• Home
  • Chat IA
  • Recursos
  • Guru IA
  • Professores
Home
Recursos
Chat IA
Professores

·

Cursos Gerais ·

Linguística

Envie sua pergunta para a IA e receba a resposta na hora

Recomendado para você

Av1 Arte e Literatura

5

Av1 Arte e Literatura

Linguística

UMG

Prova de Libras 405332 Pdf

5

Prova de Libras 405332 Pdf

Linguística

UMG

Resposta Pfv

1

Resposta Pfv

Linguística

UMG

CDC-Direitos-do-Consumidor-Lei-8078-1990-Resumo-Informativo

11

CDC-Direitos-do-Consumidor-Lei-8078-1990-Resumo-Informativo

Linguística

UMG

Origens Culturais da Aquisição do Conhecimento Humano - Michael Tomasello - Resumo

175

Origens Culturais da Aquisição do Conhecimento Humano - Michael Tomasello - Resumo

Linguística

UMG

Desafio: Desenvolvimento de Sistema de Gerenciamento de Catálogo de Músicas

1

Desafio: Desenvolvimento de Sistema de Gerenciamento de Catálogo de Músicas

Linguística

UMG

Direito-do-Consumidor-Relacao-Empresas-e-Principios

8

Direito-do-Consumidor-Relacao-Empresas-e-Principios

Linguística

UMG

Avaliação da Disciplina de LIBRAS - 2021.2

4

Avaliação da Disciplina de LIBRAS - 2021.2

Linguística

UMG

Simulado Av História da Educação Letras

6

Simulado Av História da Educação Letras

Linguística

UMG

Simulado Av1 Didática Letras

7

Simulado Av1 Didática Letras

Linguística

UMG

Texto de pré-visualização

Para compreender SAUSSURE Castelar de Carvalho O trabalho tem inciativades didátieas e de docena po sso os cursos dos noscros cursos superior e graduado e Co azunstise A linguage em é clara concisa lógica erxhc a estendida do Curso de Lingu Ícstica Geral nas suas linhas essenciais continua vålida Es primeirez que em federal portuguesa se faz uma a oresentação sisteme e coerente dos andcaros e dos meos lógicaos e da linguística sausuriana Prof Sírio Elia Castelar de Carvalho Para compreender SAUSSURE Fundamentos e Visão Crítica 9a edição reformulada Petropolis 2000 EDITORA VOZES Gilmar Tomazite 3149131 94110747 In memoriam Prof Silvio Elia Gilmar Henrique 2000 Editora Vozes Ltda Rua Frei Luís 100 25689900 Petrópolis RJ Internet httpwwwvozescombr Brasil Todos os direitos reservados Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma eou qualquer meios eletrônico ou mecânico incluindo fotocópia e gravação ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora ISBN 8532617840 Este livro foi impresso pela Editora Vozes Ltda SUMÁRIO Apresentação 9 Advertência da 1ª edição 11 Advertência da 2ª edição 12 Advertência da 3ª edição 13 Advertência da 9ª edição 14 I A Linguística PréSaussuriana 15 II A Linguística Saussuriana 21 A Teoria do Signo Linguístico 26 LínguaFala 49 SincroniaDiacronia 70 Relações Sintagmáticas e Paradigmáticas 86 A Noção de Valor 103 III Repercussões das Idéias de Saussure 113 Apêndice A Glossemática 127 Louis Hjelmslev 18991965 145 Bibliografia 146 Índice 149 APRESENTAÇÃO Os estudos saussurianos continuam na ordem do dia Podese até dizer que o livro póstumo de 1916 o tão famoso Cours de Linguistique Générale com o correr do tempo renova a sua atualidade O surto do movimento estruturalista data por exemplo da década de 30 retardado senão interrompido pelo desencadearse da Segunda Grande Guerra e no entanto as suas bases teóricas já estavam solidamente fincadas com os ensinamentos do mestre genebrino Do Cours deveseá falar como de uma obra aberta tais as perspectivas que oferece a quem costuma relêlo com visão reflexiva Facilmente então se imagina que outros caminhos iriam surgir e que se poderiam aprofundar os antigos depois que às páginas lúcida e escrupulosamente redigidas por Bally e Sechehaye foram acrescentados novos materiais da lavra do próprio Saussure Tal o que se deu em 1957 quando Godel publicou as Sources Manuscrites du Cours de Linguistique Générale Não creio que se possa afirmar que se tenha iniciado então um processo revisionista da doutrina delineada no Cours mas sem dúvida os manuscritos contribuíram para aclarar certos aspectos do pensamento linguístico de Saussure insuficientemente ou obscuramente expostos nesse grande livro Também os Cahiers Ferdinand de Saussure têm trazido novos elementos para melhor compreensão da lingüística saussuriana como se deu com as Notas Inéditas publicadas pelo mesmo Godel ou com as cartas de Saussure a Meillet tornadas conhecidas por intervenção de Benveniste Em 1967 aparece em Bari a tradução italiana do Cours comentada por Tullio De Mauro Corso di Linguistica Generale há uma 3a edição revista de 1970 Esse livro uma análise clarividente da obra de Saussure tornouse indispensável Tanto na Introdução como nos Comentários Tullio De Mauro procura atingir a coerência profunda da doutrina exposta no Cours reflexo infelizmente de um pensamento que não chegou ao seu termo E fálo com mestria inteligência e lucidez Nessa linha de captação das reais e profundas idéias do mestre suíço fundamental é a edição crítica de Rudolf Engler 1968 onde se faz um confronto do texto do CLG com as notas de estudantes que lhe serviram de base Do mesmo Engler é o Lexique de la Terminologie Saussurienne 1968 Mas a vitalidade do pensamento saussuriano parece estar sempre renascendo Outros estudos têm aparecido multiplicamse as pesquisas e os ensaios de interpretação Em 1970 sai em Roma da lavra de R Simone uma Introduzione al 2º Corso di Linguistica Generale 19081909 E é de 1975 o livro de René Amacker discípulo de De Mauro intitulado singelamente Linguistique Saussurienne Tratase na verdade de uma tentativa de revisão do CLG com base exatamente no material recolhido após a publicação póstuma do Cours na qual se procura revelar Saussure como um teórico avançado cujos princípios epistemológicos estariam bastante próximos de certos postulados da ciência moderna particularmente no seu aspecto hipotéticodedutivo Embora haja renunciado a apresentar no referido livro a doutrina saussuriana como uma formalização fraca por motivos de ordem prática p 12 Amacker demonstra particular predileção pela interpretação do saussurianismo contida nestas palavras de Saussure em carta de 1911 a ML Gautier Pour le moment la linguistique générale mapparait comme un système de géométrie On about à des théorêmes quil faut démontrer p 14 Tudo isso mostra como sessenta anos depois continua vivo e fecundo o pensamento saussuriano Justificada está pois esta introdução do Prof Castelar de Carvalho ao estudo das basilares dicotomias saussurianas O trabalho tem finalidades didáticas e destinase aos alunos dos nossos cursos superiores de Letras e de Comunicação A linguagem é clara a ordenação lógica a doutrina extraída do CLG nas suas linhas essenciais continua válida É a primeira vez que em língua portuguesa se faz uma apresentação sistemática e coerente dos fundamentos metodológicos da lingüística saussuriana Os nossos alunos de Letras geralmente entram em contato com a Lingüística logo no primeiro ano de suas atividades universitárias O Curso de Linguística Geral que de início se lhes põe em mãos não é fácil de digerir Essa constatação pesou para que o Prof Castelar de Carvalho se abalançasse a esta introdução O livro portanto ao atingir a finalidade a que visou terá certamente e certeiramente cumprido o seu destino E generoso destino Porque a trajetória fascinante da Lingüística moderna começa realmente quando se transpõem as portas iluminadas do Curso de Linguística Geral Por conseguinte os nossos parabéns não só ao Prof Castelar de Carvalho mas igualmente a todos os universitários dos cursos superiores de Letras e de Comunicação do país Rio de Janeiro março de 1976 Silvio Elia Presidente do Círculo Linguístico do Rio de Janeiro ADVERTÊNCIA DA 1ª EDIÇÃO Este trabalho pretende ser um manual de consulta permanente escrito em linguagem simples didática e prática porém sem empobrecimento da objetividade científica inerente a uma obra dessa natureza Especialmente preocupado em aclarar as dúvidas e responder às interrogações de quantos se iniciam nos estudos lingüísticos em nossas Faculdades de Letras proporcionalhes ao mesmo tempo uma visão crítica sobre os pontos fundamentais da nossa ciência Nosso livrinho não inova em nada nem se arroga tal finalidade Sua originalidade se alguma existe consiste a nosso ver no tratamento sistematizante e eminentemente pedagógico que dispensamos a assuntos tão fugidios a alunos ainda não iniciados nas lides da ciência lingüística A experiência da sala de aula esse insubstituível laboratório de Didática em vários anos de contato direto com as turmas feznos sentir a falta de uma obra que destrinçasse a teoria revolucionária exposta no Curso onde nem sempre ela se apresenta suficientemente clara e a reunisse em um compêndio único sintetizador É que a doutrina de Saussure teve repercussões extraordinárias imprevisíveis à época da primeira edição do Curso de Lingüística Geral 1916 carreando para seu autor a consagração póstuma e o reconhecimento do meio universitário que hoje o considera sem favor o fundador da Lingüística científica Por essa razão rica e dispar é a bibliografia sobre o assunto Rica e geralmente complexa nem sempre especificamente voltada para aquele aluno recémsaído do vestibular que jamais ouvira falar de Saussure e o mais grave não familiarizado com uma linguagem de natureza técnicocientífica É nesse sentido que pretendemos estar oferecendo uma modesta contribuição aos alunos de Letras aos estudiosos em geral e mesmo aos já iniciados e experientes colegas de magistério Destes esperamos que nos honrem com sua leitura e nos enriqueçam o saber com suas críticas Desde já nossos agradecimentos em especial ao Professor Sílvio Elia incentivador e mestre cujas lições tivemos o privilégio de haurir Rio de Janeiro fevereiro de 1976 Castelar de Carvalho ADVERTÊNCIA DA 2ª EDIÇÃO Mais do que antes continua válida a advertência feita quando da 1ª edição O espírito da obra não mudou Na verdade consolidouse e enriqueceuse do que dá testemunho o esgotamento da edição anterior O presente volume além da revisão de praxe tem a mais uma breve notícia sobre as Escolas Estruturalistas um número relativamente grande de exercícios objetivos sobre cada unidade e um apêndice especial sobre a Glossemática Tratamola separada e detidamente pela magnitude de sua importância dentro da Lingüística saussuriana Reiteramos nossos agradecimentos ao Professor Sílvio Elia paciente revisor crítico assim como aos alunos e aos colegas pela acolhida carinhosa dada a este trabalho Rio julho de 1979 Castelar de Carvalho ADVERTÊNCIA DA 3ª EDIÇÃO No presente volume procuramos enriquecer a noção de forma e os capítulos consagrados às dicotomias sintagmaparadigma e sincroniadiacronia Acrescentamos também algumas achegas à parte que trata da arbitrariedade do signo lingüístico No mais esta 3ª edição conserva em espírito e em conteúdo a orientação dada às edições anteriores É com grande prazer que registramos mais uma vez nossos agradecimentos ao mestre e amigo Prof Silvio Elia por suas valiosas e perspicazes observações críticas Agradecemos igualmente aos alunos e aos colegas pela acolhida carinhosa que têm dado a este trabalho Rio janeiro de 1982 Castelar de Carvalho ADVERTÊNCIA DA 9ª EDIÇÃO A presente edição conserva o espírito e o conteúdo das anteriores em respeito ao público leitor que nos tem honrado com sua atenção nos vinte e quatro anos de sucessivas reedições deste livro Fizemos apenas a correção de gralhas tipográficas atualizamos e acrescentamos informações e incluímos algumas achegas relativas à Lingüística Textual Nesta oportunidade reverenciamos a memória do querido e saudoso mestre Prof Silvio Elia falecido em novembro de 1998 Suas imorredouras lições de vida e de saber linguístico continuam a orientar a trajetória desta obra Agradecemos mais uma vez aos alunos e professores pela acolhida carinhosa que têm dispensado ao nosso trabalho Um agradecimento especial a Pedro e Mariza pela inestimável ajuda prestada no preparo desta edição Rio fevereiro de 2000 Castelar de Carvalho I A LINGÜÍSTICA PRÉSAUSSURIANA Visão Geral da Lingüística antes de Saussure A Lingüística definida hoje como o estudo científico da linguagem humana é como diz Mounin 1972 25 um saber muito antigo e uma ciência muito jovem O Prof Mattoso Câmara Jr em seu Dicionário de lingüística e gramática a define como o estudo científico e desinteressado dos fenômenos linguísticos Mas nem sempre um estudo científico e muito menos desinteressado caracterizou sua trajetória secular Na verdade a Lingüística só foi adquirir status de ciência a partir do século XIX Até então o que havia era o estudo assistemático e irregular dos fatos da linguagem de caráter puramente normativo ou prescritivo ou ainda retrocedendo à Antigüidade grega especulações filosóficas sobre a origem da linguagem mescladas com estudos de Filologia Até chegar a delimitarse e definirse a si própria a Lingüística passou por três fases sucessivas 1ª Fase Filosófica Os gregos foram os precursores com suas profundas reflexões em torno da origem da linguagem Seus estudos calcados na Filosofia abrangeram a Etimologia a Semântica a Retórica a Morfologia a Fonologia a Filologia e a Sintaxe Baseavamse na Lógica analogistas ou no uso corrente anomalistas Tinham de início finalidades eminentemente práticas era uma Gramática voltada para a práxis para a ação o fazer Dionísio da Trácia séc I aC a chamou de Tékhné Grammatiké expressão traduzida mais tarde pelos romanos como Ars Grammatica Desse modo a Gramática surgiu no Ocidente como arte de ler e escrever como disciplina normativa que por seu comprometimento filosófico estava desprovida de uma visão científica e desinteressada da língua em si mesma Dominada doutrinariamente pela corrente dos analogistas aristotélica ou pela dos anomalistas estóicos a Gramática grega será reproduzida pelos romanos que numa tentativa de conciliar aquelas duas posições fazem nascer a Gramática das regras e das exceções A influência grega se fez sentir durante muitos séculos Marcando toda a Idade Média chegou a motivar na França em 1660 a elaboração de uma Gramática 17 geral a famosa Grammaire de PortRoyal de base puramente lógica coincidindo com a fase do Racionalismo O mérito dos estudiosos gregos é imenso nesse sentido pelo seu caráter precursor Na verdade as raízes do pensamento linguístico ocidental mergulham profundamente na Grécia Antiga 2ª Fase Filológica A Filologia se constitui numa segunda fase dos estudos lingüísticos Surgida em Alexandria por volta do século II aC batiase pela autonomia dos referidos estudos Os alexandrinos queriamnos mais filológicos e menos filosóficos Definindose historicamente como o estudo da elucidação de textos a Filologia dos alexandrinos de preocupação marcadamente gramatical dedicouse à Morfologia à Sintaxe e à Fonética Tendo influenciado bastante a Idade Média os estudos filológicos encontraram mais tarde em Friedrich August Wolf um de seus maiores divulgadores A partir do final do século XVIII a escola alemã de Wolf veio estendendo consideravelmente o campo e o âmbito da Filologia Além de interpretar e comentar os textos a Filologia procura também estudar os costumes as instituições e a história literária de um povo Entretanto seu ponto de vista crítico tornase limitado pelo fato de ela aterse demasiadamente à língua escrita deixando de lado a língua falada Contudo é forçoso reconhecer que as pesquisas filológicas serviram de base para o surgimento e a consolidação da Lingüística históricocomparatista 3ª fase Históricocomparatista A terceira fase da história da Lingüística começa com a descoberta do sânscrito entre 1786 e 1816 mostrando as relações de parentesco genético do latim do grego das línguas germânicas eslavas e célticas com aquela antiga língua da Índia A preocupação diacrônica em saber como as línguas evoluem e não como funcionam é que vai marcar toda essa fase Franz Bopp 17911867 o que melhor aproveitou o conhecimento do sânscrito é considerado o fundador da Lingüística Comparatista Seu livro Sobre o sistema de conjugação do sânscrito de 1816 abriu então novas perspectivas linguísticas Para Bopp a fonte comum das flexões verbais do latim do grego do persa e do germânico era o sânscrito Para ele o sânscrito era o idioma que mais se aproximava por sua estrutura morfológica de uma espécie de protolíngua indoeuropéia Apesar de não ter sido o descobridor do sânscrito é para Bopp que converge o mérito de haver sido o primeiro a realizar o estudo sistemático de línguas afins como matéria de uma ciência autônoma Ao lado do nome de Bopp citamse também como pioneiros da Lingüística históricocientífica o dinamarquês Rasmus Rask 17871832 e o alemão Jacob Grimm 17851863 Rasmus Rask escreveu um trabalho sobre a origem do velho 18 nórdico 1818 Rask mostra aí os pontos de contato entre as principais línguas indoeuropécias e as línguas nórdicas Jacob Grimm foi o primeiro a escrever uma gramática comparada das línguas germânicas a Deutsche Grammatik publicada em 1819 Grimm é considerado o pai do que mais tarde se chamariam leis fonéticas Os termos metafonia Umlaut e apofonia Ablaut são criações de Grimm Com o desenvolvimento da Filologia Comparada a Lingüística indoeuropéia experimentou extraordinário impulso A tendência dessa fase inicial da Lingüística Comparatista era identificarse com as ciências da natureza consoante o espírito da segunda metade do século XIX Essa tendência deu às primeiras idéias lingüísticas desse século um enfoque naturalista a princípio de base biológica o biologismo lingüístico as línguas nascem crescem e morrem como os organismos biológicos e a seguir de base física leis da Lingüística se aproximam das leis físicas leis fonéticas Neste caso salientouse o papel dos neogramáticos pelo excessivo esquematismo que deram às suas postulações A Lingüística Histórica ainda se prolonga por mais algumas décadas desdobrandose em um segundo momento numa reação aos neogramáticos caracterizada como fase culturalista 18901930 O culturalismo lingüístico combate o naturalismo então reinante era a oposição culturanatura Os estudiosos dessa fase afirmavam não haver correspondência entre as chamadas leis fonéticas e as leis da natureza As leis fonéticas são cronológicas e circunstanciais têm validade apenas para um determinado período histórico sofrem limitação espacial e só se manifestam em condições particulares As leis naturais ao contrário são atemporais e o mais importante universais Ora se as leis fonéticas fossem de fato leis naturais argumentavam os culturalistas o latim teria resultado numa única língua na França na Itália na Espanha em Portugal e nos demais domínios do Império Romano Portanto para o culturalismo lingüístico não existem leis fonéticas no sentido fisicalista Há isto sim circunstâncias históricoculturais que condicionam as alterações fonéticas Segundo o pensamento culturalista as línguas não existem por si mesmas São instrumentos culturais condicionados por fatores sociais históricos geográficos psicológicos e por isso mesmo de previsibilidade relativa e comportamento inconstante justamente o oposto do que acontece no campo das ciências naturais Em síntese podemos esquematizar o quadro dos estudos lingüísticos no século XIX e parte do séc XX da seguinte maneira fase naturalista 18101890 preocupação com a história interna da língua fase culturalista 18901930 preocupação com fatores externos condicionadores da língua históricoculturais II A LINGÜÍSTICA SAUSSURIANA Ferdinand de Saussure 18571913 Formação e obras À época em que Saussure recebeu sua formação acadêmica o Comparativismo indoeuropeu dominava os estudos linguísticos Fase decisiva e cujos êxitos marcantes sobre pontos importantes e essenciais da nossa ciência se constituíram no principal legado do século XIX ao século XX Saussure não poderia ficar imune a essa atmosfera científica e dela participou brilhantemente Tendo vivido em Leipzig e Berlim de 1876 a 1878 ai manteve contato com os expoentes da Linguística Comparatista de então dos quais recebeu sólido embasamento e decisiva influência Assim é que mais tarde durante os onze anos 18801891 em que foi diretor da École Pratique des Hautes Études em Paris passaram pelas suas mãos os mais importantes comparatistas franceses que dele receberam formação influência e continuidade É de 1879 a publicação da Mémoire sur le primitif système des voyelles dans les langues indoeuropéenes Apesar da orientação atomística própria da corrente neogramática Saussure inova em sua Mémoire situando o problema da reconstituição fonética do indoeuropeu sob uma perspectiva sistemática Sua tese de doutoramento um ano mais tarde intitulavase De lemploi du génitif absolu en sanskrit Além de artigos de Gramática comparada infelizmente nada mais nos legou em vida o genial mestre genebrino Seu Cours de linguistique générale CLG como sabemos resultou da compilação por dois discípulos seus dos três cursos de Linguística Geral que ministrara de 1906 a 1911 na Universidade de Genebra onde era titular desde 1896 Esses dois alunos foram Charles Bally e Albert Sechehaye com a colaboração de outro discípulo Albert Riedlinger Tratase portanto de obra póstuma e inacabada calçada em anotações colhidas em aula por seus alunos e como tal explicamse as possíveis obscuridades e contradições das idéias de Saussure Nela se reconhecem fórmulas de aspecto por vezes paradoxal onde salta aos olhos o estilo de ensino oral Apesar desse fato as idéias motrizes de sua obra póstuma por oposição ao método históricocomparatista dominante até então vieram revoluciona completamente o pensamento linguístico ocidental Na verdade Saussure foi um espírito mais projetado para o século XX do que voltado para o século XIX como sóia acontecer com os intelectuais de seu tempo 23 Hoje mais de meio século depois de seu desaparecimento Saussure é estudado com o respeito o cuidado e a atenção que merecem os gênios Todos quantos se aprofundam na pesquisa de suas postulações adquirem consciência da importância do Cours para a Linguística moderna e passam a compreender por que Saussure é considerado um divisor de águas no estudo científico da linguagem A Doutrina de Saussure O grande mérito de Saussure está antes de tudo no seu caráter metodológico um prolongamento da sua personalidade perfeccionista Era preciso em primeiro lugar pôr ordem nos estudos linguísticos Para poder criar e postular suas teorias com perfeição científica impunhaselhe antes um trabalho metodológico preliminar Os linguístas até então tratavam de coisas diferentes com nomes iguais e viceversa A ausência de uma terminologia adequada precisa objetiva de alcance universal e sabemos desde os gregos que só há ciência do universal instrumento de trabalho imprescindível a qualquer ciência digna do nome tolhilhes a expressão das idéias Por exemplo o termo língua tinha para alguns linguístas um determinado sentido para outros já adquiria conotação totalmente diversa A Linguística ressentiase de uma linguagem equívoca verdadeira colcha de retalhos terminológica e Saussure necessitava de uma linguagem unívoca de um padrão lingüístico de uma metalinguagem isto é de uma nova linguagem para expressar suas elucubrações Sua primeira tarefa portanto foi limpar o terreno para poder depois trabalhar A Linguística escreveu ele jamais se preocupou em determinar a natureza do seu objeto de estudo Ora sem essa operação elementar uma ciência é incapaz de estabelecer um método para si própria CLG 10 O esquema abaixo dá a idéia exata do que segundo Saussure é a forma racional que deve assumir o estudo lingüístico p 1154 linguagem língua fala sincronia diacronia relações associativas paradigmáticas relações sintagmáticas 24 Além disso inova também com sua famosa e polêmica Teoria do Signo Linguístico signo significante significado princípios do signo arbitrariedade linearidade A TEORIA DO SIGNO LINGUÍSTICO Signo significado significante Introdução Tipos de Sinais Saussure considera a língua como um sistema de signos formados pela união do sentido e da imagem acústica Tentemos agora aprofundar essa noção formulada pelo mestre genebrino Comecemos antes esclarecendo sinteticamente alguns pontos básicos vestibulares à teoria do signo A Semiologia ou Semiótica1 distingue dois tipos de sinais os naturais e os convencionais