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Texto de pré-visualização
BIBLIOTECA CLÁSSICA FILÓSOFOS ÉPICOS I PARMÊNIDES E XENÓFANES fragmentos Edição do texto grego revisão e comentários Fernando Santoro Revisão Científica Néstor Cordero Rio de Janeiro 2011 Fundação Biblioteca Nacional EXPEDIENTE Biblioteca Clássica Filósofos Épicos I Parmênides e Xenófanes Fragmentos Edição do texto grego tradução e notas Fernando Santoro Revisão Científica néStor Cordero Chefia na Edição do livro Guilherme CeleStino Assistência na Edição e Tradução eraCi de oliveira luan reboredo Revisão de Língua Portuguesa luiza miriam ribeiro martinS Revisão de Língua Grega ClariSSa marChelli Projeto Gráfico Samuel tavareS Guilherme CeleStino Capa maria Fernanda moreira ali CeleStino REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Presidenta da República dilma vana rouSSeFF Ministra da Cultura ana de hollanda FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL Presidente Galeno amorim Diretoria Executiva Célia Portella Coodenação Geral de Pesquisa e Editoração oSCar m C GonçalveS Hexis é um selo editorial da Ali Comunicação e Marketing Av Presidente Vargas 5901003 Rio de Janeiro RJ CEP 20071000 wwwalicomunicacaocombr comercialalicomunicacaocombr P265f v1 Parmênides Xenófanes Filósofos épicos I Parmênides e Xenófanes fragmentos edição do texto grego tradução e comentários Fernando Santoro revisão cientifica Néstor Cordero Rio de Janeiro Hexis Fundação Biblioteca Nacional 2011 184p Biblioteca clássica v1 Texto bilíngue português e grego Inclui bibliografia ISBN 9788562987052 1 Parmênides 2 Xenófanes ca 570ca 478 aC 3 Filosofia antiga 4 Poesia grega I Xenófanes ca 570ca 478 aC II Santoro Fernando 1968 III Cordero NéstorLuis IV Biblio teca Nacional Brasil V Título VI Título Parmênides e Xenó fanes fragmentos VII Série 111348 CDD 1823 CDU 138 110311 140311 025006 CIPBRASIL CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVRO RJ COMISSÃO EDITORIAL Fernando Muniz UFF Fernando Santoro UFRJ Henrique Cairus UFRJ Izabela Bocayuva UERJ Luis Felipe Belintani UFF CONSELHO CONSULTIVO Marcos Martinho USP Breno B Sebastiani USP Gabriele Cornelli UNB Emmanuel Carneiro Leão UFRJ Márcia Cavalcante Schuback Södertörns Högskola Néstor Cordero U de Rennes Pierre Chiron U de Paris XII Helène CasanovaRobin U de Paris IV Bárbara Cassin CNRS David Konstan U of Brown Livio Rossetti U di Peruggia Giovanni Casertano U di Napoli Volumes Este volume Filósofos Épicos I Parmênides e Xenófanes fragmentos Editor do texto grego Fernando Santoro Tradutor Fernando Santoro Revisor Néstor Cordero Introduções comentários e notas Fernando Santoro Próximos volumes Filósofos Épicos II Parmênides e Xenófanes testemunhos de vida e doutrina Filósofos Épicos III Empédocles fragmentos Filósofos Épicos IV Empédocles testemunhos de vida e doutrina BIBLIOTECA CLÁSSICA OBJETIVOS GERAIS A BIBLIOTECA CLÁSSICA é um programa editorial para publicação das obras clássicas da filosofia e da literatura antiga O objetivo é reunir em língua portuguesa um acervo de edições bilíngues com aparato de notas e comentários se gundo o mais alto padrão acadêmico internacional O projeto inclui um núcleo básico de pesquisa ava liação e tradução composto de professores universitários e pesquisadores de pósgraduação coordenados pelas equipes dos Laboratórios integrantes do Polo de Estudos Clássicos do Estado do Rio de Janeiro PEC vinculados à UERJ UFF e UFRJ com apoio da Sociedade Brasileira de Estudos Clás sicos SBEC e da Fundação Biblioteca Nacional A Coleção é realizada por um pool de editoras responsáveis pela execução gráfica e pela distribuição METODOLOGIA Edição dos textos gregos Para a composição dos textos gregos editados reco mendase a consulta e crítica das principais edições críticas e também facsímiles dos manuscritos quando disponíveis Todavia a coleção não se propõe a realizar o trabalho paleo gráfico e filológico de uma edição crítica exaustiva As edições devem apontar as variantes mais significativas em notas de pé de página Não é exigido repertoriar todas as variantes en contradas nas edições críticas consultadas As notas ao texto grego devem ser ao mesmo tempo sucintas e claras Indicase sempre a proveniência das variantes de fontes e edições críti cas A pontuação moderna é uma escolha do editor É repertoriada a lista completa de fontes e suas edi ções segundo as edições críticas consultadas Quando edi ções das fontes são diretamente tratadas constam na biblio grafia Em geral as referências a manuscritos das fontes são indiretas segundo as edições críticas estas serão creditadas quando divergentes VI FILÓSOFOS ÉPICOS I O texto grego pode seguir igualmente uma edição críti ca previamente estabelecida que esteja em domínio público ou cujos direitos sejam cedidos Nestes casos a autoria deve ser explicitamente creditada a quem estabeleceu o texto Para facilitar o cotejo da tradução o texto grego segue na página esquerda A tradução Em toda tradução o ponto de partida está em explicitar o sentido do texto Mas quando se percorre as tão diversas traduções já editadas em português em francês em alemão em espanhol em inglês percebese que já desde os manus critos há séculos diversas manipulações correções inver sões amputações intervenções bem ou mal fundamentadas da parte dos copistas dos editores dos tradutores preceden tes alguns eméritos helenistas foram exercidas sobre o texto inicial chegando às vezes a lhe tolher qualquer sentido1 O que Bollack diz acima a respeito de sua tradução dos manuscritos de Epicuro vale igualmente ou ainda mais para nossas traduções dos clássicos É preciso escolher a lição com a vista calcada no sentido integral de cada obra segundo o princípio bem assentado da arte da hermenêutica expresso por Schleiermacher mas para escolher entre tantos sentidos integrais possíveis e bem justificados apontamos outro princí pio defendido pela escola filológica de Lille dar preferência às lições dos manuscritos ante tantas sugestões de correção que se amontoam desde a antiguidade clássica Contudo também os manuscritos de que dispomos são provenientes de fontes indiretas e sabese que na transmissão helenista não há muito pudor em intervir no texto citado e tal intervenção raramente é assinalada Assim muitas vezes há mais de uma variante de interesse para a compreensão integral das obras nestes casos se seguem os manuscritos mais fiáveis os que apresentam tre chos maiores os mais antigos os melhor conservados mas se assinalam as variantes e correções alternativas Correções aos manuscritos devem ser assinaladas e creditadas ao seu autor As Joias da Biblioteca Nacional O Projeto de editar os clássicos abrindo com os filó sofos épicos inclui também o destaque de sua recepção em 1 Jean BOLLACK Comentário sobre sua tradução dos textos de Epicuro disponível em httpwwwgreekphilosophycom VII BIBLIOTECA CLÁSSICA língua portuguesa inclusive com a edição ou reedição de obras de significado especial para esta língua Tais obras são o que denominamos as Joias da Biblioteca incluem desde manus critos nunca antes editados do acervo da FBN como a tradução dos Versos de Ouro de Pitágoras por Luiz Antonio de Azevedo Lis bonnense do séc XVIII Manuscrito Ref I 1401044 FBN textos editados em diversos contextos tal como tradução do Poema de Parmênides por Gerardo Mello Mourão publicada em uma revista da prefeitura do Rio de Janeiro em 1986 ou As lágrimas de Heráclito de Antônio Vieira Ref VI308129 do séc XVII que recebeu recente publicação bilíngue Para tanto as seções de manuscritos e de obras raras bem como a de periódi cos da FBN estão sendo pesquisadas em busca desses peque nos tesouros ocultos ou esquecidos Para cada volume eventualmente para cada autor pro duziremos um apêndice com um texto ou seleção de textos significativos para a literatura e a recepção da obra em língua portuguesa No caso de serem textos inéditos publicaremos o texto completo no caso de já terem sido publicados em con texto diferenciado selecionaremos partes significativas ou fa remos seleções comparativas por ex as seis ou mais tradu ções brasileiras do frag DK B11 das Sátiras de Xenófanes CONSELHO EDITORIAL Os Títulos da coleção devem ser indicados por algum membro do Conselho Editorial composto pelos membros da Comissão Editorial e do Conselho Consultivo e aceitos pela maioria simples da Comissão Editorial da Coleção BIBLIO TECA CLÁSSICA a qual pode solicitar pareceres de mem bros do Conselho Consultivo Os membros do Conselho Editorial são permanentes podendo sair por vontade própria Somente em caso de saída de um membro da Comissão Editorial pode ser indicado novo membro aceito por unanimidade da Comissão para que esta mantenha o número de cinco membros Pode ser indicado novo membro para a Comissão Consultiva aceito por unani midade da Comissão Editorial A Comissão Editorial deve zelar pelo cumprimento das regras da coleção e encaminhar às editoras associadas os ma nuscritos aprovados de preferência com parecer científico anexado e revisão por autoridade científica no assunto Nor mas editoriais disponíveis em wwwpecufrjbr VIII FILÓSOFOS ÉPICOS I AGRADECIMENTOS Gostaria de agradecer a todos que contribuíram para a realização deste estudo a começar por Marcelo Pimenta Marques cuja leitura atenta de minha tese de doutorado em 1998 abriume o acesso para temas e autores fundamentais nos estudos de Parmênides Nunca poderei expressar também toda a gratidão que tenho pelo Professor Emmanuel Carneiro Leão a quem devo a iniciação e formação em filosofia e língua gregas À Professora Barbara Cassin devo muitas das lições de cuidado e amor aos textos formadoras do que entendo hoje por rigor perspicácia e honestidade filológicos para com a filosofia Agradeço com entusiasmo a todos os amigos que discu tiram comigo as decisões de edição e tradução ao longo dos últimos cinco anos Devo um agradecimento especial aos que me transmitiram seus apontamentos precisos e úteis como Jean Bollack Lambros Couloubaritsis Giovanni Casertano Chiara Robbiano José Gabriel Trindade Lívio Rossetti Ta tiana Ribeiro Henrique Cairus Gerard Journée Leopoldo Iri barren Lucia Saudelli e Aude Engel Agradeço especialmente a todos os participantes do Se minário de 20102011 sobre os présocráticos gregoslatinos do centro Léon Robin e particularmente seus condutores André Laks e Carlos Levy sem dúvida me alargaram a visão sobretudo quanto aos efeitos no texto da sua transmissão e recepção Um agradecimento especial a Néstor Cordero que além de abrirme as portas para o mundo eleata aceitou a faina de ser o revisor oficial deste volume Também devo agradecer aos meus orientandos e ex orientandos que suportaram alguns anos de discussões e experiências nas aulas de graduação e pósgraduação e nas jornadas de tradução do Laboratório OUSIA de Estudos em Filosofia Clássica alguns me ajudaram diretamente no pre sente trabalho Carlos Lemos Felipe Gonçalves Daniel Ru bião Rafael Barbosa Carolina Torres Suzana Piscitello Eraci de Oliveira Luan Reboredo Guilherme Celestino IX BIBLIOTECA CLÁSSICA Agradeço de coração ao Tunga e ao Embaixador Gonça lo Mourão a autorização para republicar na seção das Joias a épica tradução do Poema de Parmênides realizada por seu pai Gerardo Mello Mourão Por fim agradeço às agências brasileiras de fomento sem as quais tudo isso não seria alcançado à Fundação Bi blioteca Nacional pela bolsa de pesquisa 20072009 sobre Os Filósofos Poetas e seu apoio à publicação deste primei ro volume da Coleção Biblioteca Clássica à Fundação Capes pela bolsa de pesquisa 20102011 e suporte institucional acordo CapesCofecub para o projeto de pesquisa sobre As origens da linguagem filosófica estratégias retóricas e poéti cas da sabedoria antiga e à Faperj pelo apoio à formação do Polo de Estudos Clássicos do Rio de Janeiro X FILÓSOFOS ÉPICOS I ABREVIATURAS USUAIS abl ablativo abrev abreviatura abreviado ac acusativo app apêndice cap capítulo com comentário cf confrontar conferir dat dativo dC depois de Cristo ed editor editores edição editora ex exemplo f feminino na forma feminina FBN Fundação Biblioteca Nacional fr fragmento fragmentos g grama gen genitivo introd introdução loc locativo m masculino na forma masculina n nascido em nota notas nom nominativo Ol Olimpíada org organizador organizadores p página páginas pl plural pub publicado em ref referência reimpr reimpressão rev revisão de revisado por sc a saber séc séculos ser série séries sg singular suppl Suplemento sv termo substantivo trad tradução traduzido por v volume volumes verso no verso voc vocativo vv versos nos versos XI BIBLIOTECA CLÁSSICA SIGLAS E ABREVIATURAS NESTE VOLUME Ald Aldo Manucio editor da primeira tentativa de estabelecimento do texto de Parmênides Veneza 1526 chamada edição Aldina CAG Commentaria in Aristotelem Graeca DK Diels H Kranz W Die Fragmente der Vorsokratiker 61951 2004 DK A seção de doxografias vida e doutrina DK B seção dos fragmentos E L N F etc manuscritos E L N F etc discriminados na seção FONTES DOS FRAGMENTOS E SUAS EDIÇÕES libri códices manuscritos mss manuscritos reed reeditado Sext Sexto Empírico Somente no texto grego e na tradução palavra entre colchetes significa presença nos manuscritos posta em suspeição pelos editores Palavra interposta pelos editores ou pelo tradutor O AZUL DO AR VINDO VOLTA ANTES QUE O VENTO MUDE TEMPO AL GUÉM TÃO LEVE NÃO VEIO PARA MIM APENAS VEIO PARA TODOS OS SONS PARA OS CRISTAIS PARA AS RUÍNAS AQUELE QUE SE AFE RRA AO VENTO SE PERDE SUMÁRIO BIBLIOTECA CLÁSSICA V AGRADECIMENTOS VIII ABREVIATURAS USUAIS X SIGLAS E ABREVIATURAS NESTE VOLUME XI PREFÁCIO 1 Os filósofos poetas 1 A determinação como physikói e physiólogoi 2 A discussão acerca do método 3 Cosmologia teologia e outras ciências 3 A forma épica 4 XENÓFANES DE COLOFÃO 7 INTRODUÇÃO AOS FRAGMENTOS 9 Vida de Xenófanes 9 Edição do texto grego e tradução 9 Os gêneros e seus metros 10 O verso épico 11 As Elegias 11 As Sátiras sílloi 11 Os temas filosóficos 12 FRAGMENTOS 19 Elegias21 Sátiras 29 Paródias 37 Da Natureza 39 FRAGMENTOS DUVIDOSOS 49 PARMÊNIDES DE ELÉIA 53 INTRODUÇÃO AOS FRAGMENTOS DO POEMA DE PARMÊNIDES 55 Vida de Parmênides 55 A reconstituição arqueológica 57 Edição do texto grego 59 Nossa tradução 60 Os deusesconceito 62 Os nomes dos deuses 65 O Poema e suas partes 71 FRAGMENTOS 77 Da Natureza 79 Proêmio 79 Programa 1 85 Programa 2 87 Os Caminhos 1 89 Os Caminhos 2 89 Os Caminhos 3 91 O Caminho do que é 93 O Caminho das Opiniões 1 101 O Caminho das Opiniões 2 105 O Caminho das Opiniões 3 107 Cosmos 1 107 Cosmos 2 109 Cosmos 3 111 Cosmos 4 113 Cosmos 5 113 Cosmos 6 115 Cosmos 7 117 Cosmos 8 117 Cosmos 9 117 FRAGMENTOS DUVIDOSOS 119 TÁBUA DE CONCORDÂNCIA 124 FONTES DOS FRAGMENTOS E SUAS EDIÇÕES 127 JOIAS DA BIBLIOTECA NACIONAL 139 ÍNDICE ONOMÁSTICO 147 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 151 PÁGINAS 59 E 60 DE MARINHAGEM POESIA REUNIDA MARCELINO FREIRE NOVA FRONTEIRA 2006 para Antônio PREFÁCIO Os filósofos poetas A filosofia surge na Grécia em meio a um fecundo diá logo e uma calorosa disputa entre valores e formas de conhe cimento Diálogo e disputa que são entretidos com as formas tradicionais de educar e conhecer sobretudo a poesia épica mas também a poesia lírica a órfica a trágica as tradições oraculares e outras formas de expressão e de linguagem Os primeiros filósofos nascem diretamente destas tradições dis cursivas e muitas vezes mantêm elementos formais e tam bém conteúdos similares a esta origem ao mesmo tempo em que frequentemente assumem uma posição de distancia mento e confronto face às mesmas Uma longa tradição que já vem desde os comentadores alexandrinos passando pela edição de Stephanus da Poiesis Philosophica 1573 até a grande compilação de filósofos ar caicos de Friedrich Wilhelm August Mullach Fragmenta Philo sophorum Graecorum 1860 seguida da coletânea de Hermann Diels Poetarum Philosophorum Fragmenta 1901 vinculou for temente os primeiros filósofos a suas origens poéticas tan to que os denominava Poetas Filósofos Esta denominação tinha em geral porém uma conotação pejorativa de viés positivista tratavamse ainda de protofilósofos pensadores que falavam por meio de alegorias porque não teriam ainda desenvolvido a linguagem madura da filosofia e da ciência Somente com a obra maior de Hermann Diels Die Fragmente der Vorsokratiker a partir do início do séc XX com contínuas revisões feitas por ele e Walter Kranz até 1952 estes filóso fos passaram a ser denominados canonicamente como filó sofos présocráticos Contudo o tom de classificálos como aspirantes à filosofia não se alterou visto que ser anterior a Sócrates ainda é visto como anterior ao paradigma clássico da filosofia Mas ressoa ainda por todo o séc XX a relação que Nietzsche lhes imprimiu com a poesia trágica desfazendo o preconceito positivista que vê a ciência como uma supera ção dos mitos e da poesia De fato a filosofia dos primeiros filósofos faz parte de uma grande transformação criativa da 2 FILÓSOFOS ÉPICOS I linguagem da cultura das instituições que se interpenetram e influenciam A filosofia não supera a poesia mas concorre entre as diversas formas de pensamento e expressão para o diverso desempenho criador do conhecimento da cultura e da civilização A relação da filosofia com a poesia na Magna Grécia dos séc VI e V aC não é somente uma relação exterior de recíproca influência e de empréstimos de recursos expressi vos ou formatos discursivos Com efeito a filosofia surge ori ginalmente como um gênero de poesia sapiencial e merece ser pensada neste limiar em que confluem literatura retórica pensamento e conhecimento Com os filósofos épicos explo ramos as potencialidades criativas deste limiar a partir da ecdótica dos textos gregos e das traduções abrindo caminho para uma análise discursiva de suas formas originais de ex pressão e principalmente para a discussão filosófica dos seus conteúdos e temas Chamamos de épicos filósofos como Xenófanes Par mênides e Empédocles Filósofos que compuseram entre suas obras poemastratados sobre a natureza perì phýseos São épicos segundo uma abordagem que diz respeito ao esta tuto das formas e conteúdos da filosofia em seus primórdios face aos demais discursos sapienciais e formas de expressão coetâneos particularmente os poemas de tradição homérica Destaquemos quatro aspectos dos Filósofos Épicos es boçados aqui cada um em separado como um programa de investigação Cada um delimita um conjunto que aproxima de seus textos outros textos de formas afins dentro do campo da literatura sapiencial grega criando zonas de fronteira que se cruzam sem se sobrepor A determinação como physikói e physiólogoi Aristóteles no primeiro livro da Metafísica 982a no meia os seus predecessores estes que trataram dos primeiros princípios e causas simplesmente de sophói ou philóso phoi diferenciandoos dos poetas que ele chama também de theólogoi No primeiro livro de sua Física Aristóteles ocupa se de discutir as principais teses ontológicas dos eleatas para estabelecer o seu próprio conceito de phýsis natureza como princípio de movimento Assim o Estagirita estabelece a perspectiva para abordar Xenófanes e Parmênides como filó sofos que tratam da natureza O título que seus tratados irão posteriormente receber Acerca da Natureza Perì Phýseos 3 PREFÁCIO devese a esta perspectiva a qual também vai dirigir a obra que por muito tempo foi o lugar de divulgação destes trata dos a compilação empreendida por Teofrasto das opiniões dos filósofos da natureza Physikôn Dóxai O problema aqui pode abrirse por várias portas uma primeira é em que me dida a abordagem do tema dos princípios como um problema que diz respeito à phýsis é um marco de origem da filosofia outra é acerca da determinação do próprio sentido de nature za e sua dependência da perspectiva aristotélica A discussão acerca do método Xenófanes particularmente no fragmento DK 21 B 34 e Parmênides na primeira parte do poema os fragmentos DK 28 B1 até B6 pelo menos têm como objeto de reflexão o próprio conhecimento seus caminhos desvios e limitações Assim seus tratados acerca da natureza englobam também o que poderíamos considerar como discussões preliminares metodológicas acerca do estatuto da verdade e das opiniões Talvez essa seja uma das principais características da nascen te filosofia não apenas buscar a expressão de verdades mas refletir sobre a própria condição da verdade Isso os diferen cia dos discursos sapienciais tradicionais tais como na poe sia épica de Hesíodo e Homero mesmo quando esta versa a respeito de sua inspiração pelas musas A reflexão sobre o estatuto do conhecimento diferenciaos também dos con textos rituais de revelação e interpretação tal como os orá culos Por outro lado Parmênides e Xenófanes não opõem ao verdadeiro o falso mas as opiniões Isso aponta para uma diferença em relação às compreensões clássicas de verdade como adequação que se vão consolidar em Platão e princi palmente na discussão aristotélica sobre o discurso apofânti co declarativo demonstrativo Com relação ao estatuto do conhecimento Xenófanes Parmênides e Empédocles estão na fronteira de um mundo em transformação e conservam de modo rico e refletido elementos das experiências tradicionais de inspiração e revelação ao mesmo tempo em que apresen tam um ímpeto de investigação da natureza e um cuidado de explicação dos fenômenos que já os projeta como homens de ciência e filosofia Cosmologia teologia e outras ciências Os tratados acerca da natureza de Xenófanes e Par mênides expõem uma visão do cosmos com aspectos as 4 FILÓSOFOS ÉPICOS I tronômicos geográficos biológicos etc de particular in teresse para a história das ciências e para uma reflexão epistemológica em geral2 A compreensão desta visão do cosmos é também decisiva para a reflexão sobre o sentido da chamada segunda parte do Poema de Parmênides e para a consideração do estatuto do conhecimento humano e das opiniões dos mortais3 Neste contexto também é significativo o problema do estatuto ontológico dos deuses seu lugar na cosmovisão dos poetas filósofos e a crítica a como os homens os compreendem e se relacionam com eles que aparece não apenas nos fragmentos dos tratados acerca da natureza dos présocráticos em geral mas tam bém particularmente nos fragmentos satíricos Sílloi de Xenófanes Convivem mas não sem conflitos discursos te ogônicos e cosmogônicos Ao mesmo tempo em que pode mos vislumbrar catálogos de deuses encontramos a crítica às concepções teológicas tradicionais sobretudo quanto ao seu antropomorfismo Esta crítica está no coração das con siderações sobre a opinião a nomeação o engano e tudo o que se pode enquadrar dentro da perspectiva de uma ex periência humana repleta de limitações Neste sentido os textos também são potencialmente ricos de uma antropo logia filosófica A forma épica Entre os diversos filósofos conhecidos que escreveram tratados acerca da natureza alguns usaram em seus tratados a forma épica da versificação em hexâmetros dactílicos4 entre os quais Xenófanes Parmênides e Empédocles Não se trata de uma simples continuação da tradição de poesia sapiencial homérica A filosofia já havia experimentado a prosa nos tra tados acerca da natureza em sua origem jônica Xenófanes de Colofão provém diretamente dessa tradição naturalista jônica mas era também um rapsodo que recitava tanto poemas seus quanto do repertório homérico o qual também interpretava e criticava E Parmênides apesar de apresentar um tratado que dialoga e polemiza com as recentes filosofias jônicas parece que decide muito propositalmente pela forma tradicional do verso homérico 2 Cf PoPPer Karl The world of Parmenides Essays on the Presocratic Enlightenment 1998 3 Cf CaSertano Giovanni Parmenide il metodo la scienza lesperienza 1989 4 Cf p 10 Os Gêneros e Seus Metros 5 PREFÁCIO Portanto o uso do verso é uma escolha deliberada e não uma inerte continuação da tradição As referências a Homero também se faz em alusões a expressões e a episódios da épi ca quer dizer também aos conteúdos narrados nos poemas5 Por outro lado há uma forte crítica acerca desses conteúdos sobretudo no que se refere aos discursos acerca dos deuses O problema está em como justificar a escolha do verso Por que escrever filosofia em poemas metrificados como os de Homero O mesmo Homero que muitas vezes é o modelo de valores e de conteúdos a criticar Talvez seja justamente para concorrer pelo mesmo público e pela mesma função de educador dos homens civilizados Talvez mais do que nos conteúdos se deva investigar o efeito pretendido por tais filósofos com suas obras poéticas Um efeito que se queria produzir por meio de uma performance típica para um lar go auditório Afinal uma récita pública segundo a tradição dos rapsodos declamadores de cantos homéricos como Xe nófanes devia surtir um efeito bem mais amplo do que uma leitura de estudo privado Não se pode esquecer tampouco a função mnemônica do hexâmetro a memória é a base da conservação e da transmissão sapiencial para uma civilização que ainda está em processo de alfabetização Não é por acaso que nas teogonias Memória seja esposa do governante Zeus e mãe das Musas inspiradoras O hexâmetro dactílico é escolhido pelos filósofos épicos quando tratam da natureza mas entre estes filósofos poetas incluímos também Xenófanes que faz poesia sapiencial tam bém com outros metros As sátiras sílloi incluem uma refle xão sobre os limites e métodos do conhecimento que não se deve excluir do gênero de poesia sapiencial e mesmo as ele gias de Xenófanes contêm prescrições e reflexões de ordem ética e política 5 Cf CaSSin Barbara 1998 pp 4864 e a referência aos versos épicos em Coxon a h 22009 XENÓFANES DE COLOFÃO INTRODUÇÃO AOS FRAGMENTOS DOS POEMAS DE XENÓFANES Vida de Xenófanes Xenófanes nasceu na cidade de Colofão na Jônia em torno de 570 aC Foi contemporâneo de Anaximandro respi rou os ares dos filósofos naturalistas da região e sobretudo seu pendor pela agonística em torno dos princípios Com a invasão dos Persas fugido ou banido migrou em direção ao ocidente por volta de 545 passando por várias cidades gregas pela Sicília pelo sul da Itália sempre realizando sua atividade de rapsodo Como rapsodo interpretava certamente Home ro Hesíodo e também poemas de própria autoria Pelas suas considerações críticas à épica arcaica se pode imaginar que suas interpretações não fossem somente récitas inspiradas desprovidas de reflexão tal como Platão caricaturou a ativida de dos rapsodos no diálogo Íon Esteve presente na fundação de Eleia em 540 e muito provavelmente ali manteve intensa atividade intelectual e letiva Encontrouse certamente com o jovem Parmênides mas as notícias de que foi o fundador da Escola Eleata decerto decorrem do desejo de transformar al gumas afinidades de prática e doutrina em grandes encontros históricos De toda forma a recepção do poeta põe na conta de sua nova teologia crítica do antropomorfismo de Homero e Hesíodo a ideia e teoria do Uno assumida de diversas ma neiras pelos filósofos que atuaram em Eleia Além dos poe mas de que nos sobraram fragmentos também se tem notícia de que escreveu outros poemas épicos como a Fundação de Colofão e a Fundação de Eleia Xenófanes viveu mais de noventa anos conforme seus próprios versos autobiográficos6 Edição do texto grego e tradução Para o texto grego de Xenófanes tomamos como ponto de partida a edição de domínio publico de Hermann Diels Poe 6 A maioria dos dados biográficos de Xenófanes encontrase em Diógenes Laércio Vitae philos ophorum IX 1820 DK 21 A 1 10 FILÓSOFOS ÉPICOS I tarum Philosophorum Fragmenta 1901 digitalizada e disponível na Internet Utilizamos por sua maleabilidade a versão do sítio mantido por Zdeněk Kratochvíl montada a partir da An thologia lyrica ed Hiller Crusius Lipsiae 1903 e da última edição de Hermann Diels e Walther Kranz Die Fragmente der Vorsokratiker Zürich 1951 Cotejamos diretamente a edição DielsKranz 1951 usada para a referência da notação e as edições de J H Lesher 1992 e Jaap Mansfeld 1983 No grego deixamos em minúsculas todos os fragmen tos atribuídos mas não alteramos as maiúsculas no texto das fontes Na tradução usamos maiúsculas nos nomes próprios e nos nomes de deuses explicaremos o motivo adiante7 A recepção dos Fragmentos de Xenófanes em portu guês produziu alguns excelentes trabalhos entre os quais destacamos a experiência de tradução de inspiração concre tista de Trajano Vieira8 que explora o potencial poético da forma fragmentada do legado présocrático Buscamos em nossas traduções a informação filológica suficiente a clareza filosófica e a ordenação poética à medida do possível Pro curamos nos pôr a caminho da excelência literária de Anna Lia de Almeida Prado9 e Trajano Vieira Nossa contribuição suplementar diz respeito apenas às informações filológicas e à possibilidade de cotejo com o grego Para se ter ideia da va riação brindamos o leitor no anexo das Joias da Biblioteca Nacional com algumas das traduções para o português do fragmento B11 Os gêneros e seus metros Mesmo sendo autor de uma obra sobre a natureza e com suas observações importantes sobre a limitação do co nhecimento humano não é à toa que Xenófanes seja muitas vezes mais lembrado como poeta do que filósofo Isto se deve à variedade de metros e gêneros poéticos em que escreveu Mas não foi menos filósofo em um gênero do que em outro seus dísticos elegíacos e seus iambos não sendo menos ricos de assertivas sapienciais 7 Cf Os deusesconceito p 62 8 vieira Trajano Xenofanias Campinas Ed Unicamp 2006 9 Prado Anna L A de A Fragmentos de Xenófanes de Colofão in Os PréSocráticos org J Cavalcante de Souza São Paulo Abril 1973 11 XENÓFANES O verso épico Xenófanes usa o verso épico ou homérico o hexâmetro dactílico no seu poema didático Da Natureza assim como o farão Parmênides e Empédocles10 O verso épico é usado nos poemas que educam os gregos Os jovens fazem a escansão do ritmo com os pés e cumprem exercícios físicos enquanto recitam as palavras de Homero e Hesíodo Poderíamos dizer que o hexâmetro é a pauta do caderno oral de aprendizagem É o suporte mnemônico da cultura grega arcaica O dáctilo ou compasso dactílico é composto de uma sílaba longa seguida de duas breves Esquema simples do hexâmetro dactílico As Elegias São chamados de elegias os poemas de Xenófanes cons truídos com o dístico elegíaco composto de um hexâmetro dactílico e de um pentâmetro dactílico alternados Por con ta da variação transmite mais carga emotiva do que o me tro épico composto exclusivamente de hexâmetros Há dois fragmentos maiores das elegias um trata dos ritos de realiza ção de um banquete com importante consideração sobre os deuses que inclui uma crítica velada a Homero e Hesíodo o outro é um fragmento de ordem política sobre os valores pe los quais os cidadãos honram seus heróis com uma crítica à opinião comum dos homens Dos demais fragmentos alguns poderiam integrar esses primeiros poemas Esquema simples do dístico elegíaco As Sátiras sílloi Os sílloi sátiras são poemas curtos compostos de iam bos que em grego significa invectiva O metro iâmbico é mais próximo da prosa quotidiana pés alternando uma sílaba breve e uma longa por isso o trímetro iâmbico foi o verso usado na poesia dramática antiga O iambo satírico é usado para lançar impropérios ou para fazer críticas irônicas Aris 10 Cf A forma épica p 4 12 FILÓSOFOS ÉPICOS I tóteles considera o iambo e a poesia de invectiva a origem da comédia11 Sem dúvidas esta arte também está na origem da dialética principalmente a de verve socrática Esquema simples do trímetro iâmbico Os temas filosóficos As questões filosóficas que Xenófanes aborda variam e se acomodam confortavelmente nos modelos poéticos em que ele exerce sua verve Para a descrição cósmica própria de um discurso sobre a natureza o filósofo toma a altivez do hexâ metro épico Para a crítica às opiniões de autores tradicionais ou às do senso comum usa a invectiva satírica Para os prepa rativos rituais de uma festa declama uma elegia Se ao exa minar os conteúdos adotássemos uma perspectiva anacrônica moderna que visa o objeto tratado e o método de tratálo não veríamos diferenças de gêneros poéticos mas de campos do conhecimento e suas ciências Chamaríamos o primeiro de discurso cosmológico pois tem em vista a ordem dos elemen tos e o mundo O segundo poderíamos chamar de discurso epistemológico porque trata dos limites do conhecimento e do modo como o senso comum e os antigos poetas projetam sua própria imagem e opinião sobre os deuses O terceiro seria difícil de enquadrar em uma ciência moderna tratase mais de um saber viver um domínio dos costumes que os anti gos romanos chamavam de arte do convívio e que consti tuiu uma literatura toda particular sobre os modos e discursos nos banquetes Platão Xenofonte Plutarco Ateneu foram alguns dos expoentes neste gênero e nesta arte Assim ainda que nos esforcemos para enquadrálo em nossas temáticas fi losóficas tradicionais Xenófanes parece à primeira vista mais um escritor bastante versátil do que um sábio ou um filóso fo propriamente dito ou seja um homem que escreve desde um ponto de vista universal do conhecimento que tem uma unidade de pensamento e que poderíamos descrever em seu caráter filosófico próprio Todavia podemos reparar que há um mesmo motivo que perpassa tanto a sua épica quanto as sátiras e as elegias É este motivo que nos permite uma aproxi mação mais significativa tanto do caráter de Xenófanes quanto do seu significado para a história da filosofia 11 ariStóteleS Poética 1449a 4 13 XENÓFANES A recepção tradicional da filosofia de Xenófanes apro ximase deste seu caráter por assim dizer único também de maneiras diferentes segundo interesses também diversos A primeira e talvez ainda mais pregnante das interpretações de Xenófanes é devedora de uma referência feita no diálogo Sofista de Platão τὸ δὲ παρ ἡμῶν Ελεατικὸν ἔθνος ἀπὸ Ξενοφάνους τε καὶ ἔτι πρόσθεν ἀρξάμενον ὡς ἑνὸς ὄντος τῶν πάντων καλουμένων οὕτω διεξέρχεται τοῖς μύθοις 242d fala o Estrangeiro de Eleia mas a nossa tribo eleática iniciada a partir de Xenófanes e mesmo ainda antes transmitia com tais histórias que o que chamamos de todo é um único Platão faz a escola eleática gravitar em torno da ideia do uno que para ele é o núcleo da concepção ontológica de Parmênides e seus sucessores imediatos tal como expõe tam bém no outro diálogo que versa sobre o método da escola justamente intitulado Parmênides O uno tem para Platão im portância ontológica e lógica capital na constituição de sua teoria das ideias por isso ele mesmo faz questão de decla rarse da família mesmo à sua moda como um filho rebelde que ousa refutar o pai Os fragmentos de Xenófanes de que dispomos não falam propriamente nem de unidade concei tual da ideia nem explicitamente de uma unidade cósmica Encontramos o uno ou único atribuído a um deus em B23 e encontramos referências a uma totalidade das coisas em B24 B25 B27 B29 e principalmente em B34 Todos estes fragmentos Hermann Diels os dispõe dentro de um discurso cósmico sobre a natureza ao passo que recentemente Mans feld 1983 adotando outra heurística prefere distribuílos por assunto B27 e B29 sobre filosofia da natureza B23 B24 e B25 sobre o novo deus e B34 sobre o conhecimento Diels investe na proximidade com Parmênides quando propõe que Xenófanes teria escrito um poema em versos épicos que trata primeiro da constituição de um deus único que tudo pensa e em segundo da geração cósmica a partir dos elementos e terceiro também do método e dos limites do conhecimento Estes três elementos de certo modo os encontraremos reu nidos por Parmênides em um único poema Não é uma hipó tese ruim mas Diels às vezes exagera para defendêla como quando acrescenta nove palavras à biografia de Xenófanes 14 FILÓSOFOS ÉPICOS I narrada por Diógenes Laércio DK 21 A1 1516 atestando que Xenófanes viveu e lecionou em Eleia Muitos historiadores da filosofia e da religião apontam para a menção do deus único de Xenófanes como signo de um monoteísmo grego muitas vezes associando tal postura à ideia de uma evolução cultural racionalista Esta perspectiva chega a fazer com que o próprio fragmento B23 onde en contramos a menção receba interpretações contorcidas para que o fundo politeísta não apareça Diz Xenófanes εἷς θεός ἔν τε θεοῖσι καὶ ἀνθρώποισι μέγιστος que traduzimos por um único deus entre deuses e homens o maior Já o próprio Cle mente não por acaso um apologeta cristão nos lega o verso dizendo que Xenófanes ensinava que o deus é único e incor póreo διδάσκων ὅτι εἷς καὶ ἀσώματος ὁ θεὸς e fazia com que uma hierarquia entre os deuses passasse por uma anulação de sua multiplicidade Diels reforça a interpretação de Clemen te quando a justifica dizendo que entre deuses e homens é uma expressão polar polarische Ausdrucksweise usada para significar simplesmente que o deus único é absolutamente maior Algumas traduções vão além neste mesmo sentido como a de R Sanesi12 Cè fra il mondo divino e quello umano um solo dio E assim se foi constituindo uma segunda opinião constante sobre a filosofia e a teologia de Xenófanes De fato é uma nova forma de falar dos deuses uma nova teologia o que vemos perpassar tanto as elegias quanto os versos épicos e os satíricos Mas antes de associar esta teo logia a uma visão monoteista tal como quiseram e fizeram os padres apologetas não apenas com Xenófanes mas também com toda filosofia que lhes desse margem a defender o cris tianismo e antes de dar outra opinião vejamos um pouco mais de perto os textos de Xenófanes Nas elegias o filósofo poeta condena certas figurações pueris dos deuses B1 O homem de louvor bebendo revela nobrezas como a memória e o empenho na virtude não se põe a contar lutas de Titãs de Gigantes nem de Centauros ficções dos antigos ou revoltas violentas em que nada é útil bom é comprometerse com os deuses sempre 12 In GuarraCino Vicenzo org Lirici greci 2 vol milano Bompiani 2009 p 239 15 XENÓFANES A crítica dirigese contra as monstruosas ficções plás mata de titãs gigantes e centauros e ao modo violento como na visão dos antigos tais deuses se comportam Tais antigos são aqueles teólogos épicos cheios de imaginação não cita dos aqui mas claramente insinuados sobretudo Hesíodo e Homero Para Xenófanes os homens devem valorizar a me mória a nobreza e a virtude Mais do que tentar imaginar e figurar os deuses devem comprometerse com eles para bem agir Nenhum traço de monoteismo a crítica não é à multipli cidade dos deuses mas à postura dos homens para com eles Este modelo de crítica à figuração de deuses violentos será retomado e desenvolvido por Sócrates na República de Platão Há indícios de que Parmênides também teria tocado nesse aspecto da monstruosidade dos deuses mas são indícios in diretos e ambíguos13 Não mais insinuada mas declarada explicitamente aparece esta mesma crítica nos poemas satíricos B11 Homero como Hesíodo atribuíram aos deuses tudo quanto entre os homens é infâmia e vergonha roubar raptar e enganar mutuamente Os poemas satíricos têm essa característica própria do drama cômico de falar a língua de todos os dias de modo cla ro e direto E provocativo Sem dúvida não é apenas o tema da crítica teológica o que influenciou os discursos de Sócrates e Platão Também as suas formas de exercer a crítica de modo performativo dramático e irônico remontam nos diálogos a uma origem que não pode distar da encenação das comédias e das declamações de vitupérios satíricos que preenchiam os intervalos das récitas de cantos épicos14 A crítica das sátiras se dirige aos poetas tradicionais e também aos ritos e representações dos deuses Xenófanes de modo irônico desdenha do antropomorfismo e do etnomor fismo das representações que os povos fazem de seus deuses Conquistou nas muitas viagens o distanciamento reflexivo pela extensa experiência com a diversidade dos povos e suas culturas B15 e B16 13 Cf CiCero De natura deorum I 28 DK 28 A 37 14 Sobre a origem performativa e dramática da dialética Cf roSSetti Livio El drama filosófico invención del s V a C Zenon y los Sofistas Rev Filosófica Univ Costa Rica XLVI 117118 2008 p 34 16 FILÓSOFOS ÉPICOS I Mas se tivessem mãos os bois os cavalos e os leões quando pintassem com as mãos e compuzessem obras como os ho mens cavalos como cavalos bois semelhantes aos bois pintariam a forma dos deuses e fariam corpos tais como fosse o próprio aspecto de cada um Os etíopes dizem que seus deuses são negros de nariz chato os trácios dizem serem de olhos verdes e ruivos Todavia suas asserções teológicas não são apenas ne gativas ou irônicas Nos seus versos épicos há lugar também para a proposição de um deus superior sensível a todas as coisas e que domina a totalidade do real por meio do pen samento permanecendo firme e imóvel São os fragmentos B23 a B26 que Justamente dão embasamento à recepção para constituir as duas tradicionais considerações sobre Xenófa nes como avô do uno eleático e defensor de uma concepção monoteísta Um único deus entre deuses e homens o maior em nada semelhante aos mortais nem no corpo nem no pensamento Inteiro vê inteiro pensa inteiro também escuta Mas sem esforço tudo vibra com o coração do pensamento Sempre no mesmo permanece não se move nem lhe convém sair ali e acolá As quatro citações são efetivamente fragmentárias com suas frases descontextualizadas e incompletas oriundas de três fontes diferentes As reúne em semelhança o tom épico do verso que justifica a hipótese de Diels para integrálas em um poema Da Natureza Há uma reconstituição crítica dos argumentos relativos aos predicados desse deus na escola pe ripatética o tratado sobre a ontologia eleática De Melisso Xeno phane Gorgia Nele o deus aparece como único por ser o que há de mais poderoso Novamente temos o mesmo problema de interpretação Xenófanes fala do único deus que governa tudo ou de um deus mais poderoso que se sobrepõe aos demais Em vez de tomar partido por essa ou por aquela posição uma não menos dogmática do que a outra é preciso ouvir o que o 17 XENÓFANES próprio Xenófanes considera sobre aquilo que ele mesmo fala sobre os deuses e sobre o todo B34 E ao certo nenhum homem sabe coisa alguma nem há de saber algo sobre os deuses nem sobre o todo de que falo pois se na melhor das hipóteses ocorresselhe dizer algo perfeito ele mesmo no entanto não saberia opinião é o que se cria sobre tudo A lucidez destas palavras sobre os limites do conheci mento humano é espantosa Também aqui se apresenta uma postura essencial do caráter filosófico que se tornará para digmática com a figura de Sócrates Abrese aqui um efetivo abismo entre todo saber revelado e inspirado por um lado e a reflexão sobre o saber e os limites do saber por outro Que esta reflexão originária do modo filosófico de conhecer tenha surgido no interior mesmo da tradição declamatória épica e como que uma reação resultante de sua própria exposição in terpretativa não é menos espantoso HACKERS ARE A THREAT TO BUSINESS Kim Crawley Communications Manager 85 of data breaches involved a human element XENÓFANES DE COLOFÃO FrAgmENtA Dk 21 b FrAgmENtOS 20 FILÓSOFOS ÉPICOS I ΕΛΕΓΕΙΑΙ B 1 1 νῦν γὰρ δὴ ζάπεδον καθαρὸν καὶ χεῖρες ἁπάντων καὶ κύλικες πλεκτοὺς δ ἀμφιτιθεῖ στεφάνους ἄλλος δ εὐῶδες μύρον ἐν φιάληι παρατείνει κρατὴρ δ ἕστηκεν μεστὸς ἐυφροσύνης 5 ἄλλος δ οἶνος ἕτοιμος ὃς οὔποτέ φησι προδώσειν μείλιχος ἐν κεράμοισ ἄνθεος ὀζόμενος ἐν δὲ μέσοισ ἁγνὴν ὀδμὴν λιβανωτὸς ἵησι ψυχρὸν δ ἔστιν ὕδωρ καὶ γλυκὺ καὶ καθαρόν πάρκεινται δ ἄρτοι ξανθοὶ γεραρή τε τράπεζα 10 τυροῦ καὶ μέλιτος πίονος ἀχθομένη βωμὸς δ ἄνθεσιν ἀν τὸ μέσον πάντηι πεπύκασται μολπὴ δ ἀμφὶς ἔχει δώματα καὶ θαλίη χρὴ δὲ πρῶτον μὲν θεὸν ὑμνεῖν εὔφρονας ἄνδρας εὐφήμοις μύθοις καὶ καθαροῖσι λόγοις 15 σπείσαντας δὲ καὶ εὐξαμένους τὰ δίκαια δύνασθαι πρήσσειν ταῦτα γὰρ ὦν ἐστι προχειρότερον οὐχ ὕβρις πίνειν1 ὁπόσον κεν ἔχων ἀφίκοιο οἴκαδ ἄνευ προπόλου μὴ πάνυ γηραλέος ἀνδρῶν δ αἰνεῖν τοῦτον ὃς ἐσθλὰ πιὼν ἀναφαίνει 20 ὥς οἱ μνημοσύνη καὶ τόνος ἀμφ ἀρετῆς οὔτι μάχας διέπων τιτήνων οὐδὲ γιγάντων οὐδέ τε κενταύρων πλάσματα τῶν προτέρων ἢ στάσιας σφεδανάς τοῖσ οὐδὲν χρηστὸν ἔνεστι θεῶν δὲ προμηθείην αἰὲν ἔχειν ἀγαθόν Fonte de B1 Ateneu Deipnosofistas XI 7 Kaibel p 462c 1 ὕβρεις πίνειν δ Ath verb Musurus Bergk 14 Diels 21 XENÓFANES ELEGIAS B 1 1 Agora sim o chão está limpo e as mãos de todos e os cálices Um cinge de coroas trançadas outro verte mirra perfumada no vaso um ergue uma taça cheio de alegria 5 outro diz que o vinho preparado nunca vai faltar suave mel nas jarras de aroma floral Em meio exala odor sagrado de incenso a água está fresca suave e pura ao lado há pães dourados sobre a mesa farta 10 carregada de queijo e espesso mel com todas as flores ao centro há uma altar recoberto Música domina a casa inteira e Festa2 É preciso primeiro que homens alegres cantem ao deus com benditas histórias e palavras puras 15 feitas libações e preces pelo poder de agir com justiça pois isto é de praxe não beber além de quanto aguentar para voltar à casa sem guia a não ser pela idade O homem de louvor bebendo revela nobrezas 20 como a memória e o empenho na virtude não se põe a contar lutas de Titãs de Gigantes nem de Centauros ficções dos antigos ou revoltas violentas em que nada é útil bom é comprometerse com os deuses sempre 2 Música Molpé e Festa Thalía Optamos por traduzir sempre que possível os nomes dos deuses pois são nominalizações de substantivos comuns deificando experiências que a sen sibilidade grega toma por extraordinárias As maiúsculas nos nomes dos deuses são efeito da tradução para evidenciar que embora portem nomes comuns são todavia percebidos como divindades Esta é uma característica importante dos filósofos épicos Contra o reputado monoteísmo de Xenófanes que não aconselharia tal procedimento Cf B 23 22 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 2 1 ἀλλ εἰ μὲν ταχυτῆτι ποδῶν νίκην τις ἄροιτο ἢ πενταθλεύων ἔνθα διὸς τέμενος πὰρ πίσαο ῥοῆισ ἐν ὀλυμπίηι εἴτε παλαίων ἢ καὶ πυκτοσύνην ἀλγινόεσσαν ἔχων 5 εἴτε τι δεινὸν ἄεθλον ὃ παγκράτιον καλέουσιν ἀστοῖσίν κ εἴη κυδρότερος προσορᾶν καί κε προεδρίην φανερὴν ἐν ἀγῶσιν ἄροιτο καί κεν σῖτ εἴη δημοσίων κτεάνων ἐκ πόλεως καὶ δῶρον ὅ οἱ κειμήλιον εἴη 10 εἴτε καὶ ἵπποισιν ταῦτά κε πάντα λάχοι οὐκ ἐὼν ἄξιος ὥσπερ ἐγώ ῥώμης γὰρ ἀμείνων ἀνδρῶν ἠδ ἵππων ἡμετέρη σοφίη ἀλλ εἰκῆι μάλα τοῦτο νομίζεται οὐδὲ δίκαιον προκρίνειν ῥώμην τῆς ἀγαθῆς σοφίης 15 οὔτε γὰρ εἰ πύκτης ἀγαθὸς λαοῖσι μετείη οὔτ εἰ πενταθλεῖν οὔτε παλαισμοσύνην οὐδὲ μὲν εἰ ταχυτῆτι ποδῶν τόπερ ἐστὶ πρότιμον ῥώμης ὅσσ ἀνδρῶν ἔργ ἐν ἀγῶνι πέλει τοὔνεκεν ἂν δὴ μᾶλλον ἐν εὐνομίηι πόλις εἴη 20 σμικρὸν δ ἄν τι πόλει χάρμα γένοιτ ἐπὶ τῶι εἴ τις ἀεθλεύων νικῶι πίσαο παρ ὄχθας οὐ γὰρ πιαίνει ταῦτα μυχοὺς πόλεως Fonte de B2 Ateneu Deipnosofistas X 6 Kaibel p 413s B 3 1 ἁβροσύνας δὲ μαθόντες ἀνωφελέας παρὰ λυδῶν ὄφρα τυραννίης ἦσαν ἄνευ στυγερῆς ἤιεσαν εἰς ἀγορὴν παναλουργέα φάρε ἔχοντες οὐ μείους ὥσπερ χίλιοι εἰς ἐπίπαν 5 αὐχαλέοι χαίτηισιν ἀγάλμενοι εὐπρεπέεσσιν ἀσκητοῖσ ὀδμὴν χρίμασι δευόμενοι Fonte de B3 Ateneu Deipnosofistas XII 31 Kaibel p 526a 23 XENÓFANES B 2 1 Se levasse a vitória pela velocidade dos pés ou no pentatlo lá no templo de Zeus à margem do rio Pisa em Olímpia ou na luta ou ainda suportando a dor do pugilato 5 ou na ferina disputa chamada pancrácio deslumbraria os cidadãos com tanta glória e alcançaria nos jogos a tribuna de honra e receberia sustento do erário da cidade e um prêmio que lhe fosse valioso 10 e até mesmo no hipismo tudo isso lhe caberia sem valer como eu pois melhor que o vigor de homens e cavalos é nossa sabedoria Quanta insensatez E não é justo preferir o vigor à boa sabedoria 15 Pois nem se houvesse um bom pugilista entre o povo nem um bom no pentatlo tampouco na luta nem mesmo na velocidade dos pés mais valorosa do que a força dos homens na peleja dos jogos não alcançaria a cidade um governo melhor 20 Curta alegria gozaria a cidade se um atleta competindo ganhasse às margens do Pisa pois isso não enche os silos da cidade B 3 1 Tendo aprendido as sutilezas inúteis dos Lídios quando viviam sem a odiosa tirania iam à praça vestindo túnicas púrpuras não menos que mil ao todo 5 cheios de si garbosos em seus cabelos bem cuidados impregnados com perfumes de óleos refinados 24 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 4 πρῶτοι οἱ λυδοὶ νόμισμα κοψάμενοι3 Fonte de B4 Pollux Vocabulário IX 83 610 εἴτε Φείδων πρῶτος ὁ Αργεῖος ἔκοψε νόμισμα εἴτε Δημοδίκη ἡ Κυμαία συνοικήσασα Μίδαι τῶι Φρυγὶ παῖς δ ἦν Αγαμέμνονος Κυμαίων βασιλέως εἴτε Αθηναίοις Εριχθόνιος καὶ Λύκος εἴτε Λυδοί καθά φησι Ξενοφάνης Cf Heródoto Histórias I 94 Λυδοὶ γὰρ δὴ καὶ πρῶτοι ἀνθρώπων τῶν ἡμεῖς ἴδμεν νόμισμα χρυσοῦ καὶ ἀργυροῦ κοψάμενοι ἐχρήσαντο B 5 οὐδέ κεν ἐν κύλικι πρότερον κεράσειέ τις οἶνον ἐγχέας ἀλλ ὕδωρ καὶ καθύπερθε μέθυ Fonte de B5 Ateneu Deipnosofistas XI 18 3 Kaibel p 782a B 6 Fonte de B6 Ateneu Deipnosofistas IX 6 20 Kaibel p 368e Ξενοφάνης δ ὁ Κολοφώνιος ἐν τοῖς ἐλεγείοις φησί πέμψας γὰρ κωλῆν ἐρίφου σκέλος ἤραο πῖον ταύρου λαρινοῦ τίμιον ἀνδρὶ λαχεῖν τοῦ κλέος ἑλλάδα πᾶσαν ἐφίξεται οὐδ ἀπολήξει ἔστ ἂν ἀοιδάων ἦι γένος ἑλλαδικῶν 3 Paráfrase 25 XENÓFANES B 4 Os lídios primeiros a cunharem uma moeda 4 Fonte de B4 Pollux Vocabulário IX 83 610 Seja Fédon o argivo quem primeiro cunhou uma moeda seja Demódica a cimeia que desposou Midas o frígio e era filha de Agamemnon rei dos cimeus sejam os atenien ses Erictônio e Lyco ou ainda os lídios como disse Xenófanes Cf Heródoto Histórias I 94 Pois foram mesmo os lídios pelo que sabemos os primeiros dentre os homens a cunhar e manusear moedas de ouro e prata B 5 Ninguém faria uma mistura na taça vertendo o vinho primeiro mas água e por cima o vinho B 6 Xenófanes de Colofão disse nas elegias5 Pois tendo enviado uma coxa de cabrito recebei um pernil de touro cevado digno de um varão cuja glória alcançará toda a Grécia e não se apagará enquanto houver a estirpe de aedos helenos 4 Reconstrução hipotética a partir da citação de Pollux segundo a formulação de Heródoto 5 Desta apresentação retemos o título da coletânea que denomina o gênero 26 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 7 1 νῦν αὖτ ἄλλον ἔπειμι λόγον δείξω δὲ κέλευθον καί ποτέ μιν στυφελιζομένου σκύλακος παριόντα φασὶν ἐποικτῖραι καὶ τόδε φάσθαι ἔπος παῦσαι μηδὲ ῤάπιζ ἐπεὶ ἦ φίλου ἀνέρος ἐστίν 5 ψυχή τὴν ἔγνων φθεγξαμένης αἴων Fonte de B7 Diógenes Laércio Vidas dos filósofos VIII 34 περὶ δὲ τοῦ ἄλλοτ ἄλλον αὐτὸν sc Πυθαγόραν γεγενῆσθαι Ξενοφάνης ἐν ἐλεγείᾳ προσμαρτυρεῖ ἧς ἀρχή B7 1 ὃ δὲ περὶ αὐτοῦ φησιν οὕτως ἔχει B7 25 B 8 Fonte de B8 Diógenes Laércio Vidas dos filósofos IX 18 12 μακροβιώτατός τε γέγονεν ὥς που καὶ αὐτός φησιν ἤδη δ ἑπτά τ ἔασι καὶ ἑξήκοντ ἐνιαυτοὶ βληστρίζοντες ἐμὴν φροντίδ ἀν ἑλλάδα γῆν ἐκ γενετῆς δὲ τότ ἦσαν ἐείκοσι πέντε τε πρὸς τοῖς εἴπερ ἐγὼ περὶ τῶνδ οἶδα λέγειν ἐτύμως B 9 ἀνδρὸς γηρέντος πολλὸν ἀφαυρότερος Fonte de B9 Etimológico Genuíno s v γῆρας 27 XENÓFANES B 7 1 E agora de novo dirigirmeei a um outro discurso e apontarei o caminho Certa vez ao presenciar um cão ser enxotado dizem que apiedouse e disse6 esta palavra Para Não bata pois é de um homem amigo 5 essa alma reconheci o tom do ganido Diógenes Laércio Vidas dos filósofos VIII 34 Acerca do fato de ele sc Pitágoras ter nascido outro outrora Xenófanes testemunha nas Elegias começando assim B7 1 e acerca dele contou desse modo B7 25 B 8 Teve uma vida extremamente longa como ele mesmo disse Sessenta e sete anos já se passaram Debatendome com meu pensamento pela terra grega do nascimento até então conto mais vinte e cinco se ainda sei eu falar disso com acerto B 9 Muito mais fraco do que um homem velho 6 Xenófanes referese a Pitágoras 28 FILÓSOFOS ÉPICOS I ΣΙΛΛΟΙ B 10 ἐξ ἀρχῆς καθ ὅμηρον ἐπεὶ μεμαθήκασι πάντες Fonte de B10 Élio Herodiano Dois Tempos p 296 6 Cr An Ox III B 11 πάντα θεοῖσ ἀνέθηκαν ὅμηρός θ ἡσίοδός τε ὅσσα παρ ἀνθρώποισιν ὀνείδεα καὶ ψόγος ἐστίν κλέπτειν μοιχεύειν τε καὶ ἀλλήλους ἀπατεύειν Fonte de B11 Sexto Empírico Contra os