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UMA PERSPECTIVA A LONGO PRAZO DO DESENVOLVIMENTO E DO SUBDESENVOLVIMENTO BRASILEIROS\nNathaniel H. Leff\nNo presente trabalho reúnem-se os resultados de recentes pesquisas promovidas para apresentar uma perspectiva a longo prazo do desenvolvimento e do subdesenvolvimento econômicos do Brasil.\n\nPrimeiramente, discutiremos a época em que ocorreu a industrialização do país e as condições em que ela se processou, apontaremos algumas comparações e certos contrastes entre o subdesenvolvimento antes da II Guerra Mundial e o havido depois deste conflito. A seguir, passaremos a comentar a principal razão do baixo nível atual da renda per capita e do desenvolvimento econômico, qual seja, o fraco desempenho econômico do país no século XIX. Finalmente, examinaremos algumas das implicações de certas questões de permanente interesse: o impacto da dependência e do imperialismo sobre o desenvolvimento econômico do Brasil.\n1. A doutrina convencional sobre o desenvolvimento brasileiro é a de que a industrialização se acelerou na década de 1930 e na II Guerra Mundial. Embora houvesse ocorrido certo desenvolvimento industrial anteriormente,\n\nGraduate School of Business, Columbia University. Consigno os metas agradecimentos a numerosos colaboradores, em especial a Stanley Engerman e Maurice Wilkinson, pelos valiosos comentários sobre pesquisas anteriores, os quais enriqueceram este presente trabalho. Não lhes desejo apresentar responsabilidade por erro algum aqui expresso. Também desejo registrar meu agradecimento pelo apoio financeiro obtido junto ao programa de pesquisas universitárias da mencionada faculdade.\nR. bras. Econ., Rio de Janeiro, 26 (3):147-168, jul./set. 1972 em 1929 o Brasil ainda era um país essencialmente exportador de produtos agrícolas. A falta de industrialização anterior, por sua vez, é atribuída à falta de medidas governamentais voltadas para o desenvolvimento, em decorrência da aceitação incondicional de doutrinas alienígenas, como o laissez-faire, ou de pressões políticas colonialistas, externas ou internas. Em virtude de tal passividade, o pouco desenvolvimento ocorrido foi esporádico e resultou de \"choques externos\", tais como os objetos a importação durante a I Grande Guerra e a Grande Depressão. E foi assim como o impreciso do crescimento impulsionado pelas exportações na década de 30 que o país embargou na \"alternativa\" da industrialização para substituir importações.\nContudo, o Brasil cm verdade experimentava antes um prolongado período de desenvolvimento industrial e substituição de importações, e isso em condições diversas das que têm sido às vezes apreciadas. Desde 1919, a indústria interna supria cerca de 63% do valor total conhecido dos produtos manufaturados de consumo interno.\n\nConforme indica o quadro 1, de 1938 a 1939 a estrutura da pauta das importações brasileiras já era muito semelhante à do fim da década de 50, ajudando as matérias-primas e os equipamentos. Além disso, a indústria brasileira não era o resultado do desenvolvimento havido na década de 30, nem constituía fenômeno recente. Em 1939, a renda do setor industrial representava 21,7% do PIB no Brasil. Um processo simples e direto de avaliar a importância relativa do setor industrial em 1920 é calcular a razão que para esse ano pode ser deduzida das taxas de crescimento do PIB e da produção industrial ao longo do período de 1920 a 1939. Albert Fishlow desenvolveu essa série. Calculando-se as taxas da tendência do crescimento pela regressão de mínimos quadrados, vamos encontrar o PIB crescendo a uma taxa exponencial anual de 3,9% e a indústria a 4,5% durante todo esse período. Se extrapolarmos essas taxas de crescimento para chegar aos índices de 1920 e daí extraímos a razão para 1920, iremos verificar que, nesse ano, a indústria foi responsável por cerca de 19,4% do PIB no Brasil. Este valor não fica muito abaixo da participação alcançada pela produção industrial em 1939.\n\nOs dados sobre a urbanização podem ser utilizados como recursos aproximadamente para indicar esta passagem sobre o grau em que se processaram a industrialização e a urbanização no crescimento econômico brasileiro antes de 1939. Já em 1910, cidades não-exploradas, como as capitais dos estados - 12,8% da população urbana em 1939 - essas percentagens emergia se utilizarmos como ponto de partida pela Fundação Getulio Vargas sobre o PIB e a produção industrial. Entre 1920 e 1947, esses números indicam um retorno do PIB e a produção industrial. Quadro 2\nTaxas anuais de crescimento cumulativa da produção de alguns artigos selecionados no Estado de São Paulo 1905 - 1920\n\nPeríodo Tecido de algodão Sapatos Chapéus\n1905-10 15,5 12,7 12,0\n1910-15 6,4 4,3 9,4\n1915-15 12,7 9,4 8,1\n1915-10 8,9 0,8 1,0\n\nFonte: calculados com dados de Lutz, Nita Vilella. A fase dos industrializações no Brasil. São Paulo 1966, pág. 118, e tabela 2. A seleção dos períodos e dos produtos foi dada pelo autor.\n\nConforme indicam esses dados, a produção acusou crescimento mais rápido nos períodos anteriores ao compreendido entre 1915 e 1920. Os dados estatísticos de Stanley Stein sobre a totalidade da produção brasileira de algodão mostraram-nos um quadro semelhante. Os anos de 1913 e 1914 foram de crise industrial no Brasil; em decorrência, a produção de 1915 pode crescer acentuadamente, aproveitando-se a capacidade de produção antes\n\nR.B.E. 3/72 Quadro 3\nCrescimento da indústria têxtil brasileira de algodão, 1866-1915\nTaxa anual cumulativa de crescimento\n\nPeríodo Produção Operários Têxteis\n1860 1865 9,4 7,6 10,0\n1885 1905 13,1 12,0 14,1\n1890 1910 10,3 7,1 7,7\n1915 11,0 \n\nFonte: Calculado com base nos dados de Stein, Stanley. The Brazilian cotton manufacturer. Cambridge, Mass., 1957, p. 192. A referida agência é subestimada, pois não considera as experiências havidas na I Guerra Mundial, Fisher obrest, op. cit. p. 15 e 16)\n\nFinalmente, deveríamos notar que os tecidos de algodão não representam absolutamente a única indústria surgida no período que precedeu a I Guerra Mundial. No Censo industrial de 1907 os operadores desse setor eram aproximadamente a única indústria surgida no período que precedeu a I Guerra Mundial. No Censo industrial de 1907 os operadores desse setor eram aproximadamente. A indústria têxtil foi uma das primeiras a se desenvolverem no Brasil. Por isso, o fato de outros setores industriais terem conseguido tal posição em confronto com a indústria têxtil indica que eles também devem ter experimentado idênticas e altas taxas de crescimento durante os decênios anteriores. Esse quadro de rápido desenvolvimento anterior a I Guerra Mundial é confirmado pelo quadro 3, onde se apresentam dados sobre crescimento do consumo de electricidade,\n\nDESENVOLVIMENTO E SUBDESENVOLVIMENTO BRASILEIROS Quadro 4\nCrescimento do consumo de energia elétrica no Brasil, 1883 - 1940\n\nPeríodo Taxa anual de crescimento\n\n1883 - 1889 110,0\n1889 - 1900 11,8\n1900 - 1910 29,4\n1910 - 1920 20,0\n1930 - 1940 3,1\n\nFonte: Martin, Jean-Marie. Processus d'industrialisation et développement énergétique du Brésil. Paris, Institut des Hautes Etudes de l'Anté-rique Latine, 1966, p. 29. Nota: Para este crescimento, deve-se concluir que o crescimento total não terá crescido assim muito como o mostrado neste quadro.