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A Psicologia do Esporte Histórico e Áreas de Atuação e Pesquisa Katia Rubio Professora Assistente da Escola de Educação Física e Esporte do Universidade de São Paulo Psicóloga mestre em Educação Física e doutoranda pela Faculdade de Educação da USP Conselheira efetiva do Regional 06 A Psicologia do Esporte vem se somar à Antropologia Filosofia e Sociologia do esporte compondo as chamadas Ciências do Esporte Implicada em seus primórdios com aspectos mais biológicos hoje a Psicologia do Esporte vem estudando e atuando em situações que envolvem motivação personalidade agressão e violência liderança dinâmica de grupo bemestar de atletas caracterizandose como um espaço onde o enfoque social educacional e clínico se complementam Que a Psicologia enquanto ciência e profissão tenha ampliado seus horizontes dividindo espaço em territórios exclusivos de outros profissionais ao longo dessas últimas décadas não se constitui uma novidade Isso pode ser visto como reflexo de um movimento que busca facilitar o diálogo entre áreas que se aproximam mas que mantêm cada qual a sua especificidade No caso do esporte essa dinâmica se repete uma vez que a Psicologia do Esporte vem compor um espectro denominado Ciências do Esporte compostas por disciplinas como antropologia filosofia e sociologia do esporte no que se refere à área sóciocultural incluindo também a medicina fisiologia e biomecânica do esporte demonstrando uma tendência e uma necessidade à interdisciplinaridade Essa tendência contudo não representa uma prática interdisciplinar ainda uma vez que as diversas subáreas convivem enquanto soma mas não em relação fazendo com que as Ciências do Esporte vivam hoje um estágio denominado por Bracht 1995 de pluri disciplinar Temas como motivação personalidade agressão e violência liderança dinâmica de grupo bemestar psicológico pensamentos e sentimentos de atletas e vários outros aspectos da prática esportiva e da atividade física têm requerido estudo e atuação de profissionais da área visto que o nível técnico de atletas e equipes de alto rendimento está cada vez mais equilibrado sendo dada ênfase especial à preparação emocional tida como o diferencial Apesar da definição que apresentamos de campo e papéis nem sempre foi clara a abrangência da psicologia do esporte Samulski 1992 afirma que no final do século XIX já era possível encontrar estudos e pesquisas relativas a questões psicofisiológicas no esporte porém conforme De Rose Jr 1992 ainda que houvesse estudos no campo do comportamento humano relacionado à atividade física e ao esporte esses dois aspectos foram estudados durante muito tempo sob o título de psicologia do esporte sem que houvesse uma definição exata do que fosse essa área de estudo e qual seu verdadeiro objetivo Foi na década de 20 de acordo com Machado 1997 que encontramos as publicações de Schulte Corpo e alma no desporto uma introdução à psicologia do treinamento e de Griffith Psicologia do treinamento e Psicologia do atletismo vindo este segundo a fundar o primeiro laboratório de pesquisa aplicada ao esporte nos Estados Unidos Enquanto no Ocidente muito tempo se passou até que fosse dada maior destaque ao estudo e pesquisa na área na antiga União Soviética métodos e técnicas eram desenvolvidos para incrementar o rendimento de atletas e equipes Durante os anos 60 a Psicologia do Esporte vive uma fase de grande produção e a relação de nomes como Cratty Oxendine Solvenko Tutko Olgivie Singer e Antonelli que marca ram a história da área com contribuições voltadas para a psicologia social na atividade física e esporte culminando em várias publi cações que influenciam trabalhos até os dias de hoje Wiggins 1984 Willians et al 1991 Foi também durante esse período que se organizou a primeira instituição com o objetivo de congregar pessoas interessadas na psicologia do esporte Surgiu então a International Society of Sport Psychology ISSP presidida pelo italiano Ferruccio Antonelli que além de ter como principal publicação o International Journal of Sport Psychology passou a realizar reuniões bienais com o objetivo de divulgar trabalhos na área além de promover o intercâmbio entre os inves tigadores Preocupados com distanciamento que a ISSP vinha tomando da área acadêmica um grupo de pesquisadores fundou em 1968 a North American Society for the Psychology of Sport and Physical Activity NASPSPA cujo foco de estudo e atuação recaía sobre aspectos do desenvolvimento da aprendizagem motora e da psicologia do esporte tendo como principal periódico o Journal of Sport and Exercise Psychology Mais do que demarcar posições essas distensões vieram a refletir em certa medida o que vem se passando na Psicologia do Esporte nas últimas décadas Martens 1987 afirmou que seria possível ver profissionais em dois campos distintos de atuação no primeiro deles estaria a Psicologia do Esporte acadêmica cujo interesse profissional recairia sobre a pesquisa e conhecimento da disciplina Psicologia do Esporte no segundo estaria a Psicologia do Esporte aplicada próxima do campo de atuação e intervenção Além das questões acadêmicas envolvidas nesse debate ou seria embate estas divisões refletem a preparação e as possibilidades de atuação dos profissionais junto a esse campo de atuação que se por um lado representa um certo corporativismo por outro indica a abertura de uma área Observamos assim o surgimento e desen volvimento de um campo denominado Psicologia do Esporte muito próximo da atividade física e do lazer sendo inclusive componente curricular dos cursos de Educação Física porém mantendo um distanciamento da Psicologia enquanto ciência mãe Apesar disso temos assistido nesta última década a uma descoberta da Psicologia do Esporte como área de atuação emergente para psicólogos que diante de uma demanda crescente enfrentam grandes dificuldades para intervir adequadamente já que os cursos de graduação em Psicologia ainda não formam nem qualificam o graduando para esta possibilidade de prática As Várias Áreas de Atuação Como visto anteriormente a psicologia do esporte ainda que se utilize desta denominação não é um terreno exclusivo de psicólogos isso porque a formação dos profissionais não é formalmente determinada Brandão 1995 observa que por ser disciplina regularmente oferecida somente na graduação dos alunos de Educação Física isto significa que o delineamento do que faz um profissional da Psicologia do Esporte e que formação ele necessita ainda não estão claros Prova disto é que encontramos engenheiros médicos professores de Educação Física e profissionais de outra formação universitária trabalhando e até mesmo treinando mentalmente atletas p 140 Mais do que uma defesa corporativista essa afirmação vem refletir a dificuldade de construção e definição do papel profissional daqueles que se vêem atuando num campo marcado pelo empirismo Não é de se estranhar o grande número de pessoas que por conta de seu sucesso como exatleta tenha vindo a se tornar técnico ou treinador mesmo sem uma preparação acadêmica adequada para isso Aliás as questões relacionadas ao papel e identidade profissional Tani 1996 têm sido uma das grandes discussões que envolve o mundo da Educação Física e Esporte na atualidade Lesyk 1998 aponta que em 1983 o Centro Olímpico Americano indicou três possibilidades de atuação para os profissionais da área o clínico profissional capacitado para atuar com atletas eou equipes esportivas em clubes ou seleções cuja preparação específica envolve conhecimentos da área de Psicologia e do Esporte não bastando apenas a formação em Psicologia ou Educação Física o pesquisador cujo objetivo é estudar ou desenvolver um determinado conhecimento na Psicologia do Esporte sem que haja uma intervenção direta sobre o atleta ou equipe esportiva e o educador que desenvolve a disciplina Psicologia do Esporte na área acadêmica seja na psicologia seja na Educação Física Nos dois últimos casos não se exige formação específica do profissional Além da definição da possibilidade de atuação profissional Singer 1988 aponta para outros desdobramentos no campo de atuação profissional do psicólogo do esporte fornecendo os seguintes modelos o especialista em psicodiagnóstico faz uso de instrumentos para avaliar potencial e deficiências em atletas o conselheiro profissional que atua apoiando e intervindo junto a atletas e comissão técnica no sentido de lidar com questões coletivas ou individuais do grupo o consultor busca avaliar estratégias e programas estabelecidos otimizando o rendimento o cientista produz e transmite o conhecimento da e para a área o analista avalia as condições do treinamento esportivo fazendo a intermediação entre atletas e comissão técnica o otimizador com base numa avaliação do evento esportivo busca organizar programas que aumentem o potencial de performance Diante da diversidade de atuações