professores IX 193 B 12 Fonte de B12 Sexto Empírico Contra os professores I 289 Ομηρος δὲ καὶ Ησίοδος κατὰ τὸν Κολοφώνιον Ξενοφάνη ὡς πλεῖστα ἐφθέγξαντο θεῶν ἀθεμίστια ἔργα κλέπτειν μοιχεύειν τε καὶ ἀλλήλους ἀπατεύειν B 13 alii Homerum quam Hesiodum maiorem natu fuisse scripserunt in quibus Philocho rus et Xenophanes alii minorem Fonte de B13 Gélio Noites Áticas III 11 29 XENÓFANES SÁTIRAS B 10 Desde o princípio todos têm aprendido segundo Homero B 11 Homero como Hesíodo atribuíram aos deuses tudo quanto entre os homens é infâmia e vergonha roubar raptar e enganar mutuamente B 12 Homero e Hesíodo segundo Xenófanes de Colofão7 Tantas vezes alardeiam obras perversas dos deuses roubar raptar e enganar mutuamente B 13 Alguns escreveram que Homero era mais velho que Hesíodo entre os quais Filocoro8 e Xenófanes outros que era mais novo 7 Sexto Empírico depois de citar Xenófanes exemplifica e cita uma passagem da Ilíada Cro nos dizem que na era em que se engendrava a vida feliz castrou o pai e devorou a prole e Zeus o seu filho destituidor do comando lançouo para baixo da terra 14 204 8 Cf fr 54b FHG I 393 30 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 14 ἀλλ οἱ βροτοὶ δοκέουσι γεννᾶσθαι θεούς τὴν σφετέρην δ ἐσθῆτα ἔχειν φωνήν τε δέμας τε Fonte de B14 Clemente de Alexandria Miscelâneas V 109 2 seq B 23 B 15 1 ἀλλ εἰ χεῖρας ἔχον βόες ἵπποι τ9 ἠὲ λέοντες ἢ γράψαι χείρεσσι καὶ ἔργα τελεῖν ἅπερ ἄνδρες ἵπποι μέν θ ἵπποισι βόες δέ τε βουσὶν ὁμοίας καί κε10 θεῶν ἰδέας ἔγραφον καὶ σώματ ἐποίουν 5 τοιαῦθ οἷόν περ καὐτοὶ δέμας εἶχον ἕκαστοι11 Fonte de B15 Clemente de Alexandria Miscelâneas V 109 3 seq B 14 B 16 αἰθίοπές τε θεοὺς σφετέρους σιμοὺς μέλανάς τε θρῆικές τε γλαυκοὺς καὶ πυρρούς φασι πέλεσθαι12 Fonte de B16 Clemente de Alexandria Miscelâneas VII 22 Ελληνες δὲ ὥσπερ ἀνθρωπομόρφους οὕτως καὶ ἀνθρωποπαθεῖς τοὺς θεοὺς ὑποτίθενται καὶ καθάπερ τὰς μορφὰς αὐτῶν ὁμοίας ἑαυτοῖς ἕκαστοι διαζωγραφοῦσιν ὥς φησιν ὁ Ξενοφάνης Αἰθίοπές τε σιμοὺς μέλανάς τε Θρῆικές τε γλαυκοὺς καὶ πυρρούς 9 ἵπποι τ add Diels 10 κε DK Sylburg 11 ἕκαστοι add Herwerden 12 Paráfrase de Diels 31 XENÓFANES B 14 Mas os mortais crêem que os deuses são gerados e que têm roupas como as suas e têm voz e têm corpo B 15 1 Mas se tivessem mãos os bois os cavalos13 e os leões quando pintassem com as mãos e compuzessem obras como os homens cavalos como cavalos bois semelhantes aos bois pintariam a forma dos deuses e fariam corpos 5 tais como fosse o próprio aspecto de cada um14 B 16 Os etíopes dizem que seus deuses são negros de nariz chato os trácios dizem serem de olhos verdes e ruivos15 Clemente de Alexandria Miscelâneas VII 22 Os gregos supõem que os deuses têm formas e sentimentos humanos e cada um os representa segundo sua própria forma como diz Xenófanes Etíopes negros de nariz chato e trácios ruivos de olhos verdes 13 add Diels 14 add Herwerden 15 O dístico é uma reconstrução de Diels parafraseando Clemente 32 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 17 Fonte de B17 Escólios de Aristófanes Cavaleiros 408 cf Hesychios s v βάκχος βάκχους τοὺς κλάδους οὓς οἱ μύσται φέρουσι μέμνηται δὲ Ξενοφάνης ἐν Σίλλοις ἑστᾶσιν δ ἐλάτης βάκχοι16 πυκινὸν περὶ δῶμα B 18 οὔτοι ἀπ ἀρχῆς πάντα θεοὶ θνητοῖσ ὑπέδειξαν17 ἀλλὰ χρόνωι ζητοῦντες ἐφευρίσκουσιν ἄμεινον Fonte de B18 Estobeu Eclogae I 8 2 B 19 Fonte de B19 Diógenes Laércio Vidas dos filósofos I 23 δοκεῖ δὲ κατά τινας πρῶτος ἀστρολογῆσαι καὶ ἡλιακὰς ἐκλείψεις καὶ τροπὰς προειπεῖν ὥς φησιν Εὔδημος ἐν τῆι περὶ τῶν Αστρολογουμένων ἱστορίαι ὅθεν αὐτὸν καὶ Ξενοφάνης καὶ Ηρόδοτος θαυμάζει 16 DK Wachsmuth 17 ὑπέδειξαν Flor 29 41 παρέδειξαν Ecl I 8 2 33 XENÓFANES B 17 Bacos os ramos que os mistas carregam Xenófanes lembra nas Sátiras Fincam bacos18 de pinho em torno da casa firme B 18 Os deuses de início não mostram tudo aos mortais mas os que investigam com o tempo descobrem o melhor B 19 Parece segundo alguns que Tales foi o primeiro a estudar os astros e predizer eclip ses solares e solstícios como disse Eudemo em seu tratado de investigações astronô micas19 pelo que Xenófanes e Heródoto o admiravam 18 DK 19 Cf fr 94 Speng cf 11 A 5 34 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 20 Fonte de B20 Diógenes Laércio Vidas dos filósofos I 111 ὡς δὲ Ξενοφάνης ὁ Κολοφώνιος ἀκηκοέναι φησί τέτταρα πρὸς τοῖς πεντήκοντα καὶ ἑκατόν B 21 Fonte de B21 Escólios em Aristófanes A Paz 697 ὁ Σιμωνίδης διεβέβλητο ἐπὶ φιλαργυρίαι χαριέντως δὲ πάνυ τῶι αὐτῶι λόγωι διέσυρε β τοῦ ἰαμβοποιοῦ καὶ μέμνηται ὅτι σμικρολόγος ἦν ὅθεν Ξενοφάνης κίμβικα αὐτὸν προσαγορεύει Cf DK 21 A 22 B 21a Fonte de B21a Escólios em Homero Oxyrh1087 40 Ox Pap VIII p 103 τὸ ἔρυκος παρὰ Ξενοφάνει ἐν ε Σίλλων 35 XENÓFANES B 20 Como Xenófanes de Colofão disse ter ouvido cento e cinquenta e quatro20 B 21 Simônides foi acusado de avarice com muita graça Aristófanes o ridicularizou com as mesmas palavras Livro II do Satírico e lembra que era mesquinho Por isso Xe nófanes chamouo de Mãodevaca B 21a Érico21 em Xenófanes no livro V das Sátiras 20 sc anos que Epimênides viveu 21 De Eryx rei mitológico que deu nome a uma montanha na Sicília 36 FILÓSOFOS ÉPICOS I ΠΑΡΩΙΔΙΑΙ B 22 Fonte de B22 Ateneu Epítome II p 54e Ξενοφάνης ὁ Κολοφώνιος ἐν Παρωιδίαις πὰρ πυρὶ χρὴ τοιαῦτα λέγειν χειμῶνος ἐν ὥρηι ἐν κλίνηι μαλακῆι κατακείμενον ἔμπλεον ὄντα πίνοντα γλυκὺν οἶνον ὑποτρώγοντ ἐρεβίνθους τίς πόθεν εἶς ἀνδρῶν πόσα τοι ἔτε ἐστί φέριστε πηλίκος ἦσθ ὅθ ὁ Μῆδος ἀφίκετο 37 XENÓFANES PARÓDIAS B 22 Xenófanes de Colofão nas Paródias22 Quando junto à lareira num dia de inverno Repousando em leito macio estiveres satisfeito Bebendo um vinho suave e petiscando grãos de bico Precisas dizer para ti mesmo Quem és tu De que estirpe de homens provéns Quantos anos tens Que idade tinhas quando veio o Meda 22 As Paródias talvez fosse outra forma de se referir às Sátiras 38 FILÓSOFOS ÉPICOS I ΠΕΡΙ ΦΥΣΕΩΣ B 23 εἷς θεός ἔν τε θεοῖσι καὶ ἀνθρώποισι μέγιστος οὔτι δέμας θνητοῖσιν ὁμοίιος οὐδὲ νόημα Fonte de B23 Clemente de Alexandria Miscelâneas V 109 1 B 24 οὖλος ὁρᾶι οὖλος δὲ νοεῖ οὖλος δέ τ ἀκούει Fonte de B24 Sexto Empírico Contra os professores IX 144 B 25 ἀλλ ἀπάνευθε πόνοιο νόου φρενὶ πάντα κραδαίνει Fonte de B25 Simplício Com Física de Aristóteles 23 20 Cf DK 21 A 31 B 26 αἰεὶ δ ἐν ταὐτῶι μίμνει κινούμενος οὐδέν οὐδὲ μετέρχεσθαί μιν ἐπιπρέπει ἄλλοτε ἄλληι Fonte de B26 Simplício Com Física de Aristóteles 23 11 Cf DK 21 A 31 39 XENÓFANES DA NATUREZA B 23 Um único deus entre deuses e homens o maior em nada semelhante aos mortais nem no corpo nem no pensamento23 B 24 Inteiro vê inteiro pensa inteiro também escuta24 B 25 Mas sem esforço tudo vibra com o coração do pensamento B 26 Sempre no mesmo permanece não se move nem lhe convém sair ali e acolá 23 Cf DK 21 A 30 24 Cf DK 21 A 1 40 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 27 ἐκ γαίης γὰρ πάντα καὶ εἰς γῆν πάντα τελευτᾶι Fonte de B 27 Aécio IV 5 B 28 γαίης μὲν τόδε πεῖρας ἄνω παρὰ ποσσὶν ὁρᾶται ἠέρι προσπλάζον τὸ κάτω δ ἐς ἄπειρον ἱκνεῖται Fonte de B 28 Aquiles Tácio trechos da Introdução ao Arato 4 69 p 34 11 Maass B 29 γῆ καὶ ὕδωρ πάντ ἐσθ ὅσα γίνονται ἠδὲ φύονται Fonte de B29 Filopão Com à Física de Aristóteles 125 27 ὁ Πορφύριός φησι τὸν Ξενοφάνην τὸ ξηρὸν καὶ τὸ ὑγρὸν δοξάσαι ἀρχάς τὴν γῆν λέγω καὶ τὸ ὕδωρ καὶ χρῆσιν αὐτοῦ παρατίθεται τοῦτο δηλοῦσαν B29 Cf Simplício Com à Física de Aristóteles 188 32 Simplício atribui por engano a citação a Anaxímenes também via Porfírio 41 XENÓFANES B 27 pois da terra tudo se gera e na terra tudo se encerra25 B 28 este limite da Terra para cima é visto a nossos pés beirando o ar para baixo atinge o ilimitado26 B 29 Terra e água é tudo quanto surge e desabrocha27 Porfírio disse que Xenófanes considerava como princípios o seco e o úmido digo a terra e a água e citava um exemplo dele em que teria declarado o seguinte B29 25 Cf DK 21 A 36 26 Cf DK 21 A 32 A 33 3 27 Cf DK 21 A 29 42 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 30 Fonte de B30 Aécio III 4 4 Escólio Genovês à Ilíada XXI196 Ξενοφάνης ἐν τῶι Περὶ φύσεως πηγὴ δ ἐστὶ θάλασσα ὕδατος πηγὴ δ ἀνέμοιο οὔτε γὰρ ἐν νέφεσιν 28 ἔσωθεν ἄνευ πόντου μεγάλοιο οὔτε ῥοαὶ ποταμῶν οὔτ αἰθέρος29 ὄμβριον ὕδωρ ἀλλὰ μέγας πόντος γενέτωρ νεφέων ἀνέμων τε καὶ ποταμῶν B 31 ἠέλιός θ ὑπεριέμενος γαῖάν τ ἐπιθάλπων Fonte de B31 Heráclito Estoico Alegorias de Homero c 44 Etimol s v hyperíon B 32 ἥν τ ἶριν καλέουσι νέφος καὶ τοῦτο πέφυκε πορφύρεον καὶ φοινίκεον καὶ χλωρὸν ἰδέσθαι Fonte de B32 Escólios BLT Eust sobre Hom Ilíada Λ 27 28 οὔτε γὰρ ἐν νέφεσιν γίνοιτό κε ἲς ἀνέμοιο ἐκπνείοντος ἔσωθεν ἄνευ πόντου μεγάλοιο DK οὔτε γὰρ ἦν ἀνέμος κεν ἄνευ πόντου μεγάλοιο Edmonds οὔτε γὰρ ἄν νέφε οὔτ ἀνέμων ἄν ἐγίγνετ ἀϋτμὴ ἐν νεφέεσιν ἔσωθεν Diels οὔτε γὰρ ἄν γνόφος ἔσθεν H Weil οὔτε γὰρ ἄν νέφε ἔσκεν Ludwich ἄνευ πόντου Nicole ἄνα πόντοιο Genov 29 Verb DK 43 XENÓFANES B 30 Xenófanes no Poema Acerca da Natureza O mar é fonte de água fonte de vento pois em nuvem nem 30 de dentro sem o mar imenso nem correntes de rios nem água etérea de chuva mas o grande mar é genitor de nuvens de ventos e também de rios31 B 31 O sol alçandose sobre a terra e aquecendoa B 32 Aquela a quem chamam Íris também é nuvem em sua natureza deixase ver púrpura rubra e verde 30 O escólio foge à métrica como se faltasse uma parte que os editores buscaram suprir DK pois nas nuvens nem surgiria a evaporação do vento sem partir do mar imenso Ed monds pois nem haveria vento sem o imenso mar Esta conjectura de Edmonds é mais coerente e econômica no conteúdo e no verso Foi adotada também por Lesher 31 Cf DK 21 A 46 44 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 33 πάντες γὰρ γαίης τε καὶ ὕδατος ἐκγενόμεσθα Fonte de B33 Sexto Empírico Contra os professores X 314 B 34 καὶ τὸ μὲν οὖν σαφὲς οὔτις ἀνὴρ ἴδεν οὐδέ τις ἔσται εἰδὼς ἀμφὶ θεῶν τε καὶ ἅσσα λέγω περὶ πάντων εἰ γὰρ καὶ τὰ μάλιστα τύχοι τετελεσμένον εἰπών αὐτὸς ὅμως οὐκ οἶδε δόκος δ ἐπὶ πᾶσι τέτυκται Fontes de B34 14 Sexto Empírico Contra os professores VII 49 12 Plutarco Do modo como os jovens deveriam ouvir os poetas 17e B 35 ταῦτα δεδοξάσθω μὲν ἐοικότα τοῖς ἐτύμοισι Fonte de B 35 Plutarco No Banquete 746b B 36 ὁππόσα δὴ θνητοῖσι πεφήνασιν εἰσοράασθαι Fonte de B 36 Élio Herodiano Dois Tempos II 16 22 B 37 καὶ μὲν ἐνὶ σπεάτεσσί τεοῖς καταλείβεται ὕδωρ Fonte de B 37 Élio Herodiano Das Elocuções Singulares II 936 19 45 XENÓFANES B 33 Pois todos nascemos de terra e de água B 34 E ao certo nenhum homem sabe coisa alguma nem há de saber algo sobre os deuses nem sobre o todo32 de que falo pois se na melhor das hipóteses ocorresselhe dizer algo perfeito ele mesmo no entanto não saberia opinião é o que se cria sobre tudo B 35 Que tais coisas sejam consideradas semelhantes às reais B 36 Tudo quanto se manifesta aos mortais é para ser contemplado B 37 Água também pinga em certas grutas 32 περὶ πάντων acerca de tudo ou acerca de todas as coisas pode ter um sentido distribu tivo cada uma das coisas de que eu falo ou integrante o que eu falo sobre a totalidade do universo As duas acepções são possíveis e Xenófanes parece usar ambas 46 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 38 εἰ μὴ χλωρὸν ἔφυσε θεὸς μέλι πολλὸν ἔφασκον γλύσσονα σῦκα πέλεσθαι Fonte de B38 Élio Herodiano Das Elocuções Singulares 946 23 B 39 κέρασον τὸ δένδρον ἐν τῶι Περὶ φύσεως Ξενοφάνους εὑρών Fonte de B39 Pollux Vocabulário VI 46 B 40 βρόταχον τὸν βάτραχον Ιωνες καὶ Αριστοφάνης φησὶ καὶ παρὰ Ξενοφάνει Fonte de B40 Etimológico Genuíno s v βρόταχον τὸν βάτραχον B 41 Fonte de B41 Tzetzés sobre Dionísio Periegeta V 940 p 1010 Bernhardy περὶ τῶν εἰς ῥος κανών σιρός σιλλογράφος δέ τις τὸ σι μακρὸν γράφει τῶι ῥῶ δοκεῖ μοι τοῦτο μηκύνας τάχα σιλλογράφος νῦν ὁ Ξενοφάνης ἐστὶ καὶ ὁ Τίμων καὶ ἕτεροι 47 XENÓFANES B 38 Se um deus não fizesse brotar dourado mel muito mais doce diriam ser o figo B 39 Cerejeira a arvore encontrada no poema Da Natureza de Xenófanes B 40 Brotáquio como os jônios pronunciam batráquio disse Aristófanes e também segundo Xenófanes B 41 Acerca das regras sobre a métrica de ros sirós Um certo poeta satírico escreve o si longo Alongandoo talvez por causa do r me parece Agora poeta satírico pode ser Xenófanes e Timão e outros HACKERS ARE A THREAT TO BUSINESS Kim Crawley Communications Manager All employees should be trained in cybersecurity awareness Monthly phishing tests Regular reminders with the latest threats Case studies Audits Simulated cyberattacks XENÓFANES DE COLOFÃO FrAgmENtA Dk 21 b FrAgmENtOS DUVIDOSOS 50 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 42 Fonte de B42 Élio Herodiano Das Elocuções Singulares 7 11 καὶ παρὰ Ξενοφάνει ἐν δωι Σίλλων καί κ ἐπιθυμήσειε νέος νῆς ἀμφιπόλοιο B 45 Fonte de B45 Escólios Hipocráticos Epidemias I 13 3 Nachmanson Erotian p 102 19 βληστρισμός ὁ ῥιπτασμός οὕτω Βακχεῖος τίθησιν ἐν ἐνίοις δὲ ἀντιγράφοις εὕρομεν βλητρισμὸν χωρὶς τοῦ σ ὄντως δὲ τὸν ῥιπτασμὸν σημαίνει καθὼς καὶ Ξενοφάνης ὁ Κολοφώνιός φησιν ἐγὼ δὲ ἐμαυτὸν πόλιν ἐκ πόλεως φέρων ἐβλήστριζον ἀντὶ τοῦ ἐρριπταζόμην 51 XENÓFANES B 42 E em Xenófanes no quarto livro das Sátiras como também um jovem desejaria uma jovem serva B 45 desassossego blestrismós agitação como se porta um bacante mas em alguns escritos encontramos dessossego bletris mós sem o sa s De fato significa agitação conforme disse Xenófanes de Colofão Já eu não sossegava arrastandome de cidade em cidade No sentido de que me agitava Obs B43 e B44 que constam na edição de Diels de 1901 foram retirados da edição DK cf p138 ambos são atribuídos nas próprias citações a um certo Xenofonte sem ser o Ateniense ainda que esta atribuição também não pareça fiável G Hermann sugere que o Xenofonte de B43 seja trocado por Xenófanes Diels sugere que B44 refira se a um Xenofonte de Lâmpsaco geógrafo Em ambos os textos não há propriamente referência a Xenófanes HACKERS ARE A THREAT TO BUSINESS Kim Crawley Communications Manager Establish a cybersecurity culture Reward employees who report threats and learn from mistakes Provide the resources to enable application of good cybersecurity practices Encourage open discussion about cyber threats and concerns PARMÊNIDES DE ELÉIA INTRODUÇÃO AOS FRAGMENTOS DO POEMA DE PARMÊNIDES Vida de Parmênides Parmênides nasceu em Eleia uma cidade itálica fundada na segunda grande expansão colonial grega que levou a língua e a cultura homéricas para todo o Egeu e Mediterrâneo Ocidental O Filósofo viveu no fim do sexto século1 antes de Cristo Há notícias de que se encontrou e talvez tenha sido discípulo de Xenófanes de Colofão que em seus poemas sapienciais criticava o antropomorfis mo dos deuses tal como apareciam nas poesias tradicio nais de Homero e Hesíodo Esta filiação escolar parece no entanto ser muito mais devida a uma proximidade doutrinal considerada e propagada pela Academia de Platão do que a fatos históricos Parmênides vive ainda imerso na cultura épica e dela extrai primeiro a métrica de seu poema o hexâmetro dactílico o que mostra que o poema foi elaborado tendo em vista o desempenho de sua transmissão oral e em consonância com tal tradição Além disso também extrai conteú dos dessa tradição épi ca como elementos de sua teologia A deusa díke a Justi ça com seu tom exortativo e a imagem do portal da Noite e do Dia por exemplo já estão presentes nos poemas de Hesíodo Vários deuses dos catálogos épicos figuram no poema e desempenham funções importantes O Poema incorpora até mesmo passagens textuais mais extensas dessa tradição Como no fragmento B8 os versos em que a Necessidade prende o ente em sua circunstância são um verdadeiro palimpsesto2 dos versos homéricos sobre as amarras que prendem Ulisses no mastro do navio a fim 1 Diógenes Laércio situa sua akmé na sexagésima nona olimpíada 504501 aC 2 Sobre o palimpsesto homérico no Poema de Parmênides cf Cassin B Sur la Nature ou sur létant 1998 4864 56 FILÓSOFOS ÉPICOS I de suportar o canto de duas cabeças das sereias Odisseia XII 1581643 Parmênides segundo a inscrição em sua homenagem en contrada sobre uma estela em Vélia a cidade romana que se instaura em Eleia e subsiste até hoje poderia ter sido de uma família ou de um clã de médicos filho do Curador Apolo ΠΑΡΜΕΝΕΙΔΗΣ ΠΥΡΗΤΟΣ ΟΥΛΙΑΔΗΣ ΦΥΣΙΚΟΣ PARMENIDES FISICO FILHO DE PIRETO DA FAMILIA DO CURADOR Nesse contexto ainda forte da cultura tradicional homé rica surgem novos discursos sapienciais que buscam o conhe cimento pela contemplação do procedimento autônomo das coisas naturais São os primeiros filósofos que Aristóteles denominou physikói porque tratavam Da Natureza perì phý seos Parmênides inserese sem dúvida entre esses pensadores originários não só porque o título de seu poema já o diz mas sobretudo pela chamada segunda parte do poema que trata da geração das coisas vivas dos astros celestes e coisas tais Mas o discurso de Parmênides traz uma característica radicalmente inaugural para a história dos textos sapienciais ele toma o ente tò eón como o tema central e universal para compreender a natureza do real Ele instaura o tema primeiro da filosofia ocidental a relação entre ser e pensar O problema da verdade aparece não mais circunstancialmente na honesti dade ou na venerabilidade do testemunho mas na relação di reta entre ser pensar e dizer eixo universal do conhecimento da realidade Parmênides inaugura a filosofia como ontologia Por isso é o filósofo que lança em palavras e pensamentos as bases que sempre voltarão a servir de questionamento ao longo de toda a metafísica ocidental Assim o Poema é tanto uma fonte inesgotável de pen samento como também a soleira monumental sempre firme e presente do edifício filosófico de nossa civilização 3 A Edição de Coxon inclui a preciosa referência a passagens da épica anterior que ecoam nos versos de Parmênides The evidence of the manuscripts if combined with that of Parmen des general dependence on Homer amply justifies the restoration of epic and Ionic for tragic and Attic forms in the few places where the manuscripts present only the latter Cf The Fragments of Parmenides pp 918 1986 22009 57 PARMÊNIDES A reconstituição arqueológica4 O Poema de Parmênides foi composto provavelmente no final do século sexto antes de Cristo Desde então trata se de uma obra conhecida e interpretada pelos principais fi lósofos da Antiguidade Os dialéticos eleatas como Zenão e Melisso os trágicos como Empédocles os atomistas como Leucipo e Demócrito os mestres retóricos como Górgias To dos eles vão trabalhar suas teses e suas fórmulas diretamente respondendo ou interpretando Parmênides Platão vai dedicar ao Poema dois dos seus mais importantes diálogos o Sofis ta e Parmênides5 nos quais expõe criticamente a sua teoria das Ideias ainda citao em outros dois o Banquete e o Teeteto Aristóteles por sua vez dedica à discussão com o Eleata o primeiro livro de sua Física para ter condições de falar da na tureza como princípio de movimento também discutirá suas palavras na demonstração de teses metafísicas como o prin cípio de nãocontradição e do terceiro excluso entre outros A escola peripatética interessarseá particularmente por suas teorias astronômicas e biológicas O Poema desde que foi composto ganhou repercussão e foi amplamente citado Certamente fez parte da compilação dos pensamentos dos filósofos da natureza Physikôn Dóxai de Teofrasto discípulo de Aristóteles Mas esta coletânea dos primeiros filósofos não chegou até nós tampouco qualquer outra versão completa do Poema Na sua íntegra o Poema não chegou até nós Chegaram apenas citações de extensão variável em obras de autores posteriores de Platão séc V aC até Simplício séc VI dC Mais de quarenta autores antigos citaram Parmênides em mais de cinquenta diferentes obras Os fragmentos mais extensos são os mais recentes os de Sexto Empírico em sua obra contra o dogmatismo Adver sus Mathematicos e sobretudo de Simplício no seu comen tário à Física de Aristóteles Este explica que devido à rari 4 Para um estudo detalhado da história do texto de Parmênides cf Cordero Néstor Luis LHistoire du texte de Parménide in Aubenque org Études sur Parménide II 1987 pp324 5 No diálogo Parmênides não há propriamente citações do Poema mas a dramatização de um exercício dialético Talvez reproduzindo o que no Sofista é chamado de ensinamento em prosa de Parmênides 237a 58 FILÓSOFOS ÉPICOS I dade da obra em seu tempo precisaria citála de forma mais extensa para que seu comentário fosse compreendido6 Por conta dessa cortesia chegaramnos mais de cem dos cento e sessenta versos do Poema dos quais Simplício é a única fonte de setenta e dois versos Depois do séc VI não nos chegou nenhuma outra ci tação original do Poema todas as citações que aparecem são seguramente indiretas De fato o Poema Da Natureza de Par mênides é eclipsado por um bom tempo e só volta a ser citado por Bessarion no séc XV em uma obra intitulada In calum niatorem Platonis No séc XVI um editor de Veneza Aldo Manucio empre endeu imprimir a primeira coleção de textos clássicos segundo o crescente interesse italiano pelo renascimento da cultura greco latina Data de 1526 a primeira publicação impressa do Poema Da Natureza Supostamente foi retraduzida a partir da versão latina de Guilherme de Moerbecke séc XIII A primeira edição com preocupações filológicas data de 1573 empreendida por Henri Estienne Stephanus buscando recolher a obra dos primeiros filósofos Poesis Philosophica mas lhe faltam as importantes pas sagens de Simplício entre outras A reconstituição do Poema é continuada por Joseph J Scaliger que porém não a publica seu texto foi encontrado por Néstor Cordero em 1980 na Bi blioteca da Universidade de Leyden Em 1812 Brandis publica uma versão já bastante próxima dos fragmentos conhecidos até hoje Somente em 1835 temos a primeira reconstituição com os dezenove fragmentos considerados autênticos feita por S Karsten O texto de Karsten foi utilizado por FGA Mullach na sua edição do De Melisso Xenophane et Gorgia disputationes de 1845 e posteriormente republicado na importante edição dos Fragmenta philosophorum graecorum Paris 1860 A obra de Karsten foi o ponto de partida para as versões publicadas por Hermann Diels desde 1897 até a última edi ção dos Fragmente der Vorsokratiker em 1951 sob os cuidados de Walter Kranz Esta é a versão considerada ortodoxa por todos os estudiosos e editores do Poema desde o séc XX 6 Simpl Phys 14425 καὶ εἴ τῳ μὴ δοκῶ γλίσχρος ἡδέως ἂν τὰ περὶ τοῦ ἑνὸς ὄντος ἔπη τοῦ Παρμενίδου μηδὲ πολλὰ ὄντα τοῖσδε τοῖς ὑπομνήμασι παραγράψαιμι διά τε τὴν πίστιν τῶν ὑπ ἐμοῦ λεγομένων καὶ διὰ τὴν σπάνιν τοῦ Παρμενιδείου συγγράμματος 59 PARMÊNIDES Desde então a maioria dos editores discute apenas as variantes propostas por Diels em seu aparato crítico Coxon 1986 também teria reconstituído o texto grego a partir da consulta de diversos manuscritos Embora tenha recolhido e publicado um rico material em torno dos fragmentos seu cui dado filológico é bastante contestado Por último o trabalho filológico mais completo até en tão sobre os manuscritos e a tradição de reconstituição do poema vem à luz em 1984 na edição crítica de Néstor Luis Cordero Les deux chemins de Parménide Suas correções ao texto de Diels não são tão numerosas mas são de grande importân cia incidindo gravemente na interpretação de todo o Poema Edição do texto grego A última edição de Hermann Diels e Walther Kranz 6ª edição de 1951 doravante DK continua sendo a referência principal para o estabelecimento do texto por isso mante mos a sua numeração dos fragmentos ainda que tenhamos modificado a sua ordem de apresentação Levamos em conta importantes correções à leitura dos manuscritos tais como as trazidas por Néstor Cordero 1984 e por Coxon 1986 edição revista e ampliada em 22009 este particularmente interessante quanto ao aporte do contexto e dos testemu nhos Consultamos também a edição de Mullach 1860 e ainda outras edições críticas modernas7 disponíveis hiper textualmente no excelente site mantido por Gerard Journée wwwplacitaorg Foram importantes também para a escolha de varian tes nos manuscritos edições não estritamente paleográficas mas filosófica e filologicamente importantes tais como as de Denis OBrien e Jean Frère 1987 de Barbara Cassin 1998 de Jean Bollack 2006 de Lambros Couloubaritsis 1986 7 brandiS Christian Auguste Commentationum Eleaticarum Altona 1813 dielS Hermann Poetarum Philosophorum Fragmenta Berlin 1901 dielS Hermann Kranz Walther Die Fragmente der Vorsokratiker Zürich 1951 Fülleborn Georg Gustav Beyträge zur Geschichte der Philosophie VI Züllichau und Freistadt 1795 KarSten Simon Parmenidis Eleatae Carminis Reliquiae Amsterdam 1835 mullaCh FGA Aristotelis De Melisso Xenophane et Gorgia Disputationes Berlin 1845 Stein Heinrich Die Fragmente des Parmenides περὶ φύσεως Leipzig 1867 60 FILÓSOFOS ÉPICOS I 32008 de Giovanni Reale 2003 entre outras Igualmente precioso o acompanhamento dos trabalhos da futura edição de André Laks no seu seminário sobre os présocráticos du rante o ano acadêmico de 20102011 O nosso texto grego segue o princípio dessas últimas edições buscando justificar a escolha das variantes com o uso do aparato disponibilizado pelas edições críticas acima citadas Na maior parte das vezes seguimos a edição Diels Kranz e apontamos em notas seja as diversas opções quan do as nossas diferem daquela seja ainda outras variantes quando nos apresentam algum interesse especial Não foi de modo algum nossa intenção repertoriar todas as variantes que encontramos nas edições críticas consultadas Nossas no tas ao texto grego procuram ser ao mesmo tempo sucintas e claras todas as siglas e abreviações são esclarecidas na tábua de abreviações p X Indicamos sempre a proveniência das variantes de fontes e edições críticas Como a pontuação mo derna é sempre uma escolha do editor optamos por seguir os interesses de nossa interpretação Junto a cada fragmento apontamos as fontes A lista completa de fontes e suas edições segundo as edições críticas consultadas encontrase nas páginas 127 a 137 Algumas edi ções das fontes foram diretamente tratadas e constam na bi bliografia A maioria de nossas referências a manuscritos das fontes são indiretas segundo as edições críticas estas serão creditadas quando divergentes Pudemos consultar alguns có dices como o de Sexto Empírico mas nada foi usado que já não tivesse sido repertoriado em alguma edição moderna Para facilitar o cotejo da tradução mantivemos o texto grego na página esquerda Nossa tradução Seguimos à medida do que nos foi possível justificar os princípios defendidos pela escola filológica de Lille dar preferência às lições dos manuscritos de modo a receber tam bém o que nos pode soar inusitado à primeira escuta Sempre enfrentamos sugestões de correção que se amontoam desde a Antiguidade Clássica desde Melisso e sua reordenação dos argumentos do uno ou Platão com seu Estrangeiro parricida do diálogo Sofista entre tantos Contudo sabemos que tam 61 PARMÊNIDES bém os manuscritos de que dispomos são provenientes de fontes indiretas e sabese que na transmissão helenista não há muito pudor em intervir no texto citado e tal intervenção raramente é assinalada pelo próprio autor Assim muitas ve zes nos deparamonos com mais de uma variante de interes se para a compreensão integral do Poema Nestes casos segui mos os manuscritos mais fiáveis os que apresentam trechos maiores do Poema como os de Sexto e Simplício e os mais antigos entre os conceitualmente bem conservados como os de Aristóteles mas assinalamos as variantes e correções al ternativas Um exemplo destas opções é a lacuna no terceiro verso do fragmento B6 preenchida de um modo por Diels e de outro modo por Cordero Assinalamos as duas correções e as consequências interpretativas de cada uma mas deixamos no corpo a lacuna dos manuscritos De fato preferimos algumas vezes deixar abertura para as diversas vias de interpretação do que construir para nós mesmos a ilusão de que a nossa escolha restrita possa estar mais próxima de um suposto texto original O texto original é um objeto para nós tão perdido quanto o paraíso de Adão Nada mais ilusório do que acreditar que se possa estar por qualquer motivo interpretativo mais próximo do texto ori ginal de Parmênides Por que Parmênides deveria pensar do mesmo modo que qualquer das proposições dos seus traduto res Por que deveria ter a mesma coerência imaginada por um professor de Oxford ou Berlim ou Rio Não compartilhamos a ilusão da absoluta verdade interpretativa Um texto como o de Parmênides já não pode aspirar a uma identidade úni ca é antes um caminho constantemente retraçado pelos que por ele passam é um palimpsesto sobre o qual se superpõem quase três milênios de pensamentos intervindo efetivamente na materialidade da transmissão dos textos A nossa tradu ção antes de ser o que ela é mais uma tradução quer deixar abertas algumas das tantas encruzilhadas da tradição textual do Poema Por isso também nos interessam os fragmentos duvidosos e falsos para ver como é frágil a composição dos fragmentos e como é mais fácil verificar sua falsidade do que sua veracidade E ainda os contextos de recepção que inter pretam o Poema para os mais diversos usos Qual é o texto verdadeiro deste pensamento originário sobre a Verdade Pa 62 FILÓSOFOS ÉPICOS I rece uma armadilha armada propositalmente pela história da filosofia Uma armadilha em que não resta opção senão a de se deixar entrar e cair Uma última observação sobre a nossa tradução opta mos por colocar maiúsculas nas iniciais dos nomes de deuses Isto é sem dúvida uma intervenção anacrônica posto que não existiam maiúsculas em oposição a minúsculas ao tempo de Parmênides Não se trata de uma decisão de edição mas de tradução mesmo As maiúsculas evidenciam um efeito de tradução para marcar que são de deuses os nomes que nos poderiam passar despercebidos como tais Esta decisão é jus tificada a seguir Os deusesconceito A gênese dos nomes como conceitos pode ser acompa nhada ao longo de textos que desempenharam na linguagem o papel de importantes etapas desta transformação Estas são exemplarmente observadas nos nomes com que os gregos de signavam seus deuses Aristóteles chamou os que primeiro se espantaram com o mundo de theológoi os que falam de deuses em seguida oriundos do mesmo espanto o filósofo apresentou os physiológoi os que falam da natureza Todos à procura de conhecer os elementos que principiam e domi nam a totalidade do mundo Entre os gregos os que falam dos deuses são os poetas sobretudo os poetas épicos como Homero e Hesíodo mas também os trágicos como Ésquilo Os que falam da natureza são os primeiros filósofos como Heráclito e Parmênides Espantoso é que seja para falar dos deuses seja para falar da natureza os nomes escolhidos são ainda os mesmos ou quase os mesmos A mudança aparece mais no tratamento e na reverência fato que em palavras se refletiria no uso de maiúsculas ou minúsculas isso se ao tempo de Parmênides e Heráclito existisse tal diferença grá fica Quem sabe não foi justamente para reforçar suas inter pretações alegóricas sobre a poesia que fala dos deuses que os gramáticos alexandrinos inventaram essa distinção entre minúsculas e maiúsculas De modo que cada deus com nome iniciado por maiúscula seria a representação mitológica de alguma realidade natural com nome iniciado por minúscu la Afinal a frase já é demarcada pelo ponto Os nomes de 63 PARMÊNIDES pessoas têm uma semântica bem distinta Só os nomes dos deuses é que precisariam ser diferenciados dos nomes dos elementos da natureza e dos conceitos incorporais Tal diferenciação contudo não é algo requisitado ao tempo de Homero e da poesia épica arcaica em geral mas é algo que só aparece de fato com o advento da Filosofia e de sua crítica ao tratamento tradicional com que os poe tas apresentavam os deuses Pelo tratamento próximo pela descrição antropomórfica pela retratação dos crimes hu manos nos deuses é que os filósofos vão querer expulsar dos concursos e das cidades a bastonadas estes Homeros e também Arquílocos e outros quantos Mas o povo ainda por muito tempo iria tomar as dores dos poetas mandando ao exílio e condenado à cicuta aqueles novos portavozes da verdade Para o povo e para as instituições tradicionais de saber de cunho geralmente religioso o que os filósofos chamam de princípios naturais são efetivamente os deuses Aristófanes brinca com esses tempos de logomaquia de luta com palavras pelas palavras explorando as novas ambigui dades que o estudo filosófico da natureza traz para com os nomes dos deuses Na comédia As Nuvens as personagens Sócrates e Estrepsíades conversam sobre os estudos empre endidos no Pensatório Sócrates Eu salto pelo ar e examino os contornos do sol Estrepsíades Queres supervisionar os deuses aí em cima no cesto em vez de os reverenciar daqui do chão8 Esse Sócrates dAs Nuvens já fala do sol como de um ente natural assim como fala um fisiólogo Não importa que o Só crates personagem de Platão venha a negar no tribunal esse interesse pela ciência da natureza9 pois a personagem de Aris tófanes não é o retrato fiel de um indivíduo mas a caricatura de um tipo esse novo homem que se empodera com a dialé tica o sofista o fisiólogo o filósofo O Sócrates dAs Nuvens é a síntese cômica desses novos homens altivos e irreverentes à tradição O prenúncio do livre pensador laico da modernidade 8 Nuvens 225227 9 Apologia de Sócrates 26d 64 FILÓSOFOS ÉPICOS I Já a outra personagem Estrepsíades é o rústico popular a distinção não é social mas cultural apegado às tradições porque não pode superar o que apreendeu pelo hábito de toda uma vida Mas nesta cena o homem rústico e ridículo faz às vezes de bufão e põe a plateia para rir do orgulho e da altivez ou melhor literalmente das alturas do Sócrates nefelibata Isso apenas com a revelação de um simples equívoco Mas será um equívoco o sol astro de fogo o Sol deus do panteão préolímpico A perspicácia histórica do comediógrafo é célebre mes mo Platão não conhecia melhor retratista da sociedade ate niense dos seus conflitos de suas transformações Aristófa nes percebe o declínio do Sol a passagem de uma era em que os deuses dominavam o quotidiano dos homens e assumiam a imagem das forças constituidoras do real para uma era em que o homem começa a erigir o discurso conceitual para falar também das forças do real como natureza autônoma No Poema de Parmênides estamos num desses lugares textuais em que ganha clareza a transição da teogonia mítica para a ontologia filosófica a transição da celebração dos deu ses em suas gestas para os conceitos em sua determinação No Poema estão presentes os nomes tradicionais de vários deuses ora em passagens narrativas como um mito tradi cional ora já nas passagens mais densas de uma precursora analítica do ser ora ainda numa efetiva cosmogonia natural Esse lugar de transição nos põe já na tradução um di lema terão esses nomes o estatuto de conceitos abstratos ou lhes daremos as maiúsculas iniciais com que caracterizamos hoje a condição personificada de deuses Optamos na tradu ção pelas maiúsculas mesmo anacrônicas para realçar estes nomes e poder perceber como os deuses tão presentes na vida do pensamento grego exprimem também essas ideias fundamentais com que os filósofos apreendem a realidade Os deuses que aparecem no Poema são pelo menos os seguintes as helíades Filhas do Sol nýx a Noite pháos a Luz e êmar o Dia díke a Justiça thêmis a Norma theá a Deusa inominada moîra a Partida alétheia a Verdade pístis a Fé anánke a Necessidade aíther o Éter seléne a Lua ouranós o Céu gaîa a Terra hélios o Sol gála a via Láctea ólympos o 65 PARMÊNIDES Olimpo éros o Amor e aphrodítes Afrodite10 Como se pode ver não apenas demos maiúsculas aos nomes para mostrar que são deuses mas também os traduzimos sempre que pos sível para ver que também são termos da lida quotidiana An tes de serem nomes próprios quase sempre são substantivos comuns Nem sempre porém usamos as traduções ortodo xas como em nossa tradução de moîra por Partida em vez de Destino porque sempre buscamos um nome que expressas se um sentido integrado a uma interpretação total do Poema princípio primeiro da arte hermenêutica A seguir vamos tratar de cada um desses nomes e de como se situam na com posição geral do texto de Parmênides Os nomes dos deuses Há famílias de deuses distribuídas e reunidas pelas di ferentes partes do Poema No Proêmio o narrador da aventura e dela personagem um viajante iluminado em busca do conhecimento verdadei ro é conduzido em seu caminho por moças Filhas do Sol as Helíades Hélios é o sol no panteão arcaico provedor de luz em que vigem vida conhecimento e beleza As filhas de Hélios são equivalentes às musas consagradas de Apolo Tratase de divindades de intermediação numes daímones musas que os poetas costumam invocar no início de seu canto para chamar a inspiração e o fôlego do cantar Parmênides também realiza este rito de iniciação e invocação poética que ganha contor nos também de um rito iniciático uma ascese para a conquis ta do conhecimento As Filhas do Sol assim como as musas trazem o canto à luz fazem com que do antro da garganta a voz traga a palavra ao espaço público da comunicação A Luz é também tradicionalmente divinizada e no Poema desempenha uma função orientadora ela é a meta aquilo que deseja o viajante para onde ele quer se encami nhar Para a Luz dirigem as Filhas do Sol a cavalgada das éguas para o portal da Noite e do Dia Ainda estamos dentro de um campo semântico adensado de experiência concreta de modo que nos soa estranho dizer que também são nomes de deuses ou conceitos em estado nascente Sem dúvida a 10 Não considero aqui a citação de Zeus nos fragmentos falsos 66 FILÓSOFOS ÉPICOS I Noite e o Dia não são experiências quaisquer a Noite e o Dia abrem a sucessão temporal em que todo o real acontece para os mortais O tempo é o suporte indispensável de toda experiência concreta e ele mesmo é experimentado quando se distingue um dia de outro dia pelo intervalo da noite Mas podemos lembrar que a Noite é uma deusa que prove rá uma linhagem importante na Teogonia hesiódica E esta linhagem agrupa mais do que uma simples experiência de escuridão e sucessão do tempo Os filhos da Noite são Lote Sorte negra e Morte Sono e os Sonhos Escárnio e Miséria as Hespérides guardiãs do Ocaso as três Partes e as três Sortes Vingança Engano Amor Velhice e a Ira de Ânimo cruel cujos filhos são ainda mais aterradores Fadiga Olvi do Fome Dores Batalhas Combates Massacres e Homicí dios Litígios Mentiras Discursos e Disputas Desordem Derrota e Jura11 Deixar a Noite em direção à Luz pode indicar a cami nhada purificadora de uma ascese do conhecimento visto desde já não apenas como mera atividade teórica mas como transformação no plano ético prático dos valores em que a vida se conquista Os valores tenebrosos e odiosos da noite nesta jornada de iluminação devem abrir passagem para os valores diurnos e transparentes da legalidade da justiça e da verdade que fica mais evidente no episódio da abertura do portal da Noite e do Dia É díke a Justiça a deusa que guarda as chaves alternan tes deste portal Quem permite ou não o acesso à mais alta sabedoria é a juíza das ações humanas Mas díke não é apenas uma deusa julgadora que discerne as boas ações dos homens das suas ações ruins Ela não apenas acusa o valor das ações é também quem indica o melhor caminho aquele que o ho mem excelente deve trilhar em busca de sua plena realização O nome díke concentra o sentido do radical do verbo deíknymi mostrar apontar indicar Díke não só abre o caminho ela também indica a sua direção e o seu sentido Díke significa ca minho Em todo o Poema o sentido dêitico sinalizador do ca 11 Mantenho os nomes da tradução de Torrano 1992 com poucas alterações Vingança por Nêmesis Ira por Éris Jura por Juramento Mantenho Partes para traduzir moirai mas no Poema traduzirei moira por Partida 67 PARMÊNIDES minho é invocado várias vezes Nas várias encruzilhadas por que passa o viajante a Justiça sempre estará presente como a indicação e a prescrição do bom caminho reto real verda deiro A Deusa inominada que recebe o viajante em toda a sua lição sobre as duas vias do conhecimento não deixa de mencionar a proveniência justa deste seu discípulo e conser vará por toda a sua exposição este tom prescritivo exortativo este tom moral que separa o que deve ser do que não deve ser Vale a pena reparar na fala da Deusa inominada quan tas vezes a afirmação do que é real e verdadeiro é também acompanhada por uma prescrição modal do tipo deve ser seguido No Poema de Parmênides a verdade ontológica do ser não é dissociada da prescrição de correção no agir e no escolher A proximidade entre ser e dever ser na expressão da indicação do caminho da verdade é um traço decisivo do Poema inclusive para buscar uma determinação mais concre ta do seu conteúdo e do sentido originário do discurso do ser e sobre o ser Por que afinal um poema sapiencial que funda o discurso sobre o ser como discurso verdadeiro tem essa am biência preparatória em torno da Justiça e outras divindades que presidem as ações morais as ações humanas A Justiça é uma deusa do âmbito da moralidade pre sente no episódio do portal mas há também outras que a acompanham quando a Deusa inominada dá as boas vindas ao viajante A Justiça díke e a Norma thêmis conduziram o viajante até a presença da Deusa sapiencial E por ter vindo da parte destas duas deusas o viajante é avaliado bem em sua Partida moîra Thêmis Norma é a expressão de uma ordem primor dial de uma lei fundada na postulação divina Não se trata de uma lei convencionada pelos homens mas uma prescrição transcendente do que deve ser e do que é conforme à ordem dos deuses conforme aos princípios da realidade Esta or dem precede à ordem da lei política e tratase de uma ordem que governa as relações consanguíneas da família ou da tribo É a ordem que garante a normalidade anterior à legalidade convencionada pela assembleia ou outorgada pelo rei Sem dúvida ainda é a tragédia Antígona de Sófocles a melhor ex posição da diferença entre a lei divina dos laços de sangue e a lei proclamada pela palavra do governante 68 FILÓSOFOS ÉPICOS I O nome de thêmis concentra o radical do verbo títhemi pôr estabelecer Thêmis é o que se impõe a despeito da von tade dos homens Thêmis é a Imposição Se fora abrir mão de valores estéticos para uma tradução puramente conceitual em vez de Norma diria Imposição Os homens podem agir conforme ou não a esta imposição primordial isto lhes confe re boa ou má partida no desempenho da vida Partida é o nome que escolhemos para traduzir a moîra Esta não é sem dúvida uma escolha tradicional Sabemos que a moîra é o Destino mas preferimos designála de Par tida Não parece estranho A partida não é justamente o oposto do destino quando pensamos nos extremos de uma caminhada Ora justamente o que nos orienta em primeira mão no contexto do Poema é o campo semântico e imagético do caminho e da caminhada Neste sentido é preciso com preender a moîra como quem providencia o envio do viajante em sua caminhada Providência e Envio também são nomes aproximados para a moîra Destino enfatiza a meta o extre mo fim do caminho isto que dá o sentido do envio de uma jornada Mas a ênfase no contexto do Poema não está no extremo fim mas no extremo começo A Deusa inominada ao receber o viajante diz que ele foi enviado por boa moîra Ela não está falando do extremo fim do destino o qual para o homem de conhecimento é a sabedoria e a verdade Ela está falando do começo É preciso compreender que a moîra não é essencialmente a determinação incontornável de um desfecho como se todo o traçado de uma vida já estivesse predestinado em seu desígnio Não nenhuma moîra é a con sumação prévia do que está por vir A moîra é incontornável sim e nem os deuses podem fugir aos seus limites que de finem um campo do possível do qual não se pode escapar a morte para os mortais por exemplo previsível certa mas ao mesmo tempo por toda a vida uma possibilidade incógnita e insondável Os limites da moîra são os limites essenciais do ente dentro dos quais o ente pode ser e é fora dos quais não pode ser e não é A moîra tem como representação a experiência concre ta do lote de terra próprio a parte que cabe a cada um nes te mundo Depois que Zeus e os deuses olímpicos vencem a guerra contra os Titãs vem a hora da partilha Zeus distribui 69 PARMÊNIDES a cada deus vencedor a sua parte do mundo a sua partida a sua moîra Estas partes lhes pertencem mas também os deu ses pertencem a elas E por elas fazem valer o seu poder e a sua vigência O lote de Posêidon é a ondulação dos mares e os tremores da terra O lote de Apolo é a irradiação solar do dia O lote é a parte de terra que na partilha de um campo novo12 ou de uma reforma agrária13 o camponês recebe para cultivar lote a partir do qual vai trazer o sustento da sua casa e ao qual vai estar ligado por toda a vida e no qual por fim será enterrado O lote de cada mortal é o quanto pode fazer em sua vida inteira a faina de sua existência O nome moîra significa a parte móros que fazemos ressoar no nome Partida A partida é de um lado a parte se parada de cada um seu lote por outro lado é o momento da separação o parto a individuação neste sentido é também o envio à vigência e à vida o início Mas a partida não é ex clusivamente o início a partida é também o tempo inteiro em que o destino está em jogo Jogase uma partida E de certo modo é o momento da despedida em que é superada cada etapa da uma viagem No contexto das imagens de caminhada na jornada do viajante que busca a verdade a moîra é o que se destina na Partida Outro nome que os gregos dão às amarras do Destino é anánke a Necessidade Esta aparecerá no segundo momento em que são citados os deuses desse campo moral do dever junto com a Justiça e a Partida Tratase do momento em que a Deusa descreve os sinais do que é no fr B8 ali a Necessi dade aparece para confirmar o caminho verdadeiro e também para firmar o ente em seus limites e determinações em suas amarras ontológicas cerradas Aos deuses de vigência moral que presidem e normati zam as ações e atitudes dos mortais ligados ao desempenho de sua vida mas que no Poema repercutem essa necessidade em toda a constituição do real a esses deuses que se apre sentam na modalidade do dever seguemse os deuses que demarcam a via do que é o caminho que a Deusa inominada exorta a seguir São estes os deuses da Fé pístis e da Verdade 12 Como nas colônias gregas tais que Eleia 13 Como a promovida por Sólon em Atenas 70 FILÓSOFOS ÉPICOS I alétheia São deuses que presidem o discurso o conhecimento e a sabedoria Depois do discurso da Deusa acerca da Verdade res tam os deuses que aparecem no discurso sobre as opiniões dos mortais Esse discurso pautado por oposições sensíveis tais como fogo leve face à noite opaca e densa apresen ta uma cosmogonia na qual é difícil distinguir os deuses das entidades da natureza Os nomes não distinguem de maneira simples uma abordagem teogônica de uma abordagem fisio lógica Mas as descrições tendem claramente a um discurso sobre a natureza Não há sagas nem gestas como na Teogonia de Hesíodo Aqui os entes são apresentados em suas caracte rísticas e modos de ser autônomos Parmênides usa explicitamente o termo natureza como no primeiro verso do fr B10 Conhecerás a natureza do Éter e também todos os sinais que há no Éter Natureza e sinais e não feitos e acontecimentos gloriosos esta nova perspectiva é a que marcará doravante o discurso natural dos fisiólogos Mas por que esse discurso natural sobre o cosmo é tratado pelo filósofo como discurso das opiniões dos mortais Porque se trata talvez de um mundo que é descoberto pela experiência sensível Pode ser Talvez Parmênides já anuncie a transição que ele mesmo empreende do discurso teológico divino para o discurso fisiológico humano Quem sabe não percebe nesta transição não a evolução para a ciência mas o declínio do sa grado Não teríamos então de deixar de lado as maiúsculas que temos dado aos nomes dos deuses Já não teriam deixado de ser considerados deuses como irá mais tarde apontar Aris tófanes acusando Sócrates e todos os filósofos da natureza De toda forma esta parte cosmogônica do Poema com toda sua naturalidade fisiológica inclui versos especialmente belos sem dúvida por conta de sua atenção voltada para os fenômenos sensíveis Nestes poucos e curtos fragmentos te mos o testemunho de uma visão astronômica resplendente e flamejante do Éter do Olimpo do Céu da Via Láctea do Sol da Lua da Terra E também temos uma atenção especial aos fenômenos presididos por éros o Amor e por Afrodite pois são os deuses que regem os processos que dão conta da con dição ontológica do mundo natural o mundo destituído da fi xidez do ser mundo em que os entes são gerados e perecem 71 PARMÊNIDES O Poema e suas partes O Poema de Parmênides nos foi legado fragmentaria mente por citações em textos decisivos de filósofos e afins ao longo de todo um milênio de filosofia helênica e latina A integridade do poema porém não nos foi legada e salvo por poucas indicações parciais também a ordem da disposição dos versos Duas das mais extensas e mais importantes cita ções bem como outros versos esparsos Chegaramnos atra vés de Simplício um filósofo neoplatônico do séc VI que em seu comentário à Física de Aristóteles cita generosamente o eleata porque como ele mesmo diz o texto de seu poema já se tornara raro à época14 Assim Parmênides ganhou maior notoriedade pelos elogios e críticas nos tratados metafísicos de Platão diálogos Parmênides e Sofista e Aristóteles Física e Metafísica e seu texto chegou até nós principalmente pelo comentário de um filósofo neoplatônico quando este revisa va a crítica de Aristóteles ao conceito eleata de uma natureza phýsis que fosse destituída de movimento Deste modo a transmissão material do poema assim como a construção da posição filosófica e por assim dizer o perfil filosófico de Par mênides se constituiu como o de um metafísico unitarista e imobilista defensor de uma estreita unidade entre ser pensar e dizer que refutava e expulsava do campo da verdade a opi nião ambígua dos mortais sobretudo no tocante a suas expe riências sensíveis sobre a realidade do viraser e do perecer A reconstituição moderna do Poema de Parmênides ini ciada no séc XVI parte da extensa passagem de 30 versos citados por Sexto Empírico o qual igualmente indica ser esta a parte inicial do poema Esta parte se convencionou chamar de Proêmio pela sua narrativa preparatória e introdutória Mas o Poema toma realmente corpo com as extensas citações de Simplício edd Scaliger e Brandis ou seja com o aporte desse ponto específico de filtragem da tradição o neoplato nismo Esse núcleo metafísico legado por Simplício contri buiu para modelar desde então a recepção moderna e a dispo sição estrutural de sua compreensão do Poema primeiro um proêmio narrado pelo poeta de caráter iniciático e alegórico à moda dos poemas épicos sapienciais tais como a Teogonia de 14 Cf n 6 72 FILÓSOFOS ÉPICOS I Hesíodo é o fragmento B1 de Diels em seguida o discurso propriamente metafísico proferido por uma Deusa que re cebe o poeta O discurso da Deusa se apresenta inicialmente como um programa de investigação apresentando as vias do conhecimento que se deve seguir de um lado e de que se deve afastar de outro são os fragmentos citados por Simplício que Diels numerou como B2 B6 e B715 Em seguida engatado aos últimos versos de B7 o grandioso fragmento ontológico apresentando os sinais do que é ingênito e imperecível todo único intrépido e sem meta sem passado nem futuro mas agora equivalente nem algo maior nem algo menor Simplício produz uma pausa ao fim da mais longa ci tação de 52 versos com as seguintes palavras proferidas pela Deusa ἐν τῶι σοι παύω πιστὸν λόγον ἠδὲ νόημα ἀμφὶς ἀληθείης δόξας δ ἀπὸ τοῦδε βροτείας μάνθανε κόσμον ἐμῶν ἐπέων ἀπατηλὸν ἀκούων Aqui cesso para ti um discurso fiável e um pensamento acerca da verdade a partir daqui aprende opiniões de mortais ouvindo o mundo