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Atuação do farmacêutico na Indústria de Medicamentos Cosméticos e Alimentos Apresentação Você sabe em quais indústrias o farmacêutico pode atuar Logo pensamos na indústria de medicamentos mas esta não é a única As indústrias de cosméticos alimentos saneantes medicamentos veterinários e produtos para a saúde são locais onde também os farmacêuticos podem trabalhar Nesta unidade de aprendizagem será possível conhecer a área industrial de atuação do farmacêutico Bons estudos Ao final desta Unidade de Aprendizagem você deve apresentar os seguintes aprendizados Apresentar o perfil da indústria de medicamentos Identificar atividades do farmacêutico no âmbito das indústrias de medicamentos alimentos e cosméticos Indicar atividades da prática profissional do farmacêutico no contexto da indústria farmacêutica de medicamentos e cosméticos bem como da indústria de alimentos Desafio Perfil da indústria farmacêutica no Brasil A indústria farmacêutica especialmente no que diz respeito à indústria de medicamentos é um setor onde a presença do farmacêutico é obrigatória O farmacêutico por ser considerado dentre as suas diversas atribuições o profissional do medicamento é o profissional habilitado à responsabilidade das diversas etapas que compõem o ciclo produtivo do medicamento Talvez seja mais fácil identificar onde estão as farmácias e as drogarias da nossa cidade não é mesmo Agora você já se perguntou onde se localizam as indústrias farmacêuticas no Brasil Diante disto convido você a traçar um panorama da atual situação da indústria farmacêutica no Brasil atentando para aspectos como perfil número localização das indústrias farmacêuticas e medicamentos produzidos Vamos lá Infográfico Acompanhe neste infográfico os diversos campos de atuação do farmacêutico Conteúdo do livro No artigo Desafios da Indústria Farmacêutica Brasileira os autores Angelo C Pinto e Eliezer J Barreiro focam em uma área ainda em crescimento na indústria farmacêutica nacional o desenvolvimento de novos fármacos Eles destacam aspectos importantes que contribuem para que o Brasil venha a ocupar importante papel neste setor citando um caso de sucesso neste segmento a sinvastatina Você está convidado a ler a página1559 Boa leitura ARTIGO Quim Nova Vol 36 No 10 15571560 2013 email angelocpintogmailcombr DESAFIOS DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA BRASILEIRA Angelo C Pinto e Eliezer J Barreiro Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fármacos e Medicamentos INCTINOFAR Av Carlos Chagas Filho 373 Centro de Ciências da Saúde CCS Bloco K 2º andar Sala 23 Cidade Universitária CP 68043 21944971 Rio de Janeiro RJ Brasil Recebido em 151013 aceito em 11113 publicado na web em 41113 CHALLENGES OF THE BRAZILIAN PHARMACEUTICAL INDUSTRY The paper traces a panorama of the development of new drugs and hopes to contribute for Brazil to become a player in the discovery of new drugs Brazil is the sixth world market retail consumer of medicines prone to expansion has a pharmaceutical industry focused on the production of generics and a very large number of undergraduate courses in Pharmacy The national industry has grown over the last decade after the Generics Act 978799 Despite these positive aspects a number of bottlenecks prevent Brazilian pharmaceutical industry to invest in the development of new drugs There are however a number of initiatives to reduce the dependence on imported generic drugs It is a very good start for the development of new pharmaceutical drugs Keywords Brazilian pharmaceutical industry generic medicines bottlenecks of the Brazilian pharmaceutical industry INTRODUÇÃO A Diretoria e o Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Química atenta aos desafios contemporâneos agravados pela globalização com o objetivo de contribuir para a formulação de po líticas de Ciência e Tecnologia CT no domínio da Química vem elaborando propostas e documentos entre os quais se destacam os Eixos Mobilizadores em Química1 e Química sem Fronteiras2 para melhorar em todos os níveis a formação do profissional químico e aumentar a competitividade do país no setor Químico O setor químicofarmacêutico representa um dos maiores desafios do país e estes só poderão ser enfrentados se empresários governo e academia estiverem juntos Na área farmacêutica mesmo com o fortalecimento das farma coquímicas devido à lei que estabeleceu o comércio de fármacos genéricos as empresas limitamse em sua grande parte a formular e embalar os princípios ativos que importam principalmente da Índia e da China reeditando em versão contemporânea o Caminho das Índias Estas importações aumentam em muito o déficit na balança comercial brasileira O governo brasileiro ao formular as Parcerias PúblicoPrivadas PPPs deu um passo em direção ao fortalecimento do setor farmacêutico Entre os setores industriais a cadeia farmacêutica é uma das mais inovadoras daí a necessidade dos altos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para a busca de novos fármacos Em contrapartida o setor farmacêutico é um dos mais rentáveis em escala global e por isso é dos mais competitivos Esta competição por aumento da rentabilidade vem levando as Big Pharmas a sucessivas fusões ou a adquirirem empresas menores como se observou em tempos recentes No Brasil nos últimos anos do mesmo modo que aconteceu em escala global3 ocorreram fusões entre empresas brasileiras aquisição de empresas farmacêuticas brasileiras por empresas estrangeiras e de na cionais por nacionais3 Por exemplo o Aché laboratório Farmacêutico S A adquiriu o laboratório Biosintética Farmacêutica Ltda4 Outra das características do setor farmacêutico é a qualificação acadêmica dos pesquisadores em funções de P D em síntese orgânica e a expertise de seus profissionais químicos e engenhei ros químicos em adaptarem as etapas de síntese de bancada para o escalonamento primário indispensável para qualquer tecnologia de síntese multietapas em maior escala A necessidade contínua em inovar do setor industrial farmacêutico impõe ambiente competitivo que demanda alta capacitação profissional razão pela qual as Big Pharmas têm elevado número de doutores atuando em seus quadros de PD sendo parte significativa de sua força de trabalho5 Por ou tro lado poucas são as empresas farmacêuticas brasileiras que têm pessoal deste nível de qualificação entre seus colaboradores Mesmo essas quando os têm é em número reduzido em relação ao total de