mercado afetam a eficiência e claro o meio ambiente Preparadoa Bons estudos e um forte abraço Introdução Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 185 ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 186 ECONOMIA E MEIO AMBIENTE Estamos vivendo um momento no qual é preciso que a sociedade entenda e aceite que a natureza deve ser protegida e os recursos oriundos da terra preservados para assim poder continuar se desenvolvendo economicamente Porém a adequação das pessoas na nova forma de se relacionar com a natureza não é uma tarefa rápida e fácil Infelizmente ainda estamos aprendendo sobre o meio ambiente e o com portamento do mercado e principalmente na relação entre os dois elementos A contribuição das ciências econômicas para o processo aprendizagem é pro ver ferramentas analíticas que ajudam a explicar as interações entre economia mercado e meio ambiente Além disso cabe à economia explicar as implicações dessa relação e as oportunidades de soluções reais Um dos maiores encantamentos da teoria econômica é que ela consegue expli car de forma lógica o que vemos no mundo real Por exemplo a microeconomia explica o comportamento dos consumidores e empresas e as decisões que defi nem o mercado e essa mesma lógica de análise são utilizadas para compreender os problemas ambientais os motivos que tais problemas acontecem e o que pode ser feito para amenizar ou solucionar os impactos Um grande problema ambiental é a poluição que surge das decisões dos consumidores e das empresas sobre consumo e produção Em outras palavras ao produzir e ao consumir os agentes econômicos utilizam os recursos naturais oferecidos pelo planeta e essas atividades geram os chamados subprodutos que muitas vezes contaminam o meio ambiente A realidade suprema do nosso tempo é a vulnerabilidade do nosso planeta Scott J Callan Janet M Thomas Economia e Meio Ambiente Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 187 Com minha explicação você pode inferir que as decisões fundamentais que orientam a atividade econômica estão diretamente conectadas aos proble mas ambientais CALLAN THOMAS 2016 Para ilustrar melhor a relação os mesmos autores apresentam um modelo elementar de atividade econômica o modelo do fluxo circular que podemos visualizar na Figura 1 Mercado de produtos Mercado de fatores Famílias Empresas Ofe rta de be ns e s er vi ç o s D e m an da p or be ns e se rviç os Despesas Custos Receitas Receitas Figura 1 Modelo de fluxo circular Fonte Callan e Thomas 2016 p 5 Analisando a figura percebemos que é um fluxo circular simples composto por dois agentes econômicos que são as famílias e as empresas e dois mercados o mercado de produtos e o mercado de fatores As famílias ofertam recursos mão de obra no mercado de fatores e recebem receita que são os salários Com os salários compram bens e serviços no mercado de produtos e em troca rece bem as mercadorias compradas Do lado direito temos as empresas que demandam recursos que podemos falar que são mão de obra no mercado de fatores e em troca tem um custo que é o pagamento dos salários Além disso ofertam bens e serviços no mercado de produtos e recebem receitas pela venda destes fazendo girar a economia ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 188 Porém o modelo de fluxo circular tem um problema quando falamos do meio ambiente O modelo não mostra explicitamente a relação entre a ativi dade econômica que vimos e o meio ambiente Para compreender essa relação precisamos analisar o chamado fluxo do balanço de materiais na Figura 2 que insere o modelo do fluxo circular em um esquema amplo e interliga a tomada de decisão econômica com o meio ambiente Mercado de produtos Natureza Mercado de fatores de produção Famílias Empresas Figura 2 Modelo do Balanço de Materiais Fonte Callan e Thomas 2016 p 7 Analisando a Figura 2 podemos perceber que existe um único elemento a mais do que no fluxo circular que é a natureza na parte de cima da figura com esse elemento a mais novas conexões são feitas por meio do fluxo de mate riais ou de recursos naturais que irão se deslocar da natureza para a economia parte de baixo da figura Esse fluxo demonstra como a atividade econômica explora o estoque de recursos naturais tais como solo água minerais entre outros Essa é a ideia da chamada economia dos recursos naturais que dis cutiremos mais para frente Economia e Meio Ambiente Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 189 A segunda conexão é oposta a relação é da economia para o meio ambiente ou seja o que a natureza recebe da atividade produtiva Esse retorno é feito via subprodutos ou resíduos por exemplo gases liberados na atmosfera O que ini cialmente não há problema pois a natureza absorve esses gases pela capacidade de assimilação ambiental porém no longo prazo a natureza perde essa capaci dade Essa é uma preocupação da economia ambiental que discutiremos depois Agora é possível atrasar o lançamento dos resíduos ao meio ambiente Sim é possível por meio de três instrumentos recuperação reciclagem e reutiliza ção Certamente você já ouviu cada um deles mas vamos relembrálos A recuperação como o próprio nome diz é a ação de recuperar um pro duto para que possa ser novamente utilizado com a mesma função de antes Já a reciclagem está relacionada a transformar um resíduo em produto novo como exemplo papel vidros e plásticos que passam por novos processos e se transfor mam em outros produtos E por último a reutilização é quando o produto passa a ter outro uso mas sem se transformar em outro produto como papel usado para impressão pode se transformar em rascunho do lado que não foi utilizado Quando falamos no modelo do balanço de materiais não podemos deixar de discutir duas leis essenciais a Primeira Lei da Termodinâmica e a Segunda Lei da Termodinâmica A primeira lei afirma que matéria e energia não podem ser criadas e nem destruídas ou seja no longo prazo o fluxo de materiais e de ener gia extraído da natureza na forma de consumo e de produção deve ser igual ao fluxo de resíduos gerados que retornam ao ecossistema Em outras palavras uma matériaprima utilizada na atividade econômica será convertida em outro tipo de matéria e energia como emissão de monóxido de carbono e assim nada é perdido apenas transformado Você e sua família tem o hábito de separar o lixo Por quê ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 190 Já a segunda lei da termodinâmica define que a capacidade da natureza em converter matéria e energia não é ilimitada portanto chega a um ponto que o ecossistema