enganoso de minhas palavras Assim a recepção do Poema passou a considerar dois momentos no discurso da Deusa o discurso da Verdade ἀμφὶς ἀληθείης e o discurso enganoso ἀπατηλὸν das Opi niões dos mortais δόξας βροτείας separados exatamente por este verso B8 51 As edições dos fragmentos ao longo do séc XIX foram recolhendo novos textos a partir de citações encontradas em novos contextos Alguns fragmentos segun do pareciam constituir o discurso da Verdade foram sendo postos antes deste marco os outros segundo pareciam o dis curso das Opiniões foram postos depois dele A perspectiva de uma dicotomia entre verdade e opinião segundo a qual na primeira caberiam somente dis cursos ontológicos e na segunda tudo o que dissesse respei to a conhecimentos de ordem cosmológica foi adotada pelos editores modernos Estes assumiram que as teses unitaristas 15 Nós acrescentamos ao programa B10 como se verá melhor adiante 73 PARMÊNIDES e imobilistas quanto ao ser deveriam forçosamente legar ao âmbito da opinião e do engano tudo que dissesse respeito ao devir ao múltiplo ao movimento De modo que tudo quanto no Poema se diz dos astros e dos seres vivos só podia ser o discurso enganoso dos homens que vêem falsamente o devir onde deveriam ver o ser Por isso Aristóteles teria criticado a unidade do princípio e a imobilidade do ser de Parmênides quando em vista de perscrutar a natureza buscava analisar as causas do movimento Mesmo quando Simplício quer salvar Parmênides da crítica de Aristóteles o faz tendo em vista a ideia de que as teses unitaristas e imobilistas de Parmênides não falam da natureza mas do ser transcendente de modo que lega o dis curso verdadeiro ao ser e acaba por lançar toda a natureza móvel e múltipla no poço enganoso da opinião Constituiuse assim uma ideia não apenas de condenação por parte de Parmênides da perspectiva múltipla da opinião dos mortais como também de todo estudo dos fenômenos naturais pois não passariam de objetos desta mesma perspectiva enga nosa A via das opiniões foi assim identificada como a via que é condenada e que não deve ser percorrida Esta identificação to davia não é sem problemas Pois sendo uma via condenada por que justamente a Deusa a percorre depois de falar da verdade Ainda por que ela mesma a prescreve ao jovem aprendiz quan do apresenta nos últimos versos do Proêmio a segunda parte do programa de conhecimento B1 3132 ἀλλ ἔμπης καὶ ταῦτα μαθήσεαι ὡς τὰ δοκοῦντα χρῆν δοκίμως εἶναι διὰ παντὸς πάντα περὄντα Contudo também isto aprenderás como as aparências precisavam patentemente ser por tudo como tudo quanto é Dentre tantas perplexidades que o Poema nos apresen ta esta foi se tornando maior à medida que mais e mais cita ções foram incorporadas a este segundo momento da fala da Deusa convencionalmente chamado de Doxa a ponto de constituírem de fato um corpo teórico significativo de fenô menos ligados à astronomia à embriologia à psicologia à re produção à sensação Podemos remontar estas inquietações 74 FILÓSOFOS ÉPICOS I da recepção moderna ao comentário de Nietzsche para quem Parmênides teria incorporado ao fim de seu Poema uma cos mologia de que teria sido autor na juventude e que teria re negado na maturidade tratandoa justamente como exemplo de enganosa opinião Mas efetivamente é a recepção do Poema no século XX que levanta a grossa poeira do problema e que acaba por re definir e reavaliar o sentido e o estatuto em relação à verdade do discurso da Doxa chegando mesmo em alguns casos como no exame de Luigi Ruggiu16 a retirarlhe por completo a tradicional nuance negativa Levando em conta o estado atual dos estudos parmení deos proponho a seguinte ordenação do poema não menos ficcional em sua composição do que qualquer uma das outras já propostas por editores e tradutores vários do Poema O proêmio B1 128 A parte narrativa em que o poeta descreve sua jornada ao encontro da Deusa Depois desse proêmio a Deusa assu me diretamente o discurso O programa B1 2832 B10 Aqui a Deusa apresenta ao jovem um programa especial de conhecimento que ele deve seguir O programa comporta tanto o coração da verdade quanto a compreensão de como existem as opiniões dos mortais Acrescentamos ao progra ma também B10 em que a Deusa apresenta os elementos do cosmos que precisam ser conhecidos Reparar o uso do futuro três vezes εἴσηι conhecerás πεύσηι sondarás εἰδήσεις co nhecerás Deste modo o discurso cosmológico e sua expli cação são integrados ao programa de conhecimento proposto pela Deusa Os caminhos B5 B2 B3 B6 São os ensinamentos metodológicos da Deusa há um método verdadeiro e um método enganoso de conhecer O 16 ruGGiu Luigi Saggio Introduttivo e Commentario in reale Giovanni Parmenide Poema Sulla Natura Milano Bompiani 2003 75 PARMÊNIDES jovem precisa aprender o que são esses métodos ou caminhos para manterse no caminho do que é o real e verdadeiro O caminho do que é B7 B8 152 O caminho do que é apresenta os sinais do ente É o coração do discurso ontológico do Poema O caminho das opiniões B8 5361 B4 B9 As opiniões são apresentadas como a perspectiva enga nosa dos mortais As marcas desse discurso são a confusão a ambiguidade e particularmente a nomeação das coisas A ordenação do mundo B11 B12 B13 B14 B15 B15a B16 B17 B18 B19 Estes fragmentos apresentam teorias sobre a ordenação do mundo ou diacosmia Neles encontramse teorias cosmo gônicas teológicas astronômicas biológicas etc Parece que há uma atenção particular para os fenômenos ligados à geração en tre os quais a reprodução dos seres vivos As teorias da geração podem ser enquadradas também sob o aspecto de uma erótica da natureza éros o Amor é explicitamente citado como um deus primordial O estatuto dessas teorias em relação à verda de não é muito claro e parece variar Às vezes parece que se apresentam apenas catálogos de nomes e a mera nomeação foi criticada como característica do engano dos mortais Às vezes temos uma clara descoberta científica como na exposição das razões de ser o brilho na Lua um reflexo da luz solar B14 e B15 Esta exposição das razões verdadeiras que explicam um fenômeno enganoso visto que nos parece que a Lua tem luz própria nos faz suspeitar de que o discurso diacósmico não se ria apenas a exposição das aparências percebidas pelos mortais mas comportaria igualmente uma exposição argumentativa e crítica de como as coisas que nos aparecem de um modo podem ser reveladas em sua verdade pelo pensamento A demonstração da descoberta de que a estrela da manhã e a estrela vespertina Venus é a mesma reportada por Diógenes Laércio17 enqua drariase nesse mesmo tipo de método de conhecimento 17 laérCio Diógenes Vida dos Filósofos IX 23 DK 28 A 1 PArmÊNIDES DE ELÉIA FrAgmENtA Dk 28 b FrAgmENtOS 78 FILÓSOFOS ÉPICOS I ΠΕΡΙ ΦΥΣΕΩΣ B 1 1 ἵπποι ταί με φέρουσιν ὅσον τ ἐπὶ θυμὸς ἱκάνοι πέμπον ἐπεί μ ἐς ὁδὸν βῆσαν πολύφημον ἄγουσαι δαίμονες ἣ κατὰ πάντα τῃ1 φέρει εἰδότα φῶτα τῆι φερόμην τῆι γάρ με πολύφραστοι φέρον ἵπποι 5 ἅρμα τιταίνουσαι κοῦραι δ ὁδὸν ἡγεμόνευον 1 πάντα τῃ A πάντά τη E πάντάτη L πάντ ἄτη N πάντ ἄστη Mutschmann πᾶν τάύτη Cordero πᾶντ ἄντην Heyne 79 PARMÊNIDES DA NATUREZA B 1 Proêmio 1 Éguas que me levam a quanto lhes alcança o ímpeto caval gavam quando numes2 levaramme a adentrar uma via loquaz que de toda parte3 conduz o iluminado4 por ela era levado pois por ela mui hábeis éguas me levavam 5 puxando o carro mas eram moças que dirigiam o caminho 2 Numes os daimones são divindades de intermediação acessível aos homens Por intermédio dos numes os homens podem aceder a um plano divino Ou também pode acontecer o in verso de um daimon ser um deus exilado no mundo tal como no poema de Empédocles 3 Os manuscritos do texto de Sexto Empírico variam e as lições fogem à métrica como se uma sílaba longa tivesse sido alterada em uma breve Pode todavia tratarse de um caso de laga rus Cf Cordero Le vers 13 de Parménide Revue Philosophique 1982 2 p170 Diels usa pantaste toda cidade segundo o estabelecimento de Mutschmann que leu o manuscrito N assim Cordero reporta uma leitura diferente do manuscrito e propõe uma correção para adequar a métrica pan taute tudo a ela A nossa tradução segue a maioria dos manus critos os quais mesmo com a adequação de Cordero não ficam muito diferentes no sentido geral da frase De fato as únicas variantes que alterariam o sentido da frase na tradução são a do manuscrito N pantate toda Desgraça que não condiz bem com a passagem e a da cita da leitura de Mutschmann do manuscrito M cuja virtude maior é a referência da expressão ao início da Odisseia I 3 de modo que o narrador em busca da sabedoria vestiria a sombra literária de Ulisses o herói da astúcia e da inteligência alusão sempre presente na cultura póshomérica quando se fala de uma errância constituidora de experiência 4 O iluminado eidóta phôta tratase de uma expressão formada de um particípio do verbo eído saber que por sua vez é usado como aoristo de horáo ter visto assim saber equivale a ter a experiência do visto A esse particípio o que sabe o que viu Parmênides acrescenta o ob jeto phôta um termo que significa homem mas também alude a luzes embora esta forma seja atestada apenas mais tarde no dialeto ático e não no grego épico Parmênides repetirá o jogo com essa homonímia mas em sentido inverso em B 14 Literalmente e segundo a posição sintática o que se lê é um homem que sabe mas ressoa também quem viu luzes Para render a operação poética podese dizer quem sabe à luz ou O iluminado um tipo de denominação corrente em livros de revelação sapiencial Pode ser também alusão a um observador das estrelas 80 FILÓSOFOS ÉPICOS I 6 ἄξων δ ἐν χνοίηισιν ἵει σύριγγος αὐτήν αἰθόμενος δοιοῖς γὰρ ἐπείγετο δινωτοῖσιν κύκλοις ἀμφοτέρωθεν ὅτε σπερχοίατο πέμπειν ἡλιάδες κοῦραι προλιποῦσαι δώματα νυκτός 10 εἰς φάος ὠσάμεναι κράτων5 ἄπο χερσὶ καλύπτρας ἔνθα πύλαι νυκτός τε καὶ ἤματός εἰσι κελεύθων καί σφας ὑπέρθυρον ἀμφὶς ἔχει καὶ λάινος οὐδός αὐταὶ δ αἰθέριαι πλῆνται μεγάλοισι θυρέτροις τῶν δὲ δίκη6 πολύποινος ἔχει κληῖδας ἀμοιβούς 15 τὴν δὴ παρφάμεναι κοῦραι μαλακοῖσι λόγοισιν πεῖσαν ἐπιφραδέως ὥς σφιν βαλανωτὸν ὀχῆα ἀπτερέως ὤσειε πυλέων ἄπο ταὶ δὲ θυρέτρων χάσμ ἀχανὲς ποίησαν ἀναπτάμεναι πολυχάλκους ἄξονας ἐν σύριγξιν ἀμοιβαδὸν εἰλίξασαι 20 γόμφοις καὶ περόνηισιν ἀρηρότa7 τῆι ῥα δι αὐτέων ἰθὺς ἔχον κοῦραι κατ ἀμαξιτὸν ἅρμα καὶ ἵππους 5 κράτων Karsten κρατερῶν Sext 6 δίκη Scaliger δίκην mss 7 ἀρηρότa mss ἀρηρότε Bergk 81 PARMÊNIDES 6 O eixo porém nos meões impelia um toque de flauta incandescendo pois de ambos os lados duas rodas giravam comprimindoos porquanto as Filhas do Sol8 fustigassem a prosseguir e abandonar os domínios da Noite 10 para a Luz arrancando da cabeça com as mãos os véus Lá ficam as portas dos caminhos da Noite e do Dia pórtico e umbral de pedra as mantêm de ambos os lados mas em grandiosos batentes moldamse elas etéreas cujas chaves alternantes quem possui é Justiça9 rigorosa 15 As moças seduzindo com suaves palavras persuadiramna atenciosamente a que lhes retirasse rapidamente o ferrolho trancado das portas estas então fizeram com que o imenso vão dos batentes se escancarasse girando os eixos de bronze alternadamente nos cilindros encaixados 20 com cavilhas e ferrolhos as moças então pela via aberta através das portas mantêm o carro e os cavalos em frente 8 Filhas do Sol Heliádes Cf n1 No nome Heliádes ressoa também o nome Ouliádes epiteto que a cidade de Eleia inscreveu em um monumento homenageando Parmênides datando do séc I e descoberto em 1966 Significa filho de Oulis o Curador um dos epitetos de Apolo O patrônimo Ouliádes era em geral atribuido aos médicos mas pode se estender a outros sentidos purificadores e mesmo sugerir o pertencimento a alguma associação de inspiração pitagórica 9 Justiça díke é o caminho αὕτη δίκη ἐστὶ βροτῶν esse é o caminho dos mortais Od11218 e é quem indica deíknymi o caminho da verdade a gesta do sábio as ações do homem Cf Santoro Poema de Parmênides Da Natureza pp8081 82 FILÓSOFOS ÉPICOS I 22 καί με θεὰ πρόφρων ὑπεδέξατο χεῖρα δὲ χειρί δεξιτερὴν ἕλεν ὧδε δ ἔπος φάτο καί με προσηύδα ὦ κοῦρ ἀθανάτοισι συνάορος ἡνιόχοισιν 25 ἵπποις ταί σε φέρουσιν ἱκάνων ἡμέτερον δῶ χαῖρ ἐπεὶ οὔτι σε μοῖρα κακὴ προὔπεμπε νέεσθαι τήνδ ὁδόν ἦ γὰρ ἀπ ἀνθρώπων ἐκτὸς πάτου ἐστίν ἀλλὰ θέμις τε δίκη τε 83 PARMÊNIDES 22 E a Deusa10 com boa vontade acolheume e em sua mão minha mão direita tomou assim proferiu a palavra e me saudou Ó jovem acompanhado por aurigas imortais 25 que com éguas te levam ao alcance de nossa morada salve Porque nenhuma Partida11 ruim te enviou a trilhar este caminho à medida que é um caminho apartado dos homens mas sim Norma12 e Justiça 10 Quem é esta deusa M Heidegger propõe que seja a própria Verdade alétheia Mas tam bém é significativo o fato de ficar inominada por todo o poema fato que a torna ainda mais apartada da perspectiva dos homens que opinam e nomeiam No duvidoso fragmento B20 nomeiase Afrodite mas poderia ser mais uma deusa no variado catálogo cósmico Há outras deusas que poderiam ser aludidas sem serem explicitadas Perséfone deusa dos mortos que acolheria o sábio para uma jornada subterrânea como a da Divina Comédia Ártemis a irmã recolhida de Apolo que levaria o investigador à contemplação dos fenômenos celestes Nýx a Noite também é uma deusa cujo nome costuma ser substituído pelos epítetos Tenebro sa Temível e estaria acompanhada de sua prole de justiceiras e vingadoras entre as quais Díke a Justiça e Moira a Partida A reparar que o Poema cita e alude consideravelmente a divindades em sua maioria femininas 11 Partida Moira Esta não é uma tradução usual A Moira é normalmente entendida como Destino Porém menos que o lugar de chegada ela é a parte que partilha separa e envia a partida mesmo que essa partida seja a morte tal como no enunciado homérico da morte de Pisandro por Menelau como uma μοῖρα κακὴ IlN 602 12 Norma Themis Aquela que põe o que deve ser a lei divina A posição constituidora de uma moralidade divina e originária Moralidade que se apresenta aos homens sobretudo nos deveres impostos pelas relações consanguíneas que constituem a normalidade 84 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 1 28 χρεὼ δέ σε πάντα πυθέσθαι ἠμὲν ἀληθείης εὐπειθέος13 ἀτρεμὲς14 ἦτορ 30 ἠδὲ βροτῶν δόξας ταῖς οὐκ ἔνι πίστις ἀληθής ἀλλ ἔμπης καὶ ταῦτα μαθήσεαι ὡς τὰ δοκοῦντα χρῆν δοκίμως εἶναι διὰ παντὸς πάντα περ ὄντα15 Fontes de B1 130 Sexto Empírico Adversus mathematicos VII 111 e 112114 paráfrase 14 Proclo In Parmenidem 64039 2832 Simplício De caelo 557255582 a partir de χρεὼ δέ 2830 Diógenes Laércio Vitae philosophorum IX 22 2930 Clemente de Alexandria Miscelâneas V IX 596 Plutarco Adversus Colotem XIII 1114 de Proclo In Timaeum I 345 1516 Sexto Empírico é a principal fonte de B1 130 apenas os dois últimos versos faltam ao fragmento completado com a citação de Simplício 2832 que apresenta o programa de aprendizagem prescrito pela Deusa Cf n 39 Sexto é importante ainda por citar o título da obra Da Natureza Περὶ φύσεως e por indicar que este trecho é o inicio do poema ἐναρχόμενος γοῦν τοῦ Περὶ φύσεως γράφει τὸν τρόπον τοῦτον ἵπποι ἀληθής B 1 130 após citar os 30 primeiros versos do Proêmio segue com 6 versos de B7 ἀλλὰ σὺ λείπεται B 7 27 e depois ainda retorna com uma paráfrase do mesmo Proêmio Paraphrasis Sextus Empiricus Adversus mathematicos VII 112114 ἐν τούτοις γὰρ ὁ Παρμενίδης ἵππους μέν φησὶν αὐτὸν φέρειν τὰς ἀλόγους τῆς ψυχῆς ὁρμάς τε καὶ ὀρέξεις 1 κατὰ δὲ τὴν πολύφημον ὁδὸν τοῦ δαίμονος πορεύεσθαι τὴν κατὰ τὸν φιλόσοφον λόγον θεωρίαν ὃς λόγος προπομποῦ δαίμονος τρόπον ἐπὶ τὴν ἁπάντων ὁδηγεῖ γνῶσιν 2 3 κούρας δ αὐτοῦ προάγειν τὰς αἰσθήσεις 5 ὧν τὰς μὲν ἀκοὰς αἰνίττεται ἐν τῶι λέγειν δοιοῖς κύκλοις 7 8 τουτέστι τοῖς τῶν ὤτων τὴν φωνὴν δι ὧν καταδέχονται τὰς δὲ ὁράσεις Ηλιάδας κούρας κέκληκε 9 δώματα μὲν Νυκτὸς ἀπολιπούσας 9 διὰ τὸ μὴ χωρὶς φωτὸς γίνεσθαι τὴν χρῆσιν αὐτῶν ἐπὶ δὲ τὴν πολύποινον ἐλθεῖν Δίκην καὶ ἔχουσαν κληῖδας ἀμοιβούς 14 τὴν διάνοιαν ἀσφαλεῖς ἔχουσαν τὰς τῶν πραγμάτων καταλήψεις ἥτις αὐτὸν ὑποδεξαμένη 22 ἐπαγγέλλεται δύο ταῦτα διδάξειν ἠμὲν ἀληθείης εὐπειθέος ἀτρεμὲς ἦτορ 29 ὅπερ ἐστὶ τὸ τῆς ἐπιστήμης ἀμετακίνητον βῆμα ἕτερον δὲ βροτῶν δόξας ἀληθής 30 τουτέστι τὸ ἐν δόξηι κείμενον πᾶν ὅτι ἦν ἀβέβαιον 13 εὐπειθέος Plutarco Diógenes F P Sext Clemente εὐπίθεος Diógenes B εὐκυκλέος Simplício εὐφεγγέος Proclo 14 ἀτρεμὲς Sext texto e paráfrase 114 Simplício ἀτρεκὲς Sext 111 texto ἀτερκὲς N Plutarco 15 περ ὄντα Simplício D E F περῶντα Simplício A Cf Ilíada E 625 μέγαν περ ἐόντα 85 PARMÊNIDES B 1 Programa 1 28 Mas é preciso que de tudo te instruas tanto do intrépido16 coração da Verdade persuasiva17 30 quanto das opiniões de mortais em que não há fé verdadeira Contudo também isto aprenderás como as aparências precisavam patentemente ser por tudo como tudo quanto é18 16 intrépido Sext texto e paráfrase 114 Simplício exato Sext 111 texto Plutarco 17 persuasiva Plutarco Diógenes Sext Clemente bem redonda Simplício bem luzente Proclo 18 por tudo como tudo quanto é Simplício D E F atravessando tudo através de tudo Simplício A É uma das expressões mais intraduzíveis do Poema Em se aceitando a lição majoritária dos manuscritos literalmente através de tudo tudo enquanto entes Segundo a leitura de L Rug giu deste passo que adoto tratase do fato de que tudo que é deve ser e tem razão de ser assim também as aparências enquanto são entes enquanto são como tudo quanto é A prescrição de aprendizagem apresentada nestes dois versos é difícil de entender e aceitar Talvez por isso ape nas Simplício os cite enquanto a prescrição dos versos anteriores é citada com mais frequência Simplício quer rebater a crítica de Aristóteles no De caelo 298b 14 DK A 25 que imputa a Parmênides justamente o fato de ter considerado o sensível como o inteligível sem distinguir ontologicamente os entes corruptíveis dos incorruptíveis Simplício cita a passagem para mostrar que Parmênides faria a distinção entre o ser inteligível τὴν μὲν τοῦ ὄντως ὄντος τοῦ νοητοῦ e o devir sensível τὴν δὲ τοῦ γινομένου τοῦ αἰσθητοῦ porque segundo Simplício Parmênides chama de verdade o que é e de opinião o que devém διὸ περὶ τὸ ὂν ἀλήθειαν εἶναί φησι περὶ δὲ τὸ γινόμενον δόξαν Cf com de Ruggiu in Reale 2003 200209 e Ramnoux 1979 32 ss 86 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 10 1 εἴσηι δ αἰθερίαν τε φύσιν τά τ ἐν αἰθέρι πάντα σήματα καὶ καθαρᾶς εὐαγέος ἠελίοιο λαμπάδος ἔργ ἀίδηλα καὶ ὁππόθεν ἐξεγένοντο ἔργα τε κύκλωπος πεύσηι περίφοιτα σελήνης 5 καὶ φύσιν εἰδήσεις δὲ καὶ οὐρανὸν ἀμφὶς ἔχοντα ἔνθεν19 ἔφυ τε20 καὶ ὥς μιν ἄγουσα21 ἐπέδησεν Ανάγκη πείρατ ἔχειν ἄστρων Fontes de B10 Clemente de Alexandria Miscelâneas V 14 II 4191420 Cf Plutarco Adversus Colototem 1114b ὅς γε καὶ διάκοσμον πεποίηται καὶ στοιχεῖα μιγνὺς τὸ λαμπρὸν καὶ σκοτεινὸν ἐκ τούτων τὰ φαινόμενα πάντα καὶ διὰ τούτων ἀποτελεῖ καὶ γὰρ περὶ γῆς εἴρηκε πολλὰ καὶ περὶ οὐρανοῦ καὶ ἡλίου καὶ σελήνης καὶ γένεσιν ἀνθρώπων ἀφήγηται καὶ οὐδὲν ἄρρητον ὡς ἀνὴρ ἀρχαῖος ἐν φυσιολογίαι καὶ συνθεὶς γραφὴν ἰδίαν οὐκ ἀλλοτρίαν διαφορῶν22 τῶν κυρίων παρῆκεν 19 ἔνθεν μὲν γὰρ Scaliger ἔνθεν μὲν γὰρ Clemente Scaliger propõe por conta da métrica que μὲν γὰρ é um acréscimo posterior da fonte preferimos como OBrien já retirálo assinalandoo aqui 20 ἔφυ τε Sylburg ἔφυγε Clemente 21 ἄγουσα 22 Plut ἀλλοτρίαν διαφορῶν ἀλλοτρίας διαφθοράν DK 87 PARMÊNIDES B 10 Programa 2 1 Conhecerás a natureza do Éter e também todos os sinais que há no Éter e as obras invisíveis da flama pura do Sol resplendente e de onde surgiram Sondarás as obras vagantes da Lua ciclópica 5 e sua natureza conhecerás também o Céu que tudo abarca de onde este brotou e como a Necessidade o levou no cabresto a manter os limites dos astros Cf Plutarco Adversus Colototem 1114b O qual criou de fato uma ordenação de mundo com uma mistura de elementos o luzente e o obscuro e por meio destes produziu todos os fenômenos assim também disse muitas coisas sobre a Terra e sobre o Céu e o Sol e a Lua e dissertou sobre a geração dos Homens Na condição de homem antigo não deixou de falar de nenhum dos principais assuntos relativos ao estudo da natureza e compôs um texto próprio sem interferências alheias 88 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 5 ξυνὸν δὲ μοί ἐστιν ὁππόθεν ἄρξωμαι τόθι γὰρ πάλιν ἵξομαι αὖθις Fonte de B5 Proclo In Platonis Parmenidem I 708 16 Proclo cita estes versos depois de B 825 A posição deste fragmento varia segundo o editor O próprio Diels antes de posicionálo como quinto colocouo em terceiro Bar bara Cassin p ex põeno logo depois do primeiro fragmento De fato ele referese à indiferença de começar por um ou outro dos dois caminhos que já são enunciados desde I 2932 Se os dois caminhos são convergentes e tendem ao encontro é que no fundo tratase de um único caminho circular em que de qualquer ponto de um ponto comum saem dois caminhos de sentido inverso e ambos retornam ao mesmo lugar Por isso mesmo este fragmento pode situarse em qualquer parte do Poema de que se fale dos dois caminhos de investigação Poderia até mesmo ser um refrão repetido várias vezes no poema para reforçar a sua tese de unidade e continuidade do ser Neste sentido poderíamos ouvir um eco de resposta também nos versos épicos de Empédocles que também falam dos caminhos palíndromos vv 2323 e 2478 Pri mavesi DK 31 B 17 12 e 167 B 23 B 2 εἰ δ ἄγ ἐγὼν ἐρέω κόμισαι δὲ σὺ μῦθον ἀκούσας αἵπερ ὁδοὶ μοῦναι διζήσιός εἰσι νοῆσαι ἡ μὲν ὅπως ἔστιν τε καὶ ὡς οὐκ ἔστι μὴ εἶναι πειθοῦς ἐστι κέλευθος ἀληθείη23 γὰρ ὀπηδεῖ 5 ἡ δ ὡς οὐκ ἔστιν τε καὶ ὡς χρεών ἐστι μὴ εἶναι τὴν δή τοι φράζω παναπευθέα ἔμμεν ἀταρπόν οὔτε γὰρ ἂν γνοίης τό γε μὴ ἐὸν οὐ γὰρ ἀνυστόν οὔτε φράσαις B 3 τὸ γὰρ αὐτὸ νοεῖν ἐστίν τε καὶ εἶναι24 Fontes de B2 1678 Proclo In Timaeum I 345 1824 2627 38 Simplício Physica 116281171 36 Proclo In Parmenidem 1078 Fontes de B3 Clemente de Alexandria Miscelâneas VI II 44012 Plotino Enneadas V 1 8 V 9 5 Proclo In Parmenidem 1152 23 ἀληθείη libbri ἀληθείηι Bywater DK 24 γὰρ om Plotino ἐστίν Clemente ἐστί Plotino Proclo ταὐτὸν ἐστίν ἐκεῖ νοεῖν τε καὶ εἶναι Cousin 1827 ταὐτὸν δ ἐστίν ἐκεῖ νοέειν τε καὶ εἶναι Cousin 1864 89 PARMÊNIDES B 5 Os Caminhos 1 comum25 porém é para mim de onde começarei pois lá mesmo chegarei de volta26 outra vez B 23 Os Caminhos 2 B 2 Pois bem agora vou eu falar e tu presta atenção ouvindo a palavra acerca das únicas vias de questionamento que são a pensar uma para o que é e como tal não é para não ser é o caminho de Persuasão pois Verdade o segue 5 outra para o que não é e como tal é preciso não ser esta via indicote que é uma trilha inteiramente inviável pois nem ao menos se reconheceria o não ente pois não é realizável nem tampouco indicaria B 3 pois o mesmo é a pensar e também ser27 25 Xynon é uma palavra densa de conotações se lembrarmos de seu uso também em Heráclito em que determina isto mesmo que é o pensar O núcleo semântico é a preposição syn que significa com Tratase do sendo com que reúne converge comunga e torna indiferente no sentido etimológico dessa palavra o que não separa Tem também a ideia de continui dade e meio comum que aparece em B 11 em que é o epíteto da palavra Éter Xynon é um adjetivo pelo desconhecimento da parte perdida do verso seguimos a sintaxe ditada por Proclo que o cita assim lemos que o ponto de partida é comum Pensamos obviamente no ponto de partida das vias de conhecimento Proclo cita estes versos depois do verso 25 de B 8 em que é dito que o ente é todo contínuo A repetição em B 11 reforça essa ideia de continuidade Isso pode explicar porque qualquer ponto de partida é indiferente não apenas o das vias de conhecimento mas efetivamente o de qualquer jornada pois o próprio deslo camento seria uma ilusão quando se encontra o lugar de onde se partiu 26 Cf B6 9 27 A interpretação da sintaxe deste fragmento é extremamente controversa segundo o sentido como se interpreta o valor da identidade entre ser e pensar A preposição a entre parênteses é uma solução oriunda da tipografia poética de EE Cummings Visa a deixar em aberto as possibilidades sintáticas tal como se dá na expressão em grego sem preposição Clemen te compara a sua sintaxe com a de um verso de Aristófanes pois é possível o pensar ser igual ao agir Αριστοφάνης ἔφη δύναται γὰρ ἴσον τῶι δρᾶν τὸ νοεῖν fr 691 K καὶ πρὸ τούτου ὁ Ελεάτης Παρμενίδης τὸ γὰρ αὐτὸ νοεῖν ἐστίν τε καὶ εἶναι 90 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 6 1 χρὴ τὸ λέγειν τὸ28 νοεῖν τ ἐὸν29 ἔμμεναι ἔστι γὰρ εἶναι μηδὲν δ οὐκ ἔστιν τά σ ἐγὼ30 φράζεσθαι ἄνωγα πρώτης γάρ σ ἀφ ὁδοῦ ταύτης διζήσιος lacuna31 αὐτὰρ ἔπειτ ἀπὸ τῆς ἣν δὴ βροτοὶ εἰδότες οὐδὲν 5 πλάττονται32 δίκρανοι ἀμηχανίη γὰρ ἐν αὐτῶν στήθεσιν ἰθύνει πλαγκτὸν33 νόον οἱ δὲ φοροῦνται κωφοὶ ὁμῶς τυφλοί τε τεθηπότες ἄκριτα φῦλα οἷς τὸ πέλειν τε καὶ οὐκ εἶναι ταὐτὸν νενόμισται κοὐ ταὐτόν πάντων δὲ παλίντροπός ἐστι κέλευθος Fontes de B6 12ἔστιν Simplício Physica 862728 1 ἔστι9 Simplício Physica 11746 813 89 Simplício Physica 7834 28 τὸ mss Cordero aponta a alteração na edição de Diels que transcreve τε νοεῖν Esta alteração remonta a Karsten 1835 e a uma conjectura entre parênteses da segunda edição de Brandis também 1835 sendo pouco notada pela maioria dos comentadores que raramente a con sideram A mudança altera significativamente o sentido deste verso já difícil pela construção paratática da sequência assindética de três verbos em modos nominalizados Mesmo com a correção o sentido continua controverso Optamos pela lição dos manuscritos mas oferece mos nas notas da tradução opções segundo a correção adotada por Diels 29 τ ἐὸν edd τεὸν F τὸ ὸν DE Ald 30 τά σ ἐγὼ Bergk τά γ ἐγὼ Simplicio D τoῦ ἐγὼ E τά γε F 31 ἄρξει Cordero εἴργω Diels a partir de εἴργε Ald e conforme B 7 2 32 πλάττονται DEF Diels πλάζονται Ald 33 πλαγκτὸν libri πλακτὸν Diels Cordero 91 PARMÊNIDES B 6 Os caminhos 3 1 Precisa tal dizer tal pensar que o ente é34 pois há ser mas nada não há isto eu te exorto a indicar Pois 35 desta primeira via de investigação em seguida daquela em que mortais que nada sabem 5 forjam36 bicéfalos pois despreparo guia em frente em seus peitos um espírito errante eles são levados tão surdos como cegos estupefatos hordas indecisas para os quais o existir e não ser valem o mesmo e não o mesmo de todos o caminho é de ida e volta37 34 A proposição em parataxe abre uma gama de interpretações e traduções possíveis Buscamos a que apresentasse a forma quase assindética da sucessão de verbos de modo mais simples e direto no sentido integrante de dizer o que pensa e o que é como a ponte da verdade que vai do ente e do pensamento até a fala Segundo a correção de Karsten adotada por Diels o verso ficaria assim É preciso dizer e pensar que o ente é pois é ser Diels ainda acrescenta em sua tradução nur que somente o ente é 35 Diels ed afastate Cordero ed parte A opção entre a conjectura de Diels ou a de Cordero para preencher esta lacuna dos manuscritos determina a existência de três ou dois caminhos de investigação A opção pelos dois caminhos de conhecimento que devem ser per corridos pelo sábio o da verdade e o das aparências Cordero nos parece mais coerente com o todo do Poema do que os dois caminhos enganosos do não ser e das aparências de que ele deve se afastar para percorrer o único caminho da verdade Diels Deixamos a lacuna primeiro por fidelidade aos textos dos manuscritos segundo para que o leitor possa expe rimentar por si as diversas conjecturas e suas consequências para a interpretação do Poema 36 forjam DEF Diels erram Ald 37 Cf B 5 2 92 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 78 B 7 οὐ γὰρ μήποτε τοῦτο δαμῆι εἶναι μὴ ἐόντα ἀλλὰ σὺ τῆσδ ἀφ ὁδοῦ διζήσιος εἶργε νόημα μηδέ σ ἔθος πολύπειρον ὁδὸν κατὰ τήνδε βιάσθω νωμᾶν ἄσκοπον ὄμμα καὶ ἠχήεσσαν ἀκουήν 5 καὶ γλῶσσαν κρῖναι δὲ λόγωι πολύδηριν38 ἔλεγχον ἐξ ἐμέθεν ῥηθέντα B 8 μόνος δ ἔτι μῦθος39 ὁδοῖο λείπεται ὡς ἔστιν ταύτηι δ ἐπὶ σήματ ἔασι πολλὰ μάλ ὡς ἀγένητον ἐὸν καὶ ἀνώλεθρόν ἐστιν ἐστι γὰρ οὐλομελές40 τε καὶ ἀτρεμὲς ἠδ ἀτέλεστον 5 οὐδέ ποτ ἦν οὐδ ἔσται ἐπεὶ νῦν ἔστιν ὁμοῦ πᾶν ἕν συνεχές τίνα γὰρ γένναν διζήσεαι αὐτοῦ πῆι πόθεν αὐξηθέν οὐδ ἐκ μὴ ἐόντος ἐάσσω φάσθαι σ οὐδὲ νοεῖν οὐ γὰρ φατὸν οὐδὲ νοητόν ἔστιν ὅπως οὐκ ἔστι τί δ ἄν μιν καὶ χρέος ὦρσεν 10 ὕστερον ἢ πρόσθεν τοῦ μηδενὸς ἀρξάμενον φῦν 38 πολύδηριν Diógenes πολύπειρον Sext 39 μῦθος Simplício θῦμὸς Sext 40 οὖλον μουνογενές Simplício Clemente Filopão μοῦνον μουνογενές Clemente Plutarco pseudo ἐστι γὰρ οὐλομελές Plutarco Cf Proclo Parm 1152 24 93 PARMÊNIDES B 78 O Caminho do que é B 7 Pois isto não nunca hás de domar não entes a serem mas o que pensas separa desta via de investigação nem o hábito multitudinário ao longo desta via te force a vagar o olhar sem escopo e ressoar ouvido 5 e língua mas discerne pela palavra a litigiosa41 contenda por mim proferida B 8 Ainda uma só palavra resta do caminho que é sobre este há bem muitos sinais que sendo ingênito também é imperecível Pois é todo único42 como intrépido e sem meta43 5 nem nunca era nem será pois é todo junto agora uno contínuo pois que origem sua buscarias Por onde de onde se distenderia Não permitirei que tu digas nem penses que do não ente pois não é dizível nem pensável que seja enquanto não é E que Necessidade o teria impelido 10 depois ou antes a desabrochar começando do nada 41 multitudinário Sext litigiosa Diógenes 42 todo único Simplício único de um só gênero Clemente Plutarco pseudo pois é íntegro Plutar co Proclo e Diels que justifica a escolha pelo contexto antigo de discussão sobre οὐλομελές 43 Simplício interpreta como sem fim significando sem limites no tempo Physica 304 Cerri 1999 p 23 busca solucionar o problema da tradução por incompleto mudando a pon tuação e ligando a palavra ao verso seguinte incompleto nunca era nem será Preferimos sem meta pois acrescenta uma ideia que ainda não apareceu para se agregar às caracterís ticas do ente o não visar nada para além de si mesmo 94 FILÓSOFOS ÉPICOS I οὕτως ἢ πάμπαν πελέναι χρεών ἐστιν ἢ οὐχί οὐδέ ποτ ἐκ τοῦ ἐόντος 44 ἐφήσει πίστιος ἰσχύς γίγνεσθαί τι παρ αὐτό τοῦ εἵνεκεν οὔτε γενέσθαι οὔτ ὄλλυσθαι ἀνῆκε δίκη χαλάσασα πέδηισιν 15 ἀλλ ἔχει ἡ δὲ κρίσις περὶ τούτων ἐν τῶιδ ἔστιν ἔστιν ἢ οὐκ ἔστιν κέκριται δ οὖν ὥσπερ ἀνάγκη τὴν μὲν ἐᾶν ἀνόητον ἀνώνυμον οὐ γὰρ ἀληθής ἔστιν ὁδός τὴν δ ὥστε πέλειν καὶ ἐτήτυμον εἶναι πῶς δ ἂν ἔπειτα πέλοι τὸ ἐόν45 πῶς δ ἄν κε γένοιτο 20 εἰ γὰρ ἔγεντ οὐκ ἔστι οὐδ εἴ ποτε μέλλει ἔσεσθαι τὼς γένεσις μὲν ἀπέσβεσται καὶ ἄπυστος ὄλεθρος οὐδὲ διαιρετόν ἐστιν ἐπεὶ πᾶν ἐστιν ὁμοῖον οὐδέ τι τῆι μᾶλλον τό κεν εἴργοι μιν συνέχεσθαι οὐδέ τι χειρότερον πᾶν δ ἔμπλεόν ἐστιν ἐόντος 25 τῶι ξυνεχὲς πᾶν ἐστιν ἐὸν γὰρ ἐόντι πελάζει 44 τοῦ ἐόντος Karsten μὴ ἐόντος Diels μὴ ὄντος Simplício DE γε μὴ ὄντος Simplício F Ald 45 ἔπειτα πέλοι τὸ ἐόν Simplício DE Diels πέλοιτὸ ἐόν Simplício F ἔπειτ ἀπόλοιτο ἐόν Karsten Stein Kranz na última ed DK 95 PARMÊNIDES Assim ou é necessário existir totalmente ou de modo algum Tampouco que do ente46 nunca força de Fé permitirá surgir algo para além do mesmo por isso Justiça nem vir a ser nem sucumbir deixa afrouxando amarras 15 mas mantém a decisão sobre tais está nisto é ou não é Mas já está decidido por Necessidade qual deixar como impensável e inominado pois é caminho não verdadeiro e qual há de existir e ser autêntico Como existiria depois o que é Como teria surgido 20 Pois se surgiu não é nem se há de ser algum dia Assim origem se apaga como o insondável ocaso Nem é divisível pois é todo equivalente nem algo maior lá que o impeça de ser contínuo nem algo menor mas é todo pleno do que é 25 Por isso é todo contínuo pois ente a ente cerca 46 Adotamos a correção de Karsten seguida por Reinhardt Frère e OBrien pois concorda mos que já foi tratada a impossibilidade da geração desde o não ente e agora o argumento desdobrase na impossibilidade de geração desde o ente de modo que a adição do não teria sido muito provavelmente uma correção dos redatores neoplatônicos para que a ideia não confrontasse a teoria da geração desde o ser de Plotino a teoria dos transbordamentos hipostáticos em que o uno gera o intelecto o intelecto gera a alma e esta a matéria Cf OBrien in aubenque Études sur Parménide II 343348 96 FILÓSOFOS ÉPICOS I αὐτὰρ ἀκίνητον μεγάλων ἐν πείρασι δεσμῶν ἔστιν ἄναρχον ἄπαυστον ἐπεὶ γένεσις καὶ ὄλεθρος τῆλε μάλ ἐπλάχθησαν ἀπῶσε δὲ πίστις ἀληθής ταὐτόν τ ἐν ταὐτῶι τε μένον καθ ἑαυτό τε κεῖται 30 χοὔτως ἔμπεδον αὖθι μένει κρατερὴ γὰρ Ανάγκη πείρατος ἐν δεσμοῖσιν ἔχει τό μιν ἀμφὶς ἐέργει οὕνεκεν οὐκ ἀτελεύτητον τὸ ἐὸν θέμις εἶναι ἔστι γὰρ οὐκ ἐπιδευές μὴ47 ἐὸν δ ἂν παντὸς ἐδεῖτο ταὐτὸν δ ἐστὶ νοεῖν τε καὶ οὕνεκεν ἔστι νόημα 47 μὴ suspeição de Bergk seguida por Diels e Cordero OBrien faz a correção omitindo o advérbio presente nos manuscritos 97 PARMÊNIDES Além disso imóvel nos limites de grandes amarras fica sem começo sem parada já que origem e ocaso muito longe se extraviaram rechaçouos Fé verdadeira O mesmo no mesmo ficando sobre si mesmo pousando 30 e assim aí fica firme pois poderosa Necessidade mantém nas amarras do limite cercandoo por todos os lados porque é norma48 o ente não ser inacabado Pois é não carente não49 sendo careceria de tudo O mesmo é o que é a pensar e o pensamento de que é 48 norma quando não vêm desempenhando uma função antropomórfica como por exemplo na condição de sujeito de uma ação optamos por deixar em minúsculas os nomes que tam bém são nomes de deuses 49 não a maioria das lições suspeita de uma interpolação deste advérbio algumas Frére OBrien já corrigem o texto omitindoo algumas traduções o mantêm Hölscher Coxon Barnes Cassin As duas leituras mesmo que distintas são plausíveis 1 é não carente sendo careceria de tudo quer dizer sendo carente de tudo careceria 2 é não carente não sendo careceria de tudo quer dizer porque é é não carente se não fosse careceria de tudo Todavia prefiro a primeira versão por isso deixo os colchetes que suspeitam do manuscrito porque neste argumento se está a dar as várias características do ente Sendo referese assim à continuação da hipótese sobre a característica de carente ou não carente Além disso a métrica de ambas as versões é possível conforme ἐπιδευές seja lido como tri ou te trassílabo mas a supressão do advérbio atende melhor ao metro épico esperado 98 FILÓSOFOS ÉPICOS I 35 οὐ γὰρ ἄνευ τοῦ ἐόντος ἐν ὧι πεφατισμένον ἐστιν εὑρήσεις τὸ νοεῖν οὐδὲν γὰρ50 ἢ ἔστιν ἢ ἔσται ἄλλο πάρεξ τοῦ ἐόντος ἐπεὶ τό γε Μοῖρ ἐπέδησεν οὖλον ἀκίνητόν τ ἔμεναι τῶι πάντ ὄνομ ἔσται51 ὅσσα βροτοὶ κατέθεντο πεποιθότες εἶναι ἀληθῆ 40 γίγνεσθαί τε καὶ ὄλλυσθαι εἶναί τε καὶ οὐχί καὶ τόπον ἀλλάσσειν διά τε χρόα φανὸν ἀμείβειν αὐτὰρ ἐπεὶ πεῖρας πύματον τετελεσμένον ἐστί πάντοθεν εὐκύκλου σφαίρης ἐναλίγκιον ὄγκωι μεσσόθεν ἰσοπαλὲς πάντηι τὸ γὰρ οὔτε τι μεῖζον 45 οὔτε τι βαιότερον πελέναι χρεόν ἐστι τῆι ἢ τῆι οὔτε γὰρ οὐκ ἐὸν ἔστι τό κεν παύοι μιν ἱκνεῖσθαι εἰς ὁμόν οὔτ ἐὸν ἔστιν ὅπως εἴη κεν ἐόντος τῆι μᾶλλον τῆι δ ἧσσον ἐπεὶ πᾶν ἐστιν ἄσυλον οἷ γὰρ πάντοθεν ἶσον ὁμῶς ἐν πείρασι κύρει 50 ἐν τῶι σοι παύω πιστὸν λόγον ἠδὲ νόημα ἀμφὶς ἀληθείης δόξας δ ἀπὸ τοῦδε βροτείας μάνθανε κόσμον ἐμῶν ἐπέων ἀπατηλὸν ἀκούων 50 οὐδὲν γὰρ Simplício 86 οὐδ εἰ χρόνος Simplício 146 51 πάντ ὄνομ ἔσται F87 πάντ ὄνομα ἔσται DK πάντ ὀνόμασται E 87 DE 146 πάντ ὠνόμασται F146 πάν τοὔνομ ἔσται D87 πάντ ὄνομ εἶναι Plat Eus Teodoreto Simplício 29 143 99 PARMÊNIDES 35 Pois sem o ente no qual foi proferido não encontrarás o pensar Pois nenhum outro nem é nem será além do ente pois que Partida já o prendeu para ser todo imóvel assim será nome tudo quanto os mortais instituíram persuadidos de ser verdadeiro52 40 surgir e também sucumbir ser e também não mudar de lugar e variar pela superfície aparente Além disso por um limite extremo é completado por todo lado semelhante à massa de esfera bem redonda do centro por toda parte igualmente tenso53 pois nem algo maior 45 nem algo menor é preciso existir aqui ou ali Pois nem há não ente que o impeça de alcançar o mesmo nem há ente o qual estivesse sendo aqui mais ali menos já que é todo inviolável pois de todo lado igual a si se estende nos limites por igual 50 Aqui cesso para ti um discurso fiável e um pensamento acerca da Verdade a partir daqui aprende opiniões de mortais ouvindo o mundo enganoso de minhas palavras 52 Cf Melissos 30 B 8 in Simplício De caelo 558 19 εἰ γὰρ ἔστι γῆ καὶ ὕδωρ καὶ τὰ ἄλλα ὅσα φασὶν οἱ ἄνθρωποι εἶναι ἀληθῆ Se existe terra e água e todas as outras coisas que os ho mens dizem ser verdadeiras 53 Cf Aristóteles Física III 6 207a15 βέλτιον οἰητέον Παρμενίδην Μελίσσου εἰρηκέναι ὁ μὲν γὰρ τὸ ἄπειρον ὅλον φησίν ὁ δὲ τὸ ὅλον πεπεράνθαι μεσσόθεν ἰσοπαλές 100 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 8 μορφὰς γὰρ κατέθεντο δύο γνώμας ὀνομάζειν τῶν μίαν οὐ χρεών ἐστιν ἐν ὧι πεπλανημένοι εἰσίν 55 τἀντία δ ἐκρίναντο δέμας καὶ σήματ ἔθεντο χωρὶς ἀπ ἀλλήλων τῆι μὲν φλογὸς αἰθέριον πῦρ ἤπιον ὄν μέγ ἀραιὸν ἐλαφρόν ἑωυτῶι πάντοσε τωὐτόν τῶι δ ἑτέρωι μὴ τωὐτόν ἀτὰρ κἀκεῖνο κατ αὐτό τἀντία νύκτ ἀδαῆ πυκινὸν δέμας ἐμβριθές τε 60 τόν σοι ἐγὼ διάκοσμον ἐοικότα πάντα φατίζω ὡς οὐ μή ποτέ τίς σε βροτῶν γνώμη παρελάσσηι 101 PARMÊNIDES B 8 O caminho das opiniões 1 Pois estabeleceram duas perspectivas de nomear formas das quais uma não é preciso no que estão desgarrados 55 Em contrários cindiram a articulação e puseram sinais separados uns dos outros de um lado fogo etéreo da flama tênue muito leve o mesmo que si mesmo em toda parte mas não o mesmo que o outro oposto ao que é por si mesmo os contrários noite opaca articulação densa e pesada54 60 Eu te falo esta ordenação de mundo55 toda verossímil para que nunca nenhum dos mortais te supere em perspectiva 54 Os nomes das formas são apresentados na forma de um catálogo de contrários como nas listas de tradição pitagórica e nas teogonias épicas como a de Hesíodo Provavelmente são desta ordem as referidas opiniões dos mortais Cf Scholion ad Parmenid B 8 5659 Simplicius Physica 31 3 καὶ δὴ καὶ καταλογάδην μεταξὺ τῶν ἐπῶν ἐμφέρεταί τι ῥησείδιον ὡς αὐτοῦ Παρμενίδου ἔχον οὕτως ἐπὶ τῶιδέ ἐστι τὸ ἀραιὸν καὶ τὸ θερμὸν καὶ τὸ φάος καὶ τὸ μαλθακὸν καὶ τὸ κοῦφον ἐπὶ δὲ τῶι πυκνῶι ὠνόμασται τὸ ψυχρὸν καὶ τὸ ζόφος καὶ σκληρὸν καὶ βαρύ ταῦτα γὰρ ἀπεκρίθη ἑκατέρως ἑκάτερα Cf Ramnoux Héraclite entre les choses et les mots 1968 pp 520 55 Ordenação de mundo Diákosmon kósmos quer dizer ordem mundo o prefixo dia acres centa a ideia de processo tal como em uma cosmogonia Cf Mourelatos The deceptive words of Parmenides Doxa 1993 102 FILÓSOFOS ÉPICOS I Fontes de B 7 12 Platão Sofista 237a 89 Cf 258d 23 Simplício Physica 1352122 143311441 24412 1 Aristóteles Metafísica 1089a 4 Alexandre Pseudo Metaphysica 80520 26 Sexto Empírico Adversus mathematicos VII 111 114 2 Simplício Physica 786 65013 3 Diógenes Laércio Vida dos Philósofos IX 22 Sexto Empírico é a principal fonte de B7 a sua citação do verso B76 B81 permite a junção de B7 com as citações de Simplício que constituem B8 Fontes de B 8 152 Simplício Physica 145114625 78810 1223 1423436 3013 12023 8721 14313 1681822 1433 8624 8622 8723 392740 793280 30610 14315 7730 4036 871416 1432225 863187 2918 14310 522628 8922 24 1262223 1371617 5223 12731 1436 14630 10726 13327 50267 14626 ss texto e comentário 12 Sexto Empírico Adversus mathematicos VII 111 114 34 Clemente de Alexandria Miscelâneas V XIV II 40289 Simplício De caelo 55718 Eusébio Preparatio evangelica XIII 1339 II 2141213 4 Plutarco Adversus Colotem XIII 1114c Plutarco pseudo Miscelâneas V 58024 Teodoreto Graecarum affectionum curatio II 108 65 7 6510 ss comentário IV 7 1021213 45 Proclo In Parmenidem 6652526 Filopão Physica 6579 5 Amônio De Interpretatione 1362425 Olimpiodoro In Platonis Phaedonem XIII 2 759 56 Asclépio Metaphysica 423031 381718 2021617 69 Simplício De caelo 13736 21 Simplício De caelo 55917 24 Damásio Dubitationes et solutiones de primis principis in Platonis Parmenidem 276 II 1465 25 Proclo In Parmenidem 66524 7081314 108012 Plotino Enneadas VI 4 22 42425 Proclo In Parmenidem 66524 7081314 108012 Plotino Enneadas VI 4 22 42425 Damásio Dubitationes et solutiones de primis principis in Platonis Parmenidem 60 I 1317 Filopão Physica 6511 Damásio Dubitationes et solutiones de primis principis in Platonis Parmenidem 60 I 1317 Filopão Physica 6511 26 Proclo In Parmenidem 115227 2932 Proclo In Parmenidem 11342225 115229 117756 6392930 115231 103 PARMÊNIDES 3536 Proclo In Parmenidem 11523536 38 Platão Teeteto 180e1 Anônimo Comentarius in Platonis Theaetetum 704143 Eusébio Preparatio evangelica XIV 46 II 2659 Teodoreto Graecarum affectionum curatio II 15 40 15 4345 Platão Sofista 244e 35 Anônimo De Melisso Xenophane Gorgia 976a810 978b810 Proclo Theologia platonica III 20 155 Estobeu Eclogae I 142 I 1441214 4344 Proclo In Timaeum II 692021 Proclo In Parmenidem 10842829 11293133 7081920 43 Boécio Philosophiae consolatio III 1237 6291 44 Aristóteles Physica 207a17 Asclépio Metaphysica 20218 Filopão Physica 47534 4445 Proclo In Parmenidem 6652829 5052 Simplício De caelo 55857 5061 Simplício Physica 3830399 301719 4189 3023312 18017 A fonte principal de B 8 é Simplício no seu Comentário à Física de Aristóteles Ele cita entre outras duas grandes partes do Poema com as quais se estrutura o fragmento primeiro os versos 1 a 52 que contêm o coração do Poema de Parmênides o discurso ontológico sobre os sinais do caminho Que é depois os versos 50 a 61 que intro duzem o discurso sobre o caminho das Opiniões O seu texto é em geral preferível porque apesar de ser o mais recente está claro que ele dispõe de uma cópia completa do Poema Todavia comporta algumas falhas seja por conta dele mesmo atestadas quando ele mesmo cita algum verso duas vezes de forma desigual v 6 por ex seja pela longa transmisão do texto até ele 104 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 4 λεῦσσε δ ὅμως ἀπεόντα νόωι παρεόντα βεβαίως οὐ γὰρ ἀποτμήξει τὸ ἐὸν τοῦ ἐόντος ἔχεσθαι οὔτε σκιδνάμενον πάντηι πάντως κατὰ κόσμον οὔτε συνιστάμενον Fontes de B4 14 Clemente de Alexandria Miscelâneas V 15 II 335 2528 1 Teodoreto Graecarum affectionum curatio I 72 22 1718 Proclo In Parmenidem 1152 37 2 Damásio Dubitationes et solutiones de primis principis in Platonis Parmeni dem I 67 Cf Clemente de Alexandria Miscelâneas V ἀλλὰ καὶ Παρμενίδης ἐν τῶι αὑτοῦ ποιήματι περὶ τῆς ἐλπίδος αἰνισσόμενος τὰ τοιαῦτα λέγειB4ἐπεὶ καὶ ὁ ἐλπίζων καθάπερ ὁ πιστεύων τῶι νῶι ὁρᾶι τὰ νοητὰ καὶ τὰ μέλλοντα εἰ τοίνυν φαμέν τι εἶναι δίκαιον φαμὲν δὲ καὶ καλόν ἀλλὰ καὶ ἀλήθειάν τι λέγομεν οὐδὲν δὲ πώποτε τῶν τοιούτων τοῖς ὀφθαλμοῖς εἴδομεν ἀλλ ἢ μόνωι τῶι νῶι 105 PARMÊNIDES B 4 O caminho das Opiniões 2 Vê como ausentes56 no entanto presentes firmemente em pensamento pois não apartarás o ente do manterse ente nem se dispersando de toda forma todo pelo mundo nem se concentrando Cf Clemente de Alexandria Miscelâneas V Mas também Parmênides no seu poema propõe um enigma sobre a esperança dizendo o seguinte B4 para quem tem esperança como para quem tem fé vê com o pen samento as coisas inteligíveis e as futuras Se então dizemos que algo é justo dizemos também que é belo mas também algo que é verdade não é de modo algum com estes olhos que vemos mas somente com o pensamento 56 Clemente ao citar Parmênides interpreta livremente as coisas ausentes como as coisas fu turas que ganham presença na esperança do pensamento conforme a teologia cristã Mas no contexto da fala da Deusa as coisas só podem estar ausentes segundo a opinião dos mortais sendo presentes quando pensadas com firmeza pois só há o ente Lambros Couloubaritsis propõe que este fragmento seja situado na conclusão do discurso das opiniões como a chave que reúne esse discurso diacósmico ao pensamento do ser proferido na primeira parte da fala divina Cf Mythe et philosophie chez Parménide 1986 Para Marcelo P Marques as coisas ausentes justamente estas coisas que estão à nossa volta ou coisas que não são se torna rão não propriamente o ser mas coisas presentes isto é que de algum modo se relacionam com o ser paraeónta O modo inteligente de olhar aproxima coisas distantes ou seja não seres do ser tornandoas de certa forma presentes Cf o artigo Relendo o fragmento 4 de Parmênides in Acerca do Poema de Parmênides 2009 pp 217227 De fato este sentido pode reunir o discurso diacósmico das opiniões humanas ao pensamento do ser como uma chave alternante ou charneira posicionada entre os dois discursos como já propõem Karsten e Barbara Cassin que o situam nessa zona central Pode extrairse dessa passagem que há um modo prescrito pela Deusa inominada de percorrer as opiniões dos mortais mantendo a firmeza do pensamento sem se afastar da verdade 106 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 9 αὐτὰρ ἐπειδὴ πάντα φάος καὶ νὺξ ὀνόμασται καὶ τὰ κατὰ σφετέρας δυνάμεις ἐπὶ τοῖσί τε καὶ τοῖς πᾶν πλέον ἐστὶν ὁμοῦ φάεος καὶ νυκτὸς ἀφάντου ἴσων ἀμφοτέρων ἐπεὶ οὐδετέρωι μέτα μηδέν Fonte de B9 Simplício Physica 180912 B 11 ἄρξασθαί λέγειν πῶς γαῖα καὶ ἥλιος ἠδὲ σελήνη αἰθήρ τε ξυνὸς γάλα τ οὐράνιον καὶ ὄλυμπος ἔσχατος ἠδ ἄστρων θερμὸν μένος ὡρμήθησαν γίγνεσθαι Fonte de B11 Simplício De caelo 5592225 Παρμενίδης δὲ περὶ τῶν αἰσθητῶν ἄρξασθαί φησι λέγειν DK B 11 107 PARMÊNIDES B 9 O Caminho das Opiniões 3 Todavia desde que tudo foi nomeado57 Luz e Noite em face disto e daquilo segundo as suas forças tudo está cheio ao mesmo tempo de Luz e de Noite escura ambos iguais pois que nada leva a nenhum dos dois B 11 Cosmos58 1 ter começado a dizer 59 1 como Terra e Sol e ainda Lua e também Éter agregador e Láctea celeste e Olimpo extremo e ainda força quente dos astros impeliramse 4 para vir a ser Simplício De caelo 5592225 Parmênides então disse ter começado a dizer dos sensíveis DK B11 57 A referência de Parmênides ao ato de nomear caracteriza a perspectiva humana no Caminho das Opiniões 58 O mundo é constituído pelo viraser dos fenômenos 59 O modo como Simplício introduz a citação é ambíguo a repetição dos verbos fáticos e o uso do aoristo deixam em suspeição se os termos dentro dos colchetes já não seriam derivados do Poema Simplício indica que é a partir daqui que Parmênides começa a falar do mundo sensível Por isso decidimos chamar esta parte também a partir daqui de Cosmos Isso ainda reforçou a ideia de passarmos B10 para o anúncio programático dos conteúdos logo após B1 Poderíamos supor ainda que B11 pudesse seguir B13 o qual anuncia um catálogo cosmogônico de deuses mas seria preciso também supor que não havia nos versos anterio res segundo a perspectiva de Simplício nada do discurso sobre as coisas sensíveis 108 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 12 1 αἱ γὰρ στεινότεραι πλῆντο πυρὸς ἀκρήτοιο αἱ δ ἐπὶ ταῖς νυκτός μετὰ δὲ φλογὸς ἵεται αἶσα ἐν δὲ μέσωι τούτων δαίμων ἣ πάντα κυβερνᾶι πάντων γὰρ στυγεροῖο60 τόκου καὶ μίξιος ἄρχει 5 πέμπουσ ἄρσενι θῆλυ μιγῆν τό τ ἐναντίον αὖτις ἄρσεν θηλυτέρωι Fontes de B12 Simplício Physica 391416 26 Simplício Physica 311317 Cf Simplício Physica 34 14 καὶ ποιητικὸν αἴτιον ἐκεῖνος μὲν ἓν κοινὸν τὴν ἐν μέσωι πάντων ἱδρυμένην καὶ πάσης γενέσεως αἰτίαν δαίμονα τίθησιν Cf Cicero De natura deorum I 28 DK A 37 Nam Parmenides quidem commenticium quiddam coronae simile efficit στεφάνην appellat continentem ardorem61 lucis62 orbem qui cingit caelum quem appellat deum in quo neque figuram divinam neque sensum quisquam suspicari potest multaque eiusdem63 monstra quippe qui bellum qui discordiam qui cupiditatem ceteraque generis eiusdem ad deum revocat quae vel morbo vel somno vel oblivione vel vetustate delentur eademque de sideribus quae reprehensa in alio iam in hoc omittantur Cf Aetios II 7 1 περὶ τάξεως τοῦ κόσμου D 335 DK A 37 Παρμενίδης στεφάνας εἶναι περιπεπλεγμένας ἐπαλλήλους τὴν μὲν ἐκ τοῦ ἀραιοῦ τὴν δὲ ἐκ τοῦ πυκνοῦ μικτὰς δὲ ἄλλας ἐκ φωτὸς καὶ σκότους μεταξὺ τούτων καὶ τὸ περιέχον δὲ πάσας τείχους δίκην στερεὸν ὑπάρχειν ὑφ ὧι πυρώδης στεφάνη καὶ τὸ μεσαίτατον πασῶν στερεόν περὶ ὃ πάλιν πυρώδης sc στεφάνη τῶν δὲ συμμιγῶν τὴν μεσαιτάτην ἁπάσαις ἀρχήν τε καὶ αἰτίαν κινήσεως καὶ γενέσεως ὑπάρχειν ἥντινα καὶ δαίμονα κυβερνῆτιν cf B 123 καὶ κληιδοῦχον B 114 ἐπονομάζει Δίκην τε καὶ Ανάγκην B 830 καὶ τῆς μὲν γῆς ἀπόκρισιν εἶναι τὸν ἀέρα διὰ τὴν βιαιοτέραν αὐτῆς ἐξατμισθέντα πίλησιν τοῦ δὲ πυρὸς ἀναπνοὴν τὸν ἥλιον καὶ τὸν γαλαξίαν cf B 112 κύκλον συμμιγῆ δ ἐξ ἀμφοῖν εἶναι τὴν σελήνην τοῦ τ ἀέρος καὶ τοῦ πυρός περιστάντος δ ἀνωτάτω πάντων τοῦ αἰθέρος ὑπ αὐτῶι τὸ πυρῶδες ὑποταγῆναι τοῦθ ὅπερ κεκλήκαμεν οὐρανόν ὑφ ὧι ἤδη τὰ περίγεια 60 πάντων W Sider πάντα DEF DK πάντῃ Mullach OBrien ἣ στυγεροῖο add Diels 61 ardorum B1 ardorem cett ardore Davies Diels D 62 ardorum et lucis DK 63 multaque eiusdem modi Heindorf 109 PARMÊNIDES B 12 Cosmos 2 1 Umas são mais estreitas repletas de fogo sem mistura outras face àquelas de noite64 ao lado jorra um lote de flama no meio destas há uma divindade65 que tudo dirige pois de tudo66 governa o terrível parto e a cópula 5 enviando fêmea para unirse a macho e de volta macho a fêmea Cf Simplício Physica 34 14 Mas este Parmênides pôs como causa eficiente única e comum a divindade instaura da no centro de tudo e causa de toda geração67 Cf Cicero De natura deorum I 28 DK A 37 Já Parmênides por sua vez criou uma espécie de ficção fez semelhante a uma coroa ele chama στεφάνην um círculo de luz em ardor contínuo que cinge o céu que ele chama de deus no qual não se pode supor nem alguma figura divina nem alguma sensação E o mesmo imaginou muitas estranhezas de fato atribui ao deus a disputa a discórdia o desejo e outras coisas do gênero que são destruídas pela doença ou sono ou olvido ou velhice E disse o mesmo acerca dos corpos celestes mas por isso já ter sido repreendido em outro68 agora se omite Cf Aécio II 7 1 D 335 DK A 37 Sobre a ordem do mundo Parmênides diz que há coroas entrelaçadas umas em torno das outras uma feita do que é ralo outra do que é denso e entre estas há outras mistas de luz e de treva A que envolve todas subsiste sólida como uma muralha embaixo da qual há uma coroa ígnea e também em torno do ponto mais central de todos há novamente uma ígnea a mais central de todas as coroas mistas é também a que instaura o movimento e a gênese de todas a qual ele também chama de Divindade governante Guardachaves Justiça e Necessidade E o Ar é uma excreção da Terra por evaporação causada por uma violenta compressão dela o Sol é uma exalação do fogo assim como a Via Láctea a Lua é uma mistura de ambos o ar e o fogo no mais alto circundando tudo está o Éter sob o qual subjaz este que chamamos de Céu logo embaixo fica a superfície terrestre 64 ie repletas de noite 65 A divindade feminina daímon hè que dirige o viraser Simplício chama de causa eficiente ou causa produtora segundo a terminologia estoica ποιητικὸν αἴτιον Physica 3110 3912 3914 66 de tudo Ms W Sider tudo MssDEF em toda parte Mullach OBrien 67 Simplício compara Parmênides com Empédocles para quem há duas causas eficientes o amor e o ódio 68 Na crítica a Alcméon cf I27 110 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 13 πρώτιστον μὲν Ερωτα θεῶν μητίσατο πάντων καὶ τὰ ἑξῆς69 Fontes de B13 1 Aristóteles Metafísica 984b2627 Platão Banquete 178b11 Plutarco Sobre o Amor 13 756f Sexto Empírico Contra os Professores IX 9 Estobeu Eclogae I 96 I 1134 12 Simplício Physica 3918 Cf Aristóteles Metafísica I 4 984b 23 οἱ μὲν οὖν οὕτως ὑπολαμβάνοντες ἅμα τοῦ καλῶς τὴν αἰτίαν ἀρχὴν εἶναι τῶν ὄντων ἔθεσαν καὶ τὴν τοιαύτην ὅθεν ἡ κίνησις ὑπάρχει τοῖς οὖσιν ὑποπτεύσειε δ ἄν τις Ησίοδον πρῶτον ζητῆσαι τὸ τοιοῦτον κἂν εἴ τις ἄλλος ἔρωτα ἢ ἐπιθυμίαν ἐν τοῖς οὖσιν ἔθηκεν ὡς ἀρχὴν οἷον καὶ Παρμενίδης οὗτος γὰρ κατασκευάζων τὴν τοῦ παντὸς γένεσιν B13 φησίν Cf Plutarco Sobre o Amor 13 756f διὸ Παρμενίδης μὲν ἀποφαίνει τὸν Ερωτα τῶν Αφροδίτης ἔργων πρεσβύτατον ἐν τῆι κοσμογονίαι γράφων B13 Cf Simplício Physica 39 18 ταύτην καὶ θεῶν αἰτίαν εἶναί φησι λέγων B13 καὶ τὰ ἑξῆς καὶ τὰς ψυχὰς πέμπειν ποτὲ μὲν ἐκ τοῦ ἐμφανοῦς εἰς τὸ ἀειδές ποτὲ δὲ ἀνάπαλίν φησιν 69 Simplício 111 PARMÊNIDES B 13 Cosmos 3 Amor foi o primeiro de todos os deuses que concebeu um atrás do outro70 Cf Aristóteles Metafísica I 4 984b 23 Aqueles que pensavam assim consideraram