é de se esperar que o profissional que atua em Psicologia do Esporte tenha também uma diversidade de formação Além do conhecimento específico trazido da Psicologia como o uso de instrumentos de diagnóstico e modelos de intervenção esperase e exigese que o profissional tenha um vasto conhecimento das questões que permeiam o universo do atleta individualmente como noções de anátomofisiologia e biomecânica e específicas do esporte como as modalidades esportivas e regras bem como dinâmica de grupos esportivos Esse corpo de conhecimento se faz necessário na medida em que se atua com indivíduos eou grupos que têm sua dinâmica limitada pelo contexto vivido ou seja os treinamentos as competições e a interação com um meio restritivo com períodos de isolamento e concentração ou alojamentos conjuntos Samulski 1992 destaca a necessidade de uma formação abrangente apontando como sendo quatro os campos de aplicação da Psicologia do Esporte O esporte de rendimento que busca a otimização da performance numa estrutura formal e institucionalizada Nessa estrutura o psicólogo atua analisando e transformando os determinantes psíquicos que interferem no rendimento do atleta eou grupo esportivo O esporte escolar que tem por objetivo a formação norteada por princípios sócio educativos preparando seus praticantes para a cidadania e para o lazer Neste caso o psicólogo busca compreender e analisar os processos de ensino educação e socialização inerentes ao esporte e seu reflexo no processo de formação e desenvolvimento da criança jovem ou adulto praticante Já o esporte recreativo visa o bemestar para todas as pessoas É praticado voluntariamente e com conexões com os movimentos de educação permanente e com a saúde O psicólogo nesse caso atua na primeira linha de análise do comportamento recreativo de diferentes faixas etárias classes sócio econômicas e atuações profissionais em relação a diferentes motivos interesses e atitudes Por fim o esporte de reabilitação desenvolve um trabalho voltado para a prevenção e intervenção em pessoas portadoras de algum tipo de lesão decorrente da prática esportiva ou não e também com pessoas portadoras de deficiência física e mental Se até aqui nos deparamos com o campo de atuação profissional do psicólogo do esporte falaremos em seguida do campo de intervenção junto a atletas individuais e equipes esportivas Vale ressaltar que o que pretendemos aqui é uma apresentação dos temas relevantes e não a exploração de cada um deles especificamente visto a abrangência da área e a qualidade cada vez maior da bibliografia muitas vezes específica de cada um dos pontos levantados Medidas de Avaliação e Caracterização Psicológica O estudo da relação entre tipo de perso nalidade e a escolha de uma modalidade esportiva tem sido objeto de estudo de um grande número de pesquisadores Fischer 1984 Silva 1984 Vealey 1992 Weinberg Could 1995 Partindo quase sempre do conceito de personalidade enquanto diferença individual os estudos nessa área são controversos e por vezes confusos uma vez que além da divergência sobre o que é personalidade característica subjetiva ou comportamental no âmbito da Psicologia temos no Esporte uma ansiedade pela busca de um padrão ou modelo que venha caracterizar o atleta de alto rendimento Das questões relacionadas a métodos e técnicas até a relação entre tipologia e escolha e prática de determinadas modalidades esportivas ainda não se chegou a respostas conclusivas ou explicativas suficientes para satisfazer a técnicos e atletas ou mesmo aos estudiosos do assunto Diante dos vários modelos adotados no estudo da personalidade Silva 1984 destaca três perspectivas a determinista pouco adotada em Psicologia do Esporte próxima da psicodinâmica que tem como referência autores como Freud Jung Adler o traço a personalidade dotada de características relativamente constantes que diferencia uma pessoa das demais baseandose em autores como Allport e a interacional que busca compreender a personalidade a partir da integração das influências pessoais com as do meio em que a pessoa está inserida tendo em Bandura um dos teóricos referenciais Essa última perspectiva tem sido a mais adotada em pesquisas na última década Um dado comum nos estudos relacionados a esse assunto é que ainda que a personalidade seja caracterizada pela composição individual dos traços de um sujeito no esporte esse assunto ganha contornos próprios quando encontramos um perfil comum naquilo que se refere à conquista e ao êxito Intrigados por essas questões Messias Pelosi 1997 realizaram um estudo onde se evidenciou que ainda que existam inúmeras diferenças individuais há um perfil comum a atletas que apresentam características como autoconfiança melhor concentração preo cupação positiva pelo esporte determinação e compromisso De acordo com Vealey 1992 o estágio atual de conhecimento na área tem demonstrado uma preocupação em descrever características psicológicas em atletas a influência da personalidade no comportamento esportivo bem como transformações da personalidade e baseado numa vasta revisão bibliográfica aponta algumas conclusões gerais sobre as pesquisas realizadas na área Não há evidências pelos estudos de que exista uma perso nalidade de atleta As pesquisas não são conclusivas sobre a existência de um tipo de personalidade que distinga atletas de não atletas Também não são conclusivos os estudos que apontam para as diferenças entre per sonalidade e os subgrupos esportivos esporte individual x esporte coletivo esporte de contato x esporte de não contato O autor destaca ainda que o sucesso no esporte pode influenciar a saúde mental do indivíduo facilitando a própriocepção positiva e produzindo estratégias cognitivas de sucesso o que não representa mudança na persona lidade traço As diferenças individuais na Psicologia do Esporte também são estudadas a partir de outros temas que não só a personalidade Outra questão que intriga psicólogos e pesquisadores relacionase ao motivo que leva um atleta à procura pelo esporte e a dinâmica envolvida na aderência a essa prática Numa definição clássica do termo Sage 1977 motivação é entendida como a direção e intensidade de um esforço No contexto esportivo a direção do esforço referese tanto à busca individual de um objetivo quanto aos atrativos de determinadas situações Já a intensidade do esforço refere se ao grau de energia que uma pessoa despende no cumprimento de uma situação particular No entender de Weinberg Gould 1995 ainda que próximas direção e intensidade do ponto de vista teórico devem ser separadas Ainda assim a motivação pode afetar a seleção intensidade e a persistência de um indivíduo que no caso do esporte interfere diretamente na qualidade da performance do atleta Destacamos da literatura Brawley Roberts 1984 Weinberg 1984 Weinberg Gould 1995 Weiss Chaumeton 1992 que o nível de motivação de um atleta é determinado pela interação de fatores pessoais como personalidade necessidades interesses e habilidades assim como fatores situacionais específicos como facilidade na prática tipo de técnico ou orientação para a vitória ou fracasso da equipe A apreciação dessas questões pode auxiliar na compreensão de diferentes situações num mesmo jogo já que alguns atletas podem se sentir mais motivados se criticados ou punidos enquanto outros podem se frustrar deprimir ou mesmo exprimir grande raiva Samulski 1992 denomina os traços internos de motivação intrínseca que consiste na capacidade desenvolvida pelo próprio atleta para a realização de um interesse Esses deter minantes podem ser designados como vontade desejo determinação que muitas vezes podem contrastar com situações externas adversas que dificultariam seu cumprimento Já a motivação extrínseca é aquela referenciada em fatores externos como o reconhecimento social o elogio premiações que interferem e ou determinam uma conduta O autor sustenta que para o esporte especialmente para o esporte de alto rendimento é de fundamental importância o desenvolvimento da motivação para o rendimento Por determinantes internos entende aqueles fatores de ordem subjetiva como nível de aspiração hierarquia de motivos motivação do rendimento e atribuições causais que podem interferir ou determinar o resultado de uma ação à sua própria capacidade ou a seus próprios esforços Já os determinantes externos estão relacionados ao meio social em que o atleta está inserido e que se manifestam na forma de incentivos ou dificuldades e problemas Ainda com relação ao que estamos denominando características e diferenças individuais encontramos um grande número de trabalhos voltados para o estudo da ansiedade e do stress no esporte Brandão Matsudo 1990 Davids et al 1995 De Rose Junior Vasconcellos 1997 Gould Krane 1992 Hackfort Schwenkmezger 1993 Martens et al 1990 Sonstroem 1984 Esses conceitos e estados de difícil descrição porém perceptíveis em qualquer situação