não consegue mais transformar a matéria e a energia além disto parte da energia se torna inutilizável durante a conversão da matéria E qual é a prática dessas leis Segundo Callan e Thomas 2016 é preciso reconhecer que todo e qualquer recurso transformado pela atividade econô mica termina em resíduo e tem potencial para degradar o meio ambiente Esse processo pode até ser retardado via recuperação dos materiais mas não será interrompido Além disso a natureza nem sempre conseguirá converter recur sos em outras formas de matéria e energia Com essas conclusões chegamos as causas dos problemas ambientais OS DANOS AMBIENTAIS Quando discutimos a interrelação entre economia e o meio ambiente não pode mos deixar de falar nos danos causados por essa combinação que são danos ambientais Assim a economia ambiental procura identificar e resolver os pro blemas dos danos ambientais ou como podemos resumir da poluição que é o principal dano ambiental associado ao fluxo de resíduos O que é poluição Poluição pode ser definida de diversas formas mas Callan e Thomas 2016 afirmam que genericamente é a presença de matéria ou energia cujas natureza localização ou quantidade causam efeitos considera dos indesejados ao meio ambiente Assim os danos ambientais podem ser causados por poluentes naturais que são originários na própria natureza como é o caso de partículas de erupções vulcânicas névoa salina e pólen e por poluentes antropogênicos que são resul tantes da ação do homem além de todos os resíduos associados ao consumo e à produção resíduos químicos gerados a partir de certos processos industriais Economia e Meio Ambiente Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 191 Após a identificação do dano ambiental é preciso determinar as fontes respon sáveis pelo dano já que podem ser lançadas de diversas formas por exemplo dos automóveis aterros sanitários área agrícola entre outros Como as fontes são inúmeras precisamos classificálas por categorias amplas Essa classificação dependerá do ambiente ou seja água ar ou solo e assim podemos agrupar as fontes de poluição em dois tipos de acordo com sua mobilidade que é subdi vidida em estacionária e móvel ou pela sua identificabilidade que será pontual ou não pontual Vamos analisar o Quadro 1 para entender melhor as caracterís ticas de cada tipo de fonte de poluição Quadro 1 Fontes de poluição FONTES AGRUPADAS POR MOBILIDADE Tipo Descrição Exemplos Estacionária Uma fonte geradora de polui ção em um local fixo Usinas termelétricas que queimam carvão estações de tratamento de água e esgoto unidades de produção indus trial Móvel Qualquer fonte nãoestacioná ria de poluição Automóveis caminhões aeronaves FONTES AGRUPADAS CONFORME IDENTIFICABILIDADE Pontual Qualquer fonte individual de onde são liberados poluentes Chaminé de fábrica cano de esgoto um navio Nãopontual Uma fonte que não pode ser precisamente identificada e degrada o meio ambiente de forma difusa e indireta sobre extensa superfície Deflúvios superficiais agrícola e urbano Fonte Callan e Thomas 2016 p 10 Qual dos dois tipos de poluentes naturais ou antropogênicos são os mais preocupantes para a economia ambiental ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 192 Analisando o quadro verificamos que as fontes podem ser agrupadas por mobi lidade nesse caso serão fontes estacionárias como as usinas termelétricas que queimam carvão classificadas dessa forma por estarem localizadas em um local fixo Podem ser classificadas também como móveis que são as fontes que se locomovem como os automóveis Já as fontes agrupadas pela identificabilidade podem ser pontuais quando apenas uma única fonte libera os poluentes como o cano de esgoto ou não pontuais nesse caso são fontes que são difíceis de serem identificadas como os deflúvios agrícolas Agora que você conhece as fontes de poluição podemos discutir sobre a exten são dos danos ambientais pois apesar da degradação ambiental estar presente no mundo inteiro existem alguns tipos de poluição que têm efeitos limitados a um único local enquanto outros afetam uma área maior Assim Callan e Thomas 2016 classificam a extensão dos danos ambientais em Local referese à degradação ambiental que não se expande a grandes distâncias da fonte poluidora impactando apenas uma pequena área Porém apesar da extensão ser pequena o dano pode ser enorme por exemplo o chamado smog urbano que é a mistura da umidade do ar com poluição atmosférica que visivelmente é uma nuvem amarela espessa e está presente em cidades como Pequim Los Angeles Cidade do México e cidade de São Paulo Para você ter uma ideia do tamanho do problema vamos analisar a Figura 3 Economia e Meio Ambiente Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 193 0 20 40 60 80 100 120 140 Nova YorkNewark Los Angeles Londres Madri Cidade do México Tóquio Berlim Paris Pequim Toronto São Paulo Dióxido de nitrogênio Dióxido de enxofre Material perticulado Figuras 3 Poluentes que contribuem com a poluição urbana do ar nas grandes metrópoles Fonte Callan e Thomas 2016 p 11 Outro exemplo de poluição local é a poluição com resíduos sólidos que é a polui ção oriunda de práticas inadequadas de manejo dos resíduos como chumbo e mercúrio que podem poluir o solo e os mananciais de água Regional são as poluições que estão distantes da fonte geradora como a deposição ácida ou chuva ácida que surgem dos componentes ácidos que se misturam com outras partículas e caem no solo como neblinas neve ou chuva Global são as poluições que afetam uma enorme extensão e é bem difícil de controlar pois os riscos estão distribuídos e é necessária uma coope ração internacional que encontre soluções Dois exemplos desse tipo de dano ambiental são o aquecimento global ou efeito estufa e a redução da camada de ozônio O primeiro ocorre quando a irradiação solar ao retor nar de volta ao ar carrega os gases do efeito estufa como o dióxido de carbono Para melhor compreensão dessa afirmativa analise a Figura 4 ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 194 Terra Radiação IV Luz visível do Sol Moléculas de gás Estufa Redirecionamento do IV para a Terra Redirecionamento do IV para o espaço Figura 4 Esquema do funcionamento do efeito estufa Fonte Mozeto 2001 online1 Os principais impactos do efeito estufa são as mudanças climáticas drásticas no qual áreas frias se tornam quentes áreas úmidas se tornam secas etc aumento significativo na incidência de grandes tempestades furacões e tornados redu ção de espécies de fauna e flora elevação global de temperatura e do nível dos oceanos em