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6 1 RESULTADOS E DISCUSSÃO 11 DELIMITAÇÃO DAS ÁREAS DE CAMPINARANAS O mapeamento das áreas de campinaranas realizado por meio de classificação supervisionada utilizando o algoritmo Random Forest e imagens Landsat dos anos de 1985 e 2024 revelou uma redução drástica na extensão deste ecossistema na região estudada Em 1985 as campinaranas ocupavam uma área total de 9255653 hectares nos municípios de Cruzeiro do Sul Mâncio Lima AC Atalaia do Norte e Guajará AM Contudo em 2024 esta área foi reduzida para apenas 2862884 hectares representando uma perda alarmante de 6392769 hectares o que corresponde a 6907 da área original em aproximadamente quatro décadas 39 anos Essa diminuição é visualmente representada na Figura 4 que ilustra a distribuição espacial das campinaranas nos dois períodos Figura 4 Distribuição espacial das campinaras em 1985 e 2024 Fonte Elaborado pelo autor 12 ANÁLISE TEMPORAL NAS ÁREAS DE CAMPINARANAS 19852024 7 A análise temporal das áreas de campinaranas através do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada NDVI foi realizada para avaliar possíveis alterações na estrutura da vegetação entre 1985 e 2024 Para esta análise foi criada uma malha de amostragem com 17123 quadrículas de 100x100m abrangendo apenas as áreas coincidentes de campinaranas nos dois períodos garantindo assim a comparabilidade dos dados Para verificar se os dados de NDVI seguiam uma distribuição normal foi aplicado o teste de AndersonDarling que resultou em A 8309 para 1985 e A 4115 para 2024 com valores de p muito baixos P 2048E56 para 1985 e P 0 para 2024 Estes resultados indicam que os dados não seguem uma distribuição normal o que direcionou a escolha de testes não paramétricos para a comparação entre os períodos O teste de Wilcoxon para amostras pareadas foi então aplicado resultando em W 14656E08 z 11325 e p 0001 Este resultado confirma estatisticamente que existe uma diferença significativa nos valores de NDVI entre os dois períodos analisados A análise estatística descritiva dos valores de NDVI mostrou um aumento na média deste índice que passou de 078 em 1985 para 084 em 2024 A mediana apresentou comportamento similar passando de 078 para 084 no mesmo período conforme na Tabela 1 TABELA 1 Estatística do NDVI de 1985 e 2024 Ano Média Mediana Mínimo Máximo 1985 078 078 067 083 2024 084 085 068 089 Fonte Elaborado peloa autora Figura 6 Variação do NDVI das campinaras em 1985 e 2024 8 Fonte Elaborado pelo autor 13 MUDANÇAS NO USO E OCUPAÇÃO DA TERRA A análise da evolução das classes de uso e ocupação da terra na área de estudo entre 1985 e 2023 revela transformações significativas na paisagem conforme a Tabela 2 a 4 A classe de Formação Florestal que em 1985 ocupava 37659813 hectares 9163 da área total foi reduzida para 34472162 hectares 8388 em 2023 representando uma perda de 3187651 hectares 846 da área original A classe de Pastagem apresentou o aumento mais expressivo passando de 4603202 hectares 112 em 1985 para 36618786 hectares 891 em 2023 um crescimento de 69551 Este aumento está diretamente relacionado à redução das áreas de campinaranas e de formação florestal indicando a conversão destes ecossistemas naturais para uso agropecuário Outras classes que apresentaram aumento incluem Área Urbanizada que passou de 65160 hectares 002 para 84510 hectares 002 e a classe de Outras Áreas não Vegetadas que não estava presente em 1985 e ocupava 98910 hectares 002 em 2023 A classe de Floresta Alagável apresentou uma redução menor passando de 29163712 hectares 710 para 28926045 hectares 704 TABELA 2 Dinâmica de uso e cobertura da terra 19851995 Fonte Elaborado