\n\nR.B.E. 3/72 Como demonstra a existência de tais tarifas, não há por que incluir os responsáveis pela política econômica brasileira de haverem adotado \"teorias importadas\", como o do livre comércio, ou por terem dispensado indevida preferência aos interesses de exportadores e à pressões imperialistas contra a industrialização. Acentuadas divergências da prática do laissez-faire também ocorreram com as intervenções diretas do Governo para sustentar empresas industriais premiadas pelas restrições de crédito na década de 1890. Os frequentes déficits orçamentários e a contínua inflação no século XIX e no começo do século XX constituem outra indicação de como os responsáveis pela política econômica brasileira pouco se deixaram influenciar pelas doutrinas \"ortodoxas\". Talvez o melhor exemplo da orientação avisada dos brasileiros, seja dado pelos programas de valorização do café iniciados no final do século, nos quais o Brasil foi um dos poucos países produtores de bens primários a tentar intervir no mercado, buscando melhorar suas condições de competição. Sem dúvida, os responsáveis pela política econômica brasileira nem sempre tinham agido com plena sabedoria, não há por que atribuir ao desenvolvimento da política do país a falha de proteção tarifária, pelo menos a partir de 1850. 4. O que o processo industrial brasileiro de cerca de 1860 também permite certa compensação do mecanismo do desenvolvimento econômico do país. O fato de que as circunstâncias do desenvolvimento do Brasil haver ocorrido de uma só vez na mesma região (São Paulo e Rio de Janeiro), conforme se sabe, permite propor um entendimento mais amplo sobre o papel das diferenças internas. Assim, percebemos como as intervenções do Estado, a história de constituições médias e mutuamente coadjuvantes, como por vezes se tem proposto. A noção de que as condições favoráveis ao intercâmbio comercial com o exterior sejam antagônicas à industrialização parece basear-se em duas premissas errôneas. Primeiramente, do lado da oferta, os altos ganhos da exportação atraem recursos para o setor. Daí o admitir-se que, sem a deterioração das condições de comércio externo – uma depressão econômica, por exemplo, ou uma configuração mundial que desorganize a navegação – a taxa de remuneração relativa não será suficientemente favorável para canalizar recursos para a atividade industrial manufatureira. Impondo tarifas, entretanto, o Brasil pode desviar a relação interna de preços para favorecer contribuído para desviar os preços a favor dos produtores locais. (Para idéias semelhantes, veja-se Leff, Nathaniel. An Interpretation of the Industrialization Process in Brazil: The Journal of Economic History, v. 11, sprg. 1951). Ademais, a importância da expansão da depressão real com respeito à proteção tarifária é clara. Além disso, aos contratos deste tipo, é aconselhável anotar que seu valor diminuiu com a depreciacão real da última metade da década de 1980.\n\n1. Lúcia Nicia Vilella, op. cit., p. 101-7.\n\n**Para a política fiscal e monetária anterior a 1910, ver Pandi Calogerias. J. A política monetária do Brasil. Trad. Thomas Newlands Neto do original francês de 1910. São Paulo. 1960. Os dados sobre a inflação são apresentados em Baer, op. cit., 289, 287 e 300-1.**\n\n**Para um análise pormenorizada dos programas de valorização, veja Delfim Neto, Antônio. O problema do café no Brasil. São Paulo, 1999.** log DOMt = - 1,017 + 0,057 y + 0,158 log Mt +\n (2,624) (0,008) (0,058)\n + 0,518 log CS t\n (0,310)\nR² = 0,916 d = 1,2\n\nO coeficiente do termo importação é positivo e significativo ao nível de 1%. indicando antes uma complementaridade que uma relação anti-tica entre o desenvolvimento industrial interno e o comércio com o exterior. Dessa forma, a doutrina da “dicotomia” entre o crescimento baseado na exportação e a industrialização, em que tanto se basearam a análise econômica brasileira e o estabelecimento das diretrizes de política econômica no país no período de pós-guerra, não parece ter constituído boa orientação. 5. Deve-se notar que o intercâmbio com o exterior não constituiu para o desenvolvimento brasileiro, apesar de algumas formas de exportações. A participação das exportações na renda nacional, por exemplo, não era tão grande como muitas vezes se julga. No início de 1920-24, para o qual se fazem referências estimativas do produto bruto do país, as exportações médias do valor do PIB, que era medido para converter de acordo com fatores da conversão, num esforço para se chegar a uma avaliação do PIB em pouco mais próxima dos preços do mercado mundial, a relação para a exportação será de 10%*. Além disso, o coeficiente de importação do país era em regra mais baixo que o da exportação, pois o Brasil geralmente mantinha excedentes em sua balança comercial, refletindo os pagamentos de capital estrangeiro e as remessas efetuadas pelos imigrantes.\n\nTudo indica, ainda, que no século XIX, desde a Independência, as exportações tenham crescido a taxas mais altas que as da produção na economia de modo global.* Em consequência, durante aquele período, a participação do comércio exterior na economia brasileira terá sido provavelmente menor que a observada de 1920 a 1924. 21\n\nAcrese que a economia brasileira em geral não dependia muito estreitamente do comércio exterior como forte de procura agregada. Durante a maior parte da centúria segundo a Independência, o Brasil passou por um processo inflacionário. Onde não ser geralmente importante o adoção, nessa economia, dos modelos keynesianos de procura agregada deficiente. De 1822 a 1913, por exemplo, apesar dos movimentos favoráveis na relação de horas, a taxa de câmbio depreciou-se a longo prazo, sofrendo uma baixa de 1,4% ao ano. Em 50 anos, entre 1889 a 1939, o Governo Federal geralmente incorreu em déficits, como depois que em 33 desses anos excederam as receitas em mais de 10%. Os índices disponíveis sobre o custo de vida de 1912 a 1939 indicam que os preços subiram 5% ou mais em 16 desses 28 anos.\n\nO Brasil também teve a situação, comum em “economias de exportação”, em que as condições de comércio externo dominam sobre a economia doméstica. 221 Não foi possível avançar como o externo. Durante esse período, o comércio exterior teve outra cara. Neste período, encontrou-se com a divisão, funcionando como variable. Também, ficou claro que, na medida em que na relaç. de exportação indicam uma baixa elasticidade e uma relação estatisticamente não significativa ao nível de 10%. As equações construídas com base no saldo da balança comercial (tomado como indicador do movimento de capitais externos), em que esse saldo é uma variável independente, mostram idênticos results para um baixo R² e valores não significativos para t. Quando se especificou uma variável denominadora de tendência, para um possível movimento relacionado com a expansão autônoma, entretanto, o coeficiente de determinação subiu para 0,83%. A equação (3) apresenta os resultados de uma regressão em que um termo denotador de tendência, r, o saldo comercial, BT e as exportações correntes foram especificados em conjunto.\n\nlog CS t = 11,322 + 0,011 + 0,0004 log BT - 0,058 log Xt\n (0,421) (0,002) (0,0008) (0,038)\n R² = 0,849 d = 0,99\n\nO termo representativo do saldo da balança comercial permanece estatisticamente não significativo, em seguida, o coeficiente de tempo é significativo ao nível de 10% (o mesmo que é descritivo). A importância está relacionada em tendência, contudo, e o fato de um termo representativo da exportação permanece longo desse período, as autoridades brasileiras seguiram uma política monetária autônoma. Assim sendo, elas elevaram os meios de pagamento em resposta às necessidades internas (como também, não em menor escala, os déficits orçamentários), de preferência a deixar que os meios de pagamento do país fossem determinados por condições do intercâmbio comercial com o exterior. Como um natural corolário dessa política voltada para dentro do país, verificou-se o intuíto de não deixar que a taxa de câmbio fosse depreciada em função da inflação interna. Como atrás apontamos, a taxa também em verdade mostrou uma significativa deprecição a longo prazo. um declínio de 10% entre 1929 e 1932. Os efeitos da crise econômica foram agravados neste caso, entretanto, pelas condições internas especiais