3
Pedagogia
UNIA
1
Pedagogia
UNIA
1
Pedagogia
UNIA
3
Pedagogia
UNIA
2
Pedagogia
UNIA
17
Pedagogia
UNIA
30
Pedagogia
UNIA
11
Pedagogia
UNIA
26
Pedagogia
UNIA
1
Pedagogia
UNIA
Texto de pré-visualização
Professora Me Fabiane Fantacholi Guimarães ATENDIMENTO DE ALUNO COM TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO REITORIA Prof Me Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof Me Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof Me Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa Dra Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel COORDENAÇÃO DE ENSINO PESQUISA E EXTENSÃO Profa Ma Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa Dra Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa Ma Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof Me Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof Me Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof Me Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa Ma Sônia Maria Crivelli Mataruco COORDENAÇÃO DO DEPTO DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo Marcelino Fernando Rodrigues Santos PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Hugo Batalhoti Morangueira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira Carlos Henrique Moraes dos Anjos Kauê Berto Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação CIP G963a Guimarães Fabiane Fantacholi Atendimento de aluno com transtornos globais do desenvolvimento Fabiane Fantacholi Guimarães Paranavaí EduFatecie 2024 114 p il Color 1 Educação especial 2 Transtorno do espectro autista 3Deficiências do desenvolvimento I Centro Universitário UniFatecie II Núcleo de Educação a Distância III Título CDD 23 ed 3719 Catalogação na publicação Zineide Pereira dos Santos CRB 91577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas do banco de imagens Shutterstock 2024 by Editora Edufatecie Copyright do Texto C 2024 Os autores Copyright C Edição 2024 Editora Edufatecie O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores mas sem a possibilidade de alterála de nenhuma forma ou utilizála para fins comerciais 3 Professora Me Fabiane Fantacholi Guimarães Mestre em Metodologias para o Ensino de Linguagens e suas Tecnologias Universidade Pitágoras Unopar Licenciatura e Bacharel em Pedagogia CESUMAR Especialista em Psicopedagogia Institucional Faculdade Maringá Especialista em Educação Especial Faculdade de Tecnologia América do Sul Especialista em EAD e as Novas Tecnologias Educacionais UniCESUMAR Especialista em Docência no Ensino Superior UniCESUMAR Especialista em Tecnologias Aplicadas no Ensino À Distância UniFCV Professora orientadora de trabalho de conclusão de curso da PósGraduação UniFCV Professora conteudista na área da Educação UniFCVUniFATECIE Professora de disciplinas de PósGraduação na área da Educação UniFCV Coordenadora de cursos EAD de PósGraduação na área da Educação UniFCV Supervisora de Cursos EAD de Graduação na área da Educação UniFCV Psicopedagoga do Núcleo de Atendimento Escolar NEA Experiência na Educação Básica há 9 anos Experiência no Ensino Superior presencial e a distância desde 2012 até os dias atuais Currículo lattes httplattescnpqbr7315666246327967 AUTORA 4 Acadêmicoa olá Seja bemvindoa A partir de agora você deu largada em uma jornada de conhecimento por meio do incrível mundo da educação inclusiva mais especificamente ao maravilhoso universo do Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento Nossa missão será apresentar a você por meio de dialogismo novos conhecimentos e descobertas que proporcionarão reflexões e mudanças significativas no seu modo de pensar e agir tanto no contexto pessoal acadêmico e sobretudo na esfera profissional favorecendo o desenvolvimento de suas competências habilidades e atitudes O presente material foi produzido exclusivamente para proporcionar a construção de novos conhecimentos por meio de quatro unidades curriculares recheadas de conceitos teóricos e reflexivos conectando teoria e situações reais favorecendo o processo de ensinoaprendizagem A apostila é composta por uma introdução seguida de quatro unidades divididas em três tópicos cada uma criteriosamente analisados e selecionados para dar sustentação às discussões reflexões e conclusão Além dos conteúdos abordados no decorrer das unidades curriculares você também terá acesso a informações extras como por exemplo novas leituras a seção saibamais reflita leituracomplementar e ainda dicas de livros e filmes que contemplam os assuntos em questão na presente disciplina Na Unidade I o conteúdo disponibilizado será sobre as Dimensões Dos Transtornos Globais De Desenvolvimento e suas especificidades Classificação Internacional de Doenças CID o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais e por último a Definição conceituação e características do TGD Na Unidade II a ênfase será exclusivamente sobre os Transtornos Globais Do Desenvolvimento Condutas Típicas as especificações do que envolve as condutas típicas como o professor e a família podem lidar com essas condutas e também as possíveis estratégias e recursos a serem oferecidos para os alunos com condutas típicas Na Unidade III vamos falar sobre as especificidades do Autismo Síndrome De Asperger e Síndrome De Rett e então durante nosso diálogo leválo a compreender APRESENTAÇÃO DO MATERIAL 5 a definição e encaminhamentos relacionados a cada um desses transtornos globais do desenvolvimento Na Unidade IV denominada de Interlocução do Atendimento Especializado no Ensino Regular Para Alunos Com TGD nosso propósito será apresentar informações sobre os aspectos legais relacionados ao Atendimento Educacional Especializado AEE enfatizando o atendimento ao público em questão dessa disciplina TGDTEA Para tanto os assuntos abordados serão fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento especializado a Institucionalização do atendimento especializado no projeto político pedagógico e por último o Desmembramentos do TGD e as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade Diante do exposto desejamos que a partir desse momento você inicie a leitura e estudo desse material e que no decorrer dessa trilha de descobertas você possa refletir sobre os aspectos aqui abordados sobre a importância da sua formação acadêmica e ainda como contribuir enquanto profissional para a eliminação de barreiras relacionadas ao ensinoaprendizagem do públicoalvo da educação inclusiva especialmente no que tange a educação dos alunos com TGDTEA Boa viagem Embarque agora nessa trilha de conhecimentos Até mais 6 UNIDADE 4 Interlocução do atendimento especializado no ensino regular para alunos com tgdtea Métodos educacionais de intervenção e apoio a inclusão do aluno com tgdtea UNIDADE 3 Transtorno do espectro autista conceitos iniciais e disfunção do tea UNIDADE 2 Dimensões dos transtornos globais de desenvolvimento UNIDADE 1 SUMÁRIO Plano de Estudos Classificação Internacional de Doenças CID Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais Definição conceituação e características do TGDTEA Objetivos da Aprendizagem Conhecer a Classificação Internacional de Doenças Conhecer o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais Estudar a definição conceituação e características do Transtorno Global do Desenvolvimento Professora Me Fabiane Fantacholi Guimarães DIMENSÕES DOS DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO DE DESENVOLVIMENTO 1 UNIDADE UNIDADE INTRODUÇÃO 8 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Caroa acadêmicoa Seja bemvindoa à Unidade I intitulada Dimensões dos Transtornos Globais de Desenvolvimento da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento do curso de Graduação em Educação Especial No primeiro momento conheceremos a Classificação Internacional de Doenças CID Esse documento é publicado pela Organização Mundial de Saúde OMS e visa padronizar a codificação de doenças e outros problemas relacionados à saúde No segundo momento conheceremos o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais DSM Esse documento se propõe a servir como um guia prático funcional e flexível para organizar informações que possam auxiliar no diagnóstico preciso e no tratamento de transtornos mentais pelos profissionais da área da Saúde No terceiro momento estudaremos a definição conceituação e características do Transtorno Global do Desenvolvimento que passou por mudanças significativas no decorrer dos tempos Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema de nossa primeira unidade Boa leitura CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS CID 1 TÓPICO 9 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde também conhecida como Classificação Internacional de Doenças CID é publicada pela Organização Mundial de Saúde OMS e visa padronizar a codificação de doenças e outros problemas relacionados à saúde A CID fornece códigos relativos à classificação de doenças e de uma grande variedade de sinais sintomas aspectos anormais queixas circunstâncias sociais e causas externas para ferimentos ou doenças Para cada estado de saúde é atribuída uma categoria única à qual corresponde um código CID A CID é revista periodicamente e encontrase na sua décima edição CID10 Está prevista a substituição da CID10 pela décima primeira edição CID11 A CID11 foi lançada em 18 de junho de 2018 tendo sido apresentada para adoção dos Estados membros em maio de 2019 durante a Assembleia Mundial da Saúde e deve entrar em vigor em 1º de janeiro de 2022 A versão anterior a CID10 foi desenvolvida em 1993 para registar as estatísticas de mortalidade Atualizações anuais menores e trienais maiores são publicadas pela OMS A CID permite que programas e sistemas possam referenciar de forma padronizada as classificações auxiliando a busca de informação diagnóstica para finalidades gerais É importante também para codificar e classificar os dados de mortalidade de atestados de óbito Devese tomar o cuidado para não confundir a classificação com a causa de doenças e lembrar que o objetivo da CID não é oferecer um quadro explicativo da relação entre os agravos mas apenas listálas de forma coerente com as lesões Caroa estudante a CID10 trazia vários diagnósticos dentro dos Transtornos Globais do Desenvolvimento TGD sob o código F84 como Autismo Infantil F840 Autismo Atípico F841 Síndrome de Rett F842 Transtorno Desintegrativo da Infância 10 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 F843 Transtorno com Hipercinesia Associada ao Retardo Mental e aos Movimentos Estereotipados F844 Síndrome de Asperger F845 Outros TGD F848 e TGD sem Outra Especificação F849 A nova versão da classificação a CID11 une todos esses diagnósticos no Transtorno do Espectro do Autismo código 6A02 em inglês Autism Spectrum Disorder ASD as subdivisões passaram a ser apenas relacionadas a prejuízos na linguagem funcional e deficiência intelectual A intenção é facilitar o diagnóstico e simplificar a codificação para acesso a serviços de saúde IMAGEM 1 MUDANÇA NA CLASSIFICAÇÃO DE CID10 PARA CID11 Fonte elaborado pela autora com base na CID10 e CID11 Caroa estudante ao longo do nosso material iremos referenciar a CID fique atentoa Vale ressaltar que por ser a CID11 um documento novo ainda iremos encontrar em várias pesquisas a utilização da CID10 precisamos compreender que na área da pesquisa acadêmica educação será aos poucos a mudança da nomenclatura referente ao TGD para TEA 11 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Você sabia caroa acadêmicoa que a CID10 foi aprovada pela Conferência Internacional para a Décima Revisão em 1989 e adotada pela Quadragésima Terceira Assembleia Mundial de Saúde para entrar em vigor em 1º de janeiro de 1993 Segundo o site das Nações Unidas a CID11 reflete as mudanças e os avanços na Medicina e Tecnologia que aconteceram de lá para cá A estrutura de codificação e ferramentas eletrônicas foram simplificadas para permitir que o profissional possa registrar os problemas de maneira mais fácil e eficaz A nova classificação conta com 55 mil códigos únicos para lesões doenças e causas de morte versus 14400 da CID10 Entre as principais novidades está a inclusão de distúrbio em games gaming disorder que já havia sido anunciado no começo do ano A OMS define a desordem como um padrão de comportamento persistente ou recorrente de gravidade suficiente para resultar em comprometimento significativo nas áreas de funcionamento pessoal familiar social educacional ocupacional ou outras Imagem 2 DISTÚRBIO EM GAMES REPRODUÇÃOOMS Fonte OMS2019 DESORDEM DE JOGO Pela primeira vez a OMS está classificando o transtorno do jogo como um transtorno de comportamento viciante agora podemos medir quantas pessoas são afetadas CÓDIGO 6C51 O Estatuto da Criança e do Adolescente ECA que reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de pleno direito classifica esses indivíduos como pessoas em desenvolvimento Sendo assim caroa acadêmicoa pense bem antes de realizar qualquer ato pois você faz parte desse desenvolvimento Fonte A autora MANUAL DE DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICA DOS TRANSTORNOS MENTAIS 2 TÓPICO 12 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais o DSM em sua 5ª edição foi publicado em maio de 2013 versão em português em 2014 O DSM se propõe a servir como um guia prático funcional e flexível para organizar informações que podem auxiliar no diagnóstico preciso e no tratamento de transtornos mentais Tratase de uma ferramenta para clínicos um recurso essencial para a formação de estudantes e profissionais e uma referência para pesquisadores da área American Psychiatric Association 2014 p XII O guia representa a base para definição de doenças psíquicas referência para a prática clínica e segundo seus autores contém informações úteis para todos os profissionais ligados à saúde mental incluindo psiquiatras outros médicos psicólogos assistentes sociais enfermeiros consultores especialistas das áreas forense e legal terapeutas ocupacionais e de reabilitação e outros profissionais da área da saúde American Psychiatric Association 2014 p XII O DSM5 também é um instrumento para a coleta e a comunicação precisa de estatísticas de saúde pública sobre as taxas de morbidade e mortalidade dos transtornos mentais Embora o DSM5 continue sendo uma classificação categórica de transtornos individuais reconhecemos que os transtornos mentais nem sempre se encaixam totalmente dentro dos limites de um único transtorno Alguns domínios de sintomas como depressão e ansiedade envolvem múltiplas categorias diagnósticas e podem refletir vulnerabilidades subjacentes comuns a um grupo maior de transtornos O reconhecimento dessa realidade fez os transtornos incluídos no DSM5 serem reordenados em uma estrutura organizacional revisada com o intuito de estimular novas perspectivas clínicas 13 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Essa nova estrutura corresponde à organização de transtornos planejada para a CID11 cujo lançamento está programado para 2022 Caroa estudante ao longo do nosso material iremos referenciar o DSM fique atentoa Você caroa acadêmicoa sabia que assim como no DSM o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais a nova CID Classificação Internacional de Doenças uniu os transtornos do espectro num só diagnóstico Essa decisão veio para facilitar o diagnóstico e tornar mais simples a codificação para acesso a serviços de saúde Fonte A autora DEFINIÇÃO CONCEITUAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DO TGDTEA 3 TÓPICO 14 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Caroa estudante vamos primeiramente conhecer o percurso histórico trilhado pela área dos transtornos globais do desenvolvimento conhecido como TGD contextualizando as diferentes terminologias e enfoques teóricos utilizados para referenciar tal transtorno O desafio de compreender as desordens psíquicas esteve presente na sociedade e desprenderse de conceitos enraizados constitui ponto essencial para o conhecimento dos transtornos globais do desenvolvimento Nesses mais de 75 anos de estudos no campo dos TGDs é necessário conhecer os pesquisadores e suas alegações fundamentais sobre tal quadro clínico os parâmetros internacionais para a sua identificação e ainda as possíveis hipóteses para o seu aparecimento Na educação tais conhecimentos se tornam significativos por estarem relacionados na atualidade a uma das áreas com identificação mais frequente na população infantojuvenil O filme LEnfant Sauvage traduzido para O menino ou garoto selvagem de François Truffaut retrata o estudo do médico Jean Itard com o jovem Victor como foi chamado de Aveyron Capturado após viver alguns anos na floresta privado de relações sociais Victor demonstrou que o ser humano é um animal social que precisa para se constituir como ser humano viver entre os humanos O filme produzido por Truffaut coincidiu com os estudos e a descrição clínica de Leo Kanner 18941981 sobre crianças autistas Fonte A autora 15 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Você já deve ter assistido a algum filme com passagens bíblicas independentemente da religião a qual esteja vinculado retratando uma época em que a ciência era praticamente inexistente O fato de que não tinham o conhecimento científico para explicar o mundo em que viviam faznos indagar de que forma os sujeitos conseguiam explicar os fenômenos da natureza como o raio eou o trovão Para aquele momento as explicações possíveis provinham de ideias relacionadas às atividades de magia e da religião Da mesma forma sujeitos com alguma má formação ou mesmo com comportamentos que fugiam do esperado para a sociedade eram vistos como pessoas cuja condição tinha origens demoníacas Esse ponto de vista evidencia a ação dos aspectos culturais no modo de justificar e aceitar os acometimentos de ordem física intelectual e mental psíquica Com efeito as pessoas inseridas em organizações prósperas na sociedade tais como a justiça e a igreja eram as que sentenciavam os sujeitos que de alguma forma não eram vistos com afeição excluídos da convivência da comunidade Com a ampliação da atuação médica as crenças perderam força Entretanto por mais distante que essas ideologias possam estar a expressão ele está possuído até hoje é ouvida quando um sujeito apresenta alterações de comportamento No caminho para uma vida mais digna aos sujeitos que eram marginalizados surge a importante ação do médico Philippe Pinel o qual apostava numa corrente de tratamento humanitário que resultou na expansão das descrições dos transtornos psíquicos Podemos citar como marco desse momento histórico o caso conhecido como o menino selvagem que foi tema cinematográfico O cineasta François Truffaut reproduziu em um filme o trabalho de Jean Itard com um jovem que foi capturado numa floresta excluído da convivência em sociedade Seu comportamento se assemelhava ao que após anos de estudo Leo Kanner descreve clinicamente como distúrbio autista Fonte Santos 2020 A conceituação dos transtornos globais do desenvolvimento passou por mudanças significativas no decorrer dos tempos e nem sempre esses conceitos tiveram um ponto de convergência entre o campo da educação e o da saúde Nesse sentido para os sujeitos que compõem atualmente esse grupo de estudantes as intervenções clínicas se apresentam como uma primeira opção de intervenção sendo atribuída para a educação um segundo plano possível As manifestações clínicas de pacientes esquizofrênicos tais como isolamento e distanciamento da realidade foram descritas pelo psiquiatra Bleuler 1911 apud Santos 2020 empregando a expressão autismo O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM5 absorveu as subcategorias do autismo como a síndrome de Asperger o transtorno desintegrativo da infância e o transtorno global do desenvolvimento não especificado e propõe a classificação de Transtorno do Espectro Autista TEA em substituição a de Transtornos Globais do 16 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Desenvolvimento TGD American Psychiatric Association 2014 No entanto caroa estudante na educação até o momento ainda se denomina a área Transtorno Global do Desenvolvimento onde está englobado o Transtorno do Espectro Autista As patologias com apresentações sintomáticas semelhantes ao espectro do autismo foram denominadas na educação do DSM5 de autismo infantil autismo de Kanner autismo de alto funcionamento autismo atípico transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação transtorno desintegrativo da infância e síndrome de Asperger que indica linhasmestras para a identificação do Transtornos do Espectro Autista TEA Caroa estudante atenção O diagnóstico desse transtorno é realizado por um médico que na avaliação comportamental pode utilizar escalas padronizadas para identificálo Entre os anos de 1970 e 1980 houve um crescente interesse pelo autismo o que acarretou o desenvolvimento de pesquisas no campo médico e psicológico Tais estudos objetivavam o encontro de um quadro descritivo relacionado ao autismo e aos espectros correlatos que repercutiram em muitos países inclusive no cenário brasileiro O conceito de transtorno global do desenvolvimento TGD foi adotado para definir os distúrbios mentais da infância que apresentam tanto um início muito precoce quanto uma tendência evolutiva Os transtornos do espectro autista TEA enquadramse nessa categorização uma vez que se manifestam na primeira infância e apresentam curso permanente É válido ressaltar que os TGDs incluem necessariamente alterações qualitativas da experiência subjetiva dos processos cognitivos da comunicação linguagem e do comportamento e não somente alterações quantitativas Não podemos conceber o TGD somente como um atraso ou uma interrupção do processo de desenvolvimento típico visto que se trata da manifestação clínica de um processo atípico e prejudicial ao desenvolvimento Brasil 2015 Afinal quem são essas crianças que por alguns educadores costumam ser adjetivadas como diferentes agressivas e inquietas e que quando falam apresentam uma linguagem tão incomum Fonte A autora 17 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Dessa forma consideramos fundamental esclarecer que a noção de desenvolvimento aplicada ao conceito nosológico de TGD não diz respeito apenas à questão genética mas àquela praticada pela perspectiva contemporânea da psicopatologia do desenvolvimento que concebe esse processo como resultante de questões multifatoriais ou seja genéticas e ambientais psicossocial O entendimento sobre o conceito contemporâneo de desenvolvimento envolve necessariamente o processo de constituição psíquica que não é inato e se estabelece por meio da interação recíproca entre o bebê e seu principal cuidador nos primeiros anos de vida Santos 2019 A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva portaria n 555 de 07 de janeiro de 2008 Brasil 2008 como documento político norteador apresenta modificações significativas se comparada à política anterior pois altera o perfil dos estudantes da educação especial O documento designa como parte dos TGDs os seguintes diagnósticos clínicos autismo síndrome do espectro autista Asperger e Rett transtorno desintegrativo da infância e transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação Esses transtornos têm como característica em comum as funções do desenvolvimento prejudicadas Brasil 2010 Até 2007 a nomenclatura utilizada na Educação era Condutas Típicas que começou a ser amplamente divulgada na década de 90 para fazer referência aos alunos que apresentavam distúrbios de comportamentos substituindo a terminologia anteriormente empregada distúrbios de comportamento que trouxe muitos prejuízos seja pelo preconceito que a expressão sugeria seja pela interpretação inadequada de qualquer reação do aluno pelo professor que ocasionava um rótulo e posterior encaminhamento para a Educação Especial QUADRO 1 MUDANÇAS EM RELAÇÃO A NOMENCLATURAS UTILIZADAS NA EDUCAÇÃO DE 1994 ATÉ 2007 CONDUTAS TÍPICAS A PARTIR DE 2008 TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO Quadros neurológicos como por exemplo Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade Síndromes como por exemplo Transtorno Bipolar Transtorno de Conduta Transtorno de Ansiedade entre outros Psiquiátricos Persistentes como por exemplo Psicose Referese especificamente a alunos com diagnósticos de autismo síndromes do espectro de autismo como por exemplo Síndrome de Asperger Síndrome de Rett entre outros psicose infantil Fonte A autora 18 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Ainda de acordo com o Documento Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Brasil 2008 o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é compreendido como Transtorno Funcional Específico que será atendido neste Departamento nos serviços de apoio especializado da área de Deficiência Intelectual e Transtornos Funcionais Específicos na Rede Pública de Ensino Assim esclarece que o Transtorno Bipolar de Conduta de Ansiedade entre outros deverá ter o acompanhamento da Saúde Mental tratamento medicamentoso e terapêutico sem que necessariamente sejam encaminhados aos serviços de apoio educacional especializado da Rede Pública de Ensino Caroa estudante como podemos verificar ainda estamos no aguardo da atualização no campo da educação sobre a nomenclatura utilizada Digo o documento do Ministério da Educação MEC pois como sabemos na área da saúde já houve a mudança Por esse motivo em nosso material utilizamos e utilizaremos o que consta na portaria nº 555 de 07 de janeiro de 2008 Você sabia caroa acadêmicoa que o autismo tornouse um problema de saúde pública no mundo inteiro e sua importância se reflete em dois eventos recentes em 2007 a Organização das Nações Unidas ONU decretou o dia 2 de abril como o dia mundial de conscientização do autismo e a entidade americana Autism Speaks convocou vários monumentos do mundo por meio da campanha Light It Up Blue iniciada em 2010 a se iluminarem de azul no dia em questão a fim de promover a conscientização do transtorno Fonte A autora Temos o direito de sermos iguais sempre que a diferença nos inferioriza temos o direito de sermos diferentes sempre que a desigualdade nos descaracteriza Santos 2006 p 27 19 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Caroa acadêmicoa Finalizamos a Unidade I da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento No primeiro momento conhecemos a Classificação Internacional de Doenças CID Esse documento é publicado pela Organização Mundial de Saúde OMS e visa padronizar a codificação de doenças e outros problemas relacionados à saúde verificamos que passou por atualizações no decorrer dos anos e que a última versão entrará em vigor em 2022 No segundo momento conhecemos o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais DSM Esse documento se propõe a servir como um guia prático funcional e flexível para organizar informações que podem auxiliar o diagnóstico preciso e o tratamento de transtornos mentais pelos profissionais da área da Saúde Esse manual está ligado diretamente com a CID sendo assim ambos caminham juntos No terceiro momento estudamos a definição conceituação e características do Transtorno Global do Desenvolvimento que passou por diversas mudanças significativas no decorrer dos tempos Concluímos nesta primeira unidade que devido às mudanças em determinados documentos legais ainda se denomina a área Transtorno Global do Desenvolvimento em que está englobado o Transtorno do Espectro Autista Os TGDs segundo documentos leis designa os seguintes diagnósticos clínicos autismo síndrome do espectro autista Asperger e Rett transtorno desintegrativo da infância e transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação Para aprofundar seus conhecimentos não deixe de consultar as referências CONSIDERAÇÕES FINAIS 20 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Leitura complementar traz dados sobre publicações de pesquisas na área do Transtorno Global do Desenvolvimento TGD realizada por Gianni Marcela Boechard Magalhães Link de acesso ao material completo httpsperiodicosufesbrsneearticle view23935 LEITURA COMPLEMENTAR MATERIAL COMPLEMENTAR 21 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 FILMEVÍDEO Título O Garoto Selvagem Ano 1970 Sinopse Um menino incapaz de falar andar ler ou escrever é encontrado nu em uma floresta na França vivendo com um bando de lobos Ele é levado para Paris e um médico tenta ajudálo Link do vídeo httpsvimeocom155385147 FILMEVÍDEO Título Em Tese Educação e os Transtornos Globais do Desenvolvimento Ano 2015 Sinopse O Em Tese de hoje fala sobre inclusão escolar de alunos com transtornos globais do desenvolvimento Link do vídeo httpswwwyoutubecomwatchvIr1DMmD9iU LIVRO Título Transtornos Globais do Desenvolvimento Autor Shirley Aparecida dos Santos Editora Contentus Sinopse Este livro define a trajetória histórica da área de transtornos globais do desenvolvimento trazendo conceitos e concepções teóricas fundamentais para o seu entendimento Trata das teorias sobre desenvolvimento humano de Piaget Wallon e Vygotsky métodos e abordagens para o trabalho terapêutico e traz uma discussão sobre direitos educação especial e inclusão Também trabalha o atendimento educacional especializado e flexibilizaçãodiferenciação curricular Plano de Estudos Fundamentos conceituais teóricos e a perspectiva histórica do autismo no século XX Conceito geral e disfunções do TEA Causas do TEA Objetivos da Aprendizagem Contextualizar os fundamentos conceituais teóricos e a perspectiva histórica do autismo no século XX Estudar o conceito geral e disfunções do transtorno do espectro autista TEA Conhecer as causas do transtorno do espectro autista TEA Professora Me Fabiane Fantacholi Guimarães TRANSTORNO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE2UNIDADE INTRODUÇÃO 23 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Caroa acadêmicoa Seja bemvindoa à Unidade II intitulada Transtorno do Espectro Autista conceitos iniciais e disfunção do TEA da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento do curso de Graduação em Educação Especial No primeiro momento contextualizar os fundamentos conceituais teóricos e a perspectiva histórica do autismo no século XX no entanto independentemente da posição teórica utilizada para compreender o autismo sabese hoje que ele não constitui um quadro único mas um quadro clínico complexo que precisa ser olhado a partir de cada sujeito levandose em conta suas especificidades possibilidades e dificuldades No segundo momento estudar o conceito geral e disfunções do transtorno do espectro autista TEA Válido ressaltar como já elencamos anteriormente antes do conceito de autismo existiu e ainda existe em alguns documentos legais o termo Transtornos Globais do Desenvolvimento TGD Os TEA são considerados atualmente como transtorno de desenvolvimento de causas variadas No terceiro momento conhecer as causas do transtorno do espectro autista TEA considerando que em algumas das prováveis causas do TEA ele é um transtorno de comportamento multifacetado de base neurológica Espero que esses textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema da nossa primeira unidade Boa leitura FUNDAMENTOS CONCEITUAIS TEÓRICOS E A PERSPECTIVA HISTÓRICA DO AUTISMO NO SÉCULO XX 1 TÓPICO 24 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 A nomenclatura autismo foi empregada pela primeira vez pelo psiquiatra Eugen Bleuler 18571939 em 1911 para relatar a fuga da realidade e o retraimento de adultos esquizofrênicos para um mundo interior A palavra é de origem grega autós e significa por si mesmo Trata se de um termo dentro da psiquiatria para denominar comportamentos humanos que se centralizam em si mesmos voltados para o próprio indivíduo Orrú 2012 p 17 Quando o médico Jean Itard 17741838 relatou informações sobre o menino selvagem de Aveyron em 1799 o termo autismo não havia sido utilizado O jovem foi capturado por camponeses de Aveyron na França sem vestimentas e movimentandose como quadrúpede e sem comunicação oral Ele se balançava sem parar e não demonstrava nenhuma afeição por quem o servia era indiferente a tudo não prestava atenção em coisa alguma nem aceitava mudanças e lembravase com precisão da localização de objetos existentes em seu quarto Não reagia ao disparo do revólver mas voltavase na direção de um estalo de casca de noz Ferrari 2012 p 67 A educação desse jovem foi atribuída a Itard no entanto o desfecho não foi considerado triunfante nem pelo próprio pesquisador porque o jovem não saiu do mutismo nem teve acesso à dimensão simbólica da linguagem apesar da incontestável melhora nas relações sociais Ferrari 2012 p 7 Esse acontecimento foi muito estudado e deu margem para inúmeros questionamentos sobre a causa das manifestações comportamentais do jovem de Aveyron entre as quais se destaca a causa de sua debilidade o abandono do contato humano ao qual fora submetido 25 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Em 1943 em uma interpretação mais definida o psiquiatra austríaco Leo Kanner descreveu o autismo infantil após observar 11 crianças entre 2 e 8 anos que apresentavam características comuns o que culminou na publicação do artigo intitulado Distúrbios autísticos de contato afetivo Autistic Disturbances of Affective Contact Kanner em sua descrição destacou que das 11 crianças observadas 8 adquiriram linguagem embora com atraso Em referências às características sintomáticas dos autistas verificase que muitos profissionais da educação têm dificuldade em identificar esses traços no contexto escolar A aquisição da linguagem por crianças autistas é muito singular fato perceptível não só pela irregularidade característica mas também pela fraca intenção comunicativa Essa linguagem se apresenta com inversão pronominal e ecolalia Alguns autistas podem reproduzir uma infinidade de palavras letras de música propagandas conhecidas trechos de conversas embora não objetivem uma intenção comunicativa por terem condições favoráveis quanto à memória verbal Santos 2019 Ainda que a pesquisa de Kanner passe por algumas alterações no conceito e na definição do autismo o fundamento é sempre o mesmo pois ele distingue o distúrbio autístico do quadro esquizofrênico divergindo de Bleuler que entende essa afecção não como uma doença independente mas como mais um dos sintomas da esquizofrenia Santos 2019 Caroa acadêmicoa em relação à importância da linguagem o embasamento recai sobre o livro intitu lado Pensamento e Linguagem de Lev Semenovich Vygotsky Esse autor apresenta um estudo detalhado sobre o desenvolvimento intelectual orientado para a psicologia evolutiva educação e psicopatologia Fonte httpswwwinstitutoeloorgbrsitefilespublications5157a7235ffccfd9ca905e359020c413pdf 26 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Desse modo a partir de 1943 os conceitos de autismo psicose e esquizofrenia se colidiram e foram usados de maneira intercambiável durante muitos anos contudo atualmente foi superado Brasil 2015 p18 Após a divulgação dos estudos de Kanner Hans Asperger 19061980 médico e pesquisador escreveu o artigo Psicopatia autística na infância Nele o austríaco também tomou de empréstimo de Bleuler o termo autismo para descrever quatro crianças que apresentavam como questão central o transtorno no relacionamento com o ambiente ao seu redor por vezes compensado pelo alto nível de originalidade no pensamento e nas atitudes Em alguns momentos no entanto o desempenho das crianças pesquisadas pensamentos e atitudes foi percebido como mais ameno Brasil 2015 A respeito desses sintomas foi constatado o seguinte As características autistas apareceriam a partir do segundo ano de vida e seriam persistentes Haveria pobreza de expressões gestuais e faciais e quando as crianças eram inquietas sua movimentação era estereotipada e sem objetivo podendo haver movimentos rítmicos repetitivos Suas falas seriam artificiais mas teriam atitude criativa em relação à linguagem exemplificada pelo uso de palavras incomuns e neologismos Brasil 2015 p 2122 Até fins da década de 1970 o autismo era considerado uma forma de esquizofrenia infantil e classificado dentro da categoria das psicoses APA 19521968 Em 1979 Wing e Gould foram os primeiros a propor a tríade diagnóstica que abrangia deficiências específicas na comunicação socialização e imaginação Caminha et al 2016 Você sabia caroa acadêmicoa que as pesquisas de Hans Asperger eram públicas nos países em que o idioma alemão era dominante Na década de 1970 foram realizadas as primeiras aproximações com os escritos de Kanner especialmente por pesquisadores holandeses tal como Van Krevelen que tinha domínio dos idiomas inglês e alemão As iniciativas de assemelhar ambos foram difíceis em virtude das diferenças entre os pacientes estudados por cada pesquisador uma vez que os descritos por Kanner eram mais jovens e apresentavam maior prejuízo cognitivo Fonte A autora 2020 27 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Em 1980 com a publicação da 3ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM3 o autismo se converteu no protótipo de um novo grupo de transtornos do desenvolvimento reunidos sob o título de transtornos globais do desenvolvimento TGD APA 1980 A expressão amplamente utilizada transtornos invasivos do desenvolvimento não é apropriada O DSM4 publicado em 1994 pela primeira vez incluiu o termo qualitativo para descrever as deficiências dentro da tríade de manifestações clínicas definindo a extensão das deficiências em vez da presença ou ausência absoluta de um determinado comportamento como suficiente para satisfazer o critério diagnóstico Na classificação do DSM4 APA 1994 os transtornos globais do desenvolvimento abarcavam o amplo espectro de distúrbios com as características citadas acima incluindo cinco subtipos comportamentais FIGURA 1 ORGANOGRAMA Fonte Bacarin 2020 p 29 Na Figura 1 percebese pela pirâmide que a caracterização do autismo hierarquizava os indivíduos porém não apresentava um elo que justificasse esse ranqueamento para além dos sintomas neurológicos Para melhor compreensão da mudança entre o DSM4 e o DSM5 retomase o conceito conforme a metodologia elaborada pela Associação de Amigos do Autista AMA Na definição atual do conceito o autismo é uma síndrome ou seja um conjunto de sintomas que causa transtorno de neurodesenvolvimento e como consequência alterações comportamentais que não o caracterizam como uma doença O salto de qualidade na compreensão se encontra em entender que essas características não são estanques e assimétricas porém necessariamente são pertinentes à mesma síndrome porque se caracteriza sempre por desvios qualitativos na comunicação na interação social e no uso 28 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 da imaginação Bacarin 2020 Caroa estudante estes três desvios que ao aparecerem juntos caracterizam o autismo foram chamados por Lorna Wing e Judith Gould em seu estudo realizado em 1979 de Tríade como relatado anteriormente A Tríade é responsável por um padrão de comportamento restrito e repetitivo nas condições de inteligência que podem variar do retardo mental aos níveis acima da média Caminha et al 2016 Em 2013 a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais APA 2014 propôs uma nova classificação com novas orientações sobre o diagnóstico e algumas mudanças conceituais importantes Os subtipos comportamentais descritos no DSM 5 excetuando todos os diagnósticos anteriores Figura 1 reunidos numa única denominação e passam a receber o diagnóstico único de Transtorno do Espectro Autista TEA Entretanto entendese que podem coexistir três grupos de situações que dificultam o diagnóstico clínico sendo eles 01 O TEA pode ser a síndrome principal que coexiste com traços ou aspectos de outras síndromes secundárias 02 O TEA pode ser a síndrome secundária pois apenas alguns traços ou aspectos se fazem presentes em relação a uma outra síndrome principal 03 O TEA pode ser a única síndrome porém com espectros variados conforme cada indivíduo Tomando por base a análise conceitual elencada o DSM5 apresenta a seguinte classificação do TEA FIGURA 2 CLASSIFICAÇÃO Fonte Bacarin 2020 p 30 29 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Na Figura 2 observase que o Autismo Clássico o Transtorno Desintegrativo da Infância e o Transtorno Global do Desenvolvimento não específico foram dissolvidos nessa nova classificação do DSM5 Se por um lado a mudança na classificação de autismo ou autismos facilitou a identificação da síndrome a partir da categorização como suave moderado ou severo por outro lado essa transformação requer um maior tempo de observação e investigação para definir o espectro em que classifica o grau da criança com TEA Essa é a primeira consequência decorrente da nova maneira de se diagnosticar o TEA Bacarin 2020 Caroa estudante mesmo com novas descobertas a respeito do TEA ainda vivemos uma época de incertezas uma vez que no meio de várias incertezas é que se percebem características do TEA no indivíduo precocemente Os primeiros sinais se apresentam ainda nos primeiros anos e com um olhar mais apurado podemse perceber características em bebês O TEA afeta o desenvolvimento do ser humano de forma intensa incidindo na construção da personalidade Silva Rozek 2020 As causas do TEA ainda não são consideradas únicas não existindo assim uma definição do que na realidade causa o autismo Temos diferentes abordagens e estudos que convergem ou divergem nos resultados de suas pesquisas mas que vão transitando basicamente entre fatores psicológicos disfunções cerebrais e alterações de neurotransmissores fatores ambientais aspectos genéticos questões alimentares entre outros Silva Rozek 2020 p 6 Você sabia que a mudança da classificação de TGD para TEA se justifica porque nos Estados Unidos o tratamento é financiado pelo governo e todos os pormenores são elementos usados para não disponibilizar a gratuidade do tratamento ou a inclusão do sujeito em um plano de saúde O diagnóstico de autismo por exemplo para resolver o problema e propiciar o direito desses sujeitos a serem acompanhados nas clínicas e nas instituições escolares uniformizouse todos como portadores de TEA O DSM4 considerava o autismo como um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento e incluía os quadros de Transtorno de Rett Transtorno de Asperger e Transtorno Desintegrativo da Infância já não representando mais o entendimento e classificação dos autistas Fonte Bacarin 2020 30 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Independentemente da posição teórica utilizada para compreender