peloa autora TABELA 3 Dinâmica de uso e cobertura da terra 20002010 Classes 2000 ha 2000 2005 ha 2005 2010 ha 2010 Formação Florestal 36389762 8854 35916106 8739 35712666 8690 Floresta Alagável 2902925 706 2915447 709 2918738 710 Campo Alagado e Área Pantanosa 1901 000 1883 000 2027 000 Classes 1985 ha 1985 1990 ha 1990 1995 ha 1995 Formação Florestal 37659813 9163 37188312 9049 36760881 8945 Floresta Alagável 2916371 710 2903888 707 2901126 706 Campo Alagado e Área Pantanosa 1820 000 1793 000 1613 000 Formação Campestre 8958 002 6588 002 5526 001 Pastagem 460320 112 930976 227 1361583 331 Área Urbanizada 6516 002 8253 002 8325 002 Outras Áreas Não Vegetadas Rio Lago e Oceano 44125 011 58113 014 58870 014 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 10000 9 Formação Campestre 3798 001 4282 001 4105 001 Pastagem 1741025 424 2213405 539 2417045 588 Área Urbanizada 8397 002 8397 002 8415 002 Outras Áreas Não Vegetadas Rio Lago e Oceano 50115 012 38403 009 34928 008 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 10000 Fonte Elaborado peloa autora TABELA 4 Dinâmica de uso e cobertura da terra 20152023 Fonte Elaborado peloa autora 14 FRAGMENTAÇÃO DA PAISAGEM E MÉTRICAS ESPACIAIS A avaliação da fragmentação da paisagem por meio de métricas foi realizada para compreender como as mudanças no uso e ocupação da terra afetaram a estrutura espacial das campinaranas As métricas de paisagem foram calculadas para os anos de 1985 e 2023 permitindo uma análise comparativa da fragmentação ao longo do tempo Em 1985 as campinaranas apresentavam uma estrutura espacial caracterizada por manchas maiores e mais conectadas conforme a Tabela 5 O número total de fragmentos era de 1018 com uma distância média entre fragmentos de 966 metros Em 2024 observouse um aumento significativo na fragmentação O número de fragmentos aumentou para 1371 enquanto a distância média entre fragmentos cresceu para 1052 metros representando um aumento de aproximadamente 89 Esses dados indicam um processo contínuo de fragmentação ao longo das décadas analisadas TABELA 5 Número de fragmentos e distância euclidiana média entre fragmentos 19852023 Ano Número de fragmentos distância euclidiana m 1985 10180 966 1990 10360 964 Classes de Cobertura 2015 ha 2015 2020 ha 2020 2023 ha 2023 Formação Florestal 35569367 8655 35050478 8529 34472162 8388 Floresta Alagável 2910774 708 2901709 706 2892604 704 Campo Alagado e Área Pantanosa 2827 001 2232 001 3483 001 Formação Campestre 5239 001 5778 001 6435 002 Pastagem 2559705 623 3086265 751 3661879 891 Área Urbanizada 8424 002 8442 002 8451 002 Outras Áreas não Vegetadas 054 000 9891 002 Rio Lago e Oceano 41589 010 42966 010 43018 010 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 10000 10 1995 10870 989 2000 11150 1018 2005 11610 1033 2010 11970 1044 2015 12580 1048 2020 12960 1047 2023 13710 1052 6 1 RESULTADOS E DISCUSSÃO 11 DELIMITAÇÃO DAS ÁREAS DE CAMPINARANAS O mapeamento das áreas de campinaranas realizado por meio de classificação supervisionada utilizando o algoritmo Random Forest e imagens Landsat dos anos de 1985 e 2024 revelou uma redução drástica na extensão deste ecossistema na região estudada Em 1985 as campinaranas ocupavam uma área total de 9255653 hectares nos municípios de Cruzeiro do Sul Mâncio Lima AC Atalaia do Norte e Guajará AM Contudo em 2024 esta área foi reduzida para apenas 2862884 hectares representando uma perda alarmante de 6392769 hectares o que corresponde a 6907 da área original em aproximadamente quatro décadas 39 anos Essa diminuição é visualmente representada na Figura 4 que ilustra a distribuição espacial das campinaranas nos dois períodos A redução observada pode