que vigoravam. Ocorre que o presidente do país no período de 1925 a 1930, Washington Luís, era um estadista de princípios, que acreditava na ortodoxia fiscal e monetária. Em 1925, seu governo executou um programa de estabilização monetária, reduzindo os meios de pagamento em 14% durante dois anos, equilibrando em 1927, o orçamento da República pela primeira vez em dois decênios. Em 1928 e 1929 caíram os índices do custo de vida, o que não ocorria desde 1918. A Grande Crise abateu-se sobre o Brasil em meio a uma deflação interna. Em contraste com a experiência da crise mundial de 1921, quando os preços no Brasil continuaram em ascensão, o excesso da procura foi eliminado da economia e os preços internos caíram, então, até mais violentamente. O rápido ajustamento das medidas de política econômica era também impositivo, em virtude das condições internas vigentes. O presidente cujo mandato deveria continuar até 1930, recusou-se obstinadamente a alterar a política monetária. Além disso, todas influências foram as suas decisões especiais de exportação do café, que depois interferiram nos preços internacionais desde produto cafeeiro, em setembro de 1929 até dezembro de 1930, período em que os produtos colocados nos Estados Unidos compunham apenas 8%. A modificação efetiva não se desejava. Se por um lado era impossível, pois o país debilitara-se, Vargas, contudo, em sua política controlou a política externa e por Vargas, por sua vez, até a Revolução Paulista de 1932 (ou de 1924), foi muito o Governo iniciou amplos programas de gastos públicos, e o produto interno bruto do país pode crescer a taxas relativamente altas, independentemente das condições econômicas reinantes nos Estados Unidos e no resto do mundo. A taxa de crescimento agregado tem sido mais alta no período que se segue à II Guerra Mundial, que foi acentuada. As estimativas do Fishlow indicam um PIB crescente e uma taxa anual cumulativa de 4,1% entre 1920 e 1929; de 3,6% entre 1930 e 1939; e refletindo os efeitos da Depressão, de 3% entre 1920 e 1930. Em contraste, no pós-guerra, a taxa de crescimento a longo prazo foi superior a 6%. Esta mudança em relação ao período de entre-guerras sugere a importância de certos aspectos do desenvolvimento do Brasil após a II Guerra, os quais não têm recebido suficientemente atenção. Em primeiro lugar, o período anterior à II Guerra Mundial assistiu a uma importante modificação da agricultura brasileira. A produção agrícola cresceu a uma taxa anual cumulativa superior a 4%. Em contraste, o crescimento deste setor obedecia a uma taxa de apenas 3,2% entre 1920 e 1939; (de 1920 a 1929 a taxa indicativa da tendência de crescimento da produção agrícola era 2,5%. contra 3,5% nos anos 30). Em 1939, a renda da agricultura era responsável por um terço do PIB do país e, em anos anteriores, até por mais. Portanto, mesmo sem levar em conta os efeitos indiretos concebíveis em se tratando do crescimento de modelos de dois setores, a ascensão da taxa de crescimento agrícola elevou a taxa de crescimento agregado no pós-guerra. A taxa de crescimento industrial também foi mais elevada no período de pós-guerra. Sobretudo-se as condições mais flutuantes da procura, a expansão industrial também foi sustentada pelas características da oferta de fatores de produção. Primeiro, as \"barreiras\" impostas pela oferta de mão-de-obra qualificada e tecnicamente instruída e a oferta de tecnologia complexa mostraram-se muito menos graves do que se havia suposto. O crescimento industrial foi também facilitado pelas condições relativamente favoráveis da oferta de importações até o início dos anos 60. Após a guerra, e até 1960, a oferta de importações do Brasil cresceu a uma taxa anual média de cerca de 6%, em confronto com as taxas muito inferiores do período de entre-guerras; e esta maior elasticidade-rede de produtos de importação facilitou as condições favoráveis às exportações e a capacidade interna de exportação de 1954. Houve também uma modificação da estrutura de capitais. Nas décadas de 20 e 30, o líquido do movimento de capitais fora negativo, com a saída de capitais carregada, em média, 15%. E só os valores recebidos da exportação de produtos diversos, excluindo-se o café, cresceram a taxa anual média de 18% e os ganhos agregados resultantes da nacionalização e da qualidade de vida de muitas companhias brasileiras. Durante este período, reduz-se a carga de juros e remessas de lucros sobre a capacidade de importar do país. Além disso, durante a década dos 50, os créditos dos fornecedores. estrangeiros e, em menor escala, os investimentos diretos, fizeram crescer temporariamente a capacidade de importação. No início dos 60, entretanto, a oferta de importações acusou muito menor elasticidade-renda. A escassez de matérias-primas importadas e de bens intermediários destinados ao setor industrial provavelmente terão contribuído para atenuar o ritmo do crescimento industrial agregado em 1963 e 1964. A oferta menos elástica de importações refletiu o fraco desempenho das exportações brasileiras no fim da década de 50 e no início da de 60. Esta circunstância, por sua vez, decorreu da ilusória noção governamental de que a substituição de importações com o objetivo de manter uma elevada taxa de desenvolvimento agregado havia reduzido a sujeição da economia às importações de insumos industriais. Em parte devido a essa atitude, mas também refletindo outras distorções de diretrizes, as medidas governamentais de política econômica discriminavam a favor do café e contra os demais produtos de exportação, o qual constitui a principal fonte de receita cambial. Depois de 1964, contudo, tais distorções foram eliminadas e, em consequência, os ganhos com a exportação cresceram rapidamente. Entre 1964 e 1969 as exportações em divisas com exportação de produtos diversos, excluindo-se o café, cresceram a taxa anual média de 18% e os ganhos agregados resultantes da nacionalização e da qualidade de vida de muitas companhias brasileiras. As apreciáveis diferenças entre as taxas de crescimento dos ganhos de exportação com os diferentes produtos em que se especializaram o Nordeste e o Sudeste do país, por sua vez, relacionam-se com as grandes diferenças entre as taxas de crescimento industrial e de desenvolvimento global nas duas regiões. Um dos principais motivos pelos quais em desenvolvimento bem não há expansão das exportações não funcionou para a totalidade do país, por conseguinte, foi simplesmente a maior parte de grande região do Nordeste, isto é, não satisfazer uma óbvia condição para que o processo tivesse estas exportações per capita. Para o dito, a relação-renda a longo prazo de 2,2%, em base per capita, entre 1822 e 1913.\n\nO imperialismo é outro argumento muito difundido para explicar o atraso econômico do país no século XIX, interpretação que não é correta, com a realidade brasileira nessa centúria. Conforme indicamos anteriormente, após de 1844 o Governo brasileiro não pôde unir, de laissez-faire, porém impôs tarifas que atingiram altos níveis. Por outro lado, o Brasil não foi compelido a seguir o padrão-ouro, nem a copiar sistemas de taxas cambiais. O país escolheu suas diretrizes heterodoxas em tais áreas, em geral havendo seguido um caminho de expansão monetária (e fiscal) e mantendo em regra um padrão cambial baseado no papel-moda. A principal característica de desenvolver um amplo setor agrícola interno, que empregasse a maior parte da força de trabalho do país. Para desenvolver este setor tornaram-se necessárias vultosos investimentos de infra-estrutura, sobretudo em educação e meios de transporte. Conforme se observa vezes o nível de renda per capita. Em contraste, uma taxa anual de 0,4%, por exemplo, conduz a um crescimento total cumulativo de apenas 44%. Além disso, a maior parte do acréscimo no Brasil provavelmente terá ocorrido nas duas décadas queprecederam 1913. Donde o reforçar-se a conclusão de que o Brasil experimentou uma relativa estagnação em seu nível de renda per capita para a totalidade do país durante a maior parte do século XIX.