o autismo sabese hoje que ele não constitui um quadro único mas um quadro complexo que precisa ser olhado a partir de cada sujeito levandose em conta suas possibilidades e dificuldades As crianças com necessidades especiais assim como as aves são diferentes em seus voos Mas todas são iguais em seu direito de voar Fonte A autora 2020 CONCEITO GERAL E DISFUNÇÕES DO TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO TEA 2 TÓPICO 31 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Caroa estudante para ser compreendido o TEA precisa ser muito bem estudado Segundo Silva Gaiato e Reveles 2012 o Transtorno do Espectro Autista é considerado um transtorno de neurodesenvolvimento no qual a criança tem dificuldade na comunicação social e mantém um interesse restrito e estereotipado Isso significa que se trata de uma alteração ocorrida dentro do cérebro em que as conexões entre os neurônios se dão de forma diferente ocasionando dificuldade em interagir com as outras pessoas de maneira adequada Os TEA são considerados atualmente como transtorno de desenvolvimento de causas variadas Entretanto como já estamos estudando acerca de como o TEA se apresenta legalmente constatamos que antes do conceito de autismo existiu e ainda existe em alguns documentos legais o termo Transtornos Globais do Desenvolvimento TGD Para Morais 2012 essa síndrome é entendida como uma das perturbações contínuas e gerais designadas de perturbações globais do desenvolvimento O autismo caracterizase pela existência de disfunções sociais perturbações na comunicação e no jogo imaginativo tal como por interesses e atividades restritas e repetitivas O autismo para ser considerado em termos de diagnóstico tem de ter presentes estas manifestações desde o nascimento até aproximadamente aos 36 meses de idade persistindo e evoluindo de diferentes maneiras ao longo da vida Nesse sentido quando o docente o pedagogo o especialista na educação especial ou a equipe escolar solicitarem um laudo diagnóstico em decorrência das limitações e especificidades dessas profissões geralmente a escola só consegue entender que naquele 32 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 laudo constam informações sobre uma criança com características autísticas quando se faz referência neste documento ao termo Transtornos Globais do Desenvolvimento TGD Assim sendo é preciso questionar o que especificamente significa dizer que uma criança tem TGD Ao observar a Figura 3 a seguir inferemse alguns pontos para essa problemática FIGURA 3 ALTERAÇÃO COGNITIVA NO TEA Fonte Bacarin 2020 p 13 A alteração em comunicação social no TEA apresenta ou pode apresentar os elementos listados a seguir de acordo com Silva Gaiato e Reveles 2012 Dificuldade no contato visual Dificuldade no uso de gestos e expressões faciais Dificuldades em fazer amizades e no brincar entender emoções e sentimentos relacionados ao outro Falta de interesse por coisas ou atividades que as outras crianças propõem Foco em brinquedos ou brincadeiras apenas seja do seu interesse Aproximação com os demais de uma forma artificializada robotizada ou aprendida e fracasso nas conversas interpessoais Demonstrações de pouco interesse no que outra pessoa está dizendo ou sentindo Dificuldade em iniciar ou responder a interações sociais Dificuldade de entender a linguagem não verbal das outras pessoas Dificuldade em se adaptar a diferentes situações sociais O interesse restrito e estereotipado pode aparecer de acordo com Silva Gaiato e Reveles 2012 nas seguintes situações Movimentos repetitivos ou estereotipados com objetos eou fala Preservação Cognitivoa Bom Funcionamento Asperger Baixo Funcionamento Retardo Mental 33 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Na fala repetições de trechos de filmes ou desenhos falando sozinhos numa linguagem própria sem função de interação social Insistência em rotinas rituais de comportamentos padronizados fixação em temas e interesses restritos Hiper ou Hiporreação a estímulos do ambiente como sons ou texturas Estereotipias motoras movimentos repetitivos com o corpo ou com as mãos Extrema angústia com pequenas mudanças na rotina Forte apego a objetos gastando muito tempo observando ou usando um mesmo brinquedo ou segurando o dia todo algo que caiba nas mãos Sensibilidade a barulhos cheiros texturas de objetos ou extremo interesse em luzes brilhos e determinados movimentos repetitivos Alteração na sensibilidade à dor As autoras mencionadas ressaltam que em decorrência das individualidades as crianças com TEA podem apresentar especificidades diversas quanto à alteração em comunicação social e ao interesse restrito e estereotipado Acerca dessa questão Morais 2012 observa que ao nível comportamental as características que distinguem as crianças com autismo das que sofrem de outro tipo de perturbações do desenvolvimento baseiamse sobretudo na sociabilidade no jogo na linguagem na comunicação a nível global a nível de atividade do repertório de interesses e as atitudes dos demais não assumem para elas a mesma importância que por norma assume para outras crianças Deste modo as crianças autistas representam um grande desafio para os profissionais pelas vastas características que reúnem É importante e significativo entender que o autismo é uma disfunção no desenvolvimento cerebral que tem origem na infância que persiste ao longo de toda a vida e que pode dar origem a uma grande variedade de expressões clínicas Morais 2012 p 12 Conforme estudamos até o momento o transtorno do espectro autista caracteriza se por déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos incluindo déficits na reciprocidade social em comportamentos não verbais de comunicação usados para interação social e em habilidades para desenvolver manter e compreender relacionamentos estas informações são baseadas nos dados do DSM5 Os principais sintomas que caracterizam a dificuldade de integração segundo a American Psychiatric Association 2014 são Déficits na reciprocidade socioemocional variando por exemplo de abordagem social anormal e dificuldade para estabelecer uma conversa normal a compartilhamento reduzido de interesses emoções ou afeto a dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais 34 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social variando por exemplo de comunicação verbal e não verbal pouco integrada a anormalidade no contato visual e linguagem corporal ou déficits na compreensão e uso de gestos a ausência total de expressões faciais e comunicação não verbal Déficits para desenvolver manter e compreender relacionamentos variando por exemplo de dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais diversos a dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer amigos a ausência de interesse por pares Os indivíduos com TEA apresentam um processamento perceptivo centrado nos detalhes o que determina que a exploração dos objetos não aconteça de uma forma típica sendo muitas vezes não vinculada às funções do objeto mas a seus detalhes Por exemplo Ao brincar com um carrinho a criança não faz explorando a ação do brin quedo mas desmontando enfileirando classificando por cor ou tamanho ou sem uma prévia classificação e mantendose atento às rodinhas fazendoas girar por horas sem um objetivo específico Silva Rozek 2020 p 9 A American Psychiatric Association APA 2014 traz os principais sintomas que caracterizam a gravidade baseada em prejuízos na comunicação social e em padrões de comportamento restritos e repetitivos de comportamento interesses ou atividades ATENÇÃO Os exemplos são ilustrativos e não executivos sendo eles Movimentos motores uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos p ex estereotipias motoras simples alinhar brinquedos ou girar objetos ecolalia frases idiossincráticas Insistência nas mesmas coisas adesão inflexível as rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal por exemplo sofrimento extremo em relação a pequenas mudanças dificuldades com transições padrões rígidos de pensamento rituais de saudação necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco por exemplo forte apego ou preocupação com objetos incomuns interesses excessivamente circunscritos ou perseverativos Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente por exemplo indiferença aparente a dor temperatura reação contrária a sons ou texturas específicas cheirar ou tocar objetos de forma excessiva fascinação visual por luzes ou movimento Para melhor compreensão a tabela a seguir retirada do DSM5 ilustra as gravidades citadas anteriormente 35 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 TABELA 1 NÍVEIS DE GRAVIDADE PARA TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA Fonte American Psychiatric Association 2014 p 52 Caroa acadêmicoa para ampliar o seu conhecimento entre o autismo em relação à fala linguagem e comunicação o livro intitulado Autismo fala linguagem e comunicação da autora Silvia Dias Caldas elaboram discussões sobre diferentes aspectos do autismo especialmente a relação com a comunicação Dessa forma aborda os tipos do Transtorno do Espectro do Autismo o desenvolvimento de linguagem níveis de análise da fala e cognição social A obra ainda trata de dificuldades semânticas linguagem não verbal sistemas aumentativos e alternativos de comunicação bem como questões sobre brincadeira e música Fonte Caldas 2020 As pessoas com autismo não mentem não julgam não manipulam Talvez possamos aprender alguma coisa com elas Fonte A autora 2020 CAUSAS DO TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO TEA 3 TÓPICO 36 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Caroa estudante buscaremos neste último tópico compreender algumas das prováveis causas do Transtorno do Espectro Autista TEA que é um transtorno de comportamento multifacetado de base neurológica Para a construção dessa investigação acerca das possíveis causas do TEA faremos um resgate de suas características centrais ou seja a tríade de identificação dessa síndrome que possui ramificações e camadas díspares variáveis de indivíduo São elas de acordo com a American Psychiatric Association APA 2014 31 Prejuízos na interação social Prejuízo no uso de comportamento não verbais Contato visual direto Expressão facial Gestos comunicativos Dificuldade para estabelecer relacionamentos com colegas Dificuldades para compartilhar prazer interesses ou desconforto Falta de reciprocidade socialemocional 32 Prejuízos na comunicação Atraso ou ausência da fala expressiva Dificuldade para iniciar ou manter uma conversação Uso estereotipado e repetitivo da linguagem linguagem pedante 37 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Dificuldade na compreensão na contextualização Alterações na prosódia e articulação Dificuldades para compreender metáforas Dificuldades para compreender figuras de linguagem Tendência para compreensão literal 33 Padrões restritos de comportamento interesses e atividades Preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados e restritos de interesse Maneirismos estereotipados e repetitivos Apego excessivo as rotinas Preocupação persistente com partes de objetos Resgatamos as características principais do TEA uma vez que as dificuldades encontradas pelos profissionais das mais diversas áreas para desenvolverem suas práticas e voltálas aos autistas Isso porque mesmo com a presença desses sintomas em todos os diagnósticos clínicos neurológicos e multidisciplinares cada indivíduo ou no jargão médico cada quadro clínico apresenta variáveis graus de gravidade Existe uma vasta bibliografia sobre as várias teorias que procuram explicar o problema da etiologia ou a causa do quadro clínico do autismo no entanto serão elencadas aqui as hipóteses que se mostraram mais relevantes em relação à importância das investigações bem como aos avanços que proporcionaram no contexto da American Psychiatric Association APA 2014 são elas Teoria psicológica Teoria cognitiva Fatores biológicos evidentes gêmeos história familiar e síndromes Ausência de marcador biológico Diagnóstico clínico Dessa forma apresentaremos no quadro a seguir um esboço sobre as principais teorias 38 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 QUADRO 1 AS PRINCIPAIS TEORIAS DA CAUSA DO TEA Teoria psicológica Durante muito tempo a abordagem predominante foi a psicológica Muitos teóricos defendiam a hipótese de que o autismo seria o resultado de progenitoras ou mães frias Essa teoria foi combatida e superada em seus fundamentos não sendo mais referência para o debate Teoria cognitiva Essa teoria aborda os distúrbios na formação e cognição cerebral os quais se acredita estarem associados a um quadro específico É uma das teorias mais aceitas na comunidade acadêmica que estuda o Transtorno do Espectro Autista TEA uma vez que as evidências de pesquisas nacionais e internacionais têm demonstrado em um processo contínuo de amadurecimento científico a relação entre esses distúrbios e o autismo Fatores biológicos evidentes É consenso entre a comunidade acadêmica que os fatores biológicos são muito presentes em crianças com TEA Citamse os casos de autismo em gêmeos e os casos de mulheres que gestaram uma criança autista e na segunda gravidez geraram outra criança também autista ou seja o histórico familiar é considerável pois aumenta o risco de nascimentos de crianças com TEA As síndromes também são probabilidades visto que uma criança com uma síndrome apresenta alteração neurológica e que existe uma grande associação entre síndromes e comportamentos autísticos Ausência de marcador biológico Biomarcadores ou marcadores biológicos são entidades que podem ser medidas experimentalmente e indicam a ocorrência de determinada função normal ou patológica de um organismo ou uma resposta a um agente farmacológico A falta de um exame de sangue uma tomografia ou um eletroencefalograma por exemplo que demonstra que a pessoa tem TEA faz com que o diagnóstico se paute na observação clínica Diagnóstico clínico No âmbito do raciocínio clínico do especialista que avalia a criança a investigação deverá ser realizada com base nas teorias anteriormente citadas ou melhor tomando os elementos contidos nas tendências hipotéticas anteriores que dentro da gama de indícios elementos e linhas de possibilidades mantiveramse como pressuposto ou como base para que a tendência hipotética que usamos hoje caminhe em direção a uma hipótese científica podendo elevar a possibilidade de acerto quanto às especificidades de cada caso Fonte Bacarin 2020 39 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Nos últimos 60 anos de produções e estudos sobre as possíveis causas do autismo criaram uma rotina em que várias teorias foram aparecendo e posteriormente dando espaço a outras teorias sendo as cinco listadas anteriormente as mais significativas Sobre o TEA a causa do autismo permanece desconhecida entretanto existe um conjunto de elementos a se considerar sendo elas evidências científicas pesquisas nas mais diversas áreas evidências em neuroimagens e neurocomportamento avaliações neuropsicológicas Pesquisadores ao analisarem os elementos e evidências citados anteriormente inferiram que até o presente momento o problema do TEA é neurobiológico Nesse sentido o TEA não é um problema emocional ele é gerado por alterações na biologia do cérebro Contudo a causa dessa alteração é desconhecida bem como o que desencadeia esse processo Bacarin 2020 O que se sabe é que alguns fatores do ambiente podem ter relação causal a saber sendo prematuridade intercorrências como anoxia neonatal problemas relacionados ao nascimento da criança alguns distúrbios metabólicos Bacarin 2020 Todavia apesar dos fatores ambientais mais precisos não se sabe qual é a causa principal e no geral não se sabe qual é o gatilho que desencadeia o transtorno No entanto existem alguns fatores de risco que estão relacionados ao aparecimento de uma criança autista em uma família Isto é quando se deve suspeitar que uma família corre risco maior de ter um filho autista Basicamente quando já existe uma criança TEA e em prematuros Caroa estudante para finalizarmos e não deixar de expor todas as teorias que envolvem a discussão das causas do TEA apresentaremos a teoria da mente Como vimos as causas não são corretas uma das teorias mais aceitas no domínio científico associa os múltiplos fatores mais prováveis a uma alteração nos processos de ativação e desativação controlados por genes de determinadas regiões cerebrais associadas à linguagem à cognição social e à criatividade Isso confirma as narrativas apresentadas no Quadro 1 que relacionam o TEA a um distúrbio na formação e na cognição cerebral isto é desvio no desenvolvimento do cérebro em decorrência de uma combinação de fatores genéticos e ambientais nem todos conhecidos conforme figura a seguir 40 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 FIGURA 4 AUTISMO POSSÍVEL ORIGEM DO PROBLEMA Fonte Bacarin 2020 p 71 Para uma corrente de pesquisadores o conjunto desses fatores ainda muito imprecisos dificulta o desenvolvimento de habilidades de compreensão e dedução da gama de estados mentais imaginativos e emocionais de crenças desejos e intenções A essa hipótese se denomina Teoria da Mente Theory of Mind TM Bacarin 2020 Silva Gaiato e Reveles 2012 p 84 observam que o ser humano desenvolveu ao longo de sua existência habilidades de comunicação e de linguagem tão sofisticadas que aprendeu a se relacionar de maneira muito complexa Às vezes a comunicação é tão rica que nem é preciso falar para se fazer entender Caroa estudante para compreender melhor essa colocação o exemplo irá auxiliar na compreensão se estamos em uma conversa e o interlocutor começa a bocejar podemos ter a sensação de que nosso papo está desagradável ou cansativo e tendemos naturalmente a mudar o rumo da conversa Ou ainda quando uma pessoa faz uma brincadeira irônica percebemos que por trás da sua fala existe um deboche a pessoa não falou mas passou a mensagem através do seu jeito de falar da entonação da voz e da expressão facial Já o autista tem dificuldades de perceber estados mentais o que faz com que avaliem de forma equivocada uma série de situações sociais ou ainda simplesmente não conseguem entendêlas As pessoas com autismo levam mais tempo para aprender o significado de certas atitudes e demoram para interagir já que não compreendem as sensações e emoções dos outros Por exemplo podem falar por horas e horas sobre o mesmo tema sem perceber que o interlocutor está entediado A dificuldade do autista em mentir ou enganar também está relacionada à teoria da mente ele não consegue imaginar que a outra pessoa esteja pensando de forma diferente dele Silva Gaiato Reveles 2012 Assim sendo enquanto pessoas neurotípicas é um neologismo amplamente utilizado na comunidade autística como um rótulo para pessoas que não estão no espectro do autismo têm uma capacidade inerente à sua espécie de entender estados psíquicos e 41 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 perceber intencionalidades da outra pessoa Figura 5 o indivíduo TEA não possui essa capacidade Bacarin 2020 FIGURA 5 COMPREENSÃO DE ESTADOS PSÍQUICOS E INTENCIONALIDADES Fonte Bacarin 2020 p 72 Caroa estudante um dos erros recorrentes no processo de análise de uma possível criança com TEA acontece na fase de investigação quando ao serem levantadas as possíveis incidências o grupo de profissionais ou o diagnóstico clínico foca sua busca em encontrar associações Para isso a importância de uma avaliação multidisciplinar como pedagogo psicopedagogo profissional da área da educação especial fonoaudiólogo entre outros reúnem informações para o médico no qual tenha elementos para fazer o diagnóstico Em resumo o diagnóstico depende da avaliação multidisciplinar e da família com relatórios detalhados da instituição escolar fotos e vídeos da família bem como a importância do DSM é que o manual ajuda a padronizar o que se deve comparar Você caroa acadêmicoa sabia que o Manual da Classificação Internacional da Organização Mundial de Saúde OMS é um importante manual pois está no fato de apresentar a classificação das tipificações das síndromes e como compreendêlas Fonte A autora 2020 A vida é como um quebracabeças Deveríamos parar de tentar encaixar as pessoas onde elas não cabem Fonte Autor desconhecido 42 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Caroa acadêmicoa Finalizamos a Unidade II da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento No primeiro momento contextualizamos os fundamentos conceituais teóricos e a perspectiva histórica do autismo no século XX no entanto independentemente da posição teórica utilizada para compreender o autismo sabese hoje que ele não constitui um quadro único mas um quadro complexo que precisa ser olhado a partir de cada sujeito levandose em conta suas possibilidades e dificuldades No segundo momento estudamos o conceito geral e disfunções do transtorno do espectro autista TEA no qual constatamos que antes do conceito de autismo existiu e ainda existe em alguns documentos legais o termo Transtornos Globais do Desenvolvimento TGD em relação às disfunções a criança tem dificuldade na comunicação social e mantém um interesse restrito e estereotipado isto descrito nos documentos legais como CID e DSM No terceiro momento conhecemos as causas do transtorno do espectro autista TEA em que compreendemos que a causa do autismo permanece desconhecida entretanto existe um conjunto de elementos a se considerar sendo elas evidências científicas pesquisas nas mais diversas áreas evidências em neuroimagens e neurocomportamento avaliações neuropsicológicas Para aprofundar seus conhecimentos não deixe de consultar as referências CONSIDERAÇÕES FINAIS 43 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Leitura complementar apresentase como um guia para se desenvolver processos investigativos de caráter institucional na verificação de uma possível criança que tenha TEA FORTIN Marie Fabienne O processo de investigação da concepção à realização Loures Lusociência 1999 Sinopse A obra Processo de investigação da concepção à realização cuja autora principal é MarieFabienne Fortin Professora Jubilada da Faculdade de Ciências de Enfermagem da Universidade de Montreal titular da área da investigação científica naquela faculdade é sem dúvida uma obra de cariz didático útil para professores estudantes e todos os que se interessem pelo processo científico Ao longo dos 23 capítulos do manual são desenvolvidas as bases teóricas inerentes ao processo de investigação As principais orientações metodológicas específicas dos vários tipos de estudos tanto quantitativos como qualitativos são ilustradas com exemplos de estudos realizados por outros autores permitindo com base nelas conduzir um trabalho de investigação desde a sua concepção até à publicação dos resultados Os leitores encontrarão ainda ajuda para fazer uma autoavaliação crítica dos estudos que venham a realizar A organização dos conteúdos em torno de objetivos pedagógicos específicos por capítulo a própria estrutura dos capítulos em que após uma breve introdução os conteúdos se desenvolvem por seções e temas dos mais genéricos aos mais específicos terminando com o resumo dos aspectos tratados as ideias expostas ilustradas com exemplos de estudos de investigação e figuras esquemáticas sintetizadas em quadros e creditadas com a citação de autores peritos no assunto cujas referências bibliográficas fecham o capítulo são algumas das características que não só facilitam a compreensão dos conteúdos como a consulta da obra Recomendado a estudantes e a todos quantos se iniciam na realização de investigação LEITURA COMPLEMENTAR 44 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 MATERIAL COMPLEMENTAR FILMEVÍDEO Título Temple Grandin Ano 2010 Sinopse Jovem autista luta para ter uma vida normal Incentivada pelo professor ela chega à universidade e usa sua sensibilidade e habilidade com os animais para criar uma técnica que revoluciona a indústria agropecuária dos Estados Unidos FILMEVÍDEO Título Diário de um Autista Ano 2015 Sinopse Dê o primeiro passo para a autonomia do autista e inscrevase no canal LIVRO Título Autismo infantil novas tendências e perspectivas Autor Francisco Baptista Assumpção Junior Evelyn Kczynski Editora Atheneu Ano 2015 Sinopse Autismo Infantil Novas Tendências e Perspectivas ora em sua segunda edição tem sua origem acadêmica no Laboratório de Distúrbios do Desenvolvimento do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo Seu objetivo é a realização de pesquisas diagnósticas e terapêuticas dos Transtornos de Habilidades Escolares Transtornos de Linguagem e Fala Transtornos Específicos do Desenvolvimento e outros Plano de Estudos Método TEACCH Pecs Sistema de Comunicação por Troca de Figuras ABA Análise Aplicada do Comportamento Outras técnicas de apoio educacional Objetivos da Aprendizagem Conhecer o Método TEACCH Tratamento e Educação de Criança Autistas e com Desvantagens na Comunicação Aprender sobre o PECs Sistema de Comunicação por Troca de Figuras Entender sobre a ABA Análise Aplicada do Comportamento Consultar outras técnicas de apoio educacional Professora Me Fabiane Fantacholi Guimarães MÉTODOS MÉTODOS EDUCACIONAIS DE EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA ALUNO COM TGDTEA UNIDADE3UNIDADE 46 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 INTRODUÇÃO Caroa acadêmicoa Seja bemvindoa à Unidade III intitulada Métodos Educacionais de Intervenção e apoio a inclusão do aluno com TGDTEA da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento do curso de Graduação em Educação Especial No primeiro momento conhecer o Método Tratamento e Educação de Criança Autistas e com Desvantagens na Comunicação TEACCH no qual este método de tratamento e educação é um dos mais importantes métodos de tratamento educacional para crianças com autismo e distúrbios correlatos de comunicação No segundo momento aprender sobre o PECs Sistema de Comunicação por Troca de Figuras no qual se trata de um procedimento para o processo de ensino e aprendizagem de pessoas com distúrbios de comunicação muito utilizado também com pessoas com TEA que estimula a funcionalidade da comunicação por intermédio da troca de figuras No terceiro momento entender sobre a Análise Aplicada do Comportamento ABA em que seu método se refere à intervenção e ao ensino de aptidões necessárias para viver em uma sociedade bem como é responsável por aplicar princípios comportamentais a situações sociais realmente relevantes No quarto momento consultar outras técnicas de apoio educacional algumas das possibilidades de apoio educacional que são usualmente utilizadas para o processo de aprendizagem da criança com TEA apenas para dar uma ideia a pais e profissionais Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema de nossa terceira unidade Boa leitura MÉTODO TEACCH 1 TÓPICO 47 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Um dos mais importantes métodos de tratamento educacional para a pessoa com TEA é conhecido como método TEACCH Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children traduzido Tratamento e Educação de Criança Autistas e com Desvantagens na Comunicação Ele constituise em um método de tratamento e educação para crianças com autismo e distúrbios correlatos de comunicação Segundo as autoras Marques e Mello 2005 o objetivo máximo do TEACCH é apoiar o autismo em seu desenvolvimento para ajudálo a conseguir chegar à idade adulta com o máximo de autonomia possível Isto inclui ajudálo a compreender o mundo que o cerca através da aquisição de habilidades de comunicação que lhe permitam relacionarse com outras pessoas oferecendolhes até onde for possível condições de escolher de acordo com suas próprias necessidades Marques Mello 2005 p145 Sendo que a meta fundamental é o desenvolvimento da comunicação e da independência e o meio principal para isto é a educação Assim a avaliação é a ferramenta para a seleção de estratégias que deverão ser estabelecidas individualmente Os primeiros estudos que originaram o método remontam à década de 1960 através do estudioso psicólogo americano Eric Schopler sendo uma abordagem psicanalítica no qual surgiu no desenvolvimento de um projeto de investigação no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Carolina do Norte nos Estados Unidos Um grupo de profissionais da área da saúde mental atendia às crianças com TEA em uma visão psicanalítica e oferecia terapia para elas e seus pais Nesse período acreditavase que 48 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 havia uma forte influência dos pais que em parte eram considerados responsáveis pelo quadro de autismo dos seus filhos Defendi 2016 Com o avanço das pesquisas científicas essa ideia foi abandonada e novos elementos foram considerados para o tratamento das pessoas com TEA o que ampliou a visão e colaborou para mudanças no método TEACCH para enfatizar a importância do processo educacional a essas pessoas Defendi 2016 O TEACCH ao contrário de métodos comportamentais não ataca os problemas de comportamento diretamente mas tenta analisar e eliminar as suas causas Isso não quer dizer que técnicas de modificação de conduta sejam completamente eliminadas do método mas que elas são utilizadas em situações de risco nos casos em que as medidas tomadas de acordo com o critério anteriormente descrito não tenham sido eficazes Marques Mello 2005 Em suma o método TEACCH tem como foco promover competências adaptativas que são necessárias para desenvolver uma vida mais independente buscando modificar o ambiente para que se adapte às necessidades das crianças com TEA O TEACCH é um modelo de intervenção chamado generalista e transdisciplinar que respeita às características do indivíduo adaptandose a elas Assim todos aqueles que participam do processo educativo são envolvidos diminuindo as dificuldades a um nível da linguagem receptiva aumentando as possibilidades de comunicação e permitindo a diversidade de contextos Tem por objetivo facilitar a aprendizagem partindo do arranjo ambiental Um ensino estruturado que tem como alternativa promover a adaptação de cada indivíduo dando e recebendo o apoio não só dos terapeutas como também dos pais que se tornam coterapeutas Simão 2020 O TEACCH baseiase na organização do ambiente e das tarefas a serem desempenhadas pela criança para facilitar que ela compreenda as expectativas que se tem acerca do seu desempenho escolar e para desenvolver sua independência Desse modo a intervenção do professor tornase necessária apenas para a aprendizagem de novas atividades Defendi 2016 O método TEACCH também prioriza a organização de sala de aula em outras cinco áreas diferentes sendo elas Simão 2020 p 54 Acolher o planejamento das atividades é muito importante já que a criança com TEA têm dificuldades em lidar com alterações de rotina Aprender o treino individualizado de competências em cada uma das áreas Brincar o estímulo de questões psicomotoras e relaxantes Computador destinado ao trabalho e à produção individual de acordo com o plano diário 49 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Por meio de uma avaliação denominada Perfil Psicoeducacional Revisado PEPR é possível identificar os pontos fortes e de maior interesse da criança bem como suas dificuldades de modo que se possa elaborar um programa educacional adequado à sua realidade O PEPR foi desenvolvido para se obter o coeficiente de desenvolvimento das crianças com TEA expresso por um número a exemplo dos testes de inteligência Tendo como meta a acuidade da avaliação o PEPR utiliza um sistema de comunicação essencialmente visual em razão da dificuldade de compreensão característica das crianças com TEA Defendi 2016 O PEPR avalia o nível de desenvolvimento em sete áreas de desenvolvimento sendo imitação performance cognitiva cognitiva verbal coordenação olhomão coordenação motora grossa coordenação motora fina e percepção O PEPR também fornece o coeficiente de desenvolvimento geral e uma avaliação dos problemas de comportamento Brasil 2004 p 25 O método TEACCH considera que a criança com TEA desenvolve uma cultura própria Nesse caso o professor atuaria como um intérprete conectando duas culturas diferentes FIGURA 1 MATERIAL DE APOIO MÉTODO TEACCH Fonte Apoio Autista 2019 Você sabia caroa acadêmicoa que no Brasil o TEACCH é muito disseminado pelas professoras Maria Elisa Granchi Fonseca e Viviane Costa de Leon habilitadas a dar formações e treinamentos no país Fonte A autora 50 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 FIGURA 2 MATERIAL DE APOIO MÉTODO TEACCH Fonte Mara 2015 As principais áreas do atendimento educacional das pessoas com TEA segundo o método TEACCH são envolvimento dos pais avaliação de ensino estruturado manejo de comportamento habilidades de comunicação habilidades sociais e de lazer e treinamento prévocacional e de independência Defendi 2016 p 27 Caroa acadêmicoa para conhecer de maneira mais profunda esse método de trabalho com pessoas com TEA sugerimos a leitura do seguinte artigo Linkhttpssapientiaualgptbitstream10400178741A20importc3a2nia20do20Mc3a 9todo20TEACCH20na20inclusc3a3o20de20uma20crianc3a7a20autistapdf PECS SISTEMA DE COMUNICAÇÃO POR TROCA DE FIGURAS 2 TÓPICO 51 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 PECs Picture Exchange Communication System traduzido Sistema de Comunicação por Troca de Figuras desenvolvido nos EUA por Andy Bondy e Lori Frost tratase de um procedimento para o processo de ensino e aprendizagem de pessoas com distúrbios de comunicação muito utilizado também com pessoas com TEA que estimula a funcionalidade da comunicação por intermédio da troca de figuras PECs é considerado como modelo alternativo e aumentativo da comunicação em que o indivíduo aprende a se comunicar utilizando a troca de figuras É um modelo que proporciona muitos progressos nas habilidades de comunicação apresentando maior independência e redução dos comportamentos inadequados e buscando uma melhoria na abordagem social e interação com os demais Simão 2020 O objetivo do sistema PECs é ensinar o indivíduo a comunicarse através de troca de figuras Mais especificamente aproximarse de outro indivíduo e oferecerlhe a figura de um item na tentativa de obter tal item Miguel BragaKenyon Kenyon 2005 p 178 Assim por meio deste sistema é possível ensinar a criança diagnosticada com autismo ou outros transtornos de desenvolvimento a expressar aquilo que ela deseja de uma forma espontânea e em um contexto social por meio da interação com outro indivíduo O treino com o PECs se dá em seis fases e deve ser feita após uma boa avaliação do nível de comunicação da pessoa por um fonoaudiólogo especializado profissional habilitado para identificar diagnosticas e tratar indivíduos com distúrbios da comunicação oral e escrita e com a participação de todos os envolvidos na sua vida as fases são Bondy Frost 1994 01 Fazer pedidos através da troca de figuras pelos itens desejados 02 Ir até a tábua de comunicação apanhar uma figura ir a um adulto e entregá la em sua mão 52 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 03 Discriminar entre as figuras 04 Solicitar itens utilizando várias palavras em frases simples fixadas na tábua de comunicação 05 Responder à pergunta O que você quer 06 Emitir comentários espontâneos Com o PECs o indivíduo adquire o comportamento verbal não vocal isto é aprende a se comunicar funcionalmente emitindo respostas através de consequências mediadas por outra pessoa e por meio de figuras fazendo a troca de imagens pelos objetos de interesse ou por algum outro reforçador generalizado Bondy 2001 O treino do PECs inicialmente ensina o indivíduo a pedir algo que lhe interessa pode ser um objeto ou até mesmo uma situação um intervalo ir ao banheiro ir para casa etc O sujeito aprende a dar uma figura para outra pessoa representação de um objeto ou de uma situação que por sua vez lhe entregará o que foi pedido Indivíduos nessa fase do treino aprendem rapidamente novos comportamentos pois são imediatamente reforçados pelas consequências de suas respostas Bondy 2001 O PECs tem sido bem aceito em vários lugares do mundo pois não demanda materiais complexos ou caros é relativamente fácil de aprender pode ser aplicado em qualquer lugar e quando bem aplicado apresenta resultados inquestionáveis na comunicação através de cartões em crianças que não falam e na organização da linguagem verbal em crianças que falam mas que precisam organizar esta linguagem Mello 2007 FIGURA 3 EXEMPLOS DE PECS 53 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Fonte Vieira 2019 FIGURA 4 EXEMPLO DE PECS Fonte Autismo em dia 2020 FIGURA 5 EXEMPLO DE PECS Fontes Pyramid Educational Consultants 2019 54 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades lembraivos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível Charles Chaplin ABA ANÁLISE APLICADA DO COMPORTAMENTO 3 TÓPICO 55 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 ABA Applied Behavior Analysis traduzido Análise do Comportamento Aplicada é um método que se refere à intervenção e ao ensino de aptidões necessárias para viver em uma sociedade Ela é responsável por aplicar princípios comportamentais a situações sociais realmente relevantes ABA é um termo do campo científico do behaviorismo que observa analisa e explica a associação entre o ambiente o comportamento humano e a aprendizagem Tavares 2020 A aplicação da ABA demonstrou sua eficácia no que concerne à utilização em diferentes meios como escola empresas e situações diferenciadas Depois ela foi empregada com diversos tipos de indivíduos como as crianças típicas e as que apresentavam comportamento atípico bem como adolescentes jovens adultos e idosos com e sem doenças crônicas Tavares 2020 ABA é empregada com diferentes públicos no caso do autista sugerese que o início do tratamento seja prioritariamente utilizado em crianças pequenas uma vez que o cérebro desses indivíduos está mais aberto a receber as informações e a modificar comportamentos devido à ação da neuroplasticidade entre os neurônios Tavares 2020 ABA tem sido aplicada na área de saúde a psicologia a terapia ocupacional e fonoaudiologia etc e na educação Essa é a maior abordagem de tratamento empregada em autistas Os profissionais que aplicam essa abordagem precisam conhecer os princípios básicos e ficar atentos para na aplicação avaliar a eficácia das intervenções pensadas para cada indivíduo Tavares 2020 p 53 Dessa forma é possível observar se atingiram os resultados esperados Alguns princípios são essenciais para que a dinâmica da ABA dê certo e é preciso saber que princípios são esses A seguir caroa acadêmicoa estão elencados pontos 56 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 sugeridos por Brites e Brites 2019 que correspondem a atitudes que devem ser pensadas quando se trata da aplicação da ABA Deve ser aplicada por profissionais capacitados e qualquer pessoa pode receber treinamento para cumprir essa função Os profissionais que trabalham com crianças nas áreas de saúde e educação devem conhecer e se capacitar na ABA Os pais devem saber sobre a ABA e manter nos diferentes ambientes que frequenta as ações orientadas pela clínica As ações devem ser integradas entre a clínica e a escola para que funcionem em consonância com a proposta Diante de tais recomendações dos autores supracitados podese afirmar que todos os envolvidos no trabalho devem conhecer a aplicação da mesma forma que a ABA para que realmente tenha resultados Caso um dos eixos falhe a criança irá perceber essa brecha e o comportamento não será modelado adequadamente Para colaborar com a implementação do programa primeiramente é necessário observar o comportamento da criança em situações ambientais e diante de seus familiares ou então no âmbito escolar Nesse processo identificamse situações negativas e positivas e descrevemse as reações da criança nesse contexto Delineiamse a partir daí estratégias sequenciais de respostas que a criança poderia ter com o uso de motivações e reforços positivos Brites Brites 2019 p 110 Dessa forma esperase a modelagem adequada dos padrões de comportamento que tende a acontecer mais rápido caso a criança seja mais nova Para que a aplicação da ABA ocorra da melhor forma possível é necessário que alguns pontos sejam trabalhados e vistos como parte do processo de aprendizagem Para isso destacamos alguns pontos sendo eles Tavares 2020 Torne o ambiente de aprendizagem reforçador Prepare o ambiente de aprendizagem Combine e varie demandas de ensino Intercale tarefas fáceis e difíceis Aumente gradualmente o número de demandas Agilize o ritmo de instrução Ensine fluência das habilidades Cartões de dicas para professores Contato visual Técnicas comportamentais usadas em ABA Exemplo de currículo espaço de trabalho e aulas Diante de tais dicas caroa estudante é imprescindível alinhar os procedimentos com os demais terapeutas Objetivase modificar o comportamento conforme o padrão 57 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 para que o aprendizado seja generalizado Dessa forma o sujeito pode aplicar aquilo que aprendeu em diferentes contextos e colher os benefícios gerados pela adequação comportamental Nesse processo podemse adotar modelos de observação verbal do comportamento e uma descrição detalhada de pequenos atos por tentativas discretas empreendidas entre terapeuta e cliente Brites Brites 2019 p 112 Essa abordagem possibilita que o sujeito possa identificar as relações comportamentais que precisam ser alteradas e buscar definir os procedimentos de modo completo preciso e sistemático a fim de construir um padrão que possa ser replicado pelos terapeutas e pelos pais Brites Brites 2019 p 111 Assim o processo terapêutico é aplicado e vivenciado em diferentes contextos modelando funcionalmente o comportamento do autista e todos os envolvidos podem colher os frutos dessa proposta Caroa acadêmicoa para saber mais sobre o ABA sugerimos a leitura do Manual de Treinamento em ABA Ajudenos a aprender de Kathy Lear O material foi traduzido em 2006 pelo Grupo de tradutores da Comunidade Virtual Autismo no Brasil Fonte httpwwwautismopsicologiaecienciacombrwpcontentuploads201207Autismoajude nosaaprenderpdf Que é necessário sair da ilha para ver a ilha que não nos vemos se não nos saímos de nós se não saímos de nós próprios José Saramago Somos todas ilhas desconhecidas OUTRAS TÉCNICAS DE APOIO EDUCACIONAL 4 TÓPICO 58 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Citaremos algumas das técnicas mais conhecidas que têm sido aplicadas em crianças com autismo Algumas foram