estar relacionada ao avanço de atividades agropecuárias e à expansão da infraestrutura em áreas de floresta nativa As campinaranas por sua fragilidade ecológica e baixa produtividade agrícola natural acabam sendo alvos preferenciais de substituição por usos mais intensivos Além da perda de área esse tipo de substituição compromete os serviços ecossistêmicos que essas formações prestam como regulação hídrica e habitat de espécies endêmicas Figura 4 Distribuição espacial das campinaras em 1985 e 2024 7 Fonte Elaborado pelo autor 12 ANÁLISE TEMPORAL NAS ÁREAS DE CAMPINARANAS 19852024 A análise temporal das áreas de campinaranas através do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada NDVI foi realizada para avaliar possíveis alterações na estrutura da vegetação entre 1985 e 2024 Apesar do aumento dos valores médios e medianos de NDVI é importante considerar que isso não necessariamente reflete uma melhoria na qualidade ecológica da vegetação Pode indicar por exemplo a presença de vegetação secundária mais densa ou mesmo cobertura de pastagem com boa resposta espectral Sem a análise qualitativa da vegetação presente os valores mais altos de NDVI devem ser interpretados com cautelaPara esta análise foi criada uma malha de amostragem com 17123 quadrículas de 100x100m abrangendo apenas as áreas coincidentes de campinaranas nos dois períodos garantindo assim a comparabilidade dos dados Para verificar se os dados de NDVI seguiam uma distribuição normal foi aplicado o teste de AndersonDarling que resultou em A 8309 para 1985 e A 4115 para 2024 com valores de p muito baixos P 2048E56 para 1985 e P 0 para 2024 Estes resultados indicam que os dados não seguem uma distribuição normal o que direcionou a escolha de testes não paramétricos para a comparação entre os períodos O teste de Wilcoxon para amostras pareadas foi então aplicado resultando em W 14656E08 z 11325 e p 0001 Este resultado confirma estatisticamente que existe uma diferença significativa nos valores de NDVI entre os dois períodos analisados A análise estatística descritiva dos valores de NDVI mostrou um aumento na média deste índice que passou de 078 em 1985 para 084 em 2024 A mediana apresentou comportamento similar passando de 078 para 084 no mesmo período conforme na Tabela 1 TABELA 1 Estatística do NDVI de 1985 e 2024 Ano Média Mediana Mínimo Máximo 1985 07 8 07 8 067 0 83 2024 08 4 08 5 068 0 89 Fonte Elaborado peloa autora Figura 6 Variação do NDVI das campinaras em 1985 e 2024 8 Fonte Elaborado pelo autor 13 MUDANÇAS NO USO E OCUPAÇÃO DA TERRA A análise da evolução das classes de uso e ocupação da terra na área de estudo entre 1985 e 2023 revela transformações significativas na paisagem conforme a Tabela 2 a 4 A classe de Formação Florestal que em 1985 ocupava 37659813 hectares 9163 da área total foi reduzida para 34472162 hectares 8388 em 2023 representando uma perda de 3187651 hectares 846 da área original A classe de Pastagem apresentou o aumento mais expressivo passando de 4603202 hectares 112 em 1985 para 36618786 hectares 891 em 2023 um crescimento de 69551 Este aumento está diretamente relacionado à redução das áreas de campinaranas e de formação florestal indicando a conversão destes ecossistemas naturais para uso agropecuário Esse padrão segue uma tendência já registrada em outros estudos realizados na Amazônia Ocidental onde a pressão por áreas produtivas tem levado à conversão direta de vegetações nativas sobretudo em zonas de transição ecológica As campinaranas por ocuparem áreas de solos arenosos e planos são particularmente vulneráveis à substituição por pastagens e culturas agrícolas Outras classes que apresentaram aumento