colaboradores contratados A história da indústria farmacêutica brasileira é repleta de altos e baixos e de uma forma ou de outra sempre esteve vinculada ao estado O melhor exemplo disso é o caso da produção de soros e vacinas no início do século XX em Manguinhos RJ e no Instituto Bacteriológico de São Paulo6 A indústria farmacêutica moderna surgiu após a segunda guerra mundial com a entrada da penicilina na terapêutica médica e com as grandes corporações farmacêuticas7 Como foge ao escopo deste artigo e há fontes primárias que tratam do tema não abordaremos a história da indústria farmacêutica no Brasil8 A INOVAÇÃO EM FÁRMACOS Levantamento da Thomson Reuters mostra que o número de fármacos inovadores9 nos últimos 10 anos vem caindo progressiva mente1011 Em 2010 21 novas entidades químicas foram aprovadas pela agência regulatória norteamericana 4 a menos do que em 2009 O menor número de inovações ocorreu em 2004 Figura 111 De fato os primeiros anos da década não foram muito alvissareiros para as BigPharmas que viram despencar de 35 em 1999 e 2000 para 19 novos fármacos no ano de 2004 Esta situação foi objeto de estudo por vários e numerosos especialistas e tema de muitos artigos publicados em prestigiosas revistas científicas Várias foram as possíveis causas desta crise de inovação que caracterizou o início do século Apesar de o aumento dos investimentos em PDI no setor para alguns autores ser ca1012 do faturamento bruto dessas empre sas12 diminuiu o número de novas pequenas moléculas de fármacos lançadas no mercado Esta situação provocou mudanças estruturais importantes na gestão da inovação no setor industrial farmacêutico Pinto e Barreiro 1558 Quim Nova sendo o modelo aberto adotado por várias empresas Esta nova for ma de gestão tecnológica do conhecimento adotada pode explicar a notável aproximação de importantes BigPharmas a determinados grupos de pesquisa identificados em universidades1315 inclusive em algumas brasileiras Cada vez é maior nas nações desenvolvidas a parceria entre as BigPharmas e a academia e vários autores trataram recentemente deste tema16 A construção do conhecimento científico em que se baseiam as modernas inovações terapêuticas se dá principalmente na academia Não são raros os exemplos de pesquisadores que foram laureados com o prêmio Nobel seja de Medicina e Fisiologia ou de Química ao longo do século 20 desde Paul Ehrlich que tiveram seus trabalhos de pesquisa relacionados com o surgimento de alguma inovação terapêutica relevante Podese observar também que alguns dos laureados eram pesquisadores com fortes vínculos ou que atuavam em laboratórios industriais como exemplifica o caso de Sir James W Black Gertude B Elion e George H Hitchings premiados em 198817 responsáveis pela invenção de fármacos inovadores marcan tes na terapêutica como propranolol e cimetidina 1 aciclovir 2 e azatioprina 3 Figura 2 respectivamente Quando debruçamonos sobre a história da descoberta da sinvas tatina 4 Figura 2 lançada em 1986 com o nome fantasia Zoccor primeiro representante da classe dos antilipêmicos inibidores da enzi ma hidroximetilglutarilCoA redutase HMGCoAR onde se situam as estatinas a classe de fármacos com o maior faturamento mundial em toda a história dos medicamentos podemos claramente identificar que de um lado a estratégia adotada pela Merck para sua descober ta18 fundamentouse em conhecimento público baseado em desco bertas científicas originadas na Universidade do Texas em Dallas EUA Estas descobertas foram lideradas por Joseph L Goldstein e Michael S Brown que esclareceram o mecanismo de regulação do metabolismo do colesterol e por isso receberam em 1985 o prêmio Nobel de Medicina Esta história praticamente se repete na invenção do imatinibe 5 Figura 2 pela empresa suiça Novartis em 2001 primeiro fármaco inibidor de tirosinaquinase da classe dos tinibes que revolucionou o tratamento do câncer1920 Também neste caso o estudo das proteínas quinases como possível alvo terapêutico para o tratamento do câncer21 foi motivado pela iniciativa acadêmica de Edwin G Krebs e Edmond H Fischer na Universidade de Washington em Seattle EUA Estes cientistas elucidaram o papel desta classe de enzimas e por este notável trabalho científico receberam em 1992 o prêmio Nobel de Medicina MERCADO VAREJISTA BRASILEIRO DE MEDICAMENTOS O mercado varejista de medicamentos e o número de instituições de ensino superior de Farmácia no Brasil crescem em ritmo chinês O Brasil será em 2015 o 60 maior mercado consumidor de medica mentos no mundo sendo estimado por alguns para o corrente ano de 2013 em ca de R 54 bilhões22 Em 2010 estavam registradas 82204 farmácias e drogarias 7351 farmácias de manipulação e 1053 farmácias homeopáticas no Conselho Federal de Farmácia O faturamento do setor de farmácias e drogarias atingiu em 2012 a cifra de 496 bilhões de reais e a previsão é que em 2017 a per manecer o atual ritmo de crescimento chegue a 100 bilhões de reais Figura 3 O mercado de varejo farmacêutico é tão atraente que grandes redes internacionais de farmácias começam a estabelecerse no país e fusões de grandes drogarias como as que ocorreram em 2011 entre Droga Raia e Drogasil e as Drogarias Pacheco e São Paulo resultaram em grandes gigantes do setor23 Se for levado em consideração que o consumo per capita anual do brasileiro com medicamentos é baixo até mesmo quando comparado com o do argentino e que a renda média da população no Brasil vem aumentando na última década há muito espaço para mais crescimento no setor Figura 4 Outros números que chamam a atenção dos que se dedicam a estudar o setor farmacêutico brasileiro é o de cursos de graduação de Farmácia Em 2012 estavam cadastrados 481 cursos no Ministério Figura 3 Faturamento do setor comercial de farmácias no Brasil Adaptado de Brasilpar Infografia Gazeta do Povo Figura 2 Estruturas dos fármacos cimetidina 1 aciclovir 2 azatiaprina 3 sinvastatina 4 e imatine 5 Figura 1 Número de novos fármacos lançados anualmente no período de 1999 até 2012 segundo aprovação da agência regulatória Food Drug Ad ministration dos EUA e exemplos de fármacos inovadores Fonte Annual Reports in Medicinal Chemistry Market to Market Volumes 3648 Divisão de Química Medicinal ACS 19992012 Desafios da indústria farmacêutica brasileira 1559 Vol 36 No 10 de Educação Desses cursos 83 Ca 400 são de instituições particulares24 OS MEDICAMENTOS GENÉRICOS A lei que criou no Brasil os genéricos nº 978799 é um divisor de águas na indústria farmacêutica