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Pedagogia ·

Políticas Públicas

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A escola inclusiva e integral reconhece que o conflito é parte inerente à convivência Por isso promove espaços de radicalização democrática onde as divergências se afloram e podem assim ser trabalhadas para criar um ambiente de aceitação que faça sentido para todos Dessa forma o respeito não é resultado de uma norma mas de uma construção coletiva de um ambiente plural democrático e solidário Muito além das desculpas Dois casos reais podem nos ajudar a refletir sobre esses pontos O primeiro foi o de uma aluna negra que foi xingada por uma colega por ter cabelo crespo Diante do ocorrido a professora pediu que a estudante que produziu a ofensa pedisse desculpas A menina negra não aceitou essa solução e defendeu que era necessário aprofundar o conflito trazendo para a mesa todos os elementos que nos fazem racistas e que mantêm nossa sociedade tão desigual O acolhimento da proposta deu início a um amplo processo educativo onde todos puderam se reconhecer em alguma medida reprodutores de preconceitos e discriminações étnicoraciais de gênero de orientação sexual e tantas outras O episódio rendeu uma imersão do grupo em lugares profundos os quais não costumamos visitar Nesse exercício os alunos lançaram um olhar crítico sobre a cidade e compreenderam que o acesso de negros a espaços e oportunidades mais qualificadas era inferior em comparação com brancos O tema não se esgotou na escola e envolveu outros coletivos e movimentos da cidade para auxiliálos nessa caminhada Foi portanto fundamental que para além das desculpas houvesse naquele grupo um outro olhar de uns sobre os outros Os estudantes saíram fortalecidos e unidos e embora ainda com muitos desafios a serem trabalhados se sentiram mais conscientes e dispostos a avançar Essa foi uma resposta de uma escola de educação integral que diante de seus desafios e conflitos opta por enfrentálos avançando passo a passo na construção de uma cultura de inclusão Nove não são dez Outro episódio se deu em uma escola regular que conta com mais de uma centena de alunos com deficiência Em uma das turmas um garoto chamou para sua festa de aniversário nove dos dez meninos matriculados Esse fato poderia ter passado sem maiores rumores não fosse o fato de o estudante não convidado ser justamente o que apresentava uma deficiência Um texto produzido por uma mãe que soube do ocorrido intitulado Nove não são dez chamou a atenção das famílias para reconhecer que a crueldade ocorrida naquele não convite significava o dever de ir a fundo na reflexão sobre nossa própria humanidade Colocarse no lugar do outro e sentir o peso da exclusão da solidão da rejeição era necessário como exercício para que todos fossem capazes de efetivamente construir uma escola inclusiva Não bastava que eles aceitassem e mesmo convivessem bem com aquele colega era necessário reconhecer nele um par um outro que precisa de mim para se construir e que me ajuda também nessa criação Tão sabiamente já dizia Paulo Freire ninguém educa ninguém ninguém se educa sozinho nos educamos uns aos outros mediatizados pelo mundo