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2\nO Normal e o Patológico\nA questão do normal e do patológico é uma questão que preocupa mais o filósofo do que o médico: este último se preocupa antes de tudo em saber o que pode fazer ou não por seu paciente, mais do que saber se esse é \"normal ou patológico\". Se essa atitude pragmática se justifica no domínio da medicina somática, o mesmo não acontece no campo da psicologia, campo marcado pelos problemas éticos, culturais, sociais, políticos, entre outros. O Psiquiatra, no exercício de sua especialidade, não pode se abstrair do contexto que delimita de para seu modo de trabalho. O psiquiatria infantil também é interpolado pelas mesmas razões, mas a isso se acrescenta a incerteza ao crescimento da criança, assim como o lugar familiar e social sobrepredeterminado que essa criança ocupa.\n\nCom efeito, o psiquiatra infantil é solicitado a examinar um problema de vez, a maioria das vezes, nada pode, mesmo, a forma padrão de conduta julgada não conforme pela família, pela escola, pelos vizinhos ou pela assistência social sobre critérios puramente extremos e adaptativos. Por sua vez, esse psiquiatra leva em consideração, em sua avaliação, fatores muito diferentes: capacidade de sublimação de um domínio, importância dos contra-investimentos defensivos, flexibilidade ou rigidez do conjunto do funcionamento mental, avaliação do nível conflitual em função da idade, etc.\n\nOs critérios de normalidade não podem, portanto, limitar-se à avaliação da conduta que motivou o pedido de exame e se resumir a uma simples grade de decodificação sintomática.\n\nO NORMAL E O PATOLÓGICO: PROBLEMAS GERAIS\nDesde Canguilhem, é evidente que o normal e o patológico constituem os dois termos indissociáveis de um mesmo par antitético: um não pode se definir sem o outro. O problema é tanto mais\n\nárrduo em francês, porque a ele se acrescenta uma confusão mantida pela fonética entre o normal (do latin norma: o esquadro) e a anomalia (da raiz grega ἀνωμαλία; isso, sem aspereza). As relações entre a anomalia, o anormal e o patológico devem ser assim determinadas.\n\nDo normal, às diversas definições possíveis relacionam-se todas a quatro pontos de vista:\n\n1) o normal enquanto saúdo, oposto à doença;\n2) o normal enquanto média estatística;\n3) o normal enquanto ideal, utopia a realizar ou aproximar-se;\n4) o normal enquanto processo dinâmico, capacidade de retorno a um certo equilíbrio.\n\nConfundir normal e saúdo, opõe-nos anormal à doença constituída, evidência uma norma que é estatística que não corresponde mais à dimensão anímica da maioria dos pacientes: o paciente di-atéctico antes das descompensações, os asmáticos antes de crises não manifestam no sentido da uma ausência de sintoma. A doença não pode mais se reduzir a seus sinais visíveis. Deve também intervir uma potencialidade para recuperar a saúde, nos aproxima da definição do normal a um quanto processo.\n\nComparar o normal à média é, primeiramente, levar em consideração um modelo que se encontra no campo do patológico tudo o que se encontrou na zona mediana da curva de Gauss: os sujeitos de estatura pequena, os indivíduos portadores da anomia intelectual seriam patológicos? Em psiquiatria, é preciso, além disso, levar em conta a pressão cultural: como o risco sendo considerada anormal toda conduta desviante da média. Desde ponto de vista, os resistentes fracos durante a Ocupação eram anormais, do mesmo modo que a maioria dos homens chamados de \"progressistas\".\n\nRemeter o normal a um modelo, a uma utopia é instaurar ipso facto um sistema de valores, uma normalidade ideal, talvez aquela com a qual sonham os políticos, os administradores ou os pais e os professores para seus filhos. Se esse ideal é definido pelo grupo social, isso equivale mais ou menos a confundi-lo com a norma estatística. Se esse ideal é um sistema de valor pessoal (de ego), e é necessário ainda ver como ele funciona, já se desconhece bem agora certa \"doença de idealidade\" (patologia narcisista), o que equivale a definir um \"funcionamento mental normal\". 48\nD. Marcilli\nFazer do normal um processo de adaptação, uma capacidade de reação para reencontrar um equilíbrio anterior perdido e introduzir uma avaliação dinâmica. Mas, no campo psicossocial, tal definição cobre o risco de reduzir o conceito de normalidade a um estado de excitação, de submissão ou conformismo às exigências sociais. A capacidade de adaptação, ou o que se pode chamar de adaptabilidade, seria para alguns um critério melhor que a própria adaptação: além resta defirem os critérios dessa capacidade, o que pode levar a definição do normal como com média, ou como utopia.\n\nComo se vê, não existe definição simples satisfatória do normal; cada um dos quadros de referência escolhida oferece exceções que se r-inumina o patológico. Na realidade, normal e patológico são tão dependentes um do outro quanto o que em biologia genética, \"o acaso e a necessidade\" (J. Monod): a necessidade da reprodução exige uma necessária pressão normativa, enquanto a possibilidade de evolução implica um evento aleatório.\n\nTodavia, o médico não se confronta aqui com um problema teórico, mas com uma escolha prática: de atender este ou aquele paciente, va-se ambos, o que qualquer outro especialista, encontra-se diante deste dilema, pois o estado sintomático atual da criança não prejudica absolutamente seu futuro estateado do adulto. Para além das condutas sintomáticas, o psiquiatra infantil deve encontrar um outro sistema de avaliação.\n\nPROBLEMA DO NORMAL E DO PATOLÓGICO EM PSICOPATOLOGIA DA CRIANÇA\nDurante o tempo em que o exercício da psiquiatria infantil se limitou à prática de alguma terapia em um consultório particular, a questão do normal e do patológico era secundária. Em contraparti, a extensão considerável da prática psiquiátrica infantil e de suas aplicações à higiene mental da população, uma eficácia certa, mas acessível da um custo social também cêrtos, implicam escolhas estratégicas. Possa a época em que se pode desejar que qualquer criança fizesse uma psicanálise profilática: tal posição encerrava um profundo erro sobre a própria função de análise de uma criança. Manual de Psicopatologia da Infância de Aurjaguerra\n\nraramente, não se conformam a um modelo ideal de desenvolvimento (dos pedagogos, dos pais), mas que serão posteriormente adultos sem problemas? Como se vê, essas questões parecem fundamentais, no nível de higiene mental da população.