brasileira Além de facilitar aos brasileiros o acesso aos medicamentos fortaleceu as empresas bra sileiras que passaram a produzir os fármacos genéricos no Brasil muito embora os princípios ativos por serem em sua quase totalidade importados da Índia e da China aumentaram o déficit na balança comercial brasileira Hoje 14 dos medicamentos comercializados no país são genéricos25 Com a ascensão das classes sociais C D e E e o aumento da expectativa de vida da população brasileira as vendas de medicamentos genéricos tendem a aumentar Além do aumento de consumo de genéricos alguns dos fármacos mais ven didos no mundo vêm tendo suas patentes expiradas Isso gera mais oportunidades para o empresariado farmacêutico nacional A Tabela 1 ilustra alguns medicamentos de marca que tiveram suas patentes vencidas em 2012 distribuídos entre várias classes terapêuticas eg cardiovasculares sistema nervoso central úlcera péptica de diver sas empresas indicando o volume de vendas mundiais em período próximo ao vencimento de suas patentes 2010 O que falta para o Brasil se transformar num player na descoberta de novos fármacos tendo em vista que apenas dois fármacos foram efetivamente desenvolvidos no Brasil chegando às prateleiras das farmácias Por que os princípios ativos dos genéricos continuam sendo importados da Índia e da China Para tentar responder a estas perguntas foram elencados pontos críticos e pontos positivos do setor farmacêutico brasileiro sob a ótica da academia Certamente os empresários têm outras respostas PONTOS CRÍTICOS Não há no país laboratórios de escalonamento primário certifica dos e capacitados para adaptarem as rotas de síntese de moléculas desenvolvidas nas bancadas dos laboratórios acadêmicos Número reduzido de doutores em atividades de PD na indústria farmacêutica A total dependência da importação de princípios ativos da China e da Índia para produção de genéricos Formação inadequada da imensa maioria dos profissionais farmacêuticos que não tem durante a graduação nos cursos de Farmácia o treinamento efetivo de metodologia científica de pesquisa desejável para a sua inserção profissional na indústria farmacêutica A pouca proximidade da academia com a indústria farmacêutica26 O empresário industrial farmacêutico brasileiro em sua imensa maioria não se interessa pelos medicamentos inovadores porque o custo para o seu desenvolvimento é elevado e o retorno finan ceiro é de alto risco A política rígida de preços de medicamentos do governo e a pouca articulação do setor público e privado A frágil estrutura da pesquisa clínica e préclínica para a des coberta de fármacos é agravada porque no Brasil antes de se começar um estudo com participação internacional é exigida dupla aprovação ética pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa subordinada ao Conselho Nacional de Saúde e pelos comitês locais além da autorização da Anvisa Ao contrário do que acontece nas nações desenvolvidas como Estados Unidos Japão e países da União Europeia cujo trâmite é de no máximo de 60 dias no Brasil esperase mais de 1 ano PONTOS POSITIVOS No Brasil há alguns poucos grupos de pesquisa com competência acadêmica estabelecida e reconhecida em síntese orgânica A melhor prova dessa afirmação são as sínteses recentes da ator vastatina 6 LipitorR Figura 5 importante fármaco da classe das estatinas vide supra por pesquisadores do Instituto de Química da UNICAMP integrantes do INCT de Fármacos e Medicamentos INCTINOFAR e do sunitinibe 7 SutentR Figura 5 repre sentante dos tinibes por pesquisadores do Instituto de Química da UFRJ membros do mesmo INCT27 O LipitorR foi o medicamento mais vendido no mundo em todos os tempos e sua patente expirou no principal mercado farmacêutico mundial em novembro de 2011 tendo como indicação o controle dos níveis de colesterol plasmático O SutentR ainda protegido por patente até 2021 em alguns importantes mercados farmacêuticos Tabela 1 Fármacos que observaram o vencimento do período de proteção patentária em 2012 nos principais mercados com nomes fantasia e genérico e total de vendas mundiais em 2010 MarcaR Nome Empresa Vendas 2010 US 1000 Seroquel Quetiapina AZ 6800 Lexapro Escitalopram Lundbeck 2300 Provigil Modafanila Teva 1100 Plavix Clopidogrel SanofiBMS 8900 Singulair Montelucaste Merck 5500 Actos Pioglitazona Takeda 4300 Diovan Valsartana Novartis 4100 AZ AstraZeneca BMS BristolMeyers Squibb Figura 4 Gastos per capita em medicamentos em alguns países e a situação do mercado varejista farmacêutico no Brasil Fonte Brasilpar Figura 5 Estruturas dos fármacos atorvastatina 6 e sunitinibe 7 Pinto e Barreiro 1560 Quim Nova é usado para combater certos tipos de câncer de rim estômago e intestino Seu preço é elevado e o fármaco não faz parte do protocolo do Sistema Único de Saúde SUS brasileiro O apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES para produção pesquisa desenvol vimento inovação e fortalecimento das empresas farmacêuticas nacionais28 O lançamento de chamadas públicas através de editais como a da Biolab o quarto maior laboratório nacional com a FAPESP voltada à inovação em medicamentos para a saúde humana29 A criação das Parcerias PúblicoPrivadas PPPs para estimular as farmacoquímicas brasileiras a superarem a estagnação tec nológica atual e a aumentarem a produção de medicamentos e consequente redução das importações do setor farmacêutico O pujante mercado varejista de medicamentos que cresce em ritmo chinês e ocupa a sexta posição no ranking mundial CONCLUSÕES Não basta só o poder de compra do governo é necessário que as empresas farmacêuticas verticalizem a produção de fármacos e não se limitem a importação de intermediários avançados É preciso que invistam na descoberta de fármacos inovadores Os cursos de graduação de Farmácia e de Química precisam adequar suas grades curriculares para formar profissionais mais qualificados para atuarem nos laboratórios de PD da indústria farmacêutica Há muitos e bons diagnósticos do setor químicofarmacêutico Falta entretanto vontade política do governo e menos burocracia arrojo dos empresários nacionais e engajamento da academia para que o Brasil ocupe uma posição de destaque no cenário farmacêutico internacional AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao CNPq e FAPERJ pelo apoio finan ceiro ao INCTINOFAR Proc CNPq 57356420086 FAPERJ E15261700202008 e por bolsas de produtividade do CNPq e de Cientista do Nosso Estado da FAPERJ respectivamente REFERÊNCIAS 1 De Andrade J B Cadore