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ESTACIO
Texto de pré-visualização
BARROCO Universidade Federal do Espírito Santo UFES Centro de Ciências Humanas e Naturais CCHN Departamento de Letras e Línguas DLL Literatura Brasileira I Sophia Souza Schmidt UFES O Barroco foi um movimento estético muito rico e complexo que não é fácil de definir com precisão no tempo e no espaço Ele surgiu na Europa em um período de grandes mudanças religiosas políticas sociais e intelectuais Um dos seus principais berços foi a Itália onde o Barroco rompeu com a harmonia e a simetria do Renascimento CONTEXTO GERAL Teatralidade e exagero na expressão Detalhes exuberantes Contrastes marcantes entre luz e sombra Emoção intensa nas obras De um lado estava a Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero em 1517 que questionava a autoridade da Igreja Católica Do outro a Contrarreforma que foi a reação da própria Igreja após o Concílio de Trento 15451563 para reafirmar sua fé e seu poder Nesse contexto a arte barroca foi usada como uma ferramenta para conquistar fiéis transmitindo mensagens religiosas de forma grandiosa e impactante CONTEXTO HISTÓRICO E RELIGIOSO O Barroco chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses e teve seu auge entre os séculos XVII e XVIII principalmente em Minas Gerais por conta da descoberta do ouro Diferente da Europa aqui o Barroco se misturou com elementos indígenas e africanos A religiosidade católica imposta pelos jesuítas moldou a cultura colonial por meio de práticas de catequese peças de teatro música e dança BARROCO NO BRASIL Espírito contraditório do próprio movimento fé e dúvida ordem e excesso rigidez e movimento eternidade e passagem do tempo BARROCO NO BRASIL Gregório de Matos Guerra 16361696 apelidado de Boca do Inferno nasceu em Salvador estudou em Coimbra onde se formou em Direito Canônico e Civil Viveu muitos anos em Portugal e só voltou para a Bahia já perto dos 50 anos após perdas pessoais e profissionais como a morte da esposa e o afastamento prolongado de sua terra natal GREGÓRIO DE MATOS De volta à Bahia intensificou sua poesia satírica atacando autoridades políticas religiosas e sociais As críticas foram tão duras que ele acabou deportado para Angola onde passou seus últimos anos GREGÓRIO DE MATOS Sua obra se divide em três vertentes principais poemas líricos ou amorosos poemas sacros e poemas satíricos Gregório usava muitas metáforas com comida e hábitos alimentares para criticar a sociedade Para o público do século XVII certos alimentos ou formas de comer tinham significados sociais e religiosos claros posição social pureza de sangue vícios morais ALIMENTOS NA POESIA Para Gregório a comida não era só cenário era um símbolo poderoso da vida social das hierarquias e das contradições da Salvador colonial Com ela construía um espelho moral que refletia a gula a avareza a luxúria a preguiça e a vaidade vícios que segundo ele ameaçavam a boa ordem da colônia ALIMENTOS NA POESIA Gregório também critica a vaidade e arrogância presentes em várias camadas da população colonial Ele ironizava os nobres e fidalgos que mesmo gastando dinheiro em roupas caras e luxuosas mantinham à noite refeições simples e parcimoniosas como azeitonas e chicória o que revelava uma incoerência entre a aparência e a realidade ALIMENTOS NA POESIA Que alguns tanto por seu mal vistam por não ser comuns de altos e ricos tissuns destruindo o cabedal que com porfia fatal se mostram nisso empenhados sendo à noite os seus guisados azeitonas e chicória Boa história Além disso também denunciou a luxúria e à preguiça de muitos frades e padres Ele os retratava como orates da venerável igreja que mantinham casa de cerveja e que visitavam os fiéis apenas para recolher dinheiro mostrando sua hipocrisia e desvio moral A preguiça um vício menos associado