\n\nEm contrapartida, diante de uma criança particular, a avaliação do normal e do patológico é colocada de modo diferente; deve-se então reconhecer o sintoma, avaliar seu peso e função dinâmica, tentar situar seu lugar no seio da estrutura, e fim, aparecer essa estrutura no âmbito da evolução genética e no seio do ambiente. É dessa quíntupla avaliação sintomática, estrutural, genética e ambiental que procede todo procedimento psiquiátrico infantil.\n\nNormalidade e Conduta Sintomática\n\nA primeira preocupação do psiquiatra infantil confronta com uma conduta habitual e, primeiramente, avaliar seu caráter patológico ou normal; na realidade, dos sentidos das alternativas não vislumbradas. Seria preferível interrogar-se: essa conduta é benéfica ou prejudicial ao desenvolvimento mental da criança, um poder patogênico ou ela assume um papel organizador? Com efeito, distinguir uma conduta normal de uma conduta patológica equivale a introduzir no campo do funcionamento mental uma solução de continuidade que, sabemos, é um desejo de Freud, não existe. Wildtcker observa com muita frequência como o consultor se comporta dos tipos heterogêneos de conduta: o primeiro caracterizaria condutas-sinal mais próprias ao domínio patológico, o segundo, condutas existenciais próprias à normalidade.\n\nA experiência clínica mais simples mostra o quanto essa atitude é falaciosa. Quer se trate de operações de pensamento interno (fobia, pensamento obsessivo), ou de condutas externas (atuação, gagueira...), encontra-se sempre em uma continuidade, que subjaze às diversas condutas humanas, e aquelas que revelam pré-formas organizadoras do psíquico ou de aquelas observadas nos estados patológicos estruturais. O estudo dos fatores (p. 271) ou das condutas ritualizadas (p. 276) é perfeitamente convincente. Mesmo para uma conduta aparentemente mais desviantes, tal como a gagueira,\n\nencontra-se uma fase de desenvolvimento em que a gagueira pode ser qualificada de fisiológica (p. 98).\n\nA descrição semiológica, a determinação de uma conduta não podem durar bastar para definir seu papel patogênico ou econômico. Uma avaliação dinâmica e econômica deve ser acrescentada a isso. O ponto de vista econômico consiste em avaliar em que medida a conduta incriminada é apenas uma formação reativa, ao contrário, em que medida isso se relaciona também com um investimento simbolizado; em outros termos, que medida o Ego é pervertido através de funções pelo compromissos sintomáticos ou, ao contrário, em que medida ele pode reintroduzir essa conduta em seu potencial de interesses de investimentos diversos? O ponto de vista dinâmico e genético procura avaliar a eficácia com a qual a conduta sintomática relaciona a angústia conflitual e, com isso, autoriza a continuidade do movimento maturativo ou, ao contrário, revela-se ineficaz para relacionar essa angústia que restaria incessante, suscita novas constituições e treinamento movimento maturativo. Essas duas abordagens se metem, na verdade, a abordar estruturais e a abordagem genética.\n\nResta o difícil problema da ausência aparente de toda conduta desenvolvendo no sentido da normatística. Na realidade, tantas pesquisas psicopatológicas sistemáticas mostram a ausência de qualquer sintoma em uma criança é uma evidência tanto mais rara quanto mais profundos forem os estados psicológicos na criança. M. Klein descobriu, por sua vez, a fase esquizopreenomente, no decorrer dessa fase, os fantasmas, os mecanismos defensivos erguidos contra a angústia resultante, ou seja, o que se observa nos pacientes psíquicos: fantasma de devoração sádica de adequilimento durante a criança primária, diluvem, desligamento, psicose persecutória, etc. A angústia inevitável provém desses conflitos arcaicos e em parte mantida pelos mecanismos defensivos arcaicos; a neurose da criança nada mais é do que a maneira corta de curar essas angústias arcaicas. Aqui também, não há distinção qualitativa fundamental entre o desenvolvimento normal e o desenvolvimento patológico, até mesmo no campo dos estados psíquicos. A diferença é a quantidade: a origem das pulsões agressivas e do desejo, nos membros, se encontra ainda bloqueada. Os diversos estados patológicos não são muito diferentes dos estados maturativos normais correspondendo ao limite antigo durante o bloqueio evolutivo. A avaliação do patológico pressupõe sobre a análise dos fatores que travam precisamente o desenvolvimento na emoção. A esse respeito, M. Klein salienta a importância da inibição aos temas epistemológicos e do revelo da vida imaginária.\n\nEssas meras retomadas teóricas na Freud e o de\n\n51\n\ncom o gerado à estrutura mental da criança. A utilização de termos próprios a patologia (fase esquizopreenomente, defesa maníaca, posição defensiva) para designar fases normais, patamares maturativos necessários durante o crescimento da criança, mostra-se a ponto só a referencialmente e insuficiente. D. Marcelli\n\nAlém da avaliação sintomática, convém portar os primeiros a mostrar, pela decifração do significado das condutas mentais que a conduta do \"insano\" era dos dois sentidos quanto a do indivíduo sadio. Na sequência, eu entendo esta organização mental de tipo psicológico (as psiconeuroses narcísicas de Freud) é aqueles que têm uma estrutura neurótica, não em função da significação de sua conduta, mas em função da definição da psicanálise.\n\nPara Freud, não há diferença entre o homem sadio e o homem neurótico: ambos apresentam o mesmo tipo de conflito edipiano, utilizam os mesmos tipos de defesas (recalque, desencadeamento, isolamento, conversão), atravessaram durante a infância as mesmas fases maturativas. A única diferença entre o indivíduo neurótico sadio e o indivíduo neurótico sófre reside na intensidade das pulsões, do conflito e das defesas, intensidade de que dá conta os pontos de fixação neuróticos e relativa rigidez das defesas. A compulsão de repetição, características essenciais do neurótico doente, representa elemento de morbidez mais distinta: definição da normalidade como processo adaptativo aplica-se bem a esse quadro, podendo a saúde ser definida como a capacidade de utilizar a gama mais extensas possíveis de mecanismos psíquicos em função das necessidades.\n\nNa criança, as relações entre o complexo edipiano como fase maturativa do desenvolvimento e a identidade narcísica (depressão grave ou episódio psíquico agudo), não é raro constatar nos antecedentes infantis desses pacientes um \"branco\" aparente, uma espécie de normalidade inspirada em seu relevo: crianças, atravessaram todas as situações contínuas sem problemas aparentes: \"elas eram gentis, comportadas, dóceis, cresceram sem problemas\". Certamente, esse discurso parental pode ser defensivo, mascarando um recalque ou uma degradação das dificuldades passadas, mas em um grande número de casos parece que a infância se desenrolou dentro dessa uniformidade assintomática que não deve em nenhum caso ser confundida com a saúde mental.