O sinal natural manifestase em forma de indicio físico como a fumaça a trovaada nuvens negras rastros o som o cheiro a luz etc ou em forma de sintoma fisiológico a pulsaçaõ a contração a dor a febre a fome o suor o espasmo etc O sinal convencional envolve maior complexidade e pressupõe a existência de uma cultura antropologicamente falando já estabelecida da qual ele é resultado e expressão produto e instrumento a um só tempo Pode apresentarse em forma de ícone símbolo ou signo O ícone do grego eikón imagem é imagístico por exemplo uma foto uma estatueta um desenho de alguém ou de algum lugar e caracterizase também por ser nãoarbitrário v princípio da arbitrariedade o signo totalmente arbitrário é a própria palavra2 enquanto que o símbolo semiarbitrário é um tipo intermediário entre o ícone e o signo por 1 A Semiologia ou Semiótica difere da Lingüística por sua maior abrangência enquanto a Lingüística é o estudo científico da linguagem humana a Semiologia preocupase não apenas com a linguagem humana e verbal mas também com a linguagem dos animais e de todo e qualquer sistema de comunicação seja ele natural ou convencional Desse modo a Lingüística inserese como uma parte da Semiologia Semiologia e Semiótica são termos permutáveis A primeira surgiu na Europa com Saussure e a segunda nos Estados Unidos com o filósofo Charles Sanders Peirce 2 Além da concepção saussuriana signo palavra com que é empregado neste trabalho o termo signo comporta um sentido mais amplo Neste caso os signos seriam não só as palavras mas também os gestos as imagens os sons não estritamente linguísticos como o apito de um trem o repicar de um sino as batidas do telégrafo o tilintar de uma campainha Compreendese assim a definição de Peirce 1975 94 O signo ou seu representamem é algo que sob certo aspecto ou de algum modo representa alguma coisa para alguém 26 exemplo a balança é o símbolo da Justiça a espada símbolo do Exército a cruz simboliza o Cristianismo uma vez que seu fundador nela morreu etc Por que Signo e não Símbolo Voltando ao CLG p82 convém lembrar antes de mais nada por que Saussure preferiu adotar o termo signe signo Utilizouse a palavra símbolo para designar o signo lingüístico ou mais exatamente o que chamamos de significante Há inconveniente em admitilo justamente por causa do nosso primeiro princípio o da arbitrariedade do signo O símbolo tem como característica não ser jamais completamente arbitrário ele não está vazio existe um rudimento de vínculo natural entre o significante e o significado O símbolo da justiça a balança não poderia ser substituído por um objeto qualquer um carro por exemplo A Natureza do Signo Retomando a definição inicial do signo como a união do sentido e da imagem acústica verificamos que o que Saussure chama de sentido é a mesma coisa que conceito ou idéia isto é a representação mental de um objeto ou da realidade social em que nos situamos representação essa condicionada plasmada pela formação sociocultural que nos cerca desde o berço Em outras palavras para Saussure conceito é sinônimo de significado algo como a parte espiritual da palavra sua contraparte inteligível em oposição ao significante que é sua parte sensível Por outro lado a imagem acústica não é o som material coisa puramente física mas a impressão psíquica desse som CLG 803 Melhor dizendo a imagem acústica é o significante Com isso temos que o signo lingüístico é uma entidade psíquica de duas faces CLG 80 semelhante a uma moeda e que Saussure representou pela seguinte figura conceito imagem acústica 3 Mais tarde Jacobson e a Escola Fonológica de Praga irão estabelecer definitivamente a distinção entre som material e imagem acústica Ao primeiro designaram de fone objeto de estudo da Fonética A imagem acústica denominaram de fonema conceito amplamente aceito e consagrado hoje na Fonologia 27 Os dois elementos significante e significado que constituem o signo estão intimamente unidos e um reclama o outro CLG 80 São interdependentes e inseparáveis Exemplificando diríamos que quando um falante de português recebe a impressão psíquica que lhe é transmitida pela imagem acústica ou significante kaza graças à qual se manifesta fonicamente o signo casa essa imagem acústica de imediato evocalhe psiquicamente a idéia de abrigo de lugar para viver estudar fazer suas refeições descansar etc Figurativamente diríamos que o falante associa o significante kaza ao significado domus tomandose o termo latino como ponto de referência para o conceito Fazendo uso da figura de Saussure teríamos neste caso casa domus kaza Podemos designar portanto o significante como a parte perceptível do signo e o significado como sua contraparte inteligível4 É importante advertir a esta altura que o signo une sempre um significante a um conceito a uma idéia a uma evocação psíquica e não a uma coisa pois segundo R Barthes 1972 46 o significado não é uma coisa mas uma representação psíquica da coisa O próprio Saussure teve o cuidado de chamar a atenção para o perigo de se supor que o signo une um objeto a um nome a um rótulo O lingüista deve ter sempre em mente que os termos implicados no signo lingüístico são ambos psíquicos e estão unidos em nosso cérebro por um vínculo de associação CLG 80 Desse modo o signo lingüístico resulta ser o produto concreto da união significante significado e nesse sentido Émile Benveniste 1971 142 sintetiza com feliz propriedade o pensamento de Saussure El significante y el significado la representación mental y la imagen acústica son por lo tanto las dos caras de una misma 4 Confrontose a propósito com o ponto de vista dos Estóicos os que mais aprofundaram os estudos linguísticos na Grécia Antiga segundo os quais o sémeion signo era constituído pela relação existente entre o sêmainon significante e o sêmainomenon significado A posição de Saussure é uma salutar retomada de uma concepção de uma terminologia que já eram boas no século II aC o que vem corroborar o que afirmamos no início deste trabalho as raízes do pensamento lingüístico ocidental mergulham profundamente na Grécia Antiga noción y se integran a título de incorporante e incorporado El significante es la traducción fónica de un concepto el significado el correlato mental del significante Esta consustancialidad del significante y el significado asegura la unidad estructural del signo lingüístico Ao incluir o significado na formulação do signo lingüístico Saussure demonstrou ter consciência plena de que não podem existir conceitos ou representações sem a respectiva denominação correspondente e com isso lançou as bases da Semântica moderna Uma Crítica à Teoria do Signo Do mesmo modo que outras postulações saussurianas também esta tem sido alvo da crítica de alguns lingüistas contemporâneos A mais importante delas referese ao fato de Saussure em virtude de encarar o signo como uma entidade bifacial não ter incluído um terceiro termo a coisa significada na sua teoria No caso seu esquema seria corrigido ou completado segundo seus contraditores se se adotasse em substituição o famoso triângulo de Ogden e Richards que vêem o signo constituido por uma relação triádica da seguinte maneira pensamento ou referência símbolo referente ou coisa Como podemos verificar o triângulo inclui o referente ou coisa significada embora ressaltando por meio da linha pontilhada da base que não existe nenhum vínculo direto entre a coisa e o símbolo o que o leva por outro caminho à relação bipolar e de natureza psíquica formulada por Saussure Numa adaptação ao esquema saussuriano teríamos o seguinte sdo domus OU ste coisa kaza De qualquer forma a crítica é pertinente pois o triângulo de Ogden e Richards reintroduz a coisa significada melhor dizendo a realidade sociocultural a qual quer seja considerada extralingüisticamente ou não não pode ser deixada de lado pela Semântica Princípios do Signo arbitrariedade linearidade A Arbitrariedade do Signo Lingüístico Como a soma do significante mais significado resulta num total denominado signo temos que o signo lingüístico é arbitrário CLG 81 Mas o que quer dizer Saussure com arbitrário Para ele arbitrário não deve dar a idéia de que o significado dependa da livre escolha do que fala porque não está ao alcance do indivíduo trocar coisa alguma num signo uma vez esteja ele estabelecido num grupo lingüístico queremos dizer que o significante é imotivado isto é arbitrário em relação ao significado com o qual não tem nenhum laço natural na realidade CLG 83 grifo nosso Desse modo compreendemos por que Saussure afirma que a idéia ou conceito ou significado de mar não tem nenhuma relação necessária e interior com a sequência de sons ou imagem acústica ou significante mar Em outras palavras o significado mar poderia ser representado perfeitamente por qualquer outro significante E Saussure argumenta para provar seu ponto de vista com as diferenças entre as línguas Tanto assim que a idéia de mar é representada em inglês pelo significante siː e em francês por mér Nesse sentido alega o autor do CLG p 82 que o significado da palavra francesa bœuf boi tem por significante böf de um lado da fronteira francogermânica e oks Ochs do outro O que pretendia Saussure é que digamos assim não existe o significante verdadeiro Qualquer um é válido No entanto apesar de se tratar do óbvio que a relação entre os dois constituintes do signo seja arbitrária esta tem sido a mais discutida e criticada postulação saussuriana reacendendo a famosa e milenar polémica existente entre os antigos filósofos gregos os quais se preocupavam em saber se o laço entre significante e significado era natural ou produto da convenção humana a célebre discussão em torno da THÉSEI relação convencional e PHYSEI relação natural Críticas ao Princípio da Arbitrariedade Alguns dos críticos de Saussure objetaram entre outras coisas que o signo na sua totalidade não é tão arbitrário como pretendia o mestre porque uma das suas duas faces o significante não poderia combinarse arbitrariamente com a sua segunda face o significado correspondente em outra língua Por exemplo o inglês ˈtiːʧə teacher não poderia jamais tornarse o significante do significado português professor se é que é possível representarse visualmente um significado porque ˈtiːʧə é parte inseparável e necessária assim pensam esses críticos de um signo cujo significado não é em todos os sentidos e nuances igual à idéia que nós falantes de português fazemos de professor5 Um outro crítico Émile Benveniste 1971 141 chega inclusive a corrigir o mestre ao pretender que el nexo que une a ambos ste e sdo no es arbitrario es necesario El concepto significado buey es por fuerza idéntico en mi conciencia al conjunto fónico significante bwéi Cómo iba a ser de otra manera Uno y otro juntos se han impreso en mi mente y juntos se evocan en toda circunstancia 5 Em nossa língua tanto o indivíduo que ensina a fazer bolos sem desfazer nos mestrescucas como o que leciona em um colégio ou em uma Universidade do mais elevado gabarito é conhecido como professor em inglês teacher é reservado apenas para o professor de 1 e 2 graus enquanto que professor distingue o professor universitário Ora somos levados a crer que os críticos do mestre de Genebra demonstram não terem apreendido o pensamento saussuriano em toda a sua profundidade e coerência Saussure postulava isto sim que o signo como um todo só tem valor situado dentro de um determinado sistema lingüístico do qual é parte integrante E como que prevendo a posteridade crítica adverte CLG 132 que é uma grande ilusão considerar um termo simplesmente como a união de certo som com um certo conceito Definilo o valor lingüístico do signo assim seria isolálo do sistema do qual faz parte E comprovando sua argumentação exemplifica p 134 O português carneiro na adaptação da tradução brasileira ou o francês mouton podem ter a mesma significação que o inglês sheep mas não o mesmo valor isso por várias razões em particular porque ao falar de uma porção de carne preparada e servida à mesa o inglês diz mutton e não sheep A diferença de valor entre sheep e mouton ou carneiro se deve a que o primeiro tem a seu lado um segundo termo o que não ocorre com a palavra portuguesa ou francesa cf com nosso ex ingl teacherprofessor e port professor Além do que foi exposto acima é muito importante lembrar que para Saussure a arbitrariedade do signo e nisso insistimos repousa no fato de que o falante não pode mudar aquilo que o seu grupo lingüístico já consagrou Não poderíamos jamais chamar mesa de livro e viceversa Ele sentouse ao livro para jantar ele está lendo uma mesa sem correr o risco de passarmos por insano Nesse particular aliás a coerência da argumentação saussuriana tornase mesmo incomum CLG 8788 Uma língua constitui um sistema Se esse é o lado pelo qual a língua não é completamente arbitrária e onde impera uma razão relativa é também o ponto onde avulta a incompetência da massa para transformála Dizemos homem e cachorro porque antes de nós se disse homem e cachorro E concluindo p 88 Justamente porque o signo é arbitrário não conhece outra lei senão a da tradição e é por basearse na tradição que pode ser arbitrário Na verdade há dois sentidos para arbitrário a o significante em relação ao significado livro book livre Buch biblion etc significantes diferentes para um mesmo significado b o significado como parcela semântica em oposição à totalidade de um campo semântico ingl teacherprofessor port professor ingl sheepmutton port carneiro Concluise daí como tão bem assinala o Prof Sílvio Elia que A argumentação saussuriana de fato não foi bem entendida por vários de seus críticos No sentido A por exemplo arbitrário significa simplesmente nãomotivado E aqui Saussure tem plena razão No sentido B que não está explícito no CLG o genebrino também é quem está com a razão O exemplo teacherprofessor mostra simplesmente que o corte semântico é arbitrário ao contrário do que pensam acontecer os seus contraditores Comentário em monografia do A A Questão das Onomatopéias e Interjeições O contraditor poderia se apoiar nas onomatopéias para dizer que a escolha do significante nem sempre é arbitrária CLG 83 Esta é outra objeção freqüente da crítica ao princípio da arbitrariedade do signo lingüístico mas o próprio Saussure já a anulara por antecipação O problema é que os contraditores consideram as onomatopéias palavras motivadas ao contrário dos outros signos que são imotivados por não guardarem nenhuma relação natural e lógica entre significante e significado porque elas sugerem pela forma fônica uma realidade Por exemplo dizemos que o gato mia mas não podemos dizer que o gato muge a voz do gato não faz lembrar em nada a do boi muge não poderia ser aplicado para descrever o som emitido pelo gato ao passo que mia se aproxima de algum modo do miau de um bichano Porém alerta Saussure tais casos não chegam a constituir elementos orgânicos de um sistema lingüístico CLG 83 pois ocorrem em número mais reduzido do que se supõe e só em raríssimos casos se encontra uma ligação íntima entre significante e significado Do mesmo modo as onomatopéias autênticas aquelas do tipo gluglu tictac etc não apenas são pouco numerosas mas sua escolha é já em certa medida arbitrária pois não passam de imitação aproximativa e já meio convencional de certos ruídos comparese o francês ouaoua e o alemão wauwau Além disso uma vez introduzidas na língua elas se engrenam mais ou menos na evolução fonética morfológica etc que sofrem as outras palavras cf pigeon do latim vulgar pipio derivado também de outra onomatopéia prova evidente de que perderam algo de seu caráter primeiro para adquirir o do signo lingüístico em geral que é imotivado CLG 83 De fato o protótipo natural que motivou o surgimento desta ou daquela onomatopéia parece sugerir a existência de um motivo de um rudimento de vínculo natural entre esta e seu modelo original dando a impressão de que o significante é motivado em relação ao significado isto é nãoarbitrário Mas tal impressão é ilusória Ruídos e sons naturais ao entrarem para um sistema lingüístico através da reprodução aproximada sugerida pelas onomatopéias amoldamse ao material fônico da língua e transformamse numa imitação convencional por isso variam de língua para língua O grasnar de um pato por exemplo dificilmente será reproduzido da mesma maneira em duas línguas diferentes em português quáquá em francês couincouin em dinamarquês raprap em alemão gackgack em romeno macmac em italiano quaqua em russo kriak em inglês quack em catalão mechmech v Serafim S Neto 1938 82 Este é também o pensamento do Prof Mattoso Camara Jr 1978 182 que endossa o que já vimos em Saussure Para ele as onomatopéias são constituídas com os fonemas da língua que pelo efeito acústico dão melhor reimpressão desse ruído Não se trata portanto de imitação fiel e direta do ruído mas da sua interpretação aproximada com os meios que a língua fornece Quanto às interjeições como tal já fazem parte do sistema lingüístico já estão estruturadas convencionalmente dentro de cada língua variando enormemente de uma para outra ai em português aie em francês au em alemão ouch em inglês etc Como diz Saussure p83 para a maior parte delas podese negar que haja um vínculo necessário entre o significado e o significante E para corroborar estas palavras de Saussure lembremos o exemplo da nossa interjeição aí espécie de cumprimento de saudação que aos ouvidos dos falantes de espanhol soa como o advérbio hoy hoje Concluímos portanto que a questão levantada em torno das onomatopéias e interjeições não abala de modo algum o princípio da arbitrariedade do signo lin güístico6 uma vez que estas são de importância secundária a sua origem simbólica é em parte contestável CLG 84 Arbitrário AbsolutoArbitrário Relativo Apesar de haver postulado que o signo lingüístico é em sua origem arbitrário Saussure não deixa de reconhecer a possibilidade da existência de certos graus de motivação entre significante e significado CLG 152 O princípio fundamental da arbitrariedade do signo não impede distinguir em cada língua o que é radicalmente arbitrário vale dizer imotivado daquilo que só o é relativamente Apenas uma parte dos signos é absolutamente arbitrária em outras intervêm um fenômeno que permite reconhecer graus no arbitrário sem suprimilo o signo pode ser relativamente motivado grifo no original Em coerência com seu ponto de vista dicotômico Saussure propõe a existência de um arbitrário absoluto e de um arbitrário relativo Como exemplo de arbitrário absoluto o mestre de Genebra cita os números dez e nove tomados individualmente e nos quais a relação entre o significante e o significado seria totalmente arbitrária isto é essa relação não é necessária é imotivada Já na combinação de dez com nove para formar um terceiro signo a dezena dezenove Saussure acha que a arbitrariedade absoluta original dos dois numerais se apresenta relativamente atenuada dando lugar àquilo que ele classificou como arbitrariedade relativa pois do conhecimento da significação das partes podese chegar à significação do todo O mesmo acontece no par perapereira em que pera enquanto palavra primitiva serviria como exemplo de arbitrário absoluto signo imotivado Por sua vez pereira forma derivada de pera seria um caso de arbitrário relativo signo motivado devido à relação sintagmática pera morfema lexical eira morfema sufixal e à relação paradigmática estabelecida a partir da associação de pereira a laranjeira bananeira etc uma vez que é conhecida a significação dos elementos formadores 6 Parecenos que a única possível exceção ao princípio geral da arbitrariedade darseia quando o signo lingüístico é usado literariamente com intenção estética A nosso ver neste caso o signo literário enquanto tal não deve ser considerado como imotivado ao contrário ele é totalmente motivado Fazer literatura implica uma seleção estéticovocabulare havendo portanto motivo da parte do escritor para preferir tais e tais signos e rejeitar outros Se alguma arbitrariedade existe no caso ela reside na própria escolha do escritor mas não é a esse tipo de arbitrariedade que nos referimos e sim à do significante em relação ao significado Os signos que forem de fato empregados com intenção estética e unicamente estes ao longo de uma obradearte seja prosa ou poesia terão um motivo para estarem ali impressos isto é eles são motivados Mas alertamos referimonos ao signo literário o que não contradiz de forma alguma nossa posição quanto à arbitrariedade do signo lingüístico em geral Mais adiante Saussure p 154 esclarece que as línguas em que a imotivação atinge o máximo são mais lexicológicas e aquelas em que se reduz ao mínimo mais gramaticais grifos no original Línguas lexicológicas formadas por uma maioria de signos imotivados seriam o inglês e o chinês segundo Saussure Por outro lado como exemplos de línguas gramaticais cita o mestre o caso do latim do sânscrito e do alemão idiomas em que predominam os signos mais ou menos motivados isto é palavras formadas pelo relacionamento morfossintático entre os seus constituintes imediatos Motivação e Arbitrariedade Partindo da dicotomia arbitrário absolutoarbitrário relativo a Lingüística póssaussuriana deu consequência ao pensamento infelizmente inacabado do mestre de Genebra Pierre Guiraud por exemplo propõe a existência de dois tipos de motivação a interna e a externa A motivação interna ocorre dentro do próprio sistema lingüístico a partir das possibilidades de relacionamento existentes entre palavras ou entre unidades da língua Tratase portanto das relações internas sintagmáticas e paradigmáticas do sistema responsáveis pelo funcionamento desse mesmo sistema Diz Guiraud 1972 31 A motivação é interna quando tem a sua fonte no interior do sistema lingüístico A relação motivante não está mais aqui entre a coisa significada e a forma significante mas entre a palavra e outras palavras que já existem na língua A motivação interna ou intralingüística é de natureza morfológica e compreende a derivação e a composição Corresponde à arbitrariedade relativa de Saussure A derivação como instrumento de criação de palavras motivadas pode ser a prefixal in feliz b sufixal per eira c prefixal e sufixal in feliz mente d parassintética en tard ec e r e regressiva ou deveral atraso atrasar A composição pode ocorrer por a justaposição televisão edificiogaragem minissaia b aglutinação planalto plano alto aguardente água ardente Além da derivação e da composição acrescentaríamos outros processos motivadores de natureza morfológica típicos das línguas modernas a saber a abreviação foto fotografia b siglas ONU MEC IBOPE As siglas expediente prático cada vez mais generalizado nas línguas modernas já existe até dicionário de siglas tiveram extraordinária expansão no século XX o século da pressa A necessidade de comunicação social técnica e administrativa cada vez mais direta e concisa fez com que surgissem as siglas as quais uma vez criadas criação motivada pelas letras ou sílabas iniciais das palavras que as compõem e socializadas linguisticamente passam a ser sentidas pela massa falante como verdadeiras palavras novas capazes inclusive de gerar derivados Por exemplo a sigla CLT Consolidação das Leis do Trabalho motivou o curioso neologismo celetista já difundido pela imprensa 51 dos funcionários da União são regidos pela CLT sendo por isso conhecidos como celetistas Revista IstoÉ nº 241 050881 p 66 Com relação à motivação externa ou extralinguística esclarece Guiraud 197230 a motivação é externa quando ela repousa sobre uma relação entre a coisa significada e a forma significante fora do sistema linguístico A motivação externa pode ser fonética ou metassêmica Motivação fonética é o caso das onomatopéias palavras etimologicamente motivadas na opinião de Guiraud Embora tendam a se desmotivar com o uso e em consequência a cair no arbitrário as onomatopéias desempenham importante papel na renovação do léxico e na valorização do texto poético vide por exemplo o poema Os Sinos de Manuel Bandeira Motivação metassêmica engloba os casos de transferências semânticas meta transformação sema significado Como exemplos típicos de metassemia podemos citar as metáforas O aluno encontrou a chave do problema as metonímias Gosto de ler Machado de Assis