decorrência do derretimento das calotas de gelo A camada de ozônio protege o planeta Terra dos raios ultravioletas quando ela é reduzida há enfraquecimento do sistema imunológico humano aumenta o risco de câncer de pele e atinge todo o ecossistema sendo causada pelos produtos químicos que contém clorofluorcarbonetos que são utilizados em ar condicio nados embalagens isolantes etc Economia e Meio Ambiente Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 195 Com base em todas as nossas discussões até agora podemos afirmar que esses problemas ambientais estão presentes em todos os países do mundo e por isso alguns objetivos ambientais precisam ser muito bem definidos e debatidos Assim segundo Callan e Thomas 2016 atualmente existem três objetivos ambientais globais qualidade ambiental que está relacionado à redução da contaminação antropogênica a um nível aceitável desenvolvimento sustentável que é a gestão dos recursos planetários de forma que qualidade e abundância sejam asseguradas para as futuras gerações e biodiversidade que referese à variedade de espécies distintas sua variabilidade genética e a diversidade dos ecossistemas que habitam O meio ambiente impacta em todos os mercados econômicos incluindo do mercado de trabalho Assim leia o artigo Desenvolvimento sustentá vel e meio ambiente análise dos impactos sobre o mercado de trabalho no Brasil 19952001 este tem dois objetivos O primeiro é apresentar os limites e impactos da promoção do desenvolvimento sustentável sobre o meio ambiente e o sobre o mercado de trabalho e o segundo será discutir a dinâmica do emprego vinculada às questões ambientais no Brasil O artigo está disponível no link httpwwwecoecoorgbrconteudopublicacoes encontrosvienartigosmesa5DesenvolvimentoSustentavelMeioAm bientepdf Fonte a autora ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 196 TEORIA DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Como discutimos na Unidade III do nosso livro didático existem duas linhas principais que procuram definir e estudar o desenvolvimento econômico A pri meira linha dos economistas clássicos afirma que crescimento e desenvolvimento econômico são conceitos similares e uma nação ao crescer economicamente irá automaticamente se desenvolver A segunda linha de pensamento não concorda e defende que um país pode crescer economicamente mas sem se desenvolver como o mundo real mostra Porém para esses pensadores crescimento é uma condição essencial mas não suficiente para haver desenvolvimento econômico Quando falamos em desenvolvimento sustentável estamos nos referindo mais à segunda linha já que conforme discutido a preservação ambiental é uma condição para o desenvolvimento econômico e para preservar a natureza nada melhor do que pensarmos no desenvolvimento sustentável Mas por que Como afirmam Callan e Thomas 2016 embora crescimento eco nômico seja um resultado favorável no longo prazo há implicações como sugere o modelo do balanço de materiais que discutimos no Tópico 1 desta unidade Assim encontrar o equilíbrio entre crescimento econômico e preservação dos recursos naturais não é uma tarefa fácil mas é o objetivo do desenvolvimento sustentável Segundo Romeiro 2010 desenvolvimento sustentável é um conceito relativamente novo que surgiu no início da década de 70 com o nome de ecode senvolvimento No tradeoff entre crescimento econômico e meio ambiente ele pode surgir de discussões sobre o reconhecimento do progresso técnico como uma condição para eliminar a pobreza e as diferenças sociais O que é desenvolvimento sustentável é aquele que atinge as necessidades atu ais sem comprometer as necessidades das futuras gerações Pela definição usual você conseguiu perceber que a ideia do desenvolvimento sustentável considera o dever com relação às gerações futuras sempre respeitando os limites da natureza Podemos definilo de outra maneira que é a satisfação das presentes necessidades e aspirações do homem sem que se reduza a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas necessidades Outra definição de desenvolvimento susten tável pode ser aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras atenderem suas necessidades Teoria do Desenvolvimento Sustentável Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 197 Como você viu as definições de desenvolvimento sustentável são muito parecidas sempre levam em consideração as necessidades das futuras gerações Porém surgem algumas dúvidas que não têm respostas corretas tais como quais seriam as carências da geração atual Com certeza diferenciase por nação reli giosidade classe social região de moradia etc E das futuras gerações elas ainda não existem são somente suposições do que poderiam ser feitas e quais seriam as suas eventuais necessidades Contudo o desenvolvimento sustentável aponta para duas situações tornase fundamental para a sua sustentabilidade atender às necessidades das pessoas ao mesmo tempo em que não se comprometa a qua lidade da geração vindoura Com base em nossas discussões até aqui podemos afirmar que existem dois eixos fundamentais para o Desenvolvimento Sustentável a conquista de um modelo de bemestar econômicosocial coerente e adequado equitativamente distribuído e Usufruir do capital natural de forma a garantir a integridade eco lógica o que constitui seu uso racional intertemporal A partir desses dois eixos surgem três objetivos do desenvolvimento sustentável Progresso da qualidade de vida garantir a satisfação de suas neces sidades essenciais como alimento energia água e saneamento básico Equidade social garantir iguais oportunidades aos sujeitos de uma socie dade a serviços como educação saúde justiça entre outros Harmonia na exploração do meio natural entre os povos presentes e futuros garantir a manutenção de padrão tecnológico que respeite os limites da sustentabilidade ecológica em relação ao uso racional do capi tal natural pelo processo produtivo e aos efeitos ambientais gerados por esse processo ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 198 Social Econômico Ambiental Desenvolvimento Sustentável Figura 5 Dimensões do desenvolvimento sustentável Fonte a autora Conforme podemos ver na Figura 5 o desenvolvimento sustentável engloba três dimensões a econômica a social e a ambiental a interrelação dessas dimensões é a condição para haver desenvolvimento sustentável No âmbito econômico os processos de produção e consumo envolvem a questão do desenvolvimento econômico Na questão social a preocupação é com o bemestar humano e a qualidade de vida por último temos