\n\nNormalidade e Ponto de Vista Estrutural\n\nAlém da avaliação sintomática, convém portar a estrutura mental. Freud foi um dos primeiros a mostrar, pela decifração do signifi\n\n52\n\ncado de condutas, tudo que acontece com aqueles que se opõem a essa realidade. A intricação constante dos movimentos de progresso e de regressão anida qualquer contorno preciso; a incompletude do funcionamento psíquico não permite referir a um modelo estável e acabado; a existência de momentos críticos no desenvolvimento presta contas de reviravoltas estruturais possíveis por muito tempo; a dependência prolongada ao meio pode provocar perturbações irreversíveis. Todos esses fatores brevemente enumeramos rondam a dificuldade frequente e, provavelmente, também o outro, ao definir diagnóstico de uma estrutura psíquica na criança.\n\nEntretanto, essa revisão admitida no domínio teórico acarreta problemas no domínio clínico: sobre que bases e critérios delimitar a patologia da criança, como compreender e integrar umas às outras as diversas condutas patológicas observadas. Desses ponto de vista, o lugar ocupado pelos distrubios instrumentais em psicopatologia infantil é esclarecedor. A título de exemplo, tomemos como o sintoma \"dislexia-disortografia\" (para a descrição clínica, ver p. 96).\n\n1) Alguns autores consideram esse sintoma como a prova de uma lesão neurofisiológica e uma nova concepção não muito diferente das teorias lisonas anatom-clínicas da psiquiatria do século XIX. Essa posição, requer a anterior petição de princípio, e foi pouco demonstrada qualquer irrefutável: a dislexia e o sintoma da doença \"Dislexia\", entendida de autonomia, caracterizada por uma lesão específica.\n\n2) Outros autores compreendem a dislexia como prova de um processo específico de inibição épistêmico que traz a persistência de um conflito edipiano ativo e o relativo secundário. A dislexia é um dos sintomas da neurose na criança.\n\n3) Para outros, a dislexia resulta da imaturidade de uma função instrumental e não passado do prolongamento excessivo de um patamar normal encontrado no início de leitura (particularmente, no momento do aprendido a mesma nítidez. De fato, a delimitação das condutas patológicas é mais incerta, os vínculos possíveis entre diversas condutas parecem parecer mais flexíveis do que o patológico adulto. A intricação constante dos movimentos de progresso e de regresso anida qualquer contorno preciso; a incompletude do funcionamento psíquico não permite referir a um modelo estável e acabado; a existência de momentos críticos no desenvolvimento presta contas de reviravoltas estruturais possíveis por muito tempo; a dependência prolongada ao meio pode provocar perturbações irreversíveis. Todos esses fatores brevemente enumeramos rondam a dificuldade frequente e, provavelmente, também o outro, ao definir diagnóstico de uma estrutura psíquica na criança. D. Marcelli\n\ncimento, há aqueles a que A. Freud chama de forças progressivas do desenvolvimento: a criança procura imitar seu pai, os irmãos mais velhos, o professor ou simplesmente os \"grandes\". Ela pode possuir seus atributos ou suas características, despresa ao mesmo tempo os menores, pelo menos aqueles que estão logo abaixo dela.\n\nOs processos de desenvolvimento incluem o conjunto das interações entre a criança e o meio, podendo os fatores externos desempenhar um papel positivo ou negativo nesse crescimento.\n\nSe o valor heurístico dessa distinção é evidente, prática clínica não é fácil separar processos de maturação e processos de desenvolvimento em razão da repressão mútua permanente. Como efeito, deve-se abandonar a posição estática cientificamente fácil que consiste em trazer o conhecimento da criança um processo geneticamente programado em sua totalidade desde o nascimento. As pesquisas em psicologia demonstraram a importância das interações entre equipamento e o ambiente físico (Karli).\n\nAlém dessas constantes interações com o meio, os processos de maturação não devem ser considerados como processos de desenvolvimento regulares, harmoniosos, e uma progressão ligeira, mas um hipotético \"desenvolvimento normal\". Como salientou Wildcher, \"as forças de resistência à mudança são considerados na criança. A todo momento, ela realiza um sistema em equilíbrio. A possibilidade da repetição de age de forma poderosa\". Os conflitos fazem parte inerente do desenvolvimento, que está sujeito a conflitos externos, interiorizados ou internos, conforme A. Freud, ou entendidos como iniciação no desenvolvimento, de conflitos de desenvolvimento neutros, de acordo com H. Nagera (ver p. 290).\n\nAssim como se viu nos parágrafos anteriores, a avaliação da angústia ligada a esses conflitos, compromissos e sintonia desconcertante é, assim mesmo a avaliação do organização estrutural sincrônica não podem bastar para distinguir o normal do patológico. A capacidade de progressão que conduz a sintomatização preserva o que a organização estrutural autoriza ou, ao contrário, seu poder de fixação ou de regressão só podem ser percebidos através de uma perspectiva diacrônica.\n\nA intensidade e o caráter patogênico desses pontos de fixação e dessas regressões podem acarretar distúrbios de desenvolvimento cada vez mais importantes. A. Freud propõe ainda como critério de apreciação do patológico e do normal o desenvolvimento. Esse autor redefine várias linhas de desenvolvimento que representam ações particulares do crescimento de uma criança: linha de desenvolvimento no sentido de dependência à autoridade afetiva e as relações de objeto do adulto, linha de desenvolvimento e a independência corporal (da amamentação à alimentação), razão da unicidade ao controle dos esfincteres), linha de desenvolvimento do controle do brinquedo e do jogo ao brincar.\n\nPara A. Freud, a patologia pode surgir de uma desantemidade nível materrenas essas linhas. Esse conceito de desarmonía tem um grande subentendido: é utilizado em inúmeras interpretações psicológicas e tende a ser um term novo conceito de referência semântico, ou que muitas vezes representam uma utilização totalmente preferencial de um conceito. Não deixa de ser evidente que se descrevem, cada vez mais com seus funções, \"organizações desarmonizadoras\", que a desarmonia ainda sua sede na evolução da organização cognitiva (ver p. 262), respondendo a várias dessas necessidades clínicas e patológicas.