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METODOLOGIA E PESQUISA CIENTÍFICA METODOLOGIA E PESQUISA CIENTÍFICA DÚVIDAS E ORIENTAÇÕES editorafamartfamartedubr TUTORIA ONLINE Segunda a Sexta de 0930 às 1730 Acesse a aba Tutoria EaD em seu portal do aluno SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 4 2 PRINCIPAIS ERROS E DIFICULDADES NA PRODUÇÃO DO TCC 5 21 Título 5 22 Problematização 5 221 Viabilidade 6 222 Especificidade 6 223 Diálogo com outros itens 6 23 Afirmações sem dados científicos 6 24 Objetivo geral 6 25 Paradigma de pesquisa 7 251 Qualitativo 7 252 Quantitativo 7 253 Mista 8 3 TIPOS DE PESQUISA 9 31 Pesquisa Bibliográfica 9 32 Pesquisa Teórica 10 33 Pesquisa Documental 11 34 Pesquisa de Campo 11 4 INTRODUÇÃO À PESQUISA QUANTITATIVA E QUALITATIVA 12 41 A pesquisa quantitativa 12 411 O questionário de perguntas fechadas 13 412 Amostragem 13 42 A pesquisa qualitativa 14 421 Etnografia 14 422 História Oral e História de Vida 16 423 Estudo de Caso 17 424 Grupo focal 19 425 Pesquisaação 20 5 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS 21 51 Entrevistas abertas 21 52 Observação 22 REFERÊNCIAS 28 4 METODOLOGIA E PESQUISA CIENTÍFICA Bruna Giarola Souza Lucas Eustáquio de Paiva Silva Luciano Borges Muniz 1 INTRODUÇÃO O objetivo da presente apostila é em primeiro lugar promover o esclarecimento das principais dúvidas e dificuldades encontradas na produção do Trabalho de Conclusão de Curso TCC Sabendo que esse será um trabalho árduo nosso segundo objetivo perpassa a tentativa de demonstrar que uma pesquisa não se constrói somente pela vontade de se produzir um conhecimento cientifico pelo contrário sem uma metodologia ou melhor dizendo sem um rigor metodológico como afirma o meio acadêmico não há possibilidade de se desenvolver a Ciência Sabese que existe um vasto número de tipos de pesquisa e de metodologias no entanto pensando na praticidade dessa produção o presente material optou por aqueles que mais poderão nortear os trabalhos de conclusão de curso dos estudantes Mas isso não exclui qualquer uso de outro método que não esteja no referido material Para os pesquisadores Bervian Cervo e Silva 2012 o que permitiu à Ciência chegar ao nível atual foi o núcleo de técnicas de ordem prática seus fatos empíricos e suas leis que formam o elemento de continuidade que por sua vez foi sendo aperfeiçoado e ampliado ao longo da história do Homo Sapiens Grosso modo o que esses autores disseram referese principalmente à tentativa da Ciência durante séculos e séculos de contrapor todas as informações geradas pelo meio teocráticoreligioso e cotidianamente pelo senso comum Ou seja a natureza do conhecimento pressupõe a dúvida de qualquer afirmação que seja apresentada sem provas sistemáticas Isso se apresenta na negação que a Ciência obtém sobre o termo popular eu acho que A Ciência não aceita o eu acho ao contrário conhecimentos que não se apresentam com um rigor cientifico não são aceitos e reconhecidos pelo universo acadêmico e científico 5 2 PRINCIPAIS ERROS E DIFICULDADES NA PRODUÇÃO DO TCC Esse item irá abordar os principais erros que os discentes cometem na produção do TCC A presente faculdade baseou essas reflexões através do próprio material produzido pelo discentes A equipe de tutoria fez um balanço quantitativo desses erros e chegaram aos referidos itens que veremos agora 21 Título Esse item é o primeiro contato que o leitor tem com o texto Ele precisa exprimir fidedignamente as principais intenções do autor Podese até colocar um título provisório para iniciar o trabalho mas é necessário que ao final da produção do texto o discente se debruce sobre o referido título para verificar o diálogo com o resto do trabalho Ou seja o título precisa estar dialogando com as intenções do texto Existe uma vertente teórica contemporânea da área da metodologia que defende que o título necessita apresentar três itens Tema objeto de pesquisa e método Por exemplo em uma pesquisa que tem como objeto a importância da docência na educação especial podemos apresentar o título assim Docência e educação especial um estudo teórico sobre a importância do professor na aprendizagem de discentes com necessidades especiais FLICK CRESWELL 2012 22 Problematização Muitos discentes não levam esse item muito a sério Na verdade poucos apresentam a problematização em seu texto Como afirma a pesquisadora Eva Maria Lakatos 2004 a mola propulsora de um trabalho científico é a pergunta que se quer responder Isto é uma pesquisa cientifica não se inicia pela escolha de um tema aleatório mas por uma pergunta que se formula em determinado momento O que move uma pesquisa é a resposta de uma determinada pergunta eou problema Flick 2012 apresenta algumas reflexões para a produção do problema 6 221 Viabilidade Ao desenvolver a sua pergunta reflita sobre o tempo que terá para responder Ou seja se a pergunta direciona para uma pesquisa de campo você terá tempo para desenvolvela Pense no fator tempo ao fazer o seu TCC 222 Especificidade Ao desenvolver a sua pergunta pense em seu objeto e na delimitação Não adianta fazer uma pergunta que não conseguirá responder Por exemplo a educação especial funciona no Brasil Em determinado contexto pode funcionar mas em outros não Faça uma pergunta bem delimitada 223 Diálogo com outros itens Ao desenvolver o seu problema terá que dialogar sobretudo com o objetivo geral Não adianta o seu objetivo te direcionar para um caminho se a pergunta te leva para outro Esses itens necessitam dialogar diretamente 23 Afirmações sem dados científicos Muitos trabalhos detêm afirmações sem apresentarem dados que confirmem tal informação Lembrese está desenvolvendo um trabalho científico nesse sentido toda afirmação deve ser embasada e citada a fonte 24 Objetivo geral Historicamente o objetivo é visto como a intencionalidade abrangente de um texto acadêmico No entanto Flick 2012 amplia esse conceito e apresenta uma outra funcionalidade do objetivo geral apresentar o objeto de pesquisa Nesse sentido é necessário estar ciente que ao apresentar o objetivo geral estará apresentando o seu objeto de pesquisa Por isso é um item fundamental em qualquer trabalho científico Ele contribui para a delimitação de seu tema e 7 de forma didática se faz presente no esclarecimento das intenções no texto Não esqueça de apresentálo em seu trabalho 25 Paradigma de pesquisa Muitos alunos confundem a natureza das pesquisas que necessitam ir para o campo Grosso modo podemos dividir essas pesquisas em três formas de paradigma 251 Qualitativo É uma abordagem de pesquisa que estuda aspectos subjetivos de fenômenos sociais e do comportamento humano Os objetos de uma pesquisa qualitativa são fenômenos que ocorrem em determinado tempo local e cultura Uma pesquisa qualitativa aborda temas que não podem ser quantificados em equações e estatísticas Ao contrário estudamse os símbolos as crenças os valores e as relações humanas de determinado grupo social FLICK 2012 252 Quantitativo É uma abordagem científica que se utiliza de estatísticas e cálculos com o intuito de quantificar informações para realização de estudo Este método de pesquisa é utilizado com intuito de compreender e mensurar numericamente um apanhado de informações relevantes à determinado tema previamente escolhido Esta modalidade é excelente para quem deseja aprofundar conhecimentos quantificados anteriormente comparálos com dados mais atuais ou também para criar uma base de conhecimentos que serão quantificados mais adiante Utilizase principalmente questionários e formulários para coletar os dados FLICK 2012 8 253 Mista Como o próprio nome sugere este tipo de pesquisa emerge do uso combinado da abordagem quantitativa com a qualitativa A área interdisciplinar de pesquisa tem contribuído para o crescente número de pesquisas que adotam a abordagem mista FLICK 2012 Obs As discussões sobre os paradigmas serão aprofundadas na segunda parte desse material Muito bem Vimos até aqui os principais erros que os discentes cometem na produção do TCC Agora iremos para a segunda parte da apostila ou seja iremos trabalhar alguns métodos de pesquisa Vamos lá 9 3 TIPOS DE PESQUISA Pesquisa é o mesmo que busca ou procura Pesquisar portanto é buscar ou procurar resposta para alguma coisa Em se tratando de Ciência a pesquisa é a busca de solução para um problema que alguém queira saber a resposta Não é muito aconselhável dizer que se faz ciência mas que se produz ciência através de uma pesquisa Pesquisa é portanto o caminho para se chegar à ciência ao conhecimento É na pesquisa que utilizaremos diferentes instrumentos para se chegar a uma resposta mais precisa O instrumento ideal deverá ser estipulado pelo pesquisador para se atingir os resultados ideais Grosso modo não se pode procurar um tesouro numa praia cavando um buraco com uma picareta é preciso de uma pá Da mesma forma eu não poderia fazer um buraco no cimento com uma pá eu precisaria de uma picareta Por isso a importância de se definir o tipo de pesquisa e da escolha do instrumento ideal a ser utilizado A Ciência através da evolução de seus conceitos está dividida por áreas do conhecimento Assim hoje temos conhecimento das Ciências Humanas Sociais Biológicas Exatas entre outras Mesmo estas divisões têm outras subdivisões cuja definição varia segundo conceitos de muitos autores As Ciências Sociais por exemplo podem ser divididas em Direito História Sociologia etc De forma prática o Trabalho de Conclusão de Curso TCC que será formulado deverá ser desenvolvido a partir da escolha do tipo de pesquisa claro respeitando o problema e sobretudo o objeto de pesquisa É fundamental que na Introdução do trabalho seja apresentado o tipo de pesquisa que irá se desenvolver pois é necessário que o leitor esteja ciente do caminho que irá percorrer no desenrolar da pesquisa 31 Pesquisa Bibliográfica Abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema do estudo quer sejam revistas especializadas e livros quer sejam os meios de 10 comunicação oral como rádio audiovisuais etc Tem como característica trabalhar com fontes secundárias ou seja analisa trabalhos que já foram publicados e dados que também já foram analisados por outros pesquisadores É importante ressaltar que qualquer pesquisa de campo seja ela qualitativa ou quantitativa depende em primeiro lugar de um trabalho minucioso de pesquisa bibliográfica É ela que mostrará ao pesquisador o seu ponto de partida ou seja para o campo científico não é interessante apresentar o mais do mesmo é fundamental que um trabalho científico avance e desenvolva a temática proposta Muitos alunos confundem a pesquisa bibliográfica com a pesquisa teórica São dois métodos literários que utilizam a revisão de literatura como instrumento de coleta de dados No entanto os dois métodos contem focos de abordagem diferentes A pesquisa bibliográfica tem como foco análise de resultados de pesquisa ou seja seleciona um número x de pesquisas de acordo com o objeto de pesquisa e analisa os resultados que os trabalhos alcançaram para verificar os avanços alcançados com determinada temática Todo campo cientifico utilizase desse método para verificar as temáticas que foram abordadas e os avanços que determinada área cientifica construiu Percebese que é um método que não foca no autor mas no trabalho em si Diferente da pesquisa teórica que veremos agora 32 Pesquisa Teórica Esse tipo de pesquisa busca de