competitiva também não são consensuais entre psicólogos e pesquisadores É comum ouvir relatos de atletas onde há uma percepção da performance sendo afetada pelo que chamam ansiedade ou excitação antes e durante as competições e para poder controlar essas situações desenvolvem as mais variadas estratégias O que encontramos na literatura é a necessidade de um estado mínimo de disposição para a competição chamada de ativação havendo uma relação próxima entre o nível de ativação que também envolve ansiedade e performance Mesmo que os pesquisadores não sejam capazes de especificar qual o nível ótimo de ativação sabese que ela é necessária e variável de atleta para atleta Ansiedade é definida por Could Krane 1992 como o impacto emocional ou dimensão cognitiva da ativação Sonstroem 1984 afirma que ansiedade tem sido estudada no esporte partindo de seus efeitos emocionais negativos Porém a partir de estudos realizados em fisiologia e psicologia temse demonstrado que um determinado tipo de ansiedade é necessário para a prontidão na execução de algumas tarefas Esse estado é chamado de ativação Num texto clássico da área Spielberg 1972 notou que para a teoria da ansiedade ser adequada é necessário diferenciar entre ansiedade como um estado de disposição de ânimo e como um traço de personalidade O autor define ansiedade estado A state como um estado emocional caracterizado como subjetivo consciência da percepção de sentimentos de apreensão e tensão acompanhado pela associação com o sistema nervoso autônomo p 17 Essa condição varia conforme o momento e flutua propor cionalmente para perceber como reagir dentro de uma situação imediata Ansiedade traço A trait por outro lado é um motivo ou hábito disposição comportamental que predispõe um indivíduo a perceber uma ampla gama de circunstâncias nãoperigosas objetivamente como ameaçadoras e para responder a isso com reações desproporcionais de ansiedade estado em intensidade e magnitude de perigo p 7 7 O termo stress tem sido utilizado muitas vezes como sinônimo de ansiedade Martens 1977 afirma que stress é um processo que envolve percepção de um desequilíbrio substancial entre a demanda do meio e a capacidade de resposta dentro de condições onde o fracasso é percebido como tendo importantes conseqüências sendo respondido com aumento de níveis de ansiedadeestado p 9 Esta afirmação delineia o stress como um influência do meio mediada pela percepção e ansiedade como manifestações cognitivas de stress De acordo com o que foi exposto os conceitos de ativação ansiedade e stress no esporte caminham lado a lado e as discussões apontam no sentido de investigar qual o nível ótimo ou aceitável para um bom desempenho ou diríamos para a manutenção de uma boa qualidade de vida para o atleta Interação Social e Dinâmica de Grupos Esportivos Estudiosos que se dedicam ao estudo dos grupos procuram destacar a diferença entre grupo e um conjunto de indivíduos Neste sentido Andrade 1986 afirma que grupo é um conjunto de indivíduos que se reúne por ou para alguma coisa É uma situação inde terminada com dois referenciais um problema comum e o conhecimento entre as pessoas Equipes esportivas vêm compor esse universo grupai na medida que se constituem de acordo com PichonRivière 1991 num espaço de aprendizagem que implica em informação emoção e produção centrandose de forma explícita numa tarefa e a participação através dela permite não só sua compreensão mas também sua execução Na constituição dos grupos esportivos temos claro a necessidade da explicitação daquilo que PichonRivière 1991 chama de tarefa que não é aqui apenas o movimento para o trabalho mas a compreensão de seu objetivo aquilo que se poderia chamar de conscientização processo e finalidade Sendo assim as etapas de preparação para um torneio são cada uma delas uma nova tarefa que compreendidas e incorporadas pelo atleta permitem sua execução de forma desalienada podendo culminar no seu sucesso Isso reforça o pensamento de Rioux Chappuis 1979 que observaram que toda equipe esportiva se apresenta como um paradigma da vida humana distribuída em minisociedades Técnicos e atletas em todas as dimensões do rendimento procuram dedicar boa parte do tempo em busca de conhecimento e aprimoramento de suas habilidades de comunicação cooperação e de convivência mediadas por aquilo que é sem dúvida a maior qualidade das equipes ser coesa eficiente e eficaz Autores como Loy Jackson 1990 Widmeyer et al 1993 e Hanrahan Gallois 1993 entre outros têm postulado que uma equipe esportiva é mais que a soma de valores individuais e que o time com melhor performance não é composto necessa riamente pelos melhores jogadores des tacados em suas funções representando que não é apenas a qualidade individual que se necessita para formar uma equipe com probabilidade de êxito O mais importante é a capacidade de coordenação de cada um dos valores que entram em jogo relações humanas aspectos técnicos e táticos e determinantes biológicos uma vez que o resultado somente se dará com a soma desses valores Ao abordar equipes esportivas Rubio e Simões 1998 referemse não apenas ao conjunto de indivíduos que se agrupam por dimensões temporais e espaciais mas ao complexo conjunto de fatos objetivos e subjetivos que tornam um grupo efetivo e desejoso de alcançar suas metas sejam elas uma atuação adequada em um partida a vitória ou apenas uma boa colocação em um campeonato Uma questão importante que se coloca hoje é se o rendimento de uma equipe esportiva é tão efetivo quanto a sua composição incluindo aí talento coletivo habilidades e capacidades individuais As interações tornamse mais complexas quando o número de participantes do grupo aumenta representando uma grande dificuldade para técnicos no trabalho com equipes esportivas Na ótica de Russel 1993 a coesão é tida pelos técnicos como a principal característica de uma equipe o requisito mais importante para se obter sucesso tendo no conflito externo um fator de incremento da coesão interna Para Carron 1982 coesão é um processo dinâmico que se reflete na tendência do grupo de permanecer junto e se manter unido na busca de seus objetivos e metas Nessa perspectiva o autor propõe um modelo com quatro categorias que antecedem o desenvolvimento da coesão Determinantes Situacionais Referese a variáveis impostas pelo meio que interferem diretamente na coesão Exemplos dessas situações são as renovações de contratos mudanças nas regras da moda lidade prêmios oferecidos por vitórias Além desses fatores questões como idade e origem podem desempenhar papel fundamental na aproximação dos membros da equipe Fatores Pessoais São características individuais dos membros do grupo que podem interferir na coesão Inclui se aqui a identificação com a tarefa e a auto motivação Estilos de Liderança É a complexa interação entre a liderança desempenhada pelo técnico e os atletas Inclui o estilo de liderança e comportamentos apresentados e a relação com o grupo Determinantes Grupais Referese às características da tarefa iden tificadas nas modalidades individuais e coletivas às normas de produtividade do grupo desejo de sucesso e estabilidade da equipe Sendo assim os grupos que permanecem juntos por longo tempo e têm um forte desejo de sucesso apresentam níveis mais elevados de coesão Porém o sucesso do grupo não reside apenas na coesão Russel 1993 afirma que o desenvolvimento da coesão só será efetivo se o grupo enquanto uma instância independente e autosuficiente possuir uma estrutura efetiva de liderança De acordo com Martens 1987 a liderança efetiva é determinada pelo estabelecimento de objetivos e metas concretas construção de um ambiente social e psicológico favorável instrução de valores e motivação dos membros para que se alcance os objetivos e metas e comunicação com outros atletas A liderança nos grupos esportivos apresenta se de uma maneira um pouco mais complexa Isso porque temos o líder externo na figura do técnico e o líder interno representado muitas vezes pela figura do capitão Rubio 1998 O reconhecimento desse movimento de dupla liderança pode representar o sucesso da equipe esportiva uma vez que elas não se sobrepõem mas se completam e comple mentam Técnico e capitão desempenham papéis distintos e complementares e ambos representam lideranças Em suma liderança referese a influência que um indivíduo exerce sobre seus companheiros em torno de um objetivo representado no esporte pela relação técnicoatleta Considerações Finais Ao longo desse texto busquei apresentar e comentar aquilo que hoje vem chamando a atenção de psicólogos enquanto uma área emergente de atuação Nem de longe ele apresenta a totalidade dos estudos e pesquisas mas procura mostrar como muitos estudos já foram realizados e que portanto já são referências para uma reflexão e prática A Psicologia do Esporte como área de pro dução acadêmica e de atuação profissional tem ainda um longo caminho