que o princípio dos entes era ao mesmo tempo a causa do belo e a causa de onde se instaura o movimento nos entes Alguém poderia supor que Hesíodo foi o primeiro a investigar tal coisa ou algum outro que es tabeleceu amor ou desejo como princípio nos entes como também Parmênides con siderandoo como o articulador da origem de todas as coisas quando disse B13 Cf Plutarco Sobre o Amor 13 p 756f Por isso Parmênides declara que Amor é a mais antiga das realizações de Afrodite escrevendo na cosmogonia B1371 Cf Simplício Physica 39 18 E disse que ela era causa dos deuses falando B13 e disse que conduzia as almas ora da clareira para o invisível ora em sentido inverso72 70 Trecho duvidoso Apenas a frase da citação de Simplício termina no verso seguinte ao verso reputado autêntico mas isso pode ser explicado pelo cavalgamento do verso A expressão parece anunciar um catálogo de deuses cf Cicero De natura deorum I DK 28 A 37 71 Conjectura de Plutarco sobre a divindade citada em B12 e referência importante ao fato de Parmênides ter escrito uma Cosmogonia 72 Governando assim o devir os trânsitos entre dia e noite entre nascimento e morte etc Obras de Afrodite como sugere Plutarco 112 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 14 νυκτὶ φάος73 περὶ γαῖαν ἀλώμενον ἀλλότριον φῶς B 15 αἰεὶ παπταίνουσα πρὸς αὐγὰς ἠελίοιο Fonte de B14 Plutarco Adversus Colotem XV 1116a Fontes de B15 Plutarco De facie quae in orbe lunae apparet 16 929b Plutarco Quaestiones romanae 76 282b Cf Plutarco Adversus Colotem 15 1116a οὐδὲ γὰρ ὁ πῦρ μὴ λέγων εἶναι τὸν πεπυρωμένον σίδηρον ἢ τὴν σελήνην ἥλιον ἀλλὰ κατὰ Παρμενίδην B14 ἀναιρεῖ σιδήρου χρῆσιν ἢ σελήνης φύσιν Cf Plutarco De facie in orbe lunae 16 6 929a τῶν ἐν οὐρανῶι τοσούτων τὸ πλῆθος ὄντων μόνη φωτὸς ἀλλοτρίου δεομένη περίεισι κατὰ Παρμενίδης B15 B 15a ὑδατόριζον Fonte de B15a Escólio sobre Basilio de Cesareia Homiliae in Hexaëmeron XXV 2012 Ad Homilia 19 ἐὰν ὑποθῆις ἑαυτῶι ὕδωρ εἶναι τὸ ὑποβεβλημένον τῆς γῆς Παρμενίδης ἐν τῆι στιχοποιίαι ὑδατόριζον εἶπεν τὴν γῆν 73 νυκτὶ φάος mss νυκτιφαὲς Scaliger 113 PARMÊNIDES B 14 Cosmos 4 Brilho noturno de luz alheia vagando em torno à Terra74 B 15 Sempre espreitando os raios do Sol75 Cf Plutarco Adversus Colotem 15 1116a pois nem alguém que nega que o aço incandescente seja fogo ou que a Lua seja o Sol mas segundo Parmênides B14 elimine o uso do aço ou a natureza da Lua Cf Plutarco De facie in orbe lunae 16 6 929a Única entre a pletora de entes no céu que circunda precisando de luz alheia76 como diz Parmênides B15 B 15a Cosmos 5 Radicada nágua77 Escólio sobre Basilio de Cesareia Homilias sobre o Hexaëmeron XXV 2012 Ad Homilia 1 9 se supondes que a própria água era o fundamento da Terra Parmênides na versificação disse da Terra que era radicada nágua 74 Plutarco diz que Parmênides designa a natureza da Lua σελήνης φύσιν Dos mais belos ver sos gregos Mourelatos faz uma análise de suas anfibologias opcit pp314315 A palavra phôs luz tem um homônimo que significa homem conforme este homônimo existe a fórmula homérica allótrios phós que significa um estranho 75 A mesma Lua B14 e B15 constituem a primeira demonstração conhecida de que a luz da lua provém do sol Segundo o método de Parmênides a demonstração da verdadeira razão de um fenômeno ou em seus próprios termos como as aparências precisavam patentemente ser 76 Luz alheia φωτὸς ἀλλοτρίου alusão ao outro verso de Parmênides sobre a Lua B14 77 Mourelatos aponta um oximoro entre a firmeza das raízes e a fluidez da água opcit p324 114 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 16 ὡς γὰρ ἕκαστος ἔχει κρᾶσιν μελέων πολυκάμπτων 78 τὼς νόος ἀνθρώποισι παρίσταται79 τὸ γὰρ αὐτό ἔστιν ὅπερ φρονέει μελέων φύσις ἀνθρώποισιν καὶ πᾶσιν καὶ παντί τὸ γὰρ πλέον ἐστὶ νόημα Fontes de B16 11 Aristóteles Metafísica 1009b2225 Teofrasto De sensibus 4991821 cf DK A 46 12 Alexandre Metaphysica 3062930 30635 Asclépio Metaphysica 2771920 34 Alexandre Metaphysica 306363071 78 ἕκαστοτ Aristot E1 J ἕκαστος Aristot E2 ἕκαστοτε Teofrasto P F ἕκαστον Asclépio ἕκαστῳ Aristot Ab κρᾶσιν Aristot Alexandre 30630 Teofrasto κρᾶσις Estienne om Asclépio πολυκάμπτων Alexandre Asclépio πολυκάμπων Aristot πολυπλάγκτων Teofrasto 79 παρίσταται Aristot Alexandre Asclépio παρέηστηκε Teofrasto 115 PARMÊNIDES B 16 Cosmos 6 Assim como a cada instante temse uma mistura de membros retorcidos80 assim também se apresenta81 o pensamento aos homens pois é o mesmo o que discerne pela natureza dos membros nos homens para todos e para tudo pois o pleno é pensamento 80 retorcidos Alexandre Asclépio Aristóteles errante Teofrasto 81 se apresenta Aristóteles Alexandre Asclépio se apresentou Teofrasto 116 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 17 δεξιτεροῖσιν μὲν κούρους λαιοῖσι δὲ κούρας82 Fonte de B17 Galeno in Hippocratis libros Epidemiarum in librum VI commentarius 2 XVII 1002 Kühn τὸ μέντοι ἄρρεν ἐν τῶι δεξιῶι μέρει τῆς μήτρας κυΐσκεσθαι καὶ ἄλλοι τῶν παλαιοτάτων ἀνδρῶν εἰρήκασιν ὁ μὲν γὰρ Παρμενίδης οὕτως ἔφη B17 B 18 1 femina virque simul Veneris cum germina miscent venis informans diverso ex sanguine virtus temperiem servans bene condita corpora fingit nam si virtutes permixto semine pugnent 5 nec faciant unam permixto in corpore dirae nascentem gemino vexabunt semine sexum Fonte de B18 Caelius Aurelianus Tardarum vel chronicarum passionum IV 9134135 p902 Drabkin Parmenides libris quos de natura scripsit eventu inquit conceptionis molles aliquan do seu subactos homines generari cuius quia graecum est epigramma et hoc versibus intimabo latinos enim ut potui simili modo composui ne linguarum ratio misceretur femina sexum vult enim seminum praeter materias esse virtutes83 quae si se ita miscuerint ut eiusdem corporis faciant unam congruam sexui generent voluntatem si autem permixto semine corporeo virtutes separatae permanserint utriusque vene ris natos adpetentia sequatur B 19 οὕτω τοι κατὰ δόξαν ἔφυ τάδε καί νυν ἔασι καὶ μετέπειτ ἀπὸ τοῦδε τελευτήσουσι τραφέντα τοῖς δ ὄνομ ἄνθρωποι κατέθεντ ἐπίσημον ἑκάστωι Fonte de B 19 Simplício De caelo 558911 παραδοὺς δὲ τὴν τῶν αἰσθητῶν διακόσμησιν ἐπήγαγε πάλιν B19 82 δεξιτεροῖσι δ αὖ libbri corr Scaliger 83 DK sugere cf δυνάμεις B9 2 117 PARMÊNIDES B 17 Cosmos 7 Nas partes84 direitas os rapazes nas esquerdas as moças Galeno in Hippocratis libros Epidemiarum in librum VI commentarius 2 XVII 1002 Kühn Que o macho é concebido na parte direita do útero também o disseram outros entre os homens antigos Como disse Parmênides assim B17 B 18 Cosmos 8 1 Quando macho e fêmea juntos misturam as sementes de Vênus nas veias a potência formadora a partir de sangues diversos cuidando a medida forja um corpo bem constituído Pois se as potências lutam na mistura seminal 5 então não fazem uma unidade no corpo misturado e furiosas atormentam pela dupla seara o sexo nascente Célio Aureliano Tardarum vel chronicarum passionum IV 9134135 p 902 Dra bkin tradução do texto grego perdido de Sorano de Éfeso No seu livro Da Natureza Parmênides escreveu que o nascimento de homens delicados re sulta às vezes do que ocorre na sua concepção Como tratase de um epigrama grego vou vertêlo em versos Compus versos latinos do modo mais semelhante que pude sem mistu rar o estilo das linguas Quando nascente Para ele os semens mais do que matérias são antes forças que no caso de se misturarem de certo jeito para fazeremse uma só em um corpo geram uma vontade apropriada ao seu sexo mas se da mistura seminal as forças per manecerem separadas seguese para o rebento um apetite para os dois gêneros de amor B 19 Cosmos 9 E assim digote segundo a opinião tais coisas brotaram e agora são e a seguir daí tendo crescido acabarseão os homens estabeleceramlhes um nome assinalando a cada uma Simplício De caelo 558911 Tendo transmitido a ordem do mundo sensível continuou de volta B1985 84 Precedendo a citação de Parmênides Galeno está falando das partes do útero ἐν τῶι δεξιῶι μέρει 85 Conforme esta indicação de Simplício entendemos que aqui termina o discurso sobre a ordem do cos mos a diacosmese que se identifica com o discurso das opiniões e dos nomes catálogo de deuses 51 PArmÊNIDES DE ELÉIA FrAgmENtA Dk 28 b FrAgmENtOS DUVIDOSOS São coletadas como fragmentos de Parmênides as passagens em que o autor do texto fonte atribui a autoria do texto citado ao filósofo Algumas vezes essa atribuição é pouco definida como no fragmento B20 em que o autor do trecho citado aparece apenas como o poeta Outras vezes a atribuição é claramente um engano seja pela confusão com a dramatização do filósofo em Platão B22 seja com o outro filósofopoeta Empédocles B25 com Anaxágoras B21 ou com o historiador quase homônimo Armênidas 120 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 20 αὐτὰρ ὑπ αὐτήν ἐστιν ἀταρπιτὸς ὀκρυόεσσα κοίλη πηλώδης ἡ δ ἡγήσασθαι ἀρίστη ἄλσος ἐς ἱμερόεν πολυτιμήτου Αφροδίτης Fonte de B20 Hipólito Refutatio Omnium Haeresium v 8 972 μικρά φησίν ἐστὶ τὰ μυστήρια τὰ τῆς Περσεφόνης κάτω περὶ ὧν μυστηρίων καὶ τῆς ὁδοῦ τῆς ἀγούσης ἐκεῖ οὔσης ἆπλατείας καὶ εὐρυχώρουή καὶ φερούσης τοὺς ἀπολλυμένους ἐπὶ τὴν Περσεφόνην καὶ ὁ ποιητὴς δέ φησιν B20 B 21 Fonte de B21 Aécio De Placitis Reliquiae II 304 361b24 περὶ ἐμφάσεως σελήνης διὰ τί γεώδης φαίνεται Παρμενίδης διὰ τὸ παραμεμῖχθαι τῶι περὶ αὐτὴν πυρώδει τὸ ζοφῶδες ὅθεν ψευδοφανῆ τὸν ἀστέρα καλεῖ 121 PARMÊNIDES B 20 Mas debaixo dela há um caminho aterrador encavado lamacento mas o melhor a conduzir ao prado fascinante da venerável Afrodite86 Hipólito Refutatio Omnium Haeresium v 8 972 inferiores disse são os mistérios de Perséfone no subterrâneo mistérios acerca do que conduz até lá caminho que é plano e largo e leva os moribundos a Perséfone E o poeta então disse B20 B 21 Sobre os reflexos da lua porque tem aparência terrena Parmênides explica que isso se deve ao fato de que a opacidade se misturou ao aspecto ígneo que há em torno dela por isso de Furtabrilho87 chama aquele astro 86 Hipólito atribui estes versos ao Poeta simplesmente O contexto trata dos mistérios eleu sinos citando as deusas Perséfone e Afrodite O Poeta pode ser Parmênides ou Empédocles ou mesmo Orfeu por isso Diels o considera uma citação duvidosa Cf DK 31 B 66 87 Literalmente de brilho enganoso A tradução segue a formação no português de adjetivos como furtacor e furtafogo A citação é extraída da coleção de Aécio das citações de físicos acerca dos reflexos da lua Περὶ ἐμφάσεως σελήνης Segundo ele pouco acima da referência a Parmênides o adjetivo é usado por Anaxágoras para referirse ao astro em 3611420 Αναξαγόρας καὶ παραμεμῖχθαι τῶι πυρώδει τὸ ζοφῶδες ὧν τὸ πάθος ὑποφαίνει σκιερόν ὅθεν ψευδοφανῆ λέγεσθαι τὸν ἀστέρα Plutarco pseudo em Placita Philosophorum 892a710 cita o mesmo uso do adjetivo atribuindoo também a Anaxágoras Αναξαγόρας παραμεμῖχθαι γὰρ τῶι πυρώδει τὸ ζοφῶδες ὅθεν ψευδοφανῆ λέγεσθαι τὸν ἀστέρα Por isso Diels tem razão em considerar a atribuição a Parmênides um engano visto que a citação de Aécio se repete em 3612427 de modo muito parecido Παρμενίδης διὰ τὸ παραμεμῖχθαι τῶι περὶ αὐτὴν πυρώδει τὸ ζοφῶδες ὅθεν ψευδοφανῆ τὸν ἀστέρα καλεῖ Diels colige a citação de Aécio sobre a terminologia de Anaxágoras em DK 59 A 773034 122 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 22 Παρμενίδηι θαυμασίως ὡς δυσανάπειστον Fontes de B22 Suidas W213 Léxico s v ὡς λίαν Cf Platão Parmênides 135a B 23 μακάρων νήσοισιν ἡ ἀκρόπολις τῶν ἐν Βοιωτίαι Θηβῶν τὸ παλαιόν ὡς Παρμενίδης Fonte Suidas M58 Léxico s v μακάρων νήσοισιν B 24 Τελχῖνες τούτους οἱ μὲν θαλάσσης παῖδάς φασι Παρμενίδης δ ἐκ τῶν Ακταίωνος κυνῶν γενέσθαι μεταμορφωθέντων ὑπὸ Διὸς εἰς ἀνθρώπους Fonte Suetônio Fragmentae 417 Miller Περὶ βλασφημιῶν 43137 Taillardat B 25 Αλλ ὅγε πάντοθεν ἶσος ἐὼν καὶ πάμπαν ἀπείρων Fonte Estobeu Eclogae I 152 W 14419 Eclogae I 144 19 Wachsm DK 31 B28 123 PARMÊNIDES B 22 Espantosamente difícil de dissuadir88 B 23 Ilhas dos bemaventurados como antigamente chamavam a ci dade alta dos tebanos na Beócia89 segundo Parmênides B 24 Os Telquines90 surgiram dos cães de Acteon91 que por Zeus fo ram transformados em homens92 B 25 Mas o por toda parte igual a si mesmo e totalmente infinito93 88 O Parmênides a quem a enciclopédia bizantina do Suda atribui a expressão é obviamente a personagem do diálogo homônimo de Platão 135a 89 A frase é claramente de um historiador Diels sugere em vez de Parmênides o nome de Armênidas que se aproxima do assunto conforme o escólio da Argonáutica de Apolônio de Rodes 1551 e a citação idêntica do Léxico de Fócio μακάρων νήσοι ἡ ἀκρόπολις τῶν ἐν Βοιωτίαι Θηβῶν τὸ παλαιόν ὡς Ἀρμενδας 90 Os Telquines são numes anfíbios propícios a metamorfoses ora em peixes ora em humanos são filhos de Pontos o Mar da região de Rodes Creta Ceos e Chipre Assim são chamados os invejosos os acusadores e pregadores por isso o vocábulo encontrase no Peri Blasphemion de Suetônio uma listagem de vitupérios gregos 91 Os cães de Acteon o caçador acusaram sua presença indiscreta ante a nudez de Ártemis e como castigo esta lhes ordenou que o devorassem 92 Diels corrige a procedência da citação atribuindoa a Armênidas Na edição de Taillardat do Sobre as Blasfêmias de Suetônio já consta Ἀρμενίδης no lugar de Παρμενίδης De fato o texto pare ce de um mitólogo um historiador de mitos mais do que de um fisiólogo como Parmênides 93 Wachsmuth editor de Estobeu faz a correção atribuindo o verso a Empédocles Diels o colige no fragmento 31 B 28 Cf DK 31 B 27 124 FILÓSOFOS ÉPICOS I TÁBUA DE CONCORDÂNCIA DA EDIÇÃO DA BIBLIOTECA CLÁSSICA BC COM A SEXTA EDIÇÃO DIELSKRANZ DK PARMÊNIDES 28 B DK BC B1 ProêmioPrograma 1 B2 Os Caminhos 2 B3 Os Caminhos 2 B4 Caminho das Opiniões 2 B5 Os Caminhos 1 B6 Os Caminhos 3 B7 O Caminho do que é B8 O Caminho do que é O Caminho das Opiniões 1 B9 O Caminho das opiniões 3 B10 Programa 2 B11 Cosmos 1 B12 Cosmos 2 B13 Cosmos 3 B14 Cosmos 4 B15 Cosmos 4 B15a Cosmos 5 B16 Cosmos 6 B17 Cosmos 7 B18 Cosmos 8 B19 Cosmos 9 B20 B20 B21 B21 B22 B22 B23 B23 B24 B24 B25 B25 125 PARMÊNIDES BC DK Proêmio B1 128 Programa 1 B1 2832 Programa 2 B10 Os Caminhos 1 B5 Os Caminhos 2 B2 B3 Os Caminhos 3 B6 O Caminho do que é B7 B8 152 O Caminho das opiniões 1 B8 5361 O Caminho das opiniões 2 B4 O Caminho das opiniões 3 B9 Cosmos 1 B11 Cosmos 2 B12 Cosmos 3 B13 Cosmos 4 B14 B15 Cosmos 5 B15a Cosmos 6 B16 Cosmos 7 B17 Cosmos 8 B18 Cosmos 9 B19 B20 B20 B21 B21 B22 B22 B23 B23 B24 B24 B25 B25 Bank of America Investment Services FONtES DOS FrAgmENtOS E SUAS EDIÇÕES FILÓSOFOS ÉPICOS I XENÓFANES E PArmÊNIDES As informações seguintes indicam o autor do texto fonte a época em que viveu o tí tulo da obra entre colchetes o nome usual em português e as edições modernas mais relevantes discriminamos às vezes os manuscritos quando citados em nossas notas As mínimas notas biográficas visam a situar o contexto das citações 221 Buy 108 XOM 5709 221 Buy 115 XOM 5245 821 Buy 170 XOM 5605 422 Buy 201 XOM 7427 1122 Buy 110 XOM 9901 323 Buy 205 XOM 9923 323 Buy 220 XOM 9065 323 Buy 180 XOM 9256 121616 Purchase 62 280 Shs OXY Occidental Petroleum Corporation 2500000 62719 Purchase 450 Shs OXY Occidental Petroleum Corporation 2250000 Total Cost 3233475 Market Value 3838500 Unrealized GainLoss 605025 FONTES DOS FRAGMENTOS E SUAS EDIÇÕES 1 Aécio séc III Placita De placitis philosophorum In Doxographi graeci ed H Diels Berlim 1879 Aécio filósofo peripatético O teólogo do séc V Teodo reto atribuía a Aécio a obra Περὶ ἀρεσκόντων συναγωγή De placitis collectio versão original completa dos eventos abreviados em dois compêndios por PseudoPlutarco Pla cita philosophorum e por Estobeu Eclogae Physicae Por isso Hermann Diels atribui a Aécio o Placita original e propõe uma reconstrução a partir de fragmentos na sua edição dos doxógrafos gregos de 1879 2 Alexandre de Afrodisia séc IIIII Metaphysica In CAG ed M Hayduck vol I Berlim Academiæ Berolini 1891 Alexandre de Afrodísia um dos últimos filósofos da li nhagem peripatética na antiguidade tardia comentador importante da obra de Aristóteles Foi seguido um século mais tarde por Temístio 3 Amônio séc V De interpretatione In CAG ed A Busse vol IV 5 Berlim Academiæ Berolini1897 Amônio Sacas neoplatônico de origem cristã Fundador do Neoplatonismo ensinava oralmente e recusava confiar seu pensamento à forma escrita Orígenes e Plotino trans mitiram muito do que Amônio lhes ensinou 4 Anônimo séc II Anonymi comentarius in Platonis Theaete tum In Anonymer Kommentar zu Platonis Theaetet Papyrus 9782 edd J L Heiberg H Diels W Schubart Col Berliner Klassik ertexte herausgegeben von der Generalverwartung der Kgl Mu seen zu Berlin Heft 2 Berlim 1905 5 Apolônio de Rodes c 295230 aC Apollonii Rhodii Argonau tica ed H Fraenkel Oxford Clarendon Press 1961 reed 1970 130 FILÓSOFOS ÉPICOS I Fragmenta In Collectanea Alexandrina ed JU Powell Oxford Clarendon Press 1925 reed 1970 Apolônio poeta épico que nasceu em Alexandria foi di retor da grande Biblioteca e autor de Maravilhas difundidas pelo título latino Mirabilia 6 Aquiles Tácio séc II III Introdução ao Arato Eἰσαγωγὴ εἰς τὰ Ἀράτoυ φαινόμενα Isagoge in Arati Phaenomena ed E Maass in Commentariorum in Aratum reliquiae Berlin Weidmann 1898 Aquiles Tácio astrônomo geógrafo e matemático grego antigo Não confundir com o homônimo natural de Ale xandria novelista erótico 7 Aristóteles 384322 aC Metafísica Metaphysica ed W Jae ger Oxford Clarendonian press 1957 reed 1985 Metaphysics ed W D Ross Oxford Clarendonian press 1924 reed 1997 Metaphysics ed Tredennick Cambridge Harvard 1933 reed 1996 Física Physica ed W D Ross Oxford Clarendonian press 1936 reed 1950 Physique ed H Carteron Paris Les Belles Lettres 1926 reed 1983 De Caelo Du Ciel ed P Moraux Paris Les Belles Lettres 1965 Pseudo De Melisso Xenophane Gorgia ed H Diels Philosophis che und historische Abhandlungen der königlichen Akademie der Wissenschaften zu Berlin 18991900 n 1 Aristóteles de Estagira discípulo e mestre na Academia de Platão e fundador do Liceu 335 aC O primeiro livro da sua Metafísica é talvez a primeira história da filosofia e importante fonte doxográfica dos primeiros filósofos tra tados como phýsikoi ou naturalistas Para o Poema de Par mênides é particularmente importante a sua discussão no primeiro livro da Física que ainda incita os comentadores como Simplício a citar os textos discutidos O De Melisso Xenophane Gorgia ou MXG é um estudo sobre os eleatas proveniente do Liceu Immanuel Bekker o inclui na sua edição monumental das obras de Aristóteles 8 Asclépio séc VI Metaphysica In CAG ed M Hayduck vol VI 2 Berlim Academiæ Berolini 1888 131 FONTES DOS FRAGMENTOS Asclépio um dos continuadores da Escola de Alexandria fundada por Amônio Hermeu no séc V historiador e filó sofo 9 Ateneu séc IIIII Deipnosofistas Epítome Athenaei Naucra titae Dipnosophistarum Libri XV rec G Kaibel 3 Vol Leipzig Bi bliotheca Teubneriana 18871890 Atheneu de Naucratis Egito gramático retórico 10 Basilio de Cesareia 379 Homiliae in Hexaëmeron ed J Gar nier Paris 1721 Basilii opera omnia edd J Garnier P Maran tomus I Basílio teólogo escritor cristão do século IV é um dos padres capadócios da igreja Católica Estudou em Cons tantinopla e Atenas 11 Boécio c 480524 Philosophiae consolatio In Corpus Christiano rum series latina n 94 ed L Bieler Boethii opera pars I 19 Anício Mânlio Severino Boécio Roma Filósofo cristão latino autor de Consolação de Filosofia De consolatione Philosophiae tradutor e comentarista de alguns livros da lógica de Aristóteles e de Porfírio Durante a Idade Média suas obras serviram como forma de acesso à filosofia à matemática e à música da Antiguidade Clássica com des taque para os autores grecolatinos 12 Célio Aureliano séc V Celerum vel acutarum passionum libri III Tardarum vel chronicarum passionum libri V ed I E Drabkin Chica go 1951 Cf Autor de Sobre doenças crônicas De morbis chronicis Célio Aureliano Numídia Traduziu para o latim a obra publicada pelo médico grego metodista Sorano de Éfeso que distinguia doença crônica e doença aguda 13 Clemente de Alexandria a 215 Miscelâneas Stromateis ed O Stälin 2 vol Die Griechischen Christlichen Schriftsteller der ersten Jahrhunderte Bände 15 17 clementis Alexandrini opera Bände IIIII 19061909 Clemente de Alexandria Atenas Escritor teólogo apo logista e mitógrafo cristão residente em Alexandria autor de Discurso persuasório aos gregos isto é Miscelâneas Pesquisou as lendas menos compatíveis com os valores cristãos 132 FILÓSOFOS ÉPICOS I 14 Damásio séc VVI Dubitationes et solutiones de primis princi pis In Platonis Parmenidem ed C E Ruelle 2 vol Paris 1889 edd J Combès L G Westerink Paris Belles Lettres vol I 1986 Damásio neoplatônico 15 Diógenes Laércio séc III Vida dos Filósofos Vitae philosopho rum ed H S Long 2 vol Oxford Clarendonian press 1964 Diógenes Laércio sua obra se conservou integralmente e ficou sendo a fonte mais vasta de informações sobre a vida dos filósofos gregos ainda que nem sempre a mais fiável 16 Élio Herodiano séc II ou Herodiano Alexandrino Dois Tem pos ΠΕΡΙ ΔΙΧΡΟΝΩΝ Das Elocuções Singulares ΠΕΡΙ ΜΟΝΗΡΟΥΣ ΛΕΞΕΩΣ Grammatici Graeci Leipzig 18671910 Reimp Hilde sheim 1965 A edição completa de Herodiano por Lentz foi in corporada aos volumes 31 et 32 Élio Herodiano gramático alexandrino 17 Escolios Escólios sobre Basilio de Cesareia Scholia in Basilii Homilias in Hexaëmeron ed G Pasquali Doxographica aus basil iusscholien Nachrichten von der königlichen Gesellschaft der Wissenschaften zu Göttingen philologischhistorische klasse 1910 Escólios de Aristófanes Escólios Genoveses Escólios Hipocráticos Escólios em Homero Escólios BLT Eust sobre Hom É possível que os primeiros escoliastas tenham sido Aristó teles e seus discípulos mas a atividade parece ter se desen volvido sistematicamente só mais tarde com as atividades filológicas e literárias dos eruditos ligados à Biblioteca de Alexandria Aristófanes de Bizâncio Aristarco Calístrato e outros 18 Estobeu séc V Eclogae ed Wachsmuth Berlim 2 vol 1884 Estobeu Autor grego neoplatônico de quem se conser vam as Éclogae sobre física dialética ética cf Aécio Anto logia no latim Florilegium com citações de antigos autores 19 Etimológico Genuíno Etymologicum Genuinum Etymologicum Magnum ed T Gaisford Oxford 1848 repr Amsterdam 1965 Enciclopédia gramatical produzida em Constantinopla no séc IX 133 FONTES DOS FRAGMENTOS 20 Eudemo séc IV aC Fragmenta In Die Schule des Aristoteles Texte und Kommentar heft VIII ed F Wehrli BaselStuttgart 1969 Eudemo de Rodes discípulo de Aristóteles historiador da matemática Dele restam apenas fragmentos mencio nados por Simplício 21 Eusébio Cesariense a 341 Preparatio evangelica ed Mras Die Griechischen Christlichen Schriftsteller der ersten Jahrhunderte Band 43 12 Eusebius Werke Band VIII Teile 12 19541956 Eusébio de Cesareia bispo e historiador Escreveu em grego História eclesiástica Preparação evangélica História uni versal A vida de Constantino 22 Filopão ou Filopono 490 570 Com à Física de Aristó teles Physica ed H Vitelli CAG XVIXVII Berlim Academiæ Berolini 188788 João Filopão Joannes Philoponos bizantino viveu em Alexandria gramático neoplatônico mestre de Simplício 23 Galeno 129199 In Hippocratis libros Epidemiarum ed K G Kuhn 2 vol Galeni opera vol XVII 12 Leipsig 18281829 Cláudio Galeno Pérgamo Médico autor grego que vi veu também em Roma Autor de Sobre as opiniões de Hi pócrates e Platão De Placitis Hippocratis et Platonis o mais filosófico dos seus escritos Sobre a percepção do pulso De diagnoscendis Pulsibus Comentário às epidemias de Hipócrates In Hippocratis Epidemias Comentário aos humores de Hipó crates In Hippocratis de Humoribus e outros dos quais al guns se perderam 24 Gélio 125 aC 180 aC Noites Áticas Noctes Atticae AuluGel le Les Nuits attiques ed R Marache Paris Belles Lettres 1967 Aulo Gélio Aulus Gellius autor e gramático latino 25 Heráclito Estoico séc I Alegorias de Homero Allégories dHomère Texte établi et traduit par F Buffière Paris Belles Let tres 1989 Heráclito gramático e retórico Comentador de Homero renomado pela leitura alegórica dos deuses 26 Jâmblico c 245325 In Platonis diálogos commentariorum fragmen ta ed J M Dillon Philosophia antiqua vol 23 1973 134 FILÓSOFOS ÉPICOS I Jâmblico de Calcís Síria Autor grego neoplatônico es creveu Dos mistérios dos egípcios De mysterriis aegytiorum e de um conjunto de 20 livros citados coletivamente por Siriano Coletânea das doutrinas pitagóricas dos quais restam cinco Dos mistérios dos egípcios Da vida pitagórica De vita pitagorica Protrepticus ou Adhortatio ad philosophiam com fragmentos de uma obra homônima perdida de Aristóte les De communi mathematica scientia In Nicomachi Arithmeti cam introductio Theologoumena arithmetica 27 Olimpiodoro séc VI In Platonis Phaedonem ed Norvin Biblio theca Teubneriana 1913 Olimpiodoro o Jovem filósofo neoplatônico autor grego de Vida de Platão Comentário ao Fedon de Platão Comentá rio às Categorias de Aristóteles e Comentário sobre os Meteoros também de Aristóteles 28 Platão c 429347 aC Sophistes ed J Burnet Oxford Claren donian press Platonis operae tomus I 1900 Symposyum ed J Burnet Oxford Clarendonian press Platonis operae tomus II 1901 Theaetetus ed J Burnet Oxford Clarendonian press Pla tonis operae tomus I 1900 Platão filósofo ateniense Fundador da Academia 387 aC Em seus diálogos é tanto fonte de citações de auto res présocráticos quanto o dramaturgo que as transforma em personagens vivas como no diálogo Parmênides por exemplo em que Sócrates Zenão e Parmênides discutem a teoria das ideias 29 Plotino 204270 Enneadas edd P Henry HR Schwyzer 3 vol Museum Lessianum series philosophica n 3335 Paris BruxelasLeiden 19511973 Oxford Clarendonian press 1964 1982 Plotino de Licópolis Egito Discípulo de Amônio de Sa cas filósofo neoplatônico do contexto alexandrino mas que por último lecionou em Roma 30 Plutarco Queronense c 46120 Adversus Colotem ed M Poh lenz 1952 Plutarchi Moralia vol VI fasc 2 Bibliotheca Teub neriana 1959 edd B Einarson P H De Lacy Harvard Loeb Plutarchs Moralia vol XIV 1967 135 FONTES DOS FRAGMENTOS Sobre o Amor Amatorius ed C Hubert Plutarchi Moralia vol IV Bibliotheca Teubneriana 1938 ed W C Helmbold Har vard Loeb Plutarchs Moralia vol IX 1961 Quaestiones romanae ed J B Titchener Plutarchi Moralia vol II Bibliotheca Teubneriana 1935 No Banquete Quaestiones Conviviales ed C Hubert Plutarchi Moralia IV Leipzig Bibliotheca Teubneriana 1971 Do modo como os jovens deveriam ouvir os poetas Quomodo adolescens poetas audire debeat Plutarchi Moralia vol I Bibliotheca Teubneriana Plutarco de Queroneia Beócia Autor de Vidas Paralelas e de várias obras morais 31 Plutarco pseudo Miscelâneas Stromateis In Doxographi graeci ed H Diels Berlim 1879 32 Pollux sécII Vocabulário Onomasticon cum annotationibus interpretum curavit Guilielmus Dindorfius Ed Kuehn Leipzig 1824 Onomasticon e codicibus ab ipso collatis denuo edidit et ad notavit Ericus Bethe Editito stereotypa editionis primae 1900 1937 Stuttgart Teubner 1967 Julius Pollux Polydeukès de Naucratis Egito filólogo e retórico 33 Proclo 412485 In Parmenidem ed VCousin Paris 1821 1827 Procli opera tomes IVVI reed 1864 Theologia platonica ed A Portus Hamburgo 1618 edd H D Saffrey L G Wester ink Paris Belles Lettres 1968 In Timaeum ed E Diehl 3 vol Bibliotheca Teubneriana 19031906 Proclo de Bizâncio filósofo neoplatônico autor de comentário sobre o primeiro livro de Euclides Elementos e de comentários sobre os diálogos Alcibíades Parmênides Timeu de Platão 34 Sexto Empírico séc II Contra os Professores Adversus mathe maticos in Adversus dogmaticos libri ed H Mutschmann Bibliote ca teubneriana Sexti Empirici opera vol II 1914 E Codex Parisinus graecus 1964 séc XV L Codex Laurentianus 85 11 1465 N Codex florentinus Laurentianus 85 19 séc XIII Sexto Empírico Alexandria Egito Médico principal fon te do ceticismo antigo 136 FILÓSOFOS ÉPICOS I 35 Simplício séc VI Com Física de Aristóteles Physica In CAG ed H Diels vol IXX Berlim 19821895 D Codex Florentinus Laurentianus 85 2 séc XIIXIII E Codex Venetus Marcianus graecus 229 séc XIIXIII F Codex Venetus Marcianus graecus 227 sécXIIXIII De caelo In CAG ed I L Heiberg vol VII Berlim 1984 Simplicio comentarista neoplatônico de Aristóteles au tor do Comentário à Física de Aristóteles Comentário Sobre o Céu de Aristóteles Foi dos mais ricos transmissores de frag mentos dos présocráticos 36 Sorano de Éfeso séc III Caelius Aurelianustraduxit Cele rum vel acutarum passionum libri III Tardarum vel chronicarum passionum libri V ed I E Drabkin Caelius Aurelianus Gynae cia fragments of a Latin version of Soranus Gynaecia from a thirteenth century manuscript Bull Hist Med Suppl Chicago 1951 131136 Sorano de Éfeso médico metodista Grego importante no Império Romano destacandose em várias áreas como ginecologia e obstetrícia Uma de suas principais obras é Gynaecia baseada nos estudos de Herófilo constituída por quatro livros que relatam as qualidades e conhecimentos que as parteiras os sintomas do parto os cuidados higiê nicos para com o bebê e ainda as principais patologias das crianças as patologias das mulheres diferentes das dos homens tratadas com alterações na dieta ou recorrendo a drogas e cirurgias 37 Suetônio séc II Fragmentae ed Miller Mélanges Grecs ΠΕΡΙ ΒΛΑΣΦΗΜΙΩΝ ΚΑΙ ΠΟΘΕΝ ΕΚΑΣΤΗ ed J Taillardat Suéto ne ΠΕΡΙ ΒΛΑΣΦΗΜΙΩΝ ΠΕΡΙ ΠΑΙΔΙΩΝ Paris Les Belles Lettres 1967 Caio Suetónio Tranquilo escritor latino estudioso dos costumes escreveu um grande volume de obras eruditas nas quais descrevia os principais personagens da época 38 Teodoreto 393466 Graecarum affectionum curatio ed J Raeder Bibliotheca Teubneriana 1904 Teodoreto de Ciro ou de Antioquia autor cristão em língua grega Obra principal Cura das doenças pagãs Cura tio com o subtítulo Conhecimentro das verdades evangélicas 137 FONTES DOS FRAGMENTOS por meio da filosofia grega escrita entre 429 e 437 Tratase de uma apologia do cristianismo frente ao paganismo Es creveu também uma História eclesiástica complementando a de Eusébio de Cesareia uma História abreviada das here sias uma História dos monges além de Cartas 39 Teofrasto c 370285 aC Fragmentum de sensibus In Doxographi graeci ed H Diels Berlim 1879 Teofrasto de Ereso discípulo de Aristóteles de quem foi sucessor no Liceu De natureza doxográfica escreveu Opi niões dos físicos Situado no distante final do período socráti co é Teofrasto um elo inicial de importantes informações as quais em forma de fragmentos restaram em Suídas e Aécio Dele também se conservaram pequenos ensaios Metafísica Caracteres Sobre os sentidos fragmentos Sobre as pedras Sobre o fogo Sobre os odores Sobre os ventos Sobre a morte 40 Tzetzés séc XII sobre Dionísio Periegeta Dionysius Periēgētes Graece et Latine cum vetustis commentariis et interpretationibus ed Got tfried Bernhardy Leipzig 1828 Geographici Graeci minores João Tzetzes Joannes Tzetzes gramático e poeta bizantino Fig 91 Buy and Sell order book M C G I M 30 26 22 18 14 10 6 2 Bid Offer 10 10 Side Bid Size Bid Price Offer Price Offer Size Sell BUY SELL BUY Buy SELL BUY SELL BUY SELL BUY SELL BUY SELL BUY SELL BUY SELL 115 13 120 17 125 18 130 13 135 09 140 08 145 07 150 05 155 03 160 02 165 01 5510 133 10 122 09 113 09 103 116 10 97 08 JOIAS DA bIbLIOtECA NACIONAL FILÓSOFOS ÉPICOS I XENÓFANES E PArmÊNIDES Exemplos memoráveis da recepção dos clássicos em língua portuguesa constituem as Joias da Biblioteca Nacional Trade on Exchange 13167 Bid 13196 Asked 13192 105258 224 Market open Time Trade Trade Price Quantity 105258 Buy 13169 100 105257 Buy 13170 100 105257 Buy 13169 100 105257 Sell 13169 100 105256 Sell 13169 100 105253 Sell 13164 100 105252 Sell 13169 300 105250 Buy 13166 100 105250 Sell 13166 100 105249 Buy 13165 100 105248 Buy 13165 100 105248 Buy 13165 200 105247 Buy 13165 100 105244 Sell 13166 100 105243 Sell 13164 100 105243 Buy 13165 100 105240 Sell 13164 100 105238 Buy 13170 100 105238 Buy 13169 100 105238 Buy 13169 100 105237 Buy 13169 100 105235 Sell 13164 100 105235 Sell 13164 200 105234 Sell 13164 100 105234 Sell 13166 100 105233 Buy 13168 100 105232 Buy 13168 100 105232 Sell 13168 100 105231 Buy 13168 100 105230 Sell 13167 100 105230 Buy 13167 100 105230 Buy 13167 100 105229 Buy 13167 300 105228 Sell 13169 100 105228 Buy 13169 100 105224 Buy 13167 100 105222 Buy 13166 100 105214 Buy 13166 100 105212 Buy 13167 100 105204 Sell 13164 100 105202 Sell 13164 100 105202 Sell 13164 100 105200 Sell 13164 100 105200 Sell 13164 100 105159 Sell 13164 100 105159 Sell 13164 100 105157 Sell 13164 100 105143 Sell 13164 100 105140 Sell 13164 100 105140 Sell 13164 100 105134 Sell 13164 100 105133 Sell 13164 51 105127 Sell 13164 100 105127 Sell 13164 200 105121 Buy 13168 100 105111 Buy 13168 200 105109 Buy 13168 100 105057 Buy 13168 100 105052 Buy 13170 500 105045 Buy 13169 100 105040 Buy 13169 100 105036 Buy 13168 100 105031 Buy 13169 100 105030 Buy 13168 100 105025 Sell 13167 100 105024 Sell 13167 100 105014 Buy 13165 100 105007 Buy 13165 100 105007 Buy 13165 200 105000 Sell 13164 100 104959 Sell 13164 100 104951 Buy 13166 100 104950 Buy 13166 100 104950 Buy 13166 100 104943 Buy 13169 100 104943 Buy 13169 300 104938 Sell 13165 100 104931 Sell 13167 100 104926 Sell 13167 100 104923 Sell 13167 100 104922 Sell 13167 100 104921 Sell 13167 100 104920 Sell 13167 100 104916 Sell 13167 100 104916 Sell 13168 200 104912 Sell 13167 100 104910 Buy 13167 100 104910 Buy 13167 100 104910 Buy 13167 100 104903 Sell 13170 100 104902 Sell 13169 100 104901 Sell 13170 100 104901 Sell 13167 100 104858 Buy 13167 100 104856 Buy 13167 100 104855 Buy 13167 100 104848 Buy 13167 100 104848 Buy 13167 100 104846 Buy 13167 100 104843 Buy 13167 100 104842 Sell 13167 100 104841 Sell 13167 100 104840 Sell 13167 100 104839 Sell 13167 100 104832 Sell 13167 100 104826 Buy 13169 100 104823 Buy 13169 100 104811 Buy 13170 100 104808 Buy 13170 100 104752 Sell 13167 100 104746 Sell 13167 100 104735 Buy 13170 100 104727 Buy 13170 100 104711 Buy 13170 100 104705 Buy 13170 100 104659 Buy 13170 100 104654 Buy 13170 100 JOIAS DA BIBLIOTECA NACIONAL Traduções em português do fragmento B11 de Xenófanes πάντα θεοῖσ ἀνέθηκαν Ομηρός θ Ησίοδός τε ὅσσα παρ ἀνθρώποισιν ὀνείδεα καὶ ψόγος ἐστίν κλέπτειν μοιχεύειν τε καὶ ἀλλήλους ἀπατεύειν Fonte de B11 Sexto Empírico Contra os professores IX 193 Prado Anna L A de A Fragmentos de Xenófanes de Colofão in Os PréSocráticos org J Cavalcante de Souza São Pau lo Abril 1973 Tudo aos deuses atribuíram Homero e Hesíodo tudo quanto entre os homens merece repulsa e censura roubo adultério e fraude mútua bornheim Gerd Os Filósofos PréSocráticos São Paulo Cultrix 1991 Homero e Hesíodo atribuíram aos deuses tudo o que para os homens é opróbrio e vergonha roubo adultério e fraudes recíprocas 142 FILÓSOFOS ÉPICOS I loPeS Daniel R N Xenófanes de Cólofon Fragmentos São Paulo Olavobrás 2003 Aos deuses Homero e Hesíodo atribuíam tudo o que entre os homens é injusto e censurável Roubar cometer adultério e enganar uns aos outros vieira Trajano Xenofanias Campinas Ed Unicamp 2006 Furto adultério logro mútuo Homero Hesíodo munem o mundo dos numes do que o homem censura no seu homero hesíodo citam ad infinitum divinos feitos ilícitos furtos numes adúlteros logro recíproco Santoro Fernando Os Filósofos Épicos I Xenófanes e Parmênides Fragmentos Rio de Janeiro Hexis 2011 Homero como Hesíodo atribuíram aos deuses tudo quanto entre os homens é infâmia e vergonha roubar raptar e enganar mutuamente 143 JOIAS DA BIBLIOTECA NACIONAL O Poema de Parmênides traduzido por Gerardo Mello Mourão Gerardo Mello Mourão 19172007 poeta épico e lírico cearense per sonagem ímpar da história intelectual brasileira do séc XX autor de uma vasta obra poética entre os quais os Peãs e o País dos Mourões traduz Parmênides e com sua verve característica devolve ao poeta o entusiasmo de sua dicção filosófica O texto foi publicado em 1986 no Caderno Lilás do periódico da Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro Caderno RioArte Rio de Janeiro ano 2 n 5 1986 Parmenides O Poema Tradução de Gerardo Mello Mourão As éguas que me levam avançavam pelas lonjuras do coração Montado nelas pela estrada a cujas beiras a pa lavra dos deuses florescia atravessei as moradas dos homens pelos caminhos por onde viaja aquela que sabe ver E eram as raparigas que regiam as bri das das éguas ariscas atreladas ao meu carro estrada afora E o eixo que se esquenta ao girar cantava como uma flauta entre as rodas giran do quando as Filhas do Sol deixadas para trás as moradas da noite apressavam sua corrida para a luz afastando com as mãos os véus que lhes cobriam as ca beças Lá estão as portas que se abrem sobre os caminhos da Noite e do Dia enquadradas ao alto num dintel e re pousadas em baixo sobre um batente de pedra Elas bri lham no ar em toda a extensão de suas vastas molduras e é Dike a poderosa quem tem na mão suas chaves para abriIas e fechálas Com a carícia de suas doces palavras as Filhas do Sol encontraram a arte de abrandála E ela corre de um golpe o ferrolho solidamente cerrado As por tas voam deixando vazio o espaço das molduras Um depois do outro iamse encai xando os marcos guarnecidos de cobre com suas aldravas e suas dobra diças E eis que transpondo as portas diretamente pela estrada real as rapa rigas guiam os carros e os cavalos E a mim também me acolhe a doce Deusa To mou em suas mãos a minha mão direita E foi cantando que me dis se filho tu escoltado por cocheiros imortais tu que ao galope das éguas chegas à nossa morada salve Não não foi a Moira funesta que te trouxe por esta estra da distante dos homens e de seus caminhos mas Themis e Dike E agora é preciso que mer gulhes em to das as indagações Tanto da Ale theia1 que contempla tudo cujo coração não treme como das coisas caras aos mortais que não alcançam a Aletheia Olha bem o que ainda tens que apren der de que modo as coisas de aparên cias diversas são feitas para ser vistas ao mesmo tempo em que atravessam tudo e pene tram por toda parte 1 N do T O tradutor preferiu manter o termo grego Aletheia intraduzível Jean Beaufret na sua versão francesa traduziu por GrandOuvert Aletheia é a verdade fenomenológica da natureza 144 FILÓSOFOS ÉPICOS I Hás de ser o guardião da palavra escutada pois vou dizerte quais os caminhos os únicos em que hás de pensar em tua busca O primeiro dos caminhos mostra aquilo que é sem qual quer obstáculo para impedir o ser Confia neste caminho fiel à Aletheia Quanto ao outro para saber o que não é mesmo que ele tenha poder legítimo sobre o ser proibido por tal caminho advirto nenhum passo poderá ser se guro Pois está fora de teu poder saber o nãoser não ga nharás nada com isso nem que tua palavra o diga Na verdade pensar e ser é ao mes mo tempo a mesma coisa Mas o que é ao mesmo tempo au sente e presen te aprende a vêlo pelo pensamento com um olhar que nada possa desviar pois jamais o ser cor tará sua ligação com onãosermais tal como acontece ao que se dispersa em todos os sen tidos e ao que se junta para formar um todo Coerente é para mim a partida pois ela marca o lugar a que terei de voltar Seja então deixado a si mesmo como convém permaneça assim guar dado em pensamento sendoser e as sim se abra a clareira do ser pois sem essa abertura é o nada Eis o que te peço que aprendas antes de qualquer outra coi sa Que antes de tudo tua busca fi que apartada desse caminho e que to mes o outro em segui da ao longo dele é claro perdemse os mortais que nada sabem ver os bifrontes Na verdade é a inexperiência que leva o sentimento a perder se em divagações no coração Tão surdos como cegos levados de um lado para outro embara çados e perple xos sem discernimento cujo des tino tanto é dizer ser como nãoser e até mesmo ser e nãoser assim se perdem aqueles mortais Todos eles não avan çam nunca caminham para trás Não há força que consiga tornálos iguais o ser e o nãoser Melhor é afas tar teu pensamento desse caminho de busca E habituado à rica experiência não leves a essa contemplação um olho para não ver nada um ouvido cheio de ru mores uma língua mas deixando ser o que é aprende a pensar para ti a diferença em que se trava a profunda de que te fala minha palavra Um só caminho resta então aberto à palavra o caminho que ela nomeia é Sobre ele tantos sig nos se incorpo ram deixando claro que incon cebível o ser é também imperecível inteiro de uma só vez também inabalável e incessante Ele não era outrora não será nunca pois é agora inteiriço de um só talhe único Onde buscar sua geração Por onde e de onde teria po dido brotar Do nãoser E o que não te deixarei di zer nem pensar pois não se pode dizer nem se pode pensar que ele não é nem como Como e por que na verdade poderia aparecer mais ce do ou mais tarde surgindo do nada para desabrochar sua flor Ele preci sa ser plenamente ou não ser Nunca também o vigor de segurança al guma poderá conceder que nascido do nada outra coisa possa brotar ao lado dele senão ele mesmo por isso nem para nascer nem para pe recer por qual quer afrouxamento de seus laços terá a permissão de Dikê que ao contrário os mantêm A questão está assim di vidida é ou não é E assim dividida é preciso que a todo custo deixes um dos caminhos ao impensável e ao 145 JOIAS DA BIBLIOTECA NACIONAL inominável pois ele está fora de qual quer al cance O outro ao contrário está aberto E é o caminho verdadei ro Como então senão de pois disso desabrocharia o ser Como poderia ter nascido Pois se ele veio a ser então não é e não é também se um dia vier a ser Assim a gê nese está extinta e o declínio desapareceu Ele também não é divisível pois é igual em toda parte e nada pode jamais lhe acontecer rom pendo sua coesão para aumentálo ou diminuí lo eis que ele é em toda parte na plenitude do ser Assim tudo está nele pois o ser é para o ser do modo mais íntimo E imóvel também nos li mites de laços poderosos assim é sem princí pio nem fim pois dele estão banidos nascimento e destruição para longe dele rejeitados na segu rança real da Aletheia Permanecendo o mesmo no mesmo estado em si mesmo repousa fixo no mesmo lugar pois em seu vi gor a necessidade o mantém nos nexos de um limite que por todos os lados o cerca sem permitir jamais que ele es teja inacabado em verdade ele é sem haver coisa que lhe falte não sendo as sim tudo lhe faltaria O pensar e aquilo sobre que desa brocha o pen samento são uma e a mes ma coisa Pois fora do ser que é o lugar de sua revelação não acharás o pensar nada é com efeito nem será nem será outra coisa que não o ser e sua circuns tância pois a partilha que é sua o ligou à lei de uma integridade em repouso por isso mesmo desde que seja tudo será nome nele se fixaram os mortais para seus hábitos confiantes em que não há nada para lá do nome tanto nascer co mo perecer estar ou não estar lá deixar seu lu gar por um outro e brilhar aqui e ali com um brilho furtacor Mas se o limite é derradeiro por todos os lados é consumado apresen tando a volta de uma esfe ra perfeita a partir do centro em todos os senti dos identicamente radiante pois se fosse mais ou se fosse menos não poderia estar aqui ou es tar lá nada poderia im pedir sua igualha a si mesmo e o ser não pode ser aqui mais ser e ali me nos ser já que por todos os lados está prote gido Todo igual a si mesmo por todos os la dos ele encontrará também a igualdade de seus próprios limites E agora para ti ponho um ponto final à pala vra exata e ao saber que toca à Aletheia A par tir daqui aprende en tão aquilo que interessa aos mortais e fica atento à ordem das coisas que digo Elas estabeleceram claramente duas figuras para denominar o que ti nham em vista Uma delas tomada so litariamente é inad missível Ficariam todas soltas no ar Separan do em dois o caráter nem por isso criaram um an tagonismo mas criaram marcas que situavam uma ao lado da outra aqui o fogo etéreo da flama o fogo favorável o fogo leve em tudo igual a si mesmo sem nada de comum com o outro e ali face a face o outro reduzido a si mes mo a noite obtusa sem lições opaca e pe sada figura Uma conjunção assim desde que saudada com boasvindas é o que te anunciarei claramente para que nunca nunca mortal al gum leve vantagem sobre ti Mas já que tudo se há de chamar luz e noite es tes dois nomes responden do às respectivas signi ficações em que situam aqui e ali seus domínios tudo está ao mesmo tempo cheio de luz e de noite sem luz nas mesmas proporções se nada perturbar a uma delas Mas tu saberás o luminoso de sabrochar do éter tudo o que no éter oferece algum sinal a obra devoradora do fulgurante sol puro facho e do qual tudo provém aprenderás também os efei tos e a circulação da lua de redon do olho e co mo ela se formou Saberás ainda o céu que tudo sustenta em seu contorno de onde ele nasceu e como a precisão que o dirige fixou limites ao curso dos astros como a terra e o sol e a lua e o éter universal do céu e a celeste via láctea e o Olimpo mais recua do e a ardente força dos astros se projetaram nos rumos de sua origem Os mais sólidos anéis estão cheios de mero fogo outros em segui da estão cheios de noite mas entre os dois penetra um trecho de flama No meio a divindade que governa tudo pois é por toda parte que ela é a origem do parto pelo Esti ge e do coito levando a fêmea a unirse ao ma cho e o macho por sua vez a unirse à fêmea Eros o primeiro de todos os deuses foi sonha do antes de todos Estranha luz enluara a noite em torno da terra errante olhar inquieto voltado para os raios do sol Com a resposta exata à confusão dos membros ordenados na desordem é assim que o senti mento está entre os homens O Mesmo em ver dade ele que lhes permite entre todos o dom do pensamento é sua eclosão física tanto entre todos como a propósito de tudo tal eclosão é propriamente o pen samento em sua plenitude à direita os rapazes à esquerda as raparigas Quando o macho e a fêmea mis turam juntos a semente de Vênus a força incorporada de san gues opostos cria corpos bem moldados se é boa a têmpera Se nascidos de sementes mistura das porém as forças entram em luta e recusamse a unirse no corpo surgido da mistu ra e por sua origem diversa prejudicarão o sexo da criatura É assim que sem paradoxo nas ceram as coisas as que são agora para a partir de então se enca minhar até seu destino depois de haver cresci do para elas todavia os homens fixaram no mes que separadamente as nomeiam cada uma com seu nome RecifeBeloHorizonteLondresDublin 1985 ÍNDICE ONOMÁSTICO Autores antigos Aécio 40 42 108109 120 121 n 87 129 132 137 Alcméon 111 n 68 Alexandre Pseudo 102 Alexandre de Afrodisia 114 114 n 78 e n 79 115 n 80 e n 81 129 Amônio 102 129 131 134 Anaxágoras 119 121 n 87 Anaximandro 9 Anaxímenes 40 Apolônio de Rodes 123 n 89 129 Aquiles Tácio 40 130 Aristófanes 32 3435 47 6364 70 89 n 27 132 Aristóteles 2 12 n 11 38 40 567 40 5657 6162 71 73 85 n 18 99 n 53 102103 110111 114 114 n 78 e n 79 115 n 80 e n 81 129134 136137 Armênidas 119 123 n 89 e n 92 Arquíloco 63 Asclépio 102103 114 114 n 78 114 n 79 115 n 80 e n 81 130131 Ateneu 12 20 22 24 36 131 Basílio de Cesareia 112113 131132 Bessarion 58 Boécio 103 131 Célio Aureliano 117 131 Cícero 15 n 13 108109 111 n 70 Clemente de Alexandria 14 3031 31 n 15 38 84 84 n 13 85 n 17 86 86 n 19 e n 20 88 88 n 24 89 n 27 92 n 40 93 n 42 102 104 105 105 n 56 131 Damásio 102 104 132 Demócrito 57 Diógenes Laércio 9 n 6 14 2627 32 50 55 n 1 75 75 n 17 84 84 n 13 85 n 17 92 n 38 93 n 41 102 132 Dionísio Periegeta 46 137 Élio Herodiano 28 44 46 50 132 Empédocles 24 11 57 79 n 2 88 109 n 67 119 121 n 86 123 n 93 Epicuro VI VI n 1 Epimênides 35 n 20 Ésquilo 62 Estobeu 32 103 110 122 123 n 93 129 132 Euclides 135 Eudemo 33 133 Filocoro 29 Galeno 116117 117 n 84 133 Gélio 28 133 Górgias 108 Heráclito Estoico 42 133 Heráclito VII 62 89 n 25 Heródoto 2425 25 n 4 28 33 Hesíodo 3 9 11 15 29 55 66 70 72 117 n 54 111 141142 Hesychios 32 Hipócrates 133 Hipólito 120121 121 n 86 Homero 3 5 9 11 15 29 34 42 5556 n 3 62 63 132 133 141 142 Jâmblico 133134 Leucipo 57 Melisso 57 60 99 n 52 Moerbecke G de 58 Olimpiodoro 102 134 Orfeu 86 Parmênides 24 4 n 2 e n 3 9 11 13 15 53ss 5559 55 n 2 56 n 3 57 n 4 e n 5 59 n 7 61 62 6465 67 7071 7374 74 n 16 79 n 3 e n 4 81 n 8 e n 9 84 85 n 18 88 92 n 40 95 n 46 101 n 54 e n 55 103 105 105 n 56 107 107 n 57 e n 58 109 109 n 67 111 111 n 71 113 113 n 74 n 75 e n 76 117 117 n 84 119 121 121 n 86 e n 87 122 123 123 n 88 n 89 e n 92 124 130 134135 142143 Pitágoras VII 27 27 n 6 Platão 3 9 1213 15 55 57 60 63 64 71 98 102103 110 119 122 123 130 133135 Plotino 88 88 n 24 95 n 46 102 n 25 129 134 Plutarco Pseudo 92 n 40 93 n 42 102 121 n 87 129 135 Plutarco 12 44 84 84 n 14 85 n 16 e n 17 8687 92 n 40 93 n 42 102 110113 111 n 71 e n 72 113 n 74 121 n 87 129 134135 Pollux 2425 25 n 4 46 135 Porfírio 4041 131 Proclo 84 84 n 13 85 n 16 88 88 n 23 89 n 25 92 n 40 93 n 42 102104 135 Sexto Empírico 2829 38 44 57 60 61 71 79 n 3 84 102 110 135 141 Simônides 35 Simplício 38 40 5758 58 n 6 61 7173 84 84 n 13 n 14 e n 15 85 n 16 n 17 e n 18 88 90 90 n 30 91 n 34 92 n 39 e n 40 93 n 42 e n 43 94 n 44 e n 45 98 n 50 e n 51 99 n 52 101 n 54 102103 106107 107 n 59 108109 109 n 65 e n 67 110 110 n 69 111 111 n 70 116 117 117 n 85 130 133 136 Sócrates 1 15 17 6364 63 n 9 70 134 Sófocles 67 Sorano de Éfeso 117 131 136 Suetônio 122 123 n 90 e n 92 136 Tales 33 Teodoreto 98 n 51 102104 129 136 Teofrasto 3 57 114 114 n 78 e n 79 115 n 15 e n 85 137 Timão 47 Tzetzés 46 Xenófanes VII 26 7ss 917 9 n 6 10 n 9 21 n 2 25 27 27 n 6 29 29 n 7 31 33 35 37 41 43 45 n 32 47 51 55 141142 Xenofonte 12 51 Zenão 15 n 14 57 134 Autores modernos Aldo Manucio XI 58 90 n 29 31 e 32 91 n 36 94 n 44 Aubenque P 57 n 4 95 n 46 Barnes J 97 n 49 Bergk 20 80 n 7 90 n 30 96 n 47 Bernhardy 46 137 Bollack J VI VI n 1 60 Bornheim G 141 Brandis C A 58 59 n 7 71 90 n 28 Bywater I 88 n 23 Casertano G 4 n 3 Cassin B 5 n 5 55 n 2 59 88 97 n 49 105 n 56 Cerri G 93 n 42 Cordero N L 4 5859 61 78 n 1 79 n 3 90 n 28 n 31 e n 33 91 n 35 96 n 47 Couloubaritsis L 59 105 n 56 Cousin 88 n 24 135 Coxon A H 5 56 n 3 59 97 n 49 Cummings E E 89 n 27 Davies J 108 Diels H XI 1 910 1314 16 20 n 1 30 n 9 e n 12 31 n 13 e n 15 42 n 28 51 5859 59 n 7 6061 72 79 n 3 88 90 n 28 n 31 e n 32 91 n 34 n 35 e n 36 93 n 42 94 n 44 e n 45 96 n 47 108 n 60 e n 61 121 n 86 e n 87 123 n 89 n 92 e n 93 124 129130 135137 Drabkin I E 116117 131 136 Edmonds J 42 n 28 43 n 30 Estienne H Stephanus 1 58 114 n 78 Frère J 59 95 n 46 97 n 49 Fülleborn G G 59 n 7 Guarracino V 14 Heidegger M 83 n 10 Heindorf L E 108 Hermann G 51 Herwerden H 30 n 11 31 n 14 Hölscher 97 Jurnée G 61 Kaibel G 20 22 24 131 154 Karsten S 58 59 n 7 80 n 5 90 n 28 91 n 34 94 n 44 e n 45 95 n 46 105 Kranz W XI 1 10 58 59 59 n 7 60 94 n 45 124 Kratochvíl Z 10 Kühn K G 116 117 133 Laks A 60 Lesher J H 10 43 n 30 Lisbonnense L A de A VII Lopes D R N 142 Ludwich A 42 Maass E 40 130 Mansfeld J 10 13 Marques M P 107 Miller E 122 136 Mourão G M VII 143 Mourelatos 101 n 55 129 n 74 e n 77 Mullach F W A 1 5859 59 n 7 108 n 60 109 n 66 Musurus M 20 n 1 Mutschmann 78 79 n 3 135 Nachmanson E 50 Nicole J 42 n 28 Nietzsche 1 74 OBrien D 59 86 n 19 95 n 46 96 n 47 97 n 49 108 n 60 109 n 66 Popper K 4 n 2 Prado Anna L de A 10 10 n 9 141 Primavesi O 88 Ramnoux C 85 101 n 54 Reale G60 74 n 16 85 n 18 Reinhardt K 95 n 46 Rossetti L 31 n 14 Ruggiu L 74 85 n 18 Sanesi R 14 Santoro F 81 n 9 142 Scaliger J J 58 71 80 n 6 86 n 19 112 n 73 116 n 82 Schleiermacher VI Sider W 108 n 60 109 n 66 Spengel L 33 Stein H 59 n 7 94 n 45 Stephanus ver Estienne H Sylburg F 30 n 10 86 n 20 Taillardat J 119 122 123 n 92 136 Torrano J 66 n 11 Vieira Antônio VII Vieira Trajano 10 10 n 8 142 Wachsmuth C 32 122 123 n 93 132 Weil H 42 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Edições críticas brandiS Christian Auguste Commentation Eleaticarum Altona 1813 Cordero NéstorLuis Les deux chemins de Parménide Paris Vrin 1984 2ed 1997 Coxon a h The Fragments of Parmenides Las Vegas Parmenides 22009 dielS H Kranz W Die Fragmente der Vorsokratiker Zürich Weidmann 