à gula mas igualmente prejudicial era simbolizada pela expressão ALIMENTOS NA POESIA que com fome êstes se abrasem que tanto mal ocasiona sendo a preguiça potrona Na festa do entrudo Gregório destacava a falta de controle financeiro dos colonos que gastavam grandes quantias de dinheiro para se alimentar e divertir mesmo estando em situação econômica difícil Ele ironizava os que sem ter um par de vinténs desperdiçavam o pouco que tinham em bolos e bolinholos ALIMENTOS NA POESIA sem ter um par de vintens que padecendo vaivens gastem tudo como tolos e em bolos e bolinholos despejem sua algibeira Boa asneira ENTRUDO Precursor do carnaval no Brasil e refletia os festejos trazidos pelos colonizadores portugueses Eram apenas os dias de praticar excessos comemorar e beber antes da Quaresma Avareza Comer mal mesmo sendo rico como só azeitonas e chicória Inveja Consumirse de inveja como quem não quer comer o que é dos outros Vaidade Gastar muito com roupas mas comer pouco ou mal Luxúria no clero Padres e frades que mantinham casas de cerveja ou visitavam fiéis só para pedir dinheiro Preguiça Usada como metáfora para fome e inatividade ALIMENTOS NA POESIA É a vaidade Fábio nesta vida Rosa que da manhã lisonjeada Púrpuras mil com ambição dourada Airosa rompe arrasta presumida É planta que de abril favorecida Por mares de soberba desatada Florida galeota empavesada Sulca ufana navega destemida É nau enfim que em breve ligeireza DESENGANOS DA VIDA HUMANA METAFORICAMENTE Com a presunção de Fênix generosa Galhardias apresta alentos preza Mas ser planta ser rosa nau vistosa De que importa se aguarda sem defesa Penha a nau ferro a planta tarde a rosa DESENGANOS DA VIDA HUMANA METAFORICAMENTE Todas as formas de vaidade rosa planta nau têm o mesmo destino nau destruída por uma penha rocha planta cortada pelo ferro rosa murcha com o fim da tarde A vós correndo vou braços sagrados Nessa cruz sacrossanta descobertos Que para receberme estais abertos E por não castigarme estais cravados A vós divinos olhos eclipsados De tanto sangue e lágrimas abertos Pois para perdoarme estais despertos E por não condenarme estais fechados BUSCANDO A CRISTO A vós pregados pés por não deixarme A vós sangue vertido para ungirme A vós cabeça baixa pra chamarme A vós lado patente quero unirme A vós cravos preciosos quero atarme Para ficar unido atado e firme BUSCANDO A CRISTO Que vai pela cleresia Simonia E pelos membros da IgrejaInveja Cuidei que mais se lhe punhaUnha Sazonada caramunha Enfim que na Santa Sé O que mais se pratica é Simonia inveja unha E nos frades há manqueirasFreiras Em que ocupam os serõesSermões JUÍZO ANATÔMICO DA BAHIA Não se ocupam em disputas Putas Com palavras dissolutas Me concluís na verdade Que as lidas todas de um Frade São freiras sermões e putas JUÍZO ANATÔMICO DA BAHIA BOSI Alfredo História concisa da literatura brasileira 2 ed São Paulo Cultrix 2010 COUTINHO Afrânio Do Barroco Rio de Janeiro Editora UFRJ Tempo Brasileiro 1994 NEVES Erivaldo Fagundes O Barroco Substrato Cultural da Colonização Politeia História e Sociedade S l v 7 n 1 2010 Disponível em httpperiodicos2uesbbrpoliteiaarticleview3878 Acesso em 22 jul 2025 MERQUIOR José Guilherme O Barroco primeiro estilo da cultura ocidental moderna In De Anchieta a Euclides Breve história da literatura brasileira I Rio de Janeiro José Olympio 1977 p 10 16 httpsptscribdcomdocument551749118DeAnchietaaEuclidesBreveHistoriaDa JoseGuilhermeMerquior PAPAVERO Claude G Ingredientes de uma identidade colonial os alimentos na poesia de Gregório de Matos 2007 467 f Dissertação Doutorado em Antropologia Social Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo São Paulo 2007 Disponível em httpswwwtesesuspbrtesesdisponiveis88134tde19032008 103724publicoTESECLAUDEGUYPAPAVEROpdfutmsourcechatgptcom REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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BARROCO Universidade Federal do Espírito Santo UFES Centro de Ciências Humanas e Naturais CCHN Departamento de Letras e Línguas DLL Literatura Brasileira I Sophia Souza Schmidt UFES O Barroco foi um movimento estético muito rico e complexo que não é fácil de definir com precisão no tempo e no espaço Ele surgiu na Europa em um período de grandes mudanças religiosas políticas sociais e intelectuais Um dos seus principais berços foi a Itália onde o Barroco rompeu com a harmonia e a simetria do Renascimento CONTEXTO GERAL Teatralidade e exagero na expressão Detalhes exuberantes Contrastes marcantes entre luz e sombra Emoção intensa nas obras De um lado estava a Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero em 1517 que questionava a autoridade da Igreja Católica Do outro a Contrarreforma que foi a reação da própria Igreja após o Concílio de Trento 15451563 para reafirmar sua fé e seu poder Nesse contexto a arte barroca foi usada como uma ferramenta para conquistar fiéis transmitindo mensagens religiosas de forma grandiosa e impactante CONTEXTO HISTÓRICO E RELIGIOSO O Barroco chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses e teve seu auge entre os séculos XVII e XVIII principalmente em Minas Gerais por conta da descoberta do ouro Diferente da Europa aqui o Barroco se misturou com elementos indígenas e africanos A religiosidade católica imposta pelos jesuítas moldou a cultura colonial por meio de práticas de catequese peças de teatro música e dança BARROCO NO BRASIL Espírito contraditório do próprio movimento fé e dúvida ordem e excesso rigidez e movimento eternidade e passagem do tempo BARROCO NO BRASIL Gregório de Matos Guerra 16361696 apelidado de Boca do Inferno nasceu em Salvador estudou em Coimbra onde se formou em Direito Canônico e Civil Viveu muitos anos em Portugal e só voltou para a Bahia já perto dos 50 anos após perdas pessoais e profissionais como a morte da esposa e o afastamento prolongado de sua terra natal GREGÓRIO DE MATOS De volta à Bahia intensificou sua poesia satírica atacando autoridades políticas religiosas e sociais As críticas foram tão duras que ele acabou deportado para Angola onde passou seus últimos anos GREGÓRIO DE MATOS Sua obra se divide em três vertentes principais poemas líricos ou amorosos poemas sacros e poemas satíricos Gregório usava muitas metáforas com comida e hábitos alimentares para criticar a sociedade Para o público do século XVII certos alimentos ou formas de comer tinham significados sociais e religiosos claros posição social pureza de sangue vícios morais ALIMENTOS NA POESIA Para Gregório a comida não era só cenário era um símbolo poderoso da vida social das hierarquias e das contradições da Salvador colonial Com ela construía um espelho moral que refletia a gula a avareza a luxúria a preguiça e a vaidade vícios que segundo ele ameaçavam a boa ordem da colônia ALIMENTOS NA POESIA Gregório também critica a vaidade e arrogância presentes em várias camadas da população colonial Ele ironizava os nobres e fidalgos que mesmo gastando dinheiro em roupas caras e luxuosas mantinham à noite refeições simples e parcimoniosas como azeitonas e chicória o que revelava uma incoerência entre a aparência e a realidade ALIMENTOS NA POESIA Que alguns tanto por seu mal vistam por não ser comuns de altos e ricos tissuns destruindo o cabedal que com porfia fatal se mostram nisso empenhados sendo à noite os seus guisados azeitonas e chicória Boa história Além disso também denunciou a luxúria e à preguiça de muitos frades e padres Ele os retratava como orates da venerável igreja que mantinham casa de cerveja e que visitavam os fiéis apenas para recolher dinheiro mostrando sua hipocrisia e desvio moral A preguiça um vício menos associado à gula mas igualmente