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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação CIP Câmara Brasileira do Livro SP Brasil Agostinho Santo Bispo de Hipona 354430 O livrearbítrio Santo Agostinho tradução organização introdução e notas Nair de Assis Oliveira revisão Honório Dalbosco São Paulo Paulus 1995 Patrística ISBN 8534902569 1 Livrearbítrio e determinismo 2 Livrearbítrio e determinismo Ensina mentos bíblicos I Oliveira Nair de Assis II Título III Série 942314 CDD2337 índices para catálogo sistemático 1 Liberdade Ensino bíblico Doutrina cristã 2337 2 Livrearbítrio Ensino bíblico Doutrina cristã 2337 Coleção PATRÍSTICA 1 Padres Apostólicos 2 Padres Apologistas 3 Justino de Roma 4 Irineu de Lião 5 Santo Agostinho A Trindade 6 Santo Agostinho O livrearbítrio 7 A Trindade S Agostinho 8 O livrearbítrio S Agostinho 91 Comentário aos Salmos Salmos 150 S Agostinho 92 Comentário aos Salmos Salmos 51100 S Agostinho 93 Comentário aos Salmos Salmos 101150 S Agostinho 10 Confissões S Agostinho 11 Solilóquios A vida feliz S Agostinho 12 A Graça I Santo Agostinho 13 A Graça II S Agostinho no prelo SANTO AGOSTINHO O LIVREARBÍTRIO 2a edição PAULUS TERCEIRA PARTE 11231635 A ATUAÇÃO DA BOA VONTADE PROVA QUE O PECADO VEM DO UVREARBÍTRIO Capítulo 11b Dúvidas de Evódio 23 Ev Por certo considero que é de fato grande essa punição e muito justa no caso de ser aplicada a alguém que já se achando estabelecido nas alturas da sabedoria resol vesse descer de lá para se pôr ao serviço das paixões Mas será possível encontrar alguém que tenha querido ou que queira realizar tal coisa É bem incerto Na verdade cremos pela fé que o homem foi criado por Deus e formado de modo perfeito e que foi por si mesmo e por sua própria vontade que se precipitou de lá nas misérias desta vida mortal Entretanto mesmo guardando essas verdades com uma fé muito firme eu ainda não consigo entender tudo isso muito bem Assim se julgas por enquanto ser preciso retardar um exame sério acerca dessa questão tu o farás mas muito contra a minha vontade25 Capítulo 12 Uma hipótese do platonismo 24 Ev Mas eis o que me preocupa ainda mais Por qual motivo padecemos nós todos essas espécies de penas tão cruéis nós que certamente estamos entre os insensatos 55 A ATUAÇAO DA BOA VONTADE sem que nunca tenhamos sido sábios Ora isso seria preciso para que se diga que tais males nos afligem com justiça pelo fato de havermos desertados da fortaleza da virtude e termo nos entregues à escravidão da paixão Se podes me esclare cer esse ponto por algum argumento não deixarei de modo algum que isso seja remetido para mais tarde Ag Falas como se tivesses a clara convicção de nunca termos sido sábios Isso por não levares em conta a não ser o tempo a partir do qual nascemos para esta vida En tretanto como a sabedoria reside na alma perguntome se acaso não terá esta vivido outra vida antes de se unir a este corpo E assim terá desfrutado antes algum tempo de posse da sabedoria Eis uma grande questão um pro fundo mistério o qual será preciso considerarmos a seu tempo26 Apesar disso aliás nada impede de esclarecermos o quanto possível a questão que no momento nos ocupa O papel da boa vontade 25 Ag E assim perguntote Existe em nós alguma vontade Ev Não o sei dizer Ag E queres sabêlo Ev Também o ignoro Ag Então nada mais me perguntes de agora em diante Ev Por quê Ag Porque não devo responder às tuas perguntas a não ser que queiras conhecer as respostas Além do mais se não queres chegar à sabedoria é inútil conversar contido sobre tais questões Enfim não mais poderá ser meu amigo se não me quiseres bem Pelo menos conside ra o seguinte em relação a ti mesmo não tens vontade alguma de levar vida feliz Ev Vejo que não se pode negar que todos tenhamos desejo disso Continua vejamos o que queres concluir por aí O PECADO PROVÉM DO LIVREARBÍTRIO 56 Ag Eu o farei Mas antes dizeme ainda