6ª ed 1951 2004 DK Poetarum Philosophorum Fragmenta Berlim 1901 Parmenides Lehrgedicht Berlim 1897 Doxographi Graeci Berlin 1879 reimp Berlim Weidmann ed Eijk Ph J van der 1999 FairbanKS Arthur The First Philosophers of Greece New York 1898 Fülleborn Georg Gustav Beyträge zur Geschichte der Philosophie VI Züllichau und Freistadt 1795 Gentili Bruno Prato Carlo Poetarum Elegiacorum Testimonia et Fragmenta Leipzig 1988 KarSten Simon Philosophorum graecorum veterum 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BIBLIOTECA CLÁSSICA FILÓSOFOS ÉPICOS I PARMÊNIDES E XENÓFANES fragmentos Edição do texto grego revisão e comentários Fernando Santoro Revisão Científica Néstor Cordero Rio de Janeiro 2011 Fundação Biblioteca Nacional EXPEDIENTE Biblioteca Clássica Filósofos Épicos I Parmênides e Xenófanes Fragmentos Edição do texto grego tradução e notas Fernando Santoro Revisão Científica néStor Cordero Chefia na Edição do livro Guilherme CeleStino Assistência na Edição e Tradução eraCi de oliveira luan reboredo Revisão de Língua Portuguesa luiza miriam ribeiro martinS Revisão de Língua Grega ClariSSa marChelli Projeto Gráfico Samuel tavareS Guilherme CeleStino Capa maria Fernanda moreira ali CeleStino REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Presidenta da República dilma vana rouSSeFF Ministra da Cultura ana de hollanda FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL Presidente Galeno amorim Diretoria Executiva Célia Portella Coodenação Geral de Pesquisa e Editoração oSCar m C GonçalveS Hexis é um selo editorial da Ali Comunicação e Marketing Av Presidente Vargas 5901003 Rio de Janeiro RJ CEP 20071000 wwwalicomunicacaocombr comercialalicomunicacaocombr P265f v1 Parmênides Xenófanes Filósofos épicos I Parmênides e Xenófanes fragmentos edição do texto grego tradução e comentários Fernando Santoro revisão cientifica Néstor Cordero Rio de Janeiro Hexis Fundação Biblioteca Nacional 2011 184p Biblioteca clássica v1 Texto bilíngue português e grego Inclui bibliografia ISBN 9788562987052 1 Parmênides 2 Xenófanes ca 570ca 478 aC 3 Filosofia antiga 4 Poesia grega I Xenófanes ca 570ca 478 aC II Santoro Fernando 1968 III Cordero NéstorLuis IV Biblio teca Nacional Brasil V Título VI Título Parmênides e Xenó fanes fragmentos VII Série 111348 CDD 1823 CDU 138 110311 140311 025006 CIPBRASIL CATALOGAÇÃO NA FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVRO RJ COMISSÃO EDITORIAL Fernando Muniz UFF Fernando Santoro UFRJ Henrique Cairus UFRJ Izabela Bocayuva UERJ Luis Felipe Belintani UFF CONSELHO CONSULTIVO Marcos Martinho USP Breno B Sebastiani USP Gabriele Cornelli UNB Emmanuel Carneiro Leão UFRJ Márcia Cavalcante Schuback Södertörns Högskola Néstor Cordero U de Rennes Pierre Chiron U de Paris XII Helène CasanovaRobin U de Paris IV Bárbara Cassin CNRS David Konstan U of Brown Livio Rossetti U di Peruggia Giovanni Casertano U di Napoli Volumes Este volume Filósofos Épicos I Parmênides e Xenófanes fragmentos Editor do texto grego Fernando Santoro Tradutor Fernando Santoro Revisor Néstor Cordero Introduções comentários e notas Fernando Santoro Próximos volumes Filósofos Épicos II Parmênides e Xenófanes testemunhos de vida e doutrina Filósofos Épicos III Empédocles fragmentos Filósofos Épicos IV Empédocles testemunhos de vida e doutrina BIBLIOTECA CLÁSSICA OBJETIVOS GERAIS A BIBLIOTECA CLÁSSICA é um programa editorial para publicação das obras clássicas da filosofia e da literatura antiga O objetivo é reunir em língua portuguesa um acervo de edições bilíngues com aparato de notas e comentários se gundo o 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consultadas As notas ao texto grego devem ser ao mesmo tempo sucintas e claras Indicase sempre a proveniência das variantes de fontes e edições críti cas A pontuação moderna é uma escolha do editor É repertoriada a lista completa de fontes e suas edi ções segundo as edições críticas consultadas Quando edi ções das fontes são diretamente tratadas constam na biblio grafia Em geral as referências a manuscritos das fontes são indiretas segundo as edições críticas estas serão creditadas quando divergentes VI FILÓSOFOS ÉPICOS I O texto grego pode seguir igualmente uma edição críti ca previamente estabelecida que esteja em domínio público ou cujos direitos sejam cedidos Nestes casos a autoria deve ser explicitamente creditada a quem estabeleceu o texto Para facilitar o cotejo da tradução o texto grego segue na página esquerda A tradução Em toda tradução o ponto de partida está em explicitar o sentido do texto Mas quando se percorre as tão diversas traduções já editadas em português em francês em alemão em espanhol em inglês percebese que já desde os manus critos há séculos diversas manipulações correções inver sões amputações intervenções bem ou mal fundamentadas da parte dos copistas dos editores dos tradutores preceden tes alguns eméritos helenistas foram exercidas sobre o texto inicial chegando às vezes a lhe tolher qualquer sentido1 O que Bollack diz acima a respeito de sua tradução dos manuscritos de Epicuro vale igualmente ou ainda mais para nossas traduções dos clássicos É preciso escolher a lição com a vista calcada no sentido integral de cada obra segundo o princípio bem assentado da arte da hermenêutica expresso por Schleiermacher mas para escolher entre tantos sentidos integrais possíveis e bem justificados apontamos outro princí pio defendido pela escola filológica de Lille dar preferência às lições dos manuscritos ante tantas sugestões de correção que se amontoam desde a antiguidade clássica Contudo também os manuscritos de que dispomos são provenientes de fontes indiretas e sabese que na transmissão helenista não há muito pudor em intervir no texto citado e tal intervenção raramente é assinalada Assim muitas vezes há mais de uma variante de interesse para a compreensão integral das obras nestes casos se seguem os manuscritos mais fiáveis os que apresentam tre chos maiores os mais antigos os melhor conservados mas se assinalam as variantes e correções alternativas Correções aos manuscritos devem ser assinaladas e creditadas ao seu autor As Joias da Biblioteca Nacional O Projeto de editar os clássicos abrindo com os filó sofos épicos inclui também o destaque de sua recepção em 1 Jean BOLLACK Comentário sobre sua tradução dos textos de Epicuro disponível em httpwwwgreekphilosophycom VII BIBLIOTECA CLÁSSICA língua portuguesa inclusive com a edição ou reedição de obras de significado especial para esta língua Tais obras são o que denominamos as Joias da Biblioteca incluem desde manus critos nunca antes editados do acervo da FBN como a tradução dos Versos de Ouro de Pitágoras por Luiz Antonio de Azevedo Lis bonnense do séc XVIII Manuscrito Ref I 1401044 FBN textos editados em diversos contextos tal como tradução do Poema de Parmênides por Gerardo Mello Mourão publicada em uma revista da prefeitura do Rio de Janeiro em 1986 ou As lágrimas de Heráclito de Antônio Vieira Ref VI308129 do séc XVII que recebeu recente publicação bilíngue Para tanto as seções de manuscritos e de obras raras bem como a de periódi cos da FBN estão sendo pesquisadas em busca desses peque nos tesouros ocultos ou esquecidos Para cada volume eventualmente para cada autor pro duziremos um apêndice com um texto ou seleção de textos significativos para a literatura e a recepção da obra em língua portuguesa No caso de serem textos inéditos publicaremos o texto completo no caso de já terem sido publicados em con texto diferenciado selecionaremos partes significativas ou fa remos seleções comparativas por ex as seis ou mais tradu ções brasileiras do frag DK B11 das Sátiras de Xenófanes CONSELHO EDITORIAL Os Títulos da coleção devem ser indicados por algum membro do Conselho Editorial composto pelos membros da Comissão Editorial e do Conselho Consultivo e aceitos pela maioria simples da Comissão Editorial da Coleção BIBLIO TECA CLÁSSICA a qual pode solicitar pareceres de mem bros do Conselho Consultivo Os membros do Conselho Editorial são permanentes podendo sair por vontade própria Somente em caso de saída de um membro da Comissão Editorial pode ser indicado novo membro aceito por unanimidade da Comissão para que esta mantenha o número de cinco membros Pode ser indicado novo membro para a Comissão Consultiva aceito por unani midade da Comissão Editorial A Comissão Editorial deve zelar pelo cumprimento das regras da coleção e encaminhar às editoras associadas os ma nuscritos aprovados de preferência com parecer científico anexado e revisão por autoridade científica no assunto Nor mas editoriais disponíveis em wwwpecufrjbr VIII FILÓSOFOS ÉPICOS I AGRADECIMENTOS Gostaria de agradecer a todos que contribuíram para a realização deste estudo a começar por Marcelo Pimenta Marques cuja leitura atenta de minha tese de doutorado em 1998 abriume o acesso para temas e autores fundamentais nos estudos de Parmênides Nunca poderei expressar também toda a gratidão que tenho pelo Professor Emmanuel Carneiro Leão a quem devo a iniciação e formação em filosofia e língua gregas À Professora Barbara Cassin devo muitas das lições de cuidado e amor aos textos formadoras do que entendo hoje por rigor perspicácia e honestidade filológicos para com a filosofia Agradeço com entusiasmo a todos os amigos que discu tiram comigo as decisões de edição e tradução ao longo dos últimos cinco anos Devo um agradecimento especial aos que me transmitiram seus apontamentos precisos e úteis como Jean Bollack Lambros Couloubaritsis Giovanni Casertano Chiara Robbiano José Gabriel Trindade Lívio Rossetti Ta tiana Ribeiro Henrique Cairus Gerard Journée Leopoldo Iri barren Lucia Saudelli e Aude Engel Agradeço especialmente a todos os participantes do Se minário de 20102011 sobre os présocráticos gregoslatinos do centro Léon Robin e particularmente seus condutores André Laks e Carlos Levy sem dúvida me alargaram a visão sobretudo quanto aos efeitos no texto da sua transmissão e recepção Um agradecimento especial a Néstor Cordero que além de abrirme as portas para o mundo eleata aceitou a faina de ser o revisor oficial deste volume Também devo agradecer aos meus orientandos e ex orientandos que suportaram alguns anos de discussões e experiências nas aulas de graduação e pósgraduação e nas jornadas de tradução do Laboratório OUSIA de Estudos em Filosofia Clássica alguns me ajudaram diretamente no pre sente trabalho Carlos Lemos Felipe Gonçalves Daniel Ru bião Rafael Barbosa Carolina Torres Suzana Piscitello Eraci de Oliveira Luan Reboredo Guilherme Celestino IX BIBLIOTECA CLÁSSICA Agradeço de coração ao Tunga e ao Embaixador Gonça lo Mourão a autorização para republicar na seção das Joias a épica tradução do Poema de Parmênides realizada por seu pai Gerardo Mello Mourão Por fim agradeço às agências brasileiras de fomento sem as quais tudo isso não seria alcançado à Fundação Bi blioteca Nacional pela bolsa de pesquisa 20072009 sobre Os Filósofos Poetas e seu apoio à publicação deste primei ro volume da Coleção Biblioteca Clássica à Fundação Capes pela bolsa de pesquisa 20102011 e suporte institucional acordo CapesCofecub para o projeto de pesquisa sobre As origens da linguagem filosófica estratégias retóricas e poéti cas da sabedoria antiga e à Faperj pelo apoio à formação do Polo de Estudos Clássicos do Rio de Janeiro X FILÓSOFOS ÉPICOS I ABREVIATURAS USUAIS abl ablativo abrev abreviatura abreviado ac acusativo app apêndice cap capítulo com comentário cf confrontar conferir dat dativo dC depois de Cristo ed editor editores edição editora ex exemplo f feminino na forma feminina FBN Fundação Biblioteca Nacional fr fragmento fragmentos g grama gen genitivo introd introdução loc locativo m masculino na forma masculina n nascido em nota notas nom nominativo Ol Olimpíada org organizador organizadores p página páginas pl plural pub publicado em ref referência reimpr reimpressão rev revisão de revisado por sc a saber séc séculos ser série séries sg singular suppl Suplemento sv termo substantivo trad tradução traduzido por v volume volumes verso no verso voc vocativo vv versos nos versos XI BIBLIOTECA CLÁSSICA SIGLAS E ABREVIATURAS NESTE VOLUME Ald Aldo Manucio editor da primeira tentativa de estabelecimento do texto de Parmênides Veneza 1526 chamada edição Aldina CAG Commentaria in Aristotelem Graeca DK Diels H Kranz W Die Fragmente der Vorsokratiker 61951 2004 DK A seção de doxografias vida e doutrina DK B seção dos fragmentos E L N F etc manuscritos E L N F etc discriminados na seção FONTES DOS FRAGMENTOS E SUAS EDIÇÕES libri códices manuscritos mss manuscritos reed reeditado Sext Sexto Empírico Somente no texto grego e na tradução palavra entre colchetes significa presença nos manuscritos posta em suspeição pelos editores Palavra interposta pelos editores ou pelo tradutor O AZUL DO AR VINDO VOLTA ANTES QUE O VENTO MUDE TEMPO AL GUÉM TÃO LEVE NÃO VEIO PARA MIM APENAS VEIO PARA TODOS OS SONS PARA OS CRISTAIS PARA AS RUÍNAS AQUELE QUE SE AFE RRA AO VENTO SE PERDE SUMÁRIO BIBLIOTECA CLÁSSICA V AGRADECIMENTOS VIII ABREVIATURAS USUAIS X SIGLAS E ABREVIATURAS NESTE VOLUME XI PREFÁCIO 1 Os filósofos poetas 1 A determinação como physikói e physiólogoi 2 A discussão acerca do método 3 Cosmologia teologia e outras ciências 3 A forma épica 4 XENÓFANES DE COLOFÃO 7 INTRODUÇÃO AOS FRAGMENTOS 9 Vida de Xenófanes 9 Edição do texto grego e tradução 9 Os gêneros e seus metros 10 O verso épico 11 As Elegias 11 As Sátiras sílloi 11 Os temas filosóficos 12 FRAGMENTOS 19 Elegias21 Sátiras 29 Paródias 37 Da Natureza 39 FRAGMENTOS DUVIDOSOS 49 PARMÊNIDES DE ELÉIA 53 INTRODUÇÃO AOS FRAGMENTOS DO POEMA DE PARMÊNIDES 55 Vida de Parmênides 55 A reconstituição arqueológica 57 Edição do texto grego 59 Nossa tradução 60 Os deusesconceito 62 Os nomes dos deuses 65 O Poema e suas partes 71 FRAGMENTOS 77 Da Natureza 79 Proêmio 79 Programa 1 85 Programa 2 87 Os Caminhos 1 89 Os Caminhos 2 89 Os Caminhos 3 91 O Caminho do que é 93 O Caminho das Opiniões 1 101 O Caminho das Opiniões 2 105 O Caminho das Opiniões 3 107 Cosmos 1 107 Cosmos 2 109 Cosmos 3 111 Cosmos 4 113 Cosmos 5 113 Cosmos 6 115 Cosmos 7 117 Cosmos 8 117 Cosmos 9 117 FRAGMENTOS DUVIDOSOS 119 TÁBUA DE CONCORDÂNCIA 124 FONTES DOS FRAGMENTOS E SUAS EDIÇÕES 127 JOIAS DA BIBLIOTECA NACIONAL 139 ÍNDICE ONOMÁSTICO 147 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 151 PÁGINAS 59 E 60 DE MARINHAGEM POESIA REUNIDA MARCELINO FREIRE NOVA FRONTEIRA 2006 para Antônio PREFÁCIO Os filósofos poetas A filosofia surge na Grécia em meio a um fecundo diá logo e uma calorosa disputa entre valores e formas de conhe cimento Diálogo e disputa que são entretidos com as formas tradicionais de educar e conhecer sobretudo a poesia épica mas também a poesia lírica a órfica a trágica as tradições oraculares e outras formas de expressão e de linguagem Os primeiros filósofos nascem diretamente destas tradições dis cursivas e muitas vezes mantêm elementos formais e tam bém conteúdos similares a esta origem ao mesmo tempo em que frequentemente assumem uma posição de distancia mento e confronto face às mesmas Uma longa tradição que já vem desde os comentadores alexandrinos passando pela edição de Stephanus da Poiesis Philosophica 1573 até a grande compilação de filósofos ar caicos de Friedrich Wilhelm August Mullach Fragmenta Philo sophorum Graecorum 1860 seguida da coletânea de Hermann Diels Poetarum Philosophorum Fragmenta 1901 vinculou for temente os primeiros filósofos a suas origens poéticas tan to que os denominava Poetas Filósofos Esta denominação tinha em geral porém uma conotação pejorativa de viés positivista tratavamse ainda de protofilósofos pensadores que falavam por meio de alegorias porque não teriam ainda desenvolvido a linguagem madura da filosofia e da ciência Somente com a obra maior de Hermann Diels Die Fragmente der Vorsokratiker a partir do início do séc XX com contínuas revisões feitas por ele e Walter Kranz até 1952 estes filóso fos passaram a ser denominados canonicamente como filó sofos présocráticos Contudo o tom de classificálos como aspirantes à filosofia não se alterou visto que ser anterior a Sócrates ainda é visto como anterior ao paradigma clássico da filosofia Mas ressoa ainda por todo o séc XX a relação que Nietzsche lhes imprimiu com a poesia trágica desfazendo o preconceito positivista que vê a ciência como uma supera ção dos mitos e da poesia De fato a filosofia dos primeiros filósofos faz parte de uma grande transformação criativa da 2 FILÓSOFOS ÉPICOS I linguagem da cultura das instituições que se interpenetram e influenciam A filosofia não supera a poesia mas concorre entre as diversas formas de pensamento e expressão para o diverso desempenho criador do conhecimento da cultura e da civilização A relação da filosofia com a poesia na Magna Grécia dos séc VI e V aC não é somente uma relação exterior de recíproca influência e de empréstimos de recursos expressi vos ou formatos discursivos Com efeito a filosofia surge ori ginalmente como um gênero de poesia sapiencial e merece ser pensada neste limiar em que confluem literatura retórica pensamento e conhecimento Com os filósofos épicos explo ramos as potencialidades criativas deste limiar a partir da ecdótica dos textos gregos e das traduções abrindo caminho para uma análise discursiva de suas formas originais de ex pressão e principalmente para a discussão filosófica dos seus conteúdos e temas Chamamos de épicos filósofos como Xenófanes Par mênides e Empédocles Filósofos que compuseram entre suas obras poemastratados sobre a natureza perì phýseos São épicos segundo uma abordagem que diz respeito ao esta tuto das formas e conteúdos da filosofia em seus primórdios face aos demais discursos sapienciais e formas de expressão coetâneos particularmente os poemas de tradição homérica Destaquemos quatro aspectos dos Filósofos Épicos es boçados aqui cada um em separado como um programa de investigação Cada um delimita um conjunto que aproxima de seus textos outros textos de formas afins dentro do campo da literatura sapiencial grega criando zonas de fronteira que se cruzam sem se sobrepor A determinação como physikói e physiólogoi Aristóteles no primeiro livro da Metafísica 982a no meia os seus predecessores estes que trataram dos primeiros princípios e causas simplesmente de sophói ou philóso phoi diferenciandoos dos poetas que ele chama também de theólogoi No primeiro livro de sua Física Aristóteles ocupa se de discutir as principais teses ontológicas dos eleatas para estabelecer o seu próprio conceito de phýsis natureza como princípio de movimento Assim o Estagirita estabelece a perspectiva para abordar Xenófanes e Parmênides como filó sofos que tratam da natureza O título que seus tratados irão posteriormente receber Acerca da Natureza Perì Phýseos 3 PREFÁCIO devese a esta perspectiva a qual também vai dirigir a obra que por muito tempo foi o lugar de divulgação destes trata dos a compilação empreendida por Teofrasto das opiniões dos filósofos da natureza Physikôn Dóxai O problema aqui pode abrirse por várias portas uma primeira é em que me dida a abordagem do tema dos princípios como um problema que diz respeito à phýsis é um marco de origem da filosofia outra é acerca da determinação do próprio sentido de nature za e sua dependência da perspectiva aristotélica A discussão acerca do método Xenófanes particularmente no fragmento DK 21 B 34 e Parmênides na primeira parte do poema os fragmentos DK 28 B1 até B6 pelo menos têm como objeto de reflexão o próprio conhecimento seus caminhos desvios e limitações Assim seus tratados acerca da natureza englobam também o que poderíamos considerar como discussões preliminares metodológicas acerca do estatuto da verdade e das opiniões Talvez essa seja uma das principais características da nascen te filosofia não apenas buscar a expressão de verdades mas refletir sobre a própria condição da verdade Isso os diferen cia dos discursos sapienciais tradicionais tais como na poe sia épica de Hesíodo e Homero mesmo quando esta versa a respeito de sua inspiração pelas musas A reflexão sobre o estatuto do conhecimento diferenciaos também dos con textos rituais de revelação e interpretação tal como os orá culos Por outro lado Parmênides e Xenófanes não opõem ao verdadeiro o falso mas as opiniões Isso aponta para uma diferença em relação às compreensões clássicas de verdade como adequação que se vão consolidar em Platão e princi palmente na discussão aristotélica sobre o discurso apofânti co declarativo demonstrativo Com relação ao estatuto do conhecimento Xenófanes Parmênides e Empédocles estão na fronteira de um mundo em transformação e conservam de modo rico e refletido elementos das experiências tradicionais de inspiração e revelação ao mesmo tempo em que apresen tam um ímpeto de investigação da natureza e um cuidado de explicação dos fenômenos que já os projeta como homens de ciência e filosofia Cosmologia teologia e outras ciências Os tratados acerca da natureza de Xenófanes e Par mênides expõem uma visão do cosmos com aspectos as 4 FILÓSOFOS ÉPICOS I tronômicos geográficos biológicos etc de particular in teresse para a história das ciências e para uma reflexão epistemológica em geral2 A compreensão desta visão do cosmos é também decisiva para a reflexão sobre o sentido da chamada segunda parte do Poema de Parmênides e para a consideração do estatuto do conhecimento humano e das opiniões dos mortais3 Neste contexto também é significativo o problema do estatuto ontológico dos deuses seu lugar na cosmovisão dos poetas filósofos e a crítica a como os homens os compreendem e se relacionam com eles que aparece não apenas nos fragmentos dos tratados acerca da natureza dos présocráticos em geral mas tam bém particularmente nos fragmentos satíricos Sílloi de Xenófanes Convivem mas não sem conflitos discursos te ogônicos e cosmogônicos Ao mesmo tempo em que pode mos vislumbrar catálogos de deuses encontramos a crítica às concepções teológicas tradicionais sobretudo quanto ao seu antropomorfismo Esta crítica está no coração das con siderações sobre a opinião a nomeação o engano e tudo o que se pode enquadrar dentro da perspectiva de uma ex periência humana repleta de limitações Neste sentido os textos também são potencialmente ricos de uma antropo logia filosófica A forma épica Entre os diversos filósofos conhecidos que escreveram tratados acerca da natureza alguns usaram em seus tratados a forma épica da versificação em hexâmetros dactílicos4 entre os quais Xenófanes Parmênides e Empédocles Não se trata de uma simples continuação da tradição de poesia sapiencial homérica A filosofia já havia experimentado a prosa nos tra tados acerca da natureza em sua origem jônica Xenófanes de Colofão provém diretamente dessa tradição naturalista jônica mas era também um rapsodo que recitava tanto poemas seus quanto do repertório homérico o qual também interpretava e criticava E Parmênides apesar de apresentar um tratado que dialoga e polemiza com as recentes filosofias jônicas parece que decide muito propositalmente pela forma tradicional do verso homérico 2 Cf PoPPer Karl The world of Parmenides Essays on the Presocratic Enlightenment 1998 3 Cf CaSertano Giovanni Parmenide il metodo la scienza lesperienza 1989 4 Cf p 10 Os Gêneros e Seus Metros 5 PREFÁCIO Portanto o uso do verso é uma escolha deliberada e não uma inerte continuação da tradição As referências a Homero também se faz em alusões a expressões e a episódios da épi ca quer dizer também aos conteúdos narrados nos poemas5 Por outro lado há uma forte crítica acerca desses conteúdos sobretudo no que se refere aos discursos acerca dos deuses O problema está em como justificar a escolha do verso Por que escrever filosofia em poemas metrificados como os de Homero O mesmo Homero que muitas vezes é o modelo de valores e de conteúdos a criticar Talvez seja justamente para concorrer pelo mesmo público e pela mesma função de educador dos homens civilizados Talvez mais do que nos conteúdos se deva investigar o efeito pretendido por tais filósofos com suas obras poéticas Um efeito que se queria produzir por meio de uma performance típica para um lar go auditório Afinal uma récita pública segundo a tradição dos rapsodos declamadores de cantos homéricos como Xe nófanes devia surtir um efeito bem mais amplo do que uma leitura de estudo privado Não se pode esquecer tampouco a função mnemônica do hexâmetro a memória é a base da conservação e da transmissão sapiencial para uma civilização que ainda está em processo de alfabetização Não é por acaso que nas teogonias Memória seja esposa do governante Zeus e mãe das Musas inspiradoras O hexâmetro dactílico é escolhido pelos filósofos épicos quando tratam da natureza mas entre estes filósofos poetas incluímos também Xenófanes que faz poesia sapiencial tam bém com outros metros As sátiras sílloi incluem uma refle xão sobre os limites e métodos do conhecimento que não se deve excluir do gênero de poesia sapiencial e mesmo as ele gias de Xenófanes contêm prescrições e reflexões de ordem ética e política 5 Cf CaSSin Barbara 1998 pp 4864 e a referência aos versos épicos em Coxon a h 22009 XENÓFANES DE COLOFÃO INTRODUÇÃO AOS FRAGMENTOS DOS POEMAS DE XENÓFANES Vida de Xenófanes Xenófanes nasceu na cidade de Colofão na Jônia em torno de 570 aC Foi contemporâneo de Anaximandro respi rou os ares dos filósofos naturalistas da região e sobretudo seu pendor pela agonística em torno dos princípios Com a invasão dos Persas fugido ou banido migrou em direção ao ocidente por volta de 545 passando por várias cidades gregas pela Sicília pelo sul da Itália sempre realizando sua atividade de rapsodo Como rapsodo interpretava certamente Home ro Hesíodo e também poemas de própria autoria Pelas suas considerações críticas à épica arcaica se pode imaginar que suas interpretações não fossem somente récitas inspiradas desprovidas de reflexão tal como Platão caricaturou a ativida de dos rapsodos no diálogo Íon Esteve presente na fundação de Eleia em 540 e muito provavelmente ali manteve intensa atividade intelectual e letiva Encontrouse certamente com o jovem Parmênides mas as notícias de que foi o fundador da Escola Eleata decerto decorrem do desejo de transformar al gumas afinidades de prática e doutrina em grandes encontros históricos De toda forma a recepção do poeta põe na conta de sua nova teologia crítica do antropomorfismo de Homero e Hesíodo a ideia e teoria do Uno assumida de diversas ma neiras pelos filósofos que atuaram em Eleia Além dos poe mas de que nos sobraram fragmentos também se tem notícia de que escreveu outros poemas épicos como a Fundação de Colofão e a Fundação de Eleia Xenófanes viveu mais de noventa anos conforme seus próprios versos autobiográficos6 Edição do texto grego e tradução Para o texto grego de Xenófanes tomamos como ponto de partida a edição de domínio publico de Hermann Diels Poe 6 A maioria dos dados biográficos de Xenófanes encontrase em Diógenes Laércio Vitae philos ophorum IX 1820 DK 21 A 1 10 FILÓSOFOS ÉPICOS I tarum Philosophorum Fragmenta 1901 digitalizada e disponível na Internet Utilizamos por sua maleabilidade a versão do sítio mantido por Zdeněk Kratochvíl montada a partir da An thologia lyrica ed Hiller Crusius Lipsiae 1903 e da última edição de Hermann Diels e Walther Kranz Die Fragmente der Vorsokratiker Zürich 1951 Cotejamos diretamente a edição DielsKranz 1951 usada para a referência da notação e as edições de J H Lesher 1992 e Jaap Mansfeld 1983 No grego deixamos em minúsculas todos os fragmen tos atribuídos mas não alteramos as maiúsculas no texto das fontes Na tradução usamos maiúsculas nos nomes próprios e nos nomes de deuses explicaremos o motivo adiante7 A recepção dos Fragmentos de Xenófanes em portu guês produziu alguns excelentes trabalhos entre os quais destacamos a experiência de tradução de inspiração concre tista de Trajano Vieira8 que explora o potencial poético da forma fragmentada do legado présocrático Buscamos em nossas traduções a informação filológica suficiente a clareza filosófica e a ordenação poética à medida do possível Pro curamos nos pôr a caminho da excelência literária de Anna Lia de Almeida Prado9 e Trajano Vieira Nossa contribuição suplementar diz respeito apenas às informações filológicas e à possibilidade de cotejo com o grego Para se ter ideia da va riação brindamos o leitor no anexo das Joias da Biblioteca Nacional com algumas das traduções para o português do fragmento B11 Os gêneros e seus metros Mesmo sendo autor de uma obra sobre a natureza e com suas observações importantes sobre a limitação do co nhecimento humano não é à toa que Xenófanes seja muitas vezes mais lembrado como poeta do que filósofo Isto se deve à variedade de metros e gêneros poéticos em que escreveu Mas não foi menos filósofo em um gênero do que em outro seus dísticos elegíacos e seus iambos não sendo menos ricos de assertivas sapienciais 7 Cf Os deusesconceito p 62 8 vieira Trajano Xenofanias Campinas Ed Unicamp 2006 9 Prado Anna L A de A Fragmentos de Xenófanes de Colofão in Os PréSocráticos org J Cavalcante de Souza São Paulo Abril 1973 11 XENÓFANES O verso épico Xenófanes usa o verso épico ou homérico o hexâmetro dactílico no seu poema didático Da Natureza assim como o farão Parmênides e Empédocles10 O verso épico é usado nos poemas que educam os gregos Os jovens fazem a escansão do ritmo com os pés e cumprem exercícios físicos enquanto recitam as palavras de Homero e Hesíodo Poderíamos dizer que o hexâmetro é a pauta do caderno oral de aprendizagem É o suporte mnemônico da cultura grega arcaica O dáctilo ou compasso dactílico é composto de uma sílaba longa seguida de duas breves Esquema simples do hexâmetro dactílico As Elegias São chamados de elegias os poemas de Xenófanes cons truídos com o dístico elegíaco composto de um hexâmetro dactílico e de um pentâmetro dactílico alternados Por con ta da variação transmite mais carga emotiva do que o me tro épico composto exclusivamente de hexâmetros Há dois fragmentos maiores das elegias um trata dos ritos de realiza ção de um banquete com importante consideração sobre os deuses que inclui uma crítica velada a Homero e Hesíodo o outro é um fragmento de ordem política sobre os valores pe los quais os cidadãos honram seus heróis com uma crítica à opinião comum dos homens Dos demais fragmentos alguns poderiam integrar esses primeiros poemas Esquema simples do dístico elegíaco As Sátiras sílloi Os sílloi sátiras são poemas curtos compostos de iam bos que em grego significa invectiva O metro iâmbico é mais próximo da prosa quotidiana pés alternando uma sílaba breve e uma longa por isso o trímetro iâmbico foi o verso usado na poesia dramática antiga O iambo satírico é usado para lançar impropérios ou para fazer críticas irônicas Aris 10 Cf A forma épica p 4 12 FILÓSOFOS ÉPICOS I tóteles considera o iambo e a poesia de invectiva a origem da comédia11 Sem dúvidas esta arte também está na origem da dialética principalmente a de verve socrática Esquema simples do trímetro iâmbico Os temas filosóficos As questões filosóficas que Xenófanes aborda variam e se acomodam confortavelmente nos modelos poéticos em que ele exerce sua verve Para a descrição cósmica própria de um discurso sobre a natureza o filósofo toma a altivez do hexâ metro épico Para a crítica às opiniões de autores tradicionais ou às do senso comum usa a invectiva satírica Para os prepa rativos rituais de uma festa declama uma elegia Se ao exa minar os conteúdos adotássemos uma perspectiva anacrônica moderna que visa o objeto tratado e o método de tratálo não veríamos diferenças de gêneros poéticos mas de campos do conhecimento e suas ciências Chamaríamos o primeiro de discurso cosmológico pois tem em vista a ordem dos elemen tos e o mundo O segundo poderíamos chamar de discurso epistemológico porque trata dos limites do conhecimento e do modo como o senso comum e os antigos poetas projetam sua própria imagem e opinião sobre os deuses O terceiro seria difícil de enquadrar em uma ciência moderna tratase mais de um saber viver um domínio dos costumes que os anti gos romanos chamavam de arte do convívio e que consti tuiu uma literatura toda particular sobre os modos e discursos nos banquetes Platão Xenofonte Plutarco Ateneu foram alguns dos expoentes neste gênero e nesta arte Assim ainda que nos esforcemos para enquadrálo em nossas temáticas fi losóficas tradicionais Xenófanes parece à primeira vista mais um escritor bastante versátil do que um sábio ou um filóso fo propriamente dito ou seja um homem que escreve desde um ponto de vista universal do conhecimento que tem uma unidade de pensamento e que poderíamos descrever em seu caráter filosófico próprio Todavia podemos reparar que há um mesmo motivo que perpassa tanto a sua épica quanto as sátiras e as elegias É este motivo que nos permite uma aproxi mação mais significativa tanto do caráter de Xenófanes quanto do seu significado para a história da filosofia 11 ariStóteleS Poética 1449a 4 13 XENÓFANES A recepção tradicional da filosofia de Xenófanes apro ximase deste seu caráter por assim dizer único também de maneiras diferentes segundo interesses também diversos A primeira e talvez ainda mais pregnante das interpretações de Xenófanes é devedora de uma referência feita no diálogo Sofista de Platão τὸ δὲ παρ ἡμῶν Ελεατικὸν ἔθνος ἀπὸ Ξενοφάνους τε καὶ ἔτι πρόσθεν ἀρξάμενον ὡς ἑνὸς ὄντος τῶν πάντων καλουμένων οὕτω διεξέρχεται τοῖς μύθοις 242d fala o Estrangeiro de Eleia mas a nossa tribo eleática iniciada a partir de Xenófanes e mesmo ainda antes transmitia com tais histórias que o que chamamos de todo é um único Platão faz a escola eleática gravitar em torno da ideia do uno que para ele é o núcleo da concepção ontológica de Parmênides e seus sucessores imediatos tal como expõe tam bém no outro diálogo que versa sobre o método da escola justamente intitulado Parmênides O uno tem para Platão im portância ontológica e lógica capital na constituição de sua teoria das ideias por isso ele mesmo faz questão de decla rarse da família mesmo à sua moda como um filho rebelde que ousa refutar o pai Os fragmentos de Xenófanes de que dispomos não falam propriamente nem de unidade concei tual da ideia nem explicitamente de uma unidade cósmica Encontramos o uno ou único atribuído a um deus em B23 e encontramos referências a uma totalidade das coisas em B24 B25 B27 B29 e principalmente em B34 Todos estes fragmentos Hermann Diels os dispõe dentro de um discurso cósmico sobre a natureza ao passo que recentemente Mans feld 1983 adotando outra heurística prefere distribuílos por assunto B27 e B29 sobre filosofia da natureza B23 B24 e B25 sobre o novo deus e B34 sobre o conhecimento Diels investe na proximidade com Parmênides quando propõe que Xenófanes teria escrito um poema em versos épicos que trata primeiro da constituição de um deus único que tudo pensa e em segundo da geração cósmica a partir dos elementos e terceiro também do método e dos limites do conhecimento Estes três elementos de certo modo os encontraremos reu nidos por Parmênides em um único poema Não é uma hipó tese ruim mas Diels às vezes exagera para defendêla como quando acrescenta nove palavras à biografia de Xenófanes 14 FILÓSOFOS ÉPICOS I narrada por Diógenes Laércio DK 21 A1 1516 atestando que Xenófanes viveu e lecionou em Eleia Muitos historiadores da filosofia e da religião apontam para a menção do deus único de Xenófanes como signo de um monoteísmo grego muitas vezes associando tal postura à ideia de uma evolução cultural racionalista Esta perspectiva chega a fazer com que o próprio fragmento B23 onde en contramos a menção receba interpretações contorcidas para que o fundo politeísta não apareça Diz Xenófanes εἷς θεός ἔν τε θεοῖσι καὶ ἀνθρώποισι μέγιστος que traduzimos por um único deus entre deuses e homens o maior Já o próprio Cle mente não por acaso um apologeta cristão nos lega o verso dizendo que Xenófanes ensinava que o deus é único e incor póreo διδάσκων ὅτι εἷς καὶ ἀσώματος ὁ θεὸς e fazia com que uma hierarquia entre os deuses passasse por uma anulação de sua multiplicidade Diels reforça a interpretação de Clemen te quando a justifica dizendo que entre deuses e homens é uma expressão polar polarische Ausdrucksweise usada para significar simplesmente que o deus único é absolutamente maior Algumas traduções vão além neste mesmo sentido como a de R Sanesi12 Cè fra il mondo divino e quello umano um solo dio E assim se foi constituindo uma segunda opinião constante sobre a filosofia e a teologia de Xenófanes De fato é uma nova forma de falar dos deuses uma nova teologia o que vemos perpassar tanto as elegias quanto os versos épicos e os satíricos Mas antes de associar esta teo logia a uma visão monoteista tal como quiseram e fizeram os padres apologetas não apenas com Xenófanes mas também com toda filosofia que lhes desse margem a defender o cris tianismo e antes de dar outra opinião vejamos um pouco mais de perto os textos de Xenófanes Nas elegias o filósofo poeta condena certas figurações pueris dos deuses B1 O homem de louvor bebendo revela nobrezas como a memória e o empenho na virtude não se põe a contar lutas de Titãs de Gigantes nem de Centauros ficções dos antigos ou revoltas violentas em que nada é útil bom é comprometerse com os deuses sempre 12 In GuarraCino Vicenzo org Lirici greci 2 vol milano Bompiani 2009 p 239 15 XENÓFANES A crítica dirigese contra as monstruosas ficções plás mata de titãs gigantes e centauros e ao modo violento como na visão dos antigos tais deuses se comportam Tais antigos são aqueles teólogos épicos cheios de imaginação não cita dos aqui mas claramente insinuados sobretudo Hesíodo e Homero Para Xenófanes os homens devem valorizar a me mória a nobreza e a virtude Mais do que tentar imaginar e figurar os deuses devem comprometerse com eles para bem agir Nenhum traço de monoteismo a crítica não é à multipli cidade dos deuses mas à postura dos homens para com eles Este modelo de crítica à figuração de deuses violentos será retomado e desenvolvido por Sócrates na República de Platão Há indícios de que Parmênides também teria tocado nesse aspecto da monstruosidade dos deuses mas são indícios in diretos e ambíguos13 Não mais insinuada mas declarada explicitamente aparece esta mesma crítica nos poemas satíricos B11 Homero como Hesíodo atribuíram aos deuses tudo quanto entre os homens é infâmia e vergonha roubar raptar e enganar mutuamente Os poemas satíricos têm essa característica própria do drama cômico de falar a língua de todos os dias de modo cla ro e direto E provocativo Sem dúvida não é apenas o tema da crítica teológica o que influenciou os discursos de Sócrates e Platão Também as suas formas de exercer a crítica de modo performativo dramático e irônico remontam nos diálogos a uma origem que não pode distar da encenação das comédias e das declamações de vitupérios satíricos que preenchiam os intervalos das récitas de cantos épicos14 A crítica das sátiras se dirige aos poetas tradicionais e também aos ritos e representações dos deuses Xenófanes de modo irônico desdenha do antropomorfismo e do etnomor fismo das representações que os povos fazem de seus deuses Conquistou nas muitas viagens o distanciamento reflexivo pela extensa experiência com a diversidade dos povos e suas culturas B15 e B16 13 Cf CiCero De natura deorum I 28 DK 28 A 37 14 Sobre a origem performativa e dramática da dialética Cf roSSetti Livio El drama filosófico invención del s V a C Zenon y los Sofistas Rev Filosófica Univ Costa Rica XLVI 117118 2008 p 34 16 FILÓSOFOS ÉPICOS I Mas se tivessem mãos os bois os cavalos e os leões quando pintassem com as mãos e compuzessem obras como os ho mens cavalos como cavalos bois semelhantes aos bois pintariam a forma dos deuses e fariam corpos tais como fosse o próprio aspecto de cada um Os etíopes dizem que seus deuses são negros de nariz chato os trácios dizem serem de olhos verdes e ruivos Todavia suas asserções teológicas não são apenas ne gativas ou irônicas Nos seus versos épicos há lugar também para a proposição de um deus superior sensível a todas as coisas e que domina a totalidade do real por meio do pen samento permanecendo firme e imóvel São os fragmentos B23 a B26 que Justamente dão embasamento à recepção para constituir as duas tradicionais considerações sobre Xenófa nes como avô do uno eleático e defensor de uma concepção monoteísta Um único deus entre deuses e homens o maior em nada semelhante aos mortais nem no corpo nem no pensamento Inteiro vê inteiro pensa inteiro também escuta Mas sem esforço tudo vibra com o coração do pensamento Sempre no mesmo permanece não se move nem lhe convém sair ali e acolá As quatro citações são efetivamente fragmentárias com suas frases descontextualizadas e incompletas oriundas de três fontes diferentes As reúne em semelhança o tom épico do verso que justifica a hipótese de Diels para integrálas em um poema Da Natureza Há uma reconstituição crítica dos argumentos relativos aos predicados desse deus na escola pe ripatética o tratado sobre a ontologia eleática De Melisso Xeno phane Gorgia Nele o deus aparece como único por ser o que há de mais poderoso Novamente temos o mesmo problema de interpretação Xenófanes fala do único deus que governa tudo ou de um deus mais poderoso que se sobrepõe aos demais Em vez de tomar partido por essa ou por aquela posição uma não menos dogmática do que a outra é preciso ouvir o que o 17 XENÓFANES próprio Xenófanes considera sobre aquilo que ele mesmo fala sobre os deuses e sobre o todo B34 E ao certo nenhum homem sabe coisa alguma nem há de saber algo sobre os deuses nem sobre o todo de que falo pois se na melhor das hipóteses ocorresselhe dizer algo perfeito ele mesmo no entanto não saberia opinião é o que se cria sobre tudo A lucidez destas palavras sobre os limites do conheci mento humano é espantosa Também aqui se apresenta uma postura essencial do caráter filosófico que se tornará para digmática com a figura de Sócrates Abrese aqui um efetivo abismo entre todo saber revelado e inspirado por um lado e a reflexão sobre o saber e os limites do saber por outro Que esta reflexão originária do modo filosófico de conhecer tenha surgido no interior mesmo da tradição declamatória épica e como que uma reação resultante de sua própria exposição in terpretativa não é menos espantoso HACKERS ARE A THREAT TO BUSINESS Kim Crawley Communications Manager 85 of data breaches involved a human element XENÓFANES DE COLOFÃO FrAgmENtA Dk 21 b FrAgmENtOS 20 FILÓSOFOS ÉPICOS I ΕΛΕΓΕΙΑΙ B 1 1 νῦν γὰρ δὴ ζάπεδον καθαρὸν καὶ χεῖρες ἁπάντων καὶ κύλικες πλεκτοὺς δ ἀμφιτιθεῖ στεφάνους ἄλλος δ εὐῶδες μύρον ἐν φιάληι παρατείνει κρατὴρ δ ἕστηκεν μεστὸς ἐυφροσύνης 5 ἄλλος δ οἶνος ἕτοιμος ὃς οὔποτέ φησι προδώσειν μείλιχος ἐν κεράμοισ ἄνθεος ὀζόμενος ἐν δὲ μέσοισ ἁγνὴν ὀδμὴν λιβανωτὸς ἵησι ψυχρὸν δ ἔστιν ὕδωρ καὶ γλυκὺ καὶ καθαρόν πάρκεινται δ ἄρτοι ξανθοὶ γεραρή τε τράπεζα 10 τυροῦ καὶ μέλιτος πίονος ἀχθομένη βωμὸς δ ἄνθεσιν ἀν τὸ μέσον πάντηι πεπύκασται μολπὴ δ ἀμφὶς ἔχει δώματα καὶ θαλίη χρὴ δὲ πρῶτον μὲν θεὸν ὑμνεῖν εὔφρονας ἄνδρας εὐφήμοις μύθοις καὶ καθαροῖσι λόγοις 15 σπείσαντας δὲ καὶ εὐξαμένους τὰ δίκαια δύνασθαι πρήσσειν ταῦτα γὰρ ὦν ἐστι προχειρότερον οὐχ ὕβρις πίνειν1 ὁπόσον κεν ἔχων ἀφίκοιο οἴκαδ ἄνευ προπόλου μὴ πάνυ γηραλέος ἀνδρῶν δ αἰνεῖν τοῦτον ὃς ἐσθλὰ πιὼν ἀναφαίνει 20 ὥς οἱ μνημοσύνη καὶ τόνος ἀμφ ἀρετῆς οὔτι μάχας διέπων τιτήνων οὐδὲ γιγάντων οὐδέ τε κενταύρων πλάσματα τῶν προτέρων ἢ στάσιας σφεδανάς τοῖσ οὐδὲν χρηστὸν ἔνεστι θεῶν δὲ προμηθείην αἰὲν ἔχειν ἀγαθόν Fonte de B1 Ateneu Deipnosofistas XI 7 Kaibel p 462c 1 ὕβρεις πίνειν δ Ath verb Musurus Bergk 14 Diels 21 XENÓFANES ELEGIAS B 1 1 Agora sim o chão está limpo e as mãos de todos e os cálices Um cinge de coroas trançadas outro verte mirra perfumada no vaso um ergue uma taça cheio de alegria 5 outro diz que o vinho preparado nunca vai faltar suave mel nas jarras de aroma floral Em meio exala odor sagrado de incenso a água está fresca suave e pura ao lado há pães dourados sobre a mesa farta 10 carregada de queijo e espesso mel com todas as flores ao centro há uma altar recoberto Música domina a casa inteira e Festa2 É preciso primeiro que homens alegres cantem ao deus com benditas histórias e palavras puras 15 feitas libações e preces pelo poder de agir com justiça pois isto é de praxe não beber além de quanto aguentar para voltar à casa sem guia a não ser pela idade O homem de louvor bebendo revela nobrezas 20 como a memória e o empenho na virtude não se põe a contar lutas de Titãs de Gigantes nem de Centauros ficções dos antigos ou revoltas violentas em que nada é útil bom é comprometerse com os deuses sempre 2 Música Molpé e Festa Thalía Optamos por traduzir sempre que possível os nomes dos deuses pois são nominalizações de substantivos comuns deificando experiências que a sen sibilidade grega toma por extraordinárias As maiúsculas nos nomes dos deuses são efeito da tradução para evidenciar que embora portem nomes comuns são todavia percebidos como divindades Esta é uma característica importante dos filósofos épicos Contra o reputado monoteísmo de Xenófanes que não aconselharia tal procedimento Cf B 23 22 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 2 1 ἀλλ εἰ μὲν ταχυτῆτι ποδῶν νίκην τις ἄροιτο ἢ πενταθλεύων ἔνθα διὸς τέμενος πὰρ πίσαο ῥοῆισ ἐν ὀλυμπίηι εἴτε παλαίων ἢ καὶ πυκτοσύνην ἀλγινόεσσαν ἔχων 5 εἴτε τι δεινὸν ἄεθλον ὃ παγκράτιον καλέουσιν ἀστοῖσίν κ εἴη κυδρότερος προσορᾶν καί κε προεδρίην φανερὴν ἐν ἀγῶσιν ἄροιτο καί κεν σῖτ εἴη δημοσίων κτεάνων ἐκ πόλεως καὶ δῶρον ὅ οἱ κειμήλιον εἴη 10 εἴτε καὶ ἵπποισιν ταῦτά κε πάντα λάχοι οὐκ ἐὼν ἄξιος ὥσπερ ἐγώ ῥώμης γὰρ ἀμείνων ἀνδρῶν ἠδ ἵππων ἡμετέρη σοφίη ἀλλ εἰκῆι μάλα τοῦτο νομίζεται οὐδὲ δίκαιον προκρίνειν ῥώμην τῆς ἀγαθῆς σοφίης 15 οὔτε γὰρ εἰ πύκτης ἀγαθὸς λαοῖσι μετείη οὔτ εἰ πενταθλεῖν οὔτε παλαισμοσύνην οὐδὲ μὲν εἰ ταχυτῆτι ποδῶν τόπερ ἐστὶ πρότιμον ῥώμης ὅσσ ἀνδρῶν ἔργ ἐν ἀγῶνι πέλει τοὔνεκεν ἂν δὴ μᾶλλον ἐν εὐνομίηι πόλις εἴη 20 σμικρὸν δ ἄν τι πόλει χάρμα γένοιτ ἐπὶ τῶι εἴ τις ἀεθλεύων νικῶι πίσαο παρ ὄχθας οὐ γὰρ πιαίνει ταῦτα μυχοὺς πόλεως Fonte de B2 Ateneu Deipnosofistas X 6 Kaibel p 413s B 3 1 ἁβροσύνας δὲ μαθόντες ἀνωφελέας παρὰ λυδῶν ὄφρα τυραννίης ἦσαν ἄνευ στυγερῆς ἤιεσαν εἰς ἀγορὴν παναλουργέα φάρε ἔχοντες οὐ μείους ὥσπερ χίλιοι εἰς ἐπίπαν 5 αὐχαλέοι χαίτηισιν ἀγάλμενοι εὐπρεπέεσσιν ἀσκητοῖσ ὀδμὴν χρίμασι δευόμενοι Fonte de B3 Ateneu Deipnosofistas XII 31 Kaibel p 526a 23 XENÓFANES B 2 1 Se levasse a vitória pela velocidade dos pés ou no pentatlo lá no templo de Zeus à margem do rio Pisa em Olímpia ou na luta ou ainda suportando a dor do pugilato 5 ou na ferina disputa chamada pancrácio deslumbraria os cidadãos com tanta glória e alcançaria nos jogos a tribuna de honra e receberia sustento do erário da cidade e um prêmio que lhe fosse valioso 10 e até mesmo no hipismo tudo isso lhe caberia sem valer como eu pois melhor que o vigor de homens e cavalos é nossa sabedoria Quanta insensatez E não é justo preferir o vigor à boa sabedoria 15 Pois nem se houvesse um bom pugilista entre o povo nem um bom no pentatlo tampouco na luta nem mesmo na velocidade dos pés mais valorosa do que a força dos homens na peleja dos jogos não alcançaria a cidade um governo melhor 20 Curta alegria gozaria a cidade se um atleta competindo ganhasse às margens do Pisa pois isso não enche os silos da cidade B 3 1 Tendo aprendido as sutilezas inúteis dos Lídios quando viviam sem a odiosa tirania iam à praça vestindo túnicas púrpuras não menos que mil ao todo 5 cheios de si garbosos em seus cabelos bem cuidados impregnados com perfumes de óleos refinados 24 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 4 πρῶτοι οἱ λυδοὶ νόμισμα κοψάμενοι3 Fonte de B4 Pollux Vocabulário IX 83 610 εἴτε Φείδων πρῶτος ὁ Αργεῖος ἔκοψε νόμισμα εἴτε Δημοδίκη ἡ Κυμαία συνοικήσασα Μίδαι τῶι Φρυγὶ παῖς δ ἦν Αγαμέμνονος Κυμαίων βασιλέως εἴτε Αθηναίοις Εριχθόνιος καὶ Λύκος εἴτε Λυδοί καθά φησι Ξενοφάνης Cf Heródoto Histórias I 94 Λυδοὶ γὰρ δὴ καὶ πρῶτοι ἀνθρώπων τῶν ἡμεῖς ἴδμεν νόμισμα χρυσοῦ καὶ ἀργυροῦ κοψάμενοι ἐχρήσαντο B 5 οὐδέ κεν ἐν κύλικι πρότερον κεράσειέ τις οἶνον ἐγχέας ἀλλ ὕδωρ καὶ καθύπερθε μέθυ Fonte de B5 Ateneu Deipnosofistas XI 18 3 Kaibel p 782a B 6 Fonte de B6 Ateneu Deipnosofistas IX 6 20 Kaibel p 368e Ξενοφάνης δ ὁ Κολοφώνιος ἐν τοῖς ἐλεγείοις φησί πέμψας γὰρ κωλῆν ἐρίφου σκέλος ἤραο πῖον ταύρου λαρινοῦ τίμιον ἀνδρὶ λαχεῖν τοῦ κλέος ἑλλάδα πᾶσαν ἐφίξεται οὐδ ἀπολήξει ἔστ ἂν ἀοιδάων ἦι γένος ἑλλαδικῶν 3 Paráfrase 25 XENÓFANES B 4 Os lídios primeiros a cunharem uma moeda 4 Fonte de B4 Pollux Vocabulário IX 83 610 Seja Fédon o argivo quem primeiro cunhou uma moeda seja Demódica a cimeia que desposou Midas o frígio e era filha de Agamemnon rei dos cimeus sejam os atenien ses Erictônio e Lyco ou ainda os lídios como disse Xenófanes Cf Heródoto Histórias I 94 Pois foram mesmo os lídios pelo que sabemos os primeiros dentre os homens a cunhar e manusear moedas de ouro e prata B 5 Ninguém faria uma mistura na taça vertendo o vinho primeiro mas água e por cima o vinho B 6 Xenófanes de Colofão disse nas elegias5 Pois tendo enviado uma coxa de cabrito recebei um pernil de touro cevado digno de um varão cuja glória alcançará toda a Grécia e não se apagará enquanto houver a estirpe de aedos helenos 4 Reconstrução hipotética a partir da citação de Pollux segundo a formulação de Heródoto 5 Desta apresentação retemos o título da coletânea que denomina o gênero 26 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 7 1 νῦν αὖτ ἄλλον ἔπειμι λόγον δείξω δὲ κέλευθον καί ποτέ μιν στυφελιζομένου σκύλακος παριόντα φασὶν ἐποικτῖραι καὶ τόδε φάσθαι ἔπος παῦσαι μηδὲ ῤάπιζ ἐπεὶ ἦ φίλου ἀνέρος ἐστίν 5 ψυχή τὴν ἔγνων φθεγξαμένης αἴων Fonte de B7 Diógenes Laércio Vidas dos filósofos VIII 34 περὶ δὲ τοῦ ἄλλοτ ἄλλον αὐτὸν sc Πυθαγόραν γεγενῆσθαι Ξενοφάνης ἐν ἐλεγείᾳ προσμαρτυρεῖ ἧς ἀρχή B7 1 ὃ δὲ περὶ αὐτοῦ φησιν οὕτως ἔχει B7 25 B 8 Fonte de B8 Diógenes Laércio Vidas dos filósofos IX 18 12 μακροβιώτατός τε γέγονεν ὥς που καὶ αὐτός φησιν ἤδη δ ἑπτά τ ἔασι καὶ ἑξήκοντ ἐνιαυτοὶ βληστρίζοντες ἐμὴν φροντίδ ἀν ἑλλάδα γῆν ἐκ γενετῆς δὲ τότ ἦσαν ἐείκοσι πέντε τε πρὸς τοῖς εἴπερ ἐγὼ περὶ τῶνδ οἶδα λέγειν ἐτύμως B 9 ἀνδρὸς γηρέντος πολλὸν ἀφαυρότερος Fonte de B9 Etimológico Genuíno s v γῆρας 27 XENÓFANES B 7 1 E agora de novo dirigirmeei a um outro discurso e apontarei o caminho Certa vez ao presenciar um cão ser enxotado dizem que apiedouse e disse6 esta palavra Para Não bata pois é de um homem amigo 5 essa alma reconheci o tom do ganido Diógenes Laércio Vidas dos filósofos VIII 34 Acerca do fato de ele sc Pitágoras ter nascido outro outrora Xenófanes testemunha nas Elegias começando assim B7 1 e acerca dele contou desse modo B7 25 B 8 Teve uma vida extremamente longa como ele mesmo disse Sessenta e sete anos já se passaram Debatendome com meu pensamento pela terra grega do nascimento até então conto mais vinte e cinco se ainda sei eu falar disso com acerto B 9 Muito mais fraco do que um homem velho 6 Xenófanes referese a Pitágoras 28 FILÓSOFOS ÉPICOS I ΣΙΛΛΟΙ B 10 ἐξ ἀρχῆς καθ ὅμηρον ἐπεὶ μεμαθήκασι πάντες Fonte de B10 Élio Herodiano Dois Tempos p 296 6 Cr An Ox III B 11 πάντα θεοῖσ ἀνέθηκαν ὅμηρός θ ἡσίοδός τε ὅσσα παρ ἀνθρώποισιν ὀνείδεα καὶ ψόγος ἐστίν κλέπτειν μοιχεύειν τε καὶ ἀλλήλους ἀπατεύειν Fonte de B11 Sexto Empírico Contra os professores IX 193 B 12 Fonte de B12 Sexto Empírico Contra os professores I 289 Ομηρος δὲ καὶ Ησίοδος κατὰ τὸν Κολοφώνιον Ξενοφάνη ὡς πλεῖστα ἐφθέγξαντο θεῶν ἀθεμίστια ἔργα κλέπτειν μοιχεύειν τε καὶ ἀλλήλους ἀπατεύειν B 13 alii Homerum quam Hesiodum maiorem natu fuisse scripserunt in quibus Philocho rus et Xenophanes alii minorem Fonte de B13 Gélio Noites Áticas III 11 29 XENÓFANES SÁTIRAS B 10 Desde o princípio todos têm aprendido segundo Homero B 11 Homero como Hesíodo atribuíram aos