as catacreses pernas da mesa e os casos de conversão de palavras ou mudança de classe gramatical Terrível palavra é um não Confrontando os dois tipos de motivação do signo concluímos que a motivação interna por suas características específicas tornase mais importante para o funcionamento da língua do que a motivação externa A motivação externa é mais fortuita mais limitada realizandose de fora para dentro do sistema linguístico A motivação interna mais geral atua de dentro para fora do sistema oferecendo possibilidades teoricamente ilimitadas de renovação do léxico Para concluir acrescentaríamos o seguinte para Saussure o princípio da arbitrariedade do signo é um fenômeno geral resulta historicamente de uma convenção arbitrário convencional social e é ele que assegura o funcionamento ahistórico do sistema linguístico Para Saussure o signo é imotivado a priori isto é em suas origens ressalva feita unicamente para os casos que ele situou como arbitrariedade relativa estes surgidos a posteriori Pierre Guiraud entretanto considera que o signo nasce sempre motivado para se desmotivar posteriormente a partir do momento em que ele se socializa através do uso pela massa falante Afirma Guiraud 197229 Toda palavra é sempre motivada em sua origem e ela conserva tal motivação por maior ou menor tempo segundo os casos até o momento em que acaba por cair no arbitrário quando a motivação deixa de ser percebida Guiraud reconhece portanto o caráter arbitrário do signo linguístico mas o vê instaurarse ao contrário de Saussure a posteriori e não a priori Tentemos ilustrar o ponto de vista do linguista francês com um exemplo em nossa língua o substantivo romaria resultou da relação sintagmática entre Roma e o sufixo aria porque significava historicamente peregrinação a Roma para ver o Papa Um caso portanto de motivação a priori diria Guiraud O uso entretanto desgastoulhe o sentido original e hoje romaria significa qualquer tipo de peregrinação ou de procissão religiosa Quando o falante ouve o signo romaria não passa pela sua cabeça em momento algum a idéia de peregrinação a Roma a menos que venha explicitado romaria ao Vaticano Por exemplo entre nós são muito freqüentes as romarias a Aparecida do Norte em São Paulo O vocábulo romaria a seguirse o raciocínio de Guiraud teria portanto se desmotivado a posteriori assumindo em conseqüência o caráter arbitrário dos signos linguísticos em geral A Linearidade do Significante Esta segunda característica do signo é tão importante quanto a primeira conforme teremos oportunidade de constatar em Relações Sintagmáticas Aqui ampliaremos a noção deste segundo princípio do signo linguístico a partir daquilo que a Linguística moderna tem chamado de unidades discretas O princípio da discreção neologismo referente às unidades discretas cf discrição qualidade de ser discreto reservado baseiase no fato de que toda unidade linguística tem valor único sem matizes intermediários como diz Borba 197158 Em outras palavras os elementos de um enunciado linguístico são diferentes entre si limitados independentes sem variações Ou pronunciamos faca ou vaca Não existe um meio termo entre f e v que são desse modo unidades discretas isto é separáveis descontínuas É o princípio do tudo ou nada digamos assim que caracteriza em síntese as unidades discretas Martinet 1971a20 nos esclarece de vez com os exemplos de bata e pata Se um locutor articular mal se houver barulho no ambiente se a situação não me facilitar o papel de ouvinte poderei hesitar em interpretar o que ouvi como é uma linda bata ou como é uma linda pata mas sou obrigado a escolher uma ou outra das duas interpretações e não há evidentemente possibilidade de admitir uma mensagem intermediária Com isso concluímos que as unidades discretas têm de ser emitidas sucessivamente Elas não são concomitantes não são coexistentes não são simultâneas Ao contrário são sucessivas e por isso só podemos emitir um fonema de cada vez em linha ou melhor linearmente Muito menos podemos emitir duas palavras ao mesmo tempo A língua em seu funcionamento pode ser descrita portanto como uma sucessão de unidades discretas tanto no eixo paradigmático como no sintagmático Mas é necessário lembrar que a linearidade é do significante e não do significado Nesse sentido adverte Saussure CLG 84 O significante sendo de natureza auditiva desenvolvese no tempo unicamente e tem as características que toma do tempo a representa uma extensão e b essa extensão é mensurável numa só dimensão é uma linha Do enunciado saussuriano depreendemos que somente a parte material do signo o significante é linear e que o pensamento em si mesmo não tem partes não é sucessivo só o sendo quando se concretiza através das formas fônicas lineares do significante Aqui caberia compararmos o pensamento a uma tela em que todos os elementos aparecem simultaneamente formando um todo Tal fato a simultaneidade já não é possível numa poesia por exemplo seja ela declamada ou lida silenciosamente Aliás esse exemplo fundamenta com bastante clareza o princípio da linearidade do significante e torna oportuno citar o pensamento do próprio Saussure CLG 84 os significantes acústicos dispõem apenas da linha do tempo seus elementos se apresentam um após outro formam uma cadeia Esse caráter aparece imediatamente quando os repre sentamos pela escrita e substituímos a sucessão do tempo pela linha espacial dos signos gráficos Poderíamos também caracterizar o significado como um bloco como um todo como uma unidade que só se decompõe quando falamos ou escrevemos quando materializamos nosso pensamento em ordem linear ordem essa que também é arbitrária de língua para língua uma vez que não existe ordem no pensamento e sim na língua Atentese a propósito para as palavras bastante esclarecedoras do lingüista dinamarquês Luís Hjelmslev 1968 4344 Al mirar un texto impreso o escrito vemos que se compone de signos y que éstos se componen a su vez de elementos que se desarrollan en una dirección determinada cuando se utiliza el alfabeto latino se extienden de izquierda a derecha cuando se utiliza el alfabeto hebreo se extienden de derecha a izquierda cuando se utiliza el alfabeto mongol se extienden de arriba a bajo pero se desarrollan siempre en una dirección determinada y cuando oímos un texto hablado se compone para nosotros de signos y estos signos se componen a su vez de elementos que se desarrollan en el tiempo unos vienen antes otros después Los signos forman una cadena cadeia y los elementos de cada signo forman asimismo também una cadena O pensamento funciona desse modo com uma força estruturante da língua segundo o Prof Sílvio Elia o qual ao mesmo tempo se indaga se a estrutura profunda de Chomsky não será na verdade o próprio pensamento Se é então o pensamento não é uma estrutura ao contrário ele é uma força estruturante Nesse caso segundo o referido mestre não cabe falar em estrutura profunda e sim em estrutura subjacente Uma Crítica ao Princípio da Linearidade O lingüista Roman Jakobson contestou o princípio da linearidade do significante argumentando que num fonema qualquer por exemplo b há um feixe de traços fônicos simultâneos bilabial oral oclusivo e sonoro e nãosucessivos nãolineares Mas para Saussure esses traços fônicos não passam de elementos do significante que já está formado na língua como um todo Eis a resposta do próprio autor do CLG p 84 Em certos casos isso o princípio da linearidade não aparece com destaque Se por exemplo acentuo uma sílaba parece que acumulo num só ponto elementos significativos diferentes Mas tratase de uma ilusão a sílaba e seu acento constituem apenas um ato fonatório não existe dualidade no interior desse ato mas somente oposições diferentes com o que se acha a seu lado ver capitulo Relações Sintagmáticas e Paradigmáticas De fato uma palavra como cavalo também apresenta vários traços sêmicos ser vivo irracional quadrúpede animal macho todos contidos ao mesmo tempo mas isso em nada abala o princípio da linearidade do significante porquanto cavalo enquanto unidade discreta já formada já pronta na língua só se materializa fonicamente de forma linear Por fim cabe citar aqui a advertência do próprio Saussure CLG 84 sobre a relevância dessa segunda característica do signo lingüístico para uma teoria estruturalista enquanto categoria formal da linguagem Esse princípio é evidente mas parece que sempre se negligenciou enunciálo sem dúvida porque foi considerado demasiadamente simples todavia ele é fundamental e suas conseqüências são incalculáveis de fato na época o eram sua importância é igual à da primeira lei a da arbitrariedade do signo Todo mecanismo da língua depende dele Em resumo Tipos de Sinal Natural índicio físico fumaça rastros sintoma fisiológico pulsação febre Convencional ícone motivado estatueta foto símbolo intermédio balança justiça signo imotivado a palavra SIGNO Significante imagem acústica perceptível psicofísico impressão psíquica do som representante tradução fônica de um conceito presença som matéria incorporante sensorial sémainon signans Significado conceito inteligível psíquico evocação psíquica provocada pelo som representado correlato mental do significante ausência pensamento idéia incorporado conceitual sémainomenon signatum Características Arbitrariedade do ste em relação ao sdo Linearidade do ste Para Saussure Arbitrário absoluto relativo Para Guiraud Motivação interna morfológica externa fonética metassêmica derivação composição Ambos de naturcza psíquica Na terminologia de Santo Agostinho O Signo Lingüístico 1 A diferença entre Semiologia e Lingüística é a A Semiologia difere da Lingüística por sua maior abrangência A Lingüística é o estudo científico da linguagem humana Já a Semiologia estuda todo e qualquer tipo de código de comunicação b A Semiologia difere da Lingüística por ser arbitrária e a Lingüística semiarbitrária c A Semiologia e a Lingüística minimizam a linguagem humana 2 Saussure preferiu o termo Signo e não Símbolo porque a o símbolo é totalmente arbitrário e o signo é semiarbitrário b o símbolo e o signo são ambos semiarbitrários c o símbolo é semiarbitrário e o signo é totalmente arbitrário 3 Relacione as colunas 1 Signo Imagem psíquica conceito ou representação mental que a imagem acústica evoca no falante 2 Significante É semiarbitrário 3 Símbolo Imagem acústica representação sonora de naturea psicofísica do vocábulo 4 Significado Combinação arbitrária de um significante com um significado 4 Assinale a segunda coluna de acordo com a primeira 1 Língua Ciência que estuda as significações 2 Semântica Produto e instrumento de uma cultura 3 Semiologia Indícios de chuva de fogo etc 4 Lingüística Febre suor dor fome etc 5 Sinal convencional É a imagem acústica ou visual É a expressão da imagem mental 6 Sinal natural físico Rastros nuvens negras luz som etc 43 7 Sinal natural fisiológico É o conceito a idéia que fazemos de um objeto 8 Significado Signo 9 Significante Teoria geral dos signos 10 União do sdo ste Sistema de signos vocais Ciência que estuda os códigos e sinais de comunicação Estudo científico da linguagem humana 5 O signo lingüístico é arbitrário Isto quer dizer que a Não há uma relação natural entre o significante e o significado b Há uma ligação natural entre a imagem acústica e o conceito 6 Sobre as onomatopéias podemos afirmar a Imitações convencionais de sons e ruídos naturais e que variam de língua para língua b Imitação fiel e direta de um ruído ou som natural 7 Marque com V se for verdadeira e com F se for falsa Os enunciados vocais decorrem no tempo e são captados pelo ouvido como sucessões O caráter linear dos enunciados explica a sucessividade dos morfemas e fonemas Somente a parte material do signo o significante é linear 8 Relacione as duas colunas 1 Arbitrariedade absoluta dezoito 2 Arbitrariedade relativa dez oito 44 9 Numere a 1ª coluna de acordo com a 2ª Semiologia 1 Representação intelectual de um objeto Ícone 2 É semiarbitrário Significado 3 Estudo científico de todo e qualquer sistema de comunicação Significante 4 Não é som material e sim a impressão psíquica desse som Símbolo 5 Motivado 10 Não existe uma associação natural entre os sons vocais e os conceitos por eles expressos Estas palavras saussurianas explicam a A teoria do signo b A linearidade do signo c A arbitrariedade do signo d Crítica à arbitrariedade 11 Apenas uma parte dos signos é absolutamente arbitrária em outras intervém um fenômeno que permite reconhecer graus no arbitrário sem suprimirlo o signo pode ser relativamente motivado Certo Errado 12 Valetransporte e passatempo são exemplos de motivação formados por 13 No interior de uma mesma língua todo o movimento da evolução não pode ser assinalado por uma passagem contínua do motivado ao arbitrário e do arbitrário ao motivado Esse vaivém tem amiúde como resultado alterar sensivelmente as proporções dessas duas categorias de signos Certo Errado 14 O Brasil por seus contrastes socioeconômicos tem sido considerado uma espécie de Belíndia Bélgica Índia O neologismo Belíndia é um exemplo de motivação formado por 45 15 Enxugar o texto tornálo mais sucinto e enxugar a máquina administrativa reduzir despesas são exemplos de motivação do tipo 16 A Morfologia pode constituir uma disciplina distinta da Sintaxe Certo Errado 17 A flexão é uma forma típica da associação das formas linguísticas no espírito do falante Tratase de uma categoria gramatical da língua Certo Errado 18 Para se fazer a associação de duas unidades linguísticas é necessário sentir que elas oferecem algo em comum e também distinguir a natureza das relações que regem as associações Certo Errado 19 Marque a alternativa correta Signo é I o resultado da soma do significante com o significado II a união do sentido com a imagem acústica III formado de duas faces significante e significado a Somente a alternativa I está correta b Somente a alternativa III está correta c As alternativas I II III estão corretas d Todas as alternativas acima estão erradas 20 Marque V ou F Para Saussure sentido não é a mesma coisa que conceito ou idéia O signo linguístico é uma entidade psíquica de duas faces 21 Marque a alternativa correta a Os contraditores consideram as onomatopéias palavras imotivadas LÍNGUAFALA As Dicotomias Saussurianas A doutrina de Saussure baseiase numa série de pares de distinções atribuídas por Georges Mounin 1973 54 à sua mania dicotômica Citando o próprio Saussure A linguagem é redutível a cinco ou seis dualidades ou pares de coisas Mounin nos revela que o mestre de Genebra estava bem consciente de sua perspectiva dicotômica o que aliás é confirmado logo nas primeiras páginas do Curso de linguística geral Afirma Saussure CLG 15 o fenômeno linguístico apresenta perpetuamente duas faces que se correspondem e das quais uma não vale senão pela outra Comecemos pela oposição fundamental línguafala LÍNGUAFALA Esta é sua dicotomia básica e juntamente com o par sincroniadiacronia constitui uma das mais fecundas Fundamentada na oposição socialindividual revelouse com o tempo extremamente profícua O que é fato da língua langue está no campo social o que é fato da fala ou discurso parole situase na esfera do individual Reposando sua dicotomia na Sociologia ciência nascente e já de grande prestígio então Saussure p 16 afirma e adverte ao mesmo tempo a linguagem tem um lado individual e um lado social sendo impossível conceber um sem o outro A língua Do exame exaustivo do Curso depreendemos três concepções para língua acervo linguístico instituição social e realidade sistemática e funcional Analisemolas à luz do CLG A língua como acervo linguístico A língua é uma realidade psíquica formada de significados e imagens acústicas constituise num sistema de signos onde de essencial só existe a união do 49 b Existem as onomatopéias autênticas tictac gluglu pouco numerosas c Mattoso Camara acha que as onomatopéias são imitações fiéis e diretas dos ruídos naturais 22 As entidades concretas da língua são os signos os conceitos as imagens acústicas as sílabas 23 A entidade linguística só existe pela associação do significante e do significado Certo Errado 24 Nos exemplos Vou tomar 1 a lição e Vou tomar 2 café tomar 1 e tomar 2 constituem a mesma unidade linguística isto é têm o mesmo valor Certo Errado 25 O vínculo entre dois empregos da mesma palavra não se baseia nem na identidade material nem na exata semelhança de sentido Certo Errado 26 A espada vence mas não convence Espada força é um caso de metonímia Tratase de uma metassemia um exemplo de a motivação interna b motivação externa 27 Em guardaroupa temos um caso de motivação interna Justifique a afirmativa com suas palavras sentido e da imagem acústica onde as duas partes do signo são igualmente psíquicas p 23 é um tesouro depositado pela prática da fala em todos os indivíduos pertencentes à mesma comunidade um sistema gramatical que existe virtualmente em cada cérebro ou mais exatamente nos cérebros dum conjunto de indivíduos p 21 a língua é uma soma de sinais depositados em cada cérebro mais ou menos como um dicionário cujos exemplares todos idênticos fossem repartidos entre os indivíduos p 27 A língua como acervo linguístico é o conjunto de hábitos linguísticos que permitem a uma pessoa compreender e fazerse compreender p 92 e as associações ratificadas pelo consentimento coletivo e cujo conjunto constitui a língua são realidades que têm sua sede no cérebro p 23 A língua enquanto acervo guarda consigo toda a experiência histórica acumulada por um povo durante a sua existência Disso nos dá testemunho o Latim símbolo permanente da cultura e das instituições do povo romano A língua como instituição social Saussure considera da mesma forma que Whitney que a língua não está completa em nenhum indivíduo e só na massa ela existe de modo completo p 21 por isso ela é ao mesmo tempo realidade psíquica e instituição social Para Saussure a língua é ao mesmo tempo um produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos p 17 é a parte social da linguagem exterior ao indivíduo que por si só não pode nem criála nem modificála ela não existe senão em virtude de uma espécie de contrato estabelecido entre os membros da comunidade p 22 A língua como realidade sistemática e funcional Este é o conteúdo mais importante do conceito saussuriano a respeito da língua Para o mestre de Genebra a língua é antes de tudo um sistema de signos distintos correspondentes a idéias distintas p 18 é um código um sistema onde de essencial só existe a união do sentido e da imagem acústica p 23 Saussure vê a língua como um objeto de natureza homogênea p 23 e que portanto se enquadra perfeitamente na sua definição basilar a língua é um sistema de signos que exprimem idéias p 24 A fala ao contrário da língua Saussure a apresenta multifacetada e heterogênea Diz o mestre que a fala é um ato individual de vontade e inteligência no qual convém distinguir 1 as combinações pelas quais o falante realiza o código da língua no propósito de exprimir seu pensamento pessoal 2 o mecanismo psicofísico que lhe permite exteriorizar essas combinações p 22 Saussure classifica a fala como o lado executivo da linguagem cuja execução jamais é feita pela massa é sempre individual e dela o indivíduo é sempre senhor nós a chama remos fala p 21 E complementaríamos fala em oposição a língua A fala é a própria língua em ação enérgeia atividade e não érgon produto Aprofundando a base teórica dessa dicotomia fundamental para a compreensão da obra de Saussure somos levados a reconhecer a influência incontestável e decisiva que o debate entre os dois expoentes da Sociologia de então Durkheim e Tarde exerceu sobre ele Sua dicotomia parece ter sido uma tentativa de conciliação entre as duas posições sociológicas vigentes Da idéia de fait social fato social de Durkheim procede a postulação da língua segundo Lepschy 197130 Porque ambas tanto a idéia de língua como a de fato social se referem a fatos psicossociais externos ao indivíduo sobre o qual exercem uma contrainte coerção e existentes na consciência coletiva do grupo social Por outro lado o reconhecimento do elemento individual a fala estaria em consonância com as idéias de Gabriel Tarde É oportuno lembrar também a concepção durkheimiana segundo a qual a sociedade prima sobre o indivíduo pois como afirma Giani sd 1957 o controle social existe em função da manutenção da organização social O homem não passa de uma parcela do pensamento coletivo ainda segundo Giani p 44 o indivíduo é em grande parte aquilo que a sociedade espera que ele seja Cada grupo social incute em seus membros um conjunto de maneiras de pensar sentir e agir Diante disso compreendese por que razão Saussure atribuiu papel destacado ao estudo da língua e minimizou a fala Para Saussure CLG 25 sendo a língua uma instituição social socialmente é que devem ser estudados os seus signos uma vez que o signo é social por natureza Considera ele que a língua como representação coletiva se impõe ao indivíduo inapelavelmente Nenhum indivíduo tem a faculdade de criar a língua nem de modificála conscientemente Ela é como uma armadura dentro da qual nos movimentamos no diaadia da interação humana Como qualquer outra instituição social a língua se impõe ao indivíduo coercitivamente Por isso ela constitui um elemento de coesão e organização social A fala A fala ao contrário da língua por se constituir de atos individuais tornase múltipla imprevisível irredutível a uma pauta sistemática Os atos linguísticos individuais são ilimitados não formam um sistema Os atos linguísticos sociais bem diferentemente formam um sistema pela sua própria natureza homogênea Ora a Linguística como ciência só pode estudar aquilo que é recorrente constante sistemático Os elementos da língua podem ser quando muito variáveis mas jamais apresentam a inconstância a irreverência a heterogeneidade características da fala a qual por isso mesmo não se presta a um estudo sistemático Diznos o mestre suíço à p 18 do CLG Para atribuir à língua o primeiro lugar no estudo da linguagem podese enfim fazer valer o argumento de que a faculdade natural ou não e para Saussure o ser natural ou não é irrelevante preocupase unicamente com a língua em si mesma de articular palavras não se exerce senão com a ajuda de instrumento criado e fornecido pela coletividade não é então ilusório dizer que é a língua que faz a unidade da linguagem E sustentando a autonomia dos estudos da língua afirma à p 22 a língua é uma coisa de tal modo distinta que um homem privado do uso da fala conserva a língua contanto que compreenda os signos vocais que ouve Não obstante Saussure p 27 insiste sempre na interdependência dos dois constituintes da linguagem esses dois objetos estão estreitamente ligados e se implicam mutuamente a língua é necessária para que a fala seja inteligível e produza todos os seus efeitos mas esta é necessária para que a língua se estabeleça E adverte p 27 historicamente o fato da fala vem sempre antes É importante a propósito registrar a concessão feita por Saussure p 27 ao elemento individual com toda a certeza inspirada em Gabriel Tarde é a fala que faz evoluir a língua são impressões recebidas ao ouvir os outros que modificam nossos hábitos linguísticos É tal a interdependência entre a língua e a fala que Saussure considera a língua ao mesmo tempo instrumento e produto da fala O próprio mecanismo de funcionamento da linguagem repousa nessa interdependência como ressalta Saussure p 27 Como se imaginaria associar uma idéia a uma imagem verbal se não se surpreendesse de início esta associação num ato de fala Por outro lado é ouvindo os outros que aprendemos a língua materna ela se deposita em nosso cérebro somente após inúmeras experiências Depreendese do arrazoado saussuriano que tanto o funcionamento quanto a exploração das potencialidades da linguagem estão intimamente ligados às implicações mútuas existentes entre os elementos língua e fala A feliz dicotomia línguafala é o ponto de partida para Saussure postular uma Linguística da língua e uma Linguística da fala embora Mounin 1973 69 le de relações entre as peças estão para forma assim como as peças do jogo estão para substância Uma frase como Vô comprá dois pão apresenta alteração apenas na substância Sua estrutura