tens cons ciência de possuir boa vontade Ev O que vem a ser a boa vontade27 Ag E a vontade pela qual desejamos viver com reti dão e honestidade para atingirmos o cume da sabedoria Considera agora se não desejas levar uma vida reta e honesta ou se não queres ardentemente te tornar sábio Ou pelo menos se ousarias negar que temos a boa vonta de ao querermos essas coisas Ev Nada disso eu nego porque admito que não somen te tenho uma vontade mas ainda uma boa vontade Ag E que apreço dás a essa boa vontade Achas que se possa comparála de algum modo com as riquezas com as honras ou com os prazeres do corpo ou ainda com todas essas coisas reunidas Ev Deus me livre de loucura tão perniciosa Ag Sernosá preciso então alegrarnos só um pou co por possuirmos em nosso espírito esse tesouro quero dizer essa boa vontade Em comparação a ela seria pre ciso julgar dignos de desprezo todos aqueles outros bens sobre os quais nos referimos No entanto para a sua posse vemos multidão de homens não recuar diante de nenhum cansaço de perigo algum Ev E preciso alegrarnos e muito por possuirmos a boa vontade Ag Pois bem E aqueles que não desfrutam dessa alegria sofrerão apenas pouco dano pela privação de tão grande bem Ev Ao contrário seria para eles o maior de todos os danos A boa vontade está em nossas mãos 26 Ag Portanto penso que agora já vês depende de nossa vontade gozarmos ou sermos privados de tão gran de e verdadeiro bem Com efeito haveria alguma coisa 57 A ATUAÇAO DA BOA VONTADE que dependa mais de nossa vontade do que a própria vontade28 Ora quem quer que seja que tenha esta boa vontade possui certamente um tesouro bem mais prefe rível do que os reinos da terra e todos os prazeres do corpo E ao contrário a quem não a possui faltalhe sem dúvida algo que ultrapassa em excelência todos os bens que escapam a nosso poder Bens esses que se escapam a nosso poder ela a vontade sozinha traria por si mesma Por certo um homem não se considerará muito infeliz se vier a perder sua boa reputação riquezas consideráveis ou bens corporais de toda espécie Mas não o julgarás antes muito mais infeliz caso tendo em abundância todos esses bens venha ele a se apegar demasiadamente a tudo isso coisas essas que podem ser perdidas bem facilmente e que não são conquistadas quando se quer Ao passo que sendo privado da boa vontadebem incomparavelmente superior para reaver tão grande bem a única exigên cia é que o queira Ev Nada há de mais verdadeiro Ag E pois com toda justiça que os homens insensatos padeçam aquela miséria de que falamos E isso mesmo sem nunca terem sido sábios é questão problemática e bem obscura Ev Concordo Capítulo 13 Nossa boa vontade implica o exercício das quatro virtudes cardeais 27 Ag Considera agora se a prudência não te parece o conhecimento daquelas coisas que precisam ser desejadas e das que devem ser evitadas29 Ev Pareceme que assim é a prudência a justiça a fortaleza e a temperança O PECADO PROVÉM DO LIVREARBÍTRIO 58 Ag Pois bem E a força não é ela aquela disposição da alma pela qual nós desprezamos todos os dissabores e a perda das coisas que não estão sob nosso poder Ev Assim o penso Ag E quanto à temperança é ela a disposição que reprime e retém o nosso apetite longe daquelas coisas que constituem uma vergonha o ser desejadas Ou acaso és de outra opinião Ev Pelo contrário penso como dizes Ag E finalmente sobre a justiça o que diremos ser ela senão a virtude pela qual damos a cada um o que é seu Ev Conforme minha opinião é essa a definição da justiça e nenhuma outra Ag Consideremos pois uma pessoa que possua essa boa vontade de que nossas palavras vêm proclamando a excelência já há algum tempo Ela abraçaa a ela somente com verdadeiro amor nada possuindo de melhor Goza de seus en cantos Põe enfim seu prazer e sua alegria em meditar sobre ela considerandoa quanto é excelente e o quanto é impossível ela lhe ser arrebatada Isto é serlhe