\n\nOs critérios e as múltiplas avaliações geralmente se estabelecem num contexto de normalidade e patológico. Neste sentido, para A. Freud, constitui uma prolongação e um gradativo reflexo da que as crianças devem considerar um foco. O normal se oferece aos contextos operacionais mais diversificados e a capacidade patológica representa as formas de determinismo das funções a serem focalizadas. MANUAL DE PSICOPATOLOGIA DA INFÂNCIA DE AURIAGUERRA\n\nUma outra noção que se refere implicitamente a um modelo ideal ou estatístico de desenvolvimento normal é frequentemente utilizada em psicopatologia infantil para condutas clínicas que se situam no limbo do normal e do patológico: trata-se da imaturidade.\n\nA partir da imaturidade, índices quadros clínicos foram isolados sobre bases etiopatogênicas muito diversas. Os autores que utilizam esse conceito justificam a referência a um processo de maturação permanente neurofisiológico, em razão dos sinais observados no EEG e reagrupados sob o nome de \"tracado amotado ou desamostrado\": traçado globalmente lento para a idade (mas que podem ter fisiológico para crianças mais jovens), porém, diante uma sensibilidade exagerada a hipertensão frequente e os \"picos\" ou das letras com predominância occipital. A interpretação da atividade reativa foi referida explicitamente a um nome da ideia que refere a estatística consistente e a evolução do eletroencefalograma da criança pequena. A questão a saber é que a correlação existente entre esses desvios eletroencefalográficos e a sintomatologia descrita sobre o nome da imaturidade.\n\nNa clínica, a imaturidade relacionada se habitua asserta a afeto e emocional. A partir da imaturidade psicomotora, Dufré, sob o nome de \"debilidade motor\", individualizou o início um quadro clínico e, depois, construiu uma teoria etiopatogênica cujo avanço nos parece ser a noção de Minimal brain dysfunction (ver p. 21 e 283). Das dispraxias mais graves às habilidades gestuais básicas, passando pela instabilidade, a divisão entre o normal e o patológico reponsabiliza sobre uma lesão ou uma disfunção estabelecida como uma petição de princípio do que como uma realidade clínica.\n\nA imaturidade afetiva ou emocional remete a plena dificuldade de controlar as emoções, sua intensidade e sua labilidade, a dificuldade para tolerar a frustração, a dependência afetiva, a necessidade de segurança, a suspenstionalidade...\n\nEncontra-se aqui um conjunto de traços descritos em diversas organizações patológicas, especialmente a perspectiva a história, tanto na clínica de adultos quanto na clínica de crianças, do mesmo modo que, para a \"debilidade motor\", alguns fatores vêm ao vestígio de uma lesão ou de uma disfunção. Em uma perspectiva analítica, essa imaturidade afeta e emocional remete as noções de tolerância e frustração e de capacidade de atuação que, para A. Freud, constituem um dos elementos de avaliação do normal e do patológico, mas também a noção de \"força do Eu\", ampliadamente utilizada pelos psicanalistas de escola de Hartmann. D. Marcelli\n\nNormalidade e Meio Ambiente\n\nWinnicott disse, com muita propriedade, que não existe uma criança pequena sem sua mãe: dois, mãe e filho, formam um todo sobre o qual deve-se basear a avaliação e o exercício terapêutico. Essa verdade também é válida para a criança maior ou o adolescente. A avaliação do normal e do patológico no funcionamento de uma criança não poderá ignorar o contexto ambiental parental, fraternal, escolar, residencial, amigável, religioso, etc.\n\nÍndices conduzidos julgados patológicos pelo meio mostram-se, na realidade, ou sinais em diversos divisões de novo, por um lado, patológicos e, como resultados como de rituais, ou seja sem um novo modos de condutas para a criança que enriqueceria a história atendida, ou seja, na medida rigorosa, desenvolver onde resgate normalidades. Então pode-se considerar que esses modelos dividem-se em cinco grandes grupos:\n\n1) modelo semiótico descritivo;\n2) modelo lesional;\n3) modelo ontogenético;\n4) modelo analítico;\n5) modelo ambiental.\n\nConfrontando a uma criança em sua singularidade, o clínico utiliza todo modelo preferencial ou os ou patológico, isto é, uma sociedade normal ou patológica, o que nos leva às diversas definições possíveis da normalidade e ilustra também o risco de uma reflexão fechada em si mesma, quando se aborda esse problema em um plano puramente teórico.\n\nCONCLUSÃO\n\nNo estudo das condutas e do equilíbrio psicoafetivo de uma criança, o normal e o patológico não devem ser considerados como dois estados distintos um do outro, nem uma fronteira em um amplo fosso os separaram rigorosamente. Nada permite considerar que haja dois campos resolutivamente heterogêneos, revelando processos psicológicos normais, no caso um deles, e desestruturação patológica, em outro. O desenvolvimento, a maturação da criança só pode ser vistos como um resgatar problemática e o desenvolvimento de interações cumulativas, aqueles que de previem como se seus comportamentos em relação a faculdades de contextos visando, no seu leque geral. TABELA 2.1\nPertinência Relativa dos Diversos Modelos de Compreensão, segundo alguns Quadros Clínicos\n\nModelo Descritivo Modelo Estrutural Modelo Ontogenético Modelo Ambiental Modelo Lesional\n\nNeurose da criança +++ +++ + +++ ++\nDislexia +++ ++ ++ +++ ++\nAutismo de Kanner ++ +++ ++ +++ ++\nPsicose precoce tipo ++ ++ ++ ++ ++\nPsicose simbólica ++ +++ ++ ++ ++\nDesempenho +++ +++ +++ +++ +\nevolutivo\nPré-pós-cos ++ +++ ++ +++ +++\nDisfunção cerebral +++ +++ +++ +++ +\nmínima\nEpilepsia ++ ++ +++ +++ +\nMongolismo ++ ++ ++ ++ ++\nPrematuridade ++ ++ ++ +++ +++\ne suas consequências\n\nmodelos que lhe parecem mais pertinentes para sua compreensão. Os \"quadros clínicos\" descritos pela nosografia tradicional também devem ser compreendidos à luz desses modelos que lhes dão seu sentido. A título de ilustração, terminamos este capítulo com dois quadros: o primeiro e aquele dos principais atores de compreensão utilizados em psicopatologia infantil; o segundo é uma tentativa um tanto sequencial que busca introduzir simplesmente uma reflexão sobre a pertinência desses diversos modelos de acordo com os \"quadros clínicos\" clássicos. A maior parte das classificações nosográficas atuais tenta considerar precisamente essa dimensão plurial essencial na psicopatologia, quer se trate do DSM-III-R ou IV ou da recente classificação francesa (ver p. 64).