apesar do fator extralingüístico erro desvio em relação à norma culta continua a ser a de uma frase da língua portuguesa Ela conserva toda a gramaticalidade sintática do sistema lingüístico português isto é da língua portuguesa e toda a coerência interna inerente aos elementos desse sistema sujeito verbo auxiliar verbo principal objeto determinante determinado Portanto sua forma o que é de fato relevante para o funcionamento do sistema não sofreu em nada com a mudança acidental das propriedades físicas de sua substância Dito de outro modo forma língua substância fala Mesmo tendo dado tanta ênfase ao estudo da língua Saussure não deixou de tratar também da substância fala reconhecendo que a sua função é fazer a ligação com a forma que é em última análise para ele a verdade total Reportandonos ao pensamento lingüístico da Grécia Antiga diríamos que Saussure admitiu tacitamente que a língua não é só analogia ela tem também as suas sólidas e saudáveis anomalias Cabenos entretanto chamar a atenção para o fato de que a nosso ver o conceito de forma estrutura não exclui o componente semântico Ao contrário o componente semântico é que dá sentido à noção de forma sem o quê forma corre o risco de tornarse letra morta concepção sem serventia para a ciência lingüística principalmente para a Linguística dita estrutural Como adverte o Prof Sílvio Elia 1978 120 linguagem é significação Desse modo concebemos forma como coerência sintática coerência semântica Coerência sintática espécie de sintaxe mental ou estruturação do pensamento existe por exemplo tanto em O menino chutou a bola como em A bola chutou o menino Em ambas as orações é inegável a realização sintaticamente coerente de um dos padrões frasais básicos da língua portuguesa isto é sujeito verbo objeto direto Só a primeira frase entretanto encontra correspondência conceitual feedback ou repercussão lingüística no espírito do falante justamente por ser a única que contém uma verdade semântica confiável uma coerência significativa que constitui juntamente com a coerência sintática da frase um todo individualizador e pertinente do ponto de vista da intercomunicação lingüística Uma Crítica à LínguaFala Não se pense que a dicotomia saussuriana tenha ficado ao abrigo de críticas nesse seu mais de meio século de existência A principal delas partiu do lingüista romeno Eugenio Coseriu 1973 70 que propôs uma divisão tripartida segundo o modelo abaixo por achar insuficiente a bipartição saussuriana fala uso língua norma intermediária sistema funcional A divisão de Coseriu 1973 97 vai do mais concreto fala ao mais abstrato língua passando por um grau intermediário a norma Segundo ele o sistema funcional língua es un conjunto de oposiciones funcionales la norma es la realización colectiva del sistema que contiene el sistema mismo y además los elementos funcionalmente nopertinentes pero normales en el hablar de una comunidad A fala por sua vez na concepção coseriana 1973 98 es la realización individualconcreta de la norma que contiene la norma misma y además la originalidad expresiva de los individuos hablantes Francisco da Silva Borba 1970 67 define a norma como um conjunto de realizações constantes e repetidas de caráter sociocultural e dependente de vários fatores operantes na comunidade idiomática Em outras palavras há realizações consagradas pelo uso e que portanto são normais em determinadas circunstâncias lingüísticas circunstâncias estas previsíveis pelo sistema funcional É à norma que nos prendemos de forma imediata conforme o grupo social de que fazemos parte e a região onde vivemos A norma seria assim um primeiro grau de abstração da fala Considerandose a língua o sistema um conjunto de possibilidades abstratas a norma seria então um conjunto de realizações concretas e de caráter coletivo da língua Segundo Coseriu 1973 90 a norma é o como se diz e não o como se deve dizer por isso los conceptos que con respecto a ella se oponen son normal y anormal y no correcto e incorrecto Em resumo em termos coserianos a fala é o real individual a norma é o real coletivo e a língua é o ideal coletivo nem sempre nor vante dúvida a respeito da autenticidade dessa postulação por parte do mestre Mounin prefere atribuíla a Bally e Sechehaye sendo que para o mestre genebrino a Linguística propriamente dita é aquela cujo único objeto é a língua Unicamente desta última é que cuidaremos CLG 28 ressalva Saussure Desse modo vemos que Saussure realmente tinha plena consciência da natureza opositiva dos fenômenos lingüísticos Eis suas próprias palavras p 28 Esta é a primeira bifurcação que se encontra quando se procura estabelecer a teoria da linguagem SistemaNãoSistema A razão de Saussure haver preferido tomar o caminho da língua quando se viu diante de sua famosa bifurcação encontrase em outra oposição conseqüente sistemanãosistema isto é sistema língua nãosistema fala Sendo o sistema superior ao indivíduo supraindividual todo elemento lingüístico deve ser estudado a partir de suas relações com os outros elementos do sistema e segundo sua função a língua é um sistema do qual todas as partes podem e devem ser consideradas em sua solidariedade sincrônica CLG 102 e não por suas características extralingüísticas físicas psicológicas etc O conhecido exemplo do jogo de xadrez esclarece cabalmente o pensamento saussuriano nesse particular As peças de um jogo de xadrez são definidas unicamente segundo suas funções e de acordo com as regras do jogo A forma a dimensão e a matéria de cada peça constituem propriedades puramente físicas e acidentais que podem variar extremamente sem comprometer a identidade da peça Essas características físicas são irrelevantes para o funcionamento do sistema o jogo de xadrez Uma peça até pode ser substituída por outra desde que a substituta venha a ser utilizada conforme as regras do jogo Levando para o sistema lingüístico o exemplo de Saussure temos que todo elemento lingüístico uma vogal uma consoante um acento um fonema um morfema etc deve ser definido lingüisticamente apenas de acordo com suas relações sintagmáticas e paradigmáticas com os outros elementos ou por sua função no sistema e não levandose em conta suas acidentais propriedades modo de formação estrutura acústica variantes morfofonêmicas etc Aqui tornase pertinente introduzir outra postulação saussuriana segundo a qual A Língua é uma Forma e não uma Substância CLG 141 Forma para Saussure é usada no sentido filosófico isto é como essência e não no sentido estético como aparência A teia de relações entre os elementos lingüísticos é que constitui a forma Os elementos da rede constituem a substância Voltando ao exemplo do jogo de xadrez diríamos que as regras do jogo a teia mal embora possível e disponível Vejamos alguns exemplos da oposição normasistema no português do Brasil O conhecido š chiiante pósvocálica variante de s é norma no Rio de Janeiro em todas as classes sociais gás gaš mês meš basta bašta Já no Sul a pronúncia sancionada pelo uso ou norma é marcadamente alveolar basta mès gás No campo da Morfologia o sistema dispõe dos sufixos ada e edo ambos com o sentido de coleção Enquanto para designar grande quantidade de bichos a norma culta prefere o primeiro bicharada a norma geral no falar gaúcho consagrou o segundo bicharedo O mesmo acontece com os sufixos diminutivos inho e ito ambos disponíveis no sistema funcional a norma fora do Rio Grande do Sul é dizerse salaminho já em terras gaúchas o uso sancionou salamito No plano sintático a língua sistema portuguesa dispõe dos advérbios já e mais que quando usados numa frase negativa indicam a cessação de um fato ou de uma ação A norma brasileira preferiu o segundo eu não vou mais não chove mais a portuguesa optou pelo primeiro eu já não vou já não chove O português do Brasil prefere descrever um fato em progressão dizendo estou estudando aux gerúndio já em Portugal a norma é usarse aux infinitivo estou a estudar Ainda com relação à norma brasileira não podemos deixar de mencionar o já consagradíssimo ter no lugar de haver com o sentido de existir uso inclusive já referendado por vários autores nacionais de peso Drummond e Bandeira entre outros Como diz Santos 1979 19 norma é o conjunto das realizações lingüísticas constantes do sistema É ela que revela como o sistema funciona numa coletividade Por exemplo a língua portuguesa dispõe de dois prefixos com valor negativo in e des Ambos fazem parte além de outros do nosso sistema lingüístico e se encontram à disposição dos falantes de língua portuguesa isto é existem em potencial O uso de um ou de outro vai depender da comunidade lingüística esta é quem estabelece o que é normal o que se diz ou anormal o que se poderia dizer Assim sendo a norma coletiva consagrou infeliz e não desfeliz Inversamente preferiu descontente e rejeitou incontente Ao falante como parcela do pensamento coletivo só cabe aceitar inapelavelmente o que o seu grupo lingüístico consagrou v a propósito a arbitrariedade do signo lingüístico pois na língua não existe propriedade privada tudo é socializado Do exposto concluímos que a norma é a realização da língua e a fala por sua vez a realização da norma como o demonstra figuradamente o modelo coseriano 1973 95 abaixo ABCD fala realização individual do subcódigo abcd norma subcódigo abcd língua código Tipos de Norma As variantes coletivas ou subcódigos dentro de um mesmo domínio lingüístico dividemse em dois tipos principais diatópicas variantes regionais ou normas regionais diastráticas variantes culturais ou registros As variantes diatópicas caracterizam as diversas normas regionais existentes dentro de um mesmo país e até dentro de um mesmo Estado como o falar gaúcho o falar mineiro etc As variantes diastráticas intimamente ligadas à estratificação social evidenciam a variedade de diferenças culturais dentro de uma comunidade e podem subdividirse em norma culta padrão ou nacional norma coloquial tensa ou distensa e norma popular também chamada de vulgar Há também as variantes diafásicas que dizem respeito aos diversos tipos de modalidade expressiva familiar estilística de faixa etária etc Além das variantes citadas existem ainda as chamadas línguas especiais É o caso das gírias dos jargões das línguas técnicas das línguas religiosas e da língua literária esta pela sua especificidade de discurso eminentemente estético admite e revaloriza todas as demais variantes do sistema realizandose assim como uma espécie de supranorma Constatamos assim a pertinência da divisão tripartida de Coseriu Todos os exemplos acima quer caracterizando o falar de uma região quer identificando o próprio português do Brasil mostram a propriedade e a conveniência do fator intermediário norma entre a fala individual e a língua social fator este que convém observar não chega a comprometer o sistema funcional língua Ressalvese contudo que a concepção saussuriana de língua como instituição social se aproxima de certo modo da teoria da norma de Coseriu Invertendo o ponto de vista de Saussure que prioriza uma Linguística da língua produto érgon Coseriu 1973 285 por sua vez privilegia uma Linguística da fala ou discurso produção atividade enérgeia Ao priorizar a atividade linguística hablar o linguista romeno lança os fundamentos da Linguística Textual o que o aproxima das concepções humboldtiana e vossleriana da linguagem com suas inerentes implicações de ordem estilística Ouçamos os argumentos de Coseriu p 287 En primer término parece necesario un cambio radical de punto de vista no hay que explicar el hablar desde el punto de vista de la lengua sino viceversa Ello porque el lenguaje es concretamente hablar actividad y porque el hablar es más amplio que la lengua mientras que la lengua se halla toda contenida en el hablar el hablar no se halla todo contenido en la lengua Por conceber o exercício da linguagem como a integração de três aspectos o universal o histórico e o individual ressalta Coseriu p 285 que el lenguaje se da concretamente como actividad o sea como hablar Em coerência com seu ponto de vista o Autor propõe um lugar de destaque para a Linguística do discurso ou do texto dizendo o seguinte p 289 Existe asimismo una lingüística del texto o sea del hablar en el nivel particular que es también estudio del discurso y del respectivo saber La llamada estilística del habla es justamente una lingüística del texto De qualquer forma é reconhecidamente incontestável o valor da famosa distinção saussuriana entre língua e fala para a Linguística contemporânea Sua primeira dicotomia investida de verdadeiro valor epistemológico é e será sempre um fundamento da ciência linguística Concluindo o exame da dicotomia línguafala apresentamos abaixo um quadro comparativo o mais exaustivo possível de suas características principais LÍNGUA FALA social individual homogênea heterogênea sistemática assistemática abstrata concreta constante variável duradoura momentânea conservadora inovadora ideal real permanente ocasional supraindividual individual essencial acidental psíquica psicofísica instituição práxis ação essência existência potencialidade realidade fato social ato individual unidade diversidade forma substância produto produção indivíduo subordinado indivíduo senhor instrumento e produto da fala língua em ação sistema realização adotada pela comunidade surge no indivíduo potencialidade ativa de produzir a fala faz evoluir a língua necessária para a inteligibilidade e necessária para que a língua se estabeleça execução da fala 1 1 1 I 1 1 1 competência desempenho FORMA SUBSTÂNCIA essência aparência psíquica psicofísica estrutura conjuntura constante circunstancial língua fala 59 NORMAS normas ou variantes diatópicas falares regionais diastráticas culta padrão tensa coloquial distensa popular diafásicas modalidades expressivas LINGUÍSTICAS a da língua funcional b da fala textual 60 LínguaFala Norma 1 Numere a 1ª coluna de acordo com a 2ª Estudo científico da linguagem humana 1 Signo É um conjunto de estruturas psíquicas que torna possível ao emissor traduzir a idéia que deseja expressar em um sinal manifesto e que capacita o receptor a reconstituir a idéia a partir desse sinal 2 Linguagem União do sentido mais a imagem acústica 3 Fala Conjunto de realizações constantes e repetidas de caráter sociocultural 4 Lingüística Sua aquisição não depende de maneira decisiva da expressão verbal 5 Língua Execução pelo indivíduo das potencialidades da língua 6 Norma 2 Assinale as letras cujo enunciado você considera incorreto a As crianças incapazes de usar seus órgãos da fonação para produzir sons vocais podem no entanto aprender uma língua sem dificuldades especiais b Uma criança pode inventar uma língua a partir do nada c Estar exposto ao uso de uma língua é o requisito mínimo para pôr em funcionamento o mecanismo da linguagem d Não existe uma interdependência da língua e da fala pois não é ouvindo os outros que aprendemos a língua materna 3 Completar com um dos itens entre parênteses a A fala é um ato de vontade e de inteligência individualsocial b A língua é Constituise de um sistema de signos heterogêneahomogênea 61 Introdução Esta é uma resenha da obra intitulada A linguística geral de Ferdinand de Saussure cuja autoria é de Valdir do Nascimento Flores A obra aqui resenhada foi publicada pela editora Contexto em 2023 em sua primeira edição No que diz respeito à autoria dessa obra reconhecemos que a formação e a experiência do autor contribuem para a condução dos temas sobre os quais ele se propõe a escrever O autor apresenta as ideias de Saussure de forma clara e organizada com objetivo de tornar acessíveis os conceitos complexos da linguística estrutural O autor da obra Para Compreender Saussure é Castelar de Carvalho Este livro apresenta os conceitos fundamentais da teoria linguística de Ferdinand de Saussure em uma linguagem clara e lógica Os estudos saussurianos continuam na ordem do dia Podese dizer que o livro póstumo de 1916 o tão famoso Cours de Linguistique Generale com o correr do tempo renova a sua atualidade O surto estruturalista data por exemplo da década de 30 Carvalho reconhece que o CLG obra póstuma organizada por Bally e Sechehaye é de difícil assimilação para iniciantes Por isso sua proposta é oferecer uma introdução clara lógica e estruturada que permita ao leitor compreender as bases metodológicas e epistemológicas da linguística saussuriana O trabalho de Castelar de Carvalho mostra como explicar teoria de um jeito fácil mas sem deixar de ser correto Ao organizar as ideias de Saussure e mostrar quando elas surgiram o autor ajuda os alunos a pensar por si mesmos e espalha o estudo da linguagem no Brasil Mesmo que o livro não fale de tudo que Saussure pensou ele ensina bem e ainda serve como uma boa apresentação do assunto Então vale a pena ler se você quer entender o básico da linguística e começar a estudar a linguagem AS FONTES UTILIZADAS O autor constrói essa curta seção trazendo novamente o objetivo do livro que escrevera o que nos parece uma excessiva justificativa para os possíveis especialistas da linguística saussuriana que o lerão Entendemos que se se trata de um público iniciante e se no início já foi apresentado ao leitor o objetivo principal da obra essa reiteração não se manifesta significativamente produtiva Linguistica Pré Saussuriana A obra detalha a evolução da linguistica antes de Saussuredestacando três fases principais Filosófica filológica e históricocomparativa Fase Filosófica marcada pelas reflexões dos gregos sobre a origem da linguagem Eles foram os precursores com suas profundas reflexões em torno da origem da linguagemSeus estudos abrangiam disciplinas como etimologiasemânticaretóricamorfologia fonologia e sintaxeOs analogistas e anomalistas debatiam se a linguagem era baseada na lógica ou no uso corrente Fase FilológicaCaracterizada pelo estudo de elucidação de textos Foco na morfologia sintaxe e fonética A escola alemã de Wolf estendeu o campo da filologia para incluir o estudo dos costumes e instituições Os alexandrinos queriam ser mais filológicos e menos filosóficos Fase Históricocomparativa Impulsionada pela descoberta do sânscritoRevelou as relações genéticas entre diversas línguas indo europeias Franz Bopp é considerado o fundador da linguistica comparativaRasmus Rask e Jacob Grimm foram pioneiros na linguistica históricocientifica A divisão em fases ajuda a compreender a evolução do pensamento linguistico e a situar a contribuição de Saussure em panorama histórico Estrutura da Obra O livro está dividido em três grandes partes além de apêndices e advertências de diferentes edições Parte I A Linguística PréSaussuriana Apresenta a trajetória dos estudos linguísticos antes de Saussure destacando três fases filosófica filológica e históricocomparatista Carvalho mostra como a linguística antes de se consolidar como ciência esteve ligada à filosofia à gramática normativa e à filologia até alcançar o status científico no século XIX Parte II A Linguística Saussuriana É o núcleo da obra Aqui são expostos os principais conceitos de Saussure signo linguístico arbitrariedade linearidade dicotomias fundamentais línguafala sincroniadiacronia relações sintagmáticasparadigmáticas valor linguístico Carvalho explica como essas ideias romperam com o modelo históricocomparatista e inauguraram uma nova forma de pensar a linguagem Parte III Repercussões das Ideias de Saussure Discute a influência do pensamento saussuriano em correntes posteriores como o estruturalismo europeu e a glossemática de Hjelmslev Mostra também como a obra de Saussure continua sendo revisitada e reinterpretada ao longo do século XX Principais Conceitos Carvalho sistematiza os conceitos centrais da teoria saussuriana Signo Linguístico definido como a união entre significante imagem acústica e significado conceito É uma entidade psíquica de duas faces comparável a uma moeda Princípios do Signo Arbitrariedade não há relação natural entre significante e significado Linearidade o significante se desenrola no tempo de forma linear Dicotomias Fundamentais Língua vs Fala a língua é o sistema coletivo e social a fala é o uso individual Sincronia vs Diacronia estudo da língua em um estado fixo vs estudo da evolução histórica Sintagma vs Paradigma relações lineares entre elementos vs relações associativas Valor Linguístico o sentido de uma palavra depende das diferenças que mantém em relação às demais Repercussões das Ideias de Saussure Carvalho mostra que o pensamento saussuriano não se esgotou no CLG Ao contrário continua sendo revisitado e reinterpretado Estruturalismo na década de 1930 o estruturalismo europeu se consolidou com base nas ideias de Saussure Glossemática Louis Hjelmslev desenvolveu uma teoria estrutural mais formalizada ampliando os princípios saussurianos Semiótica a obra de Saussure dialoga com a semiótica de Charles Sanders Peirce embora partam de pressupostos diferentes Contribuições Didáticas Uma das grandes qualidades da obra é sua clareza didática Carvalho consegue expressar conceitos complicados em uma linguagem compreensível mantendo a precisão teórica Ele percebe que os estudantes em início de trajetória enfrentam obstáculos para entender o CLG e por isso estrutura os conteúdos de maneira sequencial e coerente Além disso incorpora exercícios e apêndices demonstrando sua atenção à prática de ensino O livro vai além de simplesmente apresentar teorias busca educar o leitor incentivandoo a refletir de forma crítica acerca dos princípios da linguística Análise Crítica A obra cumpre com excelência sua proposta de introdução didática No entanto por ser um manual apresenta algumas limitações Profundidade A discussão sobre as implicações do pensamento de Saussure poderia ser ampliada especialmente em relação ao estruturalismo francês à semiótica de Peirce e às teorias contemporâneas da linguagem Atualizaçãoembora a 9ª edição contenha seções adicionais sobre linguística textual o segundo livro ainda é focado em Saussure e sua recepção até meados do século XX Uma abordagem mais recente ao tema poderia considerar a recepção pósestruturalista e pragmática de Saussure Crítica Carvalho adota uma postura predominantemente expositiva com pouca problematização das limitações da teoria saussuriana Por exemplo não discute em profundidade as críticas feitas por correntes funcionalistas ou sociolinguísticas O valor é mais do que delimitação de fronteiras entre os signos é a garantia da sua existência Não há signos sem valor não há signos sem significados Logo o valor do signo é um valor semântico CARVALHO 1991 p 62 O valor na língua não existe senão com a função de estabelecer diferenças A língua é o lugar das diferenças e não das homogeneidades A língua e a linguagem não dizem o mundo por representálo por esse fato Saussure afirma que a língua não é uma nomenclatura 1991 p 79 Conclusão O trabalho de Castelar de Carvalho mostra como explicar teoria de um jeito fácil mas sem deixar de ser correto Ao organizar as ideias de Saussure e mostrar quando elas surgiram o autor ajuda os alunos a pensar por si mesmos e espalha o estudo da linguagem no Brasil A obra Para compreender Saussure de Castelar de Carvalho revelase como um esforço pioneiro e indispensável para a consolidação dos estudos linguísticos no Brasil Ao sistematizar e traduzir para uma linguagem clara os conceitos fundamentais da teoria saussuriana o autor cumpre uma função dupla de um lado oferece aos estudantes uma introdução acessível a um campo de conhecimento complexo de outro contribui para a difusão e valorização da linguística como ciência autônoma e rigorosa Mesmo que o livro não fale de tudo que Saussure pensou ele ensina bem e ainda serve como uma boa apresentação do assunto Então vale a pena ler se você quer entender o básico da linguística e começar a estudar a linguagem As ramificações do estruturalismo saussureano são o maior testemunho de seu legado e de sua importância para a Linguística e para as questões que definem seu objeto e suas interfaces O diálogo com as ideias trazidas por esta obra seminal como fizeram tantos pesquisadores que sucederam Ferdinand de Saussure alguns referidos brevemente nesta exposição se mantém vivo nos dias atuais o que confirma a força inspiradora do Curso de Linguística Geral