deuses tudo quanto entre os homens é infâmia e vergonha roubar raptar e enganar mutuamente B 12 Homero e Hesíodo segundo Xenófanes de Colofão7 Tantas vezes alardeiam obras perversas dos deuses roubar raptar e enganar mutuamente B 13 Alguns escreveram que Homero era mais velho que Hesíodo entre os quais Filocoro8 e Xenófanes outros que era mais novo 7 Sexto Empírico depois de citar Xenófanes exemplifica e cita uma passagem da Ilíada Cro nos dizem que na era em que se engendrava a vida feliz castrou o pai e devorou a prole e Zeus o seu filho destituidor do comando lançouo para baixo da terra 14 204 8 Cf fr 54b FHG I 393 30 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 14 ἀλλ οἱ βροτοὶ δοκέουσι γεννᾶσθαι θεούς τὴν σφετέρην δ ἐσθῆτα ἔχειν φωνήν τε δέμας τε Fonte de B14 Clemente de Alexandria Miscelâneas V 109 2 seq B 23 B 15 1 ἀλλ εἰ χεῖρας ἔχον βόες ἵπποι τ9 ἠὲ λέοντες ἢ γράψαι χείρεσσι καὶ ἔργα τελεῖν ἅπερ ἄνδρες ἵπποι μέν θ ἵπποισι βόες δέ τε βουσὶν ὁμοίας καί κε10 θεῶν ἰδέας ἔγραφον καὶ σώματ ἐποίουν 5 τοιαῦθ οἷόν περ καὐτοὶ δέμας εἶχον ἕκαστοι11 Fonte de B15 Clemente de Alexandria Miscelâneas V 109 3 seq B 14 B 16 αἰθίοπές τε θεοὺς σφετέρους σιμοὺς μέλανάς τε θρῆικές τε γλαυκοὺς καὶ πυρρούς φασι πέλεσθαι12 Fonte de B16 Clemente de Alexandria Miscelâneas VII 22 Ελληνες δὲ ὥσπερ ἀνθρωπομόρφους οὕτως καὶ ἀνθρωποπαθεῖς τοὺς θεοὺς ὑποτίθενται καὶ καθάπερ τὰς μορφὰς αὐτῶν ὁμοίας ἑαυτοῖς ἕκαστοι διαζωγραφοῦσιν ὥς φησιν ὁ Ξενοφάνης Αἰθίοπές τε σιμοὺς μέλανάς τε Θρῆικές τε γλαυκοὺς καὶ πυρρούς 9 ἵπποι τ add Diels 10 κε DK Sylburg 11 ἕκαστοι add Herwerden 12 Paráfrase de Diels 31 XENÓFANES B 14 Mas os mortais crêem que os deuses são gerados e que têm roupas como as suas e têm voz e têm corpo B 15 1 Mas se tivessem mãos os bois os cavalos13 e os leões quando pintassem com as mãos e compuzessem obras como os homens cavalos como cavalos bois semelhantes aos bois pintariam a forma dos deuses e fariam corpos 5 tais como fosse o próprio aspecto de cada um14 B 16 Os etíopes dizem que seus deuses são negros de nariz chato os trácios dizem serem de olhos verdes e ruivos15 Clemente de Alexandria Miscelâneas VII 22 Os gregos supõem que os deuses têm formas e sentimentos humanos e cada um os representa segundo sua própria forma como diz Xenófanes Etíopes negros de nariz chato e trácios ruivos de olhos verdes 13 add Diels 14 add Herwerden 15 O dístico é uma reconstrução de Diels parafraseando Clemente 32 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 17 Fonte de B17 Escólios de Aristófanes Cavaleiros 408 cf Hesychios s v βάκχος βάκχους τοὺς κλάδους οὓς οἱ μύσται φέρουσι μέμνηται δὲ Ξενοφάνης ἐν Σίλλοις ἑστᾶσιν δ ἐλάτης βάκχοι16 πυκινὸν περὶ δῶμα B 18 οὔτοι ἀπ ἀρχῆς πάντα θεοὶ θνητοῖσ ὑπέδειξαν17 ἀλλὰ χρόνωι ζητοῦντες ἐφευρίσκουσιν ἄμεινον Fonte de B18 Estobeu Eclogae I 8 2 B 19 Fonte de B19 Diógenes Laércio Vidas dos filósofos I 23 δοκεῖ δὲ κατά τινας πρῶτος ἀστρολογῆσαι καὶ ἡλιακὰς ἐκλείψεις καὶ τροπὰς προειπεῖν ὥς φησιν Εὔδημος ἐν τῆι περὶ τῶν Αστρολογουμένων ἱστορίαι ὅθεν αὐτὸν καὶ Ξενοφάνης καὶ Ηρόδοτος θαυμάζει 16 DK Wachsmuth 17 ὑπέδειξαν Flor 29 41 παρέδειξαν Ecl I 8 2 33 XENÓFANES B 17 Bacos os ramos que os mistas carregam Xenófanes lembra nas Sátiras Fincam bacos18 de pinho em torno da casa firme B 18 Os deuses de início não mostram tudo aos mortais mas os que investigam com o tempo descobrem o melhor B 19 Parece segundo alguns que Tales foi o primeiro a estudar os astros e predizer eclip ses solares e solstícios como disse Eudemo em seu tratado de investigações astronô micas19 pelo que Xenófanes e Heródoto o admiravam 18 DK 19 Cf fr 94 Speng cf 11 A 5 34 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 20 Fonte de B20 Diógenes Laércio Vidas dos filósofos I 111 ὡς δὲ Ξενοφάνης ὁ Κολοφώνιος ἀκηκοέναι φησί τέτταρα πρὸς τοῖς πεντήκοντα καὶ ἑκατόν B 21 Fonte de B21 Escólios em Aristófanes A Paz 697 ὁ Σιμωνίδης διεβέβλητο ἐπὶ φιλαργυρίαι χαριέντως δὲ πάνυ τῶι αὐτῶι λόγωι διέσυρε β τοῦ ἰαμβοποιοῦ καὶ μέμνηται ὅτι σμικρολόγος ἦν ὅθεν Ξενοφάνης κίμβικα αὐτὸν προσαγορεύει Cf DK 21 A 22 B 21a Fonte de B21a Escólios em Homero Oxyrh1087 40 Ox Pap VIII p 103 τὸ ἔρυκος παρὰ Ξενοφάνει ἐν ε Σίλλων 35 XENÓFANES B 20 Como Xenófanes de Colofão disse ter ouvido cento e cinquenta e quatro20 B 21 Simônides foi acusado de avarice com muita graça Aristófanes o ridicularizou com as mesmas palavras Livro II do Satírico e lembra que era mesquinho Por isso Xe nófanes chamouo de Mãodevaca B 21a Érico21 em Xenófanes no livro V das Sátiras 20 sc anos que Epimênides viveu 21 De Eryx rei mitológico que deu nome a uma montanha na Sicília 36 FILÓSOFOS ÉPICOS I ΠΑΡΩΙΔΙΑΙ B 22 Fonte de B22 Ateneu Epítome II p 54e Ξενοφάνης ὁ Κολοφώνιος ἐν Παρωιδίαις πὰρ πυρὶ χρὴ τοιαῦτα λέγειν χειμῶνος ἐν ὥρηι ἐν κλίνηι μαλακῆι κατακείμενον ἔμπλεον ὄντα πίνοντα γλυκὺν οἶνον ὑποτρώγοντ ἐρεβίνθους τίς πόθεν εἶς ἀνδρῶν πόσα τοι ἔτε ἐστί φέριστε πηλίκος ἦσθ ὅθ ὁ Μῆδος ἀφίκετο 37 XENÓFANES PARÓDIAS B 22 Xenófanes de Colofão nas Paródias22 Quando junto à lareira num dia de inverno Repousando em leito macio estiveres satisfeito Bebendo um vinho suave e petiscando grãos de bico Precisas dizer para ti mesmo Quem és tu De que estirpe de homens provéns Quantos anos tens Que idade tinhas quando veio o Meda 22 As Paródias talvez fosse outra forma de se referir às Sátiras 38 FILÓSOFOS ÉPICOS I ΠΕΡΙ ΦΥΣΕΩΣ B 23 εἷς θεός ἔν τε θεοῖσι καὶ ἀνθρώποισι μέγιστος οὔτι δέμας θνητοῖσιν ὁμοίιος οὐδὲ νόημα Fonte de B23 Clemente de Alexandria Miscelâneas V 109 1 B 24 οὖλος ὁρᾶι οὖλος δὲ νοεῖ οὖλος δέ τ ἀκούει Fonte de B24 Sexto Empírico Contra os professores IX 144 B 25 ἀλλ ἀπάνευθε πόνοιο νόου φρενὶ πάντα κραδαίνει Fonte de B25 Simplício Com Física de Aristóteles 23 20 Cf DK 21 A 31 B 26 αἰεὶ δ ἐν ταὐτῶι μίμνει κινούμενος οὐδέν οὐδὲ μετέρχεσθαί μιν ἐπιπρέπει ἄλλοτε ἄλληι Fonte de B26 Simplício Com Física de Aristóteles 23 11 Cf DK 21 A 31 39 XENÓFANES DA NATUREZA B 23 Um único deus entre deuses e homens o maior em nada semelhante aos mortais nem no corpo nem no pensamento23 B 24 Inteiro vê inteiro pensa inteiro também escuta24 B 25 Mas sem esforço tudo vibra com o coração do pensamento B 26 Sempre no mesmo permanece não se move nem lhe convém sair ali e acolá 23 Cf DK 21 A 30 24 Cf DK 21 A 1 40 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 27 ἐκ γαίης γὰρ πάντα καὶ εἰς γῆν πάντα τελευτᾶι Fonte de B 27 Aécio IV 5 B 28 γαίης μὲν τόδε πεῖρας ἄνω παρὰ ποσσὶν ὁρᾶται ἠέρι προσπλάζον τὸ κάτω δ ἐς ἄπειρον ἱκνεῖται Fonte de B 28 Aquiles Tácio trechos da Introdução ao Arato 4 69 p 34 11 Maass B 29 γῆ καὶ ὕδωρ πάντ ἐσθ ὅσα γίνονται ἠδὲ φύονται Fonte de B29 Filopão Com à Física de Aristóteles 125 27 ὁ Πορφύριός φησι τὸν Ξενοφάνην τὸ ξηρὸν καὶ τὸ ὑγρὸν δοξάσαι ἀρχάς τὴν γῆν λέγω καὶ τὸ ὕδωρ καὶ χρῆσιν αὐτοῦ παρατίθεται τοῦτο δηλοῦσαν B29 Cf Simplício Com à Física de Aristóteles 188 32 Simplício atribui por engano a citação a Anaxímenes também via Porfírio 41 XENÓFANES B 27 pois da terra tudo se gera e na terra tudo se encerra25 B 28 este limite da Terra para cima é visto a nossos pés beirando o ar para baixo atinge o ilimitado26 B 29 Terra e água é tudo quanto surge e desabrocha27 Porfírio disse que Xenófanes considerava como princípios o seco e o úmido digo a terra e a água e citava um exemplo dele em que teria declarado o seguinte B29 25 Cf DK 21 A 36 26 Cf DK 21 A 32 A 33 3 27 Cf DK 21 A 29 42 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 30 Fonte de B30 Aécio III 4 4 Escólio Genovês à Ilíada XXI196 Ξενοφάνης ἐν τῶι Περὶ φύσεως πηγὴ δ ἐστὶ θάλασσα ὕδατος πηγὴ δ ἀνέμοιο οὔτε γὰρ ἐν νέφεσιν 28 ἔσωθεν ἄνευ πόντου μεγάλοιο οὔτε ῥοαὶ ποταμῶν οὔτ αἰθέρος29 ὄμβριον ὕδωρ ἀλλὰ μέγας πόντος γενέτωρ νεφέων ἀνέμων τε καὶ ποταμῶν B 31 ἠέλιός θ ὑπεριέμενος γαῖάν τ ἐπιθάλπων Fonte de B31 Heráclito Estoico Alegorias de Homero c 44 Etimol s v hyperíon B 32 ἥν τ ἶριν καλέουσι νέφος καὶ τοῦτο πέφυκε πορφύρεον καὶ φοινίκεον καὶ χλωρὸν ἰδέσθαι Fonte de B32 Escólios BLT Eust sobre Hom Ilíada Λ 27 28 οὔτε γὰρ ἐν νέφεσιν γίνοιτό κε ἲς ἀνέμοιο ἐκπνείοντος ἔσωθεν ἄνευ πόντου μεγάλοιο DK οὔτε γὰρ ἦν ἀνέμος κεν ἄνευ πόντου μεγάλοιο Edmonds οὔτε γὰρ ἄν νέφε οὔτ ἀνέμων ἄν ἐγίγνετ ἀϋτμὴ ἐν νεφέεσιν ἔσωθεν Diels οὔτε γὰρ ἄν γνόφος ἔσθεν H Weil οὔτε γὰρ ἄν νέφε ἔσκεν Ludwich ἄνευ πόντου Nicole ἄνα πόντοιο Genov 29 Verb DK 43 XENÓFANES B 30 Xenófanes no Poema Acerca da Natureza O mar é fonte de água fonte de vento pois em nuvem nem 30 de dentro sem o mar imenso nem correntes de rios nem água etérea de chuva mas o grande mar é genitor de nuvens de ventos e também de rios31 B 31 O sol alçandose sobre a terra e aquecendoa B 32 Aquela a quem chamam Íris também é nuvem em sua natureza deixase ver púrpura rubra e verde 30 O escólio foge à métrica como se faltasse uma parte que os editores buscaram suprir DK pois nas nuvens nem surgiria a evaporação do vento sem partir do mar imenso Ed monds pois nem haveria vento sem o imenso mar Esta conjectura de Edmonds é mais coerente e econômica no conteúdo e no verso Foi adotada também por Lesher 31 Cf DK 21 A 46 44 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 33 πάντες γὰρ γαίης τε καὶ ὕδατος ἐκγενόμεσθα Fonte de B33 Sexto Empírico Contra os professores X 314 B 34 καὶ τὸ μὲν οὖν σαφὲς οὔτις ἀνὴρ ἴδεν οὐδέ τις ἔσται εἰδὼς ἀμφὶ θεῶν τε καὶ ἅσσα λέγω περὶ πάντων εἰ γὰρ καὶ τὰ μάλιστα τύχοι τετελεσμένον εἰπών αὐτὸς ὅμως οὐκ οἶδε δόκος δ ἐπὶ πᾶσι τέτυκται Fontes de B34 14 Sexto Empírico Contra os professores VII 49 12 Plutarco Do modo como os jovens deveriam ouvir os poetas 17e B 35 ταῦτα δεδοξάσθω μὲν ἐοικότα τοῖς ἐτύμοισι Fonte de B 35 Plutarco No Banquete 746b B 36 ὁππόσα δὴ θνητοῖσι πεφήνασιν εἰσοράασθαι Fonte de B 36 Élio Herodiano Dois Tempos II 16 22 B 37 καὶ μὲν ἐνὶ σπεάτεσσί τεοῖς καταλείβεται ὕδωρ Fonte de B 37 Élio Herodiano Das Elocuções Singulares II 936 19 45 XENÓFANES B 33 Pois todos nascemos de terra e de água B 34 E ao certo nenhum homem sabe coisa alguma nem há de saber algo sobre os deuses nem sobre o todo32 de que falo pois se na melhor das hipóteses ocorresselhe dizer algo perfeito ele mesmo no entanto não saberia opinião é o que se cria sobre tudo B 35 Que tais coisas sejam consideradas semelhantes às reais B 36 Tudo quanto se manifesta aos mortais é para ser contemplado B 37 Água também pinga em certas grutas 32 περὶ πάντων acerca de tudo ou acerca de todas as coisas pode ter um sentido distribu tivo cada uma das coisas de que eu falo ou integrante o que eu falo sobre a totalidade do universo As duas acepções são possíveis e Xenófanes parece usar ambas 46 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 38 εἰ μὴ χλωρὸν ἔφυσε θεὸς μέλι πολλὸν ἔφασκον γλύσσονα σῦκα πέλεσθαι Fonte de B38 Élio Herodiano Das Elocuções Singulares 946 23 B 39 κέρασον τὸ δένδρον ἐν τῶι Περὶ φύσεως Ξενοφάνους εὑρών Fonte de B39 Pollux Vocabulário VI 46 B 40 βρόταχον τὸν βάτραχον Ιωνες καὶ Αριστοφάνης φησὶ καὶ παρὰ Ξενοφάνει Fonte de B40 Etimológico Genuíno s v βρόταχον τὸν βάτραχον B 41 Fonte de B41 Tzetzés sobre Dionísio Periegeta V 940 p 1010 Bernhardy περὶ τῶν εἰς ῥος κανών σιρός σιλλογράφος δέ τις τὸ σι μακρὸν γράφει τῶι ῥῶ δοκεῖ μοι τοῦτο μηκύνας τάχα σιλλογράφος νῦν ὁ Ξενοφάνης ἐστὶ καὶ ὁ Τίμων καὶ ἕτεροι 47 XENÓFANES B 38 Se um deus não fizesse brotar dourado mel muito mais doce diriam ser o figo B 39 Cerejeira a arvore encontrada no poema Da Natureza de Xenófanes B 40 Brotáquio como os jônios pronunciam batráquio disse Aristófanes e também segundo Xenófanes B 41 Acerca das regras sobre a métrica de ros sirós Um certo poeta satírico escreve o si longo Alongandoo talvez por causa do r me parece Agora poeta satírico pode ser Xenófanes e Timão e outros HACKERS ARE A THREAT TO BUSINESS Kim Crawley Communications Manager All employees should be trained in cybersecurity awareness Monthly phishing tests Regular reminders with the latest threats Case studies Audits Simulated cyberattacks XENÓFANES DE COLOFÃO FrAgmENtA Dk 21 b FrAgmENtOS DUVIDOSOS 50 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 42 Fonte de B42 Élio Herodiano Das Elocuções Singulares 7 11 καὶ παρὰ Ξενοφάνει ἐν δωι Σίλλων καί κ ἐπιθυμήσειε νέος νῆς ἀμφιπόλοιο B 45 Fonte de B45 Escólios Hipocráticos Epidemias I 13 3 Nachmanson Erotian p 102 19 βληστρισμός ὁ ῥιπτασμός οὕτω Βακχεῖος τίθησιν ἐν ἐνίοις δὲ ἀντιγράφοις εὕρομεν βλητρισμὸν χωρὶς τοῦ σ ὄντως δὲ τὸν ῥιπτασμὸν σημαίνει καθὼς καὶ Ξενοφάνης ὁ Κολοφώνιός φησιν ἐγὼ δὲ ἐμαυτὸν πόλιν ἐκ πόλεως φέρων ἐβλήστριζον ἀντὶ τοῦ ἐρριπταζόμην 51 XENÓFANES B 42 E em Xenófanes no quarto livro das Sátiras como também um jovem desejaria uma jovem serva B 45 desassossego blestrismós agitação como se porta um bacante mas em alguns escritos encontramos dessossego bletris mós sem o sa s De fato significa agitação conforme disse Xenófanes de Colofão Já eu não sossegava arrastandome de cidade em cidade No sentido de que me agitava Obs B43 e B44 que constam na edição de Diels de 1901 foram retirados da edição DK cf p138 ambos são atribuídos nas próprias citações a um certo Xenofonte sem ser o Ateniense ainda que esta atribuição também não pareça fiável G Hermann sugere que o Xenofonte de B43 seja trocado por Xenófanes Diels sugere que B44 refira se a um Xenofonte de Lâmpsaco geógrafo Em ambos os textos não há propriamente referência a Xenófanes HACKERS ARE A THREAT TO BUSINESS Kim Crawley Communications Manager Establish a cybersecurity culture Reward employees who report threats and learn from mistakes Provide the resources to enable application of good cybersecurity practices Encourage open discussion about cyber threats and concerns PARMÊNIDES DE ELÉIA INTRODUÇÃO AOS FRAGMENTOS DO POEMA DE PARMÊNIDES Vida de Parmênides Parmênides nasceu em Eleia uma cidade itálica fundada na segunda grande expansão colonial grega que levou a língua e a cultura homéricas para todo o Egeu e Mediterrâneo Ocidental O Filósofo viveu no fim do sexto século1 antes de Cristo Há notícias de que se encontrou e talvez tenha sido discípulo de Xenófanes de Colofão que em seus poemas sapienciais criticava o antropomorfis mo dos deuses tal como apareciam nas poesias tradicio nais de Homero e Hesíodo Esta filiação escolar parece no entanto ser muito mais devida a uma proximidade doutrinal considerada e propagada pela Academia de Platão do que a fatos históricos Parmênides vive ainda imerso na cultura épica e dela extrai primeiro a métrica de seu poema o hexâmetro dactílico o que mostra que o poema foi elaborado tendo em vista o desempenho de sua transmissão oral e em consonância com tal tradição Além disso também extrai conteú dos dessa tradição épi ca como elementos de sua teologia A deusa díke a Justi ça com seu tom exortativo e a imagem do portal da Noite e do Dia por exemplo já estão presentes nos poemas de Hesíodo Vários deuses dos catálogos épicos figuram no poema e desempenham funções importantes O Poema incorpora até mesmo passagens textuais mais extensas dessa tradição Como no fragmento B8 os versos em que a Necessidade prende o ente em sua circunstância são um verdadeiro palimpsesto2 dos versos homéricos sobre as amarras que prendem Ulisses no mastro do navio a fim 1 Diógenes Laércio situa sua akmé na sexagésima nona olimpíada 504501 aC 2 Sobre o palimpsesto homérico no Poema de Parmênides cf Cassin B Sur la Nature ou sur létant 1998 4864 56 FILÓSOFOS ÉPICOS I de suportar o canto de duas cabeças das sereias Odisseia XII 1581643 Parmênides segundo a inscrição em sua homenagem en contrada sobre uma estela em Vélia a cidade romana que se instaura em Eleia e subsiste até hoje poderia ter sido de uma família ou de um clã de médicos filho do Curador Apolo ΠΑΡΜΕΝΕΙΔΗΣ ΠΥΡΗΤΟΣ ΟΥΛΙΑΔΗΣ ΦΥΣΙΚΟΣ PARMENIDES FISICO FILHO DE PIRETO DA FAMILIA DO CURADOR Nesse contexto ainda forte da cultura tradicional homé rica surgem novos discursos sapienciais que buscam o conhe cimento pela contemplação do procedimento autônomo das coisas naturais São os primeiros filósofos que Aristóteles denominou physikói porque tratavam Da Natureza perì phý seos Parmênides inserese sem dúvida entre esses pensadores originários não só porque o título de seu poema já o diz mas sobretudo pela chamada segunda parte do poema que trata da geração das coisas vivas dos astros celestes e coisas tais Mas o discurso de Parmênides traz uma característica radicalmente inaugural para a história dos textos sapienciais ele toma o ente tò eón como o tema central e universal para compreender a natureza do real Ele instaura o tema primeiro da filosofia ocidental a relação entre ser e pensar O problema da verdade aparece não mais circunstancialmente na honesti dade ou na venerabilidade do testemunho mas na relação di reta entre ser pensar e dizer eixo universal do conhecimento da realidade Parmênides inaugura a filosofia como ontologia Por isso é o filósofo que lança em palavras e pensamentos as bases que sempre voltarão a servir de questionamento ao longo de toda a metafísica ocidental Assim o Poema é tanto uma fonte inesgotável de pen samento como também a soleira monumental sempre firme e presente do edifício filosófico de nossa civilização 3 A Edição de Coxon inclui a preciosa referência a passagens da épica anterior que ecoam nos versos de Parmênides The evidence of the manuscripts if combined with that of Parmen des general dependence on Homer amply justifies the restoration of epic and Ionic for tragic and Attic forms in the few places where the manuscripts present only the latter Cf The Fragments of Parmenides pp 918 1986 22009 57 PARMÊNIDES A reconstituição arqueológica4 O Poema de Parmênides foi composto provavelmente no final do século sexto antes de Cristo Desde então trata se de uma obra conhecida e interpretada pelos principais fi lósofos da Antiguidade Os dialéticos eleatas como Zenão e Melisso os trágicos como Empédocles os atomistas como Leucipo e Demócrito os mestres retóricos como Górgias To dos eles vão trabalhar suas teses e suas fórmulas diretamente respondendo ou interpretando Parmênides Platão vai dedicar ao Poema dois dos seus mais importantes diálogos o Sofis ta e Parmênides5 nos quais expõe criticamente a sua teoria das Ideias ainda citao em outros dois o Banquete e o Teeteto Aristóteles por sua vez dedica à discussão com o Eleata o primeiro livro de sua Física para ter condições de falar da na tureza como princípio de movimento também discutirá suas palavras na demonstração de teses metafísicas como o prin cípio de nãocontradição e do terceiro excluso entre outros A escola peripatética interessarseá particularmente por suas teorias astronômicas e biológicas O Poema desde que foi composto ganhou repercussão e foi amplamente citado Certamente fez parte da compilação dos pensamentos dos filósofos da natureza Physikôn Dóxai de Teofrasto discípulo de Aristóteles Mas esta coletânea dos primeiros filósofos não chegou até nós tampouco qualquer outra versão completa do Poema Na sua íntegra o Poema não chegou até nós Chegaram apenas citações de extensão variável em obras de autores posteriores de Platão séc V aC até Simplício séc VI dC Mais de quarenta autores antigos citaram Parmênides em mais de cinquenta diferentes obras Os fragmentos mais extensos são os mais recentes os de Sexto Empírico em sua obra contra o dogmatismo Adver sus Mathematicos e sobretudo de Simplício no seu comen tário à Física de Aristóteles Este explica que devido à rari 4 Para um estudo detalhado da história do texto de Parmênides cf Cordero Néstor Luis LHistoire du texte de Parménide in Aubenque org Études sur Parménide II 1987 pp324 5 No diálogo Parmênides não há propriamente citações do Poema mas a dramatização de um exercício dialético Talvez reproduzindo o que no Sofista é chamado de ensinamento em prosa de Parmênides 237a 58 FILÓSOFOS ÉPICOS I dade da obra em seu tempo precisaria citála de forma mais extensa para que seu comentário fosse compreendido6 Por conta dessa cortesia chegaramnos mais de cem dos cento e sessenta versos do Poema dos quais Simplício é a única fonte de setenta e dois versos Depois do séc VI não nos chegou nenhuma outra ci tação original do Poema todas as citações que aparecem são seguramente indiretas De fato o Poema Da Natureza de Par mênides é eclipsado por um bom tempo e só volta a ser citado por Bessarion no séc XV em uma obra intitulada In calum niatorem Platonis No séc XVI um editor de Veneza Aldo Manucio empre endeu imprimir a primeira coleção de textos clássicos segundo o crescente interesse italiano pelo renascimento da cultura greco latina Data de 1526 a primeira publicação impressa do Poema Da Natureza Supostamente foi retraduzida a partir da versão latina de Guilherme de Moerbecke séc XIII A primeira edição com preocupações filológicas data de 1573 empreendida por Henri Estienne Stephanus buscando recolher a obra dos primeiros filósofos Poesis Philosophica mas lhe faltam as importantes pas sagens de Simplício entre outras A reconstituição do Poema é continuada por Joseph J Scaliger que porém não a publica seu texto foi encontrado por Néstor Cordero em 1980 na Bi blioteca da Universidade de Leyden Em 1812 Brandis publica uma versão já bastante próxima dos fragmentos conhecidos até hoje Somente em 1835 temos a primeira reconstituição com os dezenove fragmentos considerados autênticos feita por S Karsten O texto de Karsten foi utilizado por FGA Mullach na sua edição do De Melisso Xenophane et Gorgia disputationes de 1845 e posteriormente republicado na importante edição dos Fragmenta philosophorum graecorum Paris 1860 A obra de Karsten foi o ponto de partida para as versões publicadas por Hermann Diels desde 1897 até a última edi ção dos Fragmente der Vorsokratiker em 1951 sob os cuidados de Walter Kranz Esta é a versão considerada ortodoxa por todos os estudiosos e editores do Poema desde o séc XX 6 Simpl Phys 14425 καὶ εἴ τῳ μὴ δοκῶ γλίσχρος ἡδέως ἂν τὰ περὶ τοῦ ἑνὸς ὄντος ἔπη τοῦ Παρμενίδου μηδὲ πολλὰ ὄντα τοῖσδε τοῖς ὑπομνήμασι παραγράψαιμι διά τε τὴν πίστιν τῶν ὑπ ἐμοῦ λεγομένων καὶ διὰ τὴν σπάνιν τοῦ Παρμενιδείου συγγράμματος 59 PARMÊNIDES Desde então a maioria dos editores discute apenas as variantes propostas por Diels em seu aparato crítico Coxon 1986 também teria reconstituído o texto grego a partir da consulta de diversos manuscritos Embora tenha recolhido e publicado um rico material em torno dos fragmentos seu cui dado filológico é bastante contestado Por último o trabalho filológico mais completo até en tão sobre os manuscritos e a tradição de reconstituição do poema vem à luz em 1984 na edição crítica de Néstor Luis Cordero Les deux chemins de Parménide Suas correções ao texto de Diels não são tão numerosas mas são de grande importân cia incidindo gravemente na interpretação de todo o Poema Edição do texto grego A última edição de Hermann Diels e Walther Kranz 6ª edição de 1951 doravante DK continua sendo a referência principal para o estabelecimento do texto por isso mante mos a sua numeração dos fragmentos ainda que tenhamos modificado a sua ordem de apresentação Levamos em conta importantes correções à leitura dos manuscritos tais como as trazidas por Néstor Cordero 1984 e por Coxon 1986 edição revista e ampliada em 22009 este particularmente interessante quanto ao aporte do contexto e dos testemu nhos Consultamos também a edição de Mullach 1860 e ainda outras edições críticas modernas7 disponíveis hiper textualmente no excelente site mantido por Gerard Journée wwwplacitaorg Foram importantes também para a escolha de varian tes nos manuscritos edições não estritamente paleográficas mas filosófica e filologicamente importantes tais como as de Denis OBrien e Jean Frère 1987 de Barbara Cassin 1998 de Jean Bollack 2006 de Lambros Couloubaritsis 1986 7 brandiS Christian Auguste Commentationum Eleaticarum Altona 1813 dielS Hermann Poetarum Philosophorum Fragmenta Berlin 1901 dielS Hermann Kranz Walther Die Fragmente der Vorsokratiker Zürich 1951 Fülleborn Georg Gustav Beyträge zur Geschichte der Philosophie VI Züllichau und Freistadt 1795 KarSten Simon Parmenidis Eleatae Carminis Reliquiae Amsterdam 1835 mullaCh FGA Aristotelis De Melisso Xenophane et Gorgia Disputationes Berlin 1845 Stein Heinrich Die Fragmente des Parmenides περὶ φύσεως Leipzig 1867 60 FILÓSOFOS ÉPICOS I 32008 de Giovanni Reale 2003 entre outras Igualmente precioso o acompanhamento dos trabalhos da futura edição de André Laks no seu seminário sobre os présocráticos du rante o ano acadêmico de 20102011 O nosso texto grego segue o princípio dessas últimas edições buscando justificar a escolha das variantes com o uso do aparato disponibilizado pelas edições críticas acima citadas Na maior parte das vezes seguimos a edição Diels Kranz e apontamos em notas seja as diversas opções quan do as nossas diferem daquela seja ainda outras variantes quando nos apresentam algum interesse especial Não foi de modo algum nossa intenção repertoriar todas as variantes que encontramos nas edições críticas consultadas Nossas no tas ao texto grego procuram ser ao mesmo tempo sucintas e claras todas as siglas e abreviações são esclarecidas na tábua de abreviações p X Indicamos sempre a proveniência das variantes de fontes e edições críticas Como a pontuação mo derna é sempre uma escolha do editor optamos por seguir os interesses de nossa interpretação Junto a cada fragmento apontamos as fontes A lista completa de fontes e suas edições segundo as edições críticas consultadas encontrase nas páginas 127 a 137 Algumas edi ções das fontes foram diretamente tratadas e constam na bi bliografia A maioria de nossas referências a manuscritos das fontes são indiretas segundo as edições críticas estas serão creditadas quando divergentes Pudemos consultar alguns có dices como o de Sexto Empírico mas nada foi usado que já não tivesse sido repertoriado em alguma edição moderna Para facilitar o cotejo da tradução mantivemos o texto grego na página esquerda Nossa tradução Seguimos à medida do que nos foi possível justificar os princípios defendidos pela escola filológica de Lille dar preferência às lições dos manuscritos de modo a receber tam bém o que nos pode soar inusitado à primeira escuta Sempre enfrentamos sugestões de correção que se amontoam desde a Antiguidade Clássica desde Melisso e sua reordenação dos argumentos do uno ou Platão com seu Estrangeiro parricida do diálogo Sofista entre tantos Contudo sabemos que tam 61 PARMÊNIDES bém os manuscritos de que dispomos são provenientes de fontes indiretas e sabese que na transmissão helenista não há muito pudor em intervir no texto citado e tal intervenção raramente é assinalada pelo próprio autor Assim muitas ve zes nos deparamonos com mais de uma variante de interes se para a compreensão integral do Poema Nestes casos segui mos os manuscritos mais fiáveis os que apresentam trechos maiores do Poema como os de Sexto e Simplício e os mais antigos entre os conceitualmente bem conservados como os de Aristóteles mas assinalamos as variantes e correções al ternativas Um exemplo destas opções é a lacuna no terceiro verso do fragmento B6 preenchida de um modo por Diels e de outro modo por Cordero Assinalamos as duas correções e as consequências interpretativas de cada uma mas deixamos no corpo a lacuna dos manuscritos De fato preferimos algumas vezes deixar abertura para as diversas vias de interpretação do que construir para nós mesmos a ilusão de que a nossa escolha restrita possa estar mais próxima de um suposto texto original O texto original é um objeto para nós tão perdido quanto o paraíso de Adão Nada mais ilusório do que acreditar que se possa estar por qualquer motivo interpretativo mais próximo do texto ori ginal de Parmênides Por que Parmênides deveria pensar do mesmo modo que qualquer das proposições dos seus traduto res Por que deveria ter a mesma coerência imaginada por um professor de Oxford ou Berlim ou Rio Não compartilhamos a ilusão da absoluta verdade interpretativa Um texto como o de Parmênides já não pode aspirar a uma identidade úni ca é antes um caminho constantemente retraçado pelos que por ele passam é um palimpsesto sobre o qual se superpõem quase três milênios de pensamentos intervindo efetivamente na materialidade da transmissão dos textos A nossa tradu ção antes de ser o que ela é mais uma tradução quer deixar abertas algumas das tantas encruzilhadas da tradição textual do Poema Por isso também nos interessam os fragmentos duvidosos e falsos para ver como é frágil a composição dos fragmentos e como é mais fácil verificar sua falsidade do que sua veracidade E ainda os contextos de recepção que inter pretam o Poema para os mais diversos usos Qual é o texto verdadeiro deste pensamento originário sobre a Verdade Pa 62 FILÓSOFOS ÉPICOS I rece uma armadilha armada propositalmente pela história da filosofia Uma armadilha em que não resta opção senão a de se deixar entrar e cair Uma última observação sobre a nossa tradução opta mos por colocar maiúsculas nas iniciais dos nomes de deuses Isto é sem dúvida uma intervenção anacrônica posto que não existiam maiúsculas em oposição a minúsculas ao tempo de Parmênides Não se trata de uma decisão de edição mas de tradução mesmo As maiúsculas evidenciam um efeito de tradução para marcar que são de deuses os nomes que nos poderiam passar despercebidos como tais Esta decisão é jus tificada a seguir Os deusesconceito A gênese dos nomes como conceitos pode ser acompa nhada ao longo de textos que desempenharam na linguagem o papel de importantes etapas desta transformação Estas são exemplarmente observadas nos nomes com que os gregos de signavam seus deuses Aristóteles chamou os que primeiro se espantaram com o mundo de theológoi os que falam de deuses em seguida oriundos do mesmo espanto o filósofo apresentou os physiológoi os que falam da natureza Todos à procura de conhecer os elementos que principiam e domi nam a totalidade do mundo Entre os gregos os que falam dos deuses são os poetas sobretudo os poetas épicos como Homero e Hesíodo mas também os trágicos como Ésquilo Os que falam da natureza são os primeiros filósofos como Heráclito e Parmênides Espantoso é que seja para falar dos deuses seja para falar da natureza os nomes escolhidos são ainda os mesmos ou quase os mesmos A mudança aparece mais no tratamento e na reverência fato que em palavras se refletiria no uso de maiúsculas ou minúsculas isso se ao tempo de Parmênides e Heráclito existisse tal diferença grá fica Quem sabe não foi justamente para reforçar suas inter pretações alegóricas sobre a poesia que fala dos deuses que os gramáticos alexandrinos inventaram essa distinção entre minúsculas e maiúsculas De modo que cada deus com nome iniciado por maiúscula seria a representação mitológica de alguma realidade natural com nome iniciado por minúscu la Afinal a frase já é demarcada pelo ponto Os nomes de 63 PARMÊNIDES pessoas têm uma semântica bem distinta Só os nomes dos deuses é que precisariam ser diferenciados dos nomes dos elementos da natureza e dos conceitos incorporais Tal diferenciação contudo não é algo requisitado ao tempo de Homero e da poesia épica arcaica em geral mas é algo que só aparece de fato com o advento da Filosofia e de sua crítica ao tratamento tradicional com que os poe tas apresentavam os deuses Pelo tratamento próximo pela descrição antropomórfica pela retratação dos crimes hu manos nos deuses é que os filósofos vão querer expulsar dos concursos e das cidades a bastonadas estes Homeros e também Arquílocos e outros quantos Mas o povo ainda por muito tempo iria tomar as dores dos poetas mandando ao exílio e condenado à cicuta aqueles novos portavozes da verdade Para o povo e para as instituições tradicionais de saber de cunho geralmente religioso o que os filósofos chamam de princípios naturais são efetivamente os deuses Aristófanes brinca com esses tempos de logomaquia de luta com palavras pelas palavras explorando as novas ambigui dades que o estudo filosófico da natureza traz para com os nomes dos deuses Na comédia As Nuvens as personagens Sócrates e Estrepsíades conversam sobre os estudos empre endidos no Pensatório Sócrates Eu salto pelo ar e examino os contornos do sol Estrepsíades Queres supervisionar os deuses aí em cima no cesto em vez de os reverenciar daqui do chão8 Esse Sócrates dAs Nuvens já fala do sol como de um ente natural assim como fala um fisiólogo Não importa que o Só crates personagem de Platão venha a negar no tribunal esse interesse pela ciência da natureza9 pois a personagem de Aris tófanes não é o retrato fiel de um indivíduo mas a caricatura de um tipo esse novo homem que se empodera com a dialé tica o sofista o fisiólogo o filósofo O Sócrates dAs Nuvens é a síntese cômica desses novos homens altivos e irreverentes à tradição O prenúncio do livre pensador laico da modernidade 8 Nuvens 225227 9 Apologia de Sócrates 26d 64 FILÓSOFOS ÉPICOS I Já a outra personagem Estrepsíades é o rústico popular a distinção não é social mas cultural apegado às tradições porque não pode superar o que apreendeu pelo hábito de toda uma vida Mas nesta cena o homem rústico e ridículo faz às vezes de bufão e põe a plateia para rir do orgulho e da altivez ou melhor literalmente das alturas do Sócrates nefelibata Isso apenas com a revelação de um simples equívoco Mas será um equívoco o sol astro de fogo o Sol deus do panteão préolímpico A perspicácia histórica do comediógrafo é célebre mes mo Platão não conhecia melhor retratista da sociedade ate niense dos seus conflitos de suas transformações Aristófa nes percebe o declínio do Sol a passagem de uma era em que os deuses dominavam o quotidiano dos homens e assumiam a imagem das forças constituidoras do real para uma era em que o homem começa a erigir o discurso conceitual para falar também das forças do real como natureza autônoma No Poema de Parmênides estamos num desses lugares textuais em que ganha clareza a transição da teogonia mítica para a ontologia filosófica a transição da celebração dos deu ses em suas gestas para os conceitos em sua determinação No Poema estão presentes os nomes tradicionais de vários deuses ora em passagens narrativas como um mito tradi cional ora já nas passagens mais densas de uma precursora analítica do ser ora ainda numa efetiva cosmogonia natural Esse lugar de transição nos põe já na tradução um di lema terão esses nomes o estatuto de conceitos abstratos ou lhes daremos as maiúsculas iniciais com que caracterizamos hoje a condição personificada de deuses Optamos na tradu ção pelas maiúsculas mesmo anacrônicas para realçar estes nomes e poder perceber como os deuses tão presentes na vida do pensamento grego exprimem também essas ideias fundamentais com que os filósofos apreendem a realidade Os deuses que aparecem no Poema são pelo menos os seguintes as helíades Filhas do Sol nýx a Noite pháos a Luz e êmar o Dia díke a Justiça thêmis a Norma theá a Deusa inominada moîra a Partida alétheia a Verdade pístis a Fé anánke a Necessidade aíther o Éter seléne a Lua ouranós o Céu gaîa a Terra hélios o Sol gála a via Láctea ólympos o 65 PARMÊNIDES Olimpo éros o Amor e aphrodítes Afrodite10 Como se pode ver não apenas demos maiúsculas aos nomes para mostrar que são deuses mas também os traduzimos sempre que pos sível para ver que também são termos da lida quotidiana An tes de serem nomes próprios quase sempre são substantivos comuns Nem sempre porém usamos as traduções ortodo xas como em nossa tradução de moîra por Partida em vez de Destino porque sempre buscamos um nome que expressas se um sentido integrado a uma interpretação total do Poema princípio primeiro da arte hermenêutica A seguir vamos tratar de cada um desses nomes e de como se situam na com posição geral do texto de Parmênides Os nomes dos deuses Há famílias de deuses distribuídas e reunidas pelas di ferentes partes do Poema No Proêmio o narrador da aventura e dela personagem um viajante iluminado em busca do conhecimento verdadei ro é conduzido em seu caminho por moças Filhas do Sol as Helíades Hélios é o sol no panteão arcaico provedor de luz em que vigem vida conhecimento e beleza As filhas de Hélios são equivalentes às musas consagradas de Apolo Tratase de divindades de intermediação numes daímones musas que os poetas costumam invocar no início de seu canto para chamar a inspiração e o fôlego do cantar Parmênides também realiza este rito de iniciação e invocação poética que ganha contor nos também de um rito iniciático uma ascese para a conquis ta do conhecimento As Filhas do Sol assim como as musas trazem o canto à luz fazem com que do antro da garganta a voz traga a palavra ao espaço público da comunicação A Luz é também tradicionalmente divinizada e no Poema desempenha uma função orientadora ela é a meta aquilo que deseja o viajante para onde ele quer se encami nhar Para a Luz dirigem as Filhas do Sol a cavalgada das éguas para o portal da Noite e do Dia Ainda estamos dentro de um campo semântico adensado de experiência concreta de modo que nos soa estranho dizer que também são nomes de deuses ou conceitos em estado nascente Sem dúvida a 10 Não considero aqui a citação de Zeus nos fragmentos falsos 66 FILÓSOFOS ÉPICOS I Noite e o Dia não são experiências quaisquer a Noite e o Dia abrem a sucessão temporal em que todo o real acontece para os mortais O tempo é o suporte indispensável de toda experiência concreta e ele mesmo é experimentado quando se distingue um dia de outro dia pelo intervalo da noite Mas podemos lembrar que a Noite é uma deusa que prove rá uma linhagem importante na Teogonia hesiódica E esta linhagem agrupa mais do que uma simples experiência de escuridão e sucessão do tempo Os filhos da Noite são Lote Sorte negra e Morte Sono e os Sonhos Escárnio e Miséria as Hespérides guardiãs do Ocaso as três Partes e as três Sortes Vingança Engano Amor Velhice e a Ira de Ânimo cruel cujos filhos são ainda mais aterradores Fadiga Olvi do Fome Dores Batalhas Combates Massacres e Homicí dios Litígios Mentiras Discursos e Disputas Desordem Derrota e Jura11 Deixar a Noite em direção à Luz pode indicar a cami nhada purificadora de uma ascese do conhecimento visto desde já não apenas como mera atividade teórica mas como transformação no plano ético prático dos valores em que a vida se conquista Os valores tenebrosos e odiosos da noite nesta jornada de iluminação devem abrir passagem para os valores diurnos e transparentes da legalidade da justiça e da verdade que fica mais evidente no episódio da abertura do portal da Noite e do Dia É díke a Justiça a deusa que guarda as chaves alternan tes deste portal Quem permite ou não o acesso à mais alta sabedoria é a juíza das ações humanas Mas díke não é apenas uma deusa julgadora que discerne as boas ações dos homens das suas ações ruins Ela não apenas acusa o valor das ações é também quem indica o melhor caminho aquele que o ho mem excelente deve trilhar em busca de sua plena realização O nome díke concentra o sentido do radical do verbo deíknymi mostrar apontar indicar Díke não só abre o caminho ela também indica a sua direção e o seu sentido Díke significa ca minho Em todo o Poema o sentido dêitico sinalizador do ca 11 Mantenho os nomes da tradução de Torrano 1992 com poucas alterações Vingança por Nêmesis Ira por Éris Jura por Juramento Mantenho Partes para traduzir moirai mas no Poema traduzirei moira por Partida 67 PARMÊNIDES minho é invocado várias vezes Nas várias encruzilhadas por que passa o viajante a Justiça sempre estará presente como a indicação e a prescrição do bom caminho reto real verda deiro A Deusa inominada que recebe o viajante em toda a sua lição sobre as duas vias do conhecimento não deixa de mencionar a proveniência justa deste seu discípulo e conser vará por toda a sua exposição este tom prescritivo exortativo este tom moral que separa o que deve ser do que não deve ser Vale a pena reparar na fala da Deusa inominada quan tas vezes a afirmação do que é real e verdadeiro é também acompanhada por uma prescrição modal do tipo deve ser seguido No Poema de Parmênides a verdade ontológica do ser não é dissociada da prescrição de correção no agir e no escolher A proximidade entre ser e dever ser na expressão da indicação do caminho da verdade é um traço decisivo do Poema inclusive para buscar uma determinação mais concre ta do seu conteúdo e do sentido originário do discurso do ser e sobre o ser Por que afinal um poema sapiencial que funda o discurso sobre o ser como discurso verdadeiro tem essa am biência preparatória em torno da Justiça e outras divindades que presidem as ações morais as ações humanas A Justiça é uma deusa do âmbito da moralidade pre sente no episódio do portal mas há também outras que a acompanham quando a Deusa inominada dá as boas vindas ao viajante A Justiça díke e a Norma thêmis conduziram o viajante até a presença da Deusa sapiencial E por ter vindo da parte destas duas deusas o viajante é avaliado bem em sua Partida moîra Thêmis Norma é a expressão de uma ordem primor dial de uma lei fundada na postulação divina Não se trata de uma lei convencionada pelos homens mas uma prescrição transcendente do que deve ser e do que é conforme à ordem dos deuses conforme aos princípios da realidade Esta or dem precede à ordem da lei política e tratase de uma ordem que governa as relações consanguíneas da família ou da tribo É a ordem que garante a normalidade anterior à legalidade convencionada pela assembleia ou outorgada pelo rei Sem dúvida ainda é a tragédia Antígona de Sófocles a melhor ex posição da diferença entre a lei divina dos laços de sangue e a lei proclamada pela palavra do governante 68 FILÓSOFOS ÉPICOS I O nome de thêmis concentra o radical do verbo títhemi pôr estabelecer Thêmis é o que se impõe a despeito da von tade dos homens Thêmis é a Imposição Se fora abrir mão de valores estéticos para uma tradução puramente conceitual em vez de Norma diria Imposição Os homens podem agir conforme ou não a esta imposição primordial isto lhes confe re boa ou má partida no desempenho da vida Partida é o nome que escolhemos para traduzir a moîra Esta não é sem dúvida uma escolha tradicional Sabemos que a moîra é o Destino mas preferimos designála de Par tida Não parece estranho A partida não é justamente o oposto do destino quando pensamos nos extremos de uma caminhada Ora justamente o que nos orienta em primeira mão no contexto do Poema é o campo semântico e imagético do caminho e da caminhada Neste sentido é preciso com preender a moîra como quem providencia o envio do viajante em sua caminhada Providência e Envio também são nomes aproximados para a moîra Destino enfatiza a meta o extre mo fim do caminho isto que dá o sentido do envio de uma jornada Mas a ênfase no contexto do Poema não está no extremo fim mas no extremo começo A Deusa inominada ao receber o viajante diz que ele foi enviado por boa moîra Ela não está falando do extremo fim do destino o qual para o homem de conhecimento é a sabedoria e a verdade Ela está falando do começo É preciso compreender que a moîra não é essencialmente a determinação incontornável de um desfecho como se todo o traçado de uma vida já estivesse predestinado em seu desígnio Não nenhuma moîra é a con sumação prévia do que está por vir A moîra é incontornável sim e nem os deuses podem fugir aos seus limites que de finem um campo do possível do qual não se pode escapar a morte para os mortais por exemplo previsível certa mas ao mesmo tempo por toda a vida uma possibilidade incógnita e insondável Os limites da moîra são os limites essenciais do ente dentro dos quais o ente pode ser e é fora dos quais não pode ser e não é A moîra tem como representação a experiência concre ta do lote de terra próprio a parte que cabe a cada um nes te mundo Depois que Zeus e os deuses olímpicos vencem a guerra contra os Titãs vem a hora da partilha Zeus distribui 69 PARMÊNIDES a cada deus vencedor a sua parte do mundo a sua partida a sua moîra Estas partes lhes pertencem mas também os deu ses pertencem a elas E por elas fazem valer o seu poder e a sua vigência O lote de Posêidon é a ondulação dos mares e os tremores da terra O lote de Apolo é a irradiação solar do dia O lote é a parte de terra que na partilha de um campo novo12 ou de uma reforma agrária13 o camponês recebe para cultivar lote a partir do qual vai trazer o sustento da sua casa e ao qual vai estar ligado por toda a vida e no qual por fim será enterrado O lote de cada mortal é o quanto pode fazer em sua vida inteira a faina de sua existência O nome moîra significa a parte móros que fazemos ressoar no nome Partida A partida é de um lado a parte se parada de cada um seu lote por outro lado é o momento da separação o parto a individuação neste sentido é também o envio à vigência e à vida o início Mas a partida não é ex clusivamente o início a partida é também o tempo inteiro em que o destino está em jogo Jogase uma partida E de certo modo é o momento da despedida em que é superada cada etapa da uma viagem No contexto das imagens de caminhada na jornada do viajante que busca a verdade a moîra é o que se destina na Partida Outro nome que os gregos dão às amarras do Destino é anánke a Necessidade Esta aparecerá no segundo momento em que são citados os deuses desse campo moral do dever junto com a Justiça e a Partida Tratase do momento em que a Deusa descreve os sinais do que é no fr B8 ali a Necessi dade aparece para confirmar o caminho verdadeiro e também para firmar o ente em seus limites e determinações em suas amarras ontológicas cerradas Aos deuses de vigência moral que presidem e normati zam as ações e atitudes dos mortais ligados ao desempenho de sua vida mas que no Poema repercutem essa necessidade em toda a constituição do real a esses deuses que se apre sentam na modalidade do dever seguemse os deuses que demarcam a via do que é o caminho que a Deusa inominada exorta a seguir São estes os deuses da Fé pístis e da Verdade 12 Como nas colônias gregas tais que Eleia 13 Como a promovida por Sólon em Atenas 70 FILÓSOFOS ÉPICOS I alétheia São deuses que presidem o discurso o conhecimento e a sabedoria Depois do discurso da Deusa acerca da Verdade res tam os deuses que aparecem no discurso sobre as opiniões dos mortais Esse discurso pautado por oposições sensíveis tais como fogo leve face à noite opaca e densa apresen ta uma cosmogonia na qual é difícil distinguir os deuses das entidades da natureza Os nomes não distinguem de maneira simples uma abordagem teogônica de uma abordagem fisio lógica Mas as descrições tendem claramente a um discurso sobre a natureza Não há sagas nem gestas como na Teogonia de Hesíodo Aqui os entes são apresentados em suas caracte rísticas e modos de ser autônomos Parmênides usa explicitamente o termo natureza como no primeiro verso do fr B10 Conhecerás a natureza do Éter e também todos os sinais que há no Éter Natureza e sinais e não feitos e acontecimentos gloriosos esta nova perspectiva é a que marcará doravante o discurso natural dos fisiólogos Mas por que esse discurso natural sobre o cosmo é tratado pelo filósofo como discurso das opiniões dos mortais Porque se trata talvez de um mundo que é descoberto pela experiência sensível Pode ser Talvez Parmênides já anuncie a transição que ele mesmo empreende do discurso teológico divino para o discurso fisiológico humano Quem sabe não percebe nesta transição não a evolução para a ciência mas o declínio do sa grado Não teríamos então de deixar de lado as maiúsculas que temos dado aos nomes dos deuses Já não teriam deixado de ser considerados deuses como irá mais tarde apontar Aris tófanes acusando Sócrates e todos os filósofos da natureza De toda forma esta parte cosmogônica do Poema com toda sua naturalidade fisiológica inclui versos especialmente belos sem dúvida por conta de sua atenção voltada para os fenômenos sensíveis Nestes poucos e curtos fragmentos te mos o testemunho de uma visão astronômica resplendente e flamejante do Éter do Olimpo do Céu da Via Láctea do Sol da Lua da Terra E também temos uma atenção especial aos fenômenos presididos por éros o Amor e por Afrodite pois são os deuses que regem os processos que dão conta da con dição ontológica do mundo natural o mundo destituído da fi xidez do ser mundo em que os entes são gerados e perecem 71 PARMÊNIDES O Poema e suas partes O Poema de Parmênides nos foi legado fragmentaria mente por citações em textos decisivos de filósofos e afins ao longo de todo um milênio de filosofia helênica e latina A integridade do poema porém não nos foi legada e salvo por poucas indicações parciais também a ordem da disposição dos versos Duas das mais extensas e mais importantes cita ções bem como outros versos esparsos Chegaramnos atra vés de Simplício um filósofo neoplatônico do séc VI que em seu comentário à Física de Aristóteles cita generosamente o eleata porque como ele mesmo diz o texto de seu poema já se tornara raro à época14 Assim Parmênides ganhou maior notoriedade pelos elogios e críticas nos tratados metafísicos de Platão diálogos Parmênides e Sofista e Aristóteles Física e Metafísica e seu texto chegou até nós principalmente pelo comentário de um filósofo neoplatônico quando este revisa va a crítica de Aristóteles ao conceito eleata de uma natureza phýsis que fosse destituída de movimento Deste modo a transmissão material do poema assim como a construção da posição filosófica e por assim dizer o perfil filosófico de Par mênides se constituiu como o de um metafísico unitarista e imobilista defensor de uma estreita unidade entre ser pensar e dizer que refutava e expulsava do campo da verdade a opi nião ambígua dos mortais sobretudo no tocante a suas expe riências sensíveis sobre a realidade do viraser e do perecer A reconstituição moderna do Poema de Parmênides ini ciada no séc XVI parte da extensa passagem de 30 versos citados por Sexto Empírico o qual igualmente indica ser esta a parte inicial do poema Esta parte se convencionou chamar de Proêmio pela sua narrativa preparatória e introdutória Mas o Poema toma realmente corpo com as extensas citações de Simplício edd Scaliger e Brandis ou seja com o aporte desse ponto específico de filtragem da tradição o neoplato nismo Esse núcleo metafísico legado por Simplício contri buiu para modelar desde então a recepção moderna e a dispo sição estrutural de sua compreensão do Poema primeiro um proêmio narrado pelo poeta de caráter iniciático e alegórico à moda dos poemas épicos sapienciais tais como a Teogonia de 14 Cf n 6 72 FILÓSOFOS ÉPICOS I Hesíodo é o fragmento B1 de Diels em seguida o discurso propriamente metafísico proferido por uma Deusa que re cebe o poeta O discurso da Deusa se apresenta inicialmente como um programa de investigação apresentando as vias do conhecimento que se deve seguir de um lado e de que se deve afastar de outro são os fragmentos citados por Simplício que Diels numerou como B2 B6 e B715 Em seguida engatado aos últimos versos de B7 o grandioso fragmento ontológico apresentando os sinais do que é ingênito e imperecível todo único intrépido e sem meta sem passado nem futuro mas agora equivalente nem algo maior nem algo menor Simplício produz uma pausa ao fim da mais longa ci tação de 52 versos com as seguintes palavras proferidas pela Deusa ἐν τῶι σοι παύω πιστὸν λόγον ἠδὲ νόημα ἀμφὶς ἀληθείης δόξας δ ἀπὸ τοῦδε βροτείας μάνθανε κόσμον ἐμῶν ἐπέων ἀπατηλὸν ἀκούων Aqui cesso para ti um discurso fiável e um pensamento acerca da verdade a partir daqui aprende opiniões de mortais ouvindo o mundo enganoso de minhas palavras Assim a recepção do Poema passou a considerar dois momentos no discurso da Deusa o discurso da Verdade ἀμφὶς ἀληθείης e o discurso enganoso ἀπατηλὸν das Opi niões dos mortais δόξας βροτείας separados exatamente por este verso B8 51 As edições dos fragmentos ao longo do séc XIX foram recolhendo novos textos a partir de citações encontradas em novos contextos Alguns fragmentos segun do pareciam constituir o discurso da Verdade foram sendo postos antes deste marco