incluem Área Urbanizada que passou de 65160 hectares 002 para 84510 hectares 002 e a classe de Outras Áreas não Vegetadas que não estava presente em 1985 e ocupava 98910 hectares 002 em 2023 A 9 classe de Floresta Alagável apresentou uma redução menor passando de 29163712 hectares 710 para 28926045 hectares 704 TABELA 2 Dinâmica de uso e cobertura da terra 19851995 Classes 1985 ha 1985 1990 ha 1990 1995 ha 1995 Formação Florestal 37659813 9163 37188312 9049 36760881 8945 Floresta Alagável 2916371 710 2903888 707 2901126 706 Campo Alagado e Área Pantanosa 1820 000 1793 000 1613 000 Formação Campestre 8958 002 6588 002 5526 001 Pastagem 460320 112 930976 227 1361583 331 Área Urbanizada 6516 002 8253 002 8325 002 Outras Áreas Não Vegetadas Rio Lago e Oceano 44125 011 58113 014 58870 014 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 10000 Fonte Elaborado peloa autora TABELA 3 Dinâmica de uso e cobertura da terra 20002010 Classes 2000 ha 2000 2005 ha 2005 2010 ha Formação Florestal 36389762 35916106 873 9 35712666 Floresta Alagável 2902925 706 2915447 70 9 2918738 7 10 Campo Alagado e Área Pantanosa 1901 000 1883 00 0 2027 0 00 Formação Campestre 3798 001 4282 001 4105 001 Pastagem 1741025 424 2213405 539 2417045 588 Área Urbanizada 8397 002 8397 002 8415 002 Outras Áreas Não Vegetadas Rio Lago e Oceano 50115 012 38403 009 34928 008 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 100 00 Fonte Elaborado peloa autora TABELA 4 Dinâmica de uso e cobertura da terra 20152023 Classes de Cobertura 2015 ha 2015 2020 ha 2020 2023 ha 2023 Formação Florestal 35569367 8655 35050478 8529 34472162 8388 Floresta Alagável 2910774 708 2901709 706 2892604 704 Campo Alagado e Área Pantanosa 2827 001 2232 001 3483 001 Formação Campestre 5239 001 5778 001 6435 002 Pastagem 2559705 623 3086265 751 3661879 891 Área Urbanizada 8424 002 8442 002 8451 002 Outras Áreas não Vegetadas 054 000 9891 002 10 Rio Lago e Oceano 41589 010 42966 010 43018 010 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 10000 Fonte Elaborado peloa autora 14 FRAGMENTAÇÃO DA PAISAGEM E MÉTRICAS ESPACIAIS A avaliação da fragmentação da paisagem por meio de métricas foi realizada para compreender como as mudanças no uso e ocupação da terra afetaram a estrutura espacial das campinaranas As métricas de paisagem foram calculadas para os anos de 1985 e 2023 permitindo uma análise comparativa da fragmentação ao longo do tempo Em 1985 as campinaranas apresentavam uma estrutura espacial caracterizada por manchas maiores e mais conectadas conforme a Tabela 5 O número total de fragmentos era de 1018 com uma distância média entre fragmentos de 966 metros Em 2024 observouse um aumento significativo na fragmentação O número de fragmentos aumentou para 1371 enquanto a distância média entre fragmentos cresceu para 1052 metros representando um aumento de aproximadamente 89 Esses dados indicam um processo contínuo de fragmentação ao longo das décadas analisadas A maior fragmentação identificada em 2023 revela um cenário preocupante em relação à conectividade ecológica A perda de continuidade entre manchas dificulta o fluxo gênico de espécies vegetais e a movimentação da fauna o que pode comprometer a resiliência dos ecossistemas remanescentes Esse padrão fragmentado também tende a aumentar o efeito de borda elevando a vulnerabilidade das espécies às mudanças microclimáticas e à ação antrópica TABELA 5 Número de fragmentos e distância euclidiana média entre fragmentos 19852023 Ano Número de fragmentos distância euclidiana m 1985 1018 0 966 1990 1036 0 964 1995 10870 98 9 2000 11150 101 8 2005 11610 103 3 2010 11970 104 4 2015 12580 104 8 2020 12960 104 7 2023 13710 105 2 11