especialmente desenvolvidas para elas outras foram desenvolvidas inicialmente para tratar outras patologias Todas elas já vêm sendo aplicadas há algum tempo a maioria há mais de dez anos e todas se iniciaram como grandes promessas para pais mais apressados O tempo mostrou que elas não são milagrosas Contudo algumas delas se aplicadas conscientemente da forma como foram concebidas ou com adaptações a estilos e culturas podem ser um excelente complemento ao tratamento educacional Várias instituições em todo o mundo vêm combinando uma série de técnicas como complemento ao trabalho educacional de base e vêm colhendo cada vez mais resultados na reabilitação de crianças com autismo principalmente as que começaram cedo o tratamento através do empenho na formação de seus técnicos no envolvimento dos pais e na construção de uma atitude de trabalho positiva A seguir descrevemos resumidamente algumas das possibilidades de apoio educacional que são usualmente utilizadas para o processo de aprendizagem da criança com TEA apenas para dar uma ideia a pais e profissionais citados por Mello 2007 59 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 41 Comunicação Facilitada Facilitated Communication FC FIGURA 6 COMUNICAÇÃO FACILITADA FACILITATED COMMUNICATION FC Fonte httpswwwhighspeedtrainingcoukhubfacilitatedcommunicationcontroversy A Comunicação Facilitada foi um meio facilitador da comunicação desenvolvido em Melbourne Austrália inicialmente para pessoas portadoras de paralisia cerebral e mais tarde adotado também para pessoas com autismo Podemos resumila ao uso de um teclado de máquina de escrever ou computador no qual uma pessoa que tem autismo transmite seus pensamentos com a ajuda do facilitador que lhe oferece o necessário suporte físico Inicialmente era a realização do sonho de muitos pais e profissionais que acreditavam que crianças com autismo pensavam muito mais do que conseguiam transmitir por meios convencionais e com este novo recurso passariam a manifestar o real conteúdo de seus pensamentos Mais tarde começouse a questionar seriamente se a opinião emitida era a do assistido ou a do facilitador principalmente pela constância de graves denúncias feitas por pessoas com autismo através deste meio cuja veracidade na grande maioria dos casos era de impossível constatação Em 1995 o maior jornal da Associação Americana de Psicologia The American Psychologist na página 750 do número 50 publicou um artigo de John Jacobson de título História da Comunicação Facilitada Ciência Pseudociência e Anticiência Nesse artigo Jacobson menciona pesquisas sérias e conclusivas que provaram que não só as pessoas que têm autismo não têm capacidade para expressar tudo aquilo que se supunha que expressavam através da FC como também os facilitadores ainda que inconscientemente influenciavam o conteúdo da mensagem comunicada 60 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 FIGURA 7 O USO DA TECNOLOGIA O COMPUTADOR Fonte Shutterstock O uso do computador como apoio a crianças portadoras de autismo é relativamente recente em comparação às outras intervenções citadas Existem poucas informações disponíveis mesmo na internet sobre a utilização do computador como apoio ao desenvolvimento destas crianças Algumas crianças ignoram o computador enquanto outras se fixam em determinadas imagens ou sons sendo muitas vezes difícil decifrar o que tanto as atrai A Associação de Amigos do Autista AMA de São Paulo desenvolveu uma técnica que teve resultados muito interessantes Consiste na utilização do computador como apoio ao aprendizado da escrita em crianças que já haviam adquirido a leitura e por dificuldades na coordenação motora fina ou por desinteresse não conseguiam adquirir a escrita através dos métodos tradicionais de ensino O programa utilizado não era nenhum programa especialmente desenvolvido para isso mas sim um programa de desenho comum como o Paint Brush ou Paint A sistemática muito simples apresentou resultados positivos comprovados em pelo menos três crianças que apresentavam uma resistência muito grande ao aprendizado da escrita e com as quais haviam sido tentadas diversas técnicas de ensino sem sucesso durante pelo menos um ano Iniciase com traços simples e sessões muito curtas com apoio sempre que necessário O trabalho vai evoluindo em tempo e complexidade à medida que a criança vai conseguindo movimentar o mouse da forma esperada e sem apoio Depois de algum tempo é introduzido o quadro negro e depois o lápis e o papel 61 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 É muito importante limitar o espaço disponível para desenho ou escrita No início esse espaço é maior e vai diminuindo à medida que a criança vai desenvolvendo a habilidade 42 Treinamento de Integração Auditiva Auditory Integration Training FIGURA 8 TREINAMENTO DE INTEGRAÇÃO AUDITIVA Fonte Shutterstock A Integração Auditiva foi desenvolvida inicialmente nos anos 60 pelo otorrinolaringologista francês Guy Berard A ideia inicial é que algumas das características do autismo seria resultado de uma disfunção sensorial e poderiam envolver uma sensibilidade anormal a determinadas frequências de som Na AIT a criança ou adulto ouve música através de fones de ouvido com algumas frequências de som eliminadas através de filtros durante dois períodos de meia hora por noite durante dez dias Segundo Berard esse tratamento ajudaria a pessoa a adaptarse a sons intensos Há muitos depoimentos de sucesso da AIT prestado por pais eou responsáveis mas um número ainda maior de pais diz não ter obtido nada deste tratamento Um dos problemas para se avaliar o quanto a AIT pode ajudar uma criança com autismo é que raramente essa técnica é a única interferência a que a criança é exposta Em geral ela é aplicadaacompanhada de outros tratamentos ou terapias o que tem dificultado um estudo mais apurado sobre AIT fazendose considerar a necessidade de estudos mais aprofundados 62 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Atualmente existem algumas linhas de pesquisa sendo desenvolvidas nessa área Alguns autores acreditam na eficácia da AIT embora outros não a considerem melhor que a aplicação de um programa estruturado de músicas não alteradas abrangendo uma grande escala e variedade de frequências 43 SI Integração Sensorial Sensitory Integration FIGURA 9 SI INTEGRAÇÃO SENSORIAL Fonte Shutterstock A Integração Sensorial pode ser considerada como uma intervenção semelhante à Integração Auditiva mas com atuação em outra área Nos Estados Unidos é muito aplicada por terapeutas ocupacionais e por fonoaudiólogos embora outros terapeutas também a apliquem Muito resumidamente é uma técnica que visa integrar as informações que chegam ao corpo da criança através de brincadeiras que envolvem movimentos equilíbrio e sensações táteis são utilizados toques massagens vibradores e alguns equipamentos como balanços gangorras trampolins escorregadores túneis cadeiras que giram bolas terapêuticas grandes brinquedos argila e outros O terapeuta trabalha no sentido de ensinar a criança através de brincadeiras a compreender e organizar as sensações 63 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 44 Movimentos Sherborne Relation Play FIGURA 10 MOVIMENTOS SHERBORNE RELATION PLAY Fonte Shutterstock Esse é um método que vem sendo aplicado em alguns países principalmente na Europa tanto por fisioterapeutas como por professores de educação física Esse método foi idealizado por Veronica Sherborne uma professora de educação física nascida na Inglaterra que acreditava que poderia beneficiar qualquer tipo de criança com a técnica inclusive crianças com problemas de desenvolvimento Verônica Sherborne tomou como base o trabalho do dançarino e coreógrafo húngaro Rudolf Laban que acreditava que a utilização do movimento é uma ferramenta para todas as atividades humanas e que é por meio do movimento que o ser humano relaciona o seu eu interno com o mundo que o cerca O método visa desenvolver o autoconhecimento da criança através da consciência de seu corpo e do espaço que a cerca pelo ensino do movimento consciente Nem todas as crianças alcançam esses objetivos mas podemos dizer como fruto de nossa própria experiência que a utilização dessa técnica possibilita uma interação muito agradável entre os pais responsáveis e familiares com as crianças que têm autismo o que nem sempre é muito fácil de se conseguir e faz desta técnica um valioso recurso O Autismo é um espectro com habilidades e limitações mas se o foco for as limitações nunca enxergaremos as possibilidades Abra a sua mente Gretchen Stipp 64 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Caroa acadêmicoa Finalizamos a Unidade III da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento No primeiro momento conhecemos o Método TEACCH um método de tratamento e educação que é um dos mais importantes no tratamento educacional para crianças com autismo e distúrbios correlatos de comunicação No segundo momento aprendemos sobre o PECs que se trata de um procedimento para o processo de ensino e aprendizagem de pessoas com distúrbios de comunicação muito utilizado também com pessoas com TEA que estimula a funcionalidade da comunicação por intermédio da troca de figuras No terceiro momento entendemos sobre a ABA Esse método referese à intervenção e ao ensino de aptidões necessárias para viver em uma sociedade bem como é responsável por aplicar princípios comportamentais a situações sociais realmente relevantes No quarto momento consultamos outras técnicas de apoio educacional são técnicas mais conhecidas que têm sido aplicadas em crianças com autismo Algumas foram especialmente desenvolvidas para elas outras foram desenvolvidas inicialmente para tratar outras patologias Para aprofundar seus conhecimentos não deixe de consultar as referências CONSIDERAÇÕES FINAIS 65 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Leitura complementar traz exemplos de atividades aplicadas pelos pais para ensinar leituras para seus filhos com TEA Link de acesso ao material completo httpswwwscielobrpdfpeev232175 3539pee23e185073pdf LEITURA COMPLEMENTAR 66 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 MATERIAL COMPLEMENTAR FILMEVÍDEO Título Sonrise meu filho meu mundo Ano 1979 Sinopse O filme conta a história da criação do programa Son Rise para tratamento de crianças com autismo uma terapia criada por pais leigos e que tem obtido grande sucesso até os dias atuais Raun Kaufman é a primeira criança a ser tratada pelo método Link do vídeo httpswwwyoutubecomwatchvAYra5668lE WEB Resumo A Associação Brasileira de Autismo ABRA é uma entidade civil sem fins lucrativos com sede e foro em BrasíliaDF mas com funcionamento itinerante Originalmente destinada a congregar Associações de Pais e Amigos de Autistas hoje tem por finalidade a integração coordenação e representação em nível nacional e internacional das entidades voltadas para a atenção das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo TEA Por estatuto tem vicepresidências em todas as regiões brasileiras Link do site httpwwwautismoorgbrsite LIVRO Título Métodos de intervenção pedagógica no TEA Autor Bruno Luis Simão Editora Contentus Ano 2020 Sinopse Este livro aborda as principais características das pessoas com Transtorno do Espectro Autista a evolução histórica sobre esse tema aspectos sobre a legislação relacionada e o tratamento Discute a atuação dos profissionais na área competências da equipe multidisciplinar e as atividades de algumas especialidades nesse contexto A obra ainda trata da inclusão escolar o Atendimento Educacional Especializado estratégias acadêmicas e questões sensoriais Plano de Estudos Fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento es pecializado Institucionalização do atendimento especializado no projeto polí tico pedagógico Desmembramentos do TGDTEA e as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade Objetivos da Aprendizagem Conceituar e contextualizar os fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento especializado Compreender as acepções da institucionalização do atendimento especializado no projeto político pedagógico Conhecer as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade no atendimento ao aluno com TGDTEA Professora Me Greicy Juliana Moreira INTERLOCUÇÃO INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE4UNIDADE 68 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 INTRODUÇÃO Caroa acadêmicoa Seja muito bemvindoa à Unidade IV intitulada Interlocução do Atendimento Especializado no Ensino Regular para alunos com TGDTEA da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento do curso de Graduação em Educação Especial No primeiro momento iremos conceituar e contextualizar os Fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento especializado Para tanto apresentaremos as acepções gerais das legislações vigentes e depois daremos ênfase ao trabalho com TGD na escola de ensino regularAEE Autismo e Inclusão No segundo momento compreender as acepções da institucionalização do Atendimento Especializado AEE no projeto político pedagógico apresentando informações sobre as orientações necessárias para a efetivação desse atendimento desde as adequações estruturais até as pedagógicas No terceiro momento conhecer as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade no atendimento especializado aos alunos com TGDTEA Diante do exposto desejo que os assuntos aqui abordados contribuam significativamente para a ampliação dos seus conhecimentos e favoreçam o desenvolvimento da sua atuação profissional Boa leitura e bom estudo FUNDAMENTOS TEÓRICOS LEGAIS E PEDAGÓGICOS DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO 1 TÓPICO 69 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Estudante olá O públicoalvo da educação inclusiva trilhou por caminhos árduos e exclusivos durante muitos anos contudo por meio de políticas públicas novos caminhos foram traçados Então neste primeiro tópico da unidade IV vamos conhecer e entender quais são os fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento educacional especializado AEE Para tanto primeiramente apresentaremos uma breve retomada histórica sobre Educação Especial e Inclusiva no Brasil Posteriormente nosso diálogo será sobre as acepções das diretrizes operacionais da educação especial para o atendimento educacional especializado na educação básica Então venha comigo embarque nessa viagem de conhecimentos pelo mundo do AEE A escola brasileira no que tange o atendimento aos alunos com deficiência terminologia promulgada pela Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU desde 2009 até os dias atuais passou por momentos importantes que vão desde a privação total de ensino até a inclusão desses alunos na escola regular Nesse sentido fazse necessário aprofundarmos nossos conhecimentos sobre as diversas fases que contemplaram e contemplam esses períodos históricos educacionais entendendo suas especificidades e diferenças Para tanto apresentaremos uma breve explanação sobre esses momentos 70 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 11 Momento Zero Exclusão O que significa esse termo Sf ato de excluirse ato que priva ou excluir alguém de determinadas funções Oxford online Na época da antiguidade as pessoas com algum tipo de deficiência eram totalmente impedidas de frequentar instituição de ensino visto que de acordo com as crendices populares daquele período histórico tais problemas estavam vinculados à falta de inteligência por isso não se justificava a presença desse público em contextos escolares 111 1º MomentoSegregação O que significa esse termo Sf ato ou efeito de segregarse afastamento separação segregamento Oxford sd De acordo com as informações oficiais do MEC Brasil 2007b no Brasil o início da educação direcionada às pessoas com deficiência começou em 1854 com a criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos atualmente o Instituto Benjamin Constant IBC Mais tarde em 1926 foi fundado o Instituto Pestalozzi uma instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência mental Depois em 1954 a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais APAE foi criada organização social que proporciona atendimento educacional integralmente à pessoa com deficiência intelectual e múltipla Então nesse período as escolas regulares não recebiam os alunos com deficiência eles eram encaminhados às instituições especializadas como por exemplo a APAE privados do convívio social com outras crianças matriculadas no ensino regular Brasil 2007c Essa forma de segregação estava respaldada na Lei nº 569271 que alterou a LDBEN de 1961 ao referirse ao tratamento especial para os alunos com deficiências físicas mentais pois salientava que o sistema regular de ensino não tinha condições de pedagógicas de desenvolver trabalho com esse público por isso a melhor forma era direcionálos às escolas especiais 112 2º MomentoIntegração O que significa esse termo Sf incorporação de um elemento num conjunto Oxford sd De acordo com os especialistas na área foi entre as décadas de 70 e 80 que teve início o movimento de integração em decorrência do surgimento da luta pelos direitos das pessoas portadoras de deficiência Considerando tal cenário foram criadas as chamadas classes especiais no sistema regular de ensino em que eram atendidos apenas alunos com deficiências separadamente dos demais alunos da classe comum 71 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Nesse ambiente os alunos recebiam atendimento especializado com atividades específicas às suas necessidades especiais Sassaki 2002 Já em 1988 a Constituição federal no artigo 205 decretou ser dever do Estado oferecer o atendimento educacional especializado AEE preferencialmente na rede regular de ensino 113 3º MomentoInclusão O que significa esse termo Sf ato ou efeito de incluirse Oxford sd A educação inclusiva tem como intuito possibilitar oportunidades igualitárias para todos os alunos do sistema escolar regular incluindo na mesma sala de aula e série apropriadas para a idade alunos com ou sem deficiência Os estudantes com algum tipo de deficiência recebem apoio educacional especializado Caroa alunoa estamos apresentando em ordem cronológica a trajetória da educação especial para ampliar seus conhecimentos sobre o assunto Então mais adiante daremos ênfase às especificidades do AEE foco principal deste tópico No Brasil o início dessa fase aconteceu no final dos anos 80 e início dos anos 90 a partir das orientações da Lei nº 785389 que dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência e sua integração social em seu Art 8º ao determinar crime com reclusão de 2 a 5 anos os casos de recusa suspensão cancelamento ou cessação da inscrição do aluno com deficiência em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau público ou privado Brasil1989 Somase a isso a publicação do Estatuto da Criança e do Adolescente ECA Lei nº 806990 que em seu Art 55 diz que os pais têm a responsabilidade e o dever de matricular os filhos na rede regular de ensino Além disso ainda em 1990 a Declaração Mundial de Educação para Todos especificamente os apontamentos dos artigos 3 ao 7 os quais ressaltam a universalização do acesso à educação e promoção da equidade concentrando a atenção na aprendizagem e ampliando os raios da educação básica influenciou significativamente as políticas de educação inclusiva no Brasil UNESCO1994 Mais tarde em 1994 a Declaração de Salamanca uma conferência Mundial em Educação Especial promovida pelo governo espanhol em conjunto com a UNESCO favoreceu os movimentos em prol da educação especial por diversos países inclusive no Brasil Concomitantemente nesse mesmo ano tivemos a publicação da Política Nacional de Educação Especial elaborada e coordenada pela Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação e do Desporto SEESPMEC com objetivos destinados a garantir 72 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 o atendimento educacional do alunado portador de necessidades especiais termo utilizado na época cujo direito à igualdade de oportunidades nem sempre é respeitado ou seja os alunos em questão possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum no mesmo ritmo que os alunos ditos normais Brasil 1994b p 19 Posteriormente em 1996 tivemos a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB Lei nº 939496 que proporcionou mais ênfase ao direito à inclusão educacional ao asseverar no Art 59 que os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação educação de qualidade sem segregação No entanto concedeu margem para volta a segregação conforme o texto explicitado no Art58 o atendimento educacional será feito em classes escolas ou serviços especializados sempre que em função das condições específicas dos alunos não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular Brasil 1996 Depois em 2001 foram criadas as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica Resolução CNECEB nº 22001 que determinaram a obrigatoriedade e a responsabilidade dos sistemas de ensino em matricular e prestar atendimento adequado às necessidades especiais dos estudantes Brasil 2001b Ainda em 2001 foi aprovado o Plano Nacional de Educação PNE Lei nº 101722001 que estabeleceu diretrizes e metas para o desenvolvimento nacional estadual e municipal da educação assegurando condições imprescindíveis para uma gestão democrática da educação Brasil 2001a Na sequência em 2004 foi publicado o Decreto nº 529604 que regulamentou as Leis nº 100482008 e Lei nº 100982000 impulsionou a inclusão educacional e social determinando respectivamente o atendimento prioritário às pessoas com deficiências idosos acima de 60 anos gestantes e lactantes pessoas com bebês de colo e obesos Além disso estabeleceu as normas e critérios e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida Brasil 2004 Dois anos mais tarde em 2006 houve o lançamento do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos PNEDH com o propósito de orientar e maximizar ações educativas para todos os níveis de ensino brasileiro tanto na esfera pública como também na privada e ainda na área de direitos humanos BRASIL 2006 No ano seguinte 2007 foi publicado o Plano de Desenvolvimento da Educação PDE o qual objetivou melhoria da Educação Básica a partir de ações que recaíram sobre os diversos aspectos da educação básica No que tange à educação especial o intuito seria acabar com 73 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 aspectos contraditórios entre a educação regular e a educação especial uma vez que naquela época o processo de inclusão não havia sido totalmente estruturado Brasil 2007b Nesse mesmo ano foi publicado também o Decreto nº 609407 objetivando a implementação do Plano de Metas e Compromisso Todos pela Educação No quesito da educação especial garantiu o acesso e a permanência das pessoas com necessidades educacionais especiais nas classes comuns do ensino regular enfatizando a inclusão nas escolas públicas Brasil 2007a Já em 2008 tivemos um marco histórico o lançamento da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Portaria nº 5552007 a qual assegurou a inclusão escolar de alunos com deficiência transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidadessuperdotação orientando os sistemas de ensino para garantir acesso ao ensino regular aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino transversalidade da modalidade de educação especial desde a educação infantil até a educação superior oferta do atendimento educacional especializado formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão participação da família e da comunidade acessibilidade arquitetônica nos transportes nos mobiliários nas comunicações e informação e articulação intersetorial na implementação das políticas públicas Brasil 2008 No próximo ano 2009 com a Resolução nº 4 CNECEB foram criadas as diretrizes para o atendimento educacional especializado AEE que tem como função identificar elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos considerando suas necessidades específicas Brasil 2009 Três anos mais tarde em 2012 com a promulgação da Lei nº 1276412 também conhecida como Lei Berenice Piana foi instituída a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista Esse momento marcou histórica e favoravelmente a luta pelos direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista TEA Assim dentre outras diretrizes ficou determinado que a pessoa com TEA uma vez incluída nas classes comuns de ensino regular tem direito a acompanhante especializado Brasil 2012 Logo depois em 2015 foi instituída a Lei Federal nº 1314615 a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência Estatuto da Pessoa com Deficiência LBI com intuito de assegurar e a promover em condições de igualdade o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência visando à sua inclusão social e cidadania em todos os níveis e modalidades de ensino Além disso promoveu o desenvolvimento de projeto pedagógico com o intuito de institucionalizar o AEE com auxílio de profissionais de apoio Destacou também que é dever das escolas privadas 74 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 receber os estudantes com deficiência no ensino regular adotando medidas de adaptação necessárias sem que sejam cobrados valores adicionais dos pais Brasil 2015a Acadêmicoa agora para que você compreenda melhor o percurso histórico da Educação Inclusiva no Brasil apresento na sequência um infográfico com as datas leis e as políticas públicas que possibilitaram as conquistas e os avanços relacionados à educação de pessoas com deficiência com transtorno do espectro autista e com altas habilidadessuperdotação FIGURA 1 PANORAMA HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Fonte A autora 75 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Acadêmicoa após retomarmos os momentos históricos e relembrarmos as leis que fizeram a diferença para a efetivação da Educação Inclusiva no Brasil vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre os Fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento especializado 12 O que é o Atendimento Educacional Especializado Existem algumas divergências sobre o que é e o que não é o que não é o AEE por isso vamos apresentar as informações de forma clara e objetiva O atendimento educacional especializado AEE é a mediação pedagógica que visa possibilitar o acesso ao currículo pelo atendimento às necessidades educacionais específicas dos alunos com deficiência transtorno do espectro autista TEA e altas habilidades superdotação público da Educação Especial Brasil 2020 Diante do exposto o intuito desse atendimento é promover a inclusão na prática diariamente dentro da escola e da sala de aula Além disso é um serviço de apoio ou seja complementar e suplementar à sala comum Ele constitui um serviço da educação especial conforme exemplificado anteriormente desenvolvido na rede regular de ensino que tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem Brasil 2009 Além disso o decreto presidencial 76112011 que dispõe sobre a educação especial o atendimento educacional especializado destaca no Art 2 2º que o AEE deve integrar a proposta pedagógica da escola envolver a participação da família para garantir pleno acesso e participação dos estudantes atender às necessidades específicas das pessoas públicoalvo da educação especial e ser realizado em articulação com as demais políticas públicas Brasil 2011 Então de acordo com a legislação esse é um serviço da educação especial que identifica elabora organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade com o objetivo de excluir as barreiras favorecendo a efetiva participação dos alunos com deficiências considerando suas necessidades específicas Brasil 2008 Mas o que é a Educação Especial É uma modalidade de educação escolar que integra a proposta pedagógica da escola regular promovendo entre outras ações o atendimento educacional especializado AEE Brasil 2020 13 Quem é o públicoalvo O AEE foi criado para atender o públicoalvo da Educação Especial que são as pessoas com deficiências de acordo com a Lei Brasileira de Inclusão Lei nº 131462015 76 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência ONU 2004 ratificada no Brasil em forma de Emenda Constitucional por meio do Decreto Legislativo nº 1862008 e do Decreto nº 69492009 da Presidência da República De acordo com os especialistas na área deficientes são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física mental intelectual ou sensorial que dificultam sua efetiva e igualitária participação na sociedade e a interação com as pessoas Brasil 2009 É válido ressaltar que essa definição de pessoa com deficiência foi mantida pela Lei Brasileira de InclusãoLBI de 2015 que entrou em vigor em 2016 Estudante você sabe quais são os tipos de deficiências coletadas pelo Censo Escolar Brasil 2020 Vamos entender melhor esse conteúdo considerando os critérios qualitativos do ponto de vista clínico funcional e educacional FIGURA 2 TIPOS DE DEFICIÊNCIAS COLETADAS NO CENSO ESCOLAR Fonte Shutterstock Além das deficiências citadas são coletadas também as informações de transtorno do espectro autista TEA1 público em questão dessa disciplina e altas habilidades superdotação É válido destacar que a deficiência múltipla é o resultado da associação 1 São aqueles que apresentam quadro clínico caracterizado por deficiência persistente e clinicamente significativa que causa alterações qualitativas nas interações sociais recíprocas e na comunicação verbal e não verbal ausência de reciprocidade social e dificuldade em desenvolver e manter relações apropriadas ao nível de desenvolvimento da pessoa Além disso a pessoa apresenta um repertório de interesses e atividades restrito e repetitivo manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados Assim sendo são comuns a excessiva adoção de rotinas e padrões de comportamento ritualizados bem como interesses restritos e fixos Brasil 2020 77 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 entre duas ou mais deficiências Dessa forma esse campo não se encontra disponível para marcação no Censo Escolar portanto o Sistema Educacenso registra automaticamente uma pessoa com deficiência múltipla caso tenha sido declarada mais de uma deficiência para a mesma pessoa Brasil 2020 Estudante as informações sobre o preenchimento de documentos que atestam os tipos de deficiências serão apresentadas no próximo tópico Institucionalização do AEE De acordo com o que foi exposto todos os alunos com deficiência física intelectual visual auditiva múltiplas transtornos do espectro autista TEA e também alunos com altas habilidadessuperdotação são considerados públicoalvo do AEE Brasil 2020 14 Quais são os objetivos do AEE Segundo o decreto presidencial 76112011 que dispõe sobre a educação especial o atendimento educacional especializado e dá outras providências o AEE tem por objetivo Brasil 2011 I Prover condições de acesso participação e aprendizagem no ensino regular e garantir serviços de apoio especializados de acordo com as necessidades individuais dos estudantes II Garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular III Fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem e IV Assegurar condições para a continuidade de estudos nos demais níveis etapas e modalidades de ensino 15 Em qual local é ofertado o AEE O AEE é um atendimento que complementa eou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela portanto deve 78 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 ser realizado prioritariamente nas salas de recursos multifuncionais SRM da própria escola em outra escola de ensino regular eou em centros de atendimento educacional especializado CAEE Brasil 2020 Inferese então que as atividades propostas no AEE precisam ser diferenciadas ou seja não podem ser iguais àquelas desenvolvidas na sala de aula comum uma vez que não são substitutivas à escolarização Brasil 2020 O decreto presidencial 76112011 em seu Art 5º destaca que a União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino dos Estados Municípios e Distrito Federal e a instituições comunitárias confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos com a finalidade de ampliar a oferta do AEE para o públicoalvo matriculados na rede pública de ensino regular Brasil 2011 Além disso ainda no Art 5º no 3º fica determinado que as salas de recursos multifuncionaisSRM devem ser ambientes dotados de equipamentos mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos para a oferta do atendimento educacional especializado Brasil 2011 Estudante será que o AEE só ocorre em sala de recursos multifuncionais Não Deve ser realizado prioritariamente na sala SRM contudo pode ser desenvolvido em espaço equipado conforme orientação da legislação com recursos da escola ou do sistema de ensino Segundo as determinações oficiais a falta da SRM não pode impossibilitar o atendimento do AEE que é um direito do aluno Brasil 2020 A SRM preconizada pela Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva PNEEPEIMEC2008 e o trabalho pedagógico deverá ser realizado em três eixos Brasil 2008 FIGURA 3 EIXOS PEDAGÓGICOS DO AEESRM Fonte A autora 79 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 16 Como ocorre a oferta do AEE na da escola privada você sabe A Nota Técnica 152010 MEC CGPEEGAB que apresenta orientações sobre AEE na Rede Privada assevera que a legislação garante a inclusão escolar aos alunos públicoalvo da educação especial nas instituições comuns da rede pública ou privada de ensino as quais de vem promover o atendimento às suas necessidades educacionais específicas Brasil 2010b Dessa forma a legislação vigente salienta ainda que as instituições de ensino privadas submetidas às normas gerais da educação nacional precisam efetivar a matrícula no ensino regular de todos os estudantes independentemente da condição de deficiência física sensorial ou intelectual bem como ofertar o atendimento educacional especializado promovendo a sua inclusão escolar sem ônus adicionais para os pais ou responsáveis Brasil 2010b Além disso destaca também que se configura descaso aos direitos dos alunos o não atendimento às suas necessidades educacionais específicas desta forma não cumprir a legislação vigente é crime Nesse sentido caso isso ocorra em território nacional o caso precisa ser encaminhado ao Ministério Público bem como ao Conselho de Educação o qual como órgão responsável pela autorização de funcionamento dessas escolas deverá instruir processo de reorientação ou descredenciálas Brasil 2010b 17 Sobre o financiamento do AEE O financiamento do Atendimento Educacional Especializado que atende os alunos públicoalvo da educação especial segundo as acepções do Decreto nº 657108 serão contabilizados duplamente no FUNDEB quando tiverem matrícula em classe comum de ensino regular da rede pública e matrícula no atendimento educacional especializado AEE conforme registro no Censo escolar MECINEP do ano anterior Considerando tais informações as matrículas contempladas serão Brasil 2008 FIGURA 4 FINANCIAMENTO DO AEE Fonte A autora Acadêmicoa chegamos ao final desse tópico no qual abordamos os aspectos legais relacionados ao AEE importantes para sua formação acadêmica e atuação profissional 80 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 No próximo vamos dialogar mais especificamente sobre a institucionalização desse atendimento no projeto político pedagógico Então vamos lá encontro você no próximo tópico para continuarmos nosso diálogo Posicionamento da RedeIn a respeito da nova Política Nacional de Educação Especial A Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência RedeIn composta por 20 entidades da sociedade civil que acreditam na inclusão e lutam por ela vem manifestar intenso repúdio ao Decreto nº 105022020 publicado em 1º de outubro de 2020 pelo Governo Federal Acreditamos que todas as crianças adolescentes e jovens têm o direito de conviver em sociedade em equiparação de condições e oportunidades É missão da escola incluir e formar cidadãos que compreendem as diferenças e respeitam a singularidade humana A recémpublicada Política Nacional de Educação Especial visa substituir a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva que foi construída mediante intenso debate com a sociedade civil e alinhada com os princípios da Constituição Federal É inaceitável que por meio de Decreto Presidencial sem qualquer legitimidade democrática se dê um retrocesso de mais de 30 anos de luta pela inclusão e diversidade Dê um click para saber mais INSTITUTO RODRIGO MENDES Posicionamento da RedeIn a respeito da nova Política Nacional de Educação Especial 2020 Disponível em httpsinstitutorodrigomendesorgbrnova politicanacionaleducacaoespecial Acesso em 10 jan 2021 81 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Estudante reflita sobre a questão da educação inclusiva no Brasil com base no Decreto nº 105022020 Para auxiliar na sua reflexão sugiro a leitura do texto motivador Mudança na Política de Educação Especial é retrocesso e segregação Entenda por que o CFP é contrário às alterações Decreto nº 10502 do governo federal modifica a atual Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva vigente desde 2008 Fonte CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA Mudança na Política de Educação Especial é retrocesso e segregação Entenda porque o CFP é contrário às alterações 2020 Disponível em httpssitecfporgbr mudancanapoliticadeeducacaoespecialeretrocessoesegregacaoentendaposicionamentodocfp Acesso em 20 de jan de 2021 INSTITUCIONALIZAÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2 TÓPICO 82 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Acadêmicoa neste segundo tópico da unidade IV nosso diálogo será sobre a Institucionalização do atendimento especializado no projeto político pedagógico Segundo as acepções das Diretrizes Operacionais da Educação Especial para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica a educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis etapas e modalidades realiza o atendimento educacional especializado proporcionando os recursos e serviços necessários como também disponibilizando orientações necessárias para a efetivação desse atendimento nas turmas comuns do ensino regular Brasil 2008 Conforme as informações já apresentadas no primeiro tópico dessa unidade os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência os com transtornos globais do desenvolvimento e os com altas habilidadessuperdotação nas escolas comuns do ensino regular e ofertar o atendimento educacional especializado AEE no turno inverso da escolarização não sendo substitutivo às classes comuns promovendo o acesso e as condições para uma educação de qualidade Brasil 2008 Estudante para sua formação acadêmica e profissional é necessário que você entenda como acontece na prática a institucionalização do AEE de acordo com o Decreto nº 65712008 o qual salienta que a oferta do atendimento educacional especializado AEE deve constar no Projeto Pedagógico da escola de ensino regular prevendo na sua organização alguns requisitos Brasil 2008 83 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Além disso a Nota Técnica SEESPGABnº 112010 também apresenta orientações para a institucionalização da oferta do AEE em Salas de Recursos Multifuncionais implantadas nas escolas regulares são elas Brasil 2010a Constar no Projeto Político Pedagógico PPP da escola a oferta do atendimento educacional especializado com professor para o AEE recursos e equipamentos específicos e condições de acessibilidade Ao construir o PPP deve ser considerando a flexibilidade da organização do AEE realizado individualmente ou em pequenos grupos conforme o Plano de AEE de cada aluno Sobre a Sala de Recursos Multifuncionais Esse é um espaço no qual deve ser realizado o atendimento educacional especializado AEE Para montar essa sala de maneira apropriada as escolas podem solicitar recursos dos próprios sistemas de ensino como também do governo federal As instituições de ensino para atender o públicoalvo do AEE precisam realizar adequações como por exemplo FIGURA 5 ADEQUAÇÃO DA SRM Fonte A autora Sobre os aspectos relacionados à acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida a concepção de espaços artefatos e produtos devem seguir o desenho universal ou seja de acordo com as características estabelecidas pela norma técnica de acessibilidade elaborada pela ABNT NBR 9050 uma vez que precisam atender simultaneamente a todos com diferentes características antropométricas e sensoriais de forma autônoma independente segura e confortável garantindo elementos e soluções que compõem a acessibilidade Brasil 2020 Nesse sentido o Glossário da Educação Especial orienta para a instalação e de recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida nas vias de circulação internas da escola Brasil 2020 84 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 6 ACESSIBILIDADE NA SALA DE SRM Fonte A autora Matrícula do aluno no AEE Deve ser matriculado no AEE realizado em sala de recursos multifuncionais os alunos públicoalvo da educação especial que estão matriculados em classes comuns da própria escola Dessa forma segundo as orientações disponibilizadas no 65712008 a matrícula do aluno no AEE é condicionada à matrícula no ensino regular da própria escola ou de outra escola Brasil 2008 Além disso a escola precisa apresentar a declaração dos alunos com deficiência transtorno do espectro autista TEA e altas habilidadessuperdotação ao Censo Escolar na qual conste informações essenciais sobre as deficiências Contudo é válido ressaltar que no Censo Escolar deve ser declarado o tipo de deficiência e não a origem dela ou seja caso a pessoa tenha tido Síndrome de ZiKa Vírus ou Síndrome de GuillainBarré por exemplo e tenha adquirido deficiência física intelectual visual Brasil 2020 Então a escola precisa registrar no Censo Escolar MECINEP a matrícula de alunos públicoalvo da educação especial nas classes comuns e as matrículas no AEE 85 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 realizado na sala de recursos multifuncionais da escola O Glossário da Educação Especial disponibiliza informações sobre as especificidades de cada de documentos comprobatórios porém observa que a escola não precisa apresentar todos pode ser apenas um deles Ressalta também que a ausência do laudo médico não pode impossibilitar o acesso do aluno à educação ou seja à matrícula na escola nem mesmo no AEE Brasil 2020 Acadêmicoa a seguir apresento informações sobre os documentos em