a área ambiental em que a preocupação central é deteriorar o mínimo possível a natureza e seus recursos O debate econômico do meio ambiente surge em duas correntes que são a economia ambiental e a economia ecológica ou do meio ambiente A pri meira referese ao chamado mainstream neoclássico que acredita que os recursos naturais não representam a longo prazo um limite para a economia ou seja inicialmente os recursos naturais não são considerados nas represen tações analíticas da realidade econômica e a função de produção é composta apenas por capital e trabalho O foco da economia ambiental é a externalidade negativa da produção sobre o capital natural Para analisar a externalidade é preciso considerar o Valor mone tário da externalidade que está relacionado à produção sacrificada disposição a pagar e a Política macroeconômica para atingir o ótimo de poluição e social Teoria do Desenvolvimento Sustentável Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 199 Já a visão ecológica leva em consideração os recursos naturais e afirma que assim como o capital são elementos essenciais e complementares para a produ ção Além disso o progresso técnico é fundamental para melhorar a eficiência na utilização dos recursos naturais renováveis e não renováveis Em outras palavras a questão fundamental da corrente ecológica é analisar a economia considerando que existem limites para os recursos A economia ecológica procura analisar os fundamentos biofísicosecoló gicos que regulam o sistema natural sustentando o sistema econômico tendo como fundamento as leis de termodinâmica e seus implicações O que é termodinâmica A termodinâmica estuda as relações entre energia calor trabalho e segue duas leis a Lei da conservação da matéria que estabe lece que as quantidades de matéria e energia do universo são constantes não podendo ser criadas ou destruídas e a Lei da entropia que está relacionada à segunda lei da termodinâmica e afirma que nem toda energia pode ser transfor mada em trabalho pois uma fração sempre se dissipa em calor Assim a lei da conservação da matéria somada a Lei da entropia afirmam que a quantidade de matéria e de energia são constantes mas são passíveis de mudanças não criadas ou destruídas em função do grau de entropia presente dos possessos Com isso o sistema econômico vigente sofre um processo de aumento de entropia Porém a vida econômica se alimenta de energia e maté ria de baixas entropias gerando o sistema econômico é perpétuo subprodutos de resíduos de alta entropia Com base no exposto o objetivo da economia ecológica é compreender as questões detalhadas que envolvem os subsistemas econômicos e se preocupa com o ciclo produtivo na sua extensão já que a oferta de bens e serviços é finita e portanto existe uma limitação para o crescimento econômico Se a limitação da oferta de bens e serviços é uma limitação ao crescimento econômico qual é a solução de acordo com a economia ecológica A utilização dos recursos naturais renováveis não deve ser superior à taxa de reposição desses recursos no meio ambiente Assim os recursos não reno váveis deverão ser utilizados a uma taxa inferior à sua reposição por recursos renováveis no meio ambiente de forma que a geração e o despejo de resíduos não exceda capacidade de suporte do capital natural ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 200 Para melhor compreensão da relação das correntes ambientais e ecológicas com a economia e os recursos naturais vamos analisar a Figura 6 Economia Economia Economia RN RN Figura 6 Economia com e sem recursos naturais Fonte Romero 2010 p 8 Analisando a Figura 6 podemos visualizar três relações entre a economia e os recursos naturais RN No primeiro momento à esquerda existe apenas a econo mia que funciona sem os recursos naturais já que os bens são livres e poderiam ser interpretados como um presente da natureza No momento dois os recursos naturais começam a aparecer nas representações gráficas da função produção com preocupação com bens públicos e questões sociais Porém o sistema eco nômico é visto como algo grandioso e mesmo que faltem recursos naturais não haveria impacto no sistema já que ele é maior do que a natureza portanto é o que defende a economia ambiental No terceiro momento temos a visão ecológica no qual a economia depende dos recursos naturais tanto que as setas estão em direção dos recursos naturais para a economia e não ao contrário como no momento anterior Assim há limite para o crescimento econômico que são os recursos naturais e por esse motivo é preciso que a sociedade mude a postura frente aos recursos naturais de forma a evitar os impactos ambientais Teoria do Desenvolvimento Sustentável Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 201 SUSTENTABILIDADE Ao discutirmos desenvolvimento sustentável é fundamental discutir o tema sustentabilidade Nesse sentido Cavalcanti 2001 afirma que existem dois para digmas principais de sustentabilidade o desenvolvimento na visão econômica que classifica a natureza como um bem de capital e portanto a sustentabilidade é algo ambiental e o outro paradigma que procura romper com a dominação do discurso econômico e defende a sustentabilidade como algo ético Apesar das correntes econômicas auxiliarem os modelos matemáticos que gerem os recursos naturais a prática da sustentabilidade não é fácil e ainda é um grande desafio para a sociedade mundial mas o que é sustentabilidade Sustentável é algo que pode ser mantido ou seja é a capacidade que o ecossistema tem para enfrentar os desequilíbrios externos sem comprometer suas funções De outra forma sustentável é aquilo que tende a ser preservado No estudo da ecologia o ecossistema possui algum grau de sustentabilidade que é a disposição do ecossis tema de confrontar distúrbios externos sem danificar seu funcionamento Em termos econômicos a sustentabilidade surge do debate sobre susten tar o crescimento no longo prazo considerando a função de produção capital e recursos naturais Assim existem os chamados Princípios da Sustentabilidade tais com a energia solar a biodiversidade e a ciclagem química Interligados esses três princípios da sustentabilidade auxiliam no conhecimento da natureza e sustentam uma grande heterogeneidade de vida na terra por bilhões de anos E você se identifica com qual das duas correntes economia ambiental ou economia ecológica ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 202 Assim a questão da sustentabilidade aparece no debate econômico em como promover o crescimento econômico quando a produção depende