subtraída sem seu consenti mento Poderemos duvidar de que tal pessoa se oporá a to das as coisas que sejam contrárias a esse único bem Ev E absolutamente necessário que assim seja Ag Podemos deixar de crer que essa pessoa não esteja também dotada de prudência ela que vê a obrigação de desejar esse bem acima de tudo e de evitar o que lhe é oposto Ev De modo algum pareceme alguém ser capaz disso sem a prudência Ag Bem Mas por que não atribuiríamos também a força a essa pessoa Com efeito ela não poderia amar nem estimar em alto preço todas aquelas coisas que não estão sob o nosso poder Porque tais coisas só são amadas pela má vontade à qual ela deve resistir por serem inimigas de seu maior bem Ora já que tal pessoa não ama essas coisas perecíveis não se entristecerá de as perder posto 59 A ATUAÇAO DA BOA VONTADE que as despreza totalmente E é essa a obra de força como foi dito e aceito por nós Ev Demos pois a virtude da força a essa pessoa por que não compreendo que se possa denominar a alguém de forte com mais acerto do que aquele que suporta com igualdade e tranquilidade de ânimo a privação desses bens cuja aquisição ou conservação não estão em nosso poder Ora que aquela pessoa age assim é um fato evidente Ag Considera ainda se acaso poderás recusarlhe a temperança sendo essa a virtude que reprime as paixões Ora o que há de mais oposto à boa vontade do que a con cupiscência Compreenderás que por ela certamente quem ama a boa vontade resiste por todos os modos a essas paixões e opõese a elas Por isso tal pessoa é designada com razão de temperante Ev Prossegue Sou de tua opinião Ag Resta a justiça Mas como poderá ela faltar a essa pessoa por certo não o vejo Porque quem possui e ama a boa vontade e resiste como dissemos ao que lhe é contrá rio não pode querer mal a ninguém Donde se segue que ela não causa dano a ninguém Mas na verdade pessoa alguma pode praticar a justiça sem dar a cada um o que é seu Ora ao dizer o que constitui a justiça tu já o provaste Lembraste disso acho eu Ev Sim eu o lembro e confesso que encontramos facilmente naquela pessoa que tanto estima e ama a sua boa vontade todas essas quatro virtudes as quais há pouco descreveste de acordo comigo Levar vida feliz ou infeliz depende de nossa boa vontade 28 Ag O que pode nos impedir então de reconhecermos como louvável a vida dessa pessoa Ev Nada absolutamente Ao contrário tudo nos con vida e até nos obriga a isso O PECADO PROVÉM DO LIVREARBÍTRIO 60 Ag Pois bem E podes de algum modo deixar de julgar que é preciso evitar a vida infeliz Ev Julgo com convicção que assim seja E penso que nada senão isso deve ser feito e com grande empenho Ag Mas não achas com certeza que a vida louvável deva ser evitada Ev Considero antes que é preciso procurála com afinco Ag Portanto não é a vida infeliz que deve ser louvada Ev É bem isso que se segue Ag Agora penso que não te será nada difícil admitires que a vida feliz é precisamente aquela que não é infeliz Ev É mais do que evidente Ag Aceitemos portanto isto é feliz o homem realmen te amante de sua boa vontade e que despreza por causa de la tudo o que se estima como bem cuja perda pode aconte cer ainda que permaneça a vontade de ser conservado Ev Como não aceitarmos as conclusões a que nos levam as premissas admitidas anteriormente Ag Compreendeste muito bem Mas dizeme eu te peço amar a sua boa vontade e têla em tão grande preço como antes dissemos não é isso justamente a própria boa vontade Ev Dizes a verdade Ag Mas se julgamos com razão ser feliz o homem de boa vontade não se deveria também com boa razão declarar ser infeliz aquele que possui vontade contrária a essa Ev Com muito boa razão Ag Logo que motivo existe para crer que devemos duvidarmesmo se até o presente nunca tenhamos possu ído aquela sabedoria que é pela vontade que merecemos e levamos uma vida louvável e feliz e pela mesma vontade que levamos uma vida