questão de acordo com as acepções do Glossário da Educação Especial Brasil 2020 Plano de AEE documento que reúne informações sobre os estudantes público alvo da Educação Especial elaborado pelo professor de AEE com a participação do professor da classe comum da família e do aluno quando for possível para atendimento às necessidades específicas desse público Durante o estudo de caso primeira etapa da elaboração do plano o professor do AEE poderá articularse com profissionais da área de saúde e se for necessário recorrer ao laudo médico que neste caso será um documento subsidiário anexo ao Plano de AEE Avaliação biopsicossocial da deficiência conforme a Lei nº 131462015 Lei Brasileira de Inclusão Plano Educacional Individualizado PEI Instrumento escrito elaborado por professor da sala de aula comumregular com intuito de propor planejar e acompanhar a realização das atividades pedagógicas e o desenvolvimento dos estudantes da Educação Especial Laudo médico documento que pode ser utilizado como registro administrativo comprobatório para a declaração da deficiência ou do transtorno do espectro autista TEA ao Censo Escolar Professor para o exercício da docência do AEE A legislação vigente e os documentos de orientação apresentam informações pouco esclarecidas sobre a formação necessária do professor responsável pelo atendimento no AEE apenas sugerem que sejam profissionais habilitados para exercício da educação especial Para atuação no AEE o professor deve ter formação inicial que o habilite para o exercício da docência e formação específica na educação especial inicial ou continuada Brasil 2008 p04 A Nota Técnica SEESPGABnº 112010 orienta que a escola precisa declarar no PPP as seguintes informações sobre o educador do AEE o número de professores carga 86 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 horária formação específica aperfeiçoamento graduação pósgraduação competências do professor e interface com o ensino regular Brasil 2010a Já no documento do Censo escolar no formulário de profissional escolar em sala de aula são coletados dentre outros os seguintes campos Brasil 2020 Tradutor e intérprete de Libras Guiaintérprete Profissional de apoio escolar para alunos com deficiência Lei nº 131462015 Quanto às atribuições do professor do atendimento educacional especializado as Diretrizes Operacionais da Educação Especial para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica disponíveis no Decreto nº 65712008 apresentam as seguintes orientações Brasil 2008 Identificar elaborar produzir e organizar serviços recursos pedagógicos de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos públicoalvo da educação especial Elaborar e executar plano de atendimento educacional especializado avaliando a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade Organizar o tipo e o número de atendimentos aos alunos na sala de recursos multifuncional Acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade na sala de aula comum do ensino regular bem como em outros ambientes da escola Estabelecer parcerias com as áreas intersetoriais na elaboração de estratégias e na disponibilização de recursos de acessibilidade Orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade utilizados pelo aluno Ensinar e usar recursos de Tecnologia Assistiva tais como as tecnologias da informação e comunicação a comunicação alternativa e aumentativa a informática acessível o soroban os recursos ópticos e não ópticos os softwares específicos os códigos e linguagens as atividades de orientação e mobilidade entre outros de forma a ampliar habilidades funcionais dos alunos promovendo autonomia atividade e participação Estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum visando a disponibilização dos serviços dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares 87 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Promover atividades e espaços de participação da família e a interface com os serviços setoriais da saúde da assistência social entre outros Acadêmicoa para finalizar esse tópico conforme dispõe a Resolução CNECEB nº 42009 art 10º apresento um resumo das principais orientações apresentadas à escola sobre a Institucionalização do AEE no Projeto Político Pedagógico I Sala de recursos multifuncionais espaço físico mobiliários materiais didáticos recursos pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos II Matrícula no AEE de alunos matriculados no ensino regular da própria escola ou de outra escola III Cronograma de atendimento aos alunos IV Plano do AEE identificação das necessidades educacionais específicas dos alunos definição dos recursos necessários e das atividades a serem desenvolvidas V Professores para o exercício do AEE VI Outros profissionais da educação tradutor intérprete de Língua Brasileira de Sinais guiaintérprete e outros que atuem no apoio principalmente às atividades de alimentação higiene e locomoção VII Redes de apoio no âmbito da atuação profissional da formação do desenvolvimento da pesquisa do acesso a recursos serviços e equipamentos entre outros que maximizem o AEE Após todas essas informações disponibilizadas vamos para o terceiro e último tópico Lá vamos dialogar sobre os desmembramentos do TGD e as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade Até mais DESMEMBRAMENTOS DO TGD E AS AÇÕES NECESSÁRIAS A SEREM SEGUIDAS PELA ESCOLA FAMÍLIA E SOCIEDADE 3 TÓPICO 88 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Neste momento daremos início aos estudos do terceiro tópico da unidade IV intitulado Desmembramentos do TGD e as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade Para ampliarmos nossos conhecimentos sobre o assunto primeiramente vamos entender quais são as acepções do Glossário da Educação Especial para o desenvolvimento das práticas pedagógicas no AEE Depois nosso diálogo será sobre a Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar considerando os recursos pedagógicos acessíveis e a comunicação Aumentativa e Alternativa 31 Os tipos de atividades de AEE coletados no Censo Escolar Estudante no decorrer desta unidade já dialogamos sobre as especificidades do atendimento educacional especializado AEE contudo sempre é válido relembrar alguns conceitos Assim de acordo com as acepções das Diretrizes Operacionais da Educação Especial para o Atendimento Educacional Especializado AEE na educação básica regulamentado pelo do Decreto nº 65712008 esse atendimento é uma mediação pedagógica que visa possibilitar o acesso ao currículo pelo atendimento às necessidades educacionais específicas dos alunos com deficiência transtorno do espectro autista TEA e altas habilidades superdotação público da Educação Especial Brasil 2008 Nesse sentido as atividades propostas e aplicadas no AEE precisam ser diferenciadas daquelas realizadas na sala de aula comum e não substituem a escolarização Brasil 2020 89 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Portanto de acordo com o exposto nas diretrizes as atividades do AEE devem enfatizar a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela sendo realizadas exclusivamente salas de recursos multifuncionais SRM da própria escola em outra escola de ensino regular ou em centros de atendimento educacional especializado CAEE mas não podem ser confundidas com reforço escolar ou mera repetição dos conteúdos curriculares desenvolvidos na sala de aula Brasil 2020 As atividades realizadas na SRM são desenvolvidas no contraturno para não atrapalhar o bom desenvolvimento do aluno na sala regular conforme regulamentação da Resolução nº 4 de 2009 Art 5º o AEE é realizado no turno inverso da escolarização não sendo substitutivo às classes comuns Brasil 2009 p2 São atividades do AEE ações pedagógicas produzidas e aplicadas pelo professor especializado em apoio às atividades realizadas pelo professor na classe comum Brasil 2020 Dentre as diretrizes da Lei nº 127642012 o artigo 2º destaca que VII o incentivo à formação e à capacitação de profissionais especializados no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista bem como a pais e responsáveis Brasil 2012 p 3 FIGURA 7 ATIVIDADES PEDAGÓGICAS DO AEE COLETADAS NO CENSO ESCOLAR Fonte a autora 90 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Estudante é necessário declarar no formulário do aluno a informação sobre os tipos de AEE que o aluno realiza pois precisa haver um acompanhamento do seu desenvolvimento acadêmico e o atendimento realizado ao longo dos anos Mas ATENÇÃO é imprescindível que seja declarado apenas os tipos de AEE que o aluno realmente realiza mesmo que na turma de AEE outros tipos de atendimento sejam disponibilizados mas ele não participa Brasil 2020 Então para favorecer o seu aprendizado vamos entender quais são segundo os especialistas na área as sete etapas que o professor responsável pelo AEE precisa seguir para completar efetivamente os objetivos desse atendimento FIGURA 8 ETAPAS PEDAGÓGICAS DO AEE Fonte A autora Além disso segundo as orientações das diretrizes oficiais é necessário disponibilizar recursos para uso do aluno em sala de aula e para participação em avaliações do Inep SAEB caso tenha sido informado no formulário de aluno a opção Sim no campo Alunoa com deficiência transtorno do espectro autista TEA ou altas habilidadessuperdotação Então devese apontar quais os tipos de recurso eou serviço serão necessários Brasil 2020 como por exemplo 91 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 9 RECURSOS PARA USO EM SALASAEB Fonte A autora Estudante a partir de agora as informações apresentadas darão ênfase ao atendimento específico para o público em questão dessa disciplina TGDTEA conforme as acepções da Lei nº 127642012 sendo este o primeiro documento oficial a falar especificamente do educando com TEA Dessa forma toda instituição de ensino deverá matricular bem como ofertar quando comprovada a necessidade um acompanhante especializado para o aluno em questão Brasil 2012 Somase a esse contexto as acepções da Nota Técnica nº 24 do Ministério da Educação que salienta é obrigatório que seja disponibilizado sempre que identificada a necessidade individual do estudante visando à acessibilidade às comunicações e à atenção aos cuidados pessoais de alimentação higiene e locomoção Brasil 2013b p 4 Contudo segundo as orientações dos especialistas muitas vezes o indivíduo com TEATGD no início pode precisar de serviços de apoio porém no decorrer do seu desenvolvimento pode desenvolver autonomia nas atividades realizadas na escola e consequentemente dispensar o profissional de apoio diário Antes de iniciar os trabalhos com esse público é imprescindível que o educador elabore um Plano de Atendimento Educacional Especializado PAEE ou seja uma proposta de intervenção pedagógica que seja flexível às necessidades do estudante Esse documento norteador precisa ser elaborado a partir das informações da avaliação psicoeducacional no contexto escolar contendo objetivos açõesatividades período de duração e resultados esperados de acordo com as orientações pedagógicas do DEESeedPR Brasil 2020 92 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Para tanto sugerese que seja realizado primeiramente um estudo de caso o qual contempla cinco etapas FIGURA 10 ETAPAS DO PAEE Fonte A autora 01 Apresentação do Caso Relato doa professora da sala comum para oa professora do AEE apresentando o contexto educacional no qual o aluno está inserido a deficiência e também os dados clínicos Além disso devem ser apresentadas as dificuldades preferências habilidades e desejos dentre outras informações relacionadas ao cotidiano do educando Paraná 2014 02 Esclarecimento do Problema Conhecida também como clarificação do problema o profissional responsável pelo AEE investiga por meio de observação o contexto social do aluno família professor da sala comum e relacionamento com os demais profissionais que estejam envolvidos no processo de ensino aprendizagem Essa observação pode acontecer tanto na sala comum como também na SRM com o intuito de entender os aspectos relacionados à natureza do problema interação na sala dificuldades necessidade de instrumentos eou recursos para mediação pedagógica demonstra interesse pela aprendizagem ou não demonstra agitação em quais momentos Paraná 2014 03 Identificação da natureza Essa etapa também é conhecida como estudo e identificação nesse momento o professor analisa as informações coletadas levanta hipóteses relacionadas às dificuldades apresentadas pelos alunos Paraná 2014 04 Resoluções dos problemas Neste momento o professor do AEE elabora elenca estratégias para utilização no decorrer do processo de ensino aprendizagem Nesse sentido lista quais serão os recursos e materiais necessários para trabalhar com o aluno em questão quais potenciais e habilidades do aluno serão estimulados para resolução das dificuldades quais aspectos do meio social dele podem contribuir família comunidade escola etc Paraná 2014 05 Elaboração do Plano AEE O professor do AEE elabora as ações em conjunto com o professor da sala comum para serem aplicadas no AEE como também na sala comum com o intuito de atender às necessidades do aluno 93 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 É válido destacar que o plano de AEE precisa ser revisto periodicamente para saber se as metas e objetivos estão sendo atendidos eou se há a necessidade de adequações substituições eou acréscimos de atividades Paraná 2014 Acadêmicoa para um melhor entendimento do assunto a seguir apresento um exemplo de planilha elaborada pelo Departamento de Educação Básica do PR Paraná 2014 No modelo em questão estão dispostas as informações necessárias para o preenchimento do plano que norteará a organização do trabalho pedagógico especializado no turno contrário do aluno as atividades propostas e o trabalho colaborativo do professor do ensino comum e do AEE FIGURA 11 PLANO AEE Fonte Paraná 2014 Assim de acordo com as acepções das diretrizes vigentes e o Glossário da Educação Especial Brasil 2020 são necessários os desenvolvimentos de atividades específicas para atender as necessidades dos alunos TGDTEA ou seja a utilização de recursos de baixa e de alta tecnologia Nesse sentido os instrumentos aqui apresentados não eliminam totalmente as barreiras encontradas pelas pessoas com deficiência durante o processo de aprendizagem mas atuam como facilitadores Dessa forma a intervenção do professor contribuirá para o sucesso no desempenho do educando Sartoretto 2010 A seguir apresentamos os recursos disponíveis para utilização no AEESRM Tecnologias Assistivas TA é utilizada como instrumento de acessibilidade e inclusão o qual visa integrar tecnologia e inclusão em uma ferramenta capaz de atender e auxiliar alunos com necessidades educacionais especiais 94 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 311 Desenvolvimento da linguagem e comunicação São utilizadas as atividades de comunicação Aumentativa e Alternativa CA como por exemplo FIGURA 12 CARTÕES DE COMUNICAÇÃO Fonte Sartoretto e Bersch 2020 Os cartões de comunicação com símbolos gráficos representativos de mensagens Os cartões estão organizados por categorias de símbolos e cada categoria se distingue por apresentar uma cor de moldura diferente cor de rosa são os cumprimentos e demais expressões sociais visualizase o símbolo tchau amarelo são os sujeitos visualizase o símbolo mãe verde são os verbos visualizase o símbolo desenhar laranja são os substantivos visualizase o símbolo perna azuis são os adjetivos visualizase o símbolo gostoso e branco são símbolos diversos que não se enquadram nas categorias anteriormente citadas visualizase o símbolo fora Sartoretto Bersch 2020 FIGURA 13 PRANCHA DE COMUNICAÇÃO COM SÍMBOLOSFOTOSFIGURAS Fonte Sartoretto e Bersch 2020 95 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 14 PRANCHA DE COMUNICAÇÃO ALFABÉTICA Fonte Sartoretto e Bersch 2020 De acordo com o exposto os recursos de CAA e os demais recursos pedagógicos de acessibilidade serão eficazes se permitirem que a participação do aluno e seu acesso à comunicação sejam garantidos atuando com autonomia nas diversas atividades escolares Sartoretto 2010 Estudante você sabe o que é o sistema de símbolos gráficos Eles são uma coleção de imagens gráficas que apresentam características comuns entre si e foram criados para responder a diferentes exigências ou necessidades dos usuários utilizados para recursos de CA como os exemplos apresentados anteriormente O exemplo mais comum é o PCS Picture Communication Symbols no Brasil traduzido para Símbolos de Comunicação Pictórica e disponível por meio dos softwares Boardmaker e Boardmaker com Speaking Dynamically Pro As especificidades são desenhos simples e claros fácil reconhecimento adequados para usuários de qualquer idade facilmente combináveis com outras figuras e fotos para a criação de recursos de comunicação individualizados Sartoretto Bersch 2020 conforme imagem a seguir 96 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 15 PCS SÍMBOLOS DE COMUNICAÇÃO PICTÓRICA Fonte Sartoretto e Bersch 2020 Esses símbolos PCS estão organizados por cores nas categorias social oi podes ajudar obrigado pessoas eu você nós verbos quero comer beber substantivos bolo sorvete fruta leite suco de maçã e suco de laranja e adjetivos quente frio e gostoso Sartoretto Bersch 2020 FIGURA 16 PRANCHAS TEMÁTICAS PARA INTERPRETAÇÃO DE LIVROS E CONTEÚDOS Fonte Sartoretto e Bersch 2020 Esse recurso que também pode ser confeccionado junto com o educando é apropriado para que o aluno usuário da CA possa participar de atividades de interpretação de histórias ou também para que possa perguntar responder e argumentar sobre os conteúdos estudados e atividades desenvolvidas em sala de aula Sartoretto Bersch 2020 97 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 17 CALENDÁRIOS PERSONALIZADOS Fonte Sartoretto e Bersch 2020 98 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 18 AGENDAS PERSONALIZADAS COM SÍMBOLOS Fonte Shutterstock Auxílio ledor Serviço especializado de leitura de material didático ou de prova avaliação para pessoas com cegueira baixa visão surdocegueira deficiência física deficiência intelectual e com transtorno do espectro autista TEA Brasil 2020 Auxílio transcrição Serviço especializado de preenchimento de atividades didáticas em sala de aula de provasavaliações objetivas e de redação para alunos impossibilitados de escrever ou preencher o cartão de respostas Brasil 2020 99 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Vocalizador Recurso eletrônico de gravaçãoreprodução que ajuda a comunicação das pessoas em seu dia a dia Dessa forma o aluno expressa pensamentos sentimentos e desejos pressionando uma mensagem adequada que está prégravada no aparelho apertando teclas sobre as quais são colocadas imagens fotos símbolos figuras ou palavras que correspondem ao conteúdo sonoro gravado conforme exemplo a seguir Sartoretto Bersch 2020 FIGURA 19 VOCALIZADOR Fonte Sartoretto e Bersch 2020 312 Desenvolver a interação socialcomportamento Sugerese que sejam realizadas atividades em grupo FIGURA 20 INTERAÇÃO SOCIAL Fonte Shuttertsock INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM 100 TGDTEA UNIDADE 4 De acordo com o que foi exposto neste último tópico para o desenvolvimento eficaz de todas as atividades pedagógicas praticadas com o objetivo de atender às necessidades específicas desse públicoalvo é imprescindível que sejam efetivadas parcerias entre a equipe pedagógica o professor do AEE professor da sala comum demais profissionais do contexto escolar família e profissionais da área da saúde Estudante assim chegamos ao final da Unidade IV na qual estudamos especificamente as especificidades do AEE e as orientações oficiais relacionadas à prática desse serviço da educação especial que identifica elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade com intuito de eliminar as barreiras e favorecer a participação efetiva dos alunos considerando suas necessidades específicas Enfim os conteúdos aqui disponibilizados contribuirão significativamente para o seu crescimento pessoal e profissional uma vez que além de habilitálo para a prática profissional possibilitará melhor entendimento sobre a educação inclusiva Além disso esse é um assunto que tem sido visto e analisado não apenas no contexto educacional mas em todas as esferas sociais Até mais Estudante após a leitura dos textos disponibilizados nesta unidade IV reflita sobre as especificidades do atendimento no AEE para os alunos com TEA como também as diversas estratégias pedagógicas que os docentes da sala regular e das SRMs devem desenvolver para maximizar a aprendizagem cognitiva e social desses alunos é possível inovar para alcançar tal objetivo De que forma Exemplifique Fonte A autora INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM 101 TGDTEA UNIDADE 4 Com apoio do AEE professoras flexibilizam atividades para estudante autista Projeto 3º colocado no 1º Prêmio Paratodos de Inclusão Escolar em 2015 As referências teóricas que sustentaram nosso trabalho transitaram pelas bibliografias de autores como Lev Vygotsky segundo o qual a linguagem tem um papel fundamental nos processos de ensino e aprendizagem e ainda em Piaget para quem o pensamento do sujeito é construído com a participação fundamental do grupo social ao qual está inserido São ainda usados como fundamentos as ideias de David Ausubel sobre a aprendizagem significativa e de Paulo Freire que nos dá a dimensão políticopedagógica de que é possível mudar e também de que o ensino dos conteúdos implica o testemunho ético do professor Assim elas desenvolveram conteúdo para as disciplinas de Português Matemática Ciências Inglês e História Dê um click para saber mais GOMES L BARRETO A A MILAGRES E FALEIRO M de L ASSUNÇÃO M TEIXEIRA Z Com apoio do AEE professores flexibilizam atividades para estudantes autistas 2016 Disponí vel em httpsdiversaorgbrrelatosdeexperienciacomapoioaeeprofessorasflexibilizamatividades paraestudanteautista Acesso em 14 dez 2020 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM 102 TGDTEA UNIDADE 4 Acadêmico a Chegamos ao final da nossa viagem de estudos sobre a interlocução do atendimento especializado no ensino regular para alunos com TGDTEA Durante essa jornada primeiramente nos debruçamos sobre a linha do tempo da educação especial e então compreendemos a diferença entre segregação integração e inclusão A partir disso entendemos que o termo educação inclusiva aponta para o atendimento e superação das diversidades e das necessidades dos alunos públicoalvo da educação especial em qualquer instituição de ensino Considerando esse contexto no segundo tópico nosso diálogo esteve voltado para as especificidades do Atendimento Educacional Especializado AEE legislação diretrizes e orientações para o desenvolvimento dessa prática pedagógica Diante do exposto verificou se também que esse é um serviço da educação especial complementar e suplementar que acontece em contraturno prioritariamente na Sala de Recursos Multifuncionais SEM Além disso adquirimos conhecimentos sobre as atividades pedagógicas que devem ser desenvolvidas nesse espaço bem como os recursos necessários como por exemplo de acessibilidade mobiliários etc Por fim no último tópico aprofundamos nossos conhecimentos sobre as orientações para efetivação desse do atendimento no AEESRM enfatizando o públicoalvo em questão nessa disciplina TGDTEA Dessa forma entendemos o passo a passo para elaboração do plano de atendimento educacional especializado PAEE Além disso foram disponibilizadas informações relacionadas à educação dos indivíduos com TGDTEA e as diversas abordagens que orientam a sua escolarização como por exemplo utilização de Tecnologias Assistivas que são ferramentas atuais e dinâmicas que podem ser utilizadas na AEE em crianças autistas de grau leve a fim de auxiliar no letramento e na comunicação destas Por fim desejo que os conteúdos aqui disponibilizados contribuam significativamente para sua formação acadêmica e profissional Um grande abraço CONSIDERAÇÕES FINAIS INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM 103 TGDTEA UNIDADE 4 O Transtorno do Espectro Autista e o Atendimento Educacional Especializado O Atendimento Educacional Especializado AEE veio estabelecer novas formas de agir com o públicoalvo da Educação Especial Em se tratando do educando com Transtorno do Espectro Autista TEA a sua entrada é relativamente recente e desperta na escola situações desafiadoras Para tanto existe a necessidade de construção de um plano de AEE condizente com as necessidades individuais Considerando esses aspectos esta pesquisa buscou descrever e analisar os objetivos do AEE para educandos com TEA a partir do plano elaborado por uma professora da Sala de Recursos Multifuncionais SRM Este estudo é de cunho qualitativo e utilizou como instrumento para coleta de dados a observação direta a entrevista semiestruturada e a autoconfrontação simples Para a análise de dados apoiamonos na análise de conteúdo Os resultados demonstraram que a professora atendia três educandos com TEA e compreendia o serviço do AEE como um dos pilares para que a discussão da inclusão escolar acontecesse Ela realizava sua atividade docente de forma peculiar visto que realizava prioritariamente atividades psicopedagógicas e tinha por foco de sua ação as atividades desenvolvidas na SRM É imprescindível refletirmos que o AEE construído necessitava se materializar nas rotinas dos educandos possibilitando essas condições de acesso participação e aprendizagem em outros ambientes escolares Dê um click para ler na íntegra BARBOSA M O FUMES M O Transtorno do Espectro Autista e o Atendimento Educacional Especializado In ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL 2014 São Carlos Anais eletrônicos Campinas Galoá 2014 Disponível em httpsproceedingssciencecbeecbee6paperso transtornodoespectroautistaeoatendimentoeducacionalespecializado Acesso em 14 dez 2020 LEITURA COMPLEMENTAR INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM 104 TGDTEA UNIDADE 4 MATERIAL COMPLEMENTAR FILMEVÍDEO Título Life Animated Ano 2016 Sinopse Conheça a história de Owen Suskind um jovem adulto autista que desde criança tem problemas de fala Utilizando filmes infantis da Disney ele conseguiu superar esse obstáculo e se comunicar com a família de uma forma única WEB Resumo Assistiva disponibiliza conhecimentos e informações na temática da Inclusão Atendimento Educacional Especializado Desenho Universal para a Aprendizagem e Tecnologia Assistiva Link do site httpswwwassistivacombr LIVRO Título Autismo na Escola Um jeito diferente de aprender Autor Eugênio Cunha Editor Wak Sinopse Este livro procura constituir um corpo de ideias e de práticas de ensino na inclusão escolar do aluno com transtorno do espectro autista Enfatiza o trabalho do professor e a grandeza do seu papel buscando estabelecer um diálogo com o leitor na missão de restituir as contribuições de uma reflexão Reflexão que veio mediada por uma pesquisa e por uma prática De fato nasceu de ideias pedagógicas aplicadas ao ofício docente em sala de aula na escola 105 Acadêmicoa Chegamos ao final da disciplina ATENDIMENTO EDUCACIONAL DE ALUNOS COM TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO na qual trilhamos caminhos que nos proporcionaram um diálogo sobre conteúdos essenciais para a sua formação acadêmica e profissional Nesse sentido os assuntos aqui abordados favoreceram o desenvolvimento de habilidades conhecimentos e atitudes do profissional inserido no contexto da esfera educacional contribuindo significativamente para a formação de um educador consciente do seu compromisso com a educação Inicialmente nosso diálogo foi direcionado para as Dimensões dos Transtornos Globais de Desenvolvimento e então na Unidade I estudamos e entendemos a Classificação Internacional de Doenças Depois analisamos as acepções do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais Por último aprofundamos nosso conhecimento sobre a definição conceituação e características do Transtorno Global do Desenvolvimento Na sequência na Unidade II nossa conversa enfatizou as características específicas do Transtornos Globais do Desenvolvimento Condutas Típicas Dessa forma no primeiro tópico conhecemos as especificações que envolvem as condutas típicas Posteriormente entendemos como o professor e a família podem lidar com essas condutas Por fim dialogamos sobre as estratégias e recursos a serem oferecidos para os alunos com condutas típicas Continuando nossa trilha de descobertas na Unidade III tivemos a oportunidade de estudar mais especificamente as particularidades e características próprias do Autismo Síndrome de Asperger e Síndrome de Rett Nesse sentido durante os três tópicos que compõem essa unidade investigamos as definições e encaminhamentos a serem realizados para cada Transtorno Global do Desenvolvimento em questão aqui nessa disciplina Enfim na Unidade IV última parada da nossa viagem pelo mundo da educação inclusiva nos debruçamos sobre as características e interlocução do atendimento especializado no ensino regular para alunos com TGDTEA Então pudemos reviver os momentos históricos pelos quais a educação inclusiva no Brasil trilhou Logo após analisamos e refletimos sobre as acepções e orientações das legislações vigentes no que tange o Atendimento Educacional Especializado AEE mais especificamente ao CONCLUSÃO GERAL 106 atendimento direcionado para o públicoalvo dessa disciplina TGDTEA Para finalizar nosso estudo foi contemplado com orientações para o professor sobre como desenvolver com excelência a prática pedagógica no AEE Além disso foram apresentadas informações sobre diversos recursos que favorecem a eliminação de barreiras no momento de ensino aprendizagem desses educandos Assim de acordo com o que foi exposto durante essa trajetória adquirimos novos conhecimentos relembramos aspectos históricos refletimos sobre os aspectos legais e dialogamos sobre a efetivação da prática profissional Desejamos portanto que no decorrer dessa jornada de conhecimentos e descobertas tenhamos contribuído significativamente para o sucesso da sua formação acadêmica como também para a excelência da sua prática profissional Um grande abraço 107 AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION APA Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais recurso eletrônico 3 ed Porto Alegre Artmed 1980 AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION APA Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais recurso eletrônico 4 ed Porto Alegre Artmed 1994 BACARIN L M B P Transtorno do espectro autista Curitiba Contentus 2020 BARBOSA M O FUMES M O Transtorno do Espectro Autista e o Atendimento Educacional Especializado In ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL 2014 São Carlos Anais eletrônicos Campinas Galoá 2014 Disponível em httpsproceedingssciencecbeecbee6papersotranstornodoespectroautistaeo atendimentoeducacionalespecializado Acesso em 14 dez 2020 BONDY A PECS Potential benefits and risks The Behavior Analyst Today p 127132 2001 BONDY A S FROST L A The picture exchange communication system training manual Cherry Hill Pyramid Educational Consultants 1994 BRASIL Decreto n 65712008 Dispõe sobre o Atendimento Educacional Especializado regulamenta o parágrafo único do artigo 60 da lei n 9394 de 20 de dezembro de 1996 e acrescenta dispositivo ao decreto n 6253 de 13 de novembro de 2007 Diário Oficial da União BrasíliaDF 18 set 2008 BRASIL Ministério da Educação Nota técnica n 152010 MEC CGPEEGAB Brasília DF 2010b BRASIL Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais Brasília UNESCO 1994a REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 108 BRASIL Decreto nº 5296 de 2 de dezembro de 2004 Regulamenta as Leis n 10048 de 8 de novembro de 2000 que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica e 10098 de 19 de dezembro de 2000 que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências Diário Oficial da União Brasília 13 dez 2004 Disponível em httpwwwplanaltogovbrccivil03ato200420062004decretod5296 htm Acesso em 15 jan 2021 BRASIL Decreto nº 7611 de 17 de novembro de 2011 Dispõe sobre a educação especial o atendimento educacional especializado e revoga o Decreto nº 6571 de 17 de setembro de 2008 Diário Oficial da União Brasília 18 nov 2011 Seção 1 p 12 BRASIL Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Glossário da educação especial Censo Escolar 2020 recurso eletrônico Brasília Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira 2020 BRASIL Lei 10172 de 9 de janeiro de 2001 Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências Diário Oficial da União Brasília 10 jan 2001a BRASIL Lei 13146 de 6 de julho de 2015 Institui a Lei Brasileira de Inclusão das Pessoas com Deficiência Estatuto da Pessoa com Deficiência Diário Oficial da União Brasília 2015a BRASIL Lei Federal n 8069 de 13 de julho de 1990 Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências Brasília 1990 BRASIL Lei Federal nº 127642012 de 27 de dezembro de 2012 Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e altera o 3º do art 98 da Lei no 8112 de 11 de dezembro de 1990 Diário Oficial da União Brasília 28 dez 2012 109 BRASIL Lei nº 13146 de 6 de julho de 2015 Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência Estatuto da Pessoa com Deficiência Diário Oficial da União Brasília 7 jul 2015b Seção 1 p 2 BRASIL Lei nº 7853 de 26 de outubro de 1989 Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência sua integração social sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência Corde institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas disciplina a atuação do Ministério Público define crimes e dá outras providências Diário Oficial da União Brasília 1989 BRASIL Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional Diário Oficial da União BrasíliaDF 1996 Brasil Ministério da Educação e Cultura Lei nº 5692 de 11 de agosto de 1971 Fixa diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus e dá outras providências Diário Oficial da República Federativa do Brasil BrasíliaDF 12 ago 1971 Seção 1 BRASIL Ministério da Educação Decreto nº 6094 de 24 de abril de 2007 Dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação pela União Federal em regime de colaboração com Municípios Distrito Federal e Estados e a participação das famílias e da comunidade mediante programas e ações de assistência técnica e financeira visando a mobilização social pela melhoria da qualidade da educação básica Diário Oficial da União Brasília 2007a BRASIL Ministério da Educação Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica Secretaria de Educação Especial Brasília MECSEESP 2001b BRASIL Ministério da Educação Nota Técnica nº 24 2013 Assunto Orientação aos Sistemas de Ensino para a implementação da Lei nº 127642012 Brasília 2013a Disponível em httpportalmecgovbrindexphpoptioncomdocmanviewdownloadalias13287 nt24sistemlei127642012Itemid30192 Acesso em 10 jan 2021 110 BRASIL Ministério da Educação Plano de Desenvolvimento da Educação razões princípios e programas Brasília MEC 2007b BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria nº 5552007 prorrogada pela Portaria nº 9482007 entregue ao Ministro da Educação em 07 de janeiro de 2008 Brasília 2008 Disponível em httpportalmecgovbrindexphpoptioncomdocmanviewdownloadalias16690 politicanacionaldeeducacaoespecialnaperspectivadaeducacaoinclusiva 05122014Itemid30192 BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Transtornos Globais do Desenvolvimento Brasília 2010 BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Saberes e práticas da inclusão dificuldades acentuadas de aprendizagem autismo Brasília MECSEESP 2004 BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Direito à educação subsídios para a gestão dos sistemas educacionais orientações gerais e marcos legais Brasília MECSEESP 2006 BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Nota técnica SEESPGABnº 112010 Orientações para a institucionalização da oferta do Atendimento Educacional Especializado AEE em Salas de Recursos Multifuncionais implantadas em escolas regulares Brasília MECSEESP 2010a BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Política Nacional de Educação Especial Brasília MECSEESP 1994b BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Brasília MECSEESP 2007c 111 BRASIL Ministério da Saúde Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Especializada e Temática Linha de cuidado para a atenção às pessoas com transtornos do espectro do autismo e suas famílias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde Ministério da Saúde Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Especializada e Temática Brasília Ministério da Saúde 2015 BRASIL Ministério da Saúde Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Especializada e Temática Linha de cuidado para a atenção às pessoas com transtornos do espectro do autismo e suas famílias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde Brasília Ministério da Saúde 2015 BRASIL Nota Técnica nº 15 2010 MEC CGPEE GAB Data 02 de julho de 2010 Assunto Orientações sobre Atendimento Educacional Especializado na Rede Privada 2010b BRASIL Nota Técnica nº 242013MECSECADIDPE Orientação aos Sistemas de Ensino para a implementação da Lei nº 127642012 Brasília MECSECADIDPEE 2013b BRASIL Resolução nº 4 de 2 de outubro de 2009 Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica modalidade Educação Especial Brasília 2009 BRASIL Secretaria de Educação Especial Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Revista Inclusão Brasília v 4 n 1 2008 BRITES L BRITES C Mentes únicas São Paulo Gente 2019 CALDAS S D Autismo fala linguagem e comunicação Curitiba Contentus 2020 CAMINHA V L HUGUENIN J ASSIS L M de ALVES P P Orgs Autismo vivências e caminhos São Paulo Blucher 2016 112 CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA Mudança na Política de Educação Especial é retrocesso e segregação Entenda porque o CFP é contrário às alterações 2020 Disponível em httpssitecfporgbrmudancanapoliticadeeducacaoespeciale retrocessoesegregacaoentendaposicionamentodocfp Acesso em 20 de jan de 2021 DEFENDI E L Transtorno do Espectro do Autismo TEA São Paulo 2016 Disponível em httpsisposuscscombrsistemarotarotas841292scormaula2pdfpdfTEApdf FERRARI P Autismo infantil o que é e como tratar São Paulo Paulinas 2012 GOMES L BARRETO A A MILAGRES E FALEIRO M de L ASSUNÇÃO M TEIXEIRA Z Com apoio do AEE professores flexibilizam atividades para estudantes autistas 2016 Disponível em httpsdiversaorgbrrelatosdeexperienciacomapoio aeeprofessorasflexibilizamatividadesparaestudanteautista Acesso em 14 dez 2020 INSTITUTO RODRIGO MENDES Posicionamento da RedeIn a respeito da nova Política Nacional de Educação Especial 2020 Disponível em httpsinstitutorodrigomendesorg brnovapoliticanacionaleducacaoespecial Acesso em 10 jan 2021 MARA C Atividades Programa Teacch 2015 Disponível em httpabcclaudiamara blogspotcom201502atividadesmetodoteacchhtml MARQUES M B MELLO A M S R de TEACCH Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children In CAMARGOS JUNIOR W e Colaboradores Orgs Transtornos invasivos do desenvolvimento 3º milênio 2 ed Brasília Secretaria Especial dos Direitos Humanos Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência 2005 p 144147 MELLO A M S R Autismo guia prático 6 ed São Paulo AMA Brasília CORDE 2007 MIGUEL C F A BRAGAKENYON P KENYON S E Uma introdução ao sistema de comunicação através de troca de figuras PECS In CAMARGOS JUNIOR W e Colaboradores Orgs Transtornos invasivos do desenvolvimento 3º milênio 2 ed 113 Brasília Secretaria Especial dos Direitos Humanos Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência 2005 p177183 MORAIS T L da C Modelo Teacch intervenção pedagógica em crianças com perturbações do espectro do autismo 2012 182 f Dissertação Mestrado em Educação Especial Escola Superior de Educação Almeida Garrett Lisboa 2012 Disponível em httpsrecil grupolusofonaptjspuibitstream1043726731Dpdf ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE CID10 Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde 10ª rev São Paulo Universidade de São Paulo 1997 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE CID11 Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde 11ª rev São Paulo Universidade de São Paulo 2018 ORRÚ S E Autismo linguagem e educação interação social no cotidiano escolar 3 ed Rio de Janeiro Wak 2012 OXFORD Dicionário Online de Português Inclusão sd Disponível em httpswwwdicio combrsegregacao Acesso em 10 de jan de 2021 PARANÁ Departamento de Educação Básica Anexo VI Semana Pedagógica 2014 Disponível em httpwwwgestaoescolardiaadiaprgovbrarquivosFilesempedagogica julho2014anexo6pdf Acesso em 13 jan 2021 PYRAMID EDUCATIONAL CONSULTANTS Treinamento da comunicação 2019 Disponível em httpspecsbrazilcomseriedetreinamentotreinamentodacomunicacao SANTOS B S A gramática do tempo para uma nova cultura política São Paulo Editora Cortez 2006 114 SANTOS S A dos Transtornos globais do desenvolvimento Curitiba InterSaberes 2019 SANTOS S A dos Transtornos globais do desenvolvimento Curitiba Contentus 2020 SARTORETTO M L A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar recursos pedagógicos acessíveis e comunicação aumentativa e alternativa Brasília Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Fortaleza Universidade Federal do Ceará 2010 SARTORETTO M L BERSCH R O que é a comunicação alternativa 2020 Disponível em httpswwwassistivacombrcahtml Acesso em 10 de jan 2021 SASSAKI R K Inclusão construindo uma sociedade para todos 4 ed Rio de Janeiro WVA 2002 SILVA A B B GAIATO M B REVELES L T Mundo singular entenda o autismo Rio de Janeiro Objetiva 2012 SILVA K F W da ROZERK M Org Transtorno do espectro autista TEA mitos e verdades Porto Alegre RS EDIPUCRS 2020 SIMÃO B L Métodos de intervenção pedagógica no TEA Curitiba Contentus 2020 TAVARES G Estimulação cognitiva no TEA Curitiba Contentus 2020 UNESCO Declaração de Salamanca e Linha de ação sobre necessidades educativas especiais Genebra UNESCO 1994 VIEIRA S PECS 2019 Disponível em httpswwwrevistaautismocombrartigospecs ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil 250 Centro CEP 87702 320 Paranavaí PR Brasil TELEFONE 44 3045 9898
3
Pedagogia
UNIA
1
Pedagogia
UNIA
1
Pedagogia
UNIA
3
Pedagogia
UNIA
2
Pedagogia
UNIA
17
Pedagogia
UNIA
30
Pedagogia
UNIA
11
Pedagogia
UNIA
26
Pedagogia
UNIA
1
Pedagogia
UNIA
Texto de pré-visualização