a percorrer se considerarmos o que já foi feito e o muito que ainda temos a construir dada a amplidão e complexidade do mundo esportivo Certamente nessas últimas décadas acumu louse muita informação sobre indivíduos e grupos que praticam esporte ou atividade física sem que isso implique em conclusões ou respostas irrefutáveis Sei que no âmbito da psicologia no Brasil essa discussão é ainda mais nova tanto do ponto de vista do interesse como da produção o que aumenta a necessidade de ampliarmos a discussão e formarmos pessoas para uma atuação competentecomo já temos em outras áreas da psicologia Falar de Psicologia do Esporte significa falar de uma área em construção que soma conhecimento de duas grandes áreas a Psicologia e o Esporte e tanto uma como a outra não apresentam uma concordância em seus pontos de vista e têm uma gama imensa de objetos de estudo e pesquisa O reflexo disso é que como psicóloga do esporte aprendi ser imprescindível adentrar nesse mundo conhecendo as modalidades o fenômeno e as instituições esportivas para poder pensar numa prática Espero que esse texto tenha mostrado que a prática clínica pura e simples é insuficiente para uma inter venção nesse campo e quanto mais estivermos abertos para o entendimento da psicodinâmica de atletas e grupos esportivos mais estaremos contribuindo para a construção da área tanto no que se refere a atuação como a pesquisa Katia Rubio R Francisco Pedroso 115 São Paulo SP CEP 02960010 emailkatrubiouspbr Recebido em 120299 Aprovado em 120499 Referências bibliográficas Andrade D R O grupo como o entende Bauleo In BAREMBLITT G org Grupos teoria e técnicas Rio de Janeiro Graal 1986 Bracht V As ciências do esporte no Brasil In A Ferreira Neto S V Goellner V Bracht orgs As ciências do esporte no Brasil Campinas Autores Associados 1995 Brandão M R Psicologia do Esporte In A Ferreira Neto S V Goellner V Bracht orgs As ciências do esporte no Brasil Campinas Autores Associados 1995 Brandão M R F Matsudo V K R Stress emoção e exercício Revista Brasileira de Ciência e Movimento v 4 n 4 p 95991990 Brawley L R Roberts G C Attributions in sport research foundations characteristics and limitations In J M Silva R Weinberg ed Psychological foundations of sport Champaign Human Kinetics 1984 Carron A V Cohesiveness in sport groups interpretations and considerations Journal of Sport Psychology 152452661982 Davids K Gill A Multidimensional state anxiety prior different levels of sport competition some problems simulation tasks International Journal of Sport Psychology 263 3593821995 De Rose Jr D História e evolução da psicologia do esporte Revista Paulista de Educação Física São Paulo 62 7378 juldez 1992 De Rose Jr D Vasconcellos E G Ansiedade traço competitiva e atletismo um estudo com atletas infanta juvenis Revista Paulista de Educação Física São Paulo 11 2 14854 juldez 1997 Fisher A C New directions in sport personalitty research In J M Silva R Weinberg ed Psychological foundations of sport Champaign Human Kinetics 1984 Gould D Krane V The arousalatletic performance relationship current status and future directions In T S Horn Ed Advances in sport psychology Champaign Human Kinetics 1992 Hackfort D Schwenkmezger P Anxiety In In Singer R N Murphey L Tennant K eds Handbook of research on sport psychology New York MacMillan 1993 Hanrahan S Gallois G Social 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ajudará a melhorar o desempenho atlético ou a superar desvantagens Os primeiros marcos da psicologia do esporte no Brasil foram dados pelo trabalho e pesquisa de João Carvalhaes profissional com larga experiência em psicometria O processo de avaliação psicológica no esporte é denominado psicodiagnóstico esportivo e está diretamente relacionado à investigação de aspectos específicos do atleta ou sua relação com a modalidade escolhida As investigações diagnósticas são projetadas para determinar o nível de desenvolvimento da função de um atleta e a capacidade de prever o desempenho atlético Nos esportes de alto rendimento o psicodiagnóstico visa avaliar os traços de personalidade de um atleta níveis de processos mentais estados emocionais em situações de treinamento e competição e relacionamentos interpessoais A partir do diagnóstico é possível tirar conclusões sobre algumas peculiaridades individuais ou grupais que podem subsidiar a seleção de novos jogadores para a equipe modificar o processo de treinamento individualizar a preparação técnica e tática estratégias de seleção e estratégias comportamentais e otimizar o psicológico durante as competições estado Os métodos utilizados para esse fim podem advir tanto da categoria analítica que trata da especificidade dos processos mentais de sensação sensóriomotor pensamento memória e processos volitivos quanto de métodos de natureza psicossocial em que a especificidade do indivíduo é estudada por o processo mental Ao contrário de outras áreas da psicologia onde um grande número de instrumentos de avaliação foram desenvolvidos e validados há uma falta de referências investigativas específicas e de conhecimento no esporte o que cria alguns problemas muito sérios Uma delas é a utilização de ferramentas do campo da avaliação psicológica clínica ou da educação com finalidades específicas como a detecção de transtornos de humor perfis psicopatológicos ou níveis de inteligência que sejam adequadas e necessárias ao fim para o qual foram desenvolvidas A outra é a introdução de instrumentos de diagnóstico da psicologia do esporte desenvolvidos em outros países mas não adaptados às condições físicas e culturais da população brasileira que são diferentes de outras populações Diante disso questões éticas surgiram para refletir sobre o uso e abuso dos resultados obtidos por meio de instrumentos de avaliação psicológica no esporte Se a psicologia esportiva brasileira ainda é imatura em termos de diagnóstico psicológico esportivo então na prática da intervenção psicológica em atletas e equipes podese observar a diversidade e vitalidade de pontos de vista No caso do modelo individual o foco da intervenção é o próprio atleta e seu desempenho e as atividades voltadas para o foco da atenção o controle da ansiedade e o gerenciamento das variáveis ambientais costumam ser os principais objetivos das intervenções psicológicas No entanto a forma e o tempo de desenvolvimento deste trabalho irão variar de acordo com o referencial teórico do psicólogo que o aplica A prática pode envolver visualização relaxamento modelagem comportamental análise de linguagem troca de papéis técnicas expressivas ou físicas No caso dos modelos coletivos o foco da intervenção recaiu sobre as relações grupais formação de vínculos e organização de lideranças havendo também aqui uma grande diversidade de procedimentos Os jogos dramáticos derivados do psicodrama o desenvolvimento do autoconhecimento por meio de técnicas de percepção sensorial e os procedimentos verbais derivados da psicanálise de grupo foram amplamente utilizados Mas a psicologia do esporte não é composta apenas por aspectos relacionados à prática esportiva É também o estudo dos fenômenos esportivos a partir da estrutura da psicologia social Questões como o desenvolvimento da identidade do atleta as formas de gestão e controle da atenção e ansiedade e a liderança da equipe são estudadas e tratadas de forma pontual e pragmática dentro da psicologia do esporte voltada para o desempenho deslocandose do contexto social mais amplo é o lugar e momento da vida do atleta Também do ponto de vista da psicologia social a psicologia do esporte trabalha com os chamados programas sociais em que o principal objetivo dessas instituições é promover o desenvolvimento de práticas cívicas ou oferecer opções de socialização principalmente para crianças e adolescentes Jovens tendo o desporto como facilitador O esporte é um meio não um fim