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2\nO Normal e o Patológico\nA questão do normal e do patológico é uma questão que preocupa mais o filósofo do que o médico: este último se preocupa antes de tudo em saber o que pode fazer ou não por seu paciente, mais do que saber se esse é \"normal ou patológico\". Se essa atitude pragmática se justifica no domínio da medicina somática, o mesmo não acontece no campo da psicologia, campo marcado pelos problemas éticos, culturais, sociais, políticos, entre outros. O Psiquiatra, no exercício de sua especialidade, não pode se abstrair do contexto que delimita de para seu modo de trabalho. O psiquiatria infantil também é interpolado pelas mesmas razões, mas a isso se acrescenta a incerteza ao crescimento da criança, assim como o lugar familiar e social sobrepredeterminado que essa criança ocupa.\n\nCom efeito, o psiquiatra infantil é solicitado a examinar um problema de vez, a maioria das vezes, nada pode, mesmo, a forma padrão de conduta julgada não conforme pela família, pela escola, pelos vizinhos ou pela assistência social sobre critérios puramente extremos e adaptativos. Por sua vez, esse psiquiatra leva em consideração, em sua avaliação, fatores muito diferentes: capacidade de sublimação de um domínio, importância dos contra-investimentos defensivos, flexibilidade ou rigidez do conjunto do funcionamento mental, avaliação do nível conflitual em função da idade, etc.\n\nOs critérios de normalidade não podem, portanto, limitar-se à avaliação da conduta que motivou o pedido de exame e se resumir a uma simples grade de decodificação sintomática.\n\nO NORMAL E O PATOLÓGICO: PROBLEMAS GERAIS\nDesde Canguilhem, é evidente que o normal e o patológico constituem os dois termos indissociáveis de um mesmo par antitético: um não pode se definir sem o outro. O problema é tanto mais\n\nárrduo em francês, porque a ele se acrescenta uma confusão mantida pela fonética entre o normal (do latin norma: o esquadro) e a anomalia (da raiz grega ἀνωμαλία; isso, sem aspereza). As relações entre a anomalia, o anormal e o patológico devem ser assim determinadas.\n\nDo normal, às diversas definições possíveis relacionam-se todas a quatro pontos de vista:\n\n1) o normal enquanto saúdo, oposto à doença;\n2) o normal enquanto média estatística;\n3) o normal enquanto ideal, utopia a realizar ou aproximar-se;\n4) o normal enquanto processo dinâmico, capacidade de retorno a um certo equilíbrio.\n\nConfundir normal e saúdo, opõe-nos anormal à doença constituída, evidência uma norma que é estatística que não corresponde mais à dimensão anímica da maioria dos pacientes: o paciente di-atéctico antes das descompensações, os asmáticos antes de crises não manifestam no sentido da uma ausência de sintoma. A doença não pode mais se reduzir a seus sinais visíveis. Deve também intervir uma potencialidade para recuperar a saúde, nos aproxima da definição do normal a um quanto processo.\n\nComparar o normal à média é, primeiramente, levar em consideração um modelo que se encontra no campo do patológico tudo o que se encontrou na zona mediana da curva de Gauss: os sujeitos de estatura pequena, os indivíduos portadores da anomia intelectual seriam patológicos? Em psiquiatria, é preciso, além disso, levar em conta a pressão cultural: como o risco sendo considerada anormal toda conduta desviante da média. Desde ponto de vista, os resistentes fracos durante a Ocupação eram anormais, do mesmo modo que a maioria dos homens chamados de \"progressistas\".\n\nRemeter o normal a um modelo, a uma utopia é instaurar ipso facto um sistema de valores, uma normalidade ideal, talvez aquela com a qual sonham os políticos, os administradores ou os pais e os professores para seus filhos. Se esse ideal é definido pelo grupo social, isso equivale mais ou menos a confundi-lo com a norma estatística. Se esse ideal é um sistema de valor pessoal (de ego), e é necessário ainda ver como ele funciona, já se desconhece bem agora certa \"doença de idealidade\" (patologia narcisista), o que equivale a definir um \"funcionamento mental normal\". 48\nD. Marcilli\nFazer do normal um processo de adaptação, uma capacidade de reação para reencontrar um equilíbrio anterior perdido e introduzir uma avaliação dinâmica. Mas, no campo psicossocial, tal definição cobre o risco de reduzir o conceito de normalidade a um estado de excitação, de submissão ou conformismo às exigências sociais. A capacidade de adaptação, ou o que se pode chamar de adaptabilidade, seria para alguns um critério melhor que a própria adaptação: além resta defirem os critérios dessa capacidade, o que pode levar a definição do normal como com média, ou como utopia.\n\nComo se vê, não existe definição simples satisfatória do normal; cada um dos quadros de referência escolhida oferece exceções que se r-inumina o patológico. Na realidade, normal e patológico são tão dependentes um do outro quanto o que em biologia genética, \"o acaso e a necessidade\" (J. Monod): a necessidade da reprodução exige uma necessária pressão normativa, enquanto a possibilidade de evolução implica um evento aleatório.\n\nTodavia, o médico não se confronta aqui com um problema teórico, mas com uma escolha prática: de atender este ou aquele paciente, va-se ambos, o que qualquer outro especialista, encontra-se diante deste dilema, pois o estado sintomático atual da criança não prejudica absolutamente seu futuro estateado do adulto. Para além das condutas sintomáticas, o psiquiatra infantil deve encontrar um outro sistema de avaliação.\n\nPROBLEMA DO NORMAL E DO PATOLÓGICO EM PSICOPATOLOGIA DA CRIANÇA\nDurante o tempo em que o exercício da psiquiatria infantil se limitou à prática de alguma terapia em um consultório particular, a questão do normal e do patológico era secundária. Em contraparti, a extensão considerável da prática psiquiátrica infantil e de suas aplicações à higiene mental da população, uma eficácia certa, mas acessível da um custo social também cêrtos, implicam escolhas estratégicas. Possa a época em que se pode desejar que qualquer criança fizesse uma psicanálise profilática: tal posição encerrava um profundo erro sobre a própria função de análise de uma criança. Manual de Psicopatologia da Infância de Aurjaguerra\n\nraramente, não se conformam a um modelo ideal de desenvolvimento (dos pedagogos, dos pais), mas que serão posteriormente adultos sem problemas? Como se vê, essas questões parecem fundamentais, no nível de higiene mental da população.