Professora Me Fabiane Fantacholi Guimarães ATENDIMENTO DE ALUNO COM TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO REITORIA Prof Me Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof Me Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof Me Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa Dra Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel COORDENAÇÃO DE ENSINO PESQUISA E EXTENSÃO Profa Ma Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa Dra Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa Ma Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof Me Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof Me Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof Me Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa Ma Sônia Maria Crivelli Mataruco COORDENAÇÃO DO DEPTO DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo Marcelino Fernando Rodrigues Santos PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Hugo Batalhoti Morangueira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira Carlos Henrique Moraes dos Anjos Kauê Berto Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação CIP G963a Guimarães Fabiane Fantacholi Atendimento de aluno com transtornos globais do desenvolvimento Fabiane Fantacholi Guimarães Paranavaí EduFatecie 2024 114 p il Color 1 Educação especial 2 Transtorno do espectro autista 3Deficiências do desenvolvimento I Centro Universitário UniFatecie II Núcleo de Educação a Distância III Título CDD 23 ed 3719 Catalogação na publicação Zineide Pereira dos Santos CRB 91577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas do banco de imagens Shutterstock 2024 by Editora Edufatecie Copyright do Texto C 2024 Os autores Copyright C Edição 2024 Editora Edufatecie O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores mas sem a possibilidade de alterála de nenhuma forma ou utilizála para fins comerciais 3 Professora Me Fabiane Fantacholi Guimarães Mestre em Metodologias para o Ensino de Linguagens e suas Tecnologias Universidade Pitágoras Unopar Licenciatura e Bacharel em Pedagogia CESUMAR Especialista em Psicopedagogia Institucional Faculdade Maringá Especialista em Educação Especial Faculdade de Tecnologia América do Sul Especialista em EAD e as Novas Tecnologias Educacionais UniCESUMAR Especialista em Docência no Ensino Superior UniCESUMAR Especialista em Tecnologias Aplicadas no Ensino À Distância UniFCV Professora orientadora de trabalho de conclusão de curso da PósGraduação UniFCV Professora conteudista na área da Educação UniFCVUniFATECIE Professora de disciplinas de PósGraduação na área da Educação UniFCV Coordenadora de cursos EAD de PósGraduação na área da Educação UniFCV Supervisora de Cursos EAD de Graduação na área da Educação UniFCV Psicopedagoga do Núcleo de Atendimento Escolar NEA Experiência na Educação Básica há 9 anos Experiência no Ensino Superior presencial e a distância desde 2012 até os dias atuais Currículo lattes httplattescnpqbr7315666246327967 AUTORA 4 Acadêmicoa olá Seja bemvindoa A partir de agora você deu largada em uma jornada de conhecimento por meio do incrível mundo da educação inclusiva mais especificamente ao maravilhoso universo do Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento Nossa missão será apresentar a você por meio de dialogismo novos conhecimentos e descobertas que proporcionarão reflexões e mudanças significativas no seu modo de pensar e agir tanto no contexto pessoal acadêmico e sobretudo na esfera profissional favorecendo o desenvolvimento de suas competências habilidades e atitudes O presente material foi produzido exclusivamente para proporcionar a construção de novos conhecimentos por meio de quatro unidades curriculares recheadas de conceitos teóricos e reflexivos conectando teoria e situações reais favorecendo o processo de ensinoaprendizagem A apostila é composta por uma introdução seguida de quatro unidades divididas em três tópicos cada uma criteriosamente analisados e selecionados para dar sustentação às discussões reflexões e conclusão Além dos conteúdos abordados no decorrer das unidades curriculares você também terá acesso a informações extras como por exemplo novas leituras a seção saibamais reflita leituracomplementar e ainda dicas de livros e filmes que contemplam os assuntos em questão na presente disciplina Na Unidade I o conteúdo disponibilizado será sobre as Dimensões Dos Transtornos Globais De Desenvolvimento e suas especificidades Classificação Internacional de Doenças CID o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais e por último a Definição conceituação e características do TGD Na Unidade II a ênfase será exclusivamente sobre os Transtornos Globais Do Desenvolvimento Condutas Típicas as especificações do que envolve as condutas típicas como o professor e a família podem lidar com essas condutas e também as possíveis estratégias e recursos a serem oferecidos para os alunos com condutas típicas Na Unidade III vamos falar sobre as especificidades do Autismo Síndrome De Asperger e Síndrome De Rett e então durante nosso diálogo leválo a compreender APRESENTAÇÃO DO MATERIAL 5 a definição e encaminhamentos relacionados a cada um desses transtornos globais do desenvolvimento Na Unidade IV denominada de Interlocução do Atendimento Especializado no Ensino Regular Para Alunos Com TGD nosso propósito será apresentar informações sobre os aspectos legais relacionados ao Atendimento Educacional Especializado AEE enfatizando o atendimento ao público em questão dessa disciplina TGDTEA Para tanto os assuntos abordados serão fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento especializado a Institucionalização do atendimento especializado no projeto político pedagógico e por último o Desmembramentos do TGD e as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade Diante do exposto desejamos que a partir desse momento você inicie a leitura e estudo desse material e que no decorrer dessa trilha de descobertas você possa refletir sobre os aspectos aqui abordados sobre a importância da sua formação acadêmica e ainda como contribuir enquanto profissional para a eliminação de barreiras relacionadas ao ensinoaprendizagem do públicoalvo da educação inclusiva especialmente no que tange a educação dos alunos com TGDTEA Boa viagem Embarque agora nessa trilha de conhecimentos Até mais 6 UNIDADE 4 Interlocução do atendimento especializado no ensino regular para alunos com tgdtea Métodos educacionais de intervenção e apoio a inclusão do aluno com tgdtea UNIDADE 3 Transtorno do espectro autista conceitos iniciais e disfunção do tea UNIDADE 2 Dimensões dos transtornos globais de desenvolvimento UNIDADE 1 SUMÁRIO Plano de Estudos Classificação Internacional de Doenças CID Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais Definição conceituação e características do TGDTEA Objetivos da Aprendizagem Conhecer a Classificação Internacional de Doenças Conhecer o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais Estudar a definição conceituação e características do Transtorno Global do Desenvolvimento Professora Me Fabiane Fantacholi Guimarães DIMENSÕES DOS DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO DE DESENVOLVIMENTO 1 UNIDADE UNIDADE INTRODUÇÃO 8 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Caroa acadêmicoa Seja bemvindoa à Unidade I intitulada Dimensões dos Transtornos Globais de Desenvolvimento da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento do curso de Graduação em Educação Especial No primeiro momento conheceremos a Classificação Internacional de Doenças CID Esse documento é publicado pela Organização Mundial de Saúde OMS e visa padronizar a codificação de doenças e outros problemas relacionados à saúde No segundo momento conheceremos o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais DSM Esse documento se propõe a servir como um guia prático funcional e flexível para organizar informações que possam auxiliar no diagnóstico preciso e no tratamento de transtornos mentais pelos profissionais da área da Saúde No terceiro momento estudaremos a definição conceituação e características do Transtorno Global do Desenvolvimento que passou por mudanças significativas no decorrer dos tempos Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema de nossa primeira unidade Boa leitura CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE DOENÇAS CID 1 TÓPICO 9 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde também conhecida como Classificação Internacional de Doenças CID é publicada pela Organização Mundial de Saúde OMS e visa padronizar a codificação de doenças e outros problemas relacionados à saúde A CID fornece códigos relativos à classificação de doenças e de uma grande variedade de sinais sintomas aspectos anormais queixas circunstâncias sociais e causas externas para ferimentos ou doenças Para cada estado de saúde é atribuída uma categoria única à qual corresponde um código CID A CID é revista periodicamente e encontrase na sua décima edição CID10 Está prevista a substituição da CID10 pela décima primeira edição CID11 A CID11 foi lançada em 18 de junho de 2018 tendo sido apresentada para adoção dos Estados membros em maio de 2019 durante a Assembleia Mundial da Saúde e deve entrar em vigor em 1º de janeiro de 2022 A versão anterior a CID10 foi desenvolvida em 1993 para registar as estatísticas de mortalidade Atualizações anuais menores e trienais maiores são publicadas pela OMS A CID permite que programas e sistemas possam referenciar de forma padronizada as classificações auxiliando a busca de informação diagnóstica para finalidades gerais É importante também para codificar e classificar os dados de mortalidade de atestados de óbito Devese tomar o cuidado para não confundir a classificação com a causa de doenças e lembrar que o objetivo da CID não é oferecer um quadro explicativo da relação entre os agravos mas apenas listálas de forma coerente com as lesões Caroa estudante a CID10 trazia vários diagnósticos dentro dos Transtornos Globais do Desenvolvimento TGD sob o código F84 como Autismo Infantil F840 Autismo Atípico F841 Síndrome de Rett F842 Transtorno Desintegrativo da Infância 10 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 F843 Transtorno com Hipercinesia Associada ao Retardo Mental e aos Movimentos Estereotipados F844 Síndrome de Asperger F845 Outros TGD F848 e TGD sem Outra Especificação F849 A nova versão da classificação a CID11 une todos esses diagnósticos no Transtorno do Espectro do Autismo código 6A02 em inglês Autism Spectrum Disorder ASD as subdivisões passaram a ser apenas relacionadas a prejuízos na linguagem funcional e deficiência intelectual A intenção é facilitar o diagnóstico e simplificar a codificação para acesso a serviços de saúde IMAGEM 1 MUDANÇA NA CLASSIFICAÇÃO DE CID10 PARA CID11 Fonte elaborado pela autora com base na CID10 e CID11 Caroa estudante ao longo do nosso material iremos referenciar a CID fique atentoa Vale ressaltar que por ser a CID11 um documento novo ainda iremos encontrar em várias pesquisas a utilização da CID10 precisamos compreender que na área da pesquisa acadêmica educação será aos poucos a mudança da nomenclatura referente ao TGD para TEA 11 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Você sabia caroa acadêmicoa que a CID10 foi aprovada pela Conferência Internacional para a Décima Revisão em 1989 e adotada pela Quadragésima Terceira Assembleia Mundial de Saúde para entrar em vigor em 1º de janeiro de 1993 Segundo o site das Nações Unidas a CID11 reflete as mudanças e os avanços na Medicina e Tecnologia que aconteceram de lá para cá A estrutura de codificação e ferramentas eletrônicas foram simplificadas para permitir que o profissional possa registrar os problemas de maneira mais fácil e eficaz A nova classificação conta com 55 mil códigos únicos para lesões doenças e causas de morte versus 14400 da CID10 Entre as principais novidades está a inclusão de distúrbio em games gaming disorder que já havia sido anunciado no começo do ano A OMS define a desordem como um padrão de comportamento persistente ou recorrente de gravidade suficiente para resultar em comprometimento significativo nas áreas de funcionamento pessoal familiar social educacional ocupacional ou outras Imagem 2 DISTÚRBIO EM GAMES REPRODUÇÃOOMS Fonte OMS2019 DESORDEM DE JOGO Pela primeira vez a OMS está classificando o transtorno do jogo como um transtorno de comportamento viciante agora podemos medir quantas pessoas são afetadas CÓDIGO 6C51 O Estatuto da Criança e do Adolescente ECA que reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de pleno direito classifica esses indivíduos como pessoas em desenvolvimento Sendo assim caroa acadêmicoa pense bem antes de realizar qualquer ato pois você faz parte desse desenvolvimento Fonte A autora MANUAL DE DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICA DOS TRANSTORNOS MENTAIS 2 TÓPICO 12 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais o DSM em sua 5ª edição foi publicado em maio de 2013 versão em português em 2014 O DSM se propõe a servir como um guia prático funcional e flexível para organizar informações que podem auxiliar no diagnóstico preciso e no tratamento de transtornos mentais Tratase de uma ferramenta para clínicos um recurso essencial para a formação de estudantes e profissionais e uma referência para pesquisadores da área American Psychiatric Association 2014 p XII O guia representa a base para definição de doenças psíquicas referência para a prática clínica e segundo seus autores contém informações úteis para todos os profissionais ligados à saúde mental incluindo psiquiatras outros médicos psicólogos assistentes sociais enfermeiros consultores especialistas das áreas forense e legal terapeutas ocupacionais e de reabilitação e outros profissionais da área da saúde American Psychiatric Association 2014 p XII O DSM5 também é um instrumento para a coleta e a comunicação precisa de estatísticas de saúde pública sobre as taxas de morbidade e mortalidade dos transtornos mentais Embora o DSM5 continue sendo uma classificação categórica de transtornos individuais reconhecemos que os transtornos mentais nem sempre se encaixam totalmente dentro dos limites de um único transtorno Alguns domínios de sintomas como depressão e ansiedade envolvem múltiplas categorias diagnósticas e podem refletir vulnerabilidades subjacentes comuns a um grupo maior de transtornos O reconhecimento dessa realidade fez os transtornos incluídos no DSM5 serem reordenados em uma estrutura organizacional revisada com o intuito de estimular novas perspectivas clínicas 13 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Essa nova estrutura corresponde à organização de transtornos planejada para a CID11 cujo lançamento está programado para 2022 Caroa estudante ao longo do nosso material iremos referenciar o DSM fique atentoa Você caroa acadêmicoa sabia que assim como no DSM o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais a nova CID Classificação Internacional de Doenças uniu os transtornos do espectro num só diagnóstico Essa decisão veio para facilitar o diagnóstico e tornar mais simples a codificação para acesso a serviços de saúde Fonte A autora DEFINIÇÃO CONCEITUAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DO TGDTEA 3 TÓPICO 14 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Caroa estudante vamos primeiramente conhecer o percurso histórico trilhado pela área dos transtornos globais do desenvolvimento conhecido como TGD contextualizando as diferentes terminologias e enfoques teóricos utilizados para referenciar tal transtorno O desafio de compreender as desordens psíquicas esteve presente na sociedade e desprenderse de conceitos enraizados constitui ponto essencial para o conhecimento dos transtornos globais do desenvolvimento Nesses mais de 75 anos de estudos no campo dos TGDs é necessário conhecer os pesquisadores e suas alegações fundamentais sobre tal quadro clínico os parâmetros internacionais para a sua identificação e ainda as possíveis hipóteses para o seu aparecimento Na educação tais conhecimentos se tornam significativos por estarem relacionados na atualidade a uma das áreas com identificação mais frequente na população infantojuvenil O filme LEnfant Sauvage traduzido para O menino ou garoto selvagem de François Truffaut retrata o estudo do médico Jean Itard com o jovem Victor como foi chamado de Aveyron Capturado após viver alguns anos na floresta privado de relações sociais Victor demonstrou que o ser humano é um animal social que precisa para se constituir como ser humano viver entre os humanos O filme produzido por Truffaut coincidiu com os estudos e a descrição clínica de Leo Kanner 18941981 sobre crianças autistas Fonte A autora 15 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Você já deve ter assistido a algum filme com passagens bíblicas independentemente da religião a qual esteja vinculado retratando uma época em que a ciência era praticamente inexistente O fato de que não tinham o conhecimento científico para explicar o mundo em que viviam faznos indagar de que forma os sujeitos conseguiam explicar os fenômenos da natureza como o raio eou o trovão Para aquele momento as explicações possíveis provinham de ideias relacionadas às atividades de magia e da religião Da mesma forma sujeitos com alguma má formação ou mesmo com comportamentos que fugiam do esperado para a sociedade eram vistos como pessoas cuja condição tinha origens demoníacas Esse ponto de vista evidencia a ação dos aspectos culturais no modo de justificar e aceitar os acometimentos de ordem física intelectual e mental psíquica Com efeito as pessoas inseridas em organizações prósperas na sociedade tais como a justiça e a igreja eram as que sentenciavam os sujeitos que de alguma forma não eram vistos com afeição excluídos da convivência da comunidade Com a ampliação da atuação médica as crenças perderam força Entretanto por mais distante que essas ideologias possam estar a expressão ele está possuído até hoje é ouvida quando um sujeito apresenta alterações de comportamento No caminho para uma vida mais digna aos sujeitos que eram marginalizados surge a importante ação do médico Philippe Pinel o qual apostava numa corrente de tratamento humanitário que resultou na expansão das descrições dos transtornos psíquicos Podemos citar como marco desse momento histórico o caso conhecido como o menino selvagem que foi tema cinematográfico O cineasta François Truffaut reproduziu em um filme o trabalho de Jean Itard com um jovem que foi capturado numa floresta excluído da convivência em sociedade Seu comportamento se assemelhava ao que após anos de estudo Leo Kanner descreve clinicamente como distúrbio autista Fonte Santos 2020 A conceituação dos transtornos globais do desenvolvimento passou por mudanças significativas no decorrer dos tempos e nem sempre esses conceitos tiveram um ponto de convergência entre o campo da educação e o da saúde Nesse sentido para os sujeitos que compõem atualmente esse grupo de estudantes as intervenções clínicas se apresentam como uma primeira opção de intervenção sendo atribuída para a educação um segundo plano possível As manifestações clínicas de pacientes esquizofrênicos tais como isolamento e distanciamento da realidade foram descritas pelo psiquiatra Bleuler 1911 apud Santos 2020 empregando a expressão autismo O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM5 absorveu as subcategorias do autismo como a síndrome de Asperger o transtorno desintegrativo da infância e o transtorno global do desenvolvimento não especificado e propõe a classificação de Transtorno do Espectro Autista TEA em substituição a de Transtornos Globais do 16 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Desenvolvimento TGD American Psychiatric Association 2014 No entanto caroa estudante na educação até o momento ainda se denomina a área Transtorno Global do Desenvolvimento onde está englobado o Transtorno do Espectro Autista As patologias com apresentações sintomáticas semelhantes ao espectro do autismo foram denominadas na educação do DSM5 de autismo infantil autismo de Kanner autismo de alto funcionamento autismo atípico transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação transtorno desintegrativo da infância e síndrome de Asperger que indica linhasmestras para a identificação do Transtornos do Espectro Autista TEA Caroa estudante atenção O diagnóstico desse transtorno é realizado por um médico que na avaliação comportamental pode utilizar escalas padronizadas para identificálo Entre os anos de 1970 e 1980 houve um crescente interesse pelo autismo o que acarretou o desenvolvimento de pesquisas no campo médico e psicológico Tais estudos objetivavam o encontro de um quadro descritivo relacionado ao autismo e aos espectros correlatos que repercutiram em muitos países inclusive no cenário brasileiro O conceito de transtorno global do desenvolvimento TGD foi adotado para definir os distúrbios mentais da infância que apresentam tanto um início muito precoce quanto uma tendência evolutiva Os transtornos do espectro autista TEA enquadramse nessa categorização uma vez que se manifestam na primeira infância e apresentam curso permanente É válido ressaltar que os TGDs incluem necessariamente alterações qualitativas da experiência subjetiva dos processos cognitivos da comunicação linguagem e do comportamento e não somente alterações quantitativas Não podemos conceber o TGD somente como um atraso ou uma interrupção do processo de desenvolvimento típico visto que se trata da manifestação clínica de um processo atípico e prejudicial ao desenvolvimento Brasil 2015 Afinal quem são essas crianças que por alguns educadores costumam ser adjetivadas como diferentes agressivas e inquietas e que quando falam apresentam uma linguagem tão incomum Fonte A autora 17 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Dessa forma consideramos fundamental esclarecer que a noção de desenvolvimento aplicada ao conceito nosológico de TGD não diz respeito apenas à questão genética mas àquela praticada pela perspectiva contemporânea da psicopatologia do desenvolvimento que concebe esse processo como resultante de questões multifatoriais ou seja genéticas e ambientais psicossocial O entendimento sobre o conceito contemporâneo de desenvolvimento envolve necessariamente o processo de constituição psíquica que não é inato e se estabelece por meio da interação recíproca entre o bebê e seu principal cuidador nos primeiros anos de vida Santos 2019 A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva portaria n 555 de 07 de janeiro de 2008 Brasil 2008 como documento político norteador apresenta modificações significativas se comparada à política anterior pois altera o perfil dos estudantes da educação especial O documento designa como parte dos TGDs os seguintes diagnósticos clínicos autismo síndrome do espectro autista Asperger e Rett transtorno desintegrativo da infância e transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação Esses transtornos têm como característica em comum as funções do desenvolvimento prejudicadas Brasil 2010 Até 2007 a nomenclatura utilizada na Educação era Condutas Típicas que começou a ser amplamente divulgada na década de 90 para fazer referência aos alunos que apresentavam distúrbios de comportamentos substituindo a terminologia anteriormente empregada distúrbios de comportamento que trouxe muitos prejuízos seja pelo preconceito que a expressão sugeria seja pela interpretação inadequada de qualquer reação do aluno pelo professor que ocasionava um rótulo e posterior encaminhamento para a Educação Especial QUADRO 1 MUDANÇAS EM RELAÇÃO A NOMENCLATURAS UTILIZADAS NA EDUCAÇÃO DE 1994 ATÉ 2007 CONDUTAS TÍPICAS A PARTIR DE 2008 TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO Quadros neurológicos como por exemplo Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade Síndromes como por exemplo Transtorno Bipolar Transtorno de Conduta Transtorno de Ansiedade entre outros Psiquiátricos Persistentes como por exemplo Psicose Referese especificamente a alunos com diagnósticos de autismo síndromes do espectro de autismo como por exemplo Síndrome de Asperger Síndrome de Rett entre outros psicose infantil Fonte A autora 18 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Ainda de acordo com o Documento Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Brasil 2008 o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é compreendido como Transtorno Funcional Específico que será atendido neste Departamento nos serviços de apoio especializado da área de Deficiência Intelectual e Transtornos Funcionais Específicos na Rede Pública de Ensino Assim esclarece que o Transtorno Bipolar de Conduta de Ansiedade entre outros deverá ter o acompanhamento da Saúde Mental tratamento medicamentoso e terapêutico sem que necessariamente sejam encaminhados aos serviços de apoio educacional especializado da Rede Pública de Ensino Caroa estudante como podemos verificar ainda estamos no aguardo da atualização no campo da educação sobre a nomenclatura utilizada Digo o documento do Ministério da Educação MEC pois como sabemos na área da saúde já houve a mudança Por esse motivo em nosso material utilizamos e utilizaremos o que consta na portaria nº 555 de 07 de janeiro de 2008 Você sabia caroa acadêmicoa que o autismo tornouse um problema de saúde pública no mundo inteiro e sua importância se reflete em dois eventos recentes em 2007 a Organização das Nações Unidas ONU decretou o dia 2 de abril como o dia mundial de conscientização do autismo e a entidade americana Autism Speaks convocou vários monumentos do mundo por meio da campanha Light It Up Blue iniciada em 2010 a se iluminarem de azul no dia em questão a fim de promover a conscientização do transtorno Fonte A autora Temos o direito de sermos iguais sempre que a diferença nos inferioriza temos o direito de sermos diferentes sempre que a desigualdade nos descaracteriza Santos 2006 p 27 19 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Caroa acadêmicoa Finalizamos a Unidade I da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento No primeiro momento conhecemos a Classificação Internacional de Doenças CID Esse documento é publicado pela Organização Mundial de Saúde OMS e visa padronizar a codificação de doenças e outros problemas relacionados à saúde verificamos que passou por atualizações no decorrer dos anos e que a última versão entrará em vigor em 2022 No segundo momento conhecemos o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais DSM Esse documento se propõe a servir como um guia prático funcional e flexível para organizar informações que podem auxiliar o diagnóstico preciso e o tratamento de transtornos mentais pelos profissionais da área da Saúde Esse manual está ligado diretamente com a CID sendo assim ambos caminham juntos No terceiro momento estudamos a definição conceituação e características do Transtorno Global do Desenvolvimento que passou por diversas mudanças significativas no decorrer dos tempos Concluímos nesta primeira unidade que devido às mudanças em determinados documentos legais ainda se denomina a área Transtorno Global do Desenvolvimento em que está englobado o Transtorno do Espectro Autista Os TGDs segundo documentos leis designa os seguintes diagnósticos clínicos autismo síndrome do espectro autista Asperger e Rett transtorno desintegrativo da infância e transtorno invasivo do desenvolvimento sem outra especificação Para aprofundar seus conhecimentos não deixe de consultar as referências CONSIDERAÇÕES FINAIS 20 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 Leitura complementar traz dados sobre publicações de pesquisas na área do Transtorno Global do Desenvolvimento TGD realizada por Gianni Marcela Boechard Magalhães Link de acesso ao material completo httpsperiodicosufesbrsneearticle view23935 LEITURA COMPLEMENTAR MATERIAL COMPLEMENTAR 21 DIMENSÕES DOS TRANSTORNOS GLOBAIS DE DESENVOLVIMENTO UNIDADE 1 FILMEVÍDEO Título O Garoto Selvagem Ano 1970 Sinopse Um menino incapaz de falar andar ler ou escrever é encontrado nu em uma floresta na França vivendo com um bando de lobos Ele é levado para Paris e um médico tenta ajudálo Link do vídeo httpsvimeocom155385147 FILMEVÍDEO Título Em Tese Educação e os Transtornos Globais do Desenvolvimento Ano 2015 Sinopse O Em Tese de hoje fala sobre inclusão escolar de alunos com transtornos globais do desenvolvimento Link do vídeo httpswwwyoutubecomwatchvIr1DMmD9iU LIVRO Título Transtornos Globais do Desenvolvimento Autor Shirley Aparecida dos Santos Editora Contentus Sinopse Este livro define a trajetória histórica da área de transtornos globais do desenvolvimento trazendo conceitos e concepções teóricas fundamentais para o seu entendimento Trata das teorias sobre desenvolvimento humano de Piaget Wallon e Vygotsky métodos e abordagens para o trabalho terapêutico e traz uma discussão sobre direitos educação especial e inclusão Também trabalha o atendimento educacional especializado e flexibilizaçãodiferenciação curricular Plano de Estudos Fundamentos conceituais teóricos e a perspectiva histórica do autismo no século XX Conceito geral e disfunções do TEA Causas do TEA Objetivos da Aprendizagem Contextualizar os fundamentos conceituais teóricos e a perspectiva histórica do autismo no século XX Estudar o conceito geral e disfunções do transtorno do espectro autista TEA Conhecer as causas do transtorno do espectro autista TEA Professora Me Fabiane Fantacholi Guimarães TRANSTORNO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE2UNIDADE INTRODUÇÃO 23 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Caroa acadêmicoa Seja bemvindoa à Unidade II intitulada Transtorno do Espectro Autista conceitos iniciais e disfunção do TEA da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento do curso de Graduação em Educação Especial No primeiro momento contextualizar os fundamentos conceituais teóricos e a perspectiva histórica do autismo no século XX no entanto independentemente da posição teórica utilizada para compreender o autismo sabese hoje que ele não constitui um quadro único mas um quadro clínico complexo que precisa ser olhado a partir de cada sujeito levandose em conta suas especificidades possibilidades e dificuldades No segundo momento estudar o conceito geral e disfunções do transtorno do espectro autista TEA Válido ressaltar como já elencamos anteriormente antes do conceito de autismo existiu e ainda existe em alguns documentos legais o termo Transtornos Globais do Desenvolvimento TGD Os TEA são considerados atualmente como transtorno de desenvolvimento de causas variadas No terceiro momento conhecer as causas do transtorno do espectro autista TEA considerando que em algumas das prováveis causas do TEA ele é um transtorno de comportamento multifacetado de base neurológica Espero que esses textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema da nossa primeira unidade Boa leitura FUNDAMENTOS CONCEITUAIS TEÓRICOS E A PERSPECTIVA HISTÓRICA DO AUTISMO NO SÉCULO XX 1 TÓPICO 24 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 A nomenclatura autismo foi empregada pela primeira vez pelo psiquiatra Eugen Bleuler 18571939 em 1911 para relatar a fuga da realidade e o retraimento de adultos esquizofrênicos para um mundo interior A palavra é de origem grega autós e significa por si mesmo Trata se de um termo dentro da psiquiatria para denominar comportamentos humanos que se centralizam em si mesmos voltados para o próprio indivíduo Orrú 2012 p 17 Quando o médico Jean Itard 17741838 relatou informações sobre o menino selvagem de Aveyron em 1799 o termo autismo não havia sido utilizado O jovem foi capturado por camponeses de Aveyron na França sem vestimentas e movimentandose como quadrúpede e sem comunicação oral Ele se balançava sem parar e não demonstrava nenhuma afeição por quem o servia era indiferente a tudo não prestava atenção em coisa alguma nem aceitava mudanças e lembravase com precisão da localização de objetos existentes em seu quarto Não reagia ao disparo do revólver mas voltavase na direção de um estalo de casca de noz Ferrari 2012 p 67 A educação desse jovem foi atribuída a Itard no entanto o desfecho não foi considerado triunfante nem pelo próprio pesquisador porque o jovem não saiu do mutismo nem teve acesso à dimensão simbólica da linguagem apesar da incontestável melhora nas relações sociais Ferrari 2012 p 7 Esse acontecimento foi muito estudado e deu margem para inúmeros questionamentos sobre a causa das manifestações comportamentais do jovem de Aveyron entre as quais se destaca a causa de sua debilidade o abandono do contato humano ao qual fora submetido 25 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Em 1943 em uma interpretação mais definida o psiquiatra austríaco Leo Kanner descreveu o autismo infantil após observar 11 crianças entre 2 e 8 anos que apresentavam características comuns o que culminou na publicação do artigo intitulado Distúrbios autísticos de contato afetivo Autistic Disturbances of Affective Contact Kanner em sua descrição destacou que das 11 crianças observadas 8 adquiriram linguagem embora com atraso Em referências às características sintomáticas dos autistas verificase que muitos profissionais da educação têm dificuldade em identificar esses traços no contexto escolar A aquisição da linguagem por crianças autistas é muito singular fato perceptível não só pela irregularidade característica mas também pela fraca intenção comunicativa Essa linguagem se apresenta com inversão pronominal e ecolalia Alguns autistas podem reproduzir uma infinidade de palavras letras de música propagandas conhecidas trechos de conversas embora não objetivem uma intenção comunicativa por terem condições favoráveis quanto à memória verbal Santos 2019 Ainda que a pesquisa de Kanner passe por algumas alterações no conceito e na definição do autismo o fundamento é sempre o mesmo pois ele distingue o distúrbio autístico do quadro esquizofrênico divergindo de Bleuler que entende essa afecção não como uma doença independente mas como mais um dos sintomas da esquizofrenia Santos 2019 Caroa acadêmicoa em relação à importância da linguagem o embasamento recai sobre o livro intitu lado Pensamento e Linguagem de Lev Semenovich Vygotsky Esse autor apresenta um estudo detalhado sobre o desenvolvimento intelectual orientado para a psicologia evolutiva educação e psicopatologia Fonte httpswwwinstitutoeloorgbrsitefilespublications5157a7235ffccfd9ca905e359020c413pdf 26 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Desse modo a partir de 1943 os conceitos de autismo psicose e esquizofrenia se colidiram e foram usados de maneira intercambiável durante muitos anos contudo atualmente foi superado Brasil 2015 p18 Após a divulgação dos estudos de Kanner Hans Asperger 19061980 médico e pesquisador escreveu o artigo Psicopatia autística na infância Nele o austríaco também tomou de empréstimo de Bleuler o termo autismo para descrever quatro crianças que apresentavam como questão central o transtorno no relacionamento com o ambiente ao seu redor por vezes compensado pelo alto nível de originalidade no pensamento e nas atitudes Em alguns momentos no entanto o desempenho das crianças pesquisadas pensamentos e atitudes foi percebido como mais ameno Brasil 2015 A respeito desses sintomas foi constatado o seguinte As características autistas apareceriam a partir do segundo ano de vida e seriam persistentes Haveria pobreza de expressões gestuais e faciais e quando as crianças eram inquietas sua movimentação era estereotipada e sem objetivo podendo haver movimentos rítmicos repetitivos Suas falas seriam artificiais mas teriam atitude criativa em relação à linguagem exemplificada pelo uso de palavras incomuns e neologismos Brasil 2015 p 2122 Até fins da década de 1970 o autismo era considerado uma forma de esquizofrenia infantil e classificado dentro da categoria das psicoses APA 19521968 Em 1979 Wing e Gould foram os primeiros a propor a tríade diagnóstica que abrangia deficiências específicas na comunicação socialização e imaginação Caminha et al 2016 Você sabia caroa acadêmicoa que as pesquisas de Hans Asperger eram públicas nos países em que o idioma alemão era dominante Na década de 1970 foram realizadas as primeiras aproximações com os escritos de Kanner especialmente por pesquisadores holandeses tal como Van Krevelen que tinha domínio dos idiomas inglês e alemão As iniciativas de assemelhar ambos foram difíceis em virtude das diferenças entre os pacientes estudados por cada pesquisador uma vez que os descritos por Kanner eram mais jovens e apresentavam maior prejuízo cognitivo Fonte A autora 2020 27 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Em 1980 com a publicação da 3ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM3 o autismo se converteu no protótipo de um novo grupo de transtornos do desenvolvimento reunidos sob o título de transtornos globais do desenvolvimento TGD APA 1980 A expressão amplamente utilizada transtornos invasivos do desenvolvimento não é apropriada O DSM4 publicado em 1994 pela primeira vez incluiu o termo qualitativo para descrever as deficiências dentro da tríade de manifestações clínicas definindo a extensão das deficiências em vez da presença ou ausência absoluta de um determinado comportamento como suficiente para satisfazer o critério diagnóstico Na classificação do DSM4 APA 1994 os transtornos globais do desenvolvimento abarcavam o amplo espectro de distúrbios com as características citadas acima incluindo cinco subtipos comportamentais FIGURA 1 ORGANOGRAMA Fonte Bacarin 2020 p 29 Na Figura 1 percebese pela pirâmide que a caracterização do autismo hierarquizava os indivíduos porém não apresentava um elo que justificasse esse ranqueamento para além dos sintomas neurológicos Para melhor compreensão da mudança entre o DSM4 e o DSM5 retomase o conceito conforme a metodologia elaborada pela Associação de Amigos do Autista AMA Na definição atual do conceito o autismo é uma síndrome ou seja um conjunto de sintomas que causa transtorno de neurodesenvolvimento e como consequência alterações comportamentais que não o caracterizam como uma doença O salto de qualidade na compreensão se encontra em entender que essas características não são estanques e assimétricas porém necessariamente são pertinentes à mesma síndrome porque se caracteriza sempre por desvios qualitativos na comunicação na interação social e no uso 28 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 da imaginação Bacarin 2020 Caroa estudante estes três desvios que ao aparecerem juntos caracterizam o autismo foram chamados por Lorna Wing e Judith Gould em seu estudo realizado em 1979 de Tríade como relatado anteriormente A Tríade é responsável por um padrão de comportamento restrito e repetitivo nas condições de inteligência que podem variar do retardo mental aos níveis acima da média Caminha et al 2016 Em 2013 a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais APA 2014 propôs uma nova classificação com novas orientações sobre o diagnóstico e algumas mudanças conceituais importantes Os subtipos comportamentais descritos no DSM 5 excetuando todos os diagnósticos anteriores Figura 1 reunidos numa única denominação e passam a receber o diagnóstico único de Transtorno do Espectro Autista TEA Entretanto entendese que podem coexistir três grupos de situações que dificultam o diagnóstico clínico sendo eles 01 O TEA pode ser a síndrome principal que coexiste com traços ou aspectos de outras síndromes secundárias 02 O TEA pode ser a síndrome secundária pois apenas alguns traços ou aspectos se fazem presentes em relação a uma outra síndrome principal 03 O TEA pode ser a única síndrome porém com espectros variados conforme cada indivíduo Tomando por base a análise conceitual elencada o DSM5 apresenta a seguinte classificação do TEA FIGURA 2 CLASSIFICAÇÃO Fonte Bacarin 2020 p 30 29 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Na Figura 2 observase que o Autismo Clássico o Transtorno Desintegrativo da Infância e o Transtorno Global do Desenvolvimento não específico foram dissolvidos nessa nova classificação do DSM5 Se por um lado a mudança na classificação de autismo ou autismos facilitou a identificação da síndrome a partir da categorização como suave moderado ou severo por outro lado essa transformação requer um maior tempo de observação e investigação para definir o espectro em que classifica o grau da criança com TEA Essa é a primeira consequência decorrente da nova maneira de se diagnosticar o TEA Bacarin 2020 Caroa estudante mesmo com novas descobertas a respeito do TEA ainda vivemos uma época de incertezas uma vez que no meio de várias incertezas é que se percebem características do TEA no indivíduo precocemente Os primeiros sinais se apresentam ainda nos primeiros anos e com um olhar mais apurado podemse perceber características em bebês O TEA afeta o desenvolvimento do ser humano de forma intensa incidindo na construção da personalidade Silva Rozek 2020 As causas do TEA ainda não são consideradas únicas não existindo assim uma definição do que na realidade causa o autismo Temos diferentes abordagens e estudos que convergem ou divergem nos resultados de suas pesquisas mas que vão transitando basicamente entre fatores psicológicos disfunções cerebrais e alterações de neurotransmissores fatores ambientais aspectos genéticos questões alimentares entre outros Silva Rozek 2020 p 6 Você sabia que a mudança da classificação de TGD para TEA se justifica porque nos Estados Unidos o tratamento é financiado pelo governo e todos os pormenores são elementos usados para não disponibilizar a gratuidade do tratamento ou a inclusão do sujeito em um plano de saúde O diagnóstico de autismo por exemplo para resolver o problema e propiciar o direito desses sujeitos a serem acompanhados nas clínicas e nas instituições escolares uniformizouse todos como portadores de TEA O DSM4 considerava o autismo como um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento e incluía os quadros de Transtorno de Rett Transtorno de Asperger e Transtorno Desintegrativo da Infância já não representando mais o entendimento e classificação dos autistas Fonte Bacarin 2020 30 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Independentemente da posição teórica utilizada para compreender o autismo sabese hoje que ele não constitui um quadro único mas um quadro complexo que precisa ser olhado a partir de cada sujeito levandose em conta suas possibilidades e dificuldades As crianças com necessidades especiais assim como as aves são diferentes em seus voos Mas todas