forma restrita se debruçar sobre os conceitos que vários pesquisadores e cientistas criam em seus debates acadêmicos Ex Um artigo pode ter por objetivo geral debater sobre o conceito de Violência Simbólica do sociólogo francês Pierre Bourdieu Também é utilizado para desenvolver reflexões ou debates sobre determinado tema Por exemplo qual a importância do enfermeiro no processo de acolhimento de pacientes diagnosticados com vírus gripal O foco dessa pesquisa encontrase nos autores e nas ideias defendidas por eles Não tem como intenção analisar resultados de 11 pesquisa ao contrário buscase analisar eou abordar conceitos discussões e reflexões gerais sobre determinadas temáticas 33 Pesquisa Documental É a pesquisa que consiste na busca de fontes primárias ou seja são documentos que não foram publicados ou analisados por nenhum outro pesquisador Como por exemplo documentos históricos fotografias legislação etc 34 Pesquisa de Campo Pesquisa de Campo é o tipo de estudo onde se observa faz a coleta de dados analisa e interpreta os resultados referentes ao seu objeto de estudo diretamente do seu ambiente natural ou da realidade onde ele ocorre O objeto de estudo poderá ser um indivíduo um grupo uma comunidade uma população um fenômeno ou fato e suas relações Tanto quanto variam os objetos de estudo varia também o campo no qual irá se desenvolver o estudo podendo ser uma instituição uma determinada área de plantio um setor hospitalar ruínas uma comunidade indígena dentre diversos outros Contudo para que se tenha um trabalho válido é necessário um embasamento teórico e uma metodologia com diretrizes claras utilizando ferramentas viáveis que possam dar respaldo aos resultados É necessário também que a pesquisa possa ser replicada permitindo a observação de diferentes aspectos de uma determinada realidade 12 4 INTRODUÇÃO À PESQUISA QUANTITATIVA E QUALITATIVA Os métodos quantitativos e qualitativos em muitos momentos são colocados em debate e sobretudo em confronto mútuo em particular pela validade de seus dados a sua eficiência e a sua neutralidade frente a análise dos dados e o contato que muitas vezes o pesquisador tem com os sujeitos investigados As pesquisas quantitativa e qualitativa se definem principalmente pela escolha e abordagem do problema formulado A mola propulsora de uma pesquisa parte da abordagem do problema formulado visando à checagem das causas atribuídas a cada uma na escolha do tema do trabalho a ser desenvolvido sabese que seu foco de estudo seu objeto de análise partirá necessariamente de um problema A maneira como será abordado este problema bem como os resultados que se deseja obter é que definem a pesquisa 41 A pesquisa quantitativa Diretamente na quantificação dos dados ou seja o pesquisador terá como objetivo tabelar e numerar os dados coletados Por exemplo são as pesquisas desenvolvidas pelo IBGE quando através de questionários e entrevistas fechadas o pesquisador analisa e transforma os dados coletados em números e tabelas justamente para quantificar e responder as suas problematizações Segundo a pesquisadora Lima 2015 as pesquisas quantitativas são muito bem aceitas nas áreas das ciências exatas ou mesmo biológicas Para que uma pesquisa quantitativa atenda às características científicas é muito importante que se tenha presentes dois aspectos boas perguntas e percepção dos limites aos quais podese ir a partir dos números 13 411 O questionário de perguntas fechadas Este sem dúvida é o principal instrumento de coleta de dados utilizado por pesquisadores que buscam desenvolver uma pesquisa quantitativa É também conhecido como Entrevista Estruturada ou seja o pesquisador elabora as questões que serão direcionadas aos entrevistados no entanto não há possibilidade de acrescentar durante a entrevista qualquer outro tipo de pergunta Naturalmente o pesquisador quase não tem contato direto com os sujeitos entrevistados muitas vezes o próprio pesquisador contrata um aplicador e somente analisa e quantifica os dados a posteriori Normalmente essas perguntas formuladas antes das entrevistas pelo pesquisador são questões objetivas em que o entrevistado terá como função somente marcar a alternativa que melhor corresponda às suas ideias Por isso são denominadas de entrevistas fechadas onde o pesquisador não terá muita ou quase nenhuma liberdade para interagir com os sujeitos analisados O Questionário numa pesquisa é um instrumento ou programa de coleta de dados Se sua confecção é feita pelo pesquisador seu preenchimento é realizado pelo informante Todo questionário a ser enviado deve passar por uma etapa de préteste num universo reduzido para que se possam corrigir eventuais erros de formulação 412 Amostragem Para a pesquisadora Lima 2015 a técnica da amostragem consiste em tomar uma amostra de dentro de um universo maior do que se pretende estudar Existem pesquisas que possuem um universo muito grande e para que a amostragem reflita significativamente o tema abordado ela precisa ser proporcional ao problema Veja um exemplo explicitado pela autora Exemplo a quantidade de alunos de uma escola que tem aula nos turnos manhã tarde e noite é de 1000 alunos para saber o perfil do aluno da referida escola não precisa entrevistar os mil alunos eu posso pegar uma amostra a qual vai representar todos os três turnos daí poderemos desenhar o perfil do alunado da escola após entrevistar 300 pessoas 14 42 A pesquisa qualitativa A pesquisa qualitativa ao contrário da quantitativa tem como característica o contato direto entre o pesquisador e o sujeito pesquisado como também a descrição detalhada do contexto desses sujeitos Busca a aproximação e interação contínua entre os indivíduos Segundo Lima 2015 a intenção da pesquisa qualitativa é investigar os fenômenos em toda a sua complexidade tendo como características que devem ser encontradas no pesquisador a capacidade de fazer a observação participante e a entrevista em profundidade Nesse sentido gestos entonações de voz o olhar as falas enfim tudo que esteja aos olhares do pesquisador é importante para a pesquisa nada deve ser descartado De acordo com Bogdan e Biklen 2004 o investigador deve fazer uma imersão no mundo do investigado na tentativa de captar a sua realidade conseguido após a conquista da confiança do investigado o qual ao se sentir à vontade para falar dos problemas para o investigador traduziria a realidade dos fatos Bourdieu 1999 salienta que é necessário que se tenha uma reflexividade reflexa esta seria baseada num olhar sociológico onde é possível controlar os efeitos da estrutura social na qual a sua pesquisa se realiza Ou seja não se pode nos envolver nos problemas do entrevistado porém devese imergir o suficiente na realidade deste para que se possa quase que sentir o que ele relata Existem vários métodos que o pesquisador pode utilizar em sua pesquisa de campo 421 Etnografia A etnografia na concepção do antropólogo Angrosino 2009 é a arte e a ciência de descrever um grupo humano suas instituições seus comportamentos suas produções materiais e suas crenças De forma complementar Hammersley e Atinkson 1994 caracterizam a natureza 15 etnográfica na ação cotidiana ou seja as características de uma cultura são estudadas na ação dos sujeitos inseridos em seu modo diário de convivência eou interação com o outro Dentro desse novo contexto em que o pesquisador mais precisamente o etnógrafo se encontra é importante salientar que as condições propícias para a coleta de dados se fazem na interação e sobretudo na forma como o pesquisador se relacionará com os sujeitos pesquisados Isso significa afirmar que diferentemente das pesquisas de cunho quantitativo em que as variáveis são manipuladas a fim de identificar as relações entre elas ou seja o pesquisador tem um controle de seu objeto os fenômenos sociais e os acontecimentos que caracterizam uma determinada cultura não são controlados pelo etnógrafo assim os dados que tanto o pesquisador de campo almeja alcançar serão construídos no cotidiano nas relações e na postura que o etnógrafo terá frente aos fenômenos e acontecimentos sociais e culturais Dessa forma é papel do etnógrafo nas palavras de Malinoviski 1984 determinar no campo as regras e as regularidades da vida tribal tudo que é permanente e fixo descrever a anatomia de sua cultura retratar a constituição de sua sociedade Podese afirmar que é no cotidiano que vão surgindo às oportunidades que o pesquisador precisa para delinear as características peculiares que o autor tanto salienta Assim a etnografia como método singular tende essencialmente a descrever a cultura do outro ou como prefere Angrosino 2009 a descrição de um povo Essa característica aponta para uma outra funcionalidade do método isto é a sua abordagem é sempre coletiva ela não lida eou analisa indivíduos na sua ação particular Sua intencionalidade referese à tentativa de entender a organização de grupos que como afirma Malinoviski 1984 deve cobrir de modo sério e sóbrio toda a extensão dos fenômenos em cada aspecto da vida tribal atribuindo tanta importância aos fatos rotineiros e banais quanto àqueles que chamam a atenção por serem surpreendentes e estranhos De forma complementar Hammersley e Atkinson 2007 definem a etnografia como uma empresa textual porém esses textos devem relatar a realidade como ela se apresenta na visão do pesquisado colocando os atores as situações as manifestações como elas se apresentam sem perder de vista 16 que esta vertente metodológica busca entender os significados dos eventos na perspectiva do sujeito e não do pesquisador Claro que isto não remete à neutralidade tão defendida pelos positivistas mas salienta a importância de o pesquisador conhecer o significado local da ação Isso permite afirmar que o etnógrafo necessita buscar eou obter o que o antropólogo americano Geertz 1989 chamou de Descrição Densa ou seja uma descrição detalhada dos eventos ocorridos no campo de pesquisa considerando gestos olhares tom de voz as interações etc No livro Interpretação das Culturas Geertz 1989 exemplifica a descrição densa trazendo a ideia da piscadela ou seja a comunicação corporal praticada pelos sujeitos pode dizer tanto quanto o discurso falado uma piscada por exemplo pode ser encarada tanto como um tique nervoso quanto como uma forma de comunicação Como movimento os dois são idênticos observando os dois sozinhos como se fosse uma câmara numa observação fenomenalista ninguém poderia dizer qual delas seria um tique nervoso ou uma piscadela ou na verdade se ambas eram piscadelas ou tiques nervosos No entanto embora não retratável a diferença entre um tique nervoso e uma piscadela é grande como bem sabe aquele que teve a infelicidade de ver primeiro tomado pela segunda O piscador está se comunicando e de fato comunicando de uma forma precisa e especial 1 deliberadamente 2 alguém e particular 3 transmitindo uma mensagem particular 4 de acordo com o código estabelecido GEERTZ 1989 Desse modo o pesquisador deve descrever minuciosamente o fenômeno ocorrido entretanto relacionando esses acontecimentos ao contexto sociocultural onde o objeto pesquisado está inserido sempre pensando na dicotomia localglobal como salienta o antropólogo inglês Street 1995 Assim chegamos à singularidade do método etnográfico a Observação Participante 422 História Oral e História de Vida As pesquisas por exemplo que utilizam o método História de vida permitem a ampliação