vergonhosa e infeliz30 Ev Constato que chegamos a essa conclusão funda mentandonos em razões certas e inegáveis 61 A ATUAÇAO DA BOA VONTADE 29 Ag Ainda outra coisa Retiveste penso eu a definição dada por nós a respeito da boa vontade Dissemos ser ela a vontade pela qual desejamos viver justa e honestamente Ev Sim eu me recordo Ag Portanto se por nossa boa vontade amamos e abraçamos essa mesma boa vontade preferindoa a todas as outras coisas cuja conservação não depende de nosso que rer a consequência será como nos indica a razão que nossa alma esteja dotada de todas aquelas virtudes cuja posse constitui precisamente a vida conforme a retidão e a hones tidade De onde se segue esta conclusão todo aquele que quer viver conforme a retidão e honestidade se quiser pôr esse bem acima de todos os bens passageiros da vida realiza conquista tão grande com tanta facilidade que para ele o querer e o possuir serão um só e mesmo ato Ev Digote com toda verdade posso dificilmente conter uma exclamação de alegria vendo de repente surgir diante de mim tão grande bem e de maneira tão fácil de ser adquirido31 Ag Pois bem essa mesma alegria gerada pela aqui sição de tão grande bem ao elevar a alma na tranquilida de na calma e constância constitui a vida que é dita feliz A não ser que não consideres a vida feliz como gozo de bens verdadeiros e seguros Ev Consideroa tal como tu mesmo Capítulo 14 Motivo de nem todos conseguirem a desejada felicidade 30 Ag Perfeitamente Mas na tua opinião haverá um só homem sequer que não queira e deseje de todos os modos viver vida feliz32 O PECADO PROVÉM DO LIVREARBÍTRIO 62 Ev Todo homem a deseja Quem pode duvidar disso Ag Por qual motivo então nem todos eles a obtêm Porque como nós o dissemos e concordamos é voluntaria mente que os homens a merecem E acontece que voluntari amente também chegam a uma vida de infortúnios E assim recebem o que merecem Mas eis que surge não sei qual contradição a tentar derrubarse não fizermos um exame atento e minucioso as nossas conclusões de há pouco tão bem elaboradas e tão fortemente apoiadas Com efeito como se explica que os homens sofram voluntariamente uma vida infeliz se de modo algum ninguém quer viver no infortúnio E como se explica que sendo por sua própria vontade que o homem obtém vida feliz quando acontece que tantos são infelizes apesar de todos quererem ser felizes Será que isso não vem do fato de que uma coisa é querer viver bem ou mal e outra coisa muito distinta é merecer o resultado por uma boa ou má vontade Com efeito aqueles que são felizes para isso é preciso que sejam também bons não se tornaram tais só por terem querido viver vida feliz visto que os maus também o querem Mas sim porque os justos o quiseram com retitude o que os maus não o quiseram Nada de estranhar então que os homens desventurados não obtenham o que querem isto é vida feliz Com efeito o essencial o que acompanha a felicidade e sem o que ninguém é digno de obtêla o fato de viver retamente eles não o querem Ora a lei eterna em consideração da qual já é tempo de voltar a nossa atenção decretou com firmeza irremoví vel o seguinte o merecimento está na vontade33 Assim a recompensa ou o castigo serão a beatitude ou a desventura É porque ao afirmarmos que os homens são voluntaria mente infelizes não dizemos por aí que eles queiram ser infelizes mas que possuem tal vontade que a desgraça se segue necessariamente mesmo contra o desejo de felicidade Não há pois nada de contraditório ao raciocínio precedente todos querem ser felizes mas sem poder sêlo Pois nem todos 63 A ATUAÇAO DA BOA VONTADE querem viver com retidão e é só com essa boa vontade que têm o direito à vida feliz Amenos que tenhas alguma objeção a fazer Ev Não nada tenho a opor Capítulo 15 Relação da boa vontade com a lei eterna e a temporal 31 Ev Vejamos agora sem mais demora que relação existe em tudo isso com a questão das duas leis