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6 1 RESULTADOS E DISCUSSÃO 11 DELIMITAÇÃO DAS ÁREAS DE CAMPINARANAS O mapeamento das áreas de campinaranas realizado por meio de classificação supervisionada utilizando o algoritmo Random Forest e imagens Landsat dos anos de 1985 e 2024 revelou uma redução drástica na extensão deste ecossistema na região estudada Em 1985 as campinaranas ocupavam uma área total de 9255653 hectares nos municípios de Cruzeiro do Sul Mâncio Lima AC Atalaia do Norte e Guajará AM Contudo em 2024 esta área foi reduzida para apenas 2862884 hectares representando uma perda alarmante de 6392769 hectares o que corresponde a 6907 da área original em aproximadamente quatro décadas 39 anos Essa diminuição é visualmente representada na Figura 4 que ilustra a distribuição espacial das campinaranas nos dois períodos Figura 4 Distribuição espacial das campinaras em 1985 e 2024 Fonte Elaborado pelo autor 12 ANÁLISE TEMPORAL NAS ÁREAS DE CAMPINARANAS 19852024 7 A análise temporal das áreas de campinaranas através do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada NDVI foi realizada para avaliar possíveis alterações na estrutura da vegetação entre 1985 e 2024 Para esta análise foi criada uma malha de amostragem com 17123 quadrículas de 100x100m abrangendo apenas as áreas coincidentes de campinaranas nos dois períodos garantindo assim a comparabilidade dos dados Para verificar se os dados de NDVI seguiam uma distribuição normal foi aplicado o teste de AndersonDarling que resultou em A 8309 para 1985 e A 4115 para 2024 com valores de p muito baixos P 2048E56 para 1985 e P 0 para 2024 Estes resultados indicam que os dados não seguem uma distribuição normal o que direcionou a escolha de testes não paramétricos para a comparação entre os períodos O teste de Wilcoxon para amostras pareadas foi então aplicado resultando em W 14656E08 z 11325 e p 0001 Este resultado confirma estatisticamente que existe uma diferença significativa nos valores de NDVI entre os dois períodos analisados A análise estatística descritiva dos valores de NDVI mostrou um aumento na média deste índice que passou de 078 em 1985 para 084 em 2024 A mediana apresentou comportamento similar passando de 078 para 084 no mesmo período conforme na Tabela 1 TABELA 1 Estatística do NDVI de 1985 e 2024 Ano Média Mediana Mínimo Máximo 1985 078 078 067 083 2024 084 085 068 089 Fonte Elaborado peloa autora Figura 6 Variação do NDVI das campinaras em 1985 e 2024 8 Fonte Elaborado pelo autor 13 MUDANÇAS NO USO E OCUPAÇÃO DA TERRA A análise da evolução das classes de uso e ocupação da terra na área de estudo entre 1985 e 2023 revela transformações significativas na paisagem conforme a Tabela 2 a 4 A classe de Formação Florestal que em 1985 ocupava 37659813 hectares 9163 da área total foi reduzida para 34472162 hectares 8388 em 2023 representando uma perda de 3187651 hectares 846 da área original A classe de Pastagem apresentou o aumento mais expressivo passando de 4603202 hectares 112 em 1985 para 36618786 hectares 891 em 2023 um crescimento de 69551 Este aumento está diretamente relacionado à redução das áreas de campinaranas e de formação florestal indicando a conversão destes ecossistemas naturais para uso agropecuário Outras classes que apresentaram aumento incluem Área Urbanizada que passou de 65160 hectares 002 para 84510 hectares 002 e a classe de Outras Áreas não Vegetadas que não estava presente em 1985 e ocupava 98910 hectares 002 em 2023 A classe de Floresta Alagável apresentou uma redução menor passando de 29163712 hectares 710 para 28926045 hectares 704 TABELA 2 Dinâmica de uso e cobertura da terra 19851995 Fonte Elaborado