S Vieira P C Zucco C Pinto A C Quim Nova 2003 26 445 2 Pinto A C Zucco C Galembeck F de Andrade J B Vieira P C Quim Nova 2012 35 2092 3 Rosenberg G Fonseca M G D DAvila L A Econ Soc 2010 19 107 4 httpwwwguiadafarmaciacombredicao246tendenciacorridapelo lucro acessada em Outubro 2013 5 Wong G H W Nature Biotechnology 2004 22 1481 6 Benchimol J L Em Louis Pasteur Oswaldo Cruz Inovação e tradição em saúde Lima N T Marchand MH eds Editora FIOCRUZBanco BNP Paribas Brasil SA Rio de Janeiro 2005 cap1 7 Calixto J B Siqueira Jr J M Gaz Med Bahia 2008 78 suplemento 98 8 Cytrynowicz M M Origens e trajetórias da indústria farmacêutica no Brasil Narrativa Um 2007 192 p 9 Medicamentos inovadores são aqueles que apresentam maior eficácia em relação aos medicamentos existentes para a mesma indicação terapêutica mesma eficácia com diminuição significativa dos efeitos adversos ou a mesma eficácia com redução significativa do custo global custos indiretos e diretos incluídos do tratamento 10 Mullard A Nat Rev Drug Discovery 2013 11 87 Mullard A Nat Rev Drug Discovery 2010 9 82 Mullard A Nat Rev Drug Discovery 2011 10 6 11 Khanna I Drug Discov Today 2012 17 1088 12 Paul S M Nat Rev Drug Discovery 2010 9 203 13 Jorgensen W L Angew Chem Int Ed 2012 51 11680 14 Frye S Nat Rev Drug Discovery 2011 10 409 15 TralauStewart C J Drug Discov Today 2009 14 95 16 Wyatt P G Future Med Chem 2009 1 1013 17 httpwwwnobelprizeorg acessada em Outubro 2013 18 Anderson P S Annual Reports in Medicinal Chemistry 2012 47 3 19 Sanderson K Nat Rev Drug Discovery 2013 12 649 20 Aggarwal S Nat Rev Drug Discovery 2010 9 427 21 Cohen P Nat Rev Drug Discovery 2002 1 309 22 httpwwwgazetadopovocombreconomiaconteudo phtmlid1378002tit acessada em Outubro 2013 23 h t t p w w w i s t o e d i n h e i r o c o m b r n o t i c i a s 6 5 1 8 1 FUSAO2BDE2BIGUAIS acessada em Outubro 2013 24 httpwwwfarmaciaufgbrpages33284 acessada em Outubro 2013 25 Barreiro E J L Pinto A C J Braz Chem Soc 2010 21 775 26 Rocha M M Lima G B A Lameira V J Quelhas OL G J Technol Manag Innov 2012 7 148 27 Portal dos Fármacos httpwwwportaldosfarmacosccsufrjbr acessada em Outubro 2013 28 Palmeira Filho P L Pieroni J P Antunes A Bomtempo JV Revista do BNDES 2012 37 67 29 Chamada de propostas de pesquisa FAPESPBIOLAB 2012 no âmbito do acordo de cooperação científica entre FAPESP e BIOLAB para apoio à pesquisa httpwwwfapespbr7127phtml Dica do professor Hoje vamos conhecer algumas atividades que podem ser realizadas pelo farmacêutico nas diversas indústrias nas quais ele pode atuar Você está pronto Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar Exercícios 1 Marque a alternativa que não indica uma indústria na qual o farmacêutico possa atuar como responsável técnico A Alimentos enlatados B Cosméticos C Medicamentos veterinários D Bebidas gaseificadas E Abatedouro de suínos 2 A produção de medicamentos é uma atividade exclusiva do farmacêutico Em se tratando da produção de alimentos e cosméticos esta responsabilidade é compartilhada com demais profissionais de áreas afins Marque a alternativa que indica profissionais que compartilham a responsabilidade técnica de indústrias de cosméticos e de alimentos com farmacêuticos respectivamente A Engenheiros de alimentos e biólogos B Químicos e engenheiros de alimentos C Biólogos e engenheiros químicos D Biomédicos e engenheiros químicos E Químicos e nutricionistas 3 Todas são atribuições do farmacêutico atuante no SAC de uma indústria farmacêutica EXCETO A Aprovar ou reprovar lotes de medicamentos antes de serem comercializados B Controlar as reclamações e as dúvidas de clientes informando as possíveis causas C Manter contato com o setor de pesquisa clínica e a busca de informações farmacológicas farmacocinéticas farmacodinâmicas etc sobre os medicamentos que a empresa produz D Participar do sistema de recolhimento de produtos recall que apresentam desvios de qualidade ou que estejam sob suspeita E Avaliar tendências de desvios de qualidade evidenciados por meio de reclamações e atuar na promoção da melhoria contínua no atendimento ao consumidor 4 O setor responsável pelo cumprimento das Boas Práticas de Fabricação nas indústrias de medicamentos de cosméticos e de alimentos é A Controle de Qualidade B Assuntos Regulatórios C Garantia da Qualidade D Pesquisa e Desenvolvimento E Serviço de Atendimento ao Consumidor SAC 5 A indústria de medicamentos no Brasil está focada na produção de A Medicamentos genéricos B Medicamentos isentos de prescrição C Vacinas D Soros E Fitoterápicos Na prática Vamos a um exemplo prático de atuação do farmacêutico na indústria cosmética no que diz respeito à concepção até a colocação de um produto cosmético no mercado Considere que você é o farmacêutico responsável pelo desenvolvimento de produtos em uma indústria de cosméticos Esta indústria produz cosméticos para uma linha própria bem como para terceiros Como assim Ela possui uma linha que leva a sua marca e também linhas de cosméticos que trazem o nome de uma loja de uma rede de farmácias de uma revista por exemplo Agora como são desenvolvidos esses produtos Na verdade o primeiro passo é ter em mente qual produto se quer produzir podendo aplicar o que se chama de briefing momento no qual se organiza um portfólio de informações que aponta todas as características do produto a produzir e comercializar Diante desses dados o seu setor o de pesquisa e desenvolvimento de cosméticos irá Desenvolver uma formulação cosmética de modo a atender estes anseios que na maioria das vezes são baseados em tendências mundiais de moda e de beleza Desenvolver o produto a embalagem o rótulo mantendo contato direto com o setor de marketing para tal Terá que depois de concebido o produto submetêlo a testes de controle de qualidade físicoquímicos e microbiológicos para atestar a qualidade bem como a estabilidade do produto Ser informado pelo setor de assuntos regulatórios quais as legislações que deverão ser atendidas para que o produto possa ser notificado ou registrado junto à Anvisa Até que finalmente o cosmético possa ser produzido em grande escala e ser comercializado Essa rotina leva em torno de 6 meses mas pode levar mais ou menos tempo de acordo com o porte da empresa e a disponibilização de profissionais para cada uma das atividades Saiba Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto veja abaixo as sugestões do professor Perfil da indústria farmacêutica e aspectos relevantes do setor Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar
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Atuação do farmacêutico na Indústria de Medicamentos Cosméticos e Alimentos Apresentação Você sabe em quais indústrias o farmacêutico pode atuar Logo pensamos na indústria de medicamentos mas esta não é a única As indústrias de cosméticos alimentos saneantes medicamentos veterinários e produtos para a saúde são locais onde também os farmacêuticos podem trabalhar Nesta unidade de aprendizagem será possível conhecer a área industrial de atuação do farmacêutico Bons estudos Ao final desta Unidade de Aprendizagem você deve apresentar os seguintes aprendizados Apresentar o perfil da indústria de medicamentos Identificar atividades do farmacêutico no âmbito das indústrias de medicamentos alimentos e cosméticos Indicar atividades da prática profissional do farmacêutico no contexto da indústria farmacêutica de medicamentos e cosméticos bem como da indústria de alimentos Desafio Perfil da indústria farmacêutica no Brasil A indústria farmacêutica especialmente no que diz respeito à indústria de medicamentos é um setor onde a presença do farmacêutico é obrigatória O farmacêutico por ser considerado dentre as suas diversas atribuições o profissional do medicamento é o profissional habilitado à responsabilidade das diversas etapas que compõem o ciclo produtivo do medicamento Talvez seja mais fácil identificar onde estão as farmácias e as drogarias da nossa cidade não é mesmo Agora você já se perguntou onde se localizam as indústrias farmacêuticas no Brasil Diante disto convido você a traçar um panorama da atual situação da indústria farmacêutica no Brasil atentando para aspectos como perfil número localização das indústrias farmacêuticas e medicamentos produzidos Vamos lá Infográfico Acompanhe neste infográfico os diversos campos de atuação do farmacêutico Conteúdo do livro No artigo Desafios da Indústria Farmacêutica Brasileira os autores Angelo C Pinto e Eliezer J Barreiro focam em uma área ainda em crescimento na indústria farmacêutica nacional o desenvolvimento de novos fármacos Eles destacam aspectos importantes que contribuem para que o Brasil venha a ocupar importante papel neste setor citando um caso de sucesso neste segmento a sinvastatina Você está convidado a ler a página1559 Boa leitura ARTIGO Quim Nova Vol 36 No 10 15571560 2013 email angelocpintogmailcombr DESAFIOS DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA BRASILEIRA Angelo C Pinto e Eliezer J Barreiro Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fármacos e Medicamentos INCTINOFAR Av Carlos Chagas Filho 373 Centro de Ciências da Saúde CCS Bloco K 2º andar Sala 23 Cidade Universitária CP 68043 21944971 Rio de Janeiro RJ Brasil Recebido em 151013 aceito em 11113 publicado na web em 41113 CHALLENGES OF THE BRAZILIAN PHARMACEUTICAL INDUSTRY The paper traces a panorama of the development of new drugs and hopes to contribute for Brazil to become a player in the discovery of new drugs Brazil is the sixth world market retail consumer of medicines prone to expansion has a pharmaceutical industry focused on the production of generics and a very large number of undergraduate courses in Pharmacy The national industry has grown over the last decade after the Generics Act 978799 Despite these positive aspects a number of bottlenecks prevent Brazilian pharmaceutical industry to invest in the development of new drugs There are however a number of initiatives to reduce the dependence on imported generic drugs It is a very good start for the development of new pharmaceutical drugs Keywords Brazilian pharmaceutical industry generic medicines bottlenecks of the Brazilian pharmaceutical industry INTRODUÇÃO A Diretoria e o Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Química atenta aos desafios contemporâneos agravados pela globalização com o objetivo de contribuir para a formulação de po líticas de Ciência e Tecnologia CT no domínio da Química vem elaborando propostas e documentos entre os quais se destacam os Eixos Mobilizadores em Química1 e Química sem Fronteiras2 para melhorar em todos os níveis a formação do profissional químico e aumentar a competitividade do país no setor Químico O setor químicofarmacêutico representa um dos maiores desafios do país e estes só poderão ser enfrentados se empresários governo e academia estiverem juntos Na área farmacêutica mesmo com o fortalecimento das farma coquímicas devido à lei que estabeleceu o comércio de fármacos genéricos as empresas limitamse em sua grande parte a formular e embalar os princípios ativos que importam principalmente da Índia e da China reeditando em versão contemporânea o Caminho das Índias Estas importações aumentam em muito o déficit na balança comercial brasileira O governo brasileiro ao formular as Parcerias PúblicoPrivadas PPPs deu um passo em direção ao fortalecimento do setor farmacêutico Entre os setores industriais a cadeia farmacêutica é uma das mais inovadoras daí a necessidade dos altos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para a busca de novos fármacos Em contrapartida o setor farmacêutico é um dos mais rentáveis em escala global e por isso é dos mais competitivos Esta competição por aumento da rentabilidade vem levando as Big Pharmas a sucessivas fusões ou a adquirirem empresas menores como se observou em tempos recentes No Brasil nos últimos anos do mesmo modo que aconteceu em escala global3 ocorreram fusões entre empresas brasileiras aquisição de empresas farmacêuticas brasileiras por empresas estrangeiras e de na cionais por nacionais3 Por exemplo o Aché laboratório Farmacêutico S A adquiriu o laboratório Biosintética Farmacêutica Ltda4 Outra das características do setor farmacêutico é a qualificação acadêmica dos pesquisadores em funções de P D em síntese orgânica e a expertise de seus profissionais químicos e engenhei ros químicos em adaptarem as etapas de síntese de bancada para o escalonamento primário indispensável para qualquer tecnologia de síntese multietapas em maior escala A necessidade contínua em inovar do setor industrial farmacêutico impõe ambiente competitivo que demanda alta capacitação profissional razão pela qual as Big Pharmas têm elevado número de doutores atuando em seus quadros de PD sendo parte significativa de sua força de trabalho5 Por ou tro lado poucas são as empresas farmacêuticas brasileiras que têm pessoal deste nível de qualificação entre seus colaboradores Mesmo essas quando os têm é em número reduzido em relação ao