já coloca das anteriormente a lei eterna e a temporal Ag Seja Antes porém respondeme aquele que ama viver retamente tem certamente prazer nisso de tal modo que encontra não apenas o bem verdadeiro mas ainda real doçura e alegria Essa pessoa não há de apre ciar também sobre todas as coisas com dileção especial essa lei em virtude da qual a vida feliz é atribuída à boa vontade e a vida infeliz à má vontade34 Ev Sem dúvida amaa e com veemência porque é observandoa que ele vive como o faz Ag Pois bem Ao amála será que ama a algo variável e temporal ou a algo estável e eterno Ev Certamente a algo que é eterno e imutável Ag E o que dizes daqueles que perseveram em sua má vontade e desejam apesar disso ser felizes Podem eles amar essa lei que lhes determina o infortúnio como justo salário Ev De modo algum penso eu Ag E a nada mais amam Ev Pelo contrário amam muitas outras coisas pre cisamente aquelas a cuja aquisição e conservação sua má vontade persiste em procurar
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Agostinho 12 A Graça I Santo Agostinho 13 A Graça II S Agostinho no prelo SANTO AGOSTINHO O LIVREARBÍTRIO 2a edição PAULUS TERCEIRA PARTE 11231635 A ATUAÇÃO DA BOA VONTADE PROVA QUE O PECADO VEM DO UVREARBÍTRIO Capítulo 11b Dúvidas de Evódio 23 Ev Por certo considero que é de fato grande essa punição e muito justa no caso de ser aplicada a alguém que já se achando estabelecido nas alturas da sabedoria resol vesse descer de lá para se pôr ao serviço das paixões Mas será possível encontrar alguém que tenha querido ou que queira realizar tal coisa É bem incerto Na verdade cremos pela fé que o homem foi criado por Deus e formado de modo perfeito e que foi por si mesmo e por sua própria vontade que se precipitou de lá nas misérias desta vida mortal Entretanto mesmo guardando essas verdades com uma fé muito firme eu ainda não consigo entender tudo isso muito bem Assim se julgas por enquanto ser preciso retardar um exame sério acerca dessa questão tu o farás mas muito contra a minha vontade25 Capítulo 12 Uma hipótese do platonismo 24 Ev Mas eis o que me preocupa ainda mais Por qual motivo padecemos nós todos essas espécies de penas tão cruéis nós que certamente estamos entre os insensatos 55 A ATUAÇAO DA BOA VONTADE sem que nunca tenhamos sido sábios Ora isso seria preciso para que se diga que tais males nos afligem com justiça pelo fato de havermos desertados da fortaleza da virtude e termo nos entregues à escravidão da paixão Se podes me esclare cer esse ponto por algum argumento não deixarei de modo algum que isso seja remetido para mais tarde Ag Falas como se tivesses a clara convicção de nunca termos sido sábios Isso por não levares em conta a não ser o tempo a partir do qual nascemos para esta vida En tretanto como a sabedoria reside na alma perguntome se acaso não terá esta vivido outra vida antes de se unir a este corpo E assim terá desfrutado antes algum tempo de posse da sabedoria Eis uma grande questão um pro fundo mistério o qual será preciso considerarmos a seu 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sabedoria Considera agora se não desejas levar uma vida reta e honesta ou se não queres ardentemente te tornar sábio Ou pelo menos se ousarias negar que temos a boa vonta de ao querermos essas coisas Ev Nada disso eu nego porque admito que não somen te tenho uma vontade mas ainda uma boa vontade Ag E que apreço dás a essa boa vontade Achas que se possa comparála de algum modo com as riquezas com as honras ou com os prazeres do corpo ou ainda com todas essas coisas reunidas Ev Deus me livre de loucura tão perniciosa Ag Sernosá preciso então alegrarnos só um pou co por possuirmos em nosso espírito esse tesouro quero dizer essa boa vontade Em comparação a ela seria pre ciso julgar dignos de desprezo todos aqueles outros bens sobre os quais nos referimos No entanto para a sua posse vemos multidão de