peloa autora TABELA 3 Dinâmica de uso e cobertura da terra 20002010 Classes 2000 ha 2000 2005 ha 2005 2010 ha 2010 Formação Florestal 36389762 8854 35916106 8739 35712666 8690 Floresta Alagável 2902925 706 2915447 709 2918738 710 Campo Alagado e Área Pantanosa 1901 000 1883 000 2027 000 Classes 1985 ha 1985 1990 ha 1990 1995 ha 1995 Formação Florestal 37659813 9163 37188312 9049 36760881 8945 Floresta Alagável 2916371 710 2903888 707 2901126 706 Campo Alagado e Área Pantanosa 1820 000 1793 000 1613 000 Formação Campestre 8958 002 6588 002 5526 001 Pastagem 460320 112 930976 227 1361583 331 Área Urbanizada 6516 002 8253 002 8325 002 Outras Áreas Não Vegetadas Rio Lago e Oceano 44125 011 58113 014 58870 014 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 10000 9 Formação Campestre 3798 001 4282 001 4105 001 Pastagem 1741025 424 2213405 539 2417045 588 Área Urbanizada 8397 002 8397 002 8415 002 Outras Áreas Não Vegetadas Rio Lago e Oceano 50115 012 38403 009 34928 008 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 10000 Fonte Elaborado peloa autora TABELA 4 Dinâmica de uso e cobertura da terra 20152023 Fonte Elaborado peloa autora 14 FRAGMENTAÇÃO DA PAISAGEM E MÉTRICAS ESPACIAIS A avaliação da fragmentação da paisagem por meio de métricas foi realizada para compreender como as mudanças no uso e ocupação da terra afetaram a estrutura espacial das campinaranas As métricas de paisagem foram calculadas para os anos de 1985 e 2023 permitindo uma análise comparativa da fragmentação ao longo do tempo Em 1985 as campinaranas apresentavam uma estrutura espacial caracterizada por manchas maiores e mais conectadas conforme a Tabela 5 O número total de fragmentos era de 1018 com uma distância média entre fragmentos de 966 metros Em 2024 observouse um aumento significativo na fragmentação O número de fragmentos aumentou para 1371 enquanto a distância média entre fragmentos cresceu para 1052 metros representando um aumento de aproximadamente 89 Esses dados indicam um processo contínuo de fragmentação ao longo das décadas analisadas TABELA 5 Número de fragmentos e distância euclidiana média entre fragmentos 19852023 Ano Número de fragmentos distância euclidiana m 1985 10180 966 1990 10360 964 Classes de Cobertura 2015 ha 2015 2020 ha 2020 2023 ha 2023 Formação Florestal 35569367 8655 35050478 8529 34472162 8388 Floresta Alagável 2910774 708 2901709 706 2892604 704 Campo Alagado e Área Pantanosa 2827 001 2232 001 3483 001 Formação Campestre 5239 001 5778 001 6435 002 Pastagem 2559705 623 3086265 751 3661879 891 Área Urbanizada 8424 002 8442 002 8451 002 Outras Áreas não Vegetadas 054 000 9891 002 Rio Lago e Oceano 41589 010 42966 010 43018 010 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 10000 10 1995 10870 989 2000 11150 1018 2005 11610 1033 2010 11970 1044 2015 12580 1048 2020 12960 1047 2023 13710 1052 6 1 RESULTADOS E DISCUSSÃO 11 DELIMITAÇÃO DAS ÁREAS DE CAMPINARANAS O mapeamento das áreas de campinaranas realizado por meio de classificação supervisionada utilizando o algoritmo Random Forest e imagens Landsat dos anos de 1985 e 2024 revelou uma redução drástica na extensão deste ecossistema na região estudada Em 1985 as campinaranas ocupavam uma área total de 9255653 hectares nos municípios de Cruzeiro do Sul Mâncio Lima AC Atalaia do Norte e Guajará AM Contudo em 2024 esta área foi reduzida para apenas 2862884 hectares representando uma perda alarmante de 6392769 hectares o que corresponde a 6907 da área original em aproximadamente quatro décadas 39 anos Essa diminuição é visualmente representada na Figura 4 que ilustra a distribuição espacial das campinaranas nos dois períodos A redução observada