das fontes documentais na medida que as falas os gestos e principalmente as memórias são valorizadas como objeto de pesquisa Assim as pesquisadoras Teixeira e Praxedes 2001 no artigo intitulado História 17 Oral e Educação tecendo vínculos e possibilidades pedagógicas salientam três características fundamentais da História Oral em particular a História de Vida O primeiro diz respeito ao debate entorno da ideia de Verdade histórica ou seja a história oral contribui para a problematização do conceito de Verdade ou seja a ideia de verdade hegemônica dos fatos históricos defendida pelo historicismo alemão é repensada a partir do momento que a história oral propõe a valorização da memória dos sujeitos que até meados do século XX eram desconhecidos pela historiografia O segundo referese à valorização das práticas culturais e cotidianas isto é o uso da história oral nas pesquisas propicia o uso não somente das entrevistas abertas ou semiabertas formais ou informais mas permite que o olhar seja estruturado como parte da pesquisa e da compreensão das relações que os sujeitos incorporam nas suas práticas corporificadas no cotidiano vivenciado por eles O terceiro e último aspecto diz respeito à afirmação que a pesquisa é um encontro sócio antropológico é uma relação intersubjetiva entre sujeitos que falam e ouvem que sentem e pensam Nesse sentido para as autoras cabe ao pesquisador a busca da espontaneidade pois se trata de um encontro entre sujeitos com diferentes registros culturais e temporários que exige do pesquisador um permanente exercício de alteridade A natureza da pesquisa etnográfica também pressupõe essa preocupação com o outro essa busca em transformar a relação verticalizada do pesquisadorpesquisado na horizontalidade das relações sociais face a face como afirma o sociólogo americano Goffman 1967 423 Estudo de Caso Consiste na observação detalhada de um contexto ou indivíduo a partir de documentos ou de acontecimentos específicos Os Estudos de Caso têm por finalidade a Fornecer uma caracterização precisa de variáveis no sentido de identificálos e sugerir relações entre elas b Servir de base a futuros estudos controlados experimentalmente 18 apontando questões ou hipóteses sobre os fenômenos estudados c Auxiliar na avaliação de programas d Analisar o comportamento individual ajudando a compreender como um programa afeta os indivíduos O Estudo de Caso tem origem na tradição médica e psicológica na qual se refere a uma análise detalhada de um caso individual TOSTA 2009 Este estudo tem duplo objetivo O primeiro consiste em tentar chegar a uma compreensão abrangente do grupo em estudo o segundo é a tentativa de desenvolver declarações teóricas mais gerais sobre regularidades do processo e estruturas sociais O desenvolvimento de um estudo de caso compreende em geral três fases a Fase explanatória fundamental para uma definição mais precisa do objeto de estudo É o momento de especificar as questões estabelecer os contatos iniciais para a entrada no campo localizar os sujeitos e as fontes b Delimitação do estudo a importância de delimitar os focos da investigação e estabelecer os contornos do estudo decorre do fato de que nunca será possível explorar todos os ângulos do fenômeno num tempo razoável limitado c Análise sistemática e elaboração do relatório surge a necessidade de juntar a informação analisála tornála disponível aos sujeitos da pesquisa para que manifestem suas reações sobre a relevância Para o pesquisador Corrêa 2007 o estudo de caso tem múltiplas funções no entanto existem duas que sem dúvida caracterizam melhor esse procedimento metodológico A primeira consiste na informação ou seja na descrição de um conjunto de dados sobre uma ou mais pessoas em determinadas situações A segunda parte da problematização isto é no entrelaçar da teoria com o material proveniente de uma prática ou seja de uma pesquisa empírica 19 424 Grupo focal O grupo focal muitas vezes no meio acadêmico é abordado como metodologia outras vezes como instrumento de coleta de dados Iremos abordar nesta apostila a percepção da pesquisadora brasileira Gatti 2012 em que afirma que essa metodologia possibilita ao pesquisador um número considerável de entrevistas em um curto espaço de tempo Enquanto a entrevista tradicional Face a Face o pesquisador se concentra em somente uma pessoa no Grupo Focal ele trabalha simultaneamente com uma faixa de dez entrevistados todos colocados em uma mesa redonda Isso consequentemente permite que o pesquisador usufrua de dados sistemáticos provenientes de poucos encontros com seus entrevistados Segundo Gatti 2012 o Grupo é focalizado no sentido de que envolve algum tipo de atividade coletiva assistir um filme e conversar sobre ele examinar um texto sobre algum assunto ou debater um conjunto de questões Ainda para a autora existem algumas dicas indispensáveis que o pesquisador precisa saber para que o uso do método aconteça de forma clara e consistente a Respeito ao princípio da não diretividade ou seja o pesquisador não pode induzir a resposta do sujeito entrevistado b Fazer a discussão fluir entre os participantes é a função do moderador Isso pressupõe dizer que na pesquisa com Grupo Focal é fundamental a participação de um outro pesquisador denominado de Moderador Enquanto o pesquisador principal fica do lado de fora da discussão observando e fazendo suas anotações o Moderador tem como função organizar e fazer o debate fluir entre os participantes c O grupo será composto a partir de critérios associados as metas de pesquisa d Recomendase não se juntar no mesmo grupo pessoas que se conhecem muito ou que conheçam o moderador e Número de participantes entre 6 à 12 pessoas f Número de grupos 3 a 4 grupos Encontro preferencialmente em uma 20 mesa em lugar silencioso 425 Pesquisaação Esse método iniciou no período póstumo à 2 Guerra Mundial quando o psicólogo alemão Kurt Lewin foi convidado pelo governo americano para desenvolver um trabalho de intervenção frente à população O que caracteriza essa metodologia é sem dúvida o grande foco que é dado na modificação de uma realidade ou seja o pesquisador que escolher trabalhar essa metodologia terá como objetivo desenvolver uma pesquisa para modificar um contexto conflitante O hífen que existe entre eles Pesquisaação tem uma função significa um diálogo entre as partes que compõe essa metodologia isto é ao mesmo tempo que a pesquisa influencia na mudança de uma situação concreta essa situação também influencia a pesquisa De forma prática um pesquisador desenvolve um trabalho cientifico como qualquer trabalho mas a grande diferença está no seu objetivo final que é transforma uma situação ou fenômeno Por exemplo um pesquisador desenvolve um trabalho sobre o uso de drogas na escola Após finalizar esse trabalho seu objetivo é utilizalo de forma prática para contribuir quer seja grande quer seja pequena para a transformação daquele problema nessa determinada escola 21 5 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS 51 Entrevistas abertas No que se refere à Entrevista é o instrumento de coleta de dados mais utilizado em pesquisas sociais segundo o antropólogo Seale 1999 Ainda para o autor a entrevista é mais econômica do que os métodos de observação já que o entrevistado pode informar sobre uma ampla gama de situações que ele ou ela tem observado atuando assim como olhos e ouvidos do pesquisador Convencionalmente a entrevista tem sido definida como um encontro entre duas pessoas a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto mediante uma conversação da natureza profissional Nessa concepção o entrevistado é percebido como um sujeito passivo visto pelo entrevistado como um mero informante A pesquisadora Szymanski 2011 em seu livro intitulado A entrevista na pesquisa em educação a prática reflexiva tenta avançar nesse debate trazendo a ideia de no processo de entrevista tanto o entrevistador quanto o entrevistado partem de comportamentos ativos nessa interação O que é inusitado na perspectiva de Szymanski 2011 é o papel fundamental do entrevistado para o direcionamento da entrevista e para consequentemente a coleta de dados objetivada pelo pesquisador Ao aceitar ser entrevistado o sujeito durante o processo da fala vai organizando fatos acontecimentos e ideias que muitas vezes até o momento não fizera parte de seus pensamentos de forma sistemática Ele descobre ser dono de um conhecimento importante para o outro Assim esse movimento reflexivo que a narração exige apresenta para o entrevistado algo novo organizado que ele não conhecia Nessa nova perspectiva de entender a entrevista permite olhar para o entrevistado como um sujeito ativo em que até o direcionamento da entrevista irá depender da interpretação e o sentido que ele dará a essa conversa Dessa forma Szymanski 2011 acrescenta que a interpretação do entrevistado sobre o momento da entrevista pode se processar de várias maneiras uma oportunidade para falar e ser ouvido uma avaliação uma deferência a sua pessoa uma ameaça um 22 aborrecimento uma invasão Pensando no trabalho do etnógrafo a entrevista deve ser também como afirma Seale 1999 vista como um bom recurso eou oportunidade para realizar a observação direta ou seja o que acontece durante a entrevista em si é de interesse do pesquisador O silêncio a agitação o nervosismo a risada o choro enfim tudo tem que ser observado e descrito como diz Geertz 1989 em um processo de descrição densa Existem dois momentos na entrevista fundamentais para que o pesquisador tenha sucesso na sua coleta de dados O primeiro diz respeito ao contato inicial o que Angrosino 2009 chama de Gelo Inicial ou seja a forma como o pesquisador se apresentará ao entrevistado pois esse sabe de seu valor e tem o pesquisador numa relação de igual para igual Nessa interação de poder o entrevistado pode decidir se quer ou não contribuir com o entrevistador A forma que o pesquisador em particular o etnógrafo irá se apresentar fornecendo dados sobre sua pessoa a instituição que está representando e sobretudo os objetivos da pesquisa irão contribuir para o direcionamento da pesquisa mais precisamente da entrevista O segundo diz respeito ao que a pesquisadora Szymanski 2011 chama de Aquecimento isto é o papel do etnógrafo em criar um clima mais informal para a entrevista É a partir dessa informalidade que o entrevistado se deixa levar pela entrevista e que se obtém os dados que se consideram necessários Segundo Angrosino 2009 as boas entrevistas se caracterizam pelo fato de os sujeitos estarem à vontade de falarem livremente sobre seus pontos de vista Ainda para o autor as boas entrevistas produzem uma riqueza de dados recheadas de palavras que revelam as perspectivas de correspondentes 52 Observação No que se refere à observação como instrumento de coleta de dados Hammersley e Atkinson 2007 contribuem para o debate quando nos alertam para a ideia da Refletividade isto é o pesquisador ao se inserir no contexto sociocultural do nativo precisa levar em conta o fato de que faz parte de um mundo social Desse modo quando as autoras abordam esse conceito estão 23 reconhecendo e alertando os pesquisadores para o que o sociólogo francês Bourdieu 2004 chama de Vigilância Epistemológica ou seja precisa estar atento para que suas visões de mundo seus preconceitos não atrapalhem as análises e sobretudo as interações propostas no campo de pesquisa Isso significa