homens não recuar diante de nenhum cansaço de perigo algum Ev E preciso alegrarnos e muito por possuirmos a boa vontade Ag Pois bem E aqueles que não desfrutam dessa alegria sofrerão apenas pouco dano pela privação de tão grande bem Ev Ao contrário seria para eles o maior de todos os danos A boa vontade está em nossas mãos 26 Ag Portanto penso que agora já vês depende de nossa vontade gozarmos ou sermos privados de tão gran de e verdadeiro bem Com efeito haveria alguma coisa 57 A ATUAÇAO DA BOA VONTADE que dependa mais de nossa vontade do que a própria vontade28 Ora quem quer que seja que tenha esta boa vontade possui certamente um tesouro bem mais prefe rível do que os reinos da terra e todos os prazeres do corpo E ao contrário a quem não a possui faltalhe sem dúvida algo que ultrapassa em excelência todos os bens que escapam a nosso poder Bens esses que se escapam a nosso poder ela a vontade sozinha traria por si mesma Por certo um homem não se considerará muito infeliz se vier a perder sua boa reputação riquezas consideráveis ou bens corporais de toda espécie Mas não o julgarás antes muito mais infeliz caso tendo em abundância todos esses bens venha ele a se apegar demasiadamente a tudo isso coisas essas que podem ser perdidas bem facilmente e que não são conquistadas quando se quer Ao passo que sendo privado da boa vontadebem incomparavelmente superior para reaver tão grande bem a única exigên cia é que o queira Ev Nada há de mais verdadeiro Ag E pois com toda justiça que os homens insensatos padeçam aquela miséria de que falamos E isso mesmo sem nunca terem sido sábios é questão problemática e bem obscura Ev Concordo Capítulo 13 Nossa boa vontade implica o exercício das quatro virtudes cardeais 27 Ag Considera agora se a prudência não te parece o conhecimento daquelas coisas que precisam ser desejadas e das que devem ser evitadas29 Ev Pareceme que assim é a prudência a justiça a fortaleza e a temperança O PECADO PROVÉM DO LIVREARBÍTRIO 58 Ag Pois bem E a força não é ela aquela disposição da alma pela qual nós desprezamos todos os dissabores e a perda das coisas que não estão sob nosso poder Ev Assim o penso Ag E quanto à temperança é ela a disposição que reprime e retém o nosso apetite longe daquelas coisas que constituem uma vergonha o ser desejadas Ou acaso és de outra opinião Ev Pelo contrário penso como dizes Ag E finalmente sobre a justiça o que diremos ser ela senão a virtude pela qual damos a cada um o que é seu Ev Conforme minha opinião é essa a definição da justiça e nenhuma outra Ag Consideremos pois uma pessoa que possua essa boa vontade de que nossas palavras vêm proclamando a excelência já há algum tempo Ela abraçaa a ela somente com verdadeiro amor nada possuindo de melhor Goza de seus en cantos Põe enfim seu prazer e sua alegria em meditar sobre ela considerandoa quanto é excelente e o quanto é impossível ela lhe ser arrebatada Isto é serlhe subtraída sem seu consenti mento Poderemos duvidar de que tal pessoa se oporá a to das as coisas que sejam contrárias a esse único bem Ev E absolutamente necessário que assim seja Ag Podemos deixar de crer que essa pessoa não esteja também dotada de prudência ela que vê a obrigação de desejar esse bem acima de tudo e de evitar o que lhe é oposto Ev De modo algum pareceme alguém ser capaz disso sem a prudência Ag Bem Mas por que não atribuiríamos também a força a essa pessoa Com efeito ela não poderia amar nem estimar em alto preço todas aquelas coisas que não estão sob o nosso poder Porque tais coisas só são amadas pela má vontade à qual ela deve resistir por serem inimigas de seu maior bem Ora já que tal pessoa não ama essas coisas perecíveis não se entristecerá de as perder posto 59 A ATUAÇAO DA BOA VONTADE que as despreza totalmente E é essa a obra de força como foi dito e aceito por nós Ev Demos pois a virtude da força a essa pessoa por que não compreendo