do capital e o capi tal natural Nesse sentido os economistas neoclássicos defendem que para existir integridade e equidade entre as futuras gerações o consumo por pessoa necessitaria ser constante ou crescente a longo prazo e o acúmulo de capital deveria ser cons tante diferentemente da corrente da economia ecológica que afirma que existe uma controvérsia do capital que são a sustentabilidade fraca e a sustentabilidade forte A primeira sustentabilidade fraca significa que o capital total deve ser constante não importando como é realizada a classificação entre capital natural exaurível e o reprodutível Por exemplo a troca de uma reserva florestal por um parque fabril não é um problema desde que ambos tenham a mesma valoração pois ocasionaria somente em uma troca de um capital por outro Já a sustentabilidade forte indica que o capital natural tem como característica a complementaridade e não a substituibilidade pelo capital produtível ou seja o capital natural para ser sustentável deverá ser constante ao menos em determinada fração Assim o capital possui três finalidades que é prover recursos ao sistema produtivo absorver os detritos causados pelo consumo e produção fornecer as condições necessárias que possibilitam a vida no planeta tais como o clima e o oxigênio Então conservar os recursos naturais é muito importante pois eles são fundamentais para a manutenção da vida CONTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS PARA O CRESCIMENTO ECONÔMICO Até agora nossas discussões giraram em torno da compreensão da relação entre a economia e o meio ambiente e também da teoria do desenvolvimento sus tentável ou seja falamos muito nos recursos naturais como entrave ou não dependendo da corrente de desenvolvimento sustentável a ser seguida para o crescimento econômico Contribuição dos Recursos Naturais Para o Crescimento Econômico Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 203 Agora iremos entender a contribuição dos recursos naturais para esse cresci mento econômico que é um dos principais objetivos da economia de uma nação e também porque estudar a relação entre os recursos naturais e a economia é de suma importância pois estamos discutindo a sustentabilidade Para isso é pre ciso compreender os recursos naturais o que são e como podem ser classificados Em um passado bem distante a natureza exercia papel principal e essen cial para o homem pois era ela que fornecia os alimentos assim as pessoas somente extraiam os alimentos fornecidos não haviam modificação do ecossis tema Quando o fogo passou a ser controlado pelo homem o ecossistema passou a ser manejado mas não alterado Até que a agricultura foi inventada e o ecossistema original foi sendo modi ficado mas não ao ponto de prejudicar a natureza ou acabar com os recursos naturais Só que no século XVIII mais exatamente a partir de 1760 novos pro cessos de manufaturas surgiram dando início à chamada Revolução Industrial e o processo dos grandes danos ambientais Assim os recursos naturais que antes eram abundantes passaram a se tornar limitados a natureza começou a sofrer as consequências da produção e do consumo desenfreados e os recursos natu rais foram extraídos e exauridos RECURSOS NATURAIS Os recursos naturais são na maior parte bens livres e podem ser definidos como tudo aquilo que é necessário para as pessoas e estão disponíveis na natureza Os recursos naturais podem ser classificados em dois tipos segundo a capacidade de recomposição de um recurso ao longo do tempo a Recursos naturais renováveis são os recursos compatíveis com o hori zonte de vida do homem ou seja os recursos renováveis se atualizam com o tempo e teoricamente não acabam Teoricamente porque se forem utilizados de forma indiscriminada podem se tornar não renováveis e por isso precisam ser preservados e utilizados com muito cuidado Solo ar água fauna e flora são exemplos de recursos renováveis ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 204 Dentro dos recursos renováveis é possível subdividilo em grupos que são os renováveis de dispersos e de difícil captura como a energia solar os sujei tos a extinção como as plantas e animais e os sujeitos a degradação por manejo inadequado como o solo e a água A degradação ambiental dos recursos reno váveis pode ser vista na Figura 7 Degradação do capital natural Degradação de recursos naturais normalmente renováveis Mudanças climáticas Poluição do ar Erosão do solo Redução das forestas Diminuição dos hábitats silvestres Declínio dos pesqueiros oceânicos Poluição da água Extinção de espécies Esgotamento dos aquíferos Figura 7 Degradação do capital natural Fonte Miller e Spoolman 2012 p 13 A Figura 7 mostra alguns exemplos de degradação do capital natural como a poluição do ar e da água erosão do solo mudanças climáticas redução das flo restas e dos animais silvestres entre tantos outros exemplos b Recursos naturais não renováveis são os recursos que necessitam de muito tempo eras geológicas para se formarem ou seja somente nossos tata ranetos irão ter acesso novamente a esse tipo de recurso Em outras palavras os recursos não renováveis que também são chamados de exauríveis podem ser esgotados ou limitados muito facilmente pois o processo de renovação é muito lento Petróleo gás natural e carvão mineral são exemplos de recursos não renováveis Eficiência Econômica e Mercados Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 205 Além disso eles podem ser agrupados em dois grupos recursos exauríveis como os minerais e os recursos esgotáveis e não renováveis como o petróleo Nesse sentido é importante diferenciar os recursos economicamente apro veitáveis dos que estão dispersos para isso é preciso compreender os conceitos de reserva recursos e recursos hipotéticos A reserva mineral requer alguma medição física sobre a quantidade da concentração mineral e a verificação de viabilidade da extração do ponto de vista tecnológico Já o recurso não possui o mesmo grau de detalhamento apesar de que sua existência seja conhecida Em relação aos recursos hipotéticos eles são uma mistura de recursos conhe cidos e não conhecidos mas que são possíveis de encontrar na crosta terrestre EFICIÊNCIA ECONÔMICA E MERCADOS De acordo com o modelo do balanço de materiais os problemas ambientais estão ligados à forma como o mercado funciona ou seja as decisões dos consumido res e empresas afetam a quantidade e qualidade dos recursos naturais Assim é Para compreender na prática como os recursos naturais podem impulsionar o crescimento econômico de uma nação leia o artigo