afirmar que a pesquisa não é realizada isolada da sociedade e da biografia do pesquisador nesse sentido a problemática da Reflexividade nos traz a questão do grau de influência que a presença do observador pode causar modificando o contexto e mesmo a situação a ser observada É possível eliminar toda a influência do pesquisador no campo Na tentativa de responder essa questão o pesquisador Vianna 2007 propõe a distinção entre a observação casual e a observação científica Para o autor a diferença centrase no fato de que a observação científica procura coletar dados que sejam válidos ou confiáveis a partir de objetivos metodologias e teorias estruturando e direcionando a pesquisa de campo A observação científica direciona o observador para o que realmente deve ser observado Essa ação de ir ao campo já estabelecido de suas intenções contribui também na reflexividade na forma como o pesquisador deve se postar e interagir com os sujeitos estudados Como afirma a pesquisadora Gatti 2012 só se aprende a pesquisar pesquisando ou seja somente nas interações no campo de pesquisa o observador conseguirá entender eou compreender a forma como deve buscar respostas para suas indagações Essa reflexividade proposta por Hammersley e Atkinson 2007 contribui para o entendimento e enriquecimento de que o antropólogo DaMatta 2010 chama de transformar o exótico em familiar e transformar o familiar em exótico Como premissa do trabalho do etnógrafo a necessidade do distanciamento e do estranhamento na pesquisa se impõem de maneira definitiva E como salienta o antropólogo DaMatta 2010 o trabalho de campo se investe de um tipo de rito de iniciação na formação do pesquisador E deste rito o estranhar o familiar para tornálo estranho é parte fundamental Nesse sentido a etnografia contribui para a valorização do que Rockwell e Ezpeleta 2007 chamam de nãodocumentado Ela proporciona a possibilidade do pesquisador não só observar diretamente o objeto de estudo mas participar de forma efetiva nas interações sociais presentes no campo de 24 pesquisa Assim ao se vestir a capa do etnógrafo no que se refere à observação o pesquisador necessita a partir da reflexividade de sua pesquisa e sobretudo de sua compreensão da dimensão do contato com o outro de realizar o diálogo desses dois universos propostos por DaMatta 2010 Partindo da história da Antropologia o primeiro movimento transformar o exótico em familiar constitui a natureza da disciplina antropológica onde na origem da Etnografia a partir da contribuição dos antropólogos Franz Boas 18581942 e Malinowski 1884 1942 encontramse a busca em compreender as sociedades e culturas totalmente diferentes e distantes da que os pesquisadores estavam situados O segundo movimento para Damatta 2010 encontrase no momento presente da antropologia onde está se volta para a nossa própria sociedade num movimento semelhante a um auto exorcismo pois já não se trata mais de depositar no selvagem africano o mundo das práticas primitivas que se deseja objetificar e inventariar mas de descobrir em nós nas nossas instituições na nossa prática política e religiosa A reflexividade presente nesses movimentos propostos por Damatta 2010 contribui para pensarmos o papel fundamental em que se encontra a observação no trabalho de campo A observação etnográfica é desenvolvida na integração pesquisador e nativo a partir das situações da vida cotidiana Esse contato diário e as interações que vão 30 envolvendo o pesquisador com os sujeitos observados favorecem o estreitamento de laços que consequentemente contribuirão para as análises reflexivas do pesquisador no que diz respeito ao diálogo entre os dois movimentos transformar o exótico em familiar e o familiar em exótico Como afirma Angrosino 2009 a observação etnográfica é um processo de aprendizagem por exposição ou por envolvimento nas atividades cotidianas ou rotineiras de quem participa no cenário da pesquisa Esse processo de aprendizagem tanto se refere ao pesquisador quanto ao observado uma vez que é ingênua o pesquisador imaginar que o processo inverso também não aconteça ou seja do observado se transformar em observador Vários exemplos clássicos já foram retratados pelos antropólogos como por exemplo o relato consistente da chegada de Geertz 1989 na ilha de Bali para estudar a Briga de Galos A sua observação preliminar de perceber 25 que estava se transformando em um sujeito invisível frente aquela comunidade nos diz e exemplifica a inversão do movimento observadorobservado Nesse debate Angrosino 2009 contribui para pensarmos a funcionalidade da observação participante para a pesquisa etnográfica Para ele o observador participante deve possuir as seguintes qualidades habilidades linguísticas pois os diferentes grupos têm a sua própria gíria consciência explícita ou seja ficar consciente dos detalhes das relações que a maioria das pessoas deixam fora de sua observação uma boa memória porque nem sempre é possível registrar a observação no próprio local Essas qualidades propostas por Angrosino 2009 contribuem para pensarmos as interações entre pesquisador e pesquisado ou melhor entre observador e observado na medida que denota a importante reflexão da postura do pesquisador no campo Nesse sentido um pesquisador em particular um etnógrafo que se encontra no campo deve ficar consciente de quatro questões básicas sugeridas por Selltiz citado por Vianna 2007 O que deve ser efetivamente observado Como proceder para efetuar o registro dessas observações Quais os procedimentos a utilizar para garantir a validade das observações Que tipo de relação estabelecer entre o observado e observador Essas questões nos levam novamente a dicotomia entre observação casual e observação científica Vianna 2007 lembra que a observação casual isto é do senso comum é caótica muitas vezes inexata e omissa comprometendo a observação de fatos e acontecimentos Nas literaturas científicas no que se refere ao tema das metodologias de pesquisa é de práxis distinguir dois tipos de observação A primeira chamada Observação Estruturada diz respeito às observações que ocorrem em laboratórios e em geral partem de hipóteses que são testadas a partir de instrumentos padronizados A segunda normalmente chamada de Observação semiestruturada traz em seu bojo a possibilidade de o pesquisador integrar a cultura dos sujeitos observados e ver o mundo na perspectiva dos sujeitos em processo de observação O principal objetivo dessa forma de observação é descrever no ambiente natural dos observados o que acontece como as pessoas se envolvem e se interagem o contexto em que a ação acontece e o que se segue a partir dele conforme explica Hammersley e Atinkson 1994 Esse tipo de observação oferece a liberdade do pesquisador de 26 se relacionar e acompanhar o dia a dia dos sujeitos pesquisados As interações precisam ser as mais naturais possíveis para que os sujeitos observados não mudem de forma artificial a sua forma de agir e que consigam estreitar os universos propostos por Damatta 2010 ou seja de transformar o exótico em familiar e o familiar em exótico 27 ENCERRAMENTO Parabéns por ter concluído os estudos desta matéria da sua especialização A Editora Famart e seus parceiros a conteudistas prepararam este material baseandose em temas e discussões relativas à esta disciplina Reunimos conteúdos de autores e pesquisadores que são referência na temática apresentada neste material concebendo uma compilação desta abordagem de forma didática visando melhor aproveitamento no seu processo de conhecimento e aprendizagem Busque fontes auxiliares de estudo para que possam agregar ainda mais no seu conhecimento Dúvidas elogios questionamentos ou orientações quanto ao conteúdo estudado disponibilizamos através de sua área de estudo a opção de abrir um requerimento Nossos tutores estarão disponíveis para te atender REFERÊNCIAS ALBERTI Verena História oral a experiência do CPDOC Rio de Janeiro FGV 2005 ALVESMAZZOTTI A J O debate contemporâneo sobre paradigmas In O método nas ciências naturais e sociais pesquisa quantitativa e qualitativa 2ed São Paulo Pioneira 1999 ANGROSINO Michael FLICK UWE Etnografia e observação participante Porto Alegre Penso 2009 ATKINSON Paul HAMMERSTEY Martyn Principles in practice 3ed London Routledge 2007 BAPTISTA Makilim Nunes CAMPOS Dinael Corrêa de Metodologias de pesquisa em ciências Rio de Janeiro LTC 2007 BAUER Martin e GASKELL George Pesquisa qualitativa com texto imagem e som um manual prático 3ed PetrópolisRJ Vozes Editora 2002 BOGDAN R BIKLENS Investigação qualitativa em educação uma introdução a teoria e aos métodos Porto Porto Editora 2004 BOURDIEU Pierre A miséria do mundo Tradução de Mateus S Soares 3a edição Petrópolis Vozes 1999 CERVO Amado Luiz BERVIAN Pedro Alcino SILVA Roberto da Metodologia científica Belo Horizonte Pearson Prentice Hall 2006 DAMATTA Roberto Relativizando uma introdução à antropologia social Rio de Janeiro Rocco 1986 DELGADO Lucília Neves História oral teoria educação e sociedade Juiz de Fora Editora da UFJF 2006 História oral memória tempo identidades Belo Horizonte Autêntica 2006 FERREIRA Marieta de Moraes et al Usos e abusos da história oral 8ed Rio de Janeiro FGV 2006 FLICK Uwe Qualidade na pesquisa qualitativa Porto Alegre Artmed 2009 Introdução à metodologia de pesquisa um guia para iniciantes Porto Alegre Penso 2012 GATTI Bernadete A Estudos quantitativos em educação In Educação e Pesquisa São Paulo v30 n1 p 1130 janabr 2004 GEERTZ Clifford A Interpretação das culturas Rio de Janeiro LTC 1989 GOFFMAN Erving Ritual de interação ensaios sobre o comportamento face a face Petrópolis Rio de Janeiro Vozes 2011 GONÇALVES Luiz Alberto TOSTA Sandra Pereira A síndrome do medo contemporâneo e a violência na escola Belo Horizonte Autentica 2008 GOODE J William HATT K Paul Métodos em pesquisa social São Paulo Companhia Editora Nacional 1979 LIMA Maria da Gloria Barbosa Etnografia e pesquisa qualitativa apontamentos sobre um caminho metodológico de investigação In Revista Movimento V 2 n 3 p 0316 2010 MALINOWSKI Bronisław Argonautas do pacífico ocidental 2ed São Paulo Abril Cultural 1984 MONTENEGRO Antônio Torres História oral e memória a cultura popular revisitada São Paulo Contexto 1993 OLIVEIRA Roberto Cardoso de O trabalho do antropólogo 2ed São Paulo UNESP 2000 REIS José Carlos Escola dos Annales a inovação em história 2ed São Paulo Paz e Terra 2004 ROCKWELL Elsie EZPELETA Justa A escola relato de um processo inacabado de construção In Currículo sem fronteiras v 7 n 2 p 131147 JulDez 2007 SEALE Clive Quality in qualitative research In Quality Inquiry v5 n4 p 465478 1999 SILVA Lucas Eustáquio de Paiva SILVA Ulisses Manoel Org Introdução à pesquisa uma contribuição pela metodologia Belo Horizonte Novas Edições Acadêmicas 2015 STREET B J The Schooling of Literacy chapter of Social Literacies Longman London 1995 SZYMANSKI Heloisa A entrevista na pesquisa em educação a prática reflexiva 4ed Campinas Autores Associados 2011 TEIXEIRA Inês Assunção de Castro PRAXEDES Vanda NEVES Lúcia História oral e educação tecendo vínculos e possibilidades pedagógicas Disponível em httpswwwsudeste2015historiaoralorgbrresourcesanais91429765181A RQUIVOHistoriaOraleensinodehistoriapdf Acesso em ago 2020 TOSTA Sandra de F Pereira ROCHA Gilmar Antropologia e educação Belo Horizonte Autêntica 2009 VIANNA H M Pesquisa em educação a observação Brasília Liber Livro Editora 2007