pode estar relacionada ao avanço de atividades agropecuárias e à expansão da infraestrutura em áreas de floresta nativa As campinaranas por sua fragilidade ecológica e baixa produtividade agrícola natural acabam sendo alvos preferenciais de substituição por usos mais intensivos Além da perda de área esse tipo de substituição compromete os serviços ecossistêmicos que essas formações prestam como regulação hídrica e habitat de espécies endêmicas Figura 4 Distribuição espacial das campinaras em 1985 e 2024 7 Fonte Elaborado pelo autor 12 ANÁLISE TEMPORAL NAS ÁREAS DE CAMPINARANAS 19852024 A análise temporal das áreas de campinaranas através do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada NDVI foi realizada para avaliar possíveis alterações na estrutura da vegetação entre 1985 e 2024 Apesar do aumento dos valores médios e medianos de NDVI é importante considerar que isso não necessariamente reflete uma melhoria na qualidade ecológica da vegetação Pode indicar por exemplo a presença de vegetação secundária mais densa ou mesmo cobertura de pastagem com boa resposta espectral Sem a análise qualitativa da vegetação presente os valores mais altos de NDVI devem ser interpretados com cautelaPara esta análise foi criada uma malha de amostragem com 17123 quadrículas de 100x100m abrangendo apenas as áreas coincidentes de campinaranas nos dois períodos garantindo assim a comparabilidade dos dados Para verificar se os dados de NDVI seguiam uma distribuição normal foi aplicado o teste de AndersonDarling que resultou em A 8309 para 1985 e A 4115 para 2024 com valores de p muito baixos P 2048E56 para 1985 e P 0 para 2024 Estes resultados indicam que os dados não seguem uma distribuição normal o que direcionou a escolha de testes não paramétricos para a comparação entre os períodos O teste de Wilcoxon para amostras pareadas foi então aplicado resultando em W 14656E08 z 11325 e p 0001 Este resultado confirma estatisticamente que existe uma diferença significativa nos valores de NDVI entre os dois períodos analisados A análise estatística descritiva dos valores de NDVI mostrou um aumento na média deste índice que passou de 078 em 1985 para 084 em 2024 A mediana apresentou comportamento similar passando de 078 para 084 no mesmo período conforme na Tabela 1 TABELA 1 Estatística do NDVI de 1985 e 2024 Ano Média Mediana Mínimo Máximo 1985 07 8 07 8 067 0 83 2024 08 4 08 5 068 0 89 Fonte Elaborado peloa autora Figura 6 Variação do NDVI das campinaras em 1985 e 2024 8 Fonte Elaborado pelo autor 13 MUDANÇAS NO USO E OCUPAÇÃO DA TERRA A análise da evolução das classes de uso e ocupação da terra na área de estudo entre 1985 e 2023 revela transformações significativas na paisagem conforme a Tabela 2 a 4 A classe de Formação Florestal que em 1985 ocupava 37659813 hectares 9163 da área total foi reduzida para 34472162 hectares 8388 em 2023 representando uma perda de 3187651 hectares 846 da área original A classe de Pastagem apresentou o aumento mais expressivo passando de 4603202 hectares 112 em 1985 para 36618786 hectares 891 em 2023 um crescimento de 69551 Este aumento está diretamente relacionado à redução das áreas de campinaranas e de formação florestal indicando a conversão destes ecossistemas naturais para uso agropecuário Esse padrão segue uma tendência já registrada em outros estudos realizados na Amazônia Ocidental onde a pressão por áreas produtivas tem levado à conversão direta de vegetações nativas sobretudo em zonas de transição ecológica As campinaranas por ocuparem áreas de solos arenosos e planos são particularmente vulneráveis à substituição por pastagens e culturas agrícolas Outras classes que apresentaram aumento