\n\nTambém podemos extrapolar no passado os dados do crescimento brasileiro no século XIX para formar uma série de estimativas da renda monetária per capita em 1822. Embora os problemas suscitados pelos números peculiares e esta operação de comparação dos níveis de bem-estar, pode ser interessante examinar em linhas gerais como a renda per capita brasileira se portou em relação à dos Estados Unidos. Em 1822, a renda per capita nos Estados Unidos era de cerca de US$225 (a pré-1840). Em confronto, o Brasil estava mais atrás, mediamente inferior a US$589 (a partir de 1950). Isso significa, para o nível de renda per capita monetária no país em tais condições, já nesse ano, que existiria uma apreciável decorrente, em continua a difusão de elementos monetários entre Estados Unidos e o Brasil. Estas estimativas para 1822 também são históricas.\n\n9. Por que teria o Brasil experimentado taxas de crescimento relativamente baixas em sua renda per capita para a totalidade do país durante o século XIX?\n\nCumpre observar que os dados históricos não vêm em apoio de certas respostas convencionais a esta indagação. Em primeiro lugar, a situação do comércio externo do Brasil não deteriorou, com transferência para o exterior dos incrementos da produtividade do país. Os dados indicam, em vez disso, que o Brasil experimentou uma melhoria a longo prazo em seu comércio externo durante o século XIX. Ademais, a situação do país em termos globais não foi devido a prováveis deficiências intrínsecas a um processo de desenvolvimento impulsionado pelas exportações. Contrapõe-se, o Sudeste da pais, que teve acrescidas em larga escala as suas exportações, também foi sede do desenvolvimento econômico e magnetismos marcadores. Por outro lado, o Nordeste, cujas exportações de açúcar e algodão não cresceram a taxas elevadas, experimentou estagnação, sendo mesmo um declínio. O quadro 5 oferece-nos as diferentes taxas de crescimento dos índices da relação de trocas (V_z P_n) de produtos em que essas regiões eram especializadas. QUADRO 5\nTaxa anual da tendência do crescimento da relação-renda de troca de algodão, açúcar e café pelo Brasil de 1822 a 1913\n\nProduto\t\t\t\t1822 - 1913\t1822 - 73\t1874 - 1913\n\nAlgodão\t\t\t\t1,4\t\t\t2,3\t\t\t7,0\nAçúcar\t\t\t\t2,0\t\t\t6,2\t\t\t\nCafé\t\t\t\t5,0\t\t\t6,2\t\t\t3,6\n\n* i exprime o valor da tendência composta mediante regresso por mínimos quadrados. Não foi realizado a menos de 0,03. O Brasil foi o principal país inscrito no índice de progressão das exportações, da Grã-Bretanha, o principal país intercedente dos Brasil. Esse índice nos dados(Instruções em Tabel. Albert, A. O. no. iii., New York, 1981, p. 99-98. pelo quadro 6, entretanto, a construção de estradas de ferro em larga escala começou muito tarde no Brasil. Para proporcionar uma escala comparativa, notaremos que em 1900 a extensão dos leitos ferroviários nos Estados Unidos era quase 20 vezes maior que a do Brasil. Mesmo após o grande impulso de construção ferroviária experimental pelo Brasil a partir de 1900, o país contava apenas com 16.400 milhas de leitos, dado que os Estados Unidos haviam ultrapassado por volta da década de 1850.\n\nQUADRO 6\nExtensão dos leitos ferroviários no Brasil\n1854 - 1914\n\nAno\nMilhas\n\n1854 9\n1864 296\n1884 800\n1894 1.300\n1904 3.500\n1910 7.500\n1914 8.800\n\nFonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Brasil - 1918. Rio de Janeiro, IBGE, 1939, p. 216. Acrecente que as ferrovias mais antigas, por sua maior parte, eram limitadas às áreas de produtos agrícolas exportáveis, e não serviam às regiões mais longínquas no setor agrícola interno. O grande impulso da construção ferroviária, que foi além das áreas de produtos agrícolas exportáveis, só teve início na década de 1890, e o maior aumento absoluto havido na construção ferroviária só veio a ocorrer 20 anos depois de 1914.\n\nUma vez estendidas as ferrovias para além das áreas de produtos agrícolas exportáveis, entretanto, o desenvolvimento parece ter requerido em certos casos. Os produtores parecem ter respondido com maiores safras, aumentando a renda e integrando a economia que substituiu co-importações no setor de víveres provenientes do exterior. Assim sendo, a explicação de ferrovia, com os seus efeitos colaterais de ligação, pode ter sido um fator-chave no subido impulso do crescimento brasileiro depois de 1900. São experiências também em parte, em devido à inexistência de transporte barato, de especial importância para uma economia caracterizada por baixas terras e exits no Brasil. processo poderia ser comparado à tentativa de se esvaziar um tanque (cujo conteúdo representaria a população do setor atrasado) que continuamente se tornasse a encher.\n\nNo século XX as políticas populista e nacionalista conduziram ao declínio das correntes migratórias de além-mar, que antes haviam contribuído para as altas taxas de crescimento da oferta de mão-de-obra. Nessa altura, contudo, as taxas de crescimento demográfico interno se tinham elevado a tal ponto que foi mantido o modelo de crescimento econômico com abundante oferta de mão-de-obra, como também se mantiveram os seus reflexos sobre os salários e a distribuição da renda.\n\nCento número de conclusões emerge do presente estudo. Em primeiro lugar, conforme tivemos oportunidade de observar, o Brasil experimentou uma apreciável industrialização em épocas anteriores às que geralmente se supunham. A industrialização brasileira, tanto longe de representar as dificuldades da configuração do país no ano de 1914-18, era notória. Em uma área importante; entretanto, o Brasil tem continuado dependente de condições exteriores; e da oferta de poupança para formação de capital. No pós-guerra, a participação das poupanças nacionais no PIB não acusou tendência ascensional acentuada. Para lograr o desejado nível de investimento, o país persistiu em depender da importação de capitais.\n\nFinalmente, vimos que o Brasil experimentou alíquotas de desenvolvimento econômico durante vários decênios. O fato em si é importante e também bem sobressai por constituir parte dos antecedentes contra os quais, em regra, se considera o país, tanto para parte de brasileiros, como de estrangeiros. Segundo indica esse o prolongado crescente industrial, há motivos para considerar o Brasil mais \"propondo ao fracasso\" econômico que quaisquer outros países mais adianto. Conforme observamos, os baixos níveis de renda para captar as variantes no Brasil não são reflexo do desempenho econômico dos decênios mais recentes, porém consequência de condições históricas responsáveis que geraram atraso econômico de um impero durante o século XIX.\n\nO Brasil ainda possui uma economia caracterizada por salários relativamente baixos e por uma população que em sua grande maioria não, não proporciona benefícios deles e se vê em grande parte por condições criadas pelas altas taxas de crescimento da economia, que acabam por deter a mão-de-obra não qualificada. Ainda neste caso estamos diante de consequências de decisões internas autônomas, alheias a pressões externas.\n\nA não-elevação da taxa de poupança agregados no pós-guerra, apesar de todas as expectativas e dos esforços do Governo, são discutidos em meu trabalho Marginal savings in the development process: the brazilian experience. The Economic Journal, sept. 1968. O efeito das altas taxas de mortalidade no sentido de impedir o aumento das poupanças mencionadas, analisado em meu trabalho Dependency rates and saving rates. The American Economic Review, dez. 1969, e Dependency rates and saving rates in Latin America. Demografia y Economí, 1971.