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METODOLOGIA E PESQUISA CIENTÍFICA METODOLOGIA E PESQUISA CIENTÍFICA DÚVIDAS E ORIENTAÇÕES editorafamartfamartedubr TUTORIA ONLINE Segunda a Sexta de 0930 às 1730 Acesse a aba Tutoria EaD em seu portal do aluno SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 4 2 PRINCIPAIS ERROS E DIFICULDADES NA PRODUÇÃO DO TCC 5 21 Título 5 22 Problematização 5 221 Viabilidade 6 222 Especificidade 6 223 Diálogo com outros itens 6 23 Afirmações sem dados científicos 6 24 Objetivo geral 6 25 Paradigma de pesquisa 7 251 Qualitativo 7 252 Quantitativo 7 253 Mista 8 3 TIPOS DE PESQUISA 9 31 Pesquisa Bibliográfica 9 32 Pesquisa Teórica 10 33 Pesquisa Documental 11 34 Pesquisa de Campo 11 4 INTRODUÇÃO À PESQUISA QUANTITATIVA E QUALITATIVA 12 41 A pesquisa quantitativa 12 411 O questionário de perguntas fechadas 13 412 Amostragem 13 42 A pesquisa qualitativa 14 421 Etnografia 14 422 História Oral e História de Vida 16 423 Estudo de Caso 17 424 Grupo focal 19 425 Pesquisaação 20 5 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS 21 51 Entrevistas abertas 21 52 Observação 22 REFERÊNCIAS 28 4 METODOLOGIA E PESQUISA CIENTÍFICA Bruna Giarola Souza Lucas Eustáquio de Paiva Silva Luciano Borges Muniz 1 INTRODUÇÃO O objetivo da presente apostila é em primeiro lugar promover o esclarecimento das principais dúvidas e dificuldades encontradas na produção do Trabalho de Conclusão de Curso TCC Sabendo que esse será um trabalho árduo nosso segundo objetivo perpassa a tentativa de demonstrar que uma pesquisa não se constrói somente pela vontade de se produzir um conhecimento cientifico pelo contrário sem uma metodologia ou melhor dizendo sem um rigor metodológico como afirma o meio acadêmico não há possibilidade de se desenvolver a Ciência Sabese que existe um vasto número de tipos de pesquisa e de metodologias no entanto pensando na praticidade dessa produção o presente material optou por aqueles que mais poderão nortear os trabalhos de conclusão de curso dos estudantes Mas isso não exclui qualquer uso de outro método que não esteja no referido material Para os pesquisadores Bervian Cervo e Silva 2012 o que permitiu à Ciência chegar ao nível atual foi o núcleo de técnicas de ordem prática seus fatos empíricos e suas leis que formam o elemento de continuidade que por sua vez foi sendo aperfeiçoado e ampliado ao longo da história do Homo Sapiens Grosso modo o que esses autores disseram referese principalmente à tentativa da Ciência durante séculos e séculos de contrapor todas as informações geradas pelo meio teocráticoreligioso e cotidianamente pelo senso comum Ou seja a natureza do conhecimento pressupõe a dúvida de qualquer afirmação que seja apresentada sem provas sistemáticas Isso se apresenta na negação que a Ciência obtém sobre o termo popular eu acho que A Ciência não aceita o eu acho ao contrário conhecimentos que não se apresentam com um rigor cientifico não são aceitos e reconhecidos pelo universo acadêmico e científico 5 2 PRINCIPAIS ERROS E DIFICULDADES NA PRODUÇÃO DO TCC Esse item irá abordar os principais erros que os discentes cometem na produção do TCC A presente faculdade baseou essas reflexões através do próprio material produzido pelo discentes A equipe de tutoria fez um balanço quantitativo desses erros e chegaram aos referidos itens que veremos agora 21 Título Esse item é o primeiro contato que o leitor tem com o texto Ele precisa exprimir fidedignamente as principais intenções do autor Podese até colocar um título provisório para iniciar o trabalho mas é necessário que ao final da produção do texto o discente se debruce sobre o referido título para verificar o diálogo com o resto do trabalho Ou seja o título precisa estar dialogando com as intenções do texto Existe uma vertente teórica contemporânea da área da metodologia que defende que o título necessita apresentar três itens Tema objeto de pesquisa e método Por exemplo em uma pesquisa que tem como objeto a importância da docência na educação especial podemos apresentar o título assim Docência e educação especial um estudo teórico sobre a importância do professor na aprendizagem de discentes com necessidades especiais FLICK CRESWELL 2012 22 Problematização Muitos discentes não levam esse item muito a sério Na verdade poucos apresentam a problematização em seu texto Como afirma a pesquisadora Eva Maria Lakatos 2004 a mola propulsora de um trabalho científico é a pergunta que se quer responder Isto é uma pesquisa cientifica não se inicia pela escolha de um tema aleatório mas por uma pergunta que se formula em determinado momento O que move uma pesquisa é a resposta de uma determinada pergunta eou problema Flick 2012 apresenta algumas reflexões para a produção do problema 6 221 Viabilidade Ao desenvolver a sua pergunta reflita sobre o tempo que terá para responder Ou seja se a pergunta direciona para uma pesquisa de campo você terá tempo para desenvolvela Pense no fator tempo ao fazer o seu TCC 222 Especificidade Ao desenvolver a sua pergunta pense em seu objeto e na delimitação Não adianta fazer uma pergunta que não conseguirá responder Por exemplo a educação especial funciona no Brasil Em determinado contexto pode funcionar mas em outros não Faça uma pergunta bem delimitada 223 Diálogo com outros itens Ao desenvolver o seu problema terá que dialogar sobretudo com o objetivo geral Não adianta o seu objetivo te direcionar para um caminho se a pergunta te leva para outro Esses itens necessitam dialogar diretamente 23 Afirmações sem dados científicos Muitos trabalhos detêm afirmações sem apresentarem dados que confirmem tal informação Lembrese está desenvolvendo um trabalho científico nesse sentido toda afirmação deve ser embasada e citada a fonte 24 Objetivo geral Historicamente o objetivo é visto como a intencionalidade abrangente de um texto acadêmico No entanto Flick 2012 amplia esse conceito e apresenta uma outra funcionalidade do objetivo geral apresentar o objeto de pesquisa Nesse sentido é necessário estar ciente que ao apresentar o objetivo geral estará apresentando o seu objeto de pesquisa Por isso é um item fundamental em qualquer trabalho científico Ele contribui para a delimitação de seu tema e 7 de forma didática se faz presente no esclarecimento das intenções no texto Não esqueça de apresentálo em seu trabalho 25 Paradigma de pesquisa Muitos alunos confundem a natureza das pesquisas que necessitam ir para o campo Grosso modo podemos dividir essas pesquisas em três formas de paradigma 251 Qualitativo É uma abordagem de pesquisa que estuda aspectos subjetivos de fenômenos sociais e do comportamento humano Os objetos de uma pesquisa qualitativa são fenômenos que ocorrem em determinado tempo local e cultura Uma pesquisa qualitativa aborda temas que não podem ser quantificados em equações e estatísticas Ao contrário estudamse os símbolos as crenças os valores e as relações humanas de determinado grupo social FLICK 2012 252 Quantitativo É uma abordagem científica que se utiliza de estatísticas e cálculos com o intuito de quantificar informações para realização de estudo Este método de pesquisa é utilizado com intuito de compreender e mensurar numericamente um apanhado de informações relevantes à determinado tema previamente escolhido Esta modalidade é excelente para quem deseja aprofundar conhecimentos quantificados anteriormente comparálos com dados mais atuais ou também para criar uma base de conhecimentos que serão quantificados mais adiante Utilizase principalmente questionários e formulários para coletar os dados FLICK 2012 8 253 Mista Como o próprio nome sugere este tipo de pesquisa emerge do uso combinado da abordagem quantitativa com a qualitativa A área interdisciplinar de pesquisa tem contribuído para o crescente número de pesquisas que adotam a abordagem mista FLICK 2012 Obs As discussões sobre os paradigmas serão aprofundadas na segunda parte desse material Muito bem Vimos até aqui os principais erros que os discentes cometem na produção do TCC Agora iremos para a segunda parte da apostila ou seja iremos trabalhar alguns métodos de pesquisa Vamos lá 9 3 TIPOS DE PESQUISA Pesquisa é o mesmo que busca ou procura Pesquisar portanto é buscar ou procurar resposta para alguma coisa Em se tratando de Ciência a pesquisa é a busca de solução para um problema que alguém queira saber a resposta Não é muito aconselhável dizer que se faz ciência mas que se produz ciência através de uma pesquisa Pesquisa é portanto o caminho para se chegar à ciência ao conhecimento É na pesquisa que utilizaremos diferentes instrumentos para se chegar a uma resposta mais precisa O instrumento ideal deverá ser estipulado pelo pesquisador para se atingir os resultados ideais Grosso modo não se pode procurar um tesouro numa praia cavando um buraco com uma picareta é preciso de uma pá Da mesma forma eu não poderia fazer um buraco no cimento com uma pá eu precisaria de uma picareta Por isso a importância de se definir o tipo de pesquisa e da escolha do instrumento ideal a ser utilizado A Ciência através da evolução de seus conceitos está dividida por áreas do conhecimento Assim hoje temos conhecimento das Ciências Humanas Sociais Biológicas Exatas entre outras Mesmo estas divisões têm outras subdivisões cuja definição varia segundo conceitos de muitos autores As Ciências Sociais por exemplo podem ser divididas em Direito História Sociologia etc De forma prática o Trabalho de Conclusão de Curso TCC que será formulado deverá ser desenvolvido a partir da escolha do tipo de pesquisa claro respeitando o problema e sobretudo o objeto de pesquisa É fundamental que na Introdução do trabalho seja apresentado o tipo de pesquisa que irá se desenvolver pois é necessário que o leitor esteja ciente do caminho que irá percorrer no desenrolar da pesquisa 31 Pesquisa Bibliográfica Abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema do estudo quer sejam revistas especializadas e livros quer sejam os meios de 10 comunicação oral como rádio audiovisuais etc Tem como característica trabalhar com fontes secundárias ou seja analisa trabalhos que já foram publicados e dados que também já foram analisados por outros pesquisadores É importante ressaltar que qualquer pesquisa de campo seja ela qualitativa ou quantitativa depende em primeiro lugar de um trabalho minucioso de pesquisa bibliográfica É ela que mostrará ao pesquisador o seu ponto de partida ou seja para o campo científico não é interessante apresentar o mais do mesmo é fundamental que um trabalho científico avance e desenvolva a temática proposta Muitos alunos confundem a pesquisa bibliográfica com a pesquisa teórica São dois métodos literários que utilizam a revisão de literatura como instrumento de coleta de dados No entanto os dois métodos contem focos de abordagem diferentes A pesquisa bibliográfica tem como foco análise de resultados de pesquisa ou seja seleciona um número x de pesquisas de acordo com o objeto de pesquisa e analisa os resultados que os trabalhos alcançaram para verificar os avanços alcançados com determinada temática Todo campo cientifico utilizase desse método para verificar as temáticas que foram abordadas e os avanços que determinada área cientifica construiu Percebese que é um método que não foca no autor mas no trabalho em si Diferente da pesquisa teórica que veremos agora 32 Pesquisa Teórica Esse tipo de pesquisa busca de