total de colaboradores contratados A história da indústria farmacêutica brasileira é repleta de altos e baixos e de uma forma ou de outra sempre esteve vinculada ao estado O melhor exemplo disso é o caso da produção de soros e vacinas no início do século XX em Manguinhos RJ e no Instituto Bacteriológico de São Paulo6 A indústria farmacêutica moderna surgiu após a segunda guerra mundial com a entrada da penicilina na terapêutica médica e com as grandes corporações farmacêuticas7 Como foge ao escopo deste artigo e há fontes primárias que tratam do tema não abordaremos a história da indústria farmacêutica no Brasil8 A INOVAÇÃO EM FÁRMACOS Levantamento da Thomson Reuters mostra que o número de fármacos inovadores9 nos últimos 10 anos vem caindo progressiva mente1011 Em 2010 21 novas entidades químicas foram aprovadas pela agência regulatória norteamericana 4 a menos do que em 2009 O menor número de inovações ocorreu em 2004 Figura 111 De fato os primeiros anos da década não foram muito alvissareiros para as BigPharmas que viram despencar de 35 em 1999 e 2000 para 19 novos fármacos no ano de 2004 Esta situação foi objeto de estudo por vários e numerosos especialistas e tema de muitos artigos publicados em prestigiosas revistas científicas Várias foram as possíveis causas desta crise de inovação que caracterizou o início do século Apesar de o aumento dos investimentos em PDI no setor para alguns autores ser ca1012 do faturamento bruto dessas empre sas12 diminuiu o número de novas pequenas moléculas de fármacos lançadas no mercado Esta situação provocou mudanças estruturais importantes na gestão da inovação no setor industrial farmacêutico Pinto e Barreiro 1558 Quim Nova sendo o modelo aberto adotado por várias empresas Esta nova for ma de gestão tecnológica do conhecimento adotada pode explicar a notável aproximação de importantes BigPharmas a determinados grupos de pesquisa identificados em universidades1315 inclusive em algumas brasileiras Cada vez é maior nas nações desenvolvidas a parceria entre as BigPharmas e a academia e vários autores trataram recentemente deste tema16 A construção do conhecimento científico em que se baseiam as modernas inovações terapêuticas se dá principalmente na academia Não são raros os exemplos de pesquisadores que foram laureados com o prêmio Nobel seja de Medicina e Fisiologia ou de Química ao longo do século 20 desde Paul Ehrlich que tiveram seus trabalhos de pesquisa relacionados com o surgimento de alguma inovação terapêutica relevante Podese observar também que alguns dos laureados eram pesquisadores com fortes vínculos ou que atuavam em laboratórios industriais como exemplifica o caso de Sir James W Black Gertude B Elion e George H Hitchings premiados em 198817 responsáveis pela invenção de fármacos inovadores marcan tes na terapêutica como propranolol e cimetidina 1 aciclovir 2 e azatioprina 3 Figura 2 respectivamente Quando debruçamonos sobre a história da descoberta da sinvas tatina 4 Figura 2 lançada em 1986 com o nome fantasia Zoccor primeiro representante da classe dos antilipêmicos inibidores da enzi ma hidroximetilglutarilCoA redutase HMGCoAR onde se situam as estatinas a classe de fármacos com o maior faturamento mundial em toda a história dos medicamentos podemos claramente identificar que de um lado a estratégia adotada pela Merck para sua descober ta18 fundamentouse em conhecimento público baseado em desco bertas científicas originadas na Universidade do Texas em Dallas EUA Estas descobertas foram lideradas por Joseph L Goldstein e Michael S Brown que esclareceram o mecanismo de regulação do metabolismo do colesterol e por isso receberam em 1985 o prêmio Nobel de Medicina Esta história praticamente se repete na invenção do imatinibe 5 Figura 2 pela empresa suiça Novartis em 2001 primeiro fármaco inibidor de tirosinaquinase da classe dos tinibes que revolucionou o tratamento do câncer1920 Também neste caso o estudo das proteínas quinases como possível alvo terapêutico para o tratamento do câncer21 foi motivado pela iniciativa acadêmica de Edwin G Krebs e Edmond H Fischer na Universidade de Washington em Seattle EUA Estes cientistas elucidaram o papel desta classe de enzimas e por este notável trabalho científico receberam em 1992 o prêmio Nobel de Medicina MERCADO VAREJISTA BRASILEIRO DE MEDICAMENTOS O mercado varejista de medicamentos e o número de instituições de ensino superior de Farmácia no Brasil crescem em ritmo chinês O Brasil será em 2015 o 60 maior mercado consumidor de medica mentos no mundo sendo estimado por alguns para o corrente ano de 2013 em ca de R 54 bilhões22 Em 2010 estavam registradas 82204 farmácias e drogarias 7351 farmácias de manipulação e 1053 farmácias homeopáticas no Conselho Federal de Farmácia O faturamento do setor de farmácias e drogarias atingiu em 2012 a cifra de 496 bilhões de reais e a previsão é que em 2017 a per manecer o atual ritmo de crescimento chegue a 100 bilhões de reais Figura 3 O mercado de varejo farmacêutico é tão atraente que grandes redes internacionais de farmácias começam a estabelecerse no país e fusões de grandes drogarias como as que ocorreram em 2011 entre Droga Raia e Drogasil e as Drogarias Pacheco e São Paulo resultaram em grandes gigantes do setor23 Se for levado em consideração que o consumo per capita anual do brasileiro com medicamentos é baixo até mesmo quando comparado com o do argentino e que a renda média da população no Brasil vem aumentando na última década há muito espaço para mais crescimento no setor Figura 4 Outros números que chamam a atenção dos que se dedicam a estudar o setor farmacêutico brasileiro é o de cursos de graduação de Farmácia Em 2012 estavam cadastrados 481 cursos no Ministério Figura 3 Faturamento do setor comercial de farmácias no Brasil Adaptado de Brasilpar Infografia Gazeta do Povo Figura 2 Estruturas dos fármacos cimetidina 1 aciclovir 2 azatiaprina 3 sinvastatina 4 e imatine 5 Figura 1 Número de novos fármacos lançados anualmente no período de 1999 até 2012 segundo aprovação da agência regulatória Food Drug Ad ministration dos EUA e exemplos de fármacos inovadores Fonte Annual Reports in Medicinal Chemistry Market to Market Volumes 3648 Divisão de Química Medicinal ACS 19992012 Desafios da indústria farmacêutica brasileira 1559 Vol 36 No 10 de Educação Desses cursos 83 Ca 400 são de instituições particulares24 OS MEDICAMENTOS GENÉRICOS A lei que criou no Brasil os genéricos nº 978799 é um divisor de águas na indústria