\n\nEm contrapartida, diante de uma criança particular, a avaliação do normal e do patológico é colocada de modo diferente; deve-se então reconhecer o sintoma, avaliar seu peso e função dinâmica, tentar situar seu lugar no seio da estrutura, e fim, aparecer essa estrutura no âmbito da evolução genética e no seio do ambiente. É dessa quíntupla avaliação sintomática, estrutural, genética e ambiental que procede todo procedimento psiquiátrico infantil.\n\nNormalidade e Conduta Sintomática\n\nA primeira preocupação do psiquiatra infantil confronta com uma conduta habitual e, primeiramente, avaliar seu caráter patológico ou normal; na realidade, dos sentidos das alternativas não vislumbradas. Seria preferível interrogar-se: essa conduta é benéfica ou prejudicial ao desenvolvimento mental da criança, um poder patogênico ou ela assume um papel organizador? Com efeito, distinguir uma conduta normal de uma conduta patológica equivale a introduzir no campo do funcionamento mental uma solução de continuidade que, sabemos, é um desejo de Freud, não existe. Wildtcker observa com muita frequência como o consultor se comporta dos tipos heterogêneos de conduta: o primeiro caracterizaria condutas-sinal mais próprias ao domínio patológico, o segundo, condutas existenciais próprias à normalidade.\n\nA experiência clínica mais simples mostra o quanto essa atitude é falaciosa. Quer se trate de operações de pensamento interno (fobia, pensamento obsessivo), ou de condutas externas (atuação, gagueira...), encontra-se sempre em uma continuidade, que subjaze às diversas condutas humanas, e aquelas que revelam pré-formas organizadoras do psíquico ou de aquelas observadas nos estados patológicos estruturais. O estudo dos fatores (p. 271) ou das condutas ritualizadas (p. 276) é perfeitamente convincente. Mesmo para uma conduta aparentemente mais desviantes, tal como a gagueira,\n\nencontra-se uma fase de desenvolvimento em que a gagueira pode ser qualificada de fisiológica (p. 98).\n\nA descrição semiológica, a determinação de uma conduta não podem durar bastar para definir seu papel patogênico ou econômico. Uma avaliação dinâmica e econômica deve ser acrescentada a isso. O ponto de vista econômico consiste em avaliar em que medida a conduta incriminada é apenas uma formação reativa, ao contrário, em que medida isso se relaciona também com um investimento simbolizado; em outros termos, que medida o Ego é pervertido através de funções pelo compromissos sintomáticos ou, ao contrário, em que medida ele pode reintroduzir essa conduta em seu potencial de interesses de investimentos diversos? O ponto de vista dinâmico e genético procura avaliar a eficácia com a qual a conduta sintomática relaciona a angústia conflitual e, com isso, autoriza a continuidade do movimento maturativo ou, ao contrário, revela-se ineficaz para relacionar essa angústia que restaria incessante, suscita novas constituições e treinamento movimento maturativo. Essas duas abordagens se metem, na verdade, a abordar estruturais e a abordagem genética.\n\nResta o difícil problema da ausência aparente de toda conduta desenvolvendo no sentido da normatística. Na realidade, tantas pesquisas psicopatológicas sistemáticas mostram a ausência de qualquer sintoma em uma criança é uma evidência tanto mais rara quanto mais profundos forem os estados psicológicos na criança. M. Klein descobriu, por sua vez, a fase esquizopreenomente, no decorrer dessa fase, os fantasmas, os mecanismos defensivos erguidos contra a angústia resultante, ou seja, o que se observa nos pacientes psíquicos: fantasma de devoração sádica de adequilimento durante a criança primária, diluvem, desligamento, psicose persecutória, etc. A angústia inevitável provém desses conflitos arcaicos e em parte mantida pelos mecanismos defensivos arcaicos; a neurose da criança nada mais é do que a maneira corta de curar essas angústias arcaicas. Aqui também, não há distinção qualitativa fundamental entre o desenvolvimento normal e o desenvolvimento patológico, até mesmo no campo dos estados psíquicos. A diferença é a quantidade: a origem das pulsões agressivas e do desejo, nos membros, se encontra ainda bloqueada. Os diversos estados patológicos não são muito diferentes dos estados maturativos normais correspondendo ao limite antigo durante o bloqueio evolutivo. A avaliação do patológico pressupõe sobre a análise dos fatores que travam precisamente o desenvolvimento na emoção. A esse respeito, M. Klein salienta a importância da inibição aos temas epistemológicos e do revelo da vida imaginária.\n\nEssas meras retomadas teóricas na Freud e o de\n\n51\n\ncom o gerado à estrutura mental da criança. A utilização de termos próprios a patologia (fase esquizopreenomente, defesa maníaca, posição defensiva) para designar fases normais, patamares maturativos necessários durante o crescimento da criança, mostra-se a ponto só a referencialmente e insuficiente. D. Marcelli\n\nAlém da avaliação sintomática, convém portar os primeiros a mostrar, pela decifração do significado das condutas mentais que a conduta do \"insano\" era dos dois sentidos quanto a do indivíduo sadio. Na sequência, eu entendo esta organização mental de tipo psicológico (as psiconeuroses narcísicas de Freud) é aqueles que têm uma estrutura neurótica, não em função da significação de sua conduta, mas em função da definição da psicanálise.\n\nPara Freud, não há diferença entre o homem sadio e o homem neurótico: ambos apresentam o mesmo tipo de conflito edipiano, utilizam os mesmos tipos de defesas (recalque, desencadeamento, isolamento, conversão), atravessaram durante a infância as mesmas fases maturativas. A única diferença entre o indivíduo neurótico sadio e o indivíduo neurótico sófre reside na intensidade das pulsões, do conflito e das defesas, intensidade de que dá conta os pontos de fixação neuróticos e relativa rigidez das defesas. A compulsão de repetição, características essenciais do neurótico doente, representa elemento de morbidez mais distinta: definição da normalidade como processo adaptativo aplica-se bem a esse quadro, podendo a saúde ser definida como a capacidade de utilizar a gama mais extensas possíveis de mecanismos psíquicos em função das necessidades.\n\nNa criança, as relações entre o complexo edipiano como fase maturativa do desenvolvimento e a identidade narcísica (depressão grave ou episódio psíquico agudo), não é raro constatar nos antecedentes infantis desses pacientes um \"branco\" aparente, uma espécie de normalidade inspirada em seu relevo: crianças, atravessaram todas as situações contínuas sem problemas aparentes: \"elas eram gentis, comportadas, dóceis, cresceram sem problemas\". Certamente, esse discurso parental pode ser defensivo, mascarando um recalque ou uma degradação das dificuldades passadas, mas em um grande número de casos parece que a infância se desenrolou dentro dessa uniformidade assintomática que não deve em nenhum caso ser confundida com a saúde mental.