os outros segundo pareciam o dis curso das Opiniões foram postos depois dele A perspectiva de uma dicotomia entre verdade e opinião segundo a qual na primeira caberiam somente dis cursos ontológicos e na segunda tudo o que dissesse respei to a conhecimentos de ordem cosmológica foi adotada pelos editores modernos Estes assumiram que as teses unitaristas 15 Nós acrescentamos ao programa B10 como se verá melhor adiante 73 PARMÊNIDES e imobilistas quanto ao ser deveriam forçosamente legar ao âmbito da opinião e do engano tudo que dissesse respeito ao devir ao múltiplo ao movimento De modo que tudo quanto no Poema se diz dos astros e dos seres vivos só podia ser o discurso enganoso dos homens que vêem falsamente o devir onde deveriam ver o ser Por isso Aristóteles teria criticado a unidade do princípio e a imobilidade do ser de Parmênides quando em vista de perscrutar a natureza buscava analisar as causas do movimento Mesmo quando Simplício quer salvar Parmênides da crítica de Aristóteles o faz tendo em vista a ideia de que as teses unitaristas e imobilistas de Parmênides não falam da natureza mas do ser transcendente de modo que lega o dis curso verdadeiro ao ser e acaba por lançar toda a natureza móvel e múltipla no poço enganoso da opinião Constituiuse assim uma ideia não apenas de condenação por parte de Parmênides da perspectiva múltipla da opinião dos mortais como também de todo estudo dos fenômenos naturais pois não passariam de objetos desta mesma perspectiva enga nosa A via das opiniões foi assim identificada como a via que é condenada e que não deve ser percorrida Esta identificação to davia não é sem problemas Pois sendo uma via condenada por que justamente a Deusa a percorre depois de falar da verdade Ainda por que ela mesma a prescreve ao jovem aprendiz quan do apresenta nos últimos versos do Proêmio a segunda parte do programa de conhecimento B1 3132 ἀλλ ἔμπης καὶ ταῦτα μαθήσεαι ὡς τὰ δοκοῦντα χρῆν δοκίμως εἶναι διὰ παντὸς πάντα περὄντα Contudo também isto aprenderás como as aparências precisavam patentemente ser por tudo como tudo quanto é Dentre tantas perplexidades que o Poema nos apresen ta esta foi se tornando maior à medida que mais e mais cita ções foram incorporadas a este segundo momento da fala da Deusa convencionalmente chamado de Doxa a ponto de constituírem de fato um corpo teórico significativo de fenô menos ligados à astronomia à embriologia à psicologia à re produção à sensação Podemos remontar estas inquietações 74 FILÓSOFOS ÉPICOS I da recepção moderna ao comentário de Nietzsche para quem Parmênides teria incorporado ao fim de seu Poema uma cos mologia de que teria sido autor na juventude e que teria re negado na maturidade tratandoa justamente como exemplo de enganosa opinião Mas efetivamente é a recepção do Poema no século XX que levanta a grossa poeira do problema e que acaba por re definir e reavaliar o sentido e o estatuto em relação à verdade do discurso da Doxa chegando mesmo em alguns casos como no exame de Luigi Ruggiu16 a retirarlhe por completo a tradicional nuance negativa Levando em conta o estado atual dos estudos parmení deos proponho a seguinte ordenação do poema não menos ficcional em sua composição do que qualquer uma das outras já propostas por editores e tradutores vários do Poema O proêmio B1 128 A parte narrativa em que o poeta descreve sua jornada ao encontro da Deusa Depois desse proêmio a Deusa assu me diretamente o discurso O programa B1 2832 B10 Aqui a Deusa apresenta ao jovem um programa especial de conhecimento que ele deve seguir O programa comporta tanto o coração da verdade quanto a compreensão de como existem as opiniões dos mortais Acrescentamos ao progra ma também B10 em que a Deusa apresenta os elementos do cosmos que precisam ser conhecidos Reparar o uso do futuro três vezes εἴσηι conhecerás πεύσηι sondarás εἰδήσεις co nhecerás Deste modo o discurso cosmológico e sua expli cação são integrados ao programa de conhecimento proposto pela Deusa Os caminhos B5 B2 B3 B6 São os ensinamentos metodológicos da Deusa há um método verdadeiro e um método enganoso de conhecer O 16 ruGGiu Luigi Saggio Introduttivo e Commentario in reale Giovanni Parmenide Poema Sulla Natura Milano Bompiani 2003 75 PARMÊNIDES jovem precisa aprender o que são esses métodos ou caminhos para manterse no caminho do que é o real e verdadeiro O caminho do que é B7 B8 152 O caminho do que é apresenta os sinais do ente É o coração do discurso ontológico do Poema O caminho das opiniões B8 5361 B4 B9 As opiniões são apresentadas como a perspectiva enga nosa dos mortais As marcas desse discurso são a confusão a ambiguidade e particularmente a nomeação das coisas A ordenação do mundo B11 B12 B13 B14 B15 B15a B16 B17 B18 B19 Estes fragmentos apresentam teorias sobre a ordenação do mundo ou diacosmia Neles encontramse teorias cosmo gônicas teológicas astronômicas biológicas etc Parece que há uma atenção particular para os fenômenos ligados à geração en tre os quais a reprodução dos seres vivos As teorias da geração podem ser enquadradas também sob o aspecto de uma erótica da natureza éros o Amor é explicitamente citado como um deus primordial O estatuto dessas teorias em relação à verda de não é muito claro e parece variar Às vezes parece que se apresentam apenas catálogos de nomes e a mera nomeação foi criticada como característica do engano dos mortais Às vezes temos uma clara descoberta científica como na exposição das razões de ser o brilho na Lua um reflexo da luz solar B14 e B15 Esta exposição das razões verdadeiras que explicam um fenômeno enganoso visto que nos parece que a Lua tem luz própria nos faz suspeitar de que o discurso diacósmico não se ria apenas a exposição das aparências percebidas pelos mortais mas comportaria igualmente uma exposição argumentativa e crítica de como as coisas que nos aparecem de um modo podem ser reveladas em sua verdade pelo pensamento A demonstração da descoberta de que a estrela da manhã e a estrela vespertina Venus é a mesma reportada por Diógenes Laércio17 enqua drariase nesse mesmo tipo de método de conhecimento 17 laérCio Diógenes Vida dos Filósofos IX 23 DK 28 A 1 PArmÊNIDES DE ELÉIA FrAgmENtA Dk 28 b FrAgmENtOS 78 FILÓSOFOS ÉPICOS I ΠΕΡΙ ΦΥΣΕΩΣ B 1 1 ἵπποι ταί με φέρουσιν ὅσον τ ἐπὶ θυμὸς ἱκάνοι πέμπον ἐπεί μ ἐς ὁδὸν βῆσαν πολύφημον ἄγουσαι δαίμονες ἣ κατὰ πάντα τῃ1 φέρει εἰδότα φῶτα τῆι φερόμην τῆι γάρ με πολύφραστοι φέρον ἵπποι 5 ἅρμα τιταίνουσαι κοῦραι δ ὁδὸν ἡγεμόνευον 1 πάντα τῃ A πάντά τη E πάντάτη L πάντ ἄτη N πάντ ἄστη Mutschmann πᾶν τάύτη Cordero πᾶντ ἄντην Heyne 79 PARMÊNIDES DA NATUREZA B 1 Proêmio 1 Éguas que me levam a quanto lhes alcança o ímpeto caval gavam quando numes2 levaramme a adentrar uma via loquaz que de toda parte3 conduz o iluminado4 por ela era levado pois por ela mui hábeis éguas me levavam 5 puxando o carro mas eram moças que dirigiam o caminho 2 Numes os daimones são divindades de intermediação acessível aos homens Por intermédio dos numes os homens podem aceder a um plano divino Ou também pode acontecer o in verso de um daimon ser um deus exilado no mundo tal como no poema de Empédocles 3 Os manuscritos do texto de Sexto Empírico variam e as lições fogem à métrica como se uma sílaba longa tivesse sido alterada em uma breve Pode todavia tratarse de um caso de laga rus Cf Cordero Le vers 13 de Parménide Revue Philosophique 1982 2 p170 Diels usa pantaste toda cidade segundo o estabelecimento de Mutschmann que leu o manuscrito N assim Cordero reporta uma leitura diferente do manuscrito e propõe uma correção para adequar a métrica pan taute tudo a ela A nossa tradução segue a maioria dos manus critos os quais mesmo com a adequação de Cordero não ficam muito diferentes no sentido geral da frase De fato as únicas variantes que alterariam o sentido da frase na tradução são a do manuscrito N pantate toda Desgraça que não condiz bem com a passagem e a da cita da leitura de Mutschmann do manuscrito M cuja virtude maior é a referência da expressão ao início da Odisseia I 3 de modo que o narrador em busca da sabedoria vestiria a sombra literária de Ulisses o herói da astúcia e da inteligência alusão sempre presente na cultura póshomérica quando se fala de uma errância constituidora de experiência 4 O iluminado eidóta phôta tratase de uma expressão formada de um particípio do verbo eído saber que por sua vez é usado como aoristo de horáo ter visto assim saber equivale a ter a experiência do visto A esse particípio o que sabe o que viu Parmênides acrescenta o ob jeto phôta um termo que significa homem mas também alude a luzes embora esta forma seja atestada apenas mais tarde no dialeto ático e não no grego épico Parmênides repetirá o jogo com essa homonímia mas em sentido inverso em B 14 Literalmente e segundo a posição sintática o que se lê é um homem que sabe mas ressoa também quem viu luzes Para render a operação poética podese dizer quem sabe à luz ou O iluminado um tipo de denominação corrente em livros de revelação sapiencial Pode ser também alusão a um observador das estrelas 80 FILÓSOFOS ÉPICOS I 6 ἄξων δ ἐν χνοίηισιν ἵει σύριγγος αὐτήν αἰθόμενος δοιοῖς γὰρ ἐπείγετο δινωτοῖσιν κύκλοις ἀμφοτέρωθεν ὅτε σπερχοίατο πέμπειν ἡλιάδες κοῦραι προλιποῦσαι δώματα νυκτός 10 εἰς φάος ὠσάμεναι κράτων5 ἄπο χερσὶ καλύπτρας ἔνθα πύλαι νυκτός τε καὶ ἤματός εἰσι κελεύθων καί σφας ὑπέρθυρον ἀμφὶς ἔχει καὶ λάινος οὐδός αὐταὶ δ αἰθέριαι πλῆνται μεγάλοισι θυρέτροις τῶν δὲ δίκη6 πολύποινος ἔχει κληῖδας ἀμοιβούς 15 τὴν δὴ παρφάμεναι κοῦραι μαλακοῖσι λόγοισιν πεῖσαν ἐπιφραδέως ὥς σφιν βαλανωτὸν ὀχῆα ἀπτερέως ὤσειε πυλέων ἄπο ταὶ δὲ θυρέτρων χάσμ ἀχανὲς ποίησαν ἀναπτάμεναι πολυχάλκους ἄξονας ἐν σύριγξιν ἀμοιβαδὸν εἰλίξασαι 20 γόμφοις καὶ περόνηισιν ἀρηρότa7 τῆι ῥα δι αὐτέων ἰθὺς ἔχον κοῦραι κατ ἀμαξιτὸν ἅρμα καὶ ἵππους 5 κράτων Karsten κρατερῶν Sext 6 δίκη Scaliger δίκην mss 7 ἀρηρότa mss ἀρηρότε Bergk 81 PARMÊNIDES 6 O eixo porém nos meões impelia um toque de flauta incandescendo pois de ambos os lados duas rodas giravam comprimindoos porquanto as Filhas do Sol8 fustigassem a prosseguir e abandonar os domínios da Noite 10 para a Luz arrancando da cabeça com as mãos os véus Lá ficam as portas dos caminhos da Noite e do Dia pórtico e umbral de pedra as mantêm de ambos os lados mas em grandiosos batentes moldamse elas etéreas cujas chaves alternantes quem possui é Justiça9 rigorosa 15 As moças seduzindo com suaves palavras persuadiramna atenciosamente a que lhes retirasse rapidamente o ferrolho trancado das portas estas então fizeram com que o imenso vão dos batentes se escancarasse girando os eixos de bronze alternadamente nos cilindros encaixados 20 com cavilhas e ferrolhos as moças então pela via aberta através das portas mantêm o carro e os cavalos em frente 8 Filhas do Sol Heliádes Cf n1 No nome Heliádes ressoa também o nome Ouliádes epiteto que a cidade de Eleia inscreveu em um monumento homenageando Parmênides datando do séc I e descoberto em 1966 Significa filho de Oulis o Curador um dos epitetos de Apolo O patrônimo Ouliádes era em geral atribuido aos médicos mas pode se estender a outros sentidos purificadores e mesmo sugerir o pertencimento a alguma associação de inspiração pitagórica 9 Justiça díke é o caminho αὕτη δίκη ἐστὶ βροτῶν esse é o caminho dos mortais Od11218 e é quem indica deíknymi o caminho da verdade a gesta do sábio as ações do homem Cf Santoro Poema de Parmênides Da Natureza pp8081 82 FILÓSOFOS ÉPICOS I 22 καί με θεὰ πρόφρων ὑπεδέξατο χεῖρα δὲ χειρί δεξιτερὴν ἕλεν ὧδε δ ἔπος φάτο καί με προσηύδα ὦ κοῦρ ἀθανάτοισι συνάορος ἡνιόχοισιν 25 ἵπποις ταί σε φέρουσιν ἱκάνων ἡμέτερον δῶ χαῖρ ἐπεὶ οὔτι σε μοῖρα κακὴ προὔπεμπε νέεσθαι τήνδ ὁδόν ἦ γὰρ ἀπ ἀνθρώπων ἐκτὸς πάτου ἐστίν ἀλλὰ θέμις τε δίκη τε 83 PARMÊNIDES 22 E a Deusa10 com boa vontade acolheume e em sua mão minha mão direita tomou assim proferiu a palavra e me saudou Ó jovem acompanhado por aurigas imortais 25 que com éguas te levam ao alcance de nossa morada salve Porque nenhuma Partida11 ruim te enviou a trilhar este caminho à medida que é um caminho apartado dos homens mas sim Norma12 e Justiça 10 Quem é esta deusa M Heidegger propõe que seja a própria Verdade alétheia Mas tam bém é significativo o fato de ficar inominada por todo o poema fato que a torna ainda mais apartada da perspectiva dos homens que opinam e nomeiam No duvidoso fragmento B20 nomeiase Afrodite mas poderia ser mais uma deusa no variado catálogo cósmico Há outras deusas que poderiam ser aludidas sem serem explicitadas Perséfone deusa dos mortos que acolheria o sábio para uma jornada subterrânea como a da Divina Comédia Ártemis a irmã recolhida de Apolo que levaria o investigador à contemplação dos fenômenos celestes Nýx a Noite também é uma deusa cujo nome costuma ser substituído pelos epítetos Tenebro sa Temível e estaria acompanhada de sua prole de justiceiras e vingadoras entre as quais Díke a Justiça e Moira a Partida A reparar que o Poema cita e alude consideravelmente a divindades em sua maioria femininas 11 Partida Moira Esta não é uma tradução usual A Moira é normalmente entendida como Destino Porém menos que o lugar de chegada ela é a parte que partilha separa e envia a partida mesmo que essa partida seja a morte tal como no enunciado homérico da morte de Pisandro por Menelau como uma μοῖρα κακὴ IlN 602 12 Norma Themis Aquela que põe o que deve ser a lei divina A posição constituidora de uma moralidade divina e originária Moralidade que se apresenta aos homens sobretudo nos deveres impostos pelas relações consanguíneas que constituem a normalidade 84 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 1 28 χρεὼ δέ σε πάντα πυθέσθαι ἠμὲν ἀληθείης εὐπειθέος13 ἀτρεμὲς14 ἦτορ 30 ἠδὲ βροτῶν δόξας ταῖς οὐκ ἔνι πίστις ἀληθής ἀλλ ἔμπης καὶ ταῦτα μαθήσεαι ὡς τὰ δοκοῦντα χρῆν δοκίμως εἶναι διὰ παντὸς πάντα περ ὄντα15 Fontes de B1 130 Sexto Empírico Adversus mathematicos VII 111 e 112114 paráfrase 14 Proclo In Parmenidem 64039 2832 Simplício De caelo 557255582 a partir de χρεὼ δέ 2830 Diógenes Laércio Vitae philosophorum IX 22 2930 Clemente de Alexandria Miscelâneas V IX 596 Plutarco Adversus Colotem XIII 1114 de Proclo In Timaeum I 345 1516 Sexto Empírico é a principal fonte de B1 130 apenas os dois últimos versos faltam ao fragmento completado com a citação de Simplício 2832 que apresenta o programa de aprendizagem prescrito pela Deusa Cf n 39 Sexto é importante ainda por citar o título da obra Da Natureza Περὶ φύσεως e por indicar que este trecho é o inicio do poema ἐναρχόμενος γοῦν τοῦ Περὶ φύσεως γράφει τὸν τρόπον τοῦτον ἵπποι ἀληθής B 1 130 após citar os 30 primeiros versos do Proêmio segue com 6 versos de B7 ἀλλὰ σὺ λείπεται B 7 27 e depois ainda retorna com uma paráfrase do mesmo Proêmio Paraphrasis Sextus Empiricus Adversus mathematicos VII 112114 ἐν τούτοις γὰρ ὁ Παρμενίδης ἵππους μέν φησὶν αὐτὸν φέρειν τὰς ἀλόγους τῆς ψυχῆς ὁρμάς τε καὶ ὀρέξεις 1 κατὰ δὲ τὴν πολύφημον ὁδὸν τοῦ δαίμονος πορεύεσθαι τὴν κατὰ τὸν φιλόσοφον λόγον θεωρίαν ὃς λόγος προπομποῦ δαίμονος τρόπον ἐπὶ τὴν ἁπάντων ὁδηγεῖ γνῶσιν 2 3 κούρας δ αὐτοῦ προάγειν τὰς αἰσθήσεις 5 ὧν τὰς μὲν ἀκοὰς αἰνίττεται ἐν τῶι λέγειν δοιοῖς κύκλοις 7 8 τουτέστι τοῖς τῶν ὤτων τὴν φωνὴν δι ὧν καταδέχονται τὰς δὲ ὁράσεις Ηλιάδας κούρας κέκληκε 9 δώματα μὲν Νυκτὸς ἀπολιπούσας 9 διὰ τὸ μὴ χωρὶς φωτὸς γίνεσθαι τὴν χρῆσιν αὐτῶν ἐπὶ δὲ τὴν πολύποινον ἐλθεῖν Δίκην καὶ ἔχουσαν κληῖδας ἀμοιβούς 14 τὴν διάνοιαν ἀσφαλεῖς ἔχουσαν τὰς τῶν πραγμάτων καταλήψεις ἥτις αὐτὸν ὑποδεξαμένη 22 ἐπαγγέλλεται δύο ταῦτα διδάξειν ἠμὲν ἀληθείης εὐπειθέος ἀτρεμὲς ἦτορ 29 ὅπερ ἐστὶ τὸ τῆς ἐπιστήμης ἀμετακίνητον βῆμα ἕτερον δὲ βροτῶν δόξας ἀληθής 30 τουτέστι τὸ ἐν δόξηι κείμενον πᾶν ὅτι ἦν ἀβέβαιον 13 εὐπειθέος Plutarco Diógenes F P Sext Clemente εὐπίθεος Diógenes B εὐκυκλέος Simplício εὐφεγγέος Proclo 14 ἀτρεμὲς Sext texto e paráfrase 114 Simplício ἀτρεκὲς Sext 111 texto ἀτερκὲς N Plutarco 15 περ ὄντα Simplício D E F περῶντα Simplício A Cf Ilíada E 625 μέγαν περ ἐόντα 85 PARMÊNIDES B 1 Programa 1 28 Mas é preciso que de tudo te instruas tanto do intrépido16 coração da Verdade persuasiva17 30 quanto das opiniões de mortais em que não há fé verdadeira Contudo também isto aprenderás como as aparências precisavam patentemente ser por tudo como tudo quanto é18 16 intrépido Sext texto e paráfrase 114 Simplício exato Sext 111 texto Plutarco 17 persuasiva Plutarco Diógenes Sext Clemente bem redonda Simplício bem luzente Proclo 18 por tudo como tudo quanto é Simplício D E F atravessando tudo através de tudo Simplício A É uma das expressões mais intraduzíveis do Poema Em se aceitando a lição majoritária dos manuscritos literalmente através de tudo tudo enquanto entes Segundo a leitura de L Rug giu deste passo que adoto tratase do fato de que tudo que é deve ser e tem razão de ser assim também as aparências enquanto são entes enquanto são como tudo quanto é A prescrição de aprendizagem apresentada nestes dois versos é difícil de entender e aceitar Talvez por isso ape nas Simplício os cite enquanto a prescrição dos versos anteriores é citada com mais frequência Simplício quer rebater a crítica de Aristóteles no De caelo 298b 14 DK A 25 que imputa a Parmênides justamente o fato de ter considerado o sensível como o inteligível sem distinguir ontologicamente os entes corruptíveis dos incorruptíveis Simplício cita a passagem para mostrar que Parmênides faria a distinção entre o ser inteligível τὴν μὲν τοῦ ὄντως ὄντος τοῦ νοητοῦ e o devir sensível τὴν δὲ τοῦ γινομένου τοῦ αἰσθητοῦ porque segundo Simplício Parmênides chama de verdade o que é e de opinião o que devém διὸ περὶ τὸ ὂν ἀλήθειαν εἶναί φησι περὶ δὲ τὸ γινόμενον δόξαν Cf com de Ruggiu in Reale 2003 200209 e Ramnoux 1979 32 ss 86 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 10 1 εἴσηι δ αἰθερίαν τε φύσιν τά τ ἐν αἰθέρι πάντα σήματα καὶ καθαρᾶς εὐαγέος ἠελίοιο λαμπάδος ἔργ ἀίδηλα καὶ ὁππόθεν ἐξεγένοντο ἔργα τε κύκλωπος πεύσηι περίφοιτα σελήνης 5 καὶ φύσιν εἰδήσεις δὲ καὶ οὐρανὸν ἀμφὶς ἔχοντα ἔνθεν19 ἔφυ τε20 καὶ ὥς μιν ἄγουσα21 ἐπέδησεν Ανάγκη πείρατ ἔχειν ἄστρων Fontes de B10 Clemente de Alexandria Miscelâneas V 14 II 4191420 Cf Plutarco Adversus Colototem 1114b ὅς γε καὶ διάκοσμον πεποίηται καὶ στοιχεῖα μιγνὺς τὸ λαμπρὸν καὶ σκοτεινὸν ἐκ τούτων τὰ φαινόμενα πάντα καὶ διὰ τούτων ἀποτελεῖ καὶ γὰρ περὶ γῆς εἴρηκε πολλὰ καὶ περὶ οὐρανοῦ καὶ ἡλίου καὶ σελήνης καὶ γένεσιν ἀνθρώπων ἀφήγηται καὶ οὐδὲν ἄρρητον ὡς ἀνὴρ ἀρχαῖος ἐν φυσιολογίαι καὶ συνθεὶς γραφὴν ἰδίαν οὐκ ἀλλοτρίαν διαφορῶν22 τῶν κυρίων παρῆκεν 19 ἔνθεν μὲν γὰρ Scaliger ἔνθεν μὲν γὰρ Clemente Scaliger propõe por conta da métrica que μὲν γὰρ é um acréscimo posterior da fonte preferimos como OBrien já retirálo assinalandoo aqui 20 ἔφυ τε Sylburg ἔφυγε Clemente 21 ἄγουσα 22 Plut ἀλλοτρίαν διαφορῶν ἀλλοτρίας διαφθοράν DK 87 PARMÊNIDES B 10 Programa 2 1 Conhecerás a natureza do Éter e também todos os sinais que há no Éter e as obras invisíveis da flama pura do Sol resplendente e de onde surgiram Sondarás as obras vagantes da Lua ciclópica 5 e sua natureza conhecerás também o Céu que tudo abarca de onde este brotou e como a Necessidade o levou no cabresto a manter os limites dos astros Cf Plutarco Adversus Colototem 1114b O qual criou de fato uma ordenação de mundo com uma mistura de elementos o luzente e o obscuro e por meio destes produziu todos os fenômenos assim também disse muitas coisas sobre a Terra e sobre o Céu e o Sol e a Lua e dissertou sobre a geração dos Homens Na condição de homem antigo não deixou de falar de nenhum dos principais assuntos relativos ao estudo da natureza e compôs um texto próprio sem interferências alheias 88 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 5 ξυνὸν δὲ μοί ἐστιν ὁππόθεν ἄρξωμαι τόθι γὰρ πάλιν ἵξομαι αὖθις Fonte de B5 Proclo In Platonis Parmenidem I 708 16 Proclo cita estes versos depois de B 825 A posição deste fragmento varia segundo o editor O próprio Diels antes de posicionálo como quinto colocouo em terceiro Bar bara Cassin p ex põeno logo depois do primeiro fragmento De fato ele referese à indiferença de começar por um ou outro dos dois caminhos que já são enunciados desde I 2932 Se os dois caminhos são convergentes e tendem ao encontro é que no fundo tratase de um único caminho circular em que de qualquer ponto de um ponto comum saem dois caminhos de sentido inverso e ambos retornam ao mesmo lugar Por isso mesmo este fragmento pode situarse em qualquer parte do Poema de que se fale dos dois caminhos de investigação Poderia até mesmo ser um refrão repetido várias vezes no poema para reforçar a sua tese de unidade e continuidade do ser Neste sentido poderíamos ouvir um eco de resposta também nos versos épicos de Empédocles que também falam dos caminhos palíndromos vv 2323 e 2478 Pri mavesi DK 31 B 17 12 e 167 B 23 B 2 εἰ δ ἄγ ἐγὼν ἐρέω κόμισαι δὲ σὺ μῦθον ἀκούσας αἵπερ ὁδοὶ μοῦναι διζήσιός εἰσι νοῆσαι ἡ μὲν ὅπως ἔστιν τε καὶ ὡς οὐκ ἔστι μὴ εἶναι πειθοῦς ἐστι κέλευθος ἀληθείη23 γὰρ ὀπηδεῖ 5 ἡ δ ὡς οὐκ ἔστιν τε καὶ ὡς χρεών ἐστι μὴ εἶναι τὴν δή τοι φράζω παναπευθέα ἔμμεν ἀταρπόν οὔτε γὰρ ἂν γνοίης τό γε μὴ ἐὸν οὐ γὰρ ἀνυστόν οὔτε φράσαις B 3 τὸ γὰρ αὐτὸ νοεῖν ἐστίν τε καὶ εἶναι24 Fontes de B2 1678 Proclo In Timaeum I 345 1824 2627 38 Simplício Physica 116281171 36 Proclo In Parmenidem 1078 Fontes de B3 Clemente de Alexandria Miscelâneas VI II 44012 Plotino Enneadas V 1 8 V 9 5 Proclo In Parmenidem 1152 23 ἀληθείη libbri ἀληθείηι Bywater DK 24 γὰρ om Plotino ἐστίν Clemente ἐστί Plotino Proclo ταὐτὸν ἐστίν ἐκεῖ νοεῖν τε καὶ εἶναι Cousin 1827 ταὐτὸν δ ἐστίν ἐκεῖ νοέειν τε καὶ εἶναι Cousin 1864 89 PARMÊNIDES B 5 Os Caminhos 1 comum25 porém é para mim de onde começarei pois lá mesmo chegarei de volta26 outra vez B 23 Os Caminhos 2 B 2 Pois bem agora vou eu falar e tu presta atenção ouvindo a palavra acerca das únicas vias de questionamento que são a pensar uma para o que é e como tal não é para não ser é o caminho de Persuasão pois Verdade o segue 5 outra para o que não é e como tal é preciso não ser esta via indicote que é uma trilha inteiramente inviável pois nem ao menos se reconheceria o não ente pois não é realizável nem tampouco indicaria B 3 pois o mesmo é a pensar e também ser27 25 Xynon é uma palavra densa de conotações se lembrarmos de seu uso também em Heráclito em que determina isto mesmo que é o pensar O núcleo semântico é a preposição syn que significa com Tratase do sendo com que reúne converge comunga e torna indiferente no sentido etimológico dessa palavra o que não separa Tem também a ideia de continui dade e meio comum que aparece em B 11 em que é o epíteto da palavra Éter Xynon é um adjetivo pelo desconhecimento da parte perdida do verso seguimos a sintaxe ditada por Proclo que o cita assim lemos que o ponto de partida é comum Pensamos obviamente no ponto de partida das vias de conhecimento Proclo cita estes versos depois do verso 25 de B 8 em que é dito que o ente é todo contínuo A repetição em B 11 reforça essa ideia de continuidade Isso pode explicar porque qualquer ponto de partida é indiferente não apenas o das vias de conhecimento mas efetivamente o de qualquer jornada pois o próprio deslo camento seria uma ilusão quando se encontra o lugar de onde se partiu 26 Cf B6 9 27 A interpretação da sintaxe deste fragmento é extremamente controversa segundo o sentido como se interpreta o valor da identidade entre ser e pensar A preposição a entre parênteses é uma solução oriunda da tipografia poética de EE Cummings Visa a deixar em aberto as possibilidades sintáticas tal como se dá na expressão em grego sem preposição Clemen te compara a sua sintaxe com a de um verso de Aristófanes pois é possível o pensar ser igual ao agir Αριστοφάνης ἔφη δύναται γὰρ ἴσον τῶι δρᾶν τὸ νοεῖν fr 691 K καὶ πρὸ τούτου ὁ Ελεάτης Παρμενίδης τὸ γὰρ αὐτὸ νοεῖν ἐστίν τε καὶ εἶναι 90 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 6 1 χρὴ τὸ λέγειν τὸ28 νοεῖν τ ἐὸν29 ἔμμεναι ἔστι γὰρ εἶναι μηδὲν δ οὐκ ἔστιν τά σ ἐγὼ30 φράζεσθαι ἄνωγα πρώτης γάρ σ ἀφ ὁδοῦ ταύτης διζήσιος lacuna31 αὐτὰρ ἔπειτ ἀπὸ τῆς ἣν δὴ βροτοὶ εἰδότες οὐδὲν 5 πλάττονται32 δίκρανοι ἀμηχανίη γὰρ ἐν αὐτῶν στήθεσιν ἰθύνει πλαγκτὸν33 νόον οἱ δὲ φοροῦνται κωφοὶ ὁμῶς τυφλοί τε τεθηπότες ἄκριτα φῦλα οἷς τὸ πέλειν τε καὶ οὐκ εἶναι ταὐτὸν νενόμισται κοὐ ταὐτόν πάντων δὲ παλίντροπός ἐστι κέλευθος Fontes de B6 12ἔστιν Simplício Physica 862728 1 ἔστι9 Simplício Physica 11746 813 89 Simplício Physica 7834 28 τὸ mss Cordero aponta a alteração na edição de Diels que transcreve τε νοεῖν Esta alteração remonta a Karsten 1835 e a uma conjectura entre parênteses da segunda edição de Brandis também 1835 sendo pouco notada pela maioria dos comentadores que raramente a con sideram A mudança altera significativamente o sentido deste verso já difícil pela construção paratática da sequência assindética de três verbos em modos nominalizados Mesmo com a correção o sentido continua controverso Optamos pela lição dos manuscritos mas oferece mos nas notas da tradução opções segundo a correção adotada por Diels 29 τ ἐὸν edd τεὸν F τὸ ὸν DE Ald 30 τά σ ἐγὼ Bergk τά γ ἐγὼ Simplicio D τoῦ ἐγὼ E τά γε F 31 ἄρξει Cordero εἴργω Diels a partir de εἴργε Ald e conforme B 7 2 32 πλάττονται DEF Diels πλάζονται Ald 33 πλαγκτὸν libri πλακτὸν Diels Cordero 91 PARMÊNIDES B 6 Os caminhos 3 1 Precisa tal dizer tal pensar que o ente é34 pois há ser mas nada não há isto eu te exorto a indicar Pois 35 desta primeira via de investigação em seguida daquela em que mortais que nada sabem 5 forjam36 bicéfalos pois despreparo guia em frente em seus peitos um espírito errante eles são levados tão surdos como cegos estupefatos hordas indecisas para os quais o existir e não ser valem o mesmo e não o mesmo de todos o caminho é de ida e volta37 34 A proposição em parataxe abre uma gama de interpretações e traduções possíveis Buscamos a que apresentasse a forma quase assindética da sucessão de verbos de modo mais simples e direto no sentido integrante de dizer o que pensa e o que é como a ponte da verdade que vai do ente e do pensamento até a fala Segundo a correção de Karsten adotada por Diels o verso ficaria assim É preciso dizer e pensar que o ente é pois é ser Diels ainda acrescenta em sua tradução nur que somente o ente é 35 Diels ed afastate Cordero ed parte A opção entre a conjectura de Diels ou a de Cordero para preencher esta lacuna dos manuscritos determina a existência de três ou dois caminhos de investigação A opção pelos dois caminhos de conhecimento que devem ser per corridos pelo sábio o da verdade e o das aparências Cordero nos parece mais coerente com o todo do Poema do que os dois caminhos enganosos do não ser e das aparências de que ele deve se afastar para percorrer o único caminho da verdade Diels Deixamos a lacuna primeiro por fidelidade aos textos dos manuscritos segundo para que o leitor possa expe rimentar por si as diversas conjecturas e suas consequências para a interpretação do Poema 36 forjam DEF Diels erram Ald 37 Cf B 5 2 92 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 78 B 7 οὐ γὰρ μήποτε τοῦτο δαμῆι εἶναι μὴ ἐόντα ἀλλὰ σὺ τῆσδ ἀφ ὁδοῦ διζήσιος εἶργε νόημα μηδέ σ ἔθος πολύπειρον ὁδὸν κατὰ τήνδε βιάσθω νωμᾶν ἄσκοπον ὄμμα καὶ ἠχήεσσαν ἀκουήν 5 καὶ γλῶσσαν κρῖναι δὲ λόγωι πολύδηριν38 ἔλεγχον ἐξ ἐμέθεν ῥηθέντα B 8 μόνος δ ἔτι μῦθος39 ὁδοῖο λείπεται ὡς ἔστιν ταύτηι δ ἐπὶ σήματ ἔασι πολλὰ μάλ ὡς ἀγένητον ἐὸν καὶ ἀνώλεθρόν ἐστιν ἐστι γὰρ οὐλομελές40 τε καὶ ἀτρεμὲς ἠδ ἀτέλεστον 5 οὐδέ ποτ ἦν οὐδ ἔσται ἐπεὶ νῦν ἔστιν ὁμοῦ πᾶν ἕν συνεχές τίνα γὰρ γένναν διζήσεαι αὐτοῦ πῆι πόθεν αὐξηθέν οὐδ ἐκ μὴ ἐόντος ἐάσσω φάσθαι σ οὐδὲ νοεῖν οὐ γὰρ φατὸν οὐδὲ νοητόν ἔστιν ὅπως οὐκ ἔστι τί δ ἄν μιν καὶ χρέος ὦρσεν 10 ὕστερον ἢ πρόσθεν τοῦ μηδενὸς ἀρξάμενον φῦν 38 πολύδηριν Diógenes πολύπειρον Sext 39 μῦθος Simplício θῦμὸς Sext 40 οὖλον μουνογενές Simplício Clemente Filopão μοῦνον μουνογενές Clemente Plutarco pseudo ἐστι γὰρ οὐλομελές Plutarco Cf Proclo Parm 1152 24 93 PARMÊNIDES B 78 O Caminho do que é B 7 Pois isto não nunca hás de domar não entes a serem mas o que pensas separa desta via de investigação nem o hábito multitudinário ao longo desta via te force a vagar o olhar sem escopo e ressoar ouvido 5 e língua mas discerne pela palavra a litigiosa41 contenda por mim proferida B 8 Ainda uma só palavra resta do caminho que é sobre este há bem muitos sinais que sendo ingênito também é imperecível Pois é todo único42 como intrépido e sem meta43 5 nem nunca era nem será pois é todo junto agora uno contínuo pois que origem sua buscarias Por onde de onde se distenderia Não permitirei que tu digas nem penses que do não ente pois não é dizível nem pensável que seja enquanto não é E que Necessidade o teria impelido 10 depois ou antes a desabrochar começando do nada 41 multitudinário Sext litigiosa Diógenes 42 todo único Simplício único de um só gênero Clemente Plutarco pseudo pois é íntegro Plutar co Proclo e Diels que justifica a escolha pelo contexto antigo de discussão sobre οὐλομελές 43 Simplício interpreta como sem fim significando sem limites no tempo Physica 304 Cerri 1999 p 23 busca solucionar o problema da tradução por incompleto mudando a pon tuação e ligando a palavra ao verso seguinte incompleto nunca era nem será Preferimos sem meta pois acrescenta uma ideia que ainda não apareceu para se agregar às caracterís ticas do ente o não visar nada para além de si mesmo 94 FILÓSOFOS ÉPICOS I οὕτως ἢ πάμπαν πελέναι χρεών ἐστιν ἢ οὐχί οὐδέ ποτ ἐκ τοῦ ἐόντος 44 ἐφήσει πίστιος ἰσχύς γίγνεσθαί τι παρ αὐτό τοῦ εἵνεκεν οὔτε γενέσθαι οὔτ ὄλλυσθαι ἀνῆκε δίκη χαλάσασα πέδηισιν 15 ἀλλ ἔχει ἡ δὲ κρίσις περὶ τούτων ἐν τῶιδ ἔστιν ἔστιν ἢ οὐκ ἔστιν κέκριται δ οὖν ὥσπερ ἀνάγκη τὴν μὲν ἐᾶν ἀνόητον ἀνώνυμον οὐ γὰρ ἀληθής ἔστιν ὁδός τὴν δ ὥστε πέλειν καὶ ἐτήτυμον εἶναι πῶς δ ἂν ἔπειτα πέλοι τὸ ἐόν45 πῶς δ ἄν κε γένοιτο 20 εἰ γὰρ ἔγεντ οὐκ ἔστι οὐδ εἴ ποτε μέλλει ἔσεσθαι τὼς γένεσις μὲν ἀπέσβεσται καὶ ἄπυστος ὄλεθρος οὐδὲ διαιρετόν ἐστιν ἐπεὶ πᾶν ἐστιν ὁμοῖον οὐδέ τι τῆι μᾶλλον τό κεν εἴργοι μιν συνέχεσθαι οὐδέ τι χειρότερον πᾶν δ ἔμπλεόν ἐστιν ἐόντος 25 τῶι ξυνεχὲς πᾶν ἐστιν ἐὸν γὰρ ἐόντι πελάζει 44 τοῦ ἐόντος Karsten μὴ ἐόντος Diels μὴ ὄντος Simplício DE γε μὴ ὄντος Simplício F Ald 45 ἔπειτα πέλοι τὸ ἐόν Simplício DE Diels πέλοιτὸ ἐόν Simplício F ἔπειτ ἀπόλοιτο ἐόν Karsten Stein Kranz na última ed DK 95 PARMÊNIDES Assim ou é necessário existir totalmente ou de modo algum Tampouco que do ente46 nunca força de Fé permitirá surgir algo para além do mesmo por isso Justiça nem vir a ser nem sucumbir deixa afrouxando amarras 15 mas mantém a decisão sobre tais está nisto é ou não é Mas já está decidido por Necessidade qual deixar como impensável e inominado pois é caminho não verdadeiro e qual há de existir e ser autêntico Como existiria depois o que é Como teria surgido 20 Pois se surgiu não é nem se há de ser algum dia Assim origem se apaga como o insondável ocaso Nem é divisível pois é todo equivalente nem algo maior lá que o impeça de ser contínuo nem algo menor mas é todo pleno do que é 25 Por isso é todo contínuo pois ente a ente cerca 46 Adotamos a correção de Karsten seguida por Reinhardt Frère e OBrien pois concorda mos que já foi tratada a impossibilidade da geração desde o não ente e agora o argumento desdobrase na impossibilidade de geração desde o ente de modo que a adição do não teria sido muito provavelmente uma correção dos redatores neoplatônicos para que a ideia não confrontasse a teoria da geração desde o ser de Plotino a teoria dos transbordamentos hipostáticos em que o uno gera o intelecto o intelecto gera a alma e esta a matéria Cf OBrien in aubenque Études sur Parménide II 343348 96 FILÓSOFOS ÉPICOS I αὐτὰρ ἀκίνητον μεγάλων ἐν πείρασι δεσμῶν ἔστιν ἄναρχον ἄπαυστον ἐπεὶ γένεσις καὶ ὄλεθρος τῆλε μάλ ἐπλάχθησαν ἀπῶσε δὲ πίστις ἀληθής ταὐτόν τ ἐν ταὐτῶι τε μένον καθ ἑαυτό τε κεῖται 30 χοὔτως ἔμπεδον αὖθι μένει κρατερὴ γὰρ Ανάγκη πείρατος ἐν δεσμοῖσιν ἔχει τό μιν ἀμφὶς ἐέργει οὕνεκεν οὐκ ἀτελεύτητον τὸ ἐὸν θέμις εἶναι ἔστι γὰρ οὐκ ἐπιδευές μὴ47 ἐὸν δ ἂν παντὸς ἐδεῖτο ταὐτὸν δ ἐστὶ νοεῖν τε καὶ οὕνεκεν ἔστι νόημα 47 μὴ suspeição de Bergk seguida por Diels e Cordero OBrien faz a correção omitindo o advérbio presente nos manuscritos 97 PARMÊNIDES Além disso imóvel nos limites de grandes amarras fica sem começo sem parada já que origem e ocaso muito longe se extraviaram rechaçouos Fé verdadeira O mesmo no mesmo ficando sobre si mesmo pousando 30 e assim aí fica firme pois poderosa Necessidade mantém nas amarras do limite cercandoo por todos os lados porque é norma48 o ente não ser inacabado Pois é não carente não49 sendo careceria de tudo O mesmo é o que é a pensar e o pensamento de que é 48 norma quando não vêm desempenhando uma função antropomórfica como por exemplo na condição de sujeito de uma ação optamos por deixar em minúsculas os nomes que tam bém são nomes de deuses 49 não a maioria das lições suspeita de uma interpolação deste advérbio algumas Frére OBrien já corrigem o texto omitindoo algumas traduções o mantêm Hölscher Coxon Barnes Cassin As duas leituras mesmo que distintas são plausíveis 1 é não carente sendo careceria de tudo quer dizer sendo carente de tudo careceria 2 é não carente não sendo careceria de tudo quer dizer porque é é não carente se não fosse careceria de tudo Todavia prefiro a primeira versão por isso deixo os colchetes que suspeitam do manuscrito porque neste argumento se está a dar as várias características do ente Sendo referese assim à continuação da hipótese sobre a característica de carente ou não carente Além disso a métrica de ambas as versões é possível conforme ἐπιδευές seja lido como tri ou te trassílabo mas a supressão do advérbio atende melhor ao metro épico esperado 98 FILÓSOFOS ÉPICOS I 35 οὐ γὰρ ἄνευ τοῦ ἐόντος ἐν ὧι πεφατισμένον ἐστιν εὑρήσεις τὸ νοεῖν οὐδὲν γὰρ50 ἢ ἔστιν ἢ ἔσται ἄλλο πάρεξ τοῦ ἐόντος ἐπεὶ τό γε Μοῖρ ἐπέδησεν οὖλον ἀκίνητόν τ ἔμεναι τῶι πάντ ὄνομ ἔσται51 ὅσσα βροτοὶ κατέθεντο πεποιθότες εἶναι ἀληθῆ 40 γίγνεσθαί τε καὶ ὄλλυσθαι εἶναί τε καὶ οὐχί καὶ τόπον ἀλλάσσειν διά τε χρόα φανὸν ἀμείβειν αὐτὰρ ἐπεὶ πεῖρας πύματον τετελεσμένον ἐστί πάντοθεν εὐκύκλου σφαίρης ἐναλίγκιον ὄγκωι μεσσόθεν ἰσοπαλὲς πάντηι τὸ γὰρ οὔτε τι μεῖζον 45 οὔτε τι βαιότερον πελέναι χρεόν ἐστι τῆι ἢ τῆι οὔτε γὰρ οὐκ ἐὸν ἔστι τό κεν παύοι μιν ἱκνεῖσθαι εἰς ὁμόν οὔτ ἐὸν ἔστιν ὅπως εἴη κεν ἐόντος τῆι μᾶλλον τῆι δ ἧσσον ἐπεὶ πᾶν ἐστιν ἄσυλον οἷ γὰρ πάντοθεν ἶσον ὁμῶς ἐν πείρασι κύρει 50 ἐν τῶι σοι παύω πιστὸν λόγον ἠδὲ νόημα ἀμφὶς ἀληθείης δόξας δ ἀπὸ τοῦδε βροτείας μάνθανε κόσμον ἐμῶν ἐπέων ἀπατηλὸν ἀκούων 50 οὐδὲν γὰρ Simplício 86 οὐδ εἰ χρόνος Simplício 146 51 πάντ ὄνομ ἔσται F87 πάντ ὄνομα ἔσται DK πάντ ὀνόμασται E 87 DE 146 πάντ ὠνόμασται F146 πάν τοὔνομ ἔσται D87 πάντ ὄνομ εἶναι Plat Eus Teodoreto Simplício 29 143 99 PARMÊNIDES 35 Pois sem o ente no qual foi proferido não encontrarás o pensar Pois nenhum outro nem é nem será além do ente pois que Partida já o prendeu para ser todo imóvel assim será nome tudo quanto os mortais instituíram persuadidos de ser verdadeiro52 40 surgir e também sucumbir ser e também não mudar de lugar e variar pela superfície aparente Além disso por um limite extremo é completado por todo lado semelhante à massa de esfera bem redonda do centro por toda parte igualmente tenso53 pois nem algo maior 45 nem algo menor é preciso existir aqui ou ali Pois nem há não ente que o impeça de alcançar o mesmo nem há ente o qual estivesse sendo aqui mais ali menos já que é todo inviolável pois de todo lado igual a si se estende nos limites por igual 50 Aqui cesso para ti um discurso fiável e um pensamento acerca da Verdade a partir daqui aprende opiniões de mortais ouvindo o mundo enganoso de minhas palavras 52 Cf Melissos 30 B 8 in Simplício De caelo 558 19 εἰ γὰρ ἔστι γῆ καὶ ὕδωρ καὶ τὰ ἄλλα ὅσα φασὶν οἱ ἄνθρωποι εἶναι ἀληθῆ Se existe terra e água e todas as outras coisas que os ho mens dizem ser verdadeiras 53 Cf Aristóteles Física III 6 207a15 βέλτιον οἰητέον Παρμενίδην Μελίσσου εἰρηκέναι ὁ μὲν γὰρ τὸ ἄπειρον ὅλον φησίν ὁ δὲ τὸ ὅλον πεπεράνθαι μεσσόθεν ἰσοπαλές 100 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 8 μορφὰς γὰρ κατέθεντο δύο γνώμας ὀνομάζειν τῶν μίαν οὐ χρεών ἐστιν ἐν ὧι πεπλανημένοι εἰσίν 55 τἀντία δ ἐκρίναντο δέμας καὶ σήματ ἔθεντο χωρὶς ἀπ ἀλλήλων τῆι μὲν φλογὸς αἰθέριον πῦρ ἤπιον ὄν μέγ ἀραιὸν ἐλαφρόν ἑωυτῶι πάντοσε τωὐτόν τῶι δ ἑτέρωι μὴ τωὐτόν ἀτὰρ κἀκεῖνο κατ αὐτό τἀντία νύκτ ἀδαῆ πυκινὸν δέμας ἐμβριθές τε 60 τόν σοι ἐγὼ διάκοσμον ἐοικότα πάντα φατίζω ὡς οὐ μή ποτέ τίς σε βροτῶν γνώμη παρελάσσηι 101 PARMÊNIDES B 8 O caminho das opiniões 1 Pois estabeleceram duas perspectivas de nomear formas das quais uma não é preciso no que estão desgarrados 55 Em contrários cindiram a articulação e puseram sinais separados uns dos outros de um lado fogo etéreo da flama tênue muito leve o mesmo que si mesmo em toda parte mas não o mesmo que o outro oposto ao que é por si mesmo os contrários noite opaca articulação densa e pesada54 60 Eu te falo esta ordenação de mundo55 toda verossímil para que nunca nenhum dos mortais te supere em perspectiva 54 Os nomes das formas são apresentados na forma de um catálogo de contrários como nas listas de tradição pitagórica e nas teogonias épicas como a de Hesíodo Provavelmente são desta ordem as referidas opiniões dos mortais Cf Scholion ad Parmenid B 8 5659 Simplicius Physica 31 3 καὶ δὴ καὶ καταλογάδην μεταξὺ τῶν ἐπῶν ἐμφέρεταί τι ῥησείδιον ὡς αὐτοῦ Παρμενίδου ἔχον οὕτως ἐπὶ τῶιδέ ἐστι τὸ ἀραιὸν καὶ τὸ θερμὸν καὶ τὸ φάος καὶ τὸ μαλθακὸν καὶ τὸ κοῦφον ἐπὶ δὲ τῶι πυκνῶι ὠνόμασται τὸ ψυχρὸν καὶ τὸ ζόφος καὶ σκληρὸν καὶ βαρύ ταῦτα γὰρ ἀπεκρίθη ἑκατέρως ἑκάτερα Cf Ramnoux Héraclite entre les choses et les mots 1968 pp 520 55 Ordenação de mundo Diákosmon kósmos quer dizer ordem mundo o prefixo dia acres centa a ideia de processo tal como em uma cosmogonia Cf Mourelatos The deceptive words of Parmenides Doxa 1993 102 FILÓSOFOS ÉPICOS I Fontes de B 7 12 Platão Sofista 237a 89 Cf 258d 23 Simplício Physica 1352122 143311441 24412 1 Aristóteles Metafísica 1089a 4 Alexandre Pseudo Metaphysica 80520 26 Sexto Empírico Adversus mathematicos VII 111 114 2 Simplício Physica 786 65013 3 Diógenes Laércio Vida dos Philósofos IX 22 Sexto Empírico é a principal fonte de B7 a sua citação do verso B76 B81 permite a junção de B7 com as citações de Simplício que constituem B8 Fontes de B 8 152 Simplício Physica 145114625 78810 1223 1423436 3013 12023 8721 14313 1681822 1433 8624 8622 8723 392740 793280 30610 14315 7730 4036 871416 1432225 863187 2918 14310 522628 8922 24 1262223 1371617 5223 12731 1436 14630 10726 13327 50267 14626 ss texto e comentário 12 Sexto Empírico Adversus mathematicos VII 111 114 34 Clemente de Alexandria Miscelâneas V XIV II 40289 Simplício De caelo 55718 Eusébio Preparatio evangelica XIII 1339 II 2141213 4 Plutarco Adversus Colotem XIII 1114c Plutarco pseudo Miscelâneas V 58024 Teodoreto Graecarum affectionum curatio II 108 65 7 6510 ss comentário IV 7 1021213 45 Proclo In Parmenidem 6652526 Filopão Physica 6579 5 Amônio De Interpretatione 1362425 Olimpiodoro In Platonis Phaedonem XIII 2 759 56 Asclépio Metaphysica 423031 381718 2021617 69 Simplício De caelo 13736 21 Simplício De caelo 55917 24 Damásio Dubitationes et solutiones de primis principis in Platonis Parmenidem 276 II 1465 25 Proclo In Parmenidem 66524 7081314 108012 Plotino Enneadas VI 4 22 42425 Proclo In Parmenidem 66524 7081314 108012 Plotino Enneadas VI 4 22 42425 Damásio Dubitationes et solutiones de primis principis in Platonis Parmenidem 60 I 1317 Filopão Physica 6511 Damásio Dubitationes et solutiones de primis principis in Platonis Parmenidem 60 I 1317 Filopão Physica 6511 26 Proclo In Parmenidem 115227 2932 Proclo In Parmenidem 11342225 115229 117756 6392930 115231 103 PARMÊNIDES 3536 Proclo In Parmenidem 11523536 38 Platão Teeteto 180e1 Anônimo Comentarius in Platonis Theaetetum 704143 Eusébio Preparatio evangelica XIV 46 II 2659 Teodoreto Graecarum affectionum curatio II 15 40 15 4345 Platão Sofista 244e 35 Anônimo De Melisso Xenophane Gorgia 976a810 978b810 Proclo Theologia platonica III 20 155 Estobeu Eclogae I 142 I 1441214 4344 Proclo In Timaeum II 692021 Proclo In Parmenidem 10842829 11293133 7081920 43 Boécio Philosophiae consolatio III 1237 6291 44 Aristóteles Physica 207a17 Asclépio Metaphysica 20218 Filopão Physica 47534 4445 Proclo In Parmenidem 6652829 5052 Simplício De caelo 55857 5061 Simplício Physica 3830399 301719 4189 3023312 18017 A fonte principal de B 8 é Simplício no seu Comentário à Física de Aristóteles Ele cita entre outras duas grandes partes do Poema com as quais se estrutura o fragmento primeiro os versos 1 a 52 que contêm o coração do Poema de Parmênides o discurso ontológico sobre os sinais do caminho Que é depois os versos 50 a 61 que intro duzem o discurso sobre o caminho das Opiniões O seu texto é em geral preferível porque apesar de ser o mais recente está claro que ele dispõe de uma cópia completa do Poema Todavia comporta algumas falhas seja por conta dele mesmo atestadas quando ele mesmo cita algum verso duas vezes de forma desigual v 6 por ex seja pela longa transmisão do texto até ele 104 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 4 λεῦσσε δ ὅμως ἀπεόντα νόωι παρεόντα βεβαίως οὐ γὰρ ἀποτμήξει τὸ ἐὸν τοῦ ἐόντος ἔχεσθαι οὔτε σκιδνάμενον πάντηι πάντως κατὰ κόσμον οὔτε συνιστάμενον Fontes de B4 14 Clemente de Alexandria Miscelâneas V 15 II 335 2528 1 Teodoreto Graecarum affectionum curatio I 72 22 1718 Proclo In Parmenidem 1152 37 2 Damásio Dubitationes et solutiones de primis principis in Platonis Parmeni dem I 67 Cf Clemente de Alexandria Miscelâneas V ἀλλὰ καὶ Παρμενίδης ἐν τῶι αὑτοῦ ποιήματι περὶ τῆς ἐλπίδος αἰνισσόμενος τὰ τοιαῦτα λέγειB4ἐπεὶ καὶ ὁ ἐλπίζων καθάπερ ὁ πιστεύων τῶι νῶι ὁρᾶι τὰ νοητὰ καὶ τὰ μέλλοντα εἰ τοίνυν φαμέν τι εἶναι δίκαιον φαμὲν δὲ καὶ καλόν ἀλλὰ καὶ ἀλήθειάν τι λέγομεν οὐδὲν δὲ πώποτε τῶν τοιούτων τοῖς ὀφθαλμοῖς εἴδομεν ἀλλ ἢ μόνωι τῶι νῶι 105 PARMÊNIDES B 4 O caminho das Opiniões 2 Vê como ausentes56 no entanto presentes firmemente em pensamento pois não apartarás o ente do manterse ente nem se dispersando de toda forma todo pelo mundo nem se concentrando Cf Clemente de Alexandria Miscelâneas V Mas também Parmênides no seu poema propõe um enigma sobre a esperança dizendo o seguinte B4 para quem tem esperança como para quem tem fé vê com o pen samento as coisas inteligíveis e as futuras Se então dizemos que algo é justo dizemos também que é belo mas também algo que é verdade não é de modo algum com estes olhos que vemos mas somente com o pensamento 56 Clemente ao citar Parmênides interpreta livremente as coisas ausentes como as coisas fu turas que ganham presença na esperança do pensamento conforme a teologia cristã Mas no contexto da fala da Deusa as coisas só podem estar ausentes segundo a opinião dos mortais sendo presentes quando pensadas com firmeza pois só há o ente Lambros Couloubaritsis propõe que este fragmento seja situado na conclusão do discurso das opiniões como a chave que reúne esse discurso diacósmico ao pensamento do ser proferido na primeira parte da fala divina Cf Mythe et philosophie chez Parménide 1986 Para Marcelo P Marques as coisas ausentes justamente estas coisas que estão à nossa volta ou coisas que não são se torna rão não propriamente o ser mas coisas presentes isto é que de algum modo se relacionam com o ser paraeónta O modo inteligente de olhar aproxima coisas distantes ou seja não seres do ser tornandoas de certa forma presentes Cf o artigo Relendo o fragmento 4 de Parmênides in Acerca do Poema de Parmênides 2009 pp 217227 De fato este sentido pode reunir o discurso diacósmico das opiniões humanas ao pensamento do ser como uma chave alternante ou charneira posicionada entre os dois discursos como já propõem Karsten e Barbara Cassin que o situam nessa zona central Pode extrairse dessa passagem que há um modo prescrito pela Deusa inominada de percorrer as opiniões dos mortais mantendo a firmeza do pensamento sem se afastar da verdade 106 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 9 αὐτὰρ ἐπειδὴ πάντα φάος καὶ νὺξ ὀνόμασται καὶ τὰ κατὰ σφετέρας δυνάμεις ἐπὶ τοῖσί τε καὶ τοῖς πᾶν πλέον ἐστὶν ὁμοῦ φάεος καὶ νυκτὸς ἀφάντου ἴσων ἀμφοτέρων ἐπεὶ οὐδετέρωι μέτα μηδέν Fonte de B9 Simplício Physica 180912 B 11 ἄρξασθαί λέγειν πῶς γαῖα καὶ ἥλιος ἠδὲ σελήνη αἰθήρ τε ξυνὸς γάλα τ οὐράνιον καὶ ὄλυμπος ἔσχατος ἠδ ἄστρων θερμὸν μένος ὡρμήθησαν γίγνεσθαι Fonte de B11 Simplício De caelo 5592225 Παρμενίδης δὲ περὶ τῶν αἰσθητῶν ἄρξασθαί φησι λέγειν DK B 11 107 PARMÊNIDES B 9 O Caminho das Opiniões 3 Todavia desde que tudo foi nomeado57 Luz e Noite em face disto e daquilo segundo as suas forças tudo está cheio ao mesmo tempo de Luz e de Noite escura ambos iguais pois que nada leva a nenhum dos dois B 11 Cosmos58 1 ter começado a dizer 59 1 como Terra e Sol e ainda Lua e também Éter agregador e Láctea celeste e Olimpo extremo e ainda força quente dos astros impeliramse 4 para vir a ser Simplício De caelo 5592225 Parmênides então disse ter começado a dizer dos sensíveis DK B11 57 A referência de Parmênides ao ato de nomear caracteriza a perspectiva humana no Caminho das Opiniões 58 O mundo é constituído pelo viraser dos fenômenos 59 O modo como Simplício introduz a citação é ambíguo a repetição dos verbos fáticos e o uso do aoristo deixam em suspeição se os termos dentro dos colchetes já não seriam derivados do Poema Simplício indica que é a partir daqui que Parmênides começa a falar do mundo sensível Por isso decidimos chamar esta parte também a partir daqui de Cosmos Isso ainda reforçou a ideia de passarmos B10 para o anúncio programático dos conteúdos logo após B1 Poderíamos supor ainda que B11 pudesse seguir B13 o qual anuncia um catálogo cosmogônico de deuses mas seria preciso também supor que não havia nos versos anterio res segundo a perspectiva de Simplício nada do discurso sobre as coisas sensíveis 108 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 12 1 αἱ γὰρ στεινότεραι πλῆντο πυρὸς ἀκρήτοιο αἱ δ ἐπὶ ταῖς νυκτός μετὰ δὲ φλογὸς ἵεται αἶσα ἐν δὲ μέσωι τούτων δαίμων ἣ πάντα κυβερνᾶι πάντων γὰρ στυγεροῖο60 τόκου καὶ μίξιος ἄρχει 5 πέμπουσ ἄρσενι θῆλυ μιγῆν τό τ ἐναντίον αὖτις ἄρσεν θηλυτέρωι Fontes de B12 Simplício Physica 391416 26 Simplício Physica 311317 Cf Simplício Physica 34 14 καὶ ποιητικὸν αἴτιον ἐκεῖνος μὲν ἓν κοινὸν τὴν ἐν μέσωι πάντων ἱδρυμένην καὶ πάσης γενέσεως αἰτίαν δαίμονα τίθησιν Cf Cicero De natura deorum I 28 DK A 37 Nam Parmenides quidem commenticium quiddam coronae simile efficit στεφάνην appellat continentem ardorem61 lucis62 orbem qui cingit caelum quem appellat deum in quo neque figuram divinam neque sensum quisquam suspicari potest multaque eiusdem63 monstra quippe qui bellum qui discordiam qui cupiditatem ceteraque generis eiusdem ad deum revocat quae vel morbo vel somno vel oblivione vel vetustate delentur eademque de sideribus quae reprehensa in alio iam in hoc omittantur Cf Aetios II 7 1 περὶ τάξεως τοῦ κόσμου D 335 DK A 37 Παρμενίδης στεφάνας εἶναι περιπεπλεγμένας ἐπαλλήλους τὴν μὲν ἐκ τοῦ ἀραιοῦ τὴν δὲ ἐκ τοῦ πυκνοῦ μικτὰς δὲ ἄλλας ἐκ φωτὸς καὶ σκότους μεταξὺ τούτων καὶ τὸ περιέχον δὲ πάσας τείχους δίκην στερεὸν ὑπάρχειν ὑφ ὧι πυρώδης στεφάνη καὶ τὸ μεσαίτατον πασῶν στερεόν περὶ ὃ πάλιν πυρώδης sc στεφάνη τῶν δὲ συμμιγῶν τὴν μεσαιτάτην ἁπάσαις ἀρχήν τε καὶ αἰτίαν κινήσεως καὶ γενέσεως ὑπάρχειν ἥντινα καὶ δαίμονα κυβερνῆτιν cf B 123 καὶ κληιδοῦχον B 114 ἐπονομάζει Δίκην τε καὶ Ανάγκην B 830 καὶ τῆς μὲν γῆς ἀπόκρισιν εἶναι τὸν ἀέρα διὰ τὴν βιαιοτέραν αὐτῆς ἐξατμισθέντα πίλησιν τοῦ δὲ πυρὸς ἀναπνοὴν τὸν ἥλιον καὶ τὸν γαλαξίαν cf B 112 κύκλον συμμιγῆ δ ἐξ ἀμφοῖν εἶναι τὴν σελήνην τοῦ τ ἀέρος καὶ τοῦ πυρός περιστάντος δ ἀνωτάτω πάντων τοῦ αἰθέρος ὑπ αὐτῶι τὸ πυρῶδες ὑποταγῆναι τοῦθ ὅπερ κεκλήκαμεν οὐρανόν ὑφ ὧι ἤδη τὰ περίγεια 60 πάντων W Sider πάντα DEF DK πάντῃ Mullach OBrien ἣ στυγεροῖο add Diels 61 ardorum B1 ardorem cett ardore Davies Diels D 62 ardorum et lucis DK 63 multaque eiusdem modi Heindorf 109 PARMÊNIDES B 12 Cosmos 2 1 Umas são mais estreitas repletas de fogo sem mistura outras face àquelas de noite64 ao lado jorra um lote de flama no meio destas há uma divindade65 que tudo dirige pois de tudo66 governa o terrível parto e a cópula 5 enviando fêmea para unirse a macho e de volta macho a fêmea Cf Simplício Physica 34 14 Mas este Parmênides pôs como causa eficiente única e comum a divindade instaura da no centro de tudo e causa de toda geração67 Cf Cicero De natura deorum I 28 DK A 37 Já Parmênides por sua vez criou uma espécie de ficção fez semelhante a uma coroa ele chama στεφάνην um círculo de luz em ardor contínuo que cinge o céu que ele chama de deus no qual não se pode supor nem alguma figura divina nem alguma sensação E o mesmo imaginou muitas estranhezas de fato atribui ao deus a disputa a discórdia o desejo e outras coisas do gênero que são destruídas pela doença ou sono ou olvido ou velhice E disse o mesmo acerca dos corpos celestes mas por isso já ter sido repreendido em outro68 agora se omite Cf Aécio II 7 1 D 335 DK A 37 Sobre a ordem do mundo Parmênides diz que há coroas entrelaçadas umas em torno das outras uma feita do que é ralo outra do que é denso e entre estas há outras mistas de luz e de treva A que envolve todas subsiste sólida como uma muralha embaixo da qual há uma coroa ígnea e também em torno do ponto mais central de todos há novamente uma ígnea a mais central de todas as coroas mistas é também a que instaura o movimento e a gênese de todas a qual ele também chama de Divindade governante Guardachaves Justiça e Necessidade E o Ar é uma excreção da Terra por evaporação causada por uma violenta compressão dela o Sol é uma exalação do fogo assim como a Via Láctea a Lua é uma mistura de ambos o ar e o fogo no mais alto circundando tudo está o Éter sob o qual subjaz este que chamamos de Céu logo embaixo fica a superfície terrestre 64 ie repletas de noite 65 A divindade feminina daímon hè que dirige o viraser Simplício chama de causa eficiente ou causa produtora segundo a terminologia estoica ποιητικὸν αἴτιον Physica 3110 3912 3914 66 de tudo Ms W Sider tudo MssDEF em toda parte Mullach OBrien 67 Simplício compara Parmênides com Empédocles para quem há duas causas eficientes o amor e o ódio 68 Na crítica a Alcméon cf I27 110 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 13 πρώτιστον μὲν Ερωτα θεῶν μητίσατο πάντων καὶ τὰ ἑξῆς69 Fontes de B13 1 Aristóteles Metafísica 984b2627 Platão Banquete 178b11 Plutarco Sobre o Amor 13 756f Sexto Empírico Contra os Professores IX 9 Estobeu Eclogae I 96 I 1134 12 Simplício Physica 3918 Cf Aristóteles Metafísica I 4 984b 23 οἱ μὲν οὖν οὕτως ὑπολαμβάνοντες ἅμα τοῦ καλῶς τὴν αἰτίαν ἀρχὴν εἶναι τῶν ὄντων ἔθεσαν καὶ τὴν τοιαύτην ὅθεν ἡ κίνησις ὑπάρχει τοῖς οὖσιν ὑποπτεύσειε δ ἄν τις Ησίοδον πρῶτον ζητῆσαι τὸ τοιοῦτον κἂν εἴ τις ἄλλος ἔρωτα ἢ ἐπιθυμίαν ἐν τοῖς οὖσιν ἔθηκεν ὡς ἀρχὴν οἷον καὶ Παρμενίδης οὗτος γὰρ κατασκευάζων τὴν τοῦ παντὸς γένεσιν B13 φησίν Cf Plutarco Sobre o Amor 13 756f διὸ Παρμενίδης μὲν ἀποφαίνει τὸν Ερωτα τῶν Αφροδίτης ἔργων πρεσβύτατον ἐν τῆι κοσμογονίαι γράφων B13 Cf Simplício Physica 39 18 ταύτην καὶ θεῶν αἰτίαν εἶναί φησι λέγων B13 καὶ τὰ ἑξῆς καὶ τὰς ψυχὰς πέμπειν ποτὲ μὲν ἐκ τοῦ ἐμφανοῦς εἰς τὸ ἀειδές ποτὲ δὲ ἀνάπαλίν φησιν 69 Simplício 111 PARMÊNIDES B 13 Cosmos 3 Amor foi o primeiro de todos os deuses que concebeu um atrás do outro70 Cf Aristóteles Metafísica I 4 984b 23 Aqueles que pensavam assim consideraram que o princípio dos entes era ao mesmo tempo a causa do belo e a causa de onde se instaura o movimento nos entes Alguém poderia supor que Hesíodo foi o primeiro a investigar tal coisa ou algum outro que es tabeleceu amor ou desejo como princípio nos entes como também Parmênides con siderandoo como o articulador da origem de todas as coisas quando disse B13 Cf Plutarco Sobre o Amor 13 p 756f Por isso Parmênides declara que Amor é a mais antiga das realizações de Afrodite escrevendo na