Envie sua pergunta para a IA e receba a resposta na hora

Recomendado para você

Av1 Arte e Literatura

5

Av1 Arte e Literatura

Linguística

UMG

Prova de Libras 405332 Pdf

5

Prova de Libras 405332 Pdf

Linguística

UMG

Resposta Pfv

1

Resposta Pfv

Linguística

UMG

CDC-Direitos-do-Consumidor-Lei-8078-1990-Resumo-Informativo

11

CDC-Direitos-do-Consumidor-Lei-8078-1990-Resumo-Informativo

Linguística

UMG

Origens Culturais da Aquisição do Conhecimento Humano - Michael Tomasello - Resumo

175

Origens Culturais da Aquisição do Conhecimento Humano - Michael Tomasello - Resumo

Linguística

UMG

Desafio: Desenvolvimento de Sistema de Gerenciamento de Catálogo de Músicas

1

Desafio: Desenvolvimento de Sistema de Gerenciamento de Catálogo de Músicas

Linguística

UMG

Direito-do-Consumidor-Relacao-Empresas-e-Principios

8

Direito-do-Consumidor-Relacao-Empresas-e-Principios

Linguística

UMG

Avaliação da Disciplina de LIBRAS - 2021.2

4

Avaliação da Disciplina de LIBRAS - 2021.2

Linguística

UMG

Simulado Av História da Educação Letras

6

Simulado Av História da Educação Letras

Linguística

UMG

Simulado Av1 Didática Letras

7

Simulado Av1 Didática Letras

Linguística

UMG

Texto de pré-visualização

Para compreender SAUSSURE Castelar de Carvalho O trabalho tem inciativades didátieas e de docena po sso os cursos dos noscros cursos superior e graduado e Co azunstise A linguage em é clara concisa lógica erxhc a estendida do Curso de Lingu Ícstica Geral nas suas linhas essenciais continua vålida Es primeirez que em federal portuguesa se faz uma a oresentação sisteme e coerente dos andcaros e dos meos lógicaos e da linguística sausuriana Prof Sírio Elia Castelar de Carvalho Para compreender SAUSSURE Fundamentos e Visão Crítica 9a edição reformulada Petropolis 2000 EDITORA VOZES Gilmar Tomazite 3149131 94110747 In memoriam Prof Silvio Elia Gilmar Henrique 2000 Editora Vozes Ltda Rua Frei Luís 100 25689900 Petrópolis RJ Internet httpwwwvozescombr Brasil Todos os direitos reservados Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma eou qualquer meios eletrônico ou mecânico incluindo fotocópia e gravação ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora ISBN 8532617840 Este livro foi impresso pela Editora Vozes Ltda SUMÁRIO Apresentação 9 Advertência da 1ª edição 11 Advertência da 2ª edição 12 Advertência da 3ª edição 13 Advertência da 9ª edição 14 I A Linguística PréSaussuriana 15 II A Linguística Saussuriana 21 A Teoria do Signo Linguístico 26 LínguaFala 49 SincroniaDiacronia 70 Relações Sintagmáticas e Paradigmáticas 86 A Noção de Valor 103 III Repercussões das Idéias de Saussure 113 Apêndice A Glossemática 127 Louis Hjelmslev 18991965 145 Bibliografia 146 Índice 149 APRESENTAÇÃO Os estudos saussurianos continuam na ordem do dia Podese até dizer que o livro póstumo de 1916 o tão famoso Cours de Linguistique Générale com o correr do tempo renova a sua atualidade O surto do movimento estruturalista data por exemplo da década de 30 retardado senão interrompido pelo desencadearse da Segunda Grande Guerra e no entanto as suas bases teóricas já estavam solidamente fincadas com os ensinamentos do mestre genebrino Do Cours deveseá falar como de uma obra aberta tais as perspectivas que oferece a quem costuma relêlo com visão reflexiva Facilmente então se imagina que outros caminhos iriam surgir e que se poderiam aprofundar os antigos depois que às páginas lúcida e escrupulosamente redigidas por Bally e Sechehaye foram acrescentados novos materiais da lavra do próprio Saussure Tal o que se deu em 1957 quando Godel publicou as Sources Manuscrites du Cours de Linguistique Générale Não creio que se possa afirmar que se tenha iniciado então um processo revisionista da doutrina delineada no Cours mas sem dúvida os manuscritos contribuíram para aclarar certos aspectos do pensamento linguístico de Saussure insuficientemente ou obscuramente expostos nesse grande livro Também os Cahiers Ferdinand de Saussure têm trazido novos elementos para melhor compreensão da lingüística saussuriana como se deu com as Notas Inéditas publicadas pelo mesmo Godel ou com as cartas de Saussure a Meillet tornadas conhecidas por intervenção de Benveniste Em 1967 aparece em Bari a tradução italiana do Cours comentada por Tullio De Mauro Corso di Linguistica Generale há uma 3a edição revista de 1970 Esse livro uma análise clarividente da obra de Saussure tornouse indispensável Tanto na Introdução como nos Comentários Tullio De Mauro procura atingir a coerência profunda da doutrina exposta no Cours reflexo infelizmente de um pensamento que não chegou ao seu termo E fálo com mestria inteligência e lucidez Nessa linha de captação das reais e profundas idéias do mestre suíço fundamental é a edição crítica de Rudolf Engler 1968 onde se faz um confronto do texto do CLG com as notas de estudantes que lhe serviram de base Do mesmo Engler é o Lexique de la Terminologie Saussurienne 1968 Mas a vitalidade do pensamento saussuriano parece estar sempre renascendo Outros estudos têm aparecido multiplicamse as pesquisas e os ensaios de interpretação Em 1970 sai em Roma da lavra de R Simone uma Introduzione al 2º Corso di Linguistica Generale 19081909 E é de 1975 o livro de René Amacker discípulo de De Mauro intitulado singelamente Linguistique Saussurienne Tratase na verdade de uma tentativa de revisão do CLG com base exatamente no material recolhido após a publicação póstuma do Cours na qual se procura revelar Saussure como um teórico avançado cujos princípios epistemológicos estariam bastante próximos de certos postulados da ciência moderna particularmente no seu aspecto hipotéticodedutivo Embora haja renunciado a apresentar no referido livro a doutrina saussuriana como uma formalização fraca por motivos de ordem prática p 12 Amacker demonstra particular predileção pela interpretação do saussurianismo contida nestas palavras de Saussure em carta de 1911 a ML Gautier Pour le moment la linguistique générale mapparait comme un système de géométrie On about à des théorêmes quil faut démontrer p 14 Tudo isso mostra como sessenta anos depois continua vivo e fecundo o pensamento saussuriano Justificada está pois esta introdução do Prof Castelar de Carvalho ao estudo das basilares dicotomias saussurianas O trabalho tem finalidades didáticas e destinase aos alunos dos nossos cursos superiores de Letras e de Comunicação A linguagem é clara a ordenação lógica a doutrina extraída do CLG nas suas linhas essenciais continua válida É a primeira vez que em língua portuguesa se faz uma apresentação sistemática e coerente dos fundamentos metodológicos da lingüística saussuriana Os nossos alunos de Letras geralmente entram em contato com a Lingüística logo no primeiro ano de suas atividades universitárias O Curso de Linguística Geral que de início se lhes põe em mãos não é fácil de digerir Essa constatação pesou para que o Prof Castelar de Carvalho se abalançasse a esta introdução O livro portanto ao atingir a finalidade a que visou terá certamente e certeiramente cumprido o seu destino E generoso destino Porque a trajetória fascinante da Lingüística moderna começa realmente quando se transpõem as portas iluminadas do Curso de Linguística Geral Por conseguinte os nossos parabéns não só ao Prof Castelar de Carvalho mas igualmente a todos os universitários dos cursos superiores de Letras e de Comunicação do país Rio de Janeiro março de 1976 Silvio Elia Presidente do Círculo Linguístico do Rio de Janeiro ADVERTÊNCIA DA 1ª EDIÇÃO Este trabalho pretende ser um manual de consulta permanente escrito em linguagem simples didática e prática porém sem empobrecimento da objetividade científica inerente a uma obra dessa natureza Especialmente preocupado em aclarar as dúvidas e responder às interrogações de quantos se iniciam nos estudos lingüísticos em nossas Faculdades de Letras proporcionalhes ao mesmo tempo uma visão crítica sobre os pontos fundamentais da nossa ciência Nosso livrinho não inova em nada nem se arroga tal finalidade Sua originalidade se alguma existe consiste a nosso ver no tratamento sistematizante e eminentemente pedagógico que dispensamos a assuntos tão fugidios a alunos ainda não iniciados nas lides da ciência lingüística A experiência da sala de aula esse insubstituível laboratório de Didática em vários anos de contato direto com as turmas feznos sentir a falta de uma obra que destrinçasse a teoria revolucionária exposta no Curso onde nem sempre ela se apresenta suficientemente clara e a reunisse em um compêndio único sintetizador É que a doutrina de Saussure teve repercussões extraordinárias imprevisíveis à época da primeira edição do Curso de Lingüística Geral 1916 carreando para seu autor a consagração póstuma e o reconhecimento do meio universitário que hoje o considera sem favor o fundador da Lingüística científica Por essa razão rica e dispar é a bibliografia sobre o assunto Rica e geralmente complexa nem sempre especificamente voltada para aquele aluno recémsaído do vestibular que jamais ouvira falar de Saussure e o mais grave não familiarizado com uma linguagem de natureza técnicocientífica É nesse sentido que pretendemos estar oferecendo uma modesta contribuição aos alunos de Letras aos estudiosos em geral e mesmo aos já iniciados e experientes colegas de magistério Destes esperamos que nos honrem com sua leitura e nos enriqueçam o saber com suas críticas Desde já nossos agradecimentos em especial ao Professor Sílvio Elia incentivador e mestre cujas lições tivemos o privilégio de haurir Rio de Janeiro fevereiro de 1976 Castelar de Carvalho ADVERTÊNCIA DA 2ª EDIÇÃO Mais do que antes continua válida a advertência feita quando da 1ª edição O espírito da obra não mudou Na verdade consolidouse e enriqueceuse do que dá testemunho o esgotamento da edição anterior O presente volume além da revisão de praxe tem a mais uma breve notícia sobre as Escolas Estruturalistas um número relativamente grande de exercícios objetivos sobre cada unidade e um apêndice especial sobre a Glossemática Tratamola separada e detidamente pela magnitude de sua importância dentro da Lingüística saussuriana Reiteramos nossos agradecimentos ao Professor Sílvio Elia paciente revisor crítico assim como aos alunos e aos colegas pela acolhida carinhosa dada a este trabalho Rio julho de 1979 Castelar de Carvalho ADVERTÊNCIA DA 3ª EDIÇÃO No presente volume procuramos enriquecer a noção de forma e os capítulos consagrados às dicotomias sintagmaparadigma e sincroniadiacronia Acrescentamos também algumas achegas à parte que trata da arbitrariedade do signo lingüístico No mais esta 3ª edição conserva em espírito e em conteúdo a orientação dada às edições anteriores É com grande prazer que registramos mais uma vez nossos agradecimentos ao mestre e amigo Prof Silvio Elia por suas valiosas e perspicazes observações críticas Agradecemos igualmente aos alunos e aos colegas pela acolhida carinhosa que têm dado a este trabalho Rio janeiro de 1982 Castelar de Carvalho ADVERTÊNCIA DA 9ª EDIÇÃO A presente edição conserva o espírito e o conteúdo das anteriores em respeito ao público leitor que nos tem honrado com sua atenção nos vinte e quatro anos de sucessivas reedições deste livro Fizemos apenas a correção de gralhas tipográficas atualizamos e acrescentamos informações e incluímos algumas achegas relativas à Lingüística Textual Nesta oportunidade reverenciamos a memória do querido e saudoso mestre Prof Silvio Elia falecido em novembro de 1998 Suas imorredouras lições de vida e de saber linguístico continuam a orientar a trajetória desta obra Agradecemos mais uma vez aos alunos e professores pela acolhida carinhosa que têm dispensado ao nosso trabalho Um agradecimento especial a Pedro e Mariza pela inestimável ajuda prestada no preparo desta edição Rio fevereiro de 2000 Castelar de Carvalho I A LINGÜÍSTICA PRÉSAUSSURIANA Visão Geral da Lingüística antes de Saussure A Lingüística definida hoje como o estudo científico da linguagem humana é como diz Mounin 1972 25 um saber muito antigo e uma ciência muito jovem O Prof Mattoso Câmara Jr em seu Dicionário de lingüística e gramática a define como o estudo científico e desinteressado dos fenômenos linguísticos Mas nem sempre um estudo científico e muito menos desinteressado caracterizou sua trajetória secular Na verdade a Lingüística só foi adquirir status de ciência a partir do século XIX Até então o que havia era o estudo assistemático e irregular dos fatos da linguagem de caráter puramente normativo ou prescritivo ou ainda retrocedendo à Antigüidade grega especulações filosóficas sobre a origem da linguagem mescladas com estudos de Filologia Até chegar a delimitarse e definirse a si própria a Lingüística passou por três fases sucessivas 1ª Fase Filosófica Os gregos foram os precursores com suas profundas reflexões em torno da origem da linguagem Seus estudos calcados na Filosofia abrangeram a Etimologia a Semântica a Retórica a Morfologia a Fonologia a Filologia e a Sintaxe Baseavamse na Lógica analogistas ou no uso corrente anomalistas Tinham de início finalidades eminentemente práticas era uma Gramática voltada para a práxis para a ação o fazer Dionísio da Trácia séc I aC a chamou de Tékhné Grammatiké expressão traduzida mais tarde pelos romanos como Ars Grammatica Desse modo a Gramática surgiu no Ocidente como arte de ler e escrever como disciplina normativa que por seu comprometimento filosófico estava desprovida de uma visão científica e desinteressada da língua em si mesma Dominada doutrinariamente pela corrente dos analogistas aristotélica ou pela dos anomalistas estóicos a Gramática grega será reproduzida pelos romanos que numa tentativa de conciliar aquelas duas posições fazem nascer a Gramática das regras e das exceções A influência grega se fez sentir durante muitos séculos Marcando toda a Idade Média chegou a motivar na França em 1660 a elaboração de uma Gramática 17 geral a famosa Grammaire de PortRoyal de base puramente lógica coincidindo com a fase do Racionalismo O mérito dos estudiosos gregos é imenso nesse sentido pelo seu caráter precursor Na verdade as raízes do pensamento linguístico ocidental mergulham profundamente na Grécia Antiga 2ª Fase Filológica A Filologia se constitui numa segunda fase dos estudos lingüísticos Surgida em Alexandria por volta do século II aC batiase pela autonomia dos referidos estudos Os alexandrinos queriamnos mais filológicos e menos filosóficos Definindose historicamente como o estudo da elucidação de textos a Filologia dos alexandrinos de preocupação marcadamente gramatical dedicouse à Morfologia à Sintaxe e à Fonética Tendo influenciado bastante a Idade Média os estudos filológicos encontraram mais tarde em Friedrich August Wolf um de seus maiores divulgadores A partir do final do século XVIII a escola alemã de Wolf veio estendendo consideravelmente o campo e o âmbito da Filologia Além de interpretar e comentar os textos a Filologia procura também estudar os costumes as instituições e a história literária de um povo Entretanto seu ponto de vista crítico tornase limitado pelo fato de ela aterse demasiadamente à língua escrita deixando de lado a língua falada Contudo é forçoso reconhecer que as pesquisas filológicas serviram de base para o surgimento e a consolidação da Lingüística históricocomparatista 3ª fase Históricocomparatista A terceira fase da história da Lingüística começa com a descoberta do sânscrito entre 1786 e 1816 mostrando as relações de parentesco genético do latim do grego das línguas germânicas eslavas e célticas com aquela antiga língua da Índia A preocupação diacrônica em saber como as línguas evoluem e não como funcionam é que vai marcar toda essa fase Franz Bopp 17911867 o que melhor aproveitou o conhecimento do sânscrito é considerado o fundador da Lingüística Comparatista Seu livro Sobre o sistema de conjugação do sânscrito de 1816 abriu então novas perspectivas linguísticas Para Bopp a fonte comum das flexões verbais do latim do grego do persa e do germânico era o sânscrito Para ele o sânscrito era o idioma que mais se aproximava por sua estrutura morfológica de uma espécie de protolíngua indoeuropéia Apesar de não ter sido o descobridor do sânscrito é para Bopp que converge o mérito de haver sido o primeiro a realizar o estudo sistemático de línguas afins como matéria de uma ciência autônoma Ao lado do nome de Bopp citamse também como pioneiros da Lingüística históricocientífica o dinamarquês Rasmus Rask 17871832 e o alemão Jacob Grimm 17851863 Rasmus Rask escreveu um trabalho sobre a origem do velho 18 nórdico 1818 Rask mostra aí os pontos de contato entre as principais línguas indoeuropécias e as línguas nórdicas Jacob Grimm foi o primeiro a escrever uma gramática comparada das línguas germânicas a Deutsche Grammatik publicada em 1819 Grimm é considerado o pai do que mais tarde se chamariam leis fonéticas Os termos metafonia Umlaut e apofonia Ablaut são criações de Grimm Com o desenvolvimento da Filologia Comparada a Lingüística indoeuropéia experimentou extraordinário impulso A tendência dessa fase inicial da Lingüística Comparatista era identificarse com as ciências da natureza consoante o espírito da segunda metade do século XIX Essa tendência deu às primeiras idéias lingüísticas desse século um enfoque naturalista a princípio de base biológica o biologismo lingüístico as línguas nascem crescem e morrem como os organismos biológicos e a seguir de base física leis da Lingüística se aproximam das leis físicas leis fonéticas Neste caso salientouse o papel dos neogramáticos pelo excessivo esquematismo que deram às suas postulações A Lingüística Histórica ainda se prolonga por mais algumas décadas desdobrandose em um segundo momento numa reação aos neogramáticos caracterizada como fase culturalista 18901930 O culturalismo lingüístico combate o naturalismo então reinante era a oposição culturanatura Os estudiosos dessa fase afirmavam não haver correspondência entre as chamadas leis fonéticas e as leis da natureza As leis fonéticas são cronológicas e circunstanciais têm validade apenas para um determinado período histórico sofrem limitação espacial e só se manifestam em condições particulares As leis naturais ao contrário são atemporais e o mais importante universais Ora se as leis fonéticas fossem de fato leis naturais argumentavam os culturalistas o latim teria resultado numa única língua na França na Itália na Espanha em Portugal e nos demais domínios do Império Romano Portanto para o culturalismo lingüístico não existem leis fonéticas no sentido fisicalista Há isto sim circunstâncias históricoculturais que condicionam as alterações fonéticas Segundo o pensamento culturalista as línguas não existem por si mesmas São instrumentos culturais condicionados por fatores sociais históricos geográficos psicológicos e por isso mesmo de previsibilidade relativa e comportamento inconstante justamente o oposto do que acontece no campo das ciências naturais Em síntese podemos esquematizar o quadro dos estudos lingüísticos no século XIX e parte do séc XX da seguinte maneira fase naturalista 18101890 preocupação com a história interna da língua fase culturalista 18901930 preocupação com fatores externos condicionadores da língua históricoculturais II A LINGÜÍSTICA SAUSSURIANA Ferdinand de Saussure 18571913 Formação e obras À época em que Saussure recebeu sua formação acadêmica o Comparativismo indoeuropeu dominava os estudos linguísticos Fase decisiva e cujos êxitos marcantes sobre pontos importantes e essenciais da nossa ciência se constituíram no principal legado do século XIX ao século XX Saussure não poderia ficar imune a essa atmosfera científica e dela participou brilhantemente Tendo vivido em Leipzig e Berlim de 1876 a 1878 ai manteve contato com os expoentes da Linguística Comparatista de então dos quais recebeu sólido embasamento e decisiva influência Assim é que mais tarde durante os onze anos 18801891 em que foi diretor da École Pratique des Hautes Études em Paris passaram pelas suas mãos os mais importantes comparatistas franceses que dele receberam formação influência e continuidade É de 1879 a publicação da Mémoire sur le primitif système des voyelles dans les langues indoeuropéenes Apesar da orientação atomística própria da corrente neogramática Saussure inova em sua Mémoire situando o problema da reconstituição fonética do indoeuropeu sob uma perspectiva sistemática Sua tese de doutoramento um ano mais tarde intitulavase De lemploi du génitif absolu en sanskrit Além de artigos de Gramática comparada infelizmente nada mais nos legou em vida o genial mestre genebrino Seu Cours de linguistique générale CLG como sabemos resultou da compilação por dois discípulos seus dos três cursos de Linguística Geral que ministrara de 1906 a 1911 na Universidade de Genebra onde era titular desde 1896 Esses dois alunos foram Charles Bally e Albert Sechehaye com a colaboração de outro discípulo Albert Riedlinger Tratase portanto de obra póstuma e inacabada calçada em anotações colhidas em aula por seus alunos e como tal explicamse as possíveis obscuridades e contradições das idéias de Saussure Nela se reconhecem fórmulas de aspecto por vezes paradoxal onde salta aos olhos o estilo de ensino oral Apesar desse fato as idéias motrizes de sua obra póstuma por oposição ao método históricocomparatista dominante até então vieram revoluciona completamente o pensamento linguístico ocidental Na verdade Saussure foi um espírito mais projetado para o século XX do que voltado para o século XIX como sóia acontecer com os intelectuais de seu tempo 23 Hoje mais de meio século depois de seu desaparecimento Saussure é estudado com o respeito o cuidado e a atenção que merecem os gênios Todos quantos se aprofundam na pesquisa de suas postulações adquirem consciência da importância do Cours para a Linguística moderna e passam a compreender por que Saussure é considerado um divisor de águas no estudo científico da linguagem A Doutrina de Saussure O grande mérito de Saussure está antes de tudo no seu caráter metodológico um prolongamento da sua personalidade perfeccionista Era preciso em primeiro lugar pôr ordem nos estudos linguísticos Para poder criar e postular suas teorias com perfeição científica impunhaselhe antes um trabalho metodológico preliminar Os linguístas até então tratavam de coisas diferentes com nomes iguais e viceversa A ausência de uma terminologia adequada precisa objetiva de alcance universal e sabemos desde os gregos que só há ciência do universal instrumento de trabalho imprescindível a qualquer ciência digna do nome tolhilhes a expressão das idéias Por exemplo o termo língua tinha para alguns linguístas um determinado sentido para outros já adquiria conotação totalmente diversa A Linguística ressentiase de uma linguagem equívoca verdadeira colcha de retalhos terminológica e Saussure necessitava de uma linguagem unívoca de um padrão lingüístico de uma metalinguagem isto é de uma nova linguagem para expressar suas elucubrações Sua primeira tarefa portanto foi limpar o terreno para poder depois trabalhar A Linguística escreveu ele jamais se preocupou em determinar a natureza do seu objeto de estudo Ora sem essa operação elementar uma ciência é incapaz de estabelecer um método para si própria CLG 10 O esquema abaixo dá a idéia exata do que segundo Saussure é a forma racional que deve assumir o estudo lingüístico p 1154 linguagem língua fala sincronia diacronia relações associativas paradigmáticas relações sintagmáticas 24 Além disso inova também com sua famosa e polêmica Teoria do Signo Linguístico signo significante significado princípios do signo arbitrariedade linearidade A TEORIA DO SIGNO LINGUÍSTICO Signo significado significante Introdução Tipos de Sinais Saussure considera a língua como um sistema de signos formados pela união do sentido e da imagem acústica Tentemos agora aprofundar essa noção formulada pelo mestre genebrino Comecemos antes esclarecendo sinteticamente alguns pontos básicos vestibulares à teoria do signo A Semiologia ou Semiótica1 distingue dois tipos de sinais os naturais e os convencionais O sinal natural manifestase em forma de indicio físico como a fumaça a trovaada nuvens negras rastros o som o cheiro a luz etc ou em forma de sintoma fisiológico