\n\nNormalidade e Ponto de Vista Estrutural\n\nAlém da avaliação sintomática, convém portar a estrutura mental. Freud foi um dos primeiros a mostrar, pela decifração do signifi\n\n52\n\ncado de condutas, tudo que acontece com aqueles que se opõem a essa realidade. A intricação constante dos movimentos de progresso e de regressão anida qualquer contorno preciso; a incompletude do funcionamento psíquico não permite referir a um modelo estável e acabado; a existência de momentos críticos no desenvolvimento presta contas de reviravoltas estruturais possíveis por muito tempo; a dependência prolongada ao meio pode provocar perturbações irreversíveis. Todos esses fatores brevemente enumeramos rondam a dificuldade frequente e, provavelmente, também o outro, ao definir diagnóstico de uma estrutura psíquica na criança.\n\nEntretanto, essa revisão admitida no domínio teórico acarreta problemas no domínio clínico: sobre que bases e critérios delimitar a patologia da criança, como compreender e integrar umas às outras as diversas condutas patológicas observadas. Desses ponto de vista, o lugar ocupado pelos distrubios instrumentais em psicopatologia infantil é esclarecedor. A título de exemplo, tomemos como o sintoma \"dislexia-disortografia\" (para a descrição clínica, ver p. 96).\n\n1) Alguns autores consideram esse sintoma como a prova de uma lesão neurofisiológica e uma nova concepção não muito diferente das teorias lisonas anatom-clínicas da psiquiatria do século XIX. Essa posição, requer a anterior petição de princípio, e foi pouco demonstrada qualquer irrefutável: a dislexia e o sintoma da doença \"Dislexia\", entendida de autonomia, caracterizada por uma lesão específica.\n\n2) Outros autores compreendem a dislexia como prova de um processo específico de inibição épistêmico que traz a persistência de um conflito edipiano ativo e o relativo secundário. A dislexia é um dos sintomas da neurose na criança.\n\n3) Para outros, a dislexia resulta da imaturidade de uma função instrumental e não passado do prolongamento excessivo de um patamar normal encontrado no início de leitura (particularmente, no momento do aprendido a mesma nítidez. De fato, a delimitação das condutas patológicas é mais incerta, os vínculos possíveis entre diversas condutas parecem parecer mais flexíveis do que o patológico adulto. A intricação constante dos movimentos de progresso e de regresso anida qualquer contorno preciso; a incompletude do funcionamento psíquico não permite referir a um modelo estável e acabado; a existência de momentos críticos no desenvolvimento presta contas de reviravoltas estruturais possíveis por muito tempo; a dependência prolongada ao meio pode provocar perturbações irreversíveis. Todos esses fatores brevemente enumeramos rondam a dificuldade frequente e, provavelmente, também o outro, ao definir diagnóstico de uma estrutura psíquica na criança. D. Marcelli\n\ncimento, há aqueles a que A. Freud chama de forças progressivas do desenvolvimento: a criança procura imitar seu pai, os irmãos mais velhos, o professor ou simplesmente os \"grandes\". Ela pode possuir seus atributos ou suas características, despresa ao mesmo tempo os menores, pelo menos aqueles que estão logo abaixo dela.\n\nOs processos de desenvolvimento incluem o conjunto das interações entre a criança e o meio, podendo os fatores externos desempenhar um papel positivo ou negativo nesse crescimento.\n\nSe o valor heurístico dessa distinção é evidente, prática clínica não é fácil separar processos de maturação e processos de desenvolvimento em razão da repressão mútua permanente. Como efeito, deve-se abandonar a posição estática cientificamente fácil que consiste em trazer o conhecimento da criança um processo geneticamente programado em sua totalidade desde o nascimento. As pesquisas em psicologia demonstraram a importância das interações entre equipamento e o ambiente físico (Karli).\n\nAlém dessas constantes interações com o meio, os processos de maturação não devem ser considerados como processos de desenvolvimento regulares, harmoniosos, e uma progressão ligeira, mas um hipotético \"desenvolvimento normal\". Como salientou Wildcher, \"as forças de resistência à mudança são considerados na criança. A todo momento, ela realiza um sistema em equilíbrio. A possibilidade da repetição de age de forma poderosa\". Os conflitos fazem parte inerente do desenvolvimento, que está sujeito a conflitos externos, interiorizados ou internos, conforme A. Freud, ou entendidos como iniciação no desenvolvimento, de conflitos de desenvolvimento neutros, de acordo com H. Nagera (ver p. 290).\n\nAssim como se viu nos parágrafos anteriores, a avaliação da angústia ligada a esses conflitos, compromissos e sintonia desconcertante é, assim mesmo a avaliação do organização estrutural sincrônica não podem bastar para distinguir o normal do patológico. A capacidade de progressão que conduz a sintomatização preserva o que a organização estrutural autoriza ou, ao contrário, seu poder de fixação ou de regressão só podem ser percebidos através de uma perspectiva diacrônica.\n\nA intensidade e o caráter patogênico desses pontos de fixação e dessas regressões podem acarretar distúrbios de desenvolvimento cada vez mais importantes. A. Freud propõe ainda como critério de apreciação do patológico e do normal o desenvolvimento. Esse autor redefine várias linhas de desenvolvimento que representam ações particulares do crescimento de uma criança: linha de desenvolvimento no sentido de dependência à autoridade afetiva e as relações de objeto do adulto, linha de desenvolvimento e a independência corporal (da amamentação à alimentação), razão da unicidade ao controle dos esfincteres), linha de desenvolvimento do controle do brinquedo e do jogo ao brincar.\n\nPara A. Freud, a patologia pode surgir de uma desantemidade nível materrenas essas linhas. Esse conceito de desarmonía tem um grande subentendido: é utilizado em inúmeras interpretações psicológicas e tende a ser um term novo conceito de referência semântico, ou que muitas vezes representam uma utilização totalmente preferencial de um conceito. Não deixa de ser evidente que se descrevem, cada vez mais com seus funções, \"organizações desarmonizadoras\", que a desarmonia ainda sua sede na evolução da organização cognitiva (ver p. 262), respondendo a várias dessas necessidades clínicas e patológicas.