farmacêutica brasileira Além de facilitar aos brasileiros o acesso aos medicamentos fortaleceu as empresas bra sileiras que passaram a produzir os fármacos genéricos no Brasil muito embora os princípios ativos por serem em sua quase totalidade importados da Índia e da China aumentaram o déficit na balança comercial brasileira Hoje 14 dos medicamentos comercializados no país são genéricos25 Com a ascensão das classes sociais C D e E e o aumento da expectativa de vida da população brasileira as vendas de medicamentos genéricos tendem a aumentar Além do aumento de consumo de genéricos alguns dos fármacos mais ven didos no mundo vêm tendo suas patentes expiradas Isso gera mais oportunidades para o empresariado farmacêutico nacional A Tabela 1 ilustra alguns medicamentos de marca que tiveram suas patentes vencidas em 2012 distribuídos entre várias classes terapêuticas eg cardiovasculares sistema nervoso central úlcera péptica de diver sas empresas indicando o volume de vendas mundiais em período próximo ao vencimento de suas patentes 2010 O que falta para o Brasil se transformar num player na descoberta de novos fármacos tendo em vista que apenas dois fármacos foram efetivamente desenvolvidos no Brasil chegando às prateleiras das farmácias Por que os princípios ativos dos genéricos continuam sendo importados da Índia e da China Para tentar responder a estas perguntas foram elencados pontos críticos e pontos positivos do setor farmacêutico brasileiro sob a ótica da academia Certamente os empresários têm outras respostas PONTOS CRÍTICOS Não há no país laboratórios de escalonamento primário certifica dos e capacitados para adaptarem as rotas de síntese de moléculas desenvolvidas nas bancadas dos laboratórios acadêmicos Número reduzido de doutores em atividades de PD na indústria farmacêutica A total dependência da importação de princípios ativos da China e da Índia para produção de genéricos Formação inadequada da imensa maioria dos profissionais farmacêuticos que não tem durante a graduação nos cursos de Farmácia o treinamento efetivo de metodologia científica de pesquisa desejável para a sua inserção profissional na indústria farmacêutica A pouca proximidade da academia com a indústria farmacêutica26 O empresário industrial farmacêutico brasileiro em sua imensa maioria não se interessa pelos medicamentos inovadores porque o custo para o seu desenvolvimento é elevado e o retorno finan ceiro é de alto risco A política rígida de preços de medicamentos do governo e a pouca articulação do setor público e privado A frágil estrutura da pesquisa clínica e préclínica para a des coberta de fármacos é agravada porque no Brasil antes de se começar um estudo com participação internacional é exigida dupla aprovação ética pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa subordinada ao Conselho Nacional de Saúde e pelos comitês locais além da autorização da Anvisa Ao contrário do que acontece nas nações desenvolvidas como Estados Unidos Japão e países da União Europeia cujo trâmite é de no máximo de 60 dias no Brasil esperase mais de 1 ano PONTOS POSITIVOS No Brasil há alguns poucos grupos de pesquisa com competência acadêmica estabelecida e reconhecida em síntese orgânica A melhor prova dessa afirmação são as sínteses recentes da ator vastatina 6 LipitorR Figura 5 importante fármaco da classe das estatinas vide supra por pesquisadores do Instituto de Química da UNICAMP integrantes do INCT de Fármacos e Medicamentos INCTINOFAR e do sunitinibe 7 SutentR Figura 5 repre sentante dos tinibes por pesquisadores do Instituto de Química da UFRJ membros do mesmo INCT27 O LipitorR foi o medicamento mais vendido no mundo em todos os tempos e sua patente expirou no principal mercado farmacêutico mundial em novembro de 2011 tendo como indicação o controle dos níveis de colesterol plasmático O SutentR ainda protegido por patente até 2021 em alguns importantes mercados farmacêuticos Tabela 1 Fármacos que observaram o vencimento do período de proteção patentária em 2012 nos principais mercados com nomes fantasia e genérico e total de vendas mundiais em 2010 MarcaR Nome Empresa Vendas 2010 US 1000 Seroquel Quetiapina AZ 6800 Lexapro Escitalopram Lundbeck 2300 Provigil Modafanila Teva 1100 Plavix Clopidogrel SanofiBMS 8900 Singulair Montelucaste Merck 5500 Actos Pioglitazona Takeda 4300 Diovan Valsartana Novartis 4100 AZ AstraZeneca BMS BristolMeyers Squibb Figura 4 Gastos per capita em medicamentos em alguns países e a situação do mercado varejista farmacêutico no Brasil Fonte Brasilpar Figura 5 Estruturas dos fármacos atorvastatina 6 e sunitinibe 7 Pinto e Barreiro 1560 Quim Nova é usado para combater certos tipos de câncer de rim estômago e intestino Seu preço é elevado e o fármaco não faz parte do protocolo do Sistema Único de Saúde SUS brasileiro O apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES para produção pesquisa desenvol vimento inovação e fortalecimento das empresas farmacêuticas nacionais28 O lançamento de chamadas públicas através de editais como a da Biolab o quarto maior laboratório nacional com a FAPESP voltada à inovação em medicamentos para a saúde humana29 A criação das Parcerias PúblicoPrivadas PPPs para estimular as farmacoquímicas brasileiras a superarem a estagnação tec nológica atual e a aumentarem a produção de medicamentos e consequente redução das importações do setor farmacêutico O pujante mercado varejista de medicamentos que cresce em ritmo chinês e ocupa a sexta posição no ranking mundial CONCLUSÕES Não basta só o poder de compra do governo é necessário que as empresas farmacêuticas verticalizem a produção de fármacos e não se limitem a importação de intermediários avançados É preciso que invistam na descoberta de fármacos inovadores Os cursos de graduação de Farmácia e de Química precisam adequar suas grades curriculares para formar profissionais mais qualificados para atuarem nos laboratórios de PD da indústria farmacêutica Há muitos e bons diagnósticos do setor químicofarmacêutico Falta entretanto vontade política do governo e menos burocracia arrojo dos empresários nacionais e engajamento da academia para que o Brasil ocupe uma posição de destaque no cenário farmacêutico internacional AGRADECIMENTOS Os autores agradecem ao CNPq e FAPERJ pelo apoio finan ceiro ao INCTINOFAR Proc CNPq 57356420086 FAPERJ E15261700202008 e por bolsas de produtividade do CNPq e de Cientista do Nosso Estado da FAPERJ respectivamente REFERÊNCIAS 1 De Andrade J B Cadore S Vieira