incluem Área Urbanizada que passou de 65160 hectares 002 para 84510 hectares 002 e a classe de Outras Áreas não Vegetadas que não estava presente em 1985 e ocupava 98910 hectares 002 em 2023 A 9 classe de Floresta Alagável apresentou uma redução menor passando de 29163712 hectares 710 para 28926045 hectares 704 TABELA 2 Dinâmica de uso e cobertura da terra 19851995 Classes 1985 ha 1985 1990 ha 1990 1995 ha 1995 Formação Florestal 37659813 9163 37188312 9049 36760881 8945 Floresta Alagável 2916371 710 2903888 707 2901126 706 Campo Alagado e Área Pantanosa 1820 000 1793 000 1613 000 Formação Campestre 8958 002 6588 002 5526 001 Pastagem 460320 112 930976 227 1361583 331 Área Urbanizada 6516 002 8253 002 8325 002 Outras Áreas Não Vegetadas Rio Lago e Oceano 44125 011 58113 014 58870 014 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 10000 Fonte Elaborado peloa autora TABELA 3 Dinâmica de uso e cobertura da terra 20002010 Classes 2000 ha 2000 2005 ha 2005 2010 ha Formação Florestal 36389762 35916106 873 9 35712666 Floresta Alagável 2902925 706 2915447 70 9 2918738 7 10 Campo Alagado e Área Pantanosa 1901 000 1883 00 0 2027 0 00 Formação Campestre 3798 001 4282 001 4105 001 Pastagem 1741025 424 2213405 539 2417045 588 Área Urbanizada 8397 002 8397 002 8415 002 Outras Áreas Não Vegetadas Rio Lago e Oceano 50115 012 38403 009 34928 008 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 100 00 Fonte Elaborado peloa autora TABELA 4 Dinâmica de uso e cobertura da terra 20152023 Classes de Cobertura 2015 ha 2015 2020 ha 2020 2023 ha 2023 Formação Florestal 35569367 8655 35050478 8529 34472162 8388 Floresta Alagável 2910774 708 2901709 706 2892604 704 Campo Alagado e Área Pantanosa 2827 001 2232 001 3483 001 Formação Campestre 5239 001 5778 001 6435 002 Pastagem 2559705 623 3086265 751 3661879 891 Área Urbanizada 8424 002 8442 002 8451 002 Outras Áreas não Vegetadas 054 000 9891 002 10 Rio Lago e Oceano 41589 010 42966 010 43018 010 Total 41097924 10000 41097924 10000 41097924 10000 Fonte Elaborado peloa autora 14 FRAGMENTAÇÃO DA PAISAGEM E MÉTRICAS ESPACIAIS A avaliação da fragmentação da paisagem por meio de métricas foi realizada para compreender como as mudanças no uso e ocupação da terra afetaram a estrutura espacial das campinaranas As métricas de paisagem foram calculadas para os anos de 1985 e 2023 permitindo uma análise comparativa da fragmentação ao longo do tempo Em 1985 as campinaranas apresentavam uma estrutura espacial caracterizada por manchas maiores e mais conectadas conforme a Tabela 5 O número total de fragmentos era de 1018 com uma distância média entre fragmentos de 966 metros Em 2024 observouse um aumento significativo na fragmentação O número de fragmentos aumentou para 1371 enquanto a distância média entre fragmentos cresceu para 1052 metros representando um aumento de aproximadamente 89 Esses dados indicam um processo contínuo de fragmentação ao longo das décadas analisadas A maior fragmentação identificada em 2023 revela um cenário preocupante em relação à conectividade ecológica A perda de continuidade entre manchas dificulta o fluxo gênico de espécies vegetais e a movimentação da fauna o que pode comprometer a resiliência dos ecossistemas remanescentes Esse padrão fragmentado também tende a aumentar o efeito de borda elevando a vulnerabilidade das espécies às mudanças microclimáticas e à ação antrópica TABELA 5 Número de fragmentos e distância euclidiana média entre fragmentos 19852023 Ano Número de fragmentos distância euclidiana m 1985 1018 0 966 1990 1036 0 964 1995 10870 98 9 2000 11150 101 8 2005 11610 103 3 2010 11970 104 4 2015 12580 104 8 2020 12960 104 7 2023 13710 105 2 11