Crescimento econô mico impulsionado por recursos naturais uma nota sobre a experiência de Botsuana O artigo apresenta como Botsuana conseguiu disparar o cresci mento econômico graças aos recursos naturais disponíveis Para ler o arti go acesse ao link httpwwwscielobrscielophpscriptsciarttextpi dS010131572010000200009 Fonte a autora ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 206 preciso compreender como as atividades de mercado geram resíduos poluentes que afetam o mercado e como podemos solucionar tais problemas ambientais A poluição é considerada uma falha de mercado e por esse motivo é preciso buscar modelos de falha de mercado para analisar o problema e identificar pos síveis soluções Para isso utilizaremos os conceitos da teoria microeconômica estudados na Unidade II do nosso livro didático principalmente a famosa Lei Oferta e Demanda para compreender o funcionamento do mercado Lembrese mercado é o local em que há interação entre consumidores e produtores objeti vando a troca de um produto bem definido CALLAN THOMAS 2016 Caroa acadêmicoa caso tenha alguma dúvida sobre os conceitos microeconômicos retorne à Unidade II e tire dúvidas com seu tutor antes de continuar Como nosso foco nesta seção é a eficiência econômica precisamos compre ender eficiência Um dos critérios da análise econômica que trata da alocação apropriada de recursos entre usos alternativos chamase eficiência alocativa e outro critério que está preocupado com a economia dos recursos usados na pro dução chamase eficiência técnica Vamos conhecer cada um deles a Eficiência alocativa o modelo de balanço de materiais ilustra que a forma como o mercado utiliza os recursos é crítico tanto da produção e do consumo quanto para o meio ambiente Porém para avaliar a alocação de recursos é pre ciso utilizar segundo Callan e Thomas 2016 um procedimento que envolve dois elementos a avaliação de custos e benefícios e o uso de análise marginal Para compreender esses dois vamos analisálos juntos Vamos lá Mercados competitivos são considerados os ideais do ponto de vista econô mico e é a estrutura de mercado padrão ou seja todas as demais monopólio concorrência monopolística e oligopólio são analisadas a partir dos mercados concorrenciais Nesse tipo de mercado quando a demanda for igual a oferta há equilíbrio mas o que significa isso em termos de alocação de recursos Os preços ao longo da curva de demanda são medidas de benefício marginal ou seja cada preço de demanda mostra o valor que os consumidores dão a uma unidade a mais de um produto qualquer que é termo marginal isso mesmo é a mesma ideia da utilidade marginal que vimos na Unidade II E do lado da oferta Nesse caso os preços são medidas de custo econômico Segundo Callan e Thomas 2016 a razão da oferta de mercado em um mercado competitivo ser Eficiência Econômica e Mercados Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 207 a soma horizontal das curvas de custo marginal das empresas representa para cada preço de oferta um custo adicional dos recursos necessários à produção de outra unidade a mais daquele bem Segundo os mesmos autores no equilíbrio competitivo o valor que a socie dade atribui ao bem é igual ao valor dos recursos sacrificados na produção desse mesmo bem Isto é benefício marginal é igual ao custo marginal e essa igual dade assegura que a eficiência alocativa seja atingida Agora vamos compreender a alocação de cursos em nível das empresas Para isso vamos assumir que a tomada de decisão das empresas é movida pelo lucro e que a variável de escolha é o nível de produção quantidade Assim qualquer empresa independentemente das condições competitivas define o seu nível de produção que maximize o lucro Sabendo que lucro é a receita total menos custo total que a receita total é a multiplicação do preço com a quantidade e o custo total é todo o custo fixo e variável da produção as empresas procuram encontrar a quantidade que gere o maior lucro possível e para isso elas tomam suas decisões considerando os benefícios e os custos da produção de cada unidade a mais de produto Então se a empresa observar que se produzir uma unidade a receita total é maior do que o custo total ela irá produzir Por outro lado se o custo total for maior do que a receita total dessa unidade adicional a empresa não irá aumen tar sua produção Essa situação ocorre até o ponto que a variação da receita total seja igual a variação do custo total e o lucro dessa unidade é zero b Eficiência técnica referese às decisões de produção que geram a produção máxima mediante algum estoque de recursos ou decisões de produzir uma certa quantidade usando o mínimo de recursos CALLAN THOMAS 2016 Assim de acordo com o modelo de balanço de materiais os recursos naturais são preserva dos ao atingir a eficiência técnica e com isso a geração dos resíduos é minimizada Além disso os mesmos autores afirmam que dada a relação entre produção e custos a eficiência técnica sugere custos econômicos minimizados na produ ção de determinadas quantidades de produto Assim chegamos ao final da Unidade V e desse universo tão fascinante que é a economia do meio ambiente ECONOMIA SUSTENTÁVEL E MEIO AMBIENTE Reprodução proibida Art 184 do Código Penal e Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998 V U N I D A D E 208 CONSIDERAÇÕES FINAIS Olá caroa acadêmicoa chegamos ao final da quinta e última Unidade do livro Economia e Sociedade Nesta unidade discutimos um tema bem atual e de grande preocupação das sociedades e dos governos de todos ou pelo menos da maioria dos países que é a preservação do meio ambiente Dada essa importância nossa unidade foi dividida em quatro seções Na pri meira compreendemos a relação entre economia e o meio ambiente por meio do chamado Modelo de Balanço de Materiais que mostra a relação entre os consu midores consumo e as empresas produção com a natureza Na segunda seção discutimos a teoria do desenvolvimento sustentável no qual vimos a necessidade de se desenvolver hoje mas preservando a natureza para que as futuras gerações também consigam sobreviver Para que isso seja possível preci samos trabalhar com três dimensões a econômica social e ambiental Nessa seção vimos também que existem duas correntes econômicas que estudam o desenvol vimento sustentável que é a economia do meio ambiente e a economia ecológica No Tópico três entendemos como os recursos naturais contribuem para o crescimento econômico ou seja é impossível crescer economicamente se não preservarmos os recursos naturais Esses recursos podem ser classificados