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A Psicologia do Esporte Histórico e Áreas de Atuação e Pesquisa Katia Rubio Professora Assistente da Escola de Educação Física e Esporte do Universidade de São Paulo Psicóloga mestre em Educação Física e doutoranda pela Faculdade de Educação da USP Conselheira efetiva do Regional 06 A Psicologia do Esporte vem se somar à Antropologia Filosofia e Sociologia do esporte compondo as chamadas Ciências do Esporte Implicada em seus primórdios com aspectos mais biológicos hoje a Psicologia do Esporte vem estudando e atuando em situações que envolvem motivação personalidade agressão e violência liderança dinâmica de grupo bemestar de atletas caracterizandose como um espaço onde o enfoque social educacional e clínico se complementam Que a Psicologia enquanto ciência e profissão tenha ampliado seus horizontes dividindo espaço em territórios exclusivos de outros profissionais ao longo dessas últimas décadas não se constitui uma novidade Isso pode ser visto como reflexo de um movimento que busca facilitar o diálogo entre áreas que se aproximam mas que mantêm cada qual a sua especificidade No caso do esporte essa dinâmica se repete uma vez que a Psicologia do Esporte vem compor um espectro denominado Ciências do Esporte compostas por disciplinas como antropologia filosofia e sociologia do esporte no que se refere à área sóciocultural incluindo também a medicina fisiologia e biomecânica do esporte demonstrando uma tendência e uma necessidade à interdisciplinaridade Essa tendência contudo não representa uma prática interdisciplinar ainda uma vez que as diversas subáreas convivem enquanto soma mas não em relação fazendo com que as Ciências do Esporte vivam hoje um estágio denominado por Bracht 1995 de pluri disciplinar Temas como motivação personalidade agressão e violência liderança dinâmica de grupo bemestar psicológico pensamentos e sentimentos de atletas e vários outros aspectos da prática esportiva e da atividade física têm requerido estudo e atuação de profissionais da área visto que o nível técnico de atletas e equipes de alto rendimento está cada vez mais equilibrado sendo dada ênfase especial à preparação emocional tida como o diferencial Apesar da definição que apresentamos de campo e papéis nem sempre foi clara a abrangência da psicologia do esporte Samulski 1992 afirma que no final do século XIX já era possível encontrar estudos e pesquisas relativas a questões psicofisiológicas no esporte porém conforme De Rose Jr 1992 ainda que houvesse estudos no campo do comportamento humano relacionado à atividade física e ao esporte esses dois aspectos foram estudados durante muito tempo sob o título de psicologia do esporte sem que houvesse uma definição exata do que fosse essa área de estudo e qual seu verdadeiro objetivo Foi na década de 20 de acordo com Machado 1997 que encontramos as publicações de Schulte Corpo e alma no desporto uma introdução à psicologia do treinamento e de Griffith Psicologia do treinamento e Psicologia do atletismo vindo este segundo a fundar o primeiro laboratório de pesquisa aplicada ao esporte nos Estados Unidos Enquanto no Ocidente muito tempo se passou até que fosse dada maior destaque ao estudo e pesquisa na área na antiga União Soviética métodos e técnicas eram desenvolvidos para incrementar o rendimento de atletas e equipes Durante os anos 60 a Psicologia do Esporte vive uma fase de grande produção e a relação de nomes como Cratty Oxendine Solvenko Tutko Olgivie Singer e Antonelli que marca ram a história da área com contribuições voltadas para a psicologia social na atividade física e esporte culminando em várias publi cações que influenciam trabalhos até os dias de hoje Wiggins 1984 Willians et al 1991 Foi também durante esse período que se organizou a primeira instituição com o objetivo de congregar pessoas interessadas na psicologia do esporte Surgiu então a International Society of Sport Psychology ISSP presidida pelo italiano Ferruccio Antonelli que além de ter como principal publicação o International Journal of Sport Psychology passou a realizar reuniões bienais com o objetivo de divulgar trabalhos na área além de promover o intercâmbio entre os inves tigadores Preocupados com distanciamento que a ISSP vinha tomando da área acadêmica um grupo de pesquisadores fundou em 1968 a North American Society for the Psychology of Sport and Physical Activity NASPSPA cujo foco de estudo e atuação recaía sobre aspectos do desenvolvimento da aprendizagem motora e da psicologia do esporte tendo como principal periódico o Journal of Sport and Exercise Psychology Mais do que demarcar posições essas distensões vieram a refletir em certa medida o que vem se passando na Psicologia do Esporte nas últimas décadas Martens 1987 afirmou que seria possível ver profissionais em dois campos distintos de atuação no primeiro deles estaria a Psicologia do Esporte acadêmica cujo interesse profissional recairia sobre a pesquisa e conhecimento da disciplina Psicologia do Esporte no segundo estaria a Psicologia do Esporte aplicada próxima do campo de atuação e intervenção Além das questões acadêmicas envolvidas nesse debate ou seria embate estas divisões refletem a preparação e as possibilidades de atuação dos profissionais junto a esse campo de atuação que se por um lado representa um certo corporativismo por outro indica a abertura de uma área Observamos assim o surgimento e desen volvimento de um campo denominado Psicologia do Esporte muito próximo da atividade física e do lazer sendo inclusive componente curricular dos cursos de Educação Física porém mantendo um distanciamento da Psicologia enquanto ciência mãe Apesar disso temos assistido nesta última década a uma descoberta da Psicologia do Esporte como área de atuação emergente para psicólogos que diante de uma demanda crescente enfrentam grandes dificuldades para intervir adequadamente já que os cursos de graduação em Psicologia ainda não formam nem qualificam o graduando para esta possibilidade de prática As Várias Áreas de Atuação Como visto anteriormente a psicologia do esporte ainda que se utilize desta denominação não é um terreno exclusivo de psicólogos isso porque a formação dos profissionais não é formalmente determinada Brandão 1995 observa que por ser disciplina regularmente oferecida somente na graduação dos alunos de Educação Física isto significa que o delineamento do que faz um profissional da Psicologia do Esporte e que formação ele necessita ainda não estão claros Prova disto é que encontramos engenheiros médicos professores de Educação Física e profissionais de outra formação universitária trabalhando e até mesmo treinando mentalmente atletas p 140 Mais do que uma defesa corporativista essa afirmação vem refletir a dificuldade de construção e definição do papel profissional daqueles que se vêem atuando num campo marcado pelo empirismo Não é de se estranhar o grande número de pessoas que por conta de seu sucesso como exatleta tenha vindo a se tornar técnico ou treinador mesmo sem uma preparação acadêmica adequada para isso Aliás as questões relacionadas ao papel e identidade profissional Tani 1996 têm sido uma das grandes discussões que envolve o mundo da Educação Física e Esporte na atualidade Lesyk 1998 aponta que em 1983 o Centro Olímpico Americano indicou três possibilidades de atuação para os profissionais da área o clínico profissional capacitado para atuar com atletas eou equipes esportivas em clubes ou seleções cuja preparação específica envolve conhecimentos da área de Psicologia e do Esporte não bastando apenas a formação em Psicologia ou Educação Física o pesquisador cujo objetivo é estudar ou desenvolver um determinado conhecimento na Psicologia do Esporte sem que haja uma intervenção direta sobre o atleta ou equipe esportiva e o educador que desenvolve a disciplina Psicologia do Esporte na área acadêmica seja na psicologia seja na Educação Física Nos dois últimos casos não se exige formação específica do profissional Além da definição da possibilidade de atuação profissional Singer 1988 aponta para outros desdobramentos no campo de atuação profissional do psicólogo do esporte fornecendo os seguintes modelos o especialista em psicodiagnóstico faz uso de instrumentos para avaliar potencial e deficiências em atletas o conselheiro profissional que atua apoiando e intervindo junto a atletas e comissão técnica no sentido de lidar com questões coletivas ou individuais do grupo o consultor busca avaliar estratégias e programas estabelecidos otimizando o rendimento o cientista produz e transmite o conhecimento da e para a área o analista avalia as condições do treinamento esportivo fazendo a intermediação entre atletas e comissão técnica o otimizador com base numa avaliação do evento esportivo busca organizar programas que aumentem o potencial de performance Diante da diversidade de atuações é de se esperar que o profissional que atua em Psicologia do Esporte tenha também uma diversidade de formação Além do conhecimento específico trazido da Psicologia como o uso de instrumentos de diagnóstico e modelos de intervenção esperase e exigese que o profissional tenha um vasto conhecimento das questões que permeiam o universo do atleta individualmente como noções de anátomofisiologia e biomecânica e específicas do esporte como as modalidades esportivas e regras bem como dinâmica de grupos esportivos Esse corpo de conhecimento se faz necessário na medida em que se atua com indivíduos eou grupos que têm sua dinâmica limitada pelo contexto vivido ou seja os treinamentos as competições e a interação com um meio restritivo com períodos de isolamento e concentração ou alojamentos conjuntos Samulski 1992 destaca a necessidade de uma formação abrangente apontando como sendo quatro os campos de aplicação da Psicologia do Esporte O esporte de rendimento que busca a otimização da performance numa estrutura