cosmogonia B1371 Cf Simplício Physica 39 18 E disse que ela era causa dos deuses falando B13 e disse que conduzia as almas ora da clareira para o invisível ora em sentido inverso72 70 Trecho duvidoso Apenas a frase da citação de Simplício termina no verso seguinte ao verso reputado autêntico mas isso pode ser explicado pelo cavalgamento do verso A expressão parece anunciar um catálogo de deuses cf Cicero De natura deorum I DK 28 A 37 71 Conjectura de Plutarco sobre a divindade citada em B12 e referência importante ao fato de Parmênides ter escrito uma Cosmogonia 72 Governando assim o devir os trânsitos entre dia e noite entre nascimento e morte etc Obras de Afrodite como sugere Plutarco 112 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 14 νυκτὶ φάος73 περὶ γαῖαν ἀλώμενον ἀλλότριον φῶς B 15 αἰεὶ παπταίνουσα πρὸς αὐγὰς ἠελίοιο Fonte de B14 Plutarco Adversus Colotem XV 1116a Fontes de B15 Plutarco De facie quae in orbe lunae apparet 16 929b Plutarco Quaestiones romanae 76 282b Cf Plutarco Adversus Colotem 15 1116a οὐδὲ γὰρ ὁ πῦρ μὴ λέγων εἶναι τὸν πεπυρωμένον σίδηρον ἢ τὴν σελήνην ἥλιον ἀλλὰ κατὰ Παρμενίδην B14 ἀναιρεῖ σιδήρου χρῆσιν ἢ σελήνης φύσιν Cf Plutarco De facie in orbe lunae 16 6 929a τῶν ἐν οὐρανῶι τοσούτων τὸ πλῆθος ὄντων μόνη φωτὸς ἀλλοτρίου δεομένη περίεισι κατὰ Παρμενίδης B15 B 15a ὑδατόριζον Fonte de B15a Escólio sobre Basilio de Cesareia Homiliae in Hexaëmeron XXV 2012 Ad Homilia 19 ἐὰν ὑποθῆις ἑαυτῶι ὕδωρ εἶναι τὸ ὑποβεβλημένον τῆς γῆς Παρμενίδης ἐν τῆι στιχοποιίαι ὑδατόριζον εἶπεν τὴν γῆν 73 νυκτὶ φάος mss νυκτιφαὲς Scaliger 113 PARMÊNIDES B 14 Cosmos 4 Brilho noturno de luz alheia vagando em torno à Terra74 B 15 Sempre espreitando os raios do Sol75 Cf Plutarco Adversus Colotem 15 1116a pois nem alguém que nega que o aço incandescente seja fogo ou que a Lua seja o Sol mas segundo Parmênides B14 elimine o uso do aço ou a natureza da Lua Cf Plutarco De facie in orbe lunae 16 6 929a Única entre a pletora de entes no céu que circunda precisando de luz alheia76 como diz Parmênides B15 B 15a Cosmos 5 Radicada nágua77 Escólio sobre Basilio de Cesareia Homilias sobre o Hexaëmeron XXV 2012 Ad Homilia 1 9 se supondes que a própria água era o fundamento da Terra Parmênides na versificação disse da Terra que era radicada nágua 74 Plutarco diz que Parmênides designa a natureza da Lua σελήνης φύσιν Dos mais belos ver sos gregos Mourelatos faz uma análise de suas anfibologias opcit pp314315 A palavra phôs luz tem um homônimo que significa homem conforme este homônimo existe a fórmula homérica allótrios phós que significa um estranho 75 A mesma Lua B14 e B15 constituem a primeira demonstração conhecida de que a luz da lua provém do sol Segundo o método de Parmênides a demonstração da verdadeira razão de um fenômeno ou em seus próprios termos como as aparências precisavam patentemente ser 76 Luz alheia φωτὸς ἀλλοτρίου alusão ao outro verso de Parmênides sobre a Lua B14 77 Mourelatos aponta um oximoro entre a firmeza das raízes e a fluidez da água opcit p324 114 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 16 ὡς γὰρ ἕκαστος ἔχει κρᾶσιν μελέων πολυκάμπτων 78 τὼς νόος ἀνθρώποισι παρίσταται79 τὸ γὰρ αὐτό ἔστιν ὅπερ φρονέει μελέων φύσις ἀνθρώποισιν καὶ πᾶσιν καὶ παντί τὸ γὰρ πλέον ἐστὶ νόημα Fontes de B16 11 Aristóteles Metafísica 1009b2225 Teofrasto De sensibus 4991821 cf DK A 46 12 Alexandre Metaphysica 3062930 30635 Asclépio Metaphysica 2771920 34 Alexandre Metaphysica 306363071 78 ἕκαστοτ Aristot E1 J ἕκαστος Aristot E2 ἕκαστοτε Teofrasto P F ἕκαστον Asclépio ἕκαστῳ Aristot Ab κρᾶσιν Aristot Alexandre 30630 Teofrasto κρᾶσις Estienne om Asclépio πολυκάμπτων Alexandre Asclépio πολυκάμπων Aristot πολυπλάγκτων Teofrasto 79 παρίσταται Aristot Alexandre Asclépio παρέηστηκε Teofrasto 115 PARMÊNIDES B 16 Cosmos 6 Assim como a cada instante temse uma mistura de membros retorcidos80 assim também se apresenta81 o pensamento aos homens pois é o mesmo o que discerne pela natureza dos membros nos homens para todos e para tudo pois o pleno é pensamento 80 retorcidos Alexandre Asclépio Aristóteles errante Teofrasto 81 se apresenta Aristóteles Alexandre Asclépio se apresentou Teofrasto 116 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 17 δεξιτεροῖσιν μὲν κούρους λαιοῖσι δὲ κούρας82 Fonte de B17 Galeno in Hippocratis libros Epidemiarum in librum VI commentarius 2 XVII 1002 Kühn τὸ μέντοι ἄρρεν ἐν τῶι δεξιῶι μέρει τῆς μήτρας κυΐσκεσθαι καὶ ἄλλοι τῶν παλαιοτάτων ἀνδρῶν εἰρήκασιν ὁ μὲν γὰρ Παρμενίδης οὕτως ἔφη B17 B 18 1 femina virque simul Veneris cum germina miscent venis informans diverso ex sanguine virtus temperiem servans bene condita corpora fingit nam si virtutes permixto semine pugnent 5 nec faciant unam permixto in corpore dirae nascentem gemino vexabunt semine sexum Fonte de B18 Caelius Aurelianus Tardarum vel chronicarum passionum IV 9134135 p902 Drabkin Parmenides libris quos de natura scripsit eventu inquit conceptionis molles aliquan do seu subactos homines generari cuius quia graecum est epigramma et hoc versibus intimabo latinos enim ut potui simili modo composui ne linguarum ratio misceretur femina sexum vult enim seminum praeter materias esse virtutes83 quae si se ita miscuerint ut eiusdem corporis faciant unam congruam sexui generent voluntatem si autem permixto semine corporeo virtutes separatae permanserint utriusque vene ris natos adpetentia sequatur B 19 οὕτω τοι κατὰ δόξαν ἔφυ τάδε καί νυν ἔασι καὶ μετέπειτ ἀπὸ τοῦδε τελευτήσουσι τραφέντα τοῖς δ ὄνομ ἄνθρωποι κατέθεντ ἐπίσημον ἑκάστωι Fonte de B 19 Simplício De caelo 558911 παραδοὺς δὲ τὴν τῶν αἰσθητῶν διακόσμησιν ἐπήγαγε πάλιν B19 82 δεξιτεροῖσι δ αὖ libbri corr Scaliger 83 DK sugere cf δυνάμεις B9 2 117 PARMÊNIDES B 17 Cosmos 7 Nas partes84 direitas os rapazes nas esquerdas as moças Galeno in Hippocratis libros Epidemiarum in librum VI commentarius 2 XVII 1002 Kühn Que o macho é concebido na parte direita do útero também o disseram outros entre os homens antigos Como disse Parmênides assim B17 B 18 Cosmos 8 1 Quando macho e fêmea juntos misturam as sementes de Vênus nas veias a potência formadora a partir de sangues diversos cuidando a medida forja um corpo bem constituído Pois se as potências lutam na mistura seminal 5 então não fazem uma unidade no corpo misturado e furiosas atormentam pela dupla seara o sexo nascente Célio Aureliano Tardarum vel chronicarum passionum IV 9134135 p 902 Dra bkin tradução do texto grego perdido de Sorano de Éfeso No seu livro Da Natureza Parmênides escreveu que o nascimento de homens delicados re sulta às vezes do que ocorre na sua concepção Como tratase de um epigrama grego vou vertêlo em versos Compus versos latinos do modo mais semelhante que pude sem mistu rar o estilo das linguas Quando nascente Para ele os semens mais do que matérias são antes forças que no caso de se misturarem de certo jeito para fazeremse uma só em um corpo geram uma vontade apropriada ao seu sexo mas se da mistura seminal as forças per manecerem separadas seguese para o rebento um apetite para os dois gêneros de amor B 19 Cosmos 9 E assim digote segundo a opinião tais coisas brotaram e agora são e a seguir daí tendo crescido acabarseão os homens estabeleceramlhes um nome assinalando a cada uma Simplício De caelo 558911 Tendo transmitido a ordem do mundo sensível continuou de volta B1985 84 Precedendo a citação de Parmênides Galeno está falando das partes do útero ἐν τῶι δεξιῶι μέρει 85 Conforme esta indicação de Simplício entendemos que aqui termina o discurso sobre a ordem do cos mos a diacosmese que se identifica com o discurso das opiniões e dos nomes catálogo de deuses 51 PArmÊNIDES DE ELÉIA FrAgmENtA Dk 28 b FrAgmENtOS DUVIDOSOS São coletadas como fragmentos de Parmênides as passagens em que o autor do texto fonte atribui a autoria do texto citado ao filósofo Algumas vezes essa atribuição é pouco definida como no fragmento B20 em que o autor do trecho citado aparece apenas como o poeta Outras vezes a atribuição é claramente um engano seja pela confusão com a dramatização do filósofo em Platão B22 seja com o outro filósofopoeta Empédocles B25 com Anaxágoras B21 ou com o historiador quase homônimo Armênidas 120 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 20 αὐτὰρ ὑπ αὐτήν ἐστιν ἀταρπιτὸς ὀκρυόεσσα κοίλη πηλώδης ἡ δ ἡγήσασθαι ἀρίστη ἄλσος ἐς ἱμερόεν πολυτιμήτου Αφροδίτης Fonte de B20 Hipólito Refutatio Omnium Haeresium v 8 972 μικρά φησίν ἐστὶ τὰ μυστήρια τὰ τῆς Περσεφόνης κάτω περὶ ὧν μυστηρίων καὶ τῆς ὁδοῦ τῆς ἀγούσης ἐκεῖ οὔσης ἆπλατείας καὶ εὐρυχώρουή καὶ φερούσης τοὺς ἀπολλυμένους ἐπὶ τὴν Περσεφόνην καὶ ὁ ποιητὴς δέ φησιν B20 B 21 Fonte de B21 Aécio De Placitis Reliquiae II 304 361b24 περὶ ἐμφάσεως σελήνης διὰ τί γεώδης φαίνεται Παρμενίδης διὰ τὸ παραμεμῖχθαι τῶι περὶ αὐτὴν πυρώδει τὸ ζοφῶδες ὅθεν ψευδοφανῆ τὸν ἀστέρα καλεῖ 121 PARMÊNIDES B 20 Mas debaixo dela há um caminho aterrador encavado lamacento mas o melhor a conduzir ao prado fascinante da venerável Afrodite86 Hipólito Refutatio Omnium Haeresium v 8 972 inferiores disse são os mistérios de Perséfone no subterrâneo mistérios acerca do que conduz até lá caminho que é plano e largo e leva os moribundos a Perséfone E o poeta então disse B20 B 21 Sobre os reflexos da lua porque tem aparência terrena Parmênides explica que isso se deve ao fato de que a opacidade se misturou ao aspecto ígneo que há em torno dela por isso de Furtabrilho87 chama aquele astro 86 Hipólito atribui estes versos ao Poeta simplesmente O contexto trata dos mistérios eleu sinos citando as deusas Perséfone e Afrodite O Poeta pode ser Parmênides ou Empédocles ou mesmo Orfeu por isso Diels o considera uma citação duvidosa Cf DK 31 B 66 87 Literalmente de brilho enganoso A tradução segue a formação no português de adjetivos como furtacor e furtafogo A citação é extraída da coleção de Aécio das citações de físicos acerca dos reflexos da lua Περὶ ἐμφάσεως σελήνης Segundo ele pouco acima da referência a Parmênides o adjetivo é usado por Anaxágoras para referirse ao astro em 3611420 Αναξαγόρας καὶ παραμεμῖχθαι τῶι πυρώδει τὸ ζοφῶδες ὧν τὸ πάθος ὑποφαίνει σκιερόν ὅθεν ψευδοφανῆ λέγεσθαι τὸν ἀστέρα Plutarco pseudo em Placita Philosophorum 892a710 cita o mesmo uso do adjetivo atribuindoo também a Anaxágoras Αναξαγόρας παραμεμῖχθαι γὰρ τῶι πυρώδει τὸ ζοφῶδες ὅθεν ψευδοφανῆ λέγεσθαι τὸν ἀστέρα Por isso Diels tem razão em considerar a atribuição a Parmênides um engano visto que a citação de Aécio se repete em 3612427 de modo muito parecido Παρμενίδης διὰ τὸ παραμεμῖχθαι τῶι περὶ αὐτὴν πυρώδει τὸ ζοφῶδες ὅθεν ψευδοφανῆ τὸν ἀστέρα καλεῖ Diels colige a citação de Aécio sobre a terminologia de Anaxágoras em DK 59 A 773034 122 FILÓSOFOS ÉPICOS I B 22 Παρμενίδηι θαυμασίως ὡς δυσανάπειστον Fontes de B22 Suidas W213 Léxico s v ὡς λίαν Cf Platão Parmênides 135a B 23 μακάρων νήσοισιν ἡ ἀκρόπολις τῶν ἐν Βοιωτίαι Θηβῶν τὸ παλαιόν ὡς Παρμενίδης Fonte Suidas M58 Léxico s v μακάρων νήσοισιν B 24 Τελχῖνες τούτους οἱ μὲν θαλάσσης παῖδάς φασι Παρμενίδης δ ἐκ τῶν Ακταίωνος κυνῶν γενέσθαι μεταμορφωθέντων ὑπὸ Διὸς εἰς ἀνθρώπους Fonte Suetônio Fragmentae 417 Miller Περὶ βλασφημιῶν 43137 Taillardat B 25 Αλλ ὅγε πάντοθεν ἶσος ἐὼν καὶ πάμπαν ἀπείρων Fonte Estobeu Eclogae I 152 W 14419 Eclogae I 144 19 Wachsm DK 31 B28 123 PARMÊNIDES B 22 Espantosamente difícil de dissuadir88 B 23 Ilhas dos bemaventurados como antigamente chamavam a ci dade alta dos tebanos na Beócia89 segundo Parmênides B 24 Os Telquines90 surgiram dos cães de Acteon91 que por Zeus fo ram transformados em homens92 B 25 Mas o por toda parte igual a si mesmo e totalmente infinito93 88 O Parmênides a quem a enciclopédia bizantina do Suda atribui a expressão é obviamente a personagem do diálogo homônimo de Platão 135a 89 A frase é claramente de um historiador Diels sugere em vez de Parmênides o nome de Armênidas que se aproxima do assunto conforme o escólio da Argonáutica de Apolônio de Rodes 1551 e a citação idêntica do Léxico de Fócio μακάρων νήσοι ἡ ἀκρόπολις τῶν ἐν Βοιωτίαι Θηβῶν τὸ παλαιόν ὡς Ἀρμενδας 90 Os Telquines são numes anfíbios propícios a metamorfoses ora em peixes ora em humanos são filhos de Pontos o Mar da região de Rodes Creta Ceos e Chipre Assim são chamados os invejosos os acusadores e pregadores por isso o vocábulo encontrase no Peri Blasphemion de Suetônio uma listagem de vitupérios gregos 91 Os cães de Acteon o caçador acusaram sua presença indiscreta ante a nudez de Ártemis e como castigo esta lhes ordenou que o devorassem 92 Diels corrige a procedência da citação atribuindoa a Armênidas Na edição de Taillardat do Sobre as Blasfêmias de Suetônio já consta Ἀρμενίδης no lugar de Παρμενίδης De fato o texto pare ce de um mitólogo um historiador de mitos mais do que de um fisiólogo como Parmênides 93 Wachsmuth editor de Estobeu faz a correção atribuindo o verso a Empédocles Diels o colige no fragmento 31 B 28 Cf DK 31 B 27 124 FILÓSOFOS ÉPICOS I TÁBUA DE CONCORDÂNCIA DA EDIÇÃO DA BIBLIOTECA CLÁSSICA BC COM A SEXTA EDIÇÃO DIELSKRANZ DK PARMÊNIDES 28 B DK BC B1 ProêmioPrograma 1 B2 Os Caminhos 2 B3 Os Caminhos 2 B4 Caminho das Opiniões 2 B5 Os Caminhos 1 B6 Os Caminhos 3 B7 O Caminho do que é B8 O Caminho do que é O Caminho das Opiniões 1 B9 O Caminho das opiniões 3 B10 Programa 2 B11 Cosmos 1 B12 Cosmos 2 B13 Cosmos 3 B14 Cosmos 4 B15 Cosmos 4 B15a Cosmos 5 B16 Cosmos 6 B17 Cosmos 7 B18 Cosmos 8 B19 Cosmos 9 B20 B20 B21 B21 B22 B22 B23 B23 B24 B24 B25 B25 125 PARMÊNIDES BC DK Proêmio B1 128 Programa 1 B1 2832 Programa 2 B10 Os Caminhos 1 B5 Os Caminhos 2 B2 B3 Os Caminhos 3 B6 O Caminho do que é B7 B8 152 O Caminho das opiniões 1 B8 5361 O Caminho das opiniões 2 B4 O Caminho das opiniões 3 B9 Cosmos 1 B11 Cosmos 2 B12 Cosmos 3 B13 Cosmos 4 B14 B15 Cosmos 5 B15a Cosmos 6 B16 Cosmos 7 B17 Cosmos 8 B18 Cosmos 9 B19 B20 B20 B21 B21 B22 B22 B23 B23 B24 B24 B25 B25 Bank of America Investment Services FONtES DOS FrAgmENtOS E SUAS EDIÇÕES FILÓSOFOS ÉPICOS I XENÓFANES E PArmÊNIDES As informações seguintes indicam o autor do texto fonte a época em que viveu o tí tulo da obra entre colchetes o nome usual em português e as edições modernas mais relevantes discriminamos às vezes os manuscritos quando citados em nossas notas As mínimas notas biográficas visam a situar o contexto das citações 221 Buy 108 XOM 5709 221 Buy 115 XOM 5245 821 Buy 170 XOM 5605 422 Buy 201 XOM 7427 1122 Buy 110 XOM 9901 323 Buy 205 XOM 9923 323 Buy 220 XOM 9065 323 Buy 180 XOM 9256 121616 Purchase 62 280 Shs OXY Occidental Petroleum Corporation 2500000 62719 Purchase 450 Shs OXY Occidental Petroleum Corporation 2250000 Total Cost 3233475 Market Value 3838500 Unrealized GainLoss 605025 FONTES DOS FRAGMENTOS E SUAS EDIÇÕES 1 Aécio séc III Placita De placitis philosophorum In Doxographi graeci ed H Diels Berlim 1879 Aécio filósofo peripatético O teólogo do séc V Teodo reto atribuía a Aécio a obra Περὶ ἀρεσκόντων συναγωγή De placitis collectio versão original completa dos eventos abreviados em dois compêndios por PseudoPlutarco Pla cita philosophorum e por Estobeu Eclogae Physicae Por isso Hermann Diels atribui a Aécio o Placita original e propõe uma reconstrução a partir de fragmentos na sua edição dos doxógrafos gregos de 1879 2 Alexandre de Afrodisia séc IIIII Metaphysica In CAG ed M Hayduck vol I Berlim Academiæ Berolini 1891 Alexandre de Afrodísia um dos últimos filósofos da li nhagem peripatética na antiguidade tardia comentador importante da obra de Aristóteles Foi seguido um século mais tarde por Temístio 3 Amônio séc V De interpretatione In CAG ed A Busse vol IV 5 Berlim Academiæ Berolini1897 Amônio Sacas neoplatônico de origem cristã Fundador do Neoplatonismo ensinava oralmente e recusava confiar seu pensamento à forma escrita Orígenes e Plotino trans mitiram muito do que Amônio lhes ensinou 4 Anônimo séc II Anonymi comentarius in Platonis Theaete tum In Anonymer Kommentar zu Platonis Theaetet Papyrus 9782 edd J L Heiberg H Diels W Schubart Col Berliner Klassik ertexte herausgegeben von der Generalverwartung der Kgl Mu seen zu Berlin Heft 2 Berlim 1905 5 Apolônio de Rodes c 295230 aC Apollonii Rhodii Argonau tica ed H Fraenkel Oxford Clarendon Press 1961 reed 1970 130 FILÓSOFOS ÉPICOS I Fragmenta In Collectanea Alexandrina ed JU Powell Oxford Clarendon Press 1925 reed 1970 Apolônio poeta épico que nasceu em Alexandria foi di retor da grande Biblioteca e autor de Maravilhas difundidas pelo título latino Mirabilia 6 Aquiles Tácio séc II III Introdução ao Arato Eἰσαγωγὴ εἰς τὰ Ἀράτoυ φαινόμενα Isagoge in Arati Phaenomena ed E Maass in Commentariorum in Aratum reliquiae Berlin Weidmann 1898 Aquiles Tácio astrônomo geógrafo e matemático grego antigo Não confundir com o homônimo natural de Ale xandria novelista erótico 7 Aristóteles 384322 aC Metafísica Metaphysica ed W Jae ger Oxford Clarendonian press 1957 reed 1985 Metaphysics ed W D Ross Oxford Clarendonian press 1924 reed 1997 Metaphysics ed Tredennick Cambridge Harvard 1933 reed 1996 Física Physica ed W D Ross Oxford Clarendonian press 1936 reed 1950 Physique ed H Carteron Paris Les Belles Lettres 1926 reed 1983 De Caelo Du Ciel ed P Moraux Paris Les Belles Lettres 1965 Pseudo De Melisso Xenophane Gorgia ed H Diels Philosophis che und historische Abhandlungen der königlichen Akademie der Wissenschaften zu Berlin 18991900 n 1 Aristóteles de Estagira discípulo e mestre na Academia de Platão e fundador do Liceu 335 aC O primeiro livro da sua Metafísica é talvez a primeira história da filosofia e importante fonte doxográfica dos primeiros filósofos tra tados como phýsikoi ou naturalistas Para o Poema de Par mênides é particularmente importante a sua discussão no primeiro livro da Física que ainda incita os comentadores como Simplício a citar os textos discutidos O De Melisso Xenophane Gorgia ou MXG é um estudo sobre os eleatas proveniente do Liceu Immanuel Bekker o inclui na sua edição monumental das obras de Aristóteles 8 Asclépio séc VI Metaphysica In CAG ed M Hayduck vol VI 2 Berlim Academiæ Berolini 1888 131 FONTES DOS FRAGMENTOS Asclépio um dos continuadores da Escola de Alexandria fundada por Amônio Hermeu no séc V historiador e filó sofo 9 Ateneu séc IIIII Deipnosofistas Epítome Athenaei Naucra titae Dipnosophistarum Libri XV rec G Kaibel 3 Vol Leipzig Bi bliotheca Teubneriana 18871890 Atheneu de Naucratis Egito gramático retórico 10 Basilio de Cesareia 379 Homiliae in Hexaëmeron ed J Gar nier Paris 1721 Basilii opera omnia edd J Garnier P Maran tomus I Basílio teólogo escritor cristão do século IV é um dos padres capadócios da igreja Católica Estudou em Cons tantinopla e Atenas 11 Boécio c 480524 Philosophiae consolatio In Corpus Christiano rum series latina n 94 ed L Bieler Boethii opera pars I 19 Anício Mânlio Severino Boécio Roma Filósofo cristão latino autor de Consolação de Filosofia De consolatione Philosophiae tradutor e comentarista de alguns livros da lógica de Aristóteles e de Porfírio Durante a Idade Média suas obras serviram como forma de acesso à filosofia à matemática e à música da Antiguidade Clássica com des taque para os autores grecolatinos 12 Célio Aureliano séc V Celerum vel acutarum passionum libri III Tardarum vel chronicarum passionum libri V ed I E Drabkin Chica go 1951 Cf Autor de Sobre doenças crônicas De morbis chronicis Célio Aureliano Numídia Traduziu para o latim a obra publicada pelo médico grego metodista Sorano de Éfeso que distinguia doença crônica e doença aguda 13 Clemente de Alexandria a 215 Miscelâneas Stromateis ed O Stälin 2 vol Die Griechischen Christlichen Schriftsteller der ersten Jahrhunderte Bände 15 17 clementis Alexandrini opera Bände IIIII 19061909 Clemente de Alexandria Atenas Escritor teólogo apo logista e mitógrafo cristão residente em Alexandria autor de Discurso persuasório aos gregos isto é Miscelâneas Pesquisou as lendas menos compatíveis com os valores cristãos 132 FILÓSOFOS ÉPICOS I 14 Damásio séc VVI Dubitationes et solutiones de primis princi pis In Platonis Parmenidem ed C E Ruelle 2 vol Paris 1889 edd J Combès L G Westerink Paris Belles Lettres vol I 1986 Damásio neoplatônico 15 Diógenes Laércio séc III Vida dos Filósofos Vitae philosopho rum ed H S Long 2 vol Oxford Clarendonian press 1964 Diógenes Laércio sua obra se conservou integralmente e ficou sendo a fonte mais vasta de informações sobre a vida dos filósofos gregos ainda que nem sempre a mais fiável 16 Élio Herodiano séc II ou Herodiano Alexandrino Dois Tem pos ΠΕΡΙ ΔΙΧΡΟΝΩΝ Das Elocuções Singulares ΠΕΡΙ ΜΟΝΗΡΟΥΣ ΛΕΞΕΩΣ Grammatici Graeci Leipzig 18671910 Reimp Hilde sheim 1965 A edição completa de Herodiano por Lentz foi in corporada aos volumes 31 et 32 Élio Herodiano gramático alexandrino 17 Escolios Escólios sobre Basilio de Cesareia Scholia in Basilii Homilias in Hexaëmeron ed G Pasquali Doxographica aus basil iusscholien Nachrichten von der königlichen Gesellschaft der Wissenschaften zu Göttingen philologischhistorische klasse 1910 Escólios de Aristófanes Escólios Genoveses Escólios Hipocráticos Escólios em Homero Escólios BLT Eust sobre Hom É possível que os primeiros escoliastas tenham sido Aristó teles e seus discípulos mas a atividade parece ter se desen volvido sistematicamente só mais tarde com as atividades filológicas e literárias dos eruditos ligados à Biblioteca de Alexandria Aristófanes de Bizâncio Aristarco Calístrato e outros 18 Estobeu séc V Eclogae ed Wachsmuth Berlim 2 vol 1884 Estobeu Autor grego neoplatônico de quem se conser vam as Éclogae sobre física dialética ética cf Aécio Anto logia no latim Florilegium com citações de antigos autores 19 Etimológico Genuíno Etymologicum Genuinum Etymologicum Magnum ed T Gaisford Oxford 1848 repr Amsterdam 1965 Enciclopédia gramatical produzida em Constantinopla no séc IX 133 FONTES DOS FRAGMENTOS 20 Eudemo séc IV aC Fragmenta In Die Schule des Aristoteles Texte und Kommentar heft VIII ed F Wehrli BaselStuttgart 1969 Eudemo de Rodes discípulo de Aristóteles historiador da matemática Dele restam apenas fragmentos mencio nados por Simplício 21 Eusébio Cesariense a 341 Preparatio evangelica ed Mras Die Griechischen Christlichen Schriftsteller der ersten Jahrhunderte Band 43 12 Eusebius Werke Band VIII Teile 12 19541956 Eusébio de Cesareia bispo e historiador Escreveu em grego História eclesiástica Preparação evangélica História uni versal A vida de Constantino 22 Filopão ou Filopono 490 570 Com à Física de Aristó teles Physica ed H Vitelli CAG XVIXVII Berlim Academiæ Berolini 188788 João Filopão Joannes Philoponos bizantino viveu em Alexandria gramático neoplatônico mestre de Simplício 23 Galeno 129199 In Hippocratis libros Epidemiarum ed K G Kuhn 2 vol Galeni opera vol XVII 12 Leipsig 18281829 Cláudio Galeno Pérgamo Médico autor grego que vi veu também em Roma Autor de Sobre as opiniões de Hi pócrates e Platão De Placitis Hippocratis et Platonis o mais filosófico dos seus escritos Sobre a percepção do pulso De diagnoscendis Pulsibus Comentário às epidemias de Hipócrates In Hippocratis Epidemias Comentário aos humores de Hipó crates In Hippocratis de Humoribus e outros dos quais al guns se perderam 24 Gélio 125 aC 180 aC Noites Áticas Noctes Atticae AuluGel le Les Nuits attiques ed R Marache Paris Belles Lettres 1967 Aulo Gélio Aulus Gellius autor e gramático latino 25 Heráclito Estoico séc I Alegorias de Homero Allégories dHomère Texte établi et traduit par F Buffière Paris Belles Let tres 1989 Heráclito gramático e retórico Comentador de Homero renomado pela leitura alegórica dos deuses 26 Jâmblico c 245325 In Platonis diálogos commentariorum fragmen ta ed J M Dillon Philosophia antiqua vol 23 1973 134 FILÓSOFOS ÉPICOS I Jâmblico de Calcís Síria Autor grego neoplatônico es creveu Dos mistérios dos egípcios De mysterriis aegytiorum e de um conjunto de 20 livros citados coletivamente por Siriano Coletânea das doutrinas pitagóricas dos quais restam cinco Dos mistérios dos egípcios Da vida pitagórica De vita pitagorica Protrepticus ou Adhortatio ad philosophiam com fragmentos de uma obra homônima perdida de Aristóte les De communi mathematica scientia In Nicomachi Arithmeti cam introductio Theologoumena arithmetica 27 Olimpiodoro séc VI In Platonis Phaedonem ed Norvin Biblio theca Teubneriana 1913 Olimpiodoro o Jovem filósofo neoplatônico autor grego de Vida de Platão Comentário ao Fedon de Platão Comentá rio às Categorias de Aristóteles e Comentário sobre os Meteoros também de Aristóteles 28 Platão c 429347 aC Sophistes ed J Burnet Oxford Claren donian press Platonis operae tomus I 1900 Symposyum ed J Burnet Oxford Clarendonian press Platonis operae tomus II 1901 Theaetetus ed J Burnet Oxford Clarendonian press Pla tonis operae tomus I 1900 Platão filósofo ateniense Fundador da Academia 387 aC Em seus diálogos é tanto fonte de citações de auto res présocráticos quanto o dramaturgo que as transforma em personagens vivas como no diálogo Parmênides por exemplo em que Sócrates Zenão e Parmênides discutem a teoria das ideias 29 Plotino 204270 Enneadas edd P Henry HR Schwyzer 3 vol Museum Lessianum series philosophica n 3335 Paris BruxelasLeiden 19511973 Oxford Clarendonian press 1964 1982 Plotino de Licópolis Egito Discípulo de Amônio de Sa cas filósofo neoplatônico do contexto alexandrino mas que por último lecionou em Roma 30 Plutarco Queronense c 46120 Adversus Colotem ed M Poh lenz 1952 Plutarchi Moralia vol VI fasc 2 Bibliotheca Teub neriana 1959 edd B Einarson P H De Lacy Harvard Loeb Plutarchs Moralia vol XIV 1967 135 FONTES DOS FRAGMENTOS Sobre o Amor Amatorius ed C Hubert Plutarchi Moralia vol IV Bibliotheca Teubneriana 1938 ed W C Helmbold Har vard Loeb Plutarchs Moralia vol IX 1961 Quaestiones romanae ed J B Titchener Plutarchi Moralia vol II Bibliotheca Teubneriana 1935 No Banquete Quaestiones Conviviales ed C Hubert Plutarchi Moralia IV Leipzig Bibliotheca Teubneriana 1971 Do modo como os jovens deveriam ouvir os poetas Quomodo adolescens poetas audire debeat Plutarchi Moralia vol I Bibliotheca Teubneriana Plutarco de Queroneia Beócia Autor de Vidas Paralelas e de várias obras morais 31 Plutarco pseudo Miscelâneas Stromateis In Doxographi graeci ed H Diels Berlim 1879 32 Pollux sécII Vocabulário Onomasticon cum annotationibus interpretum curavit Guilielmus Dindorfius Ed Kuehn Leipzig 1824 Onomasticon e codicibus ab ipso collatis denuo edidit et ad notavit Ericus Bethe Editito stereotypa editionis primae 1900 1937 Stuttgart Teubner 1967 Julius Pollux Polydeukès de Naucratis Egito filólogo e retórico 33 Proclo 412485 In Parmenidem ed VCousin Paris 1821 1827 Procli opera tomes IVVI reed 1864 Theologia platonica ed A Portus Hamburgo 1618 edd H D Saffrey L G Wester ink Paris Belles Lettres 1968 In Timaeum ed E Diehl 3 vol Bibliotheca Teubneriana 19031906 Proclo de Bizâncio filósofo neoplatônico autor de comentário sobre o primeiro livro de Euclides Elementos e de comentários sobre os diálogos Alcibíades Parmênides Timeu de Platão 34 Sexto Empírico séc II Contra os Professores Adversus mathe maticos in Adversus dogmaticos libri ed H Mutschmann Bibliote ca teubneriana Sexti Empirici opera vol II 1914 E Codex Parisinus graecus 1964 séc XV L Codex Laurentianus 85 11 1465 N Codex florentinus Laurentianus 85 19 séc XIII Sexto Empírico Alexandria Egito Médico principal fon te do ceticismo antigo 136 FILÓSOFOS ÉPICOS I 35 Simplício séc VI Com Física de Aristóteles Physica In CAG ed H Diels vol IXX Berlim 19821895 D Codex Florentinus Laurentianus 85 2 séc XIIXIII E Codex Venetus Marcianus graecus 229 séc XIIXIII F Codex Venetus Marcianus graecus 227 sécXIIXIII De caelo In CAG ed I L Heiberg vol VII Berlim 1984 Simplicio comentarista neoplatônico de Aristóteles au tor do Comentário à Física de Aristóteles Comentário Sobre o Céu de Aristóteles Foi dos mais ricos transmissores de frag mentos dos présocráticos 36 Sorano de Éfeso séc III Caelius Aurelianustraduxit Cele rum vel acutarum passionum libri III Tardarum vel chronicarum passionum libri V ed I E Drabkin Caelius Aurelianus Gynae cia fragments of a Latin version of Soranus Gynaecia from a thirteenth century manuscript Bull Hist Med Suppl Chicago 1951 131136 Sorano de Éfeso médico metodista Grego importante no Império Romano destacandose em várias áreas como ginecologia e obstetrícia Uma de suas principais obras é Gynaecia baseada nos estudos de Herófilo constituída por quatro livros que relatam as qualidades e conhecimentos que as parteiras os sintomas do parto os cuidados higiê nicos para com o bebê e ainda as principais patologias das crianças as patologias das mulheres diferentes das dos homens tratadas com alterações na dieta ou recorrendo a drogas e cirurgias 37 Suetônio séc II Fragmentae ed Miller Mélanges Grecs ΠΕΡΙ ΒΛΑΣΦΗΜΙΩΝ ΚΑΙ ΠΟΘΕΝ ΕΚΑΣΤΗ ed J Taillardat Suéto ne ΠΕΡΙ ΒΛΑΣΦΗΜΙΩΝ ΠΕΡΙ ΠΑΙΔΙΩΝ Paris Les Belles Lettres 1967 Caio Suetónio Tranquilo escritor latino estudioso dos costumes escreveu um grande volume de obras eruditas nas quais descrevia os principais personagens da época 38 Teodoreto 393466 Graecarum affectionum curatio ed J Raeder Bibliotheca Teubneriana 1904 Teodoreto de Ciro ou de Antioquia autor cristão em língua grega Obra principal Cura das doenças pagãs Cura tio com o subtítulo Conhecimentro das verdades evangélicas 137 FONTES DOS FRAGMENTOS por meio da filosofia grega escrita entre 429 e 437 Tratase de uma apologia do cristianismo frente ao paganismo Es creveu também uma História eclesiástica complementando a de Eusébio de Cesareia uma História abreviada das here sias uma História dos monges além de Cartas 39 Teofrasto c 370285 aC Fragmentum de sensibus In Doxographi graeci ed H Diels Berlim 1879 Teofrasto de Ereso discípulo de Aristóteles de quem foi sucessor no Liceu De natureza doxográfica escreveu Opi niões dos físicos Situado no distante final do período socráti co é Teofrasto um elo inicial de importantes informações as quais em forma de fragmentos restaram em Suídas e Aécio Dele também se conservaram pequenos ensaios Metafísica Caracteres Sobre os sentidos fragmentos Sobre as pedras Sobre o fogo Sobre os odores Sobre os ventos Sobre a morte 40 Tzetzés séc XII sobre Dionísio Periegeta Dionysius Periēgētes Graece et Latine cum vetustis commentariis et interpretationibus ed Got tfried Bernhardy Leipzig 1828 Geographici Graeci minores João Tzetzes Joannes Tzetzes gramático e poeta bizantino Fig 91 Buy and Sell order book M C G I M 30 26 22 18 14 10 6 2 Bid Offer 10 10 Side Bid Size Bid Price Offer Price Offer Size Sell BUY SELL BUY Buy SELL BUY SELL BUY SELL BUY SELL BUY SELL BUY SELL BUY SELL 115 13 120 17 125 18 130 13 135 09 140 08 145 07 150 05 155 03 160 02 165 01 5510 133 10 122 09 113 09 103 116 10 97 08 JOIAS DA bIbLIOtECA NACIONAL FILÓSOFOS ÉPICOS I XENÓFANES E PArmÊNIDES Exemplos memoráveis da recepção dos clássicos em língua portuguesa constituem as Joias da Biblioteca Nacional Trade on Exchange 13167 Bid 13196 Asked 13192 105258 224 Market open Time Trade Trade Price Quantity 105258 Buy 13169 100 105257 Buy 13170 100 105257 Buy 13169 100 105257 Sell 13169 100 105256 Sell 13169 100 105253 Sell 13164 100 105252 Sell 13169 300 105250 Buy 13166 100 105250 Sell 13166 100 105249 Buy 13165 100 105248 Buy 13165 100 105248 Buy 13165 200 105247 Buy 13165 100 105244 Sell 13166 100 105243 Sell 13164 100 105243 Buy 13165 100 105240 Sell 13164 100 105238 Buy 13170 100 105238 Buy 13169 100 105238 Buy 13169 100 105237 Buy 13169 100 105235 Sell 13164 100 105235 Sell 13164 200 105234 Sell 13164 100 105234 Sell 13166 100 105233 Buy 13168 100 105232 Buy 13168 100 105232 Sell 13168 100 105231 Buy 13168 100 105230 Sell 13167 100 105230 Buy 13167 100 105230 Buy 13167 100 105229 Buy 13167 300 105228 Sell 13169 100 105228 Buy 13169 100 105224 Buy 13167 100 105222 Buy 13166 100 105214 Buy 13166 100 105212 Buy 13167 100 105204 Sell 13164 100 105202 Sell 13164 100 105202 Sell 13164 100 105200 Sell 13164 100 105200 Sell 13164 100 105159 Sell 13164 100 105159 Sell 13164 100 105157 Sell 13164 100 105143 Sell 13164 100 105140 Sell 13164 100 105140 Sell 13164 100 105134 Sell 13164 100 105133 Sell 13164 51 105127 Sell 13164 100 105127 Sell 13164 200 105121 Buy 13168 100 105111 Buy 13168 200 105109 Buy 13168 100 105057 Buy 13168 100 105052 Buy 13170 500 105045 Buy 13169 100 105040 Buy 13169 100 105036 Buy 13168 100 105031 Buy 13169 100 105030 Buy 13168 100 105025 Sell 13167 100 105024 Sell 13167 100 105014 Buy 13165 100 105007 Buy 13165 100 105007 Buy 13165 200 105000 Sell 13164 100 104959 Sell 13164 100 104951 Buy 13166 100 104950 Buy 13166 100 104950 Buy 13166 100 104943 Buy 13169 100 104943 Buy 13169 300 104938 Sell 13165 100 104931 Sell 13167 100 104926 Sell 13167 100 104923 Sell 13167 100 104922 Sell 13167 100 104921 Sell 13167 100 104920 Sell 13167 100 104916 Sell 13167 100 104916 Sell 13168 200 104912 Sell 13167 100 104910 Buy 13167 100 104910 Buy 13167 100 104910 Buy 13167 100 104903 Sell 13170 100 104902 Sell 13169 100 104901 Sell 13170 100 104901 Sell 13167 100 104858 Buy 13167 100 104856 Buy 13167 100 104855 Buy 13167 100 104848 Buy 13167 100 104848 Buy 13167 100 104846 Buy 13167 100 104843 Buy 13167 100 104842 Sell 13167 100 104841 Sell 13167 100 104840 Sell 13167 100 104839 Sell 13167 100 104832 Sell 13167 100 104826 Buy 13169 100 104823 Buy 13169 100 104811 Buy 13170 100 104808 Buy 13170 100 104752 Sell 13167 100 104746 Sell 13167 100 104735 Buy 13170 100 104727 Buy 13170 100 104711 Buy 13170 100 104705 Buy 13170 100 104659 Buy 13170 100 104654 Buy 13170 100 JOIAS DA BIBLIOTECA NACIONAL Traduções em português do fragmento B11 de Xenófanes πάντα θεοῖσ ἀνέθηκαν Ομηρός θ Ησίοδός τε ὅσσα παρ ἀνθρώποισιν ὀνείδεα καὶ ψόγος ἐστίν κλέπτειν μοιχεύειν τε καὶ ἀλλήλους ἀπατεύειν Fonte de B11 Sexto Empírico Contra os professores IX 193 Prado Anna L A de A Fragmentos de Xenófanes de Colofão in Os PréSocráticos org J Cavalcante de Souza São Pau lo Abril 1973 Tudo aos deuses atribuíram Homero e Hesíodo tudo quanto entre os homens merece repulsa e censura roubo adultério e fraude mútua bornheim Gerd Os Filósofos PréSocráticos São Paulo Cultrix 1991 Homero e Hesíodo atribuíram aos deuses tudo o que para os homens é opróbrio e vergonha roubo adultério e fraudes recíprocas 142 FILÓSOFOS ÉPICOS I loPeS Daniel R N Xenófanes de Cólofon Fragmentos São Paulo Olavobrás 2003 Aos deuses Homero e Hesíodo atribuíam tudo o que entre os homens é injusto e censurável Roubar cometer adultério e enganar uns aos outros vieira Trajano Xenofanias Campinas Ed Unicamp 2006 Furto adultério logro mútuo Homero Hesíodo munem o mundo dos numes do que o homem censura no seu homero hesíodo citam ad infinitum divinos feitos ilícitos furtos numes adúlteros logro recíproco Santoro Fernando Os Filósofos Épicos I Xenófanes e Parmênides Fragmentos Rio de Janeiro Hexis 2011 Homero como Hesíodo atribuíram aos deuses tudo quanto entre os homens é infâmia e vergonha roubar raptar e enganar mutuamente 143 JOIAS DA BIBLIOTECA NACIONAL O Poema de Parmênides traduzido por Gerardo Mello Mourão Gerardo Mello Mourão 19172007 poeta épico e lírico cearense per sonagem ímpar da história intelectual brasileira do séc XX autor de uma vasta obra poética entre os quais os Peãs e o País dos Mourões traduz Parmênides e com sua verve característica devolve ao poeta o entusiasmo de sua dicção filosófica O texto foi publicado em 1986 no Caderno Lilás do periódico da Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro Caderno RioArte Rio de Janeiro ano 2 n 5 1986 Parmenides O Poema Tradução de Gerardo Mello Mourão As éguas que me levam avançavam pelas lonjuras do coração Montado nelas pela estrada a cujas beiras a pa lavra dos deuses florescia atravessei as moradas dos homens pelos caminhos por onde viaja aquela que sabe ver E eram as raparigas que regiam as bri das das éguas ariscas atreladas ao meu carro estrada afora E o eixo que se esquenta ao girar cantava como uma flauta entre as rodas giran do quando as Filhas do Sol deixadas para trás as moradas da noite apressavam sua corrida para a luz afastando com as mãos os véus que lhes cobriam as ca beças Lá estão as portas que se abrem sobre os caminhos da Noite e do Dia enquadradas ao alto num dintel e re pousadas em baixo sobre um batente de pedra Elas bri lham no ar em toda a extensão de suas vastas molduras e é Dike a poderosa quem tem na mão suas chaves para abriIas e fechálas Com a carícia de suas doces palavras as Filhas do Sol encontraram a arte de abrandála E ela corre de um golpe o ferrolho solidamente cerrado As por tas voam deixando vazio o espaço das molduras Um depois do outro iamse encai xando os marcos guarnecidos de cobre com suas aldravas e suas dobra diças E eis que transpondo as portas diretamente pela estrada real as rapa rigas guiam os carros e os cavalos E a mim também me acolhe a doce Deusa To mou em suas mãos a minha mão direita E foi cantando que me dis se filho tu escoltado por cocheiros imortais tu que ao galope das éguas chegas à nossa morada salve Não não foi a Moira funesta que te trouxe por esta estra da distante dos homens e de seus caminhos mas Themis e Dike E agora é preciso que mer gulhes em to das as indagações Tanto da Ale theia1 que contempla tudo cujo coração não treme como das coisas caras aos mortais que não alcançam a Aletheia Olha bem o que ainda tens que apren der de que modo as coisas de aparên cias diversas são feitas para ser vistas ao mesmo tempo em que atravessam tudo e pene tram por toda parte 1 N do T O tradutor preferiu manter o termo grego Aletheia intraduzível Jean Beaufret na sua versão francesa traduziu por GrandOuvert Aletheia é a verdade fenomenológica da natureza 144 FILÓSOFOS ÉPICOS I Hás de ser o guardião da palavra escutada pois vou dizerte quais os caminhos os únicos em que hás de pensar em tua busca O primeiro dos caminhos mostra aquilo que é sem qual quer obstáculo para impedir o ser Confia neste caminho fiel à Aletheia Quanto ao outro para saber o que não é mesmo que ele tenha poder legítimo sobre o ser proibido por tal caminho advirto nenhum passo poderá ser se guro Pois está fora de teu poder saber o nãoser não ga nharás nada com isso nem que tua palavra o diga Na verdade pensar e ser é ao mes mo tempo a mesma coisa Mas o que é ao mesmo tempo au sente e presen te aprende a vêlo pelo pensamento com um olhar que nada possa desviar pois jamais o ser cor tará sua ligação com onãosermais tal como acontece ao que se dispersa em todos os sen tidos e ao que se junta para formar um todo Coerente é para mim a partida pois ela marca o lugar a que terei de voltar Seja então deixado a si mesmo como convém permaneça assim guar dado em pensamento sendoser e as sim se abra a clareira do ser pois sem essa abertura é o nada Eis o que te peço que aprendas antes de qualquer outra coi sa Que antes de tudo tua busca fi que apartada desse caminho e que to mes o outro em segui da ao longo dele é claro perdemse os mortais que nada sabem ver os bifrontes Na verdade é a inexperiência que leva o sentimento a perder se em divagações no coração Tão surdos como cegos levados de um lado para outro embara çados e perple xos sem discernimento cujo des tino tanto é dizer ser como nãoser e até mesmo ser e nãoser assim se perdem aqueles mortais Todos eles não avan çam nunca caminham para trás Não há força que consiga tornálos iguais o ser e o nãoser Melhor é afas tar teu pensamento desse caminho de busca E habituado à rica experiência não leves a essa contemplação um olho para não ver nada um ouvido cheio de ru mores uma língua mas deixando ser o que é aprende a pensar para ti a diferença em que se trava a profunda de que te fala minha palavra Um só caminho resta então aberto à palavra o caminho que ela nomeia é Sobre ele tantos sig nos se incorpo ram deixando claro que incon cebível o ser é também imperecível inteiro de uma só vez também inabalável e incessante Ele não era outrora não será nunca pois é agora inteiriço de um só talhe único Onde buscar sua geração Por onde e de onde teria po dido brotar Do nãoser E o que não te deixarei di zer nem pensar pois não se pode dizer nem se pode pensar que ele não é nem como Como e por que na verdade poderia aparecer mais ce do ou mais tarde surgindo do nada para desabrochar sua flor Ele preci sa ser plenamente ou não ser Nunca também o vigor de segurança al guma poderá conceder que nascido do nada outra coisa possa brotar ao lado dele senão ele mesmo por isso nem para nascer nem para pe recer por qual quer afrouxamento de seus laços terá a permissão de Dikê que ao contrário os mantêm A questão está assim di vidida é ou não é E assim dividida é preciso que a todo custo deixes um dos caminhos ao impensável e ao 145 JOIAS DA BIBLIOTECA NACIONAL inominável pois ele está fora de qual quer al cance O outro ao contrário está aberto E é o caminho verdadei ro Como então senão de pois disso desabrocharia o ser Como poderia ter nascido Pois se ele veio a ser então não é e não é também se um dia vier a ser Assim a gê nese está extinta e o declínio desapareceu Ele também não é divisível pois é igual em toda parte e nada pode jamais lhe acontecer rom pendo sua coesão para aumentálo ou diminuí lo eis que ele é em toda parte na plenitude do ser Assim tudo está nele pois o ser é para o ser do modo mais íntimo E imóvel também nos li mites de laços poderosos assim é sem princí pio nem fim pois dele estão banidos nascimento e destruição para longe dele rejeitados na segu rança real da Aletheia Permanecendo o mesmo no mesmo estado em si mesmo repousa fixo no mesmo lugar pois em seu vi gor a necessidade o mantém nos nexos de um limite que por todos os lados o cerca sem permitir jamais que ele es teja inacabado em verdade ele é sem haver coisa que lhe falte não sendo as sim tudo lhe faltaria O pensar e aquilo sobre que desa brocha o pen samento são uma e a mes ma coisa Pois fora do ser que é o lugar de sua revelação não acharás o pensar nada é com efeito nem será nem será outra coisa que não o ser e sua circuns tância pois a partilha que é sua o ligou à lei de uma integridade em repouso por isso mesmo desde que seja tudo será nome nele se fixaram os mortais para seus hábitos confiantes em que não há nada para lá do nome tanto nascer co mo perecer estar ou não estar lá deixar seu lu gar por um outro e brilhar aqui e ali com um brilho furtacor Mas se o limite é derradeiro por todos os lados é consumado apresen tando a volta de uma esfe ra perfeita a partir do centro em todos os senti dos identicamente radiante pois se fosse mais ou se fosse menos não poderia estar aqui ou es tar lá nada poderia im pedir sua igualha a si mesmo e o ser não pode ser aqui mais ser e ali me nos ser já que por todos os lados está prote gido Todo igual a si mesmo por todos os la dos ele encontrará também a igualdade de seus próprios limites E agora para ti ponho um ponto final à pala vra exata e ao saber que toca à Aletheia A par tir daqui aprende en tão aquilo que interessa aos mortais e fica atento à ordem das coisas que digo Elas estabeleceram claramente duas figuras para denominar o que ti nham em vista Uma delas tomada so litariamente é inad missível Ficariam todas soltas no ar Separan do em dois o caráter nem por isso criaram um an tagonismo mas criaram marcas que situavam uma ao lado da outra aqui o fogo etéreo da flama o fogo favorável o fogo leve em tudo igual a si mesmo sem nada de comum com o outro e ali face a face o outro reduzido a si mes mo a noite obtusa sem lições opaca e pe sada figura Uma conjunção assim desde que saudada com boasvindas é o que te anunciarei claramente para que nunca nunca mortal al gum leve vantagem sobre ti Mas já que tudo se há de chamar luz e noite es tes dois nomes responden do às respectivas signi ficações em que situam aqui e ali seus domínios tudo está ao mesmo tempo cheio de luz e de noite sem luz nas mesmas proporções se nada perturbar a uma delas Mas tu saberás o luminoso de sabrochar do éter tudo o que no éter oferece algum sinal a obra devoradora do fulgurante sol puro facho e do qual tudo provém aprenderás também os efei tos e a circulação da lua de redon do olho e co mo ela se formou Saberás ainda o céu que tudo sustenta em seu contorno de onde ele nasceu e como a precisão que o dirige fixou limites ao curso dos astros como a terra e o sol e a lua e o éter universal do céu e a celeste via láctea e o Olimpo mais recua do e a ardente força dos astros se projetaram nos rumos de sua origem Os mais sólidos anéis estão cheios de mero fogo outros em segui da estão cheios de noite mas entre os dois penetra um trecho de flama No meio a divindade que governa tudo pois é por toda parte que ela é a origem do parto pelo Esti ge e do coito levando a fêmea a unirse ao ma cho e o macho por sua vez a unirse à fêmea Eros o primeiro de todos os deuses foi sonha do antes de todos Estranha luz enluara a noite em torno da terra errante olhar inquieto voltado para os raios do sol Com a resposta exata à confusão dos membros ordenados na desordem é assim que o senti mento está entre os homens O Mesmo em ver dade ele que lhes permite entre todos o dom do pensamento é sua eclosão física tanto entre todos como a propósito de tudo tal eclosão é propriamente o pen samento em sua plenitude à direita os rapazes à esquerda as raparigas Quando o macho e a fêmea mis turam juntos a semente de Vênus a força incorporada de san gues opostos cria corpos bem moldados se é boa a têmpera Se nascidos de sementes mistura das porém as forças entram em luta e recusamse a unirse no corpo surgido da mistu ra e por sua origem diversa prejudicarão o sexo da criatura É assim que sem paradoxo nas ceram as coisas as que são agora para a partir de então se enca minhar até seu destino depois de haver cresci do para elas todavia os homens fixaram no mes que separadamente as nomeiam cada uma com seu nome RecifeBeloHorizonteLondresDublin 1985 ÍNDICE ONOMÁSTICO Autores antigos Aécio 40 42 108109 120 121 n 87 129 132 137 Alcméon 111 n 68 Alexandre Pseudo 102 Alexandre de Afrodisia 114 114 n 78 e n 79 115 n 80 e n 81 129 Amônio 102 129 131 134 Anaxágoras 119 121 n 87 Anaximandro 9 Anaxímenes 40 Apolônio de Rodes 123 n 89 129 Aquiles Tácio 40 130 Aristófanes 32 3435 47 6364 70 89 n 27 132 Aristóteles 2 12 n 11 38 40 567 40 5657 6162 71 73 85 n 18 99 n 53 102103 110111 114 114 n 78 e n 79 115 n 80 e n 81 129134 136137 Armênidas 119 123 n 89 e n 92 Arquíloco 63 Asclépio 102103 114 114 n 78 114 n 79 115 n 80 e n 81 130131 Ateneu 12 20 22 24 36 131 Basílio de Cesareia 112113 131132 Bessarion 58 Boécio 103 131 Célio Aureliano 117 131 Cícero 15 n 13 108109 111 n 70 Clemente de Alexandria 14 3031 31 n 15 38 84 84 n 13 85 n 17 86 86 n 19 e n 20 88 88 n 24 89 n 27 92 n 40 93 n 42 102 104 105 105 n 56 131 Damásio 102 104 132 Demócrito 57 Diógenes Laércio 9 n 6 14 2627 32 50 55 n 1 75 75 n 17 84 84 n 13 85 n 17 92 n 38 93 n 41 102 132 Dionísio Periegeta 46 137 Élio Herodiano 28 44 46 50 132 Empédocles 24 11 57 79 n 2 88 109 n 67 119 121 n 86 123 n 93 Epicuro VI VI n 1 Epimênides 35 n 20 Ésquilo 62 Estobeu 32 103 110 122 123 n 93 129 132 Euclides 135 Eudemo 33 133 Filocoro 29 Galeno 116117 117 n 84 133 Gélio 28 133 Górgias 108 Heráclito Estoico 42 133 Heráclito VII 62 89 n 25 Heródoto 2425 25 n 4 28 33 Hesíodo 3 9 11 15 29 55 66 70 72 117 n 54 111 141142 Hesychios 32 Hipócrates 133 Hipólito 120121 121 n 86 Homero 3 5 9 11 15 29 34 42 5556 n 3 62 63 132 133 141 142 Jâmblico 133134 Leucipo 57 Melisso 57 60 99 n 52 Moerbecke G de 58 Olimpiodoro 102 134 Orfeu 86 Parmênides 24 4 n 2 e n 3 9 11 13 15 53ss 5559 55 n 2 56 n 3 57 n 4 e n 5 59 n 7 61 62 6465 67 7071 7374 74 n 16 79 n 3 e n 4 81 n 8 e n 9 84 85 n 18 88 92 n 40 95 n 46 101 n 54 e n 55 103 105 105 n 56 107 107 n 57 e n 58 109 109 n 67 111 111 n 71 113 113 n 74 n 75 e n 76 117 117 n 84 119 121 121 n 86 e n 87 122 123 123 n 88 n 89 e n 92 124 130 134135 142143 Pitágoras VII 27 27 n 6 Platão 3 9 1213 15 55 57 60 63 64 71 98 102103 110 119 122 123 130 133135 Plotino 88 88 n 24 95 n 46 102 n 25 129 134 Plutarco Pseudo 92 n 40 93 n 42 102 121 n 87 129 135 Plutarco 12 44 84 84 n 14 85 n 16 e n 17 8687 92 n 40 93 n 42 102 110113 111 n 71 e n 72 113 n 74 121 n 87 129 134135 Pollux 2425 25 n 4 46 135 Porfírio 4041 131 Proclo 84 84 n 13 85 n 16 88 88 n 23 89 n 25 92 n 40 93 n 42 102104 135 Sexto Empírico 2829 38 44 57 60 61 71 79 n 3 84 102 110 135 141 Simônides 35 Simplício 38 40 5758 58 n 6 61 7173 84 84 n 13 n 14 e n 15 85 n 16 n 17 e n 18 88 90 90 n 30 91 n 34 92 n 39 e n 40 93 n 42 e n 43 94 n 44 e n 45 98 n 50 e n 51 99 n 52 101 n 54 102103 106107 107 n 59 108109 109 n 65 e n 67 110 110 n 69 111 111 n 70 116 117 117 n 85 130 133 136 Sócrates 1 15 17 6364 63 n 9 70 134 Sófocles 67 Sorano de Éfeso 117 131 136 Suetônio 122 123 n 90 e n 92 136 Tales 33 Teodoreto 98 n 51 102104 129 136 Teofrasto 3 57 114 114 n 78 e n 79 115 n 15 e n 85 137 Timão 47 Tzetzés 46 Xenófanes VII 26 7ss 917 9 n 6 10 n 9 21 n 2 25 27 27 n 6 29 29 n 7 31 33 35 37 41 43 45 n 32 47 51 55 141142 Xenofonte 12 51 Zenão 15 n 14 57 134 Autores modernos Aldo Manucio XI 58 90 n 29 31 e 32 91 n 36 94 n 44 Aubenque P 57 n 4 95 n 46 Barnes J 97 n 49 Bergk 20 80 n 7 90 n 30 96 n 47 Bernhardy 46 137 Bollack J VI VI n 1 60 Bornheim G 141 Brandis C A 58 59 n 7 71 90 n 28 Bywater I 88 n 23 Casertano G 4 n 3 Cassin B 5 n 5 55 n 2 59 88 97 n 49 105 n 56 Cerri G 93 n 42 Cordero N L 4 5859 61 78 n 1 79 n 3 90 n 28 n 31 e n 33 91 n 35 96 n 47 Couloubaritsis L 59 105 n 56 Cousin 88 n 24 135 Coxon A H 5 56 n 3 59 97 n 49 Cummings E E 89 n 27 Davies J 108 Diels H XI 1 910 1314 16 20 n 1 30 n 9 e n 12 31 n 13 e n 15 42 n 28 51 5859 59 n 7 6061 72 79 n 3 88 90 n 28 n 31 e n 32 91 n 34 n 35 e n 36 93 n 42 94 n 44 e n 45 96 n 47 108 n 60 e n 61 121 n 86 e n 87 123 n 89 n 92 e n 93 124 129130 135137 Drabkin I E 116117 131 136 Edmonds J 42 n 28 43 n 30 Estienne H Stephanus 1 58 114 n 78 Frère J 59 95 n 46 97 n 49 Fülleborn G G 59 n 7 Guarracino V 14 Heidegger M 83 n 10 Heindorf L E 108 Hermann G 51 Herwerden H 30 n 11 31 n 14 Hölscher 97 Jurnée G 61 Kaibel G 20 22 24 131 154 Karsten S 58 59 n 7 80 n 5 90 n 28 91 n 34 94 n 44 e n 45 95 n 46 105 Kranz W XI 1 10 58 59 59 n 7 60 94 n 45 124 Kratochvíl Z 10 Kühn K G 116 117 133 Laks A 60 Lesher J H 10 43 n 30 Lisbonnense L A de A VII Lopes D R N 142 Ludwich A 42 Maass E 40 130 Mansfeld J 10 13 Marques M P 107 Miller E 122 136 Mourão G M VII 143 Mourelatos 101 n 55 129 n 74 e n 77 Mullach F W A 1 5859 59 n 7 108 n 60 109 n 66 Musurus M 20 n 1 Mutschmann 78 79 n 3 135 Nachmanson E 50 Nicole J 42 n 28 Nietzsche 1 74 OBrien D 59 86 n 19 95 n 46 96 n 47 97 n 49 108 n 60 109 n 66 Popper K 4 n 2 Prado Anna L de A 10 10 n 9 141 Primavesi O 88 Ramnoux C 85 101 n 54 Reale G60 74 n 16 85 n 18 Reinhardt K 95 n 46 Rossetti L 31 n 14 Ruggiu L 74 85 n 18 Sanesi R 14 Santoro F 81 n 9 142 Scaliger J J 58 71 80 n 6 86 n 19 112 n 73 116 n 82 Schleiermacher VI Sider W 108 n 60 109 n 66 Spengel L 33 Stein H 59 n 7 94 n 45 Stephanus ver Estienne H Sylburg F 30 n 10 86 n 20 Taillardat J 119 122 123 n 92 136 Torrano J 66 n 11 Vieira Antônio VII Vieira Trajano 10 10 n 8 142 Wachsmuth C 32 122 123 n 93 132 Weil H 42 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Edições críticas brandiS Christian Auguste Commentation Eleaticarum Altona 1813 Cordero NéstorLuis Les deux chemins de Parménide Paris Vrin 1984 2ed 1997 Coxon a h The Fragments of Parmenides Las Vegas Parmenides 22009 dielS H Kranz W Die Fragmente der Vorsokratiker Zürich Weidmann 6ª ed 1951 2004 DK Poetarum Philosophorum Fragmenta Berlim 1901 Parmenides Lehrgedicht Berlim 1897 Doxographi Graeci Berlin 1879 reimp Berlim Weidmann ed Eijk Ph J van der 1999 FairbanKS Arthur The First Philosophers of Greece New York 1898 Fülleborn Georg Gustav Beyträge zur Geschichte der Philosophie VI Züllichau und Freistadt 1795 Gentili Bruno Prato Carlo Poetarum Elegiacorum Testimonia et Fragmenta Leipzig 1988 KarSten Simon Philosophorum graecorum veterum 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