como recursos renováveis e recursos não renováveis Porém independentemente se os recursos são ou não renováveis é preciso preserválos E para finalizar a unidade estudamos a eficiência econômica e os mercados ou seja como os mercados competitivos podem ser eficientes de forma aloca tiva ou técnica Assim finalizamos nossa disciplina espero que eu tenha conseguido desper tar em você o interesse pelas ciências econômicas e como essa ciência faz parte de todas as decisões pessoais e profissionais das nossas vidas Lembrese qual quer dúvida procure seu tutor Um forte abraço 209 1 Vieira 1986 apud Bitar Fornasari Filho Vasconcelos 1990 afirma que o termo meio ambiente inclui dimensões econômicas culturais e de segurança além do ambiente físico e ecológico Porém a medida que a sociedade se transformou e novos padrões de consumo surgiram um novo desafio surgiu que foi Marque a alternativa correta a Como se desenvolver economicamente e preservar o meio ambiente b Como crescer e gerar renda sem prejudicar a geração atual c Como crescer e se desenvolver economicamente e ser competitivo d Como ser competitivo no mercado internacional dado os insumos nacionais e Como produzir menos utilizando a mesma tecnologia e aumentar a renda 2 Podemos definir meio ambiente como um conjunto de unidades ecológica que estão incluídos os animais vegetais microrganismos solo rocha ar entre outros que interagem no sistema natural Assim meio ambiente e sistema econômico principalmente o capitalista entram em constante conflito já que os recursos na turais são escassos e não se pode produzir tudo que a população deseja Com base no exposto podemos afirmar que duas variáveis são alteradas constantemente na economia e com isso influenciam a relação com o meio ambiente Quais são as variáveis nas quais o texto se refere Marque a alternativa correta a Produção e consumo b Oferta e demanda c Recursos produtivos e insumos d Trabalho e processo produtivo e Concorrência e direito de propriedade 3 De acordo com Romeiro 2010 o desenvolvimento sustentável é um conceito normativo que surgiu na década de 70 com o nome de ecossistema e pode ser definido como aquele que atinge as necessidades do presente não comprome tendo as necessidades das gerações futuras Para que se tenha desenvolvimento sustentável é preciso considerar três dimensões as quais são Marque a alternativa correta a Social cultural e ambiental b Econômico político e religioso c Nacional monetário e educacional d Educação saúde e segurança e Social ambiental e econômico 210 4 Quando estudamos a relação da economia com o meio ambiente um conceito inicial é a classificação dos recursos naturais pois se a origem de todos os pro blemas econômicos é a escassez precisamos compreender o que e quem são es tes recursos limitados Com base nessa classificação leia as afirmativas a seguir I Energia solar II Solo III Petróleo IV Minerais Das assertivas quais apresentam exemplos de recursos não renováveis Marque a alternativa correta a I e II estão corretas b III e IV estão corretas c II e III estão corretas d I e IV estão corretas e Todas estão corretas 5 A economia ecológica procura compreender as questões detalhadas que en volvam os subsistemas econômicos se preocupando com o ciclo produtivo em toda sua extensão e afirma que a oferta de bens e serviços é finita Com base no exposto marque a alternativa correta que mostra o impacto da limitação da oferta de bens e serviços a Limitação para o crescimento econômico b Fonte de desenvolvimento econômico c Uma forma de preservar o meio ambiente d Um entrave à aplicação de leis ambientais e Torna os produtos orgânicos mais caros 211 Contribuição para o desenvolvimento sustentável dos projetos de Mecanismo de De senvolvimento Limpo na América Latina O esforço para resolver a questão da mudança climática no âmbito das Nações Unidas começou com a Conferência sobre o Meio Ambiente Humano em 1972 Após 20 anos na Cúpula da Terra em 1992 realizada no Rio de Janeiro definiuse uma agenda política internacional para a mudança do clima e o desenvolvimento sustentável face às nego ciações entre outros da Agenda 21 e da ConvençãoQuadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima CQNUMC ou Convenção do Clima A CQNUMC é a base jurídica para a ação internacional em mudança climática Sua gran de importância reside no fato de ter fornecido um objetivo princípios básicos e com promissos Além disso estabeleceu procedimentos e instituições que proporcionam uma estrutura para as atividades políticas e diplomáticas OBERTHÜR HERMANN 1999 VOIGT 2009 Durante a Terceira Conferência das Partes COP 3 da Convenção do Clima surgiu o Pro tocolo de Kyoto PK em 1997 Sua entrada em vigor foi em fevereiro de 2005 e o perí odo de seu primeiro compromisso foi entre 20082012 O Protocolo sendo o primeiro e o mais ambicioso acordo é também um dos instrumentos jurídicos mais ambíguos Muito do seu conteúdo foi considerado como um negócio inacabado OBERTHÜR HERMANN 1999 tanto que se fez necessário fortalecer e ampliar as negociações no âmbito da Convenção do Clima para melhorar as perspectivas de sua implementação Um desses negócios inacabados foi em relação ao período de compromisso estabe lecido em um horizonte de curto prazo de apenas cinco anos 20082012 que deixou para futuras negociações a adoção de um novo período que inicialmente devia ser acor dado em 2009 durante a COP 15 realizada em Copenhague na Dinamarca No entanto essa conferência foi considerada um fracasso pois terminou com uma simples decla ração de intenções e um vazio político BODANSKY 2010 além de muita incerteza no mercado principalmente para os desenvolvedores de projetos de redução de Gases de Efeito Estufa GEE para empreender investimentos pós2012 BENITES 2015a No final de 2012 durante a Décima Oitava Conferência das Partes COP18 realizada em Doha Qatar os países adotaram a Emenda de Doha para o Protocolo de Kyoto concor dando em um segundo período de compromisso que compreende de janeiro de 2013 a dezembro de 2020 UNFCCC 2015a MICHAELOWA 2015 bem como se estabeleceu um plano para negociar um novo acordo pós2020 finalmente alcançado no último de zembro de 2015 durante a COP 21 em Paris França o chamado Acordo de Paris O Acordo de Paris inclui objetivos de longo prazo para limitar as emissões de GEE e é o primeiro aplicável a todos os países Partes da Convenção do Clima diferente do PK que apenas estabeleceu metas obrigatórias de redução para os países desenvolvidos Con tudo esse novo Acordo continua sendo um negócio inacabado