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UMA PERSPECTIVA A LONGO PRAZO DO DESENVOLVIMENTO E DO SUBDESENVOLVIMENTO BRASILEIROS\nNathaniel H. Leff\nNo presente trabalho reúnem-se os resultados de recentes pesquisas promovidas para apresentar uma perspectiva a longo prazo do desenvolvimento e do subdesenvolvimento econômicos do Brasil.\n\nPrimeiramente, discutiremos a época em que ocorreu a industrialização do país e as condições em que ela se processou, apontaremos algumas comparações e certos contrastes entre o subdesenvolvimento antes da II Guerra Mundial e o havido depois deste conflito. A seguir, passaremos a comentar a principal razão do baixo nível atual da renda per capita e do desenvolvimento econômico, qual seja, o fraco desempenho econômico do país no século XIX. Finalmente, examinaremos algumas das implicações de certas questões de permanente interesse: o impacto da dependência e do imperialismo sobre o desenvolvimento econômico do Brasil.\n1. A doutrina convencional sobre o desenvolvimento brasileiro é a de que a industrialização se acelerou na década de 1930 e na II Guerra Mundial. Embora houvesse ocorrido certo desenvolvimento industrial anteriormente,\n\nGraduate School of Business, Columbia University. Consigno os metas agradecimentos a numerosos colaboradores, em especial a Stanley Engerman e Maurice Wilkinson, pelos valiosos comentários sobre pesquisas anteriores, os quais enriqueceram este presente trabalho. Não lhes desejo apresentar responsabilidade por erro algum aqui expresso. Também desejo registrar meu agradecimento pelo apoio financeiro obtido junto ao programa de pesquisas universitárias da mencionada faculdade.\nR. bras. Econ., Rio de Janeiro, 26 (3):147-168, jul./set. 1972 em 1929 o Brasil ainda era um país essencialmente exportador de produtos agrícolas. A falta de industrialização anterior, por sua vez, é atribuída à falta de medidas governamentais voltadas para o desenvolvimento, em decorrência da aceitação incondicional de doutrinas alienígenas, como o laissez-faire, ou de pressões políticas colonialistas, externas ou internas. Em virtude de tal passividade, o pouco desenvolvimento ocorrido foi esporádico e resultou de \"choques externos\", tais como os objetos a importação durante a I Grande Guerra e a Grande Depressão. E foi assim como o impreciso do crescimento impulsionado pelas exportações na década de 30 que o país embargou na \"alternativa\" da industrialização para substituir importações.\nContudo, o Brasil cm verdade experimentava antes um prolongado período de desenvolvimento industrial e substituição de importações, e isso em condições diversas das que têm sido às vezes apreciadas. Desde 1919, a indústria interna supria cerca de 63% do valor total conhecido dos produtos manufaturados de consumo interno.\n\nConforme indica o quadro 1, de 1938 a 1939 a estrutura da pauta das importações brasileiras já era muito semelhante à do fim da década de 50, ajudando as matérias-primas e os equipamentos. Além disso, a indústria brasileira não era o resultado do desenvolvimento havido na década de 30, nem constituía fenômeno recente. Em 1939, a renda do setor industrial representava 21,7% do PIB no Brasil. Um processo simples e direto de avaliar a importância relativa do setor industrial em 1920 é calcular a razão que para esse ano pode ser deduzida das taxas de crescimento do PIB e da produção industrial ao longo do período de 1920 a 1939. Albert Fishlow desenvolveu essa série. Calculando-se as taxas da tendência do crescimento pela regressão de mínimos quadrados, vamos encontrar o PIB crescendo a uma taxa exponencial anual de 3,9% e a indústria a 4,5% durante todo esse período. Se extrapolarmos essas taxas de crescimento para chegar aos índices de 1920 e daí extraímos a razão para 1920, iremos verificar que, nesse ano, a indústria foi responsável por cerca de 19,4% do PIB no Brasil. Este valor não fica muito abaixo da participação alcançada pela produção industrial em 1939.\n\nOs dados sobre a urbanização podem ser utilizados como recursos aproximadamente para indicar esta passagem sobre o grau em que se processaram a industrialização e a urbanização no crescimento econômico brasileiro antes de 1939. Já em 1910, cidades não-exploradas, como as capitais dos estados - 12,8% da população urbana em 1939 - essas percentagens emergia se utilizarmos como ponto de partida pela Fundação Getulio Vargas sobre o PIB e a produção industrial. Entre 1920 e 1947, esses números indicam um retorno do PIB e a produção industrial. Quadro 2\nTaxas anuais de crescimento cumulativa da produção de alguns artigos selecionados no Estado de São Paulo 1905 - 1920\n\nPeríodo Tecido de algodão Sapatos Chapéus\n1905-10 15,5 12,7 12,0\n1910-15 6,4 4,3 9,4\n1915-15 12,7 9,4 8,1\n1915-10 8,9 0,8 1,0\n\nFonte: calculados com dados de Lutz, Nita Vilella. A fase dos industrializações no Brasil. São Paulo 1966, pág. 118, e tabela 2. A seleção dos períodos e dos produtos foi dada pelo autor.\n\nConforme indicam esses dados, a produção acusou crescimento mais rápido nos períodos anteriores ao compreendido entre 1915 e 1920. Os dados estatísticos de Stanley Stein sobre a totalidade da produção brasileira de algodão mostraram-nos um quadro semelhante. Os anos de 1913 e 1914 foram de crise industrial no Brasil; em decorrência, a produção de 1915 pode crescer acentuadamente, aproveitando-se a capacidade de produção antes\n\nR.B.E. 3/72 Quadro 3\nCrescimento da indústria têxtil brasileira de algodão, 1866-1915\nTaxa anual cumulativa de crescimento\n\nPeríodo Produção Operários Têxteis\n1860 1865 9,4 7,6 10,0\n1885 1905 13,1 12,0 14,1\n1890 1910 10,3 7,1 7,7\n1915 11,0 \n\nFonte: Calculado com base nos dados de Stein, Stanley. The Brazilian cotton manufacturer. Cambridge, Mass., 1957, p. 192. A referida agência é subestimada, pois não considera as experiências havidas na I Guerra Mundial, Fisher obrest, op. cit. p. 15 e 16)\n\nFinalmente, deveríamos notar que os tecidos de algodão não representam absolutamente a única indústria surgida no período que precedeu a I Guerra Mundial. No Censo industrial de 1907 os operadores desse setor eram aproximadamente a única indústria surgida no período que precedeu a I Guerra Mundial. No Censo industrial de 1907 os operadores desse setor eram aproximadamente. A indústria têxtil foi uma das primeiras a se desenvolverem no Brasil. Por isso, o fato de outros setores industriais terem conseguido tal posição em confronto com a indústria têxtil indica que eles também devem ter experimentado idênticas e altas taxas de crescimento durante os decênios anteriores. Esse quadro de rápido desenvolvimento anterior a I Guerra Mundial é confirmado pelo quadro 3, onde se apresentam dados sobre crescimento do consumo de electricidade,\n\nDESENVOLVIMENTO E SUBDESENVOLVIMENTO BRASILEIROS Quadro 4\nCrescimento do consumo de energia elétrica no Brasil, 1883 - 1940\n\nPeríodo Taxa anual de crescimento\n\n1883 - 1889 110,0\n1889 - 1900 11,8\n1900 - 1910 29,4\n1910 - 1920 20,0\n1930 - 1940 3,1\n\nFonte: Martin, Jean-Marie. Processus d'industrialisation et développement énergétique du Brésil. Paris, Institut des Hautes Etudes de l'Anté-rique Latine, 1966, p. 29. Nota: Para este crescimento, deve-se concluir que o crescimento total não terá crescido assim muito como o mostrado neste quadro.\n\nR.B.E. 3/72 Como demonstra a existência de tais tarifas, não há por que incluir os responsáveis pela política econômica brasileira de haverem adotado \"teorias importadas\", como o do livre comércio, ou por terem dispensado indevida preferência aos interesses de exportadores e à pressões imperialistas contra a industrialização. Acentuadas divergências da prática do laissez-faire também ocorreram com as intervenções diretas do Governo para sustentar empresas industriais premiadas pelas restrições de crédito na década de 1890. Os frequentes déficits orçamentários e a contínua inflação no século XIX e no começo do século XX constituem outra indicação de como os responsáveis pela política econômica brasileira pouco se deixaram influenciar pelas doutrinas \"ortodoxas\". Talvez o melhor exemplo da orientação avisada dos brasileiros, seja dado pelos programas de valorização do café iniciados no final do século, nos quais o Brasil foi um dos poucos países produtores de bens primários a tentar intervir no mercado, buscando melhorar suas condições de competição. Sem dúvida, os responsáveis pela política econômica brasileira nem sempre tinham agido com plena sabedoria, não há por que atribuir ao desenvolvimento da política do país a falha de proteção tarifária, pelo menos a partir de 1850. 4. O que o processo industrial brasileiro de cerca de 1860 também permite certa compensação do mecanismo do desenvolvimento econômico do país. O fato de que as circunstâncias do desenvolvimento do Brasil haver ocorrido de uma só vez na mesma região (São Paulo e Rio de Janeiro), conforme se sabe, permite propor um entendimento mais amplo sobre o papel das diferenças internas. Assim, percebemos como as intervenções do Estado, a história de constituições médias e mutuamente coadjuvantes, como por vezes se tem proposto. A noção de que as condições favoráveis ao intercâmbio comercial com o exterior sejam antagônicas à industrialização parece basear-se em duas premissas errôneas. Primeiramente, do lado da oferta, os altos ganhos da exportação atraem recursos para o setor. Daí o admitir-se que, sem a deterioração das condições de comércio externo – uma depressão econômica, por exemplo, ou uma configuração mundial que desorganize a navegação – a taxa de remuneração relativa não será suficientemente favorável para canalizar recursos para a atividade industrial manufatureira. Impondo tarifas, entretanto, o Brasil pode desviar a relação interna de preços para favorecer contribuído para desviar os preços a favor dos produtores locais. (Para idéias semelhantes, veja-se Leff, Nathaniel. An Interpretation of the Industrialization Process in Brazil: The Journal of Economic History, v. 11, sprg. 1951). Ademais, a importância da expansão da depressão real com respeito à proteção tarifária é clara. Além disso, aos contratos deste tipo, é aconselhável anotar que seu valor diminuiu com a depreciacão real da última metade da década de 1980.\n\n1. Lúcia Nicia Vilella, op. cit., p. 101-7.\n\n**Para a política fiscal e monetária anterior a 1910, ver Pandi Calogerias. J. A política monetária do Brasil. Trad. Thomas Newlands Neto do original francês de 1910. São Paulo. 1960. Os dados sobre a inflação são apresentados em Baer, op. cit., 289, 287 e 300-1.**\n\n**Para um análise pormenorizada dos programas de valorização, veja Delfim Neto, Antônio. O problema do café no Brasil. São Paulo, 1999.** log DOMt = - 1,017 + 0,057 y + 0,158 log Mt +\n (2,624) (0,008) (0,058)\n + 0,518 log CS t\n (0,310)\nR² = 0,916 d = 1,2\n\nO coeficiente do termo importação é positivo e significativo ao nível de 1%. indicando antes uma complementaridade que uma relação anti-tica entre o desenvolvimento industrial interno e o comércio com o exterior. Dessa forma, a doutrina da “dicotomia” entre o crescimento baseado na exportação e a industrialização, em que tanto se basearam a análise econômica brasileira e o estabelecimento das diretrizes de política econômica no país no período de pós-guerra, não parece ter constituído boa orientação. 5. Deve-se notar que o intercâmbio com o exterior não constituiu para o desenvolvimento brasileiro, apesar de algumas formas de exportações. A participação das exportações na renda nacional, por exemplo, não era tão grande como muitas vezes se julga. No início de 1920-24, para o qual se fazem referências estimativas do produto bruto do país, as exportações médias do valor do PIB, que era medido para converter de acordo com fatores da conversão, num esforço para se chegar a uma avaliação do PIB em pouco mais próxima dos preços do mercado mundial, a relação para a exportação será de 10%*. Além disso, o coeficiente de importação do país era em regra mais baixo que o da exportação, pois o Brasil geralmente mantinha excedentes em sua balança comercial, refletindo os pagamentos de capital estrangeiro e as remessas efetuadas pelos imigrantes.\n\nTudo indica, ainda, que no século XIX, desde a Independência, as exportações tenham crescido a taxas mais altas que as da produção na economia de modo global.* Em consequência, durante aquele período, a participação do comércio exterior na economia brasileira terá sido provavelmente menor que a observada de 1920 a 1924. 21\n\nAcrese que a economia brasileira em geral não dependia muito estreitamente do comércio exterior como forte de procura agregada. Durante a maior parte da centúria segundo a Independência, o Brasil passou por um processo inflacionário. Onde não ser geralmente importante o adoção, nessa economia, dos modelos keynesianos de procura agregada deficiente. De 1822 a 1913, por exemplo, apesar dos movimentos favoráveis na relação de horas, a taxa de câmbio depreciou-se a longo prazo, sofrendo uma baixa de 1,4% ao ano. Em 50 anos, entre 1889 a 1939, o Governo Federal geralmente incorreu em déficits, como depois que em 33 desses anos excederam as receitas em mais de 10%. Os índices disponíveis sobre o custo de vida de 1912 a 1939 indicam que os preços subiram 5% ou mais em 16 desses 28 anos.\n\nO Brasil também teve a situação, comum em “economias de exportação”, em que as condições de comércio externo dominam sobre a economia doméstica. 221 Não foi possível avançar como o externo. Durante esse período, o comércio exterior teve outra cara. Neste período, encontrou-se com a divisão, funcionando como variable. Também, ficou claro que, na medida em que na relaç. de exportação indicam uma baixa elasticidade e uma relação estatisticamente não significativa ao nível de 10%. As equações construídas com base no saldo da balança comercial (tomado como indicador do movimento de capitais externos), em que esse saldo é uma variável independente, mostram idênticos results para um baixo R² e valores não significativos para t. Quando se especificou uma variável denominadora de tendência, para um possível movimento relacionado com a expansão autônoma, entretanto, o coeficiente de determinação subiu para 0,83%. A equação (3) apresenta os resultados de uma regressão em que um termo denotador de tendência, r, o saldo comercial, BT e as exportações correntes foram especificados em conjunto.\n\nlog CS t = 11,322 + 0,011 + 0,0004 log BT - 0,058 log Xt\n (0,421) (0,002) (0,0008) (0,038)\n R² = 0,849 d = 0,99\n\nO termo representativo do saldo da balança comercial permanece estatisticamente não significativo, em seguida, o coeficiente de tempo é significativo ao nível de 10% (o mesmo que é descritivo). A importância está relacionada em tendência, contudo, e o fato de um termo representativo da exportação permanece longo desse período, as autoridades brasileiras seguiram uma política monetária autônoma. Assim sendo, elas elevaram os meios de pagamento em resposta às necessidades internas (como também, não em menor escala, os déficits orçamentários), de preferência a deixar que os meios de pagamento do país fossem determinados por condições do intercâmbio comercial com o exterior. Como um natural corolário dessa política voltada para dentro do país, verificou-se o intuíto de não deixar que a taxa de câmbio fosse depreciada em função da inflação interna. Como atrás apontamos, a taxa também em verdade mostrou uma significativa deprecição a longo prazo. um declínio de 10% entre 1929 e 1932. Os efeitos da crise econômica foram agravados neste caso, entretanto, pelas condições internas especiais que vigoravam. Ocorre que o presidente do país no período de 1925 a 1930, Washington Luís, era um estadista de princípios, que acreditava na ortodoxia fiscal e monetária. Em 1925, seu governo executou um programa de estabilização monetária, reduzindo os meios de pagamento em 14% durante dois anos, equilibrando em 1927, o orçamento da República pela primeira vez em dois decênios. Em 1928 e 1929 caíram os índices do custo de vida, o que não ocorria desde 1918. A Grande Crise abateu-se sobre o Brasil em meio a uma deflação interna. Em contraste com a experiência da crise mundial de 1921, quando os preços no Brasil continuaram em ascensão, o excesso da procura foi eliminado da economia e os preços internos caíram, então, até mais violentamente. O rápido ajustamento das medidas de política econômica era também impositivo, em virtude das condições internas vigentes. O presidente cujo mandato deveria continuar até 1930, recusou-se obstinadamente a alterar a política monetária. Além disso, todas influências foram as suas decisões especiais de exportação do café, que depois interferiram nos preços internacionais desde produto cafeeiro, em setembro de 1929 até dezembro de 1930, período em que os produtos colocados nos Estados Unidos compunham apenas 8%. A modificação efetiva não se desejava. Se por um lado era impossível, pois o país debilitara-se, Vargas, contudo, em sua política controlou a política externa e por Vargas, por sua vez, até a Revolução Paulista de 1932 (ou de 1924), foi muito o Governo iniciou amplos programas de gastos públicos, e o produto interno bruto do país pode crescer a taxas relativamente altas, independentemente das condições econômicas reinantes nos Estados Unidos e no resto do mundo. A taxa de crescimento agregado tem sido mais alta no período que se segue à II Guerra Mundial, que foi acentuada. As estimativas do Fishlow indicam um PIB crescente e uma taxa anual cumulativa de 4,1% entre 1920 e 1929; de 3,6% entre 1930 e 1939; e refletindo os efeitos da Depressão, de 3% entre 1920 e 1930. Em contraste, no pós-guerra, a taxa de crescimento a longo prazo foi superior a 6%. Esta mudança em relação ao período de entre-guerras sugere a importância de certos aspectos do desenvolvimento do Brasil após a II Guerra, os quais não têm recebido suficientemente atenção. Em primeiro lugar, o período anterior à II Guerra Mundial assistiu a uma importante modificação da agricultura brasileira. A produção agrícola cresceu a uma taxa anual cumulativa superior a 4%. Em contraste, o crescimento deste setor obedecia a uma taxa de apenas 3,2% entre 1920 e 1939; (de 1920 a 1929 a taxa indicativa da tendência de crescimento da produção agrícola era 2,5%. contra 3,5% nos anos 30). Em 1939, a renda da agricultura era responsável por um terço do PIB do país e, em anos anteriores, até por mais. Portanto, mesmo sem levar em conta os efeitos indiretos concebíveis em se tratando do crescimento de modelos de dois setores, a ascensão da taxa de crescimento agrícola elevou a taxa de crescimento agregado no pós-guerra. A taxa de crescimento industrial também foi mais elevada no período de pós-guerra. Sobretudo-se as condições mais flutuantes da procura, a expansão industrial também foi sustentada pelas características da oferta de fatores de produção. Primeiro, as \"barreiras\" impostas pela oferta de mão-de-obra qualificada e tecnicamente instruída e a oferta de tecnologia complexa mostraram-se muito menos graves do que se havia suposto. O crescimento industrial foi também facilitado pelas condições relativamente favoráveis da oferta de importações até o início dos anos 60. Após a guerra, e até 1960, a oferta de importações do Brasil cresceu a uma taxa anual média de cerca de 6%, em confronto com as taxas muito inferiores do período de entre-guerras; e esta maior elasticidade-rede de produtos de importação facilitou as condições favoráveis às exportações e a capacidade interna de exportação de 1954. Houve também uma modificação da estrutura de capitais. Nas décadas de 20 e 30, o líquido do movimento de capitais fora negativo, com a saída de capitais carregada, em média, 15%. E só os valores recebidos da exportação de produtos diversos, excluindo-se o café, cresceram a taxa anual média de 18% e os ganhos agregados resultantes da nacionalização e da qualidade de vida de muitas companhias brasileiras. Durante este período, reduz-se a carga de juros e remessas de lucros sobre a capacidade de importar do país. Além disso, durante a década dos 50, os créditos dos fornecedores. estrangeiros e, em menor escala, os investimentos diretos, fizeram crescer temporariamente a capacidade de importação. No início dos 60, entretanto, a oferta de importações acusou muito menor elasticidade-renda. A escassez de matérias-primas importadas e de bens intermediários destinados ao setor industrial provavelmente terão contribuído para atenuar o ritmo do crescimento industrial agregado em 1963 e 1964. A oferta menos elástica de importações refletiu o fraco desempenho das exportações brasileiras no fim da década de 50 e no início da de 60. Esta circunstância, por sua vez, decorreu da ilusória noção governamental de que a substituição de importações com o objetivo de manter uma elevada taxa de desenvolvimento agregado havia reduzido a sujeição da economia às importações de insumos industriais. Em parte devido a essa atitude, mas também refletindo outras distorções de diretrizes, as medidas governamentais de política econômica discriminavam a favor do café e contra os demais produtos de exportação, o qual constitui a principal fonte de receita cambial. Depois de 1964, contudo, tais distorções foram eliminadas e, em consequência, os ganhos com a exportação cresceram rapidamente. Entre 1964 e 1969 as exportações em divisas com exportação de produtos diversos, excluindo-se o café, cresceram a taxa anual média de 18% e os ganhos agregados resultantes da nacionalização e da qualidade de vida de muitas companhias brasileiras. As apreciáveis diferenças entre as taxas de crescimento dos ganhos de exportação com os diferentes produtos em que se especializaram o Nordeste e o Sudeste do país, por sua vez, relacionam-se com as grandes diferenças entre as taxas de crescimento industrial e de desenvolvimento global nas duas regiões. Um dos principais motivos pelos quais em desenvolvimento bem não há expansão das exportações não funcionou para a totalidade do país, por conseguinte, foi simplesmente a maior parte de grande região do Nordeste, isto é, não satisfazer uma óbvia condição para que o processo tivesse estas exportações per capita. Para o dito, a relação-renda a longo prazo de 2,2%, em base per capita, entre 1822 e 1913.\n\nO imperialismo é outro argumento muito difundido para explicar o atraso econômico do país no século XIX, interpretação que não é correta, com a realidade brasileira nessa centúria. Conforme indicamos anteriormente, após de 1844 o Governo brasileiro não pôde unir, de laissez-faire, porém impôs tarifas que atingiram altos níveis. Por outro lado, o Brasil não foi compelido a seguir o padrão-ouro, nem a copiar sistemas de taxas cambiais. O país escolheu suas diretrizes heterodoxas em tais áreas, em geral havendo seguido um caminho de expansão monetária (e fiscal) e mantendo em regra um padrão cambial baseado no papel-moda. A principal característica de desenvolver um amplo setor agrícola interno, que empregasse a maior parte da força de trabalho do país. Para desenvolver este setor tornaram-se necessárias vultosos investimentos de infra-estrutura, sobretudo em educação e meios de transporte. Conforme se observa vezes o nível de renda per capita. Em contraste, uma taxa anual de 0,4%, por exemplo, conduz a um crescimento total cumulativo de apenas 44%. Além disso, a maior parte do acréscimo no Brasil provavelmente terá ocorrido nas duas décadas queprecederam 1913. Donde o reforçar-se a conclusão de que o Brasil experimentou uma relativa estagnação em seu nível de renda per capita para a totalidade do país durante a maior parte do século XIX.\n\nTambém podemos extrapolar no passado os dados do crescimento brasileiro no século XIX para formar uma série de estimativas da renda monetária per capita em 1822. Embora os problemas suscitados pelos números peculiares e esta operação de comparação dos níveis de bem-estar, pode ser interessante examinar em linhas gerais como a renda per capita brasileira se portou em relação à dos Estados Unidos. Em 1822, a renda per capita nos Estados Unidos era de cerca de US$225 (a pré-1840). Em confronto, o Brasil estava mais atrás, mediamente inferior a US$589 (a partir de 1950). Isso significa, para o nível de renda per capita monetária no país em tais condições, já nesse ano, que existiria uma apreciável decorrente, em continua a difusão de elementos monetários entre Estados Unidos e o Brasil. Estas estimativas para 1822 também são históricas.\n\n9. Por que teria o Brasil experimentado taxas de crescimento relativamente baixas em sua renda per capita para a totalidade do país durante o século XIX?\n\nCumpre observar que os dados históricos não vêm em apoio de certas respostas convencionais a esta indagação. Em primeiro lugar, a situação do comércio externo do Brasil não deteriorou, com transferência para o exterior dos incrementos da produtividade do país. Os dados indicam, em vez disso, que o Brasil experimentou uma melhoria a longo prazo em seu comércio externo durante o século XIX. Ademais, a situação do país em termos globais não foi devido a prováveis deficiências intrínsecas a um processo de desenvolvimento impulsionado pelas exportações. Contrapõe-se, o Sudeste da pais, que teve acrescidas em larga escala as suas exportações, também foi sede do desenvolvimento econômico e magnetismos marcadores. Por outro lado, o Nordeste, cujas exportações de açúcar e algodão não cresceram a taxas elevadas, experimentou estagnação, sendo mesmo um declínio. O quadro 5 oferece-nos as diferentes taxas de crescimento dos índices da relação de trocas (V_z P_n) de produtos em que essas regiões eram especializadas. QUADRO 5\nTaxa anual da tendência do crescimento da relação-renda de troca de algodão, açúcar e café pelo Brasil de 1822 a 1913\n\nProduto\t\t\t\t1822 - 1913\t1822 - 73\t1874 - 1913\n\nAlgodão\t\t\t\t1,4\t\t\t2,3\t\t\t7,0\nAçúcar\t\t\t\t2,0\t\t\t6,2\t\t\t\nCafé\t\t\t\t5,0\t\t\t6,2\t\t\t3,6\n\n* i exprime o valor da tendência composta mediante regresso por mínimos quadrados. Não foi realizado a menos de 0,03. O Brasil foi o principal país inscrito no índice de progressão das exportações, da Grã-Bretanha, o principal país intercedente dos Brasil. Esse índice nos dados(Instruções em Tabel. Albert, A. O. no. iii., New York, 1981, p. 99-98. pelo quadro 6, entretanto, a construção de estradas de ferro em larga escala começou muito tarde no Brasil. Para proporcionar uma escala comparativa, notaremos que em 1900 a extensão dos leitos ferroviários nos Estados Unidos era quase 20 vezes maior que a do Brasil. Mesmo após o grande impulso de construção ferroviária experimental pelo Brasil a partir de 1900, o país contava apenas com 16.400 milhas de leitos, dado que os Estados Unidos haviam ultrapassado por volta da década de 1850.\n\nQUADRO 6\nExtensão dos leitos ferroviários no Brasil\n1854 - 1914\n\nAno\nMilhas\n\n1854 9\n1864 296\n1884 800\n1894 1.300\n1904 3.500\n1910 7.500\n1914 8.800\n\nFonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Brasil - 1918. Rio de Janeiro, IBGE, 1939, p. 216. Acrecente que as ferrovias mais antigas, por sua maior parte, eram limitadas às áreas de produtos agrícolas exportáveis, e não serviam às regiões mais longínquas no setor agrícola interno. O grande impulso da construção ferroviária, que foi além das áreas de produtos agrícolas exportáveis, só teve início na década de 1890, e o maior aumento absoluto havido na construção ferroviária só veio a ocorrer 20 anos depois de 1914.\n\nUma vez estendidas as ferrovias para além das áreas de produtos agrícolas exportáveis, entretanto, o desenvolvimento parece ter requerido em certos casos. Os produtores parecem ter respondido com maiores safras, aumentando a renda e integrando a economia que substituiu co-importações no setor de víveres provenientes do exterior. Assim sendo, a explicação de ferrovia, com os seus efeitos colaterais de ligação, pode ter sido um fator-chave no subido impulso do crescimento brasileiro depois de 1900. São experiências também em parte, em devido à inexistência de transporte barato, de especial importância para uma economia caracterizada por baixas terras e exits no Brasil. processo poderia ser comparado à tentativa de se esvaziar um tanque (cujo conteúdo representaria a população do setor atrasado) que continuamente se tornasse a encher.\n\nNo século XX as políticas populista e nacionalista conduziram ao declínio das correntes migratórias de além-mar, que antes haviam contribuído para as altas taxas de crescimento da oferta de mão-de-obra. Nessa altura, contudo, as taxas de crescimento demográfico interno se tinham elevado a tal ponto que foi mantido o modelo de crescimento econômico com abundante oferta de mão-de-obra, como também se mantiveram os seus reflexos sobre os salários e a distribuição da renda.\n\nCento número de conclusões emerge do presente estudo. Em primeiro lugar, conforme tivemos oportunidade de observar, o Brasil experimentou uma apreciável industrialização em épocas anteriores às que geralmente se supunham. A industrialização brasileira, tanto longe de representar as dificuldades da configuração do país no ano de 1914-18, era notória. Em uma área importante; entretanto, o Brasil tem continuado dependente de condições exteriores; e da oferta de poupança para formação de capital. No pós-guerra, a participação das poupanças nacionais no PIB não acusou tendência ascensional acentuada. Para lograr o desejado nível de investimento, o país persistiu em depender da importação de capitais.\n\nFinalmente, vimos que o Brasil experimentou alíquotas de desenvolvimento econômico durante vários decênios. O fato em si é importante e também bem sobressai por constituir parte dos antecedentes contra os quais, em regra, se considera o país, tanto para parte de brasileiros, como de estrangeiros. Segundo indica esse o prolongado crescente industrial, há motivos para considerar o Brasil mais \"propondo ao fracasso\" econômico que quaisquer outros países mais adianto. Conforme observamos, os baixos níveis de renda para captar as variantes no Brasil não são reflexo do desempenho econômico dos decênios mais recentes, porém consequência de condições históricas responsáveis que geraram atraso econômico de um impero durante o século XIX.\n\nO Brasil ainda possui uma economia caracterizada por salários relativamente baixos e por uma população que em sua grande maioria não, não proporciona benefícios deles e se vê em grande parte por condições criadas pelas altas taxas de crescimento da economia, que acabam por deter a mão-de-obra não qualificada. Ainda neste caso estamos diante de consequências de decisões internas autônomas, alheias a pressões externas.\n\nA não-elevação da taxa de poupança agregados no pós-guerra, apesar de todas as expectativas e dos esforços do Governo, são discutidos em meu trabalho Marginal savings in the development process: the brazilian experience. The Economic Journal, sept. 1968. O efeito das altas taxas de mortalidade no sentido de impedir o aumento das poupanças mencionadas, analisado em meu trabalho Dependency rates and saving rates. The American Economic Review, dez. 1969, e Dependency rates and saving rates in Latin America. Demografia y Economí, 1971.