forma restrita se debruçar sobre os conceitos que vários pesquisadores e cientistas criam em seus debates acadêmicos Ex Um artigo pode ter por objetivo geral debater sobre o conceito de Violência Simbólica do sociólogo francês Pierre Bourdieu Também é utilizado para desenvolver reflexões ou debates sobre determinado tema Por exemplo qual a importância do enfermeiro no processo de acolhimento de pacientes diagnosticados com vírus gripal O foco dessa pesquisa encontrase nos autores e nas ideias defendidas por eles Não tem como intenção analisar resultados de 11 pesquisa ao contrário buscase analisar eou abordar conceitos discussões e reflexões gerais sobre determinadas temáticas 33 Pesquisa Documental É a pesquisa que consiste na busca de fontes primárias ou seja são documentos que não foram publicados ou analisados por nenhum outro pesquisador Como por exemplo documentos históricos fotografias legislação etc 34 Pesquisa de Campo Pesquisa de Campo é o tipo de estudo onde se observa faz a coleta de dados analisa e interpreta os resultados referentes ao seu objeto de estudo diretamente do seu ambiente natural ou da realidade onde ele ocorre O objeto de estudo poderá ser um indivíduo um grupo uma comunidade uma população um fenômeno ou fato e suas relações Tanto quanto variam os objetos de estudo varia também o campo no qual irá se desenvolver o estudo podendo ser uma instituição uma determinada área de plantio um setor hospitalar ruínas uma comunidade indígena dentre diversos outros Contudo para que se tenha um trabalho válido é necessário um embasamento teórico e uma metodologia com diretrizes claras utilizando ferramentas viáveis que possam dar respaldo aos resultados É necessário também que a pesquisa possa ser replicada permitindo a observação de diferentes aspectos de uma determinada realidade 12 4 INTRODUÇÃO À PESQUISA QUANTITATIVA E QUALITATIVA Os métodos quantitativos e qualitativos em muitos momentos são colocados em debate e sobretudo em confronto mútuo em particular pela validade de seus dados a sua eficiência e a sua neutralidade frente a análise dos dados e o contato que muitas vezes o pesquisador tem com os sujeitos investigados As pesquisas quantitativa e qualitativa se definem principalmente pela escolha e abordagem do problema formulado A mola propulsora de uma pesquisa parte da abordagem do problema formulado visando à checagem das causas atribuídas a cada uma na escolha do tema do trabalho a ser desenvolvido sabese que seu foco de estudo seu objeto de análise partirá necessariamente de um problema A maneira como será abordado este problema bem como os resultados que se deseja obter é que definem a pesquisa 41 A pesquisa quantitativa Diretamente na quantificação dos dados ou seja o pesquisador terá como objetivo tabelar e numerar os dados coletados Por exemplo são as pesquisas desenvolvidas pelo IBGE quando através de questionários e entrevistas fechadas o pesquisador analisa e transforma os dados coletados em números e tabelas justamente para quantificar e responder as suas problematizações Segundo a pesquisadora Lima 2015 as pesquisas quantitativas são muito bem aceitas nas áreas das ciências exatas ou mesmo biológicas Para que uma pesquisa quantitativa atenda às características científicas é muito importante que se tenha presentes dois aspectos boas perguntas e percepção dos limites aos quais podese ir a partir dos números 13 411 O questionário de perguntas fechadas Este sem dúvida é o principal instrumento de coleta de dados utilizado por pesquisadores que buscam desenvolver uma pesquisa quantitativa É também conhecido como Entrevista Estruturada ou seja o pesquisador elabora as questões que serão direcionadas aos entrevistados no entanto não há possibilidade de acrescentar durante a entrevista qualquer outro tipo de pergunta Naturalmente o pesquisador quase não tem contato direto com os sujeitos entrevistados muitas vezes o próprio pesquisador contrata um aplicador e somente analisa e quantifica os dados a posteriori Normalmente essas perguntas formuladas antes das entrevistas pelo pesquisador são questões objetivas em que o entrevistado terá como função somente marcar a alternativa que melhor corresponda às suas ideias Por isso são denominadas de entrevistas fechadas onde o pesquisador não terá muita ou quase nenhuma liberdade para interagir com os sujeitos analisados O Questionário numa pesquisa é um instrumento ou programa de coleta de dados Se sua confecção é feita pelo pesquisador seu preenchimento é realizado pelo informante Todo questionário a ser enviado deve passar por uma etapa de préteste num universo reduzido para que se possam corrigir eventuais erros de formulação 412 Amostragem Para a pesquisadora Lima 2015 a técnica da amostragem consiste em tomar uma amostra de dentro de um universo maior do que se pretende estudar Existem pesquisas que possuem um universo muito grande e para que a amostragem reflita significativamente o tema abordado ela precisa ser proporcional ao problema Veja um exemplo explicitado pela autora Exemplo a quantidade de alunos de uma escola que tem aula nos turnos manhã tarde e noite é de 1000 alunos para saber o perfil do aluno da referida escola não precisa entrevistar os mil alunos eu posso pegar uma amostra a qual vai representar todos os três turnos daí poderemos desenhar o perfil do alunado da escola após entrevistar 300 pessoas 14 42 A pesquisa qualitativa A pesquisa qualitativa ao contrário da quantitativa tem como característica o contato direto entre o pesquisador e o sujeito pesquisado como também a descrição detalhada do contexto desses sujeitos Busca a aproximação e interação contínua entre os indivíduos Segundo Lima 2015 a intenção da pesquisa qualitativa é investigar os fenômenos em toda a sua complexidade tendo como características que devem ser encontradas no pesquisador a capacidade de fazer a observação participante e a entrevista em profundidade Nesse sentido gestos entonações de voz o olhar as falas enfim tudo que esteja aos olhares do pesquisador é importante para a pesquisa nada deve ser descartado De acordo com Bogdan e Biklen 2004 o investigador deve fazer uma imersão no mundo do investigado na tentativa de captar a sua realidade conseguido após a conquista da confiança do investigado o qual ao se sentir à vontade para falar dos problemas para o investigador traduziria a realidade dos fatos Bourdieu 1999 salienta que é necessário que se tenha uma reflexividade reflexa esta seria baseada num olhar sociológico onde é possível controlar os efeitos da estrutura social na qual a sua pesquisa se realiza Ou seja não se pode nos envolver nos problemas do entrevistado porém devese imergir o suficiente na realidade deste para que se possa quase que sentir o que ele relata Existem vários métodos que o pesquisador pode utilizar em sua pesquisa de campo 421 Etnografia A etnografia na concepção do antropólogo Angrosino 2009 é a arte e a ciência de descrever um grupo humano suas instituições seus comportamentos suas produções materiais e suas crenças De forma complementar Hammersley e Atinkson 1994 caracterizam a natureza 15 etnográfica na ação cotidiana ou seja as características de uma cultura são estudadas na ação dos sujeitos inseridos em seu modo diário de convivência eou interação com o outro Dentro desse novo contexto em que o pesquisador mais precisamente o etnógrafo se encontra é importante salientar que as condições propícias para a coleta de dados se fazem na interação e sobretudo na forma como o pesquisador se relacionará com os sujeitos pesquisados Isso significa afirmar que diferentemente das pesquisas de cunho quantitativo em que as variáveis são manipuladas a fim de identificar as relações entre elas ou seja o pesquisador tem um controle de seu objeto os fenômenos sociais e os acontecimentos que caracterizam uma determinada cultura não são controlados pelo etnógrafo assim os dados que tanto o pesquisador de campo almeja alcançar serão construídos no cotidiano nas relações e na postura que o etnógrafo terá frente aos fenômenos e acontecimentos sociais e culturais Dessa forma é papel do etnógrafo nas palavras de Malinoviski 1984 determinar no campo as regras e as regularidades da vida tribal tudo que é permanente e fixo descrever a anatomia de sua cultura retratar a constituição de sua sociedade Podese afirmar que é no cotidiano que vão surgindo às oportunidades que o pesquisador precisa para delinear as características peculiares que o autor tanto salienta Assim a etnografia como método singular tende essencialmente a descrever a cultura do outro ou como prefere Angrosino 2009 a descrição de um povo Essa característica aponta para uma outra funcionalidade do método isto é a sua abordagem é sempre coletiva ela não lida eou analisa indivíduos na sua ação particular Sua intencionalidade referese à tentativa de entender a organização de grupos que como afirma Malinoviski 1984 deve cobrir de modo sério e sóbrio toda a extensão dos fenômenos em cada aspecto da vida tribal atribuindo tanta importância aos fatos rotineiros e banais quanto àqueles que chamam a atenção por serem surpreendentes e estranhos De forma complementar Hammersley e Atkinson 2007 definem a etnografia como uma empresa textual porém esses textos devem relatar a realidade como ela se apresenta na visão do pesquisado colocando os atores as situações as manifestações como elas se apresentam sem perder de vista 16 que esta vertente metodológica busca entender os significados dos eventos na perspectiva do sujeito e não do pesquisador Claro que isto não remete à neutralidade tão defendida pelos positivistas mas salienta a importância de o pesquisador conhecer o significado local da ação Isso permite afirmar que o etnógrafo necessita buscar eou obter o que o antropólogo americano Geertz 1989 chamou de Descrição Densa ou seja uma descrição detalhada dos eventos ocorridos no campo de pesquisa considerando gestos olhares tom de voz as interações etc No livro Interpretação das Culturas Geertz 1989 exemplifica a descrição densa trazendo a ideia da piscadela ou seja a comunicação corporal praticada pelos sujeitos pode dizer tanto quanto o discurso falado uma piscada por exemplo pode ser encarada tanto como um tique nervoso quanto como uma forma de comunicação Como movimento os dois são idênticos observando os dois sozinhos como se fosse uma câmara numa observação fenomenalista ninguém poderia dizer qual delas seria um tique nervoso ou uma piscadela ou na verdade se ambas eram piscadelas ou tiques nervosos No entanto embora não retratável a diferença entre um tique nervoso e uma piscadela é grande como bem sabe aquele que teve a infelicidade de ver primeiro tomado pela segunda O piscador está se comunicando e de fato comunicando de uma forma precisa e especial 1 deliberadamente 2 alguém e particular 3 transmitindo uma mensagem particular 4 de acordo com o código estabelecido GEERTZ 1989 Desse modo o pesquisador deve descrever minuciosamente o fenômeno ocorrido entretanto relacionando esses acontecimentos ao contexto sociocultural onde o objeto pesquisado está inserido sempre pensando na dicotomia localglobal como salienta o antropólogo inglês Street 1995 Assim chegamos à singularidade do método etnográfico a Observação Participante 422 História Oral e História de Vida As pesquisas por exemplo que utilizam o método História de vida permitem a ampliação