são iguais em seu direito de voar Fonte A autora 2020 CONCEITO GERAL E DISFUNÇÕES DO TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO TEA 2 TÓPICO 31 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Caroa estudante para ser compreendido o TEA precisa ser muito bem estudado Segundo Silva Gaiato e Reveles 2012 o Transtorno do Espectro Autista é considerado um transtorno de neurodesenvolvimento no qual a criança tem dificuldade na comunicação social e mantém um interesse restrito e estereotipado Isso significa que se trata de uma alteração ocorrida dentro do cérebro em que as conexões entre os neurônios se dão de forma diferente ocasionando dificuldade em interagir com as outras pessoas de maneira adequada Os TEA são considerados atualmente como transtorno de desenvolvimento de causas variadas Entretanto como já estamos estudando acerca de como o TEA se apresenta legalmente constatamos que antes do conceito de autismo existiu e ainda existe em alguns documentos legais o termo Transtornos Globais do Desenvolvimento TGD Para Morais 2012 essa síndrome é entendida como uma das perturbações contínuas e gerais designadas de perturbações globais do desenvolvimento O autismo caracterizase pela existência de disfunções sociais perturbações na comunicação e no jogo imaginativo tal como por interesses e atividades restritas e repetitivas O autismo para ser considerado em termos de diagnóstico tem de ter presentes estas manifestações desde o nascimento até aproximadamente aos 36 meses de idade persistindo e evoluindo de diferentes maneiras ao longo da vida Nesse sentido quando o docente o pedagogo o especialista na educação especial ou a equipe escolar solicitarem um laudo diagnóstico em decorrência das limitações e especificidades dessas profissões geralmente a escola só consegue entender que naquele 32 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 laudo constam informações sobre uma criança com características autísticas quando se faz referência neste documento ao termo Transtornos Globais do Desenvolvimento TGD Assim sendo é preciso questionar o que especificamente significa dizer que uma criança tem TGD Ao observar a Figura 3 a seguir inferemse alguns pontos para essa problemática FIGURA 3 ALTERAÇÃO COGNITIVA NO TEA Fonte Bacarin 2020 p 13 A alteração em comunicação social no TEA apresenta ou pode apresentar os elementos listados a seguir de acordo com Silva Gaiato e Reveles 2012 Dificuldade no contato visual Dificuldade no uso de gestos e expressões faciais Dificuldades em fazer amizades e no brincar entender emoções e sentimentos relacionados ao outro Falta de interesse por coisas ou atividades que as outras crianças propõem Foco em brinquedos ou brincadeiras apenas seja do seu interesse Aproximação com os demais de uma forma artificializada robotizada ou aprendida e fracasso nas conversas interpessoais Demonstrações de pouco interesse no que outra pessoa está dizendo ou sentindo Dificuldade em iniciar ou responder a interações sociais Dificuldade de entender a linguagem não verbal das outras pessoas Dificuldade em se adaptar a diferentes situações sociais O interesse restrito e estereotipado pode aparecer de acordo com Silva Gaiato e Reveles 2012 nas seguintes situações Movimentos repetitivos ou estereotipados com objetos eou fala Preservação Cognitivoa Bom Funcionamento Asperger Baixo Funcionamento Retardo Mental 33 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Na fala repetições de trechos de filmes ou desenhos falando sozinhos numa linguagem própria sem função de interação social Insistência em rotinas rituais de comportamentos padronizados fixação em temas e interesses restritos Hiper ou Hiporreação a estímulos do ambiente como sons ou texturas Estereotipias motoras movimentos repetitivos com o corpo ou com as mãos Extrema angústia com pequenas mudanças na rotina Forte apego a objetos gastando muito tempo observando ou usando um mesmo brinquedo ou segurando o dia todo algo que caiba nas mãos Sensibilidade a barulhos cheiros texturas de objetos ou extremo interesse em luzes brilhos e determinados movimentos repetitivos Alteração na sensibilidade à dor As autoras mencionadas ressaltam que em decorrência das individualidades as crianças com TEA podem apresentar especificidades diversas quanto à alteração em comunicação social e ao interesse restrito e estereotipado Acerca dessa questão Morais 2012 observa que ao nível comportamental as características que distinguem as crianças com autismo das que sofrem de outro tipo de perturbações do desenvolvimento baseiamse sobretudo na sociabilidade no jogo na linguagem na comunicação a nível global a nível de atividade do repertório de interesses e as atitudes dos demais não assumem para elas a mesma importância que por norma assume para outras crianças Deste modo as crianças autistas representam um grande desafio para os profissionais pelas vastas características que reúnem É importante e significativo entender que o autismo é uma disfunção no desenvolvimento cerebral que tem origem na infância que persiste ao longo de toda a vida e que pode dar origem a uma grande variedade de expressões clínicas Morais 2012 p 12 Conforme estudamos até o momento o transtorno do espectro autista caracteriza se por déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos incluindo déficits na reciprocidade social em comportamentos não verbais de comunicação usados para interação social e em habilidades para desenvolver manter e compreender relacionamentos estas informações são baseadas nos dados do DSM5 Os principais sintomas que caracterizam a dificuldade de integração segundo a American Psychiatric Association 2014 são Déficits na reciprocidade socioemocional variando por exemplo de abordagem social anormal e dificuldade para estabelecer uma conversa normal a compartilhamento reduzido de interesses emoções ou afeto a dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais 34 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social variando por exemplo de comunicação verbal e não verbal pouco integrada a anormalidade no contato visual e linguagem corporal ou déficits na compreensão e uso de gestos a ausência total de expressões faciais e comunicação não verbal Déficits para desenvolver manter e compreender relacionamentos variando por exemplo de dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais diversos a dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer amigos a ausência de interesse por pares Os indivíduos com TEA apresentam um processamento perceptivo centrado nos detalhes o que determina que a exploração dos objetos não aconteça de uma forma típica sendo muitas vezes não vinculada às funções do objeto mas a seus detalhes Por exemplo Ao brincar com um carrinho a criança não faz explorando a ação do brin quedo mas desmontando enfileirando classificando por cor ou tamanho ou sem uma prévia classificação e mantendose atento às rodinhas fazendoas girar por horas sem um objetivo específico Silva Rozek 2020 p 9 A American Psychiatric Association APA 2014 traz os principais sintomas que caracterizam a gravidade baseada em prejuízos na comunicação social e em padrões de comportamento restritos e repetitivos de comportamento interesses ou atividades ATENÇÃO Os exemplos são ilustrativos e não executivos sendo eles Movimentos motores uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos p ex estereotipias motoras simples alinhar brinquedos ou girar objetos ecolalia frases idiossincráticas Insistência nas mesmas coisas adesão inflexível as rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal por exemplo sofrimento extremo em relação a pequenas mudanças dificuldades com transições padrões rígidos de pensamento rituais de saudação necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco por exemplo forte apego ou preocupação com objetos incomuns interesses excessivamente circunscritos ou perseverativos Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente por exemplo indiferença aparente a dor temperatura reação contrária a sons ou texturas específicas cheirar ou tocar objetos de forma excessiva fascinação visual por luzes ou movimento Para melhor compreensão a tabela a seguir retirada do DSM5 ilustra as gravidades citadas anteriormente 35 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 TABELA 1 NÍVEIS DE GRAVIDADE PARA TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA Fonte American Psychiatric Association 2014 p 52 Caroa acadêmicoa para ampliar o seu conhecimento entre o autismo em relação à fala linguagem e comunicação o livro intitulado Autismo fala linguagem e comunicação da autora Silvia Dias Caldas elaboram discussões sobre diferentes aspectos do autismo especialmente a relação com a comunicação Dessa forma aborda os tipos do Transtorno do Espectro do Autismo o desenvolvimento de linguagem níveis de análise da fala e cognição social A obra ainda trata de dificuldades semânticas linguagem não verbal sistemas aumentativos e alternativos de comunicação bem como questões sobre brincadeira e música Fonte Caldas 2020 As pessoas com autismo não mentem não julgam não manipulam Talvez possamos aprender alguma coisa com elas Fonte A autora 2020 CAUSAS DO TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO TEA 3 TÓPICO 36 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Caroa estudante buscaremos neste último tópico compreender algumas das prováveis causas do Transtorno do Espectro Autista TEA que é um transtorno de comportamento multifacetado de base neurológica Para a construção dessa investigação acerca das possíveis causas do TEA faremos um resgate de suas características centrais ou seja a tríade de identificação dessa síndrome que possui ramificações e camadas díspares variáveis de indivíduo São elas de acordo com a American Psychiatric Association APA 2014 31 Prejuízos na interação social Prejuízo no uso de comportamento não verbais Contato visual direto Expressão facial Gestos comunicativos Dificuldade para estabelecer relacionamentos com colegas Dificuldades para compartilhar prazer interesses ou desconforto Falta de reciprocidade socialemocional 32 Prejuízos na comunicação Atraso ou ausência da fala expressiva Dificuldade para iniciar ou manter uma conversação Uso estereotipado e repetitivo da linguagem linguagem pedante 37 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Dificuldade na compreensão na contextualização Alterações na prosódia e articulação Dificuldades para compreender metáforas Dificuldades para compreender figuras de linguagem Tendência para compreensão literal 33 Padrões restritos de comportamento interesses e atividades Preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados e restritos de interesse Maneirismos estereotipados e repetitivos Apego excessivo as rotinas Preocupação persistente com partes de objetos Resgatamos as características principais do TEA uma vez que as dificuldades encontradas pelos profissionais das mais diversas áreas para desenvolverem suas práticas e voltálas aos autistas Isso porque mesmo com a presença desses sintomas em todos os diagnósticos clínicos neurológicos e multidisciplinares cada indivíduo ou no jargão médico cada quadro clínico apresenta variáveis graus de gravidade Existe uma vasta bibliografia sobre as várias teorias que procuram explicar o problema da etiologia ou a causa do quadro clínico do autismo no entanto serão elencadas aqui as hipóteses que se mostraram mais relevantes em relação à importância das investigações bem como aos avanços que proporcionaram no contexto da American Psychiatric Association APA 2014 são elas Teoria psicológica Teoria cognitiva Fatores biológicos evidentes gêmeos história familiar e síndromes Ausência de marcador biológico Diagnóstico clínico Dessa forma apresentaremos no quadro a seguir um esboço sobre as principais teorias 38 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 QUADRO 1 AS PRINCIPAIS TEORIAS DA CAUSA DO TEA Teoria psicológica Durante muito tempo a abordagem predominante foi a psicológica Muitos teóricos defendiam a hipótese de que o autismo seria o resultado de progenitoras ou mães frias Essa teoria foi combatida e superada em seus fundamentos não sendo mais referência para o debate Teoria cognitiva Essa teoria aborda os distúrbios na formação e cognição cerebral os quais se acredita estarem associados a um quadro específico É uma das teorias mais aceitas na comunidade acadêmica que estuda o Transtorno do Espectro Autista TEA uma vez que as evidências de pesquisas nacionais e internacionais têm demonstrado em um processo contínuo de amadurecimento científico a relação entre esses distúrbios e o autismo Fatores biológicos evidentes É consenso entre a comunidade acadêmica que os fatores biológicos são muito presentes em crianças com TEA Citamse os casos de autismo em gêmeos e os casos de mulheres que gestaram uma criança autista e na segunda gravidez geraram outra criança também autista ou seja o histórico familiar é considerável pois aumenta o risco de nascimentos de crianças com TEA As síndromes também são probabilidades visto que uma criança com uma síndrome apresenta alteração neurológica e que existe uma grande associação entre síndromes e comportamentos autísticos Ausência de marcador biológico Biomarcadores ou marcadores biológicos são entidades que podem ser medidas experimentalmente e indicam a ocorrência de determinada função normal ou patológica de um organismo ou uma resposta a um agente farmacológico A falta de um exame de sangue uma tomografia ou um eletroencefalograma por exemplo que demonstra que a pessoa tem TEA faz com que o diagnóstico se paute na observação clínica Diagnóstico clínico No âmbito do raciocínio clínico do especialista que avalia a criança a investigação deverá ser realizada com base nas teorias anteriormente citadas ou melhor tomando os elementos contidos nas tendências hipotéticas anteriores que dentro da gama de indícios elementos e linhas de possibilidades mantiveramse como pressuposto ou como base para que a tendência hipotética que usamos hoje caminhe em direção a uma hipótese científica podendo elevar a possibilidade de acerto quanto às especificidades de cada caso Fonte Bacarin 2020 39 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Nos últimos 60 anos de produções e estudos sobre as possíveis causas do autismo criaram uma rotina em que várias teorias foram aparecendo e posteriormente dando espaço a outras teorias sendo as cinco listadas anteriormente as mais significativas Sobre o TEA a causa do autismo permanece desconhecida entretanto existe um conjunto de elementos a se considerar sendo elas evidências científicas pesquisas nas mais diversas áreas evidências em neuroimagens e neurocomportamento avaliações neuropsicológicas Pesquisadores ao analisarem os elementos e evidências citados anteriormente inferiram que até o presente momento o problema do TEA é neurobiológico Nesse sentido o TEA não é um problema emocional ele é gerado por alterações na biologia do cérebro Contudo a causa dessa alteração é desconhecida bem como o que desencadeia esse processo Bacarin 2020 O que se sabe é que alguns fatores do ambiente podem ter relação causal a saber sendo prematuridade intercorrências como anoxia neonatal problemas relacionados ao nascimento da criança alguns distúrbios metabólicos Bacarin 2020 Todavia apesar dos fatores ambientais mais precisos não se sabe qual é a causa principal e no geral não se sabe qual é o gatilho que desencadeia o transtorno No entanto existem alguns fatores de risco que estão relacionados ao aparecimento de uma criança autista em uma família Isto é quando se deve suspeitar que uma família corre risco maior de ter um filho autista Basicamente quando já existe uma criança TEA e em prematuros Caroa estudante para finalizarmos e não deixar de expor todas as teorias que envolvem a discussão das causas do TEA apresentaremos a teoria da mente Como vimos as causas não são corretas uma das teorias mais aceitas no domínio científico associa os múltiplos fatores mais prováveis a uma alteração nos processos de ativação e desativação controlados por genes de determinadas regiões cerebrais associadas à linguagem à cognição social e à criatividade Isso confirma as narrativas apresentadas no Quadro 1 que relacionam o TEA a um distúrbio na formação e na cognição cerebral isto é desvio no desenvolvimento do cérebro em decorrência de uma combinação de fatores genéticos e ambientais nem todos conhecidos conforme figura a seguir 40 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 FIGURA 4 AUTISMO POSSÍVEL ORIGEM DO PROBLEMA Fonte Bacarin 2020 p 71 Para uma corrente de pesquisadores o conjunto desses fatores ainda muito imprecisos dificulta o desenvolvimento de habilidades de compreensão e dedução da gama de estados mentais imaginativos e emocionais de crenças desejos e intenções A essa hipótese se denomina Teoria da Mente Theory of Mind TM Bacarin 2020 Silva Gaiato e Reveles 2012 p 84 observam que o ser humano desenvolveu ao longo de sua existência habilidades de comunicação e de linguagem tão sofisticadas que aprendeu a se relacionar de maneira muito complexa Às vezes a comunicação é tão rica que nem é preciso falar para se fazer entender Caroa estudante para compreender melhor essa colocação o exemplo irá auxiliar na compreensão se estamos em uma conversa e o interlocutor começa a bocejar podemos ter a sensação de que nosso papo está desagradável ou cansativo e tendemos naturalmente a mudar o rumo da conversa Ou ainda quando uma pessoa faz uma brincadeira irônica percebemos que por trás da sua fala existe um deboche a pessoa não falou mas passou a mensagem através do seu jeito de falar da entonação da voz e da expressão facial Já o autista tem dificuldades de perceber estados mentais o que faz com que avaliem de forma equivocada uma série de situações sociais ou ainda simplesmente não conseguem entendêlas As pessoas com autismo levam mais tempo para aprender o significado de certas atitudes e demoram para interagir já que não compreendem as sensações e emoções dos outros Por exemplo podem falar por horas e horas sobre o mesmo tema sem perceber que o interlocutor está entediado A dificuldade do autista em mentir ou enganar também está relacionada à teoria da mente ele não consegue imaginar que a outra pessoa esteja pensando de forma diferente dele Silva Gaiato Reveles 2012 Assim sendo enquanto pessoas neurotípicas é um neologismo amplamente utilizado na comunidade autística como um rótulo para pessoas que não estão no espectro do autismo têm uma capacidade inerente à sua espécie de entender estados psíquicos e 41 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 perceber intencionalidades da outra pessoa Figura 5 o indivíduo TEA não possui essa capacidade Bacarin 2020 FIGURA 5 COMPREENSÃO DE ESTADOS PSÍQUICOS E INTENCIONALIDADES Fonte Bacarin 2020 p 72 Caroa estudante um dos erros recorrentes no processo de análise de uma possível criança com TEA acontece na fase de investigação quando ao serem levantadas as possíveis incidências o grupo de profissionais ou o diagnóstico clínico foca sua busca em encontrar associações Para isso a importância de uma avaliação multidisciplinar como pedagogo psicopedagogo profissional da área da educação especial fonoaudiólogo entre outros reúnem informações para o médico no qual tenha elementos para fazer o diagnóstico Em resumo o diagnóstico depende da avaliação multidisciplinar e da família com relatórios detalhados da instituição escolar fotos e vídeos da família bem como a importância do DSM é que o manual ajuda a padronizar o que se deve comparar Você caroa acadêmicoa sabia que o Manual da Classificação Internacional da Organização Mundial de Saúde OMS é um importante manual pois está no fato de apresentar a classificação das tipificações das síndromes e como compreendêlas Fonte A autora 2020 A vida é como um quebracabeças Deveríamos parar de tentar encaixar as pessoas onde elas não cabem Fonte Autor desconhecido 42 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Caroa acadêmicoa Finalizamos a Unidade II da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento No primeiro momento contextualizamos os fundamentos conceituais teóricos e a perspectiva histórica do autismo no século XX no entanto independentemente da posição teórica utilizada para compreender o autismo sabese hoje que ele não constitui um quadro único mas um quadro complexo que precisa ser olhado a partir de cada sujeito levandose em conta suas possibilidades e dificuldades No segundo momento estudamos o conceito geral e disfunções do transtorno do espectro autista TEA no qual constatamos que antes do conceito de autismo existiu e ainda existe em alguns documentos legais o termo Transtornos Globais do Desenvolvimento TGD em relação às disfunções a criança tem dificuldade na comunicação social e mantém um interesse restrito e estereotipado isto descrito nos documentos legais como CID e DSM No terceiro momento conhecemos as causas do transtorno do espectro autista TEA em que compreendemos que a causa do autismo permanece desconhecida entretanto existe um conjunto de elementos a se considerar sendo elas evidências científicas pesquisas nas mais diversas áreas evidências em neuroimagens e neurocomportamento avaliações neuropsicológicas Para aprofundar seus conhecimentos não deixe de consultar as referências CONSIDERAÇÕES FINAIS 43 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 Leitura complementar apresentase como um guia para se desenvolver processos investigativos de caráter institucional na verificação de uma possível criança que tenha TEA FORTIN Marie Fabienne O processo de investigação da concepção à realização Loures Lusociência 1999 Sinopse A obra Processo de investigação da concepção à realização cuja autora principal é MarieFabienne Fortin Professora Jubilada da Faculdade de Ciências de Enfermagem da Universidade de Montreal titular da área da investigação científica naquela faculdade é sem dúvida uma obra de cariz didático útil para professores estudantes e todos os que se interessem pelo processo científico Ao longo dos 23 capítulos do manual são desenvolvidas as bases teóricas inerentes ao processo de investigação As principais orientações metodológicas específicas dos vários tipos de estudos tanto quantitativos como qualitativos são ilustradas com exemplos de estudos realizados por outros autores permitindo com base nelas conduzir um trabalho de investigação desde a sua concepção até à publicação dos resultados Os leitores encontrarão ainda ajuda para fazer uma autoavaliação crítica dos estudos que venham a realizar A organização dos conteúdos em torno de objetivos pedagógicos específicos por capítulo a própria estrutura dos capítulos em que após uma breve introdução os conteúdos se desenvolvem por seções e temas dos mais genéricos aos mais específicos terminando com o resumo dos aspectos tratados as ideias expostas ilustradas com exemplos de estudos de investigação e figuras esquemáticas sintetizadas em quadros e creditadas com a citação de autores peritos no assunto cujas referências bibliográficas fecham o capítulo são algumas das características que não só facilitam a compreensão dos conteúdos como a consulta da obra Recomendado a estudantes e a todos quantos se iniciam na realização de investigação LEITURA COMPLEMENTAR 44 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA CONCEITOS INICIAIS E DISFUNÇÃO DO TEA UNIDADE 2 MATERIAL COMPLEMENTAR FILMEVÍDEO Título Temple Grandin Ano 2010 Sinopse Jovem autista luta para ter uma vida normal Incentivada pelo professor ela chega à universidade e usa sua sensibilidade e habilidade com os animais para criar uma técnica que revoluciona a indústria agropecuária dos Estados Unidos FILMEVÍDEO Título Diário de um Autista Ano 2015 Sinopse Dê o primeiro passo para a autonomia do autista e inscrevase no canal LIVRO Título Autismo infantil novas tendências e perspectivas Autor Francisco Baptista Assumpção Junior Evelyn Kczynski Editora Atheneu Ano 2015 Sinopse Autismo Infantil Novas Tendências e Perspectivas ora em sua segunda edição tem sua origem acadêmica no Laboratório de Distúrbios do Desenvolvimento do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo Seu objetivo é a realização de pesquisas diagnósticas e terapêuticas dos Transtornos de Habilidades Escolares Transtornos de Linguagem e Fala Transtornos Específicos do Desenvolvimento e outros Plano de Estudos Método TEACCH Pecs Sistema de Comunicação por Troca de Figuras ABA Análise Aplicada do Comportamento Outras técnicas de apoio educacional Objetivos da Aprendizagem Conhecer o Método TEACCH Tratamento e Educação de Criança Autistas e com Desvantagens na Comunicação Aprender sobre o PECs Sistema de Comunicação por Troca de Figuras Entender sobre a ABA Análise Aplicada do Comportamento Consultar outras técnicas de apoio educacional Professora Me Fabiane Fantacholi Guimarães MÉTODOS MÉTODOS EDUCACIONAIS DE EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA ALUNO COM TGDTEA UNIDADE3UNIDADE 46 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 INTRODUÇÃO Caroa acadêmicoa Seja bemvindoa à Unidade III intitulada Métodos Educacionais de Intervenção e apoio a inclusão do aluno com TGDTEA da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento do curso de Graduação em Educação Especial No primeiro momento conhecer o Método Tratamento e Educação de Criança Autistas e com Desvantagens na Comunicação TEACCH no qual este método de tratamento e educação é um dos mais importantes métodos de tratamento educacional para crianças com autismo e distúrbios correlatos de comunicação No segundo momento aprender sobre o PECs Sistema de Comunicação por Troca de Figuras no qual se trata de um procedimento para o processo de ensino e aprendizagem de pessoas com distúrbios de comunicação muito utilizado também com pessoas com TEA que estimula a funcionalidade da comunicação por intermédio da troca de figuras No terceiro momento entender sobre a Análise Aplicada do Comportamento ABA em que seu método se refere à intervenção e ao ensino de aptidões necessárias para viver em uma sociedade bem como é responsável por aplicar princípios comportamentais a situações sociais realmente relevantes No quarto momento consultar outras técnicas de apoio educacional algumas das possibilidades de apoio educacional que são usualmente utilizadas para o processo de aprendizagem da criança com TEA apenas para dar uma ideia a pais e profissionais Espero que estes textos colaborem para a sua melhor compreensão sobre o tema de nossa terceira unidade Boa leitura MÉTODO TEACCH 1 TÓPICO 47 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Um dos mais importantes métodos de tratamento educacional para a pessoa com TEA é conhecido como método TEACCH Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children traduzido Tratamento e Educação de Criança Autistas e com Desvantagens na Comunicação Ele constituise em um método de tratamento e educação para crianças com autismo e distúrbios correlatos de comunicação Segundo as autoras Marques e Mello 2005 o objetivo máximo do TEACCH é apoiar o autismo em seu desenvolvimento para ajudálo a conseguir chegar à idade adulta com o máximo de autonomia possível Isto inclui ajudálo a compreender o mundo que o cerca através da aquisição de habilidades de comunicação que lhe permitam relacionarse com outras pessoas oferecendolhes até onde for possível condições de escolher de acordo com suas próprias necessidades Marques Mello 2005 p145 Sendo que a meta fundamental é o desenvolvimento da comunicação e da independência e o meio principal para isto é a educação Assim a avaliação é a ferramenta para a seleção de estratégias que deverão ser estabelecidas individualmente Os primeiros estudos que originaram o método remontam à década de 1960 através do estudioso psicólogo americano Eric Schopler sendo uma abordagem psicanalítica no qual surgiu no desenvolvimento de um projeto de investigação no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Carolina do Norte nos Estados Unidos Um grupo de profissionais da área da saúde mental atendia às crianças com TEA em uma visão psicanalítica e oferecia terapia para elas e seus pais Nesse período acreditavase que 48 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 havia uma forte influência dos pais que em parte eram considerados responsáveis pelo quadro de autismo dos seus filhos Defendi 2016 Com o avanço das pesquisas científicas essa ideia foi abandonada e novos elementos foram considerados para o tratamento das pessoas com TEA o que ampliou a visão e colaborou para mudanças no método TEACCH para enfatizar a importância do processo educacional a essas pessoas Defendi 2016 O TEACCH ao contrário de métodos comportamentais não ataca os problemas de comportamento diretamente mas tenta analisar e eliminar as suas causas Isso não quer dizer que técnicas de modificação de conduta sejam completamente eliminadas do método mas que elas são utilizadas em situações de risco nos casos em que as medidas tomadas de acordo com o critério anteriormente descrito não tenham sido eficazes Marques Mello 2005 Em suma o método TEACCH tem como foco promover competências adaptativas que são necessárias para desenvolver uma vida mais independente buscando modificar o ambiente para que se adapte às necessidades das crianças com TEA O TEACCH é um modelo de intervenção chamado generalista e transdisciplinar que respeita às características do indivíduo adaptandose a elas Assim todos aqueles que participam do processo educativo são envolvidos diminuindo as dificuldades a um nível da linguagem receptiva aumentando as possibilidades de comunicação e permitindo a diversidade de contextos Tem por objetivo facilitar a aprendizagem partindo do arranjo ambiental Um ensino estruturado que tem como alternativa promover a adaptação de cada indivíduo dando e recebendo o apoio não só dos terapeutas como também dos pais que se tornam coterapeutas Simão 2020 O TEACCH baseiase na organização do ambiente e das tarefas a serem desempenhadas pela criança para facilitar que ela compreenda as expectativas que se tem acerca do seu desempenho escolar e para desenvolver sua independência Desse modo a intervenção do professor tornase necessária apenas para a aprendizagem de novas atividades Defendi 2016 O método TEACCH também prioriza a organização de sala de aula em outras cinco áreas diferentes sendo elas Simão 2020 p 54 Acolher o planejamento das atividades é muito importante já que a criança com TEA têm dificuldades em lidar com alterações de rotina Aprender o treino individualizado de competências em cada uma das áreas Brincar o estímulo de questões psicomotoras e relaxantes Computador destinado ao trabalho e à produção individual de acordo com o plano diário 49 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Por meio de uma avaliação denominada Perfil Psicoeducacional Revisado PEPR é possível identificar os pontos fortes e de maior interesse da criança bem como suas dificuldades de modo que se possa elaborar um programa educacional adequado à sua realidade O PEPR foi desenvolvido para se obter o coeficiente de desenvolvimento das crianças com TEA expresso por um número a exemplo dos testes de inteligência Tendo como meta a acuidade da avaliação o PEPR utiliza um sistema de comunicação essencialmente visual em razão da dificuldade de compreensão característica das crianças com TEA Defendi 2016 O PEPR avalia o nível de desenvolvimento em sete áreas de desenvolvimento sendo imitação performance cognitiva cognitiva verbal coordenação olhomão coordenação motora grossa coordenação motora fina e percepção O PEPR também fornece o coeficiente de desenvolvimento geral e uma avaliação dos problemas de comportamento Brasil 2004 p 25 O método TEACCH considera que a criança com TEA desenvolve uma cultura própria Nesse caso o professor atuaria como um intérprete conectando duas culturas diferentes FIGURA 1 MATERIAL DE APOIO MÉTODO TEACCH Fonte Apoio Autista 2019 Você sabia caroa acadêmicoa que no Brasil o TEACCH é muito disseminado pelas professoras Maria Elisa Granchi Fonseca e Viviane Costa de Leon habilitadas a dar formações e treinamentos no país Fonte A autora 50 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 FIGURA 2 MATERIAL DE APOIO MÉTODO TEACCH Fonte Mara 2015 As principais áreas do atendimento educacional das pessoas com TEA segundo o método TEACCH são envolvimento dos pais avaliação de ensino estruturado manejo de comportamento habilidades de comunicação habilidades sociais e de lazer e treinamento prévocacional e de independência Defendi 2016 p 27 Caroa acadêmicoa para conhecer de maneira mais profunda esse método de trabalho com pessoas com TEA sugerimos a leitura do seguinte artigo Linkhttpssapientiaualgptbitstream10400178741A20importc3a2nia20do20Mc3a 9todo20TEACCH20na20inclusc3a3o20de20uma20crianc3a7a20autistapdf PECS SISTEMA DE COMUNICAÇÃO POR TROCA DE FIGURAS 2 TÓPICO 51 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 PECs Picture Exchange Communication System traduzido Sistema de Comunicação por Troca de Figuras desenvolvido nos EUA por Andy Bondy e Lori Frost tratase de um procedimento para o processo de ensino e aprendizagem de pessoas com distúrbios de comunicação muito utilizado também com pessoas com TEA que estimula a funcionalidade da comunicação por intermédio da troca de figuras PECs é considerado como modelo alternativo e aumentativo da comunicação em que o indivíduo aprende a se comunicar utilizando a troca de figuras É um modelo que proporciona muitos progressos nas habilidades de comunicação apresentando maior independência e redução dos comportamentos inadequados e buscando uma melhoria na abordagem social e interação com os demais Simão 2020 O objetivo do sistema PECs é ensinar o indivíduo a comunicarse através de troca de figuras Mais especificamente aproximarse de outro indivíduo e oferecerlhe a figura de um item na tentativa de obter tal item Miguel BragaKenyon Kenyon 2005 p 178 Assim por meio deste sistema é possível ensinar a criança diagnosticada com autismo ou outros transtornos de desenvolvimento a expressar aquilo que ela deseja de uma forma espontânea e em um contexto social por meio da interação com outro indivíduo O treino com o PECs se dá em seis fases e deve ser feita após uma boa avaliação do nível de comunicação da pessoa por um fonoaudiólogo especializado profissional habilitado para identificar diagnosticas e tratar indivíduos com distúrbios da comunicação oral e escrita e com a participação de todos os envolvidos na sua vida as fases são Bondy Frost 1994 01 Fazer pedidos através da troca de figuras pelos itens desejados 02 Ir até a tábua de comunicação apanhar uma figura ir a um adulto e entregá la em sua mão 52 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 03 Discriminar entre as figuras 04 Solicitar itens utilizando várias palavras em frases simples fixadas na tábua de comunicação 05 Responder à pergunta O que você quer 06 Emitir comentários espontâneos Com o PECs o indivíduo adquire o comportamento verbal não vocal isto é aprende a se comunicar funcionalmente emitindo respostas através de consequências mediadas por outra pessoa e por meio de figuras fazendo a troca de imagens pelos objetos de interesse ou por algum outro reforçador generalizado Bondy 2001 O treino do PECs inicialmente ensina o indivíduo a pedir algo que lhe interessa pode ser um objeto ou até mesmo uma situação um intervalo ir ao banheiro ir para casa etc O sujeito aprende a dar uma figura para outra pessoa representação de um objeto ou de uma situação que por sua vez lhe entregará o que foi pedido Indivíduos nessa fase do treino aprendem rapidamente novos comportamentos pois são imediatamente reforçados pelas consequências de suas respostas Bondy 2001 O PECs tem sido bem aceito em vários lugares do mundo pois não demanda materiais complexos ou caros é relativamente fácil de aprender pode ser aplicado em qualquer lugar e quando bem aplicado apresenta resultados inquestionáveis na comunicação através de cartões em crianças que não falam e na organização da linguagem verbal em crianças que falam mas que precisam organizar esta linguagem Mello 2007 FIGURA 3 EXEMPLOS DE PECS 53 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Fonte Vieira 2019 FIGURA 4 EXEMPLO DE PECS Fonte Autismo em dia 2020 FIGURA 5 EXEMPLO DE PECS Fontes Pyramid Educational Consultants 2019 54 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades lembraivos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível Charles Chaplin ABA ANÁLISE APLICADA DO COMPORTAMENTO 3 TÓPICO 55 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 ABA Applied Behavior Analysis traduzido Análise do Comportamento Aplicada é um método que se refere à intervenção e ao ensino de aptidões necessárias para viver em uma sociedade Ela é responsável por aplicar princípios comportamentais a situações sociais realmente relevantes ABA é um termo do campo científico do behaviorismo que observa analisa e explica a associação entre o ambiente o comportamento humano e a aprendizagem Tavares 2020 A aplicação da ABA demonstrou sua eficácia no que concerne à utilização em diferentes meios como escola empresas e situações diferenciadas Depois ela foi empregada com diversos tipos de indivíduos como as crianças típicas e as que apresentavam comportamento atípico bem como adolescentes jovens adultos e idosos com e sem doenças crônicas Tavares 2020 ABA é empregada com diferentes públicos no caso do autista sugerese que o início do tratamento seja prioritariamente utilizado em crianças pequenas uma vez que o cérebro desses indivíduos está mais aberto a receber as informações e a modificar comportamentos devido à ação da neuroplasticidade entre os neurônios Tavares 2020 ABA tem sido aplicada na área de saúde a psicologia a terapia ocupacional e fonoaudiologia etc e na educação Essa é a maior abordagem de tratamento empregada em autistas Os profissionais que aplicam essa abordagem precisam conhecer os princípios básicos e ficar atentos para na aplicação avaliar a eficácia das intervenções pensadas para cada indivíduo Tavares 2020 p 53 Dessa forma é possível observar se atingiram os resultados esperados Alguns princípios são essenciais para que a dinâmica da ABA dê certo e é preciso saber que princípios são esses A seguir caroa acadêmicoa estão elencados pontos 56 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 sugeridos por Brites e Brites 2019 que correspondem a atitudes que devem ser pensadas quando se trata da aplicação da ABA Deve ser aplicada por profissionais capacitados e qualquer pessoa pode receber treinamento para cumprir essa função Os profissionais que trabalham com crianças nas áreas de saúde e educação devem conhecer e se capacitar na ABA Os pais devem saber sobre a ABA e manter nos diferentes ambientes que frequenta as ações orientadas pela clínica As ações devem ser integradas entre a clínica e a escola para que funcionem em consonância com a proposta Diante de tais recomendações dos autores supracitados podese afirmar que todos os envolvidos no trabalho devem conhecer a aplicação da mesma forma que a ABA para que realmente tenha resultados Caso um dos eixos falhe a criança irá perceber essa brecha e o comportamento não será modelado adequadamente Para colaborar com a implementação do programa primeiramente é necessário observar o comportamento da criança em situações ambientais e diante de seus familiares ou então no âmbito escolar Nesse processo identificamse situações negativas e positivas e descrevemse as reações da criança nesse contexto Delineiamse a partir daí estratégias sequenciais de respostas que a criança poderia ter com o uso de motivações e reforços positivos Brites Brites 2019 p 110 Dessa forma esperase a modelagem adequada dos padrões de comportamento que tende a acontecer mais rápido caso a criança seja mais nova Para que a aplicação da ABA ocorra da melhor forma possível é necessário que alguns pontos sejam trabalhados e vistos como parte do processo de aprendizagem Para isso destacamos alguns pontos sendo eles Tavares 2020 Torne o ambiente de aprendizagem reforçador Prepare o ambiente de aprendizagem Combine e varie demandas de ensino Intercale tarefas fáceis e difíceis Aumente gradualmente o número de demandas Agilize o ritmo de instrução Ensine fluência das habilidades Cartões de dicas para professores Contato visual Técnicas comportamentais usadas em ABA Exemplo de currículo espaço de trabalho e aulas Diante de tais dicas caroa estudante é imprescindível alinhar os procedimentos com os demais terapeutas Objetivase modificar o comportamento conforme o padrão 57 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 para que o aprendizado seja generalizado Dessa forma o sujeito pode aplicar aquilo que aprendeu em diferentes contextos e colher os benefícios gerados pela adequação comportamental Nesse processo podemse adotar modelos de observação verbal do comportamento e uma descrição detalhada de pequenos atos por tentativas discretas empreendidas entre terapeuta e cliente Brites Brites 2019 p 112 Essa abordagem possibilita que o sujeito possa identificar as relações comportamentais que precisam ser alteradas e buscar definir os procedimentos de modo completo preciso e sistemático a fim de construir um padrão que possa ser replicado pelos terapeutas e pelos pais Brites Brites 2019 p 111 Assim o processo terapêutico é aplicado e vivenciado em diferentes contextos modelando funcionalmente o comportamento do autista e todos os envolvidos podem colher os frutos dessa proposta Caroa acadêmicoa para saber mais sobre o ABA sugerimos a leitura do Manual de Treinamento em ABA Ajudenos a aprender de Kathy Lear O material foi traduzido em 2006 pelo Grupo de tradutores da Comunidade Virtual Autismo no Brasil Fonte httpwwwautismopsicologiaecienciacombrwpcontentuploads201207Autismoajude nosaaprenderpdf Que é necessário sair da ilha para ver a ilha que não nos vemos se não nos saímos de nós se não saímos de nós próprios José Saramago Somos todas ilhas desconhecidas OUTRAS TÉCNICAS DE APOIO EDUCACIONAL 4 TÓPICO 58 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Citaremos algumas das técnicas mais conhecidas que têm sido aplicadas em crianças com autismo Algumas foram especialmente desenvolvidas para elas outras foram desenvolvidas inicialmente para tratar outras patologias Todas elas já vêm sendo aplicadas há algum tempo a maioria há mais de dez anos e todas se iniciaram como