que se possa denominar a alguém de forte com mais acerto do que aquele que suporta com igualdade e tranquilidade de ânimo a privação desses bens cuja aquisição ou conservação não estão em nosso poder Ora que aquela pessoa age assim é um fato evidente Ag Considera ainda se acaso poderás recusarlhe a temperança sendo essa a virtude que reprime as paixões Ora o que há de mais oposto à boa vontade do que a con cupiscência Compreenderás que por ela certamente quem ama a boa vontade resiste por todos os modos a essas paixões e opõese a elas Por isso tal pessoa é designada com razão de temperante Ev Prossegue Sou de tua opinião Ag Resta a justiça Mas como poderá ela faltar a essa pessoa por certo não o vejo Porque quem possui e ama a boa vontade e resiste como dissemos ao que lhe é contrá rio não pode querer mal a ninguém Donde se segue que ela não causa dano a ninguém Mas na verdade pessoa alguma pode praticar a justiça sem dar a cada um o que é seu Ora ao dizer o que constitui a justiça tu já o provaste Lembraste disso acho eu Ev Sim eu o lembro e confesso que encontramos facilmente naquela pessoa que tanto estima e ama a sua boa vontade todas essas quatro virtudes as quais há pouco descreveste de acordo comigo Levar vida feliz ou infeliz depende de nossa boa vontade 28 Ag O que pode nos impedir então de reconhecermos como louvável a vida dessa pessoa Ev Nada absolutamente Ao contrário tudo nos con vida e até nos obriga a isso O PECADO PROVÉM DO LIVREARBÍTRIO 60 Ag Pois bem E podes de algum modo deixar de julgar que é preciso evitar a vida infeliz Ev Julgo com convicção que assim seja E penso que nada senão isso deve ser feito e com grande empenho Ag Mas não achas com certeza que a vida louvável deva ser evitada Ev Considero antes que é preciso procurála com afinco Ag Portanto não é a vida infeliz que deve ser louvada Ev É bem isso que se segue Ag Agora penso que não te será nada difícil admitires que a vida feliz é precisamente aquela que não é infeliz Ev É mais do que evidente Ag Aceitemos portanto isto é feliz o homem realmen te amante de sua boa vontade e que despreza por causa de la tudo o que se estima como bem cuja perda pode aconte cer ainda que permaneça a vontade de ser conservado Ev Como não aceitarmos as conclusões a que nos levam as premissas admitidas anteriormente Ag Compreendeste muito bem Mas dizeme eu te peço amar a sua boa vontade e têla em tão grande preço como antes dissemos não é isso justamente a própria boa vontade Ev Dizes a verdade Ag Mas se julgamos com razão ser feliz o homem de boa vontade não se deveria também com boa razão declarar ser infeliz aquele que possui vontade contrária a essa Ev Com muito boa razão Ag Logo que motivo existe para crer que devemos duvidarmesmo se até o presente nunca tenhamos possu ído aquela sabedoria que é pela vontade que merecemos e levamos uma vida louvável e feliz e pela mesma vontade que levamos uma vida vergonhosa e infeliz30 Ev Constato que chegamos a essa conclusão funda mentandonos em razões certas e inegáveis 61 A ATUAÇAO DA BOA VONTADE 29 Ag Ainda outra coisa Retiveste penso eu a definição dada por nós a respeito da boa vontade Dissemos ser ela a vontade pela qual desejamos viver justa e honestamente Ev Sim eu me recordo Ag Portanto se por nossa boa vontade amamos e abraçamos essa mesma boa vontade preferindoa a todas as outras coisas cuja conservação não depende de nosso que rer a consequência será como nos indica a razão que nossa alma esteja dotada de todas aquelas virtudes cuja posse constitui precisamente a vida conforme a retidão e a hones tidade De onde se segue esta conclusão todo aquele que quer viver conforme a retidão e honestidade se quiser pôr esse bem acima de todos os bens passageiros da vida realiza conquista tão grande com tanta facilidade que para ele o querer e o possuir serão um só e mesmo ato Ev Digote com toda verdade posso dificilmente