das fontes documentais na medida que as falas os gestos e principalmente as memórias são valorizadas como objeto de pesquisa Assim as pesquisadoras Teixeira e Praxedes 2001 no artigo intitulado História 17 Oral e Educação tecendo vínculos e possibilidades pedagógicas salientam três características fundamentais da História Oral em particular a História de Vida O primeiro diz respeito ao debate entorno da ideia de Verdade histórica ou seja a história oral contribui para a problematização do conceito de Verdade ou seja a ideia de verdade hegemônica dos fatos históricos defendida pelo historicismo alemão é repensada a partir do momento que a história oral propõe a valorização da memória dos sujeitos que até meados do século XX eram desconhecidos pela historiografia O segundo referese à valorização das práticas culturais e cotidianas isto é o uso da história oral nas pesquisas propicia o uso não somente das entrevistas abertas ou semiabertas formais ou informais mas permite que o olhar seja estruturado como parte da pesquisa e da compreensão das relações que os sujeitos incorporam nas suas práticas corporificadas no cotidiano vivenciado por eles O terceiro e último aspecto diz respeito à afirmação que a pesquisa é um encontro sócio antropológico é uma relação intersubjetiva entre sujeitos que falam e ouvem que sentem e pensam Nesse sentido para as autoras cabe ao pesquisador a busca da espontaneidade pois se trata de um encontro entre sujeitos com diferentes registros culturais e temporários que exige do pesquisador um permanente exercício de alteridade A natureza da pesquisa etnográfica também pressupõe essa preocupação com o outro essa busca em transformar a relação verticalizada do pesquisadorpesquisado na horizontalidade das relações sociais face a face como afirma o sociólogo americano Goffman 1967 423 Estudo de Caso Consiste na observação detalhada de um contexto ou indivíduo a partir de documentos ou de acontecimentos específicos Os Estudos de Caso têm por finalidade a Fornecer uma caracterização precisa de variáveis no sentido de identificálos e sugerir relações entre elas b Servir de base a futuros estudos controlados experimentalmente 18 apontando questões ou hipóteses sobre os fenômenos estudados c Auxiliar na avaliação de programas d Analisar o comportamento individual ajudando a compreender como um programa afeta os indivíduos O Estudo de Caso tem origem na tradição médica e psicológica na qual se refere a uma análise detalhada de um caso individual TOSTA 2009 Este estudo tem duplo objetivo O primeiro consiste em tentar chegar a uma compreensão abrangente do grupo em estudo o segundo é a tentativa de desenvolver declarações teóricas mais gerais sobre regularidades do processo e estruturas sociais O desenvolvimento de um estudo de caso compreende em geral três fases a Fase explanatória fundamental para uma definição mais precisa do objeto de estudo É o momento de especificar as questões estabelecer os contatos iniciais para a entrada no campo localizar os sujeitos e as fontes b Delimitação do estudo a importância de delimitar os focos da investigação e estabelecer os contornos do estudo decorre do fato de que nunca será possível explorar todos os ângulos do fenômeno num tempo razoável limitado c Análise sistemática e elaboração do relatório surge a necessidade de juntar a informação analisála tornála disponível aos sujeitos da pesquisa para que manifestem suas reações sobre a relevância Para o pesquisador Corrêa 2007 o estudo de caso tem múltiplas funções no entanto existem duas que sem dúvida caracterizam melhor esse procedimento metodológico A primeira consiste na informação ou seja na descrição de um conjunto de dados sobre uma ou mais pessoas em determinadas situações A segunda parte da problematização isto é no entrelaçar da teoria com o material proveniente de uma prática ou seja de uma pesquisa empírica 19 424 Grupo focal O grupo focal muitas vezes no meio acadêmico é abordado como metodologia outras vezes como instrumento de coleta de dados Iremos abordar nesta apostila a percepção da pesquisadora brasileira Gatti 2012 em que afirma que essa metodologia possibilita ao pesquisador um número considerável de entrevistas em um curto espaço de tempo Enquanto a entrevista tradicional Face a Face o pesquisador se concentra em somente uma pessoa no Grupo Focal ele trabalha simultaneamente com uma faixa de dez entrevistados todos colocados em uma mesa redonda Isso consequentemente permite que o pesquisador usufrua de dados sistemáticos provenientes de poucos encontros com seus entrevistados Segundo Gatti 2012 o Grupo é focalizado no sentido de que envolve algum tipo de atividade coletiva assistir um filme e conversar sobre ele examinar um texto sobre algum assunto ou debater um conjunto de questões Ainda para a autora existem algumas dicas indispensáveis que o pesquisador precisa saber para que o uso do método aconteça de forma clara e consistente a Respeito ao princípio da não diretividade ou seja o pesquisador não pode induzir a resposta do sujeito entrevistado b Fazer a discussão fluir entre os participantes é a função do moderador Isso pressupõe dizer que na pesquisa com Grupo Focal é fundamental a participação de um outro pesquisador denominado de Moderador Enquanto o pesquisador principal fica do lado de fora da discussão observando e fazendo suas anotações o Moderador tem como função organizar e fazer o debate fluir entre os participantes c O grupo será composto a partir de critérios associados as metas de pesquisa d Recomendase não se juntar no mesmo grupo pessoas que se conhecem muito ou que conheçam o moderador e Número de participantes entre 6 à 12 pessoas f Número de grupos 3 a 4 grupos Encontro preferencialmente em uma 20 mesa em lugar silencioso 425 Pesquisaação Esse método iniciou no período póstumo à 2 Guerra Mundial quando o psicólogo alemão Kurt Lewin foi convidado pelo governo americano para desenvolver um trabalho de intervenção frente à população O que caracteriza essa metodologia é sem dúvida o grande foco que é dado na modificação de uma realidade ou seja o pesquisador que escolher trabalhar essa metodologia terá como objetivo desenvolver uma pesquisa para modificar um contexto conflitante O hífen que existe entre eles Pesquisaação tem uma função significa um diálogo entre as partes que compõe essa metodologia isto é ao mesmo tempo que a pesquisa influencia na mudança de uma situação concreta essa situação também influencia a pesquisa De forma prática um pesquisador desenvolve um trabalho cientifico como qualquer trabalho mas a grande diferença está no seu objetivo final que é transforma uma situação ou fenômeno Por exemplo um pesquisador desenvolve um trabalho sobre o uso de drogas na escola Após finalizar esse trabalho seu objetivo é utilizalo de forma prática para contribuir quer seja grande quer seja pequena para a transformação daquele problema nessa determinada escola 21 5 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS 51 Entrevistas abertas No que se refere à Entrevista é o instrumento de coleta de dados mais utilizado em pesquisas sociais segundo o antropólogo Seale 1999 Ainda para o autor a entrevista é mais econômica do que os métodos de observação já que o entrevistado pode informar sobre uma ampla gama de situações que ele ou ela tem observado atuando assim como olhos e ouvidos do pesquisador Convencionalmente a entrevista tem sido definida como um encontro entre duas pessoas a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto mediante uma conversação da natureza profissional Nessa concepção o entrevistado é percebido como um sujeito passivo visto pelo entrevistado como um mero informante A pesquisadora Szymanski 2011 em seu livro intitulado A entrevista na pesquisa em educação a prática reflexiva tenta avançar nesse debate trazendo a ideia de no processo de entrevista tanto o entrevistador quanto o entrevistado partem de comportamentos ativos nessa interação O que é inusitado na perspectiva de Szymanski 2011 é o papel fundamental do entrevistado para o direcionamento da entrevista e para consequentemente a coleta de dados objetivada pelo pesquisador Ao aceitar ser entrevistado o sujeito durante o processo da fala vai organizando fatos acontecimentos e ideias que muitas vezes até o momento não fizera parte de seus pensamentos de forma sistemática Ele descobre ser dono de um conhecimento importante para o outro Assim esse movimento reflexivo que a narração exige apresenta para o entrevistado algo novo organizado que ele não conhecia Nessa nova perspectiva de entender a entrevista permite olhar para o entrevistado como um sujeito ativo em que até o direcionamento da entrevista irá depender da interpretação e o sentido que ele dará a essa conversa Dessa forma Szymanski 2011 acrescenta que a interpretação do entrevistado sobre o momento da entrevista pode se processar de várias maneiras uma oportunidade para falar e ser ouvido uma avaliação uma deferência a sua pessoa uma ameaça um 22 aborrecimento uma invasão Pensando no trabalho do etnógrafo a entrevista deve ser também como afirma Seale 1999 vista como um bom recurso eou oportunidade para realizar a observação direta ou seja o que acontece durante a entrevista em si é de interesse do pesquisador O silêncio a agitação o nervosismo a risada o choro enfim tudo tem que ser observado e descrito como diz Geertz 1989 em um processo de descrição densa Existem dois momentos na entrevista fundamentais para que o pesquisador tenha sucesso na sua coleta de dados O primeiro diz respeito ao contato inicial o que Angrosino 2009 chama de Gelo Inicial ou seja a forma como o pesquisador se apresentará ao entrevistado pois esse sabe de seu valor e tem o pesquisador numa relação de igual para igual Nessa interação de poder o entrevistado pode decidir se quer ou não contribuir com o entrevistador A forma que o pesquisador em particular o etnógrafo irá se apresentar fornecendo dados sobre sua pessoa a instituição que está representando e sobretudo os objetivos da pesquisa irão contribuir para o direcionamento da pesquisa mais precisamente da entrevista O segundo diz respeito ao que a pesquisadora Szymanski 2011 chama de Aquecimento isto é o papel do etnógrafo em criar um clima mais informal para a entrevista É a partir dessa informalidade que o entrevistado se deixa levar pela entrevista e que se obtém os dados que se consideram necessários Segundo Angrosino 2009 as boas entrevistas se caracterizam pelo fato de os sujeitos estarem à vontade de falarem livremente sobre seus pontos de vista Ainda para o autor as boas entrevistas produzem uma riqueza de dados recheadas de palavras que revelam as perspectivas de correspondentes 52 Observação No que se refere à observação como instrumento de coleta de dados Hammersley e Atkinson 2007 contribuem para o debate quando nos alertam para a ideia da Refletividade isto é o pesquisador ao se inserir no contexto sociocultural do nativo precisa levar em conta o fato de que faz parte de um mundo social Desse modo quando as autoras abordam esse conceito estão 23 reconhecendo e alertando os pesquisadores para o que o sociólogo francês Bourdieu 2004 chama de Vigilância Epistemológica ou seja precisa estar atento para que suas visões de mundo seus preconceitos não atrapalhem as análises e sobretudo as interações propostas no campo de pesquisa Isso significa