a pulsaçaõ a contração a dor a febre a fome o suor o espasmo etc O sinal convencional envolve maior complexidade e pressupõe a existência de uma cultura antropologicamente falando já estabelecida da qual ele é resultado e expressão produto e instrumento a um só tempo Pode apresentarse em forma de ícone símbolo ou signo O ícone do grego eikón imagem é imagístico por exemplo uma foto uma estatueta um desenho de alguém ou de algum lugar e caracterizase também por ser nãoarbitrário v princípio da arbitrariedade o signo totalmente arbitrário é a própria palavra2 enquanto que o símbolo semiarbitrário é um tipo intermediário entre o ícone e o signo por 1 A Semiologia ou Semiótica difere da Lingüística por sua maior abrangência enquanto a Lingüística é o estudo científico da linguagem humana a Semiologia preocupase não apenas com a linguagem humana e verbal mas também com a linguagem dos animais e de todo e qualquer sistema de comunicação seja ele natural ou convencional Desse modo a Lingüística inserese como uma parte da Semiologia Semiologia e Semiótica são termos permutáveis A primeira surgiu na Europa com Saussure e a segunda nos Estados Unidos com o filósofo Charles Sanders Peirce 2 Além da concepção saussuriana signo palavra com que é empregado neste trabalho o termo signo comporta um sentido mais amplo Neste caso os signos seriam não só as palavras mas também os gestos as imagens os sons não estritamente linguísticos como o apito de um trem o repicar de um sino as batidas do telégrafo o tilintar de uma campainha Compreendese assim a definição de Peirce 1975 94 O signo ou seu representamem é algo que sob certo aspecto ou de algum modo representa alguma coisa para alguém 26 exemplo a balança é o símbolo da Justiça a espada símbolo do Exército a cruz simboliza o Cristianismo uma vez que seu fundador nela morreu etc Por que Signo e não Símbolo Voltando ao CLG p82 convém lembrar antes de mais nada por que Saussure preferiu adotar o termo signe signo Utilizouse a palavra símbolo para designar o signo lingüístico ou mais exatamente o que chamamos de significante Há inconveniente em admitilo justamente por causa do nosso primeiro princípio o da arbitrariedade do signo O símbolo tem como característica não ser jamais completamente arbitrário ele não está vazio existe um rudimento de vínculo natural entre o significante e o significado O símbolo da justiça a balança não poderia ser substituído por um objeto qualquer um carro por exemplo A Natureza do Signo Retomando a definição inicial do signo como a união do sentido e da imagem acústica verificamos que o que Saussure chama de sentido é a mesma coisa que conceito ou idéia isto é a representação mental de um objeto ou da realidade social em que nos situamos representação essa condicionada plasmada pela formação sociocultural que nos cerca desde o berço Em outras palavras para Saussure conceito é sinônimo de significado algo como a parte espiritual da palavra sua contraparte inteligível em oposição ao significante que é sua parte sensível Por outro lado a imagem acústica não é o som material coisa puramente física mas a impressão psíquica desse som CLG 803 Melhor dizendo a imagem acústica é o significante Com isso temos que o signo lingüístico é uma entidade psíquica de duas faces CLG 80 semelhante a uma moeda e que Saussure representou pela seguinte figura conceito imagem acústica 3 Mais tarde Jacobson e a Escola Fonológica de Praga irão estabelecer definitivamente a distinção entre som material e imagem acústica Ao primeiro designaram de fone objeto de estudo da Fonética A imagem acústica denominaram de fonema conceito amplamente aceito e consagrado hoje na Fonologia 27 Os dois elementos significante e significado que constituem o signo estão intimamente unidos e um reclama o outro CLG 80 São interdependentes e inseparáveis Exemplificando diríamos que quando um falante de português recebe a impressão psíquica que lhe é transmitida pela imagem acústica ou significante kaza graças à qual se manifesta fonicamente o signo casa essa imagem acústica de imediato evocalhe psiquicamente a idéia de abrigo de lugar para viver estudar fazer suas refeições descansar etc Figurativamente diríamos que o falante associa o significante kaza ao significado domus tomandose o termo latino como ponto de referência para o conceito Fazendo uso da figura de Saussure teríamos neste caso casa domus kaza Podemos designar portanto o significante como a parte perceptível do signo e o significado como sua contraparte inteligível4 É importante advertir a esta altura que o signo une sempre um significante a um conceito a uma idéia a uma evocação psíquica e não a uma coisa pois segundo R Barthes 1972 46 o significado não é uma coisa mas uma representação psíquica da coisa O próprio Saussure teve o cuidado de chamar a atenção para o perigo de se supor que o signo une um objeto a um nome a um rótulo O lingüista deve ter sempre em mente que os termos implicados no signo lingüístico são ambos psíquicos e estão unidos em nosso cérebro por um vínculo de associação CLG 80 Desse modo o signo lingüístico resulta ser o produto concreto da união significante significado e nesse sentido Émile Benveniste 1971 142 sintetiza com feliz propriedade o pensamento de Saussure El significante y el significado la representación mental y la imagen acústica son por lo tanto las dos caras de una misma 4 Confrontose a propósito com o ponto de vista dos Estóicos os que mais aprofundaram os estudos linguísticos na Grécia Antiga segundo os quais o sémeion signo era constituído pela relação existente entre o sêmainon significante e o sêmainomenon significado A posição de Saussure é uma salutar retomada de uma concepção de uma terminologia que já eram boas no século II aC o que vem corroborar o que afirmamos no início deste trabalho as raízes do pensamento lingüístico ocidental mergulham profundamente na Grécia Antiga noción y se integran a título de incorporante e incorporado El significante es la traducción fónica de un concepto el significado el correlato mental del significante Esta consustancialidad del significante y el significado asegura la unidad estructural del signo lingüístico Ao incluir o significado na formulação do signo lingüístico Saussure demonstrou ter consciência plena de que não podem existir conceitos ou representações sem a respectiva denominação correspondente e com isso lançou as bases da Semântica moderna Uma Crítica à Teoria do Signo Do mesmo modo que outras postulações saussurianas também esta tem sido alvo da crítica de alguns lingüistas contemporâneos A mais importante delas referese ao fato de Saussure em virtude de encarar o signo como uma entidade bifacial não ter incluído um terceiro termo a coisa significada na sua teoria No caso seu esquema seria corrigido ou completado segundo seus contraditores se se adotasse em substituição o famoso triângulo de Ogden e Richards que vêem o signo constituido por uma relação triádica da seguinte maneira pensamento ou referência símbolo referente ou coisa Como podemos verificar o triângulo inclui o referente ou coisa significada embora ressaltando por meio da linha pontilhada da base que não existe nenhum vínculo direto entre a coisa e o símbolo o que o leva por outro caminho à relação bipolar e de natureza psíquica formulada por Saussure Numa adaptação ao esquema saussuriano teríamos o seguinte sdo domus OU ste coisa kaza De qualquer forma a crítica é pertinente pois o triângulo de Ogden e Richards reintroduz a coisa significada melhor dizendo a realidade sociocultural a qual quer seja considerada extralingüisticamente ou não não pode ser deixada de lado pela Semântica Princípios do Signo arbitrariedade linearidade A Arbitrariedade do Signo Lingüístico Como a soma do significante mais significado resulta num total denominado signo temos que o signo lingüístico é arbitrário CLG 81 Mas o que quer dizer Saussure com arbitrário Para ele arbitrário não deve dar a idéia de que o significado dependa da livre escolha do que fala porque não está ao alcance do indivíduo trocar coisa alguma num signo uma vez esteja ele estabelecido num grupo lingüístico queremos dizer que o significante é imotivado isto é arbitrário em relação ao significado com o qual não tem nenhum laço natural na realidade CLG 83 grifo nosso Desse modo compreendemos por que Saussure afirma que a idéia ou conceito ou significado de mar não tem nenhuma relação necessária e interior com a sequência de sons ou imagem acústica ou significante mar Em outras palavras o significado mar poderia ser representado perfeitamente por qualquer outro significante E Saussure argumenta para provar seu ponto de vista com as diferenças entre as línguas Tanto assim que a idéia de mar é representada em inglês pelo significante siː e em francês por mér Nesse sentido alega o autor do CLG p 82 que o significado da palavra francesa bœuf boi tem por significante böf de um lado da fronteira francogermânica e oks Ochs do outro O que pretendia Saussure é que digamos assim não existe o significante verdadeiro Qualquer um é válido No entanto apesar de se tratar do óbvio que a relação entre os dois constituintes do signo seja arbitrária esta tem sido a mais discutida e criticada postulação saussuriana reacendendo a famosa e milenar polémica existente entre os antigos filósofos gregos os quais se preocupavam em saber se o laço entre significante e significado era natural ou produto da convenção humana a célebre discussão em torno da THÉSEI relação convencional e PHYSEI relação natural Críticas ao Princípio da Arbitrariedade Alguns dos críticos de Saussure objetaram entre outras coisas que o signo na sua totalidade não é tão arbitrário como pretendia o mestre porque uma das suas duas faces o significante não poderia combinarse arbitrariamente com a sua segunda face o significado correspondente em outra língua Por exemplo o inglês ˈtiːʧə teacher não poderia jamais tornarse o significante do significado português professor se é que é possível representarse visualmente um significado porque ˈtiːʧə é parte inseparável e necessária assim pensam esses críticos de um signo cujo significado não é em todos os sentidos e nuances igual à idéia que nós falantes de português fazemos de professor5 Um outro crítico Émile Benveniste 1971 141 chega inclusive a corrigir o mestre ao pretender que el nexo que une a ambos ste e sdo no es arbitrario es necesario El concepto significado buey es por fuerza idéntico en mi conciencia al conjunto fónico significante bwéi Cómo iba a ser de otra manera Uno y otro juntos se han impreso en mi mente y juntos se evocan en toda circunstancia 5 Em nossa língua tanto o indivíduo que ensina a fazer bolos sem desfazer nos mestrescucas como o que leciona em um colégio ou em uma Universidade do mais elevado gabarito é conhecido como professor em inglês teacher é reservado apenas para o professor de 1 e 2 graus enquanto que professor distingue o professor universitário Ora somos levados a crer que os críticos do mestre de Genebra demonstram não terem apreendido o pensamento saussuriano em toda a sua profundidade e coerência Saussure postulava isto sim que o signo como um todo só tem valor situado dentro de um determinado sistema lingüístico do qual é parte integrante E como que prevendo a posteridade crítica adverte CLG 132 que é uma grande ilusão considerar um termo simplesmente como a união de certo som com um certo conceito Definilo o valor lingüístico do signo assim seria isolálo do sistema do qual faz parte E comprovando sua argumentação exemplifica p 134 O português carneiro na adaptação da tradução brasileira ou o francês mouton podem ter a mesma significação que o inglês sheep mas não o mesmo valor isso por várias razões em particular porque ao falar de uma porção de carne preparada e servida à mesa o inglês diz mutton e não sheep A diferença de valor entre sheep e mouton ou carneiro se deve a que o primeiro tem a seu lado um segundo termo o que não ocorre com a palavra portuguesa ou francesa cf com nosso ex ingl teacherprofessor e port professor Além do que foi exposto acima é muito importante lembrar que para Saussure a arbitrariedade do signo e nisso insistimos repousa no fato de que o falante não pode mudar aquilo que o seu grupo lingüístico já consagrou Não poderíamos jamais chamar mesa de livro e viceversa Ele sentouse ao livro para jantar ele está lendo uma mesa sem correr o risco de passarmos por insano Nesse particular aliás a coerência da argumentação saussuriana tornase mesmo incomum CLG 8788 Uma língua constitui um sistema Se esse é o lado pelo qual a língua não é completamente arbitrária e onde impera uma razão relativa é também o ponto onde avulta a incompetência da massa para transformála Dizemos homem e cachorro porque antes de nós se disse homem e cachorro E concluindo p 88 Justamente porque o signo é arbitrário não conhece outra lei senão a da tradição e é por basearse na tradição que pode ser arbitrário Na verdade há dois sentidos para arbitrário a o significante em relação ao significado livro book livre Buch biblion etc significantes diferentes para um mesmo significado b o significado como parcela semântica em oposição à totalidade de um campo semântico ingl teacherprofessor port professor ingl sheepmutton port carneiro Concluise daí como tão bem assinala o Prof Sílvio Elia que A argumentação saussuriana de fato não foi bem entendida por vários de seus críticos No sentido A por exemplo arbitrário significa simplesmente nãomotivado E aqui Saussure tem plena razão No sentido B que não está explícito no CLG o genebrino também é quem está com a razão O exemplo teacherprofessor mostra simplesmente que o corte semântico é arbitrário ao contrário do que pensam acontecer os seus contraditores Comentário em monografia do A A Questão das Onomatopéias e Interjeições O contraditor poderia se apoiar nas onomatopéias para dizer que a escolha do significante nem sempre é arbitrária CLG 83 Esta é outra objeção freqüente da crítica ao princípio da arbitrariedade do signo lingüístico mas o próprio Saussure já a anulara por antecipação O problema é que os contraditores consideram as onomatopéias palavras motivadas ao contrário dos outros signos que são imotivados por não guardarem nenhuma relação natural e lógica entre significante e significado porque elas sugerem pela forma fônica uma realidade Por exemplo dizemos que o gato mia mas não podemos dizer que o gato muge a voz do gato não faz lembrar em nada a do boi muge não poderia ser aplicado para descrever o som emitido pelo gato ao passo que mia se aproxima de algum modo do miau de um bichano Porém alerta Saussure tais casos não chegam a constituir elementos orgânicos de um sistema lingüístico CLG 83 pois ocorrem em número mais reduzido do que se supõe e só em raríssimos casos se encontra uma ligação íntima entre significante e significado Do mesmo modo as onomatopéias autênticas aquelas do tipo gluglu tictac etc não apenas são pouco numerosas mas sua escolha é já em certa medida arbitrária pois não passam de imitação aproximativa e já meio convencional de certos ruídos comparese o francês ouaoua e o alemão wauwau Além disso uma vez introduzidas na língua elas se engrenam mais ou menos na evolução fonética morfológica etc que sofrem as outras palavras cf pigeon do latim vulgar pipio derivado também de outra onomatopéia prova evidente de que perderam algo de seu caráter primeiro para adquirir o do signo lingüístico em geral que é imotivado CLG 83 De fato o protótipo natural que motivou o surgimento desta ou daquela onomatopéia parece sugerir a existência de um motivo de um rudimento de vínculo natural entre esta e seu modelo original dando a impressão de que o significante é motivado em relação ao significado isto é nãoarbitrário Mas tal impressão é ilusória Ruídos e sons naturais ao entrarem para um sistema lingüístico através da reprodução aproximada sugerida pelas onomatopéias amoldamse ao material fônico da língua e transformamse numa imitação convencional por isso variam de língua para língua O grasnar de um pato por exemplo dificilmente será reproduzido da mesma maneira em duas línguas diferentes em português quáquá em francês couincouin em dinamarquês raprap em alemão gackgack em romeno macmac em italiano quaqua em russo kriak em inglês quack em catalão mechmech v Serafim S Neto 1938 82 Este é também o pensamento do Prof Mattoso Camara Jr 1978 182 que endossa o que já vimos em Saussure Para ele as onomatopéias são constituídas com os fonemas da língua que pelo efeito acústico dão melhor reimpressão desse ruído Não se trata portanto de imitação fiel e direta do ruído mas da sua interpretação aproximada com os meios que a língua fornece Quanto às interjeições como tal já fazem parte do sistema lingüístico já estão estruturadas convencionalmente dentro de cada língua variando enormemente de uma para outra ai em português aie em francês au em alemão ouch em inglês etc Como diz Saussure p83 para a maior parte delas podese negar que haja um vínculo necessário entre o significado e o significante E para corroborar estas palavras de Saussure lembremos o exemplo da nossa interjeição aí espécie de cumprimento de saudação que aos ouvidos dos falantes de espanhol soa como o advérbio hoy hoje Concluímos portanto que a questão levantada em torno das onomatopéias e interjeições não abala de modo algum o princípio da arbitrariedade do signo lin güístico6 uma vez que estas são de importância secundária a sua origem simbólica é em parte contestável CLG 84 Arbitrário AbsolutoArbitrário Relativo Apesar de haver postulado que o signo lingüístico é em sua origem arbitrário Saussure não deixa de reconhecer a possibilidade da existência de certos graus de motivação entre significante e significado CLG 152 O princípio fundamental da arbitrariedade do signo não impede distinguir em cada língua o que é radicalmente arbitrário vale dizer imotivado daquilo que só o é relativamente Apenas uma parte dos signos é absolutamente arbitrária em outras intervêm um fenômeno que permite reconhecer graus no arbitrário sem suprimilo o signo pode ser relativamente motivado grifo no original Em coerência com seu ponto de vista dicotômico Saussure propõe a existência de um arbitrário absoluto e de um arbitrário relativo Como exemplo de arbitrário absoluto o mestre de Genebra cita os números dez e nove tomados individualmente e nos quais a relação entre o significante e o significado seria totalmente arbitrária isto é essa relação não é necessária é imotivada Já na combinação de dez com nove para formar um terceiro signo a dezena dezenove Saussure acha que a arbitrariedade absoluta original dos dois numerais se apresenta relativamente atenuada dando lugar àquilo que ele classificou como arbitrariedade relativa pois do conhecimento da significação das partes podese chegar à significação do todo O mesmo acontece no par perapereira em que pera enquanto palavra primitiva serviria como exemplo de arbitrário absoluto signo imotivado Por sua vez pereira forma derivada de pera seria um caso de arbitrário relativo signo motivado devido à relação sintagmática pera morfema lexical eira morfema sufixal e à relação paradigmática estabelecida a partir da associação de pereira a laranjeira bananeira etc uma vez que é conhecida a significação dos elementos formadores 6 Parecenos que a única possível exceção ao princípio geral da arbitrariedade darseia quando o signo lingüístico é usado literariamente com intenção estética A nosso ver neste caso o signo literário enquanto tal não deve ser considerado como imotivado ao contrário ele é totalmente motivado Fazer literatura implica uma seleção estéticovocabulare havendo portanto motivo da parte do escritor para preferir tais e tais signos e rejeitar outros Se alguma arbitrariedade existe no caso ela reside na própria escolha do escritor mas não é a esse tipo de arbitrariedade que nos referimos e sim à do significante em relação ao significado Os signos que forem de fato empregados com intenção estética e unicamente estes ao longo de uma obradearte seja prosa ou poesia terão um motivo para estarem ali impressos isto é eles são motivados Mas alertamos referimonos ao signo literário o que não contradiz de forma alguma nossa posição quanto à arbitrariedade do signo lingüístico em geral Mais adiante Saussure p 154 esclarece que as línguas em que a imotivação atinge o máximo são mais lexicológicas e aquelas em que se reduz ao mínimo mais gramaticais grifos no original Línguas lexicológicas formadas por uma maioria de signos imotivados seriam o inglês e o chinês segundo Saussure Por outro lado como exemplos de línguas gramaticais cita o mestre o caso do latim do sânscrito e do alemão idiomas em que predominam os signos mais ou menos motivados isto é palavras formadas pelo relacionamento morfossintático entre os seus constituintes imediatos Motivação e Arbitrariedade Partindo da dicotomia arbitrário absolutoarbitrário relativo a Lingüística póssaussuriana deu consequência ao pensamento infelizmente inacabado do mestre de Genebra Pierre Guiraud por exemplo propõe a existência de dois tipos de motivação a interna e a externa A motivação interna ocorre dentro do próprio sistema lingüístico a partir das possibilidades de relacionamento existentes entre palavras ou entre unidades da língua Tratase portanto das relações internas sintagmáticas e paradigmáticas do sistema responsáveis pelo funcionamento desse mesmo sistema Diz Guiraud 1972 31 A motivação é interna quando tem a sua fonte no interior do sistema lingüístico A relação motivante não está mais aqui entre a coisa significada e a forma significante mas entre a palavra e outras palavras que já existem na língua A motivação interna ou intralingüística é de natureza morfológica e compreende a derivação e a composição Corresponde à arbitrariedade relativa de Saussure A derivação como instrumento de criação de palavras motivadas pode ser a prefixal in feliz b sufixal per eira c prefixal e sufixal in feliz mente d parassintética en tard ec e r e regressiva ou deveral atraso atrasar A composição pode ocorrer por a justaposição televisão edificiogaragem minissaia b aglutinação planalto plano alto aguardente água ardente Além da derivação e da composição acrescentaríamos outros processos motivadores de natureza morfológica típicos das línguas modernas a saber a abreviação foto fotografia b siglas ONU MEC IBOPE As siglas expediente prático cada vez mais generalizado nas línguas modernas já existe até dicionário de siglas tiveram extraordinária expansão no século XX o século da pressa A necessidade de comunicação social técnica e administrativa cada vez mais direta e concisa fez com que surgissem as siglas as quais uma vez criadas criação motivada pelas letras ou sílabas iniciais das palavras que as compõem e socializadas linguisticamente passam a ser sentidas pela massa falante como verdadeiras palavras novas capazes inclusive de gerar derivados Por exemplo a sigla CLT Consolidação das Leis do Trabalho motivou o curioso neologismo celetista já difundido pela imprensa 51 dos funcionários da União são regidos pela CLT sendo por isso conhecidos como celetistas Revista IstoÉ nº 241 050881 p 66 Com relação à motivação externa ou extralinguística esclarece Guiraud 197230 a motivação é externa quando ela repousa sobre uma relação entre a coisa significada e a forma significante fora do sistema linguístico A motivação externa pode ser fonética ou metassêmica Motivação fonética é o caso das onomatopéias palavras etimologicamente motivadas na opinião de Guiraud Embora tendam a se desmotivar com o uso e em consequência a cair no arbitrário as onomatopéias desempenham importante papel na renovação do léxico e na valorização do texto poético vide por exemplo o poema Os Sinos de Manuel Bandeira Motivação metassêmica engloba os casos de transferências semânticas meta transformação sema significado Como exemplos típicos de metassemia podemos citar as metáforas O aluno encontrou a chave do problema as metonímias Gosto de ler Machado de Assis as catacreses pernas da mesa e os casos de conversão de palavras ou mudança de classe gramatical Terrível palavra é um não Confrontando os dois tipos de motivação do signo concluímos que a motivação interna por suas características específicas tornase mais importante para o funcionamento da língua do que a motivação externa A motivação externa é mais fortuita mais limitada realizandose de fora para dentro do sistema linguístico A motivação interna mais geral atua de dentro para fora do sistema oferecendo possibilidades teoricamente ilimitadas de renovação do léxico Para concluir acrescentaríamos o seguinte para Saussure o princípio da arbitrariedade do signo é um fenômeno geral resulta historicamente de uma convenção arbitrário convencional social e é ele que assegura o funcionamento ahistórico do sistema linguístico Para Saussure o signo é imotivado a priori isto é em suas origens ressalva feita unicamente para os casos que ele situou como arbitrariedade relativa estes surgidos a posteriori Pierre Guiraud entretanto considera que o signo nasce sempre motivado para se desmotivar posteriormente a partir do momento em que ele se socializa através do uso pela massa falante Afirma Guiraud 197229 Toda palavra é sempre motivada em sua origem e ela conserva tal motivação por maior ou menor tempo segundo os casos até o momento em que acaba por cair no arbitrário quando a motivação deixa de ser percebida Guiraud reconhece portanto o caráter arbitrário do signo linguístico mas o vê instaurarse ao contrário de Saussure a posteriori e não a priori Tentemos ilustrar o ponto de vista do linguista francês com um exemplo em nossa língua o substantivo romaria resultou da relação sintagmática entre Roma e o sufixo aria porque significava historicamente peregrinação a Roma para ver o Papa Um caso portanto de motivação a priori diria Guiraud O uso entretanto desgastoulhe o sentido original e hoje romaria significa qualquer tipo de peregrinação ou de procissão religiosa Quando o falante ouve o signo romaria não passa pela sua cabeça em momento algum a idéia de peregrinação a Roma a menos que venha explicitado romaria ao Vaticano Por exemplo entre nós são muito freqüentes as romarias a Aparecida do Norte em São Paulo O vocábulo romaria a seguirse o raciocínio de Guiraud teria portanto se desmotivado a posteriori assumindo em conseqüência o caráter arbitrário dos signos linguísticos em geral A Linearidade do Significante Esta segunda característica do signo é tão importante quanto a primeira conforme teremos oportunidade de constatar em Relações Sintagmáticas Aqui ampliaremos a noção deste segundo princípio do signo linguístico a partir daquilo que a Linguística moderna tem chamado de unidades discretas O princípio da discreção neologismo referente às unidades discretas cf discrição qualidade de ser discreto reservado baseiase no fato de que toda unidade linguística tem valor único sem matizes intermediários como diz Borba 197158 Em outras palavras os elementos de um enunciado linguístico são diferentes entre si limitados independentes sem variações Ou pronunciamos faca ou vaca Não existe um meio termo entre f e v que são desse modo unidades discretas isto é separáveis descontínuas É o princípio do tudo ou nada digamos assim que caracteriza em síntese as unidades discretas Martinet 1971a20 nos esclarece de vez com os exemplos de bata e pata Se um locutor articular mal se houver barulho no ambiente se a situação não me facilitar o papel de ouvinte poderei hesitar em interpretar o que ouvi como é uma linda bata ou como é uma linda pata mas sou obrigado a escolher uma ou outra das duas interpretações e não há evidentemente possibilidade de admitir uma mensagem intermediária Com isso concluímos que as unidades discretas têm de ser emitidas sucessivamente Elas não são concomitantes não são coexistentes não são simultâneas Ao contrário são sucessivas e por isso só podemos emitir um fonema de cada vez em linha ou melhor linearmente Muito menos podemos emitir duas palavras ao mesmo tempo A língua em seu funcionamento pode ser descrita portanto como uma sucessão de unidades discretas tanto no eixo paradigmático como no sintagmático Mas é necessário lembrar que a linearidade é do significante e não do significado Nesse sentido adverte Saussure CLG 84 O significante sendo de natureza auditiva desenvolvese no tempo unicamente e tem as características que toma do tempo a representa uma extensão e b essa extensão é mensurável numa só dimensão é uma linha Do enunciado saussuriano depreendemos que somente a parte material do signo o significante é linear e que o pensamento em si mesmo não tem partes não é sucessivo só o sendo quando se concretiza através das formas fônicas lineares do significante Aqui caberia compararmos o pensamento a uma tela em que todos os elementos aparecem simultaneamente formando um todo Tal fato a simultaneidade já não é possível numa poesia por exemplo seja ela declamada ou lida silenciosamente Aliás esse exemplo fundamenta com bastante clareza o princípio da linearidade do significante e torna oportuno citar o pensamento do próprio Saussure CLG 84 os significantes acústicos dispõem apenas da linha do tempo seus elementos se apresentam um após outro formam uma cadeia Esse caráter aparece imediatamente quando os repre sentamos pela escrita e substituímos a sucessão do tempo pela linha espacial dos signos gráficos Poderíamos também caracterizar o significado como um bloco como um todo como uma unidade que só se decompõe quando falamos ou escrevemos quando materializamos nosso pensamento em ordem linear ordem essa que também é arbitrária de língua para língua uma vez que não existe ordem no pensamento e sim na língua Atentese a propósito para as palavras bastante esclarecedoras do lingüista dinamarquês Luís Hjelmslev 1968 4344 Al mirar un texto impreso o escrito vemos que se compone de signos y que éstos se componen a su vez de elementos que se desarrollan en una dirección determinada cuando se utiliza el alfabeto latino se extienden de izquierda a derecha cuando se utiliza el alfabeto hebreo se extienden de derecha a izquierda cuando se utiliza el alfabeto mongol se extienden de arriba a bajo pero se desarrollan siempre en una dirección determinada y cuando oímos un texto hablado se compone para nosotros de signos y estos signos se componen a su vez de elementos que se desarrollan en el tiempo unos vienen antes otros después Los signos forman una cadena cadeia y los elementos de cada signo forman asimismo também una cadena O pensamento funciona desse modo com uma força estruturante da língua segundo o Prof Sílvio Elia o qual ao mesmo tempo se indaga se a estrutura profunda de Chomsky não será na verdade o próprio pensamento Se é então o pensamento não é uma estrutura ao contrário ele é uma força estruturante Nesse caso segundo o referido mestre não cabe falar em estrutura profunda e sim em estrutura subjacente Uma Crítica ao Princípio da Linearidade O lingüista Roman Jakobson contestou o princípio da linearidade do significante argumentando que num fonema qualquer por exemplo b há um feixe de traços fônicos simultâneos bilabial oral oclusivo e sonoro e nãosucessivos nãolineares Mas para Saussure esses traços fônicos não passam de elementos do significante que já está formado na língua como um todo Eis a resposta do próprio autor do CLG p 84 Em certos casos isso o princípio da linearidade não aparece com destaque Se por exemplo acentuo uma sílaba parece que acumulo num só ponto elementos significativos diferentes Mas tratase de uma ilusão a sílaba e seu acento constituem apenas um ato fonatório não existe dualidade no interior desse ato mas somente oposições diferentes com o que se acha a seu lado ver capitulo Relações Sintagmáticas e Paradigmáticas De fato uma palavra como cavalo também apresenta vários traços sêmicos ser vivo irracional quadrúpede animal macho todos contidos ao mesmo tempo mas isso em nada abala o princípio da linearidade do significante porquanto cavalo enquanto unidade discreta já formada já pronta na língua só se materializa fonicamente de forma linear Por fim cabe citar aqui a advertência do próprio Saussure CLG 84 sobre a relevância dessa segunda característica do signo lingüístico para uma teoria estruturalista enquanto categoria formal da linguagem Esse princípio é evidente mas parece que sempre se negligenciou enunciálo sem dúvida porque foi considerado demasiadamente simples todavia ele é fundamental e suas conseqüências são incalculáveis de fato na época o eram sua importância é igual à da primeira lei a da arbitrariedade do signo Todo mecanismo da língua depende dele Em resumo Tipos de Sinal Natural índicio físico fumaça rastros sintoma fisiológico pulsação febre Convencional ícone motivado estatueta foto símbolo intermédio balança justiça signo imotivado a palavra SIGNO Significante imagem acústica perceptível psicofísico impressão psíquica do som representante tradução fônica de um conceito presença som matéria incorporante sensorial sémainon signans Significado conceito inteligível psíquico evocação psíquica provocada pelo som representado correlato mental do significante ausência pensamento idéia incorporado conceitual sémainomenon signatum Características Arbitrariedade do ste em relação ao sdo Linearidade do ste Para Saussure Arbitrário absoluto relativo Para Guiraud Motivação interna morfológica externa fonética metassêmica derivação composição Ambos de naturcza psíquica Na terminologia de Santo Agostinho O Signo Lingüístico 1 A diferença entre Semiologia e Lingüística é a A Semiologia difere da Lingüística por sua maior abrangência A Lingüística é o estudo científico da linguagem humana Já a Semiologia estuda todo e qualquer tipo de código de comunicação b A Semiologia difere da Lingüística por ser arbitrária e a Lingüística semiarbitrária c A Semiologia e a Lingüística minimizam a linguagem humana 2 Saussure preferiu o termo Signo e não Símbolo porque a o símbolo é totalmente arbitrário e o signo é semiarbitrário b o símbolo e o signo são ambos semiarbitrários c o símbolo é semiarbitrário e o signo é totalmente arbitrário 3 Relacione as colunas 1 Signo Imagem psíquica conceito ou representação mental que a imagem acústica evoca no falante 2 Significante É semiarbitrário 3 Símbolo Imagem acústica representação sonora de naturea psicofísica do vocábulo 4 Significado Combinação arbitrária de um significante com um significado 4 Assinale a segunda coluna de acordo com a primeira 1 Língua Ciência que estuda as significações 2 Semântica Produto e instrumento de uma cultura 3 Semiologia Indícios de chuva de fogo etc 4 Lingüística Febre suor dor fome etc 5 Sinal convencional É a imagem acústica ou visual É a expressão da imagem mental 6 Sinal natural físico Rastros nuvens negras luz som etc 43 7 Sinal natural fisiológico É o conceito a idéia que fazemos de um objeto 8 Significado Signo 9 Significante Teoria geral dos signos 10 União do sdo ste Sistema de signos vocais Ciência que estuda os códigos e sinais de comunicação Estudo científico da linguagem humana 5 O signo lingüístico é arbitrário Isto quer dizer que a Não há uma relação natural entre o significante e o significado b Há uma ligação natural entre a imagem acústica e o conceito 6 Sobre as onomatopéias podemos afirmar a Imitações convencionais de sons e ruídos naturais e que variam de língua para língua b Imitação fiel e direta de um ruído ou som natural 7 Marque com V se for verdadeira e com F se for falsa Os enunciados vocais decorrem no tempo e são captados pelo ouvido como sucessões O caráter linear dos enunciados explica a sucessividade dos morfemas e fonemas Somente a parte material do signo o significante é linear 8 Relacione as duas colunas 1 Arbitrariedade absoluta dezoito 2 Arbitrariedade relativa dez oito 44 9 Numere a 1ª coluna de acordo com a 2ª Semiologia 1 Representação intelectual de um objeto Ícone 2 É semiarbitrário Significado 3 Estudo científico de todo e qualquer sistema de comunicação Significante 4 Não é som material e sim a impressão psíquica desse som Símbolo 5 Motivado 10 Não existe uma associação natural entre os sons vocais e os conceitos por eles expressos Estas palavras saussurianas explicam a A teoria do signo b A linearidade do signo c A arbitrariedade do signo d Crítica à arbitrariedade 11 Apenas uma parte dos signos é absolutamente arbitrária em outras intervém um fenômeno que permite reconhecer graus no arbitrário sem suprimirlo o signo pode ser relativamente motivado Certo Errado 12 Valetransporte e passatempo são exemplos de motivação formados por 13 No interior de uma mesma língua todo o movimento da evolução não pode ser assinalado por uma passagem contínua do motivado ao arbitrário e do arbitrário ao motivado Esse vaivém tem amiúde como resultado alterar sensivelmente as proporções dessas duas categorias de signos Certo Errado 14 O Brasil por seus contrastes socioeconômicos tem sido considerado uma espécie de Belíndia Bélgica Índia O neologismo Belíndia é um exemplo de motivação formado por 45 15 Enxugar o texto tornálo mais sucinto e enxugar a máquina administrativa reduzir despesas são exemplos de motivação do tipo 16 A Morfologia pode constituir uma disciplina distinta da Sintaxe Certo Errado 17 A flexão é uma forma típica da associação das formas linguísticas no espírito do falante Tratase de uma categoria gramatical da língua Certo Errado 18 Para se fazer a associação de duas unidades linguísticas é necessário sentir que elas oferecem algo em comum e também distinguir a natureza das relações que regem as associações Certo Errado 19 Marque a alternativa correta Signo é I o resultado da soma do significante com o significado II a união do sentido com a imagem acústica III formado de duas faces significante e significado a Somente a alternativa I está correta b Somente a alternativa III está correta c As alternativas I II III estão corretas d Todas as alternativas acima estão erradas 20 Marque V ou F Para Saussure sentido não é a mesma coisa que conceito ou idéia O signo linguístico é uma entidade psíquica de duas faces 21 Marque a alternativa correta a Os contraditores consideram as onomatopéias palavras imotivadas LÍNGUAFALA As Dicotomias Saussurianas A doutrina de Saussure baseiase numa série de pares de distinções atribuídas por Georges Mounin 1973 54 à sua mania dicotômica Citando o próprio Saussure A linguagem é redutível a cinco ou seis dualidades ou pares de coisas Mounin nos revela que o mestre de Genebra estava bem consciente de sua perspectiva dicotômica o que aliás é confirmado logo nas primeiras páginas do Curso de linguística geral Afirma Saussure CLG 15 o fenômeno linguístico apresenta perpetuamente duas faces que se correspondem e das quais uma não vale senão pela outra Comecemos pela oposição fundamental línguafala LÍNGUAFALA Esta é sua dicotomia básica e juntamente com o par sincroniadiacronia constitui uma das mais fecundas Fundamentada na oposição socialindividual revelouse com o tempo extremamente profícua O que é fato da língua langue está no campo social o que é fato da fala ou discurso parole situase na esfera do individual Reposando sua dicotomia na Sociologia ciência nascente e já de grande prestígio então Saussure p 16 afirma e adverte ao mesmo tempo a linguagem tem um lado individual e um lado social sendo impossível conceber um sem o outro A língua Do exame exaustivo do Curso depreendemos três concepções para língua acervo linguístico instituição social e realidade sistemática e funcional Analisemolas à luz do CLG A língua como acervo linguístico A língua é uma realidade psíquica formada de significados e imagens acústicas constituise num sistema de signos onde de essencial só existe a união do 49 b Existem as onomatopéias autênticas tictac gluglu pouco numerosas c Mattoso Camara acha que as onomatopéias são imitações fiéis e diretas dos ruídos naturais 22 As entidades concretas da língua são os signos os conceitos as imagens acústicas as sílabas 23 A entidade linguística só existe pela associação do significante e do significado Certo Errado 24 Nos exemplos Vou tomar 1 a lição e Vou tomar 2 café tomar 1 e tomar 2 constituem a mesma unidade linguística isto é têm o mesmo valor Certo Errado 25 O vínculo entre dois empregos da mesma palavra não se baseia nem na identidade material nem na exata semelhança de sentido Certo Errado 26 A espada vence mas não convence Espada força é um caso de metonímia Tratase de uma metassemia um exemplo de a motivação interna b motivação externa 27 Em guardaroupa temos um caso de motivação interna Justifique a afirmativa com suas palavras sentido e da imagem acústica onde as duas partes do signo são igualmente psíquicas p 23 é um tesouro depositado pela prática da fala em todos os indivíduos pertencentes à mesma comunidade um sistema gramatical que existe virtualmente em cada cérebro ou mais exatamente nos cérebros dum conjunto de indivíduos p 21 a língua é uma soma de sinais depositados em cada cérebro mais ou menos como um dicionário cujos exemplares todos idênticos fossem repartidos entre os indivíduos p 27 A língua como acervo linguístico é o conjunto de hábitos linguísticos que permitem a uma pessoa compreender e fazerse compreender p 92 e as associações ratificadas pelo consentimento coletivo e cujo conjunto constitui a língua são realidades que têm sua sede no cérebro p 23 A língua enquanto acervo guarda consigo toda a experiência histórica acumulada por um povo durante a sua existência Disso nos dá testemunho o Latim símbolo permanente da cultura e das instituições do povo romano A língua como instituição social Saussure considera da mesma forma que Whitney que a língua não está completa em nenhum indivíduo e só na massa ela existe de modo completo p 21 por isso ela é ao mesmo tempo realidade psíquica e instituição social Para Saussure a língua é ao mesmo tempo um produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos p 17 é a parte social da linguagem exterior ao indivíduo que por si só não pode nem criála nem modificála ela não existe senão em virtude de uma espécie de contrato estabelecido entre os membros da comunidade p 22 A língua como realidade sistemática e funcional Este é o conteúdo mais importante do conceito saussuriano a respeito da língua Para o mestre de Genebra a língua é antes de tudo um sistema de signos distintos correspondentes a idéias distintas p 18 é um código um sistema onde de essencial só existe a união do sentido e da imagem acústica p 23 Saussure vê a língua como um objeto de natureza homogênea p 23 e que portanto se enquadra perfeitamente na sua definição basilar a língua é um sistema de signos que exprimem idéias p 24 A fala ao contrário da língua Saussure a apresenta multifacetada e heterogênea Diz o mestre que a fala é um ato individual de vontade e inteligência no qual convém distinguir 1 as combinações pelas quais o falante realiza o código da língua no propósito de exprimir seu pensamento pessoal 2 o mecanismo psicofísico que lhe permite exteriorizar essas combinações p 22 Saussure classifica a fala como o lado executivo da linguagem cuja execução jamais é feita pela massa é sempre individual e dela o indivíduo é sempre senhor nós a chama remos fala p 21 E complementaríamos fala em oposição a língua A fala é a própria língua em ação enérgeia atividade e não érgon produto Aprofundando a base teórica dessa dicotomia fundamental para a compreensão da obra de Saussure somos levados a reconhecer a influência incontestável e decisiva que o debate entre os dois expoentes da Sociologia de então Durkheim e Tarde exerceu sobre ele Sua dicotomia parece ter sido uma tentativa de conciliação entre as duas posições sociológicas vigentes Da idéia de fait social fato social de Durkheim procede a postulação da língua segundo Lepschy 197130 Porque ambas tanto a idéia de língua como a de fato social se referem a fatos psicossociais externos ao indivíduo sobre o qual exercem uma contrainte coerção e existentes na consciência coletiva do grupo social Por outro lado o reconhecimento do elemento individual a fala estaria em consonância com as idéias de Gabriel Tarde É oportuno lembrar também a concepção durkheimiana segundo a qual a sociedade prima sobre o indivíduo pois como afirma Giani sd 1957 o controle social existe em função da manutenção da organização social O homem não passa de uma parcela do pensamento coletivo ainda segundo Giani p 44 o indivíduo é em grande parte aquilo que a sociedade espera que ele seja Cada grupo social incute em seus membros um conjunto de maneiras de pensar sentir e agir Diante disso compreendese por que razão Saussure atribuiu papel destacado ao estudo da língua e minimizou a fala Para Saussure CLG 25 sendo a língua uma instituição social socialmente é que devem ser estudados os seus signos uma vez que o signo é social por natureza Considera ele que a língua como representação coletiva se impõe ao indivíduo inapelavelmente Nenhum indivíduo tem a faculdade de criar a língua nem de modificála conscientemente Ela é como uma armadura dentro da qual nos movimentamos no diaadia da interação humana Como qualquer outra instituição social a língua se impõe ao indivíduo coercitivamente Por isso ela constitui um elemento de coesão e organização social A fala A fala ao contrário da língua por se constituir de atos individuais tornase múltipla imprevisível irredutível a uma pauta sistemática Os atos linguísticos individuais são ilimitados não formam um sistema Os atos linguísticos sociais bem diferentemente formam um sistema pela sua própria natureza homogênea Ora a Linguística como ciência só pode estudar aquilo que é recorrente constante sistemático Os elementos da língua podem ser quando muito variáveis mas jamais apresentam a inconstância a irreverência a heterogeneidade características da fala a qual por isso mesmo não se presta a um estudo sistemático Diznos o mestre suíço à p 18 do CLG Para atribuir à língua o primeiro lugar no estudo da linguagem podese enfim fazer valer o argumento de que a faculdade natural ou não e para Saussure o ser natural ou não é irrelevante preocupase unicamente com a língua em si mesma de articular palavras não se exerce senão com a ajuda de instrumento criado e fornecido pela coletividade não é então ilusório dizer que é a língua que faz a unidade da linguagem E sustentando a autonomia dos estudos da língua afirma à p 22 a língua é uma coisa de tal modo distinta que um homem privado do uso da fala conserva a língua contanto que compreenda os signos vocais que ouve Não obstante Saussure p 27 insiste sempre na interdependência dos dois constituintes da linguagem esses dois objetos estão estreitamente ligados e se implicam mutuamente a língua é necessária para que a fala seja inteligível e produza todos os seus efeitos mas esta é necessária para que a língua se estabeleça E adverte p 27 historicamente o fato da fala vem sempre antes É importante a propósito registrar a concessão feita por Saussure p 27 ao elemento individual com toda a certeza inspirada em Gabriel Tarde é a fala que faz evoluir a língua são impressões recebidas ao ouvir os outros que modificam nossos hábitos linguísticos É tal a interdependência entre a língua e a fala que Saussure considera a língua ao mesmo tempo instrumento e produto da fala O próprio mecanismo de funcionamento da linguagem repousa nessa interdependência como ressalta Saussure p 27 Como se imaginaria associar uma idéia a uma imagem verbal se não se surpreendesse de início esta associação num ato de fala Por outro lado é ouvindo os outros que aprendemos a língua materna ela se deposita em nosso cérebro somente após inúmeras experiências Depreendese do arrazoado saussuriano que tanto o funcionamento quanto a exploração das potencialidades da linguagem estão intimamente ligados às implicações mútuas existentes entre os elementos língua e fala A feliz dicotomia línguafala é o ponto de partida para Saussure postular uma Linguística da língua e uma Linguística da fala embora Mounin 1973 69 le de relações entre as peças estão para forma assim como as peças do jogo estão para substância Uma frase como Vô comprá dois pão apresenta alteração apenas na substância Sua estrutura apesar do fator extralingüístico erro desvio em relação à norma culta continua a ser a de uma frase da língua portuguesa Ela conserva toda a gramaticalidade sintática do sistema lingüístico português isto é da língua portuguesa e toda a coerência interna inerente aos elementos desse sistema sujeito verbo auxiliar verbo principal objeto determinante determinado Portanto sua forma o que é de fato relevante para o funcionamento do sistema não sofreu em nada com a mudança acidental das propriedades físicas de sua substância Dito de outro modo forma língua substância fala Mesmo tendo dado tanta ênfase ao estudo da língua Saussure não deixou de tratar também da substância fala reconhecendo que a sua função é fazer a ligação com a forma que é em última análise para ele a verdade total Reportandonos ao pensamento lingüístico da Grécia Antiga diríamos que Saussure admitiu tacitamente que a língua não é só analogia ela tem também as suas sólidas e saudáveis anomalias Cabenos entretanto chamar a atenção para o fato de que a nosso ver o conceito de forma estrutura não exclui o componente semântico Ao contrário o componente semântico é que dá sentido à noção de forma sem o quê forma corre o risco de tornarse letra morta concepção sem serventia para a ciência lingüística principalmente para a Linguística dita estrutural Como adverte o Prof Sílvio Elia 1978 120 linguagem é significação Desse modo concebemos forma como coerência sintática coerência semântica Coerência sintática espécie de sintaxe mental ou estruturação do pensamento existe por exemplo tanto em O menino chutou a bola como em A bola chutou o menino Em ambas as orações é inegável a realização sintaticamente coerente de um dos padrões frasais básicos da língua portuguesa isto é sujeito verbo objeto direto Só a primeira frase entretanto encontra correspondência conceitual feedback ou repercussão lingüística no espírito do falante justamente por ser a única que contém uma verdade semântica confiável uma coerência significativa que constitui juntamente com a coerência sintática da frase um todo individualizador e pertinente do ponto de vista da intercomunicação lingüística Uma Crítica à LínguaFala Não se pense que a dicotomia saussuriana tenha ficado ao abrigo de críticas nesse seu mais de meio século de existência A principal delas partiu do lingüista romeno Eugenio Coseriu 1973 70 que propôs uma divisão tripartida segundo o modelo abaixo por achar insuficiente a bipartição saussuriana fala uso língua norma intermediária sistema funcional A divisão de Coseriu 1973 97 vai do mais concreto fala ao mais abstrato língua passando por um grau intermediário a norma Segundo ele o sistema funcional língua es un conjunto de oposiciones funcionales la norma es la realización colectiva del sistema que contiene el sistema mismo y además los elementos funcionalmente nopertinentes pero normales en el hablar de una comunidad A fala por sua vez na concepção coseriana 1973 98 es la realización individualconcreta de la norma que contiene la norma misma y además la originalidad expresiva de los individuos hablantes Francisco da Silva Borba 1970 67 define a norma como um conjunto de realizações constantes e repetidas de caráter sociocultural e dependente de vários fatores operantes na comunidade idiomática Em outras palavras há realizações consagradas pelo uso e que portanto são normais em determinadas circunstâncias lingüísticas circunstâncias estas previsíveis pelo sistema funcional É à norma que nos prendemos de forma imediata conforme o grupo social de que fazemos parte e a região onde vivemos A norma seria assim um primeiro grau de abstração da fala Considerandose a língua o sistema um conjunto de possibilidades abstratas a norma seria então um conjunto de realizações concretas e de caráter coletivo da língua Segundo Coseriu 1973 90 a norma é o como se diz e não o como se deve dizer por isso los conceptos que con respecto a ella se oponen son normal y anormal y no correcto e incorrecto Em resumo em termos coserianos a fala é o real individual a norma é o real coletivo e a língua é o ideal coletivo nem sempre nor vante dúvida a respeito da autenticidade dessa postulação por parte do mestre Mounin prefere atribuíla a Bally e Sechehaye sendo que para o mestre genebrino a Linguística propriamente dita é aquela cujo único objeto é a língua Unicamente desta última é que cuidaremos CLG 28 ressalva Saussure Desse modo vemos que Saussure realmente tinha plena consciência da natureza opositiva dos fenômenos lingüísticos Eis suas próprias palavras p 28 Esta é a primeira bifurcação que se encontra quando se procura estabelecer a teoria da linguagem SistemaNãoSistema A razão de Saussure haver preferido tomar o caminho da língua quando se viu diante de sua famosa bifurcação encontrase em outra oposição conseqüente sistemanãosistema isto é sistema língua nãosistema fala Sendo o sistema superior ao indivíduo supraindividual todo elemento lingüístico deve ser estudado a partir de suas relações com os outros elementos do sistema e segundo sua função a língua é um sistema do qual todas as partes podem e devem ser consideradas em sua solidariedade sincrônica CLG 102 e não por suas características extralingüísticas físicas psicológicas etc O conhecido exemplo do jogo de xadrez esclarece cabalmente o pensamento saussuriano nesse particular As peças de um jogo de xadrez são definidas unicamente segundo suas funções e de acordo com as regras do jogo A forma a dimensão e a matéria de cada peça constituem propriedades puramente físicas e acidentais que podem variar extremamente sem comprometer a identidade da peça Essas características físicas são irrelevantes para o funcionamento do sistema o jogo de xadrez Uma peça até pode ser substituída por outra desde que a substituta venha a ser utilizada conforme as regras do jogo Levando para o sistema lingüístico o exemplo de Saussure temos que todo elemento lingüístico uma vogal uma consoante um acento um fonema um morfema etc deve ser definido lingüisticamente apenas de acordo com suas relações sintagmáticas e paradigmáticas com os outros elementos ou por sua função no sistema e não levandose em conta suas acidentais propriedades modo de formação estrutura acústica variantes morfofonêmicas etc Aqui tornase pertinente introduzir outra postulação saussuriana segundo a qual A Língua é uma Forma e não uma Substância CLG 141 Forma para Saussure é usada no sentido filosófico isto é como essência e não no sentido estético como aparência A teia de relações entre os elementos lingüísticos é que constitui a forma Os elementos da rede constituem a substância Voltando ao exemplo do jogo de xadrez diríamos que as regras do jogo a teia mal embora possível e disponível Vejamos alguns exemplos da oposição normasistema no português do Brasil O conhecido š chiiante pósvocálica variante de s é norma no Rio de Janeiro em todas as classes sociais gás gaš mês meš basta bašta Já no Sul a pronúncia sancionada pelo uso ou norma é marcadamente alveolar basta mès gás No campo da Morfologia o sistema dispõe dos sufixos ada e edo ambos com o sentido de coleção Enquanto para designar grande quantidade de bichos a norma culta prefere o primeiro bicharada a norma geral no falar gaúcho consagrou o segundo bicharedo O mesmo acontece com os sufixos diminutivos inho e ito ambos disponíveis no sistema funcional a norma fora do Rio Grande do Sul é dizerse salaminho já em terras gaúchas o uso sancionou salamito No plano sintático a língua sistema portuguesa dispõe dos advérbios já e mais que quando usados numa frase negativa indicam a cessação de um fato ou de uma ação A norma brasileira preferiu o segundo eu não vou mais não chove mais a portuguesa optou pelo primeiro eu já não vou já não chove O português do Brasil prefere descrever um fato em progressão dizendo estou estudando aux gerúndio já em Portugal a norma é usarse aux infinitivo estou a estudar Ainda com relação à norma brasileira não podemos deixar de mencionar o já consagradíssimo ter no lugar de haver com o sentido de existir uso inclusive já referendado por vários autores nacionais de peso Drummond e Bandeira entre outros Como diz Santos 1979 19 norma é o conjunto das realizações lingüísticas constantes do sistema É ela que revela como o sistema funciona numa coletividade Por exemplo a língua portuguesa dispõe de dois prefixos com valor negativo in e des Ambos fazem parte além de outros do nosso sistema lingüístico e se encontram à disposição dos falantes de língua portuguesa isto é existem em potencial O uso de um ou de outro vai depender da comunidade lingüística esta é quem estabelece o que é normal o que se diz ou anormal o que se poderia dizer Assim sendo a norma coletiva consagrou infeliz e não desfeliz Inversamente preferiu descontente e rejeitou incontente Ao falante como parcela do pensamento coletivo só cabe aceitar inapelavelmente o que o seu grupo lingüístico consagrou v a propósito a arbitrariedade do signo lingüístico pois na língua não existe propriedade privada tudo é socializado Do exposto concluímos que a norma é a realização da língua e a fala por sua vez a realização da norma como o demonstra figuradamente o modelo coseriano 1973 95 abaixo ABCD fala realização individual do subcódigo abcd norma subcódigo abcd língua código Tipos de Norma As variantes coletivas ou subcódigos dentro de um mesmo domínio lingüístico dividemse em dois tipos principais diatópicas variantes regionais ou normas regionais diastráticas variantes culturais ou registros As variantes diatópicas caracterizam as diversas normas regionais existentes dentro de um mesmo país e até dentro de um mesmo Estado como o falar gaúcho o falar mineiro etc As variantes diastráticas intimamente ligadas à estratificação social evidenciam a variedade de diferenças culturais dentro de uma comunidade e podem subdividirse em norma culta padrão ou nacional norma coloquial tensa ou distensa e norma popular também chamada de vulgar Há também as variantes diafásicas que dizem respeito aos diversos tipos de modalidade expressiva familiar estilística de faixa etária etc Além das variantes citadas existem ainda as chamadas línguas especiais É o caso das gírias dos jargões das línguas técnicas das línguas religiosas e da língua literária esta pela sua especificidade de discurso eminentemente estético admite e revaloriza todas as demais variantes do sistema realizandose assim como uma espécie de supranorma Constatamos assim a pertinência da divisão tripartida de Coseriu Todos os exemplos acima quer caracterizando o falar de uma região quer identificando o próprio português do Brasil mostram a propriedade e a conveniência do fator intermediário norma entre a fala individual e a língua social fator este que convém observar não chega a comprometer o sistema funcional língua Ressalvese contudo que a concepção saussuriana de língua como instituição social se aproxima de certo modo da teoria da norma de Coseriu Invertendo o ponto de vista de Saussure que prioriza uma Linguística da língua produto érgon Coseriu 1973 285 por sua vez privilegia uma Linguística da fala ou discurso produção atividade enérgeia Ao priorizar a atividade linguística hablar o linguista romeno lança os fundamentos da Linguística Textual o que o aproxima das concepções humboldtiana e vossleriana da linguagem com suas inerentes implicações de ordem estilística Ouçamos os argumentos de Coseriu p 287 En primer término parece necesario un cambio radical de punto de vista no hay que explicar el hablar desde el punto de vista de la lengua sino viceversa Ello porque el lenguaje es concretamente hablar actividad y porque el hablar es más amplio que la lengua mientras que la lengua se halla toda contenida en el hablar el hablar no se halla todo contenido en la lengua Por conceber o exercício da linguagem como a integração de três aspectos o universal o histórico e o individual ressalta Coseriu p 285 que el lenguaje se da concretamente como actividad o sea como hablar Em coerência com seu ponto de vista o Autor propõe um lugar de destaque para a Linguística do discurso ou do texto dizendo o seguinte p 289 Existe asimismo una lingüística del texto o sea del hablar en el nivel particular que es también estudio del discurso y del respectivo saber La llamada estilística del habla es justamente una lingüística del texto De qualquer forma é reconhecidamente incontestável o valor da famosa distinção saussuriana entre língua e fala para a Linguística contemporânea Sua primeira dicotomia investida de verdadeiro valor epistemológico é e será sempre um fundamento da ciência linguística Concluindo o exame da dicotomia línguafala apresentamos abaixo um quadro comparativo o mais exaustivo possível de suas características principais LÍNGUA FALA social individual homogênea heterogênea sistemática assistemática abstrata concreta constante variável duradoura momentânea conservadora inovadora ideal real permanente ocasional supraindividual individual essencial acidental psíquica psicofísica instituição práxis ação essência existência potencialidade realidade fato social ato individual unidade diversidade forma substância produto produção indivíduo subordinado indivíduo senhor instrumento e produto da fala língua em ação sistema realização adotada pela comunidade surge no indivíduo potencialidade ativa de produzir a fala faz evoluir a língua necessária para a inteligibilidade e necessária para que a língua se estabeleça execução da fala 1 1 1 I 1 1 1 competência desempenho FORMA SUBSTÂNCIA essência aparência psíquica psicofísica estrutura conjuntura constante circunstancial língua fala 59 NORMAS normas ou variantes diatópicas falares regionais diastráticas culta padrão tensa coloquial distensa popular diafásicas modalidades expressivas LINGUÍSTICAS a da língua funcional b da fala textual 60 LínguaFala Norma 1 Numere a 1ª coluna de acordo com a 2ª Estudo científico da linguagem humana 1 Signo É um conjunto de estruturas psíquicas que torna possível ao emissor traduzir a idéia que deseja expressar em um sinal manifesto e que capacita o receptor a reconstituir a idéia a partir desse sinal 2 Linguagem União do sentido mais a imagem acústica 3 Fala Conjunto de realizações constantes e repetidas de caráter sociocultural 4 Lingüística Sua aquisição não depende de maneira decisiva da expressão verbal 5 Língua Execução pelo indivíduo das potencialidades da língua 6 Norma 2 Assinale as letras cujo enunciado você considera incorreto a As crianças incapazes de usar seus órgãos da fonação para produzir sons vocais podem no entanto aprender uma língua sem dificuldades especiais b Uma criança pode inventar uma língua a partir do nada c Estar exposto ao uso de uma língua é o requisito mínimo para pôr em funcionamento o mecanismo da linguagem d Não existe uma interdependência da língua e da fala pois não é ouvindo os outros que aprendemos a língua materna 3 Completar com um dos itens entre parênteses a A fala é um ato de vontade e de inteligência individualsocial b A língua é Constituise de um sistema de signos heterogêneahomogênea 61 Introdução Esta é uma resenha da obra intitulada A linguística geral de Ferdinand de Saussure cuja autoria é de Valdir do Nascimento Flores A obra aqui resenhada foi publicada pela editora Contexto em 2023 em sua primeira edição No que diz respeito à autoria dessa obra reconhecemos que a formação e a experiência do autor contribuem para a condução dos temas sobre os quais ele se propõe a escrever O autor apresenta as ideias de Saussure de forma clara e organizada com objetivo de tornar acessíveis os conceitos complexos da linguística estrutural O autor da obra Para Compreender Saussure é Castelar de Carvalho Este livro apresenta os conceitos fundamentais da teoria linguística de Ferdinand de Saussure em uma linguagem clara e lógica Os estudos saussurianos continuam na ordem do dia Podese dizer que o livro póstumo de 1916 o tão famoso Cours de Linguistique Generale com o correr do tempo renova a sua atualidade O surto estruturalista data por exemplo da década de 30 Carvalho reconhece que o CLG obra póstuma organizada por Bally e Sechehaye é de difícil assimilação para iniciantes Por isso sua proposta é oferecer uma introdução clara lógica e estruturada que permita ao leitor compreender as bases metodológicas e epistemológicas da linguística saussuriana O trabalho de Castelar de Carvalho mostra como explicar teoria de um jeito fácil mas sem deixar de ser correto Ao organizar as ideias de Saussure e mostrar quando elas surgiram o autor ajuda os alunos a pensar por si mesmos e espalha o estudo da linguagem no Brasil Mesmo que o livro não fale de tudo que Saussure pensou ele ensina bem e ainda serve como uma boa apresentação do assunto Então vale a pena ler se você quer entender o básico da linguística e começar a estudar a linguagem AS FONTES UTILIZADAS O autor constrói essa curta seção trazendo novamente o objetivo do livro que escrevera o que nos parece uma excessiva justificativa para os possíveis especialistas da linguística saussuriana que o lerão Entendemos que se se trata de um público iniciante e se no início já foi apresentado ao leitor o objetivo principal da obra essa reiteração não se manifesta significativamente produtiva Linguistica Pré Saussuriana A obra detalha a evolução da linguistica antes de Saussuredestacando três fases principais Filosófica filológica e históricocomparativa Fase Filosófica marcada pelas reflexões dos gregos sobre a origem da linguagem Eles foram os precursores com suas profundas reflexões em torno da origem da linguagemSeus estudos abrangiam disciplinas como etimologiasemânticaretóricamorfologia fonologia e sintaxeOs analogistas e anomalistas debatiam se a linguagem era baseada na lógica ou no uso corrente Fase FilológicaCaracterizada pelo estudo de elucidação de textos Foco na morfologia sintaxe e fonética A escola alemã de Wolf estendeu o campo da filologia para incluir o estudo dos costumes e instituições Os alexandrinos queriam ser mais filológicos e menos filosóficos Fase Históricocomparativa Impulsionada pela descoberta do sânscritoRevelou as relações genéticas entre diversas línguas indo europeias Franz Bopp é considerado o fundador da linguistica comparativaRasmus Rask e Jacob Grimm foram pioneiros na linguistica históricocientifica A divisão em fases ajuda a compreender a evolução do pensamento linguistico e a situar a contribuição de Saussure em panorama histórico Estrutura da Obra O livro está dividido em três grandes partes além de apêndices e advertências de diferentes edições Parte I A Linguística PréSaussuriana Apresenta a trajetória dos estudos linguísticos antes de Saussure destacando três fases filosófica filológica e históricocomparatista Carvalho mostra como a linguística antes de se consolidar como ciência esteve ligada à filosofia à gramática normativa e à filologia até alcançar o status científico no século XIX Parte II A Linguística Saussuriana É o núcleo da obra Aqui são expostos os principais conceitos de Saussure signo linguístico arbitrariedade linearidade dicotomias fundamentais línguafala sincroniadiacronia relações sintagmáticasparadigmáticas valor linguístico Carvalho explica como essas ideias romperam com o modelo históricocomparatista e inauguraram uma nova forma de pensar a linguagem Parte III Repercussões das Ideias de Saussure Discute a influência do pensamento saussuriano em correntes posteriores como o estruturalismo europeu e a glossemática de Hjelmslev Mostra também como a obra de Saussure continua sendo revisitada e reinterpretada ao longo do século XX Principais Conceitos Carvalho sistematiza os conceitos centrais da teoria saussuriana Signo Linguístico definido como a união entre significante imagem acústica e significado conceito É uma entidade psíquica de duas faces comparável a uma moeda Princípios do Signo Arbitrariedade não há relação natural entre significante e significado Linearidade o significante se desenrola no tempo de forma linear Dicotomias Fundamentais Língua vs Fala a língua é o sistema coletivo e social a fala é o uso individual Sincronia vs Diacronia estudo da língua em um estado fixo vs estudo da evolução histórica Sintagma vs Paradigma relações lineares entre elementos vs relações associativas Valor Linguístico o sentido de uma palavra depende das diferenças que mantém em relação às demais Repercussões das Ideias de Saussure Carvalho mostra que o pensamento saussuriano não se esgotou no CLG Ao contrário continua sendo revisitado e reinterpretado Estruturalismo na década de 1930 o estruturalismo europeu se consolidou com base nas ideias de Saussure Glossemática Louis Hjelmslev desenvolveu uma teoria estrutural mais formalizada ampliando os princípios saussurianos Semiótica a obra de Saussure dialoga com a semiótica de Charles Sanders Peirce embora partam de pressupostos diferentes Contribuições Didáticas Uma das grandes qualidades da obra é sua clareza didática Carvalho consegue expressar conceitos complicados em uma linguagem compreensível mantendo a precisão teórica Ele percebe que os estudantes em início de trajetória enfrentam obstáculos para entender o CLG e por isso estrutura os conteúdos de maneira sequencial e coerente Além disso incorpora exercícios e apêndices demonstrando sua atenção à prática de ensino O livro vai além de simplesmente apresentar teorias busca educar o leitor incentivandoo a refletir de forma crítica acerca dos princípios da linguística Análise Crítica A obra cumpre com excelência sua proposta de introdução didática No entanto por ser um manual apresenta algumas limitações Profundidade A discussão sobre as implicações do pensamento de Saussure poderia ser ampliada especialmente em relação ao estruturalismo francês à semiótica de Peirce e às teorias contemporâneas da linguagem Atualizaçãoembora a 9ª edição contenha seções adicionais sobre linguística textual o segundo livro ainda é focado em Saussure e sua recepção até meados do século XX Uma abordagem mais recente ao tema poderia considerar a recepção pósestruturalista e pragmática de Saussure Crítica Carvalho adota uma postura predominantemente expositiva com pouca problematização das limitações da teoria saussuriana Por exemplo não discute em profundidade as críticas feitas por correntes funcionalistas ou sociolinguísticas O valor é mais do que delimitação de fronteiras entre os signos é a garantia da sua existência Não há signos sem valor não há signos sem significados Logo o valor do signo é um valor semântico CARVALHO 1991 p 62 O valor na língua não existe senão com a função de estabelecer diferenças A língua é o lugar das diferenças e não das homogeneidades A língua e a linguagem não dizem o mundo por representálo por esse fato Saussure afirma que a língua não é uma nomenclatura 1991 p 79 Conclusão O trabalho de Castelar de Carvalho mostra como explicar teoria de um jeito fácil mas sem deixar de ser correto Ao organizar as ideias de Saussure e mostrar quando elas surgiram o autor ajuda os alunos a pensar por si mesmos e espalha o estudo da linguagem no Brasil A obra Para compreender Saussure de Castelar de Carvalho revelase como um esforço pioneiro e indispensável para a consolidação dos estudos linguísticos no Brasil Ao sistematizar e traduzir para uma linguagem clara os conceitos fundamentais da teoria saussuriana o autor cumpre uma função dupla de um lado oferece aos estudantes uma introdução acessível a um campo de conhecimento complexo de outro contribui para a difusão e valorização da linguística como ciência autônoma e rigorosa Mesmo que o livro não fale de tudo que Saussure pensou ele ensina bem e ainda serve como uma boa apresentação do assunto Então vale a pena ler se você quer entender o básico da linguística e começar a estudar a linguagem As ramificações do estruturalismo saussureano são o maior testemunho de seu legado e de sua importância para a Linguística e para as questões que definem seu objeto e suas interfaces O diálogo com as ideias trazidas por esta obra seminal como fizeram tantos pesquisadores que sucederam Ferdinand de Saussure alguns referidos brevemente nesta exposição se mantém vivo nos dias atuais o que confirma a força inspiradora do Curso de Linguística Geral

Sua Nova Sala de Aula

Sua Nova Sala de Aula

Empresa

Central de ajuda Contato Blog

Legal

Termos de uso Política de privacidade Política de cookies Código de honra

Baixe o app

4,8
(35.000 avaliações)
© 2026 Meu Guru® • 42.269.770/0001-84