\n\nOs critérios e as múltiplas avaliações geralmente se estabelecem num contexto de normalidade e patológico. Neste sentido, para A. Freud, constitui uma prolongação e um gradativo reflexo da que as crianças devem considerar um foco. O normal se oferece aos contextos operacionais mais diversificados e a capacidade patológica representa as formas de determinismo das funções a serem focalizadas. MANUAL DE PSICOPATOLOGIA DA INFÂNCIA DE AURIAGUERRA\n\nUma outra noção que se refere implicitamente a um modelo ideal ou estatístico de desenvolvimento normal é frequentemente utilizada em psicopatologia infantil para condutas clínicas que se situam no limbo do normal e do patológico: trata-se da imaturidade.\n\nA partir da imaturidade, índices quadros clínicos foram isolados sobre bases etiopatogênicas muito diversas. Os autores que utilizam esse conceito justificam a referência a um processo de maturação permanente neurofisiológico, em razão dos sinais observados no EEG e reagrupados sob o nome de \"tracado amotado ou desamostrado\": traçado globalmente lento para a idade (mas que podem ter fisiológico para crianças mais jovens), porém, diante uma sensibilidade exagerada a hipertensão frequente e os \"picos\" ou das letras com predominância occipital. A interpretação da atividade reativa foi referida explicitamente a um nome da ideia que refere a estatística consistente e a evolução do eletroencefalograma da criança pequena. A questão a saber é que a correlação existente entre esses desvios eletroencefalográficos e a sintomatologia descrita sobre o nome da imaturidade.\n\nNa clínica, a imaturidade relacionada se habitua asserta a afeto e emocional. A partir da imaturidade psicomotora, Dufré, sob o nome de \"debilidade motor\", individualizou o início um quadro clínico e, depois, construiu uma teoria etiopatogênica cujo avanço nos parece ser a noção de Minimal brain dysfunction (ver p. 21 e 283). Das dispraxias mais graves às habilidades gestuais básicas, passando pela instabilidade, a divisão entre o normal e o patológico reponsabiliza sobre uma lesão ou uma disfunção estabelecida como uma petição de princípio do que como uma realidade clínica.\n\nA imaturidade afetiva ou emocional remete a plena dificuldade de controlar as emoções, sua intensidade e sua labilidade, a dificuldade para tolerar a frustração, a dependência afetiva, a necessidade de segurança, a suspenstionalidade...\n\nEncontra-se aqui um conjunto de traços descritos em diversas organizações patológicas, especialmente a perspectiva a história, tanto na clínica de adultos quanto na clínica de crianças, do mesmo modo que, para a \"debilidade motor\", alguns fatores vêm ao vestígio de uma lesão ou de uma disfunção. Em uma perspectiva analítica, essa imaturidade afeta e emocional remete as noções de tolerância e frustração e de capacidade de atuação que, para A. Freud, constituem um dos elementos de avaliação do normal e do patológico, mas também a noção de \"força do Eu\", ampliadamente utilizada pelos psicanalistas de escola de Hartmann. D. Marcelli\n\nNormalidade e Meio Ambiente\n\nWinnicott disse, com muita propriedade, que não existe uma criança pequena sem sua mãe: dois, mãe e filho, formam um todo sobre o qual deve-se basear a avaliação e o exercício terapêutico. Essa verdade também é válida para a criança maior ou o adolescente. A avaliação do normal e do patológico no funcionamento de uma criança não poderá ignorar o contexto ambiental parental, fraternal, escolar, residencial, amigável, religioso, etc.\n\nÍndices conduzidos julgados patológicos pelo meio mostram-se, na realidade, ou sinais em diversos divisões de novo, por um lado, patológicos e, como resultados como de rituais, ou seja sem um novo modos de condutas para a criança que enriqueceria a história atendida, ou seja, na medida rigorosa, desenvolver onde resgate normalidades. Então pode-se considerar que esses modelos dividem-se em cinco grandes grupos:\n\n1) modelo semiótico descritivo;\n2) modelo lesional;\n3) modelo ontogenético;\n4) modelo analítico;\n5) modelo ambiental.\n\nConfrontando a uma criança em sua singularidade, o clínico utiliza todo modelo preferencial ou os ou patológico, isto é, uma sociedade normal ou patológica, o que nos leva às diversas definições possíveis da normalidade e ilustra também o risco de uma reflexão fechada em si mesma, quando se aborda esse problema em um plano puramente teórico.\n\nCONCLUSÃO\n\nNo estudo das condutas e do equilíbrio psicoafetivo de uma criança, o normal e o patológico não devem ser considerados como dois estados distintos um do outro, nem uma fronteira em um amplo fosso os separaram rigorosamente. Nada permite considerar que haja dois campos resolutivamente heterogêneos, revelando processos psicológicos normais, no caso um deles, e desestruturação patológica, em outro. O desenvolvimento, a maturação da criança só pode ser vistos como um resgatar problemática e o desenvolvimento de interações cumulativas, aqueles que de previem como se seus comportamentos em relação a faculdades de contextos visando, no seu leque geral. TABELA 2.1\nPertinência Relativa dos Diversos Modelos de Compreensão, segundo alguns Quadros Clínicos\n\nModelo Descritivo Modelo Estrutural Modelo Ontogenético Modelo Ambiental Modelo Lesional\n\nNeurose da criança +++ +++ + +++ ++\nDislexia +++ ++ ++ +++ ++\nAutismo de Kanner ++ +++ ++ +++ ++\nPsicose precoce tipo ++ ++ ++ ++ ++\nPsicose simbólica ++ +++ ++ ++ ++\nDesempenho +++ +++ +++ +++ +\nevolutivo\nPré-pós-cos ++ +++ ++ +++ +++\nDisfunção cerebral +++ +++ +++ +++ +\nmínima\nEpilepsia ++ ++ +++ +++ +\nMongolismo ++ ++ ++ ++ ++\nPrematuridade ++ ++ ++ +++ +++\ne suas consequências\n\nmodelos que lhe parecem mais pertinentes para sua compreensão. Os \"quadros clínicos\" descritos pela nosografia tradicional também devem ser compreendidos à luz desses modelos que lhes dão seu sentido. A título de ilustração, terminamos este capítulo com dois quadros: o primeiro e aquele dos principais atores de compreensão utilizados em psicopatologia infantil; o segundo é uma tentativa um tanto sequencial que busca introduzir simplesmente uma reflexão sobre a pertinência desses diversos modelos de acordo com os \"quadros clínicos\" clássicos. A maior parte das classificações nosográficas atuais tenta considerar precisamente essa dimensão plurial essencial na psicopatologia, quer se trate do DSM-III-R ou IV ou da recente classificação francesa (ver p. 64).