grandes promessas para pais mais apressados O tempo mostrou que elas não são milagrosas Contudo algumas delas se aplicadas conscientemente da forma como foram concebidas ou com adaptações a estilos e culturas podem ser um excelente complemento ao tratamento educacional Várias instituições em todo o mundo vêm combinando uma série de técnicas como complemento ao trabalho educacional de base e vêm colhendo cada vez mais resultados na reabilitação de crianças com autismo principalmente as que começaram cedo o tratamento através do empenho na formação de seus técnicos no envolvimento dos pais e na construção de uma atitude de trabalho positiva A seguir descrevemos resumidamente algumas das possibilidades de apoio educacional que são usualmente utilizadas para o processo de aprendizagem da criança com TEA apenas para dar uma ideia a pais e profissionais citados por Mello 2007 59 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 41 Comunicação Facilitada Facilitated Communication FC FIGURA 6 COMUNICAÇÃO FACILITADA FACILITATED COMMUNICATION FC Fonte httpswwwhighspeedtrainingcoukhubfacilitatedcommunicationcontroversy A Comunicação Facilitada foi um meio facilitador da comunicação desenvolvido em Melbourne Austrália inicialmente para pessoas portadoras de paralisia cerebral e mais tarde adotado também para pessoas com autismo Podemos resumila ao uso de um teclado de máquina de escrever ou computador no qual uma pessoa que tem autismo transmite seus pensamentos com a ajuda do facilitador que lhe oferece o necessário suporte físico Inicialmente era a realização do sonho de muitos pais e profissionais que acreditavam que crianças com autismo pensavam muito mais do que conseguiam transmitir por meios convencionais e com este novo recurso passariam a manifestar o real conteúdo de seus pensamentos Mais tarde começouse a questionar seriamente se a opinião emitida era a do assistido ou a do facilitador principalmente pela constância de graves denúncias feitas por pessoas com autismo através deste meio cuja veracidade na grande maioria dos casos era de impossível constatação Em 1995 o maior jornal da Associação Americana de Psicologia The American Psychologist na página 750 do número 50 publicou um artigo de John Jacobson de título História da Comunicação Facilitada Ciência Pseudociência e Anticiência Nesse artigo Jacobson menciona pesquisas sérias e conclusivas que provaram que não só as pessoas que têm autismo não têm capacidade para expressar tudo aquilo que se supunha que expressavam através da FC como também os facilitadores ainda que inconscientemente influenciavam o conteúdo da mensagem comunicada 60 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 FIGURA 7 O USO DA TECNOLOGIA O COMPUTADOR Fonte Shutterstock O uso do computador como apoio a crianças portadoras de autismo é relativamente recente em comparação às outras intervenções citadas Existem poucas informações disponíveis mesmo na internet sobre a utilização do computador como apoio ao desenvolvimento destas crianças Algumas crianças ignoram o computador enquanto outras se fixam em determinadas imagens ou sons sendo muitas vezes difícil decifrar o que tanto as atrai A Associação de Amigos do Autista AMA de São Paulo desenvolveu uma técnica que teve resultados muito interessantes Consiste na utilização do computador como apoio ao aprendizado da escrita em crianças que já haviam adquirido a leitura e por dificuldades na coordenação motora fina ou por desinteresse não conseguiam adquirir a escrita através dos métodos tradicionais de ensino O programa utilizado não era nenhum programa especialmente desenvolvido para isso mas sim um programa de desenho comum como o Paint Brush ou Paint A sistemática muito simples apresentou resultados positivos comprovados em pelo menos três crianças que apresentavam uma resistência muito grande ao aprendizado da escrita e com as quais haviam sido tentadas diversas técnicas de ensino sem sucesso durante pelo menos um ano Iniciase com traços simples e sessões muito curtas com apoio sempre que necessário O trabalho vai evoluindo em tempo e complexidade à medida que a criança vai conseguindo movimentar o mouse da forma esperada e sem apoio Depois de algum tempo é introduzido o quadro negro e depois o lápis e o papel 61 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 É muito importante limitar o espaço disponível para desenho ou escrita No início esse espaço é maior e vai diminuindo à medida que a criança vai desenvolvendo a habilidade 42 Treinamento de Integração Auditiva Auditory Integration Training FIGURA 8 TREINAMENTO DE INTEGRAÇÃO AUDITIVA Fonte Shutterstock A Integração Auditiva foi desenvolvida inicialmente nos anos 60 pelo otorrinolaringologista francês Guy Berard A ideia inicial é que algumas das características do autismo seria resultado de uma disfunção sensorial e poderiam envolver uma sensibilidade anormal a determinadas frequências de som Na AIT a criança ou adulto ouve música através de fones de ouvido com algumas frequências de som eliminadas através de filtros durante dois períodos de meia hora por noite durante dez dias Segundo Berard esse tratamento ajudaria a pessoa a adaptarse a sons intensos Há muitos depoimentos de sucesso da AIT prestado por pais eou responsáveis mas um número ainda maior de pais diz não ter obtido nada deste tratamento Um dos problemas para se avaliar o quanto a AIT pode ajudar uma criança com autismo é que raramente essa técnica é a única interferência a que a criança é exposta Em geral ela é aplicadaacompanhada de outros tratamentos ou terapias o que tem dificultado um estudo mais apurado sobre AIT fazendose considerar a necessidade de estudos mais aprofundados 62 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Atualmente existem algumas linhas de pesquisa sendo desenvolvidas nessa área Alguns autores acreditam na eficácia da AIT embora outros não a considerem melhor que a aplicação de um programa estruturado de músicas não alteradas abrangendo uma grande escala e variedade de frequências 43 SI Integração Sensorial Sensitory Integration FIGURA 9 SI INTEGRAÇÃO SENSORIAL Fonte Shutterstock A Integração Sensorial pode ser considerada como uma intervenção semelhante à Integração Auditiva mas com atuação em outra área Nos Estados Unidos é muito aplicada por terapeutas ocupacionais e por fonoaudiólogos embora outros terapeutas também a apliquem Muito resumidamente é uma técnica que visa integrar as informações que chegam ao corpo da criança através de brincadeiras que envolvem movimentos equilíbrio e sensações táteis são utilizados toques massagens vibradores e alguns equipamentos como balanços gangorras trampolins escorregadores túneis cadeiras que giram bolas terapêuticas grandes brinquedos argila e outros O terapeuta trabalha no sentido de ensinar a criança através de brincadeiras a compreender e organizar as sensações 63 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 44 Movimentos Sherborne Relation Play FIGURA 10 MOVIMENTOS SHERBORNE RELATION PLAY Fonte Shutterstock Esse é um método que vem sendo aplicado em alguns países principalmente na Europa tanto por fisioterapeutas como por professores de educação física Esse método foi idealizado por Veronica Sherborne uma professora de educação física nascida na Inglaterra que acreditava que poderia beneficiar qualquer tipo de criança com a técnica inclusive crianças com problemas de desenvolvimento Verônica Sherborne tomou como base o trabalho do dançarino e coreógrafo húngaro Rudolf Laban que acreditava que a utilização do movimento é uma ferramenta para todas as atividades humanas e que é por meio do movimento que o ser humano relaciona o seu eu interno com o mundo que o cerca O método visa desenvolver o autoconhecimento da criança através da consciência de seu corpo e do espaço que a cerca pelo ensino do movimento consciente Nem todas as crianças alcançam esses objetivos mas podemos dizer como fruto de nossa própria experiência que a utilização dessa técnica possibilita uma interação muito agradável entre os pais responsáveis e familiares com as crianças que têm autismo o que nem sempre é muito fácil de se conseguir e faz desta técnica um valioso recurso O Autismo é um espectro com habilidades e limitações mas se o foco for as limitações nunca enxergaremos as possibilidades Abra a sua mente Gretchen Stipp 64 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Caroa acadêmicoa Finalizamos a Unidade III da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento No primeiro momento conhecemos o Método TEACCH um método de tratamento e educação que é um dos mais importantes no tratamento educacional para crianças com autismo e distúrbios correlatos de comunicação No segundo momento aprendemos sobre o PECs que se trata de um procedimento para o processo de ensino e aprendizagem de pessoas com distúrbios de comunicação muito utilizado também com pessoas com TEA que estimula a funcionalidade da comunicação por intermédio da troca de figuras No terceiro momento entendemos sobre a ABA Esse método referese à intervenção e ao ensino de aptidões necessárias para viver em uma sociedade bem como é responsável por aplicar princípios comportamentais a situações sociais realmente relevantes No quarto momento consultamos outras técnicas de apoio educacional são técnicas mais conhecidas que têm sido aplicadas em crianças com autismo Algumas foram especialmente desenvolvidas para elas outras foram desenvolvidas inicialmente para tratar outras patologias Para aprofundar seus conhecimentos não deixe de consultar as referências CONSIDERAÇÕES FINAIS 65 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 Leitura complementar traz exemplos de atividades aplicadas pelos pais para ensinar leituras para seus filhos com TEA Link de acesso ao material completo httpswwwscielobrpdfpeev232175 3539pee23e185073pdf LEITURA COMPLEMENTAR 66 MÉTODOS EDUCACIONAIS DE INTERVENÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DO ALUNO COM TGDTEA UNIDADE 3 MATERIAL COMPLEMENTAR FILMEVÍDEO Título Sonrise meu filho meu mundo Ano 1979 Sinopse O filme conta a história da criação do programa Son Rise para tratamento de crianças com autismo uma terapia criada por pais leigos e que tem obtido grande sucesso até os dias atuais Raun Kaufman é a primeira criança a ser tratada pelo método Link do vídeo httpswwwyoutubecomwatchvAYra5668lE WEB Resumo A Associação Brasileira de Autismo ABRA é uma entidade civil sem fins lucrativos com sede e foro em BrasíliaDF mas com funcionamento itinerante Originalmente destinada a congregar Associações de Pais e Amigos de Autistas hoje tem por finalidade a integração coordenação e representação em nível nacional e internacional das entidades voltadas para a atenção das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo TEA Por estatuto tem vicepresidências em todas as regiões brasileiras Link do site httpwwwautismoorgbrsite LIVRO Título Métodos de intervenção pedagógica no TEA Autor Bruno Luis Simão Editora Contentus Ano 2020 Sinopse Este livro aborda as principais características das pessoas com Transtorno do Espectro Autista a evolução histórica sobre esse tema aspectos sobre a legislação relacionada e o tratamento Discute a atuação dos profissionais na área competências da equipe multidisciplinar e as atividades de algumas especialidades nesse contexto A obra ainda trata da inclusão escolar o Atendimento Educacional Especializado estratégias acadêmicas e questões sensoriais Plano de Estudos Fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento es pecializado Institucionalização do atendimento especializado no projeto polí tico pedagógico Desmembramentos do TGDTEA e as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade Objetivos da Aprendizagem Conceituar e contextualizar os fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento especializado Compreender as acepções da institucionalização do atendimento especializado no projeto político pedagógico Conhecer as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade no atendimento ao aluno com TGDTEA Professora Me Greicy Juliana Moreira INTERLOCUÇÃO INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE4UNIDADE 68 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 INTRODUÇÃO Caroa acadêmicoa Seja muito bemvindoa à Unidade IV intitulada Interlocução do Atendimento Especializado no Ensino Regular para alunos com TGDTEA da disciplina de Atendimento Educacional de Aluno com Transtornos Globais do Desenvolvimento do curso de Graduação em Educação Especial No primeiro momento iremos conceituar e contextualizar os Fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento especializado Para tanto apresentaremos as acepções gerais das legislações vigentes e depois daremos ênfase ao trabalho com TGD na escola de ensino regularAEE Autismo e Inclusão No segundo momento compreender as acepções da institucionalização do Atendimento Especializado AEE no projeto político pedagógico apresentando informações sobre as orientações necessárias para a efetivação desse atendimento desde as adequações estruturais até as pedagógicas No terceiro momento conhecer as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade no atendimento especializado aos alunos com TGDTEA Diante do exposto desejo que os assuntos aqui abordados contribuam significativamente para a ampliação dos seus conhecimentos e favoreçam o desenvolvimento da sua atuação profissional Boa leitura e bom estudo FUNDAMENTOS TEÓRICOS LEGAIS E PEDAGÓGICOS DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO 1 TÓPICO 69 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Estudante olá O públicoalvo da educação inclusiva trilhou por caminhos árduos e exclusivos durante muitos anos contudo por meio de políticas públicas novos caminhos foram traçados Então neste primeiro tópico da unidade IV vamos conhecer e entender quais são os fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento educacional especializado AEE Para tanto primeiramente apresentaremos uma breve retomada histórica sobre Educação Especial e Inclusiva no Brasil Posteriormente nosso diálogo será sobre as acepções das diretrizes operacionais da educação especial para o atendimento educacional especializado na educação básica Então venha comigo embarque nessa viagem de conhecimentos pelo mundo do AEE A escola brasileira no que tange o atendimento aos alunos com deficiência terminologia promulgada pela Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU desde 2009 até os dias atuais passou por momentos importantes que vão desde a privação total de ensino até a inclusão desses alunos na escola regular Nesse sentido fazse necessário aprofundarmos nossos conhecimentos sobre as diversas fases que contemplaram e contemplam esses períodos históricos educacionais entendendo suas especificidades e diferenças Para tanto apresentaremos uma breve explanação sobre esses momentos 70 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 11 Momento Zero Exclusão O que significa esse termo Sf ato de excluirse ato que priva ou excluir alguém de determinadas funções Oxford online Na época da antiguidade as pessoas com algum tipo de deficiência eram totalmente impedidas de frequentar instituição de ensino visto que de acordo com as crendices populares daquele período histórico tais problemas estavam vinculados à falta de inteligência por isso não se justificava a presença desse público em contextos escolares 111 1º MomentoSegregação O que significa esse termo Sf ato ou efeito de segregarse afastamento separação segregamento Oxford sd De acordo com as informações oficiais do MEC Brasil 2007b no Brasil o início da educação direcionada às pessoas com deficiência começou em 1854 com a criação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos atualmente o Instituto Benjamin Constant IBC Mais tarde em 1926 foi fundado o Instituto Pestalozzi uma instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência mental Depois em 1954 a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais APAE foi criada organização social que proporciona atendimento educacional integralmente à pessoa com deficiência intelectual e múltipla Então nesse período as escolas regulares não recebiam os alunos com deficiência eles eram encaminhados às instituições especializadas como por exemplo a APAE privados do convívio social com outras crianças matriculadas no ensino regular Brasil 2007c Essa forma de segregação estava respaldada na Lei nº 569271 que alterou a LDBEN de 1961 ao referirse ao tratamento especial para os alunos com deficiências físicas mentais pois salientava que o sistema regular de ensino não tinha condições de pedagógicas de desenvolver trabalho com esse público por isso a melhor forma era direcionálos às escolas especiais 112 2º MomentoIntegração O que significa esse termo Sf incorporação de um elemento num conjunto Oxford sd De acordo com os especialistas na área foi entre as décadas de 70 e 80 que teve início o movimento de integração em decorrência do surgimento da luta pelos direitos das pessoas portadoras de deficiência Considerando tal cenário foram criadas as chamadas classes especiais no sistema regular de ensino em que eram atendidos apenas alunos com deficiências separadamente dos demais alunos da classe comum 71 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Nesse ambiente os alunos recebiam atendimento especializado com atividades específicas às suas necessidades especiais Sassaki 2002 Já em 1988 a Constituição federal no artigo 205 decretou ser dever do Estado oferecer o atendimento educacional especializado AEE preferencialmente na rede regular de ensino 113 3º MomentoInclusão O que significa esse termo Sf ato ou efeito de incluirse Oxford sd A educação inclusiva tem como intuito possibilitar oportunidades igualitárias para todos os alunos do sistema escolar regular incluindo na mesma sala de aula e série apropriadas para a idade alunos com ou sem deficiência Os estudantes com algum tipo de deficiência recebem apoio educacional especializado Caroa alunoa estamos apresentando em ordem cronológica a trajetória da educação especial para ampliar seus conhecimentos sobre o assunto Então mais adiante daremos ênfase às especificidades do AEE foco principal deste tópico No Brasil o início dessa fase aconteceu no final dos anos 80 e início dos anos 90 a partir das orientações da Lei nº 785389 que dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência e sua integração social em seu Art 8º ao determinar crime com reclusão de 2 a 5 anos os casos de recusa suspensão cancelamento ou cessação da inscrição do aluno com deficiência em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau público ou privado Brasil1989 Somase a isso a publicação do Estatuto da Criança e do Adolescente ECA Lei nº 806990 que em seu Art 55 diz que os pais têm a responsabilidade e o dever de matricular os filhos na rede regular de ensino Além disso ainda em 1990 a Declaração Mundial de Educação para Todos especificamente os apontamentos dos artigos 3 ao 7 os quais ressaltam a universalização do acesso à educação e promoção da equidade concentrando a atenção na aprendizagem e ampliando os raios da educação básica influenciou significativamente as políticas de educação inclusiva no Brasil UNESCO1994 Mais tarde em 1994 a Declaração de Salamanca uma conferência Mundial em Educação Especial promovida pelo governo espanhol em conjunto com a UNESCO favoreceu os movimentos em prol da educação especial por diversos países inclusive no Brasil Concomitantemente nesse mesmo ano tivemos a publicação da Política Nacional de Educação Especial elaborada e coordenada pela Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação e do Desporto SEESPMEC com objetivos destinados a garantir 72 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 o atendimento educacional do alunado portador de necessidades especiais termo utilizado na época cujo direito à igualdade de oportunidades nem sempre é respeitado ou seja os alunos em questão possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum no mesmo ritmo que os alunos ditos normais Brasil 1994b p 19 Posteriormente em 1996 tivemos a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB Lei nº 939496 que proporcionou mais ênfase ao direito à inclusão educacional ao asseverar no Art 59 que os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação educação de qualidade sem segregação No entanto concedeu margem para volta a segregação conforme o texto explicitado no Art58 o atendimento educacional será feito em classes escolas ou serviços especializados sempre que em função das condições específicas dos alunos não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular Brasil 1996 Depois em 2001 foram criadas as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica Resolução CNECEB nº 22001 que determinaram a obrigatoriedade e a responsabilidade dos sistemas de ensino em matricular e prestar atendimento adequado às necessidades especiais dos estudantes Brasil 2001b Ainda em 2001 foi aprovado o Plano Nacional de Educação PNE Lei nº 101722001 que estabeleceu diretrizes e metas para o desenvolvimento nacional estadual e municipal da educação assegurando condições imprescindíveis para uma gestão democrática da educação Brasil 2001a Na sequência em 2004 foi publicado o Decreto nº 529604 que regulamentou as Leis nº 100482008 e Lei nº 100982000 impulsionou a inclusão educacional e social determinando respectivamente o atendimento prioritário às pessoas com deficiências idosos acima de 60 anos gestantes e lactantes pessoas com bebês de colo e obesos Além disso estabeleceu as normas e critérios e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida Brasil 2004 Dois anos mais tarde em 2006 houve o lançamento do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos PNEDH com o propósito de orientar e maximizar ações educativas para todos os níveis de ensino brasileiro tanto na esfera pública como também na privada e ainda na área de direitos humanos BRASIL 2006 No ano seguinte 2007 foi publicado o Plano de Desenvolvimento da Educação PDE o qual objetivou melhoria da Educação Básica a partir de ações que recaíram sobre os diversos aspectos da educação básica No que tange à educação especial o intuito seria acabar com 73 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 aspectos contraditórios entre a educação regular e a educação especial uma vez que naquela época o processo de inclusão não havia sido totalmente estruturado Brasil 2007b Nesse mesmo ano foi publicado também o Decreto nº 609407 objetivando a implementação do Plano de Metas e Compromisso Todos pela Educação No quesito da educação especial garantiu o acesso e a permanência das pessoas com necessidades educacionais especiais nas classes comuns do ensino regular enfatizando a inclusão nas escolas públicas Brasil 2007a Já em 2008 tivemos um marco histórico o lançamento da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Portaria nº 5552007 a qual assegurou a inclusão escolar de alunos com deficiência transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidadessuperdotação orientando os sistemas de ensino para garantir acesso ao ensino regular aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino transversalidade da modalidade de educação especial desde a educação infantil até a educação superior oferta do atendimento educacional especializado formação de professores para o atendimento educacional especializado e demais profissionais da educação para a inclusão participação da família e da comunidade acessibilidade arquitetônica nos transportes nos mobiliários nas comunicações e informação e articulação intersetorial na implementação das políticas públicas Brasil 2008 No próximo ano 2009 com a Resolução nº 4 CNECEB foram criadas as diretrizes para o atendimento educacional especializado AEE que tem como função identificar elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos considerando suas necessidades específicas Brasil 2009 Três anos mais tarde em 2012 com a promulgação da Lei nº 1276412 também conhecida como Lei Berenice Piana foi instituída a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista Esse momento marcou histórica e favoravelmente a luta pelos direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista TEA Assim dentre outras diretrizes ficou determinado que a pessoa com TEA uma vez incluída nas classes comuns de ensino regular tem direito a acompanhante especializado Brasil 2012 Logo depois em 2015 foi instituída a Lei Federal nº 1314615 a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência Estatuto da Pessoa com Deficiência LBI com intuito de assegurar e a promover em condições de igualdade o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência visando à sua inclusão social e cidadania em todos os níveis e modalidades de ensino Além disso promoveu o desenvolvimento de projeto pedagógico com o intuito de institucionalizar o AEE com auxílio de profissionais de apoio Destacou também que é dever das escolas privadas 74 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 receber os estudantes com deficiência no ensino regular adotando medidas de adaptação necessárias sem que sejam cobrados valores adicionais dos pais Brasil 2015a Acadêmicoa agora para que você compreenda melhor o percurso histórico da Educação Inclusiva no Brasil apresento na sequência um infográfico com as datas leis e as políticas públicas que possibilitaram as conquistas e os avanços relacionados à educação de pessoas com deficiência com transtorno do espectro autista e com altas habilidadessuperdotação FIGURA 1 PANORAMA HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Fonte A autora 75 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Acadêmicoa após retomarmos os momentos históricos e relembrarmos as leis que fizeram a diferença para a efetivação da Educação Inclusiva no Brasil vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre os Fundamentos teóricos legais e pedagógicos do atendimento especializado 12 O que é o Atendimento Educacional Especializado Existem algumas divergências sobre o que é e o que não é o que não é o AEE por isso vamos apresentar as informações de forma clara e objetiva O atendimento educacional especializado AEE é a mediação pedagógica que visa possibilitar o acesso ao currículo pelo atendimento às necessidades educacionais específicas dos alunos com deficiência transtorno do espectro autista TEA e altas habilidades superdotação público da Educação Especial Brasil 2020 Diante do exposto o intuito desse atendimento é promover a inclusão na prática diariamente dentro da escola e da sala de aula Além disso é um serviço de apoio ou seja complementar e suplementar à sala comum Ele constitui um serviço da educação especial conforme exemplificado anteriormente desenvolvido na rede regular de ensino que tem como função complementar ou suplementar a formação do aluno por meio da disponibilização de serviços recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem Brasil 2009 Além disso o decreto presidencial 76112011 que dispõe sobre a educação especial o atendimento educacional especializado destaca no Art 2 2º que o AEE deve integrar a proposta pedagógica da escola envolver a participação da família para garantir pleno acesso e participação dos estudantes atender às necessidades específicas das pessoas públicoalvo da educação especial e ser realizado em articulação com as demais políticas públicas Brasil 2011 Então de acordo com a legislação esse é um serviço da educação especial que identifica elabora organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade com o objetivo de excluir as barreiras favorecendo a efetiva participação dos alunos com deficiências considerando suas necessidades específicas Brasil 2008 Mas o que é a Educação Especial É uma modalidade de educação escolar que integra a proposta pedagógica da escola regular promovendo entre outras ações o atendimento educacional especializado AEE Brasil 2020 13 Quem é o públicoalvo O AEE foi criado para atender o públicoalvo da Educação Especial que são as pessoas com deficiências de acordo com a Lei Brasileira de Inclusão Lei nº 131462015 76 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência ONU 2004 ratificada no Brasil em forma de Emenda Constitucional por meio do Decreto Legislativo nº 1862008 e do Decreto nº 69492009 da Presidência da República De acordo com os especialistas na área deficientes são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física mental intelectual ou sensorial que dificultam sua efetiva e igualitária participação na sociedade e a interação com as pessoas Brasil 2009 É válido ressaltar que essa definição de pessoa com deficiência foi mantida pela Lei Brasileira de InclusãoLBI de 2015 que entrou em vigor em 2016 Estudante você sabe quais são os tipos de deficiências coletadas pelo Censo Escolar Brasil 2020 Vamos entender melhor esse conteúdo considerando os critérios qualitativos do ponto de vista clínico funcional e educacional FIGURA 2 TIPOS DE DEFICIÊNCIAS COLETADAS NO CENSO ESCOLAR Fonte Shutterstock Além das deficiências citadas são coletadas também as informações de transtorno do espectro autista TEA1 público em questão dessa disciplina e altas habilidades superdotação É válido destacar que a deficiência múltipla é o resultado da associação 1 São aqueles que apresentam quadro clínico caracterizado por deficiência persistente e clinicamente significativa que causa alterações qualitativas nas interações sociais recíprocas e na comunicação verbal e não verbal ausência de reciprocidade social e dificuldade em desenvolver e manter relações apropriadas ao nível de desenvolvimento da pessoa Além disso a pessoa apresenta um repertório de interesses e atividades restrito e repetitivo manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados Assim sendo são comuns a excessiva adoção de rotinas e padrões de comportamento ritualizados bem como interesses restritos e fixos Brasil 2020 77 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 entre duas ou mais deficiências Dessa forma esse campo não se encontra disponível para marcação no Censo Escolar portanto o Sistema Educacenso registra automaticamente uma pessoa com deficiência múltipla caso tenha sido declarada mais de uma deficiência para a mesma pessoa Brasil 2020 Estudante as informações sobre o preenchimento de documentos que atestam os tipos de deficiências serão apresentadas no próximo tópico Institucionalização do AEE De acordo com o que foi exposto todos os alunos com deficiência física intelectual visual auditiva múltiplas transtornos do espectro autista TEA e também alunos com altas habilidadessuperdotação são considerados públicoalvo do AEE Brasil 2020 14 Quais são os objetivos do AEE Segundo o decreto presidencial 76112011 que dispõe sobre a educação especial o atendimento educacional especializado e dá outras providências o AEE tem por objetivo Brasil 2011 I Prover condições de acesso participação e aprendizagem no ensino regular e garantir serviços de apoio especializados de acordo com as necessidades individuais dos estudantes II Garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular III Fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem e IV Assegurar condições para a continuidade de estudos nos demais níveis etapas e modalidades de ensino 15 Em qual local é ofertado o AEE O AEE é um atendimento que complementa eou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela portanto deve 78 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 ser realizado prioritariamente nas salas de recursos multifuncionais SRM da própria escola em outra escola de ensino regular eou em centros de atendimento educacional especializado CAEE Brasil 2020 Inferese então que as atividades propostas no AEE precisam ser diferenciadas ou seja não podem ser iguais àquelas desenvolvidas na sala de aula comum uma vez que não são substitutivas à escolarização Brasil 2020 O decreto presidencial 76112011 em seu Art 5º destaca que a União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino dos Estados Municípios e Distrito Federal e a instituições comunitárias confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos com a finalidade de ampliar a oferta do AEE para o públicoalvo matriculados na rede pública de ensino regular Brasil 2011 Além disso ainda no Art 5º no 3º fica determinado que as salas de recursos multifuncionaisSRM devem ser ambientes dotados de equipamentos mobiliários e materiais didáticos e pedagógicos para a oferta do atendimento educacional especializado Brasil 2011 Estudante será que o AEE só ocorre em sala de recursos multifuncionais Não Deve ser realizado prioritariamente na sala SRM contudo pode ser desenvolvido em espaço equipado conforme orientação da legislação com recursos da escola ou do sistema de ensino Segundo as determinações oficiais a falta da SRM não pode impossibilitar o atendimento do AEE que é um direito do aluno Brasil 2020 A SRM preconizada pela Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva PNEEPEIMEC2008 e o trabalho pedagógico deverá ser realizado em três eixos Brasil 2008 FIGURA 3 EIXOS PEDAGÓGICOS DO AEESRM Fonte A autora 79 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 16 Como ocorre a oferta do AEE na da escola privada você sabe A Nota Técnica 152010 MEC CGPEEGAB que apresenta orientações sobre AEE na Rede Privada assevera que a legislação garante a inclusão escolar aos alunos públicoalvo da educação especial nas instituições comuns da rede pública ou privada de ensino as quais de vem promover o atendimento às suas necessidades educacionais específicas Brasil 2010b Dessa forma a legislação vigente salienta ainda que as instituições de ensino privadas submetidas às normas gerais da educação nacional precisam efetivar a matrícula no ensino regular de todos os estudantes independentemente da condição de deficiência física sensorial ou intelectual bem como ofertar o atendimento educacional especializado promovendo a sua inclusão escolar sem ônus adicionais para os pais ou responsáveis Brasil 2010b Além disso destaca também que se configura descaso aos direitos dos alunos o não atendimento às suas necessidades educacionais específicas desta forma não cumprir a legislação vigente é crime Nesse sentido caso isso ocorra em território nacional o caso precisa ser encaminhado ao Ministério Público bem como ao Conselho de Educação o qual como órgão responsável pela autorização de funcionamento dessas escolas deverá instruir processo de reorientação ou descredenciálas Brasil 2010b 17 Sobre o financiamento do AEE O financiamento do Atendimento Educacional Especializado que atende os alunos públicoalvo da educação especial segundo as acepções do Decreto nº 657108 serão contabilizados duplamente no FUNDEB quando tiverem matrícula em classe comum de ensino regular da rede pública e matrícula no atendimento educacional especializado AEE conforme registro no Censo escolar MECINEP do ano anterior Considerando tais informações as matrículas contempladas serão Brasil 2008 FIGURA 4 FINANCIAMENTO DO AEE Fonte A autora Acadêmicoa chegamos ao final desse tópico no qual abordamos os aspectos legais relacionados ao AEE importantes para sua formação acadêmica e atuação profissional 80 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 No próximo vamos dialogar mais especificamente sobre a institucionalização desse atendimento no projeto político pedagógico Então vamos lá encontro você no próximo tópico para continuarmos nosso diálogo Posicionamento da RedeIn a respeito da nova Política Nacional de Educação Especial A Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência RedeIn composta por 20 entidades da sociedade civil que acreditam na inclusão e lutam por ela vem manifestar intenso repúdio ao Decreto nº 105022020 publicado em 1º de outubro de 2020 pelo Governo Federal Acreditamos que todas as crianças adolescentes e jovens têm o direito de conviver em sociedade em equiparação de condições e oportunidades É missão da escola incluir e formar cidadãos que compreendem as diferenças e respeitam a singularidade humana A recémpublicada Política Nacional de Educação Especial visa substituir a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva que foi construída mediante intenso debate com a sociedade civil e alinhada com os princípios da Constituição Federal É inaceitável que por meio de Decreto Presidencial sem qualquer legitimidade democrática se dê um retrocesso de mais de 30 anos de luta pela inclusão e diversidade Dê um click para saber mais INSTITUTO RODRIGO MENDES Posicionamento da RedeIn a respeito da nova Política Nacional de Educação Especial 2020 Disponível em httpsinstitutorodrigomendesorgbrnova politicanacionaleducacaoespecial Acesso em 10 jan 2021 81 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Estudante reflita sobre a questão da educação inclusiva no Brasil com base no Decreto nº 105022020 Para auxiliar na sua reflexão sugiro a leitura do texto motivador Mudança na Política de Educação Especial é retrocesso e segregação Entenda por que o CFP é contrário às alterações Decreto nº 10502 do governo federal modifica a atual Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva vigente desde 2008 Fonte CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA Mudança na Política de Educação Especial é retrocesso e segregação Entenda porque o CFP é contrário às alterações 2020 Disponível em httpssitecfporgbr mudancanapoliticadeeducacaoespecialeretrocessoesegregacaoentendaposicionamentodocfp Acesso em 20 de jan de 2021 INSTITUCIONALIZAÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO 2 TÓPICO 82 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Acadêmicoa neste segundo tópico da unidade IV nosso diálogo será sobre a Institucionalização do atendimento especializado no projeto político pedagógico Segundo as acepções das Diretrizes Operacionais da Educação Especial para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica a educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis etapas e modalidades realiza o atendimento educacional especializado proporcionando os recursos e serviços necessários como também disponibilizando orientações necessárias para a efetivação desse atendimento nas turmas comuns do ensino regular Brasil 2008 Conforme as informações já apresentadas no primeiro tópico dessa unidade os sistemas de ensino devem matricular os alunos com deficiência os com transtornos globais do desenvolvimento e os com altas habilidadessuperdotação nas escolas comuns do ensino regular e ofertar o atendimento educacional especializado AEE no turno inverso da escolarização não sendo substitutivo às classes comuns promovendo o acesso e as condições para uma educação de qualidade Brasil 2008 Estudante para sua formação acadêmica e profissional é necessário que você entenda como acontece na prática a institucionalização do AEE de acordo com o Decreto nº 65712008 o qual salienta que a oferta do atendimento educacional especializado AEE deve constar no Projeto Pedagógico da escola de ensino regular prevendo na sua organização alguns requisitos Brasil 2008 83 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Além disso a Nota Técnica SEESPGABnº 112010 também apresenta orientações para a institucionalização da oferta do AEE em Salas de Recursos Multifuncionais implantadas nas escolas regulares são elas Brasil 2010a Constar no Projeto Político Pedagógico PPP da escola a oferta do atendimento educacional especializado com professor para o AEE recursos e equipamentos específicos e condições de acessibilidade Ao construir o PPP deve ser considerando a flexibilidade da organização do AEE realizado individualmente ou em pequenos grupos conforme o Plano de AEE de cada aluno Sobre a Sala de Recursos Multifuncionais Esse é um espaço no qual deve ser realizado o atendimento educacional especializado AEE Para montar essa sala de maneira apropriada as escolas podem solicitar recursos dos próprios sistemas de ensino como também do governo federal As instituições de ensino para atender o públicoalvo do AEE precisam realizar adequações como por exemplo FIGURA 5 ADEQUAÇÃO DA SRM Fonte A autora Sobre os aspectos relacionados à acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida a concepção de espaços artefatos e produtos devem seguir o desenho universal ou seja de acordo com as características estabelecidas pela norma técnica de acessibilidade elaborada pela ABNT NBR 9050 uma vez que precisam atender simultaneamente a todos com diferentes características antropométricas e sensoriais de forma autônoma independente segura e confortável garantindo elementos e soluções que compõem a acessibilidade Brasil 2020 Nesse sentido o Glossário da Educação Especial orienta para a instalação e de recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida nas vias de circulação internas da escola Brasil 2020 84 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 6 ACESSIBILIDADE NA SALA DE SRM Fonte A autora Matrícula do aluno no AEE Deve ser matriculado no AEE realizado em sala de recursos multifuncionais os alunos públicoalvo da educação especial que estão matriculados em classes comuns da própria escola Dessa forma segundo as orientações disponibilizadas no 65712008 a matrícula do aluno no AEE é condicionada à matrícula no ensino regular da própria escola ou de outra escola Brasil 2008 Além disso a escola precisa apresentar a declaração dos alunos com deficiência transtorno do espectro autista TEA e altas habilidadessuperdotação ao Censo Escolar na qual conste informações essenciais sobre as deficiências Contudo é válido ressaltar que no Censo Escolar deve ser declarado o tipo de deficiência e não a origem dela ou seja caso a pessoa tenha tido Síndrome de ZiKa Vírus ou Síndrome de GuillainBarré por exemplo e tenha adquirido deficiência física intelectual visual Brasil 2020 Então a escola precisa registrar no Censo Escolar MECINEP a matrícula de alunos públicoalvo da educação especial nas classes comuns e as matrículas no AEE 85 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 realizado na sala de recursos multifuncionais da escola O Glossário da Educação Especial disponibiliza informações sobre as especificidades de cada de documentos comprobatórios porém observa que a escola não precisa apresentar todos pode ser apenas um deles Ressalta também que a ausência do laudo médico não pode impossibilitar o acesso do aluno à educação ou seja à matrícula na escola nem mesmo no AEE Brasil 2020 Acadêmicoa a seguir