prejudicial era simbolizada pela expressão ALIMENTOS NA POESIA que com fome êstes se abrasem que tanto mal ocasiona sendo a preguiça potrona Na festa do entrudo Gregório destacava a falta de controle financeiro dos colonos que gastavam grandes quantias de dinheiro para se alimentar e divertir mesmo estando em situação econômica difícil Ele ironizava os que sem ter um par de vinténs desperdiçavam o pouco que tinham em bolos e bolinholos ALIMENTOS NA POESIA sem ter um par de vintens que padecendo vaivens gastem tudo como tolos e em bolos e bolinholos despejem sua algibeira Boa asneira ENTRUDO Precursor do carnaval no Brasil e refletia os festejos trazidos pelos colonizadores portugueses Eram apenas os dias de praticar excessos comemorar e beber antes da Quaresma Avareza Comer mal mesmo sendo rico como só azeitonas e chicória Inveja Consumirse de inveja como quem não quer comer o que é dos outros Vaidade Gastar muito com roupas mas comer pouco ou mal Luxúria no clero Padres e frades que mantinham casas de cerveja ou visitavam fiéis só para pedir dinheiro Preguiça Usada como metáfora para fome e inatividade ALIMENTOS NA POESIA É a vaidade Fábio nesta vida Rosa que da manhã lisonjeada Púrpuras mil com ambição dourada Airosa rompe arrasta presumida É planta que de abril favorecida Por mares de soberba desatada Florida galeota empavesada Sulca ufana navega destemida É nau enfim que em breve ligeireza DESENGANOS DA VIDA HUMANA METAFORICAMENTE Com a presunção de Fênix generosa Galhardias apresta alentos preza Mas ser planta ser rosa nau vistosa De que importa se aguarda sem defesa Penha a nau ferro a planta tarde a rosa DESENGANOS DA VIDA HUMANA METAFORICAMENTE Todas as formas de vaidade rosa planta nau têm o mesmo destino nau destruída por uma penha rocha planta cortada pelo ferro rosa murcha com o fim da tarde A vós correndo vou braços sagrados Nessa cruz sacrossanta descobertos Que para receberme estais abertos E por não castigarme estais cravados A vós divinos olhos eclipsados De tanto sangue e lágrimas abertos Pois para perdoarme estais despertos E por não condenarme estais fechados BUSCANDO A CRISTO A vós pregados pés por não deixarme A vós sangue vertido para ungirme A vós cabeça baixa pra chamarme A vós lado patente quero unirme A vós cravos preciosos quero atarme Para ficar unido atado e firme BUSCANDO A CRISTO Que vai pela cleresia Simonia E pelos membros da IgrejaInveja Cuidei que mais se lhe punhaUnha Sazonada caramunha Enfim que na Santa Sé O que mais se pratica é Simonia inveja unha E nos frades há manqueirasFreiras Em que ocupam os serõesSermões JUÍZO ANATÔMICO DA BAHIA Não se ocupam em disputas Putas Com palavras dissolutas Me concluís na verdade Que as lidas todas de um Frade São freiras sermões e putas JUÍZO ANATÔMICO DA BAHIA BOSI Alfredo História concisa da literatura brasileira 2 ed São Paulo Cultrix 2010 COUTINHO Afrânio Do Barroco Rio de Janeiro Editora UFRJ Tempo Brasileiro 1994 NEVES Erivaldo Fagundes O Barroco Substrato Cultural da Colonização Politeia História e Sociedade S l v 7 n 1 2010 Disponível em httpperiodicos2uesbbrpoliteiaarticleview3878 Acesso em 22 jul 2025 MERQUIOR José Guilherme O Barroco primeiro estilo da cultura ocidental moderna In De Anchieta a Euclides Breve história da literatura brasileira I Rio de Janeiro José Olympio 1977 p 10 16 httpsptscribdcomdocument551749118DeAnchietaaEuclidesBreveHistoriaDa JoseGuilhermeMerquior PAPAVERO Claude G Ingredientes de uma identidade colonial os alimentos na poesia de Gregório de Matos 2007 467 f Dissertação Doutorado em Antropologia Social Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo São Paulo 2007 Disponível em httpswwwtesesuspbrtesesdisponiveis88134tde19032008 103724publicoTESECLAUDEGUYPAPAVEROpdfutmsourcechatgptcom REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS