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KLS Educação e Artes Educação e Artes Luciana Silva Batalha Tatiane Mota Santos Jardim Tatiana dos Santos 2019 por Editora e Distribuidora Educacional SA Todos os direitos reservados Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio eletrônico ou mecânico incluindo fotocópia gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação sem prévia autorização por escrito da Editora e Distribuidora Educacional SA Presidência Rodrigo Galindo VicePresidência de Produto Gestão e Expansão Julia Gonçalves VicePresidência Acadêmica Marcos Lemos Diretoria de Produção e Responsabilidade Social Camilla Veiga Gerência de Produção de Conteúdo Fernanda Migliorança Editorial Renata Galdino Revisão Técnica Egle Pessoa Bezerra de Freitas Adrião Luciana Colin Tavalera Rosângela de Oliveira Pinto Thamiris Mantovani CRB89491 2019 Editora e Distribuidora Educacional SA Avenida Paris 675 Parque Residencial João Piza CEP 86041100 Londrina PR email editoraeducacionalkrotoncombr Homepage httpwwwkrotoncombr Dados Internacionais de Catalogação na Publicação CIP Batalha Luciana Silva B328e Educação e artes Luciana Silva Batalha Tatiana dos Santos Tatiana Mota Santos Jardim 2 ed Londrina Editora e Distribuidora Educacional SA 2019 224 p ISBN 9788552215066 1 Educação 2 Artes I Batalha Luciana Silva II Santos Tatiana dos III Jardim Tatiana Mota Santos IV Título CDD 700 Sumário Unidade 1 A educação e as artes7 Seção 1 A arte 10 Seção 2 A arte e a educação 22 Seção 3 O ensino da arte na legislação educacional 36 Unidade 2 A arte e a educação infantil 57 Seção 1 Artes visuais na educação infantil 58 Seção 2 Teatro na educação infantil 72 Seção 3 Música e dança na educação infantil 87 Unidade 3 A arte e o ensino fundamental 107 Seção 1 Artes visuais no ensino fundamental 109 Seção 2 Teatro no ensino fundamental 123 Seção 3 Música e dança no ensino fundamental 138 Unidade 4 A arte como herança e transformação 155 Seção 1 Artes visuais teatro música e dança 156 Seção 2 Arte e educação em ambientes não formais 181 Seção 3 Arte na contemporaneidade 198 Palavras do autor A disciplina Educação e Artes aborda de modo amplo a reflexão entre arte e educação escolar por meio das referências teóricas do seu ensino O ensino das artes na educação básica é regulado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e orientado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais Na formação do pedagogo os saberes nessa área devem ampliar e aprofundar debates que já ocorrem em âmbito nacional partindo do pressu posto de que o professor necessita conhecer as proposições teóricas que influenciam o ensino e a aprendizagem de arte de acordo com as políticas educacionais Dessa forma será possível entender a situação da arteedu cação no contexto atual criando no pedagogo condições e atitudes transfor madoras no processo de ensinoaprendizagem Sobre a importância desse conhecimento Fusari e Ferraz 1992 p 20 21 afirmam que Para compreendermos e assumirmos melhor as nossas responsabilidades como professores de Arte é impor tante saber como a arte vem sendo ensinada suas relações com a educação escolar e com o processo históricoso cial A partir dessas noções poderemos nos reconhecer na construção histórica esclarecendo como estamos atuando e como queremos construir essa nossa história O objetivo do estudo se fundamenta na aquisição do conhecimento acerca dos princípios teóricos da área que orientam a formação profissional a fim de que ao concluir esse estudo o pedagogo tenha capacidade de tomar decisões resolver situaçõesproblema do cotidiano planejar suas ações conduzir e avaliar o processo de ensino e aprendizagem de arte na educação básica Dessa forma o pedagogo poderá refletir sobre o processo de ensino e aprendizagem em arte e como mediador direcionar procedimentos no preparo e desenvolvimento da aula de arte A Unidade 1 trata da concepção das artes em seu eixo norteador de aprendizagem da produção fruição e reflexão explora o contexto histórico do ensino da arte no Brasil nos séculos XIX e XX assim como suas perspec tivas Aborda o ensino de arte no currículo escolar por meio da legislação e prática que abrangem objetivos e conteúdos relativos ao ensino da arte na educação básica A Unidade 2 voltase ao ensino das quatro linguagens que compõem o currículo de arte visual teatral musical e corporal na educação infantil Já a Unidade 3 aborda o ensino da arte contemplando as quatro linguagens no ensino fundamental abarcando diretrizes possíveis de acordo com a faixa etária E por fim a Unidade 4 contempla a questão da inserção das lingua gens da arte com as matrizes culturais que nela se apresentam arte cultura e etnias tais como indígenas europeias e africanas que caracterizam as raízes brasileiras Aborda a atuação do pedagogo em espaços culturais ONGs museus hospitais e espaços prisionais e também destaca o papel da arte no contexto contemporâneo na indústria cultural a arte urbana e a relação entre arte e tecnologia Essa obra pretende oferecer subsídios para a sua formação e a possibi lidade da busca do seu próprio percurso na aprendizagem despertando a curiosidade por novos saberes por meio da pesquisa e pelo autoestudo fontes fundamentais na ampliação do seu conhecimento nessa área Portanto elabore os seus saberes busque a informação e transforme a sua realidade Unidade 1 Tatiane Mota Santos Jardim Luciana Silva Batalha A educação e as artes Convite ao estudo Arte é a expressão de um artista de um povo de uma época histórica considerando os valores estéticos refletindo a respeito de uma cultura É uma forma do ser humano proclamar a sua criatividade para expressar sentimentos e emoções através de suportes mídias e linguagens variadas para encontrar o seu lugar no cenário contemporâneo Em seu extenso contexto a arte pode ser concebida de diversas maneiras seja pela pintura escultura cinema teatro dança música ou da combinação de todos esses suportes técnicas e espaços para se efetivar e se reinventar A concepção de ensino como conhecimento defende a ideia da educação da arte com ênfase na própria arte Atualmente existem temáticas presentes na Base Nacional Comum Curricular BNCC que ampliam as experiências com Arte abordando as linguagens e suas práticas em Artes Visuais Dança Música Teatro e Artes integradas A arte contemporânea é caracterizada pelo rompi mento das barreiras entre o visual o gestual e o sonoro em uma compreensão de interrelações das diversas linguagens representativas e expressivas Nesta unidade veremos que o ensino no campo da educação visa se apropriar dessa área do conhecimento humano em todas as suas particula ridades desenvolvendo a cultura do aluno por meio do eixo norteador do ensino da arte produção fruição e reflexão Para tal analisaremos a Escola das Laranjeiras que tem duas professoras de Arte A professora Lygia que leciona para o 8º ano A e a professora Miriam que dá aulas para o 8º ano B No momento do planejamento ficou determinado que ambas seguiriam o mesmo plano de ensino e que ao iniciar o trabalho com os três eixos norteadores do conhecimento artístico na sala de aula ambas utilizariam a pintura Mona Lisa de Leonardo da Vinci uma obra consagrada na história da arte Figura 11 Vejamos as ações da professora Lygia já que a escola não tinha uma sala específica para a disciplina de Artes a professora preparou a sala de aula com uma rotina construída com os alunos sem cadernos de outras matérias apenas com os materiais dos alunos para a aula de artes já em cima das mesas Naquela aula a professora queria um ambiente mais sereno então fechou as cortinas e apagou as luzes deixando que apenas a luz que passava entre as frestas das cortinas invadisse o ambiente Ela também levou um aparelho de CD e colocou uma música bem suave Além disso Lygia levou para a aula reproduções coloridas de obras de vários outros artistas que utilizaram a Mona Lisa como referência como Botero Vik Muniz Duchamp Salvador Dalí pois era o material que havia selecionado para o momento Ela poderia ter usado imagens de igrejas ou prédios filmes com danças ou musicais fotografias entre outros materiais que também poderiam ser fonte para a aprendizagem daquele conteúdo A professora Lygia então fixou as imagens selecionadas das obras na lousa e nas paredes da sala de aula e pediu para que os alunos caminhassem pelo ambiente e observassem cada uma das repro duções percebendo cada traço as cores as formas as pinceladas formando imagens ou apenas borrões e que não se esquecessem de ouvir e sentir a música que tocava na sala ao mesmo tempo Os alunos podiam conversar com seus pares a respeito de suas descobertas ao observar as obras e a profes sora Lygia aproveitava para debater com os alunos Depois a professora pediu que individualmente eles realizassem um desenho de algum detalhe visto em uma obra apreciada do artista mas de maneira ampliada e que depois colorissem Ao concluir o desenho a professora pediu para que os alunos fossem novamente até a obra escolhida e observassem o detalhe real verifi cando como foi representado pelo artista Ao final a produção de desenhos foi exposta no mural da sala e os alunos puderam comentar o que fizeram e também observar as produções dos outros colegas Já a professora Miriam após trabalhar o mesmo conteúdo os três eixos norteadores do conhecimento artístico pediu para que os alunos fizessem um desenho com tema livre e que colorissem depois Assim ela sentouse na cadeira de sua mesa à frente da sala de aula e ficou olhando uma revista deixando assim de observar os alunos Miriam não teve a preocupação em preparar a sala para a aula de artes e em pouco tempo todos os alunos perderam o interesse pelo desenho e começaram a conversar Diante disso a professora avisou os alunos que o desenho valia nota e que o conteúdo apresentado iria cair na prova alertandoos de que se não fizessem silêncio chamaria o diretor Os alunos retomaram a atividade mas em pouco tempo se dispersaram novamente e a situação ficou se repetindo até o final da aula com a professora Miriam aos berros Propomos a reflexão sobre a situação apresentada já que aqui estão contidos fundamentalmente os temas desta unidade concepção e conhe cimento em arte Figura 11 Mona Lisa de Leonardo da Vinci Fonte httpsbitly1c00kTb Acesso em 23 set 2017 Você concorda que os diferentes modos de condução de uma aula podem trazer bons ou maus resultados Na primeira seção desta unidade estudaremos as concepções de arte e o seu eixo de ensino Já na segunda seção compreenderemos a aprendizagem que se dá por meio da arte o contexto histórico do ensino da arte no Brasil nos séculos XIX XX e a concepção da arteeducação de acordo com as leis vigentes Na terceira seção pelo viés da normatização brasileira para o ensino da arte serão apresentados os objetivos e conteúdos para a educação básica como você verá a seguir 10 Seção 1 A arte Diálogo aberto Durante muito tempo o ensino da arte se limitou a práticas descon textualizadas da sua aprendizagem que não traziam reflexões ou conhe cimento sobre o seu contexto Era comum atividades tais como decorar a escola festejar datas comemorativas colorir desenhos xerocados Também acontece da arte estar à serviço de outras disciplinas de forma a desvalorizar o seu conteúdo Em uma linha mais tradicional de ensino que ainda pode ser observada nos dias de hoje o professor era o detentor do conhecimento e o aluno era aquele que reproduzia o que lhe fora ensinado sem direito de contestar ou criar De acordo com o percurso da sua aprendizagem da linguagem artística como você compreende a arte Qual foi o modelo de ensino que guiou a sua formação As atividades contempladas passaram pelas quatro linguagens dança artes visuais teatro e música combinados com os três eixos citados anteriormente No percurso do ensino da arte é interessante variar as formas de estudar os conteúdos e de programar atividades a serem desenvolvidas seja dentro da escola ou em ambientes não formais de ensino Arte diz respeito aos processos artísticos e culturais nos diversos contextos sociais e tempos históricos que resultam da integração de conhecimentos e experiências Apresentamos uma situação para reflexão em que duas professoras de Arte de 8º ano trabalharam com o mesmo conteúdo mas desenvolveram planejamentos de ensino diferentes Ao trabalhar com a imagem da obra Mona Lisa de Leonardo da Vinci a professora Lygia explorou a criação a crítica a estesia a expressão a fruição e a reflexão de obras artísticas envol vendo imagens e música em um ambiente sereno Ela instigou a percepção estética e a imaginação criadora também houve trocas entre os pares e a professora gerando situações de aprendizagem significativa em arte A professora Miriam por sua vez não ofereceu nenhum subsídio para pesquisa ou temática para produção apresentando assim uma postura tradicional A partir dos dois tipos de didáticas apresentadas como você orientaria a professora Miriam para que conseguisse fazer com que os alunos se envol vessem mais pela atividade proposta e tivessem uma aprendizagem signi ficativa em arte Você considera que a elaboração do plano de aula possa ajudar as professoras a trazer ações mais interessantes aos alunos seguindo 11 o conhecimento artístico por meio da criação da crítica da estesia da expressão da fruição e da reflexão Como você montaria um plano de aula envolvendo a atividade proposta pelas duas professoras Para resolução dessas questões você deverá se reportar aos conteúdos sobre concepção de arte e conhecimento artístico Não pode faltar Concepção de arte Agora você irá conhecer um pouco mais sobre os pensamentos que envolvem a concepção da arte Considerada uma área do conhecimento humano a arte desenvolve a percepção a imaginação e amplia a visão de mundo sobre a realidade e capacidade crítica para desenvolver a criatividade A arte aproxima as pessoas mais distintas pois é o reflexo de uma cultura de um povo de um artista Diante disso a arte favorece a percepção de semelhanças e diferenças entre os indivíduos expressas nas produções artís ticas e nas concepções estéticas ao atribuir juízo de valor que é um julga mento feito a partir de percepções individuais tendo como base fatores culturais sentimentais ideológicos e préconceitos Assim é possível deter minar que o valor atribuído a uma obra de arte depende do contexto em que ela está inserida de determinada época e de quem a aprecia A arte é uma forma de o ser humano proclamar a sua criatividade para expressar sentimentos e emoções por meio de suportes e linguagens variados para encontrar o seu lugar Você pode achar que ela está distante que é inacessível mas basta olhar para o lado e perceber que a nossa vida está cercada por ela e não é necessário ir ao museu ou ao teatro para acessála As obras de arte aparecem inseridas em uma cidade em monumentos e escul turas por exemplo Elas também podem ser observadas no percurso criativo do design que apresenta objetos do cotidiano imbuídos de certa presença artística como a escova de dente a cadeira do escritório o relógio desper tador etc bem como na arquitetura de um prédio no grafite de um muro Ao ligar o rádio do carro e ouvir uma música ao andar pela rua e ver um grupo de jovens ensaiando um passo do hiphop enfim essas experiências estimulam o pensamento a sensibilidade e causam prazer estético A estética é uma ciência que envolve a filosofia da arte e remete aos estudos do que é belo nas diferentes manifestações artísticas além disso ela visa investigar a percepção dos sentidos por meio da compreensão das emoções ideias e juízos despertados na observação de uma obra de arte A arte é um fenômeno muito complexo e quando estamos diante de uma produção vinda de uma manifestação artística podemos gostar ou não pois 12 o gosto tem um caráter individual e também depende do interesse e conheci mento de cada um Entretanto não se pode negar que estamos diante de uma obra de arte mesmo quando se tratam de obras que dificilmente podemos considerar belas e daquelas que não gostamos ainda assim não podemos deixar de considerar que são obras de arte pois são muitos os fatores que determinam o que é ou não arte como a aceitação em museus o mercado de arte ou até mesmo o que afeta os sentidos seja de modo positivo ou negativo É por meio do estudo que se aprende a respeitála e compreen dêla ao conhecer as variadas produções das diversas épocas e culturas Reflita As obras de arte expressam um pensamento uma visão de mundo e podem provocar uma forma de inquietação no observador um senti mento ou uma sensação uma vontade de admirar ou uma grande repulsa algum tipo de emoção o despertar uma lembrança ou um desejo Esse conjunto de sensações é chamado de experiência estética que pode ou não estar ligada ao prazer O gosto pela arte varia entre pessoas épocas e regiões e essa diversidade de fatores desperta julga mentos de beleza e de experiência estética Para muitos esse campo de opiniões não tem grande relevância e preferem nem discutir sobre o assunto visto que gosto não se discute Será que a arte é um motivo para discutir o gosto Será que o momento para essa discussão chegou O que você acha Neste estudo abordamos a arte como conhecimento e o seu ensino ocorre por meio de linguagens e conteúdos próprios Desse modo a arte deve ser experimentada analisada criada e refletida de acordo com a legis lação vigente desde 2016 Lei no 132782016 no ensino que aborda quatro modalidades artes visuais dança música e teatro BRASIL 2016 Já os conte údos nos Parâmetros Curriculares Nacionais propõem o estudo de diferentes saberes de linguagens artísticas e o desenvolvimento da percepção estética além disso eles são apoiados nos três eixos norteadores produção fruição e reflexão eixos fundamentados a partir da proposta de ensino desenvol vida por Ana Mae Barbosa A Base Nacional Comum Curricular BRASIL 2017 amplia as possibilidades de experiência com a arte pois além de estar centrada nas linguagens da música artes visuais teatro e dança apresenta a unidade temática Artes Integradas que se refere às relações existentes entre as linguagens 13 Reflita A arte mexe com as pessoas o que faz com que certas exposições tenham maior visibilidade e sucesso que outras Em 2017 a Exposição Queermuseu Cartografias da Diferença na Arte Brasileira realizada no Santander Cultural em Porto Alegra RS foi cancelada depois que os movimentos religiosos e do MBL Movimento Brasil Livre apontaram que a exposição fazia apologia à pedofilia e zoofilia O que você sabe sobre a exposição Quem fez a sua curadoria e o que pretendia O que faz com que obras de arte causem reações negativas nas pessoas Qual o objetivo em causar essas reações afinal Conhecimento artístico Ana Mae Barbosa 1936 é autora de diversos livros e artigos fundamen tais para o estudo na área de arte foi uma das pioneiras da arteeducação no Brasil e os conceitos que desenvolveu nessa área são referências em escolas museus e faculdades de pedagogia no país e no mundo Foi a primeira pesqui sadora a se preocupar com a sistematização do ensino de arte e desenvolveu a chamada Proposta Triangular para o ensino da arte presente nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte para os ensinos fundamental e médio Ela é conhecida como a principal referência do ensino de arte no Brasil e sua proposta articula três eixos de ensino e aprendizagem em arte que englobam a produção a fruição e a reflexão como descrito anteriormente A Proposta Triangular surgiu de uma adaptação de vários métodos de ensino que Barbosa conheceu em sua trajetória como pesquisadora entre eles a Pedagogia Freireana e a proposta americana DBAE Paulo Freire 1921 1997 desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político Para o educador o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno Ele também propôs uma abordagem triangular no processo de ensinoaprendi zagem em uma dimensão mais ampla Seus pontos principais são leitura de mundo conscientização crítica a partir da contextualização da realidade dos educandos e ação para transformar Sua metodologia era aplicada para alfabetizar adultos em zonas rurais Já a proposta americana Discipline Based Art Education DBAE cuja tradução é arteeducação como disciplina redirecionou as políticas de ensino com a proposta de incluir simultanea mente a produção de arte história da arte crítica e estética Dos métodos de ensino e pesquisa realizados por Ana Mae Barbosa surgiu a Proposta Triangular que ficou conhecida como Metodologia Triangular mas esse termo é repudiado pela autora que explica que metodologia é a construção que cada professor realiza em sala de aula Essa proposta surgiu da necessidade de uma prática pósmoderna de ensino de arte que procurava 14 uma alternativa para a prática do ensino moderno pois nas escolas predo minava o ensino geométrico a livre expressão os desenhos prontos as ativi dades baseadas em datas comemorativas ou a disciplina a serviço das demais disciplinas Para Ana Mae Barbosa a arte é um conhecimento com conteúdos próprios e que apresenta naturais processos educacionais assim como as demais áreas do conhecimento O desenvolvimento da Proposta Triangular de ensino teve início na década de 1980 e foi sistematizada no período de 19871993 no Museu de Arte Contemporânea MAC da USP onde Ana Mae foi diretora Sobre a proposta Barbosa 2008 p 18 comenta que Por meio da Arte é possível desenvolver a percepção e a imaginação apreender a realidade do meio ambiente desenvolver a capacidade crítica permitindo ao indivíduo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada A abordagem triangular procura englobar vários pontos de ensino e aprendizagem ao mesmo tempo produção em arte referese ao fazer artís tico ao experimentar o uso das linguagens artísticas Fruição da arte referese à ação de apreciar ler a imagem seja da produção histórica seja a do aluno interpretando e atribuindo significados e a reflexão que situa o conheci mento do trabalho artístico No início a mediação do ensino foi interpre tada pelos professores de forma equivocada Sendo assim eles passaram a aplicar separadamente cada um de seus eixos em seguida muitos passaram a trabalhar a proposta em todas as aulas em uma sequência a partir da contex tualização depois com a leitura de imagem e por último com a produção artística ou também com restrição à produção e à releitura de obras de arte Cabe ressaltar que a abordagem da proposta pode acontecer ora separada ora intrínseca mas de modo que a contextualização da imagem da reflexão e da produção estejam presentes em todo o processo não apresentando uma ordem preestabelecida A Proposta Triangular deve ser a base da mediação do ensino de arte e pode ir além ao articular modos diferentes e incluir outros princípios como a preocupação com a cultura sua diversidade e as transformações tecnoló gicas Ana Mae Barbosa 2005 p 5 dá essa abertura ao afirmar que hoje a metáfora do triângulo já não corresponde mais à sua estrutura Nos parece mais adequado representála pela figura ziguezague Ela nos remete a esse pensamento colocando os eixos leitura contextualização e produção apenas como base da arteeducação mas que a estes eixos vão sendo agregados outros saberes valores e conceitos sempre havendo a preocupação de integrar a 15 cultura popular e a erudita com suas instituições incluindo e promovendo assim o desenvolvimento cultural Um currículo que integre atividades artísticas história das artes e análise dos trabalhos artísticos levaria à satisfação das necessidades e interesses das crianças respeitando ao mesmo tempo os conceitos da disciplina a ser aprendida seus valores suas estruturas e sua específica contribuição à cultura BARBOSA 1998 p 17 Existe a preocupação no ensino de arte com a diversidade cultural e as transformações tecnológicas pois nas escolas lidamos com diferentes grupos de pessoas e culturas que convivem entre si com as diferenças Em 2017 foi elaborado também a Base Nacional Comum Curricular documento que regulamenta quais são as aprendizagens essenciais para o trabalho a ser desenvolvido nas instituições públicas e privadas de educação infantil ensino fundamental e ensino médio O documento apresenta as dimensões do conhecimento que caracterizam a singularidade da experi ência artística Conheça melhor cada dimensão do conhecimento Criação está relacionada ao fazer artístico e ao processo permeado por tomadas de decisões desafios conflitos Tratase de uma atitude intencional e investigativa Crítica referese às impressões que impulsionam os sujeitos a novas compreensões do espaço em que vivem Envolvem aspectos estéticos políticos históricos filosóficos sociais econômicos e culturais Estesia experiência sensível em relação ao espaço tempo som corpo e aos diferentes materiais Articula sensibilidade e percepção Expressão referese às possibilidades de manifestar as criações subje tivas por meio de procedimentos artísticos de modo individual ou coletivo Exemplificando Entre as dimensões em questão podemos citar a criação a crítica a estesia a expressão a fruição e a reflexão As dimensões criação e expressão estão voltadas à prática artística a estesia e a fruição podem 16 ser relacionadas à fruição propriamente dita e a crítica e a reflexão estão diretamente ligadas à reflexão presente na Proposta Triangular A fruição A fruição acontece quando os alunos são capazes de apreciar de forma significativa uma imagem ao integrar a percepção a imaginação e a compre ensão com o aprendizado fazer conexões e formar ideias sobre a arte e o universo a ela relacionado na produção históricosocial em sua diversidade de seus trabalhos artísticos e de outros A fruição está relacionada ao prazer ao deleite em práticas artísticas e culturais Ela implica o contato com produ ções artísticas de diversas épocas lugares e grupos sociais No contexto do ensino da arte a leitura de imagens deve partir de uma problematização para direcionar o olhar Se houver necessidade para facilitar a leitura de imagem a contextualização da obra de arte pode passar pela biografia do artista ou pela história da arte mas isso não é uma regra para trabalhar com esse eixo Para Barbosa 1989 Nossa concepção de história da arte não é linear mas pretende contextualizar a obra de arte no tempo e explorar suas circunstâncias Em lugar de estarmos preocupados em mostrar a chamada evolução das formas artísticas através do tempo pretendemos mostrar que a arte não está isolada de nosso cotidiano de nossa história pessoal BARBOSA 1989 p 178 Diante das especificidades do ensino e aprendizagem em arte para uma boa integração entre teoria e prática também deve haver o cuidado no momento da seleção de imagens e materiais pedagógicos para que tenham boa qualidade a fim de desenvolver um bom trabalho dentro desse contexto As imagens de baixa qualidade quando usadas nas aulas de arte apresentam um grande comprometimento estético e artístico prejudicando a apren dizagem dos alunos diante das proposições das aulas que desestimulam a criação e distorcem a compreensão dos processos artísticos Assimile A apreciação fruição de imagens é a leitura de elementos visuais que a compõem Por meio da fruição o leitor deixa de ter contato superficial com a imagem e passa a perceber não só a obra mas o mundo ao seu redor de outras formas 17 A reflexão A reflexão está relacionada com o processo de construção de argumentos sobre as funções experiências processos criativos artísticos e culturais Está relacionada com a análise e interpretação das manifestações culturais Segundo o PCN Arte A reflexão compartilhada gera um contexto de ensino e aprendizagem cooperativo que expressa a natureza social do saber Essa experiência coletiva por sua vez realimenta a reflexão de cada aluno pois envolve níveis distintos de elaboração de saberes o que provoca desequilibra e promove transformações nas aprendizagens individuais BRASIL 1998 p 50 Em 2017 foi elaborado também a Base Nacional Comum Curricular documento que regulamenta quais são as aprendizagens essenciais para o trabalho a ser desenvol vido nas instituições públicas e privadas de educação infantil ensino fundamental e ensino médio O documento apresenta dimensões do conhecimento que caracterizam a singularidade da experiência artística Entre as dimensões em questão podemos citar a criação a crítica a estesia a expressão a fruição e a reflexão Essas dimen sões possuem relação com a abordagem triangular apresentada anteriormente Como vimos as dimensões criação e expressão estão voltadas à prática artística a estesia e a fruição podem ser relacionadas à fruição propriamente dita e a crítica e a reflexão estão diretamente ligadas à reflexão presente na Proposta Triangular A crítica referese às impressões que impulsionam novas compreensões do espaço em que vivem a estesia referese à experiência sensível dos sujeitos e a expressão está relacionada à exteriorização e manifestação por meio de procedimentos artísticos Saiba mais Sociointeracionista é a tendência atual para o ensino de arte Essa teoria da aprendizagem considera a relação da cultura com os conhecimentos do aluno e as produções artísticas Sem medo de errar Uma aula planejada é de fundamental importância para se atingir êxito no processo de ensinoaprendizagem Relembre aqui a situaçãoproblema proposta em que alunos se desinteressaram em realizar uma atividade justa mente porque a professora Miriam buscando um caminho mais curto não a planejou e teve dificuldades em sua condução Seu objetivo então é 18 orientar a professora na elaboração de um plano de aula articulando as seis dimensões do conhecimento criação crítica fruição estesia expressão e reflexão as três últimas são novidades da Base Nacional Comum Curricular Para elaboração do plano você deve estabelecer alguns critérios tais como clareza e objetividade do que se pretende ter noção do conhecimento dos alunos sobre o conteúdo abordado articular a teoria com a prática prever um tempo de duração fazer suas pesquisas em busca de mais referências e estar de acordo com a realidade sociocultural dos estudantes Também deve aliar o planejamento com o uso de diversos recursos como filmes mapas poesias músicas computador jogos aulas práticas reprodução de imagens etc O eixo de aprendizagem em arte transformou o ensino quando o professor começou a planejar suas ações em um grau crescente de elabo ração e aprofundamento O produto desta unidade que visa à elaboração de um plano de ensino de artes para educação infantil deve estar de acordo com esses parâmetros ao envolver os aspectos reflexivos sensíveis expressivos e culturais da arte Avançando na prática Identificação de formas e cores Keila é professora do 1º ano e como pedagoga também atua nas aulas de arte com a sua turma Durante o desenvolver das primeiras atividades escolares do ano letivo Keila constatou que alguns de seus alunos ainda estavam apresentando dificuldades em reconhecer e nomear cores assim como em identificar formas planas Ao manipular o lápis de cor para colorir as formas geométricas estampadas no livro didático uma de suas alunas Carla que estava sentada em dupla com o aluno Wellington pediulhe para emprestar o lápis verde escuro e o aluno pegou o lápis marrom e lhe deu à mão A professora Keila então perguntou ao Wellington qual cor tinha emprestado para Carla e ele respondeu verde escuro Outra dupla de alunos formada por Adriano e Ricardo estava colorindo quadrados e percebeu que Adriano disse que queria colorir o triângulo de azul Embora tivesse pegado a cor certa para colorir ele estava confundindo a forma do quadrado com a do triângulo Diante dessa situação como você orientaria a professora na preparação de uma aula para reforçar os conceitos em que os alunos apresen tavam dificuldades Resolução da situaçãoproblema 19 Você proporia por exemplo o ensino das cores por meio de fotogra fias que os próprios alunos levassem em sala de aula O uso da massinha de modelagem poderia auxiliar os alunos a identificar as formas ao fazer quadrados retângulos triângulos e círculos E para o uso das cores também recorreria às massinhas Quais outros materiais consideraria adequados para tal Os alunos conseguem facilmente manipular massinha colorida e misturar as cores primárias de acordo com as orientações da professora para a obtenção das secundárias por exemplo Você consideraria levar as reproduções das pinturas de Piet Mondrian 18721944 cujas cores primá rias são sua base de construção E o que você acha de utilizar um método mais comumtradicional nas escolas levando desenhos para pintar e colar utilizando as formas geométricas e uso das cores primárias e secundárias É possível fazer uma aula próspera com esse método Pense nessas questões para sugerir uma aula que traga um enriquecimento ao repertório da profes sora e dos alunos Faça valer a pena 1 Leia o trecho a seguir Na BNCC de Arte cada uma das quatro linguagens do componente curricular Artes Visuais Dança Musica e Teatro constitui uma unidade temática que reune objetos de conhecimento e habilidades articulados às seis dimen sões apresentadas anteriormente Além dessas uma ultima unidade temática Artes Integradas explora relações e articulações entre as diferentes linguagens e suas práticas inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecno logias de informação e comunicação BRASIL 2017 p155 Qual das alternativas a seguir apresenta a informação correta sobre a Base Nacional Comum Curricular a A BNCC é um documento que determina quais atividades devem ser desen volvidas com os alunos principalmente na rede pública visando a padroni zação de experiências b A BNCC é um documento que regulamenta quais são as aprendizagens essen ciais para o trabalho a ser desenvolvido nas instituições públicas e privadas de educação infantil ensino fundamental e ensino médio 20 c A BNCC é um documento que determina o modo como os alunos devem aprender tanto na educação infantil quanto no ensino fundamental e médio enfatizando ainda os recursos que precisam ser utilizados em cada atividade d A BNCC é um relatório que relata o trabalho desenvolvido no ano corrente de cada instituição independentemente de ser uma escola de educação infantil ensino fundamental ou ensino médio e A BNCC é um documento que apresenta propostas de atividades que foram premiadas em alguma instância tanto na educação infantil quanto no ensino fundamental e ensino médio em escolas públicas e privadas 2 A abordagem triangular procura englobar vários pontos de ensino e aprendi zagem da arte ao mesmo tempo produção fruição e reflexão para o desenvolvi mento do conhecimento do trabalho artístico No início a mediação do ensino dessa abordagem foi interpretada pelos professores de forma equivocada e passaram a aplicar separadamente cada um de seus eixos depois toda sequência didática partia da contextualização passando para a leitura de imagem e finalizando com a produção artística É importante lembrar que a abordagem dessa proposta pode acontecer sem apresentar uma ordem estabelecida mas seja como for deve ser aplicada para que a contextualização da imagem a reflexão e a produção estejam presentes em todo o processo Responda F para falso e V para verdadeiro A produção artística se relaciona com a experiência do apreciar do aluno É um processo de observação que ganha importância quando o aluno reflete sobre os senti mentos ali expressos A fruição acontece quando os alunos apreciam uma imagem integrando percepção imaginação e compreensão com o aprendizado A reflexão artística se relaciona com a produção da arte O conhecimento se edifica quando o aluno produz interpretações e produtos artísticos Em relação às assertivas anteriores assinale a sequência correta a F V F b F F F c F F V d V F V e F V V 21 3 O ensino de arte oferece uma aprendizagem essencial ao ser humano Por meio das diversas linguagens artísticas que contribuem para o desenvolvimento do indivíduo são explorados o exercício da pintura e do desenho ações com o teatro com a dança e com a música a percepção dos sentidos a imaginação criadora e as expressões corporais Qual das alternativas apresentadas destaca um dos objetivos do ensino de arte Assinale a alternativa correta a Priorizar a razão em detrimento da emoção b Conscientizarse de que o conhecimento sistematizado é adquirido por meio das linguagens artísticas que estimulam treinamento seguindo metodologias c Libertar o indivíduo dos laços interiorizados do seu inconsciente d Estimular as linguagens artísticas por meio de ações repetitivas e Conscientizarse de que a experiência estética é essencial no processo educativo 22 Seção 2 A arte e a educação Diálogo aberto Nesta seção vamos compreender como ocorre a aprendizagem por meio da arte e como o ensino de arte no Brasil se apresenta nos séculos XIX XX e na sua configuração atual já que acompanhou as diversas reformas educacionais Em 1996 a Lei nº 9394 BRASIL 1996 em seu art 26 2º estabeleceu que o ensino da arte constituísse componente curricular obriga tório nos diversos níveis da educação básica de forma a promover o desen volvimento cultural dos alunos sendo antes disso tratada como atividade educativa Com o desenvolvimento de pesquisas na área seu formato foi se modificando e o seu campo de conhecimento foi se estruturando através do crescimento dessas pesquisas que atualmente se apropriam das produções e linguagens dos diversos aspectos socioculturais de diferentes povos e nações Estamos analisando uma situaçãoproblema em que duas professoras de arte do 8º ano Lygia e Miriam trabalham com o mesmo conteúdo e seus planejamentos de ensino são bem diferentes Ao retomar a questão podemos refletir que as práticas de ensino de arte são tão diversificadas em níveis de qualidade que podem empobrecer o universo cultural do aluno a prática da professora Miriam é um exemplo pois ela parece trabalhar apenas com a autoexpressão do aluno sem introduzir diferentes situações e instrumentos em seu plano de aula Você consegue perceber diferenças entre o que é ensinado hoje nas aulas de artes e o que era ensinado nos séculos XIX e XX e estabelecer paralelos com as práticas da professora Miriam O que você considera importante para que ela melhore sua prática docente atendendo às demandas dos conteúdos em artes Reflita sobre a situação apresentada Para resolvêla é necessário o entendimento de como ocorre a aprendizagem por meio da arte e do processo histórico pelo qual percorre o seu ensino Não pode faltar A aprendizagem por meio da arte Os Parâmetros Curriculares Nacionais PCN ressaltam que o processo de ensino e aprendizagem de conteúdos de arte deve colaborar com a formação do indivíduo de modo que ele adquira um conhecimento que o torne capaz de situar a produção de artes Os conteúdos por sua vez podem 23 ser trabalhados de acordo com o plano de ensino do professor e com a equipe pedagógica Na BNCC BRASIL 2017 as linguagens artísticas articulam saberes relacionados às práticas de criar ler produzir e refletir sobre formas artís ticas tendo a sensibilidade a intuição o pensamento as emoções e as subje tividades como formas de expressão do processo de aprendizagem em arte A arte é uma área do conhecimento que apresenta conteúdos em artes visuais música teatro e dança com objetivos e referências conceituais e metodológicas Essa área deve contribuir para a formação artística e estética do indivíduo ao articular o próprio repertório cultural com o repertório de outras culturas O PCN de Arte relata em sua introdução como foi a conquista da inclusão da arte como área de conhecimento no ensino brasileiro Após muitos debates e manifestações de educadores a atual legislação educacional brasileira reconhece a impor tância da arte na formação e desenvolvimento de crianças e jovens incluindoa como componente curricular obriga tório da educação básica No ensino fundamental a Arte passa a vigorar como área de conhecimento e trabalho com as várias linguagens e visa à formação artística e estética dos alunos A área de Arte assim constituída referese às linguagens artísticas como as Artes Visuais a Musica o Teatro e a Dança BRASIL 1998a p 19 O processo de ensino e aprendizagem segue a articulação da abordagem triangular que explora três eixos que o norteiam produzir fazer fruir apreciar e refletir contextualizar como visto na seção anterior Assim a contextualização está relacionada à pesquisa e referese ao domínio reflexivo pessoal e compartilhado no qual o aluno dialoga com a informação e percebe que não aprende individualmente e sim em contextos de interação Dessa maneira a ação de contextualizar favorece saber pensar sobre arte em vez de operacionalizar um saber cumulativo na área BRASIL 1998a p 50 O documento ainda complementa que para uma melhor contextuali zação é importante o ato de refletir Nesse sentido orienta que 24 A reflexão compartilhada gera um contexto de ensino e aprendizagem cooperativo que expressa a natureza social do saber Essa experiência coletiva por sua vez realimenta a reflexão de cada aluno pois envolve níveis distintos de elaboração de saberes o que provoca desequilibra e promove transformações nas aprendizagens individuais BRASIL 1998a p 50 Na prática da sala de aula produção e fruição são melhor aproveitadas na aprendizagem quando articuladas com a reflexão favorecendo saber pensar sobre arte O eixo de aprendizagem articulado com os conteúdos da área com os de outras áreas e com a transversalidade deve configurar a elabo ração do currículo escolar juntamente do contexto educacional em que a escola se insere Como agente ativo e participativo da sua aprendizagem deverá estabelecer conexões formar ideias sobre a sua própria produção a dos colegas e dos diversos povos na sociedade distinguir e argumentar sobre qualidade realidade e transformála além de se apropriar do conhecimento atribuindolhe significados Barbosa 1998 propõe um currículo em arte que contextualize o cotidiano do aluno com o currículo escolar trazendo elementos da cultura popular para complementar as questões acadêmicas que devem ser ensinadas Um currículo que integre atividades artísticas história das artes e análise dos trabalhos artísticos levaria à satisfação das necessidades e interesses das crianças respeitando ao mesmo tempo os conceitos da disciplina a ser aprendida seus valores suas estruturas e sua específica contribuição à cultura BARBOSA 1998 p 17 Dessa forma a escola é um lugar de excelência para a interação entre as distintas culturas para o conhecimento da multiplicidade dos códigos culturais existentes e para a produção de cultura conforme afirma o Referencial de expectativas para o desenvolvimento da competência leitora e escritora no ciclo II do ensino fundamental Artes SÃO PAULO 2006 p 21 Em relação à leitura de imagens inúmeras delas fazem parte do cotidiano dos alunos a partir da própria experiência visual diária que ocorre por meio do uso de câmeras vídeos celulares mp4 internet entre outras mídias por 25 isso é importante a mediação do estudo das imagens nas aulas de arte para a construção de conhecimentos Conforme o PCN Arte A criação e a exposição às multiplas manifestações visuais geram a necessidade de uma educação para saber ver e perceber distinguindo sentimentos sensações ideias e qualidades contidas nas formas e nos ambientes Por isso é importante que essas reflexões estejam incorporadas na escola nas aulas de Arte e principalmente nas de Artes Visuais A aprendizagem de Artes Visuais que parte desses princípios pode favorecer compreensões mais amplas sobre conceitos acerca do mundo e de posicionamentos críticos BRASIL 1998a p 63 Exemplificando Indicamos a leitura do artigo Sobre métodos de leitura de imagem no ensino da Arte Contemporânea de Gustavo Cunha Araujo e Ana Arlinda Oliveira que analisa métodos de leitura de imagem ARAÚJO G C OLIVEIRA A A Sobre métodos de leitura de imagem no ensino da Arte Contemporânea Imagens da Educação v 3 n 2 p 7076 2013 O ensino da arte no Brasil no século XIX Antes de chegar ao século XIX é preciso ressaltar que a educação no Brasil Colonial se organizou inicialmente com os jesuítas que também trouxeram a arte com intuito educacional e catequizador Entre os séculos XVI e início do século XIX a arte na colônia tinha uma concepção popular praticada por negros e mestiços e ensinada de pai para filho ou de mestre para aprendiz O panorama se modificou com o advento da aula régia do artista Manuel Dias de Oliveira 17641837 nomeado por Dom João VI para ministrar aulas de nu com modelo vivo proporcionando uma postura artística segundo a tradição europeia e substituindo a concepção de arte popular pela erudita O Brasil do século XIX teve grande influência de elementos de identidade europeia na qual as modas parisienses eram adotadas pelas elites que faziam parte de um pequeno universo de pessoas instruídas A atividade artística ainda não fazia parte do currículo das escolas públicas elementares e o ensino de arte se institucionalizou com a chegada em 1816 ao Rio de Janeiro de um grupo de artistas franceses chamado de Missão Artística Francesa a convite do príncipe regente Dom João VI para 26 fundar a Academia de BelasArtes seguindo os padrões da tradição clássica europeia sem qualquer adaptação com a nossa cultura Seis meses depois da chegada da Missão Artística Francesa foi criada por um decreto a Escola Real de Ciências Artes e Ofícios em São Paulo para formar artistas para o exercício das belas artes e ofícios e para atividades industriais Em 1820 passou a ser chamada de Academia Real de Desenho Pintura Escultura e Arquitetura Civil e em 1826 Academia Imperial de Belas Artes sendo a primeira instituição de ensino superior de artes com aulas de desenho consi derado a base de todas as artes tornandose matéria obrigatória nos anos iniciais de estudo seguido também pela pintura escultura e arquitetura e reproduzindo os modelos europeus Foi a partir da criação dessa academia que se teve a ideia de implantar o ensino de arte nos chamados ensino primário e secundário No ensino primário o desenho tinha por objetivo desenvolver habilidades técnicas e o domínio da racionalidade Nas famílias com maior poder aquisitivo as meninas estudavam em suas casas e eram preparadas principalmente com aulas de música bordado e culinária entre outras voltadas aos afazeres domésticos entendidos na época como típicos do interesse feminino Em 1870 com as transformações culturais e a industrialização o ensino de arte assumiu o papel de formar mão de obra A exploração do desenho técnico deu início a um conflito entre escolas cariocas e paulistas que debatiam respectivamente sobre a expressão das belas artes valorizando o lado artístico e a idealização de uma sociedade burguesa e as artes indus triais privilegiando o ensino técnico e a formação profissional Em 1882 a instituição Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo formava gratuitamente artesãos e trabalhadores para oficinas comércio e lavoura As matérias que se relacionavam às artes eram desenho linear desenho de figura desenho geométrico desenho de arquitetura caligrafia gravura escultura de ornatos pintura e estatuária Em 1895 foi criado na instituição um curso de artes e ofícios que ensinava desenho com aplicação às artes e indústria modelagem pintura marcenaria carpintaria talhe em madeira e solda Apenas na segunda metade do século XX é que a arte ganhou espaço dentro da escola quando na década de 1970 a educação artística foi inserida no currículo escolar e o seu ensino passou a ser obrigatório Na correlação entre a arte e a educação há o surgimento de movimentos culturais que influenciam na criação de um caminho integrado entre as linguagens tais como a Semana de Arte Moderna de 1922 o surgimento das bienais de São Paulo a partir de 1951 os movimentos universitários ligados à cultura popular entre os anos de 195060 festivais da canção e novas experiências teatrais nos anos de 1970 De acordo com o PCN Arte 27 Entre os anos 20 e 70 muitas escolas brasileiras viveram também outras experiências no âmbito do ensino e apren dizagem de Arte fortemente sustentadas pela estética modernista e com base nas tendências pedagógicas e psicológicas que marcaram o período Contribuíram para essas influências os estudos de psicologia cognitiva psica nálise gestalt bem como os movimentos filosóficos que embasaram os princípios da Escola Nova BRASIL 1998a p 24 Apenas na segunda metade do século XX é que a arte ganhou espaço dentro da escola como disciplina a partir do surgimento de movimentos culturais atrelados à educação e que se voltavam para o pleno desenvolvi mento do indivíduo Assimile A Missão Artística Francesa que chegou ao Rio de Janeiro em março de 1816 composta por um grupo de artistas e artífices franceses objeti vava fundar uma instituição de ensino que veio modificar significante mente o rumo e o ensino das artes no Brasil por estabelecer um ensino acadêmico que até então não existia Era uma prática do artistaar tesão ensinada ao aprendiz submetido à igreja e seus temas Assim O chefe da Missão Joachim Le Breton redigiu um documento esclarecedor na verdade um projeto que estruturava o ensino quer na área das belas artes quer na área dos ofícios dando à instituição a feição de uma dupla escola PEREIRA 20012002 p 9 O ensino da arte no Brasil no século XX O ensino de arte das primeiras décadas do século XX sob o ponto de vista metodológico seguia a tendência pedagógica da Escola Tradicional voltado para o domínio técnico e centrado na figura do professor com interesse no produto do trabalho escolar que valorizava a aprendizagem por meio da reprodução de modelos desvinculandose da realidade individual e social brasileira No ensino de arte o desenho nas escolas primárias e secun dárias apresentouse como base para a preparação técnica para o trabalho a ser realizado Valorizavase a memorização as habilidades manuais os dons artísticos em uma visão utilitarista da arte Além do desenho faziam parte do 28 currículo escolar as disciplinas de música trabalhos manuais e canto orfeônico A disciplina de desenho buscava a reprodução naturalista e figurativa da forma por meio do desenho geométrico do desenho do natural e do desenho pedagógico O canto orfeônico a partir de 1930 que teve à frente o compositor VillaLobos pretendia ensinar a linguagem musical de maneira sistematizada Sua prática se dava através da memorização de peças folclóricas e de caráter cívico Depois de cerca de 30 anos o canto orfeônico foi substituído pela educação musical a qual apresentou um outro enfoque afirmando que a música poderia ser sentida tocada dançada além de cantada A educação musical foi criada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira de 1961 Entre os anos de 1920 e 1970 novas experiências no ensino surgiram sob influ ência da estética modernista e pela tendência pedagógica da Escola Nova As ideias da Escola Nova foram inseridas por John Dewey 18591952 filósofo norteame ricano o qual afirma que a escola possui uma função de coordenar a vida mental dos indivíduos nas diferentes influências dentro do meio social em que vivem Dewey também diz que a educação possui uma função social ou seja tratase de uma necessidade de vida que se renova por meio da transmissão do conhecimento de um indivíduo ao outro e isso diferencia o homem dos seres inanimados A mais notável distinção entre os seres vivos e inanimados é que os primeiros se conservam pela renovação Ao receber uma pancada a pedra opõe resistência Se a resistência for maior do que a força da pancada ela exteriormente não apresentará mudança no caso contrário se partirá em fragmentos menores que ela DEWEY 1959 p 1 O ensino de arte voltase para o desenvolvimento natural do aluno valori zando seu desenvolvimento suas formas de expressão de compreensão do mundo e da sua criação descartando a reprodução de modelos As aulas de desenho e artes plásticas mostraramse mais espontâneas e ganharam espaço para a invenção a autonomia e a autoexpressão dos alunos As aulas de música buscavam o desen volvimento da percepção auditiva rítmica da expressão corporal a utilização de jogos instrumentos de percussão rodas e brincadeiras estimulando os alunos a experimentar improvisar e criar Saiba mais No Brasil um movimento bastante ativo chamado Movimento Escolinhas de Arte criado no Rio de Janeiro em 1948 desenvolvia a autoexpressão da criança e do adolescente por meio do ensino de arte Seu criador Augusto Rodrigues inconformado com os processos de educação pretendia renovar 29 os métodos possibilitando um lugar para as crianças criarem e se expres sarem No final de 1960 e na década de 1970 notase uma tentativa de aproximar a arte ensinada dentro das escolas com a que ocorre fora dela Tratase da época dos festivais e das experiências teatrais quando as escolas promoviam festivais com música e teatro e havia grande estimulação dos alunos Há forte influência das ideias da Escola Tecnicista nesse período por meio da valori zação do uso abundante de recursos tecnológicos e audiovisuais Os profes sores seriam os executores e os alunos os receptores passivos A educação é vista como um instrumento capaz de desenvolver economicamente o país pela qualificação da mão de obra como explica Libâneo 2006 p 2829 À educação escolar compete organizar o processo de aquisição de habilidades atitudes e conhecimentos específicos uteis e necessários para que os indivíduos se integrem na máquina do sistema social global A escola atua assim no aperfeiçoamento da ordem social vigente o sistema capitalista articulandose diretamente com o sistema produtivo seu interesse imediato é o de produzir indivíduos competentes para o mercado de trabalho E com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1971 Lei nº 569271 a aula de arte foi inserida no currículo escolar nomeada como educação artística e passou a ser considerada uma atividade educativa e não uma disciplina O conjunto das atividades artísticas compreendia as várias linguagens as artes plásticas a educação musical e as artes cênicas Professores foram surpreendidos por estarem despreparados quanto ao domínio das várias linguagens e sem alternativa seguiam guias curriculares ou livros didáticos que não apresentavam muita fundamentação teórico metodológica Houve uma ênfase de um saber construir relacionado aos aspectos técnicos e ao uso de materiais diversificados e de um saber exprimir espontâneo caracterizandose com poucos compromissos com o conheci mento de linguagens artísticas A consequência foi a perda da qualidade dos saberes específicos das diversas formas de arte assim os professores da área foram desvalorizados em sua função e começaram a se isolar no ambiente escolar 30 Pesquise mais No PCN de Arte você pode encontrar mais referências históricas a respeito do ensino de arte no Brasil Indicamos a leitura entre as páginas 20 e 29 do documento indicado Leia em BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais arte 2 ed Rio de janeiro DPA EDITORA 2000 A arteeducação O conhecimento sobre a história do ensino de arte no Brasil é fundamental para o profissional que irá trabalhar com a arte em ambientes escolares e não escolares a fim de que assim ele tenha consciência dos acontecimentos e princí pios que norteiam sua prática pedagógica Além disso podem ser abordados com os alunos alguns aspectos históricos nos contextos e práticas presentes nas unidades temáticas da Base Nacional Comum Curricular BRASIL 2017 Com a promulgação da Constituição em 1988 iniciamse as discussões sobre a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que foi sancionada em 20 de dezembro de 1996 e que teve forte influência dos educadores de arte por meio de diversas discussões sobre o ensino até então A arte passa a ser considerada como componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos Ao ser considerada como disciplina passou a ser identificada por arte e não mais educação artística Todo o debate originário no início da década de 1980 contribuiu para a elaboração de novas metodologias para o ensino e aprendizagens da arte Na transição para o século XXI as propostas visam a maiores avanços e pesquisas com o objetivo da melhoria do ensino e da aprendizagem em arte São estudos que abordam a educação estética para complementar a formação artística dos alunos Em 2 de maio de 2016 houve uma alteração do 6º do art 26 da Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 e assim surgiu a lei nº 13278 que fixa as diretrizes e bases da educação nacional referente ao ensino da arte Por meio dela as artes visuais a dança a música e o teatro passam a ser as linguagens que constituirão o componente curricular no que se refere ao trabalho com arte Embora os estabelecimentos de ensino tivessem o prazo de cinco anos para implantarem as mudanças decorridas da lei muitas instituições ainda ignoram as determinações vigentes evidenciando assim a necessidade de aprofundar as vivências e conhecimentos relacionados às artes principalmente no ambiente escolar 31 Reflita Na primeira metade do século XX as disciplinas que se relacionavam com o ensino da arte concentravamse na seleção de conhecimentos na transmissão de padrões interesses e modelos das classes sociais dominantes que estavam sempre em busca de uma hegemonia cultural Hoje em pleno século XXI a legislação prevê que o ensino de arte especialmente em suas expressões regionais seja componente curri cular obrigatório na educação básica Entre as habilidades relacionadas à essa questão presente na BNCC podemos citar o reconhecimento e a análise das manifestações artísticas presentes nas culturas locais regio nais e nacionais Agora reflita como certos conhecimentos são considerados legítimos e outros não A quem pertencem tais conhecimentos Quais as relações de poder envolvidas no processo de seleção de conteudos na primeira metade do século XX que resultaram nesses conhecimentos Sem medo de errar Entre os séculos XIX XX e início do XXI o ensino e a aprendizagem de arte passaram por inúmeras transformações Atualmente podemos dizer que as mudanças propostas pela LDB de 1996 trouxeram mais quali dade à educação Na situaçãoproblema proposta observamos que a prática metodológica da professora Miriam foi usada de forma inadequada sem favorecer a ampliação do conhecimento dos alunos Essa professora parece ter parado no século passado pois na década de 1960 com o surgimento da Escola Nova é que se pensava em trabalhar com a livre expressão que levada de forma extrema permitiu ao professor deixar seus alunos livres para criarem sem nenhuma interferência ou orientações e pouco contribuiu para uma aprendizagem significativa dos alunos As novas diretrizes de ensino propõem que a disciplina de arte favoreça o conhecimento artístico associado com a história estimulando a sua percepção e imaginação e também a sua criatividade na produção artística As práticas tradicionais aplicadas aos dias de hoje se apresentam como uma realidade em muitas escolas Esse fato demonstra o grande despreparo dos profissionais da área ainda nos dias de hoje dificultando assim a construção do conhecimento do aluno Diante desse problema existe uma grande necessidade dessa professora rever o currículo de arte se apropriando dos objetivos conteúdos e metodologia de forma a respeitar o direito do aluno de aprender e também de respeitar os valores que foram estabelecidos para a disciplina 32 Avançando na prática Releitura da obra Doze girassóis numa jarra Vincent Van Gogh Sandra é professora do 5º ano e pretendia trabalhar com seus alunos a releitura da obra Doze girassóis numa jarra do pintor Vincent Van Gogh Por não ter uma boa formação na área de arte a professora pediu orien tação para Alice a professora de Arte do 6º ao 9º ano da mesma escola A professora indicou a leitura das orientações relacionadas ao trabalho com Arte no ensino fundamental Anos Finais na Base Nacional Comum Curricular Após a leitura a professora Sandra iniciou o trabalho com os alunos apresentando a reprodução da obra citada discutiu as características da obra apresentou a biografia do Van Gogh e pediu para que cada aluno fizesse o mesmo desenho da pintura apresentada em uma folha de sulfite seguindo até a mesma técnica que o artista escolheu para realizar a pintura À medida que começaram a produzir os alunos também começaram a achar o desenho muito difícil mas mesmo assim continuaram tentando traçavam as linhas e logo apagavam e assim repetiram a ação inúmeras vezes Apesar do grande esforço aplicado na execução do desenho o resultado não chegava nem perto do resultado que a professora Sandra desejava desenhos iguais à obra do artista Diante da dificuldade dos seus alunos Sandra procurou mais uma vez a professora Alice para que a auxiliasse pois queria que a releitura da obra ficasse idêntica à obra do artista Se você fosse a professora Alice como orientaria a professora Sandra sobre uma possível aula sobre a obra escolhida Figura 12 Doze girassóis numa jarra Fonte httpsbitly2mUg2iv Acesso em 28 set 2017 33 Resolução da situaçãoproblema Para orientar a professora Sandra você poderia explicar que as ideias que ela teve estavam equivocadas que o objetivo da releitura não era produzir cópias e que o trabalho apresentaria resultados mais positivos caso usasse a obra de arte como ponto de partida para que os alunos criassem outras formas pois na releitura partese de uma obra para criar outro trabalho exercitando no aluno a sua criativi dade Ademais seria importante dizer que além do desenho os alunos poderiam usar outros meios como colagem fotografia escultura etc Você também poderia explicar que a partir da apreciação as produções partiriam da busca pessoal para articular a imaginação a emoção a fruição das próprias produções Além disso outra orientação a ser dada seria sobre a importância da disponibilização de diversos materiais para os alunos trabalharem com grande envolvimento a fim de que experimentassem materiais e meios decidindo qual usar na elaboração artística É importante destacar ainda que os processos de criação são objetos de conhe cimento das linguagens artísticas na BNCC desse modo a simples cópia não atende as especificidades presentes no documento Faça valer a pena 1 Na década de 1970 houve grandes mudanças no ensino de arte sob influências da tendência pedagógica tecnicista e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional A lei tornou obrigatória a inclusão do ensino da arte da educação moral e cívica da educação física e dos programas de saúde nos currículos dos estabelecimentos de 1º e 2º graus De acordo com a nova Lei de 1971 Lei de Diretrizes e Bases 569271 o ensino de arte Assinale a alternativa que completa a asserção corretamente a constituiu componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos sendo a sua nomenclatura alterada de educação artística para arte b seguia a Proposta Triangular para o ensino da arte c foi inserida no currículo escolar como educação artística e passou a ser considerada uma atividade educativa e não uma disciplina d incluía várias linguagens no currículo escolar tais como desenho música traba lhos manuais artesanato marcenaria e canto orfeônico e valorizou a qualidade ao oferecer orientações teóricometodológicas aos professores da área 34 2 A abordagem triangular para o ensino da arte veio reestruturar o ensino desta área o qual se encontrava desacreditado e desgastado Sistematizado por Ana Mae Barbosa na década de 1990 essa abordagem propõe a articulação de três eixos e procura englobar vários pontos de ensino e aprendizagem ao mesmo tempo No contexto educacional essa ação envolve Assinale a alternativa correta a O fazer arte com materiais diversificados a livre expressão com originalidade e estética e a reflexão no campo artístico para a produção ideal b A produção de arte para que o aluno domine o uso dos materiais e procedimentos A fruição em arte que desperta a sua capacidade crítica e a contextualização em arte para que reconheça e situe a obra de arte como produção cultural c A produção cultural enfatizando a visão pessoal a produção individual e coletiva com ação estética questionadora e a produção contextualizada para situar a obra de arte d A fruição como leitura de obras de arte a livre expressão como a produção da inter pretação da realidade local e a contextualização que abre possibilidades em arte para o uso dos diferentes materiais e práticas e A arte da produção em níveis de compreensão que envolve a complexidade artística suas linguagens e entendimento a fruição contempladora da reali dade e do entendimento que é o fazer e produzir arte em seus procedimentos 3 O ensino brasileiro pelo menos nos últimos cinquenta anos tem sido marcado pelas tendências liberais que indicam diferentes pressupostos de aprendizagem Historicamente a educação liberal iniciouse com a pedagogia tradicional evoluiu para a escola nova e depois tecnicista Tendo em vista o exposto observe as asserções I Escola Tradicional O ensino de arte voltase para o desenvolvimento natural do aluno valorizando o seu desenvolvimento suas formas de expressão de compreensão do mundo e da sua criação descar tando a reprodução de modelos As aulas de desenho e artes plásticas mostraramse mais espontâneas e ganharam espaço para a invenção a autonomia e a autoexpressão dos alunos II Escola Nova Voltado para o domínio técnico e centrado na figura do professor com interesse no produto do trabalho escolar que valorizava a aprendizagem por meio da reprodução de modelos desvinculandose da realidade individual e social brasileira No ensino de arte o desenho nas escolas primárias e secundárias apresentouse como base para a preparação técnica para o trabalho Valorizavase a memorização as habilidades manuais os dons artísticos numa visão utilitarista da arte 35 III Escola Tecnicista Uma pedagogia que valorizava o uso abundante de recursos tecnológicos e audiovisuais para modernizar o ensino e trans forma professores em executores e os alunos em receptores pas sivos dos conteúdos que eram elaborados de forma autoritária e sem vínculo com o contexto social que estavam inseridos Relacione uma coluna à outra e depois assinale a alternativa com a sequência correta a III II I b II I III c I II III d III I II e I III II 36 Seção 3 O ensino da arte na legislação educacional Diálogo aberto Nesta seção os conteúdos a serem estudados buscam o conhecimento quanto à normatização brasileira para o ensino de arte ressaltando a apren dizagem e o desenvolvimento as competências específicas de arte e as competências específicas de Linguagens e suas tecnologias A arte é compo nente curricular obrigatório desde a educação infantil até o ensino médio e seu ensino está garantido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 que estabelece que o ensino de arte promova o desenvolvimento cultural dos alunos A última alteração dessa lei se deu por meio da Lei nº 13415 de 16 de fevereiro de 2017 que foi aprovada e publicada no Diário Oficial da União e regulamentou entre outras questões a reforma do ensino médio que incluiu em seu ensino estudos e práticas de arte e a obrigatoriedade do ensino da arte na educação básica especialmente em suas expressões regionais A Lei nº 13278 de 2 de maio de 2016 alterou o 6o do art 26 da LDB Conforme a alteração as artes visuais a dança a música e o teatro serão linguagens que constituirão o componente curricular arte Seguindo a situaçãoproblema com o exemplo da professora Lygia os professores que lecionam arte devem buscar na aprendizagem objetivos específicos para as aulas tais como investigar e experimentar procedimentos em uma busca pessoal na investigação utilizar a imaginação ao realizar e fruir produções artísticas construir relações de autoconfiança com seus pares respeitar a própria produção e a de cada um saber receber e elaborar críticas entre outros possíveis A professora Lygia trabalhou de forma que os alunos adquirissem o saber e a apropriação do conhecimento estético inseridos em um contexto sócio histórico ao produzir novas formas de percepção proporcionando os instru mentos necessários para que se tornem sensíveis às produções artísticas Sabemos que o sucesso do trabalho nem sempre está garantido e mesmo com planejamento e metodologia de aula adequados dificuldades e resistên cias existem Além disso uma vez ou outra você se confrontará com alunos que apresentam grandes dificuldades na elaboração artística situações de apatia e até mesmo desvalorização de produção artística em sala de aula alegando incapacidade para tal O ensino da arte em todo o ensino básico deve promover o desenvolvimento cultural dos alunos ao propor abordagens 37 articuladas com as dimensões do conhecimento De acordo com a BNCC BRASIL 2017a as dimensões são linhas maleáveis que se interpenetram constituindo a especificidade da construção do conhecimento em arte no ambiente escolar Tendo em vista esse cenário como você auxiliaria o aluno com dificul dades ou resistência na produção artística para que ele possa avançar na disci plina Como estabeleceria um planejamento e seus respectivos objetivos de modo que o aluno possa ser capaz de produzir artisticamente Vamos conhecer como a legislação está estruturada para o ensino da arte e como dispor do previsto em lei para um bom desempenho da disciplina junto aos alunos Não pode faltar Normatização brasileira para o ensino de arte O ensino no Brasil baseado nos princípios da Constituição Federal de 1988 é regulamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB A primeira LDB Lei nº 4024 de 20 de dezembro de 1961 no que diz respeito ao ensino da arte trouxe poucas orientações indicando apenas o ensino pautado em técnicas de artes Já a LDB nº 5692 de 1971 de acordo com o PCNArte apresen tava o seguinte entendimento da disciplina A introdução da Educação Artística no currículo escolar foi um avanço principalmente se se considerar que houve um entendi mento em relação à arte na formação dos indivíduos seguindo os ditames de um pensamento renovador BRASIL 1997 p 24 Cabe destacar contudo que essa proposta não obteve os resultados esperados A causa disso estava no fato que Muitos professores não estavam habilitados e menos ainda preparados para o domínio de várias linguagens que deveriam ser incluídas no conjunto das atividades artísticas Artes Plásticas Educação Musical Artes Cênicas Para agravar a situação durante os anos 7080 tratouse dessa formação de maneira indefinida A Educação Artística demonstrava em sua concepção e desenrolar que o sistema educacional vigente estava enfrentando dificuldades de base na relação entre teoria e prática BRASIL 1997 p 24 38 A LDB nº 939496 é a mais recente e vigora até os dias atuais O ensino da arte foi inserido no currículo escolar como atividade educativa pela LDB de 1971 sob a nomenclatura de Educação Artística Com a atual LDB de 1996 foi reconhecida como disciplina e segundo a lei no 13278 de 2 de maio de 2016 as artes visuais a dança a música e o teatro são as linguagens que constituirão o componente curricular Reflita As apreciações e vivências artísticas desenvolvidas na disciplina de Artes podem articular temáticas variadas destacando conteudos signi ficativos de cada linguagem artística Assimile Conheça um pouco mais sobre aspectos relacionados à legislação nacional e leia o artigo Música na escola aspectos históricos na legis lação nacional e perspectivas atuais a partir da Lei n 117692008 de Luiz Ricardo Queiroz QUEIROZ L R Musica na escola aspectos históricos na legislação nacional e perspectivas atuais a partir da Lei n 117692008 Revista da ABEM Londrina v 20 n 29 juldez 2012 Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para a educação infantil As aprendizagens relacionadas à educação infantil de acordo com a Base Nacional Comum Curricular BRASIL 2017a compreendem comporta mentos habilidades e conhecimentos relacionados aos diversos campos de experiências tendo as interações e a brincadeira como eixos estruturantes De acordo com o documento os objetivos de aprendizagem e desenvolvi mento da educação infantil estão organizados em três grupos por faixa etária sendo elas Creche Bebês 0 a 1 anos e 6 meses Crianças bem pequenas 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Préescola Crianças pequenas 4 anos a 5 anos e 11 meses 39 Apresentaremos a seguir os objetivos de aprendizagem e desenvolvi mento dos campos de experiência corpo gestos e movimentos e traços sons cores e formas que se relacionam de modo direto com as linguagens artísticas de acordo com cada grupo por faixa etária Quadro 11 Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento do campo de experiência corpo gestos e movimentos Bebês 0 a 1 ano e 6 meses Crianças bem pequenas 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Crianças pequenas 4 anos a 5 anos e 11 meses EI01CG01 Movimentar as partes do corpo para exprimir corporalmente emoções necessidades e desejos EI02CG01 Apropriarse de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras EI03CG01 Criar com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos sensações tanto nas situações do cotidiano quanto em brincadeiras dança teatro música EI01CG02 Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes EI02CG02 Deslocar seu corpo no espaço orientandose por noções como em frente atrás no alto embaixo dentro fora etc ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes naturezas EI03CG02 Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos escuta e reconto de histórias atividades artísticas entre outras possibilidades EI01CG03 Imitar gestos e movimentos de outras crianças adultos e animais EI02CG03 Explorar formas de deslocamento no espaço pular saltar dançar combinando movimentos e seguindo orientações EI03CG03 Criar movimentos gestos olhares e mímicas em brincadeiras jogos e atividades artísticas como dança teatro e música EI01CG04 Participar do cuidado do seu corpo e da promoção do seu bemestar EI02CG04 Demonstrar progressiva independência no cuidado do seu corpo EI03CG04 Adotar hábitos de autocuidado relacionados a higiene alimentação conforto e aparência EI01CG05 Utilizar os movimentos de preensão encaixe e lançamento ampliando suas possibilidades de manuseio de diferentes materiais e objetos EI02CG05 Desenvolver progressivamente as habilidades manuais adquirindo controle para desenhar pintar rasgar folhear entre outros EI03CG05 Coordenar suas habilidades manuais no atendimento adequado a seus interesses e necessidades em situações diversas Fonte Brasil 2017a p 47 40 Quadro 12 Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento do campo de experiência traços sons cores e formas Bebês 0 a 1 ano e 6 meses Crianças bem pequenas 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Crianças pequenas 4 anos a 5 anos e 11 meses EI01TS01 Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente EI02TS01 Criar sons com materiais objetos e instrumentos musicais para acompanhar diversos ritmos de música EI03TS01 Utilizar sons produzidos por materiais objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta encenações criações musicais festas EI01TS02 Traçar marcas gráficas em diferentes suportes usando instrumentos riscantes e tintas EI02TS02 Utilizar materiais variados com possibilidades de manipulação argila massa de modelar explorando cores texturas superfícies planos formas e volumes ao criar objetos tridimensionais EI03TS02 Expressarse livremente por meio de desenho pintura colagem dobradura e escultura criando produções bidimensionais e tridimensionais EI01TS03 Explorar diferentes fontes sonoras e materiais para acompanhar brincadeiras cantadas canções músicas e melodias EI02TS03 Utilizar diferentes fontes sonoras disponíveis no ambiente em brincadeiras cantadas canções músicas e melodias EI03TS03 Reconhecer as qualidades do som intensidade duração altura e timbre utilizando as em suas produções sonoras e ao ouvir músicas e sons Fonte Brasil 2017a p 48 Figura 13 Brincadeiras e danças Fonte iStock 41 Figura 14 Danças regionais Fonte iStock A música é uma linguagem da arte que expressa emoções sentimentos e pensamentos sendo encontrada em todas as culturas nas diversas formas de manifestações O seu ensino na educação infantil por muitas vezes esteve atrelado a objetivos fora do seu contexto como a formação de hábitos atitudes e comportamentos a realização de festas referentes ao calendário de eventos do ano letivo a memorização de conteúdos utilizados em canções Figura 15 Musicalização infantil Fonte iStock Reflita A apreciação musical também é uma prática muito importante entre tanto não se trata apenas de deixar uma musica tocando como pano de fundo para qualquer outra atividade pelo contrário deve ser planejada e sistematizada como qualquer outra atividade pedagógica oportuni zando novas audições aos alunos Também é possível levar em conside ração o repertório que os alunos trazem ao contexto escolar a fim de ouvilo No entanto o objetivo da apreciação musical é proporcionar 42 novas possibilidades para despertar novos interesses além daqueles já conhecidos como as musicas divulgadas pela mídia ouvidas constan temente pelos alunos Como docente na educação infantil como você procederia caso algum aluno reproduzisse na escola musicas e danças ao estilo mais midiático e que muitas vezes possuem erros de português ou até mesmo insinuações e palavrões As artes visuais estão presentes no cotidiano da educação infantil ao desenhar pintar modelar e rabiscar Desvalorizadas e desvinculadas de significados na sua produção já foram entendidas como um mero passa tempo Hoje diante de um outro contexto as artes visuais se apresentam como uma linguagem com estrutura e características próprias que envolvem a abordagem triangular ao articular os três eixos da sua aprendizagem o fazer artístico a apreciação e a reflexão Exemplificando A abordagem triangular para o ensino da arte procura englobar vários pontos de ensino e aprendizagem ao mesmo tempo Inicialmente siste matizada para o ensino das artes visuais atualmente é abarcada para o ensino e aprendizagem de todas as linguagens da arte A proposta triangular é um sistema cuja proposição depende da resposta que damos à pergunta como se dá o conhecimento em arte Portanto é um sistema de conteudo de qualquer natureza visual e estética pode ser explorado interpretado e operacio nalizado através da Proposta Triangular BARBOSA 1998 p 38 Figura 17 Arte na escola 43 Fonte iStock Figura 18 Apreciação da arte Fonte iStock Competências específicas de arte para o ensino fundamental As aprendizagens relacionadas à arte para o ensino fundamental BRASIL 2017a estão centradas nas artes visuais dança música e teatro Essas lingua gens articulam saberes referentes a produtos e fenômenos artísticos e envolvem as práticas de criar ler produzir construir exteriorizar e refletir sobre formas artísticas O documento propõe que a abordagem das linguagens articule seis dimensões do conhecimento Quadro 13 Dimensões do conhecimento Criação Referese ao fazer artístico quando os sujeitos criam produzem e constroem Tratase de uma atitude intencional e investigativa que confere materialidade estética a sentimentos ideias desejos e representações em processos acontecimentos e produções artísticas individuais ou coletivas Crítica Referese às impressões que impulsionam os sujeitos em direção a novas compreensões do espaço em que vivem com base no estabelecimento de relações por meio do estudo e da pesquisa entre as diversas experiências e manifestações artísticas e culturais vividas e conhecidas Estesia Referese à experiência sensível dos sujeitos em relação ao espaço ao tempo ao som à ação às imagens ao próprio corpo e aos diferentes materiais Expressão Referese às possibilidades de exteriorizar e manifestar as criações subjetivas por meio de procedimentos artísticos tanto em âmbito individual quanto coletivo Fruição Referese ao deleite ao prazer ao estranhamento e à abertura para se sensibilizar durante a participação em práticas artísticas e culturais Reflexão Referese ao processo de construir argumentos e ponderações sobre as fruições as experiências e os processos criativos artísticos e culturais Fonte Brasil 2017a p192193 44 A referência a essas dimensões busca facilitar o processo de ensino e aprendizagem em arte integrando os conhecimentos do componente curricular As competências específicas de arte para o ensino fundamental apresen tadas no documento são 1 Explorar conhecer fruir e analisar criticamente práticas e produções artísticas e culturais do seu entorno social dos povos indígenas das comunidades tradicionais brasileiras e de diversas sociedades em distintos tempos e espaços para reconhecer a arte como um fenômeno cultural histó rico social e sensível a diferentes contextos e dialogar com as diversidades 2 Compreender as relações entre as linguagens da arte e suas práticas integradas até mesmo aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de informação e comuni cação pelo cinema e pelo audiovisual nas condições parti culares de produção na prática de cada linguagem e nas suas articulações 3 Pesquisar e conhecer distintas matrizes estéticas e cultu rais especialmente aquelas que são manifestas na arte e nas culturas as quais constituem a identidade brasileira sua tradição e manifestações contemporâneas reelaboran doas nas criações em arte 4 Experienciar a ludicidade a percepção a expressividade e a imaginação ressignificando espaços da escola e de fora dela no âmbito da arte 5 Mobilizar recursos tecnológicos como formas de registro pesquisa e criação artística 6 Estabelecer relações entre arte mídia mercado e consumo compreendendo de forma crítica e problema tizadora modos de produção e de circulação da arte na sociedade 7 Problematizar questões políticas sociais econômicas científicas tecnológicas e culturais por meio de exercícios produções intervenções e apresentações artísticas 45 8 Desenvolver a autonomia a crítica a autoria e o trabalho coletivo e colaborativo nas artes 9 Analisar e valorizar o patrimônio artístico nacional e internacional material e imaterial com suas histórias e diferentes visões de mundo BRASIL 2017a p198 As artes visuais além das formas mais conhecidas como pintura escultura desenho gravura arquitetura artefato desenho industrial incluem também outras modalidades que envolvem a tecnologia e as transformações estéticas na área da visualidade tais como fotografia artes gráficas cinema televisão vídeo compu tação e performance Em dança os temas devem favorecer a pesquisa de movimentos de estímulos rítmicos de criação e repetição de movimentos de acordo com o desenvolvimento do aluno Em música a aprendizagem passa pela oportunidade de os alunos partici parem ativamente das aulas como ouvintes intérpretes compositores e improvisa dores Sua proposta de ensino deve considerar a diversidade cultural e abrir espaço para os alunos também trazerem o seu repertório para apreciar contextualizar e produzir nessa área As propostas em teatro devem compreender essa atividade como um processo de socialização e convivência democrática e uma atividade artística com organi zações estéticas que viabilizem a crítica a apreciação e a experiência na área com o acesso do aluno à literatura especializada aos vídeos às atividades de teatro de sua comunidade O ensino de arte deverá organizarse de forma que ao finalizar o ensino fundamental o aluno alcance objetivos que o tornem capaz de expressar e comunicarse em arte ao articular a percepção reflexão e fruição das produções artísticas interagir com materiais instrumentos e procedimentos nas diversas linguagens da arte respeitar a própria produção a dos colegas assim como as produções do passado e do presente das diversas culturas e etnias contextuali zando a arte como fato histórico e cultural Competências específicas de linguagens e suas tecnologias para o ensino médio Pesquise mais O ensino de arte em cada uma das suas linguagens tem um modo parti cular de ser abordado e a Base Nacional Comum Curricular apresenta orientações específicas para o trabalho a ser desenvolvido na educação 46 infantil e no ensino fundamental no portal do MEC Pesquise e atuali zese por meio de informações presentes no site da Nova Escola e outras informações disponíveis em BRASIL Governo Federal Base Nacional Comum Curricular Funda mentos Pedagógicos e Estrutura Geral da BNCC versão 3 Brasilia 2017c A Base Nacional Comum Curricular da área de Linguagens e suas Tecnologias BRASIL 2018 busca consolidar e ampliar as aprendiza gens previstas na BNCC de ensino fundamental nos componentes Língua Portuguesa Arte Educação Física e Língua Inglesa A arte contribui para o desenvolvimento da autonomia criativa e expres siva dos estudantes por meio da conexão entre racionalidade sensibilidade intuição e ludicidade Ela é também propulsora da ampliação do conheci mento do sujeito relacionado a si ao outro e ao mundo É na aprendizagem na pesquisa e no fazer artístico que as percepções e compreensões do mundo se ampliam no âmbito da sensibilidade e se interconectam em uma perspectiva poética em relação à vida que permite aos sujeitos estar abertos às percepções e experiências mediante a capacidade de imaginar e ressignificar os cotidianos e rotinas A pesquisa e o desenvolvimento de processos de criação de materia lidades híbridas entendidas como formas construídas nas fronteiras entre as linguagens artísticas que contemplam aspectos corporais gestuais teatrais visuais espaciais e sonoros permite aos estudantes explorar de maneira dialógica e interconectada as especificidades das artes visuais do audiovisual da dança da música e do teatro BRASIL 2018 p 474 O campo artístico é um dos campos de atual social apresentados pela BNCC da área de Linguagens e suas Tecnologias no ensino médio Tratase das manifestações artísticas em geral possibilitando assim o reconheci mento a valorização a fruição e produção dessas manifestações Entre as competências apresentadas no documento podese citar 1 Compreender o funcionamento das diferentes lingua gens e práticas artísticas corporais e verbais e mobilizar esses conhecimentos na recepção e produção de discursos nos diferentes campos de atuação social e nas diversas mídias para ampliar as formas de participação social o entendimento e as possibilidades de explicação e interpre tação crítica da realidade e para continuar aprendendo 47 2 Compreender os processos identitários conflitos e relações de poder que permeiam as práticas sociais de linguagem respeitar as diversidades a pluralidade de ideias e posições e atuar socialmente com base em princí pios e valores assentados na democracia na igualdade e nos Direitos Humanos exercitando a empatia o diálogo a resolução de conflitos e a cooperação e combatendo preconceitos de qualquer natureza 3 Utilizar diferentes linguagens artísticas corporais e verbais para exercer com autonomia e colaboração protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva de forma crítica criativa ética e solidária defendendo pontos de vista que respeitem o outro e promovam os Direitos Humanos a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local regional e global 4 Compreender as línguas como fenômeno geopolítico histórico social variável heterogêneo e sensível aos contextos de uso reconhecendoas e vivenciandoas como formas de expressões identitárias pessoais e coletivas bem como respeitando as variedades linguísticas e agindo no enfrentamento de preconceitos de qualquer natureza 5 Compreender os multiplos aspectos que envolvem a produção de sentidos nas práticas sociais da cultura corporal de movimento reconhecendoas e vivenciandoas como formas de expressão de valores e identidades em uma perspectiva democrática e de respeito à diversidade 6 Apreciar esteticamente as mais diversas produções artís ticas e culturais considerando suas características locais regionais e globais e mobilizar seus conhecimentos sobre as linguagens artísticas para dar significado e reconstruir produções autorais individuais e coletivas de maneira crítica e criativa com respeito à diversidade de saberes identidades e culturas 7 Mobilizar práticas de linguagem no universo digital consi derando as dimensões técnicas críticas criativas éticas e estéticas para expandir as formas de produzir sentidos de engajarse em práticas autorais e coletivas e de aprender a aprender nos campos da ciência cultura trabalho infor mação e vida pessoal e coletiva BRASIL 2018 p 5556 48 Sem medo de errar Segundo a Base Nacional Comum Curricular BRASIL 2017a 2018 o professor pode escolher a forma mais adequada para o processo de ensino aprendizagem na área de arte sem perder o foco que o ensino desta área ocorre através da arte para que o aluno se conscientize da existência da produção artística dos diferentes povos e etnias e também da sua história seja no passado ou na contemporaneidade Observamos que na turma do 8º ano A da professora Lygia há alguns alunos que apresentam dificuldades em respeitar a própria produção artística e a produção dos colegas Além disso eles não ficam atentos às aulas são desinteressados e não respeitam as produções artísticas de um modo geral Analisando o comportamento desses alunos a professora começou a entender que a dificuldade deles estava na elaboração da própria produção pois se recusavam a experi mentar e explorar essas possibilidades Essa situaçãoproblema sinaliza que para os alunos superarem esse tipo de dificuldades o professor deve desde a educação infantil com grande comprometimento elaborar propostas de aprendizagem em arte que alcancem os objetivos de aprendizagem e compe tências específicas fazendo com que os alunos experimentem materiais e suportes diversificados ao produzir artisticamente tenham cuidado com esses materiais consigo próprios e com os colegas possam experimentar as linguagens artísticas nas suas diversas modalidades ou linguagens e sobre tudo respeitar a própria produção a dos colegas e a dos diversos povos através dos tempos contextualizando a arte como fato histórico Esses objetivos serão alcançados pelos alunos aprofundandoos progres sivamente no ensino de arte ao longo da educação básica ao articular as produções artísticas por meio da abordagem triangular que vincula a percepção a reflexão e a fruição O ensino de arte descontextualizado resulta em desinteresse e baixo desempenho Identificar as falhas ou lacunas no ensino facilita o desenvolvimento de estratégias para a construção de uma aprendizagem mais significativa nessa área do conhecimento Avançando na prática Possibilidades em dança Julia professora do 4º ano pretendia trabalhar com a linguagem da dança com os seus alunos com a finalidade de que eles apreciassem algumas danças que fazem parte da nossa cultura Seu objetivo como produto associava a 49 percepção de estruturas rítmicas para expressão corporal com a experimen tação investigação e improvisação dos movimentos corporais por meio da dança Diante disso primeiro a professora Julia fez um levantamento dos conhecimentos prévios da turma através de perguntas sobre o assunto tais como o que é dança Quem gosta de dançar E quem não gosta de dançar Quais danças vocês conhecem Quem já dançou na escola Quem já dançou fora da escola Qual foi a dança Quem conhece alguma dança de outro Estado Ou de outro país Como é a dança Por que as pessoas dançam Qual o espaço que acontece a dança O que é preciso para dançar Como se aprende a dançar Qualquer pessoa pode dançar As pessoas que fazem parte do públicoalvo da educação especial como cadeirantes podem dançar À medida que fazia as perguntas Julia pôde perceber através das devolu tivas dos alunos que vários deles não queriam participar da atividade justa mente por não saberem dançar pelo fato de poucos terem experimentado essa linguagem na escola ou fora dela e por se sentirem inibidos diante dos colegas Diante disso houve grande resistência de parte da turma em aceitar a proposta da atividade Como a professora pode fazer para despertar o interesse dos alunos e mudar suas visões sobre esta linguagem Resolução da situaçãoproblema Para despertar o interesse pela dança a professora Júlia fez uma ampla pesquisa em canais da internet sobre os tipos existentes para mostrar aos alunos a fim de que pudessem conhecêlos e apreciálos Também trouxe movimentos misturados com exercícios corporais para que os alunos começassem um aquecimento corporal ao mesmo tempo em que manipulassem fitas cordas e bolas agregados aos ritmos dos movimentos Julia também considerou importante que os alunos executassem esses movimentos observando uns aos outros de forma a se integrarem impro visando e experimentando formas de expressão por meio dessa linguagem No contexto dessa atividade você acha que caberia aos alunos se agruparem para criar outros movimentos e apresentar para os colegas Assim a profes sora trabalhou com o apreciar refletir e experimentar os movimentos em dança improvisando de forma que o aluno valorizasse e aprendesse a se expressar por meio dessa linguagem Os alunos também puderam observar e apreciar os movimentos realizados pelos colegas de classe o que também é uma maneira deles compreenderem e incorporarem a diversidade de expres sões de reconhecerem individualidades e qualidades estéticas Tal fruição enriqueceu a criação de cada aluno em dança 50 Faça valer a pena 1 Leia o trecho a seguir A Educação Infantil como um direito da criança está respal dada na Constituição Federal de 1988 no Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil de 2010 e também nos Planos Nacionais de Educação Embora se reconheçam os avanços legais reite rase a necessidade de se compreender quem é a criança de zero a cinco anos e a especificidade do seu desenvolvimento pois esta compreensão interfere diretamente no processo de organização do trabalho pedagógico PORTELINH ZOIA PASQUALOTTO COELHO SBARDELOTTO 2017 p 4 Leia as afirmações relacionadas aos objetivos de aprendizagem das crianças de 0 a 1 anos e 6 meses e assinale a alternativa correta I Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes é um dos objetivos de aprendizagem das crianças de 0 a 1 anos e 6 meses II Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente é um dos objetivos de aprendizagem das crianças de 0 a 1 anos e 6 meses III Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos escuta e reconto de histórias atividades artísticas entre outras possi bilidades é um dos objetivos de aprendizagem das crianças de 0 a 1 anos e 6 meses Está correto o que se afirma em a Apenas na afirmativa I b Apenas na afirmativa II c Apenas na afirmativa III d Apenas nas afirmativas I e II e Apenas nas afirmativas I e III 2 A Base Nacional Comum Curricular BRASIL 2017a apresenta seis dimensões do conhecimento criação crítica estesia expressão fruição e reflexão Essas dimen 51 sões perpassam os conhecimentos das artes visuais da dança da música e do teatro Tratamse de linhas maleáveis que se interpenetram constituindo a especificidade da construção do conhecimento em arte na escola A sequência correta é I Criação Referese ao processo de construir argumentos e ponderações sobre as fruições as experiências e os processos criativos artísticos e culturais II Crítica Referese ao fazer artístico quando os sujeitos criam produzem e constroem III Estesia Referese às impressões que impulsionam os sujeitos em direção a novas compreensões do espaço em que vivem IV Expressão Referese à experiência sensível dos sujeitos em relação ao espaço ao tempo ao som à ação às imagens ao próprio corpo e aos diferentes materiais V Fruição Referese ao deleite ao prazer ao estranhamento e à abertura para se sensibilizar durante a participação em práticas artísticas e culturais VI Reflexão Referese às possibilidades de exteriorizar e manifestar as criações subjetivas por meio de procedimentos artísticos tanto em âmbito individual quanto coletivo Enumere a coluna 2 de acordo com a dimensão correspondente apresentada na coluna 1 a III I II VI V IV b III I VI II V IV c VI I II III IV V d VI I II V IV III e VI I II III V IV 3 Leia o trecho a seguir 52 O termo competência representa a alternativa que supera as dicotomias memorizar e compreender conhecimentos e habilidades teoria e prática A melhoria da competência implica a capacidade de refletir sobre sua aplicação e para alcançála é necessário o apoio do conhecimento teórico ZABALA ARNAU 2010 p 49 Leia as afirmações relacionadas as competências específicas de Linguagens e suas Tecnologias para o Ensino Médio escreva V para as afirmativas verdadeiras F para as falsas e assinale a alternativa correta Memorizar os conteúdo das diferentes linguagens artísticas visando a perfeição na performance técnica e a articulação entre teoria e prática visando a formação de artistas que estejam preparados para atuar no mercado de trabalho e contribuir com o exercício digno fiel e obediente na sociedade é uma competência de Linguagens e suas Tecnologias para o ensino médio Compreender o funcionamento das diferentes linguagens e práticas e mobilizar esses conhecimentos na recepção e produção de discursos nos diferentes campos de atuação social e nas diversas mídias para ampliar as formas de participação social o entendimento e as possibilidades de explicação e interpretação crítica da realidade e para continuar aprendendo é uma competência de Linguagens e suas Tecnologias para o ensino médio Utilizar diferentes linguagens artísticas corporais e verbais para exercer com autonomia e colaboração protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva de forma crítica criativa ética e solidária defendendo pontos de vista que respeitem o outro e promovam os Direitos Humanos a consciência socioambiental e o consumo respon sável em âmbito local regional e global é uma competência de Linguagens e suas Tecnologias para o ensino médio A sequência correta é a V V V b V F V c F F V d F V V e F V F Referências BARBOSA A M org Arteeducação contemporânea consonâncias internacionais São Paulo Cortez 2005 BARBOSA A M A imagem no ensino da arte 2 ed São Paulo Perspectiva 1994 BARBOSA A M Arteeducação no Brasil São Paulo Perspectiva 2002 BARBOSA A M ArteEducação no Brasil realidade hoje e expectativas futuras Estudos Avançados v 3 n 7 São Paulo setdez 1989 BARBOSA A M Arteeducação conflitos e acertos São Paulo Max Limond 1984 BARBOSA A M Inquietações e mudanças no ensino de arte 5 ed São Paulo Cortez 2008 BARBOSA A M Tópicos utópicos arte e ensino Belo Horizonte CArte 1998 BRASIL Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional Diário Oficial da República Federativa do Brasil Brasília DF 23 dez 1996 Disponível em httpwww2camaralegbrleginfedlei1996lei939420dezembro1996362578publicacaoa original1plhtml Acesso em 1 nov 2017 BRASIL Base Nacional Comum Curricular BNCC Brasília MEC 2017a Disponível em httpsbitly2QYcc45 Acesso em 5 jan 2018 BRASIL Base Nacional Comum Curricular Educação Infantil e Ensino Fundamental Brasília MECSecretaria de Educação Básica 2017b BRASIL Base Nacional Comum Curricular Ensino Médio Brasília MECSecretaria de Educação Básica 2018 Disponível em httpsbitly2IYzVzE Acesso em 16 maio 2019 BRASIL Governo Federal Base Nacional Comum Curricular Fundamentos Pedagógicos e Estrutura Geral da BNCC versão 3 Brasília 2017c Disponível em httpportalmecgovbr indexphpoptioncomdocmanviewdownloadalias79601anexotextobnccreexpor tadopdf2categoryslugdezembro2017pdfItemid30192 Acesso em 4 abr 2019 BRASIL Lei nº 12278 de 2 de maio de 2016 Altera o 6o do art 26 da Lei no 9394 de 20 de dezembro de 1996 que fixa as diretrizes e bases da educação nacional referente ao ensino da arte Disponível em httpwwwplanaltogovbrccivil03ato201520182016leil13278htm Acesso em 20 out 2017 BRASIL Lei nº 13278 de 2 de maio de 2016 Altera o 6º do art 26 da Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 que fixa as diretrizes e bases da educação nacional referente ao ensino da arte Diário Oficial da União Seção 1 352016 Página 1 Disponível em httpwww2camara legbrleginfedlei2016lei132782maio2016782978publicacaooriginal150222plhtml Acesso em 10 out 2017 BRASIL Lei nº 13415 de 16 de fevereiro de 2017 Altera as Leis nºs 9394 de 20 de dezembro de 1996 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional Diário Oficial da União Seção 1 17 fev 2017d Página 1 Disponível em httpwww2camaralegbrleginfedlei2017 lei1341516fevereiro2017784336publicacaooriginal152003plhtml Acesso em 10 out 2017 BRASIL Lei nº 4024 de 20 de dezembro de 1961 Fixa as diretrizes e bases da educação nacional Diário Oficial da União Seção 1 27 dez 1961 Disponível em httpwwwplanalto govbrccivil03leisL4024htm Acesso em 10 out 2017 BRASIL Lei nº 5692 de 11 de agosto de 1971 Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1 e 2º graus e dá outras providências Diário Oficial da União Seção 1 12 ago 1971 Disponível em httpwww2camaralegbrleginfedlei19701979lei569211agosto1971357752publiu cacaooriginal1plhtml Acesso em 10 out 2017 BRASIL Ministério da Educação e Desporto Parâmetros Curriculares Nacionais Ensino Médio Brasília SemtecMEC 1999 BRASIL Ministério da Educação e Desporto Parâmetros Curriculares Nacionais PCN Ensino Médio Disponível em httpportalmecgovbrsebarquivospdflinguagens02pdf Acesso em 16 maio 2019 BRASIL Ministério da Educação e Desporto Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais arte Brasília MECSEF 1998a BRASIL Secretaria de Educação Fundamental Ministério da Educação e do Desporto Parâmetros Curriculares Nacionais Arte Brasília MECSEF 1997 BRASIL Ministério da Educação e do Desporto Secretaria de Educação Fundamental Referencial curricular nacional para a educação infantil Ministério da Educação e do Desporto Secretaria de Educação Fundamental Brasília MECSEF 1998b 3 v BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais arte 2 ed Rio de janeiro DPA Editora 2000 BRASIL Portal do Mec Disponível em httpportalmecgovbrcomponenttagstag39691 Acesso em 16 maio 2019 DA VINCI L Mona Lisa c15031506 Óleo sobre madeira 77cm x 53cm Museu do Louvre Paris França Licenciado sob domínio público via Wikimedia Commons Disponível em httpsbitly1c00kTb Acesso em 23 set 2017 DEWEY J Democracia e educação 3 ed São Paulo Nacional 1959 FREIRE P Pedagogia do Oprimido 43 ed Rio de Janeiro Paz e Terra 2005 FUSARI M F R FERRAZ M H C T Arte na educação escolar São Paulo Cortez 1992 LIBÂNEO J C Democratização da escola pública a pedagogia críticosocial dos conteúdos 21 ed São Paulo Loyola 2006 PEREIRA S G org 185 Anos de Escola de Belas Artes Rio de Janeiro UFRJ 20012002 PILLAR A D org A educação do olhar no ensino das artes Porto Alegre Mediação 2001 PORTELINHA A M S ZOIA E T PASQUALOTTO L C COELHO R T SBARDELOTTO V S A Educação Infantil no contexto das discussões da Base Nacional Comum Curricular Temas Matizes Cascavel v 11 n 20 p 30 43 janjun 2017 QUEIROZ L R S Música na escola aspectos históricos na legislação nacional e perspectivas atuais a partir da Lei n 117692008 Revista da ABEM Londrina v 20 n 29 jul dez 2012 SÃO PAULO Secretaria Municipal de Educação Diretoria de Orientação Técnica Referencial de expectativas para o desenvolvimento da competência leitora e escritora no ciclo II no ensino fundamental São Paulo SMEDOT 2006 VAN GOGH V Doze girassóis numa jarra 1888 Óleo sobre tela 91 x 72 cm Neue Pinakothek Munique Licenciado sob domínio público via Wikimedia Commons Disponível em https bitly2mUg2iv Acesso em 15 maio 2019 ZABALA A ARNAU L Como aprender e ensinar competências Tradução Carlos Henrique Lucas Lima Porto Alegre Artmed 2010 Unidade 2 Tatiane Mota Santos Jardim Luciana Silva Batalha A arte e a educação infantil Convite ao estudo A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei nº 939496 estabelece que a educação infantil é a primeira etapa da educação básica Nesse ambiente as crianças devem ter acesso a conhecimentos da realidade social e cultural que garantam seu desenvolvimento integral As crianças em seu pleno desenvolvimento podem por meio do processo de ensino e apren dizagem de arte e suas linguagens comunicarse e expressarse atribuindo sentido a sensações sentimentos e pensamentos Nesta unidade veremos que o ensino dessa área no contexto da educação infantil também se apresenta como linguagem e envolve aspectos cognitivos sensíveis e culturais Para tal analisaremos a situação de Marcos que se formou em artes visuais e sonhava lecionar para alunos do ensino médio no entanto em seu primeiro emprego deparouse com turmas da educação infantil e do ensino fundamental em um bairro de difícil acesso próximo à periferia da cidade em que morava Na turma da educação infantil os mais novos tinham por volta de dois a três anos de idade Marcos entende que crianças nessa faixa etária estão em constante descoberta e conquistam seus conhecimentos também por meio da sensibilidade dessa forma ele estava confiante em lecionar arte para eles Como o professor pode desenvolver um trabalho que alcance os objetivos propostos para arte na etapa da educação infantil considerando o repertório que os alunos com baixos recursos trazem para o contexto escolar Como professor de arte para a referida faixa etária nessa escola de que forma você articularia essa situação para desenvolver o trabalho com as crianças e avançar no conhecimento em arte Na primeira seção desta unidade estudaremos as artes visuais na educação infantil destacando as garatujas o desenho a pintura a introdução dos elementos da visualidade e a observação de obras de arte Na segunda seção estudaremos o universo teatral com seus jogos improvisações ludicidade e espaço cênico e na terceira seção a musicalização a construção de instrumentos a relação entre música e corpo e a dança como expressão 58 Seção 1 Artes visuais na educação infantil Diálogo aberto Para iniciar um trabalho pedagógico na educação infantil é necessário ter o pleno conhecimento das fases do desenvolvimento da aprendizagem da criança sobretudo quando se trata do desenvolvimento artístico e das fases da evolução do desenho infantil Nesse contexto existe uma correspondência do olhar da criança para a arte que vai se expressar de acordo com a sua maturação Para valorizar tais práticas qual a importância de o professor conhecer as linguagens artísticas e planejar as suas ações de acordo com cada faixa etária e os recursos disponíveis Marcos é um professor de artes visuais que almejava lecionar para alunos do ensino médio no entanto seu primeiro emprego foi junto a turmas da educação infantil e do ensino fundamental em um bairro de difícil acesso próximo à periferia da cidade Logo no seu primeiro contato planejou uma aula de desenho na qual as crianças deveriam explorar o recurso da infor mática para a sua produção porém ele não obteve o resultado esperado já que as crianças não entendiam as suas orientações e os poucos alunos que o entenderam e alcançaram o objetivo da aula muito rapidamente perderam o interesse pela execução do trabalho A atividade poderia ter sido mais produ tiva se o professor conhecesse a realidade em que os alunos estão inseridos pois a maioria não tinha acesso a computadores em suas casas Como você no lugar do professor poderia atuar frente à dificuldade apresentada Que tipo de recurso pedagógico poderia usar para iniciar uma atividade em artes visuais na educação infantil considerando os objetivos propostos para essa etapa Como você atuaria conhecendo a realidade dos alunos com baixos recursos econômicos sociais e culturais Como articular objetivos artísticos sociais e escolares Pondere sobre quais tipos de recursos materiais o professor Marcos poderia ter utilizado inicialmente para produzir garatujas desenhos pinturas e outras práticas verificando o desenvolvimento da expressão e coordenação motora de cada aluno de acordo com a faixa etária Para resolução dessas questões você deverá se reportar aos conteúdos da seção que destacam as artes visuais na educação infantil a produção de garatujas e de desenhos para o desenvolvimento da coordenação motora o modo como a pintura acontece envolvendo o corpo e a percepção os elementos da visualidade e o despertar para a observação de obras de arte 59 Não pode faltar As garatujas e a importância do desenho para o desenvolvimento da coordenação motora Para desenvolver um trabalho de ensino e aprendizagem na linguagem de artes visuais é necessário atentarse quanto às peculiaridades e esquemas de conhecimento da criança de cada faixa etária e grau de desenvolvimento de forma a integrar os diversos níveis de processo cognitivo tais como cognição sensibilidade percepção imaginação e reflexão Nesse processo por meio da motivação interna eou externa a criança traça percursos de criação e construção individuais de aprendizagem a partir da própria experi ência criativa Conforme Fusari e Ferraz 1993 compreender o processo de conhecimento da arte pela criança significa mergulhar em seu mundo expressivo por isso é preciso saber porque e como ela o faz Portanto A criança se exprime naturalmente tanto do ponto de vista verbal como plástico ou corporal e sempre está motivada pelo desejo da descoberta e por suas fantasias Ao acompa nhar o desenvolvimento expressivo da criança percebese que ele resulta das elaborações de sensações sentimentos e percepções vivenciadas intensamente Por isso quando ela desenha dança e canta o faz com vivacidade e muita emoção FUSARI FERRAZ 1993 p 55 Assim desde bem pequenas as crianças vão desenvolvendo um percurso próprio traduzido em signos e símbolos que são decodificados por elas mesmas Esse percurso será enriquecido pela intenção educativa mas a criação artística é um ato exclusivo da criança que acontece ao entrar em contato com objetos de arte e com o prazer do fazer artístico da simbolização da leitura de imagens e do domínio do gesto que naturalmente ocorre em uma ação que vai evoluindo a partir do primeiro contato ao experimentar a linguagem artística Para o desenvolvimento estético e artístico partese do ato simbólico que permite o reconhecimento que os objetos persistem estando presentes ou não Os objetos da vida cotidiana e de arte provocam a imaginação da criança que se relaciona com o ato de brincar e com a própria capacidade imaginativa que desde cedo cria imagens símbolos e histórias para estabelecer relações com o meio Operar no mundo dos símbolos é perceber e interpretar os elementos que se referem a alguma coisa que está fora dos próprios objetos A criança em sua imaginação faz de conta para que um objeto um risco um rabisco se transforme em qualquer coisa Para a criança essa linguagem ou comunicação que exercita o faz de conta 60 acontece junto do seu desenvolvimento afetivo perceptivo e intelectual e resulta do exercício do conhecimento da realidade Nessa mesma linha de raciocínio Pillar 1988 p 16 diz que Em seu trabalho a criança constrói noções a partir das vinculações que estabelece com o que foi percebido nas suas experiências sensoriais e motrizes Esta acumulação de impressões sobre o que a rodeia vai constituirse com base sobre a qual se organizam suas habilidades percep tivas e expressivas De acordo com Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil BRASIL 1998 p 91 Os símbolos reapresentam o mundo a partir das relações que a criança estabelece consigo mesma com as outras pessoas com a imaginação e com a cultura Ao final do primeiro ano de vida a criança é capaz de produzir seus primeiros traços gráficos que ainda não são consi derados representações e se relacionam mais como movimento São traços conhecidos como garatujas não importa que seja com um lápis na folha de papel ou com os dedos sujos na parede com um caco de tijolo no cimento ou com uma varinha na terra as formas que desenham são as mesmas Para Fayga Ostrower 1990 os meios que a criança tem de aquisição para essa produção estarão de acordo com o contexto histórico e sociocul tural em que vive mas as formas produzidas pelas crianças da mesma faixa etária e em circunstâncias normais de saúde e de desenvolvimento biológico são semelhantes em qualquer parte do mundo No início do desenvolvi mento cognitivo da criança o desenho é uma atividade lúdica que expande suas capacidades imaginativas Nessa fase inicial a criança vai percebendo as possibilidades desses traços e essa exploração de natureza motora vai se ampliando para a elaboração de representações As garatujas apresentam traços como se fossem descargas de energia em princípio parecem indecisas e vacilantes mas aos poucos se tornam linhas mais fluidas e rígidas e se apresentam em grande quantidade uma ao lado da outra ou em cima de outras traços retos ou circulares que acontecem como se prolongassem os movimentos rotativos dos braços em torno do corpo A construção de repertórios imagéticos também é uma prática impor tante para as vivências relacionadas ao desenho infantil Em vez faz de conta de conhecer um único tipo de imagem de uma casa por exemplo as crianças podem visualizar vários tipos de casas pequenas grandes de madeira de alvenaria apartamentos entre outros Desse modo a referência que a criança 61 possui de uma casa será mais abrangente influenciando também posterior mente o desenho das crianças O desenho infantil é tão importante quanto o gesto e a fala ele é a primeira escrita da criança Para Emília Ferreiro e Ana Teberosky 1999 p 193 o processo da escrita infantil se define em seis níveis e é no primeiro deles que podemos encontrar a garatuja que inicialmente aparece sem figuração e mais tarde com figuração pois escrever é reproduzir os traços típicos da escrita que a criança identifica como a forma básica da mesma No fazer artístico da criança o desenvolvimento do desenho se apresenta com grande destaque por ser a base para a construção das demais linguagens visuais como pintura modelagem colagem e construção tridimensional Na garatuja o desenho é uma ação sua intenção não visa determinar forma a criança sente prazer ao constatar os efeitos visuais que essa ação produziu e percebe que o gesto produz marcas próprias e uma vez termi nado o desenho ela perde o interesse e parte para uma nova experiência Aos poucos as linhas tornamse mais contidas e transformamse em formas definidas com maior ordenação e podem se referir a objetos naturais imagi nários ou mesmo a outros desenhos Na passagem da garatuja para formas mais estruturadas na evolução do desenho infantil a criança desenvolve a intenção de elaborar imagens no fazer artístico fazendo surgir os primeiros símbolos como imagens de sol animais figuras humanas carros entre outros Isso implica em passagens significativas que se reportam mais a assimilações no desenho do que a objetos que acontecem graças às intera ções da criança com o ato de desenhar e com desenhos de outras pessoas E posteriormente também implica a regularidade nos desenhos presentes no meio ambiente e nos trabalhos aos quais a criança tem acesso incorporando esse conhecimento em suas próprias produções BRASIL 1998 p 92 É relevante destacar como o desenho principalmente na educação infantil é tratado no cotidiano escolar Muitas vezes ele é produzido a partir de modelos prontos e descontextualizados da arte como um complemento para outras atividades tais como um passatempo um reforço para aprendi zagem de outros conteúdos ou como exercícios de coordenação motora e não como uma atividade com uma finalidade em si mesma As artes visuais se apresentam como linguagem que possui aspectos cognitivos sensíveis e culturais Elas podem contribuir significativamente para o desenvolvimento e aperfeiçoamento das qualidades motoras das crianças por meio do manuseio de materiais assim como o conjunto das atividades que exploram as outras linguagens diferentes da artística e que podem aperfeiçoar tais compe tências As atividades rotineiras que são estimuladas pelo brincar pular caminhar dançar pintar e fazer tarefas irão aperfeiçoar gradativamente 62 as qualidades motoras para o alcance de resultados mais elaborados como escrever usar uma tesoura ou um pincel Figura 21 Criança produzindo garatujas Fonte Pixabay Assimile Por volta dos dois anos de idade a criança começa a desenhar Nessa fase o corpo da criança se expressa por inteiro ela rabisca pelo prazer de rabiscar e também descobre que é possível deixar suas próprias marcas A garatuja não é simplesmente uma atividade sensó riomotora descomprometida e ininteligível Atrás desta aparente inutilidade contida no ato de rabiscar estão latentes segredos existenciais confi dências emotivas necessidades de comunicação Existem pesquisas a respeito dos tipos possíveis de garatujas já realizadas por milhares de crianças impri mindo uma qualidade científica e normativa à nossa conduta ao olharmos estes infindáveis traços caóticos no papel DERDYK 2004 p 52 A pintura e o despertar sensorial pintura com o corpo a percepção visual os cheiros dos materiais artísticos as texturas Para o fazer artístico na educação infantil com crianças entre zero e três anos instrumentos materiais e suportes variados e de diferentes tamanhos podem ser ofertados a elas a partir do momento em que tenham condições 63 motoras para seu manuseio podendo ser utilizados individualmente ou em pequenos grupos Para produzir pinturas é necessário que as crianças possam escolher tintas lápis papéis cores pincéis colas coloridas ou outros elementos tanto quanto for possível para construir e desenvolver a própria criatividade assim como alcançar marcas gestos e texturas e explorar o espaço físico usando suportes como panos papéis ou madeiras que permitam a liberdade do gesto solto do movimento amplo e que favoreçam um trabalho de exploração da dimensão espacial tão necessária às crianças dessa faixa etária A descoberta dos materiais para pintura pode ser vivenciada também com o próprio corpo para que haja experiências sensoriais sem se prender aos padrões e tendências sociais prédeterminadas como produzir pinturas utilizando apenas pincéis É importante valorizar a atitude de investigação da criança a fim de que ela amplie seu conhecimento de mundo e respeite o seu próprio tempo para lidar com todas essas sensações pois inicialmente nos primeiros contatos pode acontecer uma certa aversão tátil aos materiais apresentados que poderão ser aceitos à medida em que ela se familiariza com eles com as sensações e com os tipos de texturas O despertar da sensibilidade e da criatividade se faz desde a mais tenra idade em situações em que se ofereça à criança condições para explorar os seus sentidos por meio de experiências estéticas que oportunizam vivências motoras afetivas sensoriais e sociais Para realizar essas atividades é impor tante delimitar um tempo pois o interesse da criança dessa faixa etária é de curta duração e o prazer da atividade advém da ação exploratória Sugerese que se trabalhe de diversas formas uma mesma informação como usar o pincel com crianças que já o manejem além de usálo sobre diferentes super fícies com um papel liso rugado em uma lixa na argila etc ou usar uma tinta mudando as situações como soprada em canudo com esponjas com carimbos etc A seleção de materiais para pintura deve oferecer segurança às crianças evitando materiais tóxicos ou que possam proporcionar algum tipo de alergia A confecção de tintas também é uma oportunidade para que possam realizar descobertas e fazer pesquisas Vários tipos de tintas podem ser produzidos a partir de folhas sementes flores terras de diferentes cores e texturas Também é preciso trabalhar com as crianças para que tenham cuidado com os materiais que usam com o próprio corpo e com o corpo dos outros ao manuseálo Os materiais devem ser organizados de maneira que elas possam facilmente acessálos Isso contribui também com as noções de cuidado e conservação dos materiais de uso individual e coletivo 64 Figura 22 Criança explorando materiais e suportes Fonte Pixabay Exemplificando Pintura a dedo é um exemplo em que se utiliza o corpo como ferra menta Usar o corpo para produzir pinturas proporciona uma situação de aprendizagem que experimenta diferentes sensações e texturas propicia a interação com os pares podendo compartilhar os mesmos espaços ou suportes para pintura Pode ser uma atividade divertida para crianças entre um a três anos e ajuda a melhorar o sentido do tato da criatividade e da coordenação motora Para essa atividade é necessário oferecer à criança a tinta apropriada à sua idade que seja não tóxica Elementos da visualidade As artes visuais compreendem um estudo de modalidades artísticas que envolve entre outros meios o desenho a pintura a gravura a escultura pois todas elas revelamse de formas diferentes quanto aos seus elementos no âmbito visual compostas de expressões e representações Devese considerar o contato que o aluno tem com a visualidade através de outras possibilidades de elementos do mundo contemporâneo Sobre isso Fusari e Ferraz 2001 p 77 afirmam que 65 estamos considerando também outras modalidades de arte como a fotografia as artes gráficas os quadrinhos a eletrografia o texto a dança a publicidade o cinema a televisão o vídeo a holografia a computação pelas suas características de visualidade Para as autoras o homem faz cria e inventa formas que possibilitam o melhor entendimento das manifestações artísticas visuais e consequente mente a compreensão de suas inserções culturais A criança e o seu fazer artístico desde cedo recebem influência da cultura seja pelas imagens que observa na TV em revistas em gibis rótulos estampas obras de arte trabalhos artísticos de outras crianças etc Para começar a organização do pensamento visual é preciso oferecer à criança uma gama de oportunidades para que ela explore procedimentos ligados aos materiais que podem ser caixas papéis papelões pedaços de pano entre outros Além desses também é possível incluir materiais típicos das diferentes regiões brasileiras pelo fácil acesso e por explorar os referenciais regionais e procedimentos que propor cionem o contato da criança com os diferentes tipos de suporte a fim de que ela possa refletir sobre os resultados obtidos Quanto à organização espacial dos elementos da visualidade tais como pontos linhas traços altura e largura do suporte a criança pode produzir desenhos em escala maior ou menor e os suportes também podem conter algum tipo de intervenção como um risco um recorte uma colagem de parte de uma figura etc para que desenhe a partir disso Outro aspecto a ser considerado é a possibilidade de apresentar áreas desses suportes delimi tadas com cores textura luz e sombras Propor desenhos de observação de diferentes cenas da natureza de pessoas e de objetos para perceber os elementos que compõem as diferentes formas e proporções direções ritmos etc e as relações que possam existir entre elas Dessa maneira é possível perceber os elementos visuais na composição artística no cotidiano e na natureza a partir de atividades práticas que lidam diretamente com o pensa mento e a linguagem visual A criação de uma composição artística tridimensional deve apresentar elementos que lhe são peculiares tais como o volume a altura a largura a proporcionalidade o equilíbrio Para colocar esse tipo de composição artística em prática podese promover a elaboração de maquetes ainda que simples como a reprodução de uma casa ou outro local comum na rotina da criança além da modelagem com massinhas argila e a confecção de brinquedos que também envolvam ações como colagem pintura montagem textura entre outras proposições 66 Pesquise mais Cultura visual é um campo de estudo que propõe a leitura de imagem para além dos meios tradicionais em arte pintura escultura e desenho incorporando imagens do cotidiano tais como publicidade objetos de uso do dia a dia moda arquitetura videoclipes e tantas representações visuais que exploram a experiência da realidade dos estudantes Pesquise por exemplos de como observar objetos do cotidiano descre vêlos detalhadamente em suas características e funções e poder aprender com eles O despertar para a observação da obra de arte Com relação às leituras das imagens para crianças entre zero a três anos é aconselhável escolher materiais que estabeleçam relações com o seu universo oferecendo a maior diversidade possível e que por meio da apreciação possam trazer significado para as crianças As imagens podem conter pessoas animais objetos específicos das culturas regionais cenas familiares cotidianas da natureza etc O importante é que ao apresentar tais imagens o professor atue como um provocador de sua leitura acolhendo e socializando as falas das crianças e deixandoas livres para elaborar seus comentários Podem ser apresentadas obras abstratas ou clássicas dos grandes mestres da história da arte mas também é necessário instigar o olhar das crianças pequenas para também apreciarem as obras mais recentes pois a arte contemporânea não deve ser descuidada dentro desse processo Segundo Nardin e Ferraro apud FERREIRA 2001 p 184 Se continuar a ser negligenciada pela escola a arte contem porânea permanecerá acessível a apenas um numero restrito de pessoas um grupo privilegiado que se sobrepõe à grande massa de espectadores impossibilitada de compreender essa tendência artística Reflita É importante que o professor adeque o seu trabalho para o desenvol vimento das expressões e percepções infantis por meio de experiên cias de conhecimento artístico e estético e isso acontece quando elas são orientadas para observar ouvir tocar enfim perceber as coisas a natureza e os objetos a sua volta Sentir perceber fantasiar imaginar representar fazem parte do universo infantil e acompanham o ser humano por toda vida FUSARI FERRAZ 1993 p 56 Se boa parte 67 dos docentes trabalha com desenhos estereotipados ou com modelos prontos na educação infantil como poderão desenvolver uma atividade em artes visuais de forma mais consciente Com as crianças entre quatro e seis anos podese criar um espaço para a construção de uma observação mais apurada com a elaboração de perguntas em relação às obras que instiguem a observação e o interesse pelo o que está sendo observado Aqui o professor pode interferir nas observações insti gando os seus olhares para novas descobertas e compreensão da imagem podendo aprofundar as informações conforme o interesse da turma É um momento importante para descobrir quais temas são mais significativos por isso é importante que o professor escolha o contexto para trabalhar com a obra permitindo até mesmo que o trabalho possa acontecer também inter disciplinarmente pois esse é um aspecto muito importante nas relações de ensino e aprendizagem É interessante também contextualizar a obra e falar sobre a vida do autor Se for possível possibilitar o contato com artistas visitar exposições em galerias museus entre outros para que as crianças desenvolvam relações entre as obras e suas vivências para ampliar seu conhecimento Essas relações também podem incluir a leitura das imagens produzidas pelas próprias crianças permitindo que falem sobre suas criações e a dos colegas permitindo fortalecer o reconhecimento da singularidade de cada indivíduo na criação mostrando que não existe um jeito certo ou errado de se produzir um trabalho de arte A Base Nacional Comum Curricular apresenta a criança como protago nista em contextos nos quais ela faz parte As orientações voltadas ao trabalho a ser desenvolvido no campo das artes visuais presentes no documento estão relacionadas com os campos de experiência O campo Traços sons cores e formas referese ao trabalho com diferentes manifestações artísticas cultu rais e científicas incluindo as vivências de pintura desenho modelagem colagem fotografia entre outras práticas O campo estimula as produções individuais e coletivas e o desenvolvimento do senso estético e crítico a partir do conhecimento de si mesmas e da realidade que as cerca As artes visuais também estão relacionadas ao campo Espaço tempo quantidades relações e transformações Buscase a construção de noções espaciais longe perto frente traz noções do tempo físico dia tarde ou noite cronológico ontem hoje amanhã medida muito ou pouco e procedimentos de contagem Apreciações de leituras de imagem podem ser feitas de perto de longe de dia de noite em dias variados entre outras propostas que estabelecem essas relações frequentemente 68 Vale lembrar que os Campos de Experiência e os objetivos de aprendi zagem apresentados na unidade 1 não têm caráter de currículo mas servem para auxiliar o professor a planejar atividades com maior clareza A BNCC estabelece ainda seis campos de aprendizagem conviver brincar participar explorar expressar e conhecerse As artes visuais contri buem com o respeito em relação à cultura e às diferenças existentes Brincar com produções artísticas amplia o acesso à produção cultural das crianças e favorece experiências sensoriais e expressivas É importante que as crianças também participem da escolha de diferentes atividades e materiais para que tenham a oportunidade de explorar texturas cores emoções e elementos da natureza Por meio da arte a criança tem condições de explorar materiais variados passando posteriormente a expressarse por meio deles Ao realizar experiências distintas relacionadas às artes visuais as crianças passam a se perceber enquanto sujeitos e começam a reconhecer suas preferências Cabe ao professor articular os conteúdos das artes visuais com os objetivos de aprendizagem presentes no documento As progressões ocorridas durante determinados períodos podem ser observadas e registradas por meio de relatórios fotografias portfólios textos entre outros registros que o professor julgar como adequados à cada realidade Sem medo de errar No desenvolvimento do trabalho pedagógico na educação infantil é necessário que o docente saiba como se processa a aprendizagem de acordo com a faixa etária e o nível de desenvolvimento Com ajuda de atividades bem elaboradas e dinâmicas é possível receber respostas imediatas das crianças Nessa fase do desenvolvimento aos dois anos de idade você deve consi derar a forma como os desenhos se apresentam e a maneira como podem ser estimulados por meio de materiais e suportes desde que tenham condi ções motoras para o seu manuseio Aos três anos os desenhos se apresentam de forma mais expressiva e também devem ter um estímulo adequado Esse planejamento deve estar de acordo com os meios que a criança pode ter ao seu alcance independentemente da sua faixa etária e deve se relacionar com o seu cotidiano e com o contexto sociocultural Nesse sentido é impor tante considerar os recursos disponíveis para o melhor uso dos alunos Nem sempre materiais caros e sofisticados são imprescindíveis para o desenvol vimento do trabalho Muitos recursos são acessíveis ou conseguidos a baixo custo e possibilitam a elaboração de atividades criativas que contemplem os objetivos previstos para o trabalho com arte na educação infantil de forma lúdica e interativa 69 Avançando na prática Mediação na apreciação de imagens Paula é professora de arte e percebeu que seus alunos apresentam certa dificuldade para realizar apreciações de obras artísticas por isso ela diminuiu a frequência desse tipo de atividade em sua prática pedagógica Depois de refletir sobre a importância desse trabalho para a experiência estética dos alunos a professora resolveu realizar esse tipo de atividade com mais frequ ência Que estratégias podem ser utilizadas pela professora para que os alunos tenham um interesse maior por esse tipo de atividade e consigam prestar atenção em detalhes que antes passavam despercebidos Resolução da situaçãoproblema Para instigar a curiosidade dos alunos perante as apreciações realizadas o professor pode realizar perguntas que ajudem os alunos a prestar atenção em detalhes que podem passar despercebidos Ao analisar por exemplo a obra A Família de Tarsila do Amaral o professor pode realizar as seguintes perguntas Que cores você conseguiu identificar nesse quadro Quantas pessoas são retratadas no quadro Quantos adultos aparecem na obra Quantas crianças são retratadas no quadro Você acha que as pessoas retratadas estavam felizes ou tristes Quando você olha para o quadro você sente alguma coisa Perguntas como essas ajudam os alunos a prestar mais atenção nas obras e a refletir sobre diferentes possibilidades de interpretação Conforme os alunos forem respondendo as perguntas o professor pode refletir com os eles sobre as inúmeras impressões diante de determinada obra 70 Faça valer a pena 1 Entre zero e dois anos de idade a criança é capaz de produzir seus primeiros traços gráficos que são considerados muito mais como movimentos do que como representação Não importa se eles são feitos com lápis na folha de papel com os dedos sujos na parede ou com um pedaço de pau na terra Nesse contexto os rabiscos que a criança produz nessa fase são chamados de a Rabiscos hesitantes b Linhas curvas c Linhas contidas d Garatuja e Competência motora inicial 2 As discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular não são recentes remontam à década de 1980 quando os educadores brasileiros retomaram o debate sobre a quali dade da educação publica e sinalizaram a necessidade de se instituir um sistema nacional de educação capaz de propor cionar acesso e permanência das crianças e dos jovens na Educação Básica e no Ensino Superior Para tanto seria necessário garantir um conjunto de medidas que a médio e longo prazo fossem consolidadas PORTELINHA et al 2017 p 31 Leia as afirmações relacionadas às orientações presentes na Base Nacional Comum Curricular e assinale a alternativa correta I A BNCC apresenta a descrição de todas as atividades que devem ser reali zadas na educação infantil para facilitar o trabalho dos professores II A BNCC apresenta a criança como protagonista em contextos nos quais ela faz parte III A BNCC estabelece ainda seis campos de aprendizagem conviver brincar participar explorar expressar e conhecerse As artes visuais podem ser articuladas com esses campos de aprendizagem 71 Está correto o que se afirma em a Somente na afirmativa II b Somente na afirmativa III c I e II apenas d I e III apenas e II e III apenas 3 As crianças na educação infantil ao entrar em contato com as artes visuais devem ser orientadas para observar ouvir tocar perceber as coisas a natureza os objetos à sua volta assim como perceber sentir fantasiar e imaginar Leia as afirmações relacionadas à temática em questão escreva V para as questões verdadeiras e F para as falsas e assinale a alternativa correta Essa orientação pode acontecer quando o professor em sua prática deve atuar como um provocador da leitura de imagem acolhendo e isolando as falas das crianças e deixandoas livres para elaborar comentários deve possibilitar o contato com imagens de obras de arte contextualizandoas estabelecendo contato com artistas e proporcionando visitas a exposições de arte deve atentarse quanto às peculiaridades e esquemas de conhecimento da criança de cada faixa etária e nível de desenvolvimento mergulhando no seu mundo expressivo deve oferecer sempre os mesmos materiais e suportes para que assim os alunos não estranhem novos materiais e fiquem à vontade para criar A alternativa que apresenta a sequência correta é a F F V F b F V V V c V F V F d V V V F e F V V F 72 Seção 2 Teatro na educação infantil Diálogo aberto O teatro é uma linguagem da arte que estimula e desenvolve diversas capacidades nos alunos como a expressão a imaginação a criação a obser vação a percepção entre outras Abordaremos nesta seção as improvisações o jogo teatral o espaço cênico os figurinos a música para construção teatral e o teatro como ludicidade O teatro no processo de formação da criança tem função integradora mediante trocas com seus pares e além disso a prática teatral como mediação pedagógica estimula a criança ao aprendizado Sobre a sua importância no ensino Olga Reverbel 1997 p 25 destaca O ensino do teatro é fundamental pois através dos jogos de imitação e criação a criança é estimulada a desco brir gradualmente a si própria ao outro e ao mundo que a rodeia E ao longo do caminho das descobertas vai se desenvolvendo concomitantemente a aprendizagem da arte e das demais disciplinas As vivências que se relacionam à prática do teatro são importantes instru mentos pedagógicos para a aprendizagem da criança na escola e contribuem para o seu desenvolvimento intelectual Já observamos a situaçãoproblema em que um professor novato na educação infantil planejou uma atividade de desenho na qual as crianças deveriam explorar o recurso da informática para a sua produção mas os alunos acabaram não correspondendo a essa atividade Agora o professor Marcos decide explorar a linguagem teatral com os alunos da educação infantil e não pretende cometer os mesmos erros de quando decidiu usar o computador como recurso pedagógico sem ao menos ter realizado uma conversa inicial com a turma e um planejamento a partir disso Conhecendo melhor a classe e as suas necessidades de apren dizagem Marcos decide improvisar uma história na qual os personagens são os próprios alunos em situações do dia a dia observadas por ele dentro da escola utilizandose de gestos exagerados e expressões faciais Nessa situação o professor desejava que os alunos imitassem seus personagens e que interagissem com os colegas gerando uma grande brincadeira dramá tica porém os alunos estavam apresentando dificuldades em interagir com seus pares e se mostraram resistentes à atividade Muitos deles se sentiram envergonhados e não quiseram participar da proposta Como professor da 73 sala de que forma planejaria o trabalho com a linguagem teatral para que os alunos participassem da atividade proposta Não pode faltar As improvisações como meio de expressão da realidade da criança O teatro na educação infantil pode oferecer à criança diversas possibili dades de aprendizagem por meio da sua prática Ademais essa prática envolve experimentações em um conjunto de outras linguagens as quais fazem parte do seu contexto como a oral a corporal e a escrita Isso enriquece o processo de aprendizagem por meio do brincar para compreender conflitos e os papéis sociais a realidade humana e também a construção de hipóteses e soluções de problemas Improvisar é jogar é estabelecer relações de coope ração é compor uma cena sem ensaios ou combinações prévias o que faz da improvisação uma ação que se forma a partir dos elementos presentes e que se transforma a cada momento Os interesses individuais se transformam pela necessidade da cena e do coletivo envolvido permitindo à criança brincar construindo um jogo em que todos são autores da cena Nesse contexto o importante é coordenar o momento da cena com as crianças com o espaço e com o tempo Para tal é necessário estabelecer regras vincu lando a fantasia do faz de conta que está ligada à imaginação à criatividade à espontaneidade e ao mundo que as cerca Na escola esse tipo de atividade funciona como estímulo à criança para conhecer e explorar mais o mundo se socializar aprender a compartilhar brinquedos e brincadeiras conviver com a diversidade o que favorece a construção da sua aprendizagem possibili tando e construindo o jogo cênico de forma criativa e envolvente Nesse sentido a vivência teatral estará contribuindo para a formação da criança no seu crescimento pessoal ao ampliar formas de convívio entre o indivíduo e o coletivo no respeito às diferenças entre outras situações e na formação de cidadãos mais participantes e responsáveis pelo outro A improvisação envolve elementos que são coordenados de acordo com a necessidade do momento articulando corpo voz ação concentração espaço e tempo para jogar um jogo teatral ou solucionar algum problema a partir de um tema escolhido previamente Nesse contexto é relevante citar Olga Reverbel 1917 2008 pedagoga atriz teórica e autora precursora do movimento Teatro e Educação no Brasil que realizou diversos estudos e desenvolveu práticas para o ensino de teatro para escolas com atividades e técnicas claras e objetivas as quais auxiliam o docente a desenvolver um trabalho explorando essa linguagem estabelecendo objetivos pedagógicos que promovem o desenvolvimento da 74 capacidade expressiva dos alunos Para a autora o teatro na escola não deve ser realizado no formato de espetáculo em que há ensaio e apresentação para o público O desempenho que se espera de um aluno em uma atividade como essa não é o mesmo que se espera de um ator profissional mas de uma ativi dade didática que desempenha função lúdica e desenvolve capacidades de expressão na criança Além disso ela considera a prática da improvisação um excelente estímulo para o desenvolvimento da espontaneidade da criança e do adolescente REVERBEL 1996 Segundo Reverbel 1996 existem dois tipos de improvisação a espontânea e a planejada Na espontânea os alunos são orientados apenas por um ponto de partida como um fato situação ou ação proposta já a planejada envolve dois momentos distintos no primeiro os alunos criam uma cena a partir de um tema ou situação e no segundo os alunos elaboram um roteiro a ser seguido no decorrer da atividade A improvisação surge como base para a criança criar a sua própria forma movimento ou palavra para ter condições de julgamento e de apreciação que resultará no jogo teatral Os jogos de improvisação não visam à repro dução da realidade mas à possibilidade de analisála a partir de um discurso mantido por meio de uma linguagem artística que se afasta do naturalismo Em sua obra Olga propõe um conjunto de atividades por meio de jogos dramáticos de improvisação ou jogos teatrais agrupados em cinco catego rias de relacionamento grupal de espontaneidade de imaginação de obser vação e de percepção Exemplificando Improvisar é compor uma cena por meio de um jogo criativo em que é possível coordenar a ação o espaço o tempo e os participantes do jogo Alguém pode criar uma ação e os participantes do jogo interferem nessa ação por meio de alguma proposta que complementa o que foi mostrado Os participantes do jogo decidem quando e como interagir O jogo teatral O ensino a aprendizagem e a prática do teatro são iniciados a partir dos jogos dramáticos e dos jogos teatrais O jogo dramático faz de conta antecede o jogo teatral Nos jogos teatrais o grupo de sujeitos que joga pode se dividir em times que se alternam nas funções de atores e de público isto é os sujeitos jogam para outros que os observam e observam outros que jogam A passagem do jogo dramático para o jogo teatral pode ser explicada como 75 Uma transição muito gradativa que envolve o problema de tornar manifesto o gesto espontâneo e depois levar a criança à decodificação do seu significado até que ela o utilize conscientemente para estabelecer o processo de comunicação com a plateia KOUDELA1992 p 45 O planejamento dessa vivência deve estar de acordo com os processos de desenvolvimento cognitivo e da linguagem dramática da criança Nesse contexto é importante citar Viola Spolin 1906 1994 respeitável educa dora de Chicago que desenvolveu pesquisas sobre atuação entre as décadas de 1960 e 1970 além disso ela promoveu a ideia de o teatro poder acontecer fora do palco e construiu uma pedagogia baseada na prática e vivência em jogos teatrais Ela também defende o desenvolvimento de atividades funda mentadas na espontaneidade e na ludicidade O brincar é uma forma de propiciar a interação social e desenvolver habilidades necessárias ao jogo teatral que devem sempre ocorrer dentro das regras estipuladas pelo grupo por isso a relação entre brincadeira e criação artística em uma proposta teatral sugere o jogo como ponto de partida dessa vivência pois por meio dele é possível superar desafios dar asas à imaginação e se entregar ao novo O jogo é uma forma natural de grupo que propicia o envolvi mento e a liberdade pessoal necessários para a experiência Os jogos desenvolvem as técnicas e habilidades pessoais necessárias para o jogo em si através do próprio ato de jogar As habilidades são desenvolvidas no próprio momento em que a pessoa está jogando divertindose ao máximo e recebendo toda a estimulação que o jogo tem para oferecer é este o exato momento em que ela está verdadeiramente aberta para recebêlas SPOLIN 1992 p 4 O método Spolin propõe que o jogo teatral vise à solução de um problema proposto aliando estrutura foco dramático estabelecendo limites e regras em acordo feito pelo próprio grupo bem como pretende desenvolver a autonomia e atitude de colaboração entre os jogadores Sua dinâmica propicia desfechos diferentes e surpreendentes conforme o grupo e também traz estímulos corpo rais e intelectuais a quem joga Além disso reafirma o caráter social que os jogos podem ter passando a ser não apenas um método para atores mas um facilitador para a integração social e para o desenvolvimento do trabalho em grupo A respeito disso Spolin 2008 p 30 afirma que 76 A maioria dos jogos é altamente social e propõe um problema que deve ser solucionado um ponto objetivo com o qual cada indivíduo se envolve e interage na busca de atingilo Muitas habilidades aprendidas por meio do jogo são sociais O seu método é direcionado tanto para a formação de atores diretores teatrais e arteeducadores quanto para crianças e adolescentes muito abordado em escolas que trabalham com a linguagem teatral no conteúdo de arte Outro nome que merece destaque nesse estudo sobre jogo teatral é o de Olga Reverbel 1917 2008 já citada nesta seção Olga desenvolveu a Pedagogia de Expressão um método que orienta a prática teatral para profissionais do teatro e da educação e que pretende estimular no aluno a capacidade de expressar suas ideias pensamentos anseios e desejos A autora atribui grande importância à prática teatral para a formação da personalidade e da cultura de crianças e adolescentes ao apresentar uma série de observa ções técnicas atividades de expressão e dramaturgia destinadas à educação infantil e às demais etapas da educação básica que são possíveis de serem utilizadas em sala de aula A autora propõe atividades para desenvolver a autoexpressão do aluno para que ele de fato atue no mundo opinando criti cando e sugerindo Os objetivos da metodologia proposta por Reverbel se voltam mais à formação da personalidade da criança e do adolescente considerando sua atuação no meio social do que à formação de artistas Em seu fundamento teóricoprático Atividades globais de expressão Reverbel descreve o percurso do desenvolvimento de comunicação e expressão da criança com o mundo logo nos primeiros meses de vida ao imitar criar e recriar passando para a descoberta da relação entre o seu mundo interior e exterior nascendo assim a expressão Em seguida a criança passa para a construção da linguagem até chegar no estágio da palavra o que propor ciona as trocas entre o seu mundo interno e o externo favorecendo o desen volvimento cognitivo psicomotor e afetivo resultando na aprendizagem Olga ainda relaciona o brincar livremente com o jogar e esse jogo pode ser musical plástico ou dramático e orientado ou acontecer espontaneamente e é do jogo dramático que surgem os jogos educativos Para a autora o jogo é o meio natural da aprendizagem para a criança Através do jogo a criança dinamiza as capacidades que decorrem de sua estrutura particular e realiza os potenciais virtuais que afloram sucessivamente à superfície de seu ser 77 Ela os assimila e os desenvolve uneos e complicaos em suma coordena seu ser e lhe dá vigor REVERBEL 1997 p 35 Os jogos de imitação e criação estão presentes no início do desenvolvi mento da expressão na criança e em todo ensino da arte Sendo assim Olga destaca a relevância da atividade teatral para a aprendizagem da criança sobre si mesma sobre o outro e sobre o mundo que a cerca O jogo dramá tico se relaciona ao prazer e deve cessar quando o prazer deixar de existir é diferente do jogo espontâneo por ser menos livre e possuir regras a serem seguidas por exemplo o papel do participante deve ser mantido até o final do jogo e ele deve jogar apresentar para os outros Reverbel 1996 propõe em sua metodologia que as atividades devem se dar no coletivo em sala de aula e com orientação do professor A ação dramática acontece a partir dos jogos e pode ser combinada com elementos da música da dança das artes plásticas da mímica da literatura da história da geografia assim como com os temas religiosos políticos e sociais Tudo isso visa fornecer informações estimular as habilidades artísticas e o espírito crítico para que a criança possa assimilar e avaliar os elementos apreendidos no processo educativo Ainda conforme a referida autora as atividades devem ser compostas por quatro etapas estímulo sensibilização objetivo e roteiro A etapa do estímulo é a forma de despertar o interesse do aluno pelo trabalho através de jornais e revistas visita a exposições audição de concertos participação em festas populares e campanhas comunitárias e acompanhamento de debates em assembleias de diferentes classes sociais SILVA 2016 p 3462 A etapa da sensibilização é o momento em que acontecem os debates sobre o tema escolhido a criação de cenas de repro dução ou imitação do que foi observado pelas crianças e da interpretação de situações e de personagens para explicar o como e o porquê dos fatos no tema SILVA 2016 p 3462 A etapa objetivo consiste no próprio objetivo que se deseja alcançar com a atividade e a etapa roteiro consiste em uma forma de elaborar o desenvolvimento da cena com personagens ação espaço cênico local tempo e duração SILVA 2016 Essas atividades podem iniciar com um momento de brincar esponta neamente Após um tempo entre dois e seis meses desenvolvese o trabalho com a expressão por meio de atividades que exercitem as técnicas corporais vocais musicais coreográficas mímica e finalmente técnicas dramáticas praticadas por meio dos jogos dramáticos de improvisação que estimulam o desenvolvimento da espontaneidade na criança e no adolescente 78 Figura 23 O teatro e as crianças Fonte iStock O espaço cênico as roupas a música para a construção teatral Ao explorar o teatro na escola devese considerar que alguns elementos fazem parte do processo devem ser organizados e são muito importantes para o enriquecimento da experimentação da linguagem teatral tais como o espaço cênico as roupas e a música para a construção teatral É neces sário que a escola ofereça um ambiente educativo diferente da sala de aula adaptado para a realização dessa atividade que proporcione maior liberdade e flexibilidade à criança para explorar o seu potencial criativo e ainda dispo nibilize materiais adequados para a elaboração das improvisações e dos jogos teatrais A respeito disso Olga Reverbel 1996 p 25 destaca O professor deve adaptar as atividades e ordem de aplicação de cada conjunto às condições de espaço de material colocado à disposição das crianças e principalmente partir da sua própria percepção dos tipos de personalidade das crianças com quem trabalha O educador deverá adaptar o ensino a cada momento a cada criança e a cada grupo O espaço cênico na educação infantil é o espaço para criação de perso nagens e de histórias é onde o jogo acontece diferente do teatro visto com espetáculo em que esse espaço tem o objetivo de apresentar uma peça teatral Ele deve ser o local no qual os alunos saibam resolver as situações propostas por meio das improvisações e dos jogos teatrais Tudo que a criança faz e aprende na educação infantil acontece em um espaço Há o espaço para 79 brincar para dormir para compartilhar entre outras atividades Estabelecer um espaço para a prática teatral significa estabelecer um local propício para vivência da experiência nessa linguagem As roupas e os adereços carregam uma carga de simbologia e também podem ser selecionados e disponibili zados para livre acesso no local em que a atividade teatral será realizada O uso das roupas auxilia no processo de criação composição e nas caracterís ticas das personagens que as crianças irão inventar durante as atividades de improvisações e nos jogos teatrais Outro elemento importante é a presença da música para a elaboração da atividade que ajuda a enfatizar as emoções e sensações das personagens e suas relações na composição das cenas e também influencia o tempo e o espaço Figura 24 Teatro e seus elementos o figurino Fonte iStock Figura 25 A música e a criança cantando em grupo Fonte iStock 80 Reflita Quando a escola não apresenta um espaço físico para o desenvolvimento teatral como proceder Você considera relevante que a escola estabe leça parcerias com outros locais que ofereça um espaço adequado para o desenvolvimento dessa prática Ou deve aproveitar o espaço que possui como a sala de aula com carteiras cadeiras entre outros objetos Então como esse espaço poderia ser organizado Você consi dera que o espaço inadequado para o desenvolvimento dessa prática pode interferir no processo de ensino e aprendizagem em teatro Teatro como ludicidade Para Souza 2015 sp a brincadeira para a criança é um meio de comunicação e de prazer que ela exerce a partir de sua própria iniciativa Ao brincar a criança não está preocupada com os resultados de suas ações mas é fundamental que o professor estimule e oriente essas ações ao observála mediando o seu brincar A intervenção do professor é funda mental para beneficiar uma elaboração mais complexa dos conteúdos que aparecem no seu brincar SOUZA 2015 sp No brincar a criança explora materiais ideias linguagem fantasia e as relações sociais Por meio dessa exploração a criança poderá construir e desenvolver novos conhecimentos para a sua formação pessoal e social SOUZA 2015 sp O teatro enquanto prática pedagógica é fundamental para o completo desenvolvimento da criança já que trabalha simultaneamente a corporei dade articulada à comunicação e à emoção além do desenvolvimento do raciocínio SOUZA 2015 Explorar essa linguagem proporciona experiências novas e dá suporte para a sua trajetória social É um recurso que proporciona prazer para a criança quando está brincado bem como ensina e educa quando a instiga por meio da sua prática no desenvolvimento de certas habilidades em sala de aula SOUZA 2015 O teatro como ludicidade na educação infantil é uma das atividades de expressão em que o jogo simbólico aflora na expressividade e na criatividade da criança As diversas formas de improvisação teatral na educação infantil como meio de expressão podem ser estimuladas pelos docentes por meio da prática espontânea das brincadeiras de faz de conta que inicialmente podem apresentar poucas regras e privilegiam a criatividade SOUZA 2015 81 Assimile Nos jogos de faz de conta ou jogos simbólicos como são chamados por Piaget 2009 em sua teoria do desenvolvimento a criança joga dramaticamente Inicialmente ela aprende a imitar recriando contextos do cotidiano improvisando pequenas cenas por meio de brincadeiras com objetos com outras crianças ou representando histórias que ouviu Nos jogos de imitação percebemos o esforço da criança em reproduzir gestos objetos em movimento sons de animais entre outros É o resul tado da sua capacidade de observar e aprender com os outros identifi carse com eles e de diferenciar Para Piaget 2009 p 141 Os jogos de imaginação tendo como subclasses as metamorfoses de objetos as vivificações de brinquedos as criações de brinquedos e também de brinquedos imaginários as transformações de perso nagens e a representação em ato de estórias e contos Brincar é o principal meio de expressão da infância Naturalmente a criança brinca de ser outra pessoa em certos papéis sociais em personagens de filmes ou de histórias em livros Inventa situações manipula objetos imita colegas reproduz com adaptações gestos corporais e vocais o que exige muito da sua observação Pequenos adereços podem transformálas em diversos personagens interpretar diferentes papéis e comunicar ideias Esses recursos ajudam a perceber e explorar o mundo e interagir com ele No momento em que a criança brinca sozinha ou quando está interagindo com o outro e improvisa gestos palavras e movimentos percebemos que ela está representando apesar de não ter um público Por meio da representação da improvisação e do brincar a criança vai se aproximando cada vez mais da realidade e das possibilidades de modificála organiza seu pensamento sem perder a sua espontaneidade lúdica e criativa Quando as situações ludicas são intencionalmente criadas pelo adulto com vistas a estimular certos tipos de aprendi zagem surge a dimensão educativa Desde que mantidas as condições para a expressão do jogo ou seja a ação inten cional da criança para brincar o educador está potencia lizando as situações de aprendizagem KISHIMOTO 1996 p 36 82 A utilização dessa linguagem na sala de aula não pode ficar na mera brincadeira ela deve ser sistematizada pois o objetivo da atividade é explorar a linguagem teatral Na BNCC o teatro pode relacionarse ao campo O eu o outro e o nós devido às interações realizadas e à descoberta de diferentes modos de vida personalidade pontos de vista entre outros O teatro está vinculado também ao campo Corpo gestos e movimento por meio das experimenta ções corporais variadas e das explorações do universo social e cultural Essa prática também se relaciona com o campo Traços sons cores e formas devido à expressão por meio de gestos mímicas encenação e a manipulação de diversos materiais e recursos tecnológicos É possível vincular ainda a prática teatral ao campo Escuta fala pensamento e imaginação devido ao desenvolvimento da interação e comunicação Além disso o teatro também pode ter relação com o campo Espaços tempos quantidades relações e transformação quando abordar conceitos vinculados ao tempo e ao espaço em diferentes encenações teatrais As relações existentes vinculadas aos seis campos de aprendizagem conviver brincar participar explorar expressar e conhecerse também possuem forte relação com a linguagem teatral já que favorecem a interação o jogo a exploração a expressão a experimentação e o autoconhecimento Sem medo de errar O teatro na educação infantil é um importante recurso pedagógico que traz inúmeras contribuições para a formação e o desenvolvimento da criança Por isso é relevante conhecer os modos de explorar essa linguagem para desenvolver um trabalho que proporcione uma aprendizagem significa tiva para o aluno Na situaçãoproblema apresentada vimos que o professor planejou uma atividade de desenho no computador para alunos entre dois e três anos de idade que não apresentou resultados positivos para a apren dizagem deles Depois conhecendo um pouco melhor a turma o professor decidiu explorar a linguagem teatral para improvisar histórias nas quais os personagens são os próprios alunos em situações do dia a dia A partir disso o professor desejava que os alunos imitassem seus personagens interagindo com os colegas gerando uma grande brincadeira dramática no entanto os alunos não reagiram à proposta conforme o planejado pelo professor Para desenvolver esse trabalho ele deve disponibilizar recursos materiais diversos que fazem parte do processo e enriquecer a vivência da criança além de lembrar que a improvisação é um jogo que se forma a partir dos elementos presentes e se transforma a cada momento Na educação infantil 83 essa ação deve estar de acordo com o desenvolvimento cognitivo da criança e ser instigada por meio do lúdico privilegiando a criatividade bem como deve seguir regras estipuladas pelo grupo com participação de todos combi nada com o espaço apropriado para o desenvolvimento da atividade com o uso de roupas e música Na avaliação dessa atividade o professor precisa considerar a participação de todos a forma como cada um ocupou o espaço como interagiu com o grupo os gestos a fala e sempre incentivar a partici pação de todos e mediar as ações Avançando na prática Sentimentos e expressões faciais Você começou a lecionar para crianças entre 3 e 4 anos de idade e observou que algumas delas possuem dificuldade para interagir com outras crianças e se mostram indiferentes ao apreciar diferentes expressões artís ticas Como você pode ajudar no desenvolvimento da expressão e sensibili dade dessas crianças Resolução da situaçãoproblema Esperase que as crianças tenham curiosidade perante o mundo e o seu redor Brincar com outras crianças é uma prática que costuma ser muito atrativa para as crianças Ao apreciar apresentações imagens contidas em livros ouvir músicas assistirem peças teatrais é comum que as crianças se interessem interagindo umas com as outras dando risada demonstrando curiosidade fazendo perguntas entre outras ações Quando as crianças não se mostram interessadas por essas atividades ou quando apresentam dificul dade de interação e expressão podese iniciar um trabalho de apresentação dos sentimentos e das expressões faciais Você pode pedir para as crianças reconhecerem que tipo de expressão você irá realizar Você pode iniciar por exemplo com uma expressão triste e perguntar para as crianças o que elas acharam da expressão A ideia é que as crianças descubram que você está fazendo cara de triste A seguir faça o contrário dê um sorrido e pergunte para as crianças o que elas acham que você está sentindo Depois que as crianças identificarem a expressão de felicidade você pode pedir para uma criança para se levantar e se expressar utilizando o seu rosto As outras crianças terão que descobrir se ela fez uma cara de feliz ou cara de triste e assim pouco a pouco outras expressões podem ser acrescentadas Por fim você pode contar para os alunos que quando assistimos alguma apresentação 84 artística costumamos nos emocionar isto é ficamos felizes tristes curiosos inquietos ou outros sentimentos que julgar adequados Coloque uma música e pergunte para as crianças o que elas sentiram Essas atividades contribuem com a descoberta perante os sentimentos e ajudam as crianças a identifi carem diferentes expressões faciais Faça valer a pena 1 O brincar é uma forma de propiciar a interação social e desenvolver habilidades necessárias ao jogo teatral que deve sempre ocorrer dentro das regras estipuladas pelo grupo por isso a relação entre brincadeira e criação artística em uma proposta teatral sugere o jogo como ponto de partida dessa vivência Por meio do jogo teatral é possível propor a inserção de a Improvisação livre de regras que permite maior inventividade por parte do aluno b Regras e o pressuposto de um conjunto de princípios pedagógicos c Texto para ser decorado ensaiado e apresentado d Narração de histórias no jogo e Crítica escrita após o jogo 2 Os estudos na linha do teatroeducação exigem familiaridade com o vocabulário e saberes de dois extensos e complexos campos do conhecimento humano o teatro e a educação que foram sistematizados para uma proposta de ensino em espaços formais e não formais de educação Nesse contexto associe as linhas do teatroeducação apresentadas a seguir com as relações descritas I Jogo teatral II Teatro como ludicidade III Espaço cênico IV Improvisação teatral 85 Estabelece relações de cooperação compõe uma cena sem ensaios ou combina ções prévias de ações o que faz dela uma ação que se forma a partir dos elementos presentes e que se transforma a cada momento O grupo pode se dividir em times que se alternam nas funções de atores e de público isto é os sujeitos jogam para outros que os observam e observam outros que jogam É o espaço para criação de personagens e de histórias é onde o jogo acontece É uma das atividades de expressão em que o jogo simbólico o faz de conta aflora na expressividade e na criatividade da criança Assinale a alternativa correta a I II III IV b I IV II III c IV III II I d I IV III II e IV I III II 3 A maioria dos jogos é altamente social e propõe um problema que deve ser solucionado um ponto objetivo com o qual cada indivíduo se envolve e interage na busca de atingilo Muitas habilidades aprendidas por meio do jogo são sociais SPOLIN 2008 p 30 Nesse contexto analise as afirmações a seguir Escreva V para as afirmativas verda deiras e F para as falsas O jogo sociabiliza uma vez que precisase do outro do coletivo para se fazer completo O jogo é um facilitador para a integração psicossocial e para o desenvolvimento do trabalho Pessoa O jogo refuta limites e regras em acordo feito pelo próprio grupo Os jogadores buscam melhores maneiras de resolver a situação no coletivo 86 Em relação às assertivas anteriores assinale a sequência correta a V F F V b V V F V c V F V V d V V V F e F V V F 87 Seção 3 Música e dança na educação infantil Diálogo aberto A música e a dança ligadas à prática educativa na educação infantil possi bilitam experiências as quais garantem aprendizagens que ampliam o conhe cimento das duas linguagens e expandem o repertório cultural da criança O trabalho com essas linguagens requer atenção no que se refere ao respeito das peculiaridades próprias a cada faixa etária e seu nível de desenvolvimento Nesta seção abordaremos o processo de musicalização na educação infantil a construção de instrumentos musicais a relação entre a música e o corpo além da dança como expressão e desenvolvimento corporal percep tivo e espacial Um bom professor é sempre um pesquisador e deve estar melhor preparado integrando suas experiências com mais conhecimentos que devem ser buscados em momentos de estudo e pesquisa para exercer com autonomia a sua função em sala de aula e dessa forma envolver o aluno e a comunidade De acordo com a sua experiência nessas áreas você se considera apto para lecionar música e dança na educação infantil Você acha possível ser um bom professor sem a formação específica Apontamos uma situação em que um professor de arte que trabalha na educação infantil ficou observando o envolvimento dos seus alunos com a professora da sala que os organizava em roda e cantava músicas infantis com gestos corporais imitando animais carros buzinas entre outros sons enquanto aguardava a sua chegada na sala de aula Essa observação despertou o seu desejo de trabalhar com a linguagem musical e da dança No entanto ele tinha medo pois não sabia por onde começar já que não tocava nenhum instrumento não tinha habilidades com movimentos corporais consideravase desafinado dotado de uma voz muito grave grande demais e desajeitado para lecionar dança Ele pensava não ter o dom para trabalhar com essas linguagens e logo desistiu da ideia Você considera que para lecionar música e dança o professor deve obriga toriamente ser músico eou dançarino Quais recursos musicais e corporais um professor sem formação específica na linguagem musical e da dança pode utilizar para explorar os objetivos da aprendizagem para a educação infantil Como você elaboraria uma aula utilizando essas linguagens para alunos da educação infantil 88 Figura 26 Música e dança para crianças pequenas Fonte iStock Figura 27 A música na escola Fonte iStock Não pode faltar O processo de musicalização A musicalização é um processo de construção do conhecimento musical De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil RCNEI BRASIL 1998 a música está presente em diversas situações da vida e acompanha a história da humanidade Em seu contexto encon tramos música para dormir para dançar para convocar o povo a lutar o que caracteriza uma função ritualística assim como para seguir tradições 89 e costumes presentes na cultura dos diferentes povos tocada e dançada em festividades LIMA SANTANNA 2015 É uma forma de expressão artís tica tanto no campo popular como no erudito Por meio desses diferentes contextos as crianças entram em contato com a cultura musical desde muito cedo e começam a aprender sobre rituais e tradições musicais Mesmo diante das transformações em relação ao papel da música na sociedade moderna seu caráter ritual é preservado assim como a tradição do fazer e ensinar por imitação e por ouvido misturando conhecimento prático com transmissão oral Essas são questões relevantes para serem consideradas no processo de ensino e aprendizagem pois o contato intuitivo e espontâneo com a música desde os primeiros anos de vida são importantes pontos de partida para o processo de construção do conhecimento musical Ouvir musica aprender uma canção brincar de roda realizar brinquedos rítmicos jogos de mãos etc são ativi dades que despertam estimulam e desenvolvem o gosto pela atividade musical além de atenderem a necessidades de expressão que passam pela esfera afetiva estética e cognitiva Aprender musica significa integrar experiên cias que envolvem a vivência a percepção e a reflexão encaminhandoas para níveis cada vez mais elaborados BRASIL1998 p 48 Para que o processo de conhecimento dessa linguagem ocorra de modo significativo é necessário explorar propostas que respeitem as fases do desen volvimento infantil A música faz parte do cotidiano das pessoas e a encontramos ao ouvila no rádio na televisão na internet por meio das diversas brincadeiras nas manifestações espontâneas na escola em ambiente familiar e entre outras situações do convívio social Sua linguagem e forma de conhecimento devem ser estruturadas de acordo com os três eixos articuladores e norteadores do processo de ensino e aprendizagem da arte a produção a apreciação e a reflexão O processo de musicalização em bebês ocorre de maneira intuitiva por meio de situações do dia a dia quando por exemplo um adulto canta uma melodia ou faz uma brincadeira cantada Os bebês ouvem gostam e tentam imitar criando momentos significativos no desenvolvimento afetivo e cogni tivo e constroem um repertório que estabelece uma forma de comunicação por meio dos sons MELO et al 2009 Eles também inventam melodias ou ruídos criando possibilidades vocais e interagem com objetos brinquedos sonoros estabelecendo um jogo de exercício sensorial e motor O processo de 90 musicalização é ampliado pelas conquistas vocais e corporais reproduzindo letras simples refrãos onomatopeias explorando gestos sonoros batendo palmas pés e de acordo com as fases do seu desenvolvimento evoluindo para marchas corridas e pulos para acompanhar uma música BRASIL 1998 Nessa fase a criança examina todo material sonoro que possa interessar e também se atenta às características dos sons produzidos por instrumentos musicais como o som das cordas de um violão os efeitos sonoros de sementes em instrumentos de percussão ou pelo som das teclas do piano por exemplo também se interessam por uma voz ou por um objeto pesqui sando suas possibilidades sonoras O que caracteriza a produção musical da criança nessa fase é a exploração do som e das suas qualidades que são altura duração intensidade e timbre e não a criação de melodias em instrumentos Diferenças individuais e grupais acontecem e muitas vezes por influência do meio em que vivem crianças podem apresentar um desenvolvimento e controle rítmico diferente de outras crianças Nessa fase de desenvolvimento a expressão musical da criança é caracterizada pela ênfase nos aspectos intui tivo e afetivo e pela exploração sensóriomotora dos materiais sonoros Por volta dos três anos de idade os jogos com movimentos em sintonia com a música possibilitam o desenvolvimento motor e rítmico Aos poucos ela domina a entonação melódica memoriza um repertório de canções cria e utiliza as canções que inventa Aos poucos canta com mais precisão e reproduz ritmos simples Palmas batidas nas pernas pés e demais batimentos rítmicos são observados e reproduzidos de acordo com o nível de desenvolvimento da criança Nessa fase a criança também se interessa em tocar pequenas linhas melódicas nos instrumentos musicais e começa a entender que para tocar uma melodia ou cantar é importante respeitar uma ordem Figura 28 As canções estimulam o ritmo e a percepção musical Fonte iStock 91 Reflita A educação musical nas escolas deve ser dinâmica e não incorrer em mais um conteudo que gere sobrecarga no professor e na classe Como conquistar aulas criativas considerando a formação dos profes sores e as condições das escolas muitas vezes pouco favoráveis em termos de recursos O fazer musical acontece por meio da improvisação da composição e da interpretação As crianças entre quatro e seis anos podem compor pequenas canções utilizando instrumentos musicais mas sem a memorização de estru turas sofrendo variações a cada nova interpretação A imitação é a base da interpretação por meio de sons vocais corporais ou produzidos por instru mentos musicais as crianças preparamse para interpretar quando então imitam expressivamente Segundo o RCNEI o cantar é importante pois integra melodia ritmo e frequentemente harmonia e é um excelente meio de desenvolvimento da audição BRASIL 1998 p 59 Ainda segundo o mesmo documento é importante apresentar às crianças canções do cancioneiro popular infantil da música popular brasileira entre outras que possam ser cantadas sem esforço vocal e com textos adequados à sua compreensão BRASIL1998 p 59 sem excesso de gestos demonstrados pelo professor que fazem com que as crianças parem de cantar para realizálos Nessa fase o fazer musical deve envolver maior concentração e essa produção deve relacionar sons e silêncios O silêncio valoriza o som e faz parte da música Deve ser experimentado em diferentes situações e contextos O trabalho com instrumentos deve promover o crescimento e a transformação a partir do que as crianças podem realizar quando elas não respondem com muita precisão a um ritmo não se deve insistir exaustiva mente mas guiarse de acordo com a observação das suas respostas e prosse guir o trabalho BRASIL 1998 Ainda de acordo com o documento as crianças podem improvisar a partir de um roteiro extramusical ou de uma história cada timbre de um instrumento característica que diferencia um som do outro por exemplo pode ser uma personagem da história tocar com suavidade para não acordar alguém produzir efeitos sonoros curtos para sugerir pingos de chuva realizar um ritmo de galope para sonorizar o trote dos cavalos etc A partir de propostas musicais as crianças podem vivenciar contrastes entre alturas ou intensidades do som e os ritmos do som e silêncio e assim por diante 92 Estimular a criação de pequenas canções com base na experiência musical das crianças explorar rimas com os próprios nomes com os dos colegas com nomes de frutas cores e explorar assuntos e acontecimentos do dia a dia também servem como temas para criar canções Além disso também é possível sonorizar histórias e para tal indicase os livros de histórias com imagens Elas podem funcionar como uma partitura musical para utilizar sons vocais corporais produzidos por objetos do ambiente brinquedos sonoros e instrumentos musicais Juntos professor e alunos poderão definir quais personagens ou situações podem ser sonorizados Como representar sonoramente um bater de portas o trotar de cavalos a água correndo no riacho o canto dos sapos e enfim a diversidade de sons que envolve e desperta a atenção a percepção e a discriminação auditiva BRASIL 1998 Sobre a apreciação musical devese ampliar e enriquecer o contato da criança com músicas que vão além do chamado repertório infantil veicu ladas pela mídia que muitas vezes apresentam arranjos padronizados e estereotipados e podem se apresentar de forma inadequada Exemplificando De acordo com a BNCC a educação infantil precisa promover a parti cipação das crianças em tempos e espaços para a produção manifes tação e apreciação artística de modo a favorecer o desenvolvimento da sensibilidade da criatividade e da expressão pessoal Diversas oportunidades de apreciação musical podem ser oferecidas aos alunos com músicas regionais do país e as de tradição popular para resgatar e também aproximar as crianças dos valores musicais da nossa cultura E com as de outros países para que fique claro que a linguagem musical está presente em todas as culturas com marcas de cada criador cada povo cada época Também é importante oferecer à criança a possibilidade de ouvir música sem texto como parte de composições ou peças breves A música com letra por integrar poesia e música remete sempre ao conteúdo da letra enquanto o contato com a música instrumental abre a possibilidade de traba lhar de outras formas As crianças podem perceber sentir e ouvir deixan dose guiar pela sensibilidade pela imaginação e pela sensação que a música lhes sugere Assimile A apreciação musical dos bebês e da criança pequena deve estar integrada às atividades cotidianas com repertório que apresente variadas obras as quais despertem nelas o desejo de ouvir e interagir 93 pois ouvir é também movimentarse uma vez que as crianças percebem e se expressam globalmente Esse repertório pode apresentar obras de musica erudita popular do cancioneiro infantil da musica regional etc Nesse caso a musica não deve ser apresentada como um pano de fundo para o desenvolvimento de outras atividades Construção de instrumentos apelo sonoro e musical A construção de instrumentos com materiais variados também é uma prática muito interessante que pode ser desenvolvida na educação infantil Após explorar potes latas garrafas entre outros materiais as crianças podem criar objetos sonoros ou instrumentos musicais convencionais ou não convencionais Através desses instrumentos podese trabalhar noções de técnicas como meio de obter qualidade sonora como tocar um tambor de diferentes maneiras variando a força os modos de tocar com diferentes baquetas com as mãos com as pontas dos dedos etc sempre experimen tando e ouvindo seus resultados para desenvolver técnicas e percepção da qualidade dos sons que foram produzidos Nos jogos de improvisação musical os instrumentos podem ser confec cionados pelas crianças a partir dos materiais disponíveis que produzem sons ou a partir dos sons do corpo da voz etc Você poderá por exemplo explorar os timbres de elementos ligados a um projeto que trata sobre o fundo do mar a água do mar em seus diferentes momentos os diversos peixes as baleias os tubarões as tartarugas etc lidando com a questão da organização do material sonoro no tempo e no espaço A construção de instrumentos musicais contribui para o entendimento de questões referentes à produção do som e das suas qualidades além de estimular a pesquisa a imaginação e a capacidade criativa É uma atividade que pode constituir um projeto por meio do qual as crianças possam explorar e verificar materiais adequados para a sua confecção desenvolver recursos técnicos para a confecção do instrumento informarse sobre a origem e história do instrumento musical que está confeccionando vivenciar e entender questões relativas à acústica e produção do som fazer música por meio da improvisação ou composição Para viabilizar a confecção desses instrumentos o material deve ser selecionado higienizado organizado e depois colocado à disposição das crianças tais como sucatas e materiais recicláveis Também é interessante disponibilizar grãos pedrinhas sementes elásticos bexigas plásticos retalhos de panos fita crepe eou adesiva cola etc além de tintas e outros materiais destinados ao acabamento e decoração dos materiais criados Tão essencial quanto confeccionar os próprios instrumentos musicais e objetos sonoros é poder utilizálos e fazer música com eles 94 Música e o corpo A prática musical para bebês pode acontecer por meio de atividades lúdicas que muito contribuem para o desenvolvimento da sua percepção e atenção sem estimular a imitação gestual mecânica e estereotipada O professor pode cantar produzir sons vocais diversos por meio de imitação de vozes de animais ruídos batendo palmas e pés embalar os bebês e também dançar com eles As canções de ninar tradicionais os brinquedos cantados e rítmicos as rodas e cirandas os jogos com movimentos as brincadeiras com palmas e gestos sonoros corporais assim como outras produções do acervo cultural infantil podem estar presentes e são os conteudos a serem desenvolvidos BRASIL 1998 p 58 É importante brincar dançar e cantar com as crianças levando em conta suas necessidades de contato corporal e vínculo afetivo O gesto e o movimento estão conectados com o trabalho musical pois o corpo traduz em movimento os diferentes sons que percebe Os movimentos de flexão balanceio estiramento e os de locomoção como andar saltar correr saltitar galopear entre outros estabelecem relações diretas com os diferentes gestos sonoros A música e o brincar estão diretamente relacionadas ao longo da educação infantil Muitas brincadeiras têm como base canções tradicionais do folclore brasileiro que são transmitidas oralmente e aprendidas pelas crianças de forma natural fazendo parte de seu cotidiano Tais canções criam um reper tório cultural e que muito contribui para a formação musical das crianças Ao mesmo tempo essas brincadeiras também trazem a motricidade de forma ativa fazendo a criança vivenciar o ritmo a expressão corporal e a dança de forma lúdica e prazerosa além de proporcionar vivências em grupo Dança como expressão e desenvolvimento corporal perceptivo e espacial Ao brincar jogar imitar e criar ritmos e movimentos as crianças também se apropriam do repertório da cultura corporal na qual estão inseridas O trabalho com movimento envolve diversas funções do ato motor possibi litando o desenvolvimento de aspectos específicos da motricidade infantil abrangendo uma reflexão em relação às posturas corporais das atividades 95 cotidianas e das atividades voltadas para a ampliação da cultura corporal da criança BRASIL 1998 Cada cultura possui a sua forma de preservar os recursos expressivos do movimento havendo variações na importância dada às expressões faciais aos gestos e às posturas corporais bem como nos significados atribuídos a eles É significativa a influência que a cultura exerce sobre o desenvolvimento da motricidade infantil seja pelos diferentes significados que cada grupo atribui a gestos e expressões faciais ou pelos diferentes movimentos apren didos no manuseio de certos objetos da atividade cotidiana como pás lápis bolas de gude corda estilingue etc PEREIRA 2001 p 21 Dado o alcance que a questão motora assume na atividade da criança é importante que ao lado das situações plane jadas especialmente para trabalhar o movimento em suas várias dimensões a escola reflita sobre o espaço dado ao movimento em todos os momentos da rotina diária incor porando os diferentes significados que lhe são atribuídos pelos familiares e pela comunidade CARVALHEIRO 2010 p 2829 As atividades de movimentação corporal costumam ser atrativas para as crianças desde a mais tenra idade Podese partir de movimentações cotidianas como andar correr rolar saltar arremessar rodar entre outras ações ampliando assim o repertório de movimentos dos alunos No primeiro ano de vida da criança predomina a dimensão subjetiva do movimento Já o contato com os adultos e com outras crianças acontece por meio das emoções e esse contato afetivo caracterizado pelo contato corporal constitui uma significativa aprendizagem A criança imita o outro e cria suas próprias reações balança o corpo bate palmas vira ou levanta a cabeça etc Ao lado disso o bebê alcança grande conquista que antecede e o prepara para a locomoção ao sustentar o próprio corpo rolar sentar arrastar e engatinhar Crianças entre um e três anos aprendem a andar e se divertem com a própria locomoção de acordo com seu progressivo amadurecimento aperfei çoam o andar e se sentem seguras para correr e pular Nessa fase a criança começa a reconhecer a imagem de seu corpo o que ocorre principalmente por meio das interações sociais que estabelecem e das brincadeiras que fazem diante do espelho 96 Pesquise mais Conheça mais o trabalho de educação musical com bebês por meio do artigo Compartilhando um ambiente musical e afetivo com bebês das autoras Juliana Raniro e Ilza Zenker Leme Joly De acordo com o próprio texto o mesmo tem por objetivo destacar as relações afetivas estimuladas em aulas de musica oferecidas para um grupo de bebês de oito meses a dois anos e adultos acompanhantes Ao mesmo tempo ao abordar as formas de se compar tilhar ações nessa prática social sistematizamse informações sobre os processos educativos ocorridos entre os participantes RANIRO JOLY 2012 p 9 A dança é uma das manifestações da cultura corporal dos diferentes grupos sociais que está intimamente associada ao desenvolvimento das capacidades expressivas das crianças A aprendizagem por meio da dança não pode estar determinada pela marcação e definição de coreografias pelos adultos Brincadeiras de roda favorecem o desenvolvimento da noção de ritmo individual e coletivo introduzindo as crianças em movimentos próprios da dança Conhecer jogos e brincadeiras e refletir sobre os tipos de movimentos que os envolvem é muito importante para ajudar no desenvol vimento da sua motricidade No Brasil encontramos inúmeras danças folguedos brincadeiras de roda e cirandas que além de apresentar um caráter socializador e estético trazem para a criança a possibilidade de realização de movimentos de diferentes qualidades expressivas e rítmicas O trabalho musical a ser realizado na educação infantil é evidenciado na BNCC no campo de experiência Traços sons cores e formas A pesquisa sonora a experimentação vocal e instrumental a exploração de objetos sonoros e instrumentos musicais são práticas que instigam a curiosidade dos alunos e contribuem com o desenvolvimento do senso crítico e estético Ao participar de processos de criação e execução coletivos podese dizer que o trabalho musical se articula ainda com o campo O eu o outro e o nós A prática musical coletiva favorece percepções sobre si e sobre os outros contribuindo assim para a descoberta e valorização de sua identidade e do respeito perante à diversidade O trabalho com a dança está diretamente relacionado com o campo Corpo gestos e movimentos estimulando assim a conscientização sobre a 97 corporeidade De acordo com a BNCC as crianças conhecem e reconhecem as sensações e funções de seu corpo além de identificarem as suas potencia lidades e seus limites Ao vivenciar diferentes experiências coletivas a dança também favorece a articulação com o campo de experiência O eu o outro e o nós Figura 29 Atividades musicais em grupo Fonte iStock Sem medo de errar A música e a dança na educação infantil são um importante meio de inserção da cultura e do prazer O ensino dessas linguagens da arte envolve objetivos específicos das suas áreas além de trazer contribuições para o desenvolvimento e para formação da criança Esse ensino também propicia um aprendizado que possibilita o brincar O trabalho com a música e com a dança na educação infantil favorece o desenvolvimento corporal da criança e facilita a socialização Na situaçãoproblema apresentada vimos o receio do professor em trabalhar com as linguagens da música e da dança com a sua turma de educação infantil pois não entendia de música não tocava nenhum instru mento considerava sua voz muito grave e desafinada além de pensar que não apresentava habilidades corporais considerandose desajeitado para trabalhar a dança com os seus alunos Assim por achar que não tinha o dom para lecionar essas linguagens o professor logo desistiu da ideia A fim de desenvolver um trabalho explorando essas linguagens na educação infantil o professor deve fazer pesquisas e entender que a música e a dança acontecem em diferentes contextos expressivos e culturais que 98 envolvem entre outras coisas audições e brincadeiras que devem ser estimu ladas evitando comportamentos estereotipados e mecânicos Essa deve ser uma atividade que desperte na criança o gosto pela música e pela dança e na qual seja possível envolver vivências percepção e reflexão em níveis cada vez mais elaborados com propostas que respeitem as fases do desenvolvi mento infantil A integração entre música e brincadeiras é uma possibilidade de o corpo da criança explorar ritmos com as palmas batidas nas pernas pés e demais batimentos rítmicos improvisar cantar perceber as quali dades do som em altura graves e agudos duração sons curtos ou longos intensidade tocar forte ou fraco e timbre característica do som sem se preocupar com definições de notas musicais Além disso essa integração permite valorizar a cultura regional confeccionar instrumentos contextua lizar as atividades e produzir saberes A aprendizagem por meio da dança não deve ser marcada e coreografada com passos criados por adultos nem ter objetivo de apresentação para pais e comunidade É interessante que as crianças conheçam jogos e brincadeiras de roda e que possam refletir sobre os tipos de movimentos que envolvem essas práticas para desenvolverem uma motricidade harmoniosa e uma noção de ritmo individual e coletivo Avançando na prática Plano de aula sobre o campo de experiência Traços sons cores e formas Imagine que você começou a trabalhar com crianças entre 4 e 5 anos de idade e sua coordenadora pediu para você elaborar um plano de aula que abordasse o campo de experiência Traços sons cores e formas Como ainda não tem muita experiência na área você começou a pesquisar a BNCC para descobrir que tipo de vivências poderiam ser propostas a partir do campo de experiência em questão Resolução da situaçãoproblema A primeira estratégia a ser tomada seria ler as orientações presentes na Base Nacional Comum Curricular para a educação infantil e em seguida ler as informações referentes ao campo de experiência Traços sons cores e formas Após a leitura seria indicado pensar em atividades que estivessem ligadas aos sons traços gestos danças mímicas encenações canções 99 desenhos modelagens manipulação de diversos materiais e de recursos tecnológicos Para iniciar a proposta você poderia começar o seu plano de aula elaborando um objetivo voltado à linguagem musical vivenciar contrastes de andamento e intensidade Os conteúdos seriam andamento intensidade cantigas e percepção auditiva No desenvolvimento da ativi dade você poderia propor a execução de uma cantiga folclórica conhecida pelas crianças seguida do canto variando a intensidade ou seja primeiro todos cantariam a canção bem suave e em seguida cantariam bem forte O mesmo aconteceria ao trabalhar com as mudanças de andamento primeiro as crianças iriam cantar bem rápido e depois bem devagar Essas variações podem ser vivenciadas também por meio de movimentações corporais Faça valer a pena 1 De acordo com a BNCC BRASIL 2017 na Educação Infantil as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças têm como eixos estruturantes as interações e a brinca deira assegurandolhes os direitos de conviver brincar participar explorar expressarse e conhecerse O documento está estruturado ainda em cinco campos de experiências Enumere a segunda coluna de acordo com o campo de experiência correspondente I O eu o outro e o nós II Corpo gesto e movimento III Traços sons cores e formas IV Escuta fala pensamento e imaginação V Espaços tempos quantidades relações e transformações É na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida pessoas diferentes com outros pontos de vista As crianças desde cedo exploram o mundo por meio dos sentidos Por meio das diferentes linguagens como a música a dança o teatro as brincadeiras de faz de conta elas se comunicam e se expressam no entrelaçamento entre corpo emoção e linguagem As crianças conhecem e reconhecem as sensações e funções de seu corpo e com seus gestos e movimentos identificam suas potencialidades e seus limites Na educação infantil é importante promover experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir potencializando sua participação na cultura oral pois é na escuta de histórias na participação em conversas nas descrições nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social 100 As crianças se expressam por várias linguagens criando suas próprias produções artísticas ou culturais exercitando a autoria coletiva e individual com sons traços gestos danças mímicas encenações canções desenhos modelagens manipulação de diversos materiais e de recursos tecnológicos As crianças vivem inseridas em espaços e tempos de diferentes dimensões em um mundo constituído de fenômenos naturais e socioculturais Desde muito pequenas elas procuram se situar em diversos espaços rua bairro cidade etc e tempos dia e noite hoje ontem e amanhã etc Assinale a alternativa correta a I II III IV V b I II III V IV c I II IV III V d II I IV III V e II III IV I V 2 A música está presente em diferentes contextos e situações É através destes que as crianças entram em contato com a cultura musical Para que o conhecimento dessa linguagem ocorra de modo significativo é necessário explorar propostas que respeitem as fases do desenvolvimento infantil para garantir à criança a vivência da música em um exercício sensível e expressivo para que haja o desenvolvimento de habilidades formulação de hipóteses e de elaboração de conceitos Considerando o texto e a forma como ocorre o processo de musicalização infantil leia as afirmações apresentadas escreva V para as afirmações verdadeiras e F para as falsas e assinale a alternativa correta Em bebês a expressão musical é caracterizada pela despretensão dos aspectos intuitivos e afetivos e pela subtração sensóriomotora dos materiais sonoros Por volta dos três anos de idade para a criança os jogos com movimentos sinto nizados com a música possibilitam o desenvolvimento motor e rítmico Aos poucos ela domina a entonação melódica memoriza um repertório de canções e cria e utiliza as canções que inventa As crianças entre quatro e seis anos podem compor pequenas canções com instrumentos musicais com estruturas definidas sem sofrer variações a cada inter pretação A imitação é a base da interpretação Por meio de sons vocais corporais ou produzidos por instrumentos musicais as crianças preparamse para interpretar quando então criam expressivamente 101 É importante proporcionar oportunidades de apreciação com músicas regio nais do país e as de tradição popular para resgatar e aproximar as crianças dos valores musicais da nossa cultura e as de outros países para o entendimento de que a linguagem musical está presente em todas as culturas com marcas de cada criador cada povo cada época Com relação às assertivas anteriores assinale a sequência correta a F V V V b V V F V c F V F F d F V F V e V F V V 3 Explorar movimentos gestos sons formas texturas cores palavras emoções transformações relacionamentos histórias objetos elementos da natureza na escola e fora dela ampliando seus saberes sobre a cultura é um dos direitos de aprendi zagem e desenvolvimento para a educação infantil na BNCC Leia as afirmações relacionadas à música e à dança na educação infantil e enumere a segunda coluna de acordo com a primeira I Música e corpo II Dança e expressão corporal III Instrumentos musicais IV Musicalização A sua construção é de grande importância e contribui para o entendimento de questões elementares referentes à produção do som e suas qualidades estimula a pesquisa a imaginação e a capacidade criativa Brincar de roda ciranda pular corda são maneiras de estabelecer contato consigo próprio e com o outro de trabalhar com formas musicais que se apresentam em cada canção e em cada brinquedo É um processo educativo que visa garantir à criança a possibilidade de vivenciar a música em um exercício sensível e expressivo com condições para o desenvolvi mento de habilidades formulação de hipóteses e de elabo ração de conceitos É um trabalho que envolve diversas funções do ato motor possibilitando o desenvolvimento de aspectos específicos da motricidade infantil abrangendo uma reflexão em relação às posturas corporais das atividades cotidianas e das atividades voltadas para a ampliação da cultura corporal da criança 102 Associe as colunas e depois assinale a alternativa correta a III IV I II b IV III II I c IV II III I d III II IV I e III I IV II Referências BRASIL Ministério da Educação Base Nacional Comum Curricular Educação Infantil e Ensino Fundamental Brasília MECSecretaria de Educação Básica 2017 BRASIL Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional Diário Oficial da República Federativa do Brasil Brasília DF 23 dez 1996 Disponível em httpwwwplanaltogovbrccivil03leisl9394htm Acesso em 30 maio 2019 BRASIL Ministério da Educação e do Desporto Secretaria de Educação Fundamental Referencial curricular nacional para a educação infantil v 3 Brasília MECSEF 1998 BRASIL Ministério da Educação Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil v 3 1998 Disponível em httpportalmecgovbrsebarquivospdfvolume3pdf Acesso em 30 maio 2019 BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais arte 2 ed Rio de janeiro DPA EDITORA 2000 BRASIL Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros curriculares nacionais arte Secretaria de Educação Fundamental Brasília MECSEF 1997 CARVALHEIRO A R Psicomotricidade na educação infantil o corpo como facilitador do desen volvimento social e afetivo da criança de 0 a 3 anos 2010 52 f Monografia Especialização em psico motricidade Instituto A vez do Mestre Universidade Candido Mendes São Paulo 2010 DERDYK E Formas de pensar o desenho desenvolvimento do grafismo infantil São Paulo Scipione 2004 FARIAS S C B Condições de trabalho com teatro na rede pública de ensino sair de baixo ou entrar no jogo Urdimento Revista de Estudos em Artes Cênicas Florianópolis UDESC CEART dez 2008 FERRAZ M H C de T FUSARI M F de R Metodologia do ensino de arte São Paulo Cortez 1993 FERRAZ Metodologia do ensino de arte São Paulo Cortez 1993 FERREIRA S org O ensino das artes construindo caminhos Campinas Papirus 2001 FERREIRO E TEBEROSKY A Psicogênese da língua escrita Porto Alegre Artmed 1999 FONTERRADA M T de O A educação musical no Brasil algumas considerações In ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIACÃO BRASILEIRA DE EDUCACÃO MUSICAL 2 1993 Porto Alegre Anais Porto Alegre ABEM 1994 p 6983 FUSARI M F de R FERRAZ M H C T Arte na educação escolar 2 ed São Paulo Cortez 2001 KISHIMOTO T M org Jogos brinquedo brincadeira e a educação São Paulo Cortez 1996 KOUDELA I D Jogos teatrais São Paulo Perspectiva 1992 LIMA G P SANTANNA V L L A música na educação infantil e suas contribuições 2015 Disponível em Acesso em 30 maio 2019 MELO N N M M et al A importância da música para o desenvolvimento da criança de educação infantil 2009 Disponível em httpupedagogasblogspotcom200903contribui caodamusicaparao21html Acesso em 30 maio 2019 OSTROWER F Universos da arte Rio de Janeiro Campus1990 PEREIRA D R Do gato da escola a Portinari In DAVID C GUIMARÃES G org Pedagogia cidadã cadernos de formação vivências artísticas e pedagógicas São Paulo UNESP 2004 PEREIRA F C A educação física psicomotora e fisioterápica manual de instrução do corpo humano 2001 Disponível em Acesso em 30 maio 2019 PIAGET J A formação do símbolo na criança imitação jogo e sonho imagem e representação Tradução de Álvaro Cabral e Cristiano Monteiro Oiticica 3 ed Rio de Janeiro LTC 2009 PILLAR A D P Fazendo artes na alfabetização Porto Alegre Kuarup 1988 PILLAR Acasos e criação artística 2 ed Rio de Janeiro Campus 1995 PORTELINHA A M S A educação infantil no contexto das discussões da base nacional comum curricular Temas matizes Cascavel v 11 n 20 p 30 43 janjun 2017 Disponível em httpsbitly30UGGJn Acesso em 30 maio 2019 RANIRO J JOLY I Z L Compartilhando um ambiente musical e afetivo com bebês Música na Educação Básica Londrina v4 n 4 nov 2012 Disponível em httpsbitly2Z4GJk1 Acesso em 31 maio 2019 REVERBEL O Jogos teatrais na escola São Paulo Scipione 1996 REVERBEL O Um caminho do teatro na escola São Paulo Scipione 1997 SILVA F R L Elementos da Pedagogia Teatral em Oficinas para jovens privados de liber dade Disponível em httpseven3azureedgenetanais31858pdf Acesso em 30 maio 2019 SOUZA E C A importância do lúdico na aprendizagem Disponível em httpwww2seduc mtgovbraimportanciadoludiconaaprendizag1 Acesso em 30 maio 2019 SOUZA V M R Encantos do teatro na educação infantil Revista Eventos Pedagógicos v 6 n 2 15 ed número regular p 209217 junjul 2015 Disponível em httpsinopunematbr projetosrevistaindexphpeventosarticleview18311436 Acesso em 30 maio 2019 SOUZA V M R Jogos teatrais na sala de aula um manual para o professor São Paulo Perspectiva 2008 SPOLIN V Improvisação para o teatro São Paulo Perspectiva 1992 SPOLIN V Jogos Teatrais na Sala de Aula Tradução Ingrid Dormien Koudela São Paulo Editora Perspectiva 2008 Unidade 3 Tatiane Mota Santos Jardim Luciana Silva Batalha A arte e o ensino fundamental Convite ao estudo No ensino fundamental segundo a Base Nacional Comum Curricular o componente curricular arte está centrado nas linguagens das artes visuais teatro música e dança que articulam saberes e envolvem as práticas de criar ler produzir construir exteriorizar e refletir sobre formas artísticas De acordo com a BNCC as artes visuais referemse aos processos e produtos artísticos e culturais presentes nos diversos tempos históricos e contextos sociais que contam com a expressão visual como elemento de comunicação Elas possibilitam a exploração de múltiplas culturas visuais favorecem o diálogo sobre as diferenças e o conhecimento de outros espaços bem como possibilidades inventivas e expressivas Nesta unidade você estudará aspectos relevantes do ensino e da aprendi zagem da arte no ensino fundamental por meio das quatro linguagens artís ticas Na primeira seção trabalharemos os conteúdos que se relacionam com as artes visuais Já na segunda seção você verá como acontece o ensino do teatro E por fim na terceira seção abordaremos o ensino da música e da dança Para tal em primeiro lugar iremos analisar a situação de um professor ao trabalhar com o ensino das artes visuais João o professor de arte da escola Ipê Amarelo vai atuar junto a classes de ensino fundamental Ele deverá trabalhar os conteúdos relativos ao campo das artes visuais teatro música e dança João preocupase com o trabalho a ser desenvolvido dada a abordagem exigida para além das artes visuais uma vez que não domina as demais áreas ainda que tenha tido contato com as principais referências do teatro da dança e da música na faculdade Além disso os recursos disponíveis na escola não são os mais atualizados e os alunos demonstram pouco interesse pela disciplina interpretandoa mais como um momento de descontração do que como um espaço de aprendizagem e de reflexão Outra dificuldade a ser enfrentada é a escassez de materiais adequados para o trabalho com as diferentes áreas da arte Nesse sentido como o professor João pode desenvolver um trabalho adequado e motivador junto aos alunos considerando a sua formação e as condições apresentadas A presente unidade trará abordagens do ensino de arte para o ensino fundamental tendo em vista os objetivos a serem alcan çados e a dinâmica a ser desenvolvida frente a eles Ao finalizar essa unidade você deverá ser capaz de elaborar um plano de ensino de arte para o ensino fundamental ou um projeto para atuação em ambientes não formais Sendo assim convido você a se dedicar a mais essa etapa de seus estudos 109 Seção 1 Artes visuais no ensino fundamental Diálogo aberto Nesta seção estudaremos os conteúdos referentes às artes visuais o ensino e a aprendizagem do desenho o desenvolvimento da pintura com diferentes materiais e a produção de materiais de pintura o recorte a colagem e outros materiais na criação de linguagens visuais e como se realiza a observação das obras de arte desenho pintura escultura instalação Estamos analisando a situação de João um professor de arte de 7 ano que dispõe de recursos limitados para o desenvolvimento do trabalho além de uma deficiência na formação na área do teatro da música e da dança João havia pensado em uma aula que trabalhasse o estudo do desenho com base na observação de imagens de desenhos feitos a partir de diferentes técnicas Contudo ao chegar para a aula deparouse com o fato de que o data show da escola não funcio nava há algumas semanas e o único que a escola possuía estava quebrado Diante da situação João propôs uma atividade de artes visuais com o uso de recortes colagens e pinturas além de cópias de imagens que ele rapidamente pesquisou em alguns livros antigos disponíveis na escola As cópias foram feitas com o uso da fotocopiadora da escola por isso ficaram manchadas e escuras o que desagradou os alunos Mesmo assim o professor as distri buiu e pediu para que as imagens fossem coloridas com lápis de cor e que fosse feita uma colagem no mesmo desenho a partir de folhas de revistas Os alunos se mostraram desmotivados o que gerou inquietação na turma que passou a conversar e apresentar pouco empenho na atividade Diante disso como você atuaria para tornar a aprendizagem mais significativa e motiva dora para essa turma junto aos conteúdos de artes visuais Para resolver essa questão é relevante atentarse ao conteúdo desta seção especialmente no que se refere ao ensino e à aprendizagem do desenho aos modos de se trabalhar com recorte colagem entre outros materiais na criação de lingua gens visuais assim como atentarse aos modos de se trabalhar com pintura Não pode faltar Ensino e aprendizagem do desenho O desenho é uma forma de expressão que faz parte da história da humani dade desde os primórdios quando nossos ancestrais faziam registros de 110 cenas do cotidiano nas paredes das cavernas antes mesmo de desenvolver uma linguagem oral e escrita sistematizada Edith Derdyk 1989 afirma que o desenho é um modo de expressão do pensamento no qual a imaginação encontrase com a realidade Segundo a autora o desenho estimula a criança a explorar a própria imaginação e a capacidade de criar além de incitar diferentes estímulos mentais como simbolizar e representar os objetos sentimentos ou ações Explorando o desenho a criança expressa seu conhecimento de mundo No processo de ensino e de aprendizagem em arte é importante oferecer recursos para que a criança construa o próprio desenho envolvendo a percepção a imaginação a reflexão e a sensibilidade Segundo Alexandroff 2010 muitos autores estudaram sob diferentes enfoques a questão do desenho infantil entre eles Ana Angélica Albano Moreira Analice Dutra Pillar Florence de Méredieu Jean Piaget Liliane Lurçat Luquet Luria Victor Lowenfeld e Lev Vygotsky entre outros Esses estudiosos reconhecem haver determinadas fases etapas ou períodos que são comuns aos sujeitos em processo de apropriação do desenho enquanto sistema de representação O desenvolvimento do desenho da criança também se relaciona com o desenvolvimento da escrita pois por meio dele a criança expressa sua visão de mundo sendo a primeira representação gráfica produzida por ela Sobre isso Louis Porcher afirma Os desenhos infantis são portanto palavras ao desenhar a criança expressa coisa diferente do que sua inteligência ou nível de desenvolvimento mental uma espécie de projeção da sua própria existência e da dos outros ou melhor da maneira pela qual se sente existir e sente os outros existirem PORCHER 1982 p 108 A prática do desenho não se desenvolve de forma espontânea seu conteúdo deve ser planejado e sistematizado o professor deve conhecer essa linguagem como forma de expressão para proporcionar ao aluno desafios e aprendizagens Devese evitar oferecer desenhos prontos estereotipados ou xerocados que geralmente apresentam o objetivo de colorir espaços e não proporcionam o desenvolvimento de conhecimentos na área além de impedirem a criança de valorizar a própria produção artística O desenho de observação é um importante instrumento para o desenvol vimento do olhar e da aprendizagem artística Ele deve ser constantemente 111 estimulado pois com esse exercício o aluno observa compara reconhece formas por meio da própria ação e percebe a complexidade dessa experiência Ao desenvolver o desenho de observação o aluno desconstrói as formas mentais préconcebidas que se relacionam à própria prática do desenho sem orientação como o condicionamento de construção de formas estereoti padas por exemplo a mesma construção de desenho sempre que solicitada de casa de cadeira de árvore entre outros resultando em um desenho que fica preso a uma única forma de representação O importante é o aluno se libertar dessas formas estereotipadas educando o próprio olhar soltando o próprio traço e reconhecendo que o processo de desenvolvimento de desenhos envolve acertos e erros conforme a estrutura do desenho vai se aperfeiçoando obedecendo distribuição das formas no espaço proporção enquadramento relações entre as linhas e os volumes por meio da obser vação e também das condições de imaginação e criação em desenho que vão sendo desenvolvidas Exemplificando O desenho é um importante meio de expressão Derdyk 1989 p 2429 descreve Seja no significado mágico que o desenho assumiu para o homem das cavernas seja no desenvolvi mento do desenho para construção de maquinários no início da era industrial seja na sua aplicação mais elaborada para o desenho industrial e a arquitetura seja na função de comunicação que o desenho exerce na ilustração na história em quadrinhos o desenho reclama a sua autonomia e sua capacidade de abran gência como meio de comunicação expressão e conhecimento O desenho é uma atividade que se desenvolve gradativamente e evolui de acordo com as fases do desenvolvimento da criança Nesse contexto o professor deve conhecer essa linguagem e estar preparado para orientar propostas que favoreçam a ação educativa 112 Figura 31 O desenho Fonte httpc1peakpxcomwallpaper24078038kidsplayingwritingdrawingcarpetwallpaperjpg Acesso em 12 ago 2019 Desenvolvimento da pintura com diferentes materiais e produção de materiais de pintura A pintura é uma expressão artística em que é possível explorar diversos tipos de superfícies como papel tela ou parede envolvendo vários tipos de materiais para a sua aplicação Tratase de uma linguagem particular das artes visuais que apresenta várias possibilidades para que o aluno se expresse De acordo com Richter 2014 p 68 a pintura pode ser considerada ação e reflexão sobre a ação de pintar ou seja um poderfazer como processo estrutural que supõe uma coordenação de operações mentais e manuais Essas experiências aguçam os sentidos e contribuem com o desenvolvimento da percepção A questão do preparo do professor para desenvolver um trabalho pedagó gico com as linguagens da arte é primordial para criar mecanismos de ensino e resultar em aprendizagens significativas para os alunos A escola é um dos espaços por onde o conhecimento passa e muitas vezes o único lugar em que o aluno terá oportunidade de vivenciar os conteúdos em qualquer área do conhecimento A desmotivação do aluno quanto à própria participação nas propostas nas aulas pode ocorrer pelo fato de o professor não ter sido prepa rado adequadamente para exercer o papel como mediador Frequentemente o professor ensina da mesma forma como aprendeu reproduzindo padrões que nada acrescentam no contexto do ensino da arte A produção de pintura na escola geralmente se relaciona com cópia ou releitura de obras de arte que ainda que seja uma ferramenta didática para explorar os elementos formais das artes visuais como o ponto a linha a forma a cor a textura entre outros a sua prática não deve ser tão limitada É importante destacar que 113 quando falamos em releitura nos referimos à ação de recriar determinada obra de arte sem a intenção de copiála Releitura é ler novamente recriar transformar a composição artística sem a ideia de reproduzila como a obra original Sobre isso Rangel nos diz O produto final da releitura pode levar ou não ao reconheci mento da obra escolhida Reler é interpretar a obra é colocar sua visão do mundo suas críticas sua linguagem e suas experi ências sobre a obra escolhida É como uma musica que pode ser cantada por vários intérpretes Ela foi elaborada por um compositor mas ganha diferentes versões a cada vez que é efetuada pelo intérprete RANGEL 20042005 p 18 A produção de pintura também pode acontecer independentemente da produção de uma releitura Os alunos podem expressar suas ideias e senti mentos por exemplo a partir das imagens que criarem o que vai depender do planejamento e da sistematização da aula A aula de pintura pode ser estimu lada e conduzida para ampliar a criatividade do aluno de forma que explore diferentes materiais e texturas e evite atividades soltas conhecidas como ativi dades livres essa prática não deve ser uma constante na qual os alunos traba lham sem orientação Se possível indicase disponibilizar materiais diversifi cados explorando possibilidades de utilização com texturas e cores diferentes As tintas podem ser misturadas e aplicadas sobre a superfície com os dedos com esponjas com pincéis com carimbos São inúmeras as possibili dades de os alunos interagirem com materiais instrumentos e procedimentos em pintura As tintas além das industrializadas também podem ser produ zidas em sala de aula com elementos vindos da natureza a partir de corantes industrializados e com outros materiais que viabilizem a sua produção Um processo de pesquisa pode ser realizado em sala de aula para que os alunos façam descobertas nessa área Durante o processo é interessante que os alunos possam observar as produções dos colegas estabelecendo uma relação de respeito com a própria produção e com a produção dos outros Pesquise mais Conheça um pouco mais sobre as possibilidades de trabalho relacionadas às artes visuais e leia a reportagem A tinta que vem da natureza que apresenta receitas de tintas que podem ser produzidas com produtos naturais A TINTA que vem da natureza Nova Escola Sl 1 out 2007 114 Figura 32 Desenvolvimento da pintura Fonte Pixabay Recorte colagem e outros materiais na criação de linguagens visuais Ainda em artes visuais podemos utilizar o recorte e a colagem como recurso para criar trabalhos artísticos uma técnica que possibilita a criação de variadas composições É possível colar materiais diversos sobre um suporte papel tela papelão plástico entre outros que podem ser pedaços de papel ou tecido jornal folhas de revista folhas secas botões etc Colando objetos entre si é possível produzir esculturas conforme Coll e Teberosky afirmam Uma maneira interessante de trabalhar com colagem consiste em cortar ou rasgar formas de figuras de cores e texturas variadas Começase recolhendo papéis papelões e tecidos de texturas e cores diferentes Podem ser empre gados muitos tipos de papel lisos rugosos brilhantes grossos finos As fotografias das revistas são muito uteis porque têm uma grande quantidade de cores diferentes COLL TEBEROSKY 2004 p 64 A técnica do mosaico adaptada para produções artísticas escolares é um tipo de colagem em que é possível utilizar materiais diversos como sementes pedaços de papel e de outros materiais que quando dispostos juntos formam uma figura Os papéis podem ser cortados com o auxílio da tesoura rasgados 115 com as mãos ou mesmo serem colados da forma em que se encontram essa percepção pode fazer parte do processo criativo do aluno ou orientado pelo professor conforme a proposta da atividade Em artes visuais o recorte e a colagem são trabalhos muito explorados na educação infantil pois auxiliam no desenvolvimento da motricidade e na visão espacial Contudo nada impede que essa técnica seja explorada até o final da educação básica até mesmo na produção de trabalhos com técnica mista em que é possível misturar pintura ou outro tipo de técnica com recorte e colagem A pintura sempre foi considerada a mais nobre das artes enquanto a colagem uma atividade para crianças Nas artes visuais também podemos produzir gravuras artes gráficas cinema vídeo fotografia e novas tecnologias Da mesma forma a escultura a arquitetura a moda a instalação a decoração o paisagismo e o web design são considerados artes visuais A produção em artes visuais também permite o uso de objetos e bens industriais que podem parcial ou integralmente se transformar em lixo Pensar em produções que reutilizem embalagens garrafas plásticas caixa de ovos copos de iogurte entre outros objetos além de ser um desafio para os estudantes é uma forma de reciclar o lixo e de reaproveitar materiais descar tados uma solução criativa para o problema do lixo em nosso planeta Reflita As artes visuais em seu contexto de ensino apresentam formas tradicio nais como desenho pintura colagem e formas que resultam do avanço da tecnologia como a fotografia as artes gráficas e a computação Como é possível ensinar arte nesse contexto de mudanças e de avanços tecnológicos Você considera relevante utilizar as novas tecnologias no ensino das artes visuais Figura 33 Recorte e colagem Fonte Pixabay 116 Observação das obras de arte desenho pintura escultura instalação A observação da obra de arte é uma das atividades do ensino da arte A fruição é uma das dimensões do conhecimento presente na BNCC e referese à ação de apreciar de observar de ler a obra interpretando e atribuindo significados a ela Vale lembrar que a mediação do ensino da arte também inclui outros saberes valores e conceitos que integram a cultura a sua diversidade e as trans formações tecnológicas A observação das obras de arte acontece no campo da fruição e nesse contexto o aluno deve integrar a percepção a imaginação e a compreensão com a aprendizagem formar ideias a respeito da produção histórica da própria produção e da dos outros De acordo com Gabre 2016 a apreciação referese ainda à produção de sentido que as crianças desenvolvem no contexto com a obra de arte e com suas próprias produções No contexto das artes visuais é importante saber buscar meios para realizar observações das obras como forma de aprender a explorar essa linguagem e desenvolver uma atitude crítica e reflexiva ao mesmo tempo Conforme Barbosa 2008 p 1819 defende A necessidade de alfabetização visual vem confirmando a importância do papel da Arte na Escola A leitura do discurso visual que não se resume apenas à análise de forma cor linha volume equilíbrio movimento ritmo mas principal mente é centrada na significação que esses atributos em diferentes contextos conferem à imagem é um imperativo da contemporaneidade Os modos de recepção da obra de Arte e da imagem ao ampliarem o significado da própria obra a ela se incorporam Não se trata mais de perguntar o que o artista quis dizer em sua obra mas o que a obra nos diz aqui e agora em nosso contexto e o que disse em outros contextos históricos a outros leitores A dimensão crítica presente na BNCC possui estreita relação com as refle xões realizadas já que se refere às impressões que impulsionam os sujeitos em direção a novas compreensões do espaço em que vivem com base no estabelecimento de relações entre as diversas experiências e manifestações artísticas e culturais vividas e conhecidas Dessa forma é possível entender que a observação da obra de arte seja ela uma produção bidimensional ou tridimensional seja uma obra clássica ou contemporânea não se restringe ao entendimento do objetivo ou da 117 forma da produção mas vai além buscando entender o seu contexto subje tivo conforme Barbosa 2008 p 7172 aponta A educação estética tem como lugar privilegiado o ensino de Arte entendendo por educação estética as várias formas de leitura de fruição que podem ser possibilitadas às crianças tanto a partir do seu cotidiano como de obras de Arte Compreender o contexto dos materiais utilizados das propostas das pesquisas dos artistas é poder conceber a Arte não só como um fazer mas também como uma forma de pensar em e sobre Arte A observação de obra de arte consiste em entender e atribuir significado à obra em questão compreender as expressões formais e simbólicas Cabe destacar que a compreensão da obra se relaciona com o repertório cultural daquele que a observa Nesse sentido o professor não ensina como ler pois não há uma leitura como a mais correta há atribuições de sentidos constru ídas pelo leitor em função das informações e dos seus interesses no momento BARBOSA 2008 p 81 É importante destacar ainda que a BNCC apresenta os seguintes objetos de conhecimento no campo da dança Contextos e práticas Elementos da linguagem Processos de criação Entre as habilidades a serem desenvolvidas estão Pesquisar e analisar diferentes formas de expressão representação e encenação da dança reconhecendo e apreciando composições de dança de artistas e grupos de diferentes épocas Explorar elementos constitutivos do movimento cotidiano e do movimento dançado abordando criticamente o desenvolvimento das formas da dança em sua história tradicional e contemporânea Experimentar e analisar os fatores de movimento tempo peso fluência e espaço como elementos que combinados geram as ações corporais e o movimento dançado Investigar e experimentar procedimentos de improvisação e criação do movimento como fonte para a construção de vocabulários e reper tórios próprios 118 Investigar brincadeiras jogos danças coletivas e outras práticas de dança de diferentes matrizes estéticas e culturais como referência para a criação e a composição de danças autorais individualmente e em grupo Analisar e experimentar diferentes elementos figurino iluminação cenário trilha sonora etc e espaços convencionais e não convencio nais para composição cênica e apresentação coreográfica Discutir as experiências pessoais e coletivas em dança vivenciadas na escola e em outros contextos problematizando estereótipos e preconceitos Assimile Para realizar a observação de uma obra de arte não existe uma metodo logia unica ou considerada como ideal a ser seguida o importante é que ao fazer a leitura da obra exista a construção de conhecimentos e que seja possível contextualizála entender as ideias e os sentimentos ali expressos o que a obra pode nos dizer diante do contexto em que se insere e em que se apresenta Sem medo de errar Pensar na qualidade do material que será oferecido para o aluno seja para apreciar ou para produzir algum tipo de trabalho também faz parte do planejamento da aula Relembre aqui a situaçãoproblema que estamos analisando um professor de arte do 7o ano propôs uma atividade de artes visuais usando recortes colagens e pinturas Assim ele entregou para os alunos cópias de imagens que ele mesmo havia pesquisado Porém as cópias eram de péssima qualidade e estavam manchadas e escuras Diante disso ele pediu para que os alunos colorissem as imagens com lápis de cor e que usassem folhas de revista para completar o trabalho com recortes e colagem O professor João poderia ter pensado em outra metodologia planejando com mais antecedência e verificado os recursos disponíveis na escola Cabe uma reflexão sobre a necessidade de utilizar imagens prontas para aulas de artes visuais junto a alunos do ensino fundamental Será que para atingir o objetivo do trabalho os alunos poderiam criar imagens por meio de desenhos recortes e pinturas Essas imagens poderiam ser contextualizadas estar em acordo com algum tema fundamentado em algum tempo histórico e então os alunos teriam a oportunidade de observar imagens de obras produzidas por artistas seja no passado seja na contemporaneidade 119 O professor poderia oferecer outros materiais para pintura como diversas qualidades de tintas e giz de cera O material para produzir colagens poderia ser papéis coloridos de diversas características e texturas Os suportes para o trabalho poderiam extrapolar o tamanho A4 de um sulfite e seu formato poderia ser irregular e não apresentar um formato no padrão retangular Avançando na prática Possibilidades de trabalho com o desenho Você começou a trabalhar como professora de arte para os anos iniciais do ensino fundamental em uma escola privada e percebeu que a professora que trabalhava anteriormente com as turmas costumava dar várias folhas xerocadas com desenhos que apresentam apenas o contorno das imagens para que as crianças pudessem colorir As crianças acabaram se acostumando com esse tipo de prática e deixaram de realizar seus próprios desenhos Quais estratégias você poderia utilizar para que os alunos tenham interesse em realizar atividades voltadas ao desenho Resolução da situaçãoproblema Para trabalhar o desenho com as crianças é importante apresentar imagens variadas de acordo com o assunto tratado construindo assim um repertório imagético Por exemplo se irá trabalhar o tema moradia com as crianças é importante apresentar a imagem de vários tipos de casas casas pequenas grandes de dois andares casas de madeira de alvenaria aparta mentos etc Desse modo as crianças terão referências sobre o desenho a ser realizado e poderão criar a partir do repertório imagético que elas possuem É possível trabalhar nos anos iniciais do ensino fundamental com o desenho livre em que a criança é convidada a desenhar livremente com o desenho de observação em que a criança irá observar um determinado modelo tentando reproduzir as características da imagem observada com o desenho cego que é uma forma de desenhar a partir da memória das crianças e com o desenho com fitas e linhas em que a criança elabora desenhos utilizando fitas e linhas A partir dos resultados das atividades você pode pensar em outras estratégias para instigar o interesse das crianças pelo desenho 120 Faça valer a pena 1 A criança desenha entre outras tantas coisas para diver tirse É um jogo onde não existem companheiros a criança é dona de suas próprias regras O desenho é o palco de suas emoções a construção do seu universo particular O desenho manifesta o desejo da representação mas também o desenho antes de tudo é medo é opressão é alegria é curiosidade é afirmação é negação Ao desenhar a criança passa por um intenso processo vivencial e existen cial DERDYK 1994 p 50 Leia as afirmações relacionadas ao desenho e assinale a alternativa correta I O desenho estimula a criança a explorar a própria imaginação e a capacidade de criar além de incitar diferentes estímulos mentais II O desenvolvimento do desenho não possui qualquer relação com o desen volvimento da escrita III A prática do desenho se desenvolve de forma espontânea IV Os desenhos prontos estereotipados ou xerocados que geralmente apresentam o objetivo de colorir espaços referemse à prática de desenhos de observação Está correto o que se afirma em a Somente na afirmativa I b Somente nas afirmativas I e II c Somente nas afirmativas I e III d Somente nas afirmativas II e III e Somente nas afirmativas II e IV 2 O ensino das artes visuais envolve conteúdos e experiências relacionados ao uso de materiais suportes técnicas e instrumentos como recursos expressivos experi mentação dos diferentes meios da sua linguagem como pintura desenho recorte colagem entre outros além da leitura da sua estrutura Nesse contexto analise as atividades propostas a seguir com as suas referidas descrições I Desenho 121 II Pintura III Recorte e colagem IV Observação de obras de arte É uma linguagem das artes visuais em que é possível explorar diversos tipos de superfícies como papel tela ou parede para ser produzida somado ao experimento de vários tipos de materiais para a sua aplicação É um importante meio de expressão seja no significado mágico que assumiu para o homem préhistórico seja no seu desenvolvimento para construção de maquinários na era industrial ou na sua aplicação mais elaborada na indústria e na arquitetura Reivindica a sua abrangência como meio de comunicação de expressão e de conhe cimento O importante é que ao fazêla seja possível promover a construção de conhe cimentos e contextualizações entender as ideias e os sentimentos ali expressos buscando modos distintos na sua execução É uma técnica muito explorada na educação infantil por auxiliar no desenvolvi mento de várias habilidades mas pode ser aplicada até o final da educação básica É uma técnica que pode explorar os limites da sua definição e ser usada em produções de técnica mista Assinale a alternativa que apresenta a resposta em sua sequência correta a III I IV II b II III IV II c I II III IV d II I IV III e III IV I II 3 Richter 2014 afirma que brincando com tintas cores pinceis rolos a criança explora não apenas o mundo material e cultural à sua volta como também expressa e comunica sensações sentimentos fantasias sonhos e ideias tanto por meio de imagens quanto por meio de palavras Leia as afirmações apresentadas escreva V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas e assinale a alternativa correta V A técnica do mosaico adaptada para produções artísticas escolares referese a um tipo de colagem em que é possível utilizar materiais diversos como sementes pedaços de papel e de outros materiais que quando dispostos juntos formam uma figura 122 F A técnica do mosaico adaptada para produções artísticas escolares se referem a uma nova produção baseada em uma obra de arte já existente V O recorte e a colagem podem auxiliar no desenvolvimento da motricidade e na visão espacial mas podem ser exploradas também na produção de trabalhos com técnica mista A sequência correta é a V V V b V F V c V F F d F F V e F V F 123 Seção 2 Teatro no ensino fundamental Diálogo aberto Nesta seção estudaremos as diferenças e similaridades entre contação de história e encenação teatral Faremos uma reflexão sobre o desenvolvimento da memória a partir da encenação sobre a questão da expressividade em cena e sobre a preparação de peças teatrais no ensino fundamental I e II No contexto desse ensino seria interessante considerar Qual a sua familiaridade com o teatro Com que frequência costuma frequentar o teatro Já viveu alguma experiência no palco Como foi Em sua escola na sua época de ensino fundamental houve algum estímulo para que se tornasse um espectador de teatro A ida ao teatro pode ser uma excelente experiência de aquisição de conhe cimentos e de contato com a cultura Um aluno do 7o ano perguntou ao professor João se a sua turma poderia fazer uma peça de teatro e apresentar para a escola Ele comentou com o professor que um colega de outra escola que fazia teatro nas aulas de artes tinha se tornado mais comuni cativo estava lendo e falando melhor O professor João por sua vez alegou saber que deveria trabalhar em suas aulas com outras linguagens artísticas mas que priorizava as artes visuais porque a escola não oferecia estrutura física adequada para o desenvolvimento de outras linguagens No lugar do professor João como você poderia pensar a proposta do aluno considerando a ausência de recursos na escola para o desenvolvimento de um projeto com a linguagem teatral Para resolver essa questão é interessante considerar os conteúdos desta seção especialmente no que se refere à preparação de peças teatrais para crianças do ensino fundamental I e II É muito importante que você estude mais sobre o assunto e que também possa frequentar espetáculos teatrais participar mais de eventos culturais Quando estiver lecionando aproveite as oportunidades para levar seus alunos ao teatro além de trabalhar com essa linguagem em sala de aula Aproveite também para descobrir as várias instituições culturais e museus de sua cidade Pode haver algum espaço cultural próximo à escola onde leciona algum grupo de teatro que trabalhe nas periferias Procureos traga o grupo para dentro da escola compartilhe experiências 124 Não pode faltar Contação de história X Encenação teatral Contar histórias é uma prática do ser humano que marca o início do desenvolvimento de suas habilidades de comunicação e fala Na contação de histórias os momentos de união trocas de experiências preservação das culturas entres outros são promovidos pelo despertar das emoções interesses expectativas imaginação e outras maneiras de expressão transmi tidas por ideias e valores A contação de história é uma prática que quando aplicada no contexto escolar incentiva o gosto pela leitura contribui para o desenvolvimento da oralidade da imaginação e da criatividade transmite conhecimentos e valores Como explica Antunes e Rodrigues 2007 p 4 A contação de histórias é atividade própria de incentivo à imaginação e o trânsito entre o fictício e o real Ao preparar uma história para ser contada tomamos a experiência do narrador e de cada personagem como nossa e ampliamos nossa experiência vivencial por meio da narrativa do autor Os fatos as cenas e os contextos são do plano do imagi nário mas os sentimentos e as emoções transcendem a ficção e se materializam na vida real No processo de ensino e aprendizagem a contação de história abarca a comunicação e a transmissão de ideias que dependendo do contexto que se pretende trabalhar pode envolver expressão de experiências valores atitudes costumes tradições entre outros É uma forma de explorar as emoções e a imaginação ao contar uma história A sua prática pode ser desenvolvida por professores e por alunos dependendo da proposta O professor pode iniciar essa atividade escolhendo histórias para serem contadas aos seus alunos sendo necessário que elas estejam de acordo com a faixa etária deles para percorrer um caminho e atingir diversos fins como educar divertir socia lizar refletir Ele também pode criar um personagem que narra uma história entonar a voz de uma forma diferente quando algum outro personagem da história aparece ou modificar a postura corporal Utilizar a palavra de uma forma que envolva o espectadorouvinte é algo que merece especial atenção conforme afirma Ângela Café 2000 p 38 125 A matériaprima do contador é a palavra que precisa ser valorizada Cada palavra possui seu significado no contexto em que é empregada O contador apreende o significado da palavra e esta adquire forma cheiro cor sabor Tornase algo concreto em determinado contexto que merece toda a atenção do contador Estudála verificar seu significado específico no emprego daquela narrativa e pronunciála com a emoção que lhe cabe é fundamental para o entendimento da história por parte do ouvinte CAFÉ 2000 p 38 O importante é envolver o espectadorouvinte na história que está sendo contada O professor enquanto contador também pode utilizar algum adereço figurino específico ou objeto para mostrar que ali há um narrador ou utilizar esses mesmos itens quando muda de narrador para personagem Ele pode fazer uma contação manipulando um fantoche por exemplo ou qualquer outro tipo de objeto como se este fosse o narrador As histórias também podem ser apenas lidas e a força dramática pode estar na entonação da voz O importante é falar com clareza e que a história seja escolhida com antecedência e estudada pelo contador para que a contação seja feita com responsabilidade a fim de atingir o objetivo desejado Essa atividade é uma forma de integrar a leitura na sala de aula e despertar a vontade nos alunos de lerem e de conhecerem mais histórias Inúmeras são as literaturas a serem exploradas em uma atividade de contação de histórias podem ser contos fábulas histórias folclóricas de diversos países histórias da cultura local até as que foram escritas pelos alunos Segundo Celso Sisto escritor e contador de história Contar histórias na verdade é a união de muitas artes da literatura da expressão corporal da poesia da musica do teatro Não há como ignorar esse quê de performático do contar histórias Ainda que o foco maior seja apenas a voz e o texto projetados no espaço para atingir uma plateia A utilização apenas desses dois elementos voz e texto por si só já bastaria para caracterizar o cênico e o dramático SISTO 2007 p 1 A contação de história envolve o fazer artístico e a fruição por meio da apreciação significativa da sua própria ação envolvendo todo um grupo não importando quem vai fazer a contação se é o professor para a sua turma ou se 126 é uma atividade proposta para os alunos vivenciarem O contador de história pode ler a sua história como já foi dito utilizando o livro para contála mas o mesmo não acontece quando se trata de uma encenação teatral em que há um ensaio do texto e memorização do que será falado ou até uma improvi sação No entanto assim como encenar uma peça contar uma história é uma expressão dramática que envolve o jogo teatral a troca e a interação com o espectadorouvinte Em relação à encenação teatral já tratada em nosso estudo podese utilizar a metodologia dos jogos teatrais como meio da sua prática A partir dos jogos de improvisação podemos iniciar as práticas da linguagem teatral para desenvolver encenação criação de cenas e de diálogos Na contação de histórias podemos perceber que o espectadorouvinte imagina o que está sendo contado pela força dramática do contador o qual também pode utilizar imagens e ilustrações dos livros para reforçar o que foi dito Já na encenação o que foi imaginado passa a ser real pois é mostrado na própria encenação A respeito disso vejamos A diferença entre showing mostrar e telling contar aponta para a diferença entre o fazer de conta que é simulação e o tornar real que significa a criação da realidade cênica O imaginário passa a existir assume a concretude do sensível A diferença visa fazer com que o jogador mantenha contato com a realidade física da cena KOUDELA apud SPOLIN 2010 p 23 É importante ressaltar que a encenação teatral no contexto escolar não precisa necessariamente ser tratada como um espetáculo a ser apresentado para uma plateia Ela pode ser uma proposta de atividade que acontece entre os alunos de uma sala de aula Na BNCC a dimensão criação e expressão estão relacionadas à prática ao fazer artístico e a exteriorização de diferentes criações por isso os exercí cios teatrais e as peças propriamente ditas estão relacionadas a essas dimen sões As dimensões estesia e fruição estão relacionadas com a apreciação de performances teatrais pois referemse à experiência sensível dos sujeitos e articulam sensibilidade e percepção como formas de reconhecer a si mesmo o outro e o mundo ao redor A reflexão sobre as vivências teatrais pode ser articulada ainda com as dimensões crítica e reflexão Observase desse modo que as diferentes práticas produzidas no trabalho teatral podem ser articuladas 127 com documentos e concepções teóricas oportunizando assim práticas fundamentadas A BNCC apresenta os seguintes objetos de conhecimento no campo do teatro Contextos e práticas Elementos da linguagem Processos de criação Entre as habilidades a serem desenvolvidas estão Reconhecer e apreciar formas distintas de manifestações do teatro presentes em diferentes contextos aprendendo a ver e a ouvir histó rias dramatizadas e cultivando a percepção o imaginário a capaci dade de simbolizar e o repertório ficcional Descobrir teatralidades na vida cotidiana identificando elementos teatrais variadas entonações de voz diferentes fisicalidades diversi dade de personagens e narrativas etc Experimentar o trabalho colaborativo coletivo e autoral em improvi sações teatrais e processos narrativos criativos em teatro explorando desde a teatralidade dos gestos e das ações do cotidiano até elementos de diferentes matrizes estéticas e culturais Exercitar a imitação e o faz de conta ressignificando objetos e fatos e experimentandose no lugar do outro ao compor e encenar aconte cimentos cênicos por meio de músicas imagens textos ou outros pontos de partida de forma intencional e reflexiva Experimentar possibilidades criativas de movimento e de voz na criação de um personagem teatral discutindo estereótipos Assimile Contar histórias desperta a imaginação de quem as escuta As imagens da história são criadas mentalmente dessa forma cada pessoa terá o seu modo de visualizar as palavras que foram ditas A encenação teatral já traz a vivência dos personagens no palco ou no espaço de encenação por meio das situações que a história apresenta seja pela improvisação ou por intermédio do texto teatral 128 Figura 34 Contação de história Fonte Shutterstock O desenvolvimento da memória a partir da encenação Sabemos que as atividades teatrais na escola podem ser iniciadas por meio da ludicidade explorando práticas espontâneas em brincadeiras de faz de conta que inicialmente pode apresentar poucas regras estimulando a criatividade a memória e a capacidade da atenção no aluno Brincar é uma das atividades fundamentais para o desen volvimento da identidade e da autonomia O fato de a criança desde muito cedo poder se comunicar por meio de gestos sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes tais como a atenção a imitação a memória a imaginação Amadurecem também algumas capacidades de socialização por meio da interação da utilização e da experimentação de regras e papéis sociais LOPES 2006 p110 O ato de brincar direcionado pela ação intencional educativa estimula a memória pois a criança quando está envolvida na brincadeira organiza suas ações manipula objetos e deve se lembrar dessa organização para dar sequência às próprias ações Na transição entre a brincadeira de faz de conta para o jogo teatral de improvisação a criança começa a desenvolver técnicas e habilidades de integração com grupo Geralmente esse desenvolvimento 129 se inicia a partir de soluções de problemas durante uma cena e está ligado à imaginação à criatividade à espontaneidade e também deve recorrer à memória pois nesse contexto a criança coordena todos esses elementos de forma que eles passem a fazer sentido para atingir o objetivo de solucionar o problema proposto lembrandose sempre da situação em que ela está envolvida A memória também pode ser ativada quando o aluno recorre às próprias emoções e sentimentos relembrando situações vivenciadas para definir as próprias ações no momento da situação do jogo teatral Conforme Spolin 2010 p 12 afirma através do envolvimento do grupo os atoresjogadores irão desenvolver liberdade pessoal dentro de regras estabe lecidas habilidades pessoais necessárias para jogar o jogo e irão internalizar essas habilidades e estas liberdades ou espontaneidade Os jogos são baseados em problemas a serem solucionados O problema a ser resolvido é o objeto do jogo que proporciona o foco Os ensaios das cenas se referem a um jogo de exercício no qual os alunos se preparam para mostrar palavras e gestos que foram memorizados Isso pode ocorrer trabalhando com um texto teatral ou por meio da situação do jogo teatral a princípio surgindo de forma improvisada mas conforme é trabalhada e ensaiada toma um formato que deve ser memorizado por todo o grupo A forma nas suas partes está na memória dos atores e é somente durante o espetáculo que aquilo que foi ensaiado e elaborado vêm à tona tornando explícito em cena surgindo através de um processo de remontagem forma sobreforma executada pelos atores diante dos especta dores no aqui agora CHACRA 2010 p 15 Exemplificando A tematização do texto dramático iniciase no plano sensóriocorporal por meio da experimentação com gestos e atitudes A potencialidade crítica do exercício com a linguagem gestual desenvolvese por inter médio da observação do cotidiano e no confronto entre o texto e os gestos que nascem nas cenas O gesto tem um início um meio e um fim passíveis de serem determinados pode ser imitado representado e apresentado e reconstruído armazenado na memória e repetido O texto é ao mesmo tempo objeto de imitação crítica dos jovens e 130 princípio unificador do processo pedagógico se for permitida liberdade e diversidade de construções Figura 35 Encenação Fonte Shutterstock A expressividade em cena As aulas de teatro exploram entre outros aspectos atividades corporais e por esse motivo essa atividade potencializa a expressividade e a consciência corporal O corpo é um instrumento de expressão e no teatro essa caracte rística é essencial Para a prática teatral é necessário conhecer os limites do próprio corpo e as possibilidades de movimento no espaço para ter consci ência das diversas formas de gestos e expressões O diretor russo Constantin Stanislavski criou uma metodologia de trabalho para atores por volta do início do século XX chamada Sistema Stanislawski uma sistematização de interpretação para atores Dessa forma ele considerava o treinamento corporal importantíssimo o ator deveria desenvolver seu trabalho corporal por meio de uma constante autoobservação O gesto e a postura requerem muitíssimo trabalho e lhes recordo portanto que em arte tudo depende do trabalho assim as capacidades de representar o que é difícil de maneira rotineira torna o rotineiro a ser algo fácil e o fácil agradável STANISLAVSKI 1994 p 214 Desenvolver a consciência corporal é um trabalho lento que deve ser construído com treinamento e com atividades desenvolvidas durante o jogo teatral tratase de uma forma de conhecer os próprios limites e explorar capacidades 131 é preciso que eu vivencie muitas e muitas vezes um movimento Não adianta entendêlo racionalizar cada gesto é preciso repetir e repetir porque é nessa repetição consciente e sensível que o gesto amadurece e passa a ser meu A partir daí temos a capacidade de criar movimentos próprios e cheios de individualidade e beleza VIANNA 1990 p 58 Explorar a expressão corporal nas aulas de teatro na escola é convidar o aluno a refletir sobre suas próprias possibilidades corporais para atuação em cena passando pelos jogos teatrais de improvisação até chegar em constru ções mais complexas de personagens Na diversidade do corpo expressão concreta da diversi dade de gestos traduzse a multiplicidade de pensares imagens sonhos e desejos cada qual respeitado em sua integridade particularidade e autonomia Constróise um movimento de harmonia praticando o improvável a reunião do diferente no comum do semelhante no diverso MIRANDA 2004 p 5 Reflita Klaus Vianna reflete sobre a expressividade corporal aplicada na dança contemporânea Brasileiro ele foi introdutor de um método próprio voltado para a corporeidade expressiva de atores e bailarinos Quando se trata de trabalho de consciência corporal você acha que há diferenças no desenvolvimento entre teatro e dança Você considera que o corpo se comporta de forma distinta nas diferentes linguagens Se considera as diferenças quais seriam relevantes destacar Se consi dera semelhante quais seriam os pontos a serem destacados de simila ridade no trabalho Peças teatrais para crianças do ensino fundamental Como já vimos a linguagem teatral pode ser desenvolvida por meio de técnicas que envolvem tanto a ludicidade com brincadeiras do faz de conta quanto os jogos teatrais que desenvolvem entre outros aspectos a expressão e a criatividade dos alunos Esse exercício pode levar a um caminho que resulta em uma apresentação da peça teatral um momento especial do trabalho que é aberto para compartilhar a experiência teatral com uma plateia A peça 132 teatral é o produto de um processo trabalhoso que envolve muito aprendi zado e organização A apresentação de cenas curtas ou de uma peça teatral seja para os alunos da escola seja para a comunidade escolar é uma proposta que envolve o ato criativo a execução de tarefas e a socialização do grupo envolvido O trabalho teatral no contexto escolar não possui como objetivo principal apresentações para o público o importante é o processo de ensino e aprendi zagem No entanto apresentar uma peça para determinado público pode ser uma experiência enriquecedora para os alunos do ensino fundamental I e II A preparação teatral na escola é um trabalho coletivo em que toda a turma divide tarefas O trabalho dos alunosatores é muito importante mas existem outros aspectos a serem observados como a criação e a composição do cenário dos figurinos dos adereços dos objetos de cena da sonoplastia e da iluminação Entendemos que toda essa produção deve ser criada de forma flexível compreendendo o ambiente educativo de acordo com a realidade social e cultural em que os alunos estão inseridos É relevante compreender que essa atividade como um processo de construção de conhecimento para o aluno deve apresentar algumas características que envolve o ensino da arte A preparação de peças teatrais na escola necessita de um planejamento de trabalho conhecendo e respeitando a faixa etária a ser trabalhada Outro aspecto relevante que envolve a aprendizagem dessa linguagem é levar os alunos ao teatro a construção desse conhecimento está presente já no momento da preparação da turma antes da ida ao teatro e também na volta à escola A preparação deve acontecer com antecedência quando o professor já sabe a qual peça teatral os alunos irão assistir É importante o professor fazer o papel de mediador entre os alunos e a experiência estética que estão prestes a vivenciar os alunos também devem saber qual é o papel do espec tador em uma peça teatral principalmente se o aluno nunca assistiu antes Os atores ensaiam compõem seus personagens direcionam todos os seus esforços para que o espectador possa ter uma boa experiência ao assistir à peça teatral Esse trabalho educativo também pode se transformar em um estímulo para os alunos ao vivenciarem esse tipo de experiência artística O momento de assistir ao espetáculo se relaciona com a fruição estética é relevante que o aluno conheça previamente o contexto da peça e saiba quem são os personagens para que possa observar e compreender todos os elementos que fazem parte da apresentação Ao voltar para a escola é interes sante conversar com eles a respeito da experiência destacando e comparti lhando as percepções estéticas É uma forma de explorar o conhecimento em teatro não só como ator quando o aluno se envolve nas atividades do jogo 133 teatral na construção das cenas e na preparação da peça mas também como espectador ao apreciar a peça teatral O que a arte na escola principalmente pretende é formar o conhecedor fruidor decodificador da obra de arte Uma sociedade só é artisticamente desenvolvida quando ao lado de uma produção artística de alta qualidade há também uma alta capacidade de entendimento desta produção pelo publico BARBOSA 2005 p 32 Pesquise mais Conheça um pouco mais sobre essa temática lendo o artigo Teatro na escola uma possibilidade de educação efetiva de Márcia Coelho COELHO M A Teatro na escola uma possibilidade de educação efetiva Polêmica v 13 n 2 2014 Sem medo de errar A experiência estética em arte está relacionada ao belo ao encantamento despertado a partir de determinada experiência ou obra entretanto Reis 2011 afirma que a estética é algo mais amplo e que o termo vem do grego aesthesis que significa sensível Observase portanto que o termo comporta uma série de fenômenos ligados à dimensão da sensibilidade Vamos relembrar a situaçãoproblema que estamos examinando um aluno perguntou ao seu professor sobre a possibilidade de ele elaborar uma atividade envolvendo o teatro pois gostaria de experimentar outras lingua gens da arte além das artes visuais com a qual estava mais habituado O aluno considerou que um colega de outra escola que fazia teatro nas aulas de artes estava mais comunicativo lendo mais e falando melhor O seu professor disse que sabia que deveria trabalhar outras linguagens artísticas em suas aulas mas priorizava as artes visuais pois a escola não oferecia estru tura adequada para o desenvolvimento de outras linguagens como o teatro a música e a dança Você no lugar desse professor poderia pedir para que reformulasse suas hipóteses de planejamento de aula seria muito positivo se a escola tivesse um ambiente diferente da sala de aula para a realização dessa atividade mas na ausência desse espaço o professor pode adaptar o ambiente da sala de aula disponibilizar materiais próprios para o seu desenvolvimento tais como 134 adereços figurinos objetos de cena entre outros Esse espaço poderia ser organizado toda vez que fosse necessário com a ajuda dos próprios alunos Você também poderia orientar o professor quanto à necessidade de desenvolver essa linguagem por ser uma vivência que irá contribuir para a aquisição de novos conhecimentos em arte e em outras linguagens como a verbal e a corporal por exemplo que se relacionam também a outras disci plinas além do desenvolvimento da criatividade e da criticidade A partir da vivência teatral o aluno pode conquistar uma autonomia em elaborar as próprias significações que constitui o ato de encenar ler e reler um texto entender o significado das palavras e do texto como um todo memorizar palavras e ações interpretar e dar vida às palavras Seria interessante escla recer ao professor sobre a possibilidade de seus alunos se interessarem pelo teatro a ponto de irem assistir peças teatrais contribuindo para a formação de um público de teatro que passa a frequentar esses espaços com interesse pela cultura Avançando na prática Desenvolvendo a expressão facial e corporal Você propôs para uma turma do ensino fundamental a montagem de uma peça teatral a partir de um tema de interesse dos alunos que se mostraram interessados pela proposta No entanto ao propor alguns jogos teatrais você observou que os alunos não possuíam nenhum tipo de experiência nessa área dificultando assim o trabalho a ser desenvolvido Que tipo de ativi dades podem ser propostas para que os alunos comecem a desenvolver sua expressão corporal e facial Resolução da situaçãoproblema Antes de propor a encenação de uma peça teatral em si é importante pensar em atividades que favoreçam experiências variadas no que se refere à expressão facial e corporal É possível por exemplo trabalhar com os alunos as possibilidades de expressão facial quando se está cansado triste feliz bravo sonolento etc pedir para os alunos falarem determinada frase tentando interpretar a situação ou sentimento presente no texto improvisar diante de uma situaçãoproblema buscando diferentes formas para resolver tal situação imitar movimentações corporais as características físicas ou o modo de falar de personalidades ligadas à mídia É possível ainda tentar 135 falar utilizando um sotaque específico ou imaginar o sabor de alguma comida É importante que os alunos se sintam livres para experimentar os contrastes propostos divertindose com a própria execução bem como com a execução dos colegas A partir de exercícios como esses os alunos ficarão mais à vontade para começar a ensaiar uma peça teatral Faça valer a pena 1 A contação de histórias é uma forma antiga do homem narrar histórias incen tivando a imaginação do espectador Contar histórias é saber criar condições que despertem emoções sensações de suspense e de surpresas de forma que o narrador desempenhe papel fundamental No contexto escolar a contação de história deve a Ser uma forma de transmitir saberes da tradição histórica que se apresentam prontos e fechados nas diferentes culturas Pode ser realizada improvisada mente por meio de histórias escolhidas no momento da ação b Ser uma atividade planejada Ela pode ser praticada por professores e alunos dependendo da proposta O importante é que haja um envolvimento por parte de todos que estão envolvidos narrador e ouvinte c Ser uma prática artística que priorize a linguagem escrita dos alunos d Explorar a ludicidade Tratase de um momento de brincadeira que objetiva o lazer e que não deve assumir nenhum caráter pedagógico Caracterizase como uma atividade espontânea e Ser uma forma de disciplinar a turma Em momentos de lazer quando todas as atividades forem concluídas contase histórias para as crianças Nessa atividade o planejamento didáticopedagógico pode ser omitido 2 a criança ainda não possui maturidade psicológica suficiente para compreender a vida interior de um perso nagem Ela imita as ações exteriores interessandose pelas narrativas aventurosas embora o faça com uma verdade muitas vezes invejada pelos profissionais do Teatro diferen temente do ator que compreende a distância significativa entre a sua própria vida e a do personagem e que provoca a criação de uma aparência da realidade por meio de seu físico e de sua subjetividade SOUZA 2014 p 161 136 Com base nas informações apresentadas avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas I Os ensaios das cenas teatrais no contexto escolar são exercícios que preparam os alunos para representarem palavras gestos e intenções PORQUE II Por meio dessa prática ocorre a construção do conhecimento na área e também é uma forma de preparar a turma antes da ida ao teatro em um outro momento para assistir a uma peça É uma maneira de o professor fazer o papel de mediador entre os alunos e as experiências estéticas que estão prestes a vivenciar A respeito dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II não justifica a I c A asserção I é uma proposição verdadeira e a II falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II verdadeira e As asserções I e II são proposições falsas 3 De acordo com a BNCC as aulas de arte no ensino fundamental devem explorar conhecimentos e atividades que contemplem quatro linguagens dança artes visuais teatro e música As diferentes manifestações culturais em diferentes épocas devem ser analisadas como resultado de um conjunto de valores e uma maneira de os seres humanos interagirem com o mundo Leia as afirmações relacionadas à essa temática escreva V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas A preparação de peças teatrais no ensino fundamental é uma experiência obriga tória do trabalho com teatro na escola objetivando o processo de ensino e aprendi zagem para aprofundar o conhecimento nessa linguagem Klaus Vianna diretor russo desenvolveu uma metodologia contemporânea de trabalho para atores no início do século XX A dimensão reflexão está relacionada com a produção ou seja com a prática teatral propriamente dita Contar histórias é a fusão de muitas artes literatura expressão corporal poesia música e teatro Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA 137 a F V F V b V F V F c F V V V d F F V V e F F F V 138 Seção 3 Música e dança no ensino fundamental Diálogo aberto Nesta seção estudaremos a importância da escuta musical além disso veremos as brincadeiras tradicionais e parlendas música corpo e dança e também as danças nas festividades escolares O Ipê das Laranjeiras é uma escola que dificilmente trabalha com danças Neste ano contudo alguns alunos solicitaram alguma atividade que envol vesse música ou dança O professor João responsável pela área de arte gostou da ideia mas ficou preocupado pelo fato de não ter formação nessas áreas Ao mesmo tempo ele não queria ignorar a possibilidade de desenvolver algo solicitado pelos alunos Sendo assim como esse docente poderia atender aos alunos garantindo uma atividade de artes em outra área que não a de sua formação inicial de forma bem executada e que cumprisse com os objetivos propostos para a sua disciplina No lugar do professor como você poderia resolver essa situação Quais recursos materiais e humanos poderia lançar mão para alcançar um bom resultado nessa produção Não é difícil encontrar profissionais da educação que não se sintam aptos para desenvolver um trabalho como esse entretanto a música e a dança são linguagens artísticas e devem ser oportunizadas aos alunos O papel da escola tornase relevante na preservação e divulgação de práticas culturais do nosso país e de outras culturas Para resolver essas questões você deverá recorrer aos conteúdos desta seção É importante que você faça mais pesquisas sobre os assuntos aqui abordados a fim de ampliar seu repertório e também participar de vivências como a experiência estética tão importante para a construção do conheci mento na área Não pode faltar A importância da escuta musical A apreciação musical ocorre por meio da escuta que é uma relevante forma de aprendizagem dessa linguagem Ademais essa escuta é uma vivência que no contexto escolar deve ser sistematizada e executada com atenção e intenção didática por parte do professor o que é diferente de apenas ouvir uma música É relevante apresentar aos alunos um vasto repertório para 139 que possam perceber os diferentes gêneros e também as qualidades do som como altura intensidade timbre e duração Também é importante observar os ritmos estilos musicais e os diferentes instrumentos Todos nós com pouquíssimas exceções somos capazes de perceber musica tons timbre intervalos entre notas contornos melódicos harmonia e talvez no nível mais fundamental ritmo Integramos tudo isso e construímos a musica na mente usando muitas partes do cérebro E a essa apreciação estrutural em grande medida incons ciente adicionase uma reação muitas vezes intensa e profundamente emocional SACKS 2007 p 10 O repertório escolhido pelo professor pode ir além daquele que faz parte do cotidiano dos alunos e passar por músicas regionais do nosso país e também de outros além de resgatar músicas da tradição popular e músicas folclóricas para que eles possam perceber os valores musicais de cada cultura É importante apresentar uma variedade de músicas instrumentais e também as que contenham letras pois cada gênero com sua particularidade vai trazer conhecimento visto que está inserido em um determinado contexto em uma época da nossa história em uma cultura e portanto apresenta um significado A escuta musical sugere uma experiência mais complexa apurada profunda e densa que atinge o corpo como um todo diferente de ser simplesmente uma perturbação vibra tória no órgão auditivo ou apenas um processo fisioló gico natural É que além disso envolve intencionalidade atenção concentração não exprimindo uma ação involun tária de captar sons eou contra a vontade GRANJA 2006 BRITO 2003 BEHNE 1997 apud POPOLIN 2010 p 118 O professor tem um importante papel para proporcionar essa vivência ao aluno e também desenvolver a sua habilidade da escuta musical Além disso essa é uma oportunidade para os estudantes apreciarem músicas que muito possivelmente não teriam acesso pois elas podem não fazer parte de sua preferência Nesse sentido o professor deve ser um pesquisador para ampliar e apresentar músicas diferenciadas que estejam de acordo com o projeto que está desenvolvendo e também com a faixa etária dos alunos Explorar o repertório musical que o discente carrega em suas vivências também é uma 140 prática que faz parte do processo de ensino e aprendizagem desde que esse repertório tenha uma letra adequada à faixa etária em questão Tomar como ponto de partida as preferências musicais do aluno pode ser uma forma de explorar e avaliar os estilos musicais que estão na mídia os ritmos as formas de cantar e analisar consciente e criticamente aquilo que é absorvido pela grande massa para uma melhor compreensão musical e para avançar por meio da apreciação de novos estilos e gêneros musicais A apreciação é uma das atividades mais importantes para o desenvolvimento musical porque desenvolve a audição crítica e estética do aluno esta a apreciação não pode mais ser tratada como uma mera audição descompromis sada MOREIRA 2010 p 290 Por isso quando se trabalha com a escuta musical na sala de aula é neces sário entender que se trata de uma atividade que envolve um direcionamento e intencionalidade Não se trata portanto de um trabalho de escuta musical para executar uma outra atividade como uma pintura ou desenho A música nesse caso seria apenas um pano de fundo para executar essa atividade e não estaria de acordo com a intenção da escuta musical que pretende explorar a percepção auditiva do aluno ao reconhecer o ritmo a melodia os instru mentos presentes na música os gêneros musicais entre outros aspectos a serem percebidos dependendo da proposta da atividade Esse trabalho também possibilita a formação de plateiapúblico por despertar a consciência crítica do aluno ao incentiválo a conhecer estilos diferentes dos que está habituado a escutar ampliando o seu repertório de forma consciente Não se trata de rotular um estilo musical ou uma música como boa ou ruim mas de envolver os alunos em atividades de percepção estética que abarquem a aprendizagem significativa e os modos de perceber a música O professor também pode promover discussões após a escuta musical provocando reflexões a respeito da letra da sua expressividade e da criatividade por exemplo ou sobre a composição melódica bem como a quantidade de instrumentos que compõem a música Os alunos podem refletir sobre a importância da letra de uma música sobre o processo criativo que envolve uma composição e a relação que existe entre a combinação dos elementos sonoros com a letra Ademais também é possível refletir a respeito da performance do artista com a música que produziu além dos ritmos que envolvem o movimento do corpo a dança e que também influenciam o gosto musical 141 A tarefa do professor pode ser procurar novas maneiras de desenvolver atividades de escuta mais amplas com reper tórios que sejam interessantes aos alunos que abarquem uma maior quantidade de gêneros musicais e torne o aprendizado musical prazeroso e significativo MOREIRA 2010 p 290 Reflita A escola deve trazer um estilo de musica específico para os alunos traba lharem ou apreciarem ou deve tomar como ponto de partida a prefe rência dos alunos para desenvolver os projetos em educação musical Para realizar uma atividade de escuta musical o professor pode preparar a sala de aula a fim de que haja menos interferências externas deixando os alunos mais concentrados e atentos Para tal ele pode apagar as luzes fechar as cortinas e a porta de forma que interferências vindas do corredor como vozes de pessoas ou qualquer outro ruído não atrapalhem a audição Tais ações por diminuírem o barulho criarão um ambiente mais calmo e portanto propício para a escuta Podese explorar a percepção dos parâmetros sonoros altura duração timbre e intensidade estimulando o reconhecimento de sons ascendentes descendentes iguais diferentes longos curtos fortes suaves bem como suas características particulares Essa prática pode contribuir para que os alunos prestem mais atenção nas músicas apresentadas Além disso para essa atividade com o intuito de potencializar as sensa ções as impressões e percepções sempre direcionadas pelas intenções de ensino e aprendizagem criadas pelo professor os alunos podem fechar os olhos ainda sentados em suas cadeiras ou se houver possibilidade podem deitar em colchonetes Essas atividades se diferenciam de simplesmente escutar uma música como fazemos no dia a dia ouvindo no carro por meio de um pen drive ouvindo rádio em casa ou em uma festa junto dos amigos Ademais o recurso audiovisual também pode ser uma experiência estética bem significativa para o aluno realizar a escuta musical É possível apresentar o clipe musical de diversas formas iniciandose pela escuta da música até chegar a apreciação da imagem audiovisual relacionando a sequência das imagens com a música apresentada 142 Brincadeiras tradicionais e parlendas música corpo e dança Em nossa cultura são inúmeras as brincadeiras tradicionais que devem permanentemente ser resgatadas e estar presentes no contexto escolar pois além do aspecto lúdico elas também são um importante instrumento pedagó gico de valorização e de preservação da cultura o qual muitas crianças desco nhecem A brincadeira também se mostra como uma forma relevante de integrar a criança aos seus pares beneficiando o seu desenvolvimento social As brincadeiras tradicionais fazem parte do folclore infantil trazem consigo parte da cultura popular pois são trans mitidas oralmente guardam a produção espiritual de um povo em certo período histórico estando sempre em trans formação incorporando criações de novas gerações que venham a sucedêlas KISHIMOTO 2006 p 23 As brincadeiras tradicionais presentes em nossa cultura também fazem parte da tradição oral e das vivências infantis que são passadas de geração em geração e que resultam na integração do passado com o presente Tratase do conhecimento cultural produzido historicamente pelo homem ou seja nossos antepassados nos trazem ensinamentos dos modos como brincavam desper tando reflexões a respeito de como as brincadeiras ocorrem na atualidade Essas reflexões devem ser constantemente revistas Quando a criança vivencia essas brincadeiras parlendas danças de roda isto é as brincadeiras tradicionais ela também está reproduzindo o seu aprendizado a respeito daquela brincadeira em um outro contexto em uma outra época e em um outro lugar A criança se expressa pelo ato ludico e é através desse ato que a infância carrega consigo as brincadeiras Elas perpe tuam e renovam a cultura infantil desenvolvendo formas de convivência social modificandose e recebendo novos conteudos a fim de se renovar a cada nova geração É pelo brincar e repetir a brincadeira que a criança saboreia a vitória da aquisição de um novo saber fazer incorporan doa a cada novo brincar CRAIDY KAERCHER 2001 p 103 Muitas são as brincadeiras que podemos destacar como tradicionais por exemplo casinha bola estilingue soltar pipa pião bambolê bola de gude peteca pular corda passar o anel rodar pneu entre outras Além disso temos também as parlendas brincadeiras cantadas com palavras rimadas 143 que trabalham a linguagem e fazem parte do folclore brasileiro Ademais existem as diversas brincadeiras de rodas ou cirandas pertencentes à ludici dade que também passam por diferentes tempos e lugares e devem ser explo radas no contexto escolar pois trazem conteúdos ricos em conceitos modos de pensar e de agir assim como valores e atitudes A BNCC apresenta os seguintes objetos de conhecimento no campo da música Contextos e práticas Elementos da linguagem Materialidades Notação e registro musical Processos de criação Entre as habilidades a serem desenvolvidas estão Identificar e apreciar criticamente diversas formas e gêneros de expressão musical reconhecendo e analisando os usos e as funções da música em diversos contextos Perceber e explorar os elementos constitutivos da música altura intensidade timbre melodia ritmo etc por meio de jogos brinca deiras canções e práticas diversas de composiçãocriação execução e apreciação musical Explorar fontes sonoras diversas como as existentes no próprio corpo palmas voz percussão corporal na natureza e em objetos cotidianos reconhecendo os elementos constitutivos da música e as características de instrumentos musicais variados Explorar diferentes formas de registro musical não convencional representação gráfica de sons partituras criativas etc bem como procedimentos e técnicas de registro em áudio e audiovisual além de reconhecer a notação musical convencional Experimentar improvisações composições e sonorização de histó rias entre outros utilizando vozes sons corporais eou instrumentos musicais convencionais ou não convencionais de modo individual coletivo e colaborativo 144 Assimile As brincadeiras de roda ou cirandas acontecem em grupo com as mãos dadas e em círculo Elas fazem parte das brincadeiras tradicionais da nossa cultura e também da cultura de outros povos Descobrir a origem dessas brincadeiras além da sua prática é um relevante trabalho pedagógico que permite a construção do conhecimento Figura 36 Ciranda Fonte Shutterstock As cirandas podem ser exploradas com o grupo de alunos de forma que cada um possa explorar movimentos espontâneos com todo o corpo combinandoos com a musicalidade e os ritmos expressos nessa manifes tação folclórica Esse tipo de atividade proporciona aprendizagens variadas por meio da interação entre os pares As cirandas são expressas pelas cantigas de roda que trazem elementos pertencentes ao folclore brasileiro com letras fáceis geralmente rimadas Quando o aluno tem contato com essa vivência também conhece as manifestações culturais dos diferentes povos Alencar 2010 p 111 afirma que As cantigasderoda integram o conjunto das canções anônimas que fazem parte da cultura espontânea decor rente da experiência de vida de qualquer coletividade humana e se dão numa sequência natural e harmônica com o desenvolvimento humano 145 Além da ciranda outras danças de tradições populares podem ser explo radas no ensino fundamental tais como a quadrilha a dança do paudefita a catira o tambor de crioula o carimbó cacuriá jongo coco bumba meu boi entre outras Essas danças podem ter caráter nacional ou regional estarem ligadas à religiosidade à magia à guerra à colheita a comemorações festivas entre outras situações que se relacionam com a cultura e a história de um povo Além disso podem ter origem indígena africana ou europeia e a descoberta de todos esses itens faz parte da pesquisa que o professor deve realizar Pesquise mais O movimento corporal é uma expressão artística que pode ser realizada por meio de diferentes estilos e praticada em diferentes lugares Conheça um pouco mais sobre os benefícios da dança ao ler a reportagem O corpo o movimento e a aprendizagem da Revista Nova Escola O CORPO o movimento e a aprendizagem Nova Escola Sl 1 abr 2007 As danças nas festividades escolares O ensino de dança no contexto escolar não deve priorizar as apresentações festivas ou seguir padrões técnicos e coreográficos dos diversos estilos que a dança pode apresentar pois mais do que isso tratase de uma experiência estética que o aluno deve vivenciar para o seu desenvolvimento expressivo É relevante dizer que a dança tanto é uma proposta de conteúdo do ensino da arte como também da educação física A aprendizagem em dança nas duas áreas também representa uma forma de conhecimento e deve contribuir para a formação cultural do aluno Segundo o PCN de arte A dança assim como é proposta pela área de Arte tem como propósito o desenvolvimento integrado do aluno A experiência motora permite observar e analisar as ações humanas propiciando o desenvolvimento expressivo que é o fundamento da criação estética Os aspectos artísticos da dança como são aqui propostos são do domínio da arte BRASIL 1998 p 50 Entre os objetivos gerais destacamse a capacidade dos alunos de construir uma relação de cooperação situar e compreender as relações entre corpo dança e sociedade 146 Figura 37 Dança em grupo Fonte Shutterstock A dança no contexto escolar não deve ser tratada com superficialidade e ser lembrada apenas em momentos que são necessários realizar apresenta ções para a comunidade ou algum tipo de festividade em função do planeja mento do Projeto Político Pedagógico Os momentos mais lembrados são os que se relacionam com as datas comemorativas como festa junina dia das mães dia dos pais e festa de encer ramento de final de ano O ensino dessa linguagem pode prever apresen tações para a comunidade pois essas comemorações assim como outras que podem surgir fazem parte da cultura escolar mas essas devem estar de acordo com o planejamento da aula e do projeto da escola assim como a exposição de pinturas e apresentação de uma peça teatral elaborada por alunos são eventos que não devem estar descontextualizados do processo de ensino e aprendizagem Outro fator que influencia o desenvolvimento dessa linguagem na escola é o despreparo do professor que geralmente não possui formação na área e não consegue manter um processo contínuo de ensino de acordo com as leis vigentes Além disso muitas vezes o docente tem como principal referencial as experiências que estão expostas na mídia e acaba se baseando em apresen tações assistidas em vídeos ou shows carregadas de movimentos estere otipados gestos pouco elaborados integrados com música da moda e que não possuem relação com os aspectos de aprendizagem que o ensino dessa linguagem almeja Assim sendo a dança deve ser 147 compreendida desconstruída e transformada pois é forma de conhecimento A dança que chega às escolas mesmo que sejam as danças da mídia ou os repertórios préfixados das danças brasileiras urgem por reconstrução releitura e transformação para que a escola cumpra seu papel no projeto social a que se propõe MARQUES 2008 p 50 A BNCC apresenta os seguintes objetos de conhecimento no campo da dança Contextos e práticas Elementos da linguagem Processos de criação Entre as habilidades a serem desenvolvidas estão Pesquisar e analisar diferentes formas de expressão representação e encenação da dança reconhecendo e apreciando composições de dança de artistas e grupos de diferentes épocas Explorar elementos constitutivos do movimento cotidiano e do movimento dançado abordando criticamente o desenvolvimento das formas da dança em sua história tradicional e contemporânea Experimentar e analisar os fatores de movimento tempo peso fluência e espaço como elementos que combinados geram as ações corporais e o movimento dançado Investigar e experimentar procedimentos de improvisação e criação do movimento como fonte para a construção de vocabulários e reper tórios próprios Investigar brincadeiras jogos danças coletivas e outras práticas de dança de diferentes matrizes estéticas e culturais como referência para a criação e a composição de danças autorais individualmente e em grupo Analisar e experimentar diferentes elementos figurino iluminação cenário trilha sonora etc e espaços convencionais e não convencio nais para composição cênica e apresentação coreográfica Discutir as experiências pessoais e coletivas em dança vivenciadas na escola e em outros contextos problematizando estereótipos e preconceitos 148 Vale lembrar que a BNCC apresenta como unidade temática ainda as artes integradas que estão relacionadas às relações e articulações entre as diferentes linguagens e suas práticas A BNCC apresenta os seguintes objetos de conhecimento no campo artes integradas Processos de criação Matrizes estéticas culturais Patrimônio cultural Arte e tecnologia Entre as habilidades a serem desenvolvidas estão Reconhecer e experimentar em projetos temáticos as relações proces suais entre diversas linguagens artísticas Caracterizar e experimentar brinquedos brincadeiras jogos danças canções e histórias de diferentes matrizes estéticas e culturais Exemplificando A dança auxilia no resgate da autoestima dos alunos Leia o relato da Escola Municipal Professora Silene de Andrade em Goiânia que ofereceu aulas de dança quando a instituição passou a funcionar em período integral e com isso apresentou expressivos resultados dos alunos com dificuldades de aprendizagem SCHENINI F Dança ajuda no resgate de autoestima dos estudantes Sl 26 out 2013 Sem medo de errar Agora vamos relembrar a situaçãoproblema em que alunos solicitam ao seu professor de arte uma atividade de música e dança o que dificilmente acontecia na escola Diante desse pedido como não tinha formação direta nesses conteúdos o professor ficou preocupado em como iria atender a demanda dos alunos com qualidade de forma que contemplasse os objetivos propostos para a disciplina Assim o docente decidiu convidar o professor de educação física para desenvolverem juntos uma atividade que envolvesse música e dança O docente ponderou que seria uma oportunidade interes sante visto que eles também poderiam resgatar aspectos da cultura popular brasileira pois o ensino dessa linguagem deve ser tratado como uma forma de conhecimento necessário à formação cultural do aluno 149 É importante lembrar que o trabalho não deve ser pensado apenas como uma sequência de movimentos a serem executados sem contextualização e apenas com o objetivo de fazer uma apresentação bonita para a comuni dade O trabalho com dança pode ser desenvolvido de modo a elevar a autoestima dos alunos à medida que contribui para regulação dos níveis de serotonina e dopamina no corpo CAVALCANTE 2015 sp Faça valer a pena 1 A dança é uma linguagem artística Capri Proscêncio e Sborquia 2014 afirmam que a dança utiliza o corpo como forma de comunicação e expressão para o mundo Observase desse modo que a dança oportuniza inicialmente uma série de experiên cias e descobertas individuais favorecendo posteriormente a comunicação com pessoas de diferentes realidades e nacionalidades e a expressão das emoções A dança envolve a prática propriamente dita a apreciação reflexão e as possíveis improvisações que podem ser realizadas a partir das vivências propostas de modo contextualizado Nesse contexto é correto afirmar que a prática da dança a Promove a desigualdade entre os alunos valorizando aqueles com habilidade para a sua prática b Estimula a individualidade na criação artística c Representa uma forma de conhecimento que envolve as dimensões criação e fruição d Permite o contato com a cultura erudita por meio das práticas contemporâneas e Prescinde contextualização em face da prática 2 A arte é uma criação humana com valores estéticos que faz parte do cotidiano das pessoas Sua vivência proporciona emoções sensações envolve conhecimento e cultura É um conjunto de linguagens que o homem procura utilizar para expressar suas ideias e sentimentos seja através das formas cores sons movimentos e gestos Nesse contexto analise os conjuntos de linguagens apresentados na coluna à esquerda com suas respectivas descrições apresentadas na coluna direita CONJUNTO DE LINGUAGENS CARACTERÍSTICAS I Tradição oral É diferente de só ouvir música deve ser uma forma de perceber a sonoridade em toda a sua complexida de em tons timbres melodia e ritmo II Dança No contexto escolar é um importante instrumento pedagógico de valorização e preservação da cultura 150 III Brincadeiras tradicionais É o conhecimento cultural produzido historica mente pelo homem transmitido de uma geração para a outra no qual nossos antepassados nos trazem suas tradições e culturas IV Apreciação musical É uma experiência estética que abarca a instru mentalização técnica e o gesto espontâneo e criativo Vincula o estímulo musical e o silêncio Assinale a alternativa que apresenta a associação correta a IV I III II b IV II I III c IV III I II d III IV I II e III II IV I 3 A dança apresenta uma linguagem característica que pode desenvolver no aluno a compreensão da capacidade de seus movimentos por meio da própria expressi vidade No contexto da sua aprendizagem a dança deve contar com pesquisas de movimentos de ritmos de criação na área aliadas ao conhecimento e a produção cultural da humanidade Tomando como referência essa linguagem para educação e arte julgue as afirmativas a seguir em V verdadeiras ou F falsas A dança deve seguir padrões técnicos coreográficos expressivos com primazia às festividades escolares A dança é uma vivência que permite desenvolver a expressividade por meio da análise das ações humanas um fundamento da criação estética A dança objetiva audições das várias composições musicais em uma percepção de quantificar os instrumentos que as compõem assim como reflexões a respeito da performance dos artistas Por meio da dança percebemos sons musicais tons timbres intervalos entre as notas e harmonia na composição em um sentido de escuta musical concomitante às percepções dos limites corporais Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA a F V F V b F V V F 151 c F F F V d F V F F e V V F F Referências A TINTA que vem da natureza Nova Escola Sl 1 out 2007 Disponível em httpsnovaes colaorgbrconteudo1286atintaquevemdanatureza Acesso em 12 ago 2019 ALENCAR S A música na educação infantil 4 ed São Paulo Editora Paternoni 2010 ALEXANDROFF M C Os caminhos paralelos do desenvolvimento do desenho e da escrita Const Psicoped v 18 n 17 São Paulo dez 2010 ANTUNES S F RODRIGUES E B T Cultura arte e contação de histórias In RODRIGUES E B T ANTUNES S F org Contação de histórias uma metodologia de incentivo à leitura Goiânia SEEGO 2007 BARBOSA A M Org Inquietações e mudanças no ensino da arte São Paulo Editora Cortez 4 ed 2008 BARBOSA A M A Imagem no ensino da arte anos oitenta e novos tempos 6 ed São Paulo Perspectiva 2005 BRASIL Ministério da Educação e Desporto Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais Arte ensino de primeira à quarta série Brasília MECSEF 1997 BRASIL Parâmetros Curriculares Nacionais Educação Física Brasília MECSEF 1998 CAFÉ A B Dos contadores de história e das histórias dos contadores 2000 104 f Dissertação Mestrado em Educação Física Faculdade de Educação Física Universidade Estadual de Campinas Campinas 2000 Disponível em httprepositoriounicampbrhandle REPOSIP275420 Acesso em 14 ago 2019 CAPRI F S PROSCÊNCIO P A SBORQUIA S P Posibilidades do trabalho pedagógico com a dança no currículo da educação física escolar In FIink S C M org Educação física escolar saberes práticas pedagógicas e formação Curitiba InterSaberes 2014 CAVALCANTE A Estudo comprova que dança ajuda a combater a depressão e o estresse Disponível em httpsgooglo8YFmr Acesso em 19 fev 2018 CHACRA S Natureza e Sentido da Improvisação Teatral 2 ed São Paulo Perspectiva 2010 COELHO M A Teatro na escola uma possibilidade de educação efetiva Polêmica v 13 n 2 2014 Disponível em wwwepublicacoesuerjbrindexphppolemicaarticleview106178513 Acesso em 14 ago 2019 COLL C TEBEROSKY A Aprendendo arte conteúdos essenciais para o ensino fundamental São Paulo Ática 1999 CRAIDY C KAERCHER G E org Educação Infantil Pra que te Quero Porto Alegre ARTMED 2001 DERDYK E Formas de pensar o desenho São Paulo Scipione 1989 DERDYK E Formas de pensar o desenho o desenvolvimento do grafismo infantil Série Pensamento e ação no magistério São Paulo Scipione 1994 FERRAZ M H C de T FUSARI M F de R e Metodologia do ensino de arte fundamentos e proposições 2 ed São Paulo Cortez 2009 GABRE S de F A arte na Educação Infantil uma reflexão a partir dos documentos oficiais RCNEI DCNEI BNCC Linguagens revista de letras artes e comunicação Blumenau v 10 n 3 p 491501 setdez 2016 KISHIMOTO T M O jogo e a educação infantil In KISHIMOTO T M org Jogo brinquedo brincadeira e a educação São Paulo Cortez 2006 KOUDELA I Brecht um jogo de aprendizagem São Paulo Perspectiva 2007 LOPES V G Linguagem do corpo e movimento Curitiba PR FAEL 2006 MARQUES I A Educação e cultura reflexões sobre a dança na cidade In XAVIER J MEYER S TORRES V org Coleção dança cênica pesquisas em dança v1 Joinville Letradágua 2008 MIRANDA D S de Processo educativo na ação cultural In BERTAZZO I Espaço e corpo guia de reeducação do movimento São Paulo SESC 2004 MOREIRA L R de S Representações Sociais Caminhos para a compreensão da apreciação musical In SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PÓSGRADUANDOS EM MÚSICA 1 Rio de Janeiro Anais Rio de Janeiro 2010 O CORPO o movimento e a aprendizagem Nova Escola Sl 1 abr 2007 Disponível em httpsnovaescolaorgbrconteudo1030ocorpoomovimentoeaaprendizagem Acesso em 14 ago 2019 POPOLIN Á O que os jovens do ensino médio aprendem de música através de suas experiências diárias de escuta Um estudo de caso In SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PÓSGRADUANDOS EM MÚSICA 1 Rio de Janeiro Anais 2010 Disponível em httpsgoogli4jr3s Acesso em 14 ago 2019 PORCHER L Educação Artística luxo ou necessidade 5 ed São Paulo Summus 1992 RANGEL V B Releitura não é cópia refletindo uma das possibilidades do fazer artístico Revista Nupeart Florianópolis v 3 n 3 set 20042005 Disponível em httpsgoogl wFW1jW Acesso em 12 ago 2019 REIS A C A experiência estética sob um olhar fenomenológico Arq Bras Psicol v 63 n 1 Rio de Janeiro 2011 RICHTER S R S Crianças pintando experiência lúdica com as cores In CUNHA S R V da As artes do universo infantil Porto Alegre Mediação 2014 SACKS O Alucinações musicais Trad Laura T Motta São Paulo Companhia das Letras 2007 SCHENINI F Dança ajuda no resgate de autoestima dos estudantes Sl 26 out 2013 Disponível em httpsgooglJe1TX1 Acesso em 14 ago 2019 SISTO C Contar histórias uma arte maior In MEDEIROS F H N MORAES T M R org Memorial do Proler Joinville e resumos do Seminário de Estudos da Linguagem Joinville UNIVILLE 2007 p 3941 Disponível em httpwwwcelsosistocomensaiosContar20 HistC3B3riaspdf Acesso em 14 ago 2019 SOUZA L F A magia e o encantamento do teatro na infância In CUNHA S R V org As artes no universo infantil Porto Alegre Mediação 2014 SPOLIN V Jogos teatrais na sala de aula o livro do professor 2 ed São Paulo Perspectiva 2010 STANISLAVSKI C A construção da personagem Rio de Janeiro Civilização Brasileira 2004 VIANNA K A dança São Paulo Siciliano 1990 Unidade 4 Tatiane Mota Santos Jardim Tatiana dos Santos A arte como herança e transformação Convite ao estudo Compreender a cultura de um povo é a oportunidade de agregar valor e conhecimento à trajetória de qualquer pessoa Mas para conhecer as especi ficidades que marcam cada povo como etnia território fazse necessário inicialmente dominar alguns conceitos como o de cultura Você sabe o que é cultura Quais as matrizes culturais formam a população brasileira A cultura sempre foi tema de grandes pesquisas e deve ser identificada como uma construção do homem É algo que o homem produz e que não lhe é dado pela natureza Nesta unidade vamos conhecer as matrizes culturais que formam a história a arte e a cultura do povo brasileiro A formação cultural do povo brasileiro é muito rica e diversificada tendo em vista que recebemos influências de diferentes povos que aqui chegaram Vamos perceber que indígenas europeus e africanos marcam a nossa história os nossos costumes e as tradições por todas as regiões do país A influência indígena e africana é tão forte que no Brasil temos uma legislação específica a qual garante o ensino e a preservação da cultura desses povos Convido você a estudar um pouco mais esse tema nesta unidade 156 Seção 1 Artes visuais teatro música e dança Diálogo aberto Você é um professor do quarto ano do ensino fundamental e percebeu que neste ano seus alunos estão curiosos para descobrir um pouco mais sobre a formação cultural do povo brasileiro A mídia vem noticiando cenas de racismo preconceito e discriminação de forma muito mais intensa com negros e indígenas Esse contexto que não é recente levouo a rever o projeto de estudos para que as raízes culturais e a diversidade cultural por meio de investigação com os alunos fossem trabalhadas e valorizadas Você deverá buscar ampliar o seu repertório artístico histórico e cultural para trabalhar com os alunos Quais aspectos deverá considerar para ampliar os conhecimentos sobre as manifestações artísticas regionais e culturais Como propiciar aos alunos o contato com a história cultura e arte a fim de provocar uma reflexão sobre a valorização da cultura africana e indígena por exemplo Não pode faltar Matrizes culturais indígenas A formação cultural do povo brasileiro certamente recebeu grandes influências mas foram os indígenas que marcaram o início dessa história artística e cultural De acordo com Ribeiro 1995 várias tribos contribuíram com a nossa história principalmente a tribo tupi Quando os portugueses chegaram eles encontraram essas tribos em fase de iniciação da agricultura Elas culti vavam milho batatadoce cará feijão amendoim tabaco abóbora urucum algodão cabaças pimentas abacaxi mamão ervamate guaraná entre muitas outras plantas além de frutas entre elas o pequi e o caju 157 Figura 41 Família de um chefe Camacâ Fonte Proença 2003 p 212 Os indígenas dominavam várias técnicas entre elas as artesanais As mulheres faziam cestos redes e utensílios para uso doméstico sendo manifes tações artísticas e culturais preservadas até os dias atuais e que influenciam a arte e o artesanato brasileiro Figura 42 Cerâmica Fonte httpsgooglrgsFpe Acesso em 28 ago 2019 158 Figura 43 Cestaria Fonte httpsgooglUu2GqM Acesso em 28 ago 2019 Figura 44 Arte plumária e pintura corporal Fonte httpsgooglvLznp9 Acesso em 28 ago 2019 Os indígenas também dominavam conhecimentos sobre ervas medici nais chás e remédios Com a chegada dos europeus os hábitos foram se misturando 159 Assimile Catequização A vinda dos europeus influenciou o desenvolvimento do povo brasileiro que logo passou a conhecer a missão jesuítica objetivando a expansão do catolicismo nessa nova terra catequizando os indígenas que aqui encontraram Em uma época em que a igreja católica detinha grande poder várias ordens como carmelitas beneditinos e franciscanos também vieram para a América mas os jesuítas marcaram a colonização do povo brasileiro Os primeiros registros relacionados ao ensino da arte no Brasil são datados aproximadamente de 1549 a 1808 período em que a educação estava voltada para os nobres e sob a responsabilidade de grupos religiosos principalmente os jesuítas Nesse período no Brasil a educação dominada pela missão jesuítica era dividida em dois projetos Um voltado para a catequização dos índios Outro voltado para a elite dominante Segundo Ferraz e Fusari 2009 os índios aprenderam a tocar construir instrumentos e compor Foi apenas por volta de 1808 por meio das reformas do Marquês de Pombal que a educação jesuítica perdeu sua força Os jesuítas perderam o poder de atuar junto às escolas porém os professores aptos à atuação eram aqueles formados pelos próprios jesuítas Esse momento pedia uma reestruturação cultural no país que ficou marcada pela vinda da Missão Artística Francesa para o Brasil ação de D João VI com o objetivo de reformular os padrões estéticos vigentes FERRAZ FUSARI 2009 p 42 Contudo os brancos também precisavam de mão de obra e para tanto escravizaram os índios principalmente para o trabalho com o cultivo da canadeaçúcar Assim a formação cultural do povo brasileiro tem início com as influ ências europeias por meio da catequização jesuítica e também pela explo ração dos indígenas Diante da necessidade de ampliar a sua mão de obra os europeus passaram a trazer escravos africanos e assim mais uma cultura foi incorporada ao nosso povo 160 Matrizes culturais europeias A missão Artística Francesa chegou ao Brasil chefiada por Joachim Lebreton 17601819 como um grupo de artistas importados da França no ano de 1816 encarregados de substituir a concepção popular de arte assim como o barroco brasileiro pelo neoclassicismo com enfoque nos desenhos na pintura na escultura e na moda europeia Dois dos principais artistas dessa missão foram Nicolas Taunay 17551830 pintor francês de grande destaque na corte de Napoleão Bonaparte e considerado um dos mais importantes da Missão Francesa Ficou no Brasil por cinco anos e retratou paisa gens do Rio de Janeiro MARTINS SILVEIRA 2011 Figura 45 Nicolas Taunay Fonte httpsgooglg18dDV Acesso em 28 ago 2019 JeanBaptiste Debret 17681848 conhecido como a alma da Missão Francesa foi desenhista aquarelista pintor cenográfico decorador professor de pintura e organizador da primeira exposição de arte no Brasil 1829 Em 1818 trabalhou no projeto de ornamen tação da cidade do Rio de Janeiro para os festejos da aclamação de DJoão VI como rei de Portugal Brasil e Algarve Mas foi em Viagem pitoresca ao Brasil coleção composta de três volumes com um total de 150 ilustrações que ele retratou e descreveu a sociedade brasileira Seus temas preferidos são a nobreza e as cenas do cotidiano brasileiro e suas obras nos dão uma excelente ideia da sociedade brasileira do século XIX MARTINS SILVEIRA 2011 161 Figura 46 Sociedade brasileira por Debret 1 Fonte httpsgoogl9evY6A Acesso em 28 ago 2019 Figura 47 Sociedade brasileira por Debret 2 Fonte httpsgooglBrbcJi Acesso em 28 ago 2019 Foi com a vinda da Missão Artística Francesa ao Brasil que em 1816 foi criada a Escola Real das Ciências Artes e Ofício do Rio de Janeiro que após dez anos foi transformada em Imperial Academia e Escola de Belas Artes Ela foi a instituição oficial do ensino da arte no Brasil porém ainda com orientações de institutos similares na Europa Os artistas responsáveis pelo ensino nessa instituição eram nomeados e seguiam os modelos artísticos europeus a arte neoclássica valorizando 162 categorias como harmonia o equilíbrio e o domínio de materiais FERRAZ FUSARI 2009 p 42 Como nessa época a Missão Artística Francesa adotou o estilo neoclás sico acabou por gerar certo preconceito em relação a arte praticada pelas camadas populares o barrocorococó A Academia Imperial de Belas Artes teve nomes importantes como alunos e posteriormente como professores Fazem parte desses alunos os artistas Victor Meireles autor da obra Primeira Missa no Brasil Figura 48 Victor Meireles Fonte httpsbitly2MHHrkY Acesso em 28 ago 2019 Pedro Américo autor da obra Independência ou Morte conhecida também como O Grito do Ipiranga Figura 49 Pedro Américo Fonte httpsbitly2NzoWPn Acesso em 28 ago 2019 163 Almeida Júnior autor da obra Cena da Família de Adolfo Augusto Pinto Figura 410 Almeida Júnior Fonte httpsgooglBZjWJW Acesso em 28 ago 2019 Entre esses três artistas Victor Meireles e Pedro Américo se destacaram na Academia Imperial de Belas Artes recebendo como prêmio a oportuni dade de aprofundarem seus estudos na Europa Os dois artistas também se tornaram professores na própria Academia No final do século XIX o Brasil recebeu milhões de imigrantes que sonhavam em conseguir emprego e terras para o cultivo de forma que pudessem assegurar o futuro dos filhos A maior parte desses imigrantes veio da Alemanha da Itália de Portugal e da Espanha fixandose princi palmente em São Paulo e no Sul do país Eles trabalhavam nas plantações de café e acabaram ocupando o lugar dos mestiços e escravos libertos como mão de obra assalariada RIBEIRO 1995 No sul do Brasil os núcleos de povoamentos se deram em áreas cedidas pelo governo muitas vezes em terras indígenas O objetivo era constituir pequenas propriedades familiares que garantissem a ocupação efetiva do território MELANI 2006 p 202 A junção das populações indígena africana europeia e asiática foi dando origem à formação cultural do povo brasileiro 164 Matrizes culturais africanas Os negros chegaram ao Brasil escravizados pelos europeus e eram trazidos de diferentes lugares como Sudão Costa do Marfim Nigéria Angola e Moçambique Com eles vieram suas culturas seus hábitos e costumes Muitos morreram na travessia outros na chegada mas muitos se adaptaram às novas terras RIBEIRO 1995 Os negros que aqui chegavam eram escravizados batizados e distanciados dos laços familiares e culturais Os homens precisavam atuar também como reprodutores e as mulheres mais bonitas eram escolhidas para serem concubinas e domésticas por vezes castigadas pelas esposas dos senhores As escravas na casa do senhor cumpriam as tarefas domésticas que seriam destinadas a uma mãe de família como cozinhar limpar a casa e cuidar dos filhos FREYRE 2003 Com a mistura de culturas e motivados pelo contexto de escravidão da época os negros deram origem a novos modos de falar andar e comer Ao aproveitarem sobras de alimentos deram origem à feijoada à farofa ao quibebe e ao vatapá por exemplo FREYRE 2003 Após a abolição da escravatura os negros ficaram sem terras para cultivo e assim a maior parte deles se concentrou na periferia das cidades RIBEIRO 1995 Pesquise Mais Para ampliar as suas reflexões leia o artigo referenciado a seguir MORAIS M R de JAYME J G Povos e comunidades tradicionais de matriz africana Uma análise sobre o processo de construção da uma categoria discursiva Civitas Porto Alegre v 17 n 2 p 268283 maioago 2017 As manifestações artísticas regionais e culturais O Brasil apresenta uma diversidade cultural muito grande e podemos perceber isso no modo como as pessoas falam alimentamse manifestam suas crenças e seus valores A arte nos auxilia com essa construção do conhecimento Podemos perceber as influências culturais no artesanato no folclore na dança e na música que ouvimos do norte ao sul do país São influências africanas indígenas europeias asiáticas e americanas que formam um povo com uma das culturas mais diversificadas do mundo Vamos conhecer um pouco dela 165 O Nordeste é uma região muito festiva Algumas das principais festas dessa região são os reisados e pastoris os guerreiros alagoanos o quilombo o maracatu de Pernambuco os caboclinhos o afoxé na Bahia além da marujada o bumbameuboi e outros folguedos e tradições O Reisado de origem portuguesa tratase da festa de folia de reis O Maracatu Nação parecido com o cortejo dos escravos é uma tradição principalmente na região de Pernambuco Vários ritmos agregam valor cultural para essa região como a capoeira o coco e o frevo com influências africanas além de ritmos como o baião o xaxado o xote o babaçuê a cabina o quilombo o rojão o bambelô o batecoxa que misturam influências europeias ameríndias e africanas sendo os instrumentos mais comuns para esses ritmos o agogô o triângulo a zabumba e a sanfona Figura 411 Capoeira Fonte httpsgooglfzC9Gn Acesso em 28 ago 2019 Figura 412 Maracatu Fonte httpsgooglXZuHTR Acesso em 28 ago 2019 166 Figura 413 Reisado Fonte httpsbitly2L0cbeQ Acesso em 28 ago 2019 É possível perceber algumas influências artísticas e culturais que envolvem diferentes linguagens da arte a música e a dança se misturam e revelam principalmente características de matrizes africanas e portuguesas Exemplificando A capoeira é um jogo de origem africana que foi trazido para o Brasil pelos negros escravizados Inicialmente era uma forma de luta e resis tência Ao som do atabaque do berimbau e do agogô os jogadores executam movimentos de ataque defesa e esquiva em meio a uma roda de pessoas que por vezes assistem interagindo com os jogadores ou trocando de lugar com eles A formação da roda é importante para propiciar a interação a visuali zação e envolver os participantes no jogo Quando falamos de capoeira estamos relacionando duas linguagens da arte a musica e a dança Para saber mais leia o artigo referenciado a seguir CORTEZ M B et al Luta dança filosofia de vida a capoeira cantada pelos capoeiristas Psicol Am Lat n 14 México out 2008 O carnaval nordestino atrai foliões do país inteiro Normalmente a festa se prolonga por mais de três dias e é marcada por danças músicas e pela presença de grandes músicos da região Na Bahia o evento é marcado por trios elétricos e em Natal Maceió Olinda e Recife pelo carnaval de rua Essa manifestação cultural que envolve a música a dança e as artes visuais por meio das criações de alegorias princi palmente para os grandes desfiles das escolas de samba revela duas grandes 167 influências a portuguesa que trouxe a festa do carnaval e a africana que trouxe os diferentes ritmos que embalam os passistas Temos também uma representação significativa na religião como a festa do senhor do bom jesus da lapa senhor do bonfim festa dos navegantes candomblé e também as populares como a festa junina Figura 414 Candomblé Fonte httpsgooglJhqZz7 Acesso em 28 ago 2019 Figura 415 Festa junina Fonte httpsgooglVLQqSu Acesso em 28 ago 2019 168 Figura 416 Carnaval Fonte httpsbitly2PjEI3d Acesso em 28 ago 2019 O artesanato da região apresenta as rendas da região litorânea as garrafas de areia coloridas e as obras do grande mestre Vitalino que representava os usos e costumes do homem por meio da modelagem e escultura em barro uma técnica também utilizada por outros artesãos Figura 417 Arte figurativa Fonte httpsbitly2KZqgJz Acesso em 28 ago 2019 169 Figura 418 Rendas de bilro Fonte httpsbitly2Gx8OaF Acesso em 28 ago 2019 A cultura das regiões Sul e Sudeste recebeu influências indígena europeia africana asiática e outras A diversidade de manifestações culturais dessas regiões é grande e movimenta grande parte do turismo em diferentes cidades Muitas das lendas contadas de geração em geração também podem ser reconhecidas em outras regiões como é o caso do Sacipererê um dos perso nagens mais populares do folclore brasileiro Essas regiões apresentam lendas indígenas crenças e personagens que foram criados a partir das heranças trazidas por imigrantes É possível citar a lenda do negrinho do pastoreio famosa por envolver a religiosidade e também a situação de escravidão da gralha azul e do plantio das araucá rias do boi de mamão uma versão do boibumbá e do bumba meu boi das bruxas do sacipererê da cutia do Chico Rei da Serra das esmeraldas etc Figura 419 Bumba meu boi Fonte Shutterstock 170 Figura 420 Aldo locatteli Negrinho do pastoreio Fonte httpsgooglqPvkpU Acesso em 28 ago 2019 O artesanato apresenta características próprias da região No litoral destacamse as rendas de bilro e as redes de pescadores na região de Minas Gerais as famosas esculturas e panelas feitas de pedrasabão bem como as populares namoradeiras No Rio de Janeiro as bonecas Abayoni de origem africana ganham destaque No Espírito Santo as panelas de barro utilizadas para servir a famosa moqueca capixaba Figura 421 Abayomi Fonte httpsgooglSxfjHT Acesso em 28 ago 2019 171 Figura 422 Esculturas em pedra sabão Aleijadinho Fonte httpsbitly30MWn4U Acesso em 28 ago 2019 As regiões Sul e Sudeste são conhecidas por grandes festas No Sudeste especialmente nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo são apresentados os maiores desfiles do carnaval brasileiro no Sul em Blumenal a maior festa alemã do país a Oktoberfest e em Gramado no Rio Grande do Sul o famoso Natal Luz Além dessas festas podemos citar também os folguedos de Minas a congada a folia de reis a cavalhada e o ticumbi detalhes que enriquecem os saberes a herança e as manifestações culturais brasileiras além de agregarem características de diferentes povos Figura 423 Carnaval Di Cavalcanti Fonte httpsgooglYUw3sy Acesso em 28 ago 2019 172 Figura 424 Ticumbi Fonte httpsgooglDuHvT9 Acesso em 28 ago 2019 Figura 425 Congada Fonte httpsgooglHftfNW Acesso em 28 ago 2019 As regiões do Norte e CentroOeste do Brasil também apresentam uma rica diversidade cultural Com influências europeias africanas paraguaias e principalmente marcas da cultura indígena essas regiões apresentam várias lendas costumes festas e tradições que são repassadas de geração em geração e compartilhadas com os turistas que visitam essas terras Muitas lendas estão ligadas à natureza aos animais e à Floresta Amazônica assim temos o curupira e o boitatá defendendo a floresta o Botocorderosa trazendo respostas para a gravidez fora do casamento a índia transformada em vitóriarégia bem como histórias criadas no CentroOeste para se justi ficar a tristeza do Tuiuiu a beleza da Gruta Azul e a generosidade do João de Barro No artesanato vamos ter a arte indígena revelada por meio dos adornos das máscaras da cerâmica das canoas dos instrumentos musicais e também na própria pintura corporal A pintura corporal indígena é muitas vezes específica na representação de cada evento 173 Figura 426 Pintura corporal Fonte httpsgooglDiuYdq Acesso em 28 ago 2019 Figura 427 Artesanato cestaria Fonte httpsgooglxGjrZP Acesso em 28 ago 2019 Na região CentroOeste vamos encontrar o artesanato de capim dourado por meio do qual as artesãs confeccionam adornos colares brincos pulseiras bolsas e utensílios Na região Norte por sua vez encontramos as heranças deixadas nas cerâmicas produzidas pelas culturas Marajoara e Santarém Nessa região rica em festas que representam a fé da população encon tramos o tradicional Círio de Nazaré a Marujada o Carimbó e a Festa de São Gonçalo por exemplo além de todas as danças e todos os rituais indígenas e um dos maiores eventos da cultura brasileira o Festival de Parintins que apresenta a disputa entre os bois Caprichoso e Garantido Tal festival atrai turistas de todo o país contando por meio de apresentação temáticas regio nais como lendas rituais indígenas e costumes dos ribeirinhos mediante alegorias e encenações 174 Figura 428 Círio de Nazaré Fonte httpsgooglAKpNPg Acesso em 28 ago 2019 Figura 429 Festival de Parintins Fonte httpsgoogldYZcGA Acesso em 28 ago 2019 Figura 430 Carimbó Fonte httpsgooglSjjHNL Acesso em 28 ago 2019 175 As matrizes culturais brasileiras se relacionam e comumente encon tramos manifestações artísticas e culturais que revelam essa mistura O carimbó por exemplo é considerado um gênero musical indígena com influ ências culturais africanas e portuguesas Em síntese podemos dizer que nas artes visuais na dança no teatro e na música nossa formação cultural é marcada inicialmente por matrizes africanas europeias e indígenas seguida de influências asiáticas e americanas Uma das competências específicas para o ensino da arte no ensino funda mental de acordo com a BNCC é pesquisar e conhecer matrizes estéticas e culturais especialmente aquelas que constituem a identidade brasileira O conhecimento sobre a história da arte no Brasil e as relações existentes com a cultura indígena e africana são importantes ainda para que os alunos compreendam a diversidade presente na formação cultural brasileira Quadro 41 Matrizes culturais no Brasil influências africanas indígenas e europeias Matriz africana Matriz indígena Matriz europeia Influências na música dan ça alimentação crenças Arte que revela a simbologia africana por meio de pintura corporal adornos produção de máscaras com significado místico iconografia baseada na arte étnica A escultura em madeira é uma grande influência Esculturas de animais atributos às divindades e objetos do cotidiano A pintura e o artesanato influenciados pela matriz africana revelam um colo rido por vezes geométrico outras figurativo A música e a dança se misturam Várias manifesta ções brasileiras apresentam características dessa matriz nos instrumentos no ritmo no som e na expressão corporal Influência na música na dança na alimentação na língua nas crenças no artesanato e na medi cina natural A arte revela os trançados a simbologia com caracte rísticas de diferentes tribos Essa matriz influencia o trabalho artesanal com plumas e elementos da natureza como sementes e fibras naturais Lendas e tradições com in fluência indígena também fazem parte da cultura brasileira bem como a busca por medicina alter nativa utilizandose dos mais diversos elementos naturais A simbologia indígena é muito forte A arte normalmente utilitária apresenta características que envolvem ao mesmo tempo beleza e objetivi dade Influência na música na alimentação na religião na língua no artesanato na cultura erudita A arte revela características marcantes das artes clássicas renascimento maneirismo barroco rococó e neoclas sicismo Na música as tradições por tuguesas italianas alemãs e francesas corroboraram com o desenvolvimento de diversas danças e festas que podem ser encontradas de Norte a Sul do país A arquitetura também recebeu grande influência por meio da exuberância das talhas enriquecidas por detalhes feitos em ouro e principalmente do uso de beiras e sobrados que per manecem até os dias atuais O artesanato é marcado principalmente pelas ren das e porcelanas Fonte elaborado pela autora 176 Reflita Se procurarmos identificar cada herança cultural vamos perceber que todos nós temos muito dos indígenas dos africanos e dos europeus Tendo em vista que são as principais matrizes culturais do Brasil reflita qual o motivo para tanta discriminação e racismo Pesquise Mais Para conhecer de forma mais detalhada as nossas heranças culturais bem como as características históricas e culturais das cinco regiões do Brasil consulte o material elaborado pela professora Graça Pimentel em parceria com o MEC PIMENTEL G Oficinas Culturais Brasília Universidade de Brasília 2007 104 p Sem medo de errar Vamos retomar a situação problema apresentada no início da nossa discussão Você precisa trabalhar as matrizes culturais do povo brasileiro com a turma do 4º ano do ensino fundamental Para realizar esse trabalho você poderá explorar os conceitos sobre a influência indígena por meio dos estudos que realizamos apresentando a história das principais tribos brasi leiras principalmente a tupi da qual diariamente manifestamos diversas heranças culturais Você poderá também citar as consequências das missões Jesuítica e Artística Francesa bem como as características que essas missões deixaram como contribuição para a arte e a cultura brasileira A influência dos negros vindos da África escravizados também marcou nossa história e cultura por meio dos hábitos alimentares das crenças dos valores da música da dança e da arte que prevalecem até os dias atuais Por fim é importante resgatar dentro de cada região as principais carac terísticas culturais exemplificando para os alunos as heranças os saberes e as manifestações culturais brasileiras de diferentes matrizes Compreendeu a importância do conhecimento histórico artístico e cultural para o trabalho com as crianças Para combater as ações de racismo preconceito e violência é necessário dialogar sobre as influências que marcam a nossa existência e principal mente a nossa cultura É importante mostrar para as crianças que indepen dentemente da cor da pele todos nós temos e compartilhamos uma das culturas mais ricas do mundo justamente pela diversidade de matrizes que 177 podemos encontrar Os pequenos precisam iniciar essa discussão desde cedo e ampliála no decorrer de todas as etapas da educação Avançando na prática Joana quer saber sobre frevo Joana acabou de se formar no curso de pedagogia e vai começar a traba lhar com crianças de 3 anos certamente na área de expressão corporal e dança Um dia seus alunos estavam procurando figuras em revistas quando encontraram a imagem de uma criança segurando uma sombrinha colorida Curiosas elas perguntaram a Joana por qual motivo a criança estava segurando aquela sombrinha colorida se não havia sol algum na imagem e por que a sombrinha era menor do que ela argumentando que se houvesse chuva o utensílio não serviria para protegêla Joana percebeu que se tratava de uma imagem do frevo e questionou qual será a origem dessa dança e quais influências culturais permeiam essa prática Resolução da situaçãoproblema O que muitas pessoas não sabem é que o frevo dança típica da região do Nordeste é derivado da capoeira O frevo arrasta multidões no carnaval é uma dança com ritmo acelerado que exige do passista resistência equilíbrio e agilidade é composta por mais de cem passos já catalogados sendo os mais conhecidos a locomotiva a dobradiça o fogareiro a tesoura a capoeira a mola o ferrolho e o parafuso O nome deriva do verbo ferver tendo em vista a agitação da dança que existe desde o final do século XIX Além disso é uma dança cujos passistas utilizam a sombrinha colorida aberta para desenvolverem as coreografias Um dos momentos em que o frevo é a principal atração é no carnaval de Olinda que não conta com escola de samba e é realizado pelo povo e pela folia nas ruas 178 Figura 431 Passista de frevo Fonte httpsbitly2L2SEKK Acesso em 28 ago 2019 Faça valer a pena 1 A formação cultural do povo brasileiro recebeu influências africanas trazidas pelos negros escravizados pelos europeus Entre os aspectos que contam a história dos negros no Brasil podese citar I Os negros que aqui chegavam eram escravizados batizados e distan ciados dos laços familiares e culturais II Os homens negros precisavam atuar também como reprodutores com as mulheres brancas escolhidas pelos seus senhores III As escravas na casa do senhor cumpriam as tarefas domésticas que seriam destinadas a uma mãe de família como cozinhar limpar a casa e cuidar dos filhos IV Com a mistura de culturas e motivados pelo contexto de escravidão da época os negros deram origem a novos modos de falar andar e comer É correto o que se afirma em a I II III e IV b I II e IV c I III e IV d II III e IV e II e III 179 2 Sabiase que os índios constituíam boa parte da mão de obra das fazendas dos sertões paulistas em meados do século XIX Arrecadados e contratados nos aldeamentos existentes ou simplesmente escravizados eram os braços das lavouras os peões das estâncias os trabalhadores das aberturas de estradas e de tantas outras sortes de serviços Os interesses indígenas e dos proprietários muitas vezes se congregaram pois os primeiros buscaram nos segundos a proteção que julgaram apropriada para sobreviver aos ataques realizados por seus inimigos nas matas indígenas de outros povos ou não DORNELLES 2018 p 91 Tanto os negros quanto os indígenas viveram diversas situações de escravidão I Fora de seu habitat natural o índio não se adaptava como escravo morria de infecções fome e tristeza Para suprir a deficiência da mão de obra escrava os senhores de engenho começavam a importar negros caçados na África PORQUE II As escravas negras substituíam as índias tanto na cozinha como na cama do senhor Na agricultura a presença do negro elevava a produção de açúcar e o preço do produto no mercado internacional FREYRE 2003 p 12 Acerca dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justifica tiva da I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II não é uma justi ficativa da I c A asserção I é verdadeira e a II é uma proposição falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira e As asserções I e II são proposições falsas 3 A vinda dos europeus influenciou o desenvolvimento do povo brasileiro por meio de hábitos e costumes trazidos da Europa Entre as culturas em questão podemos citar a França 180 A cultura francesa sempre esteve presente na história do Brasil principal mente após a chegada da Missão Francesa em 1816 Mesmo não tendo sido a principal colonizadora do nosso país e não tendo exercido grande influência política ou econômica sobre o Brasil a França contribuiu para a renovação das artes e para as mudanças dos nossos hábitos culturais e sociais ajudando na construção da identidade brasileira A França não dominou a economia do Brasil como a Inglaterra ou Portugal mas foi responsável pela primeira colonização cultural do país influenciando o comportamento das elites determinando modelos de vida social e referências intelectuais desde a filosofia até a moda da gastronomia à literatura Entre as influências existentes advindas da França e de outras culturas europeias escreva V para as afirmações verdadeiras e F para as afirma ções falsas A missão jesuítica teve o objetivo de expandir o catolicismo nessa nova terra catequizando os indígenas que aqui encontraram Com a chegada dos europeus os hábitos foram se misturando enquanto os indígenas tomavam muitos banhos diários os europeus ficavam dias sem tomar Os indígenas passaram a conhecer doenças como tuberculose sarampo e coqueluche Os europeus dominavam as técnicas artesanais e ensinaram aos indígenas o trançado e a confecção de cestos Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta a VVVV b VFFV c VVVF d FFFV e VVFF 181 Seção 2 Arte e educação em ambientes não formais Diálogo aberto João é um pedagogo apaixonado pelo trabalho com arte e cultura que está sempre desenvolvendo propostas de arte com os seus alunos do ensino fundamental e agora acaba de receber uma proposta para se dedicar exclu sivamente ao ensino da arte Contudo tratase de um trabalho que deverá ser desenvolvido com as crianças em museus e galerias de arte Enquanto pedagogo como ele pode colocar esse trabalho em prática Quais propostas poderá trabalhar Para iniciarmos um diálogo sobre o desafio do professor João vamos conceituar educação não formal arte e educação e definir quais são esses espaços e as propostas que podem ser desenvolvidas Não pode faltar Por muito tempo a arte vem ganhando espaço como vetor de inclusão social cultural e histórica Embora os professores de arte ainda participem de uma eterna busca por valorização da área nos diferentes níveis de educação formal é na educação não formal que muitos projetos ganham destaque De acordo com Duarte A arte em todas as suas manifestações é por conseguinte uma tentativa de nos colocar diante de formas que concre tizem aspectos do sentir humano Uma tentativa de nos mostrar aquilo que é inefável ou seja aquilo que perma nece inacessível às redes conceituais de nossa linguagem As malhas dessa rede são por demais largas para capturar a vida que habita os profundos oceanos de nossos senti mentos Ali quem se põe a pescar são os artistas DUARTE JR 1988 p49 Professores e artistas buscam proposições que envolvem o trabalho com o conhecimento sensível em diferentes espaços Segundo Pillotto 2004 p 38 A arte como linguagem expressão e comunicação trata da percepção da emoção da imaginação da intuição da criação elementos fundamentais 182 para a construção humana sensível Como vetor de construção humana sensível a arte possibilita contato com o mundo e consigo mesmo permite que por meio dela a criança conheça e compreenda o contexto em que está inserida e desenvolva conhecimentos artísticos culturais e históricos Categorias do conhecimento sensível Kant 1991 definiu como categorias do conhecimento sensível a percepção a intuição a imaginação a emoção e a sensibilidade Ele compre endia uma interação entre as categorias que via como elementos distintos e acreditava que essas categorias correspondiam a uma maneira particular de ver o mundo Na área de arte Fayga Ostrower desenvolveu estudos referentes a isso pois acreditava que o conhecimento sensível é essencial ao desenvolvi mento humano A autora afirmou que o homem cria não apenas porque quer ou porque gosta e sim porque precisa ele só pode crescer como ser humano coerentemente ordenando dando forma criando Os processos de criação ocorrem no âmbito da intuição toda experiência possível ao indivíduo também a racional tratase de processos essencialmente intui tivos Intuitivos esses processos se tornam conscientes na medida em que lhes damos uma forma Entretanto mesmo que a sua elaboração permaneça em níveis subconscientes os processos criativos teriam que referirse à consciência dos homens pois só assim poderiam ser indagados a respeito dos possíveis significados que existem no ato criador OSTROWER 1986 p 10 Para a autora a criação está relacionada ao ser sensível e ser sensível é privilégio de todo ser humano Pensar o conhecimento sensível como parte integrante do ensino aprendizagem da arte é nossa função enquanto educa dores É necessário articular as dimensões do conhecimento presentes na BNCC com as categorias do conhecimento sensível É importante oportu nizar momentos de fruição da arte em que a criança possa desenvolver sua capacidade de intuição e percepção de mundo compreendendo o contexto em que está inserida de forma crítica e sensível A razão e a intuição precisam trabalhar de forma associada pois não existem isoladamente Para Ostrower 183 Intuir questionar indagar aprender e avaliar o real das coisas intuitivamente é um caminho de conhecimento típico do homem Caminho dos mais criativos representa sempre um modo dinâmico um contínuo sairdesi em busca de conteudos significativos a partir de determinadas inten ções para poder agir A própria percepção é fundamental mente um constante intuir OSTROWER 1986 p 58 Para a autora esse ato dialógico de intuir e perceber o meio cultural proporciona um repensar e agir sobre situações novas e diferenciadas O ato de intuir a partir dos conhecimentos reais e da sensibilidade propicia a construção de novas criações e possibilidades para novas situações Dessa forma segundo Pillotto o conhecimento sensível desencadeia um processo de enfrentamento do mundo e relações entre o limiar do racional e emocional 2004 p 50 O processo de criação em arte como uma conquista de maturidade perpassa as categorias do conhecimento sensível São elas Percepção é um elemento sutil dificilmente reconhecido de imediato Perceber é apreender o mundo externo é ir ao encontro do que no íntimo se quer perceber está fundamentada no que o professor é capaz de sentir e compreender sobre si mesmo sobre os alunos e sobre a vida PILLOTTO 2007 p 119 Intuição tem capacidade de construir ideais por meio das informa ções internalizadas pelos indivíduos intuir observar relacionar são caminhos criativos que representam um modo dinâmico de conhecimento no qual o professor tornase protagonista no diálogo entre a sua percepção e os significados que constrói na sala de aula e no modo como espaços objetos e pessoas lhe falam e lhe afetam PILLOTTO 2007 p 119 Emoção Serve como um sistema primário de aviso Ela é significa tiva fica armazenada no banco de memória emocional e é parte da racionalidade GARDNER 1999 p 89 Imaginação é um pensar específico sobre um fazer concreto Nasce do interesse e do entusiasmo 184 Criação Iniciase em um processo de pura sensibilidade em que a mobilização interior leva a pessoa a criar mergulhada no próprio inconsciente Consciente e inconsciente complementamse na total entrega de si em busca do desenvolvimento da própria personali dade em busca de uma construção de olhar para o mundo e para a própria existência Para Pillotto o conhecimento acontece nos níveis da racionalidade argumentaçãoreflexão e do sensível emoção intuição percepção Ambos devem ser considerados nos processos de aprendizado pois fazem parte do contexto cotidiano e sobretudo da experiência humana 2004 p 53 Em consonância com a autora Ostrower aponta que quando uma pessoa é aberta à vida sem preconceitos e receptiva às novas experiências quando ela é capaz de diferenciarse e reintegrarse de amadurecer e crescer espiritu almente ela terá condições de criar OSTROWER apud PILLOTTO 2007 p 115 Compreender as categorias do conhecimento sensível e articulálas ao ensino da arte e pela arte possibilita uma visão completa de ser humano em que as possibilidades não se esgotam e tanto a criação como a imagi nação perpassam pela compreensão que se tem de si e do mundo Está muito além do que muitos acreditam saber sobre o ensino da arte nas escolas pois envolve a essência da sensibilidade humana envolve razão e emoção aprendizagem e uma constante busca de conhecimento Educação não formal Mas quais são os espaços de educação não formal Quais os projetos e as metodologias que devem ser desenvolvidas Segundo Gohn A educação não formal não tem o caráter formal dos processos escolares normatizados por instituições superiores oficiais e certificadoras de titularidades Difere da educação formal por que esta ultima possui uma legislação nacional que norma tiza critérios e procedimentos específicos A educação não formal lida com outra lógica nas categorias espaço e tempo dada pelo fato de não ter um curriculum definido a priori seja quanto aos conteudos temas ou habilidades a serem traba lhadas GOHN 2013 p 12 185 Embora não tenha uma legislação educacional específica a educação não formal é organizada de acordo com os projetos culturais e as políticas institucionais próprias É possível que ela aconteça em ambientes públicos ou privados e por conta disso não segue uma diretriz específica No Brasil a educação não formal começou a ganhar maior espaço a partir de 1990 com as mudanças políticas e econômicas Os espaços como museus galerias ONGs e institutos especializados começaram a desenvolver projetos mediados por profissionais ligados à arte à história e à cultura Queiroz defende que a formação de professores que possam atuar em espaços não formais de educação como os museus pode levar os envolvidos a vivenciarem a riqueza de uma situação educacional ampliada para além dos muros escolares sendo que este trabalho é melhor equacionado no âmbito da parceria entre os museus e as instituições de formação docente QUEIROZ 2013 p 11 Essa formação pode envolver profissionais de diferentes áreas que deverão trabalhar com a arte como forma de expressão comunicação e bem cultural da humanidade Tendo em vista que A educação não formal contribui para a produção do saber na medida em que atua no campo no qual os indivíduos atuam como cidadãos Ela aglutina ideias e saberes produ zidos via o compartilhamento de experiências produz conhecimento pela reflexão faz o cruzamento entre saberes herdados e saberes novos adquiridos GOHN 2013 p 13 Tais saberes compartilhados envolvem as diferentes linguagens da arte Dessa forma é possível encontrarmos projetos de arte e educação não formais dentro da linguagem do teatro da música da dança e também das artes visuais São projetos que envolvem a fruição da arte a contextuali zação ou história da arte e o fazer artístico por meio de mediações pedagó gicas que também envolvem trabalho de curadoria monitoria e oficinas temáticas Como exemplo a arte circense embora envolva a psicomotrici dade e o trabalho com a educação física também ganha espaço na educação não formal 186 Contudo quais profissionais podem atuar nos espaços de educação não formal A Resolução CNECP nº 012006 BRASIL 2006 que define a formação dos profissionais da área da pedagogia revela a possibilidade de planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas nãoescolares na produção e difusão do conhecimento científico tecnológico do campo educacional em contextos escolares e não escolares BRASIL 2006 Ou seja além dos profissionais de áreas específicas os egressos dos cursos de pedagogia também podem atuar como mediadores pedagógicos na educação não formal Museus Vários museus desenvolvem projetos educativos que envolvem visitas guiadas monitorias e trabalhos pedagógicos oferecidos a grupos de alunos que visitam as exposições O papel dos profissionais que atuam nesses projetos implica em estudo e pesquisa acerca das obras e artistas bem como dos processos de leitura de imagem e proposições artísticas É comum encontrarmos nesses espaços os profissionais da arte o que não quer dizer que não sejam espaços de atuação do pedagogo Uma vez que as atividades são educativas é possível encontrarmos profissionais das mais diversas áreas atuando em projetos que envolvem arte e educação Exemplificando O Projeto museu para todos da Pinacoteca de São Paulo é um projeto desenvolvido pelo Nucleo de Ação Educativa NAE para aproximar a arte e a educação Os profissionais desenvolvem monitorias jogos brincadeiras e orienta ções para professores e alunos aproveitarem da melhor forma o espaço e as exposições que permitem a ampliação do repertório artístico e cultural O grupo também desenvolve adaptações das obras em relevo braile e audiodescrição possibilitando o acesso às pessoas com defici ência Pesquise mais Quer conhecer um pouco mais sobre o Projeto museu para todos Faça a leitura do trabalho da arte educadora Amanda Tojal idealizadora do projeto TOJAL A P da F Museu de arte e público especial 2007 Tese Douto rado em Cultura e Informação Escola de Comunicação e Artes Universidade de São Paulo São Paulo 2007 187 Normalmente as atividades em museus envolvem os processos de curadoria e monitoria Curadoria de acordo com a Fundação Nacional de Artes FUNARTE 2012 p 119 envolve primeiramente o ato de cuidar e curar contudo a função de conservar e preservar as obras de arte precede tal conceito que data meados do século XX Posteriormente esse conceito foi ampliado e a curadoria ganhou relevância para a concepção e organização das exposições que hoje são organizadas e assinadas por curadores Monitoria o monitor é a pessoa que vai receber o público portanto é necessário compreender que ele é o intermediário entre o público e o museu ele é o anfitrião e o portavoz do museu COSTA 2006 Por meio da monitoria os pedagogos podem desenvolver projetos com públicos diferenciados Especificamente com crianças é possível criar oficinas de interação com a arte partindo das temáticas da exposição bem como proposições educativas envolvendo a ludicidade ONGs Outros espaços de atuação do pedagogo são as Organizações não Governamentais Como a arte trabalha com expressão comunicação e conhecimento cultural normalmente as ONGs oferecem espaços para que o pedagogo desenvolva propostas educativas que a envolva Nesses espaços o ensino da arte por vezes acontece em forma de oficina Assim o projeto de oficinas abrange todas as linguagens e idades Oficinas de desenho pintura escultura teatro dança canto música e várias linguagens que permeiam a arte são desenvolvidas por profissionais da área da arte e da pedagogia Uma pesquisa sobre o ensino da arte em ONGs foi desenvolvida e constatouse que nesses espaços a arte tem papel funda mental de transformação e inclusão social Os benefícios mais citados na pesquisa foram fortaleci mento da autoestima positiva expansão da capacidade cognitiva desenvolvimento de habilidades e competências em determinadas modalidades artísticas favorecimento de atitudes positivas possibilidade de inserção no mercado de trabalho e a contribuição para efetivar os direitos que as 188 crianças e adolescentes devem ter O benefício enfatizado foi o fortalecimento da autoestima RECIFE 2008 p 128 Exemplificando Um exemplo de ensino da arte em ONGs é a Associação Fernanda Bianchini que desenvolve um projeto de inclusão social por meio da arte especialmente no balé clássico para meninas cegas O projeto iniciouse em 1995 e hoje atende mais de 300 crianças em diferentes cidades A associação conta com aulas de balé sapateado teatro dança de salão sincronismo e expressão destinadas gratuitamente para esse publico Reflita Existem muitos exemplos de projetos de ensino da arte na educação não formal Projetos que envolvem profissionais da área de artes da literatura educação física pedagogos que desenvolvem proposições educativas relacionadas com essa área de ensino Os exemplos citados nesta disciplina servem para provocar uma reflexão sobre as diferentes possibilidades descritas anteriormente tendo em vista a formação do pedagogo para atuação nesses espaços Arte e educação hospitalar A educação hospitalar está classificada como escola de atendimento especial uma vez que o hospital se torna um espaço de aprender A arte nesse contexto tem papel fundamental uma vez que trabalha com a sensibilidade com a criatividade e com a expressão As experiências propi ciadas aos pacientes devem levar em consideração que a ligação com o fazer estético intensifica a experiência reestruturando e libertando os objetos de uma visão rotineira Com a arte abrimos os sentidos para novas experiên cias SIMAS 2012 p 19 Como o hospital passou a ter também caráter educacional o papel do pedagogo é fundamental para a elaboração de propostas que unem o sensível por meio da arte e o aprender por meio das experiências pedagógicas Contação de histórias Algumas propostas envolvem a contação de histórias e é possível encon trar projetos nessa área em vários locais do país Contudo qual a importância do pedagogo nessa atividade 189 O olhar pedagógico para a contação de histórias é fundamental e iniciase no momento da escolha da história e do livro que será apresentado para as crianças Muito se tem discutido sobre a qualidade de textos e ilustrações da literatura infantil Pesquisamos avançamos em nossas reflexões e buscamos a cada dia ampliar nosso repertório visual com materiais de qualidade tendo em vista a gama de materiais oferecidos comercialmente que não agregam valor nenhum para essas propostas e acabam empobrecendo as proposições É necessário compreender os fatores que atribuem boa ou má qualidade a uma literatura Cabe ao pedagogo avaliar a ilustração e o texto a fim de garantir uma contação de histórias de qualidade pois assim como devemos questionar a qualidade das imagens obras de arte e música apresentadas às crianças também devemos analisar a qualidade dos livros Texto e ilustração são complementares tanto que hoje as editoras não apresentam mais o nome do autor e do ilustrador pois consideram ambos como autores da obra tendo em vista que uma boa ilustração permite com que o leitor a ultrapasse as barreiras do texto Uma boa ilustração vai além do texto e permite ao leitor um processo de fruição visual assim como acontece com uma obra das artes visuais Os livros escolhidos para propiciar momentos de contação de histórias para as crianças devem apresentar qualidade de texto e ilustração que divergem das propostas empobrecidas por desenhos estereotipados que em nada contri buem para o desenvolvimento da imaginação e da criatividade infantil O pedagogo é o profissional que pode por meio da sua formação quali ficar esses momentos Pesquise mais Quer aprofundar seus estudos sobre a qualidade na literatura infantil Pesquise sobre o Programa Nacional de Incentivo à Leitura PROLER certamente existe alguma iniciativa na sua região André Neves é um dos autores contemporâneos que apresenta uma proposta diferenciada de ilustração Para ele o livro é uma obra viva Conheça melhor o ilustrador ao ler a reportagem O lustrador André Neves referenciada a seguir MARCUCCI C Revista Crescer O ilustrador André Neves Sl Sd São vários os grupos de profissionais envolvidos em projetos das mais diversas linguagens artísticas contudo as experiências estéticas precisam ser planejadas e mediadas evitandose transformálas em meras oficinas de técnicas descontextualizadas 190 Exemplificando A Hospitalhaços é uma Organização Não Governamental ONG fundada em 1999 por Walkiria Camelo que utiliza a figura do palhaço para levar sorrisos exclusivamente ao ambiente hospitalar O desafio diário é criar uma atmosfera mais leve alegre e descontraída para pacientes familiares e profissionais da saude A ONG trabalha com doações e voluntários que queiram por meio da arte circense figura do palhaço levar alegria para as crianças São mais de 600 voluntários que contribuem em 24 hospitais Outro exemplo de arte nos ambientes hospitalares é o trabalho da Doutores da alegria que também utiliza a figura do palhaço em seus projetos A partir das intervenções em hospitais Doutores da Alegria amplia canais de diálogos reflexivos com a sociedade compartilhando o conhecimento produzido através de formação pesquisa publicações e manifes tações artísticas contribuindo para a promoção da cultura e da saude e inspirando políticas publicas Buscam novas parcerias para levar a Arte para os hospitais como por exemplo a inserção de obras deixando o ambiente mais agradável para as crianças O Instituto da Criança em São Paulo recebeu mais de cem reproduções de obras do artista plástico Gustavo Rosa A ala de diálise do hospital ficou repleta de quadros em tamanhos grandes que enchem o olhar de crianças acompanhantes e profissionais de saude DOUTORES DA ALEGRIA 2018 sp Conheça melhor o trabalho desenvolvido pelos Doutores da Alegria acessando o site referenciado a seguir PORQUE hospital também é lugar de arte Sl 4 jan 2017 Arte para privados de liberdade Os projetos de arte no sistema prisional vêm ganhando espaço Estamos em um momento histórico em que a educação e arte como direito de todos nunca foi tão discutida Vários projetos que envolvem a alfabetização a escolarização o trabalho com competências socioemocionais e os trabalhos com a arte estão em 191 desenvolvimento ou em fase de implementação junto aos privados de liber dade O papel do pedagogo converge com a necessidade de discussão dos processos de ensino e aprendizagem também nesses ambientes Assim como nas ONGs nos espaços de sistema prisional a arte tem caráter transformador por envolver a sensibilidade a expressão e a criatividade Contudo entendemos que indiferentemente dos espaços em que o pedagogo ou o professor de arte vai atuar é importante que a essência do ensino da arte seja preservada evitando que esse trabalho o qual envolve uma área de conhecimento específica não assuma caráter terapêutico Assim as proposições devem contribuir na ampliação do repertório cultural dos envolvidos e proporcionar maior contato com a arte e com as experiên cias estéticas por meio da fruição e da criação Criar não representa um relaxamento ou um esvaziamento pessoal nem uma substituição imaginativa da realidade criar representa uma intensificação do viver um viven ciarse no fazer e em vez de substituir a realidade é a realidade é uma realidade nova que adquire dimensões novas pelo fato de nos articularmos em nós e perante nós mesmos em níveis de consciência mais elevados e mais complexos Somos nós a realidade nova Daí o senti mento do essencial e necessário no criar o sentimento de um crescimento interior em que nos ampliamos em nossa abertura para a vida OSTROWER 1986 p 28 Pesquise mais O Projeto Arte que Liberta o qual exibe obras de arte no CPP de Jardi nópolis é um exemplo de iniciativa que leva arte para privados de liber dade A iniciativa partiu de educadores do Programa de Educação para o Trabalho De Olho no Futuro da Fundação Prof Dr Manoel Pedro Pimentel Funap que por meio de programas educacionais visa o desenvolvimento das habilidades e competências dos reeducandos para a inserção no mundo do trabalho e participação social A partir daí diretorias do CPP e Museu fizeram o cronograma das atividades que incluem palestras oficinas de pintura e divulgação dos trabalhos criados pelos presos O Projeto Arte 192 que Liberta é parceria da Secretaria da Administração Penitenciária SAP por meio da Funap e Museu Casa de Portinari instituição da Secretaria da Cultura do Estado e tem como objetivo difundir a cultura e a arte regional no sistema prisional DANIEL 2016 sp Confira a reportagem completa DANIEL C Projeto Arte que Liberta exibe obras de arte no CPP de Jardinópolis Sl 3 jul 2016 Assimile O papel do pedagogo frente aos trabalhos com a arte em diferentes espaços não deve compreender a arte como possibilidade terapêutica uma vez que envolve uma área de conhecimento com aspectos muito mais amplos Toda linguagem deve ser contextualizada propiciando momentos de fruição compreensão da história da arte e criação Reflita Para encerrarmos essa discussão que certamente não se esgota vamos retomar alguns conceitos e refletir sobre eles Diante de tantos fatos que escutamos diariamente relacionados a atitudes preconceituosas e excludentes em um país marcado pelo racismo e pela exclusão social a atuação de pedagogos em espaços diversificados não seria um grande avanço para a história da educação brasileira O que representa nesta sociedade em que vivemos traba lhar com a arte nos sistemas prisionais por exemplo Sem medo de errar Após dialogarmos sobre a arte nos espaços de educação não formal vamos retomar o desafio do professor João O professor recebeu uma proposta para se dedicar exclusivamente ao ensino da arte contudo tratase de um trabalho que deverá ser desenvolvido com as crianças em museus e galerias de arte Para iniciar a sua proposta o professor precisará retomar os conceitos que permeiam o ensino da arte Assim deverá compreender a importância do trabalho articulado entre as dimensões do conhecimento criação crítica estesia expressão fruição e reflexão e entre as categorias do conhecimento 193 sensível a percepção a emoção a imaginação a intuição e a criação elementos fundamentais para a construção humana sensível A formação do pedagogo lhe permite atuar nos espaços de educação não formal assim não precisará compreender esses espaços para planejar as proposições estéticas que pretende desenvolver Os museus e galerias recebem muitas pessoas especialmente grupos de crianças jovens e adultos de escolas regulares e especializadas Dessa forma dois pontos são fundamentais para o trabalho do professor a monitoria e a ação educativa Monitoria organizada pelo professor que também poderá formar um grupo de monitores por meio de capacitação São os monitores que recebem o público e fazem a mediação da visita à exposição bem como a mediação entre público museu e obra Ou seja o papel do monitor é ser o portavoz do museu Ele deverá conhecer a exposição as obras o contexto e a história para mediar a visita e o processo de fruição evitando direcionar o olhar do espectador Ação educativa são as proposições organizadas a partir da exposição Não diferem muito da sala de aula tendo em vista as diversas possi bilidades de trabalho que podem ser propostas como ressignificação de obras construção de jogos brincadeiras intervenção e todas as possibilidades que o professor João conseguirá desenvolver diante do contexto do próprio museu e da realidade do público que está recebendo claro sem perder o caráter educativo e a experiência estética e sensível que a arte nos propicia Avançando na prática Arte no ambiente hospitalar O grupo de voluntários do projeto Amigos da Alegria recebeu uma série de obras do artista Gustavo Rosa para que a ala de diálise do hospital Instituto da Criança ficasse mais colorida e alegre Ao perceber o modo como as obras impactaram e transformaram o ambiente a diretora do hospital resolveu abrir um edital para projetos de artes a serem desenvolvidos com as crianças a partir dessas obras Vários professores se interessaram pela ideia e passaram a planejar uma proposta de projeto A pedagoga Débora foi uma dessas professoras e imediatamente indagou que tipo de atividades podem ser propostas a partir 194 dessas obras Quais professores podem se inscrever Como o pedagogo poderá desenvolver suas propostas Qual a faixa etária e quais técnicas artís ticas podem ser utilizadas para desenvolver as atividades Resolução da situaçãoproblema Para resolver essa situação a professora Débora pedagoga deverá retomar seus estudos sobre o trabalho com a arte em ambientes de educação não formal e com as dimensões do conhecimento presentes na BNCC e com as categorias do conhecimento sensível Para tanto é importante que ela perceba como essas categorias se manifestam na reação das crianças Tratandose de um espaço específico Débora deverá primeiramente conhecer o contexto das crianças para então compreender quais materiais poderá explorar assim deverá buscar dados sobre o artista Gustavo Rosa realizar leitura de imagem com as crianças contextualizálas e propor atividades pedagógicas a partir da exploração desse ambiente tão colorido e sensível São várias as possibilidades de trabalho que podem ser desenvolvidas O importante é conhecer o contexto das crianças a área do conhecimento com a qual se pretende trabalhar e atentarse para as questões éticas e sensíveis desses ambientes Faça valer a pena 1 quanto maior é o contato com a arte maior a bagagem Simbólica para representar e consequentemente compreender as minúcias do senti mento DUARTE JR 1988 p 106 O trabalho com as categorias do conhecimento sensível é fundamental para o desenvolvimento do conhecimento artístico e cultural Sobre essas categorias avalie as afirmativas a seguir e classifiqueas em verdadeiro V e falso F A percepção iniciase em um processo de pura sensibilidade em que a mobilização interior leva a pessoa a criar mergulhada no próprio incons ciente Intuição é a capacidade de construir ideais por meio das informações internalizadas pelos indivíduos Emoção serve como um sistema primário de aviso São significativas ficam armazenadas no banco de memória emocional e são parte da racionalidade 195 Imaginação é um pensar específico sobre um fazer concreto Nasce do interesse e do entusiasmo Após identificar quais afirmações são verdadeiras e quais são falsas assinale a alternativa correta a V F F V b F F V F c F F F V d F V V V e F F F F 2 Projeto Arte que Liberta exibe obras de arte no CPP de Jardinópolis No Centro de Progressão Penitenciária CPP de Jardinó polis o projeto teve início em 8 de abril com a palestra Narrativas de Uma Vida Um Pintor Um Tempo Um Lugar ministrada pela museóloga Angélica Fabbri diretora do Museu Casa de Portinari Quatrocentos reeducandos participaram e puderam conhecer sobre a vida do pintor e artista plástico brasileiro Cândido Portinari nascido em Brodowski interior de São Paulo cidade onde se localiza o Museu A palestra contou com materiais de acessibilidade para pessoas com deficiência visual que por meio de um universo acessível e recursos multissensoriais puderam conhecer as obras dos artistas parceiros do museu através do toque das mãos Arte que Liberta faz alusão à realidade do homem em cárcere e à liberdade que a arte e conhecimento oferecem São projetos como este que desconstroem a criminali dade e aprofundam o diálogo ressocializador por meio da arte e suas manifestações pois esta não conhece limites se faz um exercício legítimo de cidadania para quem cria e para quem observa e aprende o fazer artístico ensina a diretoria da unidade DANIEL 2016 sp Sobre a atuação do pedagogo nos espaços de educação não formal como nos sistemas penitenciários avalie as asserções e a relação proposta entre elas 196 I O papel do pedagogo converge com a necessidade de discussão dos processos de ensino e aprendizagem da arte também nos ambientes de educação não formal PORQUE II Indiferentemente dos espaços em que o pedagogo ou o professor de arte vai atuar é importante que a essência do ensino da arte seja preservada evitando que esse trabalho que envolve uma área de conhecimento específica não assuma caráter terapêutico Acerca dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justifica tiva da I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II não é uma justi ficativa da I c A asserção I é verdadeira e a II é uma proposição falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verda deira e As asserções I e II são proposições falsas 3 a habilitação acadêmica por si só não é suficiente para preparar o educador para realizar um trabalho de qualidade nesse campo de ensino Em alguns casos os profissionais com formação acadêmica trazem vivências e atitudes próprias da escola formal que não adaptam a essa esfera pedagógica dificultando a sua atuação A realidade observada aponta para a necessidade de os cursos de licen ciatura em Artes elaborarem currículos mais adequados à realidade do mercado de trabalho e que ofereçam conhe cimentos e treinamentos que habilitem os alunos a atuar adequadamente em espaços especiais e não apenas nas escolas regulares CARVALHO 2008 p 112 apud NAKASHATO 2012 sp Os projetos que envolvem arte e educação não formal estão ganhando força e espaço Sobre essa categoria avalie as afirmativas a seguir e classifiqueas em verdadeiro V ou falso F 197 A educação não formal não tem o caráter formal dos processos escolares normatizados por instituições superiores oficiais e certificadoras de titularidades A educação não formal não difere da educação formal porque ambas possuem uma legislação nacional que normatiza critérios e procedi mentos específicos A educação não formal lida com outra lógica nas categorias espaço e tempo dada pelo fato de não ter um curriculum definido a priori seja quanto aos conteúdos temas ou habilidades a serem trabalhados A educação não formal contribui para a produção do saber na medida em que atua no campo em que os indivíduos atuam como cidadãos Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta a VVVV b FVFV c VFVV d FFVV e VVVF 198 Seção 3 Arte na contemporaneidade Diálogo aberto A professora Ana pedagoga que atua no primeiro ano do ensino funda mental em uma escola no interior de Porto Alegre Rio Grande do Sul recebeu um questionamento de um de seus alunos que a deixou um pouco angustiada A pequena Natália de seis anos ao chegar na escola perguntou para a professora por que os jornais estavam noticiando que não poderia mais acontecer uma certa exposição de arte na cidade A aluna relatou que seus pais ficaram muito bravos quando viram a reportagem e o tema dos quadros e trocaram o canal da TV dizendo que não era uma progra mação que as crianças poderiam ver A professora Ana ciente da polêmica exposição percebeu que mesmo com os pequenos precisava iniciar uma discussão sobre arte contemporânea pois são linguagens que fazem parte do seu contexto histórico e cultural Mas por onde começar Como trabalhar com linguagens que ultrapassam os meios convencionais de arte e que por vezes a exemplo da exposição da cidade geram impactos sociais gritantes Quais conhecimentos a professora deveria buscar tendo em vista que também não domina com propriedade os conceitos que permeiam a arte contemporânea Não pode faltar Se quisermos de fato uma educação para a cidadania que entenda os sujeitos como construtores de suas histó rias temos que garantir a educação estética e artística nos espaços das instituições educacionais talvez o unico espaço para a maioria das crianças um dos poucos meios para adentrarem o universo poético e estético PILLOTTO 2007 p 22 Os dizeres de Pillotto atentam para a importância do trabalho com a arte nos ambientes escolares como forma de garantir a educação estética e artís tica das crianças Para oportunizar o trabalho com essa área de conhecimento 199 que é tão ampla é necessário compreendêla dividindoa em linguagens sendo elas artes visuais música teatro e dança A arte vem ganhando espaço e constantemente sobretudo com o avanço da tecnologia vem surgindo novas linguagens principalmente nas artes visuais Estamos em um contexto de arte contemporânea e para iniciarmos nossas reflexões sobre ela pense rapidamente você sabe o que caracteriza esse tipo de arte Quais são as principais linguagens que a envolvem Poderíamos iniciar questionando o que é arte mas certamente ficaríamos a seção inteira refletindo sobre esse conceito que é filosófico e envolve a questão da estética e do belo No entanto é uma frase muito comum quando falamos em arte contemporânea tendo em vista que uma das características da arte é a provocação provocação no sentido de gerar discussões reflexões acerca de determinados temas ou acontecimentos sociais Sim arte contemporânea é provocativa e constantemente na tira da zona de conforto É exatamente o que acontece quando uma mostra apresenta obras mais polêmicas que questionam crenças e valores socialmente construídos Ou você não lembra da polêmica da obra em que uma criança interagiu com o artista nu em uma performance Ou então a exposição que aconteceu no Rio Grande do Sul com várias obras provocativas sobre diversidade sexual que foi severamente criticada por apologia à pedofilia Nossa intenção nesta seção não é discutir o valor ou questionar diferentes pontos de vista sobre esses dois fatos mas sim dialogar sobre a arte contem porânea Contudo é importante atentarmos para os fatos ligados à arte contemporânea pois fazem parte do contexto dos alunos e não podem deixar de ser discutidos Para Millet 1997 p 15 e 16 A data de nascimento da arte contemporânea vogaria algures entre 1960 e 1969 Tal é a opinião da maior parte dos conservadores que responderam ao inquérito e numerosas outras pessoas interessadas No decurso dos anos 60 impuseramse a pop art o novo realismo a op art e a arte cinética a minimal art e o colorfield paiting o fluxus enxameou os happenings proliferaram no final do decenio surgiram a arte conceptual o antiform a arte povera a land art a body art o supportsurface inumeras formas de arte que recorrem a todo o tipo de materiais heteróclitos objetos fabricados materiais naturais e perecíveis e até ao próprio corpo do artista Todos os processos foram permitidos incluindo os mais descompre 200 ensíveis tomando o artista o lugar do seu publico ou pelo contrário fugindo dele para ir esculpir no próprio solo de um deserto longínquo um publico que foi sacudido entre obras fazendo apelo às suas reações instintivas e outras obrigando pelo contrário a seguir complexos raciocínios teóricos um publico confrontado com obras invadindo o espaço enquanto que era forçado a imaginar outras totalmente invisíveis Os vanguardas do início do século haviam já é certo abalado furiosamente as convenções e brincando aos aprendizes de feiticeiro mas durante este decénio eufórico essas práticas generalizaramse gozando de uma área de liberdade de que não tinham certamente beneficiado os pioneiros É nesta área de liberdade que se continua a desenvolver alegremente a arte de hoje MILLET 1997 p 15 e 16 Millet 1997 levantou várias linguagens que impulsionaram e ainda fazem parte da arte contemporânea mas podemos citar um artista que certa mente influenciou esse estilo de arte Marcel Duchamp 1887 1968 Marchel Duchamp O artista em meio a um contexto ainda influenciado pela arte moderna e meios tradicionais de arte criou obras provocativas e pensadas de maneira bem diferente para a época como a obra a fonte que marcou o uso de insta lação de objetos que passam a ter sentido de arte De acordo com Cauquelin 2005 p 89 O fenômeno Duchamp tem de interesse o fato de sua influ ência sobre a arte contemporânea crescer à medida que passam os anos De um lado o numero de trabalhos que lhe são dedicados é cada vez mais importante de outro ele é referência explicita ou não de numerosos artistas atuais Porque esse artista que declarava não sêlo parece expressar o modelo de comportamento singular que corresponde às expectativas contemporâneas E não tanto por causa do conteudo estético de sua obra quanto pela maneira pela qual encarava a relação de seu trabalho com o regime da arte e também a divulgação dele CAUQUELIN 2005 p 89 201 Na arte contemporânea o artista tem maior liberdade de criação dessa forma e por meio das evoluções tecnológicas e sociais criouse novas lingua gens Isso não significa que as linguagens tradicionais como a pintura e a escultura sejam desconsideradas mas sim que novos objetos e novas técnicas estão sendo incorporados ao processo de criação Essa arte então caracterizase pela apropriação de diferentes técnicas sejam elas convencionais e não convencionais como também pela apropriação de obras de arte de outros artistas A arte vai passando por modificações e tem relação direta com contexto tempo e espaço Na arte contemporânea a partir de 1960 vamos perceber que o artista não é mais o centro da obra para tanto a interação e a parti cipação do público passam a ser essenciais no momento de fruição e de dar sentido a ela Segundo Millet 1997 p 39 Outras obras são concebidas de tal forma que o espec tador sente mesmo que toma parte na sua realização Ele é em parte seu ator Nos anos 70 chamavase a este princípio a participação do espectador De uma forma geral tratavase de abandonar uma concepção do artista que impõe ao publico a sua visão do mundo e permitir a esse publico exprimirse ele próprio MILLET 1997 p 39 Tais obras caracterizadas como arte contemporânea podem ter caráter conceitual e efêmero manifestandose por meio de diferentes linguagens artísticas como instalação assemblage performance happening readymade videoarte etc Assimile A arte contemporânea vai modificando os conceitos de objeto de interação de espaço e da própria arte ao apropriarse de diferentes técnicas sejam elas convencionais e não convencionais como também da própria apropriação de obras de arte de outros artistas Nessa arte o artista não é mais o centro da obra para tanto a interação e a parti cipação do publico passam a ser essenciais no momento de fruição e de dar sentido à obra Vamos descrever algumas dessas linguagens a seguir a fim de contri buirmos para a ampliação de seu repertório artístico e cultural 202 Instalação A instalação embora ainda apresente um conceito muito discutido é uma técnica experimental que abre um leque de diferentes possibilidades artísticas O espaço é essencial tendo em vista que a instalação faz parte da obra Para Proença 2005 p 222 em arte a instalação referese a um ambiente construído com vários elementos criados por um artista O artista em geral não se preocupa em expressar em sua obra um significado que possa ser compreendido da mesma maneira por todos Quando um artista pensa uma instalação apropriase de objetos de diferentes materiais e até mesmo de técnicas tradicionais como desenhos pinturas e esculturas ressignificandoos por vezes Nessa linguagem a obra fica exposta e o espaço faz parte dela além de normalmente envolver o espectador por meio de interação Alguns artistas utilizam materiais diver sificados provocando sensações diferentes que podem ser fruídas por meio de vários sentidos Figura 432 Instalação Fonte httpsbitly2qoKQbN Acesso em 30 ago 2019 Happening A linguagem do happening surgiu a partir dos anos 50 em um momento em que a arte foi às ruas por meio de técnicas de teatro encenação impro visações e espontaneidades que envolviam o público contudo sem regras tampouco um início um meio e um fim uma vez partindo da improvisação 203 O termo happening tem origem inglesa e significa acontecimento Foi utilizado pela primeira vez pelo artista Allan Kaprow para se referir a uma linguagem da arte que se apresentava fora de galerias e museus A diferença entre o happening e a performance é que existe no primeiro uma intencionalidade do artista na interação com o expectador já na perfor mance o que prevalece é a espontaneidade De acordo com Argan 1992 p 667 Kaprow será de fato o primeiro a criar o happening literal mente evento um tipo de ação que envolve os execu tores artistas e os espectadores Kaprow mantém uma dupla atividade como professor de história da arte e prati camente artísticocriativo Entre os primeiros happenings o Gas de 1966 composto de vários eventos realizado na zona de Long Island Seus happenings de início organi zado segundo uma encenação exata e perfeita como uma espécie de ritual terapêutico transformamse a seguir em improvisações quase uma representação informal organi zada em compartimentos desenvolvendose simultanea mente em diversos locais ARGAN 1992 p 667 Figura 433 Happening Fonte httpsbitly2GPChN9 Acesso em 30 ago 2019 Assemblage A linguagem da assemblage surge em 1953 por Jean Dubuffet 1901 1985 que relacionou o termo aos trabalhos que vão além da colagem 204 Tratase de um conceito que envolve a técnica de colagem mas em um sentido mais amplo relativo à acumulação Os artistas que produzem assemblage podem utilizar diferentes elementos retirados da realidade para que estes incorporem a obra e deem sentido a ela o que não quer dizer que os elementos perdem o sentido original Um dos artistas que trabalharam com essa linguagem foi Robert Rauschenberg ao desenvolver trabalhos que uniram a pintura e a comuni cação retartando a cultura popular a arte e a vida cotidiana Figura 434 Assemblage de Rauschenberg Fonte httpsgoogl4Fyt3y Acesso em 30 ago 2019 Readymade A Readymade pode ser entendida como uma linguagem da arte contem porânea que ressignifica objetos já fabricados atribuindo ao público a decisão final de por exemplo uma roda de bicicleta montada ao contrário sobre um banco ser ou não uma obra de arte MILLET 1997 p 42 Assim como fez Marcel Duchamp com as obras A Roda de Bicicleta e A Fonte 205 Figura 435 A Roda de Bicicleta Fonte httpsbitly2UgRE8S Acesso em 30 ago 2019 Figura 436 A Fonte Fonte httpsbitly2ZrkKIK Acesso em 30 ago 2019 Cauquelin 2005 p 89 sugere que O fenômeno Duchamp tem de interesse o fato de sua influ ência sobre a arte contemporânea crescer à medida que passam os anos De um lado o numero de trabalhos que lhe são dedicados é cada vez mais importante de outro ele é referência explicita ou não de numerosos artistas atuais Porque esse artista que declarava não sêlo parece expressar o modelo de comportamento singular que corres ponde às expectativas contemporâneas E não tanto por causa do conteudo estético de sua obra quanto pela maneira pela qual encarava a relação de seu trabalho com o regime da arte e também a divulgação dele CAUQUELIN 2005 p 89 206 Performance Essa linguagem surgiu por volta da década de 1960 por meio da combi nação do teatro da música da poesia e do vídeo O artista passa a compor a obra e a se apropriar de diferentes linguagens Ela pode ter ou não a parti cipação do público como também pode apresentar um tempo determinado pelo artista que planeja cuidadosamente cada detalhe da obra Figura 437 Performance lendo a notícia 1965 Fonte httpsbitly32eLqZZ Acesso em 30 ago 2019 Segundo Cauquelin 2005 p 11 Para apreender a arte como contemporânea preci samos então estabelecer certos critérios distinções que isolarão conjunto dito contemporâneo da totalidade das produções artísticas Contudo esses critérios não podem ser buscados apenas nos conteudos das obras em suas formas suas composições no emprego deste ou daquele material também não no fato de pertencerem a este ou aquele movimento dito ou não de vanguarda Com efeito a esse respeito teríamos ainda que nos defrontar com a dispersão com a pluralidade incontrolável de agora De fato os trabalhos que tentam justificar as obras de artistas contemporâneos são obrigados a buscar o que poderia tornálos legíveis fora da esfera artística seja em temas culturais recolhidos em registros literários e filosóficos CAUQUELIN 2005 p 11 207 Exemplificando Performance Cegos interrompe o fluxo do cotidiano com homens cobertos de argila Um conjunto de homens e mulheres vestidos a rigor e levando maletas bolsas celulares e documentos com o corpo todo coberto de argila e os olhos vendados interrompem o tráfego cotidiano de pessoas nas grandes cidades e geram nessa intromissão outras percepções do espaço do tempo e de cada um que nota a presença de algo diferente na paisagem Concebido pelos diretores Marcos Bulhões e Marcelo Denny e realizado originalmente pelo Desvio Coletivo e o Coletivo Pi na Av Paulista em São Paulo tendo passado por outras cidades do Brasil e da Europa Cegos funciona aliada a uma oficina de intervenção urbana que prepara seus participantes para vivenciála PROJETO 2016 sp Figura 438 Performance Cegos Fonte httpsbitly2LbNJHC Acesso em 30 ago 2019 Arte efêmera A arte efêmera teve seu início entre as décadas de 1960 e 1970 e está relacionada à arte que existe por um tempo determinado tendo em vista que a criação acontece por meio do uso de elementos perecíveis ou estão relacionadas a instalações happenings e performances Dessa forma a obra é divulgada e registrada por meio de recursos tecnológicos como a fotografia os vídeos etc O público pode até mesmo apresentar um papel ativo nas propostas artísticas Vicente José de Oliveira Muniz conhecido como Vik Muniz é um dos artistas que utiliza esse tipo de linguagem O artista plástico pintor e 208 fotógrafo brasileiro é conhecido por utilizar materiais não convencionais em suas obras como lixo gel para cabelo restos de demolição e materiais perecíveis como ketchup açúcar geleia chocolate entre outros materiais Um dos objetivos desse artista é alcançar o público que não possui o hábito de frequentar as galerias de arte Figura 439 Vik Muniz Fonte adaptada de httpsgooglAet7Fo Acesso em 30 ago 2019 Pesquise mais Conheça um pouco mais sobre a arte contemporânea lendo o artigo Práticas da arte contemporânea de Nathalie Heinich HEINICH N Práticas da arte contemporânea uma abordagem pragmá tica a um novo paradigma artístico Sociologia Antropologia Rio de janeiro v 402 p 373390 out 2014 São várias as linguagens utilizadas na arte contemporânea mas como compreendêla Compreender a arte contemporânea implica em aceitar a quebra de alguns paradigmas uma vez que essa arte é conceitual Ou seja a ideia proposta pelo artista é que a provocação é mais importante que o objeto em si pois o valor da obra está na experiência que poderá causar no público Um conceito difícil e contemporâneo Cauquelin 2005 p 18 alerta Precisamos portanto atravessar essa cortina de fumaça e tentar perceber a realidade da arte atual que está encoberta Não somente montar o panorama de um estado de coisas qual é a questão da arte no momento atual mas também explicar o que funciona como obstáculo a seu reconhe 209 cimento Em outras palavras ver de que forma a arte do passado nos impede de captar a arte do nosso tempo Para complementar os dizeres do autor reforçamos que os professores precisam estudar e compreender esses conceitos para planejarem as propo sições artísticas direcionadas aos alunos É importante considerarmos que a arte contemporânea faz parte do contexto histórico e social dos nossos alunos e por mais resistências que podemos encontrar para a realização do trabalho com essas linguagens negálas às crianças e aos jovens estaria na contramão das propostas educacionais que defendem o sociointeracionismo nos processos de ensino e aprendizagem Reflita Embora provocativa e muitas vezes polêmica a arte contemporânea faz parte do contexto social e histórico das crianças Qual o papel do educador nesse contexto Como ele pode contribuir com o desenvolvi mento artístico das crianças O professor tem papel fundamental nas descobertas que a criança realiza Ele pode instigar a curiosidade das crianças e incentivar o interesse por experiências artísticas vinculadas a diferentes linguagens Para que as experiências artísticas relacionadas à arte contempo rânea sejam de fato significativas para os alunos é importante que o professor esteja preparado para abordar tal conteudo Os questiona mentos apresentados a seguir podem ajudar o professor na execução do seu planejamento Quem são as crianças que pretendo trabalhar Qual a faixa etária em questão Quais os conhecimentos prévios das crianças sobre arte contem porânea Existe alguma relação entre a arte contemporânea e o brincar Que artísticas linguagens ou obras serão trabalhadas Como podemos abordar a percepção multissensorial das crianças Que tipo de materiais serão utilizados Como podemos valorizar os trabalhos cooperativos Qual a relação entre corpo e movimento e as experiências a serem propostas Como é possível registrar as experiências vivenciadas 210 Sem medo de errar Após dialogarmos sobre a arte contemporânea vamos retomar o desafio da professora Ana Ana percebeu por meio do questionamento da pequena Natália que precisava trabalhar a arte contemporânea com as crianças já nos anos iniciais do ensino fundamental A percepção da professora faz sentido pois defende que o processo de ensino e aprendizagem acontece quando levamos em consideração o contexto histórico e social das crianças Logo trabalhar a arte contemporânea também faz parte desse contexto Para trabalhar com essas linguagens primeiramente a professora precisa ampliar seu repertório artístico e cultural a fim de se apropriar dos conceitos que permeiam essas linguagens Assim incialmente ela precisou definir o que é arte contemporânea A arte contemporânea como uma linguagem que surgiu entre os anos de 1960 e 1969 aproximadamente após os movimentos da arte moderna e pósmoderna como a pop art a op art e a minimal art abriu espaço para as novas linguagens que se apropriavam de objetos e inseriam a interação do público em suas propostas A arte contemporânea vai modicando os conceitos de objeto de interação de espaço e da própria arte caracterizandose pela apropriação de diferentes técnicas sejam elas convencionais e não convencionais e pela própria apropriação de obras de arte de outros artistas Nessa arte o artista não é mais o centro da obra para tanto a interação e partici pação do público passam a ser essenciais no momento de fruição e de dar sentido a ela Surgem então várias linguagens que podem ser trabalhadas com as crianças como a instalação assemblage performance happening readymade videoarte etc Tais linguagens fazem parte das diferentes exposições que encontramos nos museus nas galerias e até mesmo na rua considerada um palco muito comum da arte contemporânea Diante desses conceitos a professora Ana percebeu que deveria começar buscando o seu conhecimento sobre a arte contemporânea e então analisar o contexto dos alunos Além disso ela notou que precisaria conceituar arte e se apropriar das propostas dos artistas para desenvolver processos de fruição interação e criação com os pequenos Ela também entendeu que para traba lhar com a arte contemporânea não necessitaria buscar as obras e exposi ções de maiores provocações e polêmicas sociais mas que é possível resgatar diferentes proposições e apresentálas aos alunos exatamente como com as demais linguagens da arte Por fim a professora Ana ao compreender os 211 conceitos que envolvem a arte contemporânea percebeu a necessidade de possibilitar que as crianças tenham contato com as obras ampliando suas experiências estéticas Avançando na prática Exposição de arte contemporânea Os professores do ensino fundamental da Escola Primavera resolveram desenvolver um projeto sobre arte e tecnologia Então como estava na época da Bienal de Arte decidiram levar as crianças para visitarem as exposições e principalmente interagirem com a arte contemporânea As crianças foram acompanhadas por monitores durante toda visita e logicamente estranharam algumas obras que após contextualização dos monitores passaram a fazer sentido Quando elas visualizaram a primeira obra organizada por meio da linguagem do videoarte questionaram os professores por que esta TV está exibindo um filme no meio da exposição Isso também é uma obra da Bienal Vários professores se indagaram e perceberam que precisavam planejar uma proposta de trabalho sobre os conceitos de videoarte Emanuelly foi uma dessas professoras que imediatamente começou a questionar seus colegas por onde começamos Algum de vocês já estudou os conceitos de videoarte Como poderíamos incluir esses conceitos no projeto da escola Resolução da situaçãoproblema Para resolver esta situação a professora Emanuelly deverá retomar seus estudos sobre o trabalho com a arte contemporânea É importante que ela perceba como o diálogo sobre as obras que visualizaram e interagiram na Bienal é fundamental para se levantar hipóteses sobre o conhecimento e o contexto das crianças Sobre a videoarte vale lembrar que por volta de 1960 com a redução do custo para a produção de vídeos vários artistas se apropriaram desse meio como possibilidade de experimentar outras linguagens de arte Foi assim que surgiu uma nova linguagem chamada de videoarte integração do vídeo e da televisão a outras linguagens e tecnologias trazendo um novo debate sobre se fazer arte Essa linguagem traz algumas reflexões sobre a articulação entre diferentes linguagens e a apropriação de espaço para as exposições uma vez que a TV ocupa um espaço reduzido se for comparado a outras exposições 212 Ao fruir uma videoarte o olhar se direciona para o campo de imagem projetado pela tv assim dando novo sentido ao espaço da galeria e à relação expectadorobra Diferentemente dos programas televisivos que normal mente abordam a cultura de massa a videoarte é provocativa assim como a maior parte das linguagens da arte contemporânea Com o vídeo o espectador é estimulado ao movimento e a participação Seu campo de visão se amplia e seu olhar transita entre o espaço circundante e as imagens transmitidas PROENCA 2003 p 371 São várias as possibilidades de trabalho que podem ser desenvolvidas por meio da videoarte e das linguagens que envolvem arte e tecnologia O importante é conhecer o contexto das crianças a área do conhecimento com a qual se pretende trabalhar e atentarse para as questões éticas e sensíveis dessas linguagens Pesquise mais Que outras estratégias podem ser utilizadas para abordar a arte contem porânea para o publico infantil Faça uma listagem contendo autores e obras que podem atrair inicialmente a atenção dos alunos pelo tipo de material utilizado ou temática abordada Deixese levar pela criati vidade e lembrese que as crianças não apresentam conceitos enrai zados nem estão restritas a materiais convencionais ou determinadas técnicas artísticas assim elas podem mostrarse mais interessadas pela arte contemporânea do que você imagina Faça valer a pena 1 A arte pode ser mais uma linguagem ou caminho para o conhecimento Além disso estimula a criatividade a autonomia e o pensamento crítico do indivíduo Com essa abordagem o projeto OMA Educação vem inserindo o ensino de artes na grade extracurricular de alunos de diversas idades de escolas particulares municipais ou estaduais na região do ABC paulista Criada em 2013 a iniciativa é fruto da colaboração de professores e gestores das instituições de ensino com os arteeducadores da OMA Galeria primeiro espaço dedicado à arte contempo rânea no ABC PROJETO 2016 sp 213 A arte contemporânea faz parte do contexto histórico e social das crianças Sobre esse estilo de arte avalie as afirmativas a seguir e marque verdadeiro V ou falso F A arte contemporânea vai modicando os conceitos de objeto interação espaço e da própria arte A arte contemporânea caracterizase pela apropriação de diferentes técnicas sejam elas convencionais ou não convencionais e pela própria apropriação de obras de arte de outros artistas Nessa arte o artista é o centro da obra interagindo por meio de perfor mances intrapessoais Um dos artistas que influenciou a arte contemporânea certamente foi Marcel Duchamp 1887 1968 Assinale a sequência correta a V F F V b F F V F c F F F V d V V F V e F F F F 2 A linguagem da assemblage surge em 1953 por Jean Dubuffet 19011985 que relacionou o termo aos trabalhos que vão além da colagem Tratase de um conceito que envolve a técnica de colagem mas em um sentido mais amplo relativo à acumulação Sobre a assemblage avalie as asserções e a relação proposta entre elas I Os artistas que produzem assemblage podem utilizar diferentes elementos retirados da realidade para que estes incorporem a obra e deem sentido a ela O que não quer dizer que os elementos perdem o sentido original PORQUE II Um dos artistas que trabalhou com essa linguagem foi Robert Rauschenberg ao desenvolver trabalhos que uniram a pintura e a comunicação retartando a cultura popular a arte e a vida cotidiana Acerca dessas asserções assinale a alternativa correta 214 a As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justifica tiva da I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II não é uma justi ficativa da I c A asserção I é verdadeira e a II é uma proposição falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira e As asserções I e II são proposições falsas 3 A arte contemporânea se traduz a partir da liberdade de expressão do artista que ultrapassa os limites institucionais rompendo com a necessidade da impressão religiosa ou política em seus trabalhos não sendo a sua arte construída necessariamente a partir de novos elementos como no moder nismo mas especialmente pela sua autonomia no decorrer de seus processos criativos JANSON JANSON 1995 Sobre as linguagens da arte contemporânea é correto afirmar que I A instalação embora ainda apresente um conceito muito discutido é uma técnica experimental que abre um leque de diferentes possibili dades artísticas O espaço é essencial tendo em vista que a instalação faz parte da obra II A linguagem do happening surgiu a partir dos anos 50 em um momento em que a arte foi às ruas por meio de técnicas de teatro encenação improvisações e espontaneidades que envolviam o público III A linguagem da assemblage surgiu em 1953 Ela é uma linguagem da arte contemporânea que utiliza algum objeto já fabricado ressignifi candoo como arte IV A arte efêmera teve seu início em 1960 e 1970 e está relacionada à arte que existe por um tempo determinado tendo em vista que a criação acontece por meio do uso de elementos perecíveis Assinale a alternativa correta a As afirmativas I II III e IV estão corretas b As afirmativas I II e IV estão corretas c As afirmativas II III e IV estão corretas d As afirmativas I e IV estão corretas e A afirmativa IV está correta Referências ARGAN G C Arte Moderna São Paulo Companhia das Letras 1992 ARTE Efêmera In ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural Sl Itaú Cultural 2017 Disponível em httpenciclopediaitauculturalorgbrtermo343arteefemera Acesso em 29 ago 2018 BARBOSA A M A imagem no ensino da arte São Paulo Max Limonad 2002 BRASIL Resolução CNECP 12006 Diário Oficial da União Seção 1 Brasília DF p 11 16 maio 2006 CAMPOS V SILVA A L da SILVA D R da A formação do povo brasileiro e o reconheci mento efetivo da diversidade cultura educação e ações afirmativas em prol de uma sociedade reflexiva Revista Acadêmica Magistro v 1 n 15 2017 CARTA EDUCACÃO Projeto leva arte contemporânea para as escolas Carta Capital jun 2016 httpwwwcartaeducacaocombrreportagensprojetolevaartecontemporaneaparaa asescolas Acesso em 29 ago 2018 CARVALHO L M O ensino de artes em ONGs São Paulo Editora Cortez 2008 CAUQUELIN A Arte contemporânea uma introdução São Paulo Martins 2005 CORTEZ M B et al Luta dança filosofia de vida a capoeira cantada pelos capoeiristas Psicol Am Lat n 14 México out 2008 Disponível em httpsbitly2Ue2Kvt Acesso em 28 ago 2019 COSTA E P Princípios básicos da museologia Curitiba Coordenação do Sistema Estadual de Museus Secretaria de Estado da Cultura 2006 DANIEL C Secretaria de administração Penitenciária Projeto Arte que Liberta exibe obras de arte no CPP de Jardinópolis Sl 3 jul 2016 Disponível em httpwwwsapspgovbr noticiasnot713html Acesso em 29 ago 2019 DIANA D Toda Matéria Vik Muniz Sl sd Disponível em httpswwwtodamateria combrvikmuniz Acesso em 29 ago 2019 DORNELLES S S Trabalho compulsório e escravidão indígena no Brasil imperial refle xões Revista Brasileira de História São Paulo v 38 n 79 2018 Disponível em httpsbit ly2Zw88uZ Acesso em 29 ago 2019 DUARTE JR J F Fundamentos estéticos da educação 2 ed Campinas SP Papirus 1988 DUARTE JR J F Por que arteeducação 6 ed Campinas SP Papirus 1991 Coleção Ágere FERRAZ M H C de T FUSARI M F de R Metodologia do ensino da arte fundamentos e proposições São Paulo Cortez 2009 FREYRE G Casagrande e senzala Recife Global 2003 FUNARTE Políticas para as artes prática e reflexão Rio de Janeiro FUNARTE 2012 216 p Disponível em httpsbitly2ZwNFGd Acesso em 29 ago 2019 GARDNER H O verdadeiro o belo e o bom Rio de Janeiro 1999 GOHN M de G Educação não formal e o educador social em projetos sociais In VERCELLI L Org Educação não formal campos de atuação Jundiaí Paco Editorial 2013 HEINICH N Práticas da arte contemporânea uma abordagem pragmática a um novo paradigma artístico Sociologia Antropologia Rio de janeiro v 402 p 373390 out 2014 Disponível em httpsbitly34bZgOG Acesso em 30 ago 2019 JANSON A F JANSON HW Iniciação à história da arte 2 ed Martins Fontes 1995 MARCUCCI C Revista Crescer O ilustrador André Neves Sl Sd Disponível em httprevistacrescerglobocomRevistaCrescer0EMI2367981848300 OILUSTRADORANDRENEVEShtml Acesso em 29 ago 2019 MARTINS J SILVEIRA T S S 2011 Didática e metodologia do ensino de artes Uniasselvi 2001 Disponível em httpsvdocumentssitedocumentsdidaticaemetodologiadoensi html Acesso em 29 ago 2019 MELANI M R A Projeto Araribá São Paulo Moderna 2006 MILLET C A arte contemporânea Lisboa Flamarion 1997 MORAIS M R de JAYME J G Povos e comunidades tradicionais de matriz africana Uma análise sobre o processo de construção da uma categoria discursiva Civitas Porto Alegre v 17 n 2 p 268283 maioago 2017 Disponível em httpsbitly2U8DZAE Acesso em 28 ago 2019 NAKASHATO G A educação não formal como campo de estágio contribuições na formação inicial do arteeducador São Paulo SESISP 2012 OSTROWER F Criatividade e processos de criação Petrópolis Vozes 1986 PILLOTTO S S D Linguagens da arte na infância Joinville Univille 2007 PILLOTTO S S DOrg Processos curriculares em arte da universidade ao ensino básico Joinville Univille 2004 112 p PIMENTEL G Oficinas culturais Brasília Universidade de Brasília 2007 Disponível em httpsbitly2MJH2yi Acesso em 29 ago 2018 PORQUE hospital também é lugar de arte Sl 4 jan 2017 Disponível em wwwdoutoresdal alegriaorgbrblogporquehospitaltambemelugardearte Acesso em 29 ago 2019 PROENCA G Descobrindo a história da arte São Paulo Ática 2005 PROENCA G História da arte São Paulo Ática 2003 PROJETO leva arte contemporânea para as escolas Carta Capital Sl 21 jun 2016 Disponível em httpsbitly2HASubr Acesso em 29 ago 2019 QUEIROZ G Formação de mediadores para museus em situações educacionais ampliadas saberes da mediação e desenvolvimento profissional Ensino em ReVista Uberlândia UFU v 20 n 1 p 149162 janjun 2013 RECIFE cidade Prefeitura da Cidade de Recife Secretaria de Cultura Fundação de Cultura da Cidade de Recife Diálogos entre arte e público Recife CFAV 2008 RIBEIRO D O povo brasileiro a formação e o sentido do Brasil 2 ed São Paulo Companhia das Letras 1995 SIMAS C G Arte e reabilitação fazendo brotar emoção com ajuda de aparato digital Tese Doutorado em Arte e Tecnologia Instituto de Artes Universidade de Brasília Brasília 2012 SOUZA R Arte e infância contemporâneas Sl 3 out 2017 Disponível em httpsbitly2Zr sbzD Acesso em 29 ago 2019 TOJAL A P da F Museu de arte e público especial 2007 Tese Doutorado em Cultura e Informação Escola de Comunicação e Artes Universidade de São Paulo São Paulo 2007 Disponível em httpsbitly2PBTTAK Acesso em 29 ago 2019 ISBN 9788552215066

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KLS Educação e Artes Educação e Artes Luciana Silva Batalha Tatiane Mota Santos Jardim Tatiana dos Santos 2019 por Editora e Distribuidora Educacional SA Todos os direitos reservados Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio eletrônico ou mecânico incluindo fotocópia gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação sem prévia autorização por escrito da Editora e Distribuidora Educacional SA Presidência Rodrigo Galindo VicePresidência de Produto Gestão e Expansão Julia Gonçalves VicePresidência Acadêmica Marcos Lemos Diretoria de Produção e Responsabilidade Social Camilla Veiga Gerência de Produção de Conteúdo Fernanda Migliorança Editorial Renata Galdino Revisão Técnica Egle Pessoa Bezerra de Freitas Adrião Luciana Colin Tavalera Rosângela de Oliveira Pinto Thamiris Mantovani CRB89491 2019 Editora e Distribuidora Educacional SA Avenida Paris 675 Parque Residencial João Piza CEP 86041100 Londrina PR email editoraeducacionalkrotoncombr Homepage httpwwwkrotoncombr Dados Internacionais de Catalogação na Publicação CIP Batalha Luciana Silva B328e Educação e artes Luciana Silva Batalha Tatiana dos Santos Tatiana Mota Santos Jardim 2 ed Londrina Editora e Distribuidora Educacional SA 2019 224 p ISBN 9788552215066 1 Educação 2 Artes I Batalha Luciana Silva II Santos Tatiana dos III Jardim Tatiana Mota Santos IV Título CDD 700 Sumário Unidade 1 A educação e as artes7 Seção 1 A arte 10 Seção 2 A arte e a educação 22 Seção 3 O ensino da arte na legislação educacional 36 Unidade 2 A arte e a educação infantil 57 Seção 1 Artes visuais na educação infantil 58 Seção 2 Teatro na educação infantil 72 Seção 3 Música e dança na educação infantil 87 Unidade 3 A arte e o ensino fundamental 107 Seção 1 Artes visuais no ensino fundamental 109 Seção 2 Teatro no ensino fundamental 123 Seção 3 Música e dança no ensino fundamental 138 Unidade 4 A arte como herança e transformação 155 Seção 1 Artes visuais teatro música e dança 156 Seção 2 Arte e educação em ambientes não formais 181 Seção 3 Arte na contemporaneidade 198 Palavras do autor A disciplina Educação e Artes aborda de modo amplo a reflexão entre arte e educação escolar por meio das referências teóricas do seu ensino O ensino das artes na educação básica é regulado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação e orientado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais Na formação do pedagogo os saberes nessa área devem ampliar e aprofundar debates que já ocorrem em âmbito nacional partindo do pressu posto de que o professor necessita conhecer as proposições teóricas que influenciam o ensino e a aprendizagem de arte de acordo com as políticas educacionais Dessa forma será possível entender a situação da arteedu cação no contexto atual criando no pedagogo condições e atitudes transfor madoras no processo de ensinoaprendizagem Sobre a importância desse conhecimento Fusari e Ferraz 1992 p 20 21 afirmam que Para compreendermos e assumirmos melhor as nossas responsabilidades como professores de Arte é impor tante saber como a arte vem sendo ensinada suas relações com a educação escolar e com o processo históricoso cial A partir dessas noções poderemos nos reconhecer na construção histórica esclarecendo como estamos atuando e como queremos construir essa nossa história O objetivo do estudo se fundamenta na aquisição do conhecimento acerca dos princípios teóricos da área que orientam a formação profissional a fim de que ao concluir esse estudo o pedagogo tenha capacidade de tomar decisões resolver situaçõesproblema do cotidiano planejar suas ações conduzir e avaliar o processo de ensino e aprendizagem de arte na educação básica Dessa forma o pedagogo poderá refletir sobre o processo de ensino e aprendizagem em arte e como mediador direcionar procedimentos no preparo e desenvolvimento da aula de arte A Unidade 1 trata da concepção das artes em seu eixo norteador de aprendizagem da produção fruição e reflexão explora o contexto histórico do ensino da arte no Brasil nos séculos XIX e XX assim como suas perspec tivas Aborda o ensino de arte no currículo escolar por meio da legislação e prática que abrangem objetivos e conteúdos relativos ao ensino da arte na educação básica A Unidade 2 voltase ao ensino das quatro linguagens que compõem o currículo de arte visual teatral musical e corporal na educação infantil Já a Unidade 3 aborda o ensino da arte contemplando as quatro linguagens no ensino fundamental abarcando diretrizes possíveis de acordo com a faixa etária E por fim a Unidade 4 contempla a questão da inserção das lingua gens da arte com as matrizes culturais que nela se apresentam arte cultura e etnias tais como indígenas europeias e africanas que caracterizam as raízes brasileiras Aborda a atuação do pedagogo em espaços culturais ONGs museus hospitais e espaços prisionais e também destaca o papel da arte no contexto contemporâneo na indústria cultural a arte urbana e a relação entre arte e tecnologia Essa obra pretende oferecer subsídios para a sua formação e a possibi lidade da busca do seu próprio percurso na aprendizagem despertando a curiosidade por novos saberes por meio da pesquisa e pelo autoestudo fontes fundamentais na ampliação do seu conhecimento nessa área Portanto elabore os seus saberes busque a informação e transforme a sua realidade Unidade 1 Tatiane Mota Santos Jardim Luciana Silva Batalha A educação e as artes Convite ao estudo Arte é a expressão de um artista de um povo de uma época histórica considerando os valores estéticos refletindo a respeito de uma cultura É uma forma do ser humano proclamar a sua criatividade para expressar sentimentos e emoções através de suportes mídias e linguagens variadas para encontrar o seu lugar no cenário contemporâneo Em seu extenso contexto a arte pode ser concebida de diversas maneiras seja pela pintura escultura cinema teatro dança música ou da combinação de todos esses suportes técnicas e espaços para se efetivar e se reinventar A concepção de ensino como conhecimento defende a ideia da educação da arte com ênfase na própria arte Atualmente existem temáticas presentes na Base Nacional Comum Curricular BNCC que ampliam as experiências com Arte abordando as linguagens e suas práticas em Artes Visuais Dança Música Teatro e Artes integradas A arte contemporânea é caracterizada pelo rompi mento das barreiras entre o visual o gestual e o sonoro em uma compreensão de interrelações das diversas linguagens representativas e expressivas Nesta unidade veremos que o ensino no campo da educação visa se apropriar dessa área do conhecimento humano em todas as suas particula ridades desenvolvendo a cultura do aluno por meio do eixo norteador do ensino da arte produção fruição e reflexão Para tal analisaremos a Escola das Laranjeiras que tem duas professoras de Arte A professora Lygia que leciona para o 8º ano A e a professora Miriam que dá aulas para o 8º ano B No momento do planejamento ficou determinado que ambas seguiriam o mesmo plano de ensino e que ao iniciar o trabalho com os três eixos norteadores do conhecimento artístico na sala de aula ambas utilizariam a pintura Mona Lisa de Leonardo da Vinci uma obra consagrada na história da arte Figura 11 Vejamos as ações da professora Lygia já que a escola não tinha uma sala específica para a disciplina de Artes a professora preparou a sala de aula com uma rotina construída com os alunos sem cadernos de outras matérias apenas com os materiais dos alunos para a aula de artes já em cima das mesas Naquela aula a professora queria um ambiente mais sereno então fechou as cortinas e apagou as luzes deixando que apenas a luz que passava entre as frestas das cortinas invadisse o ambiente Ela também levou um aparelho de CD e colocou uma música bem suave Além disso Lygia levou para a aula reproduções coloridas de obras de vários outros artistas que utilizaram a Mona Lisa como referência como Botero Vik Muniz Duchamp Salvador Dalí pois era o material que havia selecionado para o momento Ela poderia ter usado imagens de igrejas ou prédios filmes com danças ou musicais fotografias entre outros materiais que também poderiam ser fonte para a aprendizagem daquele conteúdo A professora Lygia então fixou as imagens selecionadas das obras na lousa e nas paredes da sala de aula e pediu para que os alunos caminhassem pelo ambiente e observassem cada uma das repro duções percebendo cada traço as cores as formas as pinceladas formando imagens ou apenas borrões e que não se esquecessem de ouvir e sentir a música que tocava na sala ao mesmo tempo Os alunos podiam conversar com seus pares a respeito de suas descobertas ao observar as obras e a profes sora Lygia aproveitava para debater com os alunos Depois a professora pediu que individualmente eles realizassem um desenho de algum detalhe visto em uma obra apreciada do artista mas de maneira ampliada e que depois colorissem Ao concluir o desenho a professora pediu para que os alunos fossem novamente até a obra escolhida e observassem o detalhe real verifi cando como foi representado pelo artista Ao final a produção de desenhos foi exposta no mural da sala e os alunos puderam comentar o que fizeram e também observar as produções dos outros colegas Já a professora Miriam após trabalhar o mesmo conteúdo os três eixos norteadores do conhecimento artístico pediu para que os alunos fizessem um desenho com tema livre e que colorissem depois Assim ela sentouse na cadeira de sua mesa à frente da sala de aula e ficou olhando uma revista deixando assim de observar os alunos Miriam não teve a preocupação em preparar a sala para a aula de artes e em pouco tempo todos os alunos perderam o interesse pelo desenho e começaram a conversar Diante disso a professora avisou os alunos que o desenho valia nota e que o conteúdo apresentado iria cair na prova alertandoos de que se não fizessem silêncio chamaria o diretor Os alunos retomaram a atividade mas em pouco tempo se dispersaram novamente e a situação ficou se repetindo até o final da aula com a professora Miriam aos berros Propomos a reflexão sobre a situação apresentada já que aqui estão contidos fundamentalmente os temas desta unidade concepção e conhe cimento em arte Figura 11 Mona Lisa de Leonardo da Vinci Fonte httpsbitly1c00kTb Acesso em 23 set 2017 Você concorda que os diferentes modos de condução de uma aula podem trazer bons ou maus resultados Na primeira seção desta unidade estudaremos as concepções de arte e o seu eixo de ensino Já na segunda seção compreenderemos a aprendizagem que se dá por meio da arte o contexto histórico do ensino da arte no Brasil nos séculos XIX XX e a concepção da arteeducação de acordo com as leis vigentes Na terceira seção pelo viés da normatização brasileira para o ensino da arte serão apresentados os objetivos e conteúdos para a educação básica como você verá a seguir 10 Seção 1 A arte Diálogo aberto Durante muito tempo o ensino da arte se limitou a práticas descon textualizadas da sua aprendizagem que não traziam reflexões ou conhe cimento sobre o seu contexto Era comum atividades tais como decorar a escola festejar datas comemorativas colorir desenhos xerocados Também acontece da arte estar à serviço de outras disciplinas de forma a desvalorizar o seu conteúdo Em uma linha mais tradicional de ensino que ainda pode ser observada nos dias de hoje o professor era o detentor do conhecimento e o aluno era aquele que reproduzia o que lhe fora ensinado sem direito de contestar ou criar De acordo com o percurso da sua aprendizagem da linguagem artística como você compreende a arte Qual foi o modelo de ensino que guiou a sua formação As atividades contempladas passaram pelas quatro linguagens dança artes visuais teatro e música combinados com os três eixos citados anteriormente No percurso do ensino da arte é interessante variar as formas de estudar os conteúdos e de programar atividades a serem desenvolvidas seja dentro da escola ou em ambientes não formais de ensino Arte diz respeito aos processos artísticos e culturais nos diversos contextos sociais e tempos históricos que resultam da integração de conhecimentos e experiências Apresentamos uma situação para reflexão em que duas professoras de Arte de 8º ano trabalharam com o mesmo conteúdo mas desenvolveram planejamentos de ensino diferentes Ao trabalhar com a imagem da obra Mona Lisa de Leonardo da Vinci a professora Lygia explorou a criação a crítica a estesia a expressão a fruição e a reflexão de obras artísticas envol vendo imagens e música em um ambiente sereno Ela instigou a percepção estética e a imaginação criadora também houve trocas entre os pares e a professora gerando situações de aprendizagem significativa em arte A professora Miriam por sua vez não ofereceu nenhum subsídio para pesquisa ou temática para produção apresentando assim uma postura tradicional A partir dos dois tipos de didáticas apresentadas como você orientaria a professora Miriam para que conseguisse fazer com que os alunos se envol vessem mais pela atividade proposta e tivessem uma aprendizagem signi ficativa em arte Você considera que a elaboração do plano de aula possa ajudar as professoras a trazer ações mais interessantes aos alunos seguindo 11 o conhecimento artístico por meio da criação da crítica da estesia da expressão da fruição e da reflexão Como você montaria um plano de aula envolvendo a atividade proposta pelas duas professoras Para resolução dessas questões você deverá se reportar aos conteúdos sobre concepção de arte e conhecimento artístico Não pode faltar Concepção de arte Agora você irá conhecer um pouco mais sobre os pensamentos que envolvem a concepção da arte Considerada uma área do conhecimento humano a arte desenvolve a percepção a imaginação e amplia a visão de mundo sobre a realidade e capacidade crítica para desenvolver a criatividade A arte aproxima as pessoas mais distintas pois é o reflexo de uma cultura de um povo de um artista Diante disso a arte favorece a percepção de semelhanças e diferenças entre os indivíduos expressas nas produções artís ticas e nas concepções estéticas ao atribuir juízo de valor que é um julga mento feito a partir de percepções individuais tendo como base fatores culturais sentimentais ideológicos e préconceitos Assim é possível deter minar que o valor atribuído a uma obra de arte depende do contexto em que ela está inserida de determinada época e de quem a aprecia A arte é uma forma de o ser humano proclamar a sua criatividade para expressar sentimentos e emoções por meio de suportes e linguagens variados para encontrar o seu lugar Você pode achar que ela está distante que é inacessível mas basta olhar para o lado e perceber que a nossa vida está cercada por ela e não é necessário ir ao museu ou ao teatro para acessála As obras de arte aparecem inseridas em uma cidade em monumentos e escul turas por exemplo Elas também podem ser observadas no percurso criativo do design que apresenta objetos do cotidiano imbuídos de certa presença artística como a escova de dente a cadeira do escritório o relógio desper tador etc bem como na arquitetura de um prédio no grafite de um muro Ao ligar o rádio do carro e ouvir uma música ao andar pela rua e ver um grupo de jovens ensaiando um passo do hiphop enfim essas experiências estimulam o pensamento a sensibilidade e causam prazer estético A estética é uma ciência que envolve a filosofia da arte e remete aos estudos do que é belo nas diferentes manifestações artísticas além disso ela visa investigar a percepção dos sentidos por meio da compreensão das emoções ideias e juízos despertados na observação de uma obra de arte A arte é um fenômeno muito complexo e quando estamos diante de uma produção vinda de uma manifestação artística podemos gostar ou não pois 12 o gosto tem um caráter individual e também depende do interesse e conheci mento de cada um Entretanto não se pode negar que estamos diante de uma obra de arte mesmo quando se tratam de obras que dificilmente podemos considerar belas e daquelas que não gostamos ainda assim não podemos deixar de considerar que são obras de arte pois são muitos os fatores que determinam o que é ou não arte como a aceitação em museus o mercado de arte ou até mesmo o que afeta os sentidos seja de modo positivo ou negativo É por meio do estudo que se aprende a respeitála e compreen dêla ao conhecer as variadas produções das diversas épocas e culturas Reflita As obras de arte expressam um pensamento uma visão de mundo e podem provocar uma forma de inquietação no observador um senti mento ou uma sensação uma vontade de admirar ou uma grande repulsa algum tipo de emoção o despertar uma lembrança ou um desejo Esse conjunto de sensações é chamado de experiência estética que pode ou não estar ligada ao prazer O gosto pela arte varia entre pessoas épocas e regiões e essa diversidade de fatores desperta julga mentos de beleza e de experiência estética Para muitos esse campo de opiniões não tem grande relevância e preferem nem discutir sobre o assunto visto que gosto não se discute Será que a arte é um motivo para discutir o gosto Será que o momento para essa discussão chegou O que você acha Neste estudo abordamos a arte como conhecimento e o seu ensino ocorre por meio de linguagens e conteúdos próprios Desse modo a arte deve ser experimentada analisada criada e refletida de acordo com a legis lação vigente desde 2016 Lei no 132782016 no ensino que aborda quatro modalidades artes visuais dança música e teatro BRASIL 2016 Já os conte údos nos Parâmetros Curriculares Nacionais propõem o estudo de diferentes saberes de linguagens artísticas e o desenvolvimento da percepção estética além disso eles são apoiados nos três eixos norteadores produção fruição e reflexão eixos fundamentados a partir da proposta de ensino desenvol vida por Ana Mae Barbosa A Base Nacional Comum Curricular BRASIL 2017 amplia as possibilidades de experiência com a arte pois além de estar centrada nas linguagens da música artes visuais teatro e dança apresenta a unidade temática Artes Integradas que se refere às relações existentes entre as linguagens 13 Reflita A arte mexe com as pessoas o que faz com que certas exposições tenham maior visibilidade e sucesso que outras Em 2017 a Exposição Queermuseu Cartografias da Diferença na Arte Brasileira realizada no Santander Cultural em Porto Alegra RS foi cancelada depois que os movimentos religiosos e do MBL Movimento Brasil Livre apontaram que a exposição fazia apologia à pedofilia e zoofilia O que você sabe sobre a exposição Quem fez a sua curadoria e o que pretendia O que faz com que obras de arte causem reações negativas nas pessoas Qual o objetivo em causar essas reações afinal Conhecimento artístico Ana Mae Barbosa 1936 é autora de diversos livros e artigos fundamen tais para o estudo na área de arte foi uma das pioneiras da arteeducação no Brasil e os conceitos que desenvolveu nessa área são referências em escolas museus e faculdades de pedagogia no país e no mundo Foi a primeira pesqui sadora a se preocupar com a sistematização do ensino de arte e desenvolveu a chamada Proposta Triangular para o ensino da arte presente nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte para os ensinos fundamental e médio Ela é conhecida como a principal referência do ensino de arte no Brasil e sua proposta articula três eixos de ensino e aprendizagem em arte que englobam a produção a fruição e a reflexão como descrito anteriormente A Proposta Triangular surgiu de uma adaptação de vários métodos de ensino que Barbosa conheceu em sua trajetória como pesquisadora entre eles a Pedagogia Freireana e a proposta americana DBAE Paulo Freire 1921 1997 desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político Para o educador o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno Ele também propôs uma abordagem triangular no processo de ensinoaprendi zagem em uma dimensão mais ampla Seus pontos principais são leitura de mundo conscientização crítica a partir da contextualização da realidade dos educandos e ação para transformar Sua metodologia era aplicada para alfabetizar adultos em zonas rurais Já a proposta americana Discipline Based Art Education DBAE cuja tradução é arteeducação como disciplina redirecionou as políticas de ensino com a proposta de incluir simultanea mente a produção de arte história da arte crítica e estética Dos métodos de ensino e pesquisa realizados por Ana Mae Barbosa surgiu a Proposta Triangular que ficou conhecida como Metodologia Triangular mas esse termo é repudiado pela autora que explica que metodologia é a construção que cada professor realiza em sala de aula Essa proposta surgiu da necessidade de uma prática pósmoderna de ensino de arte que procurava 14 uma alternativa para a prática do ensino moderno pois nas escolas predo minava o ensino geométrico a livre expressão os desenhos prontos as ativi dades baseadas em datas comemorativas ou a disciplina a serviço das demais disciplinas Para Ana Mae Barbosa a arte é um conhecimento com conteúdos próprios e que apresenta naturais processos educacionais assim como as demais áreas do conhecimento O desenvolvimento da Proposta Triangular de ensino teve início na década de 1980 e foi sistematizada no período de 19871993 no Museu de Arte Contemporânea MAC da USP onde Ana Mae foi diretora Sobre a proposta Barbosa 2008 p 18 comenta que Por meio da Arte é possível desenvolver a percepção e a imaginação apreender a realidade do meio ambiente desenvolver a capacidade crítica permitindo ao indivíduo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada A abordagem triangular procura englobar vários pontos de ensino e aprendizagem ao mesmo tempo produção em arte referese ao fazer artís tico ao experimentar o uso das linguagens artísticas Fruição da arte referese à ação de apreciar ler a imagem seja da produção histórica seja a do aluno interpretando e atribuindo significados e a reflexão que situa o conheci mento do trabalho artístico No início a mediação do ensino foi interpre tada pelos professores de forma equivocada Sendo assim eles passaram a aplicar separadamente cada um de seus eixos em seguida muitos passaram a trabalhar a proposta em todas as aulas em uma sequência a partir da contex tualização depois com a leitura de imagem e por último com a produção artística ou também com restrição à produção e à releitura de obras de arte Cabe ressaltar que a abordagem da proposta pode acontecer ora separada ora intrínseca mas de modo que a contextualização da imagem da reflexão e da produção estejam presentes em todo o processo não apresentando uma ordem preestabelecida A Proposta Triangular deve ser a base da mediação do ensino de arte e pode ir além ao articular modos diferentes e incluir outros princípios como a preocupação com a cultura sua diversidade e as transformações tecnoló gicas Ana Mae Barbosa 2005 p 5 dá essa abertura ao afirmar que hoje a metáfora do triângulo já não corresponde mais à sua estrutura Nos parece mais adequado representála pela figura ziguezague Ela nos remete a esse pensamento colocando os eixos leitura contextualização e produção apenas como base da arteeducação mas que a estes eixos vão sendo agregados outros saberes valores e conceitos sempre havendo a preocupação de integrar a 15 cultura popular e a erudita com suas instituições incluindo e promovendo assim o desenvolvimento cultural Um currículo que integre atividades artísticas história das artes e análise dos trabalhos artísticos levaria à satisfação das necessidades e interesses das crianças respeitando ao mesmo tempo os conceitos da disciplina a ser aprendida seus valores suas estruturas e sua específica contribuição à cultura BARBOSA 1998 p 17 Existe a preocupação no ensino de arte com a diversidade cultural e as transformações tecnológicas pois nas escolas lidamos com diferentes grupos de pessoas e culturas que convivem entre si com as diferenças Em 2017 foi elaborado também a Base Nacional Comum Curricular documento que regulamenta quais são as aprendizagens essenciais para o trabalho a ser desenvolvido nas instituições públicas e privadas de educação infantil ensino fundamental e ensino médio O documento apresenta as dimensões do conhecimento que caracterizam a singularidade da experi ência artística Conheça melhor cada dimensão do conhecimento Criação está relacionada ao fazer artístico e ao processo permeado por tomadas de decisões desafios conflitos Tratase de uma atitude intencional e investigativa Crítica referese às impressões que impulsionam os sujeitos a novas compreensões do espaço em que vivem Envolvem aspectos estéticos políticos históricos filosóficos sociais econômicos e culturais Estesia experiência sensível em relação ao espaço tempo som corpo e aos diferentes materiais Articula sensibilidade e percepção Expressão referese às possibilidades de manifestar as criações subje tivas por meio de procedimentos artísticos de modo individual ou coletivo Exemplificando Entre as dimensões em questão podemos citar a criação a crítica a estesia a expressão a fruição e a reflexão As dimensões criação e expressão estão voltadas à prática artística a estesia e a fruição podem 16 ser relacionadas à fruição propriamente dita e a crítica e a reflexão estão diretamente ligadas à reflexão presente na Proposta Triangular A fruição A fruição acontece quando os alunos são capazes de apreciar de forma significativa uma imagem ao integrar a percepção a imaginação e a compre ensão com o aprendizado fazer conexões e formar ideias sobre a arte e o universo a ela relacionado na produção históricosocial em sua diversidade de seus trabalhos artísticos e de outros A fruição está relacionada ao prazer ao deleite em práticas artísticas e culturais Ela implica o contato com produ ções artísticas de diversas épocas lugares e grupos sociais No contexto do ensino da arte a leitura de imagens deve partir de uma problematização para direcionar o olhar Se houver necessidade para facilitar a leitura de imagem a contextualização da obra de arte pode passar pela biografia do artista ou pela história da arte mas isso não é uma regra para trabalhar com esse eixo Para Barbosa 1989 Nossa concepção de história da arte não é linear mas pretende contextualizar a obra de arte no tempo e explorar suas circunstâncias Em lugar de estarmos preocupados em mostrar a chamada evolução das formas artísticas através do tempo pretendemos mostrar que a arte não está isolada de nosso cotidiano de nossa história pessoal BARBOSA 1989 p 178 Diante das especificidades do ensino e aprendizagem em arte para uma boa integração entre teoria e prática também deve haver o cuidado no momento da seleção de imagens e materiais pedagógicos para que tenham boa qualidade a fim de desenvolver um bom trabalho dentro desse contexto As imagens de baixa qualidade quando usadas nas aulas de arte apresentam um grande comprometimento estético e artístico prejudicando a apren dizagem dos alunos diante das proposições das aulas que desestimulam a criação e distorcem a compreensão dos processos artísticos Assimile A apreciação fruição de imagens é a leitura de elementos visuais que a compõem Por meio da fruição o leitor deixa de ter contato superficial com a imagem e passa a perceber não só a obra mas o mundo ao seu redor de outras formas 17 A reflexão A reflexão está relacionada com o processo de construção de argumentos sobre as funções experiências processos criativos artísticos e culturais Está relacionada com a análise e interpretação das manifestações culturais Segundo o PCN Arte A reflexão compartilhada gera um contexto de ensino e aprendizagem cooperativo que expressa a natureza social do saber Essa experiência coletiva por sua vez realimenta a reflexão de cada aluno pois envolve níveis distintos de elaboração de saberes o que provoca desequilibra e promove transformações nas aprendizagens individuais BRASIL 1998 p 50 Em 2017 foi elaborado também a Base Nacional Comum Curricular documento que regulamenta quais são as aprendizagens essenciais para o trabalho a ser desenvol vido nas instituições públicas e privadas de educação infantil ensino fundamental e ensino médio O documento apresenta dimensões do conhecimento que caracterizam a singularidade da experiência artística Entre as dimensões em questão podemos citar a criação a crítica a estesia a expressão a fruição e a reflexão Essas dimen sões possuem relação com a abordagem triangular apresentada anteriormente Como vimos as dimensões criação e expressão estão voltadas à prática artística a estesia e a fruição podem ser relacionadas à fruição propriamente dita e a crítica e a reflexão estão diretamente ligadas à reflexão presente na Proposta Triangular A crítica referese às impressões que impulsionam novas compreensões do espaço em que vivem a estesia referese à experiência sensível dos sujeitos e a expressão está relacionada à exteriorização e manifestação por meio de procedimentos artísticos Saiba mais Sociointeracionista é a tendência atual para o ensino de arte Essa teoria da aprendizagem considera a relação da cultura com os conhecimentos do aluno e as produções artísticas Sem medo de errar Uma aula planejada é de fundamental importância para se atingir êxito no processo de ensinoaprendizagem Relembre aqui a situaçãoproblema proposta em que alunos se desinteressaram em realizar uma atividade justa mente porque a professora Miriam buscando um caminho mais curto não a planejou e teve dificuldades em sua condução Seu objetivo então é 18 orientar a professora na elaboração de um plano de aula articulando as seis dimensões do conhecimento criação crítica fruição estesia expressão e reflexão as três últimas são novidades da Base Nacional Comum Curricular Para elaboração do plano você deve estabelecer alguns critérios tais como clareza e objetividade do que se pretende ter noção do conhecimento dos alunos sobre o conteúdo abordado articular a teoria com a prática prever um tempo de duração fazer suas pesquisas em busca de mais referências e estar de acordo com a realidade sociocultural dos estudantes Também deve aliar o planejamento com o uso de diversos recursos como filmes mapas poesias músicas computador jogos aulas práticas reprodução de imagens etc O eixo de aprendizagem em arte transformou o ensino quando o professor começou a planejar suas ações em um grau crescente de elabo ração e aprofundamento O produto desta unidade que visa à elaboração de um plano de ensino de artes para educação infantil deve estar de acordo com esses parâmetros ao envolver os aspectos reflexivos sensíveis expressivos e culturais da arte Avançando na prática Identificação de formas e cores Keila é professora do 1º ano e como pedagoga também atua nas aulas de arte com a sua turma Durante o desenvolver das primeiras atividades escolares do ano letivo Keila constatou que alguns de seus alunos ainda estavam apresentando dificuldades em reconhecer e nomear cores assim como em identificar formas planas Ao manipular o lápis de cor para colorir as formas geométricas estampadas no livro didático uma de suas alunas Carla que estava sentada em dupla com o aluno Wellington pediulhe para emprestar o lápis verde escuro e o aluno pegou o lápis marrom e lhe deu à mão A professora Keila então perguntou ao Wellington qual cor tinha emprestado para Carla e ele respondeu verde escuro Outra dupla de alunos formada por Adriano e Ricardo estava colorindo quadrados e percebeu que Adriano disse que queria colorir o triângulo de azul Embora tivesse pegado a cor certa para colorir ele estava confundindo a forma do quadrado com a do triângulo Diante dessa situação como você orientaria a professora na preparação de uma aula para reforçar os conceitos em que os alunos apresen tavam dificuldades Resolução da situaçãoproblema 19 Você proporia por exemplo o ensino das cores por meio de fotogra fias que os próprios alunos levassem em sala de aula O uso da massinha de modelagem poderia auxiliar os alunos a identificar as formas ao fazer quadrados retângulos triângulos e círculos E para o uso das cores também recorreria às massinhas Quais outros materiais consideraria adequados para tal Os alunos conseguem facilmente manipular massinha colorida e misturar as cores primárias de acordo com as orientações da professora para a obtenção das secundárias por exemplo Você consideraria levar as reproduções das pinturas de Piet Mondrian 18721944 cujas cores primá rias são sua base de construção E o que você acha de utilizar um método mais comumtradicional nas escolas levando desenhos para pintar e colar utilizando as formas geométricas e uso das cores primárias e secundárias É possível fazer uma aula próspera com esse método Pense nessas questões para sugerir uma aula que traga um enriquecimento ao repertório da profes sora e dos alunos Faça valer a pena 1 Leia o trecho a seguir Na BNCC de Arte cada uma das quatro linguagens do componente curricular Artes Visuais Dança Musica e Teatro constitui uma unidade temática que reune objetos de conhecimento e habilidades articulados às seis dimen sões apresentadas anteriormente Além dessas uma ultima unidade temática Artes Integradas explora relações e articulações entre as diferentes linguagens e suas práticas inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecno logias de informação e comunicação BRASIL 2017 p155 Qual das alternativas a seguir apresenta a informação correta sobre a Base Nacional Comum Curricular a A BNCC é um documento que determina quais atividades devem ser desen volvidas com os alunos principalmente na rede pública visando a padroni zação de experiências b A BNCC é um documento que regulamenta quais são as aprendizagens essen ciais para o trabalho a ser desenvolvido nas instituições públicas e privadas de educação infantil ensino fundamental e ensino médio 20 c A BNCC é um documento que determina o modo como os alunos devem aprender tanto na educação infantil quanto no ensino fundamental e médio enfatizando ainda os recursos que precisam ser utilizados em cada atividade d A BNCC é um relatório que relata o trabalho desenvolvido no ano corrente de cada instituição independentemente de ser uma escola de educação infantil ensino fundamental ou ensino médio e A BNCC é um documento que apresenta propostas de atividades que foram premiadas em alguma instância tanto na educação infantil quanto no ensino fundamental e ensino médio em escolas públicas e privadas 2 A abordagem triangular procura englobar vários pontos de ensino e aprendi zagem da arte ao mesmo tempo produção fruição e reflexão para o desenvolvi mento do conhecimento do trabalho artístico No início a mediação do ensino dessa abordagem foi interpretada pelos professores de forma equivocada e passaram a aplicar separadamente cada um de seus eixos depois toda sequência didática partia da contextualização passando para a leitura de imagem e finalizando com a produção artística É importante lembrar que a abordagem dessa proposta pode acontecer sem apresentar uma ordem estabelecida mas seja como for deve ser aplicada para que a contextualização da imagem a reflexão e a produção estejam presentes em todo o processo Responda F para falso e V para verdadeiro A produção artística se relaciona com a experiência do apreciar do aluno É um processo de observação que ganha importância quando o aluno reflete sobre os senti mentos ali expressos A fruição acontece quando os alunos apreciam uma imagem integrando percepção imaginação e compreensão com o aprendizado A reflexão artística se relaciona com a produção da arte O conhecimento se edifica quando o aluno produz interpretações e produtos artísticos Em relação às assertivas anteriores assinale a sequência correta a F V F b F F F c F F V d V F V e F V V 21 3 O ensino de arte oferece uma aprendizagem essencial ao ser humano Por meio das diversas linguagens artísticas que contribuem para o desenvolvimento do indivíduo são explorados o exercício da pintura e do desenho ações com o teatro com a dança e com a música a percepção dos sentidos a imaginação criadora e as expressões corporais Qual das alternativas apresentadas destaca um dos objetivos do ensino de arte Assinale a alternativa correta a Priorizar a razão em detrimento da emoção b Conscientizarse de que o conhecimento sistematizado é adquirido por meio das linguagens artísticas que estimulam treinamento seguindo metodologias c Libertar o indivíduo dos laços interiorizados do seu inconsciente d Estimular as linguagens artísticas por meio de ações repetitivas e Conscientizarse de que a experiência estética é essencial no processo educativo 22 Seção 2 A arte e a educação Diálogo aberto Nesta seção vamos compreender como ocorre a aprendizagem por meio da arte e como o ensino de arte no Brasil se apresenta nos séculos XIX XX e na sua configuração atual já que acompanhou as diversas reformas educacionais Em 1996 a Lei nº 9394 BRASIL 1996 em seu art 26 2º estabeleceu que o ensino da arte constituísse componente curricular obriga tório nos diversos níveis da educação básica de forma a promover o desen volvimento cultural dos alunos sendo antes disso tratada como atividade educativa Com o desenvolvimento de pesquisas na área seu formato foi se modificando e o seu campo de conhecimento foi se estruturando através do crescimento dessas pesquisas que atualmente se apropriam das produções e linguagens dos diversos aspectos socioculturais de diferentes povos e nações Estamos analisando uma situaçãoproblema em que duas professoras de arte do 8º ano Lygia e Miriam trabalham com o mesmo conteúdo e seus planejamentos de ensino são bem diferentes Ao retomar a questão podemos refletir que as práticas de ensino de arte são tão diversificadas em níveis de qualidade que podem empobrecer o universo cultural do aluno a prática da professora Miriam é um exemplo pois ela parece trabalhar apenas com a autoexpressão do aluno sem introduzir diferentes situações e instrumentos em seu plano de aula Você consegue perceber diferenças entre o que é ensinado hoje nas aulas de artes e o que era ensinado nos séculos XIX e XX e estabelecer paralelos com as práticas da professora Miriam O que você considera importante para que ela melhore sua prática docente atendendo às demandas dos conteúdos em artes Reflita sobre a situação apresentada Para resolvêla é necessário o entendimento de como ocorre a aprendizagem por meio da arte e do processo histórico pelo qual percorre o seu ensino Não pode faltar A aprendizagem por meio da arte Os Parâmetros Curriculares Nacionais PCN ressaltam que o processo de ensino e aprendizagem de conteúdos de arte deve colaborar com a formação do indivíduo de modo que ele adquira um conhecimento que o torne capaz de situar a produção de artes Os conteúdos por sua vez podem 23 ser trabalhados de acordo com o plano de ensino do professor e com a equipe pedagógica Na BNCC BRASIL 2017 as linguagens artísticas articulam saberes relacionados às práticas de criar ler produzir e refletir sobre formas artís ticas tendo a sensibilidade a intuição o pensamento as emoções e as subje tividades como formas de expressão do processo de aprendizagem em arte A arte é uma área do conhecimento que apresenta conteúdos em artes visuais música teatro e dança com objetivos e referências conceituais e metodológicas Essa área deve contribuir para a formação artística e estética do indivíduo ao articular o próprio repertório cultural com o repertório de outras culturas O PCN de Arte relata em sua introdução como foi a conquista da inclusão da arte como área de conhecimento no ensino brasileiro Após muitos debates e manifestações de educadores a atual legislação educacional brasileira reconhece a impor tância da arte na formação e desenvolvimento de crianças e jovens incluindoa como componente curricular obriga tório da educação básica No ensino fundamental a Arte passa a vigorar como área de conhecimento e trabalho com as várias linguagens e visa à formação artística e estética dos alunos A área de Arte assim constituída referese às linguagens artísticas como as Artes Visuais a Musica o Teatro e a Dança BRASIL 1998a p 19 O processo de ensino e aprendizagem segue a articulação da abordagem triangular que explora três eixos que o norteiam produzir fazer fruir apreciar e refletir contextualizar como visto na seção anterior Assim a contextualização está relacionada à pesquisa e referese ao domínio reflexivo pessoal e compartilhado no qual o aluno dialoga com a informação e percebe que não aprende individualmente e sim em contextos de interação Dessa maneira a ação de contextualizar favorece saber pensar sobre arte em vez de operacionalizar um saber cumulativo na área BRASIL 1998a p 50 O documento ainda complementa que para uma melhor contextuali zação é importante o ato de refletir Nesse sentido orienta que 24 A reflexão compartilhada gera um contexto de ensino e aprendizagem cooperativo que expressa a natureza social do saber Essa experiência coletiva por sua vez realimenta a reflexão de cada aluno pois envolve níveis distintos de elaboração de saberes o que provoca desequilibra e promove transformações nas aprendizagens individuais BRASIL 1998a p 50 Na prática da sala de aula produção e fruição são melhor aproveitadas na aprendizagem quando articuladas com a reflexão favorecendo saber pensar sobre arte O eixo de aprendizagem articulado com os conteúdos da área com os de outras áreas e com a transversalidade deve configurar a elabo ração do currículo escolar juntamente do contexto educacional em que a escola se insere Como agente ativo e participativo da sua aprendizagem deverá estabelecer conexões formar ideias sobre a sua própria produção a dos colegas e dos diversos povos na sociedade distinguir e argumentar sobre qualidade realidade e transformála além de se apropriar do conhecimento atribuindolhe significados Barbosa 1998 propõe um currículo em arte que contextualize o cotidiano do aluno com o currículo escolar trazendo elementos da cultura popular para complementar as questões acadêmicas que devem ser ensinadas Um currículo que integre atividades artísticas história das artes e análise dos trabalhos artísticos levaria à satisfação das necessidades e interesses das crianças respeitando ao mesmo tempo os conceitos da disciplina a ser aprendida seus valores suas estruturas e sua específica contribuição à cultura BARBOSA 1998 p 17 Dessa forma a escola é um lugar de excelência para a interação entre as distintas culturas para o conhecimento da multiplicidade dos códigos culturais existentes e para a produção de cultura conforme afirma o Referencial de expectativas para o desenvolvimento da competência leitora e escritora no ciclo II do ensino fundamental Artes SÃO PAULO 2006 p 21 Em relação à leitura de imagens inúmeras delas fazem parte do cotidiano dos alunos a partir da própria experiência visual diária que ocorre por meio do uso de câmeras vídeos celulares mp4 internet entre outras mídias por 25 isso é importante a mediação do estudo das imagens nas aulas de arte para a construção de conhecimentos Conforme o PCN Arte A criação e a exposição às multiplas manifestações visuais geram a necessidade de uma educação para saber ver e perceber distinguindo sentimentos sensações ideias e qualidades contidas nas formas e nos ambientes Por isso é importante que essas reflexões estejam incorporadas na escola nas aulas de Arte e principalmente nas de Artes Visuais A aprendizagem de Artes Visuais que parte desses princípios pode favorecer compreensões mais amplas sobre conceitos acerca do mundo e de posicionamentos críticos BRASIL 1998a p 63 Exemplificando Indicamos a leitura do artigo Sobre métodos de leitura de imagem no ensino da Arte Contemporânea de Gustavo Cunha Araujo e Ana Arlinda Oliveira que analisa métodos de leitura de imagem ARAÚJO G C OLIVEIRA A A Sobre métodos de leitura de imagem no ensino da Arte Contemporânea Imagens da Educação v 3 n 2 p 7076 2013 O ensino da arte no Brasil no século XIX Antes de chegar ao século XIX é preciso ressaltar que a educação no Brasil Colonial se organizou inicialmente com os jesuítas que também trouxeram a arte com intuito educacional e catequizador Entre os séculos XVI e início do século XIX a arte na colônia tinha uma concepção popular praticada por negros e mestiços e ensinada de pai para filho ou de mestre para aprendiz O panorama se modificou com o advento da aula régia do artista Manuel Dias de Oliveira 17641837 nomeado por Dom João VI para ministrar aulas de nu com modelo vivo proporcionando uma postura artística segundo a tradição europeia e substituindo a concepção de arte popular pela erudita O Brasil do século XIX teve grande influência de elementos de identidade europeia na qual as modas parisienses eram adotadas pelas elites que faziam parte de um pequeno universo de pessoas instruídas A atividade artística ainda não fazia parte do currículo das escolas públicas elementares e o ensino de arte se institucionalizou com a chegada em 1816 ao Rio de Janeiro de um grupo de artistas franceses chamado de Missão Artística Francesa a convite do príncipe regente Dom João VI para 26 fundar a Academia de BelasArtes seguindo os padrões da tradição clássica europeia sem qualquer adaptação com a nossa cultura Seis meses depois da chegada da Missão Artística Francesa foi criada por um decreto a Escola Real de Ciências Artes e Ofícios em São Paulo para formar artistas para o exercício das belas artes e ofícios e para atividades industriais Em 1820 passou a ser chamada de Academia Real de Desenho Pintura Escultura e Arquitetura Civil e em 1826 Academia Imperial de Belas Artes sendo a primeira instituição de ensino superior de artes com aulas de desenho consi derado a base de todas as artes tornandose matéria obrigatória nos anos iniciais de estudo seguido também pela pintura escultura e arquitetura e reproduzindo os modelos europeus Foi a partir da criação dessa academia que se teve a ideia de implantar o ensino de arte nos chamados ensino primário e secundário No ensino primário o desenho tinha por objetivo desenvolver habilidades técnicas e o domínio da racionalidade Nas famílias com maior poder aquisitivo as meninas estudavam em suas casas e eram preparadas principalmente com aulas de música bordado e culinária entre outras voltadas aos afazeres domésticos entendidos na época como típicos do interesse feminino Em 1870 com as transformações culturais e a industrialização o ensino de arte assumiu o papel de formar mão de obra A exploração do desenho técnico deu início a um conflito entre escolas cariocas e paulistas que debatiam respectivamente sobre a expressão das belas artes valorizando o lado artístico e a idealização de uma sociedade burguesa e as artes indus triais privilegiando o ensino técnico e a formação profissional Em 1882 a instituição Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo formava gratuitamente artesãos e trabalhadores para oficinas comércio e lavoura As matérias que se relacionavam às artes eram desenho linear desenho de figura desenho geométrico desenho de arquitetura caligrafia gravura escultura de ornatos pintura e estatuária Em 1895 foi criado na instituição um curso de artes e ofícios que ensinava desenho com aplicação às artes e indústria modelagem pintura marcenaria carpintaria talhe em madeira e solda Apenas na segunda metade do século XX é que a arte ganhou espaço dentro da escola quando na década de 1970 a educação artística foi inserida no currículo escolar e o seu ensino passou a ser obrigatório Na correlação entre a arte e a educação há o surgimento de movimentos culturais que influenciam na criação de um caminho integrado entre as linguagens tais como a Semana de Arte Moderna de 1922 o surgimento das bienais de São Paulo a partir de 1951 os movimentos universitários ligados à cultura popular entre os anos de 195060 festivais da canção e novas experiências teatrais nos anos de 1970 De acordo com o PCN Arte 27 Entre os anos 20 e 70 muitas escolas brasileiras viveram também outras experiências no âmbito do ensino e apren dizagem de Arte fortemente sustentadas pela estética modernista e com base nas tendências pedagógicas e psicológicas que marcaram o período Contribuíram para essas influências os estudos de psicologia cognitiva psica nálise gestalt bem como os movimentos filosóficos que embasaram os princípios da Escola Nova BRASIL 1998a p 24 Apenas na segunda metade do século XX é que a arte ganhou espaço dentro da escola como disciplina a partir do surgimento de movimentos culturais atrelados à educação e que se voltavam para o pleno desenvolvi mento do indivíduo Assimile A Missão Artística Francesa que chegou ao Rio de Janeiro em março de 1816 composta por um grupo de artistas e artífices franceses objeti vava fundar uma instituição de ensino que veio modificar significante mente o rumo e o ensino das artes no Brasil por estabelecer um ensino acadêmico que até então não existia Era uma prática do artistaar tesão ensinada ao aprendiz submetido à igreja e seus temas Assim O chefe da Missão Joachim Le Breton redigiu um documento esclarecedor na verdade um projeto que estruturava o ensino quer na área das belas artes quer na área dos ofícios dando à instituição a feição de uma dupla escola PEREIRA 20012002 p 9 O ensino da arte no Brasil no século XX O ensino de arte das primeiras décadas do século XX sob o ponto de vista metodológico seguia a tendência pedagógica da Escola Tradicional voltado para o domínio técnico e centrado na figura do professor com interesse no produto do trabalho escolar que valorizava a aprendizagem por meio da reprodução de modelos desvinculandose da realidade individual e social brasileira No ensino de arte o desenho nas escolas primárias e secun dárias apresentouse como base para a preparação técnica para o trabalho a ser realizado Valorizavase a memorização as habilidades manuais os dons artísticos em uma visão utilitarista da arte Além do desenho faziam parte do 28 currículo escolar as disciplinas de música trabalhos manuais e canto orfeônico A disciplina de desenho buscava a reprodução naturalista e figurativa da forma por meio do desenho geométrico do desenho do natural e do desenho pedagógico O canto orfeônico a partir de 1930 que teve à frente o compositor VillaLobos pretendia ensinar a linguagem musical de maneira sistematizada Sua prática se dava através da memorização de peças folclóricas e de caráter cívico Depois de cerca de 30 anos o canto orfeônico foi substituído pela educação musical a qual apresentou um outro enfoque afirmando que a música poderia ser sentida tocada dançada além de cantada A educação musical foi criada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira de 1961 Entre os anos de 1920 e 1970 novas experiências no ensino surgiram sob influ ência da estética modernista e pela tendência pedagógica da Escola Nova As ideias da Escola Nova foram inseridas por John Dewey 18591952 filósofo norteame ricano o qual afirma que a escola possui uma função de coordenar a vida mental dos indivíduos nas diferentes influências dentro do meio social em que vivem Dewey também diz que a educação possui uma função social ou seja tratase de uma necessidade de vida que se renova por meio da transmissão do conhecimento de um indivíduo ao outro e isso diferencia o homem dos seres inanimados A mais notável distinção entre os seres vivos e inanimados é que os primeiros se conservam pela renovação Ao receber uma pancada a pedra opõe resistência Se a resistência for maior do que a força da pancada ela exteriormente não apresentará mudança no caso contrário se partirá em fragmentos menores que ela DEWEY 1959 p 1 O ensino de arte voltase para o desenvolvimento natural do aluno valori zando seu desenvolvimento suas formas de expressão de compreensão do mundo e da sua criação descartando a reprodução de modelos As aulas de desenho e artes plásticas mostraramse mais espontâneas e ganharam espaço para a invenção a autonomia e a autoexpressão dos alunos As aulas de música buscavam o desen volvimento da percepção auditiva rítmica da expressão corporal a utilização de jogos instrumentos de percussão rodas e brincadeiras estimulando os alunos a experimentar improvisar e criar Saiba mais No Brasil um movimento bastante ativo chamado Movimento Escolinhas de Arte criado no Rio de Janeiro em 1948 desenvolvia a autoexpressão da criança e do adolescente por meio do ensino de arte Seu criador Augusto Rodrigues inconformado com os processos de educação pretendia renovar 29 os métodos possibilitando um lugar para as crianças criarem e se expres sarem No final de 1960 e na década de 1970 notase uma tentativa de aproximar a arte ensinada dentro das escolas com a que ocorre fora dela Tratase da época dos festivais e das experiências teatrais quando as escolas promoviam festivais com música e teatro e havia grande estimulação dos alunos Há forte influência das ideias da Escola Tecnicista nesse período por meio da valori zação do uso abundante de recursos tecnológicos e audiovisuais Os profes sores seriam os executores e os alunos os receptores passivos A educação é vista como um instrumento capaz de desenvolver economicamente o país pela qualificação da mão de obra como explica Libâneo 2006 p 2829 À educação escolar compete organizar o processo de aquisição de habilidades atitudes e conhecimentos específicos uteis e necessários para que os indivíduos se integrem na máquina do sistema social global A escola atua assim no aperfeiçoamento da ordem social vigente o sistema capitalista articulandose diretamente com o sistema produtivo seu interesse imediato é o de produzir indivíduos competentes para o mercado de trabalho E com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1971 Lei nº 569271 a aula de arte foi inserida no currículo escolar nomeada como educação artística e passou a ser considerada uma atividade educativa e não uma disciplina O conjunto das atividades artísticas compreendia as várias linguagens as artes plásticas a educação musical e as artes cênicas Professores foram surpreendidos por estarem despreparados quanto ao domínio das várias linguagens e sem alternativa seguiam guias curriculares ou livros didáticos que não apresentavam muita fundamentação teórico metodológica Houve uma ênfase de um saber construir relacionado aos aspectos técnicos e ao uso de materiais diversificados e de um saber exprimir espontâneo caracterizandose com poucos compromissos com o conheci mento de linguagens artísticas A consequência foi a perda da qualidade dos saberes específicos das diversas formas de arte assim os professores da área foram desvalorizados em sua função e começaram a se isolar no ambiente escolar 30 Pesquise mais No PCN de Arte você pode encontrar mais referências históricas a respeito do ensino de arte no Brasil Indicamos a leitura entre as páginas 20 e 29 do documento indicado Leia em BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais arte 2 ed Rio de janeiro DPA EDITORA 2000 A arteeducação O conhecimento sobre a história do ensino de arte no Brasil é fundamental para o profissional que irá trabalhar com a arte em ambientes escolares e não escolares a fim de que assim ele tenha consciência dos acontecimentos e princí pios que norteiam sua prática pedagógica Além disso podem ser abordados com os alunos alguns aspectos históricos nos contextos e práticas presentes nas unidades temáticas da Base Nacional Comum Curricular BRASIL 2017 Com a promulgação da Constituição em 1988 iniciamse as discussões sobre a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que foi sancionada em 20 de dezembro de 1996 e que teve forte influência dos educadores de arte por meio de diversas discussões sobre o ensino até então A arte passa a ser considerada como componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos Ao ser considerada como disciplina passou a ser identificada por arte e não mais educação artística Todo o debate originário no início da década de 1980 contribuiu para a elaboração de novas metodologias para o ensino e aprendizagens da arte Na transição para o século XXI as propostas visam a maiores avanços e pesquisas com o objetivo da melhoria do ensino e da aprendizagem em arte São estudos que abordam a educação estética para complementar a formação artística dos alunos Em 2 de maio de 2016 houve uma alteração do 6º do art 26 da Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 e assim surgiu a lei nº 13278 que fixa as diretrizes e bases da educação nacional referente ao ensino da arte Por meio dela as artes visuais a dança a música e o teatro passam a ser as linguagens que constituirão o componente curricular no que se refere ao trabalho com arte Embora os estabelecimentos de ensino tivessem o prazo de cinco anos para implantarem as mudanças decorridas da lei muitas instituições ainda ignoram as determinações vigentes evidenciando assim a necessidade de aprofundar as vivências e conhecimentos relacionados às artes principalmente no ambiente escolar 31 Reflita Na primeira metade do século XX as disciplinas que se relacionavam com o ensino da arte concentravamse na seleção de conhecimentos na transmissão de padrões interesses e modelos das classes sociais dominantes que estavam sempre em busca de uma hegemonia cultural Hoje em pleno século XXI a legislação prevê que o ensino de arte especialmente em suas expressões regionais seja componente curri cular obrigatório na educação básica Entre as habilidades relacionadas à essa questão presente na BNCC podemos citar o reconhecimento e a análise das manifestações artísticas presentes nas culturas locais regio nais e nacionais Agora reflita como certos conhecimentos são considerados legítimos e outros não A quem pertencem tais conhecimentos Quais as relações de poder envolvidas no processo de seleção de conteudos na primeira metade do século XX que resultaram nesses conhecimentos Sem medo de errar Entre os séculos XIX XX e início do XXI o ensino e a aprendizagem de arte passaram por inúmeras transformações Atualmente podemos dizer que as mudanças propostas pela LDB de 1996 trouxeram mais quali dade à educação Na situaçãoproblema proposta observamos que a prática metodológica da professora Miriam foi usada de forma inadequada sem favorecer a ampliação do conhecimento dos alunos Essa professora parece ter parado no século passado pois na década de 1960 com o surgimento da Escola Nova é que se pensava em trabalhar com a livre expressão que levada de forma extrema permitiu ao professor deixar seus alunos livres para criarem sem nenhuma interferência ou orientações e pouco contribuiu para uma aprendizagem significativa dos alunos As novas diretrizes de ensino propõem que a disciplina de arte favoreça o conhecimento artístico associado com a história estimulando a sua percepção e imaginação e também a sua criatividade na produção artística As práticas tradicionais aplicadas aos dias de hoje se apresentam como uma realidade em muitas escolas Esse fato demonstra o grande despreparo dos profissionais da área ainda nos dias de hoje dificultando assim a construção do conhecimento do aluno Diante desse problema existe uma grande necessidade dessa professora rever o currículo de arte se apropriando dos objetivos conteúdos e metodologia de forma a respeitar o direito do aluno de aprender e também de respeitar os valores que foram estabelecidos para a disciplina 32 Avançando na prática Releitura da obra Doze girassóis numa jarra Vincent Van Gogh Sandra é professora do 5º ano e pretendia trabalhar com seus alunos a releitura da obra Doze girassóis numa jarra do pintor Vincent Van Gogh Por não ter uma boa formação na área de arte a professora pediu orien tação para Alice a professora de Arte do 6º ao 9º ano da mesma escola A professora indicou a leitura das orientações relacionadas ao trabalho com Arte no ensino fundamental Anos Finais na Base Nacional Comum Curricular Após a leitura a professora Sandra iniciou o trabalho com os alunos apresentando a reprodução da obra citada discutiu as características da obra apresentou a biografia do Van Gogh e pediu para que cada aluno fizesse o mesmo desenho da pintura apresentada em uma folha de sulfite seguindo até a mesma técnica que o artista escolheu para realizar a pintura À medida que começaram a produzir os alunos também começaram a achar o desenho muito difícil mas mesmo assim continuaram tentando traçavam as linhas e logo apagavam e assim repetiram a ação inúmeras vezes Apesar do grande esforço aplicado na execução do desenho o resultado não chegava nem perto do resultado que a professora Sandra desejava desenhos iguais à obra do artista Diante da dificuldade dos seus alunos Sandra procurou mais uma vez a professora Alice para que a auxiliasse pois queria que a releitura da obra ficasse idêntica à obra do artista Se você fosse a professora Alice como orientaria a professora Sandra sobre uma possível aula sobre a obra escolhida Figura 12 Doze girassóis numa jarra Fonte httpsbitly2mUg2iv Acesso em 28 set 2017 33 Resolução da situaçãoproblema Para orientar a professora Sandra você poderia explicar que as ideias que ela teve estavam equivocadas que o objetivo da releitura não era produzir cópias e que o trabalho apresentaria resultados mais positivos caso usasse a obra de arte como ponto de partida para que os alunos criassem outras formas pois na releitura partese de uma obra para criar outro trabalho exercitando no aluno a sua criativi dade Ademais seria importante dizer que além do desenho os alunos poderiam usar outros meios como colagem fotografia escultura etc Você também poderia explicar que a partir da apreciação as produções partiriam da busca pessoal para articular a imaginação a emoção a fruição das próprias produções Além disso outra orientação a ser dada seria sobre a importância da disponibilização de diversos materiais para os alunos trabalharem com grande envolvimento a fim de que experimentassem materiais e meios decidindo qual usar na elaboração artística É importante destacar ainda que os processos de criação são objetos de conhe cimento das linguagens artísticas na BNCC desse modo a simples cópia não atende as especificidades presentes no documento Faça valer a pena 1 Na década de 1970 houve grandes mudanças no ensino de arte sob influências da tendência pedagógica tecnicista e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional A lei tornou obrigatória a inclusão do ensino da arte da educação moral e cívica da educação física e dos programas de saúde nos currículos dos estabelecimentos de 1º e 2º graus De acordo com a nova Lei de 1971 Lei de Diretrizes e Bases 569271 o ensino de arte Assinale a alternativa que completa a asserção corretamente a constituiu componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos sendo a sua nomenclatura alterada de educação artística para arte b seguia a Proposta Triangular para o ensino da arte c foi inserida no currículo escolar como educação artística e passou a ser considerada uma atividade educativa e não uma disciplina d incluía várias linguagens no currículo escolar tais como desenho música traba lhos manuais artesanato marcenaria e canto orfeônico e valorizou a qualidade ao oferecer orientações teóricometodológicas aos professores da área 34 2 A abordagem triangular para o ensino da arte veio reestruturar o ensino desta área o qual se encontrava desacreditado e desgastado Sistematizado por Ana Mae Barbosa na década de 1990 essa abordagem propõe a articulação de três eixos e procura englobar vários pontos de ensino e aprendizagem ao mesmo tempo No contexto educacional essa ação envolve Assinale a alternativa correta a O fazer arte com materiais diversificados a livre expressão com originalidade e estética e a reflexão no campo artístico para a produção ideal b A produção de arte para que o aluno domine o uso dos materiais e procedimentos A fruição em arte que desperta a sua capacidade crítica e a contextualização em arte para que reconheça e situe a obra de arte como produção cultural c A produção cultural enfatizando a visão pessoal a produção individual e coletiva com ação estética questionadora e a produção contextualizada para situar a obra de arte d A fruição como leitura de obras de arte a livre expressão como a produção da inter pretação da realidade local e a contextualização que abre possibilidades em arte para o uso dos diferentes materiais e práticas e A arte da produção em níveis de compreensão que envolve a complexidade artística suas linguagens e entendimento a fruição contempladora da reali dade e do entendimento que é o fazer e produzir arte em seus procedimentos 3 O ensino brasileiro pelo menos nos últimos cinquenta anos tem sido marcado pelas tendências liberais que indicam diferentes pressupostos de aprendizagem Historicamente a educação liberal iniciouse com a pedagogia tradicional evoluiu para a escola nova e depois tecnicista Tendo em vista o exposto observe as asserções I Escola Tradicional O ensino de arte voltase para o desenvolvimento natural do aluno valorizando o seu desenvolvimento suas formas de expressão de compreensão do mundo e da sua criação descar tando a reprodução de modelos As aulas de desenho e artes plásticas mostraramse mais espontâneas e ganharam espaço para a invenção a autonomia e a autoexpressão dos alunos II Escola Nova Voltado para o domínio técnico e centrado na figura do professor com interesse no produto do trabalho escolar que valorizava a aprendizagem por meio da reprodução de modelos desvinculandose da realidade individual e social brasileira No ensino de arte o desenho nas escolas primárias e secundárias apresentouse como base para a preparação técnica para o trabalho Valorizavase a memorização as habilidades manuais os dons artísticos numa visão utilitarista da arte 35 III Escola Tecnicista Uma pedagogia que valorizava o uso abundante de recursos tecnológicos e audiovisuais para modernizar o ensino e trans forma professores em executores e os alunos em receptores pas sivos dos conteúdos que eram elaborados de forma autoritária e sem vínculo com o contexto social que estavam inseridos Relacione uma coluna à outra e depois assinale a alternativa com a sequência correta a III II I b II I III c I II III d III I II e I III II 36 Seção 3 O ensino da arte na legislação educacional Diálogo aberto Nesta seção os conteúdos a serem estudados buscam o conhecimento quanto à normatização brasileira para o ensino de arte ressaltando a apren dizagem e o desenvolvimento as competências específicas de arte e as competências específicas de Linguagens e suas tecnologias A arte é compo nente curricular obrigatório desde a educação infantil até o ensino médio e seu ensino está garantido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 que estabelece que o ensino de arte promova o desenvolvimento cultural dos alunos A última alteração dessa lei se deu por meio da Lei nº 13415 de 16 de fevereiro de 2017 que foi aprovada e publicada no Diário Oficial da União e regulamentou entre outras questões a reforma do ensino médio que incluiu em seu ensino estudos e práticas de arte e a obrigatoriedade do ensino da arte na educação básica especialmente em suas expressões regionais A Lei nº 13278 de 2 de maio de 2016 alterou o 6o do art 26 da LDB Conforme a alteração as artes visuais a dança a música e o teatro serão linguagens que constituirão o componente curricular arte Seguindo a situaçãoproblema com o exemplo da professora Lygia os professores que lecionam arte devem buscar na aprendizagem objetivos específicos para as aulas tais como investigar e experimentar procedimentos em uma busca pessoal na investigação utilizar a imaginação ao realizar e fruir produções artísticas construir relações de autoconfiança com seus pares respeitar a própria produção e a de cada um saber receber e elaborar críticas entre outros possíveis A professora Lygia trabalhou de forma que os alunos adquirissem o saber e a apropriação do conhecimento estético inseridos em um contexto sócio histórico ao produzir novas formas de percepção proporcionando os instru mentos necessários para que se tornem sensíveis às produções artísticas Sabemos que o sucesso do trabalho nem sempre está garantido e mesmo com planejamento e metodologia de aula adequados dificuldades e resistên cias existem Além disso uma vez ou outra você se confrontará com alunos que apresentam grandes dificuldades na elaboração artística situações de apatia e até mesmo desvalorização de produção artística em sala de aula alegando incapacidade para tal O ensino da arte em todo o ensino básico deve promover o desenvolvimento cultural dos alunos ao propor abordagens 37 articuladas com as dimensões do conhecimento De acordo com a BNCC BRASIL 2017a as dimensões são linhas maleáveis que se interpenetram constituindo a especificidade da construção do conhecimento em arte no ambiente escolar Tendo em vista esse cenário como você auxiliaria o aluno com dificul dades ou resistência na produção artística para que ele possa avançar na disci plina Como estabeleceria um planejamento e seus respectivos objetivos de modo que o aluno possa ser capaz de produzir artisticamente Vamos conhecer como a legislação está estruturada para o ensino da arte e como dispor do previsto em lei para um bom desempenho da disciplina junto aos alunos Não pode faltar Normatização brasileira para o ensino de arte O ensino no Brasil baseado nos princípios da Constituição Federal de 1988 é regulamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB A primeira LDB Lei nº 4024 de 20 de dezembro de 1961 no que diz respeito ao ensino da arte trouxe poucas orientações indicando apenas o ensino pautado em técnicas de artes Já a LDB nº 5692 de 1971 de acordo com o PCNArte apresen tava o seguinte entendimento da disciplina A introdução da Educação Artística no currículo escolar foi um avanço principalmente se se considerar que houve um entendi mento em relação à arte na formação dos indivíduos seguindo os ditames de um pensamento renovador BRASIL 1997 p 24 Cabe destacar contudo que essa proposta não obteve os resultados esperados A causa disso estava no fato que Muitos professores não estavam habilitados e menos ainda preparados para o domínio de várias linguagens que deveriam ser incluídas no conjunto das atividades artísticas Artes Plásticas Educação Musical Artes Cênicas Para agravar a situação durante os anos 7080 tratouse dessa formação de maneira indefinida A Educação Artística demonstrava em sua concepção e desenrolar que o sistema educacional vigente estava enfrentando dificuldades de base na relação entre teoria e prática BRASIL 1997 p 24 38 A LDB nº 939496 é a mais recente e vigora até os dias atuais O ensino da arte foi inserido no currículo escolar como atividade educativa pela LDB de 1971 sob a nomenclatura de Educação Artística Com a atual LDB de 1996 foi reconhecida como disciplina e segundo a lei no 13278 de 2 de maio de 2016 as artes visuais a dança a música e o teatro são as linguagens que constituirão o componente curricular Reflita As apreciações e vivências artísticas desenvolvidas na disciplina de Artes podem articular temáticas variadas destacando conteudos signi ficativos de cada linguagem artística Assimile Conheça um pouco mais sobre aspectos relacionados à legislação nacional e leia o artigo Música na escola aspectos históricos na legis lação nacional e perspectivas atuais a partir da Lei n 117692008 de Luiz Ricardo Queiroz QUEIROZ L R Musica na escola aspectos históricos na legislação nacional e perspectivas atuais a partir da Lei n 117692008 Revista da ABEM Londrina v 20 n 29 juldez 2012 Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para a educação infantil As aprendizagens relacionadas à educação infantil de acordo com a Base Nacional Comum Curricular BRASIL 2017a compreendem comporta mentos habilidades e conhecimentos relacionados aos diversos campos de experiências tendo as interações e a brincadeira como eixos estruturantes De acordo com o documento os objetivos de aprendizagem e desenvolvi mento da educação infantil estão organizados em três grupos por faixa etária sendo elas Creche Bebês 0 a 1 anos e 6 meses Crianças bem pequenas 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Préescola Crianças pequenas 4 anos a 5 anos e 11 meses 39 Apresentaremos a seguir os objetivos de aprendizagem e desenvolvi mento dos campos de experiência corpo gestos e movimentos e traços sons cores e formas que se relacionam de modo direto com as linguagens artísticas de acordo com cada grupo por faixa etária Quadro 11 Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento do campo de experiência corpo gestos e movimentos Bebês 0 a 1 ano e 6 meses Crianças bem pequenas 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Crianças pequenas 4 anos a 5 anos e 11 meses EI01CG01 Movimentar as partes do corpo para exprimir corporalmente emoções necessidades e desejos EI02CG01 Apropriarse de gestos e movimentos de sua cultura no cuidado de si e nos jogos e brincadeiras EI03CG01 Criar com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos sensações tanto nas situações do cotidiano quanto em brincadeiras dança teatro música EI01CG02 Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes EI02CG02 Deslocar seu corpo no espaço orientandose por noções como em frente atrás no alto embaixo dentro fora etc ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes naturezas EI03CG02 Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos escuta e reconto de histórias atividades artísticas entre outras possibilidades EI01CG03 Imitar gestos e movimentos de outras crianças adultos e animais EI02CG03 Explorar formas de deslocamento no espaço pular saltar dançar combinando movimentos e seguindo orientações EI03CG03 Criar movimentos gestos olhares e mímicas em brincadeiras jogos e atividades artísticas como dança teatro e música EI01CG04 Participar do cuidado do seu corpo e da promoção do seu bemestar EI02CG04 Demonstrar progressiva independência no cuidado do seu corpo EI03CG04 Adotar hábitos de autocuidado relacionados a higiene alimentação conforto e aparência EI01CG05 Utilizar os movimentos de preensão encaixe e lançamento ampliando suas possibilidades de manuseio de diferentes materiais e objetos EI02CG05 Desenvolver progressivamente as habilidades manuais adquirindo controle para desenhar pintar rasgar folhear entre outros EI03CG05 Coordenar suas habilidades manuais no atendimento adequado a seus interesses e necessidades em situações diversas Fonte Brasil 2017a p 47 40 Quadro 12 Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento do campo de experiência traços sons cores e formas Bebês 0 a 1 ano e 6 meses Crianças bem pequenas 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses Crianças pequenas 4 anos a 5 anos e 11 meses EI01TS01 Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente EI02TS01 Criar sons com materiais objetos e instrumentos musicais para acompanhar diversos ritmos de música EI03TS01 Utilizar sons produzidos por materiais objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta encenações criações musicais festas EI01TS02 Traçar marcas gráficas em diferentes suportes usando instrumentos riscantes e tintas EI02TS02 Utilizar materiais variados com possibilidades de manipulação argila massa de modelar explorando cores texturas superfícies planos formas e volumes ao criar objetos tridimensionais EI03TS02 Expressarse livremente por meio de desenho pintura colagem dobradura e escultura criando produções bidimensionais e tridimensionais EI01TS03 Explorar diferentes fontes sonoras e materiais para acompanhar brincadeiras cantadas canções músicas e melodias EI02TS03 Utilizar diferentes fontes sonoras disponíveis no ambiente em brincadeiras cantadas canções músicas e melodias EI03TS03 Reconhecer as qualidades do som intensidade duração altura e timbre utilizando as em suas produções sonoras e ao ouvir músicas e sons Fonte Brasil 2017a p 48 Figura 13 Brincadeiras e danças Fonte iStock 41 Figura 14 Danças regionais Fonte iStock A música é uma linguagem da arte que expressa emoções sentimentos e pensamentos sendo encontrada em todas as culturas nas diversas formas de manifestações O seu ensino na educação infantil por muitas vezes esteve atrelado a objetivos fora do seu contexto como a formação de hábitos atitudes e comportamentos a realização de festas referentes ao calendário de eventos do ano letivo a memorização de conteúdos utilizados em canções Figura 15 Musicalização infantil Fonte iStock Reflita A apreciação musical também é uma prática muito importante entre tanto não se trata apenas de deixar uma musica tocando como pano de fundo para qualquer outra atividade pelo contrário deve ser planejada e sistematizada como qualquer outra atividade pedagógica oportuni zando novas audições aos alunos Também é possível levar em conside ração o repertório que os alunos trazem ao contexto escolar a fim de ouvilo No entanto o objetivo da apreciação musical é proporcionar 42 novas possibilidades para despertar novos interesses além daqueles já conhecidos como as musicas divulgadas pela mídia ouvidas constan temente pelos alunos Como docente na educação infantil como você procederia caso algum aluno reproduzisse na escola musicas e danças ao estilo mais midiático e que muitas vezes possuem erros de português ou até mesmo insinuações e palavrões As artes visuais estão presentes no cotidiano da educação infantil ao desenhar pintar modelar e rabiscar Desvalorizadas e desvinculadas de significados na sua produção já foram entendidas como um mero passa tempo Hoje diante de um outro contexto as artes visuais se apresentam como uma linguagem com estrutura e características próprias que envolvem a abordagem triangular ao articular os três eixos da sua aprendizagem o fazer artístico a apreciação e a reflexão Exemplificando A abordagem triangular para o ensino da arte procura englobar vários pontos de ensino e aprendizagem ao mesmo tempo Inicialmente siste matizada para o ensino das artes visuais atualmente é abarcada para o ensino e aprendizagem de todas as linguagens da arte A proposta triangular é um sistema cuja proposição depende da resposta que damos à pergunta como se dá o conhecimento em arte Portanto é um sistema de conteudo de qualquer natureza visual e estética pode ser explorado interpretado e operacio nalizado através da Proposta Triangular BARBOSA 1998 p 38 Figura 17 Arte na escola 43 Fonte iStock Figura 18 Apreciação da arte Fonte iStock Competências específicas de arte para o ensino fundamental As aprendizagens relacionadas à arte para o ensino fundamental BRASIL 2017a estão centradas nas artes visuais dança música e teatro Essas lingua gens articulam saberes referentes a produtos e fenômenos artísticos e envolvem as práticas de criar ler produzir construir exteriorizar e refletir sobre formas artísticas O documento propõe que a abordagem das linguagens articule seis dimensões do conhecimento Quadro 13 Dimensões do conhecimento Criação Referese ao fazer artístico quando os sujeitos criam produzem e constroem Tratase de uma atitude intencional e investigativa que confere materialidade estética a sentimentos ideias desejos e representações em processos acontecimentos e produções artísticas individuais ou coletivas Crítica Referese às impressões que impulsionam os sujeitos em direção a novas compreensões do espaço em que vivem com base no estabelecimento de relações por meio do estudo e da pesquisa entre as diversas experiências e manifestações artísticas e culturais vividas e conhecidas Estesia Referese à experiência sensível dos sujeitos em relação ao espaço ao tempo ao som à ação às imagens ao próprio corpo e aos diferentes materiais Expressão Referese às possibilidades de exteriorizar e manifestar as criações subjetivas por meio de procedimentos artísticos tanto em âmbito individual quanto coletivo Fruição Referese ao deleite ao prazer ao estranhamento e à abertura para se sensibilizar durante a participação em práticas artísticas e culturais Reflexão Referese ao processo de construir argumentos e ponderações sobre as fruições as experiências e os processos criativos artísticos e culturais Fonte Brasil 2017a p192193 44 A referência a essas dimensões busca facilitar o processo de ensino e aprendizagem em arte integrando os conhecimentos do componente curricular As competências específicas de arte para o ensino fundamental apresen tadas no documento são 1 Explorar conhecer fruir e analisar criticamente práticas e produções artísticas e culturais do seu entorno social dos povos indígenas das comunidades tradicionais brasileiras e de diversas sociedades em distintos tempos e espaços para reconhecer a arte como um fenômeno cultural histó rico social e sensível a diferentes contextos e dialogar com as diversidades 2 Compreender as relações entre as linguagens da arte e suas práticas integradas até mesmo aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de informação e comuni cação pelo cinema e pelo audiovisual nas condições parti culares de produção na prática de cada linguagem e nas suas articulações 3 Pesquisar e conhecer distintas matrizes estéticas e cultu rais especialmente aquelas que são manifestas na arte e nas culturas as quais constituem a identidade brasileira sua tradição e manifestações contemporâneas reelaboran doas nas criações em arte 4 Experienciar a ludicidade a percepção a expressividade e a imaginação ressignificando espaços da escola e de fora dela no âmbito da arte 5 Mobilizar recursos tecnológicos como formas de registro pesquisa e criação artística 6 Estabelecer relações entre arte mídia mercado e consumo compreendendo de forma crítica e problema tizadora modos de produção e de circulação da arte na sociedade 7 Problematizar questões políticas sociais econômicas científicas tecnológicas e culturais por meio de exercícios produções intervenções e apresentações artísticas 45 8 Desenvolver a autonomia a crítica a autoria e o trabalho coletivo e colaborativo nas artes 9 Analisar e valorizar o patrimônio artístico nacional e internacional material e imaterial com suas histórias e diferentes visões de mundo BRASIL 2017a p198 As artes visuais além das formas mais conhecidas como pintura escultura desenho gravura arquitetura artefato desenho industrial incluem também outras modalidades que envolvem a tecnologia e as transformações estéticas na área da visualidade tais como fotografia artes gráficas cinema televisão vídeo compu tação e performance Em dança os temas devem favorecer a pesquisa de movimentos de estímulos rítmicos de criação e repetição de movimentos de acordo com o desenvolvimento do aluno Em música a aprendizagem passa pela oportunidade de os alunos partici parem ativamente das aulas como ouvintes intérpretes compositores e improvisa dores Sua proposta de ensino deve considerar a diversidade cultural e abrir espaço para os alunos também trazerem o seu repertório para apreciar contextualizar e produzir nessa área As propostas em teatro devem compreender essa atividade como um processo de socialização e convivência democrática e uma atividade artística com organi zações estéticas que viabilizem a crítica a apreciação e a experiência na área com o acesso do aluno à literatura especializada aos vídeos às atividades de teatro de sua comunidade O ensino de arte deverá organizarse de forma que ao finalizar o ensino fundamental o aluno alcance objetivos que o tornem capaz de expressar e comunicarse em arte ao articular a percepção reflexão e fruição das produções artísticas interagir com materiais instrumentos e procedimentos nas diversas linguagens da arte respeitar a própria produção a dos colegas assim como as produções do passado e do presente das diversas culturas e etnias contextuali zando a arte como fato histórico e cultural Competências específicas de linguagens e suas tecnologias para o ensino médio Pesquise mais O ensino de arte em cada uma das suas linguagens tem um modo parti cular de ser abordado e a Base Nacional Comum Curricular apresenta orientações específicas para o trabalho a ser desenvolvido na educação 46 infantil e no ensino fundamental no portal do MEC Pesquise e atuali zese por meio de informações presentes no site da Nova Escola e outras informações disponíveis em BRASIL Governo Federal Base Nacional Comum Curricular Funda mentos Pedagógicos e Estrutura Geral da BNCC versão 3 Brasilia 2017c A Base Nacional Comum Curricular da área de Linguagens e suas Tecnologias BRASIL 2018 busca consolidar e ampliar as aprendiza gens previstas na BNCC de ensino fundamental nos componentes Língua Portuguesa Arte Educação Física e Língua Inglesa A arte contribui para o desenvolvimento da autonomia criativa e expres siva dos estudantes por meio da conexão entre racionalidade sensibilidade intuição e ludicidade Ela é também propulsora da ampliação do conheci mento do sujeito relacionado a si ao outro e ao mundo É na aprendizagem na pesquisa e no fazer artístico que as percepções e compreensões do mundo se ampliam no âmbito da sensibilidade e se interconectam em uma perspectiva poética em relação à vida que permite aos sujeitos estar abertos às percepções e experiências mediante a capacidade de imaginar e ressignificar os cotidianos e rotinas A pesquisa e o desenvolvimento de processos de criação de materia lidades híbridas entendidas como formas construídas nas fronteiras entre as linguagens artísticas que contemplam aspectos corporais gestuais teatrais visuais espaciais e sonoros permite aos estudantes explorar de maneira dialógica e interconectada as especificidades das artes visuais do audiovisual da dança da música e do teatro BRASIL 2018 p 474 O campo artístico é um dos campos de atual social apresentados pela BNCC da área de Linguagens e suas Tecnologias no ensino médio Tratase das manifestações artísticas em geral possibilitando assim o reconheci mento a valorização a fruição e produção dessas manifestações Entre as competências apresentadas no documento podese citar 1 Compreender o funcionamento das diferentes lingua gens e práticas artísticas corporais e verbais e mobilizar esses conhecimentos na recepção e produção de discursos nos diferentes campos de atuação social e nas diversas mídias para ampliar as formas de participação social o entendimento e as possibilidades de explicação e interpre tação crítica da realidade e para continuar aprendendo 47 2 Compreender os processos identitários conflitos e relações de poder que permeiam as práticas sociais de linguagem respeitar as diversidades a pluralidade de ideias e posições e atuar socialmente com base em princí pios e valores assentados na democracia na igualdade e nos Direitos Humanos exercitando a empatia o diálogo a resolução de conflitos e a cooperação e combatendo preconceitos de qualquer natureza 3 Utilizar diferentes linguagens artísticas corporais e verbais para exercer com autonomia e colaboração protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva de forma crítica criativa ética e solidária defendendo pontos de vista que respeitem o outro e promovam os Direitos Humanos a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local regional e global 4 Compreender as línguas como fenômeno geopolítico histórico social variável heterogêneo e sensível aos contextos de uso reconhecendoas e vivenciandoas como formas de expressões identitárias pessoais e coletivas bem como respeitando as variedades linguísticas e agindo no enfrentamento de preconceitos de qualquer natureza 5 Compreender os multiplos aspectos que envolvem a produção de sentidos nas práticas sociais da cultura corporal de movimento reconhecendoas e vivenciandoas como formas de expressão de valores e identidades em uma perspectiva democrática e de respeito à diversidade 6 Apreciar esteticamente as mais diversas produções artís ticas e culturais considerando suas características locais regionais e globais e mobilizar seus conhecimentos sobre as linguagens artísticas para dar significado e reconstruir produções autorais individuais e coletivas de maneira crítica e criativa com respeito à diversidade de saberes identidades e culturas 7 Mobilizar práticas de linguagem no universo digital consi derando as dimensões técnicas críticas criativas éticas e estéticas para expandir as formas de produzir sentidos de engajarse em práticas autorais e coletivas e de aprender a aprender nos campos da ciência cultura trabalho infor mação e vida pessoal e coletiva BRASIL 2018 p 5556 48 Sem medo de errar Segundo a Base Nacional Comum Curricular BRASIL 2017a 2018 o professor pode escolher a forma mais adequada para o processo de ensino aprendizagem na área de arte sem perder o foco que o ensino desta área ocorre através da arte para que o aluno se conscientize da existência da produção artística dos diferentes povos e etnias e também da sua história seja no passado ou na contemporaneidade Observamos que na turma do 8º ano A da professora Lygia há alguns alunos que apresentam dificuldades em respeitar a própria produção artística e a produção dos colegas Além disso eles não ficam atentos às aulas são desinteressados e não respeitam as produções artísticas de um modo geral Analisando o comportamento desses alunos a professora começou a entender que a dificuldade deles estava na elaboração da própria produção pois se recusavam a experi mentar e explorar essas possibilidades Essa situaçãoproblema sinaliza que para os alunos superarem esse tipo de dificuldades o professor deve desde a educação infantil com grande comprometimento elaborar propostas de aprendizagem em arte que alcancem os objetivos de aprendizagem e compe tências específicas fazendo com que os alunos experimentem materiais e suportes diversificados ao produzir artisticamente tenham cuidado com esses materiais consigo próprios e com os colegas possam experimentar as linguagens artísticas nas suas diversas modalidades ou linguagens e sobre tudo respeitar a própria produção a dos colegas e a dos diversos povos através dos tempos contextualizando a arte como fato histórico Esses objetivos serão alcançados pelos alunos aprofundandoos progres sivamente no ensino de arte ao longo da educação básica ao articular as produções artísticas por meio da abordagem triangular que vincula a percepção a reflexão e a fruição O ensino de arte descontextualizado resulta em desinteresse e baixo desempenho Identificar as falhas ou lacunas no ensino facilita o desenvolvimento de estratégias para a construção de uma aprendizagem mais significativa nessa área do conhecimento Avançando na prática Possibilidades em dança Julia professora do 4º ano pretendia trabalhar com a linguagem da dança com os seus alunos com a finalidade de que eles apreciassem algumas danças que fazem parte da nossa cultura Seu objetivo como produto associava a 49 percepção de estruturas rítmicas para expressão corporal com a experimen tação investigação e improvisação dos movimentos corporais por meio da dança Diante disso primeiro a professora Julia fez um levantamento dos conhecimentos prévios da turma através de perguntas sobre o assunto tais como o que é dança Quem gosta de dançar E quem não gosta de dançar Quais danças vocês conhecem Quem já dançou na escola Quem já dançou fora da escola Qual foi a dança Quem conhece alguma dança de outro Estado Ou de outro país Como é a dança Por que as pessoas dançam Qual o espaço que acontece a dança O que é preciso para dançar Como se aprende a dançar Qualquer pessoa pode dançar As pessoas que fazem parte do públicoalvo da educação especial como cadeirantes podem dançar À medida que fazia as perguntas Julia pôde perceber através das devolu tivas dos alunos que vários deles não queriam participar da atividade justa mente por não saberem dançar pelo fato de poucos terem experimentado essa linguagem na escola ou fora dela e por se sentirem inibidos diante dos colegas Diante disso houve grande resistência de parte da turma em aceitar a proposta da atividade Como a professora pode fazer para despertar o interesse dos alunos e mudar suas visões sobre esta linguagem Resolução da situaçãoproblema Para despertar o interesse pela dança a professora Júlia fez uma ampla pesquisa em canais da internet sobre os tipos existentes para mostrar aos alunos a fim de que pudessem conhecêlos e apreciálos Também trouxe movimentos misturados com exercícios corporais para que os alunos começassem um aquecimento corporal ao mesmo tempo em que manipulassem fitas cordas e bolas agregados aos ritmos dos movimentos Julia também considerou importante que os alunos executassem esses movimentos observando uns aos outros de forma a se integrarem impro visando e experimentando formas de expressão por meio dessa linguagem No contexto dessa atividade você acha que caberia aos alunos se agruparem para criar outros movimentos e apresentar para os colegas Assim a profes sora trabalhou com o apreciar refletir e experimentar os movimentos em dança improvisando de forma que o aluno valorizasse e aprendesse a se expressar por meio dessa linguagem Os alunos também puderam observar e apreciar os movimentos realizados pelos colegas de classe o que também é uma maneira deles compreenderem e incorporarem a diversidade de expres sões de reconhecerem individualidades e qualidades estéticas Tal fruição enriqueceu a criação de cada aluno em dança 50 Faça valer a pena 1 Leia o trecho a seguir A Educação Infantil como um direito da criança está respal dada na Constituição Federal de 1988 no Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil de 2010 e também nos Planos Nacionais de Educação Embora se reconheçam os avanços legais reite rase a necessidade de se compreender quem é a criança de zero a cinco anos e a especificidade do seu desenvolvimento pois esta compreensão interfere diretamente no processo de organização do trabalho pedagógico PORTELINH ZOIA PASQUALOTTO COELHO SBARDELOTTO 2017 p 4 Leia as afirmações relacionadas aos objetivos de aprendizagem das crianças de 0 a 1 anos e 6 meses e assinale a alternativa correta I Experimentar as possibilidades corporais nas brincadeiras e interações em ambientes acolhedores e desafiantes é um dos objetivos de aprendizagem das crianças de 0 a 1 anos e 6 meses II Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente é um dos objetivos de aprendizagem das crianças de 0 a 1 anos e 6 meses III Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos escuta e reconto de histórias atividades artísticas entre outras possi bilidades é um dos objetivos de aprendizagem das crianças de 0 a 1 anos e 6 meses Está correto o que se afirma em a Apenas na afirmativa I b Apenas na afirmativa II c Apenas na afirmativa III d Apenas nas afirmativas I e II e Apenas nas afirmativas I e III 2 A Base Nacional Comum Curricular BRASIL 2017a apresenta seis dimensões do conhecimento criação crítica estesia expressão fruição e reflexão Essas dimen 51 sões perpassam os conhecimentos das artes visuais da dança da música e do teatro Tratamse de linhas maleáveis que se interpenetram constituindo a especificidade da construção do conhecimento em arte na escola A sequência correta é I Criação Referese ao processo de construir argumentos e ponderações sobre as fruições as experiências e os processos criativos artísticos e culturais II Crítica Referese ao fazer artístico quando os sujeitos criam produzem e constroem III Estesia Referese às impressões que impulsionam os sujeitos em direção a novas compreensões do espaço em que vivem IV Expressão Referese à experiência sensível dos sujeitos em relação ao espaço ao tempo ao som à ação às imagens ao próprio corpo e aos diferentes materiais V Fruição Referese ao deleite ao prazer ao estranhamento e à abertura para se sensibilizar durante a participação em práticas artísticas e culturais VI Reflexão Referese às possibilidades de exteriorizar e manifestar as criações subjetivas por meio de procedimentos artísticos tanto em âmbito individual quanto coletivo Enumere a coluna 2 de acordo com a dimensão correspondente apresentada na coluna 1 a III I II VI V IV b III I VI II V IV c VI I II III IV V d VI I II V IV III e VI I II III V IV 3 Leia o trecho a seguir 52 O termo competência representa a alternativa que supera as dicotomias memorizar e compreender conhecimentos e habilidades teoria e prática A melhoria da competência implica a capacidade de refletir sobre sua aplicação e para alcançála é necessário o apoio do conhecimento teórico ZABALA ARNAU 2010 p 49 Leia as afirmações relacionadas as competências específicas de Linguagens e suas Tecnologias para o Ensino Médio escreva V para as afirmativas verdadeiras F para as falsas e assinale a alternativa correta Memorizar os conteúdo das diferentes linguagens artísticas visando a perfeição na performance técnica e a articulação entre teoria e prática visando a formação de artistas que estejam preparados para atuar no mercado de trabalho e contribuir com o exercício digno fiel e obediente na sociedade é uma competência de Linguagens e suas Tecnologias para o ensino médio Compreender o funcionamento das diferentes linguagens e práticas e mobilizar esses conhecimentos na recepção e produção de discursos nos diferentes campos de atuação social e nas diversas mídias para ampliar as formas de participação social o entendimento e as possibilidades de explicação e interpretação crítica da realidade e para continuar aprendendo é uma competência de Linguagens e suas Tecnologias para o ensino médio Utilizar diferentes linguagens artísticas corporais e verbais para exercer com autonomia e colaboração protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva de forma crítica criativa ética e solidária defendendo pontos de vista que respeitem o outro e promovam os Direitos Humanos a consciência socioambiental e o consumo respon sável em âmbito local regional e global é uma competência de Linguagens e suas Tecnologias para o ensino médio A sequência correta é a V V V b V F V c F F V d F V V e F V F Referências BARBOSA A M org Arteeducação contemporânea consonâncias internacionais São Paulo Cortez 2005 BARBOSA A M A imagem no ensino da arte 2 ed São Paulo Perspectiva 1994 BARBOSA A M Arteeducação no Brasil São Paulo Perspectiva 2002 BARBOSA A M ArteEducação no Brasil realidade hoje e expectativas futuras Estudos Avançados v 3 n 7 São Paulo setdez 1989 BARBOSA A M Arteeducação conflitos e acertos São Paulo Max Limond 1984 BARBOSA A M Inquietações e mudanças no ensino de arte 5 ed São Paulo Cortez 2008 BARBOSA A M Tópicos utópicos arte e ensino Belo Horizonte CArte 1998 BRASIL Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional Diário Oficial da República Federativa do Brasil Brasília DF 23 dez 1996 Disponível em httpwww2camaralegbrleginfedlei1996lei939420dezembro1996362578publicacaoa original1plhtml Acesso em 1 nov 2017 BRASIL Base Nacional Comum Curricular BNCC Brasília MEC 2017a Disponível em httpsbitly2QYcc45 Acesso em 5 jan 2018 BRASIL Base Nacional Comum Curricular Educação Infantil e Ensino Fundamental Brasília MECSecretaria de Educação Básica 2017b BRASIL Base Nacional Comum Curricular Ensino Médio Brasília MECSecretaria de Educação Básica 2018 Disponível em httpsbitly2IYzVzE Acesso em 16 maio 2019 BRASIL Governo Federal Base Nacional Comum Curricular Fundamentos Pedagógicos e Estrutura Geral da BNCC versão 3 Brasília 2017c Disponível em httpportalmecgovbr indexphpoptioncomdocmanviewdownloadalias79601anexotextobnccreexpor tadopdf2categoryslugdezembro2017pdfItemid30192 Acesso em 4 abr 2019 BRASIL Lei nº 12278 de 2 de maio de 2016 Altera o 6o do art 26 da Lei no 9394 de 20 de dezembro de 1996 que fixa as diretrizes e bases da educação nacional referente ao ensino da arte Disponível em httpwwwplanaltogovbrccivil03ato201520182016leil13278htm Acesso em 20 out 2017 BRASIL Lei nº 13278 de 2 de maio de 2016 Altera o 6º do art 26 da Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 que fixa as diretrizes e bases da educação nacional referente ao ensino da arte Diário Oficial da União Seção 1 352016 Página 1 Disponível em httpwww2camara legbrleginfedlei2016lei132782maio2016782978publicacaooriginal150222plhtml Acesso em 10 out 2017 BRASIL Lei nº 13415 de 16 de fevereiro de 2017 Altera as Leis nºs 9394 de 20 de dezembro de 1996 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional Diário Oficial da União Seção 1 17 fev 2017d Página 1 Disponível em httpwww2camaralegbrleginfedlei2017 lei1341516fevereiro2017784336publicacaooriginal152003plhtml Acesso em 10 out 2017 BRASIL Lei nº 4024 de 20 de dezembro de 1961 Fixa as diretrizes e bases da educação nacional Diário Oficial da União Seção 1 27 dez 1961 Disponível em httpwwwplanalto govbrccivil03leisL4024htm Acesso em 10 out 2017 BRASIL Lei nº 5692 de 11 de agosto de 1971 Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1 e 2º graus e dá outras providências Diário Oficial da União Seção 1 12 ago 1971 Disponível em httpwww2camaralegbrleginfedlei19701979lei569211agosto1971357752publiu cacaooriginal1plhtml Acesso em 10 out 2017 BRASIL Ministério da Educação e Desporto Parâmetros Curriculares Nacionais Ensino Médio Brasília SemtecMEC 1999 BRASIL Ministério da Educação e Desporto Parâmetros Curriculares Nacionais PCN Ensino Médio Disponível em httpportalmecgovbrsebarquivospdflinguagens02pdf Acesso em 16 maio 2019 BRASIL Ministério da Educação e Desporto Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais arte Brasília MECSEF 1998a BRASIL Secretaria de Educação Fundamental Ministério da Educação e do Desporto Parâmetros Curriculares Nacionais Arte Brasília MECSEF 1997 BRASIL Ministério da Educação e do Desporto Secretaria de Educação Fundamental Referencial curricular nacional para a educação infantil Ministério da Educação e do Desporto Secretaria de Educação Fundamental Brasília MECSEF 1998b 3 v BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais arte 2 ed Rio de janeiro DPA Editora 2000 BRASIL Portal do Mec Disponível em httpportalmecgovbrcomponenttagstag39691 Acesso em 16 maio 2019 DA VINCI L Mona Lisa c15031506 Óleo sobre madeira 77cm x 53cm Museu do Louvre Paris França Licenciado sob domínio público via Wikimedia Commons Disponível em httpsbitly1c00kTb Acesso em 23 set 2017 DEWEY J Democracia e educação 3 ed São Paulo Nacional 1959 FREIRE P Pedagogia do Oprimido 43 ed Rio de Janeiro Paz e Terra 2005 FUSARI M F R FERRAZ M H C T Arte na educação escolar São Paulo Cortez 1992 LIBÂNEO J C Democratização da escola pública a pedagogia críticosocial dos conteúdos 21 ed São Paulo Loyola 2006 PEREIRA S G org 185 Anos de Escola de Belas Artes Rio de Janeiro UFRJ 20012002 PILLAR A D org A educação do olhar no ensino das artes Porto Alegre Mediação 2001 PORTELINHA A M S ZOIA E T PASQUALOTTO L C COELHO R T SBARDELOTTO V S A Educação Infantil no contexto das discussões da Base Nacional Comum Curricular Temas Matizes Cascavel v 11 n 20 p 30 43 janjun 2017 QUEIROZ L R S Música na escola aspectos históricos na legislação nacional e perspectivas atuais a partir da Lei n 117692008 Revista da ABEM Londrina v 20 n 29 jul dez 2012 SÃO PAULO Secretaria Municipal de Educação Diretoria de Orientação Técnica Referencial de expectativas para o desenvolvimento da competência leitora e escritora no ciclo II no ensino fundamental São Paulo SMEDOT 2006 VAN GOGH V Doze girassóis numa jarra 1888 Óleo sobre tela 91 x 72 cm Neue Pinakothek Munique Licenciado sob domínio público via Wikimedia Commons Disponível em https bitly2mUg2iv Acesso em 15 maio 2019 ZABALA A ARNAU L Como aprender e ensinar competências Tradução Carlos Henrique Lucas Lima Porto Alegre Artmed 2010 Unidade 2 Tatiane Mota Santos Jardim Luciana Silva Batalha A arte e a educação infantil Convite ao estudo A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei nº 939496 estabelece que a educação infantil é a primeira etapa da educação básica Nesse ambiente as crianças devem ter acesso a conhecimentos da realidade social e cultural que garantam seu desenvolvimento integral As crianças em seu pleno desenvolvimento podem por meio do processo de ensino e apren dizagem de arte e suas linguagens comunicarse e expressarse atribuindo sentido a sensações sentimentos e pensamentos Nesta unidade veremos que o ensino dessa área no contexto da educação infantil também se apresenta como linguagem e envolve aspectos cognitivos sensíveis e culturais Para tal analisaremos a situação de Marcos que se formou em artes visuais e sonhava lecionar para alunos do ensino médio no entanto em seu primeiro emprego deparouse com turmas da educação infantil e do ensino fundamental em um bairro de difícil acesso próximo à periferia da cidade em que morava Na turma da educação infantil os mais novos tinham por volta de dois a três anos de idade Marcos entende que crianças nessa faixa etária estão em constante descoberta e conquistam seus conhecimentos também por meio da sensibilidade dessa forma ele estava confiante em lecionar arte para eles Como o professor pode desenvolver um trabalho que alcance os objetivos propostos para arte na etapa da educação infantil considerando o repertório que os alunos com baixos recursos trazem para o contexto escolar Como professor de arte para a referida faixa etária nessa escola de que forma você articularia essa situação para desenvolver o trabalho com as crianças e avançar no conhecimento em arte Na primeira seção desta unidade estudaremos as artes visuais na educação infantil destacando as garatujas o desenho a pintura a introdução dos elementos da visualidade e a observação de obras de arte Na segunda seção estudaremos o universo teatral com seus jogos improvisações ludicidade e espaço cênico e na terceira seção a musicalização a construção de instrumentos a relação entre música e corpo e a dança como expressão 58 Seção 1 Artes visuais na educação infantil Diálogo aberto Para iniciar um trabalho pedagógico na educação infantil é necessário ter o pleno conhecimento das fases do desenvolvimento da aprendizagem da criança sobretudo quando se trata do desenvolvimento artístico e das fases da evolução do desenho infantil Nesse contexto existe uma correspondência do olhar da criança para a arte que vai se expressar de acordo com a sua maturação Para valorizar tais práticas qual a importância de o professor conhecer as linguagens artísticas e planejar as suas ações de acordo com cada faixa etária e os recursos disponíveis Marcos é um professor de artes visuais que almejava lecionar para alunos do ensino médio no entanto seu primeiro emprego foi junto a turmas da educação infantil e do ensino fundamental em um bairro de difícil acesso próximo à periferia da cidade Logo no seu primeiro contato planejou uma aula de desenho na qual as crianças deveriam explorar o recurso da infor mática para a sua produção porém ele não obteve o resultado esperado já que as crianças não entendiam as suas orientações e os poucos alunos que o entenderam e alcançaram o objetivo da aula muito rapidamente perderam o interesse pela execução do trabalho A atividade poderia ter sido mais produ tiva se o professor conhecesse a realidade em que os alunos estão inseridos pois a maioria não tinha acesso a computadores em suas casas Como você no lugar do professor poderia atuar frente à dificuldade apresentada Que tipo de recurso pedagógico poderia usar para iniciar uma atividade em artes visuais na educação infantil considerando os objetivos propostos para essa etapa Como você atuaria conhecendo a realidade dos alunos com baixos recursos econômicos sociais e culturais Como articular objetivos artísticos sociais e escolares Pondere sobre quais tipos de recursos materiais o professor Marcos poderia ter utilizado inicialmente para produzir garatujas desenhos pinturas e outras práticas verificando o desenvolvimento da expressão e coordenação motora de cada aluno de acordo com a faixa etária Para resolução dessas questões você deverá se reportar aos conteúdos da seção que destacam as artes visuais na educação infantil a produção de garatujas e de desenhos para o desenvolvimento da coordenação motora o modo como a pintura acontece envolvendo o corpo e a percepção os elementos da visualidade e o despertar para a observação de obras de arte 59 Não pode faltar As garatujas e a importância do desenho para o desenvolvimento da coordenação motora Para desenvolver um trabalho de ensino e aprendizagem na linguagem de artes visuais é necessário atentarse quanto às peculiaridades e esquemas de conhecimento da criança de cada faixa etária e grau de desenvolvimento de forma a integrar os diversos níveis de processo cognitivo tais como cognição sensibilidade percepção imaginação e reflexão Nesse processo por meio da motivação interna eou externa a criança traça percursos de criação e construção individuais de aprendizagem a partir da própria experi ência criativa Conforme Fusari e Ferraz 1993 compreender o processo de conhecimento da arte pela criança significa mergulhar em seu mundo expressivo por isso é preciso saber porque e como ela o faz Portanto A criança se exprime naturalmente tanto do ponto de vista verbal como plástico ou corporal e sempre está motivada pelo desejo da descoberta e por suas fantasias Ao acompa nhar o desenvolvimento expressivo da criança percebese que ele resulta das elaborações de sensações sentimentos e percepções vivenciadas intensamente Por isso quando ela desenha dança e canta o faz com vivacidade e muita emoção FUSARI FERRAZ 1993 p 55 Assim desde bem pequenas as crianças vão desenvolvendo um percurso próprio traduzido em signos e símbolos que são decodificados por elas mesmas Esse percurso será enriquecido pela intenção educativa mas a criação artística é um ato exclusivo da criança que acontece ao entrar em contato com objetos de arte e com o prazer do fazer artístico da simbolização da leitura de imagens e do domínio do gesto que naturalmente ocorre em uma ação que vai evoluindo a partir do primeiro contato ao experimentar a linguagem artística Para o desenvolvimento estético e artístico partese do ato simbólico que permite o reconhecimento que os objetos persistem estando presentes ou não Os objetos da vida cotidiana e de arte provocam a imaginação da criança que se relaciona com o ato de brincar e com a própria capacidade imaginativa que desde cedo cria imagens símbolos e histórias para estabelecer relações com o meio Operar no mundo dos símbolos é perceber e interpretar os elementos que se referem a alguma coisa que está fora dos próprios objetos A criança em sua imaginação faz de conta para que um objeto um risco um rabisco se transforme em qualquer coisa Para a criança essa linguagem ou comunicação que exercita o faz de conta 60 acontece junto do seu desenvolvimento afetivo perceptivo e intelectual e resulta do exercício do conhecimento da realidade Nessa mesma linha de raciocínio Pillar 1988 p 16 diz que Em seu trabalho a criança constrói noções a partir das vinculações que estabelece com o que foi percebido nas suas experiências sensoriais e motrizes Esta acumulação de impressões sobre o que a rodeia vai constituirse com base sobre a qual se organizam suas habilidades percep tivas e expressivas De acordo com Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil BRASIL 1998 p 91 Os símbolos reapresentam o mundo a partir das relações que a criança estabelece consigo mesma com as outras pessoas com a imaginação e com a cultura Ao final do primeiro ano de vida a criança é capaz de produzir seus primeiros traços gráficos que ainda não são consi derados representações e se relacionam mais como movimento São traços conhecidos como garatujas não importa que seja com um lápis na folha de papel ou com os dedos sujos na parede com um caco de tijolo no cimento ou com uma varinha na terra as formas que desenham são as mesmas Para Fayga Ostrower 1990 os meios que a criança tem de aquisição para essa produção estarão de acordo com o contexto histórico e sociocul tural em que vive mas as formas produzidas pelas crianças da mesma faixa etária e em circunstâncias normais de saúde e de desenvolvimento biológico são semelhantes em qualquer parte do mundo No início do desenvolvi mento cognitivo da criança o desenho é uma atividade lúdica que expande suas capacidades imaginativas Nessa fase inicial a criança vai percebendo as possibilidades desses traços e essa exploração de natureza motora vai se ampliando para a elaboração de representações As garatujas apresentam traços como se fossem descargas de energia em princípio parecem indecisas e vacilantes mas aos poucos se tornam linhas mais fluidas e rígidas e se apresentam em grande quantidade uma ao lado da outra ou em cima de outras traços retos ou circulares que acontecem como se prolongassem os movimentos rotativos dos braços em torno do corpo A construção de repertórios imagéticos também é uma prática impor tante para as vivências relacionadas ao desenho infantil Em vez faz de conta de conhecer um único tipo de imagem de uma casa por exemplo as crianças podem visualizar vários tipos de casas pequenas grandes de madeira de alvenaria apartamentos entre outros Desse modo a referência que a criança 61 possui de uma casa será mais abrangente influenciando também posterior mente o desenho das crianças O desenho infantil é tão importante quanto o gesto e a fala ele é a primeira escrita da criança Para Emília Ferreiro e Ana Teberosky 1999 p 193 o processo da escrita infantil se define em seis níveis e é no primeiro deles que podemos encontrar a garatuja que inicialmente aparece sem figuração e mais tarde com figuração pois escrever é reproduzir os traços típicos da escrita que a criança identifica como a forma básica da mesma No fazer artístico da criança o desenvolvimento do desenho se apresenta com grande destaque por ser a base para a construção das demais linguagens visuais como pintura modelagem colagem e construção tridimensional Na garatuja o desenho é uma ação sua intenção não visa determinar forma a criança sente prazer ao constatar os efeitos visuais que essa ação produziu e percebe que o gesto produz marcas próprias e uma vez termi nado o desenho ela perde o interesse e parte para uma nova experiência Aos poucos as linhas tornamse mais contidas e transformamse em formas definidas com maior ordenação e podem se referir a objetos naturais imagi nários ou mesmo a outros desenhos Na passagem da garatuja para formas mais estruturadas na evolução do desenho infantil a criança desenvolve a intenção de elaborar imagens no fazer artístico fazendo surgir os primeiros símbolos como imagens de sol animais figuras humanas carros entre outros Isso implica em passagens significativas que se reportam mais a assimilações no desenho do que a objetos que acontecem graças às intera ções da criança com o ato de desenhar e com desenhos de outras pessoas E posteriormente também implica a regularidade nos desenhos presentes no meio ambiente e nos trabalhos aos quais a criança tem acesso incorporando esse conhecimento em suas próprias produções BRASIL 1998 p 92 É relevante destacar como o desenho principalmente na educação infantil é tratado no cotidiano escolar Muitas vezes ele é produzido a partir de modelos prontos e descontextualizados da arte como um complemento para outras atividades tais como um passatempo um reforço para aprendi zagem de outros conteúdos ou como exercícios de coordenação motora e não como uma atividade com uma finalidade em si mesma As artes visuais se apresentam como linguagem que possui aspectos cognitivos sensíveis e culturais Elas podem contribuir significativamente para o desenvolvimento e aperfeiçoamento das qualidades motoras das crianças por meio do manuseio de materiais assim como o conjunto das atividades que exploram as outras linguagens diferentes da artística e que podem aperfeiçoar tais compe tências As atividades rotineiras que são estimuladas pelo brincar pular caminhar dançar pintar e fazer tarefas irão aperfeiçoar gradativamente 62 as qualidades motoras para o alcance de resultados mais elaborados como escrever usar uma tesoura ou um pincel Figura 21 Criança produzindo garatujas Fonte Pixabay Assimile Por volta dos dois anos de idade a criança começa a desenhar Nessa fase o corpo da criança se expressa por inteiro ela rabisca pelo prazer de rabiscar e também descobre que é possível deixar suas próprias marcas A garatuja não é simplesmente uma atividade sensó riomotora descomprometida e ininteligível Atrás desta aparente inutilidade contida no ato de rabiscar estão latentes segredos existenciais confi dências emotivas necessidades de comunicação Existem pesquisas a respeito dos tipos possíveis de garatujas já realizadas por milhares de crianças impri mindo uma qualidade científica e normativa à nossa conduta ao olharmos estes infindáveis traços caóticos no papel DERDYK 2004 p 52 A pintura e o despertar sensorial pintura com o corpo a percepção visual os cheiros dos materiais artísticos as texturas Para o fazer artístico na educação infantil com crianças entre zero e três anos instrumentos materiais e suportes variados e de diferentes tamanhos podem ser ofertados a elas a partir do momento em que tenham condições 63 motoras para seu manuseio podendo ser utilizados individualmente ou em pequenos grupos Para produzir pinturas é necessário que as crianças possam escolher tintas lápis papéis cores pincéis colas coloridas ou outros elementos tanto quanto for possível para construir e desenvolver a própria criatividade assim como alcançar marcas gestos e texturas e explorar o espaço físico usando suportes como panos papéis ou madeiras que permitam a liberdade do gesto solto do movimento amplo e que favoreçam um trabalho de exploração da dimensão espacial tão necessária às crianças dessa faixa etária A descoberta dos materiais para pintura pode ser vivenciada também com o próprio corpo para que haja experiências sensoriais sem se prender aos padrões e tendências sociais prédeterminadas como produzir pinturas utilizando apenas pincéis É importante valorizar a atitude de investigação da criança a fim de que ela amplie seu conhecimento de mundo e respeite o seu próprio tempo para lidar com todas essas sensações pois inicialmente nos primeiros contatos pode acontecer uma certa aversão tátil aos materiais apresentados que poderão ser aceitos à medida em que ela se familiariza com eles com as sensações e com os tipos de texturas O despertar da sensibilidade e da criatividade se faz desde a mais tenra idade em situações em que se ofereça à criança condições para explorar os seus sentidos por meio de experiências estéticas que oportunizam vivências motoras afetivas sensoriais e sociais Para realizar essas atividades é impor tante delimitar um tempo pois o interesse da criança dessa faixa etária é de curta duração e o prazer da atividade advém da ação exploratória Sugerese que se trabalhe de diversas formas uma mesma informação como usar o pincel com crianças que já o manejem além de usálo sobre diferentes super fícies com um papel liso rugado em uma lixa na argila etc ou usar uma tinta mudando as situações como soprada em canudo com esponjas com carimbos etc A seleção de materiais para pintura deve oferecer segurança às crianças evitando materiais tóxicos ou que possam proporcionar algum tipo de alergia A confecção de tintas também é uma oportunidade para que possam realizar descobertas e fazer pesquisas Vários tipos de tintas podem ser produzidos a partir de folhas sementes flores terras de diferentes cores e texturas Também é preciso trabalhar com as crianças para que tenham cuidado com os materiais que usam com o próprio corpo e com o corpo dos outros ao manuseálo Os materiais devem ser organizados de maneira que elas possam facilmente acessálos Isso contribui também com as noções de cuidado e conservação dos materiais de uso individual e coletivo 64 Figura 22 Criança explorando materiais e suportes Fonte Pixabay Exemplificando Pintura a dedo é um exemplo em que se utiliza o corpo como ferra menta Usar o corpo para produzir pinturas proporciona uma situação de aprendizagem que experimenta diferentes sensações e texturas propicia a interação com os pares podendo compartilhar os mesmos espaços ou suportes para pintura Pode ser uma atividade divertida para crianças entre um a três anos e ajuda a melhorar o sentido do tato da criatividade e da coordenação motora Para essa atividade é necessário oferecer à criança a tinta apropriada à sua idade que seja não tóxica Elementos da visualidade As artes visuais compreendem um estudo de modalidades artísticas que envolve entre outros meios o desenho a pintura a gravura a escultura pois todas elas revelamse de formas diferentes quanto aos seus elementos no âmbito visual compostas de expressões e representações Devese considerar o contato que o aluno tem com a visualidade através de outras possibilidades de elementos do mundo contemporâneo Sobre isso Fusari e Ferraz 2001 p 77 afirmam que 65 estamos considerando também outras modalidades de arte como a fotografia as artes gráficas os quadrinhos a eletrografia o texto a dança a publicidade o cinema a televisão o vídeo a holografia a computação pelas suas características de visualidade Para as autoras o homem faz cria e inventa formas que possibilitam o melhor entendimento das manifestações artísticas visuais e consequente mente a compreensão de suas inserções culturais A criança e o seu fazer artístico desde cedo recebem influência da cultura seja pelas imagens que observa na TV em revistas em gibis rótulos estampas obras de arte trabalhos artísticos de outras crianças etc Para começar a organização do pensamento visual é preciso oferecer à criança uma gama de oportunidades para que ela explore procedimentos ligados aos materiais que podem ser caixas papéis papelões pedaços de pano entre outros Além desses também é possível incluir materiais típicos das diferentes regiões brasileiras pelo fácil acesso e por explorar os referenciais regionais e procedimentos que propor cionem o contato da criança com os diferentes tipos de suporte a fim de que ela possa refletir sobre os resultados obtidos Quanto à organização espacial dos elementos da visualidade tais como pontos linhas traços altura e largura do suporte a criança pode produzir desenhos em escala maior ou menor e os suportes também podem conter algum tipo de intervenção como um risco um recorte uma colagem de parte de uma figura etc para que desenhe a partir disso Outro aspecto a ser considerado é a possibilidade de apresentar áreas desses suportes delimi tadas com cores textura luz e sombras Propor desenhos de observação de diferentes cenas da natureza de pessoas e de objetos para perceber os elementos que compõem as diferentes formas e proporções direções ritmos etc e as relações que possam existir entre elas Dessa maneira é possível perceber os elementos visuais na composição artística no cotidiano e na natureza a partir de atividades práticas que lidam diretamente com o pensa mento e a linguagem visual A criação de uma composição artística tridimensional deve apresentar elementos que lhe são peculiares tais como o volume a altura a largura a proporcionalidade o equilíbrio Para colocar esse tipo de composição artística em prática podese promover a elaboração de maquetes ainda que simples como a reprodução de uma casa ou outro local comum na rotina da criança além da modelagem com massinhas argila e a confecção de brinquedos que também envolvam ações como colagem pintura montagem textura entre outras proposições 66 Pesquise mais Cultura visual é um campo de estudo que propõe a leitura de imagem para além dos meios tradicionais em arte pintura escultura e desenho incorporando imagens do cotidiano tais como publicidade objetos de uso do dia a dia moda arquitetura videoclipes e tantas representações visuais que exploram a experiência da realidade dos estudantes Pesquise por exemplos de como observar objetos do cotidiano descre vêlos detalhadamente em suas características e funções e poder aprender com eles O despertar para a observação da obra de arte Com relação às leituras das imagens para crianças entre zero a três anos é aconselhável escolher materiais que estabeleçam relações com o seu universo oferecendo a maior diversidade possível e que por meio da apreciação possam trazer significado para as crianças As imagens podem conter pessoas animais objetos específicos das culturas regionais cenas familiares cotidianas da natureza etc O importante é que ao apresentar tais imagens o professor atue como um provocador de sua leitura acolhendo e socializando as falas das crianças e deixandoas livres para elaborar seus comentários Podem ser apresentadas obras abstratas ou clássicas dos grandes mestres da história da arte mas também é necessário instigar o olhar das crianças pequenas para também apreciarem as obras mais recentes pois a arte contemporânea não deve ser descuidada dentro desse processo Segundo Nardin e Ferraro apud FERREIRA 2001 p 184 Se continuar a ser negligenciada pela escola a arte contem porânea permanecerá acessível a apenas um numero restrito de pessoas um grupo privilegiado que se sobrepõe à grande massa de espectadores impossibilitada de compreender essa tendência artística Reflita É importante que o professor adeque o seu trabalho para o desenvol vimento das expressões e percepções infantis por meio de experiên cias de conhecimento artístico e estético e isso acontece quando elas são orientadas para observar ouvir tocar enfim perceber as coisas a natureza e os objetos a sua volta Sentir perceber fantasiar imaginar representar fazem parte do universo infantil e acompanham o ser humano por toda vida FUSARI FERRAZ 1993 p 56 Se boa parte 67 dos docentes trabalha com desenhos estereotipados ou com modelos prontos na educação infantil como poderão desenvolver uma atividade em artes visuais de forma mais consciente Com as crianças entre quatro e seis anos podese criar um espaço para a construção de uma observação mais apurada com a elaboração de perguntas em relação às obras que instiguem a observação e o interesse pelo o que está sendo observado Aqui o professor pode interferir nas observações insti gando os seus olhares para novas descobertas e compreensão da imagem podendo aprofundar as informações conforme o interesse da turma É um momento importante para descobrir quais temas são mais significativos por isso é importante que o professor escolha o contexto para trabalhar com a obra permitindo até mesmo que o trabalho possa acontecer também inter disciplinarmente pois esse é um aspecto muito importante nas relações de ensino e aprendizagem É interessante também contextualizar a obra e falar sobre a vida do autor Se for possível possibilitar o contato com artistas visitar exposições em galerias museus entre outros para que as crianças desenvolvam relações entre as obras e suas vivências para ampliar seu conhecimento Essas relações também podem incluir a leitura das imagens produzidas pelas próprias crianças permitindo que falem sobre suas criações e a dos colegas permitindo fortalecer o reconhecimento da singularidade de cada indivíduo na criação mostrando que não existe um jeito certo ou errado de se produzir um trabalho de arte A Base Nacional Comum Curricular apresenta a criança como protago nista em contextos nos quais ela faz parte As orientações voltadas ao trabalho a ser desenvolvido no campo das artes visuais presentes no documento estão relacionadas com os campos de experiência O campo Traços sons cores e formas referese ao trabalho com diferentes manifestações artísticas cultu rais e científicas incluindo as vivências de pintura desenho modelagem colagem fotografia entre outras práticas O campo estimula as produções individuais e coletivas e o desenvolvimento do senso estético e crítico a partir do conhecimento de si mesmas e da realidade que as cerca As artes visuais também estão relacionadas ao campo Espaço tempo quantidades relações e transformações Buscase a construção de noções espaciais longe perto frente traz noções do tempo físico dia tarde ou noite cronológico ontem hoje amanhã medida muito ou pouco e procedimentos de contagem Apreciações de leituras de imagem podem ser feitas de perto de longe de dia de noite em dias variados entre outras propostas que estabelecem essas relações frequentemente 68 Vale lembrar que os Campos de Experiência e os objetivos de aprendi zagem apresentados na unidade 1 não têm caráter de currículo mas servem para auxiliar o professor a planejar atividades com maior clareza A BNCC estabelece ainda seis campos de aprendizagem conviver brincar participar explorar expressar e conhecerse As artes visuais contri buem com o respeito em relação à cultura e às diferenças existentes Brincar com produções artísticas amplia o acesso à produção cultural das crianças e favorece experiências sensoriais e expressivas É importante que as crianças também participem da escolha de diferentes atividades e materiais para que tenham a oportunidade de explorar texturas cores emoções e elementos da natureza Por meio da arte a criança tem condições de explorar materiais variados passando posteriormente a expressarse por meio deles Ao realizar experiências distintas relacionadas às artes visuais as crianças passam a se perceber enquanto sujeitos e começam a reconhecer suas preferências Cabe ao professor articular os conteúdos das artes visuais com os objetivos de aprendizagem presentes no documento As progressões ocorridas durante determinados períodos podem ser observadas e registradas por meio de relatórios fotografias portfólios textos entre outros registros que o professor julgar como adequados à cada realidade Sem medo de errar No desenvolvimento do trabalho pedagógico na educação infantil é necessário que o docente saiba como se processa a aprendizagem de acordo com a faixa etária e o nível de desenvolvimento Com ajuda de atividades bem elaboradas e dinâmicas é possível receber respostas imediatas das crianças Nessa fase do desenvolvimento aos dois anos de idade você deve consi derar a forma como os desenhos se apresentam e a maneira como podem ser estimulados por meio de materiais e suportes desde que tenham condi ções motoras para o seu manuseio Aos três anos os desenhos se apresentam de forma mais expressiva e também devem ter um estímulo adequado Esse planejamento deve estar de acordo com os meios que a criança pode ter ao seu alcance independentemente da sua faixa etária e deve se relacionar com o seu cotidiano e com o contexto sociocultural Nesse sentido é impor tante considerar os recursos disponíveis para o melhor uso dos alunos Nem sempre materiais caros e sofisticados são imprescindíveis para o desenvol vimento do trabalho Muitos recursos são acessíveis ou conseguidos a baixo custo e possibilitam a elaboração de atividades criativas que contemplem os objetivos previstos para o trabalho com arte na educação infantil de forma lúdica e interativa 69 Avançando na prática Mediação na apreciação de imagens Paula é professora de arte e percebeu que seus alunos apresentam certa dificuldade para realizar apreciações de obras artísticas por isso ela diminuiu a frequência desse tipo de atividade em sua prática pedagógica Depois de refletir sobre a importância desse trabalho para a experiência estética dos alunos a professora resolveu realizar esse tipo de atividade com mais frequ ência Que estratégias podem ser utilizadas pela professora para que os alunos tenham um interesse maior por esse tipo de atividade e consigam prestar atenção em detalhes que antes passavam despercebidos Resolução da situaçãoproblema Para instigar a curiosidade dos alunos perante as apreciações realizadas o professor pode realizar perguntas que ajudem os alunos a prestar atenção em detalhes que podem passar despercebidos Ao analisar por exemplo a obra A Família de Tarsila do Amaral o professor pode realizar as seguintes perguntas Que cores você conseguiu identificar nesse quadro Quantas pessoas são retratadas no quadro Quantos adultos aparecem na obra Quantas crianças são retratadas no quadro Você acha que as pessoas retratadas estavam felizes ou tristes Quando você olha para o quadro você sente alguma coisa Perguntas como essas ajudam os alunos a prestar mais atenção nas obras e a refletir sobre diferentes possibilidades de interpretação Conforme os alunos forem respondendo as perguntas o professor pode refletir com os eles sobre as inúmeras impressões diante de determinada obra 70 Faça valer a pena 1 Entre zero e dois anos de idade a criança é capaz de produzir seus primeiros traços gráficos que são considerados muito mais como movimentos do que como representação Não importa se eles são feitos com lápis na folha de papel com os dedos sujos na parede ou com um pedaço de pau na terra Nesse contexto os rabiscos que a criança produz nessa fase são chamados de a Rabiscos hesitantes b Linhas curvas c Linhas contidas d Garatuja e Competência motora inicial 2 As discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular não são recentes remontam à década de 1980 quando os educadores brasileiros retomaram o debate sobre a quali dade da educação publica e sinalizaram a necessidade de se instituir um sistema nacional de educação capaz de propor cionar acesso e permanência das crianças e dos jovens na Educação Básica e no Ensino Superior Para tanto seria necessário garantir um conjunto de medidas que a médio e longo prazo fossem consolidadas PORTELINHA et al 2017 p 31 Leia as afirmações relacionadas às orientações presentes na Base Nacional Comum Curricular e assinale a alternativa correta I A BNCC apresenta a descrição de todas as atividades que devem ser reali zadas na educação infantil para facilitar o trabalho dos professores II A BNCC apresenta a criança como protagonista em contextos nos quais ela faz parte III A BNCC estabelece ainda seis campos de aprendizagem conviver brincar participar explorar expressar e conhecerse As artes visuais podem ser articuladas com esses campos de aprendizagem 71 Está correto o que se afirma em a Somente na afirmativa II b Somente na afirmativa III c I e II apenas d I e III apenas e II e III apenas 3 As crianças na educação infantil ao entrar em contato com as artes visuais devem ser orientadas para observar ouvir tocar perceber as coisas a natureza os objetos à sua volta assim como perceber sentir fantasiar e imaginar Leia as afirmações relacionadas à temática em questão escreva V para as questões verdadeiras e F para as falsas e assinale a alternativa correta Essa orientação pode acontecer quando o professor em sua prática deve atuar como um provocador da leitura de imagem acolhendo e isolando as falas das crianças e deixandoas livres para elaborar comentários deve possibilitar o contato com imagens de obras de arte contextualizandoas estabelecendo contato com artistas e proporcionando visitas a exposições de arte deve atentarse quanto às peculiaridades e esquemas de conhecimento da criança de cada faixa etária e nível de desenvolvimento mergulhando no seu mundo expressivo deve oferecer sempre os mesmos materiais e suportes para que assim os alunos não estranhem novos materiais e fiquem à vontade para criar A alternativa que apresenta a sequência correta é a F F V F b F V V V c V F V F d V V V F e F V V F 72 Seção 2 Teatro na educação infantil Diálogo aberto O teatro é uma linguagem da arte que estimula e desenvolve diversas capacidades nos alunos como a expressão a imaginação a criação a obser vação a percepção entre outras Abordaremos nesta seção as improvisações o jogo teatral o espaço cênico os figurinos a música para construção teatral e o teatro como ludicidade O teatro no processo de formação da criança tem função integradora mediante trocas com seus pares e além disso a prática teatral como mediação pedagógica estimula a criança ao aprendizado Sobre a sua importância no ensino Olga Reverbel 1997 p 25 destaca O ensino do teatro é fundamental pois através dos jogos de imitação e criação a criança é estimulada a desco brir gradualmente a si própria ao outro e ao mundo que a rodeia E ao longo do caminho das descobertas vai se desenvolvendo concomitantemente a aprendizagem da arte e das demais disciplinas As vivências que se relacionam à prática do teatro são importantes instru mentos pedagógicos para a aprendizagem da criança na escola e contribuem para o seu desenvolvimento intelectual Já observamos a situaçãoproblema em que um professor novato na educação infantil planejou uma atividade de desenho na qual as crianças deveriam explorar o recurso da informática para a sua produção mas os alunos acabaram não correspondendo a essa atividade Agora o professor Marcos decide explorar a linguagem teatral com os alunos da educação infantil e não pretende cometer os mesmos erros de quando decidiu usar o computador como recurso pedagógico sem ao menos ter realizado uma conversa inicial com a turma e um planejamento a partir disso Conhecendo melhor a classe e as suas necessidades de apren dizagem Marcos decide improvisar uma história na qual os personagens são os próprios alunos em situações do dia a dia observadas por ele dentro da escola utilizandose de gestos exagerados e expressões faciais Nessa situação o professor desejava que os alunos imitassem seus personagens e que interagissem com os colegas gerando uma grande brincadeira dramá tica porém os alunos estavam apresentando dificuldades em interagir com seus pares e se mostraram resistentes à atividade Muitos deles se sentiram envergonhados e não quiseram participar da proposta Como professor da 73 sala de que forma planejaria o trabalho com a linguagem teatral para que os alunos participassem da atividade proposta Não pode faltar As improvisações como meio de expressão da realidade da criança O teatro na educação infantil pode oferecer à criança diversas possibili dades de aprendizagem por meio da sua prática Ademais essa prática envolve experimentações em um conjunto de outras linguagens as quais fazem parte do seu contexto como a oral a corporal e a escrita Isso enriquece o processo de aprendizagem por meio do brincar para compreender conflitos e os papéis sociais a realidade humana e também a construção de hipóteses e soluções de problemas Improvisar é jogar é estabelecer relações de coope ração é compor uma cena sem ensaios ou combinações prévias o que faz da improvisação uma ação que se forma a partir dos elementos presentes e que se transforma a cada momento Os interesses individuais se transformam pela necessidade da cena e do coletivo envolvido permitindo à criança brincar construindo um jogo em que todos são autores da cena Nesse contexto o importante é coordenar o momento da cena com as crianças com o espaço e com o tempo Para tal é necessário estabelecer regras vincu lando a fantasia do faz de conta que está ligada à imaginação à criatividade à espontaneidade e ao mundo que as cerca Na escola esse tipo de atividade funciona como estímulo à criança para conhecer e explorar mais o mundo se socializar aprender a compartilhar brinquedos e brincadeiras conviver com a diversidade o que favorece a construção da sua aprendizagem possibili tando e construindo o jogo cênico de forma criativa e envolvente Nesse sentido a vivência teatral estará contribuindo para a formação da criança no seu crescimento pessoal ao ampliar formas de convívio entre o indivíduo e o coletivo no respeito às diferenças entre outras situações e na formação de cidadãos mais participantes e responsáveis pelo outro A improvisação envolve elementos que são coordenados de acordo com a necessidade do momento articulando corpo voz ação concentração espaço e tempo para jogar um jogo teatral ou solucionar algum problema a partir de um tema escolhido previamente Nesse contexto é relevante citar Olga Reverbel 1917 2008 pedagoga atriz teórica e autora precursora do movimento Teatro e Educação no Brasil que realizou diversos estudos e desenvolveu práticas para o ensino de teatro para escolas com atividades e técnicas claras e objetivas as quais auxiliam o docente a desenvolver um trabalho explorando essa linguagem estabelecendo objetivos pedagógicos que promovem o desenvolvimento da 74 capacidade expressiva dos alunos Para a autora o teatro na escola não deve ser realizado no formato de espetáculo em que há ensaio e apresentação para o público O desempenho que se espera de um aluno em uma atividade como essa não é o mesmo que se espera de um ator profissional mas de uma ativi dade didática que desempenha função lúdica e desenvolve capacidades de expressão na criança Além disso ela considera a prática da improvisação um excelente estímulo para o desenvolvimento da espontaneidade da criança e do adolescente REVERBEL 1996 Segundo Reverbel 1996 existem dois tipos de improvisação a espontânea e a planejada Na espontânea os alunos são orientados apenas por um ponto de partida como um fato situação ou ação proposta já a planejada envolve dois momentos distintos no primeiro os alunos criam uma cena a partir de um tema ou situação e no segundo os alunos elaboram um roteiro a ser seguido no decorrer da atividade A improvisação surge como base para a criança criar a sua própria forma movimento ou palavra para ter condições de julgamento e de apreciação que resultará no jogo teatral Os jogos de improvisação não visam à repro dução da realidade mas à possibilidade de analisála a partir de um discurso mantido por meio de uma linguagem artística que se afasta do naturalismo Em sua obra Olga propõe um conjunto de atividades por meio de jogos dramáticos de improvisação ou jogos teatrais agrupados em cinco catego rias de relacionamento grupal de espontaneidade de imaginação de obser vação e de percepção Exemplificando Improvisar é compor uma cena por meio de um jogo criativo em que é possível coordenar a ação o espaço o tempo e os participantes do jogo Alguém pode criar uma ação e os participantes do jogo interferem nessa ação por meio de alguma proposta que complementa o que foi mostrado Os participantes do jogo decidem quando e como interagir O jogo teatral O ensino a aprendizagem e a prática do teatro são iniciados a partir dos jogos dramáticos e dos jogos teatrais O jogo dramático faz de conta antecede o jogo teatral Nos jogos teatrais o grupo de sujeitos que joga pode se dividir em times que se alternam nas funções de atores e de público isto é os sujeitos jogam para outros que os observam e observam outros que jogam A passagem do jogo dramático para o jogo teatral pode ser explicada como 75 Uma transição muito gradativa que envolve o problema de tornar manifesto o gesto espontâneo e depois levar a criança à decodificação do seu significado até que ela o utilize conscientemente para estabelecer o processo de comunicação com a plateia KOUDELA1992 p 45 O planejamento dessa vivência deve estar de acordo com os processos de desenvolvimento cognitivo e da linguagem dramática da criança Nesse contexto é importante citar Viola Spolin 1906 1994 respeitável educa dora de Chicago que desenvolveu pesquisas sobre atuação entre as décadas de 1960 e 1970 além disso ela promoveu a ideia de o teatro poder acontecer fora do palco e construiu uma pedagogia baseada na prática e vivência em jogos teatrais Ela também defende o desenvolvimento de atividades funda mentadas na espontaneidade e na ludicidade O brincar é uma forma de propiciar a interação social e desenvolver habilidades necessárias ao jogo teatral que devem sempre ocorrer dentro das regras estipuladas pelo grupo por isso a relação entre brincadeira e criação artística em uma proposta teatral sugere o jogo como ponto de partida dessa vivência pois por meio dele é possível superar desafios dar asas à imaginação e se entregar ao novo O jogo é uma forma natural de grupo que propicia o envolvi mento e a liberdade pessoal necessários para a experiência Os jogos desenvolvem as técnicas e habilidades pessoais necessárias para o jogo em si através do próprio ato de jogar As habilidades são desenvolvidas no próprio momento em que a pessoa está jogando divertindose ao máximo e recebendo toda a estimulação que o jogo tem para oferecer é este o exato momento em que ela está verdadeiramente aberta para recebêlas SPOLIN 1992 p 4 O método Spolin propõe que o jogo teatral vise à solução de um problema proposto aliando estrutura foco dramático estabelecendo limites e regras em acordo feito pelo próprio grupo bem como pretende desenvolver a autonomia e atitude de colaboração entre os jogadores Sua dinâmica propicia desfechos diferentes e surpreendentes conforme o grupo e também traz estímulos corpo rais e intelectuais a quem joga Além disso reafirma o caráter social que os jogos podem ter passando a ser não apenas um método para atores mas um facilitador para a integração social e para o desenvolvimento do trabalho em grupo A respeito disso Spolin 2008 p 30 afirma que 76 A maioria dos jogos é altamente social e propõe um problema que deve ser solucionado um ponto objetivo com o qual cada indivíduo se envolve e interage na busca de atingilo Muitas habilidades aprendidas por meio do jogo são sociais O seu método é direcionado tanto para a formação de atores diretores teatrais e arteeducadores quanto para crianças e adolescentes muito abordado em escolas que trabalham com a linguagem teatral no conteúdo de arte Outro nome que merece destaque nesse estudo sobre jogo teatral é o de Olga Reverbel 1917 2008 já citada nesta seção Olga desenvolveu a Pedagogia de Expressão um método que orienta a prática teatral para profissionais do teatro e da educação e que pretende estimular no aluno a capacidade de expressar suas ideias pensamentos anseios e desejos A autora atribui grande importância à prática teatral para a formação da personalidade e da cultura de crianças e adolescentes ao apresentar uma série de observa ções técnicas atividades de expressão e dramaturgia destinadas à educação infantil e às demais etapas da educação básica que são possíveis de serem utilizadas em sala de aula A autora propõe atividades para desenvolver a autoexpressão do aluno para que ele de fato atue no mundo opinando criti cando e sugerindo Os objetivos da metodologia proposta por Reverbel se voltam mais à formação da personalidade da criança e do adolescente considerando sua atuação no meio social do que à formação de artistas Em seu fundamento teóricoprático Atividades globais de expressão Reverbel descreve o percurso do desenvolvimento de comunicação e expressão da criança com o mundo logo nos primeiros meses de vida ao imitar criar e recriar passando para a descoberta da relação entre o seu mundo interior e exterior nascendo assim a expressão Em seguida a criança passa para a construção da linguagem até chegar no estágio da palavra o que propor ciona as trocas entre o seu mundo interno e o externo favorecendo o desen volvimento cognitivo psicomotor e afetivo resultando na aprendizagem Olga ainda relaciona o brincar livremente com o jogar e esse jogo pode ser musical plástico ou dramático e orientado ou acontecer espontaneamente e é do jogo dramático que surgem os jogos educativos Para a autora o jogo é o meio natural da aprendizagem para a criança Através do jogo a criança dinamiza as capacidades que decorrem de sua estrutura particular e realiza os potenciais virtuais que afloram sucessivamente à superfície de seu ser 77 Ela os assimila e os desenvolve uneos e complicaos em suma coordena seu ser e lhe dá vigor REVERBEL 1997 p 35 Os jogos de imitação e criação estão presentes no início do desenvolvi mento da expressão na criança e em todo ensino da arte Sendo assim Olga destaca a relevância da atividade teatral para a aprendizagem da criança sobre si mesma sobre o outro e sobre o mundo que a cerca O jogo dramá tico se relaciona ao prazer e deve cessar quando o prazer deixar de existir é diferente do jogo espontâneo por ser menos livre e possuir regras a serem seguidas por exemplo o papel do participante deve ser mantido até o final do jogo e ele deve jogar apresentar para os outros Reverbel 1996 propõe em sua metodologia que as atividades devem se dar no coletivo em sala de aula e com orientação do professor A ação dramática acontece a partir dos jogos e pode ser combinada com elementos da música da dança das artes plásticas da mímica da literatura da história da geografia assim como com os temas religiosos políticos e sociais Tudo isso visa fornecer informações estimular as habilidades artísticas e o espírito crítico para que a criança possa assimilar e avaliar os elementos apreendidos no processo educativo Ainda conforme a referida autora as atividades devem ser compostas por quatro etapas estímulo sensibilização objetivo e roteiro A etapa do estímulo é a forma de despertar o interesse do aluno pelo trabalho através de jornais e revistas visita a exposições audição de concertos participação em festas populares e campanhas comunitárias e acompanhamento de debates em assembleias de diferentes classes sociais SILVA 2016 p 3462 A etapa da sensibilização é o momento em que acontecem os debates sobre o tema escolhido a criação de cenas de repro dução ou imitação do que foi observado pelas crianças e da interpretação de situações e de personagens para explicar o como e o porquê dos fatos no tema SILVA 2016 p 3462 A etapa objetivo consiste no próprio objetivo que se deseja alcançar com a atividade e a etapa roteiro consiste em uma forma de elaborar o desenvolvimento da cena com personagens ação espaço cênico local tempo e duração SILVA 2016 Essas atividades podem iniciar com um momento de brincar esponta neamente Após um tempo entre dois e seis meses desenvolvese o trabalho com a expressão por meio de atividades que exercitem as técnicas corporais vocais musicais coreográficas mímica e finalmente técnicas dramáticas praticadas por meio dos jogos dramáticos de improvisação que estimulam o desenvolvimento da espontaneidade na criança e no adolescente 78 Figura 23 O teatro e as crianças Fonte iStock O espaço cênico as roupas a música para a construção teatral Ao explorar o teatro na escola devese considerar que alguns elementos fazem parte do processo devem ser organizados e são muito importantes para o enriquecimento da experimentação da linguagem teatral tais como o espaço cênico as roupas e a música para a construção teatral É neces sário que a escola ofereça um ambiente educativo diferente da sala de aula adaptado para a realização dessa atividade que proporcione maior liberdade e flexibilidade à criança para explorar o seu potencial criativo e ainda dispo nibilize materiais adequados para a elaboração das improvisações e dos jogos teatrais A respeito disso Olga Reverbel 1996 p 25 destaca O professor deve adaptar as atividades e ordem de aplicação de cada conjunto às condições de espaço de material colocado à disposição das crianças e principalmente partir da sua própria percepção dos tipos de personalidade das crianças com quem trabalha O educador deverá adaptar o ensino a cada momento a cada criança e a cada grupo O espaço cênico na educação infantil é o espaço para criação de perso nagens e de histórias é onde o jogo acontece diferente do teatro visto com espetáculo em que esse espaço tem o objetivo de apresentar uma peça teatral Ele deve ser o local no qual os alunos saibam resolver as situações propostas por meio das improvisações e dos jogos teatrais Tudo que a criança faz e aprende na educação infantil acontece em um espaço Há o espaço para 79 brincar para dormir para compartilhar entre outras atividades Estabelecer um espaço para a prática teatral significa estabelecer um local propício para vivência da experiência nessa linguagem As roupas e os adereços carregam uma carga de simbologia e também podem ser selecionados e disponibili zados para livre acesso no local em que a atividade teatral será realizada O uso das roupas auxilia no processo de criação composição e nas caracterís ticas das personagens que as crianças irão inventar durante as atividades de improvisações e nos jogos teatrais Outro elemento importante é a presença da música para a elaboração da atividade que ajuda a enfatizar as emoções e sensações das personagens e suas relações na composição das cenas e também influencia o tempo e o espaço Figura 24 Teatro e seus elementos o figurino Fonte iStock Figura 25 A música e a criança cantando em grupo Fonte iStock 80 Reflita Quando a escola não apresenta um espaço físico para o desenvolvimento teatral como proceder Você considera relevante que a escola estabe leça parcerias com outros locais que ofereça um espaço adequado para o desenvolvimento dessa prática Ou deve aproveitar o espaço que possui como a sala de aula com carteiras cadeiras entre outros objetos Então como esse espaço poderia ser organizado Você consi dera que o espaço inadequado para o desenvolvimento dessa prática pode interferir no processo de ensino e aprendizagem em teatro Teatro como ludicidade Para Souza 2015 sp a brincadeira para a criança é um meio de comunicação e de prazer que ela exerce a partir de sua própria iniciativa Ao brincar a criança não está preocupada com os resultados de suas ações mas é fundamental que o professor estimule e oriente essas ações ao observála mediando o seu brincar A intervenção do professor é funda mental para beneficiar uma elaboração mais complexa dos conteúdos que aparecem no seu brincar SOUZA 2015 sp No brincar a criança explora materiais ideias linguagem fantasia e as relações sociais Por meio dessa exploração a criança poderá construir e desenvolver novos conhecimentos para a sua formação pessoal e social SOUZA 2015 sp O teatro enquanto prática pedagógica é fundamental para o completo desenvolvimento da criança já que trabalha simultaneamente a corporei dade articulada à comunicação e à emoção além do desenvolvimento do raciocínio SOUZA 2015 Explorar essa linguagem proporciona experiências novas e dá suporte para a sua trajetória social É um recurso que proporciona prazer para a criança quando está brincado bem como ensina e educa quando a instiga por meio da sua prática no desenvolvimento de certas habilidades em sala de aula SOUZA 2015 O teatro como ludicidade na educação infantil é uma das atividades de expressão em que o jogo simbólico aflora na expressividade e na criatividade da criança As diversas formas de improvisação teatral na educação infantil como meio de expressão podem ser estimuladas pelos docentes por meio da prática espontânea das brincadeiras de faz de conta que inicialmente podem apresentar poucas regras e privilegiam a criatividade SOUZA 2015 81 Assimile Nos jogos de faz de conta ou jogos simbólicos como são chamados por Piaget 2009 em sua teoria do desenvolvimento a criança joga dramaticamente Inicialmente ela aprende a imitar recriando contextos do cotidiano improvisando pequenas cenas por meio de brincadeiras com objetos com outras crianças ou representando histórias que ouviu Nos jogos de imitação percebemos o esforço da criança em reproduzir gestos objetos em movimento sons de animais entre outros É o resul tado da sua capacidade de observar e aprender com os outros identifi carse com eles e de diferenciar Para Piaget 2009 p 141 Os jogos de imaginação tendo como subclasses as metamorfoses de objetos as vivificações de brinquedos as criações de brinquedos e também de brinquedos imaginários as transformações de perso nagens e a representação em ato de estórias e contos Brincar é o principal meio de expressão da infância Naturalmente a criança brinca de ser outra pessoa em certos papéis sociais em personagens de filmes ou de histórias em livros Inventa situações manipula objetos imita colegas reproduz com adaptações gestos corporais e vocais o que exige muito da sua observação Pequenos adereços podem transformálas em diversos personagens interpretar diferentes papéis e comunicar ideias Esses recursos ajudam a perceber e explorar o mundo e interagir com ele No momento em que a criança brinca sozinha ou quando está interagindo com o outro e improvisa gestos palavras e movimentos percebemos que ela está representando apesar de não ter um público Por meio da representação da improvisação e do brincar a criança vai se aproximando cada vez mais da realidade e das possibilidades de modificála organiza seu pensamento sem perder a sua espontaneidade lúdica e criativa Quando as situações ludicas são intencionalmente criadas pelo adulto com vistas a estimular certos tipos de aprendi zagem surge a dimensão educativa Desde que mantidas as condições para a expressão do jogo ou seja a ação inten cional da criança para brincar o educador está potencia lizando as situações de aprendizagem KISHIMOTO 1996 p 36 82 A utilização dessa linguagem na sala de aula não pode ficar na mera brincadeira ela deve ser sistematizada pois o objetivo da atividade é explorar a linguagem teatral Na BNCC o teatro pode relacionarse ao campo O eu o outro e o nós devido às interações realizadas e à descoberta de diferentes modos de vida personalidade pontos de vista entre outros O teatro está vinculado também ao campo Corpo gestos e movimento por meio das experimenta ções corporais variadas e das explorações do universo social e cultural Essa prática também se relaciona com o campo Traços sons cores e formas devido à expressão por meio de gestos mímicas encenação e a manipulação de diversos materiais e recursos tecnológicos É possível vincular ainda a prática teatral ao campo Escuta fala pensamento e imaginação devido ao desenvolvimento da interação e comunicação Além disso o teatro também pode ter relação com o campo Espaços tempos quantidades relações e transformação quando abordar conceitos vinculados ao tempo e ao espaço em diferentes encenações teatrais As relações existentes vinculadas aos seis campos de aprendizagem conviver brincar participar explorar expressar e conhecerse também possuem forte relação com a linguagem teatral já que favorecem a interação o jogo a exploração a expressão a experimentação e o autoconhecimento Sem medo de errar O teatro na educação infantil é um importante recurso pedagógico que traz inúmeras contribuições para a formação e o desenvolvimento da criança Por isso é relevante conhecer os modos de explorar essa linguagem para desenvolver um trabalho que proporcione uma aprendizagem significa tiva para o aluno Na situaçãoproblema apresentada vimos que o professor planejou uma atividade de desenho no computador para alunos entre dois e três anos de idade que não apresentou resultados positivos para a apren dizagem deles Depois conhecendo um pouco melhor a turma o professor decidiu explorar a linguagem teatral para improvisar histórias nas quais os personagens são os próprios alunos em situações do dia a dia A partir disso o professor desejava que os alunos imitassem seus personagens interagindo com os colegas gerando uma grande brincadeira dramática no entanto os alunos não reagiram à proposta conforme o planejado pelo professor Para desenvolver esse trabalho ele deve disponibilizar recursos materiais diversos que fazem parte do processo e enriquecer a vivência da criança além de lembrar que a improvisação é um jogo que se forma a partir dos elementos presentes e se transforma a cada momento Na educação infantil 83 essa ação deve estar de acordo com o desenvolvimento cognitivo da criança e ser instigada por meio do lúdico privilegiando a criatividade bem como deve seguir regras estipuladas pelo grupo com participação de todos combi nada com o espaço apropriado para o desenvolvimento da atividade com o uso de roupas e música Na avaliação dessa atividade o professor precisa considerar a participação de todos a forma como cada um ocupou o espaço como interagiu com o grupo os gestos a fala e sempre incentivar a partici pação de todos e mediar as ações Avançando na prática Sentimentos e expressões faciais Você começou a lecionar para crianças entre 3 e 4 anos de idade e observou que algumas delas possuem dificuldade para interagir com outras crianças e se mostram indiferentes ao apreciar diferentes expressões artís ticas Como você pode ajudar no desenvolvimento da expressão e sensibili dade dessas crianças Resolução da situaçãoproblema Esperase que as crianças tenham curiosidade perante o mundo e o seu redor Brincar com outras crianças é uma prática que costuma ser muito atrativa para as crianças Ao apreciar apresentações imagens contidas em livros ouvir músicas assistirem peças teatrais é comum que as crianças se interessem interagindo umas com as outras dando risada demonstrando curiosidade fazendo perguntas entre outras ações Quando as crianças não se mostram interessadas por essas atividades ou quando apresentam dificul dade de interação e expressão podese iniciar um trabalho de apresentação dos sentimentos e das expressões faciais Você pode pedir para as crianças reconhecerem que tipo de expressão você irá realizar Você pode iniciar por exemplo com uma expressão triste e perguntar para as crianças o que elas acharam da expressão A ideia é que as crianças descubram que você está fazendo cara de triste A seguir faça o contrário dê um sorrido e pergunte para as crianças o que elas acham que você está sentindo Depois que as crianças identificarem a expressão de felicidade você pode pedir para uma criança para se levantar e se expressar utilizando o seu rosto As outras crianças terão que descobrir se ela fez uma cara de feliz ou cara de triste e assim pouco a pouco outras expressões podem ser acrescentadas Por fim você pode contar para os alunos que quando assistimos alguma apresentação 84 artística costumamos nos emocionar isto é ficamos felizes tristes curiosos inquietos ou outros sentimentos que julgar adequados Coloque uma música e pergunte para as crianças o que elas sentiram Essas atividades contribuem com a descoberta perante os sentimentos e ajudam as crianças a identifi carem diferentes expressões faciais Faça valer a pena 1 O brincar é uma forma de propiciar a interação social e desenvolver habilidades necessárias ao jogo teatral que deve sempre ocorrer dentro das regras estipuladas pelo grupo por isso a relação entre brincadeira e criação artística em uma proposta teatral sugere o jogo como ponto de partida dessa vivência Por meio do jogo teatral é possível propor a inserção de a Improvisação livre de regras que permite maior inventividade por parte do aluno b Regras e o pressuposto de um conjunto de princípios pedagógicos c Texto para ser decorado ensaiado e apresentado d Narração de histórias no jogo e Crítica escrita após o jogo 2 Os estudos na linha do teatroeducação exigem familiaridade com o vocabulário e saberes de dois extensos e complexos campos do conhecimento humano o teatro e a educação que foram sistematizados para uma proposta de ensino em espaços formais e não formais de educação Nesse contexto associe as linhas do teatroeducação apresentadas a seguir com as relações descritas I Jogo teatral II Teatro como ludicidade III Espaço cênico IV Improvisação teatral 85 Estabelece relações de cooperação compõe uma cena sem ensaios ou combina ções prévias de ações o que faz dela uma ação que se forma a partir dos elementos presentes e que se transforma a cada momento O grupo pode se dividir em times que se alternam nas funções de atores e de público isto é os sujeitos jogam para outros que os observam e observam outros que jogam É o espaço para criação de personagens e de histórias é onde o jogo acontece É uma das atividades de expressão em que o jogo simbólico o faz de conta aflora na expressividade e na criatividade da criança Assinale a alternativa correta a I II III IV b I IV II III c IV III II I d I IV III II e IV I III II 3 A maioria dos jogos é altamente social e propõe um problema que deve ser solucionado um ponto objetivo com o qual cada indivíduo se envolve e interage na busca de atingilo Muitas habilidades aprendidas por meio do jogo são sociais SPOLIN 2008 p 30 Nesse contexto analise as afirmações a seguir Escreva V para as afirmativas verda deiras e F para as falsas O jogo sociabiliza uma vez que precisase do outro do coletivo para se fazer completo O jogo é um facilitador para a integração psicossocial e para o desenvolvimento do trabalho Pessoa O jogo refuta limites e regras em acordo feito pelo próprio grupo Os jogadores buscam melhores maneiras de resolver a situação no coletivo 86 Em relação às assertivas anteriores assinale a sequência correta a V F F V b V V F V c V F V V d V V V F e F V V F 87 Seção 3 Música e dança na educação infantil Diálogo aberto A música e a dança ligadas à prática educativa na educação infantil possi bilitam experiências as quais garantem aprendizagens que ampliam o conhe cimento das duas linguagens e expandem o repertório cultural da criança O trabalho com essas linguagens requer atenção no que se refere ao respeito das peculiaridades próprias a cada faixa etária e seu nível de desenvolvimento Nesta seção abordaremos o processo de musicalização na educação infantil a construção de instrumentos musicais a relação entre a música e o corpo além da dança como expressão e desenvolvimento corporal percep tivo e espacial Um bom professor é sempre um pesquisador e deve estar melhor preparado integrando suas experiências com mais conhecimentos que devem ser buscados em momentos de estudo e pesquisa para exercer com autonomia a sua função em sala de aula e dessa forma envolver o aluno e a comunidade De acordo com a sua experiência nessas áreas você se considera apto para lecionar música e dança na educação infantil Você acha possível ser um bom professor sem a formação específica Apontamos uma situação em que um professor de arte que trabalha na educação infantil ficou observando o envolvimento dos seus alunos com a professora da sala que os organizava em roda e cantava músicas infantis com gestos corporais imitando animais carros buzinas entre outros sons enquanto aguardava a sua chegada na sala de aula Essa observação despertou o seu desejo de trabalhar com a linguagem musical e da dança No entanto ele tinha medo pois não sabia por onde começar já que não tocava nenhum instrumento não tinha habilidades com movimentos corporais consideravase desafinado dotado de uma voz muito grave grande demais e desajeitado para lecionar dança Ele pensava não ter o dom para trabalhar com essas linguagens e logo desistiu da ideia Você considera que para lecionar música e dança o professor deve obriga toriamente ser músico eou dançarino Quais recursos musicais e corporais um professor sem formação específica na linguagem musical e da dança pode utilizar para explorar os objetivos da aprendizagem para a educação infantil Como você elaboraria uma aula utilizando essas linguagens para alunos da educação infantil 88 Figura 26 Música e dança para crianças pequenas Fonte iStock Figura 27 A música na escola Fonte iStock Não pode faltar O processo de musicalização A musicalização é um processo de construção do conhecimento musical De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil RCNEI BRASIL 1998 a música está presente em diversas situações da vida e acompanha a história da humanidade Em seu contexto encon tramos música para dormir para dançar para convocar o povo a lutar o que caracteriza uma função ritualística assim como para seguir tradições 89 e costumes presentes na cultura dos diferentes povos tocada e dançada em festividades LIMA SANTANNA 2015 É uma forma de expressão artís tica tanto no campo popular como no erudito Por meio desses diferentes contextos as crianças entram em contato com a cultura musical desde muito cedo e começam a aprender sobre rituais e tradições musicais Mesmo diante das transformações em relação ao papel da música na sociedade moderna seu caráter ritual é preservado assim como a tradição do fazer e ensinar por imitação e por ouvido misturando conhecimento prático com transmissão oral Essas são questões relevantes para serem consideradas no processo de ensino e aprendizagem pois o contato intuitivo e espontâneo com a música desde os primeiros anos de vida são importantes pontos de partida para o processo de construção do conhecimento musical Ouvir musica aprender uma canção brincar de roda realizar brinquedos rítmicos jogos de mãos etc são ativi dades que despertam estimulam e desenvolvem o gosto pela atividade musical além de atenderem a necessidades de expressão que passam pela esfera afetiva estética e cognitiva Aprender musica significa integrar experiên cias que envolvem a vivência a percepção e a reflexão encaminhandoas para níveis cada vez mais elaborados BRASIL1998 p 48 Para que o processo de conhecimento dessa linguagem ocorra de modo significativo é necessário explorar propostas que respeitem as fases do desen volvimento infantil A música faz parte do cotidiano das pessoas e a encontramos ao ouvila no rádio na televisão na internet por meio das diversas brincadeiras nas manifestações espontâneas na escola em ambiente familiar e entre outras situações do convívio social Sua linguagem e forma de conhecimento devem ser estruturadas de acordo com os três eixos articuladores e norteadores do processo de ensino e aprendizagem da arte a produção a apreciação e a reflexão O processo de musicalização em bebês ocorre de maneira intuitiva por meio de situações do dia a dia quando por exemplo um adulto canta uma melodia ou faz uma brincadeira cantada Os bebês ouvem gostam e tentam imitar criando momentos significativos no desenvolvimento afetivo e cogni tivo e constroem um repertório que estabelece uma forma de comunicação por meio dos sons MELO et al 2009 Eles também inventam melodias ou ruídos criando possibilidades vocais e interagem com objetos brinquedos sonoros estabelecendo um jogo de exercício sensorial e motor O processo de 90 musicalização é ampliado pelas conquistas vocais e corporais reproduzindo letras simples refrãos onomatopeias explorando gestos sonoros batendo palmas pés e de acordo com as fases do seu desenvolvimento evoluindo para marchas corridas e pulos para acompanhar uma música BRASIL 1998 Nessa fase a criança examina todo material sonoro que possa interessar e também se atenta às características dos sons produzidos por instrumentos musicais como o som das cordas de um violão os efeitos sonoros de sementes em instrumentos de percussão ou pelo som das teclas do piano por exemplo também se interessam por uma voz ou por um objeto pesqui sando suas possibilidades sonoras O que caracteriza a produção musical da criança nessa fase é a exploração do som e das suas qualidades que são altura duração intensidade e timbre e não a criação de melodias em instrumentos Diferenças individuais e grupais acontecem e muitas vezes por influência do meio em que vivem crianças podem apresentar um desenvolvimento e controle rítmico diferente de outras crianças Nessa fase de desenvolvimento a expressão musical da criança é caracterizada pela ênfase nos aspectos intui tivo e afetivo e pela exploração sensóriomotora dos materiais sonoros Por volta dos três anos de idade os jogos com movimentos em sintonia com a música possibilitam o desenvolvimento motor e rítmico Aos poucos ela domina a entonação melódica memoriza um repertório de canções cria e utiliza as canções que inventa Aos poucos canta com mais precisão e reproduz ritmos simples Palmas batidas nas pernas pés e demais batimentos rítmicos são observados e reproduzidos de acordo com o nível de desenvolvimento da criança Nessa fase a criança também se interessa em tocar pequenas linhas melódicas nos instrumentos musicais e começa a entender que para tocar uma melodia ou cantar é importante respeitar uma ordem Figura 28 As canções estimulam o ritmo e a percepção musical Fonte iStock 91 Reflita A educação musical nas escolas deve ser dinâmica e não incorrer em mais um conteudo que gere sobrecarga no professor e na classe Como conquistar aulas criativas considerando a formação dos profes sores e as condições das escolas muitas vezes pouco favoráveis em termos de recursos O fazer musical acontece por meio da improvisação da composição e da interpretação As crianças entre quatro e seis anos podem compor pequenas canções utilizando instrumentos musicais mas sem a memorização de estru turas sofrendo variações a cada nova interpretação A imitação é a base da interpretação por meio de sons vocais corporais ou produzidos por instru mentos musicais as crianças preparamse para interpretar quando então imitam expressivamente Segundo o RCNEI o cantar é importante pois integra melodia ritmo e frequentemente harmonia e é um excelente meio de desenvolvimento da audição BRASIL 1998 p 59 Ainda segundo o mesmo documento é importante apresentar às crianças canções do cancioneiro popular infantil da música popular brasileira entre outras que possam ser cantadas sem esforço vocal e com textos adequados à sua compreensão BRASIL1998 p 59 sem excesso de gestos demonstrados pelo professor que fazem com que as crianças parem de cantar para realizálos Nessa fase o fazer musical deve envolver maior concentração e essa produção deve relacionar sons e silêncios O silêncio valoriza o som e faz parte da música Deve ser experimentado em diferentes situações e contextos O trabalho com instrumentos deve promover o crescimento e a transformação a partir do que as crianças podem realizar quando elas não respondem com muita precisão a um ritmo não se deve insistir exaustiva mente mas guiarse de acordo com a observação das suas respostas e prosse guir o trabalho BRASIL 1998 Ainda de acordo com o documento as crianças podem improvisar a partir de um roteiro extramusical ou de uma história cada timbre de um instrumento característica que diferencia um som do outro por exemplo pode ser uma personagem da história tocar com suavidade para não acordar alguém produzir efeitos sonoros curtos para sugerir pingos de chuva realizar um ritmo de galope para sonorizar o trote dos cavalos etc A partir de propostas musicais as crianças podem vivenciar contrastes entre alturas ou intensidades do som e os ritmos do som e silêncio e assim por diante 92 Estimular a criação de pequenas canções com base na experiência musical das crianças explorar rimas com os próprios nomes com os dos colegas com nomes de frutas cores e explorar assuntos e acontecimentos do dia a dia também servem como temas para criar canções Além disso também é possível sonorizar histórias e para tal indicase os livros de histórias com imagens Elas podem funcionar como uma partitura musical para utilizar sons vocais corporais produzidos por objetos do ambiente brinquedos sonoros e instrumentos musicais Juntos professor e alunos poderão definir quais personagens ou situações podem ser sonorizados Como representar sonoramente um bater de portas o trotar de cavalos a água correndo no riacho o canto dos sapos e enfim a diversidade de sons que envolve e desperta a atenção a percepção e a discriminação auditiva BRASIL 1998 Sobre a apreciação musical devese ampliar e enriquecer o contato da criança com músicas que vão além do chamado repertório infantil veicu ladas pela mídia que muitas vezes apresentam arranjos padronizados e estereotipados e podem se apresentar de forma inadequada Exemplificando De acordo com a BNCC a educação infantil precisa promover a parti cipação das crianças em tempos e espaços para a produção manifes tação e apreciação artística de modo a favorecer o desenvolvimento da sensibilidade da criatividade e da expressão pessoal Diversas oportunidades de apreciação musical podem ser oferecidas aos alunos com músicas regionais do país e as de tradição popular para resgatar e também aproximar as crianças dos valores musicais da nossa cultura E com as de outros países para que fique claro que a linguagem musical está presente em todas as culturas com marcas de cada criador cada povo cada época Também é importante oferecer à criança a possibilidade de ouvir música sem texto como parte de composições ou peças breves A música com letra por integrar poesia e música remete sempre ao conteúdo da letra enquanto o contato com a música instrumental abre a possibilidade de traba lhar de outras formas As crianças podem perceber sentir e ouvir deixan dose guiar pela sensibilidade pela imaginação e pela sensação que a música lhes sugere Assimile A apreciação musical dos bebês e da criança pequena deve estar integrada às atividades cotidianas com repertório que apresente variadas obras as quais despertem nelas o desejo de ouvir e interagir 93 pois ouvir é também movimentarse uma vez que as crianças percebem e se expressam globalmente Esse repertório pode apresentar obras de musica erudita popular do cancioneiro infantil da musica regional etc Nesse caso a musica não deve ser apresentada como um pano de fundo para o desenvolvimento de outras atividades Construção de instrumentos apelo sonoro e musical A construção de instrumentos com materiais variados também é uma prática muito interessante que pode ser desenvolvida na educação infantil Após explorar potes latas garrafas entre outros materiais as crianças podem criar objetos sonoros ou instrumentos musicais convencionais ou não convencionais Através desses instrumentos podese trabalhar noções de técnicas como meio de obter qualidade sonora como tocar um tambor de diferentes maneiras variando a força os modos de tocar com diferentes baquetas com as mãos com as pontas dos dedos etc sempre experimen tando e ouvindo seus resultados para desenvolver técnicas e percepção da qualidade dos sons que foram produzidos Nos jogos de improvisação musical os instrumentos podem ser confec cionados pelas crianças a partir dos materiais disponíveis que produzem sons ou a partir dos sons do corpo da voz etc Você poderá por exemplo explorar os timbres de elementos ligados a um projeto que trata sobre o fundo do mar a água do mar em seus diferentes momentos os diversos peixes as baleias os tubarões as tartarugas etc lidando com a questão da organização do material sonoro no tempo e no espaço A construção de instrumentos musicais contribui para o entendimento de questões referentes à produção do som e das suas qualidades além de estimular a pesquisa a imaginação e a capacidade criativa É uma atividade que pode constituir um projeto por meio do qual as crianças possam explorar e verificar materiais adequados para a sua confecção desenvolver recursos técnicos para a confecção do instrumento informarse sobre a origem e história do instrumento musical que está confeccionando vivenciar e entender questões relativas à acústica e produção do som fazer música por meio da improvisação ou composição Para viabilizar a confecção desses instrumentos o material deve ser selecionado higienizado organizado e depois colocado à disposição das crianças tais como sucatas e materiais recicláveis Também é interessante disponibilizar grãos pedrinhas sementes elásticos bexigas plásticos retalhos de panos fita crepe eou adesiva cola etc além de tintas e outros materiais destinados ao acabamento e decoração dos materiais criados Tão essencial quanto confeccionar os próprios instrumentos musicais e objetos sonoros é poder utilizálos e fazer música com eles 94 Música e o corpo A prática musical para bebês pode acontecer por meio de atividades lúdicas que muito contribuem para o desenvolvimento da sua percepção e atenção sem estimular a imitação gestual mecânica e estereotipada O professor pode cantar produzir sons vocais diversos por meio de imitação de vozes de animais ruídos batendo palmas e pés embalar os bebês e também dançar com eles As canções de ninar tradicionais os brinquedos cantados e rítmicos as rodas e cirandas os jogos com movimentos as brincadeiras com palmas e gestos sonoros corporais assim como outras produções do acervo cultural infantil podem estar presentes e são os conteudos a serem desenvolvidos BRASIL 1998 p 58 É importante brincar dançar e cantar com as crianças levando em conta suas necessidades de contato corporal e vínculo afetivo O gesto e o movimento estão conectados com o trabalho musical pois o corpo traduz em movimento os diferentes sons que percebe Os movimentos de flexão balanceio estiramento e os de locomoção como andar saltar correr saltitar galopear entre outros estabelecem relações diretas com os diferentes gestos sonoros A música e o brincar estão diretamente relacionadas ao longo da educação infantil Muitas brincadeiras têm como base canções tradicionais do folclore brasileiro que são transmitidas oralmente e aprendidas pelas crianças de forma natural fazendo parte de seu cotidiano Tais canções criam um reper tório cultural e que muito contribui para a formação musical das crianças Ao mesmo tempo essas brincadeiras também trazem a motricidade de forma ativa fazendo a criança vivenciar o ritmo a expressão corporal e a dança de forma lúdica e prazerosa além de proporcionar vivências em grupo Dança como expressão e desenvolvimento corporal perceptivo e espacial Ao brincar jogar imitar e criar ritmos e movimentos as crianças também se apropriam do repertório da cultura corporal na qual estão inseridas O trabalho com movimento envolve diversas funções do ato motor possibi litando o desenvolvimento de aspectos específicos da motricidade infantil abrangendo uma reflexão em relação às posturas corporais das atividades 95 cotidianas e das atividades voltadas para a ampliação da cultura corporal da criança BRASIL 1998 Cada cultura possui a sua forma de preservar os recursos expressivos do movimento havendo variações na importância dada às expressões faciais aos gestos e às posturas corporais bem como nos significados atribuídos a eles É significativa a influência que a cultura exerce sobre o desenvolvimento da motricidade infantil seja pelos diferentes significados que cada grupo atribui a gestos e expressões faciais ou pelos diferentes movimentos apren didos no manuseio de certos objetos da atividade cotidiana como pás lápis bolas de gude corda estilingue etc PEREIRA 2001 p 21 Dado o alcance que a questão motora assume na atividade da criança é importante que ao lado das situações plane jadas especialmente para trabalhar o movimento em suas várias dimensões a escola reflita sobre o espaço dado ao movimento em todos os momentos da rotina diária incor porando os diferentes significados que lhe são atribuídos pelos familiares e pela comunidade CARVALHEIRO 2010 p 2829 As atividades de movimentação corporal costumam ser atrativas para as crianças desde a mais tenra idade Podese partir de movimentações cotidianas como andar correr rolar saltar arremessar rodar entre outras ações ampliando assim o repertório de movimentos dos alunos No primeiro ano de vida da criança predomina a dimensão subjetiva do movimento Já o contato com os adultos e com outras crianças acontece por meio das emoções e esse contato afetivo caracterizado pelo contato corporal constitui uma significativa aprendizagem A criança imita o outro e cria suas próprias reações balança o corpo bate palmas vira ou levanta a cabeça etc Ao lado disso o bebê alcança grande conquista que antecede e o prepara para a locomoção ao sustentar o próprio corpo rolar sentar arrastar e engatinhar Crianças entre um e três anos aprendem a andar e se divertem com a própria locomoção de acordo com seu progressivo amadurecimento aperfei çoam o andar e se sentem seguras para correr e pular Nessa fase a criança começa a reconhecer a imagem de seu corpo o que ocorre principalmente por meio das interações sociais que estabelecem e das brincadeiras que fazem diante do espelho 96 Pesquise mais Conheça mais o trabalho de educação musical com bebês por meio do artigo Compartilhando um ambiente musical e afetivo com bebês das autoras Juliana Raniro e Ilza Zenker Leme Joly De acordo com o próprio texto o mesmo tem por objetivo destacar as relações afetivas estimuladas em aulas de musica oferecidas para um grupo de bebês de oito meses a dois anos e adultos acompanhantes Ao mesmo tempo ao abordar as formas de se compar tilhar ações nessa prática social sistematizamse informações sobre os processos educativos ocorridos entre os participantes RANIRO JOLY 2012 p 9 A dança é uma das manifestações da cultura corporal dos diferentes grupos sociais que está intimamente associada ao desenvolvimento das capacidades expressivas das crianças A aprendizagem por meio da dança não pode estar determinada pela marcação e definição de coreografias pelos adultos Brincadeiras de roda favorecem o desenvolvimento da noção de ritmo individual e coletivo introduzindo as crianças em movimentos próprios da dança Conhecer jogos e brincadeiras e refletir sobre os tipos de movimentos que os envolvem é muito importante para ajudar no desenvol vimento da sua motricidade No Brasil encontramos inúmeras danças folguedos brincadeiras de roda e cirandas que além de apresentar um caráter socializador e estético trazem para a criança a possibilidade de realização de movimentos de diferentes qualidades expressivas e rítmicas O trabalho musical a ser realizado na educação infantil é evidenciado na BNCC no campo de experiência Traços sons cores e formas A pesquisa sonora a experimentação vocal e instrumental a exploração de objetos sonoros e instrumentos musicais são práticas que instigam a curiosidade dos alunos e contribuem com o desenvolvimento do senso crítico e estético Ao participar de processos de criação e execução coletivos podese dizer que o trabalho musical se articula ainda com o campo O eu o outro e o nós A prática musical coletiva favorece percepções sobre si e sobre os outros contribuindo assim para a descoberta e valorização de sua identidade e do respeito perante à diversidade O trabalho com a dança está diretamente relacionado com o campo Corpo gestos e movimentos estimulando assim a conscientização sobre a 97 corporeidade De acordo com a BNCC as crianças conhecem e reconhecem as sensações e funções de seu corpo além de identificarem as suas potencia lidades e seus limites Ao vivenciar diferentes experiências coletivas a dança também favorece a articulação com o campo de experiência O eu o outro e o nós Figura 29 Atividades musicais em grupo Fonte iStock Sem medo de errar A música e a dança na educação infantil são um importante meio de inserção da cultura e do prazer O ensino dessas linguagens da arte envolve objetivos específicos das suas áreas além de trazer contribuições para o desenvolvimento e para formação da criança Esse ensino também propicia um aprendizado que possibilita o brincar O trabalho com a música e com a dança na educação infantil favorece o desenvolvimento corporal da criança e facilita a socialização Na situaçãoproblema apresentada vimos o receio do professor em trabalhar com as linguagens da música e da dança com a sua turma de educação infantil pois não entendia de música não tocava nenhum instru mento considerava sua voz muito grave e desafinada além de pensar que não apresentava habilidades corporais considerandose desajeitado para trabalhar a dança com os seus alunos Assim por achar que não tinha o dom para lecionar essas linguagens o professor logo desistiu da ideia A fim de desenvolver um trabalho explorando essas linguagens na educação infantil o professor deve fazer pesquisas e entender que a música e a dança acontecem em diferentes contextos expressivos e culturais que 98 envolvem entre outras coisas audições e brincadeiras que devem ser estimu ladas evitando comportamentos estereotipados e mecânicos Essa deve ser uma atividade que desperte na criança o gosto pela música e pela dança e na qual seja possível envolver vivências percepção e reflexão em níveis cada vez mais elaborados com propostas que respeitem as fases do desenvolvi mento infantil A integração entre música e brincadeiras é uma possibilidade de o corpo da criança explorar ritmos com as palmas batidas nas pernas pés e demais batimentos rítmicos improvisar cantar perceber as quali dades do som em altura graves e agudos duração sons curtos ou longos intensidade tocar forte ou fraco e timbre característica do som sem se preocupar com definições de notas musicais Além disso essa integração permite valorizar a cultura regional confeccionar instrumentos contextua lizar as atividades e produzir saberes A aprendizagem por meio da dança não deve ser marcada e coreografada com passos criados por adultos nem ter objetivo de apresentação para pais e comunidade É interessante que as crianças conheçam jogos e brincadeiras de roda e que possam refletir sobre os tipos de movimentos que envolvem essas práticas para desenvolverem uma motricidade harmoniosa e uma noção de ritmo individual e coletivo Avançando na prática Plano de aula sobre o campo de experiência Traços sons cores e formas Imagine que você começou a trabalhar com crianças entre 4 e 5 anos de idade e sua coordenadora pediu para você elaborar um plano de aula que abordasse o campo de experiência Traços sons cores e formas Como ainda não tem muita experiência na área você começou a pesquisar a BNCC para descobrir que tipo de vivências poderiam ser propostas a partir do campo de experiência em questão Resolução da situaçãoproblema A primeira estratégia a ser tomada seria ler as orientações presentes na Base Nacional Comum Curricular para a educação infantil e em seguida ler as informações referentes ao campo de experiência Traços sons cores e formas Após a leitura seria indicado pensar em atividades que estivessem ligadas aos sons traços gestos danças mímicas encenações canções 99 desenhos modelagens manipulação de diversos materiais e de recursos tecnológicos Para iniciar a proposta você poderia começar o seu plano de aula elaborando um objetivo voltado à linguagem musical vivenciar contrastes de andamento e intensidade Os conteúdos seriam andamento intensidade cantigas e percepção auditiva No desenvolvimento da ativi dade você poderia propor a execução de uma cantiga folclórica conhecida pelas crianças seguida do canto variando a intensidade ou seja primeiro todos cantariam a canção bem suave e em seguida cantariam bem forte O mesmo aconteceria ao trabalhar com as mudanças de andamento primeiro as crianças iriam cantar bem rápido e depois bem devagar Essas variações podem ser vivenciadas também por meio de movimentações corporais Faça valer a pena 1 De acordo com a BNCC BRASIL 2017 na Educação Infantil as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças têm como eixos estruturantes as interações e a brinca deira assegurandolhes os direitos de conviver brincar participar explorar expressarse e conhecerse O documento está estruturado ainda em cinco campos de experiências Enumere a segunda coluna de acordo com o campo de experiência correspondente I O eu o outro e o nós II Corpo gesto e movimento III Traços sons cores e formas IV Escuta fala pensamento e imaginação V Espaços tempos quantidades relações e transformações É na interação com os pares e com adultos que as crianças vão constituindo um modo próprio de agir sentir e pensar e vão descobrindo que existem outros modos de vida pessoas diferentes com outros pontos de vista As crianças desde cedo exploram o mundo por meio dos sentidos Por meio das diferentes linguagens como a música a dança o teatro as brincadeiras de faz de conta elas se comunicam e se expressam no entrelaçamento entre corpo emoção e linguagem As crianças conhecem e reconhecem as sensações e funções de seu corpo e com seus gestos e movimentos identificam suas potencialidades e seus limites Na educação infantil é importante promover experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir potencializando sua participação na cultura oral pois é na escuta de histórias na participação em conversas nas descrições nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social 100 As crianças se expressam por várias linguagens criando suas próprias produções artísticas ou culturais exercitando a autoria coletiva e individual com sons traços gestos danças mímicas encenações canções desenhos modelagens manipulação de diversos materiais e de recursos tecnológicos As crianças vivem inseridas em espaços e tempos de diferentes dimensões em um mundo constituído de fenômenos naturais e socioculturais Desde muito pequenas elas procuram se situar em diversos espaços rua bairro cidade etc e tempos dia e noite hoje ontem e amanhã etc Assinale a alternativa correta a I II III IV V b I II III V IV c I II IV III V d II I IV III V e II III IV I V 2 A música está presente em diferentes contextos e situações É através destes que as crianças entram em contato com a cultura musical Para que o conhecimento dessa linguagem ocorra de modo significativo é necessário explorar propostas que respeitem as fases do desenvolvimento infantil para garantir à criança a vivência da música em um exercício sensível e expressivo para que haja o desenvolvimento de habilidades formulação de hipóteses e de elaboração de conceitos Considerando o texto e a forma como ocorre o processo de musicalização infantil leia as afirmações apresentadas escreva V para as afirmações verdadeiras e F para as falsas e assinale a alternativa correta Em bebês a expressão musical é caracterizada pela despretensão dos aspectos intuitivos e afetivos e pela subtração sensóriomotora dos materiais sonoros Por volta dos três anos de idade para a criança os jogos com movimentos sinto nizados com a música possibilitam o desenvolvimento motor e rítmico Aos poucos ela domina a entonação melódica memoriza um repertório de canções e cria e utiliza as canções que inventa As crianças entre quatro e seis anos podem compor pequenas canções com instrumentos musicais com estruturas definidas sem sofrer variações a cada inter pretação A imitação é a base da interpretação Por meio de sons vocais corporais ou produzidos por instrumentos musicais as crianças preparamse para interpretar quando então criam expressivamente 101 É importante proporcionar oportunidades de apreciação com músicas regio nais do país e as de tradição popular para resgatar e aproximar as crianças dos valores musicais da nossa cultura e as de outros países para o entendimento de que a linguagem musical está presente em todas as culturas com marcas de cada criador cada povo cada época Com relação às assertivas anteriores assinale a sequência correta a F V V V b V V F V c F V F F d F V F V e V F V V 3 Explorar movimentos gestos sons formas texturas cores palavras emoções transformações relacionamentos histórias objetos elementos da natureza na escola e fora dela ampliando seus saberes sobre a cultura é um dos direitos de aprendi zagem e desenvolvimento para a educação infantil na BNCC Leia as afirmações relacionadas à música e à dança na educação infantil e enumere a segunda coluna de acordo com a primeira I Música e corpo II Dança e expressão corporal III Instrumentos musicais IV Musicalização A sua construção é de grande importância e contribui para o entendimento de questões elementares referentes à produção do som e suas qualidades estimula a pesquisa a imaginação e a capacidade criativa Brincar de roda ciranda pular corda são maneiras de estabelecer contato consigo próprio e com o outro de trabalhar com formas musicais que se apresentam em cada canção e em cada brinquedo É um processo educativo que visa garantir à criança a possibilidade de vivenciar a música em um exercício sensível e expressivo com condições para o desenvolvi mento de habilidades formulação de hipóteses e de elabo ração de conceitos É um trabalho que envolve diversas funções do ato motor possibilitando o desenvolvimento de aspectos específicos da motricidade infantil abrangendo uma reflexão em relação às posturas corporais das atividades cotidianas e das atividades voltadas para a ampliação da cultura corporal da criança 102 Associe as colunas e depois assinale a alternativa correta a III IV I II b IV III II I c IV II III I d III II IV I e III I IV II Referências BRASIL Ministério da Educação Base Nacional Comum Curricular Educação Infantil e Ensino Fundamental Brasília MECSecretaria de Educação Básica 2017 BRASIL Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional Diário Oficial da República Federativa do Brasil Brasília DF 23 dez 1996 Disponível em httpwwwplanaltogovbrccivil03leisl9394htm Acesso em 30 maio 2019 BRASIL Ministério da Educação e do Desporto Secretaria de Educação Fundamental Referencial curricular nacional para a educação infantil v 3 Brasília MECSEF 1998 BRASIL Ministério da Educação Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil v 3 1998 Disponível em httpportalmecgovbrsebarquivospdfvolume3pdf Acesso em 30 maio 2019 BRASIL Ministério da Educação Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais arte 2 ed Rio de janeiro DPA EDITORA 2000 BRASIL Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros curriculares nacionais arte Secretaria de Educação Fundamental Brasília MECSEF 1997 CARVALHEIRO A R Psicomotricidade na educação infantil o corpo como facilitador do desen volvimento social e afetivo da criança de 0 a 3 anos 2010 52 f Monografia Especialização em psico motricidade Instituto A vez do Mestre Universidade Candido Mendes São Paulo 2010 DERDYK E Formas de pensar o desenho desenvolvimento do grafismo infantil São Paulo Scipione 2004 FARIAS S C B Condições de trabalho com teatro na rede pública de ensino sair de baixo ou entrar no jogo Urdimento Revista de Estudos em Artes Cênicas Florianópolis UDESC CEART dez 2008 FERRAZ M H C de T FUSARI M F de R Metodologia do ensino de arte São Paulo Cortez 1993 FERRAZ Metodologia do ensino de arte São Paulo Cortez 1993 FERREIRA S org O ensino das artes construindo caminhos Campinas Papirus 2001 FERREIRO E TEBEROSKY A Psicogênese da língua escrita Porto Alegre Artmed 1999 FONTERRADA M T de O A educação musical no Brasil algumas considerações In ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIACÃO BRASILEIRA DE EDUCACÃO MUSICAL 2 1993 Porto Alegre Anais Porto Alegre ABEM 1994 p 6983 FUSARI M F de R FERRAZ M H C T Arte na educação escolar 2 ed São Paulo Cortez 2001 KISHIMOTO T M org Jogos brinquedo brincadeira e a educação São Paulo Cortez 1996 KOUDELA I D Jogos teatrais São Paulo Perspectiva 1992 LIMA G P SANTANNA V L L A música na educação infantil e suas contribuições 2015 Disponível em Acesso em 30 maio 2019 MELO N N M M et al A importância da música para o desenvolvimento da criança de educação infantil 2009 Disponível em httpupedagogasblogspotcom200903contribui caodamusicaparao21html Acesso em 30 maio 2019 OSTROWER F Universos da arte Rio de Janeiro Campus1990 PEREIRA D R Do gato da escola a Portinari In DAVID C GUIMARÃES G org Pedagogia cidadã cadernos de formação vivências artísticas e pedagógicas São Paulo UNESP 2004 PEREIRA F C A educação física psicomotora e fisioterápica manual de instrução do corpo humano 2001 Disponível em Acesso em 30 maio 2019 PIAGET J A formação do símbolo na criança imitação jogo e sonho imagem e representação Tradução de Álvaro Cabral e Cristiano Monteiro Oiticica 3 ed Rio de Janeiro LTC 2009 PILLAR A D P Fazendo artes na alfabetização Porto Alegre Kuarup 1988 PILLAR Acasos e criação artística 2 ed Rio de Janeiro Campus 1995 PORTELINHA A M S A educação infantil no contexto das discussões da base nacional comum curricular Temas matizes Cascavel v 11 n 20 p 30 43 janjun 2017 Disponível em httpsbitly30UGGJn Acesso em 30 maio 2019 RANIRO J JOLY I Z L Compartilhando um ambiente musical e afetivo com bebês Música na Educação Básica Londrina v4 n 4 nov 2012 Disponível em httpsbitly2Z4GJk1 Acesso em 31 maio 2019 REVERBEL O Jogos teatrais na escola São Paulo Scipione 1996 REVERBEL O Um caminho do teatro na escola São Paulo Scipione 1997 SILVA F R L Elementos da Pedagogia Teatral em Oficinas para jovens privados de liber dade Disponível em httpseven3azureedgenetanais31858pdf Acesso em 30 maio 2019 SOUZA E C A importância do lúdico na aprendizagem Disponível em httpwww2seduc mtgovbraimportanciadoludiconaaprendizag1 Acesso em 30 maio 2019 SOUZA V M R Encantos do teatro na educação infantil Revista Eventos Pedagógicos v 6 n 2 15 ed número regular p 209217 junjul 2015 Disponível em httpsinopunematbr projetosrevistaindexphpeventosarticleview18311436 Acesso em 30 maio 2019 SOUZA V M R Jogos teatrais na sala de aula um manual para o professor São Paulo Perspectiva 2008 SPOLIN V Improvisação para o teatro São Paulo Perspectiva 1992 SPOLIN V Jogos Teatrais na Sala de Aula Tradução Ingrid Dormien Koudela São Paulo Editora Perspectiva 2008 Unidade 3 Tatiane Mota Santos Jardim Luciana Silva Batalha A arte e o ensino fundamental Convite ao estudo No ensino fundamental segundo a Base Nacional Comum Curricular o componente curricular arte está centrado nas linguagens das artes visuais teatro música e dança que articulam saberes e envolvem as práticas de criar ler produzir construir exteriorizar e refletir sobre formas artísticas De acordo com a BNCC as artes visuais referemse aos processos e produtos artísticos e culturais presentes nos diversos tempos históricos e contextos sociais que contam com a expressão visual como elemento de comunicação Elas possibilitam a exploração de múltiplas culturas visuais favorecem o diálogo sobre as diferenças e o conhecimento de outros espaços bem como possibilidades inventivas e expressivas Nesta unidade você estudará aspectos relevantes do ensino e da aprendi zagem da arte no ensino fundamental por meio das quatro linguagens artís ticas Na primeira seção trabalharemos os conteúdos que se relacionam com as artes visuais Já na segunda seção você verá como acontece o ensino do teatro E por fim na terceira seção abordaremos o ensino da música e da dança Para tal em primeiro lugar iremos analisar a situação de um professor ao trabalhar com o ensino das artes visuais João o professor de arte da escola Ipê Amarelo vai atuar junto a classes de ensino fundamental Ele deverá trabalhar os conteúdos relativos ao campo das artes visuais teatro música e dança João preocupase com o trabalho a ser desenvolvido dada a abordagem exigida para além das artes visuais uma vez que não domina as demais áreas ainda que tenha tido contato com as principais referências do teatro da dança e da música na faculdade Além disso os recursos disponíveis na escola não são os mais atualizados e os alunos demonstram pouco interesse pela disciplina interpretandoa mais como um momento de descontração do que como um espaço de aprendizagem e de reflexão Outra dificuldade a ser enfrentada é a escassez de materiais adequados para o trabalho com as diferentes áreas da arte Nesse sentido como o professor João pode desenvolver um trabalho adequado e motivador junto aos alunos considerando a sua formação e as condições apresentadas A presente unidade trará abordagens do ensino de arte para o ensino fundamental tendo em vista os objetivos a serem alcan çados e a dinâmica a ser desenvolvida frente a eles Ao finalizar essa unidade você deverá ser capaz de elaborar um plano de ensino de arte para o ensino fundamental ou um projeto para atuação em ambientes não formais Sendo assim convido você a se dedicar a mais essa etapa de seus estudos 109 Seção 1 Artes visuais no ensino fundamental Diálogo aberto Nesta seção estudaremos os conteúdos referentes às artes visuais o ensino e a aprendizagem do desenho o desenvolvimento da pintura com diferentes materiais e a produção de materiais de pintura o recorte a colagem e outros materiais na criação de linguagens visuais e como se realiza a observação das obras de arte desenho pintura escultura instalação Estamos analisando a situação de João um professor de arte de 7 ano que dispõe de recursos limitados para o desenvolvimento do trabalho além de uma deficiência na formação na área do teatro da música e da dança João havia pensado em uma aula que trabalhasse o estudo do desenho com base na observação de imagens de desenhos feitos a partir de diferentes técnicas Contudo ao chegar para a aula deparouse com o fato de que o data show da escola não funcio nava há algumas semanas e o único que a escola possuía estava quebrado Diante da situação João propôs uma atividade de artes visuais com o uso de recortes colagens e pinturas além de cópias de imagens que ele rapidamente pesquisou em alguns livros antigos disponíveis na escola As cópias foram feitas com o uso da fotocopiadora da escola por isso ficaram manchadas e escuras o que desagradou os alunos Mesmo assim o professor as distri buiu e pediu para que as imagens fossem coloridas com lápis de cor e que fosse feita uma colagem no mesmo desenho a partir de folhas de revistas Os alunos se mostraram desmotivados o que gerou inquietação na turma que passou a conversar e apresentar pouco empenho na atividade Diante disso como você atuaria para tornar a aprendizagem mais significativa e motiva dora para essa turma junto aos conteúdos de artes visuais Para resolver essa questão é relevante atentarse ao conteúdo desta seção especialmente no que se refere ao ensino e à aprendizagem do desenho aos modos de se trabalhar com recorte colagem entre outros materiais na criação de lingua gens visuais assim como atentarse aos modos de se trabalhar com pintura Não pode faltar Ensino e aprendizagem do desenho O desenho é uma forma de expressão que faz parte da história da humani dade desde os primórdios quando nossos ancestrais faziam registros de 110 cenas do cotidiano nas paredes das cavernas antes mesmo de desenvolver uma linguagem oral e escrita sistematizada Edith Derdyk 1989 afirma que o desenho é um modo de expressão do pensamento no qual a imaginação encontrase com a realidade Segundo a autora o desenho estimula a criança a explorar a própria imaginação e a capacidade de criar além de incitar diferentes estímulos mentais como simbolizar e representar os objetos sentimentos ou ações Explorando o desenho a criança expressa seu conhecimento de mundo No processo de ensino e de aprendizagem em arte é importante oferecer recursos para que a criança construa o próprio desenho envolvendo a percepção a imaginação a reflexão e a sensibilidade Segundo Alexandroff 2010 muitos autores estudaram sob diferentes enfoques a questão do desenho infantil entre eles Ana Angélica Albano Moreira Analice Dutra Pillar Florence de Méredieu Jean Piaget Liliane Lurçat Luquet Luria Victor Lowenfeld e Lev Vygotsky entre outros Esses estudiosos reconhecem haver determinadas fases etapas ou períodos que são comuns aos sujeitos em processo de apropriação do desenho enquanto sistema de representação O desenvolvimento do desenho da criança também se relaciona com o desenvolvimento da escrita pois por meio dele a criança expressa sua visão de mundo sendo a primeira representação gráfica produzida por ela Sobre isso Louis Porcher afirma Os desenhos infantis são portanto palavras ao desenhar a criança expressa coisa diferente do que sua inteligência ou nível de desenvolvimento mental uma espécie de projeção da sua própria existência e da dos outros ou melhor da maneira pela qual se sente existir e sente os outros existirem PORCHER 1982 p 108 A prática do desenho não se desenvolve de forma espontânea seu conteúdo deve ser planejado e sistematizado o professor deve conhecer essa linguagem como forma de expressão para proporcionar ao aluno desafios e aprendizagens Devese evitar oferecer desenhos prontos estereotipados ou xerocados que geralmente apresentam o objetivo de colorir espaços e não proporcionam o desenvolvimento de conhecimentos na área além de impedirem a criança de valorizar a própria produção artística O desenho de observação é um importante instrumento para o desenvol vimento do olhar e da aprendizagem artística Ele deve ser constantemente 111 estimulado pois com esse exercício o aluno observa compara reconhece formas por meio da própria ação e percebe a complexidade dessa experiência Ao desenvolver o desenho de observação o aluno desconstrói as formas mentais préconcebidas que se relacionam à própria prática do desenho sem orientação como o condicionamento de construção de formas estereoti padas por exemplo a mesma construção de desenho sempre que solicitada de casa de cadeira de árvore entre outros resultando em um desenho que fica preso a uma única forma de representação O importante é o aluno se libertar dessas formas estereotipadas educando o próprio olhar soltando o próprio traço e reconhecendo que o processo de desenvolvimento de desenhos envolve acertos e erros conforme a estrutura do desenho vai se aperfeiçoando obedecendo distribuição das formas no espaço proporção enquadramento relações entre as linhas e os volumes por meio da obser vação e também das condições de imaginação e criação em desenho que vão sendo desenvolvidas Exemplificando O desenho é um importante meio de expressão Derdyk 1989 p 2429 descreve Seja no significado mágico que o desenho assumiu para o homem das cavernas seja no desenvolvi mento do desenho para construção de maquinários no início da era industrial seja na sua aplicação mais elaborada para o desenho industrial e a arquitetura seja na função de comunicação que o desenho exerce na ilustração na história em quadrinhos o desenho reclama a sua autonomia e sua capacidade de abran gência como meio de comunicação expressão e conhecimento O desenho é uma atividade que se desenvolve gradativamente e evolui de acordo com as fases do desenvolvimento da criança Nesse contexto o professor deve conhecer essa linguagem e estar preparado para orientar propostas que favoreçam a ação educativa 112 Figura 31 O desenho Fonte httpc1peakpxcomwallpaper24078038kidsplayingwritingdrawingcarpetwallpaperjpg Acesso em 12 ago 2019 Desenvolvimento da pintura com diferentes materiais e produção de materiais de pintura A pintura é uma expressão artística em que é possível explorar diversos tipos de superfícies como papel tela ou parede envolvendo vários tipos de materiais para a sua aplicação Tratase de uma linguagem particular das artes visuais que apresenta várias possibilidades para que o aluno se expresse De acordo com Richter 2014 p 68 a pintura pode ser considerada ação e reflexão sobre a ação de pintar ou seja um poderfazer como processo estrutural que supõe uma coordenação de operações mentais e manuais Essas experiências aguçam os sentidos e contribuem com o desenvolvimento da percepção A questão do preparo do professor para desenvolver um trabalho pedagó gico com as linguagens da arte é primordial para criar mecanismos de ensino e resultar em aprendizagens significativas para os alunos A escola é um dos espaços por onde o conhecimento passa e muitas vezes o único lugar em que o aluno terá oportunidade de vivenciar os conteúdos em qualquer área do conhecimento A desmotivação do aluno quanto à própria participação nas propostas nas aulas pode ocorrer pelo fato de o professor não ter sido prepa rado adequadamente para exercer o papel como mediador Frequentemente o professor ensina da mesma forma como aprendeu reproduzindo padrões que nada acrescentam no contexto do ensino da arte A produção de pintura na escola geralmente se relaciona com cópia ou releitura de obras de arte que ainda que seja uma ferramenta didática para explorar os elementos formais das artes visuais como o ponto a linha a forma a cor a textura entre outros a sua prática não deve ser tão limitada É importante destacar que 113 quando falamos em releitura nos referimos à ação de recriar determinada obra de arte sem a intenção de copiála Releitura é ler novamente recriar transformar a composição artística sem a ideia de reproduzila como a obra original Sobre isso Rangel nos diz O produto final da releitura pode levar ou não ao reconheci mento da obra escolhida Reler é interpretar a obra é colocar sua visão do mundo suas críticas sua linguagem e suas experi ências sobre a obra escolhida É como uma musica que pode ser cantada por vários intérpretes Ela foi elaborada por um compositor mas ganha diferentes versões a cada vez que é efetuada pelo intérprete RANGEL 20042005 p 18 A produção de pintura também pode acontecer independentemente da produção de uma releitura Os alunos podem expressar suas ideias e senti mentos por exemplo a partir das imagens que criarem o que vai depender do planejamento e da sistematização da aula A aula de pintura pode ser estimu lada e conduzida para ampliar a criatividade do aluno de forma que explore diferentes materiais e texturas e evite atividades soltas conhecidas como ativi dades livres essa prática não deve ser uma constante na qual os alunos traba lham sem orientação Se possível indicase disponibilizar materiais diversifi cados explorando possibilidades de utilização com texturas e cores diferentes As tintas podem ser misturadas e aplicadas sobre a superfície com os dedos com esponjas com pincéis com carimbos São inúmeras as possibili dades de os alunos interagirem com materiais instrumentos e procedimentos em pintura As tintas além das industrializadas também podem ser produ zidas em sala de aula com elementos vindos da natureza a partir de corantes industrializados e com outros materiais que viabilizem a sua produção Um processo de pesquisa pode ser realizado em sala de aula para que os alunos façam descobertas nessa área Durante o processo é interessante que os alunos possam observar as produções dos colegas estabelecendo uma relação de respeito com a própria produção e com a produção dos outros Pesquise mais Conheça um pouco mais sobre as possibilidades de trabalho relacionadas às artes visuais e leia a reportagem A tinta que vem da natureza que apresenta receitas de tintas que podem ser produzidas com produtos naturais A TINTA que vem da natureza Nova Escola Sl 1 out 2007 114 Figura 32 Desenvolvimento da pintura Fonte Pixabay Recorte colagem e outros materiais na criação de linguagens visuais Ainda em artes visuais podemos utilizar o recorte e a colagem como recurso para criar trabalhos artísticos uma técnica que possibilita a criação de variadas composições É possível colar materiais diversos sobre um suporte papel tela papelão plástico entre outros que podem ser pedaços de papel ou tecido jornal folhas de revista folhas secas botões etc Colando objetos entre si é possível produzir esculturas conforme Coll e Teberosky afirmam Uma maneira interessante de trabalhar com colagem consiste em cortar ou rasgar formas de figuras de cores e texturas variadas Começase recolhendo papéis papelões e tecidos de texturas e cores diferentes Podem ser empre gados muitos tipos de papel lisos rugosos brilhantes grossos finos As fotografias das revistas são muito uteis porque têm uma grande quantidade de cores diferentes COLL TEBEROSKY 2004 p 64 A técnica do mosaico adaptada para produções artísticas escolares é um tipo de colagem em que é possível utilizar materiais diversos como sementes pedaços de papel e de outros materiais que quando dispostos juntos formam uma figura Os papéis podem ser cortados com o auxílio da tesoura rasgados 115 com as mãos ou mesmo serem colados da forma em que se encontram essa percepção pode fazer parte do processo criativo do aluno ou orientado pelo professor conforme a proposta da atividade Em artes visuais o recorte e a colagem são trabalhos muito explorados na educação infantil pois auxiliam no desenvolvimento da motricidade e na visão espacial Contudo nada impede que essa técnica seja explorada até o final da educação básica até mesmo na produção de trabalhos com técnica mista em que é possível misturar pintura ou outro tipo de técnica com recorte e colagem A pintura sempre foi considerada a mais nobre das artes enquanto a colagem uma atividade para crianças Nas artes visuais também podemos produzir gravuras artes gráficas cinema vídeo fotografia e novas tecnologias Da mesma forma a escultura a arquitetura a moda a instalação a decoração o paisagismo e o web design são considerados artes visuais A produção em artes visuais também permite o uso de objetos e bens industriais que podem parcial ou integralmente se transformar em lixo Pensar em produções que reutilizem embalagens garrafas plásticas caixa de ovos copos de iogurte entre outros objetos além de ser um desafio para os estudantes é uma forma de reciclar o lixo e de reaproveitar materiais descar tados uma solução criativa para o problema do lixo em nosso planeta Reflita As artes visuais em seu contexto de ensino apresentam formas tradicio nais como desenho pintura colagem e formas que resultam do avanço da tecnologia como a fotografia as artes gráficas e a computação Como é possível ensinar arte nesse contexto de mudanças e de avanços tecnológicos Você considera relevante utilizar as novas tecnologias no ensino das artes visuais Figura 33 Recorte e colagem Fonte Pixabay 116 Observação das obras de arte desenho pintura escultura instalação A observação da obra de arte é uma das atividades do ensino da arte A fruição é uma das dimensões do conhecimento presente na BNCC e referese à ação de apreciar de observar de ler a obra interpretando e atribuindo significados a ela Vale lembrar que a mediação do ensino da arte também inclui outros saberes valores e conceitos que integram a cultura a sua diversidade e as trans formações tecnológicas A observação das obras de arte acontece no campo da fruição e nesse contexto o aluno deve integrar a percepção a imaginação e a compreensão com a aprendizagem formar ideias a respeito da produção histórica da própria produção e da dos outros De acordo com Gabre 2016 a apreciação referese ainda à produção de sentido que as crianças desenvolvem no contexto com a obra de arte e com suas próprias produções No contexto das artes visuais é importante saber buscar meios para realizar observações das obras como forma de aprender a explorar essa linguagem e desenvolver uma atitude crítica e reflexiva ao mesmo tempo Conforme Barbosa 2008 p 1819 defende A necessidade de alfabetização visual vem confirmando a importância do papel da Arte na Escola A leitura do discurso visual que não se resume apenas à análise de forma cor linha volume equilíbrio movimento ritmo mas principal mente é centrada na significação que esses atributos em diferentes contextos conferem à imagem é um imperativo da contemporaneidade Os modos de recepção da obra de Arte e da imagem ao ampliarem o significado da própria obra a ela se incorporam Não se trata mais de perguntar o que o artista quis dizer em sua obra mas o que a obra nos diz aqui e agora em nosso contexto e o que disse em outros contextos históricos a outros leitores A dimensão crítica presente na BNCC possui estreita relação com as refle xões realizadas já que se refere às impressões que impulsionam os sujeitos em direção a novas compreensões do espaço em que vivem com base no estabelecimento de relações entre as diversas experiências e manifestações artísticas e culturais vividas e conhecidas Dessa forma é possível entender que a observação da obra de arte seja ela uma produção bidimensional ou tridimensional seja uma obra clássica ou contemporânea não se restringe ao entendimento do objetivo ou da 117 forma da produção mas vai além buscando entender o seu contexto subje tivo conforme Barbosa 2008 p 7172 aponta A educação estética tem como lugar privilegiado o ensino de Arte entendendo por educação estética as várias formas de leitura de fruição que podem ser possibilitadas às crianças tanto a partir do seu cotidiano como de obras de Arte Compreender o contexto dos materiais utilizados das propostas das pesquisas dos artistas é poder conceber a Arte não só como um fazer mas também como uma forma de pensar em e sobre Arte A observação de obra de arte consiste em entender e atribuir significado à obra em questão compreender as expressões formais e simbólicas Cabe destacar que a compreensão da obra se relaciona com o repertório cultural daquele que a observa Nesse sentido o professor não ensina como ler pois não há uma leitura como a mais correta há atribuições de sentidos constru ídas pelo leitor em função das informações e dos seus interesses no momento BARBOSA 2008 p 81 É importante destacar ainda que a BNCC apresenta os seguintes objetos de conhecimento no campo da dança Contextos e práticas Elementos da linguagem Processos de criação Entre as habilidades a serem desenvolvidas estão Pesquisar e analisar diferentes formas de expressão representação e encenação da dança reconhecendo e apreciando composições de dança de artistas e grupos de diferentes épocas Explorar elementos constitutivos do movimento cotidiano e do movimento dançado abordando criticamente o desenvolvimento das formas da dança em sua história tradicional e contemporânea Experimentar e analisar os fatores de movimento tempo peso fluência e espaço como elementos que combinados geram as ações corporais e o movimento dançado Investigar e experimentar procedimentos de improvisação e criação do movimento como fonte para a construção de vocabulários e reper tórios próprios 118 Investigar brincadeiras jogos danças coletivas e outras práticas de dança de diferentes matrizes estéticas e culturais como referência para a criação e a composição de danças autorais individualmente e em grupo Analisar e experimentar diferentes elementos figurino iluminação cenário trilha sonora etc e espaços convencionais e não convencio nais para composição cênica e apresentação coreográfica Discutir as experiências pessoais e coletivas em dança vivenciadas na escola e em outros contextos problematizando estereótipos e preconceitos Assimile Para realizar a observação de uma obra de arte não existe uma metodo logia unica ou considerada como ideal a ser seguida o importante é que ao fazer a leitura da obra exista a construção de conhecimentos e que seja possível contextualizála entender as ideias e os sentimentos ali expressos o que a obra pode nos dizer diante do contexto em que se insere e em que se apresenta Sem medo de errar Pensar na qualidade do material que será oferecido para o aluno seja para apreciar ou para produzir algum tipo de trabalho também faz parte do planejamento da aula Relembre aqui a situaçãoproblema que estamos analisando um professor de arte do 7o ano propôs uma atividade de artes visuais usando recortes colagens e pinturas Assim ele entregou para os alunos cópias de imagens que ele mesmo havia pesquisado Porém as cópias eram de péssima qualidade e estavam manchadas e escuras Diante disso ele pediu para que os alunos colorissem as imagens com lápis de cor e que usassem folhas de revista para completar o trabalho com recortes e colagem O professor João poderia ter pensado em outra metodologia planejando com mais antecedência e verificado os recursos disponíveis na escola Cabe uma reflexão sobre a necessidade de utilizar imagens prontas para aulas de artes visuais junto a alunos do ensino fundamental Será que para atingir o objetivo do trabalho os alunos poderiam criar imagens por meio de desenhos recortes e pinturas Essas imagens poderiam ser contextualizadas estar em acordo com algum tema fundamentado em algum tempo histórico e então os alunos teriam a oportunidade de observar imagens de obras produzidas por artistas seja no passado seja na contemporaneidade 119 O professor poderia oferecer outros materiais para pintura como diversas qualidades de tintas e giz de cera O material para produzir colagens poderia ser papéis coloridos de diversas características e texturas Os suportes para o trabalho poderiam extrapolar o tamanho A4 de um sulfite e seu formato poderia ser irregular e não apresentar um formato no padrão retangular Avançando na prática Possibilidades de trabalho com o desenho Você começou a trabalhar como professora de arte para os anos iniciais do ensino fundamental em uma escola privada e percebeu que a professora que trabalhava anteriormente com as turmas costumava dar várias folhas xerocadas com desenhos que apresentam apenas o contorno das imagens para que as crianças pudessem colorir As crianças acabaram se acostumando com esse tipo de prática e deixaram de realizar seus próprios desenhos Quais estratégias você poderia utilizar para que os alunos tenham interesse em realizar atividades voltadas ao desenho Resolução da situaçãoproblema Para trabalhar o desenho com as crianças é importante apresentar imagens variadas de acordo com o assunto tratado construindo assim um repertório imagético Por exemplo se irá trabalhar o tema moradia com as crianças é importante apresentar a imagem de vários tipos de casas casas pequenas grandes de dois andares casas de madeira de alvenaria aparta mentos etc Desse modo as crianças terão referências sobre o desenho a ser realizado e poderão criar a partir do repertório imagético que elas possuem É possível trabalhar nos anos iniciais do ensino fundamental com o desenho livre em que a criança é convidada a desenhar livremente com o desenho de observação em que a criança irá observar um determinado modelo tentando reproduzir as características da imagem observada com o desenho cego que é uma forma de desenhar a partir da memória das crianças e com o desenho com fitas e linhas em que a criança elabora desenhos utilizando fitas e linhas A partir dos resultados das atividades você pode pensar em outras estratégias para instigar o interesse das crianças pelo desenho 120 Faça valer a pena 1 A criança desenha entre outras tantas coisas para diver tirse É um jogo onde não existem companheiros a criança é dona de suas próprias regras O desenho é o palco de suas emoções a construção do seu universo particular O desenho manifesta o desejo da representação mas também o desenho antes de tudo é medo é opressão é alegria é curiosidade é afirmação é negação Ao desenhar a criança passa por um intenso processo vivencial e existen cial DERDYK 1994 p 50 Leia as afirmações relacionadas ao desenho e assinale a alternativa correta I O desenho estimula a criança a explorar a própria imaginação e a capacidade de criar além de incitar diferentes estímulos mentais II O desenvolvimento do desenho não possui qualquer relação com o desen volvimento da escrita III A prática do desenho se desenvolve de forma espontânea IV Os desenhos prontos estereotipados ou xerocados que geralmente apresentam o objetivo de colorir espaços referemse à prática de desenhos de observação Está correto o que se afirma em a Somente na afirmativa I b Somente nas afirmativas I e II c Somente nas afirmativas I e III d Somente nas afirmativas II e III e Somente nas afirmativas II e IV 2 O ensino das artes visuais envolve conteúdos e experiências relacionados ao uso de materiais suportes técnicas e instrumentos como recursos expressivos experi mentação dos diferentes meios da sua linguagem como pintura desenho recorte colagem entre outros além da leitura da sua estrutura Nesse contexto analise as atividades propostas a seguir com as suas referidas descrições I Desenho 121 II Pintura III Recorte e colagem IV Observação de obras de arte É uma linguagem das artes visuais em que é possível explorar diversos tipos de superfícies como papel tela ou parede para ser produzida somado ao experimento de vários tipos de materiais para a sua aplicação É um importante meio de expressão seja no significado mágico que assumiu para o homem préhistórico seja no seu desenvolvimento para construção de maquinários na era industrial ou na sua aplicação mais elaborada na indústria e na arquitetura Reivindica a sua abrangência como meio de comunicação de expressão e de conhe cimento O importante é que ao fazêla seja possível promover a construção de conhe cimentos e contextualizações entender as ideias e os sentimentos ali expressos buscando modos distintos na sua execução É uma técnica muito explorada na educação infantil por auxiliar no desenvolvi mento de várias habilidades mas pode ser aplicada até o final da educação básica É uma técnica que pode explorar os limites da sua definição e ser usada em produções de técnica mista Assinale a alternativa que apresenta a resposta em sua sequência correta a III I IV II b II III IV II c I II III IV d II I IV III e III IV I II 3 Richter 2014 afirma que brincando com tintas cores pinceis rolos a criança explora não apenas o mundo material e cultural à sua volta como também expressa e comunica sensações sentimentos fantasias sonhos e ideias tanto por meio de imagens quanto por meio de palavras Leia as afirmações apresentadas escreva V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas e assinale a alternativa correta V A técnica do mosaico adaptada para produções artísticas escolares referese a um tipo de colagem em que é possível utilizar materiais diversos como sementes pedaços de papel e de outros materiais que quando dispostos juntos formam uma figura 122 F A técnica do mosaico adaptada para produções artísticas escolares se referem a uma nova produção baseada em uma obra de arte já existente V O recorte e a colagem podem auxiliar no desenvolvimento da motricidade e na visão espacial mas podem ser exploradas também na produção de trabalhos com técnica mista A sequência correta é a V V V b V F V c V F F d F F V e F V F 123 Seção 2 Teatro no ensino fundamental Diálogo aberto Nesta seção estudaremos as diferenças e similaridades entre contação de história e encenação teatral Faremos uma reflexão sobre o desenvolvimento da memória a partir da encenação sobre a questão da expressividade em cena e sobre a preparação de peças teatrais no ensino fundamental I e II No contexto desse ensino seria interessante considerar Qual a sua familiaridade com o teatro Com que frequência costuma frequentar o teatro Já viveu alguma experiência no palco Como foi Em sua escola na sua época de ensino fundamental houve algum estímulo para que se tornasse um espectador de teatro A ida ao teatro pode ser uma excelente experiência de aquisição de conhe cimentos e de contato com a cultura Um aluno do 7o ano perguntou ao professor João se a sua turma poderia fazer uma peça de teatro e apresentar para a escola Ele comentou com o professor que um colega de outra escola que fazia teatro nas aulas de artes tinha se tornado mais comuni cativo estava lendo e falando melhor O professor João por sua vez alegou saber que deveria trabalhar em suas aulas com outras linguagens artísticas mas que priorizava as artes visuais porque a escola não oferecia estrutura física adequada para o desenvolvimento de outras linguagens No lugar do professor João como você poderia pensar a proposta do aluno considerando a ausência de recursos na escola para o desenvolvimento de um projeto com a linguagem teatral Para resolver essa questão é interessante considerar os conteúdos desta seção especialmente no que se refere à preparação de peças teatrais para crianças do ensino fundamental I e II É muito importante que você estude mais sobre o assunto e que também possa frequentar espetáculos teatrais participar mais de eventos culturais Quando estiver lecionando aproveite as oportunidades para levar seus alunos ao teatro além de trabalhar com essa linguagem em sala de aula Aproveite também para descobrir as várias instituições culturais e museus de sua cidade Pode haver algum espaço cultural próximo à escola onde leciona algum grupo de teatro que trabalhe nas periferias Procureos traga o grupo para dentro da escola compartilhe experiências 124 Não pode faltar Contação de história X Encenação teatral Contar histórias é uma prática do ser humano que marca o início do desenvolvimento de suas habilidades de comunicação e fala Na contação de histórias os momentos de união trocas de experiências preservação das culturas entres outros são promovidos pelo despertar das emoções interesses expectativas imaginação e outras maneiras de expressão transmi tidas por ideias e valores A contação de história é uma prática que quando aplicada no contexto escolar incentiva o gosto pela leitura contribui para o desenvolvimento da oralidade da imaginação e da criatividade transmite conhecimentos e valores Como explica Antunes e Rodrigues 2007 p 4 A contação de histórias é atividade própria de incentivo à imaginação e o trânsito entre o fictício e o real Ao preparar uma história para ser contada tomamos a experiência do narrador e de cada personagem como nossa e ampliamos nossa experiência vivencial por meio da narrativa do autor Os fatos as cenas e os contextos são do plano do imagi nário mas os sentimentos e as emoções transcendem a ficção e se materializam na vida real No processo de ensino e aprendizagem a contação de história abarca a comunicação e a transmissão de ideias que dependendo do contexto que se pretende trabalhar pode envolver expressão de experiências valores atitudes costumes tradições entre outros É uma forma de explorar as emoções e a imaginação ao contar uma história A sua prática pode ser desenvolvida por professores e por alunos dependendo da proposta O professor pode iniciar essa atividade escolhendo histórias para serem contadas aos seus alunos sendo necessário que elas estejam de acordo com a faixa etária deles para percorrer um caminho e atingir diversos fins como educar divertir socia lizar refletir Ele também pode criar um personagem que narra uma história entonar a voz de uma forma diferente quando algum outro personagem da história aparece ou modificar a postura corporal Utilizar a palavra de uma forma que envolva o espectadorouvinte é algo que merece especial atenção conforme afirma Ângela Café 2000 p 38 125 A matériaprima do contador é a palavra que precisa ser valorizada Cada palavra possui seu significado no contexto em que é empregada O contador apreende o significado da palavra e esta adquire forma cheiro cor sabor Tornase algo concreto em determinado contexto que merece toda a atenção do contador Estudála verificar seu significado específico no emprego daquela narrativa e pronunciála com a emoção que lhe cabe é fundamental para o entendimento da história por parte do ouvinte CAFÉ 2000 p 38 O importante é envolver o espectadorouvinte na história que está sendo contada O professor enquanto contador também pode utilizar algum adereço figurino específico ou objeto para mostrar que ali há um narrador ou utilizar esses mesmos itens quando muda de narrador para personagem Ele pode fazer uma contação manipulando um fantoche por exemplo ou qualquer outro tipo de objeto como se este fosse o narrador As histórias também podem ser apenas lidas e a força dramática pode estar na entonação da voz O importante é falar com clareza e que a história seja escolhida com antecedência e estudada pelo contador para que a contação seja feita com responsabilidade a fim de atingir o objetivo desejado Essa atividade é uma forma de integrar a leitura na sala de aula e despertar a vontade nos alunos de lerem e de conhecerem mais histórias Inúmeras são as literaturas a serem exploradas em uma atividade de contação de histórias podem ser contos fábulas histórias folclóricas de diversos países histórias da cultura local até as que foram escritas pelos alunos Segundo Celso Sisto escritor e contador de história Contar histórias na verdade é a união de muitas artes da literatura da expressão corporal da poesia da musica do teatro Não há como ignorar esse quê de performático do contar histórias Ainda que o foco maior seja apenas a voz e o texto projetados no espaço para atingir uma plateia A utilização apenas desses dois elementos voz e texto por si só já bastaria para caracterizar o cênico e o dramático SISTO 2007 p 1 A contação de história envolve o fazer artístico e a fruição por meio da apreciação significativa da sua própria ação envolvendo todo um grupo não importando quem vai fazer a contação se é o professor para a sua turma ou se 126 é uma atividade proposta para os alunos vivenciarem O contador de história pode ler a sua história como já foi dito utilizando o livro para contála mas o mesmo não acontece quando se trata de uma encenação teatral em que há um ensaio do texto e memorização do que será falado ou até uma improvi sação No entanto assim como encenar uma peça contar uma história é uma expressão dramática que envolve o jogo teatral a troca e a interação com o espectadorouvinte Em relação à encenação teatral já tratada em nosso estudo podese utilizar a metodologia dos jogos teatrais como meio da sua prática A partir dos jogos de improvisação podemos iniciar as práticas da linguagem teatral para desenvolver encenação criação de cenas e de diálogos Na contação de histórias podemos perceber que o espectadorouvinte imagina o que está sendo contado pela força dramática do contador o qual também pode utilizar imagens e ilustrações dos livros para reforçar o que foi dito Já na encenação o que foi imaginado passa a ser real pois é mostrado na própria encenação A respeito disso vejamos A diferença entre showing mostrar e telling contar aponta para a diferença entre o fazer de conta que é simulação e o tornar real que significa a criação da realidade cênica O imaginário passa a existir assume a concretude do sensível A diferença visa fazer com que o jogador mantenha contato com a realidade física da cena KOUDELA apud SPOLIN 2010 p 23 É importante ressaltar que a encenação teatral no contexto escolar não precisa necessariamente ser tratada como um espetáculo a ser apresentado para uma plateia Ela pode ser uma proposta de atividade que acontece entre os alunos de uma sala de aula Na BNCC a dimensão criação e expressão estão relacionadas à prática ao fazer artístico e a exteriorização de diferentes criações por isso os exercí cios teatrais e as peças propriamente ditas estão relacionadas a essas dimen sões As dimensões estesia e fruição estão relacionadas com a apreciação de performances teatrais pois referemse à experiência sensível dos sujeitos e articulam sensibilidade e percepção como formas de reconhecer a si mesmo o outro e o mundo ao redor A reflexão sobre as vivências teatrais pode ser articulada ainda com as dimensões crítica e reflexão Observase desse modo que as diferentes práticas produzidas no trabalho teatral podem ser articuladas 127 com documentos e concepções teóricas oportunizando assim práticas fundamentadas A BNCC apresenta os seguintes objetos de conhecimento no campo do teatro Contextos e práticas Elementos da linguagem Processos de criação Entre as habilidades a serem desenvolvidas estão Reconhecer e apreciar formas distintas de manifestações do teatro presentes em diferentes contextos aprendendo a ver e a ouvir histó rias dramatizadas e cultivando a percepção o imaginário a capaci dade de simbolizar e o repertório ficcional Descobrir teatralidades na vida cotidiana identificando elementos teatrais variadas entonações de voz diferentes fisicalidades diversi dade de personagens e narrativas etc Experimentar o trabalho colaborativo coletivo e autoral em improvi sações teatrais e processos narrativos criativos em teatro explorando desde a teatralidade dos gestos e das ações do cotidiano até elementos de diferentes matrizes estéticas e culturais Exercitar a imitação e o faz de conta ressignificando objetos e fatos e experimentandose no lugar do outro ao compor e encenar aconte cimentos cênicos por meio de músicas imagens textos ou outros pontos de partida de forma intencional e reflexiva Experimentar possibilidades criativas de movimento e de voz na criação de um personagem teatral discutindo estereótipos Assimile Contar histórias desperta a imaginação de quem as escuta As imagens da história são criadas mentalmente dessa forma cada pessoa terá o seu modo de visualizar as palavras que foram ditas A encenação teatral já traz a vivência dos personagens no palco ou no espaço de encenação por meio das situações que a história apresenta seja pela improvisação ou por intermédio do texto teatral 128 Figura 34 Contação de história Fonte Shutterstock O desenvolvimento da memória a partir da encenação Sabemos que as atividades teatrais na escola podem ser iniciadas por meio da ludicidade explorando práticas espontâneas em brincadeiras de faz de conta que inicialmente pode apresentar poucas regras estimulando a criatividade a memória e a capacidade da atenção no aluno Brincar é uma das atividades fundamentais para o desen volvimento da identidade e da autonomia O fato de a criança desde muito cedo poder se comunicar por meio de gestos sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes tais como a atenção a imitação a memória a imaginação Amadurecem também algumas capacidades de socialização por meio da interação da utilização e da experimentação de regras e papéis sociais LOPES 2006 p110 O ato de brincar direcionado pela ação intencional educativa estimula a memória pois a criança quando está envolvida na brincadeira organiza suas ações manipula objetos e deve se lembrar dessa organização para dar sequência às próprias ações Na transição entre a brincadeira de faz de conta para o jogo teatral de improvisação a criança começa a desenvolver técnicas e habilidades de integração com grupo Geralmente esse desenvolvimento 129 se inicia a partir de soluções de problemas durante uma cena e está ligado à imaginação à criatividade à espontaneidade e também deve recorrer à memória pois nesse contexto a criança coordena todos esses elementos de forma que eles passem a fazer sentido para atingir o objetivo de solucionar o problema proposto lembrandose sempre da situação em que ela está envolvida A memória também pode ser ativada quando o aluno recorre às próprias emoções e sentimentos relembrando situações vivenciadas para definir as próprias ações no momento da situação do jogo teatral Conforme Spolin 2010 p 12 afirma através do envolvimento do grupo os atoresjogadores irão desenvolver liberdade pessoal dentro de regras estabe lecidas habilidades pessoais necessárias para jogar o jogo e irão internalizar essas habilidades e estas liberdades ou espontaneidade Os jogos são baseados em problemas a serem solucionados O problema a ser resolvido é o objeto do jogo que proporciona o foco Os ensaios das cenas se referem a um jogo de exercício no qual os alunos se preparam para mostrar palavras e gestos que foram memorizados Isso pode ocorrer trabalhando com um texto teatral ou por meio da situação do jogo teatral a princípio surgindo de forma improvisada mas conforme é trabalhada e ensaiada toma um formato que deve ser memorizado por todo o grupo A forma nas suas partes está na memória dos atores e é somente durante o espetáculo que aquilo que foi ensaiado e elaborado vêm à tona tornando explícito em cena surgindo através de um processo de remontagem forma sobreforma executada pelos atores diante dos especta dores no aqui agora CHACRA 2010 p 15 Exemplificando A tematização do texto dramático iniciase no plano sensóriocorporal por meio da experimentação com gestos e atitudes A potencialidade crítica do exercício com a linguagem gestual desenvolvese por inter médio da observação do cotidiano e no confronto entre o texto e os gestos que nascem nas cenas O gesto tem um início um meio e um fim passíveis de serem determinados pode ser imitado representado e apresentado e reconstruído armazenado na memória e repetido O texto é ao mesmo tempo objeto de imitação crítica dos jovens e 130 princípio unificador do processo pedagógico se for permitida liberdade e diversidade de construções Figura 35 Encenação Fonte Shutterstock A expressividade em cena As aulas de teatro exploram entre outros aspectos atividades corporais e por esse motivo essa atividade potencializa a expressividade e a consciência corporal O corpo é um instrumento de expressão e no teatro essa caracte rística é essencial Para a prática teatral é necessário conhecer os limites do próprio corpo e as possibilidades de movimento no espaço para ter consci ência das diversas formas de gestos e expressões O diretor russo Constantin Stanislavski criou uma metodologia de trabalho para atores por volta do início do século XX chamada Sistema Stanislawski uma sistematização de interpretação para atores Dessa forma ele considerava o treinamento corporal importantíssimo o ator deveria desenvolver seu trabalho corporal por meio de uma constante autoobservação O gesto e a postura requerem muitíssimo trabalho e lhes recordo portanto que em arte tudo depende do trabalho assim as capacidades de representar o que é difícil de maneira rotineira torna o rotineiro a ser algo fácil e o fácil agradável STANISLAVSKI 1994 p 214 Desenvolver a consciência corporal é um trabalho lento que deve ser construído com treinamento e com atividades desenvolvidas durante o jogo teatral tratase de uma forma de conhecer os próprios limites e explorar capacidades 131 é preciso que eu vivencie muitas e muitas vezes um movimento Não adianta entendêlo racionalizar cada gesto é preciso repetir e repetir porque é nessa repetição consciente e sensível que o gesto amadurece e passa a ser meu A partir daí temos a capacidade de criar movimentos próprios e cheios de individualidade e beleza VIANNA 1990 p 58 Explorar a expressão corporal nas aulas de teatro na escola é convidar o aluno a refletir sobre suas próprias possibilidades corporais para atuação em cena passando pelos jogos teatrais de improvisação até chegar em constru ções mais complexas de personagens Na diversidade do corpo expressão concreta da diversi dade de gestos traduzse a multiplicidade de pensares imagens sonhos e desejos cada qual respeitado em sua integridade particularidade e autonomia Constróise um movimento de harmonia praticando o improvável a reunião do diferente no comum do semelhante no diverso MIRANDA 2004 p 5 Reflita Klaus Vianna reflete sobre a expressividade corporal aplicada na dança contemporânea Brasileiro ele foi introdutor de um método próprio voltado para a corporeidade expressiva de atores e bailarinos Quando se trata de trabalho de consciência corporal você acha que há diferenças no desenvolvimento entre teatro e dança Você considera que o corpo se comporta de forma distinta nas diferentes linguagens Se considera as diferenças quais seriam relevantes destacar Se consi dera semelhante quais seriam os pontos a serem destacados de simila ridade no trabalho Peças teatrais para crianças do ensino fundamental Como já vimos a linguagem teatral pode ser desenvolvida por meio de técnicas que envolvem tanto a ludicidade com brincadeiras do faz de conta quanto os jogos teatrais que desenvolvem entre outros aspectos a expressão e a criatividade dos alunos Esse exercício pode levar a um caminho que resulta em uma apresentação da peça teatral um momento especial do trabalho que é aberto para compartilhar a experiência teatral com uma plateia A peça 132 teatral é o produto de um processo trabalhoso que envolve muito aprendi zado e organização A apresentação de cenas curtas ou de uma peça teatral seja para os alunos da escola seja para a comunidade escolar é uma proposta que envolve o ato criativo a execução de tarefas e a socialização do grupo envolvido O trabalho teatral no contexto escolar não possui como objetivo principal apresentações para o público o importante é o processo de ensino e aprendi zagem No entanto apresentar uma peça para determinado público pode ser uma experiência enriquecedora para os alunos do ensino fundamental I e II A preparação teatral na escola é um trabalho coletivo em que toda a turma divide tarefas O trabalho dos alunosatores é muito importante mas existem outros aspectos a serem observados como a criação e a composição do cenário dos figurinos dos adereços dos objetos de cena da sonoplastia e da iluminação Entendemos que toda essa produção deve ser criada de forma flexível compreendendo o ambiente educativo de acordo com a realidade social e cultural em que os alunos estão inseridos É relevante compreender que essa atividade como um processo de construção de conhecimento para o aluno deve apresentar algumas características que envolve o ensino da arte A preparação de peças teatrais na escola necessita de um planejamento de trabalho conhecendo e respeitando a faixa etária a ser trabalhada Outro aspecto relevante que envolve a aprendizagem dessa linguagem é levar os alunos ao teatro a construção desse conhecimento está presente já no momento da preparação da turma antes da ida ao teatro e também na volta à escola A preparação deve acontecer com antecedência quando o professor já sabe a qual peça teatral os alunos irão assistir É importante o professor fazer o papel de mediador entre os alunos e a experiência estética que estão prestes a vivenciar os alunos também devem saber qual é o papel do espec tador em uma peça teatral principalmente se o aluno nunca assistiu antes Os atores ensaiam compõem seus personagens direcionam todos os seus esforços para que o espectador possa ter uma boa experiência ao assistir à peça teatral Esse trabalho educativo também pode se transformar em um estímulo para os alunos ao vivenciarem esse tipo de experiência artística O momento de assistir ao espetáculo se relaciona com a fruição estética é relevante que o aluno conheça previamente o contexto da peça e saiba quem são os personagens para que possa observar e compreender todos os elementos que fazem parte da apresentação Ao voltar para a escola é interes sante conversar com eles a respeito da experiência destacando e comparti lhando as percepções estéticas É uma forma de explorar o conhecimento em teatro não só como ator quando o aluno se envolve nas atividades do jogo 133 teatral na construção das cenas e na preparação da peça mas também como espectador ao apreciar a peça teatral O que a arte na escola principalmente pretende é formar o conhecedor fruidor decodificador da obra de arte Uma sociedade só é artisticamente desenvolvida quando ao lado de uma produção artística de alta qualidade há também uma alta capacidade de entendimento desta produção pelo publico BARBOSA 2005 p 32 Pesquise mais Conheça um pouco mais sobre essa temática lendo o artigo Teatro na escola uma possibilidade de educação efetiva de Márcia Coelho COELHO M A Teatro na escola uma possibilidade de educação efetiva Polêmica v 13 n 2 2014 Sem medo de errar A experiência estética em arte está relacionada ao belo ao encantamento despertado a partir de determinada experiência ou obra entretanto Reis 2011 afirma que a estética é algo mais amplo e que o termo vem do grego aesthesis que significa sensível Observase portanto que o termo comporta uma série de fenômenos ligados à dimensão da sensibilidade Vamos relembrar a situaçãoproblema que estamos examinando um aluno perguntou ao seu professor sobre a possibilidade de ele elaborar uma atividade envolvendo o teatro pois gostaria de experimentar outras lingua gens da arte além das artes visuais com a qual estava mais habituado O aluno considerou que um colega de outra escola que fazia teatro nas aulas de artes estava mais comunicativo lendo mais e falando melhor O seu professor disse que sabia que deveria trabalhar outras linguagens artísticas em suas aulas mas priorizava as artes visuais pois a escola não oferecia estru tura adequada para o desenvolvimento de outras linguagens como o teatro a música e a dança Você no lugar desse professor poderia pedir para que reformulasse suas hipóteses de planejamento de aula seria muito positivo se a escola tivesse um ambiente diferente da sala de aula para a realização dessa atividade mas na ausência desse espaço o professor pode adaptar o ambiente da sala de aula disponibilizar materiais próprios para o seu desenvolvimento tais como 134 adereços figurinos objetos de cena entre outros Esse espaço poderia ser organizado toda vez que fosse necessário com a ajuda dos próprios alunos Você também poderia orientar o professor quanto à necessidade de desenvolver essa linguagem por ser uma vivência que irá contribuir para a aquisição de novos conhecimentos em arte e em outras linguagens como a verbal e a corporal por exemplo que se relacionam também a outras disci plinas além do desenvolvimento da criatividade e da criticidade A partir da vivência teatral o aluno pode conquistar uma autonomia em elaborar as próprias significações que constitui o ato de encenar ler e reler um texto entender o significado das palavras e do texto como um todo memorizar palavras e ações interpretar e dar vida às palavras Seria interessante escla recer ao professor sobre a possibilidade de seus alunos se interessarem pelo teatro a ponto de irem assistir peças teatrais contribuindo para a formação de um público de teatro que passa a frequentar esses espaços com interesse pela cultura Avançando na prática Desenvolvendo a expressão facial e corporal Você propôs para uma turma do ensino fundamental a montagem de uma peça teatral a partir de um tema de interesse dos alunos que se mostraram interessados pela proposta No entanto ao propor alguns jogos teatrais você observou que os alunos não possuíam nenhum tipo de experiência nessa área dificultando assim o trabalho a ser desenvolvido Que tipo de ativi dades podem ser propostas para que os alunos comecem a desenvolver sua expressão corporal e facial Resolução da situaçãoproblema Antes de propor a encenação de uma peça teatral em si é importante pensar em atividades que favoreçam experiências variadas no que se refere à expressão facial e corporal É possível por exemplo trabalhar com os alunos as possibilidades de expressão facial quando se está cansado triste feliz bravo sonolento etc pedir para os alunos falarem determinada frase tentando interpretar a situação ou sentimento presente no texto improvisar diante de uma situaçãoproblema buscando diferentes formas para resolver tal situação imitar movimentações corporais as características físicas ou o modo de falar de personalidades ligadas à mídia É possível ainda tentar 135 falar utilizando um sotaque específico ou imaginar o sabor de alguma comida É importante que os alunos se sintam livres para experimentar os contrastes propostos divertindose com a própria execução bem como com a execução dos colegas A partir de exercícios como esses os alunos ficarão mais à vontade para começar a ensaiar uma peça teatral Faça valer a pena 1 A contação de histórias é uma forma antiga do homem narrar histórias incen tivando a imaginação do espectador Contar histórias é saber criar condições que despertem emoções sensações de suspense e de surpresas de forma que o narrador desempenhe papel fundamental No contexto escolar a contação de história deve a Ser uma forma de transmitir saberes da tradição histórica que se apresentam prontos e fechados nas diferentes culturas Pode ser realizada improvisada mente por meio de histórias escolhidas no momento da ação b Ser uma atividade planejada Ela pode ser praticada por professores e alunos dependendo da proposta O importante é que haja um envolvimento por parte de todos que estão envolvidos narrador e ouvinte c Ser uma prática artística que priorize a linguagem escrita dos alunos d Explorar a ludicidade Tratase de um momento de brincadeira que objetiva o lazer e que não deve assumir nenhum caráter pedagógico Caracterizase como uma atividade espontânea e Ser uma forma de disciplinar a turma Em momentos de lazer quando todas as atividades forem concluídas contase histórias para as crianças Nessa atividade o planejamento didáticopedagógico pode ser omitido 2 a criança ainda não possui maturidade psicológica suficiente para compreender a vida interior de um perso nagem Ela imita as ações exteriores interessandose pelas narrativas aventurosas embora o faça com uma verdade muitas vezes invejada pelos profissionais do Teatro diferen temente do ator que compreende a distância significativa entre a sua própria vida e a do personagem e que provoca a criação de uma aparência da realidade por meio de seu físico e de sua subjetividade SOUZA 2014 p 161 136 Com base nas informações apresentadas avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas I Os ensaios das cenas teatrais no contexto escolar são exercícios que preparam os alunos para representarem palavras gestos e intenções PORQUE II Por meio dessa prática ocorre a construção do conhecimento na área e também é uma forma de preparar a turma antes da ida ao teatro em um outro momento para assistir a uma peça É uma maneira de o professor fazer o papel de mediador entre os alunos e as experiências estéticas que estão prestes a vivenciar A respeito dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II justifica a I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II não justifica a I c A asserção I é uma proposição verdadeira e a II falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II verdadeira e As asserções I e II são proposições falsas 3 De acordo com a BNCC as aulas de arte no ensino fundamental devem explorar conhecimentos e atividades que contemplem quatro linguagens dança artes visuais teatro e música As diferentes manifestações culturais em diferentes épocas devem ser analisadas como resultado de um conjunto de valores e uma maneira de os seres humanos interagirem com o mundo Leia as afirmações relacionadas à essa temática escreva V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas A preparação de peças teatrais no ensino fundamental é uma experiência obriga tória do trabalho com teatro na escola objetivando o processo de ensino e aprendi zagem para aprofundar o conhecimento nessa linguagem Klaus Vianna diretor russo desenvolveu uma metodologia contemporânea de trabalho para atores no início do século XX A dimensão reflexão está relacionada com a produção ou seja com a prática teatral propriamente dita Contar histórias é a fusão de muitas artes literatura expressão corporal poesia música e teatro Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA 137 a F V F V b V F V F c F V V V d F F V V e F F F V 138 Seção 3 Música e dança no ensino fundamental Diálogo aberto Nesta seção estudaremos a importância da escuta musical além disso veremos as brincadeiras tradicionais e parlendas música corpo e dança e também as danças nas festividades escolares O Ipê das Laranjeiras é uma escola que dificilmente trabalha com danças Neste ano contudo alguns alunos solicitaram alguma atividade que envol vesse música ou dança O professor João responsável pela área de arte gostou da ideia mas ficou preocupado pelo fato de não ter formação nessas áreas Ao mesmo tempo ele não queria ignorar a possibilidade de desenvolver algo solicitado pelos alunos Sendo assim como esse docente poderia atender aos alunos garantindo uma atividade de artes em outra área que não a de sua formação inicial de forma bem executada e que cumprisse com os objetivos propostos para a sua disciplina No lugar do professor como você poderia resolver essa situação Quais recursos materiais e humanos poderia lançar mão para alcançar um bom resultado nessa produção Não é difícil encontrar profissionais da educação que não se sintam aptos para desenvolver um trabalho como esse entretanto a música e a dança são linguagens artísticas e devem ser oportunizadas aos alunos O papel da escola tornase relevante na preservação e divulgação de práticas culturais do nosso país e de outras culturas Para resolver essas questões você deverá recorrer aos conteúdos desta seção É importante que você faça mais pesquisas sobre os assuntos aqui abordados a fim de ampliar seu repertório e também participar de vivências como a experiência estética tão importante para a construção do conheci mento na área Não pode faltar A importância da escuta musical A apreciação musical ocorre por meio da escuta que é uma relevante forma de aprendizagem dessa linguagem Ademais essa escuta é uma vivência que no contexto escolar deve ser sistematizada e executada com atenção e intenção didática por parte do professor o que é diferente de apenas ouvir uma música É relevante apresentar aos alunos um vasto repertório para 139 que possam perceber os diferentes gêneros e também as qualidades do som como altura intensidade timbre e duração Também é importante observar os ritmos estilos musicais e os diferentes instrumentos Todos nós com pouquíssimas exceções somos capazes de perceber musica tons timbre intervalos entre notas contornos melódicos harmonia e talvez no nível mais fundamental ritmo Integramos tudo isso e construímos a musica na mente usando muitas partes do cérebro E a essa apreciação estrutural em grande medida incons ciente adicionase uma reação muitas vezes intensa e profundamente emocional SACKS 2007 p 10 O repertório escolhido pelo professor pode ir além daquele que faz parte do cotidiano dos alunos e passar por músicas regionais do nosso país e também de outros além de resgatar músicas da tradição popular e músicas folclóricas para que eles possam perceber os valores musicais de cada cultura É importante apresentar uma variedade de músicas instrumentais e também as que contenham letras pois cada gênero com sua particularidade vai trazer conhecimento visto que está inserido em um determinado contexto em uma época da nossa história em uma cultura e portanto apresenta um significado A escuta musical sugere uma experiência mais complexa apurada profunda e densa que atinge o corpo como um todo diferente de ser simplesmente uma perturbação vibra tória no órgão auditivo ou apenas um processo fisioló gico natural É que além disso envolve intencionalidade atenção concentração não exprimindo uma ação involun tária de captar sons eou contra a vontade GRANJA 2006 BRITO 2003 BEHNE 1997 apud POPOLIN 2010 p 118 O professor tem um importante papel para proporcionar essa vivência ao aluno e também desenvolver a sua habilidade da escuta musical Além disso essa é uma oportunidade para os estudantes apreciarem músicas que muito possivelmente não teriam acesso pois elas podem não fazer parte de sua preferência Nesse sentido o professor deve ser um pesquisador para ampliar e apresentar músicas diferenciadas que estejam de acordo com o projeto que está desenvolvendo e também com a faixa etária dos alunos Explorar o repertório musical que o discente carrega em suas vivências também é uma 140 prática que faz parte do processo de ensino e aprendizagem desde que esse repertório tenha uma letra adequada à faixa etária em questão Tomar como ponto de partida as preferências musicais do aluno pode ser uma forma de explorar e avaliar os estilos musicais que estão na mídia os ritmos as formas de cantar e analisar consciente e criticamente aquilo que é absorvido pela grande massa para uma melhor compreensão musical e para avançar por meio da apreciação de novos estilos e gêneros musicais A apreciação é uma das atividades mais importantes para o desenvolvimento musical porque desenvolve a audição crítica e estética do aluno esta a apreciação não pode mais ser tratada como uma mera audição descompromis sada MOREIRA 2010 p 290 Por isso quando se trabalha com a escuta musical na sala de aula é neces sário entender que se trata de uma atividade que envolve um direcionamento e intencionalidade Não se trata portanto de um trabalho de escuta musical para executar uma outra atividade como uma pintura ou desenho A música nesse caso seria apenas um pano de fundo para executar essa atividade e não estaria de acordo com a intenção da escuta musical que pretende explorar a percepção auditiva do aluno ao reconhecer o ritmo a melodia os instru mentos presentes na música os gêneros musicais entre outros aspectos a serem percebidos dependendo da proposta da atividade Esse trabalho também possibilita a formação de plateiapúblico por despertar a consciência crítica do aluno ao incentiválo a conhecer estilos diferentes dos que está habituado a escutar ampliando o seu repertório de forma consciente Não se trata de rotular um estilo musical ou uma música como boa ou ruim mas de envolver os alunos em atividades de percepção estética que abarquem a aprendizagem significativa e os modos de perceber a música O professor também pode promover discussões após a escuta musical provocando reflexões a respeito da letra da sua expressividade e da criatividade por exemplo ou sobre a composição melódica bem como a quantidade de instrumentos que compõem a música Os alunos podem refletir sobre a importância da letra de uma música sobre o processo criativo que envolve uma composição e a relação que existe entre a combinação dos elementos sonoros com a letra Ademais também é possível refletir a respeito da performance do artista com a música que produziu além dos ritmos que envolvem o movimento do corpo a dança e que também influenciam o gosto musical 141 A tarefa do professor pode ser procurar novas maneiras de desenvolver atividades de escuta mais amplas com reper tórios que sejam interessantes aos alunos que abarquem uma maior quantidade de gêneros musicais e torne o aprendizado musical prazeroso e significativo MOREIRA 2010 p 290 Reflita A escola deve trazer um estilo de musica específico para os alunos traba lharem ou apreciarem ou deve tomar como ponto de partida a prefe rência dos alunos para desenvolver os projetos em educação musical Para realizar uma atividade de escuta musical o professor pode preparar a sala de aula a fim de que haja menos interferências externas deixando os alunos mais concentrados e atentos Para tal ele pode apagar as luzes fechar as cortinas e a porta de forma que interferências vindas do corredor como vozes de pessoas ou qualquer outro ruído não atrapalhem a audição Tais ações por diminuírem o barulho criarão um ambiente mais calmo e portanto propício para a escuta Podese explorar a percepção dos parâmetros sonoros altura duração timbre e intensidade estimulando o reconhecimento de sons ascendentes descendentes iguais diferentes longos curtos fortes suaves bem como suas características particulares Essa prática pode contribuir para que os alunos prestem mais atenção nas músicas apresentadas Além disso para essa atividade com o intuito de potencializar as sensa ções as impressões e percepções sempre direcionadas pelas intenções de ensino e aprendizagem criadas pelo professor os alunos podem fechar os olhos ainda sentados em suas cadeiras ou se houver possibilidade podem deitar em colchonetes Essas atividades se diferenciam de simplesmente escutar uma música como fazemos no dia a dia ouvindo no carro por meio de um pen drive ouvindo rádio em casa ou em uma festa junto dos amigos Ademais o recurso audiovisual também pode ser uma experiência estética bem significativa para o aluno realizar a escuta musical É possível apresentar o clipe musical de diversas formas iniciandose pela escuta da música até chegar a apreciação da imagem audiovisual relacionando a sequência das imagens com a música apresentada 142 Brincadeiras tradicionais e parlendas música corpo e dança Em nossa cultura são inúmeras as brincadeiras tradicionais que devem permanentemente ser resgatadas e estar presentes no contexto escolar pois além do aspecto lúdico elas também são um importante instrumento pedagó gico de valorização e de preservação da cultura o qual muitas crianças desco nhecem A brincadeira também se mostra como uma forma relevante de integrar a criança aos seus pares beneficiando o seu desenvolvimento social As brincadeiras tradicionais fazem parte do folclore infantil trazem consigo parte da cultura popular pois são trans mitidas oralmente guardam a produção espiritual de um povo em certo período histórico estando sempre em trans formação incorporando criações de novas gerações que venham a sucedêlas KISHIMOTO 2006 p 23 As brincadeiras tradicionais presentes em nossa cultura também fazem parte da tradição oral e das vivências infantis que são passadas de geração em geração e que resultam na integração do passado com o presente Tratase do conhecimento cultural produzido historicamente pelo homem ou seja nossos antepassados nos trazem ensinamentos dos modos como brincavam desper tando reflexões a respeito de como as brincadeiras ocorrem na atualidade Essas reflexões devem ser constantemente revistas Quando a criança vivencia essas brincadeiras parlendas danças de roda isto é as brincadeiras tradicionais ela também está reproduzindo o seu aprendizado a respeito daquela brincadeira em um outro contexto em uma outra época e em um outro lugar A criança se expressa pelo ato ludico e é através desse ato que a infância carrega consigo as brincadeiras Elas perpe tuam e renovam a cultura infantil desenvolvendo formas de convivência social modificandose e recebendo novos conteudos a fim de se renovar a cada nova geração É pelo brincar e repetir a brincadeira que a criança saboreia a vitória da aquisição de um novo saber fazer incorporan doa a cada novo brincar CRAIDY KAERCHER 2001 p 103 Muitas são as brincadeiras que podemos destacar como tradicionais por exemplo casinha bola estilingue soltar pipa pião bambolê bola de gude peteca pular corda passar o anel rodar pneu entre outras Além disso temos também as parlendas brincadeiras cantadas com palavras rimadas 143 que trabalham a linguagem e fazem parte do folclore brasileiro Ademais existem as diversas brincadeiras de rodas ou cirandas pertencentes à ludici dade que também passam por diferentes tempos e lugares e devem ser explo radas no contexto escolar pois trazem conteúdos ricos em conceitos modos de pensar e de agir assim como valores e atitudes A BNCC apresenta os seguintes objetos de conhecimento no campo da música Contextos e práticas Elementos da linguagem Materialidades Notação e registro musical Processos de criação Entre as habilidades a serem desenvolvidas estão Identificar e apreciar criticamente diversas formas e gêneros de expressão musical reconhecendo e analisando os usos e as funções da música em diversos contextos Perceber e explorar os elementos constitutivos da música altura intensidade timbre melodia ritmo etc por meio de jogos brinca deiras canções e práticas diversas de composiçãocriação execução e apreciação musical Explorar fontes sonoras diversas como as existentes no próprio corpo palmas voz percussão corporal na natureza e em objetos cotidianos reconhecendo os elementos constitutivos da música e as características de instrumentos musicais variados Explorar diferentes formas de registro musical não convencional representação gráfica de sons partituras criativas etc bem como procedimentos e técnicas de registro em áudio e audiovisual além de reconhecer a notação musical convencional Experimentar improvisações composições e sonorização de histó rias entre outros utilizando vozes sons corporais eou instrumentos musicais convencionais ou não convencionais de modo individual coletivo e colaborativo 144 Assimile As brincadeiras de roda ou cirandas acontecem em grupo com as mãos dadas e em círculo Elas fazem parte das brincadeiras tradicionais da nossa cultura e também da cultura de outros povos Descobrir a origem dessas brincadeiras além da sua prática é um relevante trabalho pedagógico que permite a construção do conhecimento Figura 36 Ciranda Fonte Shutterstock As cirandas podem ser exploradas com o grupo de alunos de forma que cada um possa explorar movimentos espontâneos com todo o corpo combinandoos com a musicalidade e os ritmos expressos nessa manifes tação folclórica Esse tipo de atividade proporciona aprendizagens variadas por meio da interação entre os pares As cirandas são expressas pelas cantigas de roda que trazem elementos pertencentes ao folclore brasileiro com letras fáceis geralmente rimadas Quando o aluno tem contato com essa vivência também conhece as manifestações culturais dos diferentes povos Alencar 2010 p 111 afirma que As cantigasderoda integram o conjunto das canções anônimas que fazem parte da cultura espontânea decor rente da experiência de vida de qualquer coletividade humana e se dão numa sequência natural e harmônica com o desenvolvimento humano 145 Além da ciranda outras danças de tradições populares podem ser explo radas no ensino fundamental tais como a quadrilha a dança do paudefita a catira o tambor de crioula o carimbó cacuriá jongo coco bumba meu boi entre outras Essas danças podem ter caráter nacional ou regional estarem ligadas à religiosidade à magia à guerra à colheita a comemorações festivas entre outras situações que se relacionam com a cultura e a história de um povo Além disso podem ter origem indígena africana ou europeia e a descoberta de todos esses itens faz parte da pesquisa que o professor deve realizar Pesquise mais O movimento corporal é uma expressão artística que pode ser realizada por meio de diferentes estilos e praticada em diferentes lugares Conheça um pouco mais sobre os benefícios da dança ao ler a reportagem O corpo o movimento e a aprendizagem da Revista Nova Escola O CORPO o movimento e a aprendizagem Nova Escola Sl 1 abr 2007 As danças nas festividades escolares O ensino de dança no contexto escolar não deve priorizar as apresentações festivas ou seguir padrões técnicos e coreográficos dos diversos estilos que a dança pode apresentar pois mais do que isso tratase de uma experiência estética que o aluno deve vivenciar para o seu desenvolvimento expressivo É relevante dizer que a dança tanto é uma proposta de conteúdo do ensino da arte como também da educação física A aprendizagem em dança nas duas áreas também representa uma forma de conhecimento e deve contribuir para a formação cultural do aluno Segundo o PCN de arte A dança assim como é proposta pela área de Arte tem como propósito o desenvolvimento integrado do aluno A experiência motora permite observar e analisar as ações humanas propiciando o desenvolvimento expressivo que é o fundamento da criação estética Os aspectos artísticos da dança como são aqui propostos são do domínio da arte BRASIL 1998 p 50 Entre os objetivos gerais destacamse a capacidade dos alunos de construir uma relação de cooperação situar e compreender as relações entre corpo dança e sociedade 146 Figura 37 Dança em grupo Fonte Shutterstock A dança no contexto escolar não deve ser tratada com superficialidade e ser lembrada apenas em momentos que são necessários realizar apresenta ções para a comunidade ou algum tipo de festividade em função do planeja mento do Projeto Político Pedagógico Os momentos mais lembrados são os que se relacionam com as datas comemorativas como festa junina dia das mães dia dos pais e festa de encer ramento de final de ano O ensino dessa linguagem pode prever apresen tações para a comunidade pois essas comemorações assim como outras que podem surgir fazem parte da cultura escolar mas essas devem estar de acordo com o planejamento da aula e do projeto da escola assim como a exposição de pinturas e apresentação de uma peça teatral elaborada por alunos são eventos que não devem estar descontextualizados do processo de ensino e aprendizagem Outro fator que influencia o desenvolvimento dessa linguagem na escola é o despreparo do professor que geralmente não possui formação na área e não consegue manter um processo contínuo de ensino de acordo com as leis vigentes Além disso muitas vezes o docente tem como principal referencial as experiências que estão expostas na mídia e acaba se baseando em apresen tações assistidas em vídeos ou shows carregadas de movimentos estere otipados gestos pouco elaborados integrados com música da moda e que não possuem relação com os aspectos de aprendizagem que o ensino dessa linguagem almeja Assim sendo a dança deve ser 147 compreendida desconstruída e transformada pois é forma de conhecimento A dança que chega às escolas mesmo que sejam as danças da mídia ou os repertórios préfixados das danças brasileiras urgem por reconstrução releitura e transformação para que a escola cumpra seu papel no projeto social a que se propõe MARQUES 2008 p 50 A BNCC apresenta os seguintes objetos de conhecimento no campo da dança Contextos e práticas Elementos da linguagem Processos de criação Entre as habilidades a serem desenvolvidas estão Pesquisar e analisar diferentes formas de expressão representação e encenação da dança reconhecendo e apreciando composições de dança de artistas e grupos de diferentes épocas Explorar elementos constitutivos do movimento cotidiano e do movimento dançado abordando criticamente o desenvolvimento das formas da dança em sua história tradicional e contemporânea Experimentar e analisar os fatores de movimento tempo peso fluência e espaço como elementos que combinados geram as ações corporais e o movimento dançado Investigar e experimentar procedimentos de improvisação e criação do movimento como fonte para a construção de vocabulários e reper tórios próprios Investigar brincadeiras jogos danças coletivas e outras práticas de dança de diferentes matrizes estéticas e culturais como referência para a criação e a composição de danças autorais individualmente e em grupo Analisar e experimentar diferentes elementos figurino iluminação cenário trilha sonora etc e espaços convencionais e não convencio nais para composição cênica e apresentação coreográfica Discutir as experiências pessoais e coletivas em dança vivenciadas na escola e em outros contextos problematizando estereótipos e preconceitos 148 Vale lembrar que a BNCC apresenta como unidade temática ainda as artes integradas que estão relacionadas às relações e articulações entre as diferentes linguagens e suas práticas A BNCC apresenta os seguintes objetos de conhecimento no campo artes integradas Processos de criação Matrizes estéticas culturais Patrimônio cultural Arte e tecnologia Entre as habilidades a serem desenvolvidas estão Reconhecer e experimentar em projetos temáticos as relações proces suais entre diversas linguagens artísticas Caracterizar e experimentar brinquedos brincadeiras jogos danças canções e histórias de diferentes matrizes estéticas e culturais Exemplificando A dança auxilia no resgate da autoestima dos alunos Leia o relato da Escola Municipal Professora Silene de Andrade em Goiânia que ofereceu aulas de dança quando a instituição passou a funcionar em período integral e com isso apresentou expressivos resultados dos alunos com dificuldades de aprendizagem SCHENINI F Dança ajuda no resgate de autoestima dos estudantes Sl 26 out 2013 Sem medo de errar Agora vamos relembrar a situaçãoproblema em que alunos solicitam ao seu professor de arte uma atividade de música e dança o que dificilmente acontecia na escola Diante desse pedido como não tinha formação direta nesses conteúdos o professor ficou preocupado em como iria atender a demanda dos alunos com qualidade de forma que contemplasse os objetivos propostos para a disciplina Assim o docente decidiu convidar o professor de educação física para desenvolverem juntos uma atividade que envolvesse música e dança O docente ponderou que seria uma oportunidade interes sante visto que eles também poderiam resgatar aspectos da cultura popular brasileira pois o ensino dessa linguagem deve ser tratado como uma forma de conhecimento necessário à formação cultural do aluno 149 É importante lembrar que o trabalho não deve ser pensado apenas como uma sequência de movimentos a serem executados sem contextualização e apenas com o objetivo de fazer uma apresentação bonita para a comuni dade O trabalho com dança pode ser desenvolvido de modo a elevar a autoestima dos alunos à medida que contribui para regulação dos níveis de serotonina e dopamina no corpo CAVALCANTE 2015 sp Faça valer a pena 1 A dança é uma linguagem artística Capri Proscêncio e Sborquia 2014 afirmam que a dança utiliza o corpo como forma de comunicação e expressão para o mundo Observase desse modo que a dança oportuniza inicialmente uma série de experiên cias e descobertas individuais favorecendo posteriormente a comunicação com pessoas de diferentes realidades e nacionalidades e a expressão das emoções A dança envolve a prática propriamente dita a apreciação reflexão e as possíveis improvisações que podem ser realizadas a partir das vivências propostas de modo contextualizado Nesse contexto é correto afirmar que a prática da dança a Promove a desigualdade entre os alunos valorizando aqueles com habilidade para a sua prática b Estimula a individualidade na criação artística c Representa uma forma de conhecimento que envolve as dimensões criação e fruição d Permite o contato com a cultura erudita por meio das práticas contemporâneas e Prescinde contextualização em face da prática 2 A arte é uma criação humana com valores estéticos que faz parte do cotidiano das pessoas Sua vivência proporciona emoções sensações envolve conhecimento e cultura É um conjunto de linguagens que o homem procura utilizar para expressar suas ideias e sentimentos seja através das formas cores sons movimentos e gestos Nesse contexto analise os conjuntos de linguagens apresentados na coluna à esquerda com suas respectivas descrições apresentadas na coluna direita CONJUNTO DE LINGUAGENS CARACTERÍSTICAS I Tradição oral É diferente de só ouvir música deve ser uma forma de perceber a sonoridade em toda a sua complexida de em tons timbres melodia e ritmo II Dança No contexto escolar é um importante instrumento pedagógico de valorização e preservação da cultura 150 III Brincadeiras tradicionais É o conhecimento cultural produzido historica mente pelo homem transmitido de uma geração para a outra no qual nossos antepassados nos trazem suas tradições e culturas IV Apreciação musical É uma experiência estética que abarca a instru mentalização técnica e o gesto espontâneo e criativo Vincula o estímulo musical e o silêncio Assinale a alternativa que apresenta a associação correta a IV I III II b IV II I III c IV III I II d III IV I II e III II IV I 3 A dança apresenta uma linguagem característica que pode desenvolver no aluno a compreensão da capacidade de seus movimentos por meio da própria expressi vidade No contexto da sua aprendizagem a dança deve contar com pesquisas de movimentos de ritmos de criação na área aliadas ao conhecimento e a produção cultural da humanidade Tomando como referência essa linguagem para educação e arte julgue as afirmativas a seguir em V verdadeiras ou F falsas A dança deve seguir padrões técnicos coreográficos expressivos com primazia às festividades escolares A dança é uma vivência que permite desenvolver a expressividade por meio da análise das ações humanas um fundamento da criação estética A dança objetiva audições das várias composições musicais em uma percepção de quantificar os instrumentos que as compõem assim como reflexões a respeito da performance dos artistas Por meio da dança percebemos sons musicais tons timbres intervalos entre as notas e harmonia na composição em um sentido de escuta musical concomitante às percepções dos limites corporais Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA a F V F V b F V V F 151 c F F F V d F V F F e V V F F Referências A TINTA que vem da natureza Nova Escola Sl 1 out 2007 Disponível em httpsnovaes colaorgbrconteudo1286atintaquevemdanatureza Acesso em 12 ago 2019 ALENCAR S A música na educação infantil 4 ed São Paulo Editora Paternoni 2010 ALEXANDROFF M C Os caminhos paralelos do desenvolvimento do desenho e da escrita Const Psicoped v 18 n 17 São Paulo dez 2010 ANTUNES S F RODRIGUES E B T Cultura arte e contação de histórias In RODRIGUES E B T ANTUNES S F org Contação de histórias uma metodologia de incentivo à leitura Goiânia SEEGO 2007 BARBOSA A M Org Inquietações e mudanças no ensino da arte São Paulo Editora Cortez 4 ed 2008 BARBOSA A M A Imagem no ensino da arte anos oitenta e novos tempos 6 ed São Paulo Perspectiva 2005 BRASIL Ministério da Educação e Desporto Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais Arte ensino de primeira à quarta série Brasília MECSEF 1997 BRASIL Parâmetros Curriculares Nacionais Educação Física Brasília MECSEF 1998 CAFÉ A B Dos contadores de história e das histórias dos contadores 2000 104 f Dissertação Mestrado em Educação Física Faculdade de Educação Física Universidade Estadual de Campinas Campinas 2000 Disponível em httprepositoriounicampbrhandle REPOSIP275420 Acesso em 14 ago 2019 CAPRI F S PROSCÊNCIO P A SBORQUIA S P Posibilidades do trabalho pedagógico com a dança no currículo da educação física escolar In FIink S C M org Educação física escolar saberes práticas pedagógicas e formação Curitiba InterSaberes 2014 CAVALCANTE A Estudo comprova que dança ajuda a combater a depressão e o estresse Disponível em httpsgooglo8YFmr Acesso em 19 fev 2018 CHACRA S Natureza e Sentido da Improvisação Teatral 2 ed São Paulo Perspectiva 2010 COELHO M A Teatro na escola uma possibilidade de educação efetiva Polêmica v 13 n 2 2014 Disponível em wwwepublicacoesuerjbrindexphppolemicaarticleview106178513 Acesso em 14 ago 2019 COLL C TEBEROSKY A Aprendendo arte conteúdos essenciais para o ensino fundamental São Paulo Ática 1999 CRAIDY C KAERCHER G E org Educação Infantil Pra que te Quero Porto Alegre ARTMED 2001 DERDYK E Formas de pensar o desenho São Paulo Scipione 1989 DERDYK E Formas de pensar o desenho o desenvolvimento do grafismo infantil Série Pensamento e ação no magistério São Paulo Scipione 1994 FERRAZ M H C de T FUSARI M F de R e Metodologia do ensino de arte fundamentos e proposições 2 ed São Paulo Cortez 2009 GABRE S de F A arte na Educação Infantil uma reflexão a partir dos documentos oficiais RCNEI DCNEI BNCC Linguagens revista de letras artes e comunicação Blumenau v 10 n 3 p 491501 setdez 2016 KISHIMOTO T M O jogo e a educação infantil In KISHIMOTO T M org Jogo brinquedo brincadeira e a educação São Paulo Cortez 2006 KOUDELA I Brecht um jogo de aprendizagem São Paulo Perspectiva 2007 LOPES V G Linguagem do corpo e movimento Curitiba PR FAEL 2006 MARQUES I A Educação e cultura reflexões sobre a dança na cidade In XAVIER J MEYER S TORRES V org Coleção dança cênica pesquisas em dança v1 Joinville Letradágua 2008 MIRANDA D S de Processo educativo na ação cultural In BERTAZZO I Espaço e corpo guia de reeducação do movimento São Paulo SESC 2004 MOREIRA L R de S Representações Sociais Caminhos para a compreensão da apreciação musical In SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PÓSGRADUANDOS EM MÚSICA 1 Rio de Janeiro Anais Rio de Janeiro 2010 O CORPO o movimento e a aprendizagem Nova Escola Sl 1 abr 2007 Disponível em httpsnovaescolaorgbrconteudo1030ocorpoomovimentoeaaprendizagem Acesso em 14 ago 2019 POPOLIN Á O que os jovens do ensino médio aprendem de música através de suas experiências diárias de escuta Um estudo de caso In SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PÓSGRADUANDOS EM MÚSICA 1 Rio de Janeiro Anais 2010 Disponível em httpsgoogli4jr3s Acesso em 14 ago 2019 PORCHER L Educação Artística luxo ou necessidade 5 ed São Paulo Summus 1992 RANGEL V B Releitura não é cópia refletindo uma das possibilidades do fazer artístico Revista Nupeart Florianópolis v 3 n 3 set 20042005 Disponível em httpsgoogl wFW1jW Acesso em 12 ago 2019 REIS A C A experiência estética sob um olhar fenomenológico Arq Bras Psicol v 63 n 1 Rio de Janeiro 2011 RICHTER S R S Crianças pintando experiência lúdica com as cores In CUNHA S R V da As artes do universo infantil Porto Alegre Mediação 2014 SACKS O Alucinações musicais Trad Laura T Motta São Paulo Companhia das Letras 2007 SCHENINI F Dança ajuda no resgate de autoestima dos estudantes Sl 26 out 2013 Disponível em httpsgooglJe1TX1 Acesso em 14 ago 2019 SISTO C Contar histórias uma arte maior In MEDEIROS F H N MORAES T M R org Memorial do Proler Joinville e resumos do Seminário de Estudos da Linguagem Joinville UNIVILLE 2007 p 3941 Disponível em httpwwwcelsosistocomensaiosContar20 HistC3B3riaspdf Acesso em 14 ago 2019 SOUZA L F A magia e o encantamento do teatro na infância In CUNHA S R V org As artes no universo infantil Porto Alegre Mediação 2014 SPOLIN V Jogos teatrais na sala de aula o livro do professor 2 ed São Paulo Perspectiva 2010 STANISLAVSKI C A construção da personagem Rio de Janeiro Civilização Brasileira 2004 VIANNA K A dança São Paulo Siciliano 1990 Unidade 4 Tatiane Mota Santos Jardim Tatiana dos Santos A arte como herança e transformação Convite ao estudo Compreender a cultura de um povo é a oportunidade de agregar valor e conhecimento à trajetória de qualquer pessoa Mas para conhecer as especi ficidades que marcam cada povo como etnia território fazse necessário inicialmente dominar alguns conceitos como o de cultura Você sabe o que é cultura Quais as matrizes culturais formam a população brasileira A cultura sempre foi tema de grandes pesquisas e deve ser identificada como uma construção do homem É algo que o homem produz e que não lhe é dado pela natureza Nesta unidade vamos conhecer as matrizes culturais que formam a história a arte e a cultura do povo brasileiro A formação cultural do povo brasileiro é muito rica e diversificada tendo em vista que recebemos influências de diferentes povos que aqui chegaram Vamos perceber que indígenas europeus e africanos marcam a nossa história os nossos costumes e as tradições por todas as regiões do país A influência indígena e africana é tão forte que no Brasil temos uma legislação específica a qual garante o ensino e a preservação da cultura desses povos Convido você a estudar um pouco mais esse tema nesta unidade 156 Seção 1 Artes visuais teatro música e dança Diálogo aberto Você é um professor do quarto ano do ensino fundamental e percebeu que neste ano seus alunos estão curiosos para descobrir um pouco mais sobre a formação cultural do povo brasileiro A mídia vem noticiando cenas de racismo preconceito e discriminação de forma muito mais intensa com negros e indígenas Esse contexto que não é recente levouo a rever o projeto de estudos para que as raízes culturais e a diversidade cultural por meio de investigação com os alunos fossem trabalhadas e valorizadas Você deverá buscar ampliar o seu repertório artístico histórico e cultural para trabalhar com os alunos Quais aspectos deverá considerar para ampliar os conhecimentos sobre as manifestações artísticas regionais e culturais Como propiciar aos alunos o contato com a história cultura e arte a fim de provocar uma reflexão sobre a valorização da cultura africana e indígena por exemplo Não pode faltar Matrizes culturais indígenas A formação cultural do povo brasileiro certamente recebeu grandes influências mas foram os indígenas que marcaram o início dessa história artística e cultural De acordo com Ribeiro 1995 várias tribos contribuíram com a nossa história principalmente a tribo tupi Quando os portugueses chegaram eles encontraram essas tribos em fase de iniciação da agricultura Elas culti vavam milho batatadoce cará feijão amendoim tabaco abóbora urucum algodão cabaças pimentas abacaxi mamão ervamate guaraná entre muitas outras plantas além de frutas entre elas o pequi e o caju 157 Figura 41 Família de um chefe Camacâ Fonte Proença 2003 p 212 Os indígenas dominavam várias técnicas entre elas as artesanais As mulheres faziam cestos redes e utensílios para uso doméstico sendo manifes tações artísticas e culturais preservadas até os dias atuais e que influenciam a arte e o artesanato brasileiro Figura 42 Cerâmica Fonte httpsgooglrgsFpe Acesso em 28 ago 2019 158 Figura 43 Cestaria Fonte httpsgooglUu2GqM Acesso em 28 ago 2019 Figura 44 Arte plumária e pintura corporal Fonte httpsgooglvLznp9 Acesso em 28 ago 2019 Os indígenas também dominavam conhecimentos sobre ervas medici nais chás e remédios Com a chegada dos europeus os hábitos foram se misturando 159 Assimile Catequização A vinda dos europeus influenciou o desenvolvimento do povo brasileiro que logo passou a conhecer a missão jesuítica objetivando a expansão do catolicismo nessa nova terra catequizando os indígenas que aqui encontraram Em uma época em que a igreja católica detinha grande poder várias ordens como carmelitas beneditinos e franciscanos também vieram para a América mas os jesuítas marcaram a colonização do povo brasileiro Os primeiros registros relacionados ao ensino da arte no Brasil são datados aproximadamente de 1549 a 1808 período em que a educação estava voltada para os nobres e sob a responsabilidade de grupos religiosos principalmente os jesuítas Nesse período no Brasil a educação dominada pela missão jesuítica era dividida em dois projetos Um voltado para a catequização dos índios Outro voltado para a elite dominante Segundo Ferraz e Fusari 2009 os índios aprenderam a tocar construir instrumentos e compor Foi apenas por volta de 1808 por meio das reformas do Marquês de Pombal que a educação jesuítica perdeu sua força Os jesuítas perderam o poder de atuar junto às escolas porém os professores aptos à atuação eram aqueles formados pelos próprios jesuítas Esse momento pedia uma reestruturação cultural no país que ficou marcada pela vinda da Missão Artística Francesa para o Brasil ação de D João VI com o objetivo de reformular os padrões estéticos vigentes FERRAZ FUSARI 2009 p 42 Contudo os brancos também precisavam de mão de obra e para tanto escravizaram os índios principalmente para o trabalho com o cultivo da canadeaçúcar Assim a formação cultural do povo brasileiro tem início com as influ ências europeias por meio da catequização jesuítica e também pela explo ração dos indígenas Diante da necessidade de ampliar a sua mão de obra os europeus passaram a trazer escravos africanos e assim mais uma cultura foi incorporada ao nosso povo 160 Matrizes culturais europeias A missão Artística Francesa chegou ao Brasil chefiada por Joachim Lebreton 17601819 como um grupo de artistas importados da França no ano de 1816 encarregados de substituir a concepção popular de arte assim como o barroco brasileiro pelo neoclassicismo com enfoque nos desenhos na pintura na escultura e na moda europeia Dois dos principais artistas dessa missão foram Nicolas Taunay 17551830 pintor francês de grande destaque na corte de Napoleão Bonaparte e considerado um dos mais importantes da Missão Francesa Ficou no Brasil por cinco anos e retratou paisa gens do Rio de Janeiro MARTINS SILVEIRA 2011 Figura 45 Nicolas Taunay Fonte httpsgooglg18dDV Acesso em 28 ago 2019 JeanBaptiste Debret 17681848 conhecido como a alma da Missão Francesa foi desenhista aquarelista pintor cenográfico decorador professor de pintura e organizador da primeira exposição de arte no Brasil 1829 Em 1818 trabalhou no projeto de ornamen tação da cidade do Rio de Janeiro para os festejos da aclamação de DJoão VI como rei de Portugal Brasil e Algarve Mas foi em Viagem pitoresca ao Brasil coleção composta de três volumes com um total de 150 ilustrações que ele retratou e descreveu a sociedade brasileira Seus temas preferidos são a nobreza e as cenas do cotidiano brasileiro e suas obras nos dão uma excelente ideia da sociedade brasileira do século XIX MARTINS SILVEIRA 2011 161 Figura 46 Sociedade brasileira por Debret 1 Fonte httpsgoogl9evY6A Acesso em 28 ago 2019 Figura 47 Sociedade brasileira por Debret 2 Fonte httpsgooglBrbcJi Acesso em 28 ago 2019 Foi com a vinda da Missão Artística Francesa ao Brasil que em 1816 foi criada a Escola Real das Ciências Artes e Ofício do Rio de Janeiro que após dez anos foi transformada em Imperial Academia e Escola de Belas Artes Ela foi a instituição oficial do ensino da arte no Brasil porém ainda com orientações de institutos similares na Europa Os artistas responsáveis pelo ensino nessa instituição eram nomeados e seguiam os modelos artísticos europeus a arte neoclássica valorizando 162 categorias como harmonia o equilíbrio e o domínio de materiais FERRAZ FUSARI 2009 p 42 Como nessa época a Missão Artística Francesa adotou o estilo neoclás sico acabou por gerar certo preconceito em relação a arte praticada pelas camadas populares o barrocorococó A Academia Imperial de Belas Artes teve nomes importantes como alunos e posteriormente como professores Fazem parte desses alunos os artistas Victor Meireles autor da obra Primeira Missa no Brasil Figura 48 Victor Meireles Fonte httpsbitly2MHHrkY Acesso em 28 ago 2019 Pedro Américo autor da obra Independência ou Morte conhecida também como O Grito do Ipiranga Figura 49 Pedro Américo Fonte httpsbitly2NzoWPn Acesso em 28 ago 2019 163 Almeida Júnior autor da obra Cena da Família de Adolfo Augusto Pinto Figura 410 Almeida Júnior Fonte httpsgooglBZjWJW Acesso em 28 ago 2019 Entre esses três artistas Victor Meireles e Pedro Américo se destacaram na Academia Imperial de Belas Artes recebendo como prêmio a oportuni dade de aprofundarem seus estudos na Europa Os dois artistas também se tornaram professores na própria Academia No final do século XIX o Brasil recebeu milhões de imigrantes que sonhavam em conseguir emprego e terras para o cultivo de forma que pudessem assegurar o futuro dos filhos A maior parte desses imigrantes veio da Alemanha da Itália de Portugal e da Espanha fixandose princi palmente em São Paulo e no Sul do país Eles trabalhavam nas plantações de café e acabaram ocupando o lugar dos mestiços e escravos libertos como mão de obra assalariada RIBEIRO 1995 No sul do Brasil os núcleos de povoamentos se deram em áreas cedidas pelo governo muitas vezes em terras indígenas O objetivo era constituir pequenas propriedades familiares que garantissem a ocupação efetiva do território MELANI 2006 p 202 A junção das populações indígena africana europeia e asiática foi dando origem à formação cultural do povo brasileiro 164 Matrizes culturais africanas Os negros chegaram ao Brasil escravizados pelos europeus e eram trazidos de diferentes lugares como Sudão Costa do Marfim Nigéria Angola e Moçambique Com eles vieram suas culturas seus hábitos e costumes Muitos morreram na travessia outros na chegada mas muitos se adaptaram às novas terras RIBEIRO 1995 Os negros que aqui chegavam eram escravizados batizados e distanciados dos laços familiares e culturais Os homens precisavam atuar também como reprodutores e as mulheres mais bonitas eram escolhidas para serem concubinas e domésticas por vezes castigadas pelas esposas dos senhores As escravas na casa do senhor cumpriam as tarefas domésticas que seriam destinadas a uma mãe de família como cozinhar limpar a casa e cuidar dos filhos FREYRE 2003 Com a mistura de culturas e motivados pelo contexto de escravidão da época os negros deram origem a novos modos de falar andar e comer Ao aproveitarem sobras de alimentos deram origem à feijoada à farofa ao quibebe e ao vatapá por exemplo FREYRE 2003 Após a abolição da escravatura os negros ficaram sem terras para cultivo e assim a maior parte deles se concentrou na periferia das cidades RIBEIRO 1995 Pesquise Mais Para ampliar as suas reflexões leia o artigo referenciado a seguir MORAIS M R de JAYME J G Povos e comunidades tradicionais de matriz africana Uma análise sobre o processo de construção da uma categoria discursiva Civitas Porto Alegre v 17 n 2 p 268283 maioago 2017 As manifestações artísticas regionais e culturais O Brasil apresenta uma diversidade cultural muito grande e podemos perceber isso no modo como as pessoas falam alimentamse manifestam suas crenças e seus valores A arte nos auxilia com essa construção do conhecimento Podemos perceber as influências culturais no artesanato no folclore na dança e na música que ouvimos do norte ao sul do país São influências africanas indígenas europeias asiáticas e americanas que formam um povo com uma das culturas mais diversificadas do mundo Vamos conhecer um pouco dela 165 O Nordeste é uma região muito festiva Algumas das principais festas dessa região são os reisados e pastoris os guerreiros alagoanos o quilombo o maracatu de Pernambuco os caboclinhos o afoxé na Bahia além da marujada o bumbameuboi e outros folguedos e tradições O Reisado de origem portuguesa tratase da festa de folia de reis O Maracatu Nação parecido com o cortejo dos escravos é uma tradição principalmente na região de Pernambuco Vários ritmos agregam valor cultural para essa região como a capoeira o coco e o frevo com influências africanas além de ritmos como o baião o xaxado o xote o babaçuê a cabina o quilombo o rojão o bambelô o batecoxa que misturam influências europeias ameríndias e africanas sendo os instrumentos mais comuns para esses ritmos o agogô o triângulo a zabumba e a sanfona Figura 411 Capoeira Fonte httpsgooglfzC9Gn Acesso em 28 ago 2019 Figura 412 Maracatu Fonte httpsgooglXZuHTR Acesso em 28 ago 2019 166 Figura 413 Reisado Fonte httpsbitly2L0cbeQ Acesso em 28 ago 2019 É possível perceber algumas influências artísticas e culturais que envolvem diferentes linguagens da arte a música e a dança se misturam e revelam principalmente características de matrizes africanas e portuguesas Exemplificando A capoeira é um jogo de origem africana que foi trazido para o Brasil pelos negros escravizados Inicialmente era uma forma de luta e resis tência Ao som do atabaque do berimbau e do agogô os jogadores executam movimentos de ataque defesa e esquiva em meio a uma roda de pessoas que por vezes assistem interagindo com os jogadores ou trocando de lugar com eles A formação da roda é importante para propiciar a interação a visuali zação e envolver os participantes no jogo Quando falamos de capoeira estamos relacionando duas linguagens da arte a musica e a dança Para saber mais leia o artigo referenciado a seguir CORTEZ M B et al Luta dança filosofia de vida a capoeira cantada pelos capoeiristas Psicol Am Lat n 14 México out 2008 O carnaval nordestino atrai foliões do país inteiro Normalmente a festa se prolonga por mais de três dias e é marcada por danças músicas e pela presença de grandes músicos da região Na Bahia o evento é marcado por trios elétricos e em Natal Maceió Olinda e Recife pelo carnaval de rua Essa manifestação cultural que envolve a música a dança e as artes visuais por meio das criações de alegorias princi palmente para os grandes desfiles das escolas de samba revela duas grandes 167 influências a portuguesa que trouxe a festa do carnaval e a africana que trouxe os diferentes ritmos que embalam os passistas Temos também uma representação significativa na religião como a festa do senhor do bom jesus da lapa senhor do bonfim festa dos navegantes candomblé e também as populares como a festa junina Figura 414 Candomblé Fonte httpsgooglJhqZz7 Acesso em 28 ago 2019 Figura 415 Festa junina Fonte httpsgooglVLQqSu Acesso em 28 ago 2019 168 Figura 416 Carnaval Fonte httpsbitly2PjEI3d Acesso em 28 ago 2019 O artesanato da região apresenta as rendas da região litorânea as garrafas de areia coloridas e as obras do grande mestre Vitalino que representava os usos e costumes do homem por meio da modelagem e escultura em barro uma técnica também utilizada por outros artesãos Figura 417 Arte figurativa Fonte httpsbitly2KZqgJz Acesso em 28 ago 2019 169 Figura 418 Rendas de bilro Fonte httpsbitly2Gx8OaF Acesso em 28 ago 2019 A cultura das regiões Sul e Sudeste recebeu influências indígena europeia africana asiática e outras A diversidade de manifestações culturais dessas regiões é grande e movimenta grande parte do turismo em diferentes cidades Muitas das lendas contadas de geração em geração também podem ser reconhecidas em outras regiões como é o caso do Sacipererê um dos perso nagens mais populares do folclore brasileiro Essas regiões apresentam lendas indígenas crenças e personagens que foram criados a partir das heranças trazidas por imigrantes É possível citar a lenda do negrinho do pastoreio famosa por envolver a religiosidade e também a situação de escravidão da gralha azul e do plantio das araucá rias do boi de mamão uma versão do boibumbá e do bumba meu boi das bruxas do sacipererê da cutia do Chico Rei da Serra das esmeraldas etc Figura 419 Bumba meu boi Fonte Shutterstock 170 Figura 420 Aldo locatteli Negrinho do pastoreio Fonte httpsgooglqPvkpU Acesso em 28 ago 2019 O artesanato apresenta características próprias da região No litoral destacamse as rendas de bilro e as redes de pescadores na região de Minas Gerais as famosas esculturas e panelas feitas de pedrasabão bem como as populares namoradeiras No Rio de Janeiro as bonecas Abayoni de origem africana ganham destaque No Espírito Santo as panelas de barro utilizadas para servir a famosa moqueca capixaba Figura 421 Abayomi Fonte httpsgooglSxfjHT Acesso em 28 ago 2019 171 Figura 422 Esculturas em pedra sabão Aleijadinho Fonte httpsbitly30MWn4U Acesso em 28 ago 2019 As regiões Sul e Sudeste são conhecidas por grandes festas No Sudeste especialmente nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo são apresentados os maiores desfiles do carnaval brasileiro no Sul em Blumenal a maior festa alemã do país a Oktoberfest e em Gramado no Rio Grande do Sul o famoso Natal Luz Além dessas festas podemos citar também os folguedos de Minas a congada a folia de reis a cavalhada e o ticumbi detalhes que enriquecem os saberes a herança e as manifestações culturais brasileiras além de agregarem características de diferentes povos Figura 423 Carnaval Di Cavalcanti Fonte httpsgooglYUw3sy Acesso em 28 ago 2019 172 Figura 424 Ticumbi Fonte httpsgooglDuHvT9 Acesso em 28 ago 2019 Figura 425 Congada Fonte httpsgooglHftfNW Acesso em 28 ago 2019 As regiões do Norte e CentroOeste do Brasil também apresentam uma rica diversidade cultural Com influências europeias africanas paraguaias e principalmente marcas da cultura indígena essas regiões apresentam várias lendas costumes festas e tradições que são repassadas de geração em geração e compartilhadas com os turistas que visitam essas terras Muitas lendas estão ligadas à natureza aos animais e à Floresta Amazônica assim temos o curupira e o boitatá defendendo a floresta o Botocorderosa trazendo respostas para a gravidez fora do casamento a índia transformada em vitóriarégia bem como histórias criadas no CentroOeste para se justi ficar a tristeza do Tuiuiu a beleza da Gruta Azul e a generosidade do João de Barro No artesanato vamos ter a arte indígena revelada por meio dos adornos das máscaras da cerâmica das canoas dos instrumentos musicais e também na própria pintura corporal A pintura corporal indígena é muitas vezes específica na representação de cada evento 173 Figura 426 Pintura corporal Fonte httpsgooglDiuYdq Acesso em 28 ago 2019 Figura 427 Artesanato cestaria Fonte httpsgooglxGjrZP Acesso em 28 ago 2019 Na região CentroOeste vamos encontrar o artesanato de capim dourado por meio do qual as artesãs confeccionam adornos colares brincos pulseiras bolsas e utensílios Na região Norte por sua vez encontramos as heranças deixadas nas cerâmicas produzidas pelas culturas Marajoara e Santarém Nessa região rica em festas que representam a fé da população encon tramos o tradicional Círio de Nazaré a Marujada o Carimbó e a Festa de São Gonçalo por exemplo além de todas as danças e todos os rituais indígenas e um dos maiores eventos da cultura brasileira o Festival de Parintins que apresenta a disputa entre os bois Caprichoso e Garantido Tal festival atrai turistas de todo o país contando por meio de apresentação temáticas regio nais como lendas rituais indígenas e costumes dos ribeirinhos mediante alegorias e encenações 174 Figura 428 Círio de Nazaré Fonte httpsgooglAKpNPg Acesso em 28 ago 2019 Figura 429 Festival de Parintins Fonte httpsgoogldYZcGA Acesso em 28 ago 2019 Figura 430 Carimbó Fonte httpsgooglSjjHNL Acesso em 28 ago 2019 175 As matrizes culturais brasileiras se relacionam e comumente encon tramos manifestações artísticas e culturais que revelam essa mistura O carimbó por exemplo é considerado um gênero musical indígena com influ ências culturais africanas e portuguesas Em síntese podemos dizer que nas artes visuais na dança no teatro e na música nossa formação cultural é marcada inicialmente por matrizes africanas europeias e indígenas seguida de influências asiáticas e americanas Uma das competências específicas para o ensino da arte no ensino funda mental de acordo com a BNCC é pesquisar e conhecer matrizes estéticas e culturais especialmente aquelas que constituem a identidade brasileira O conhecimento sobre a história da arte no Brasil e as relações existentes com a cultura indígena e africana são importantes ainda para que os alunos compreendam a diversidade presente na formação cultural brasileira Quadro 41 Matrizes culturais no Brasil influências africanas indígenas e europeias Matriz africana Matriz indígena Matriz europeia Influências na música dan ça alimentação crenças Arte que revela a simbologia africana por meio de pintura corporal adornos produção de máscaras com significado místico iconografia baseada na arte étnica A escultura em madeira é uma grande influência Esculturas de animais atributos às divindades e objetos do cotidiano A pintura e o artesanato influenciados pela matriz africana revelam um colo rido por vezes geométrico outras figurativo A música e a dança se misturam Várias manifesta ções brasileiras apresentam características dessa matriz nos instrumentos no ritmo no som e na expressão corporal Influência na música na dança na alimentação na língua nas crenças no artesanato e na medi cina natural A arte revela os trançados a simbologia com caracte rísticas de diferentes tribos Essa matriz influencia o trabalho artesanal com plumas e elementos da natureza como sementes e fibras naturais Lendas e tradições com in fluência indígena também fazem parte da cultura brasileira bem como a busca por medicina alter nativa utilizandose dos mais diversos elementos naturais A simbologia indígena é muito forte A arte normalmente utilitária apresenta características que envolvem ao mesmo tempo beleza e objetivi dade Influência na música na alimentação na religião na língua no artesanato na cultura erudita A arte revela características marcantes das artes clássicas renascimento maneirismo barroco rococó e neoclas sicismo Na música as tradições por tuguesas italianas alemãs e francesas corroboraram com o desenvolvimento de diversas danças e festas que podem ser encontradas de Norte a Sul do país A arquitetura também recebeu grande influência por meio da exuberância das talhas enriquecidas por detalhes feitos em ouro e principalmente do uso de beiras e sobrados que per manecem até os dias atuais O artesanato é marcado principalmente pelas ren das e porcelanas Fonte elaborado pela autora 176 Reflita Se procurarmos identificar cada herança cultural vamos perceber que todos nós temos muito dos indígenas dos africanos e dos europeus Tendo em vista que são as principais matrizes culturais do Brasil reflita qual o motivo para tanta discriminação e racismo Pesquise Mais Para conhecer de forma mais detalhada as nossas heranças culturais bem como as características históricas e culturais das cinco regiões do Brasil consulte o material elaborado pela professora Graça Pimentel em parceria com o MEC PIMENTEL G Oficinas Culturais Brasília Universidade de Brasília 2007 104 p Sem medo de errar Vamos retomar a situação problema apresentada no início da nossa discussão Você precisa trabalhar as matrizes culturais do povo brasileiro com a turma do 4º ano do ensino fundamental Para realizar esse trabalho você poderá explorar os conceitos sobre a influência indígena por meio dos estudos que realizamos apresentando a história das principais tribos brasi leiras principalmente a tupi da qual diariamente manifestamos diversas heranças culturais Você poderá também citar as consequências das missões Jesuítica e Artística Francesa bem como as características que essas missões deixaram como contribuição para a arte e a cultura brasileira A influência dos negros vindos da África escravizados também marcou nossa história e cultura por meio dos hábitos alimentares das crenças dos valores da música da dança e da arte que prevalecem até os dias atuais Por fim é importante resgatar dentro de cada região as principais carac terísticas culturais exemplificando para os alunos as heranças os saberes e as manifestações culturais brasileiras de diferentes matrizes Compreendeu a importância do conhecimento histórico artístico e cultural para o trabalho com as crianças Para combater as ações de racismo preconceito e violência é necessário dialogar sobre as influências que marcam a nossa existência e principal mente a nossa cultura É importante mostrar para as crianças que indepen dentemente da cor da pele todos nós temos e compartilhamos uma das culturas mais ricas do mundo justamente pela diversidade de matrizes que 177 podemos encontrar Os pequenos precisam iniciar essa discussão desde cedo e ampliála no decorrer de todas as etapas da educação Avançando na prática Joana quer saber sobre frevo Joana acabou de se formar no curso de pedagogia e vai começar a traba lhar com crianças de 3 anos certamente na área de expressão corporal e dança Um dia seus alunos estavam procurando figuras em revistas quando encontraram a imagem de uma criança segurando uma sombrinha colorida Curiosas elas perguntaram a Joana por qual motivo a criança estava segurando aquela sombrinha colorida se não havia sol algum na imagem e por que a sombrinha era menor do que ela argumentando que se houvesse chuva o utensílio não serviria para protegêla Joana percebeu que se tratava de uma imagem do frevo e questionou qual será a origem dessa dança e quais influências culturais permeiam essa prática Resolução da situaçãoproblema O que muitas pessoas não sabem é que o frevo dança típica da região do Nordeste é derivado da capoeira O frevo arrasta multidões no carnaval é uma dança com ritmo acelerado que exige do passista resistência equilíbrio e agilidade é composta por mais de cem passos já catalogados sendo os mais conhecidos a locomotiva a dobradiça o fogareiro a tesoura a capoeira a mola o ferrolho e o parafuso O nome deriva do verbo ferver tendo em vista a agitação da dança que existe desde o final do século XIX Além disso é uma dança cujos passistas utilizam a sombrinha colorida aberta para desenvolverem as coreografias Um dos momentos em que o frevo é a principal atração é no carnaval de Olinda que não conta com escola de samba e é realizado pelo povo e pela folia nas ruas 178 Figura 431 Passista de frevo Fonte httpsbitly2L2SEKK Acesso em 28 ago 2019 Faça valer a pena 1 A formação cultural do povo brasileiro recebeu influências africanas trazidas pelos negros escravizados pelos europeus Entre os aspectos que contam a história dos negros no Brasil podese citar I Os negros que aqui chegavam eram escravizados batizados e distan ciados dos laços familiares e culturais II Os homens negros precisavam atuar também como reprodutores com as mulheres brancas escolhidas pelos seus senhores III As escravas na casa do senhor cumpriam as tarefas domésticas que seriam destinadas a uma mãe de família como cozinhar limpar a casa e cuidar dos filhos IV Com a mistura de culturas e motivados pelo contexto de escravidão da época os negros deram origem a novos modos de falar andar e comer É correto o que se afirma em a I II III e IV b I II e IV c I III e IV d II III e IV e II e III 179 2 Sabiase que os índios constituíam boa parte da mão de obra das fazendas dos sertões paulistas em meados do século XIX Arrecadados e contratados nos aldeamentos existentes ou simplesmente escravizados eram os braços das lavouras os peões das estâncias os trabalhadores das aberturas de estradas e de tantas outras sortes de serviços Os interesses indígenas e dos proprietários muitas vezes se congregaram pois os primeiros buscaram nos segundos a proteção que julgaram apropriada para sobreviver aos ataques realizados por seus inimigos nas matas indígenas de outros povos ou não DORNELLES 2018 p 91 Tanto os negros quanto os indígenas viveram diversas situações de escravidão I Fora de seu habitat natural o índio não se adaptava como escravo morria de infecções fome e tristeza Para suprir a deficiência da mão de obra escrava os senhores de engenho começavam a importar negros caçados na África PORQUE II As escravas negras substituíam as índias tanto na cozinha como na cama do senhor Na agricultura a presença do negro elevava a produção de açúcar e o preço do produto no mercado internacional FREYRE 2003 p 12 Acerca dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justifica tiva da I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II não é uma justi ficativa da I c A asserção I é verdadeira e a II é uma proposição falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira e As asserções I e II são proposições falsas 3 A vinda dos europeus influenciou o desenvolvimento do povo brasileiro por meio de hábitos e costumes trazidos da Europa Entre as culturas em questão podemos citar a França 180 A cultura francesa sempre esteve presente na história do Brasil principal mente após a chegada da Missão Francesa em 1816 Mesmo não tendo sido a principal colonizadora do nosso país e não tendo exercido grande influência política ou econômica sobre o Brasil a França contribuiu para a renovação das artes e para as mudanças dos nossos hábitos culturais e sociais ajudando na construção da identidade brasileira A França não dominou a economia do Brasil como a Inglaterra ou Portugal mas foi responsável pela primeira colonização cultural do país influenciando o comportamento das elites determinando modelos de vida social e referências intelectuais desde a filosofia até a moda da gastronomia à literatura Entre as influências existentes advindas da França e de outras culturas europeias escreva V para as afirmações verdadeiras e F para as afirma ções falsas A missão jesuítica teve o objetivo de expandir o catolicismo nessa nova terra catequizando os indígenas que aqui encontraram Com a chegada dos europeus os hábitos foram se misturando enquanto os indígenas tomavam muitos banhos diários os europeus ficavam dias sem tomar Os indígenas passaram a conhecer doenças como tuberculose sarampo e coqueluche Os europeus dominavam as técnicas artesanais e ensinaram aos indígenas o trançado e a confecção de cestos Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta a VVVV b VFFV c VVVF d FFFV e VVFF 181 Seção 2 Arte e educação em ambientes não formais Diálogo aberto João é um pedagogo apaixonado pelo trabalho com arte e cultura que está sempre desenvolvendo propostas de arte com os seus alunos do ensino fundamental e agora acaba de receber uma proposta para se dedicar exclu sivamente ao ensino da arte Contudo tratase de um trabalho que deverá ser desenvolvido com as crianças em museus e galerias de arte Enquanto pedagogo como ele pode colocar esse trabalho em prática Quais propostas poderá trabalhar Para iniciarmos um diálogo sobre o desafio do professor João vamos conceituar educação não formal arte e educação e definir quais são esses espaços e as propostas que podem ser desenvolvidas Não pode faltar Por muito tempo a arte vem ganhando espaço como vetor de inclusão social cultural e histórica Embora os professores de arte ainda participem de uma eterna busca por valorização da área nos diferentes níveis de educação formal é na educação não formal que muitos projetos ganham destaque De acordo com Duarte A arte em todas as suas manifestações é por conseguinte uma tentativa de nos colocar diante de formas que concre tizem aspectos do sentir humano Uma tentativa de nos mostrar aquilo que é inefável ou seja aquilo que perma nece inacessível às redes conceituais de nossa linguagem As malhas dessa rede são por demais largas para capturar a vida que habita os profundos oceanos de nossos senti mentos Ali quem se põe a pescar são os artistas DUARTE JR 1988 p49 Professores e artistas buscam proposições que envolvem o trabalho com o conhecimento sensível em diferentes espaços Segundo Pillotto 2004 p 38 A arte como linguagem expressão e comunicação trata da percepção da emoção da imaginação da intuição da criação elementos fundamentais 182 para a construção humana sensível Como vetor de construção humana sensível a arte possibilita contato com o mundo e consigo mesmo permite que por meio dela a criança conheça e compreenda o contexto em que está inserida e desenvolva conhecimentos artísticos culturais e históricos Categorias do conhecimento sensível Kant 1991 definiu como categorias do conhecimento sensível a percepção a intuição a imaginação a emoção e a sensibilidade Ele compre endia uma interação entre as categorias que via como elementos distintos e acreditava que essas categorias correspondiam a uma maneira particular de ver o mundo Na área de arte Fayga Ostrower desenvolveu estudos referentes a isso pois acreditava que o conhecimento sensível é essencial ao desenvolvi mento humano A autora afirmou que o homem cria não apenas porque quer ou porque gosta e sim porque precisa ele só pode crescer como ser humano coerentemente ordenando dando forma criando Os processos de criação ocorrem no âmbito da intuição toda experiência possível ao indivíduo também a racional tratase de processos essencialmente intui tivos Intuitivos esses processos se tornam conscientes na medida em que lhes damos uma forma Entretanto mesmo que a sua elaboração permaneça em níveis subconscientes os processos criativos teriam que referirse à consciência dos homens pois só assim poderiam ser indagados a respeito dos possíveis significados que existem no ato criador OSTROWER 1986 p 10 Para a autora a criação está relacionada ao ser sensível e ser sensível é privilégio de todo ser humano Pensar o conhecimento sensível como parte integrante do ensino aprendizagem da arte é nossa função enquanto educa dores É necessário articular as dimensões do conhecimento presentes na BNCC com as categorias do conhecimento sensível É importante oportu nizar momentos de fruição da arte em que a criança possa desenvolver sua capacidade de intuição e percepção de mundo compreendendo o contexto em que está inserida de forma crítica e sensível A razão e a intuição precisam trabalhar de forma associada pois não existem isoladamente Para Ostrower 183 Intuir questionar indagar aprender e avaliar o real das coisas intuitivamente é um caminho de conhecimento típico do homem Caminho dos mais criativos representa sempre um modo dinâmico um contínuo sairdesi em busca de conteudos significativos a partir de determinadas inten ções para poder agir A própria percepção é fundamental mente um constante intuir OSTROWER 1986 p 58 Para a autora esse ato dialógico de intuir e perceber o meio cultural proporciona um repensar e agir sobre situações novas e diferenciadas O ato de intuir a partir dos conhecimentos reais e da sensibilidade propicia a construção de novas criações e possibilidades para novas situações Dessa forma segundo Pillotto o conhecimento sensível desencadeia um processo de enfrentamento do mundo e relações entre o limiar do racional e emocional 2004 p 50 O processo de criação em arte como uma conquista de maturidade perpassa as categorias do conhecimento sensível São elas Percepção é um elemento sutil dificilmente reconhecido de imediato Perceber é apreender o mundo externo é ir ao encontro do que no íntimo se quer perceber está fundamentada no que o professor é capaz de sentir e compreender sobre si mesmo sobre os alunos e sobre a vida PILLOTTO 2007 p 119 Intuição tem capacidade de construir ideais por meio das informa ções internalizadas pelos indivíduos intuir observar relacionar são caminhos criativos que representam um modo dinâmico de conhecimento no qual o professor tornase protagonista no diálogo entre a sua percepção e os significados que constrói na sala de aula e no modo como espaços objetos e pessoas lhe falam e lhe afetam PILLOTTO 2007 p 119 Emoção Serve como um sistema primário de aviso Ela é significa tiva fica armazenada no banco de memória emocional e é parte da racionalidade GARDNER 1999 p 89 Imaginação é um pensar específico sobre um fazer concreto Nasce do interesse e do entusiasmo 184 Criação Iniciase em um processo de pura sensibilidade em que a mobilização interior leva a pessoa a criar mergulhada no próprio inconsciente Consciente e inconsciente complementamse na total entrega de si em busca do desenvolvimento da própria personali dade em busca de uma construção de olhar para o mundo e para a própria existência Para Pillotto o conhecimento acontece nos níveis da racionalidade argumentaçãoreflexão e do sensível emoção intuição percepção Ambos devem ser considerados nos processos de aprendizado pois fazem parte do contexto cotidiano e sobretudo da experiência humana 2004 p 53 Em consonância com a autora Ostrower aponta que quando uma pessoa é aberta à vida sem preconceitos e receptiva às novas experiências quando ela é capaz de diferenciarse e reintegrarse de amadurecer e crescer espiritu almente ela terá condições de criar OSTROWER apud PILLOTTO 2007 p 115 Compreender as categorias do conhecimento sensível e articulálas ao ensino da arte e pela arte possibilita uma visão completa de ser humano em que as possibilidades não se esgotam e tanto a criação como a imagi nação perpassam pela compreensão que se tem de si e do mundo Está muito além do que muitos acreditam saber sobre o ensino da arte nas escolas pois envolve a essência da sensibilidade humana envolve razão e emoção aprendizagem e uma constante busca de conhecimento Educação não formal Mas quais são os espaços de educação não formal Quais os projetos e as metodologias que devem ser desenvolvidas Segundo Gohn A educação não formal não tem o caráter formal dos processos escolares normatizados por instituições superiores oficiais e certificadoras de titularidades Difere da educação formal por que esta ultima possui uma legislação nacional que norma tiza critérios e procedimentos específicos A educação não formal lida com outra lógica nas categorias espaço e tempo dada pelo fato de não ter um curriculum definido a priori seja quanto aos conteudos temas ou habilidades a serem traba lhadas GOHN 2013 p 12 185 Embora não tenha uma legislação educacional específica a educação não formal é organizada de acordo com os projetos culturais e as políticas institucionais próprias É possível que ela aconteça em ambientes públicos ou privados e por conta disso não segue uma diretriz específica No Brasil a educação não formal começou a ganhar maior espaço a partir de 1990 com as mudanças políticas e econômicas Os espaços como museus galerias ONGs e institutos especializados começaram a desenvolver projetos mediados por profissionais ligados à arte à história e à cultura Queiroz defende que a formação de professores que possam atuar em espaços não formais de educação como os museus pode levar os envolvidos a vivenciarem a riqueza de uma situação educacional ampliada para além dos muros escolares sendo que este trabalho é melhor equacionado no âmbito da parceria entre os museus e as instituições de formação docente QUEIROZ 2013 p 11 Essa formação pode envolver profissionais de diferentes áreas que deverão trabalhar com a arte como forma de expressão comunicação e bem cultural da humanidade Tendo em vista que A educação não formal contribui para a produção do saber na medida em que atua no campo no qual os indivíduos atuam como cidadãos Ela aglutina ideias e saberes produ zidos via o compartilhamento de experiências produz conhecimento pela reflexão faz o cruzamento entre saberes herdados e saberes novos adquiridos GOHN 2013 p 13 Tais saberes compartilhados envolvem as diferentes linguagens da arte Dessa forma é possível encontrarmos projetos de arte e educação não formais dentro da linguagem do teatro da música da dança e também das artes visuais São projetos que envolvem a fruição da arte a contextuali zação ou história da arte e o fazer artístico por meio de mediações pedagó gicas que também envolvem trabalho de curadoria monitoria e oficinas temáticas Como exemplo a arte circense embora envolva a psicomotrici dade e o trabalho com a educação física também ganha espaço na educação não formal 186 Contudo quais profissionais podem atuar nos espaços de educação não formal A Resolução CNECP nº 012006 BRASIL 2006 que define a formação dos profissionais da área da pedagogia revela a possibilidade de planejamento execução coordenação acompanhamento e avaliação de projetos e experiências educativas nãoescolares na produção e difusão do conhecimento científico tecnológico do campo educacional em contextos escolares e não escolares BRASIL 2006 Ou seja além dos profissionais de áreas específicas os egressos dos cursos de pedagogia também podem atuar como mediadores pedagógicos na educação não formal Museus Vários museus desenvolvem projetos educativos que envolvem visitas guiadas monitorias e trabalhos pedagógicos oferecidos a grupos de alunos que visitam as exposições O papel dos profissionais que atuam nesses projetos implica em estudo e pesquisa acerca das obras e artistas bem como dos processos de leitura de imagem e proposições artísticas É comum encontrarmos nesses espaços os profissionais da arte o que não quer dizer que não sejam espaços de atuação do pedagogo Uma vez que as atividades são educativas é possível encontrarmos profissionais das mais diversas áreas atuando em projetos que envolvem arte e educação Exemplificando O Projeto museu para todos da Pinacoteca de São Paulo é um projeto desenvolvido pelo Nucleo de Ação Educativa NAE para aproximar a arte e a educação Os profissionais desenvolvem monitorias jogos brincadeiras e orienta ções para professores e alunos aproveitarem da melhor forma o espaço e as exposições que permitem a ampliação do repertório artístico e cultural O grupo também desenvolve adaptações das obras em relevo braile e audiodescrição possibilitando o acesso às pessoas com defici ência Pesquise mais Quer conhecer um pouco mais sobre o Projeto museu para todos Faça a leitura do trabalho da arte educadora Amanda Tojal idealizadora do projeto TOJAL A P da F Museu de arte e público especial 2007 Tese Douto rado em Cultura e Informação Escola de Comunicação e Artes Universidade de São Paulo São Paulo 2007 187 Normalmente as atividades em museus envolvem os processos de curadoria e monitoria Curadoria de acordo com a Fundação Nacional de Artes FUNARTE 2012 p 119 envolve primeiramente o ato de cuidar e curar contudo a função de conservar e preservar as obras de arte precede tal conceito que data meados do século XX Posteriormente esse conceito foi ampliado e a curadoria ganhou relevância para a concepção e organização das exposições que hoje são organizadas e assinadas por curadores Monitoria o monitor é a pessoa que vai receber o público portanto é necessário compreender que ele é o intermediário entre o público e o museu ele é o anfitrião e o portavoz do museu COSTA 2006 Por meio da monitoria os pedagogos podem desenvolver projetos com públicos diferenciados Especificamente com crianças é possível criar oficinas de interação com a arte partindo das temáticas da exposição bem como proposições educativas envolvendo a ludicidade ONGs Outros espaços de atuação do pedagogo são as Organizações não Governamentais Como a arte trabalha com expressão comunicação e conhecimento cultural normalmente as ONGs oferecem espaços para que o pedagogo desenvolva propostas educativas que a envolva Nesses espaços o ensino da arte por vezes acontece em forma de oficina Assim o projeto de oficinas abrange todas as linguagens e idades Oficinas de desenho pintura escultura teatro dança canto música e várias linguagens que permeiam a arte são desenvolvidas por profissionais da área da arte e da pedagogia Uma pesquisa sobre o ensino da arte em ONGs foi desenvolvida e constatouse que nesses espaços a arte tem papel funda mental de transformação e inclusão social Os benefícios mais citados na pesquisa foram fortaleci mento da autoestima positiva expansão da capacidade cognitiva desenvolvimento de habilidades e competências em determinadas modalidades artísticas favorecimento de atitudes positivas possibilidade de inserção no mercado de trabalho e a contribuição para efetivar os direitos que as 188 crianças e adolescentes devem ter O benefício enfatizado foi o fortalecimento da autoestima RECIFE 2008 p 128 Exemplificando Um exemplo de ensino da arte em ONGs é a Associação Fernanda Bianchini que desenvolve um projeto de inclusão social por meio da arte especialmente no balé clássico para meninas cegas O projeto iniciouse em 1995 e hoje atende mais de 300 crianças em diferentes cidades A associação conta com aulas de balé sapateado teatro dança de salão sincronismo e expressão destinadas gratuitamente para esse publico Reflita Existem muitos exemplos de projetos de ensino da arte na educação não formal Projetos que envolvem profissionais da área de artes da literatura educação física pedagogos que desenvolvem proposições educativas relacionadas com essa área de ensino Os exemplos citados nesta disciplina servem para provocar uma reflexão sobre as diferentes possibilidades descritas anteriormente tendo em vista a formação do pedagogo para atuação nesses espaços Arte e educação hospitalar A educação hospitalar está classificada como escola de atendimento especial uma vez que o hospital se torna um espaço de aprender A arte nesse contexto tem papel fundamental uma vez que trabalha com a sensibilidade com a criatividade e com a expressão As experiências propi ciadas aos pacientes devem levar em consideração que a ligação com o fazer estético intensifica a experiência reestruturando e libertando os objetos de uma visão rotineira Com a arte abrimos os sentidos para novas experiên cias SIMAS 2012 p 19 Como o hospital passou a ter também caráter educacional o papel do pedagogo é fundamental para a elaboração de propostas que unem o sensível por meio da arte e o aprender por meio das experiências pedagógicas Contação de histórias Algumas propostas envolvem a contação de histórias e é possível encon trar projetos nessa área em vários locais do país Contudo qual a importância do pedagogo nessa atividade 189 O olhar pedagógico para a contação de histórias é fundamental e iniciase no momento da escolha da história e do livro que será apresentado para as crianças Muito se tem discutido sobre a qualidade de textos e ilustrações da literatura infantil Pesquisamos avançamos em nossas reflexões e buscamos a cada dia ampliar nosso repertório visual com materiais de qualidade tendo em vista a gama de materiais oferecidos comercialmente que não agregam valor nenhum para essas propostas e acabam empobrecendo as proposições É necessário compreender os fatores que atribuem boa ou má qualidade a uma literatura Cabe ao pedagogo avaliar a ilustração e o texto a fim de garantir uma contação de histórias de qualidade pois assim como devemos questionar a qualidade das imagens obras de arte e música apresentadas às crianças também devemos analisar a qualidade dos livros Texto e ilustração são complementares tanto que hoje as editoras não apresentam mais o nome do autor e do ilustrador pois consideram ambos como autores da obra tendo em vista que uma boa ilustração permite com que o leitor a ultrapasse as barreiras do texto Uma boa ilustração vai além do texto e permite ao leitor um processo de fruição visual assim como acontece com uma obra das artes visuais Os livros escolhidos para propiciar momentos de contação de histórias para as crianças devem apresentar qualidade de texto e ilustração que divergem das propostas empobrecidas por desenhos estereotipados que em nada contri buem para o desenvolvimento da imaginação e da criatividade infantil O pedagogo é o profissional que pode por meio da sua formação quali ficar esses momentos Pesquise mais Quer aprofundar seus estudos sobre a qualidade na literatura infantil Pesquise sobre o Programa Nacional de Incentivo à Leitura PROLER certamente existe alguma iniciativa na sua região André Neves é um dos autores contemporâneos que apresenta uma proposta diferenciada de ilustração Para ele o livro é uma obra viva Conheça melhor o ilustrador ao ler a reportagem O lustrador André Neves referenciada a seguir MARCUCCI C Revista Crescer O ilustrador André Neves Sl Sd São vários os grupos de profissionais envolvidos em projetos das mais diversas linguagens artísticas contudo as experiências estéticas precisam ser planejadas e mediadas evitandose transformálas em meras oficinas de técnicas descontextualizadas 190 Exemplificando A Hospitalhaços é uma Organização Não Governamental ONG fundada em 1999 por Walkiria Camelo que utiliza a figura do palhaço para levar sorrisos exclusivamente ao ambiente hospitalar O desafio diário é criar uma atmosfera mais leve alegre e descontraída para pacientes familiares e profissionais da saude A ONG trabalha com doações e voluntários que queiram por meio da arte circense figura do palhaço levar alegria para as crianças São mais de 600 voluntários que contribuem em 24 hospitais Outro exemplo de arte nos ambientes hospitalares é o trabalho da Doutores da alegria que também utiliza a figura do palhaço em seus projetos A partir das intervenções em hospitais Doutores da Alegria amplia canais de diálogos reflexivos com a sociedade compartilhando o conhecimento produzido através de formação pesquisa publicações e manifes tações artísticas contribuindo para a promoção da cultura e da saude e inspirando políticas publicas Buscam novas parcerias para levar a Arte para os hospitais como por exemplo a inserção de obras deixando o ambiente mais agradável para as crianças O Instituto da Criança em São Paulo recebeu mais de cem reproduções de obras do artista plástico Gustavo Rosa A ala de diálise do hospital ficou repleta de quadros em tamanhos grandes que enchem o olhar de crianças acompanhantes e profissionais de saude DOUTORES DA ALEGRIA 2018 sp Conheça melhor o trabalho desenvolvido pelos Doutores da Alegria acessando o site referenciado a seguir PORQUE hospital também é lugar de arte Sl 4 jan 2017 Arte para privados de liberdade Os projetos de arte no sistema prisional vêm ganhando espaço Estamos em um momento histórico em que a educação e arte como direito de todos nunca foi tão discutida Vários projetos que envolvem a alfabetização a escolarização o trabalho com competências socioemocionais e os trabalhos com a arte estão em 191 desenvolvimento ou em fase de implementação junto aos privados de liber dade O papel do pedagogo converge com a necessidade de discussão dos processos de ensino e aprendizagem também nesses ambientes Assim como nas ONGs nos espaços de sistema prisional a arte tem caráter transformador por envolver a sensibilidade a expressão e a criatividade Contudo entendemos que indiferentemente dos espaços em que o pedagogo ou o professor de arte vai atuar é importante que a essência do ensino da arte seja preservada evitando que esse trabalho o qual envolve uma área de conhecimento específica não assuma caráter terapêutico Assim as proposições devem contribuir na ampliação do repertório cultural dos envolvidos e proporcionar maior contato com a arte e com as experiên cias estéticas por meio da fruição e da criação Criar não representa um relaxamento ou um esvaziamento pessoal nem uma substituição imaginativa da realidade criar representa uma intensificação do viver um viven ciarse no fazer e em vez de substituir a realidade é a realidade é uma realidade nova que adquire dimensões novas pelo fato de nos articularmos em nós e perante nós mesmos em níveis de consciência mais elevados e mais complexos Somos nós a realidade nova Daí o senti mento do essencial e necessário no criar o sentimento de um crescimento interior em que nos ampliamos em nossa abertura para a vida OSTROWER 1986 p 28 Pesquise mais O Projeto Arte que Liberta o qual exibe obras de arte no CPP de Jardi nópolis é um exemplo de iniciativa que leva arte para privados de liber dade A iniciativa partiu de educadores do Programa de Educação para o Trabalho De Olho no Futuro da Fundação Prof Dr Manoel Pedro Pimentel Funap que por meio de programas educacionais visa o desenvolvimento das habilidades e competências dos reeducandos para a inserção no mundo do trabalho e participação social A partir daí diretorias do CPP e Museu fizeram o cronograma das atividades que incluem palestras oficinas de pintura e divulgação dos trabalhos criados pelos presos O Projeto Arte 192 que Liberta é parceria da Secretaria da Administração Penitenciária SAP por meio da Funap e Museu Casa de Portinari instituição da Secretaria da Cultura do Estado e tem como objetivo difundir a cultura e a arte regional no sistema prisional DANIEL 2016 sp Confira a reportagem completa DANIEL C Projeto Arte que Liberta exibe obras de arte no CPP de Jardinópolis Sl 3 jul 2016 Assimile O papel do pedagogo frente aos trabalhos com a arte em diferentes espaços não deve compreender a arte como possibilidade terapêutica uma vez que envolve uma área de conhecimento com aspectos muito mais amplos Toda linguagem deve ser contextualizada propiciando momentos de fruição compreensão da história da arte e criação Reflita Para encerrarmos essa discussão que certamente não se esgota vamos retomar alguns conceitos e refletir sobre eles Diante de tantos fatos que escutamos diariamente relacionados a atitudes preconceituosas e excludentes em um país marcado pelo racismo e pela exclusão social a atuação de pedagogos em espaços diversificados não seria um grande avanço para a história da educação brasileira O que representa nesta sociedade em que vivemos traba lhar com a arte nos sistemas prisionais por exemplo Sem medo de errar Após dialogarmos sobre a arte nos espaços de educação não formal vamos retomar o desafio do professor João O professor recebeu uma proposta para se dedicar exclusivamente ao ensino da arte contudo tratase de um trabalho que deverá ser desenvolvido com as crianças em museus e galerias de arte Para iniciar a sua proposta o professor precisará retomar os conceitos que permeiam o ensino da arte Assim deverá compreender a importância do trabalho articulado entre as dimensões do conhecimento criação crítica estesia expressão fruição e reflexão e entre as categorias do conhecimento 193 sensível a percepção a emoção a imaginação a intuição e a criação elementos fundamentais para a construção humana sensível A formação do pedagogo lhe permite atuar nos espaços de educação não formal assim não precisará compreender esses espaços para planejar as proposições estéticas que pretende desenvolver Os museus e galerias recebem muitas pessoas especialmente grupos de crianças jovens e adultos de escolas regulares e especializadas Dessa forma dois pontos são fundamentais para o trabalho do professor a monitoria e a ação educativa Monitoria organizada pelo professor que também poderá formar um grupo de monitores por meio de capacitação São os monitores que recebem o público e fazem a mediação da visita à exposição bem como a mediação entre público museu e obra Ou seja o papel do monitor é ser o portavoz do museu Ele deverá conhecer a exposição as obras o contexto e a história para mediar a visita e o processo de fruição evitando direcionar o olhar do espectador Ação educativa são as proposições organizadas a partir da exposição Não diferem muito da sala de aula tendo em vista as diversas possi bilidades de trabalho que podem ser propostas como ressignificação de obras construção de jogos brincadeiras intervenção e todas as possibilidades que o professor João conseguirá desenvolver diante do contexto do próprio museu e da realidade do público que está recebendo claro sem perder o caráter educativo e a experiência estética e sensível que a arte nos propicia Avançando na prática Arte no ambiente hospitalar O grupo de voluntários do projeto Amigos da Alegria recebeu uma série de obras do artista Gustavo Rosa para que a ala de diálise do hospital Instituto da Criança ficasse mais colorida e alegre Ao perceber o modo como as obras impactaram e transformaram o ambiente a diretora do hospital resolveu abrir um edital para projetos de artes a serem desenvolvidos com as crianças a partir dessas obras Vários professores se interessaram pela ideia e passaram a planejar uma proposta de projeto A pedagoga Débora foi uma dessas professoras e imediatamente indagou que tipo de atividades podem ser propostas a partir 194 dessas obras Quais professores podem se inscrever Como o pedagogo poderá desenvolver suas propostas Qual a faixa etária e quais técnicas artís ticas podem ser utilizadas para desenvolver as atividades Resolução da situaçãoproblema Para resolver essa situação a professora Débora pedagoga deverá retomar seus estudos sobre o trabalho com a arte em ambientes de educação não formal e com as dimensões do conhecimento presentes na BNCC e com as categorias do conhecimento sensível Para tanto é importante que ela perceba como essas categorias se manifestam na reação das crianças Tratandose de um espaço específico Débora deverá primeiramente conhecer o contexto das crianças para então compreender quais materiais poderá explorar assim deverá buscar dados sobre o artista Gustavo Rosa realizar leitura de imagem com as crianças contextualizálas e propor atividades pedagógicas a partir da exploração desse ambiente tão colorido e sensível São várias as possibilidades de trabalho que podem ser desenvolvidas O importante é conhecer o contexto das crianças a área do conhecimento com a qual se pretende trabalhar e atentarse para as questões éticas e sensíveis desses ambientes Faça valer a pena 1 quanto maior é o contato com a arte maior a bagagem Simbólica para representar e consequentemente compreender as minúcias do senti mento DUARTE JR 1988 p 106 O trabalho com as categorias do conhecimento sensível é fundamental para o desenvolvimento do conhecimento artístico e cultural Sobre essas categorias avalie as afirmativas a seguir e classifiqueas em verdadeiro V e falso F A percepção iniciase em um processo de pura sensibilidade em que a mobilização interior leva a pessoa a criar mergulhada no próprio incons ciente Intuição é a capacidade de construir ideais por meio das informações internalizadas pelos indivíduos Emoção serve como um sistema primário de aviso São significativas ficam armazenadas no banco de memória emocional e são parte da racionalidade 195 Imaginação é um pensar específico sobre um fazer concreto Nasce do interesse e do entusiasmo Após identificar quais afirmações são verdadeiras e quais são falsas assinale a alternativa correta a V F F V b F F V F c F F F V d F V V V e F F F F 2 Projeto Arte que Liberta exibe obras de arte no CPP de Jardinópolis No Centro de Progressão Penitenciária CPP de Jardinó polis o projeto teve início em 8 de abril com a palestra Narrativas de Uma Vida Um Pintor Um Tempo Um Lugar ministrada pela museóloga Angélica Fabbri diretora do Museu Casa de Portinari Quatrocentos reeducandos participaram e puderam conhecer sobre a vida do pintor e artista plástico brasileiro Cândido Portinari nascido em Brodowski interior de São Paulo cidade onde se localiza o Museu A palestra contou com materiais de acessibilidade para pessoas com deficiência visual que por meio de um universo acessível e recursos multissensoriais puderam conhecer as obras dos artistas parceiros do museu através do toque das mãos Arte que Liberta faz alusão à realidade do homem em cárcere e à liberdade que a arte e conhecimento oferecem São projetos como este que desconstroem a criminali dade e aprofundam o diálogo ressocializador por meio da arte e suas manifestações pois esta não conhece limites se faz um exercício legítimo de cidadania para quem cria e para quem observa e aprende o fazer artístico ensina a diretoria da unidade DANIEL 2016 sp Sobre a atuação do pedagogo nos espaços de educação não formal como nos sistemas penitenciários avalie as asserções e a relação proposta entre elas 196 I O papel do pedagogo converge com a necessidade de discussão dos processos de ensino e aprendizagem da arte também nos ambientes de educação não formal PORQUE II Indiferentemente dos espaços em que o pedagogo ou o professor de arte vai atuar é importante que a essência do ensino da arte seja preservada evitando que esse trabalho que envolve uma área de conhecimento específica não assuma caráter terapêutico Acerca dessas asserções assinale a alternativa correta a As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justifica tiva da I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II não é uma justi ficativa da I c A asserção I é verdadeira e a II é uma proposição falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verda deira e As asserções I e II são proposições falsas 3 a habilitação acadêmica por si só não é suficiente para preparar o educador para realizar um trabalho de qualidade nesse campo de ensino Em alguns casos os profissionais com formação acadêmica trazem vivências e atitudes próprias da escola formal que não adaptam a essa esfera pedagógica dificultando a sua atuação A realidade observada aponta para a necessidade de os cursos de licen ciatura em Artes elaborarem currículos mais adequados à realidade do mercado de trabalho e que ofereçam conhe cimentos e treinamentos que habilitem os alunos a atuar adequadamente em espaços especiais e não apenas nas escolas regulares CARVALHO 2008 p 112 apud NAKASHATO 2012 sp Os projetos que envolvem arte e educação não formal estão ganhando força e espaço Sobre essa categoria avalie as afirmativas a seguir e classifiqueas em verdadeiro V ou falso F 197 A educação não formal não tem o caráter formal dos processos escolares normatizados por instituições superiores oficiais e certificadoras de titularidades A educação não formal não difere da educação formal porque ambas possuem uma legislação nacional que normatiza critérios e procedi mentos específicos A educação não formal lida com outra lógica nas categorias espaço e tempo dada pelo fato de não ter um curriculum definido a priori seja quanto aos conteúdos temas ou habilidades a serem trabalhados A educação não formal contribui para a produção do saber na medida em que atua no campo em que os indivíduos atuam como cidadãos Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta a VVVV b FVFV c VFVV d FFVV e VVVF 198 Seção 3 Arte na contemporaneidade Diálogo aberto A professora Ana pedagoga que atua no primeiro ano do ensino funda mental em uma escola no interior de Porto Alegre Rio Grande do Sul recebeu um questionamento de um de seus alunos que a deixou um pouco angustiada A pequena Natália de seis anos ao chegar na escola perguntou para a professora por que os jornais estavam noticiando que não poderia mais acontecer uma certa exposição de arte na cidade A aluna relatou que seus pais ficaram muito bravos quando viram a reportagem e o tema dos quadros e trocaram o canal da TV dizendo que não era uma progra mação que as crianças poderiam ver A professora Ana ciente da polêmica exposição percebeu que mesmo com os pequenos precisava iniciar uma discussão sobre arte contemporânea pois são linguagens que fazem parte do seu contexto histórico e cultural Mas por onde começar Como trabalhar com linguagens que ultrapassam os meios convencionais de arte e que por vezes a exemplo da exposição da cidade geram impactos sociais gritantes Quais conhecimentos a professora deveria buscar tendo em vista que também não domina com propriedade os conceitos que permeiam a arte contemporânea Não pode faltar Se quisermos de fato uma educação para a cidadania que entenda os sujeitos como construtores de suas histó rias temos que garantir a educação estética e artística nos espaços das instituições educacionais talvez o unico espaço para a maioria das crianças um dos poucos meios para adentrarem o universo poético e estético PILLOTTO 2007 p 22 Os dizeres de Pillotto atentam para a importância do trabalho com a arte nos ambientes escolares como forma de garantir a educação estética e artís tica das crianças Para oportunizar o trabalho com essa área de conhecimento 199 que é tão ampla é necessário compreendêla dividindoa em linguagens sendo elas artes visuais música teatro e dança A arte vem ganhando espaço e constantemente sobretudo com o avanço da tecnologia vem surgindo novas linguagens principalmente nas artes visuais Estamos em um contexto de arte contemporânea e para iniciarmos nossas reflexões sobre ela pense rapidamente você sabe o que caracteriza esse tipo de arte Quais são as principais linguagens que a envolvem Poderíamos iniciar questionando o que é arte mas certamente ficaríamos a seção inteira refletindo sobre esse conceito que é filosófico e envolve a questão da estética e do belo No entanto é uma frase muito comum quando falamos em arte contemporânea tendo em vista que uma das características da arte é a provocação provocação no sentido de gerar discussões reflexões acerca de determinados temas ou acontecimentos sociais Sim arte contemporânea é provocativa e constantemente na tira da zona de conforto É exatamente o que acontece quando uma mostra apresenta obras mais polêmicas que questionam crenças e valores socialmente construídos Ou você não lembra da polêmica da obra em que uma criança interagiu com o artista nu em uma performance Ou então a exposição que aconteceu no Rio Grande do Sul com várias obras provocativas sobre diversidade sexual que foi severamente criticada por apologia à pedofilia Nossa intenção nesta seção não é discutir o valor ou questionar diferentes pontos de vista sobre esses dois fatos mas sim dialogar sobre a arte contem porânea Contudo é importante atentarmos para os fatos ligados à arte contemporânea pois fazem parte do contexto dos alunos e não podem deixar de ser discutidos Para Millet 1997 p 15 e 16 A data de nascimento da arte contemporânea vogaria algures entre 1960 e 1969 Tal é a opinião da maior parte dos conservadores que responderam ao inquérito e numerosas outras pessoas interessadas No decurso dos anos 60 impuseramse a pop art o novo realismo a op art e a arte cinética a minimal art e o colorfield paiting o fluxus enxameou os happenings proliferaram no final do decenio surgiram a arte conceptual o antiform a arte povera a land art a body art o supportsurface inumeras formas de arte que recorrem a todo o tipo de materiais heteróclitos objetos fabricados materiais naturais e perecíveis e até ao próprio corpo do artista Todos os processos foram permitidos incluindo os mais descompre 200 ensíveis tomando o artista o lugar do seu publico ou pelo contrário fugindo dele para ir esculpir no próprio solo de um deserto longínquo um publico que foi sacudido entre obras fazendo apelo às suas reações instintivas e outras obrigando pelo contrário a seguir complexos raciocínios teóricos um publico confrontado com obras invadindo o espaço enquanto que era forçado a imaginar outras totalmente invisíveis Os vanguardas do início do século haviam já é certo abalado furiosamente as convenções e brincando aos aprendizes de feiticeiro mas durante este decénio eufórico essas práticas generalizaramse gozando de uma área de liberdade de que não tinham certamente beneficiado os pioneiros É nesta área de liberdade que se continua a desenvolver alegremente a arte de hoje MILLET 1997 p 15 e 16 Millet 1997 levantou várias linguagens que impulsionaram e ainda fazem parte da arte contemporânea mas podemos citar um artista que certa mente influenciou esse estilo de arte Marcel Duchamp 1887 1968 Marchel Duchamp O artista em meio a um contexto ainda influenciado pela arte moderna e meios tradicionais de arte criou obras provocativas e pensadas de maneira bem diferente para a época como a obra a fonte que marcou o uso de insta lação de objetos que passam a ter sentido de arte De acordo com Cauquelin 2005 p 89 O fenômeno Duchamp tem de interesse o fato de sua influ ência sobre a arte contemporânea crescer à medida que passam os anos De um lado o numero de trabalhos que lhe são dedicados é cada vez mais importante de outro ele é referência explicita ou não de numerosos artistas atuais Porque esse artista que declarava não sêlo parece expressar o modelo de comportamento singular que corresponde às expectativas contemporâneas E não tanto por causa do conteudo estético de sua obra quanto pela maneira pela qual encarava a relação de seu trabalho com o regime da arte e também a divulgação dele CAUQUELIN 2005 p 89 201 Na arte contemporânea o artista tem maior liberdade de criação dessa forma e por meio das evoluções tecnológicas e sociais criouse novas lingua gens Isso não significa que as linguagens tradicionais como a pintura e a escultura sejam desconsideradas mas sim que novos objetos e novas técnicas estão sendo incorporados ao processo de criação Essa arte então caracterizase pela apropriação de diferentes técnicas sejam elas convencionais e não convencionais como também pela apropriação de obras de arte de outros artistas A arte vai passando por modificações e tem relação direta com contexto tempo e espaço Na arte contemporânea a partir de 1960 vamos perceber que o artista não é mais o centro da obra para tanto a interação e a parti cipação do público passam a ser essenciais no momento de fruição e de dar sentido a ela Segundo Millet 1997 p 39 Outras obras são concebidas de tal forma que o espec tador sente mesmo que toma parte na sua realização Ele é em parte seu ator Nos anos 70 chamavase a este princípio a participação do espectador De uma forma geral tratavase de abandonar uma concepção do artista que impõe ao publico a sua visão do mundo e permitir a esse publico exprimirse ele próprio MILLET 1997 p 39 Tais obras caracterizadas como arte contemporânea podem ter caráter conceitual e efêmero manifestandose por meio de diferentes linguagens artísticas como instalação assemblage performance happening readymade videoarte etc Assimile A arte contemporânea vai modificando os conceitos de objeto de interação de espaço e da própria arte ao apropriarse de diferentes técnicas sejam elas convencionais e não convencionais como também da própria apropriação de obras de arte de outros artistas Nessa arte o artista não é mais o centro da obra para tanto a interação e a parti cipação do publico passam a ser essenciais no momento de fruição e de dar sentido à obra Vamos descrever algumas dessas linguagens a seguir a fim de contri buirmos para a ampliação de seu repertório artístico e cultural 202 Instalação A instalação embora ainda apresente um conceito muito discutido é uma técnica experimental que abre um leque de diferentes possibilidades artísticas O espaço é essencial tendo em vista que a instalação faz parte da obra Para Proença 2005 p 222 em arte a instalação referese a um ambiente construído com vários elementos criados por um artista O artista em geral não se preocupa em expressar em sua obra um significado que possa ser compreendido da mesma maneira por todos Quando um artista pensa uma instalação apropriase de objetos de diferentes materiais e até mesmo de técnicas tradicionais como desenhos pinturas e esculturas ressignificandoos por vezes Nessa linguagem a obra fica exposta e o espaço faz parte dela além de normalmente envolver o espectador por meio de interação Alguns artistas utilizam materiais diver sificados provocando sensações diferentes que podem ser fruídas por meio de vários sentidos Figura 432 Instalação Fonte httpsbitly2qoKQbN Acesso em 30 ago 2019 Happening A linguagem do happening surgiu a partir dos anos 50 em um momento em que a arte foi às ruas por meio de técnicas de teatro encenação impro visações e espontaneidades que envolviam o público contudo sem regras tampouco um início um meio e um fim uma vez partindo da improvisação 203 O termo happening tem origem inglesa e significa acontecimento Foi utilizado pela primeira vez pelo artista Allan Kaprow para se referir a uma linguagem da arte que se apresentava fora de galerias e museus A diferença entre o happening e a performance é que existe no primeiro uma intencionalidade do artista na interação com o expectador já na perfor mance o que prevalece é a espontaneidade De acordo com Argan 1992 p 667 Kaprow será de fato o primeiro a criar o happening literal mente evento um tipo de ação que envolve os execu tores artistas e os espectadores Kaprow mantém uma dupla atividade como professor de história da arte e prati camente artísticocriativo Entre os primeiros happenings o Gas de 1966 composto de vários eventos realizado na zona de Long Island Seus happenings de início organi zado segundo uma encenação exata e perfeita como uma espécie de ritual terapêutico transformamse a seguir em improvisações quase uma representação informal organi zada em compartimentos desenvolvendose simultanea mente em diversos locais ARGAN 1992 p 667 Figura 433 Happening Fonte httpsbitly2GPChN9 Acesso em 30 ago 2019 Assemblage A linguagem da assemblage surge em 1953 por Jean Dubuffet 1901 1985 que relacionou o termo aos trabalhos que vão além da colagem 204 Tratase de um conceito que envolve a técnica de colagem mas em um sentido mais amplo relativo à acumulação Os artistas que produzem assemblage podem utilizar diferentes elementos retirados da realidade para que estes incorporem a obra e deem sentido a ela o que não quer dizer que os elementos perdem o sentido original Um dos artistas que trabalharam com essa linguagem foi Robert Rauschenberg ao desenvolver trabalhos que uniram a pintura e a comuni cação retartando a cultura popular a arte e a vida cotidiana Figura 434 Assemblage de Rauschenberg Fonte httpsgoogl4Fyt3y Acesso em 30 ago 2019 Readymade A Readymade pode ser entendida como uma linguagem da arte contem porânea que ressignifica objetos já fabricados atribuindo ao público a decisão final de por exemplo uma roda de bicicleta montada ao contrário sobre um banco ser ou não uma obra de arte MILLET 1997 p 42 Assim como fez Marcel Duchamp com as obras A Roda de Bicicleta e A Fonte 205 Figura 435 A Roda de Bicicleta Fonte httpsbitly2UgRE8S Acesso em 30 ago 2019 Figura 436 A Fonte Fonte httpsbitly2ZrkKIK Acesso em 30 ago 2019 Cauquelin 2005 p 89 sugere que O fenômeno Duchamp tem de interesse o fato de sua influ ência sobre a arte contemporânea crescer à medida que passam os anos De um lado o numero de trabalhos que lhe são dedicados é cada vez mais importante de outro ele é referência explicita ou não de numerosos artistas atuais Porque esse artista que declarava não sêlo parece expressar o modelo de comportamento singular que corres ponde às expectativas contemporâneas E não tanto por causa do conteudo estético de sua obra quanto pela maneira pela qual encarava a relação de seu trabalho com o regime da arte e também a divulgação dele CAUQUELIN 2005 p 89 206 Performance Essa linguagem surgiu por volta da década de 1960 por meio da combi nação do teatro da música da poesia e do vídeo O artista passa a compor a obra e a se apropriar de diferentes linguagens Ela pode ter ou não a parti cipação do público como também pode apresentar um tempo determinado pelo artista que planeja cuidadosamente cada detalhe da obra Figura 437 Performance lendo a notícia 1965 Fonte httpsbitly32eLqZZ Acesso em 30 ago 2019 Segundo Cauquelin 2005 p 11 Para apreender a arte como contemporânea preci samos então estabelecer certos critérios distinções que isolarão conjunto dito contemporâneo da totalidade das produções artísticas Contudo esses critérios não podem ser buscados apenas nos conteudos das obras em suas formas suas composições no emprego deste ou daquele material também não no fato de pertencerem a este ou aquele movimento dito ou não de vanguarda Com efeito a esse respeito teríamos ainda que nos defrontar com a dispersão com a pluralidade incontrolável de agora De fato os trabalhos que tentam justificar as obras de artistas contemporâneos são obrigados a buscar o que poderia tornálos legíveis fora da esfera artística seja em temas culturais recolhidos em registros literários e filosóficos CAUQUELIN 2005 p 11 207 Exemplificando Performance Cegos interrompe o fluxo do cotidiano com homens cobertos de argila Um conjunto de homens e mulheres vestidos a rigor e levando maletas bolsas celulares e documentos com o corpo todo coberto de argila e os olhos vendados interrompem o tráfego cotidiano de pessoas nas grandes cidades e geram nessa intromissão outras percepções do espaço do tempo e de cada um que nota a presença de algo diferente na paisagem Concebido pelos diretores Marcos Bulhões e Marcelo Denny e realizado originalmente pelo Desvio Coletivo e o Coletivo Pi na Av Paulista em São Paulo tendo passado por outras cidades do Brasil e da Europa Cegos funciona aliada a uma oficina de intervenção urbana que prepara seus participantes para vivenciála PROJETO 2016 sp Figura 438 Performance Cegos Fonte httpsbitly2LbNJHC Acesso em 30 ago 2019 Arte efêmera A arte efêmera teve seu início entre as décadas de 1960 e 1970 e está relacionada à arte que existe por um tempo determinado tendo em vista que a criação acontece por meio do uso de elementos perecíveis ou estão relacionadas a instalações happenings e performances Dessa forma a obra é divulgada e registrada por meio de recursos tecnológicos como a fotografia os vídeos etc O público pode até mesmo apresentar um papel ativo nas propostas artísticas Vicente José de Oliveira Muniz conhecido como Vik Muniz é um dos artistas que utiliza esse tipo de linguagem O artista plástico pintor e 208 fotógrafo brasileiro é conhecido por utilizar materiais não convencionais em suas obras como lixo gel para cabelo restos de demolição e materiais perecíveis como ketchup açúcar geleia chocolate entre outros materiais Um dos objetivos desse artista é alcançar o público que não possui o hábito de frequentar as galerias de arte Figura 439 Vik Muniz Fonte adaptada de httpsgooglAet7Fo Acesso em 30 ago 2019 Pesquise mais Conheça um pouco mais sobre a arte contemporânea lendo o artigo Práticas da arte contemporânea de Nathalie Heinich HEINICH N Práticas da arte contemporânea uma abordagem pragmá tica a um novo paradigma artístico Sociologia Antropologia Rio de janeiro v 402 p 373390 out 2014 São várias as linguagens utilizadas na arte contemporânea mas como compreendêla Compreender a arte contemporânea implica em aceitar a quebra de alguns paradigmas uma vez que essa arte é conceitual Ou seja a ideia proposta pelo artista é que a provocação é mais importante que o objeto em si pois o valor da obra está na experiência que poderá causar no público Um conceito difícil e contemporâneo Cauquelin 2005 p 18 alerta Precisamos portanto atravessar essa cortina de fumaça e tentar perceber a realidade da arte atual que está encoberta Não somente montar o panorama de um estado de coisas qual é a questão da arte no momento atual mas também explicar o que funciona como obstáculo a seu reconhe 209 cimento Em outras palavras ver de que forma a arte do passado nos impede de captar a arte do nosso tempo Para complementar os dizeres do autor reforçamos que os professores precisam estudar e compreender esses conceitos para planejarem as propo sições artísticas direcionadas aos alunos É importante considerarmos que a arte contemporânea faz parte do contexto histórico e social dos nossos alunos e por mais resistências que podemos encontrar para a realização do trabalho com essas linguagens negálas às crianças e aos jovens estaria na contramão das propostas educacionais que defendem o sociointeracionismo nos processos de ensino e aprendizagem Reflita Embora provocativa e muitas vezes polêmica a arte contemporânea faz parte do contexto social e histórico das crianças Qual o papel do educador nesse contexto Como ele pode contribuir com o desenvolvi mento artístico das crianças O professor tem papel fundamental nas descobertas que a criança realiza Ele pode instigar a curiosidade das crianças e incentivar o interesse por experiências artísticas vinculadas a diferentes linguagens Para que as experiências artísticas relacionadas à arte contempo rânea sejam de fato significativas para os alunos é importante que o professor esteja preparado para abordar tal conteudo Os questiona mentos apresentados a seguir podem ajudar o professor na execução do seu planejamento Quem são as crianças que pretendo trabalhar Qual a faixa etária em questão Quais os conhecimentos prévios das crianças sobre arte contem porânea Existe alguma relação entre a arte contemporânea e o brincar Que artísticas linguagens ou obras serão trabalhadas Como podemos abordar a percepção multissensorial das crianças Que tipo de materiais serão utilizados Como podemos valorizar os trabalhos cooperativos Qual a relação entre corpo e movimento e as experiências a serem propostas Como é possível registrar as experiências vivenciadas 210 Sem medo de errar Após dialogarmos sobre a arte contemporânea vamos retomar o desafio da professora Ana Ana percebeu por meio do questionamento da pequena Natália que precisava trabalhar a arte contemporânea com as crianças já nos anos iniciais do ensino fundamental A percepção da professora faz sentido pois defende que o processo de ensino e aprendizagem acontece quando levamos em consideração o contexto histórico e social das crianças Logo trabalhar a arte contemporânea também faz parte desse contexto Para trabalhar com essas linguagens primeiramente a professora precisa ampliar seu repertório artístico e cultural a fim de se apropriar dos conceitos que permeiam essas linguagens Assim incialmente ela precisou definir o que é arte contemporânea A arte contemporânea como uma linguagem que surgiu entre os anos de 1960 e 1969 aproximadamente após os movimentos da arte moderna e pósmoderna como a pop art a op art e a minimal art abriu espaço para as novas linguagens que se apropriavam de objetos e inseriam a interação do público em suas propostas A arte contemporânea vai modicando os conceitos de objeto de interação de espaço e da própria arte caracterizandose pela apropriação de diferentes técnicas sejam elas convencionais e não convencionais e pela própria apropriação de obras de arte de outros artistas Nessa arte o artista não é mais o centro da obra para tanto a interação e partici pação do público passam a ser essenciais no momento de fruição e de dar sentido a ela Surgem então várias linguagens que podem ser trabalhadas com as crianças como a instalação assemblage performance happening readymade videoarte etc Tais linguagens fazem parte das diferentes exposições que encontramos nos museus nas galerias e até mesmo na rua considerada um palco muito comum da arte contemporânea Diante desses conceitos a professora Ana percebeu que deveria começar buscando o seu conhecimento sobre a arte contemporânea e então analisar o contexto dos alunos Além disso ela notou que precisaria conceituar arte e se apropriar das propostas dos artistas para desenvolver processos de fruição interação e criação com os pequenos Ela também entendeu que para traba lhar com a arte contemporânea não necessitaria buscar as obras e exposi ções de maiores provocações e polêmicas sociais mas que é possível resgatar diferentes proposições e apresentálas aos alunos exatamente como com as demais linguagens da arte Por fim a professora Ana ao compreender os 211 conceitos que envolvem a arte contemporânea percebeu a necessidade de possibilitar que as crianças tenham contato com as obras ampliando suas experiências estéticas Avançando na prática Exposição de arte contemporânea Os professores do ensino fundamental da Escola Primavera resolveram desenvolver um projeto sobre arte e tecnologia Então como estava na época da Bienal de Arte decidiram levar as crianças para visitarem as exposições e principalmente interagirem com a arte contemporânea As crianças foram acompanhadas por monitores durante toda visita e logicamente estranharam algumas obras que após contextualização dos monitores passaram a fazer sentido Quando elas visualizaram a primeira obra organizada por meio da linguagem do videoarte questionaram os professores por que esta TV está exibindo um filme no meio da exposição Isso também é uma obra da Bienal Vários professores se indagaram e perceberam que precisavam planejar uma proposta de trabalho sobre os conceitos de videoarte Emanuelly foi uma dessas professoras que imediatamente começou a questionar seus colegas por onde começamos Algum de vocês já estudou os conceitos de videoarte Como poderíamos incluir esses conceitos no projeto da escola Resolução da situaçãoproblema Para resolver esta situação a professora Emanuelly deverá retomar seus estudos sobre o trabalho com a arte contemporânea É importante que ela perceba como o diálogo sobre as obras que visualizaram e interagiram na Bienal é fundamental para se levantar hipóteses sobre o conhecimento e o contexto das crianças Sobre a videoarte vale lembrar que por volta de 1960 com a redução do custo para a produção de vídeos vários artistas se apropriaram desse meio como possibilidade de experimentar outras linguagens de arte Foi assim que surgiu uma nova linguagem chamada de videoarte integração do vídeo e da televisão a outras linguagens e tecnologias trazendo um novo debate sobre se fazer arte Essa linguagem traz algumas reflexões sobre a articulação entre diferentes linguagens e a apropriação de espaço para as exposições uma vez que a TV ocupa um espaço reduzido se for comparado a outras exposições 212 Ao fruir uma videoarte o olhar se direciona para o campo de imagem projetado pela tv assim dando novo sentido ao espaço da galeria e à relação expectadorobra Diferentemente dos programas televisivos que normal mente abordam a cultura de massa a videoarte é provocativa assim como a maior parte das linguagens da arte contemporânea Com o vídeo o espectador é estimulado ao movimento e a participação Seu campo de visão se amplia e seu olhar transita entre o espaço circundante e as imagens transmitidas PROENCA 2003 p 371 São várias as possibilidades de trabalho que podem ser desenvolvidas por meio da videoarte e das linguagens que envolvem arte e tecnologia O importante é conhecer o contexto das crianças a área do conhecimento com a qual se pretende trabalhar e atentarse para as questões éticas e sensíveis dessas linguagens Pesquise mais Que outras estratégias podem ser utilizadas para abordar a arte contem porânea para o publico infantil Faça uma listagem contendo autores e obras que podem atrair inicialmente a atenção dos alunos pelo tipo de material utilizado ou temática abordada Deixese levar pela criati vidade e lembrese que as crianças não apresentam conceitos enrai zados nem estão restritas a materiais convencionais ou determinadas técnicas artísticas assim elas podem mostrarse mais interessadas pela arte contemporânea do que você imagina Faça valer a pena 1 A arte pode ser mais uma linguagem ou caminho para o conhecimento Além disso estimula a criatividade a autonomia e o pensamento crítico do indivíduo Com essa abordagem o projeto OMA Educação vem inserindo o ensino de artes na grade extracurricular de alunos de diversas idades de escolas particulares municipais ou estaduais na região do ABC paulista Criada em 2013 a iniciativa é fruto da colaboração de professores e gestores das instituições de ensino com os arteeducadores da OMA Galeria primeiro espaço dedicado à arte contempo rânea no ABC PROJETO 2016 sp 213 A arte contemporânea faz parte do contexto histórico e social das crianças Sobre esse estilo de arte avalie as afirmativas a seguir e marque verdadeiro V ou falso F A arte contemporânea vai modicando os conceitos de objeto interação espaço e da própria arte A arte contemporânea caracterizase pela apropriação de diferentes técnicas sejam elas convencionais ou não convencionais e pela própria apropriação de obras de arte de outros artistas Nessa arte o artista é o centro da obra interagindo por meio de perfor mances intrapessoais Um dos artistas que influenciou a arte contemporânea certamente foi Marcel Duchamp 1887 1968 Assinale a sequência correta a V F F V b F F V F c F F F V d V V F V e F F F F 2 A linguagem da assemblage surge em 1953 por Jean Dubuffet 19011985 que relacionou o termo aos trabalhos que vão além da colagem Tratase de um conceito que envolve a técnica de colagem mas em um sentido mais amplo relativo à acumulação Sobre a assemblage avalie as asserções e a relação proposta entre elas I Os artistas que produzem assemblage podem utilizar diferentes elementos retirados da realidade para que estes incorporem a obra e deem sentido a ela O que não quer dizer que os elementos perdem o sentido original PORQUE II Um dos artistas que trabalhou com essa linguagem foi Robert Rauschenberg ao desenvolver trabalhos que uniram a pintura e a comunicação retartando a cultura popular a arte e a vida cotidiana Acerca dessas asserções assinale a alternativa correta 214 a As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justifica tiva da I b As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II não é uma justi ficativa da I c A asserção I é verdadeira e a II é uma proposição falsa d A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira e As asserções I e II são proposições falsas 3 A arte contemporânea se traduz a partir da liberdade de expressão do artista que ultrapassa os limites institucionais rompendo com a necessidade da impressão religiosa ou política em seus trabalhos não sendo a sua arte construída necessariamente a partir de novos elementos como no moder nismo mas especialmente pela sua autonomia no decorrer de seus processos criativos JANSON JANSON 1995 Sobre as linguagens da arte contemporânea é correto afirmar que I A instalação embora ainda apresente um conceito muito discutido é uma técnica experimental que abre um leque de diferentes possibili dades artísticas O espaço é essencial tendo em vista que a instalação faz parte da obra II A linguagem do happening surgiu a partir dos anos 50 em um momento em que a arte foi às ruas por meio de técnicas de teatro encenação improvisações e espontaneidades que envolviam o público III A linguagem da assemblage surgiu em 1953 Ela é uma linguagem da arte contemporânea que utiliza algum objeto já fabricado ressignifi candoo como arte IV A arte efêmera teve seu início em 1960 e 1970 e está relacionada à arte que existe por um tempo determinado tendo em vista que a criação acontece por meio do uso de elementos perecíveis Assinale a alternativa correta a As afirmativas I II III e IV estão corretas b As afirmativas I II e IV estão corretas c As afirmativas II III e IV estão corretas d As afirmativas I e IV estão corretas e A afirmativa IV está correta Referências ARGAN G C Arte Moderna São Paulo Companhia das Letras 1992 ARTE Efêmera In ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural Sl Itaú Cultural 2017 Disponível em httpenciclopediaitauculturalorgbrtermo343arteefemera Acesso em 29 ago 2018 BARBOSA A M A imagem no ensino da arte São Paulo Max Limonad 2002 BRASIL Resolução CNECP 12006 Diário Oficial da União Seção 1 Brasília DF p 11 16 maio 2006 CAMPOS V SILVA A L da SILVA D R da A formação do povo brasileiro e o reconheci mento efetivo da diversidade cultura educação e ações afirmativas em prol de uma sociedade reflexiva Revista Acadêmica Magistro v 1 n 15 2017 CARTA EDUCACÃO Projeto leva arte contemporânea para as escolas Carta Capital jun 2016 httpwwwcartaeducacaocombrreportagensprojetolevaartecontemporaneaparaa asescolas Acesso em 29 ago 2018 CARVALHO L M O ensino de artes em ONGs São Paulo Editora Cortez 2008 CAUQUELIN A Arte contemporânea uma introdução São Paulo Martins 2005 CORTEZ M B et al Luta dança filosofia de vida a capoeira cantada pelos capoeiristas Psicol Am Lat n 14 México out 2008 Disponível em httpsbitly2Ue2Kvt Acesso em 28 ago 2019 COSTA E P Princípios básicos da museologia Curitiba Coordenação do Sistema Estadual de Museus Secretaria de Estado da Cultura 2006 DANIEL C Secretaria de administração Penitenciária Projeto Arte que Liberta exibe obras de arte no CPP de Jardinópolis Sl 3 jul 2016 Disponível em httpwwwsapspgovbr noticiasnot713html Acesso em 29 ago 2019 DIANA D Toda Matéria Vik Muniz Sl sd Disponível em httpswwwtodamateria combrvikmuniz Acesso em 29 ago 2019 DORNELLES S S Trabalho compulsório e escravidão indígena no Brasil imperial refle xões Revista Brasileira de História São Paulo v 38 n 79 2018 Disponível em httpsbit ly2Zw88uZ Acesso em 29 ago 2019 DUARTE JR J F Fundamentos estéticos da educação 2 ed Campinas SP Papirus 1988 DUARTE JR J F Por que arteeducação 6 ed Campinas SP Papirus 1991 Coleção Ágere FERRAZ M H C de T FUSARI M F de R Metodologia do ensino da arte fundamentos e proposições São Paulo Cortez 2009 FREYRE G Casagrande e senzala Recife Global 2003 FUNARTE Políticas para as artes prática e reflexão Rio de Janeiro FUNARTE 2012 216 p Disponível em httpsbitly2ZwNFGd Acesso em 29 ago 2019 GARDNER H O verdadeiro o belo e o bom Rio de Janeiro 1999 GOHN M de G Educação não formal e o educador social em projetos sociais In VERCELLI L Org Educação não formal campos de atuação Jundiaí Paco Editorial 2013 HEINICH N Práticas da arte contemporânea uma abordagem pragmática a um novo paradigma artístico Sociologia Antropologia Rio de janeiro v 402 p 373390 out 2014 Disponível em httpsbitly34bZgOG Acesso em 30 ago 2019 JANSON A F JANSON HW Iniciação à história da arte 2 ed Martins Fontes 1995 MARCUCCI C Revista Crescer O ilustrador André Neves Sl Sd Disponível em httprevistacrescerglobocomRevistaCrescer0EMI2367981848300 OILUSTRADORANDRENEVEShtml Acesso em 29 ago 2019 MARTINS J SILVEIRA T S S 2011 Didática e metodologia do ensino de artes Uniasselvi 2001 Disponível em httpsvdocumentssitedocumentsdidaticaemetodologiadoensi html Acesso em 29 ago 2019 MELANI M R A Projeto Araribá São Paulo Moderna 2006 MILLET C A arte contemporânea Lisboa Flamarion 1997 MORAIS M R de JAYME J G Povos e comunidades tradicionais de matriz africana Uma análise sobre o processo de construção da uma categoria discursiva Civitas Porto Alegre v 17 n 2 p 268283 maioago 2017 Disponível em httpsbitly2U8DZAE Acesso em 28 ago 2019 NAKASHATO G A educação não formal como campo de estágio contribuições na formação inicial do arteeducador São Paulo SESISP 2012 OSTROWER F Criatividade e processos de criação Petrópolis Vozes 1986 PILLOTTO S S D Linguagens da arte na infância Joinville Univille 2007 PILLOTTO S S DOrg Processos curriculares em arte da universidade ao ensino básico Joinville Univille 2004 112 p PIMENTEL G Oficinas culturais Brasília Universidade de Brasília 2007 Disponível em httpsbitly2MJH2yi Acesso em 29 ago 2018 PORQUE hospital também é lugar de arte Sl 4 jan 2017 Disponível em wwwdoutoresdal alegriaorgbrblogporquehospitaltambemelugardearte Acesso em 29 ago 2019 PROENCA G Descobrindo a história da arte São Paulo Ática 2005 PROENCA G História da arte São Paulo Ática 2003 PROJETO leva arte contemporânea para as escolas Carta Capital Sl 21 jun 2016 Disponível em httpsbitly2HASubr Acesso em 29 ago 2019 QUEIROZ G Formação de mediadores para museus em situações educacionais ampliadas saberes da mediação e desenvolvimento profissional Ensino em ReVista Uberlândia UFU v 20 n 1 p 149162 janjun 2013 RECIFE cidade Prefeitura da Cidade de Recife Secretaria de Cultura Fundação de Cultura da Cidade de Recife Diálogos entre arte e público Recife CFAV 2008 RIBEIRO D O povo brasileiro a formação e o sentido do Brasil 2 ed São Paulo Companhia das Letras 1995 SIMAS C G Arte e reabilitação fazendo brotar emoção com ajuda de aparato digital Tese Doutorado em Arte e Tecnologia Instituto de Artes Universidade de Brasília Brasília 2012 SOUZA R Arte e infância contemporâneas Sl 3 out 2017 Disponível em httpsbitly2Zr sbzD Acesso em 29 ago 2019 TOJAL A P da F Museu de arte e público especial 2007 Tese Doutorado em Cultura e Informação Escola de Comunicação e Artes Universidade de São Paulo São Paulo 2007 Disponível em httpsbitly2PBTTAK Acesso em 29 ago 2019 ISBN 9788552215066

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