apresento informações sobre os documentos em questão de acordo com as acepções do Glossário da Educação Especial Brasil 2020 Plano de AEE documento que reúne informações sobre os estudantes público alvo da Educação Especial elaborado pelo professor de AEE com a participação do professor da classe comum da família e do aluno quando for possível para atendimento às necessidades específicas desse público Durante o estudo de caso primeira etapa da elaboração do plano o professor do AEE poderá articularse com profissionais da área de saúde e se for necessário recorrer ao laudo médico que neste caso será um documento subsidiário anexo ao Plano de AEE Avaliação biopsicossocial da deficiência conforme a Lei nº 131462015 Lei Brasileira de Inclusão Plano Educacional Individualizado PEI Instrumento escrito elaborado por professor da sala de aula comumregular com intuito de propor planejar e acompanhar a realização das atividades pedagógicas e o desenvolvimento dos estudantes da Educação Especial Laudo médico documento que pode ser utilizado como registro administrativo comprobatório para a declaração da deficiência ou do transtorno do espectro autista TEA ao Censo Escolar Professor para o exercício da docência do AEE A legislação vigente e os documentos de orientação apresentam informações pouco esclarecidas sobre a formação necessária do professor responsável pelo atendimento no AEE apenas sugerem que sejam profissionais habilitados para exercício da educação especial Para atuação no AEE o professor deve ter formação inicial que o habilite para o exercício da docência e formação específica na educação especial inicial ou continuada Brasil 2008 p04 A Nota Técnica SEESPGABnº 112010 orienta que a escola precisa declarar no PPP as seguintes informações sobre o educador do AEE o número de professores carga 86 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 horária formação específica aperfeiçoamento graduação pósgraduação competências do professor e interface com o ensino regular Brasil 2010a Já no documento do Censo escolar no formulário de profissional escolar em sala de aula são coletados dentre outros os seguintes campos Brasil 2020 Tradutor e intérprete de Libras Guiaintérprete Profissional de apoio escolar para alunos com deficiência Lei nº 131462015 Quanto às atribuições do professor do atendimento educacional especializado as Diretrizes Operacionais da Educação Especial para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica disponíveis no Decreto nº 65712008 apresentam as seguintes orientações Brasil 2008 Identificar elaborar produzir e organizar serviços recursos pedagógicos de acessibilidade e estratégias considerando as necessidades específicas dos alunos públicoalvo da educação especial Elaborar e executar plano de atendimento educacional especializado avaliando a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade Organizar o tipo e o número de atendimentos aos alunos na sala de recursos multifuncional Acompanhar a funcionalidade e a aplicabilidade dos recursos pedagógicos e de acessibilidade na sala de aula comum do ensino regular bem como em outros ambientes da escola Estabelecer parcerias com as áreas intersetoriais na elaboração de estratégias e na disponibilização de recursos de acessibilidade Orientar professores e famílias sobre os recursos pedagógicos e de acessibilidade utilizados pelo aluno Ensinar e usar recursos de Tecnologia Assistiva tais como as tecnologias da informação e comunicação a comunicação alternativa e aumentativa a informática acessível o soroban os recursos ópticos e não ópticos os softwares específicos os códigos e linguagens as atividades de orientação e mobilidade entre outros de forma a ampliar habilidades funcionais dos alunos promovendo autonomia atividade e participação Estabelecer articulação com os professores da sala de aula comum visando a disponibilização dos serviços dos recursos pedagógicos e de acessibilidade e das estratégias que promovem a participação dos alunos nas atividades escolares 87 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Promover atividades e espaços de participação da família e a interface com os serviços setoriais da saúde da assistência social entre outros Acadêmicoa para finalizar esse tópico conforme dispõe a Resolução CNECEB nº 42009 art 10º apresento um resumo das principais orientações apresentadas à escola sobre a Institucionalização do AEE no Projeto Político Pedagógico I Sala de recursos multifuncionais espaço físico mobiliários materiais didáticos recursos pedagógicos e de acessibilidade e equipamentos específicos II Matrícula no AEE de alunos matriculados no ensino regular da própria escola ou de outra escola III Cronograma de atendimento aos alunos IV Plano do AEE identificação das necessidades educacionais específicas dos alunos definição dos recursos necessários e das atividades a serem desenvolvidas V Professores para o exercício do AEE VI Outros profissionais da educação tradutor intérprete de Língua Brasileira de Sinais guiaintérprete e outros que atuem no apoio principalmente às atividades de alimentação higiene e locomoção VII Redes de apoio no âmbito da atuação profissional da formação do desenvolvimento da pesquisa do acesso a recursos serviços e equipamentos entre outros que maximizem o AEE Após todas essas informações disponibilizadas vamos para o terceiro e último tópico Lá vamos dialogar sobre os desmembramentos do TGD e as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade Até mais DESMEMBRAMENTOS DO TGD E AS AÇÕES NECESSÁRIAS A SEREM SEGUIDAS PELA ESCOLA FAMÍLIA E SOCIEDADE 3 TÓPICO 88 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Neste momento daremos início aos estudos do terceiro tópico da unidade IV intitulado Desmembramentos do TGD e as ações necessárias a serem seguidas pela escola família e sociedade Para ampliarmos nossos conhecimentos sobre o assunto primeiramente vamos entender quais são as acepções do Glossário da Educação Especial para o desenvolvimento das práticas pedagógicas no AEE Depois nosso diálogo será sobre a Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar considerando os recursos pedagógicos acessíveis e a comunicação Aumentativa e Alternativa 31 Os tipos de atividades de AEE coletados no Censo Escolar Estudante no decorrer desta unidade já dialogamos sobre as especificidades do atendimento educacional especializado AEE contudo sempre é válido relembrar alguns conceitos Assim de acordo com as acepções das Diretrizes Operacionais da Educação Especial para o Atendimento Educacional Especializado AEE na educação básica regulamentado pelo do Decreto nº 65712008 esse atendimento é uma mediação pedagógica que visa possibilitar o acesso ao currículo pelo atendimento às necessidades educacionais específicas dos alunos com deficiência transtorno do espectro autista TEA e altas habilidades superdotação público da Educação Especial Brasil 2008 Nesse sentido as atividades propostas e aplicadas no AEE precisam ser diferenciadas daquelas realizadas na sala de aula comum e não substituem a escolarização Brasil 2020 89 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Portanto de acordo com o exposto nas diretrizes as atividades do AEE devem enfatizar a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela sendo realizadas exclusivamente salas de recursos multifuncionais SRM da própria escola em outra escola de ensino regular ou em centros de atendimento educacional especializado CAEE mas não podem ser confundidas com reforço escolar ou mera repetição dos conteúdos curriculares desenvolvidos na sala de aula Brasil 2020 As atividades realizadas na SRM são desenvolvidas no contraturno para não atrapalhar o bom desenvolvimento do aluno na sala regular conforme regulamentação da Resolução nº 4 de 2009 Art 5º o AEE é realizado no turno inverso da escolarização não sendo substitutivo às classes comuns Brasil 2009 p2 São atividades do AEE ações pedagógicas produzidas e aplicadas pelo professor especializado em apoio às atividades realizadas pelo professor na classe comum Brasil 2020 Dentre as diretrizes da Lei nº 127642012 o artigo 2º destaca que VII o incentivo à formação e à capacitação de profissionais especializados no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista bem como a pais e responsáveis Brasil 2012 p 3 FIGURA 7 ATIVIDADES PEDAGÓGICAS DO AEE COLETADAS NO CENSO ESCOLAR Fonte a autora 90 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Estudante é necessário declarar no formulário do aluno a informação sobre os tipos de AEE que o aluno realiza pois precisa haver um acompanhamento do seu desenvolvimento acadêmico e o atendimento realizado ao longo dos anos Mas ATENÇÃO é imprescindível que seja declarado apenas os tipos de AEE que o aluno realmente realiza mesmo que na turma de AEE outros tipos de atendimento sejam disponibilizados mas ele não participa Brasil 2020 Então para favorecer o seu aprendizado vamos entender quais são segundo os especialistas na área as sete etapas que o professor responsável pelo AEE precisa seguir para completar efetivamente os objetivos desse atendimento FIGURA 8 ETAPAS PEDAGÓGICAS DO AEE Fonte A autora Além disso segundo as orientações das diretrizes oficiais é necessário disponibilizar recursos para uso do aluno em sala de aula e para participação em avaliações do Inep SAEB caso tenha sido informado no formulário de aluno a opção Sim no campo Alunoa com deficiência transtorno do espectro autista TEA ou altas habilidadessuperdotação Então devese apontar quais os tipos de recurso eou serviço serão necessários Brasil 2020 como por exemplo 91 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 9 RECURSOS PARA USO EM SALASAEB Fonte A autora Estudante a partir de agora as informações apresentadas darão ênfase ao atendimento específico para o público em questão dessa disciplina TGDTEA conforme as acepções da Lei nº 127642012 sendo este o primeiro documento oficial a falar especificamente do educando com TEA Dessa forma toda instituição de ensino deverá matricular bem como ofertar quando comprovada a necessidade um acompanhante especializado para o aluno em questão Brasil 2012 Somase a esse contexto as acepções da Nota Técnica nº 24 do Ministério da Educação que salienta é obrigatório que seja disponibilizado sempre que identificada a necessidade individual do estudante visando à acessibilidade às comunicações e à atenção aos cuidados pessoais de alimentação higiene e locomoção Brasil 2013b p 4 Contudo segundo as orientações dos especialistas muitas vezes o indivíduo com TEATGD no início pode precisar de serviços de apoio porém no decorrer do seu desenvolvimento pode desenvolver autonomia nas atividades realizadas na escola e consequentemente dispensar o profissional de apoio diário Antes de iniciar os trabalhos com esse público é imprescindível que o educador elabore um Plano de Atendimento Educacional Especializado PAEE ou seja uma proposta de intervenção pedagógica que seja flexível às necessidades do estudante Esse documento norteador precisa ser elaborado a partir das informações da avaliação psicoeducacional no contexto escolar contendo objetivos açõesatividades período de duração e resultados esperados de acordo com as orientações pedagógicas do DEESeedPR Brasil 2020 92 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Para tanto sugerese que seja realizado primeiramente um estudo de caso o qual contempla cinco etapas FIGURA 10 ETAPAS DO PAEE Fonte A autora 01 Apresentação do Caso Relato doa professora da sala comum para oa professora do AEE apresentando o contexto educacional no qual o aluno está inserido a deficiência e também os dados clínicos Além disso devem ser apresentadas as dificuldades preferências habilidades e desejos dentre outras informações relacionadas ao cotidiano do educando Paraná 2014 02 Esclarecimento do Problema Conhecida também como clarificação do problema o profissional responsável pelo AEE investiga por meio de observação o contexto social do aluno família professor da sala comum e relacionamento com os demais profissionais que estejam envolvidos no processo de ensino aprendizagem Essa observação pode acontecer tanto na sala comum como também na SRM com o intuito de entender os aspectos relacionados à natureza do problema interação na sala dificuldades necessidade de instrumentos eou recursos para mediação pedagógica demonstra interesse pela aprendizagem ou não demonstra agitação em quais momentos Paraná 2014 03 Identificação da natureza Essa etapa também é conhecida como estudo e identificação nesse momento o professor analisa as informações coletadas levanta hipóteses relacionadas às dificuldades apresentadas pelos alunos Paraná 2014 04 Resoluções dos problemas Neste momento o professor do AEE elabora elenca estratégias para utilização no decorrer do processo de ensino aprendizagem Nesse sentido lista quais serão os recursos e materiais necessários para trabalhar com o aluno em questão quais potenciais e habilidades do aluno serão estimulados para resolução das dificuldades quais aspectos do meio social dele podem contribuir família comunidade escola etc Paraná 2014 05 Elaboração do Plano AEE O professor do AEE elabora as ações em conjunto com o professor da sala comum para serem aplicadas no AEE como também na sala comum com o intuito de atender às necessidades do aluno 93 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 É válido destacar que o plano de AEE precisa ser revisto periodicamente para saber se as metas e objetivos estão sendo atendidos eou se há a necessidade de adequações substituições eou acréscimos de atividades Paraná 2014 Acadêmicoa para um melhor entendimento do assunto a seguir apresento um exemplo de planilha elaborada pelo Departamento de Educação Básica do PR Paraná 2014 No modelo em questão estão dispostas as informações necessárias para o preenchimento do plano que norteará a organização do trabalho pedagógico especializado no turno contrário do aluno as atividades propostas e o trabalho colaborativo do professor do ensino comum e do AEE FIGURA 11 PLANO AEE Fonte Paraná 2014 Assim de acordo com as acepções das diretrizes vigentes e o Glossário da Educação Especial Brasil 2020 são necessários os desenvolvimentos de atividades específicas para atender as necessidades dos alunos TGDTEA ou seja a utilização de recursos de baixa e de alta tecnologia Nesse sentido os instrumentos aqui apresentados não eliminam totalmente as barreiras encontradas pelas pessoas com deficiência durante o processo de aprendizagem mas atuam como facilitadores Dessa forma a intervenção do professor contribuirá para o sucesso no desempenho do educando Sartoretto 2010 A seguir apresentamos os recursos disponíveis para utilização no AEESRM Tecnologias Assistivas TA é utilizada como instrumento de acessibilidade e inclusão o qual visa integrar tecnologia e inclusão em uma ferramenta capaz de atender e auxiliar alunos com necessidades educacionais especiais 94 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 311 Desenvolvimento da linguagem e comunicação São utilizadas as atividades de comunicação Aumentativa e Alternativa CA como por exemplo FIGURA 12 CARTÕES DE COMUNICAÇÃO Fonte Sartoretto e Bersch 2020 Os cartões de comunicação com símbolos gráficos representativos de mensagens Os cartões estão organizados por categorias de símbolos e cada categoria se distingue por apresentar uma cor de moldura diferente cor de rosa são os cumprimentos e demais expressões sociais visualizase o símbolo tchau amarelo são os sujeitos visualizase o símbolo mãe verde são os verbos visualizase o símbolo desenhar laranja são os substantivos visualizase o símbolo perna azuis são os adjetivos visualizase o símbolo gostoso e branco são símbolos diversos que não se enquadram nas categorias anteriormente citadas visualizase o símbolo fora Sartoretto Bersch 2020 FIGURA 13 PRANCHA DE COMUNICAÇÃO COM SÍMBOLOSFOTOSFIGURAS Fonte Sartoretto e Bersch 2020 95 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 14 PRANCHA DE COMUNICAÇÃO ALFABÉTICA Fonte Sartoretto e Bersch 2020 De acordo com o exposto os recursos de CAA e os demais recursos pedagógicos de acessibilidade serão eficazes se permitirem que a participação do aluno e seu acesso à comunicação sejam garantidos atuando com autonomia nas diversas atividades escolares Sartoretto 2010 Estudante você sabe o que é o sistema de símbolos gráficos Eles são uma coleção de imagens gráficas que apresentam características comuns entre si e foram criados para responder a diferentes exigências ou necessidades dos usuários utilizados para recursos de CA como os exemplos apresentados anteriormente O exemplo mais comum é o PCS Picture Communication Symbols no Brasil traduzido para Símbolos de Comunicação Pictórica e disponível por meio dos softwares Boardmaker e Boardmaker com Speaking Dynamically Pro As especificidades são desenhos simples e claros fácil reconhecimento adequados para usuários de qualquer idade facilmente combináveis com outras figuras e fotos para a criação de recursos de comunicação individualizados Sartoretto Bersch 2020 conforme imagem a seguir 96 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 15 PCS SÍMBOLOS DE COMUNICAÇÃO PICTÓRICA Fonte Sartoretto e Bersch 2020 Esses símbolos PCS estão organizados por cores nas categorias social oi podes ajudar obrigado pessoas eu você nós verbos quero comer beber substantivos bolo sorvete fruta leite suco de maçã e suco de laranja e adjetivos quente frio e gostoso Sartoretto Bersch 2020 FIGURA 16 PRANCHAS TEMÁTICAS PARA INTERPRETAÇÃO DE LIVROS E CONTEÚDOS Fonte Sartoretto e Bersch 2020 Esse recurso que também pode ser confeccionado junto com o educando é apropriado para que o aluno usuário da CA possa participar de atividades de interpretação de histórias ou também para que possa perguntar responder e argumentar sobre os conteúdos estudados e atividades desenvolvidas em sala de aula Sartoretto Bersch 2020 97 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 17 CALENDÁRIOS PERSONALIZADOS Fonte Sartoretto e Bersch 2020 98 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 FIGURA 18 AGENDAS PERSONALIZADAS COM SÍMBOLOS Fonte Shutterstock Auxílio ledor Serviço especializado de leitura de material didático ou de prova avaliação para pessoas com cegueira baixa visão surdocegueira deficiência física deficiência intelectual e com transtorno do espectro autista TEA Brasil 2020 Auxílio transcrição Serviço especializado de preenchimento de atividades didáticas em sala de aula de provasavaliações objetivas e de redação para alunos impossibilitados de escrever ou preencher o cartão de respostas Brasil 2020 99 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM TGDTEA UNIDADE 4 Vocalizador Recurso eletrônico de gravaçãoreprodução que ajuda a comunicação das pessoas em seu dia a dia Dessa forma o aluno expressa pensamentos sentimentos e desejos pressionando uma mensagem adequada que está prégravada no aparelho apertando teclas sobre as quais são colocadas imagens fotos símbolos figuras ou palavras que correspondem ao conteúdo sonoro gravado conforme exemplo a seguir Sartoretto Bersch 2020 FIGURA 19 VOCALIZADOR Fonte Sartoretto e Bersch 2020 312 Desenvolver a interação socialcomportamento Sugerese que sejam realizadas atividades em grupo FIGURA 20 INTERAÇÃO SOCIAL Fonte Shuttertsock INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM 100 TGDTEA UNIDADE 4 De acordo com o que foi exposto neste último tópico para o desenvolvimento eficaz de todas as atividades pedagógicas praticadas com o objetivo de atender às necessidades específicas desse públicoalvo é imprescindível que sejam efetivadas parcerias entre a equipe pedagógica o professor do AEE professor da sala comum demais profissionais do contexto escolar família e profissionais da área da saúde Estudante assim chegamos ao final da Unidade IV na qual estudamos especificamente as especificidades do AEE e as orientações oficiais relacionadas à prática desse serviço da educação especial que identifica elabora e organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade com intuito de eliminar as barreiras e favorecer a participação efetiva dos alunos considerando suas necessidades específicas Enfim os conteúdos aqui disponibilizados contribuirão significativamente para o seu crescimento pessoal e profissional uma vez que além de habilitálo para a prática profissional possibilitará melhor entendimento sobre a educação inclusiva Além disso esse é um assunto que tem sido visto e analisado não apenas no contexto educacional mas em todas as esferas sociais Até mais Estudante após a leitura dos textos disponibilizados nesta unidade IV reflita sobre as especificidades do atendimento no AEE para os alunos com TEA como também as diversas estratégias pedagógicas que os docentes da sala regular e das SRMs devem desenvolver para maximizar a aprendizagem cognitiva e social desses alunos é possível inovar para alcançar tal objetivo De que forma Exemplifique Fonte A autora INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM 101 TGDTEA UNIDADE 4 Com apoio do AEE professoras flexibilizam atividades para estudante autista Projeto 3º colocado no 1º Prêmio Paratodos de Inclusão Escolar em 2015 As referências teóricas que sustentaram nosso trabalho transitaram pelas bibliografias de autores como Lev Vygotsky segundo o qual a linguagem tem um papel fundamental nos processos de ensino e aprendizagem e ainda em Piaget para quem o pensamento do sujeito é construído com a participação fundamental do grupo social ao qual está inserido São ainda usados como fundamentos as ideias de David Ausubel sobre a aprendizagem significativa e de Paulo Freire que nos dá a dimensão políticopedagógica de que é possível mudar e também de que o ensino dos conteúdos implica o testemunho ético do professor Assim elas desenvolveram conteúdo para as disciplinas de Português Matemática Ciências Inglês e História Dê um click para saber mais GOMES L BARRETO A A MILAGRES E FALEIRO M de L ASSUNÇÃO M TEIXEIRA Z Com apoio do AEE professores flexibilizam atividades para estudantes autistas 2016 Disponí vel em httpsdiversaorgbrrelatosdeexperienciacomapoioaeeprofessorasflexibilizamatividades paraestudanteautista Acesso em 14 dez 2020 INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM 102 TGDTEA UNIDADE 4 Acadêmico a Chegamos ao final da nossa viagem de estudos sobre a interlocução do atendimento especializado no ensino regular para alunos com TGDTEA Durante essa jornada primeiramente nos debruçamos sobre a linha do tempo da educação especial e então compreendemos a diferença entre segregação integração e inclusão A partir disso entendemos que o termo educação inclusiva aponta para o atendimento e superação das diversidades e das necessidades dos alunos públicoalvo da educação especial em qualquer instituição de ensino Considerando esse contexto no segundo tópico nosso diálogo esteve voltado para as especificidades do Atendimento Educacional Especializado AEE legislação diretrizes e orientações para o desenvolvimento dessa prática pedagógica Diante do exposto verificou se também que esse é um serviço da educação especial complementar e suplementar que acontece em contraturno prioritariamente na Sala de Recursos Multifuncionais SEM Além disso adquirimos conhecimentos sobre as atividades pedagógicas que devem ser desenvolvidas nesse espaço bem como os recursos necessários como por exemplo de acessibilidade mobiliários etc Por fim no último tópico aprofundamos nossos conhecimentos sobre as orientações para efetivação desse do atendimento no AEESRM enfatizando o públicoalvo em questão nessa disciplina TGDTEA Dessa forma entendemos o passo a passo para elaboração do plano de atendimento educacional especializado PAEE Além disso foram disponibilizadas informações relacionadas à educação dos indivíduos com TGDTEA e as diversas abordagens que orientam a sua escolarização como por exemplo utilização de Tecnologias Assistivas que são ferramentas atuais e dinâmicas que podem ser utilizadas na AEE em crianças autistas de grau leve a fim de auxiliar no letramento e na comunicação destas Por fim desejo que os conteúdos aqui disponibilizados contribuam significativamente para sua formação acadêmica e profissional Um grande abraço CONSIDERAÇÕES FINAIS INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM 103 TGDTEA UNIDADE 4 O Transtorno do Espectro Autista e o Atendimento Educacional Especializado O Atendimento Educacional Especializado AEE veio estabelecer novas formas de agir com o públicoalvo da Educação Especial Em se tratando do educando com Transtorno do Espectro Autista TEA a sua entrada é relativamente recente e desperta na escola situações desafiadoras Para tanto existe a necessidade de construção de um plano de AEE condizente com as necessidades individuais Considerando esses aspectos esta pesquisa buscou descrever e analisar os objetivos do AEE para educandos com TEA a partir do plano elaborado por uma professora da Sala de Recursos Multifuncionais SRM Este estudo é de cunho qualitativo e utilizou como instrumento para coleta de dados a observação direta a entrevista semiestruturada e a autoconfrontação simples Para a análise de dados apoiamonos na análise de conteúdo Os resultados demonstraram que a professora atendia três educandos com TEA e compreendia o serviço do AEE como um dos pilares para que a discussão da inclusão escolar acontecesse Ela realizava sua atividade docente de forma peculiar visto que realizava prioritariamente atividades psicopedagógicas e tinha por foco de sua ação as atividades desenvolvidas na SRM É imprescindível refletirmos que o AEE construído necessitava se materializar nas rotinas dos educandos possibilitando essas condições de acesso participação e aprendizagem em outros ambientes escolares Dê um click para ler na íntegra BARBOSA M O FUMES M O Transtorno do Espectro Autista e o Atendimento Educacional Especializado In ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL 2014 São Carlos Anais eletrônicos Campinas Galoá 2014 Disponível em httpsproceedingssciencecbeecbee6paperso transtornodoespectroautistaeoatendimentoeducacionalespecializado Acesso em 14 dez 2020 LEITURA COMPLEMENTAR INTERLOCUÇÃO DO ATENDIMENTO ESPECIALIZADO NO ENSINO REGULAR PARA ALUNOS COM 104 TGDTEA UNIDADE 4 MATERIAL COMPLEMENTAR FILMEVÍDEO Título Life Animated Ano 2016 Sinopse Conheça a história de Owen Suskind um jovem adulto autista que desde criança tem problemas de fala Utilizando filmes infantis da Disney ele conseguiu superar esse obstáculo e se comunicar com a família de uma forma única WEB Resumo Assistiva disponibiliza conhecimentos e informações na temática da Inclusão Atendimento Educacional Especializado Desenho Universal para a Aprendizagem e Tecnologia Assistiva Link do site httpswwwassistivacombr LIVRO Título Autismo na Escola Um jeito diferente de aprender Autor Eugênio Cunha Editor Wak Sinopse Este livro procura constituir um corpo de ideias e de práticas de ensino na inclusão escolar do aluno com transtorno do espectro autista Enfatiza o trabalho do professor e a grandeza do seu papel buscando estabelecer um diálogo com o leitor na missão de restituir as contribuições de uma reflexão Reflexão que veio mediada por uma pesquisa e por uma prática De fato nasceu de ideias pedagógicas aplicadas ao ofício docente em sala de aula na escola 105 Acadêmicoa Chegamos ao final da disciplina ATENDIMENTO EDUCACIONAL DE ALUNOS COM TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO na qual trilhamos caminhos que nos proporcionaram um diálogo sobre conteúdos essenciais para a sua formação acadêmica e profissional Nesse sentido os assuntos aqui abordados favoreceram o desenvolvimento de habilidades conhecimentos e atitudes do profissional inserido no contexto da esfera educacional contribuindo significativamente para a formação de um educador consciente do seu compromisso com a educação Inicialmente nosso diálogo foi direcionado para as Dimensões dos Transtornos Globais de Desenvolvimento e então na Unidade I estudamos e entendemos a Classificação Internacional de Doenças Depois analisamos as acepções do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais Por último aprofundamos nosso conhecimento sobre a definição conceituação e características do Transtorno Global do Desenvolvimento Na sequência na Unidade II nossa conversa enfatizou as características específicas do Transtornos Globais do Desenvolvimento Condutas Típicas Dessa forma no primeiro tópico conhecemos as especificações que envolvem as condutas típicas Posteriormente entendemos como o professor e a família podem lidar com essas condutas Por fim dialogamos sobre as estratégias e recursos a serem oferecidos para os alunos com condutas típicas Continuando nossa trilha de descobertas na Unidade III tivemos a oportunidade de estudar mais especificamente as particularidades e características próprias do Autismo Síndrome de Asperger e Síndrome de Rett Nesse sentido durante os três tópicos que compõem essa unidade investigamos as definições e encaminhamentos a serem realizados para cada Transtorno Global do Desenvolvimento em questão aqui nessa disciplina Enfim na Unidade IV última parada da nossa viagem pelo mundo da educação inclusiva nos debruçamos sobre as características e interlocução do atendimento especializado no ensino regular para alunos com TGDTEA Então pudemos reviver os momentos históricos pelos quais a educação inclusiva no Brasil trilhou Logo após analisamos e refletimos sobre as acepções e orientações das legislações vigentes no que tange o Atendimento Educacional Especializado AEE mais especificamente ao CONCLUSÃO GERAL 106 atendimento direcionado para o públicoalvo dessa disciplina TGDTEA Para finalizar nosso estudo foi contemplado com orientações para o professor sobre como desenvolver com excelência a prática pedagógica no AEE Além disso foram apresentadas informações sobre diversos recursos que favorecem a eliminação de barreiras no momento de ensino aprendizagem desses educandos Assim de acordo com o que foi exposto durante essa trajetória adquirimos novos conhecimentos relembramos aspectos históricos refletimos sobre os aspectos legais e dialogamos sobre a efetivação da prática profissional Desejamos portanto que no decorrer dessa jornada de conhecimentos e descobertas tenhamos contribuído significativamente para o sucesso da sua formação acadêmica como também para a excelência da sua prática profissional Um grande abraço 107 AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION APA Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais recurso eletrônico 3 ed Porto Alegre Artmed 1980 AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION APA Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais recurso eletrônico 4 ed Porto Alegre Artmed 1994 BACARIN L M B P Transtorno do espectro autista Curitiba Contentus 2020 BARBOSA M O FUMES M O Transtorno do Espectro Autista e o Atendimento Educacional Especializado In ANAIS DO CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO ESPECIAL 2014 São Carlos Anais eletrônicos Campinas Galoá 2014 Disponível em httpsproceedingssciencecbeecbee6papersotranstornodoespectroautistaeo atendimentoeducacionalespecializado Acesso em 14 dez 2020 BONDY A PECS Potential benefits and risks The Behavior Analyst Today p 127132 2001 BONDY A S FROST L A The picture exchange communication system training manual Cherry Hill Pyramid Educational Consultants 1994 BRASIL Decreto n 65712008 Dispõe sobre o Atendimento Educacional Especializado regulamenta o parágrafo único do artigo 60 da lei n 9394 de 20 de dezembro de 1996 e acrescenta dispositivo ao decreto n 6253 de 13 de novembro de 2007 Diário Oficial da União BrasíliaDF 18 set 2008 BRASIL Ministério da Educação Nota técnica n 152010 MEC CGPEEGAB Brasília DF 2010b BRASIL Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais Brasília UNESCO 1994a REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 108 BRASIL Decreto nº 5296 de 2 de dezembro de 2004 Regulamenta as Leis n 10048 de 8 de novembro de 2000 que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica e 10098 de 19 de dezembro de 2000 que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências Diário Oficial da União Brasília 13 dez 2004 Disponível em httpwwwplanaltogovbrccivil03ato200420062004decretod5296 htm Acesso em 15 jan 2021 BRASIL Decreto nº 7611 de 17 de novembro de 2011 Dispõe sobre a educação especial o atendimento educacional especializado e revoga o Decreto nº 6571 de 17 de setembro de 2008 Diário Oficial da União Brasília 18 nov 2011 Seção 1 p 12 BRASIL Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Glossário da educação especial Censo Escolar 2020 recurso eletrônico Brasília Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira 2020 BRASIL Lei 10172 de 9 de janeiro de 2001 Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências Diário Oficial da União Brasília 10 jan 2001a BRASIL Lei 13146 de 6 de julho de 2015 Institui a Lei Brasileira de Inclusão das Pessoas com Deficiência Estatuto da Pessoa com Deficiência Diário Oficial da União Brasília 2015a BRASIL Lei Federal n 8069 de 13 de julho de 1990 Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências Brasília 1990 BRASIL Lei Federal nº 127642012 de 27 de dezembro de 2012 Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e altera o 3º do art 98 da Lei no 8112 de 11 de dezembro de 1990 Diário Oficial da União Brasília 28 dez 2012 109 BRASIL Lei nº 13146 de 6 de julho de 2015 Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência Estatuto da Pessoa com Deficiência Diário Oficial da União Brasília 7 jul 2015b Seção 1 p 2 BRASIL Lei nº 7853 de 26 de outubro de 1989 Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência sua integração social sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência Corde institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas disciplina a atuação do Ministério Público define crimes e dá outras providências Diário Oficial da União Brasília 1989 BRASIL Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional Diário Oficial da União BrasíliaDF 1996 Brasil Ministério da Educação e Cultura Lei nº 5692 de 11 de agosto de 1971 Fixa diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus e dá outras providências Diário Oficial da República Federativa do Brasil BrasíliaDF 12 ago 1971 Seção 1 BRASIL Ministério da Educação Decreto nº 6094 de 24 de abril de 2007 Dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação pela União Federal em regime de colaboração com Municípios Distrito Federal e Estados e a participação das famílias e da comunidade mediante programas e ações de assistência técnica e financeira visando a mobilização social pela melhoria da qualidade da educação básica Diário Oficial da União Brasília 2007a BRASIL Ministério da Educação Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica Secretaria de Educação Especial Brasília MECSEESP 2001b BRASIL Ministério da Educação Nota Técnica nº 24 2013 Assunto Orientação aos Sistemas de Ensino para a implementação da Lei nº 127642012 Brasília 2013a Disponível em httpportalmecgovbrindexphpoptioncomdocmanviewdownloadalias13287 nt24sistemlei127642012Itemid30192 Acesso em 10 jan 2021 110 BRASIL Ministério da Educação Plano de Desenvolvimento da Educação razões princípios e programas Brasília MEC 2007b BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria nº 5552007 prorrogada pela Portaria nº 9482007 entregue ao Ministro da Educação em 07 de janeiro de 2008 Brasília 2008 Disponível em httpportalmecgovbrindexphpoptioncomdocmanviewdownloadalias16690 politicanacionaldeeducacaoespecialnaperspectivadaeducacaoinclusiva 05122014Itemid30192 BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Transtornos Globais do Desenvolvimento Brasília 2010 BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Saberes e práticas da inclusão dificuldades acentuadas de aprendizagem autismo Brasília MECSEESP 2004 BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Direito à educação subsídios para a gestão dos sistemas educacionais orientações gerais e marcos legais Brasília MECSEESP 2006 BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Nota técnica SEESPGABnº 112010 Orientações para a institucionalização da oferta do Atendimento Educacional Especializado AEE em Salas de Recursos Multifuncionais implantadas em escolas regulares Brasília MECSEESP 2010a BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Política Nacional de Educação Especial Brasília MECSEESP 1994b BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Brasília MECSEESP 2007c 111 BRASIL Ministério da Saúde Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Especializada e Temática Linha de cuidado para a atenção às pessoas com transtornos do espectro do autismo e suas famílias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde Ministério da Saúde Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Especializada e Temática Brasília Ministério da Saúde 2015 BRASIL Ministério da Saúde Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Especializada e Temática Linha de cuidado para a atenção às pessoas com transtornos do espectro do autismo e suas famílias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde Brasília Ministério da Saúde 2015 BRASIL Nota Técnica nº 15 2010 MEC CGPEE GAB Data 02 de julho de 2010 Assunto Orientações sobre Atendimento Educacional Especializado na Rede Privada 2010b BRASIL Nota Técnica nº 242013MECSECADIDPE Orientação aos Sistemas de Ensino para a implementação da Lei nº 127642012 Brasília MECSECADIDPEE 2013b BRASIL Resolução nº 4 de 2 de outubro de 2009 Institui Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica modalidade Educação Especial Brasília 2009 BRASIL Secretaria de Educação Especial Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Revista Inclusão Brasília v 4 n 1 2008 BRITES L BRITES C Mentes únicas São Paulo Gente 2019 CALDAS S D Autismo fala linguagem e comunicação Curitiba Contentus 2020 CAMINHA V L HUGUENIN J ASSIS L M de ALVES P P Orgs Autismo vivências e caminhos São Paulo Blucher 2016 112 CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA Mudança na Política de Educação Especial é retrocesso e segregação Entenda porque o CFP é contrário às alterações 2020 Disponível em httpssitecfporgbrmudancanapoliticadeeducacaoespeciale retrocessoesegregacaoentendaposicionamentodocfp Acesso em 20 de jan de 2021 DEFENDI E L Transtorno do Espectro do Autismo TEA São Paulo 2016 Disponível em httpsisposuscscombrsistemarotarotas841292scormaula2pdfpdfTEApdf FERRARI P Autismo infantil o que é e como tratar São Paulo Paulinas 2012 GOMES L BARRETO A A MILAGRES E FALEIRO M de L ASSUNÇÃO M TEIXEIRA Z Com apoio do AEE professores flexibilizam atividades para estudantes autistas 2016 Disponível em httpsdiversaorgbrrelatosdeexperienciacomapoio aeeprofessorasflexibilizamatividadesparaestudanteautista Acesso em 14 dez 2020 INSTITUTO RODRIGO MENDES Posicionamento da RedeIn a respeito da nova Política Nacional de Educação Especial 2020 Disponível em httpsinstitutorodrigomendesorg brnovapoliticanacionaleducacaoespecial Acesso em 10 jan 2021 MARA C Atividades Programa Teacch 2015 Disponível em httpabcclaudiamara blogspotcom201502atividadesmetodoteacchhtml MARQUES M B MELLO A M S R de TEACCH Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children In CAMARGOS JUNIOR W e Colaboradores Orgs Transtornos invasivos do desenvolvimento 3º milênio 2 ed Brasília Secretaria Especial dos Direitos Humanos Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência 2005 p 144147 MELLO A M S R Autismo guia prático 6 ed São Paulo AMA Brasília CORDE 2007 MIGUEL C F A BRAGAKENYON P KENYON S E Uma introdução ao sistema de comunicação através de troca de figuras PECS In CAMARGOS JUNIOR W e Colaboradores Orgs Transtornos invasivos do desenvolvimento 3º milênio 2 ed 113 Brasília Secretaria Especial dos Direitos Humanos Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência 2005 p177183 MORAIS T L da C Modelo Teacch intervenção pedagógica em crianças com perturbações do espectro do autismo 2012 182 f Dissertação Mestrado em Educação Especial Escola Superior de Educação Almeida Garrett Lisboa 2012 Disponível em httpsrecil grupolusofonaptjspuibitstream1043726731Dpdf ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE CID10 Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde 10ª rev São Paulo Universidade de São Paulo 1997 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE CID11 Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde 11ª rev São Paulo Universidade de São Paulo 2018 ORRÚ S E Autismo linguagem e educação interação social no cotidiano escolar 3 ed Rio de Janeiro Wak 2012 OXFORD Dicionário Online de Português Inclusão sd Disponível em httpswwwdicio combrsegregacao Acesso em 10 de jan de 2021 PARANÁ Departamento de Educação Básica Anexo VI Semana Pedagógica 2014 Disponível em httpwwwgestaoescolardiaadiaprgovbrarquivosFilesempedagogica julho2014anexo6pdf Acesso em 13 jan 2021 PYRAMID EDUCATIONAL CONSULTANTS Treinamento da comunicação 2019 Disponível em httpspecsbrazilcomseriedetreinamentotreinamentodacomunicacao SANTOS B S A gramática do tempo para uma nova cultura política São Paulo Editora Cortez 2006 114 SANTOS S A dos Transtornos globais do desenvolvimento Curitiba InterSaberes 2019 SANTOS S A dos Transtornos globais do desenvolvimento Curitiba Contentus 2020 SARTORETTO M L A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar recursos pedagógicos acessíveis e comunicação aumentativa e alternativa Brasília Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial Fortaleza Universidade Federal do Ceará 2010 SARTORETTO M L BERSCH R O que é a comunicação alternativa 2020 Disponível em httpswwwassistivacombrcahtml Acesso em 10 de jan 2021 SASSAKI R K Inclusão construindo uma sociedade para todos 4 ed Rio de Janeiro WVA 2002 SILVA A B B GAIATO M B REVELES L T Mundo singular entenda o autismo Rio de Janeiro Objetiva 2012 SILVA K F W da ROZERK M Org Transtorno do espectro autista TEA mitos e verdades Porto Alegre RS EDIPUCRS 2020 SIMÃO B L Métodos de intervenção pedagógica no TEA Curitiba Contentus 2020 TAVARES G Estimulação cognitiva no TEA Curitiba Contentus 2020 UNESCO Declaração de Salamanca e Linha de ação sobre necessidades educativas especiais Genebra UNESCO 1994 VIEIRA S PECS 2019 Disponível em httpswwwrevistaautismocombrartigospecs ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil 250 Centro CEP 87702 320 Paranavaí PR Brasil TELEFONE 44 3045 9898