por apenas oferecer aspirações para manter o aumento da temperatura média global em 152ºC graus o que ainda precisará ser fortalecido em negociações futuras para se ter metas claras e mecanismos para seu cumprimento 212 No entanto em relação ao mercado se reduzem as incertezas e surgem sinais pro missores ao estabelecer a importância dos mecanismos de mercado para as ações de mitigação tanto para o segundo período do PK até 2020 quanto depois dele no âmbito do Acordo de Paris Os mecanismos de mercado como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo MDL fo ram criados com o PK para ajudar os países a cumprirem com suas obrigações e incenti var o setor privado e para os países em desenvolvimento contribuírem com os esforços na redução de GEE Conforme o artigo 12 do PK o MDL é um instrumento de duas vias projetado para atingir reduções de emissões de GEE e promover o desenvolvimento sus tentável nos países em desenvolvimento TORVANGER et al 2013 ENIIBUKUN 2014 O artigo 12 coloca ênfase na igualdade entre os dois objetivos do MDL não apenas por que ambos se aplicam a países em desenvolvimento mas também porque poderiam ser perseguidos simultaneamente TORVANGER et al 2013 No entanto o MDL tem recebido diversas críticas uma delas referese à sua pouca contribuição para o desenvolvimento sustentável OLSEN 2007 RUTHNER et al 2011 SUBBARAO LLOYD 2011 BENITES 2013 KARAKOSTA et al 2013 FEARNSIDE 2015 En tre as razões apontadas pelos autores está principalmente a falta de incentivos finan ceiros isso porque o desenvolvimento sustentável não tem valor monetário no mercado de carbono e a tendência é priorizar as reduções certificadas de emissões Fonte Lazaro e Gremaud 2017 p 5372 Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Economia Ambiental aplicações política e teoria Scott J Callan e Janet M Thomas Editora Cengage Sinopse o livro Economia ambiental aplicações política e teoria possui grande enfoque em políticas e questões ambientais do mundo contemporâneo Com ele o leitor terá acesso às diversas teorias econômicoambientais em uma abordagem prática e estimulante O livro tem estrutura modular o que não somente torna sua apresentação mais organizada como também permite que professor e aluno tenham flexibilidade de estudo Usando modelagem econômica e ferramentas analíticas cada módulo além de apresentar conceitos e teorias avalia os riscos ambientais associados à resposta política e apresenta uma análise custobenefício das principais legislações e acordos internacionais O texto foi revisado de maneira substancial refletindo mudanças políticas nacionais e internacionais a evolução do ambientalismo empresarial e estudos empíricos recentes Além disso a obra integra a perspectiva de negócios e o desenvolvimento de tomadas de decisões ambientais uma vantagem que é negligenciada no tratamento convencional do assunto A última hora No Documentário online A Última Hora narrado e produzido por Leonardo DiCaprio aborda os desastres naturais causados pela própria humanidade Mostra como o ecossistema tem sido destruído e o que é possível fazer para reverter esse quadro Entrevistas com mais de 50 renomados cientistas e líderes como Stephen Hawking e o expresidente soviético Mikhail Gorbachev ajudam a esclarecer essas importantes questões assim como indicar alternativas possíveis à sustentabilidade Ver um Planeta Dominado por Números Para você ter uma noção da necessidade da sustentabilidade assista ao vídeo Ver um planeta dominado por números O vídeo apresenta por meio de números e estatísticas a situação ambiental mundial que vivemos Acesse ao link httpswwwyoutubecom watchvqkRemXhRsZY REFERÊNCIAS CALLAN S J THOMAS J M Economia ambiental aplicações políticas e teoria São Paulo Cengage Learning 2016 CAVALCANTI C Sustentabilidade da economia paradigmas alternativos de realiza ção econômica In Desenvolvimento e a natureza estudos para uma sociedade sustentável São Paulo Cortez 2001 LAZARO L L B GREMAUD A P Contribuição para o desenvolvimento sustentável dos projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo na América Latina OS Salvador v 24 n 80 p 5372 JanMar 2017 MILLER G T SPOOLMAN E S Ecologia e sustentabilidade 6 ed São Paulo Cen gage Learning 2012 ROMEIRO A R Economia ou economia política da sustentabilidade In MAY P Eco nomia do meio ambiente teoria e prática 2 ed Rio de Janeiro Elsevier 2010 REFERÊNCIAS ONLINE 1 Em httpqnescsbqorgbronlinecadernos01atmosferapdf Acesso em 22 jun 2017 REFERÊNCIAS GABARITO 215 215 GABARITO 1 A 2 A 3 E 4 B 5 A CONCLUSÃO Olá caroa acadêmicoa chegamos ao final do nosso livro didático da disciplina Economia e Sociedade Você teve a oportunidade de conhecer um pouco sobre esta ciência encantadora que faz parte do nosso dia a dia que é a economia estando apto agora a tomar as melhores decisões Vimos que a economia é dividida em duas grandes áreas de estudo a microecono mia que estuda os agentes econômicos individualmente ou seja famílias e empre sas e claro a relação entre eles é dessa relação que o preço que conhecemos dos bens e serviços é formado e a macroeconomia que estuda as variáveis econômicas no agregado ou seja não há uma preocupação com setores específicos mas sim como a economia como um todo Depois da compreensão das áreas de estudo discutimos dois outros temas que foram a economia internacional e a economia ambiental O primeiro se refere ao estudo da relação entre os países ou seja como você sabe com o mundo globa lizado os países não conseguem mais viver sozinhos então acabam se relacio nando por meio do comércio internacional ou pelas transações não comerciais como as demais nações O segundo tema economia ambiental referese ao estudo da relação entre a eco nomia e o meio ambiente já que o modelo econômico de produção e consumo em massa não é mais viável pois os recursos produtivos são escassos Assim é impor tante produzirmos hoje pensando na produção e consumo das futuras gerações Claro que nesta disciplina apresentei alguns fundamentos das ciências econômicas mas isto não significa que os temas econômicos se esgotam muito pelo contrário você poderá aprofundar seus conhecimentos econômicos sempre pois temos mui tas fontes de pesquisa e áreas de estudo da economia Assim espero que eu tenha conseguido atingir meu maior objetivo que é desper tar em você a curiosidade pela economia e principalmente pelo seu impacto na nossa vida E lembrese qualquer dúvida estamos sempre à disposição Um forte abraço e até a próxima CONCLUSÃO

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