formal e institucionalizada Nessa estrutura o psicólogo atua analisando e transformando os determinantes psíquicos que interferem no rendimento do atleta eou grupo esportivo O esporte escolar que tem por objetivo a formação norteada por princípios sócio educativos preparando seus praticantes para a cidadania e para o lazer Neste caso o psicólogo busca compreender e analisar os processos de ensino educação e socialização inerentes ao esporte e seu reflexo no processo de formação e desenvolvimento da criança jovem ou adulto praticante Já o esporte recreativo visa o bemestar para todas as pessoas É praticado voluntariamente e com conexões com os movimentos de educação permanente e com a saúde O psicólogo nesse caso atua na primeira linha de análise do comportamento recreativo de diferentes faixas etárias classes sócio econômicas e atuações profissionais em relação a diferentes motivos interesses e atitudes Por fim o esporte de reabilitação desenvolve um trabalho voltado para a prevenção e intervenção em pessoas portadoras de algum tipo de lesão decorrente da prática esportiva ou não e também com pessoas portadoras de deficiência física e mental Se até aqui nos deparamos com o campo de atuação profissional do psicólogo do esporte falaremos em seguida do campo de intervenção junto a atletas individuais e equipes esportivas Vale ressaltar que o que pretendemos aqui é uma apresentação dos temas relevantes e não a exploração de cada um deles especificamente visto a abrangência da área e a qualidade cada vez maior da bibliografia muitas vezes específica de cada um dos pontos levantados Medidas de Avaliação e Caracterização Psicológica O estudo da relação entre tipo de perso nalidade e a escolha de uma modalidade esportiva tem sido objeto de estudo de um grande número de pesquisadores Fischer 1984 Silva 1984 Vealey 1992 Weinberg Could 1995 Partindo quase sempre do conceito de personalidade enquanto diferença individual os estudos nessa área são controversos e por vezes confusos uma vez que além da divergência sobre o que é personalidade característica subjetiva ou comportamental no âmbito da Psicologia temos no Esporte uma ansiedade pela busca de um padrão ou modelo que venha caracterizar o atleta de alto rendimento Das questões relacionadas a métodos e técnicas até a relação entre tipologia e escolha e prática de determinadas modalidades esportivas ainda não se chegou a respostas conclusivas ou explicativas suficientes para satisfazer a técnicos e atletas ou mesmo aos estudiosos do assunto Diante dos vários modelos adotados no estudo da personalidade Silva 1984 destaca três perspectivas a determinista pouco adotada em Psicologia do Esporte próxima da psicodinâmica que tem como referência autores como Freud Jung Adler o traço a personalidade dotada de características relativamente constantes que diferencia uma pessoa das demais baseandose em autores como Allport e a interacional que busca compreender a personalidade a partir da integração das influências pessoais com as do meio em que a pessoa está inserida tendo em Bandura um dos teóricos referenciais Essa última perspectiva tem sido a mais adotada em pesquisas na última década Um dado comum nos estudos relacionados a esse assunto é que ainda que a personalidade seja caracterizada pela composição individual dos traços de um sujeito no esporte esse assunto ganha contornos próprios quando encontramos um perfil comum naquilo que se refere à conquista e ao êxito Intrigados por essas questões Messias Pelosi 1997 realizaram um estudo onde se evidenciou que ainda que existam inúmeras diferenças individuais há um perfil comum a atletas que apresentam características como autoconfiança melhor concentração preo cupação positiva pelo esporte determinação e compromisso De acordo com Vealey 1992 o estágio atual de conhecimento na área tem demonstrado uma preocupação em descrever características psicológicas em atletas a influência da personalidade no comportamento esportivo bem como transformações da personalidade e baseado numa vasta revisão bibliográfica aponta algumas conclusões gerais sobre as pesquisas realizadas na área Não há evidências pelos estudos de que exista uma perso nalidade de atleta As pesquisas não são conclusivas sobre a existência de um tipo de personalidade que distinga atletas de não atletas Também não são conclusivos os estudos que apontam para as diferenças entre per sonalidade e os subgrupos esportivos esporte individual x esporte coletivo esporte de contato x esporte de não contato O autor destaca ainda que o sucesso no esporte pode influenciar a saúde mental do indivíduo facilitando a própriocepção positiva e produzindo estratégias cognitivas de sucesso o que não representa mudança na persona lidade traço As diferenças individuais na Psicologia do Esporte também são estudadas a partir de outros temas que não só a personalidade Outra questão que intriga psicólogos e pesquisadores relacionase ao motivo que leva um atleta à procura pelo esporte e a dinâmica envolvida na aderência a essa prática Numa definição clássica do termo Sage 1977 motivação é entendida como a direção e intensidade de um esforço No contexto esportivo a direção do esforço referese tanto à busca individual de um objetivo quanto aos atrativos de determinadas situações Já a intensidade do esforço refere se ao grau de energia que uma pessoa despende no cumprimento de uma situação particular No entender de Weinberg Gould 1995 ainda que próximas direção e intensidade do ponto de vista teórico devem ser separadas Ainda assim a motivação pode afetar a seleção intensidade e a persistência de um indivíduo que no caso do esporte interfere diretamente na qualidade da performance do atleta Destacamos da literatura Brawley Roberts 1984 Weinberg 1984 Weinberg Gould 1995 Weiss Chaumeton 1992 que o nível de motivação de um atleta é determinado pela interação de fatores pessoais como personalidade necessidades interesses e habilidades assim como fatores situacionais específicos como facilidade na prática tipo de técnico ou orientação para a vitória ou fracasso da equipe A apreciação dessas questões pode auxiliar na compreensão de diferentes situações num mesmo jogo já que alguns atletas podem se sentir mais motivados se criticados ou punidos enquanto outros podem se frustrar deprimir ou mesmo exprimir grande raiva Samulski 1992 denomina os traços internos de motivação intrínseca que consiste na capacidade desenvolvida pelo próprio atleta para a realização de um interesse Esses deter minantes podem ser designados como vontade desejo determinação que muitas vezes podem contrastar com situações externas adversas que dificultariam seu cumprimento Já a motivação extrínseca é aquela referenciada em fatores externos como o reconhecimento social o elogio premiações que interferem e ou determinam uma conduta O autor sustenta que para o esporte especialmente para o esporte de alto rendimento é de fundamental importância o desenvolvimento da motivação para o rendimento Por determinantes internos entende aqueles fatores de ordem subjetiva como nível de aspiração hierarquia de motivos motivação do rendimento e atribuições causais que podem interferir ou determinar o resultado de uma ação à sua própria capacidade ou a seus próprios esforços Já os determinantes externos estão relacionados ao meio social em que o atleta está inserido e que se manifestam na forma de incentivos ou dificuldades e problemas Ainda com relação ao que estamos denominando características e diferenças individuais encontramos um grande número de trabalhos voltados para o estudo da ansiedade e do stress no esporte Brandão Matsudo 1990 Davids et al 1995 De Rose Junior Vasconcellos 1997 Gould Krane 1992 Hackfort Schwenkmezger 1993 Martens et al 1990 Sonstroem 1984 Esses conceitos e estados de difícil descrição porém perceptíveis em qualquer situação competitiva também não são consensuais entre psicólogos e pesquisadores É comum ouvir relatos de atletas onde há uma percepção da performance sendo afetada pelo que chamam ansiedade ou excitação antes e durante as competições e para poder controlar essas situações desenvolvem as mais variadas estratégias O que encontramos na literatura é a necessidade de um estado mínimo de disposição para a competição chamada de ativação havendo uma relação próxima entre o nível de ativação que também envolve ansiedade e performance Mesmo que os pesquisadores não sejam capazes de especificar qual o nível ótimo de ativação sabese que ela é necessária e variável de atleta para atleta Ansiedade é definida por Could Krane 1992 como o impacto emocional ou dimensão cognitiva da ativação Sonstroem 1984 afirma que ansiedade tem sido estudada no esporte partindo de seus efeitos emocionais negativos Porém a partir de estudos realizados em fisiologia e psicologia temse demonstrado que um determinado tipo de ansiedade é necessário para a