conter uma exclamação de alegria vendo de repente surgir diante de mim tão grande bem e de maneira tão fácil de ser adquirido31 Ag Pois bem essa mesma alegria gerada pela aqui sição de tão grande bem ao elevar a alma na tranquilida de na calma e constância constitui a vida que é dita feliz A não ser que não consideres a vida feliz como gozo de bens verdadeiros e seguros Ev Consideroa tal como tu mesmo Capítulo 14 Motivo de nem todos conseguirem a desejada felicidade 30 Ag Perfeitamente Mas na tua opinião haverá um só homem sequer que não queira e deseje de todos os modos viver vida feliz32 O PECADO PROVÉM DO LIVREARBÍTRIO 62 Ev Todo homem a deseja Quem pode duvidar disso Ag Por qual motivo então nem todos eles a obtêm Porque como nós o dissemos e concordamos é voluntaria mente que os homens a merecem E acontece que voluntari amente também chegam a uma vida de infortúnios E assim recebem o que merecem Mas eis que surge não sei qual contradição a tentar derrubarse não fizermos um exame atento e minucioso as nossas conclusões de há pouco tão bem elaboradas e tão fortemente apoiadas Com efeito como se explica que os homens sofram voluntariamente uma vida infeliz se de modo algum ninguém quer viver no infortúnio E como se explica que sendo por sua própria vontade que o homem obtém vida feliz quando acontece que tantos são infelizes apesar de todos quererem ser felizes Será que isso não vem do fato de que uma coisa é querer viver bem ou mal e outra coisa muito distinta é merecer o resultado por uma boa ou má vontade Com efeito aqueles que são felizes para isso é preciso que sejam também bons não se tornaram tais só por terem querido viver vida feliz visto que os maus também o querem Mas sim porque os justos o quiseram com retitude o que os maus não o quiseram Nada de estranhar então que os homens desventurados não obtenham o que querem isto é vida feliz Com efeito o essencial o que acompanha a felicidade e sem o que ninguém é digno de obtêla o fato de viver retamente eles não o querem Ora a lei eterna em consideração da qual já é tempo de voltar a nossa atenção decretou com firmeza irremoví vel o seguinte o merecimento está na vontade33 Assim a recompensa ou o castigo serão a beatitude ou a desventura É porque ao afirmarmos que os homens são voluntaria mente infelizes não dizemos por aí que eles queiram ser infelizes mas que possuem tal vontade que a desgraça se segue necessariamente mesmo contra o desejo de felicidade Não há pois nada de contraditório ao raciocínio precedente todos querem ser felizes mas sem poder sêlo Pois nem todos 63 A ATUAÇAO DA BOA VONTADE querem viver com retidão e é só com essa boa vontade que têm o direito à vida feliz Amenos que tenhas alguma objeção a fazer Ev Não nada tenho a opor Capítulo 15 Relação da boa vontade com a lei eterna e a temporal 31 Ev Vejamos agora sem mais demora que relação existe em tudo isso com a questão das duas leis já coloca das anteriormente a lei eterna e a temporal Ag Seja Antes porém respondeme aquele que ama viver retamente tem certamente prazer nisso de tal modo que encontra não apenas o bem verdadeiro mas ainda real doçura e alegria Essa pessoa não há de apre ciar também sobre todas as coisas com dileção especial essa lei em virtude da qual a vida feliz é atribuída à boa vontade e a vida infeliz à má vontade34 Ev Sem dúvida amaa e com veemência porque é observandoa que ele vive como o faz Ag Pois bem Ao amála será que ama a algo variável e temporal ou a algo estável e eterno Ev Certamente a algo que é eterno e imutável Ag E o que dizes daqueles que perseveram em sua má vontade e desejam apesar disso ser felizes Podem eles amar essa lei que lhes determina o infortúnio como justo salário Ev De modo algum penso eu Ag E a nada mais amam Ev Pelo contrário amam muitas outras coisas pre cisamente aquelas a cuja aquisição e conservação sua má vontade persiste em procurar