afirmar que a pesquisa não é realizada isolada da sociedade e da biografia do pesquisador nesse sentido a problemática da Reflexividade nos traz a questão do grau de influência que a presença do observador pode causar modificando o contexto e mesmo a situação a ser observada É possível eliminar toda a influência do pesquisador no campo Na tentativa de responder essa questão o pesquisador Vianna 2007 propõe a distinção entre a observação casual e a observação científica Para o autor a diferença centrase no fato de que a observação científica procura coletar dados que sejam válidos ou confiáveis a partir de objetivos metodologias e teorias estruturando e direcionando a pesquisa de campo A observação científica direciona o observador para o que realmente deve ser observado Essa ação de ir ao campo já estabelecido de suas intenções contribui também na reflexividade na forma como o pesquisador deve se postar e interagir com os sujeitos estudados Como afirma a pesquisadora Gatti 2012 só se aprende a pesquisar pesquisando ou seja somente nas interações no campo de pesquisa o observador conseguirá entender eou compreender a forma como deve buscar respostas para suas indagações Essa reflexividade proposta por Hammersley e Atkinson 2007 contribui para o entendimento e enriquecimento de que o antropólogo DaMatta 2010 chama de transformar o exótico em familiar e transformar o familiar em exótico Como premissa do trabalho do etnógrafo a necessidade do distanciamento e do estranhamento na pesquisa se impõem de maneira definitiva E como salienta o antropólogo DaMatta 2010 o trabalho de campo se investe de um tipo de rito de iniciação na formação do pesquisador E deste rito o estranhar o familiar para tornálo estranho é parte fundamental Nesse sentido a etnografia contribui para a valorização do que Rockwell e Ezpeleta 2007 chamam de nãodocumentado Ela proporciona a possibilidade do pesquisador não só observar diretamente o objeto de estudo mas participar de forma efetiva nas interações sociais presentes no campo de 24 pesquisa Assim ao se vestir a capa do etnógrafo no que se refere à observação o pesquisador necessita a partir da reflexividade de sua pesquisa e sobretudo de sua compreensão da dimensão do contato com o outro de realizar o diálogo desses dois universos propostos por DaMatta 2010 Partindo da história da Antropologia o primeiro movimento transformar o exótico em familiar constitui a natureza da disciplina antropológica onde na origem da Etnografia a partir da contribuição dos antropólogos Franz Boas 18581942 e Malinowski 1884 1942 encontramse a busca em compreender as sociedades e culturas totalmente diferentes e distantes da que os pesquisadores estavam situados O segundo movimento para Damatta 2010 encontrase no momento presente da antropologia onde está se volta para a nossa própria sociedade num movimento semelhante a um auto exorcismo pois já não se trata mais de depositar no selvagem africano o mundo das práticas primitivas que se deseja objetificar e inventariar mas de descobrir em nós nas nossas instituições na nossa prática política e religiosa A reflexividade presente nesses movimentos propostos por Damatta 2010 contribui para pensarmos o papel fundamental em que se encontra a observação no trabalho de campo A observação etnográfica é desenvolvida na integração pesquisador e nativo a partir das situações da vida cotidiana Esse contato diário e as interações que vão 30 envolvendo o pesquisador com os sujeitos observados favorecem o estreitamento de laços que consequentemente contribuirão para as análises reflexivas do pesquisador no que diz respeito ao diálogo entre os dois movimentos transformar o exótico em familiar e o familiar em exótico Como afirma Angrosino 2009 a observação etnográfica é um processo de aprendizagem por exposição ou por envolvimento nas atividades cotidianas ou rotineiras de quem participa no cenário da pesquisa Esse processo de aprendizagem tanto se refere ao pesquisador quanto ao observado uma vez que é ingênua o pesquisador imaginar que o processo inverso também não aconteça ou seja do observado se transformar em observador Vários exemplos clássicos já foram retratados pelos antropólogos como por exemplo o relato consistente da chegada de Geertz 1989 na ilha de Bali para estudar a Briga de Galos A sua observação preliminar de perceber 25 que estava se transformando em um sujeito invisível frente aquela comunidade nos diz e exemplifica a inversão do movimento observadorobservado Nesse debate Angrosino 2009 contribui para pensarmos a funcionalidade da observação participante para a pesquisa etnográfica Para ele o observador participante deve possuir as seguintes qualidades habilidades linguísticas pois os diferentes grupos têm a sua própria gíria consciência explícita ou seja ficar consciente dos detalhes das relações que a maioria das pessoas deixam fora de sua observação uma boa memória porque nem sempre é possível registrar a observação no próprio local Essas qualidades propostas por Angrosino 2009 contribuem para pensarmos as interações entre pesquisador e pesquisado ou melhor entre observador e observado na medida que denota a importante reflexão da postura do pesquisador no campo Nesse sentido um pesquisador em particular um etnógrafo que se encontra no campo deve ficar consciente de quatro questões básicas sugeridas por Selltiz citado por Vianna 2007 O que deve ser efetivamente observado Como proceder para efetuar o registro dessas observações Quais os procedimentos a utilizar para garantir a validade das observações Que tipo de relação estabelecer entre o observado e observador Essas questões nos levam novamente a dicotomia entre observação casual e observação científica Vianna 2007 lembra que a observação casual isto é do senso comum é caótica muitas vezes inexata e omissa comprometendo a observação de fatos e acontecimentos Nas literaturas científicas no que se refere ao tema das metodologias de pesquisa é de práxis distinguir dois tipos de observação A primeira chamada Observação Estruturada diz respeito às observações que ocorrem em laboratórios e em geral partem de hipóteses que são testadas a partir de instrumentos padronizados A segunda normalmente chamada de Observação semiestruturada traz em seu bojo a possibilidade de o pesquisador integrar a cultura dos sujeitos observados e ver o mundo na perspectiva dos sujeitos em processo de observação O principal objetivo dessa forma de observação é descrever no ambiente natural dos observados o que acontece como as pessoas se envolvem e se interagem o contexto em que a ação acontece e o que se segue a partir dele conforme explica Hammersley e Atinkson 1994 Esse tipo de observação oferece a liberdade do pesquisador de 26 se relacionar e acompanhar o dia a dia dos sujeitos pesquisados As interações precisam ser as mais naturais possíveis para que os sujeitos observados não mudem de forma artificial a sua forma de agir e que consigam estreitar os universos propostos por Damatta 2010 ou seja de transformar o exótico em familiar e o familiar em exótico 27 ENCERRAMENTO Parabéns por ter concluído os estudos desta matéria da sua especialização A Editora Famart e seus parceiros a conteudistas prepararam este material baseandose em temas e discussões relativas à esta disciplina Reunimos conteúdos de autores e pesquisadores que são referência na temática apresentada neste material concebendo uma compilação desta abordagem de forma didática visando melhor aproveitamento no seu processo de conhecimento e aprendizagem Busque fontes auxiliares de estudo para que possam agregar ainda mais no seu conhecimento Dúvidas elogios questionamentos ou orientações quanto ao conteúdo estudado disponibilizamos através de sua área de estudo a opção de abrir um requerimento Nossos tutores estarão disponíveis para te atender REFERÊNCIAS ALBERTI Verena História oral a experiência do CPDOC Rio de Janeiro FGV 2005 ALVESMAZZOTTI A J O debate contemporâneo sobre paradigmas In O método nas ciências naturais e sociais pesquisa quantitativa e qualitativa 2ed São Paulo Pioneira 1999 ANGROSINO Michael FLICK UWE Etnografia e observação participante Porto Alegre Penso 2009 ATKINSON Paul HAMMERSTEY Martyn Principles in practice 3ed London Routledge 2007 BAPTISTA Makilim Nunes CAMPOS Dinael Corrêa de Metodologias de pesquisa em ciências Rio de Janeiro LTC 2007 BAUER Martin e GASKELL George Pesquisa qualitativa com texto imagem e som um manual prático 3ed PetrópolisRJ Vozes Editora 2002 BOGDAN R BIKLENS Investigação qualitativa em educação uma introdução a teoria e aos métodos Porto Porto Editora 2004 BOURDIEU Pierre A miséria do mundo Tradução de Mateus S Soares 3a edição Petrópolis Vozes 1999 CERVO Amado Luiz BERVIAN Pedro Alcino SILVA Roberto da Metodologia científica Belo Horizonte Pearson Prentice Hall 2006 DAMATTA Roberto Relativizando uma introdução à antropologia social Rio de Janeiro Rocco 1986 DELGADO Lucília Neves História oral teoria educação e sociedade Juiz de Fora Editora da UFJF 2006 História oral memória tempo identidades Belo Horizonte Autêntica 2006 FERREIRA Marieta de Moraes et al Usos e abusos da história oral 8ed Rio de Janeiro FGV 2006 FLICK Uwe Qualidade na pesquisa qualitativa Porto Alegre Artmed 2009 Introdução à metodologia de pesquisa um guia para iniciantes Porto Alegre Penso 2012 GATTI Bernadete A Estudos quantitativos em educação In Educação e Pesquisa São Paulo v30 n1 p 1130 janabr 2004 GEERTZ Clifford A Interpretação das culturas Rio de Janeiro LTC 1989 GOFFMAN Erving Ritual de interação ensaios sobre o comportamento face a face Petrópolis Rio de Janeiro Vozes 2011 GONÇALVES Luiz Alberto TOSTA Sandra Pereira A síndrome do medo contemporâneo e a violência na escola Belo Horizonte Autentica 2008 GOODE J William HATT K Paul Métodos em pesquisa social São Paulo Companhia Editora Nacional 1979 LIMA Maria da Gloria Barbosa Etnografia e pesquisa qualitativa apontamentos sobre um caminho metodológico de investigação In Revista Movimento V 2 n 3 p 0316 2010 MALINOWSKI Bronisław Argonautas do pacífico ocidental 2ed São Paulo Abril Cultural 1984 MONTENEGRO Antônio Torres História oral e memória a cultura popular revisitada São Paulo Contexto 1993 OLIVEIRA Roberto Cardoso de O trabalho do antropólogo 2ed São Paulo UNESP 2000 REIS José Carlos Escola dos Annales a inovação em história 2ed São Paulo Paz e Terra 2004 ROCKWELL Elsie EZPELETA Justa A escola relato de um processo inacabado de construção In Currículo sem fronteiras v 7 n 2 p 131147 JulDez 2007 SEALE Clive Quality in qualitative research In Quality Inquiry v5 n4 p 465478 1999 SILVA Lucas Eustáquio de Paiva SILVA Ulisses Manoel Org Introdução à pesquisa uma contribuição pela metodologia Belo Horizonte Novas Edições Acadêmicas 2015 STREET B J The Schooling of Literacy chapter of Social Literacies Longman London 1995 SZYMANSKI Heloisa A entrevista na pesquisa em educação a prática reflexiva 4ed Campinas Autores Associados 2011 TEIXEIRA Inês Assunção de Castro PRAXEDES Vanda NEVES Lúcia História oral e educação tecendo vínculos e possibilidades pedagógicas Disponível em httpswwwsudeste2015historiaoralorgbrresourcesanais91429765181A RQUIVOHistoriaOraleensinodehistoriapdf Acesso em ago 2020 TOSTA Sandra de F Pereira ROCHA Gilmar Antropologia e educação Belo Horizonte Autêntica 2009 VIANNA H M Pesquisa em educação a observação Brasília Liber Livro Editora 2007