prontidão na execução de algumas tarefas Esse estado é chamado de ativação Num texto clássico da área Spielberg 1972 notou que para a teoria da ansiedade ser adequada é necessário diferenciar entre ansiedade como um estado de disposição de ânimo e como um traço de personalidade O autor define ansiedade estado A state como um estado emocional caracterizado como subjetivo consciência da percepção de sentimentos de apreensão e tensão acompanhado pela associação com o sistema nervoso autônomo p 17 Essa condição varia conforme o momento e flutua propor cionalmente para perceber como reagir dentro de uma situação imediata Ansiedade traço A trait por outro lado é um motivo ou hábito disposição comportamental que predispõe um indivíduo a perceber uma ampla gama de circunstâncias nãoperigosas objetivamente como ameaçadoras e para responder a isso com reações desproporcionais de ansiedade estado em intensidade e magnitude de perigo p 7 7 O termo stress tem sido utilizado muitas vezes como sinônimo de ansiedade Martens 1977 afirma que stress é um processo que envolve percepção de um desequilíbrio substancial entre a demanda do meio e a capacidade de resposta dentro de condições onde o fracasso é percebido como tendo importantes conseqüências sendo respondido com aumento de níveis de ansiedadeestado p 9 Esta afirmação delineia o stress como um influência do meio mediada pela percepção e ansiedade como manifestações cognitivas de stress De acordo com o que foi exposto os conceitos de ativação ansiedade e stress no esporte caminham lado a lado e as discussões apontam no sentido de investigar qual o nível ótimo ou aceitável para um bom desempenho ou diríamos para a manutenção de uma boa qualidade de vida para o atleta Interação Social e Dinâmica de Grupos Esportivos Estudiosos que se dedicam ao estudo dos grupos procuram destacar a diferença entre grupo e um conjunto de indivíduos Neste sentido Andrade 1986 afirma que grupo é um conjunto de indivíduos que se reúne por ou para alguma coisa É uma situação inde terminada com dois referenciais um problema comum e o conhecimento entre as pessoas Equipes esportivas vêm compor esse universo grupai na medida que se constituem de acordo com PichonRivière 1991 num espaço de aprendizagem que implica em informação emoção e produção centrandose de forma explícita numa tarefa e a participação através dela permite não só sua compreensão mas também sua execução Na constituição dos grupos esportivos temos claro a necessidade da explicitação daquilo que PichonRivière 1991 chama de tarefa que não é aqui apenas o movimento para o trabalho mas a compreensão de seu objetivo aquilo que se poderia chamar de conscientização processo e finalidade Sendo assim as etapas de preparação para um torneio são cada uma delas uma nova tarefa que compreendidas e incorporadas pelo atleta permitem sua execução de forma desalienada podendo culminar no seu sucesso Isso reforça o pensamento de Rioux Chappuis 1979 que observaram que toda equipe esportiva se apresenta como um paradigma da vida humana distribuída em minisociedades Técnicos e atletas em todas as dimensões do rendimento procuram dedicar boa parte do tempo em busca de conhecimento e aprimoramento de suas habilidades de comunicação cooperação e de convivência mediadas por aquilo que é sem dúvida a maior qualidade das equipes ser coesa eficiente e eficaz Autores como Loy Jackson 1990 Widmeyer et al 1993 e Hanrahan Gallois 1993 entre outros têm postulado que uma equipe esportiva é mais que a soma de valores individuais e que o time com melhor performance não é composto necessa riamente pelos melhores jogadores des tacados em suas funções representando que não é apenas a qualidade individual que se necessita para formar uma equipe com probabilidade de êxito O mais importante é a capacidade de coordenação de cada um dos valores que entram em jogo relações humanas aspectos técnicos e táticos e determinantes biológicos uma vez que o resultado somente se dará com a soma desses valores Ao abordar equipes esportivas Rubio e Simões 1998 referemse não apenas ao conjunto de indivíduos que se agrupam por dimensões temporais e espaciais mas ao complexo conjunto de fatos objetivos e subjetivos que tornam um grupo efetivo e desejoso de alcançar suas metas sejam elas uma atuação adequada em um partida a vitória ou apenas uma boa colocação em um campeonato Uma questão importante que se coloca hoje é se o rendimento de uma equipe esportiva é tão efetivo quanto a sua composição incluindo aí talento coletivo habilidades e capacidades individuais As interações tornamse mais complexas quando o número de participantes do grupo aumenta representando uma grande dificuldade para técnicos no trabalho com equipes esportivas Na ótica de Russel 1993 a coesão é tida pelos técnicos como a principal característica de uma equipe o requisito mais importante para se obter sucesso tendo no conflito externo um fator de incremento da coesão interna Para Carron 1982 coesão é um processo dinâmico que se reflete na tendência do grupo de permanecer junto e se manter unido na busca de seus objetivos e metas Nessa perspectiva o autor propõe um modelo com quatro categorias que antecedem o desenvolvimento da coesão Determinantes Situacionais Referese a variáveis impostas pelo meio que interferem diretamente na coesão Exemplos dessas situações são as renovações de contratos mudanças nas regras da moda lidade prêmios oferecidos por vitórias Além desses fatores questões como idade e origem podem desempenhar papel fundamental na aproximação dos membros da equipe Fatores Pessoais São características individuais dos membros do grupo que podem interferir na coesão Inclui se aqui a identificação com a tarefa e a auto motivação Estilos de Liderança É a complexa interação entre a liderança desempenhada pelo técnico e os atletas Inclui o estilo de liderança e comportamentos apresentados e a relação com o grupo Determinantes Grupais Referese às características da tarefa iden tificadas nas modalidades individuais e coletivas às normas de produtividade do grupo desejo de sucesso e estabilidade da equipe Sendo assim os grupos que permanecem juntos por longo tempo e têm um forte desejo de sucesso apresentam níveis mais elevados de coesão Porém o sucesso do grupo não reside apenas na coesão Russel 1993 afirma que o desenvolvimento da coesão só será efetivo se o grupo enquanto uma instância independente e autosuficiente possuir uma estrutura efetiva de liderança De acordo com Martens 1987 a liderança efetiva é determinada pelo estabelecimento de objetivos e metas concretas construção de um ambiente social e psicológico favorável instrução de valores e motivação dos membros para que se alcance os objetivos e metas e comunicação com outros atletas A liderança nos grupos esportivos apresenta se de uma maneira um pouco mais complexa Isso porque temos o líder externo na figura do técnico e o líder interno representado muitas vezes pela figura do capitão Rubio 1998 O reconhecimento desse movimento de dupla liderança pode representar o sucesso da equipe esportiva uma vez que elas não se sobrepõem mas se completam e comple mentam Técnico e capitão desempenham papéis distintos e complementares e ambos representam lideranças Em suma liderança referese a influência que um indivíduo exerce sobre seus companheiros em torno de um objetivo representado no esporte pela relação técnicoatleta Considerações Finais Ao longo desse texto busquei apresentar e comentar aquilo que hoje vem chamando a atenção de psicólogos enquanto uma área emergente de atuação Nem de longe ele apresenta a totalidade dos estudos e pesquisas mas procura mostrar como muitos estudos já foram realizados e que portanto já são referências para uma reflexão e prática A Psicologia do Esporte como área de pro dução acadêmica e de atuação profissional tem ainda um longo caminho a percorrer se considerarmos o que já foi feito e o muito que ainda temos a construir dada a amplidão e complexidade do mundo esportivo Certamente nessas últimas décadas acumu louse muita informação sobre indivíduos e grupos que praticam esporte ou atividade física sem que isso implique em conclusões ou respostas irrefutáveis Sei que no âmbito da psicologia no Brasil essa discussão é ainda mais nova tanto do ponto de vista do interesse como da produção o que aumenta a necessidade de ampliarmos a discussão e formarmos pessoas para uma atuação competentecomo já temos em outras áreas da psicologia Falar de Psicologia do Esporte significa falar de uma área em construção que soma conhecimento de duas grandes áreas a Psicologia e o Esporte e tanto uma como a outra não apresentam uma concordância em seus pontos de vista e têm uma gama imensa de objetos de estudo e pesquisa O reflexo disso é que como psicóloga do esporte aprendi ser imprescindível adentrar nesse mundo conhecendo as modalidades o fenômeno e as instituições esportivas para poder pensar numa prática Espero que esse texto tenha mostrado que a prática clínica pura e simples é insuficiente para uma inter venção nesse campo e quanto mais estivermos abertos para o entendimento da psicodinâmica de atletas e grupos esportivos mais estaremos contribuindo para a construção da área tanto no que se refere a atuação como a pesquisa Katia Rubio R Francisco Pedroso 115 São Paulo SP CEP 02960010 emailkatrubiouspbr Recebido em 120299 Aprovado em 120499 Referências bibliográficas Andrade D R O grupo como o entende Bauleo In BAREMBLITT G org Grupos teoria e técnicas Rio de Janeiro Graal 1986 Bracht V As ciências do esporte no Brasil In A Ferreira Neto S V Goellner V Bracht orgs As ciências do esporte no Brasil Campinas Autores Associados 1995 Brandão M R Psicologia do Esporte In A Ferreira Neto S V Goellner V Bracht orgs As ciências do esporte no Brasil Campinas Autores Associados 1995 Brandão M R F Matsudo V K R Stress emoção e exercício Revista Brasileira de Ciência e Movimento v 4 n 4 p 95991990 Brawley L R Roberts G C Attributions in sport research foundations characteristics and limitations In J M Silva R Weinberg ed Psychological foundations of sport Champaign Human Kinetics 1984 Carron A V Cohesiveness in sport groups interpretations and considerations Journal of 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Rioux G Chappuis R Elementos de psicopedagogia deportiva Valladolid Editorial Minón 1972 Rubio K Et niat niatat Sobre o processo de formação de vínculo em uma equipe esportiva São Paulo 1998128 p Dissertação Mestrado Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo Rubio K Simões A C Uma análise das relações interpessoais em uma equipe esportiva Revista Brasileira de Ciências do Esporte v 19 n36070 maio 1998 Russel G W The social psychology of sport New York SpringerVerlag 1993 Sage G H Introduction to motor behavior a neuropsychological approach Reading AddisonWesley 1977 Samulski D Psicologia do Esporte Belo Horizonte Imprensa UniversitáriaUFMG 1992 Silva J M Personality and sport performance controversy and challenge In J M Silva R Weinberg ed Psychological foundations of sport Champaign Human Kinetics 1984 Singer R N Sport Psychology Michigan McNaughton and Gunn 1988 Sonstroem R J An overview of anxiety in sport In J M Silva R Weinberg ed Psychological foundations of sport Champaign Human Kinetics 1984 Spielberg C D Anxiety as an emotional state In C D Spielberg ed Anxiety current trends in theory and research New York Academic 1972 Tani G Cinesiologia Educação Física e Esporte ordem emanante do caos na estrutura acadêmica Motus Corporis V 03 n021996 Vealey R S Personality and sport a comprehensive view In T S Horn Ed Advances in sport psychology Champaign Human Kinetics 1992 Weinberg R S The relationship between extrinsic rewards and intrinsic motivation in sport In J M Silva R Weinberg ed Psychological foundations of sport Champaign Human Kinetics 1984 Weinberg R S Gould D Foundations of sport and exercise psychology Champaign Human Kinetics 1995 Weiss M R Chaumeton N Motivational orientations in sport In T S Horn Ed Advances in sport psychology Champaign Human Kinetics 1992 Widmeyer WN Carron AV Braeley LR Group cohesion in sport and exercise In Singer RN Murphey M Tennant LK eds Handbook of research on sport psychology New York MacMillan 1993 p67294 Widmeyer W N Brawley L R Carron A V Group dynamics in sport In T S Horn Ed Advances in sport psychology Champaign Human Kinetics 1992 Wiggins D K The history of psychology of sport in North America In J M Silva R Weinberg ed Psychological foundations of sport Champaign Human Kinetics 1984 Willians J M Straub W F Psicologia del Deporte pasado presente futuro In J M Willians org Psicologia aplicada al deporte Madrid Biblioteca Nueva 1991 A psicologia do esporte histórico e áreas de atuação e pesquisa Referência Rubio K A psicologia do esporte histórico e áreas de atuação e pesquisa Psicol cienc prof Internet 1999 A psicologia do esporte apesar de seu início atrelado a trabalhos realizados há mais de um século ainda é considerada uma novidade no Brasil por psicólogos e profissionais do esporte que a reconheceram como um ramo da psicologia em dezembro de 2000 Profissionais sejam eles atletas treinadores ou administradores não têm uma compreensão clara de como tal intervenção os ajudará a melhorar o desempenho atlético ou a superar desvantagens Os primeiros marcos da psicologia do esporte no Brasil foram dados pelo trabalho e pesquisa de João Carvalhaes profissional com larga experiência em psicometria O processo de avaliação psicológica no esporte é denominado psicodiagnóstico esportivo e está diretamente relacionado à investigação de aspectos específicos do atleta ou sua relação com a modalidade escolhida As investigações diagnósticas são projetadas para determinar o nível de desenvolvimento da função de um atleta e a capacidade de prever o desempenho atlético Nos esportes de alto rendimento o psicodiagnóstico visa avaliar os traços de personalidade de um atleta níveis de processos mentais estados emocionais em situações de treinamento e competição e relacionamentos interpessoais A partir do diagnóstico é possível tirar conclusões sobre algumas peculiaridades individuais ou grupais que podem subsidiar a seleção de novos jogadores para a equipe modificar o processo de treinamento individualizar a preparação técnica e tática estratégias de seleção e estratégias comportamentais e otimizar o psicológico durante as competições estado Os métodos utilizados para esse fim podem advir tanto da categoria analítica que trata da especificidade dos processos mentais de sensação sensóriomotor pensamento memória e processos volitivos quanto de métodos de natureza psicossocial em que a especificidade do indivíduo é estudada por o processo mental Ao contrário de outras áreas da psicologia onde um grande número de instrumentos de avaliação foram desenvolvidos e validados há uma falta de referências investigativas específicas e de conhecimento no esporte o que cria alguns problemas muito sérios Uma delas é a utilização de ferramentas do campo da avaliação psicológica clínica ou da educação com finalidades específicas como a detecção de transtornos de humor perfis psicopatológicos ou níveis de inteligência que sejam adequadas e necessárias ao fim para o qual foram desenvolvidas A outra é a introdução de instrumentos de diagnóstico da psicologia do esporte desenvolvidos em outros países mas não adaptados às condições físicas e culturais da população brasileira que são diferentes de outras populações Diante disso questões éticas surgiram para refletir sobre o uso e abuso dos resultados obtidos por meio de instrumentos de avaliação psicológica no esporte Se a psicologia esportiva brasileira ainda é imatura em termos de diagnóstico psicológico esportivo então na prática da intervenção psicológica em atletas e equipes podese observar a diversidade e vitalidade de pontos de vista No caso do modelo individual o foco da intervenção é o próprio atleta e seu desempenho e as atividades voltadas para o foco da atenção o controle da ansiedade e o gerenciamento das variáveis ambientais costumam ser os principais objetivos das intervenções psicológicas No entanto a forma e o tempo de desenvolvimento deste trabalho irão variar de acordo com o referencial teórico do psicólogo que o aplica A prática pode envolver visualização relaxamento modelagem comportamental análise de linguagem troca de papéis técnicas expressivas ou físicas No caso dos modelos coletivos o foco da intervenção recaiu sobre as relações grupais formação de vínculos e organização de lideranças havendo também aqui uma grande diversidade de procedimentos Os jogos dramáticos derivados do psicodrama o desenvolvimento do autoconhecimento por meio de técnicas de percepção sensorial e os procedimentos verbais derivados da psicanálise de grupo foram amplamente utilizados Mas a psicologia do esporte não é composta apenas por aspectos relacionados à prática esportiva É também o estudo dos fenômenos esportivos a partir da estrutura da psicologia social Questões como o desenvolvimento da identidade do atleta as formas de gestão e controle da atenção e ansiedade e a liderança da equipe são estudadas e tratadas de forma pontual e pragmática dentro da psicologia do esporte voltada para o desempenho deslocandose do contexto social mais amplo é o lugar e momento da vida do atleta Também do ponto de vista da psicologia social a psicologia do esporte trabalha com os chamados programas sociais em que o principal objetivo dessas instituições é promover o desenvolvimento de práticas cívicas ou oferecer opções de socialização principalmente para crianças e adolescentes Jovens tendo o desporto como facilitador O esporte é um meio não um fim

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