P C Zucco C Pinto A C Quim Nova 2003 26 445 2 Pinto A C Zucco C Galembeck F de Andrade J B Vieira P C Quim Nova 2012 35 2092 3 Rosenberg G Fonseca M G D DAvila L A Econ Soc 2010 19 107 4 httpwwwguiadafarmaciacombredicao246tendenciacorridapelo lucro acessada em Outubro 2013 5 Wong G H W Nature Biotechnology 2004 22 1481 6 Benchimol J L Em Louis Pasteur Oswaldo Cruz Inovação e tradição em saúde Lima N T Marchand MH eds Editora FIOCRUZBanco BNP Paribas Brasil SA Rio de Janeiro 2005 cap1 7 Calixto J B Siqueira Jr J M Gaz Med Bahia 2008 78 suplemento 98 8 Cytrynowicz M M Origens e trajetórias da indústria farmacêutica no Brasil Narrativa Um 2007 192 p 9 Medicamentos inovadores são aqueles que apresentam maior eficácia em relação aos medicamentos existentes para a mesma indicação terapêutica mesma eficácia com diminuição significativa dos efeitos adversos ou a mesma eficácia com redução significativa do custo global custos indiretos e diretos incluídos do tratamento 10 Mullard A Nat Rev Drug Discovery 2013 11 87 Mullard A Nat Rev Drug Discovery 2010 9 82 Mullard A Nat Rev Drug Discovery 2011 10 6 11 Khanna I Drug Discov Today 2012 17 1088 12 Paul S M Nat Rev Drug Discovery 2010 9 203 13 Jorgensen W L Angew Chem Int Ed 2012 51 11680 14 Frye S Nat Rev Drug Discovery 2011 10 409 15 TralauStewart C J Drug Discov Today 2009 14 95 16 Wyatt P G Future Med Chem 2009 1 1013 17 httpwwwnobelprizeorg acessada em Outubro 2013 18 Anderson P S Annual Reports in Medicinal Chemistry 2012 47 3 19 Sanderson K Nat Rev Drug Discovery 2013 12 649 20 Aggarwal S Nat Rev Drug Discovery 2010 9 427 21 Cohen P Nat Rev Drug Discovery 2002 1 309 22 httpwwwgazetadopovocombreconomiaconteudo phtmlid1378002tit acessada em Outubro 2013 23 h t t p w w w i s t o e d i n h e i r o c o m b r n o t i c i a s 6 5 1 8 1 FUSAO2BDE2BIGUAIS acessada em Outubro 2013 24 httpwwwfarmaciaufgbrpages33284 acessada em Outubro 2013 25 Barreiro E J L Pinto A C J Braz Chem Soc 2010 21 775 26 Rocha M M Lima G B A Lameira V J Quelhas OL G J Technol Manag Innov 2012 7 148 27 Portal dos Fármacos httpwwwportaldosfarmacosccsufrjbr acessada em Outubro 2013 28 Palmeira Filho P L Pieroni J P Antunes A Bomtempo JV Revista do BNDES 2012 37 67 29 Chamada de propostas de pesquisa FAPESPBIOLAB 2012 no âmbito do acordo de cooperação científica entre FAPESP e BIOLAB para apoio à pesquisa httpwwwfapespbr7127phtml Dica do professor Hoje vamos conhecer algumas atividades que podem ser realizadas pelo farmacêutico nas diversas indústrias nas quais ele pode atuar Você está pronto Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar Exercícios 1 Marque a alternativa que não indica uma indústria na qual o farmacêutico possa atuar como responsável técnico A Alimentos enlatados B Cosméticos C Medicamentos veterinários D Bebidas gaseificadas E Abatedouro de suínos 2 A produção de medicamentos é uma atividade exclusiva do farmacêutico Em se tratando da produção de alimentos e cosméticos esta responsabilidade é compartilhada com demais profissionais de áreas afins Marque a alternativa que indica profissionais que compartilham a responsabilidade técnica de indústrias de cosméticos e de alimentos com farmacêuticos respectivamente A Engenheiros de alimentos e biólogos B Químicos e engenheiros de alimentos C Biólogos e engenheiros químicos D Biomédicos e engenheiros químicos E Químicos e nutricionistas 3 Todas são atribuições do farmacêutico atuante no SAC de uma indústria farmacêutica EXCETO A Aprovar ou reprovar lotes de medicamentos antes de serem comercializados B Controlar as reclamações e as dúvidas de clientes informando as possíveis causas C Manter contato com o setor de pesquisa clínica e a busca de informações farmacológicas farmacocinéticas farmacodinâmicas etc sobre os medicamentos que a empresa produz D Participar do sistema de recolhimento de produtos recall que apresentam desvios de qualidade ou que estejam sob suspeita E Avaliar tendências de desvios de qualidade evidenciados por meio de reclamações e atuar na promoção da melhoria contínua no atendimento ao consumidor 4 O setor responsável pelo cumprimento das Boas Práticas de Fabricação nas indústrias de medicamentos de cosméticos e de alimentos é A Controle de Qualidade B Assuntos Regulatórios C Garantia da Qualidade D Pesquisa e Desenvolvimento E Serviço de Atendimento ao Consumidor SAC 5 A indústria de medicamentos no Brasil está focada na produção de A Medicamentos genéricos B Medicamentos isentos de prescrição C Vacinas D Soros E Fitoterápicos Na prática Vamos a um exemplo prático de atuação do farmacêutico na indústria cosmética no que diz respeito à concepção até a colocação de um produto cosmético no mercado Considere que você é o farmacêutico responsável pelo desenvolvimento de produtos em uma indústria de cosméticos Esta indústria produz cosméticos para uma linha própria bem como para terceiros Como assim Ela possui uma linha que leva a sua marca e também linhas de cosméticos que trazem o nome de uma loja de uma rede de farmácias de uma revista por exemplo Agora como são desenvolvidos esses produtos Na verdade o primeiro passo é ter em mente qual produto se quer produzir podendo aplicar o que se chama de briefing momento no qual se organiza um portfólio de informações que aponta todas as características do produto a produzir e comercializar Diante desses dados o seu setor o de pesquisa e desenvolvimento de cosméticos irá Desenvolver uma formulação cosmética de modo a atender estes anseios que na maioria das vezes são baseados em tendências mundiais de moda e de beleza Desenvolver o produto a embalagem o rótulo mantendo contato direto com o setor de marketing para tal Terá que depois de concebido o produto submetêlo a testes de controle de qualidade físicoquímicos e microbiológicos para atestar a qualidade bem como a estabilidade do produto Ser informado pelo setor de assuntos regulatórios quais as legislações que deverão ser atendidas para que o produto possa ser notificado ou registrado junto à Anvisa Até que finalmente o cosmético possa ser produzido em grande escala e ser comercializado Essa rotina leva em torno de 6 meses mas pode levar mais ou menos tempo de acordo com o porte da empresa e a disponibilização de profissionais para cada uma das atividades Saiba Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto veja abaixo as sugestões do professor Perfil da indústria farmacêutica e aspectos relevantes do setor Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar